Paulo de Brito
Electronic copy available at: [Link]
Estudios de Derecho Iberoamericano
Volumen III
Directores
Rubén Miranda Gonçalves
Fábio da Silva Veiga
Coordinador
Paulo de Brito
Universidade Lusófona do Porto (Porto, Portugal, 2019)
Electronic copy available at: [Link]
Quedan reservados todos los derechos de la obra. Ninguna parte de la misma podrá
ser reproducida sin el consentimiento expreso de sus titulares.
Tanto los directores como la coordinadora no se hacen responsables de las
opiniones recogidas, comentarios y manifestaciones vertidas por sus autores.
Dirección:
© Rubén Miranda Gonçalves (Universidade de Santiago de Compostela)
© Fábio da Silva Veiga (Universidade de Vigo)
Coordinación:
© Paulo de Brito (Universidade Lusófona do Porto, Portugal)
© Maquetación de capítulos y compilación de originales: Arthur Alves Ignácio
1ª edición, 2019
ISBN: 978-84-09-13678-0
Universidade Lusófona do Porto
R. de Augusto Rosa 24, 4000-098 Porto, Portugal
Teléfono: +351 22 207 3230
Porto, Portugal
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática:
Interfaces entre a Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga1
Sumário: 1. Introdução – 2. Os conceitos democrático-representativos – 3. O golpe
de 1930 – 4. A Revolução de 1932 e a Constituição de 1934 – 5. O panorama
sociopolítico atual – 6. Considerações finais – 7. Referências bibliográficas.
1. INTRODUÇÃO
A principal finalidade desse trabalho é investigar a Revolução Constitucionalista de
1932 e a crise política brasileira atual a fim de identificar possíveis correspondências,
analisando doutrina jurídica doméstica e internacional, bem como o aporte histórico
pertinente ao contexto temporal abordado no trabalho em pesquisa bibliográfica e
documental para constatar o panorama sociopolítico atual e passado.
A importância do tema se reflete principalmente pela necessidade de mais estudos
acerca do tema, não apenas desse ponto em específico da crise de representatividade, mas do
contexto sociopolítico, afora a pertinência histórica do tema e seus possíveis desdobramentos
nos dias de hoje.
Metodologicamente, o estudo se centra na análise e coleta bibliográfica das doutrinas
jurídicas, políticas e históricas pertinentes ao tema, realizando uma revisão da literatura sobre
os pilares nos quais se edifica a representatividade democrática moderna, buscando encontrar
o suporte teórico necessário para a produção do trabalho dissertativo.
2. OS CONCEITOS DEMOCRÁTICO-REPRESENTATIVOS
Como é de comum e pacífico entendimento, o advento da democracia representativa
surgiu na Grécia mas era uma democracia diversa da difundida pelo Estado Democrático de
1Discente da Especialização em Direito Público da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC
Minas
593
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
Direito, era uma democracia em que os representantes exerciam o papel de representação da
população de forma restritiva2, como explica o Dalmo de Abreu Dallari:
Haverá alguma relação entre a ideia moderna de
democracia e aquela que se encontra na Grécia antiga? A
resposta é afirmativa, no que respeita à noção de governo do
povo, havendo, entretanto, uma divergência fundamental
quanto à noção do povo que deveria governar. No livro III
de "A Política", Aristóteles faz a classificação dos governos,
dizendo que o governo pode caber a um só indivíduo, a um
grupo, ou a todo o povo. Mas ele próprio já esclarecera que o
nome de cidadão só se deveria dar com propriedade àqueles
que tivessem parte na autoridade deliberativa e na autoridade
judiciária. E diz taxativamente que a cidade-modelo não
deverá jamais admitir o artesão no número de seus cidadãos.
Isto porque a virtude política, que é a sabedoria para mandar
e obedecer, só pertence àqueles que não têm necessidade de
trabalhar para viver, não sendo possível praticar-se a virtude
quando se leva a vida de artesão ou de mercenário. Esclarece,
finalmente, que em alguns Estados havia-se adotado
orientação mais liberal, quanto à concessão do título de
cidadão, mas que isso fora feito em situações de emergência,
para remediar a falta de verdadeiros e legítimos cidadãos. 3
À posteriori mas ainda em tempos de regimes predominantemente monárquicos do
Século XVIII, Jean-Jacques Rosseau, em “O Contrato Social”, sua obra mais expressiva,
definiu a seguinte máxima: “Se houvesse um povo de deuses, esse povo se governaria
democraticamente” 4. Ou seja, sinaliza que a democracia é o sinônimo do governo perfeito
mas para sua plenitude utópica necessitaria do “povo de deuses”, um povo perfeito.
Uma definição de democracia que mais se assemelha à realidade política e jurídica do
mundo contemporâneo seria a do Professor Samuel Phillips Huntington, que caracteriza o
processo central da democracia como: “a seleção de líderes através de eleições competitivas
feitas por pessoas que eles governam” (tradução nossa).5 Essa definição tem como influência
a definição do método democrático feita por Schumpeter:
2 CAVAZZANI, Ricardo Duarte. Crise da Democracia Representativa e os Reflexos sobre a Separação
dos Poderes: O Enfraquecimento do Estado. Constituição, Economia e Desenvolvimento: Revista da
Academia Brasileira de Direito Constitucional. Curitiba, vol. 6, n. 11, Jul.-Dez, 2014. p. 340.
3 DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Saraiva, 1998. p. 48.
4 ROUSSEAU, Jean-Jacques apud BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. São Paulo: Malheiros, 1999. p.
265.
5 ‘‘The central procedure of democracy is the selection of leaders through competitive elections by the
people they govern’’. HUNTINGTON, Samuel Phillips. The Third Wave: Democratization in the
Late Twentieth Century. Norman: University of Oklahoma Press, 1991. p. 6.
594
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
O método democrático é o arranjo institucional para
se chegar a decisões políticas em que os indivíduos adquirem
o poder para decidir através de um esforço competitivo pelo
voto do povo (tradução nossa). 6
Ambas as definições confluem e coadunam com o entendimento de Gastil da
democracia enquanto direitos eleitorais:
Os direitos políticos são o direito de participar
significativamente do processo político. Numa democracia
isso significa o direito de todos os adultos de votar e
concorrer a cargos públicos, e para os representantes eleitos
terem votos decisivos sobre políticas públicas (tradução
nossa). 7
Essas conceituações se aplicam perfeitamente com a democracia exercida na
República Federativa do Brasil, com o voto direto e secreto, como expressa o Artigo 14,
caput, da Constituição Federal pátria atual ao tratar dos Direitos Políticos:
A soberania popular será exercida pelo sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para
todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II -
referendo; III - iniciativa popular. 8
E a partir do preâmbulo da mesma Constituição Federal é ainda mais visível o norte
principiológico em que se concentram os pilares que edificam um Estado Democrático de
Direito:
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em
Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
6 “The democratic method is that institutional arrangement for arriving at political decisions in which
individuals acquire the power to decide by means of a competitive struggle for the people’s vote”.
SCHUMPETER, Joseph Alois. Capitalism, Socialism, and Democracy. New York: Harper, 1947. p.
269.
7 ‘‘Political rights are rights to participate meaningfully in the political process. In a democracy this means
the right of all adults to vote and compete for public office, and for elected representatives to have a
decisive vote on public policies’’. GASTIL, Raymond Duncan. Freedom in the World. Westport, Conn.:
Greenwood, 1987. p. 7.
8 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado,
1988.
595
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida,
na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das
controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a
seguinte CONSTITUIÇAO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL. 9
3. O GOLPE DE 1930
Antes do Golpe de 1930, o país vivia um momento político com um sistema
popularmente denominado “café com leite”, onde mineiros (com a produção de leite) e
paulistas (com a produção de café) se revezavam na presidência do país mas uma crise
econômica estava aos poucos esgotando esse sistema10, como diz Takayanagi:
A hegemonia da “Política Café-com-Leite” começou a
ruir. Os anos de dominação do poder causaram indignação às
demais oligarquias que passaram a se unir e transformaram-se
em uma frente de oposição. A classe média e operária se
encontravam ainda excluídas, mas os meios de se
expressarem tornaram-se plausíveis e palpáveis, pois
contavam com a Imprensa e um contingente populacional
significativo, consequência da urbanização. 11
Apesar disso, o Brasil, no que diz respeito ao âmbito político de organização estatal
do Poder Executivo presidencial, vivia um período estável na presidência de Washington
Luís, segundo Ferreira e Pinto:
O governo Washington Luís decorreu em clima de
relativa estabilidade. [...] Em 1929, iniciou-se um novo
processo de sucessão presidencial. Tudo indicava que as
regras que norteavam o funcionamento da política até então
seriam mais uma vez cumpridas: as forças da situação, por
meio do presidente da República, indicariam um candidato
9 Ibidem.
10 SILVA, Otavio Pinto e. A Revolução de 1930 e o Direito do Trabalho no Brasil. São Paulo, Revista da
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, V. 95, jan./dez. 2000. p. 178.
11 TAKAYANAGI, Fabiano Yuji. A Democracia Representativa no Brasil. São Paulo, Revista da
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, V. 102, jan./dez. 2007. p. 1106.
596
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
oficial, que deveria ser apoiado por todos os grupos
dominantes nos estados. 12
Porém, num curto de período de tempo, após Washington Luís romper sua aliança
política com o Estado de Minas Gerais, o país passou a viver um de seus momentos políticos
mais turbulentos, como leciona Otávio Pinto e Silva:
A volta de Minas Gerais ao poder, por meio de Antônio
Carlos Ribeiro de Andrada, parecia o caminho normal de
acomodação das forças políticas. Entretanto, a intransigência de
Washington Luís alterou os rumos do acordo tácito até então
vigente: o presidente, desprezando o "café com leite" preferiu
lançar a candidatura de Júlio Prestes, presidente do Estado de São
Paulo. Isso fez com que Minas buscasse uma composição com o
Rio Grande do Sul para enfrentar o candidato oficial: criada a
Aliança Liberal, o presidente do Estado gaúcho, Getúlio Vargas
(ex-ministro da Fazenda do próprio Washington Luís) foi
escolhido como o candidato da oposição, sustentando um
programa que refletindo as aspirações das classes dominantes
regionais não-associadas ao setor cafeeiro - tinha por objetivo
sensibilizar a classe média. 13
Ainda assim, a vontade política dos opositores de Washington Luís ainda não havia
se aliado a qualquer componente popular que pudesse gerar o estopim de uma revolta
armada. Então, a partir de uma crise regional no Estado da Paraíba, João Pessoa foi
assassinado, gerando uma imensa comoção nacional que os líderes da Aliança Liberal se
utilizaram para angariar apelo popular à sua causa, como assinala João Daniel Lima de
Almeida:
O que faz Getúlio mudar de ideia e assumir o comando
revolucionário foi o assassinato do paraibano João Pessoa,
12 FERREIRA, Marieta de Moraes e PINTO, Surama Conde Sá. A Crise dos anos 20 e a Revolução de
Trinta. Rio de Janeiro: CPDOC, 2006. p. 15.
13 SILVA, Otavio Pinto e. A Revolução de 1930 e o Direito do Trabalho no Brasil. São Paulo, Revista da
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, V. 95, jan./dez. 2000. p. 179.
597
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
seu colega de chapa. Sua morte tinha sido motivada por
razões mais próximas do crime passional e apenas
remotamente políticas, mas foi capitalizada pelos tenentes e
aliancistas como uma tentativa de calar a voz que denunciava
a fraude eleitoral, que, é claro, se fez presente em ambos os
lados. O cadáver Pessoa se tornou bandeira revolucionário. 14
Com a iminente posse de Júlio Prestes, vencedor das eleições presidenciais de 1930,
derrotando a candidatura de Getúlio Vargas, uma articulação para Vargas assumir a
presidência rapidamente se instaurou15, descrita por Alzira Alves de Abreu como um:
Movimento armado iniciado no dia 3 de outubro de
1930, sob a liderança civil de Getúlio Vargas e sob a chefia
militar do tenente- coronel Pedro Aurélio de Góis Monteiro,
com o objetivo imediato de derrubar o governo de
Washington Luís e impedir a posse de Júlio Prestes, eleito
presidente da República em 1o de março. O movimento
tornou-se vitorioso em 24 de outubro e Vargas assumiu o
cargo de presidente provisório a 3 de novembro do mesmo
ano.16
Logo uma crise representativa havia se instaurado, uma vez que Getúlio Vargas havia
destituído em 1930 não só o Congresso Nacional mas também as Assembleias Legislativas
estaduais e as Câmaras Municipais, além de demitir todos os governadores à exceção do
presidente de Minas Gerais, Olegário Maciel, como bem explana Boris Fausto:
As medidas centralizadoras do governo provisório
surgiram desde cedo. Em novembro de 1930, ele assumiu não
só o Poder Executivo como o Legislativo, ao dissolver o
Congresso Nacional, os legislativos estaduais e municipais.
Todos os antigos governadores, com exceção do novo
governador eleito de Minas Gerais, foram demitidos e, em seu
lugar, nomeados interventores federais. Em Agosto de 1931,
o chamado Código dos Interventores estabeleceu as normas
de subordinação destes ao poder central. Limitava também a
área de ação dos Estados, que ficaram proibidos de contrair
14 ALMEIDA, João Daniel Lima de. Manual do Candidato: História do Brasil. Brasília: FUNAG, 2013.
p. 279.
15 AMARAL, Roberto. O constitucionalismo da Era Vargas. Brasília, Revista de Informação
Legislativa, a. 41 n. 163 jul./set. 2004. p. 89.
16 ABREU, Alzira Alves de. Revolução de 1930. Disponível
em: <[Link]
republica/REVOLUÇÃO%20DE%[Link]>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
598
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
empréstimos externos sem a autorização do governo federal;
gastar mais de 10% da despesa ordinário com os serviços da
polícia militar; dotar as polícias estaduais de artilharia e
aviação ou armá-las em proporção superior ao Exército. 17
Com isso, rompeu não apenas com a ordem democrática representativa como
também a ordem jurídica constitucional, uma vez que o Governo Provisório não se pautava
na ordem jurídica estabelecida, embora se mobilizasse de forma vaga e muito lentamente
para estabelecer outra.18 Isso indica uma clarividente ausência de legitimidade política do
ponto de vista técnico-conceitual exposto por Michael Lacewing:
O Estado tem autoridade, no sentido de que as
pessoas obedeçam suas leis […]. O termo legitimar vem do
Latim de “legal”. No senso mais básico, o Estado é legítimo
se existe e opera de acordo com a Lei (tradução nossa). 19
Portanto, na concepção de autoridade, representatividade e legitimidade de
Lacewing, é evidente que o Governo Provisório não se encaixa nos quadros de
representatividade ou legitimidade.
4. A REVOLUÇÃO DE 1932 E A CONSTITUIÇÃO DE 1934
A Avenida Nove de Julho, uma das maiores vias da cidade de São Paulo, nos remete
diretamente à 1932, o 9 de Julho de 1932, data da maior manifestação cívica da história do
Estado de São Paulo: a eclosão do Movimento Constitucionalista de 1932. A inscrição brasão
da capital paulista por si só o cerne do espírito da Revolução Constitucionalista de 1932 com
os dizeres Non Ducor Duco, que traduzidos significam “Não sou conduzido, conduzo”.20
17 FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo - Fundação do
Desenvolvimento da Educação, 1995. p. 333.
18 RODRIGUES, João Paulo. Levante “Constitucionalista” de 1932 e a força da tradição. Do
confronto bélico à batalha pela memória (1932-1934). Assis: UNESP, 2009. p. 22. Tese (Doutorado
em História) - Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Filho, Assis, 2009.
19 “A state has authority, in the sense that people obey its laws […]. The term legitimate comes from the
Latin for ‘lawful’. In the most basic sense, a state is legitimate if it exists and operates according to the
law.”. LACEWING, Michael. Authority and legitimacy. Disponível em:
<[Link]
ndle [Link]>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
20 AURÉLIO, Daniel Rodrigues. Dossiê Getúlio Vargas. São Paulo: Universo dos Livros, 2009. p. 109.
599
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
São Paulo vivia um momento de amplo descontentamento ao Governo Provisório
de Getúlio Vargas, principalmente pelo fato do paulista Júlio Prestes ter sido eleito, mas não
empossado, explica Daniel Rodrigues Aurélio:
[...] fora ferida a honra dos paulistas pela não posse de
Júlio Prestes. O descontentamento com os interventores
federais de Getúlio em São Paulo, como o militar João Alberto
Lins de Barros, que ocupou o lugar do então presidente do
estado, Heitor Penteado, não se aquietou nem quando o
Governo Vargas, em março de 1932, oficializou como
interventor o paulista Pedro Manuel de Toledo. 21
Esse descontentamento não era algo tão somente exclusivo das classes dominantes
do cenário econômico e político de São Paulo, permeava diversos setores da sociedade paulista
à época:
A reação mais violenta frente à nova situação do Brasil
fora a Revolução Constitucionalista, de 1932. Era planejada
pela Frente Única Paulista (FUP) e liderada pela Oligarquia
Cafeeira (Partido Republicano Paulista) e apoiada pela
burguesia industrial e setores da classe média (Partido
Democrático). 22
E para a compleição dos preparativos da “tempestade perfeita”, os pilares
econômicos do Estado de São Paulo representados pela produção cafeeira ainda enfrentavam
uma grave crise:
[...] a oligarquia paulista não se reconciliou com
Getúlio. O que ela desejava era controlar novamente o poder
e desenvolver uma política que beneficiasse, de maneira mais
efetiva, a cafeicultura, seriamente abalada desde a crise de
l929. Os preços do produto tiveram uma queda monstruosa
no mercado externo, levando o governo a adquirir o café
estocado para queimá-lo. Estima-se que, entre l93l e l944,
foram para o fogo mais de setenta e oito milhões de sacas
de café. 23
21 Ibidem.
22 TAKAYANAGI, Fabiano Yuji. A Democracia Representativa no Brasil. São Paulo, Revista da
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, V. 102, jan./dez. 2007. p. 1106.
23 KUPPER, Agnaldo. São Paulo 1932: Uma Explosão em Busca de Novos Rumos. São Carlos, Revista
Eletrônica de Educação, Ano II, No 03, ago/ dez, 2008. p. 7.
600
Electronic copy available at: [Link]
A crise representtiva sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a Revolução
Constitucionalista de 1932 e a atualidade
Em meio a essa nuvem de malgrado, em uma das várias manifestações e comícios
junto à uma greve geral que mobilizou mais de 200.000 trabalhadores, no dia 23 de Maio de
1932, tiros foram disparados contra manifestantes protestavam em oposição ao Governo
Provisório de Getúlio Vargas em frente a sede de um jornal de associação “getulista” quatro
jovens estudantes foram alvejados e mortos, causando uma vasta comoção por todo o
Estado, o estopim que estourou a panela de pressão e deu o pontapé inicial à Revolução
Constitucionalista de 193224:
No dia 23 de maio fora realizado um comício no
centro da cidade de São Paulo que reunira estudantes,
comerciantes, políticos, trabalhadores, etc., que, de forma
uníssona, reivindicavam uma nova Constituição para o Brasil.
O ideal de liberdade fora aflorado no coração de todos os
brasileiros. Na noite daquele 23 de maio referido comício
terminara num conflito armado, uma verdadeira batalha fora
travada na Praça da República e ali tombaram Euclides
Miragaia, Antonio de Camargo Andrade, Mario Martins de
Almeida e Dráusio Marcondes de Souza que contava com
apenas 14 anos de idade. As iniciais de seus nomes formaram
a sigla MMDC entidade esta transformada no maior símbolo
da Revolução Constitucionalista que seria deflagrada aos 09
de julho de 1932.25
Participaram dos conflitos cerca de 410.000 combatentes e voluntários, numa
sangrenta batalha que se concentrou em quatro frentes: a Frente do Vale do Paraíba (sub-
setores do Vale, litoral e do sul de Minas); a Frente Mineira (estendida ao Rio Paraná, dividia-
se nos setores de Ribeirão Preto, Guaxupé, Ouro Fino, Passa Quatro, Cruzeiro); a Frente de
Mato Grosso; a Frente Sul ou do Paraná; e a Frente do Litoral (na costa e na região portuária
de santos).26
24 FAUSTO, 1995. p. 343-346.
25 ROMAGNOLI, Carlos Alberto Maciel. 23 de Maio de 1932 - Prelúdio do Maior Movimento
Constitucionalista da História. Disponível em:
<[Link] de-maio-de-1932-preludio-do-maior-
movimento-constitucionalista-da-historia/>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
26 RODRIGUES, João Paulo. Levante “Constitucionalista” de 1932 e a força da tradição. Do
confronto bélico à batalha pela memória (1932-1934). Assis: UNESP, 2009. p. 113. Tese (Doutorado
em História) - Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Filho, Assis, 2009.
601
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
Depois de quase 3 meses de batalhas, a “guerra civil dos paulistas” teve um fim com
a assinatura da rendição das Força Pública Paulista. A Revolução Constitucionalista de 1932
havia perdido a guerra, não atingiu seus fins bélicos; mas seu fim ideológico acabou por ser
conquistado27:
A promulgação da Constituição de 1934, o retorno da
bancada paulista ao estado, recebida em vinte de agosto de
1934 com festejos e discursos, e até mesmo a nomeação de
um representante paulista para a Pasta da Justiça do governo
eleito de Getúlio Vargas corroboram para fixar a “Revolução
Constitucionalista” como um marco político da história
estadual. Como um discurso de poder, a posteriori vitorioso,
a memória que se escolhe celebrar aparece estampada em O
Estado de S. Paulo nos limites de julho de 1934, por ocasião
da promulgação da Constituição: “A NOSSA GUERRA
NÃO FOI INUTIL PORQUE VENCEU NOS
OBJECTIVOS DE S. PAULO: CONSTITUIÇÃO,
AUTONOMIA, HEGEMONIA”. 28
A Constituição de 1934, fruto da pressão, resistência e oposição ao Governo
Provisório de Getúlio Vargas, encontrando sua expressão máxima na Revolução
Constitucionalista de 1932, veio com uma forte inspiração da Constituição de Weimar, da
Alemanha29, que por sua vez, nas palavras de Roger B. Myerson, teria as seguintes
características primordiais:
A Assembleia Nacional se reuniu na cidade de Weimar
em 1910 para estabelecer uma constituição para a nova
República Alemã. A constituição foi primariamente escrita
pelo líder de comitê Hugo Preuss, um jurista e teórico político,
com influentes ideias contribuídas por Robert Redslob e Max
Weber. Weber em particular foi um participante ativo no
processo de elaborar a constituição, e os seus argumentos
para uma forte presidência prevaleceu sobre outros que
queriam imitar o sistema parlamentarista francês. Weber
defendia uma constituição que iria colocar poderes supremos
27 MARINHO, Josaphat. A Constituição de 1934. Brasília, Revista de Informação Legislativa, a. 24 n.
94 abr./jun. 1987. p. 18-19.
28 RODRIGUES, 2009. p. 331.
29 AMARAL, Roberto. O constitucionalismo da Era Vargas. Brasília, Revista de Informação
Legislativa, a. 41 n. 163 jul./set. 2004. p. 90.
602
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
nas mãos de um líder individual forte que teria sua autoridade
derivada a partir da vontade do povo.30
Na Constituição de 1934, se consagraram direitos e deveres que se perpetuaram em
todas as constituições seguintes, como por exemplo: instituiu a obrigatoriedade do voto e
tornou-o secreto; ampliou o direito de voto para mulheres e cidadãos com no mínimo 18
anos (excluindo-se soldados, analfabetos e religiosos); criou a Justiça Eleitoral; instituiu o
salário mínimo; a jornada de trabalho de oito horas, o repouso semanal, as férias anuais
remuneradas e a indenização por demissão sem justa causa; bem como o reconhecimento e a
autonomia de associações profissionais e sindicatos.31
Restaurou-se assim, a representatividade governamental e a própria legitimidade do
governo executivo central brasileiro, afinal, como bem recorda Dimitrios Kyritsis, a
“democracia é um ideal político poderoso. Sendo amplamente considerado como um
ingrediente essencial da legitimidade política” (tradução nossa)32; e confirmando os ideais
pleiteados pela Revolução Constitucionalista de 1932.
5. O PANORAMA SOCIOPOLÍTICO ATUAL
Assim como na Revolução Constitucionalista de 1932, na atualidade vivemos um
momento de grande descontentamento popular com os seus representantes do Poderes
Legislativo e Executivo. Como exemplo, temos uma pesquisa do Instituto de Pesquisas
Datafolha realizada em 2016 indicando que a aprovação do governo do Presidente Michel
Temer estava em 14% avaliando sua gestão como ótima ou boa, e a última pesquisa do
Instituto de Pesquisas Datafolha sobre a popularidade da ex-Presidente Dilma Rousseff
indicou uma aprovação de 13%, também avaliando sua gestão como ótima ou boa.33
30 “A National Assembly met in the town of Weimar in 1919, to establish a constitution for the new
German Republic. The constitution was primarily written by a committee led Hugo Preuss, a legal and
political theorist, with influential ideas being contributed by Robert Redslob and Max Weber (see
Mommsen, 1984). Weber in particular was an active participant in the process of drafting the constitution,
and his arguments for a strong presidency prevailed over others who wanted to imitate the French
parliamentary system. Weber advocated a constitution that would put supreme power in the hands of a
strong individual leader who would derive his authority from the will of the people.”. MYERSON, Roger
Bruce. Political Economics and the Weimar Disaster. Tuebingen, Journal of Institutional and
Theoretical Economics (JITE), Vol. 160, No. 2, Jun., 2004. p. 190.
31 MARINHO, Josaphat. A Constituição de 1934. Brasília, Revista de Informação Legislativa, a. 24 n.
94 abr./jun. 1987. p. 20-21.
32 “Democracy is a powerful political ideal. It is widely regarded as an essential ingredient of political
legitimacy.”. KYRITSIS, Dimitrios. Constitutional Review and Representative Democracy. New York,
Oxford Journal of Legal Studies, Vol. 32, No. 2, 2012. p. 297.
33 CAVALCANTE, Beatriz. As diferenças entre Dilma e Temer na política econômica. O POVO
Online, Fortaleza, 18 abr. 2016. Gestão. Disponível
em:<[Link]
603
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
Ou seja, dois programas de governo antagônicos, com uma total discrepância de
ideais34 e ambos com um índice elevadíssimo de desaprovação, isso demonstra que o
descontentamento da população não é direcionado para figuras partidárias ou pessoais mas
sim um descontentamento com toda a chamada “classe política”.35 E o mais impressionante
é que as pesquisas de aprovação levantadas são de abrangência nacional, não regional, num
paralelo com a Revolução Constitucionalista de 1932, há um escalonamento absurdo de
indignação da população de 1932 para a atualidade.
Em 2013, assistiu-se por todo o país uma das maiores manifestações cívicas da
história do Brasil, o que se iniciou por protestos que exigiam transporte público gratuito se
transformou numa manifestação com um direcionamento generalizado contra a “máquina
pública”, chegando a reunir cerca de dois milhões pessoas.36 Muito disso se deve aos elevados
índices de corrupção fortemente presentes entre os representantes democráticos do nosso
país, um levantamento feito em 2012 revela que:
[...]um em cada três integrantes do Congresso Nacional
está sob investigação no Supremo Tribunal Federal. Dos 594
parlamentares, pelo menos 191 (160 deputados e 31 senadores)
são alvos de 446 inquéritos (procedimentos preliminares de
investigação) e ações penais (processos que podem resultar na
condenação).37
Mas felizmente, apesar de todos os reveses, o Brasil atual se encontra num regime
democrático, situação bem diversa da de 1932, onde Getúlio Vargas não só assumiu a
Presidência sem ser eleito como destituiu o âmbito executivo estadual e o âmbito legislativo
ca,3604704/as-diferencas- [Link]>. Acesso em 24 setembro
2018. p. 1.
34 INSTITUTO DE PESQUISAS DATAFOLHA. Governo Temer é aprovado por 14%. Disponível
em: <[Link]
por- [Link]>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
35 RODRIGUES, Renan. Ibope mostra descontentamento geral com classe política. Extra, Rio de
Janeiro, 27 out. 2015. Notícias. Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
36 FARAH, Tatiana. Por 20 centavos e muito mais: manifestações completam um ano. O Globo,
São Paulo, 8 jun. 2014. Brasil. Disponível em: <[Link]
mais-manifestacoes-completam-um-ano-12763238>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
37 SARDINHA, Edson e COSTA, Sylvio. Parlamentares processados atingem número recorde.
Congresso em Foco, Brasília, 18 jul. 2012. Ficha Limpa. Disponível em:
<[Link]
processos-no-stf/>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
604
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
em todas as suas esferas.38 Outro ponto em comum entre 1932 e a atualidade é o fato de o
país estar passando por uma crise econômica, o que fragiliza a figura pública dos
representantes políticos diante da população.39
Também é bem verdade que a nossa democracia é extremamente jovem se
comparada às democracias de países desenvolvidos com regimes democráticos consolidados
há séculos, como os Estados Unidos da América que vivem em regime democrático desde
XVIII40; e justamente por essa juventude, o sistema ainda se acomoda aos poucos às
necessidades do Brasil, apesar de o sistema político democrático atual já demonstrar alguns
sinais de saturação.41
Mas isso não é uma exclusividade do nosso país, há quem diga que todo o mundo
que adere à democracia representativa moderna passa por um período de crise de
representatividade, como diz Simon Tormey:
O que podemos notar é que as diversas medidas
utilizadas pelos cientistas políticos para medir a saúde e o
bem-estar da democracia representativa está em uma
tendência descendente. Entre as medidas, quatro se destacam:
o número de eleitores, filiação partidária, confiança nos
políticos, o interesse pela política. No que diz respeito ao
comparecimento às urnas, o que está se tornando cada vez
mais evidente é que estamos nos tornando eleitores
relutantes. Isso é altamente marcado em momentos na
história ou em situações onde as votações não tem algo
importante em jogo. Por outro lado, onde os eleitores
percebem que muito está em jogo, então vemos uma
recuperação. No entanto, a tendência geral é clara. A era de
ouro do número de eleitores era meio século atrás, e desde
então, temos visto um declínio bastante estável mais ou menos
em toda a linha. (tradução nossa)42
38 FAUSTO, 1995. p. 333.
39 GARCIA, Giselle. Entenda a crise econômica. Agência Brasil, Londres, 15 mai. 2016. Economia.
Disponível em: <[Link]
economica>. Acesso em 24 setembro 2018. p. 1.
40 TOCQUEVILLE, Alexis de. Democracy in America. Indianapolis: Liberty Fund, Inc., 2010. p. 360.
41 MORAIS, Thais de Freitas. O debate em torno do sistema político brasileiro: análises polêmicas e
desafios. Natal, Revista Inter-Legere, nº 5, 2009. p. 163-164.
42 “Globalization, deregulation, the loss of collective organizational capacity in society have eroded
democracy from within. Formal processes and institutions of democracy continue to exist, but they are
rapidly becoming a formal game that has lost its democratic substance.”. MERKEL, Wolfgang. Is there
a crisis of democracy? Can we answer the question?. Disponível em:
<[Link] Acesso em 24 setembro
2018. p. 7.
605
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
E essa crise de representatividade na democracia moderna não seria ligado tão somente
ao distanciamento às eleições e votações, segundo Wolfgang Merkel, isso também se dá pelo
seguinte:
A globalização, a desregulamentação, a perda da
capacidade de organização coletiva na sociedade minaram a
democracia de dentro para fora. Processos e instituições
formais da democracia continuam a existir, mas eles estão
rapidamente se tornando um jogo formal que perdeu sua
substância democrática. (tradução nossa) 43
Justamente por isso a situação da crise de representatividade da democracia atual não
simplesmente se soluciona em poucas medidas, é uma crise de representatividade em que o
cerne da questão se divide em muitas faces.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das considerações tecidas até então, é possível afirmar que embora a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a crise política brasileira atual tenham causas e
consequências distintas, muito se assemelham no que diz respeito ao contexto sociopolítico
da mobilização popular e a questão da representatividade.
Foi possível verificar um liame da conduta de insatisfação popular generalizada num
paralelo em ambas as épocas e através de um estudo holístico é razoável concluir que a crise
de representatividade é um fenômeno que afeta todo o mundo democrático moderno numa
tendência consistente.
Portanto, faz-se necessário um conjunto de condutas para um posterior
estreitamento da representatividade popular para com a “classe política”, da mesma forma
43“What we can note is that the various measures used by political scientists to measure the health and well-
being of representative democracy are on a downward trend. Amongst the measures, four standout: voter
turnout, party membership, trust in politicians, interest in politics. As regards voter turnout, what is
becoming ever more evident is that we are becoming reluctant voters (Dalton 2004; Hay 2007). This is
highly marked at moments in time or in contexts where voting little seems to be at stake. On the other
hand, where voters perceive a lot to be at stake, then we can see an upturn (Wessels 2011). However, the
general tendency is clear. The golden age of voter turnout was half a century ago, and since then we have
seen a fairly steady decline more or less across the board […].”. TORMEY, Simon. The Contemporary
Crisis of Representative Democracy. Disponível em
<[Link]
%20Prof.%20Simon%20Tormey%20-
%20The%20Contemporary%20Crisis%20of%20Representative%[Link]>. Acesso em 24
setembro 2018. p. 1.
606
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
que ocorreu após a Revolução Constitucionalista de 1932, com a promulgação da
Constituição de 1934, culminada pelo alinhamento necessário da representatividade política
com a nação.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABREU, Alzira Alves de. Revolução de 1930. Disponível em:
<[Link]
republica/REVOLUÇÃO%20DE%[Link] >. Acesso em 24 setembro 2018.
ALMEIDA, João Daniel Lima de. Manual do Candidato: História do Brasil. Brasília:
FUNAG, 2013.
AMARAL, Roberto. O constitucionalismo da Era Vargas. Brasília, Revista de Informação
Legislativa, a. 41 n. 163 jul./set. 2004.
AURÉLIO, Daniel Rodrigues. Dossiê Getúlio Vargas. São Paulo: Universo dos Livros,
2009.
BARRO, Robert Joseph. Determinants of democracy. Chicago, Journal of Political
Economy, 107 (S6). 1999.
BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. São Paulo: Malheiros, 1999.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado, 1988.
BURKE, Edmund. Speech on Conciliation with the American Colonies. Disponível em:
<[Link] Acesso em 24 setembro
2018.
CAVALCANTE, Beatriz. As diferenças entre Dilma e Temer na política econômica. O
POVO Online, Fortaleza, 18 abr. 2016. Gestão. Disponível
em:
<[Link]
704/[Link]>. Acesso em 24
setembro 2018.
CAVAZZANI, Ricardo Duarte. Crise da Democracia Representativa e os Reflexos sobre a
Separação dos Poderes: O Enfraquecimento do Estado. Constituição, Economia e
Desenvolvimento: Revista da Academia Brasileira de Direito Constitucional. Curitiba,
vol. 6, n. 11, Jul.-Dez. 2014.
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Saraiva,
1998.
EXPEDITO, Carlos Stephani Bastos. Revolução de 1932: Blindados de Construção
Nacional. Disponível em: <[Link] Acesso
em 24 setembro 2018.
FARAH, Tatiana. Por 20 centavos e muito mais: manifestações completam um ano. O
Globo, São Paulo, 8 jun. 2014. Brasil. Disponível em:
<[Link]
completam-um-ano-12763238>. Acesso em 24 setembro 2018.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo
- Fundação do Desenvolvimento da Educação, 1995.
FERREIRA, Marieta de Moraes e PINTO, Surama Conde Sá. A Crise dos anos 20 e a
Revolução de Trinta. Rio de Janeiro: CPDOC, 2006.
GARCIA, Giselle. Entenda a crise econômica. Agência Brasil, Londres, 15 mai. 2016.
Economia. Disponível em: <[Link]
05/entenda-crise-economica>. Acesso em 24 setembro 2018.
607
Electronic copy available at: [Link]
Pedro Gonsalves de Alcântara Formiga
GASTIL, Raymond Duncan. Freedom in the World. Westport, Conn.: Greenwood, 1987.
HUNTINGTON, Samuel Phillips. The Third Wave: Democratization in the Late
Twentieth Century. Norman: University of Oklahoma Press, 1991.
INSTITUTO DE PESQUISAS DATAFOLHA. Governo Temer é aprovado por 14%.
Disponível em <[Link]
[Link]>. Acesso em 24 setembro 2018.
KUPPER, Agnaldo. São Paulo 1932: Uma Explosão em Busca de Novos Rumos. São Carlos,
Revista Eletrônica de Educação, Ano II, No 03, ago/ dez, 2008.
KYRITSIS, Dimitrios. Constitutional Review and Representative Democracy. New York,
Oxford Journal of Legal Studies, Vol. 32, No. 2, 2012.
LACEWING, Michael. Authority and legitimacy. Disponível
em:
<[Link]
d/ [Link]>. Acesso em 24 setembro 2018.
MARINHO, Josaphat. A Constituição de 1934. Brasília, Revista de Informação
Legislativa, a. 24 n. 94 abr./jun. 1987.
MERKEL, Wolfgang. Is there a crisis of democracy? Can we answer the question?.
Disponível em <[Link]
Acesso em 24 setembro 2018.
MORAIS, Thais de Freitas. O debate em torno do sistema político brasileiro: análises
polêmicas e desafios. Natal, Revista Inter-Legere, nº 5, 2009.
MYERSON, Roger Bruce. Political Economics and the Weimar Disaster. Tuebingen,
Journal of Institutional and Theoretical Economics (JITE), Vol. 160, No. 2, Jun., 2004.
RODRIGUES, João Paulo. Levante “Constitucionalista” de 1932 e a força da tradição.
Do confronto bélico à batalha pela memória (1932-1934). Assis: UNESP, 2009. 320f.
Tese (Doutorado em História) - Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Assis, 2009.
RODRIGUES, Renan. Ibope mostra descontentamento geral com classe política.
Extra, Rio de Janeiro, 27 out. 2015. Notícias. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em 24 setembro 2018.
ROMAGNOLI, Carlos Alberto Maciel. 23 de Maio de 1932 - Prelúdio do Maior
Movimento Constitucionalista da História. Disponível
em: <[Link]
do- maior-movimento-constitucionalista-da-historia/>. Acesso em 24 setembro 2018.
SARDINHA, Edson e COSTA, Sylvio. Parlamentares processados atingem número
recorde. Congresso em Foco, Brasília, 18 jul. 2012. Ficha Limpa. Disponível em:
<[Link]
parlamentares-tem-processos-no-stf/>. Acesso em 24 setembro 2018.
SCHUMPETER, Joseph Alois. Capitalism, Socialism, and Democracy. New York:
Harper, 1947.
SILVA, Otavio Pinto e. A Revolução de 1930 e o Direito do Trabalho no Brasil. São Paulo,
Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, V. 95, jan./dez. 2000.
TAKAYANAGI, Fabiano Yuji. A Democracia Representativa no Brasil. São Paulo, Revista
da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, V. 102, jan./dez. 2007.
TOCQUEVILLE, Alexis de. Democracy in America. Indianapolis: Liberty Fund, Inc.,
2010.
TORMEY, Simon. The Contemporary Crisis of Representative Democracy. Disponível
em <[Link]
%20Prof.%20Simon%20Tormey%20-
608
Electronic copy available at: [Link]
A crise representativa sob a ótica constitucional e democrática: Interfaces entre a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a atualidade
%20The%20Contemporary%20Crisis%20of%20Representative%[Link]>.
Acesso em 24 setembro 2018.
609
Electronic copy available at: [Link]