Duplo Objeto Direto em Alunos de Português
Duplo Objeto Direto em Alunos de Português
A Realização do Duplo Objecto Directo nas Frases Produzidas pelos Alunos da 7 ª Classe: caso da
Escola Básica de Machinho - Chókwè.
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
A Realização do Duplo Objecto Directo nas Frases Produzidas pelos Alunos da 7 ª Classe: caso da
Escola Básica de Machinho – Chókwè
A Candidata O Supervisor
_______________________ __________________________
Declaração de honra
Eu, Elsa Raul Matlavane, estudante da Faculdade de Ciências de Educação, da Universidade
Aberta ISCED (UnISCED), curso de Licenciatura em Ensino de Português, com o código nº
31200418, declaro que o conteúdo desta monografia é fruto da minha pesquisa. Manifesto que
nunca antes foi apresentado em nenhuma instituição do ensino superior. As fontes consultadas
encontram-se devidamente citadas e referenciadas na bibliografia do trabalho, pelo que, não
resulta de um plágio. Sou unicamente responsável pelas implicações legais que possam advir
sobre os direitos autorais.
Assinatura: ____________________________
iii
Dedicatória
À minha família, incentivadora dos meus estudos, em especial ao meu marido Mafuia Venâncio
Machava, educador exemplar e aos meus filhos.
iv
Agradecimentos
Em primeiro lugar quero agradecer a Deus pelo dom da vida, por me dar forças e me iluminar
em toda a minha trajectória académica.
Em segundo lugar, agradecer aos meus docentes pelos conhecimentos partilhados ao longo da
minha formação, em particular ao meu supervisor Mestre Uaite Domingos Armando Primeiro
pelo encaminhamento na realização desta pesquisa.
De igual modo agradeço a toda minha família pelo apoio moral, em especial meu esposo.
v
Índice
Declaração de honra ...................................................................................................................................... ii
Dedicatória ................................................................................................................................................... iii
Agradecimentos ........................................................................................................................................... iv
Lista de Tabelas .......................................................................................................................................... vii
Lista de Gráficos ........................................................................................................................................ viii
Resumo ........................................................................................................................................................ ix
Summary ....................................................................................................................................................... x
CAPITULO I: INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1
1.1. Contextualização .................................................................................................................................... 1
1.2. Problematização ..................................................................................................................................... 1
1.3. Objectivos .............................................................................................................................................. 2
1.3.2. Objectivos específicos ........................................................................................................................ 2
1.4. Hipóteses ................................................................................................................................................ 2
1.5. Justificativa ............................................................................................................................................ 3
1.6. Delimitação do tema. ............................................................................................................................. 4
CAPITULO II: REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................... 5
2.1. Discurso ................................................................................................................................................. 5
2.1.1. Discurso directo .................................................................................................................................. 5
2.2. Discurso indirecto .................................................................................................................................. 6
2.3. Estratégias de abordagem do discurso directo na sala de aula. .............................................................. 7
2.4. As causas da realização de duplo objecto directo nas frases produzidas pelos alunos da 7ª classe na
Escola Básica de Machinho no Distrito de Chókwè. .................................................................................. 10
2.4.1. Uso abusivo de línguas locais ........................................................................................................... 10
2.4.2. Défice de metodologia ...................................................................................................................... 11
2.4.3. A intolerância linguística na escola moçambicana ........................................................................... 13
2.5. Estratégias de abordagem de abordagem do discurso directo na sala de aula ..................................... 14
2.5.1. Abordagem tradicional de relato de discurso .................................................................................... 14
CAPITULO III - METODOLOGIA DA PESQUISA ................................................................................ 17
3.1 Tipos de pesquisa .................................................................................................................................. 17
3.2 Método de abordagem do conteúdo ...................................................................................................... 18
3.3 Método de procedimento ...................................................................................................................... 18
vi
Lista de Tabelas
Tabela 1: nível de conhecimento da gramática por parte dos alunos. Página 20
Lista de Gráficos
Gráfico 1. Percentagem das respostas a pergunta 1 de roteiro dirigido aos alunos. Página 21
Gráfico 2: Percentagem das respostas a pergunta 2 de roteiro dirigido aos alunos. Página 21
ix
Resumo
A presente monografia científica intitulada “A Realização do Duplo Objecto Directo nas Frases
Produzidas pelos Alunos da 7 ª Classe: caso da Escola Básica de Machinho - Chókwè”, visa
Compreender as causas da realização do duplo objecto directo em frases produzidas pelos alunos
da 7ª classe. Como procedimento metodológico, usamos a pesquisa mista e descritiva associada
ao estudo de caso. Como instrumentos de recolha de dados, aplicamos entrevista, questionário e
observação. Analisando os resultados desta pesquisa, os dados mostram-nos que, na Escola
Básica de Machinho, as aulas da Língua Portuguesa destinadas ao ensino da gramática na 7ª
classe são orientadas por estratégias tradicionais por isso os alunos não dominam várias
componentes gramaticais, como por exemplo, a morfologia e a sintaxe; as aulas de gramática são
associadas as aulas de leitura e interpretação de textos e como estratégia de ensino da gramática,
o professor desta disciplina tem optado pelo ensino da gramática contextualizada, através de
textos normativos, assim como da realização de actividades de gramática em uso.
Summary
This scientific monograph entitled “The Realization of the Double Direct Object in Sentences
Produced by 7th Class Students: case of Escola Básica de Machinho – Chókwè”, aims to
understand the cases of the realization of the double direct object in sentences produced by 7th
class students. As a methodological procedure, we used mixed and descriptive research
associated with the case study. As data collection instruments, we applied interviews,
questionnaires and observation. The results of this research show us that, at Escola Básica de
Machinho, Portuguese language classes aimed at teaching grammar in the 7th grade are guided
by traditional strategies, which is why students do not master several grammatical components,
such as morphology and the syntax; Grammar classes are associated with reading and text
interpretation classes and as a grammar teaching strategy, the teacher of this subject has opted for
teaching contextualized grammar, through normative texts, as well as carrying out grammar-in-
use activities.
1.1. Contextualização
A Língua Portuguesa é a fundamental para tornarmos eficientes no ensino, actualmente em nosso
dia-a-dia, ter conhecimento em língua portuguesa para realizar actividades como ler e escrever
por meio dela, os seres humanos expressam sentimentos, constroem pensamentos, interagem o
ambiente e outros indivíduos. Dominar o código linguístico é fundamental para a execução de
tarefas rotineiras e para ter um bom aproveitamento académico e profissional. Ela se torna
pertinente uma discussão em sala de aula.
Reconhecido esse carácter socialmente da língua portuguesa ao nosso ver, ela deve ser objecto de
toda atenção e cuidado. Existe falantes que se limitam buscar a língua portuguesa pura, e
simplesmente para transmitir mensagem, não se importando com o modo usam para esse efeito.
Este facto está presente nas frases produzidas por alunos, onde ocorre a realização do duplo
objecto directo. Constitui uma preocupação o que urge reagir, a gramaticalidade das frases
generalizadas dos alunos nas escolas básicas. Será dentro deste contexto que a pesquisa
desenvolverá o seguinte tema: A Realização do Duplo Objecto Directo nas Frases Produzidas
pelos Alunos da 7 ª Classe: caso da Escola Básica de Machinho, Distrito de Chókwe.
1.2. Problematização
A língua portuguesa é, no seio da CPLP em geral, e dos PALOP em particular, se tornou possível
a comunicação entre membros de cada pais, não só, também permite que todos os membros dos
diversos países entendam essa língua como um elo principal de comunicação e de partilha de
outros aspectos culturais (Gonçalves, 2010, p.23)
A língua portuguesa (LP) é um instrumento que permite a comunicação entre os diversos falantes
para satisfazer as necessidades diárias ou quotidianas. Este estudo é resultado das constatações
feitas no dia-a-dia na Escola Básica de Machinho, Distrito de Chókwe, onde trabalhamos na
mesma, é comum ouvir alunos da 7ª classe a proferirem frases com duplo objecto, por exemplo:
1
*A Anagay deu o pão o Manuel
Nas duas frases está claro que a medalha foi oferecida ao Ivo e o pão foi oferecido ao Manuel. As
frases proferidas pelos alunos da 7ª classe na Escola Básica de Machinho, Distrito de Chókwe
têm impacto negativo no processo de ensino e aprendizagem, na medida em que os alunos os
mostram um total desconhecimento das regras, um carácter normativo que organiza o
pensamento de uma forma lógica, melhorando as capacidades de comunicação e expressão
escrita. Diante do exposto, levantamos a questão: quais são as causas que influenciam a
realização do duplo objecto directo em frases produzidas pelos alunos da 7ª classe na Escola
Básica de Machinho, Distrito de Chókwe?
1.3. Objectivos
1.3.1. Objectivo geral
1.4. Hipóteses
Hipótese 1: O uso excessivo de Changana por parte dos alunos da 7ª classe da Escola Básica de
Machinho, pode influenciar para a realização do duplo objecto directo em Português, porque a
2
formação frásica de Changana geralmente não inclui a contração “ao” ( Anagay deu o pão o
Manuel* - Anagay anyike pawa Manuel).
Hipótese 2: O fraco domínio metódico da didáctica da gramática por parte do professor pode
influenciar na ocorrência do duplo objecto directo nas frases produzidas pelos alunos da 7ª classe
na Escola Básica de Machinho.
1.5. Justificativa
A escolha do tema para a pesquisa, deve-se pelo facto de ser professora em exercício na escola
em estudo e ter observado em avaliações escritas, ao longo das correcções e notado em frases
orais a produção de frases com o duplo objecto directo e o facto suscitou a pesquisa. E ao longo
da assistência de aulas, verificou-se que a maior parte dos professores de Língua Portuguesa não
se empenhavam devidamente na leccionação de aspectos gramaticais em suas aulas, a título está a
limitação no ensino de regras e normas gramaticais, ignorando outros aspectos fundamentais que
caracterizam o estudo da gramática.
Tal como afirma Pinto (2010) que actualmente, a didáctica exige com que nos detenhamos em
aspectos discursivos e pragmáticos, porque se considera que o papel desempenhado pela
gramática nas aulas de línguas é mais amplo, sobretudo após o surgimento do conceito de
competência comunicativa.
Uma língua, qualquer que ela seja, é um elemento social e socializador, além de ser um factor de
identidade e unidade cultural, e, por isso, deve possuir sempre registos supradialectais que
incorporem as mudanças, porque a necessidade de um padrão linguístico é um importante factor
de estabilidade social, cultural até política.
Usamos a língua não só como instrumento de comunicação, isto é, para veicularmos mensagens,
mas também e sobretudo, para nos integrarmos e interagimos numa comunidade e há que fazê-lo
de forma gramaticalmente aceitável. Este estudo é relevante, na medida em que ira despertar mais
estudos sobre esta temática e por via disso, dar mais sugestões didácticas de abordagem do
discurso directo na sala de aula, sobretudo nas escolas básicas.
3
1.6. Delimitação do tema.
A República de Moçambique é um estado pluri-étnico e multilingue em que razões históricas
determinaram que a língua oficial não fosse a língua materna da maioria dos moçambicanos, mas
sim a língua da ex-potência colonizadora-Portugal. Por conseguinte, a LP é a ponte entre os
diferentes povos que constituem o País. E é devido a essa pluri-etnia que a LP em todo o país é
usada como língua de escolarização e ela constitui língua segunda para a maior parte dos alunos,
visto que a maioria destes tem como sua língua materna, línguas bantu faladas em todo país. Viu-
se a necessidade pedagógica de se estudar sobre o seguinte tema: A Realização do Duplo Objecto
Directo nas Frases Produzidas pelos Alunos da 7 ª Classe: caso da Escola Básica de Machinho
Distrito de Chokwe, durante o período de 2023.
4
CAPITULO II: REVISÃO DE LITERATURA
Aqui serão apresentadas diversas opiniões dos teóricos que abordam a temática A Realização do
Duplo Objecto Directo nas Frases Produzidas pelos Alunos da 7 ª Classe: caso da Escola Básica
de Machinho Distrito de Chokwe, com maior destaque para discurso directo e discurso indirecto,
as estratégias de abordagem do discurso directo na sala de aula, as causas da realização de duplo
objecto directo nas frases produzidas pelos alunos da 7ª classe na Escola Básica de Machinho no
Distrito de Chokwe e estratégias de abordagem de abordagem do discurso directo na sala de aula.
2.1. Discurso
Haja vista a grande variedade de definições para o termo “discurso”, para Brandão (2004, p.11),
suas noções fundamentais e compreensão sobre a linguagem:
Exemplos:
Ainda nesta perspectiva, Dias (2002) aponta que o discurso indirecto também utiliza verbos de
elocução, como falar, responder, perguntar, indagar, declarar, exclamar. Contudo, não há uso do
travessão, uma vez que geralmente as orações são subordinadas, ou seja, dependem de outras
orações. Com base no pensamento pode-se entender que a ausência do travessão e o uso de
orações subordinadas sugerem uma integração mais fluida do discurso relatado na narrativa
principal. Isso implica que o discurso indireto é menos interrompido visualmente e
6
gramaticalmente, o que pode contribuir para um fluxo narrativo mais contínuo e natural.
Portanto, a utilização de verbos de elocução e a estrutura de orações subordinadas não apenas
transmitem o conteúdo do discurso original, mas também moldam a maneira como esse conteúdo
é incorporado e percebido dentro da narrativa maior.
Exemplos:
No discurso indirecto, a estrutura sintática segue um padrão fixo. As falas relatadas são
apresentadas como uma oração subordinada substantiva objectiva directa, introduzida por um
verbo. O sentido do verbo introdutor indica que há um discurso relatado, diferenciando-o de uma
simples oração subordinada substantiva objectiva directa.
Na concepção de QECRL (2001), para que o aluno tenha uma boa expressão comunicativa é
necessário que tenha domínio das seguintes competências: linguística, sociolinguística e
7
pragmática (p.174). Desta forma, compreende-se que o desenvolvimento de competências
comunicativas na escola é importante, sobretudo no primeiro ciclo da aprendizagem da língua
materna, pois é dele que partirá toda a aprendizagem e a prática com as habilidades linguísticas.
O ensino e aprendizagem da língua portuguesa deve ocorrer de acordo com as necessidades dos
professores e dos alunos, trocando mutuamente os conhecimentos da construção de competências
comunicativas. As “formas sintaticamente independentes que recorrem a expressões evidenciais e
citacionais (segundo, de acordo com, alegadamente) que funcionam como uma glosa
clarificadora no interior ou nas fronteiras da citação” (Monteiro, 2014, p.34).
Como definido por Ferreira (2015, p.32), o DD é formado por dois segmentos: “um
segmento narrativo que introduz a citação, através de um verbo de comunicação ou outra forma
introdutora, e a própria citação, mantém o sistema díptico do discurso relatado”. Neste caso,
Gonçalves & Diniz (2004, p.66) o discurso relatado pode aparecer a seguir ao verbo descende
introdutor após dois pontos, aspas ou travessão como em 1), com o verbo intercalado entre
travessões como em 2), ou com o verbo colocado depois do travessão ou das aspas como em 3) :
1. Catarina Lacerda explicou: - A proposta é que o espectador contacte com o som que estamos a
criar e se relacione com a paisagem.
2. Houve uma vontade de muscular o FITEI - frisou Tiago Guedes – porque é um festival muito
importante, tem passado por vária gerações e está numa fase muito boa.
3. “Esta é uma programação que tenta que o tema fique livre de preconceitos”. Aquele que relata
não só reproduz como representa o discurso citado, pois nunca é completamente fiel ao discurso
original, na medida em que o discurso relatado reflecte, de forma mais ou menos perceptível, o
8
ponto de vista ou a intenção do relator. É possível relatar o discurso sob diversas formas, que são
enunciadas na distribuição proposta na figura 1, que consiste numa adaptação a partir da síntese
de Monteiro (2014, p. 33).
Os aspectos mais importantes mais interessantes que os autores Fiorin & Savioli (2006)
abordam é a questão da funcionalidade dos modos de produzir ou mesmo fazer uma citação de
um discurso alheio. Cada tipo de citação assume um papel distinto no interior do texto, a escolha
de um ou de outro, processada pelo narrador, pode revelar suas intenções e sua própria visão de
modo (p.184). Portanto, como ficou nítido, eles escrevem sobre intencionalidade, ou seja, quem
escreve detém o poder de escolher entre um discurso ou outro, Caso optem pelo discurso directo,
aquele que escreve gera um efeito de verdade, repassando a impressão que manteve a integridade
do discurso e a autenticidade do que reproduziu.
O uso do discurso direto transmite a impressão de uma reprodução exata das palavras do
enunciador citado, pois há uma sensação de fidelidade absoluta ao que está destacado entre aspas
ou travessões. Isso cria uma percepção de autenticidade e proximidade com o discurso original,
contribuindo para uma comunicação mais direta e vívida.
Fiorin & Savioli (2006) acreditam na existência de dois (2) tipos de discurso indirecto: o
que analisa o conteúdo e o que analisa a expressão. O primeiro, ao eliminar os elementos
emocionais ou afectivos presentes no discurso directo, bem como as interrogações, exclamações
ou formas interpretativas, cria um efeito de sentido de objectividade analítica (p.184). Trata-se de
9
apresentar o conteúdo do discurso, e não a forma. Tem se a impressão que, quem redige o texto,
analisa o discurso citado, de forma racional e sem envolvimento. Nesta situação, o DI, não se
interessa pela individualidade do falante revelada no modo como ele diz as coisas.
Na concepção de Faraco (2012) o segundo modelo do DI, serve para analisar as palavras e
o modo de dizer dos outros, e não apenas o conteúdo da sua comunicação. Desta forma, palavras
e expressões realçadas vêm entre aspas. “O narrador o faz para dar relevo a uma expressão típica
do personagem. Nesse caso, o discurso indirecto analisa o personagem por meio de formas de
falar e manifesta a posição do narrador em relação a elas” (p.25).
Nesse modelo de discurso indireto, o foco não está apenas no conteúdo da comunicação,
mas também na maneira como as palavras são utilizadas pelos personagens. Ao destacar palavras
e expressões entre aspas, o narrador realça aspectos específicos da fala do personagem,
oferecendo insights sobre sua personalidade e atitude. Dessa forma, o discurso indireto não
apenas transmite informações, mas também proporciona uma análise mais profunda dos
personagens e das relações entre eles.
2.4. As causas da realização de duplo objecto directo nas frases produzidas pelos alunos da
7ª classe na Escola Básica de Machinho no Distrito de Chókwè.
Aqui são apontadas as causas da realização de duplo objecto directo nas frases produzidas pelos
alunos da 7ª classe na Escola Básica de Machinho no distrito de Chókwè. Dentre as elas, pode-se
destacar as seguintes: o uso abusivo das línguas locais, défice de metodologia e, a intolerância
linguística na escola moçambicana.
10
Nas áreas rurais, muitos alunos têm o português como segunda língua, com uma língua local
sendo sua língua materna. Para eles, a língua do dia-a-dia é a local, usando o português apenas na
sala de aula. Isso pode resultar em um vocabulário limitado em português, dificultando a
compreensão de certos temas. Embora possam entender os conceitos, a falta de vocabulário
específico pode ser um obstáculo para assimilar completamente o conteúdo em sala de aula.
Segundo Faraco (2012) todos estes três tipos de alunos não podem ser tratados na mesma
forma, no ensino da língua portuguesa, quer dizer, um único livro não responde às necessidades
educativas. Sabemos que o país é pobre, mas a educação é a fonte mais importante no
desenvolvimento de qualquer país (p.80).
Conforme Gonçalves & Diniz (2004, p. 2) se os alunos não dominarem esta língua, a
compreensão dos conteúdos destas disciplinas fica seriamente posta em causa, impedindo o seu
sucesso na vida escolar.
Para Cagliari (2009) tudo o que se ensina na escola está directamente ligado à leitura e
depende dela para se manter e se desenvolver”. Por isso, o aluno que tem problemas de leitura
enfrenta problemas em todas as disciplinas. Sabe-se que “ler é uma actividade extremamente
complexa e envolve problemas não só semânticos, culturais, ideológicos, filosóficos, mas até
fonéticos.
Na escola, tudo o que se ensina está diretamente relacionado à leitura, sendo fundamental
para o avanço em todas as disciplinas. Se um aluno enfrenta dificuldades de leitura, pode
encontrar obstáculos em várias áreas do conhecimento. A leitura é descrita como uma atividade
complexa, que engloba aspectos semânticos, culturais, ideológicos, filosóficos e até fonéticos.
Isso ressalta a importância de desenvolver habilidades de leitura desde cedo e oferecer suporte
aos alunos que enfrentam desafios nessa área.
Segundo Ngunga (2012) sabendo que o português é uma língua em que o traço voz (das
consoantes) é contrastivo, a transferência negativa da função deste traço de Xichangana para a
língua alvo pode trazer consequências negativas à comunicação (p.11). Essa afirmação destaca a
importância de considerar as diferenças fonéticas entre línguas ao aprender uma nova. No caso
específico mencionado, a transferência negativa de traços fonéticos de uma língua para outra
13
pode afetar negativamente a comunicação. Isso sugere que os alunos devem estar cientes das
diferenças fonéticas entre sua língua materna e a língua-alvo para evitar possíveis problemas de
comunicação, especialmente quando essas diferenças podem levar a mal-entendidos ou
incompreensões. Portanto, compreender e lidar com essas diferenças é crucial para uma
comunicação eficaz em uma língua estrangeira.
De acordo com Macedo (2002) o professor de língua portuguesa, geralmente não recebe a
devida formação, e prepara seus alunos da mesma maneira como aprendeu a língua (p.120).
Desta forma, percebe-se que a problemática no desenvolvimento das competências pode estar
associada a vários outros factores, tanto de ordem linguística quanto social.
Monteiro (2014, p.51) sintetiza três tipos de insuficiências que a abordagem tradicional do
relato do discurso implica:
Segundo Gonçalves & Diniz (2004, p.60) o relato de discurso envolve múltiplas
componentes, pelo que, se os aprendentes só fizerem exercícios tradicionais de relato de discurso,
sem ligação com contextos reais de comunicação, quando quiserem utilizar o relato em situação
real de comunicação, vão perceber que as regras de transposição do relato tradicionalmente
aprendidas não são eficazes. Contudo, pode-se conclurir que as regras aprendidas de forma
isolada não serão tão eficazes em contextos reais, onde a comunicação exige mais flexibilidade e
adaptação. Portanto, é crucial que o aprendizado do relato de discurso esteja vinculado a
contextos autênticos para ser realmente útil.
15
Faraco (2012) aponta como exemplo, para um enunciado em DD, como 1), as regras de
transposição do relato preconizadas pela gramática tradicional, só permitem a versão 2) em DI
para esse enunciado (p.80). Dessa forma, a gramática tradicional mantém um controle estrito
sobre a transformação de discursos, garantindo consistência e clareza na comunicação escrita e
oral. Isso demonstra que a gramática tradicional exerce um controle rigoroso sobre como os
discursos são transformados de uma forma para outra. Esse controle estrito ajuda a garantir
consistência e clareza tanto na comunicação escrita quanto na oral. Em outras palavras, a
gramática tradicional impõe regras claras e específicas para a transposição de discursos,
assegurando que a comunicação mantenha uma estrutura e entendimento uniformes.
Neste exemplo, segundo as regras da gramática tradicional, o díptico temporal agora usado no
DD é transposto para naquele momento no DI. Contudo, se imaginarmos a seguinte situação: a
Maria e o Manuel querem combinar com o José para sair juntos, então a Maria liga ao José para
perguntar onde ele está agora e o José responde «Estou em casa agora». E neste momento, o
Manuel pergunta à Maria «Então, o que disse o José?».
16
CAPITULO III - METODOLOGIA DA PESQUISA
Este capítulo é reservado à descrição das estratégias, dos caminhos ou meios a partir dos quais o
estudo foi desenvolvido. Assim, indicamos (i) o tipo de pesquisa, (ii) os métodos de abordagem
do conteúdo (iii) os métodos de procedimento (iv) as técnicas e os instrumentos de recolha de
dados, (v) a população-alvo da nossa pesquisa e os (vi) métodos de análise dos dados.
Tendo em conta a natureza, a nossa pesquisa, baseia-se na Pesquisa Aplicada dado que objectiva
gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos.
Envolve verdades e interesses locais.
Do ponto de vista do seu objectivo, a nossa pesquisa é exploratória, pois o trabalho encontra-se
numa fase preliminar e a sua finalidade é proporcionar informações sobre as dificuldades que os
professores enfrentam na selecção do material didáctico para superar o uso exagerado do Duplo
objecto directo pelos alunos. Isto quer dizer que este método facilita a delimitação do tema da
pesquisa; orienta a fixação dos objectivos e a formulação das hipóteses ou descobrir um novo tipo
de enfoque para o assunto. Portanto, fazemos levantamento bibliográfico; entrevistas com
pessoas envolvidas no problema pesquisado. Vamos usar também a pesquisa descritiva dado que
satisfaz o registo e a descrição dos factos observados sem neles inferirmos. Descrevemos as
características da população alvo.
17
Quanto aos procedimentos técnicos, ou seja, a maneira pela qual obtemos os dados necessários
para a elaboração da pesquisa, recorremos a Pesquisa bibliográfica: pois foi feita a partir de
material já publicado, constituído principalmente de: livros, revistas, publicações em periódicos e
artigos científicos, jornais, boletins, monografias, dissertações, teses, internet, com o objectivo de
colocar o pesquisador em contacto directo com todo material já escrito sobre o assunto da
pesquisa. Em relação aos dados colectados na internet, devemos atentar à confiabilidade e
fidelidade das fontes consultadas electronicamente.
18
3.4 Técnicas e instrumentos de recolha de dados
i. Inquérito dirigido aos professores de Português: Na perspectiva de Bell (1993:100), “os
inquéritos constituem uma forma rápida de recolher um determinado tipo de informação”.
Para esta autora o objectivo de um inquérito é obter informação que possa ser analisada,
extrair modelos de análise e tecer comparações. Em função disso, aplicamos como técnica
de recolha de dados o questionário que foi direccionado aos professores do 1º ciclo do
ensino secundário, em particular os que leccionam a 7ª classe, tendo sido por escrito o
qual foi composto por perguntas abertas e de escolha múltipla. Este instrumento permite a
obtenção de informações relacionadas com as estratégias usadas no desenvolvimento da
expressão oral do aluno a partir da experiência do próprio professor.
ii. Outro instrumento de recolha de dados foi uma grelha de assistência de aulas, apoiada
pela técnica de observação. Assim, foram assistidas 4 aulas duplas da 7ª classe na Escola
Básica de Machinho. A grelha de assistência de aulas facilitou o registo do decurso das
aulas assistidas. Foi com base neste instrumento que conseguimos registar todas as
actividades lectivas observadas durante a nossa assistência.
19
3.6 Universo populacional e amostra
Segundo Marconi & Lakatos (2009:95):
De acordo com Guerra (2006:39) “as metodologias qualitativas são caracterizadas pela sua falta
de representatividade estatística. De facto não tem muito sentido falar de amostragem, pois não se
procura uma representatividade estatística, mas sim uma “ representatividade social”.
Reforça Zaniescki apud Guerra (2006:40), que na selecção de uma amostra qualitativa, existem
dois conceitos básicos: (i) os conceitos de diversidade e de (ii) saturação para “medição”
(compreensão dos significados) dos participantes.
20
CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS
Neste capítulo fazemos a apresentação e análise de dados recolhidos. Para tal, trabalhamos com
os professores e alunos da 7ª classe com objectivo de perceber como é que ocorre a produção de
frases com o duplo objecto directo na sala de aulas. O objectivo principal nesta pesquisa é
compreender as causas da realização do duplo objecto directo em frases produzidas pelos 62
alunos da 7ª classe na Escola Básica de Machinho no Distrito de Chókwe.
2. Tipo de actividades que o professor orientou aos alunos durante as aulas de gramática;
5. O comportamento dos alunos durante as aulas em que deviam produzir frases que tivessem os
objectos directo e indirecto.
A primeira aula assistida sobre a gramática, teve dois momentos, o da leitura do texto
(Regulamento interno da escola) e o momento em que o professor introduziu as actividades que
têm a ver com a gramática. É sobre este momento que a nossa análise vai incidir na parte em que
o professor toma o ensino da gramática.
21
Em termos de estratégia metodológica adoptada pelo professor, começou com a leitura silenciosa,
resolução do questionário de compreensão e da estruturação do texto. O professor indicou cinco
alunos para fazerem a leitura oral individual. Cada aluno tinha que ler uma parte do texto
delimitada pelo professor. Os alunos iam apresentando a leitura da parte do texto que lhes
correspondia. Feita a leitura individual por parte dos alunos, o professor formou pequenos grupos
de cinco a seis elementos. Estes grupos deviam cada um ler em coro e em voz alta o texto em
estudo. A leitura em voz alta era apresentada pelos alunos e os professores limitavam-se apenas a
dizer muito bem; a seguir; sim pode sentar, etc. Em termos pedagógicos, é aconselhável que se
estimule toda a actividade ou participação do aluno na sala de aulas com palavras abonatórias ou
com algum registo do seu desempenho numa caderneta do professor.
Em seguida, o professor orientou a interpretação do regulamento da escola por parte dos alunos.
A actividade teve muita aderência por parte dos alunos, pois os alunos gostam deste tipo de aulas
e a participação foi notória.
Segundo Figueiredo (2004) as actividades de oralidade não se devem confundir com uma mera
leitura e interpretação, pois, na oralidade espera-se que o professor elabore actividades que levem
os alunos a reflectirem sobre a língua, desenvolvendo gradualmente habilidades argumentativas,
expositivas com vista a formação de um espírito crítico. Ao nível didáctico, este autor aconselha
os professores a fazerem o que designa “transposição didáctica”, que é a capacidade que os
professores, académicos e pesquisadores têm de definir, para além dos programas oficiais, que
conhecimentos os alunos precisam saber de maneiras a criar novas dinâmicas no processo de
ensino-aprendizagem.
Na segunda assistência, cujo tema era tipos de sujeito (simples e composto), o professor usou da
estratégia tradicional de ensino da gramática, que incidiu em apresentação do tema seguida pelos
conceitos do sujeito e dos seus tipos e, respectivamente, os seus exemplos.
A preocupação com o desenvolvimento da gramática dos alunos é muitas vezes deixada de lado
nas séries seguintes do Ensino Secundário e Médio. Mas precisa ser retomada. Muitos
professores têm dificuldades de trabalhar a gramática nas aulas da Língua Portuguesa, recorrendo
a métodos tradicionais que nada ajudam na motivação dos alunos.
22
Analisando as aulas assistidas, notou-se a falta de criatividade dos professores na selecção de
estratégias de ensino da gramática, tanto da primeira aula, quer da segunda, constatou-se que
apesar da primeira ter tido a criatividade ao colocar-se os alunos a discutir entre si sobre
regulamento interno da escola, notou-se que os alunos recorriam-se a língua local (Xichangana)
para conversar em torno da discussão a eles orientada, isso porque os alunos não têm domínio do
uso expressivo da língua portuguesa.
Tendo se constado a falta de domínio de estratégias por parte dos professores e o pouco domínio
da língua portuguesa por parte dos alunos, concluiu-se que o uso da Xichangana limita os alunos
a desenvolver habilidades cognitivas, entretanto, o professor, sabendo da condição dos alunos no
que diz respeito à fala da língua portuguesa. Inerente ao tema que fala sobre os tipos de sujeito, o
professor orientou aos alunos para que elaborassem frases empregando tanto o tipo do sujeito
simples assim como o composto e foi nessa actividade em que se verificou o uso abusivo do
Duplo Objecto Directo por parte dos alunos, como no seguinte enunciado, apresentado por um
dos alunos aquando a apresentação dos resultados do exercício:
Portanto faltou a criatividade no que concerne ao tratamento desses aspectos por parte do
professor que é ponto focal desta pesquisa, visto que o professor não deve simplesmente
apresentar os conceitos chaves da aula, mas abrir um espaço para que os alunos dêem exemplos,
participem activamente na aula. Como afirma Vygotsky (2003) o estudo da gramática é de grande
importância para o desenvolvimento mental da criança. E para tal, o professor deve deixar de
depender e aprisionar-se nos manuais oferecidos e deverá explorar a riqueza do pensamento dos
alunos. De salientar que este carácter excessivamente normativo do trabalho com a língua incute
na própria actividade esse mesmo carácter, devido à dependência dos professores pelo manual
(Pinto, 2010).
Outro aspecto a fazer referência nesta pesquisa é o facto de que em todas as situações das aulas
assistidas o professor não estimulava os alunos com uma avaliação registada na caderneta.
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Embora o tema da pesquisa tenha a ver com a o uso do Objecto Directo, é lícito fazer-se menção
à forma como a conversa pedagógica acontece na sala de aulas. A respeito da forma como a
conversa pedagógica acontecia, não é adequada para um contexto da aula de gramática, como se
afirma em Gonçalves & Diniz (2004).
O professor deve conceder aos alunos o tempo necessário para organizar as respostas e, depois
disso, indicar o aluno que deve responder dentre os que, provavelmente, levantam o braço. É
importante que preste atenção aos alunos que nunca se disponibilizam para responder,
estimulando-os a fazê-lo. Se os alunos mostrarem que não perceberam a pergunta, o professor
deve fazê-la de outra maneira, para que, depois de compreenderem, eles possam responder
adequadamente. É importante também habituar os alunos a fazerem perguntas aos colegas e ao
professor. As perguntas devem ser feitas para obter respostas completas e elaboradas, de acordo
com o nível dos alunos, ou seja, não convêm que se façam perguntas fechadas (que só exigem
respostas “sim ou não”).
Embora Vasconselos & Casagrande (2015) afirmem que um dos aspectos que colocam como a
causa do problema é a ditadura que silencia o acto de falar quer em público quer no domínio de
sala de aula. Com isso, os professores optam em trabalhar mais a gramática e a escrita em
detrimento da oralidade. Durante as assistências de aulas pode se notar algo que por vezes
contraria este raciocínio.
No que tange às metodologias, o professor inquerido, foi muito sintético ao ressaltar que as
dificuldades da língua portuguesa por alunos enfrentadas, fazem com que os mesmos não
consigam frases sem aplicar o duplo objecto directo e, como metodologia, o professor patente
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afirmou que recorre à metodologia lúdica e dinâmica, especificamente, a Elaboração Conjunta
partindo duma situação real e do conhecimento aluno.
Em relação às questões subsequentes, o professor ponto focal definiu o Objecto Directo como
sendo parte integrante duma frase e que, por si só não tem sentido, mas serve para completar o
sentido do verbo. Referente ao uso dos materiais didácticos de vária ordem, nomeadamente: bola
de futebol, onde ele explicou que para produção da frase era necessário passar a bola a um aluno
“ João” e questionar o resto da turma o que o professor fez. Na resposta, os alunos produzem uma
frase em que usam o objecto directo, como no exemplo:
M SEI
1 Já ouviu falar do objecto directo? 49 79.1 13 20.9
2 Seria capaz de produzir uma frase empregando 17 27.4 22 35.4 23 37.2
o Objecto Directo?
25
Gráfico 1. Percentagem das respostas a pergunta 1 de roteiro dirigido aos alunos.
SIM-79,1%
NAO-20,9%
25
20
15 SIM-27,4%
NAO-35,4%
10
NAO SEI-37,2%
0
Seria capaz de produzir uma frase empregando o Objecto Directo?
O gráfico 1 representa os dados da primeira pergunta “ Já ouviu falar do objecto directo?” onde:
A cor azul representa aos alunos que responderam que não tinham ouvido falar sobre o
Objecto Directo.
A cor vermelha representa aos alunos que responderam que já havíam ouvido falar sobre
o Objecto Directo.
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O gráfico 2 representa os dados da segunda pergunta “ seria capaz de produzir uma frase
empregando o Objecto Directo? onde:
A cor azul aos alunos que responderam que seriam capazes de produzir uma frase
empregando o Objecto Directo.
A cor vermelha representa aos alunos que responderam que não seriam capazes de
produzir uma frase empregando o Objecto Directo.
A cor amarela representa aos alunos que responderam que não sabem se seriam capazes
de produzir uma frase empregando o Objecto Directo
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CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E SUGESTÕES
5.1. Conclusão
Diante das análises e reflexões realizadas ao longo deste estudo sobre "A Realização do Duplo
Objecto Directo nas Frases Produzidas pelos Alunos da 7ª Classe: Caso da Escola Básica de
Machinho, Distrito de Chókwè", é possível inferir diversas considerações pertinentes e com o
objectivo de compreender as causas da realização do duplo objecto directo em frases produzidas
pelos alunos.
Desta feita, claro que as dificuldades enfrentadas pelos alunos no domínio da língua portuguesa
estão intrinsecamente relacionadas ao contexto linguístico e sociocultural em que estão inseridos.
Neste estudo levantou-se três hipóteses, sendo duas das quais validadas.
Notou-se que o uso excessivo da língua local, o déficit de metodologia no ensino e a intolerância
linguística na escola moçambicana são factores que contribuem significativamente para a
ocorrência do duplo objecto directo nas frases produzidas pelos alunos e assim valida-se a
hipótese primeira, que afirma ser a causa das dificuldades a língua primeira que é usada de forma
inadequada na sala de aulas monolingue, visto que a mesma devia ser usada em situações em que
os alunos não tem outro vocábulo e recorrem a ela como recurso e não usa-la como a principal
língua através da qual se comunicam na sala de aulas.
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Além disso, foi evidenciado que as abordagens tradicionais de ensino do discurso directo na sala
de aula podem não ser adequadas para promover uma compreensão profunda e funcional desse
fenómeno linguístico, validando também a segunda hipótese. Nesse sentido, a necessidade de
explorar alternativas pedagógicas, integrar tecnologia e recursos multimídia, enfatizar a
compreensão funcional do discurso e incorporar práticas reflexivas no processo de ensino-
aprendizagem foi destacada como uma importante direcção para aprimorar a qualidade do ensino
da língua portuguesa.
Além disso, fica claro que a prática constante e o reforço do conceito de objecto directo são
fundamentais para melhorar a compreensão e a aplicação dos alunos. Isso pode ser alcançado por
meio de actividades práticas e interactivas, que estimulem a participação activa dos alunos e
promovam uma aprendizagem significativa. E, com estas conclusões, pode se afirmar que o
objectivo, que visava a compreensão as causas da realização do duplo objecto directo em frases
produzidas pelos alunos da 7ª classe na Escola Básica de Machinho no Distrito de Chókwe, foi
alcançado, por meio do estudo antes desenvolvido.
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5.2. Sugestões
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complementares, como livros, materiais online e grupos de estudo, para aprimorarem suas
habilidades linguísticas.
iii. Valorização da Língua Portuguesa: Promover a valorização da língua portuguesa como
uma ferramenta essencial para o sucesso académico e profissional, incentivando a prática
constante da leitura, escrita e comunicação oral em português dentro e fora da sala de
aula.
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Referências Bibliográficas
Adamcezewski, H. (1975). La grammaire d'une langue seconde. Paris: Didier.
Bell, J. (1993). Doing Your Research Project: A Guide for First-time Researchers in Education
and Social Science. Buckingham: Open University Press.
Bona, R., Matavel, T., & Mahota, A. (2010). Língua portuguesa 7: diálogo aberto: práticas de
comunicação. Plural Editores.
Calaresu, V. (2004). Manual de gramática del español. Editorial Universitaria Ramon Areces.
Fiorin, J. L., & Savioli, F. P. (2006). Para entender o texto: leitura e redação. Ática.
Prodanov, C., & Freitas, E. (2013). Metodologia do Trabalho Científico: Métodos e Técnicas da
Pesquisa e do Trabalho Acadêmico. Novo Hamburgo: Feevale
APÊNDICES
APÊNDICE I
PARTE I
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
Parte II
_____________________________________________________________________
2. Quais são os materiais didácticos que usa numa aula cujo tema é objecto directo e indirecto?
_____________________________________________________________________
3. Dos materiais que referiu, quais os que usa nas suas actividades? Por que razão usa só esses
materiais?
_____________________________________________________________________
Para estimular aos alunos a despertar interesse em ter domínio da língua portuguesa?