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CVO n.1
COMISSÃO DE TRABALHO
PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 42, DE 2023
Apensados: PLP nº 245/2019, PLP nº 174/2023 e PLP nº 231/2023
Regulamenta o art. 201, § 1º, inciso II,
da Constituição Federal, para dispor sobre
os requisitos e critérios diferenciados para a
concessão de aposentadoria aos
beneficiários do regime geral de previdência
social, nos casos de atividades exercidas
sob condições especiais que prejudiquem a
saúde, e dá outras providências.
Autor: Deputado ALBERTO FRAGA
Relatora: Deputada GEOVANIA DE SÁ
COMPLEMENTAÇÃO DE VOTO
O Parecer apresentado a esta Comissão de Trabalho, no dia
28 de novembro de 2023, manifestou Voto, no mérito, pela aprovação dos
Projetos de Lei Complementar nº 42/2023, nº 245/2019, nº 174/2023 e nº
231/2023, na forma de Substitutivo que incorporou as propostas de
regulamentação da aposentadoria especial.
Os projetos foram retirados de pauta, a nosso pedido, no dia 6
de dezembro de 2023. Foi concedida visa conjunta no dia 13 de dezembro de
2023, pelas Deputadas Any Ortiz, Fernanda Pessoa e Simone Marquetto, e,
recentemente, no dia 20 de março de 2024, foram novamente retirados de
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pauta, mediante aprovação de requerimento dos Deputados Capitão Alberto
Neto e Alexandre Lindenmeyer.
Nesse ínterim, recebemos relevantes sugestões de alterações
do Substitutivo por parte da Confederação Nacional da Indústria – CNI e da
Advocacia-Geral da União – AGU.
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A primeira nos sugeriu a inserção de dispositivo no art. 58 da
Lei nº 8.213, de 1991, prevendo que “O fornecimento de equipamento e
tecnologia de proteção coletiva ou individual, pelo empregador, e o seu uso,
pelo empregado, nos termos da legislação trabalhista e da regulamentação,
ensejam a presunção de neutralização da exposição a agentes nocivos, ou sua
redução a níveis toleráveis, salvo comprovação por verificação técnica em
sentido contrário.”
No Recurso Extraordinário com Agravo nº 664.335, o STF
firmou o entendimento de que a concessão de aposentadoria especial
pressupõe efetiva exposição do trabalhador a agente nocivo à saúde, “de
modo que, se o EPI for realmente capaz de neutralizar a nocividade não
haverá respaldo constitucional à aposentadoria especial.” Contudo, em caso
de dúvida sobre a real eficácia do EPI, entendeu o STF que deve ser
reconhecido o direito à aposentadoria especial.
Assim, temos que o objetivo da CNI, que seria conferir maior
segurança jurídica às empresas, pode não ser atingido, uma vez que o texto
proposto colide diretamente com entendimento já formulado pelo STF. Por
outro lado, para atender ao objetivo de afastar a cobrança do adicional previsto
no § 6º do art. 57 em caso de eficácia do equipamento de proteção, propomos
a alteração desse dispositivo, vinculando a cobrança do tributo à hipótese em
que a adoção das medidas de prevenção previstas na legislação trabalhista
eliminar ou neutralizar a nocividade dos agentes químicos, físicos e biológicos
ao trabalhador.
No tocante às sugestões da AGU, procuramos atender a todas
que objetivam promover maior clareza no texto legal, como o acréscimo da
expressão “aos agentes nocivos constantes da lista referida no caput” ao final
do § 14 do art. 57, deixando mais claro no dispositivo que apenas se computam
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como especiais os períodos de descanso determinados pela legislação
trabalhista, desde que, à data do afastamento, o segurado estivesse exposto a
tais agentes.
No caso de encerramento de atividades da empresa, sugeriu a
AGU aperfeiçoamentos, como a possibilidade de utilização do laudo técnico de
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condições ambientais do trabalho e a vedação de prova exclusivamente
testemunhal. Em tais casos, a Turma Nacional de Uniformização e o Superior
Tribunal de Justiça já firmaram o entendimento de que é possível a realização
de perícia indireta, por similaridade1, o que se alinha com a sugestão
apresentada pela AGU, motivo pelo qual a acolhemos.
Questionou-se ainda a previsão de concessão de
aposentadoria em função de pontos (soma de tempo de contribuição e idade) e
tempo de efetiva exposição a agentes nocivos, sem a previsão de idade
mínima para a concessão do benefício, sob a alegação de que, nos termos do
§1º do art. 19 da EC 103/2019, a lei complementar que trata do tema deverá
dispor sobre “redução de idade mínima ou tempo de contribuição” para a
concessão de aposentadoria especial. Embora a sistemática de pontos leve em
consideração não apenas o tempo de contribuição do segurado, mas também
sua idade, o que acabaria, em nosso entendimento, por atender ao comando
constitucional, a fim de evitar maiores discussões sobre a constitucionalidade
do Substitutivo, procuramos estipular as idades mínimas de 40, 45 e 48 anos,
para as atividades especiais de 15, 20 e 25 anos, respectivamente.
Dessa forma, apresentamos esta Complementação de Voto,
para reafirmar a aprovação dos Projetos de Lei Complementar nº 42/2023, nº
245/2019, nº 174/2023 e nº 231/2023, e acolher algumas sugestões
apresentadas pela AGU, na forma de uma nova versão do Substitutivo que foi
apresentado no dia 28 de novembro de 2023, conforme anexo.
Sala da Comissão, em de de 2024.
Deputada GEOVANIA DE SÁ
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Relatora
2024-2661
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tempo-de-servico-especial
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CVO n.1
COMISSÃO DE TRABALHO
SUBSTITUTIVO AOS PROJETOS DE LEI COMPLEMENTAR Nº
42/2023, Nº 245/2019, Nº 174/2023 E Nº 231/2023
Altera a Lei nº 8.213, de 24 de julho de
1991, que dispõe sobre os Planos de
Benefícios da Previdência Social, para
regulamentar o art. 201, § 1º, inciso II, da
Constituição Federal, que autoriza a adoção
de requisitos e critérios diferenciados para a
concessão de aposentadoria aos
beneficiários do regime geral de previdência
social, nos casos de atividades exercidas
sob condições especiais que prejudiquem a
saúde, e dá outras providências.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Esta Lei Complementar dispõe sobre a aposentadoria
especial aos segurados do Regime Geral de Previdência Social de que trata o
inciso II do § 1º do art. 201 da Constituição Federal.
Art. 2º A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar
com as seguintes alterações:
Subseção IV
Da Aposentadoria Especial
“Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez
cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado cujas
atividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes
químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou
associação desses agentes, incluídos em lista definida pelo
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Poder Executivo.
§ 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33
desta Lei e no caput e §§ 1º, 6º e 7º do art. 26 da Emenda
Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, consistirá
em uma renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do
salário-de-benefício.
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§ 1º-A. A aposentadoria de que trata este artigo será devida
quando a idade e o tempo de efetiva exposição com
contribuição forem, respectivamente, de:
I - 40 (quarenta) anos de idade, quando se tratar de atividade
especial de 15 (quinze) anos;
II - 45 (quarenta e cinco) anos de idade, quando se tratar de
atividade especial de 20 (vinte) anos; ou
III- 48 (quarenta e oito) anos de idade, quando se tratar de
atividade especial de 25 (vinte e cinco) anos.
§ 2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma
que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art.
49, não se aplicando o disposto no § 8° até a data de
concessão do benefício, por decisão administrativa ou judicial.
.....................................................................................................
.
§ 5º Será reconhecida a conversão de tempo especial em
comum, ao segurado do Regime Geral de Previdência Social
que comprovar tempo de efetivo exercício de atividade sujeita a
condições especiais que efetivamente prejudiquem a saúde,
cumprido até a data de entrada em vigor da Emenda
Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, vedada a
conversão para o tempo cumprido após esta data.
§ 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os
recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II
do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas
alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos
percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a
serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria
especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de tempo de
efetiva exposição, respectivamente.
.....................................................................................................
.
§ 8º O benefício de aposentadoria especial previsto neste
artigo será suspenso na hipótese de o segurado continuar no
exercício de atividades que o exponham aos agentes nocivos
constantes da lista referida no caput, ou a elas retornar.
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§ 9º O benefício de aposentadoria especial será restabelecido
quando o segurado comprovar a cessação do exercício de
atividades que o exponham aos agentes nocivos constantes da
lista referida no caput.
§ 10. A suspensão do benefício deverá ser precedida de
processo que garanta a ampla defesa e o contraditório, nos
termos do regulamento.
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CVO n.1
§ 11. Os valores indevidamente recebidos deverão ser
ressarcidos, na forma prevista em regulamento.
§ 12. A efetiva exposição a agente prejudicial à saúde de forma
permanente, não ocasional nem intermitente, configura-se
quando, mesmo após a adoção das medidas de prevenção
previstas na legislação trabalhista, a nocividade não seja
eliminada ou neutralizada.
§ 13. Para fins do disposto no § 12, a exposição aos agentes
químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou
associação desses agentes, deverá superar os limites de
tolerância estabelecidos segundo critérios quantitativos, nos
termos do Regulamento, ou, na sua ausência, estar
caracterizada de acordo com os critérios de avaliação
qualitativa, conforme regulamento.
§ 14. Consideram-se como especiais os períodos de descanso
determinados pela legislação trabalhista, inclusive férias, e os
de afastamento decorrentes de gozo de benefícios por
incapacidade temporária ou permanente acidentários, bem
como os de percepção de salário-maternidade, desde que, à
data do afastamento, o segurado estivesse exposto aos
agentes nocivos constantes da lista referida no caput.
§ 15. O exercício de trabalho em atividades ou operações
perigosas, segundo a legislação trabalhista, não enseja a
caracterização da atividade como especial.
§ 16. Considera-se exposição do segurado somente a ocorrida
de forma habitual e permanente, assim entendida como aquela
que seja indissociável da produção do bem ou da prestação do
serviço, ficando o segurado exposto ao agente nocivo por
tempo superior ao limite previsto em regulamento.
§ 17. Fica vedada, nos termos do inciso II do § 1º do art. 201
da Constituição Federal, a caracterização de categoria
profissional ou ocupação para a concessão de aposentadoria
especial.
§ 18. Aplicam-se à aposentadoria especial, naquilo que não for
incompatível com as disposições deste artigo, as normas
relativas aos demais benefícios do Regime Geral de
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Previdência Social.” (NR)
“Art. 57-A. Para o segurado que houver exercido duas ou mais
atividades com efetiva exposição a agentes nocivos, sem
completar em qualquer delas o tempo mínimo exigido para a
concessão de aposentadoria especial, os respectivos períodos
de exercício em condições especiais serão somados após
conversão, segundo critérios estabelecidos em regulamento,
devendo ser considerada a atividade preponderante para efeito
de enquadramento e fixação de idade mínima.
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CVO n.1
Parágrafo único. Para fins de aplicação do caput, considera-se
atividade preponderante aquela em que o segurado trabalhou
por maior período.”
“Art. 57-B. Enquadram-se nas hipóteses de concessão de
aposentadoria especial, desde que sejam exercidas com
efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos
prejudiciais à saúde, entre outras previstas em regulamento:
I – aos 15 anos de efetiva exposição, a atividade de mineração
subterrânea, em frente de produção;
II - aos 20 anos de efetiva exposição:
a) a atividade de mineração subterrânea, quando houver
afastamento da frente de produção;
b) a atividade em que haja exposição a asbesto ou amianto;
III - aos 25 anos de efetiva exposição:
a) a atividade de metalurgia, quando comprovada a exposição
a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde,
ou associação desses agentes;
b) a atividade em que haja exposição a pressão atmosférica
anormal;
c) as atividades com exposição ao sistema elétrico de potência
que tenham como fonte a energia elétrica oriunda de:
1. geradores de energia elétrica;
2. linhas de transmissão;
3. subestações, no caso de trabalhadores que realizam
trabalho interno; ou
4. instalações, estações, redes distribuidoras ou
transformadoras de energia elétrica.
d) as atividades de vigilância, independentemente de exigência
de uso permanente de arma de fogo no exercício de:
1. atividades de vigilância ostensiva ou patrimonial e transporte
de valores;
2. de guarda municipal de que trata o § 8º do art. 144 da
Constituição Federal.”
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“Art. 58. .......................................................................................
.....................................................................................................
.
§ 1º-A Nos casos em que não for possível a comprovação por
meio de formulário ou laudo técnico de condições ambientais
do trabalho constante deste artigo, por encerramento das
atividades da empresa onde o trabalho foi exercido, serão
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CVO n.1
admitidos outros meios de prova em direito permitidos, desde
que cumpridos os requisitos legais para comprovação da
incidência de agentes nocivos no que tange aos aspectos
quantitativos e qualitativos, vedada a prova exclusivamente
testemunhal.
............................................................................................” (NR)
Art. 3º Esta Lei Complementar entra em vigor após decorridos
90 (noventa) dias de sua publicação oficial.
Sala da Comissão, em de de 2024.
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