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Super Material - Aparelho Reprodutor

O documento aborda a anatomia do aparelho reprodutor humano, detalhando o desenvolvimento dos sistemas genitais masculino e feminino, incluindo a embriologia e a estrutura dos órgãos reprodutores. O aparelho reprodutor feminino é descrito em termos de suas partes, como ovários e tubas uterinas, e sua função na reprodução. Também são discutidos aspectos como vascularização, inervação e condições patológicas como a síndrome dos ovários policísticos.

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Super Material - Aparelho Reprodutor

O documento aborda a anatomia do aparelho reprodutor humano, detalhando o desenvolvimento dos sistemas genitais masculino e feminino, incluindo a embriologia e a estrutura dos órgãos reprodutores. O aparelho reprodutor feminino é descrito em termos de suas partes, como ovários e tubas uterinas, e sua função na reprodução. Também são discutidos aspectos como vascularização, inervação e condições patológicas como a síndrome dos ovários policísticos.

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SUMÁRIO

1. Aparelho reprodutor.................................................. 3
2. Aparelho reprodutor feminino................................ 3
3. Aparelho reprodutor masculino...........................29
Referências Bibliográficas .........................................50
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 3

1. APARELHO facilitada através da síntese de este-


REPRODUTOR roides endócrinos, parácrinos e autó-
crinos, bem como através do recruta-
Embriologia
mento de muitos outros reguladores
Apesar de o sexo cromossômico e envolvidos na especificidade da ação
genético de um embrião ser deter- androgênica através da modificação
minado na fecundação pelo tipo de dos complexos receptor hormonal.
espermatozoide que fecunda o óvulo, O aparelho reprodutor feminino é
as características masculinas e femi- constituído pelos órgãos femininos
ninas só começam a se desenvolver responsáveis pela reprodução. É no
na 7ª semana. Os sistemas genitais aparelho reprodutor feminino, mas
iniciais nos dois sexos são semelhan- especificamente nos ovários, onde
tes; por esta razão, o período inicial os óvulos amadurecem e ficam pron-
do desenvolvimento genital é referido tos para serem fecundados por um
como estágio indiferenciado do de- espermatozoide. Caso isso ocorra, o
senvolvimento sexual. zigoto formado irá se instalar no úte-
As gônadas (testículos e ovários) são ro, onde irá ocorrer seu crescimento e
derivadas de três fontes: desenvolvimento até o nascimento.
• O mesotélio (epitélio mesodérmi-
co) que reveste a parede abdomi- Trato genital superior
nal posterior;
Os órgãos genitais internos femininos
• O mesênquima subjacente (tecido incluem os ovários, as tubas uterinas,
conjuntivo embrionário); o útero e a vagina.
• As células germinativas primordiais.
Ovários
2. APARELHO Os ovários são gônadas femininas
REPRODUTOR FEMININO com formato e tamanho semelhantes
Introdução aos de uma amêndoa, nos quais se
desenvolvem os oócitos (gametas ou
O desenvolvimento de sexo e gênero células germinativas femininas). Tam-
em humanos é fortemente controlado bém são glândulas endócrinas que
por fatores genéticos, que induzem o produzem hormônios sexuais. Cada
desenvolvimento de órgãos (espe- ovário é suspenso por uma curta pre-
cialmente gonadais) e a programa- ga peritoneal ou mesentério, o meso-
ção dependente de androgênio de vário. O mesovário é uma subdivisão
maneira específica de tecido e de- de um mesentério maior do útero, o
pendente de tempo. A modulação é ligamento largo.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 4

Ligamento
suspensor do
ovário ( contém os
vasos ováricos)
Corpo lúteo
Ovário

Mesométrio (do
ligamento largo do
útero)
Mesovário ( do
ligamento largo do
útero)
Ligamento útero-
Figura 1. Anatomia do útero e ovários. Fonte: Netter
ovárico (próprio
interativo do ovário)

Nas mulheres pré-púberes, a cápsu- face superolateral do ovário dentro de


la de tecido conjuntivo (túnica albugí- uma prega peritoneal, o ligamento
nea do ovário) que forma a superfície suspensor do ovário, que se torna
do ovário é coberta por uma lâmina contínuo com o mesovário do liga-
lisa de mesotélio ovariano ou epitélio mento largo.
superficial (germinativo), uma única Medialmente no mesovário, um li-
camada de células cúbicas que confere gamento útero-ovárico curto fixa o
à superfície uma aparência acinzenta- ovário ao útero. O ligamento útero-
da, fosca, que contrasta com a super- -ovárico une a extremidade proximal
fície brilhante do mesovário peritoneal (uterina) do ovário ao ângulo lateral
adjacente com o qual é contínua. do útero, imediatamente inferior à en-
Depois da puberdade, há fibrose e trada da tuba uterina. Como o ovário
distorção progressiva do epitélio está suspenso na cavidade perito-
superficial ovariano, em razão da re- neal e sua superfície não é coberta
petida ruptura de folículos ovarianos por peritônio, o oócito expelido na
e liberação de oócitos durante a ooci- ovulação passa para a cavidade pe-
tação. A fibrose é menor em usuárias ritoneal. Entretanto, sua vida intrape-
de contraceptivos orais. ritoneal é curta porque geralmente é
Os vasos sanguíneos e linfáticos e aprisionado pelas fímbrias do infundí-
os nervos ovarianos cruzam a mar- bulo da tuba uterina e conduzido para
gem da pelve, entrando e saindo da a ampola, onde pode ser fertilizado.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 5

Folículo
Folículo Folículo Folículo
terciário (de
primário primário secundário
Graaf)
unilaminar multilaminar (antral)
Folículo
Epitélio de cobertura da Folículo Folículo Túnica rompido
superfície ovariana primordiais
atrésico albugínea
(epitélio germinativo)
Ovócito à
ovulação

Corpo
lúteo ativo
Hilo Córtex
Peritônio Medula

Corpo lúteo em
Vasos Corpo Figura 2. Estrutura dos ovários. Fonte: STANDRING,
regressão
ovarianos Albicans S. Grayʾs Anatomia. A base anatômica da prática
clínica. 40a Ed.

SAIBA MAIS!
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma doença complexa caracterizada por
hiperandrogenismo e anovulação crônica.
A produção excessiva de androgênios e sua subsequente conversão em estrogênios consti-
tuem o substrato fisiopatológico da anovulação crônica. Haveria, pois, retroalimentação ací-
clica, com secreção inadequada de LH e FSH pelo sistema hipotálamo-hipofisário. Forma-se,
assim, verdadeiro ciclo vicioso em que a disfunção central condiciona alterações morfológicas
e funcionais nos ovários.
Manifesta-se com um quadro de irregularidade menstrual do tipo espaniomenorreia (espaça-
mento anormal, normalmente de dois a três meses no fluxo menstrual), iniciada à época da
menarca, associado a hiperandrogenismo clínico (hirsutismo e acne) e/ou laboratorial (hipe-
randrogenemia). Também correlacionados tais como obesidade, infertilidade, sinais de resis-
tência à insulina (acantosis nigricans).
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 6

Tubas uterinas As tubas uterinas podem ser dividi-


das em quatro partes, da região la-
As tubas uterinas (trompas de Faló-
teral para a medial:
pio) conduzem o oócito, que é libera-
do mensalmente de um ovário duran- • Infundíbulo: a extremidade distal
te a vida fértil, da cavidade peritoneal afunilada da tuba que se abre na
periovariana para a cavidade uterina. cavidade peritoneal através do ós-
Também são o local habitual de fer- tio abdominal. Os processos digi-
tilização. As tubas estendem-se late- tiformes da extremidade fimbriada
ralmente a partir dos cornos uterinos do infundíbulo (fímbrias) abrem-
e se abrem na cavidade peritoneal -se sobre a face medial do ovário;
perto dos ovários. uma grande fímbria ovárica está fi-
As tubas uterinas (cerca de 10 cm de xada ao polo superior do ovário
comprimento) estão em um mesen- • Ampola: a parte mais larga e mais
tério estreito, a mesossalpinge, que longa da tuba, que começa na ex-
forma as margens livres anterossupe- tremidade medial do infundíbulo; a
riores dos ligamentos largos. Na dis- fertilização do ovócito geralmente
posição “ideal”, tipicamente mostrada ocorre na ampola
pelas ilustrações, as tubas estendem-
-se simetricamente em direção pos- • Istmo: a parte da tuba que tem
terolateral até as paredes laterais da parede espessa e entra no corno
pelve, onde se curvam anterior e uterino
superiormente aos ovários no liga- • Parte uterina: o segmento intra-
mento largo em posição horizontal. mural curto da tuba que atravessa
Na realidade, observadas à ultrasso- a parede do útero e se abre, atra-
nografia, muitas vezes as tubas estão vés do óstio uterino, para a cavi-
dispostas assimetricamente e uma dade do útero no corno do útero.
delas está em posição superior e até
mesmo posterior em relação ao útero.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 7

Mesossalpinge (do
ligamento largo do
útero)

Infundíbulo

Pregas tubárias
Fímbrias
Ostio uterino da
tuba uterina

Apêndice
vesiculoso
Epoóforo (hidátide de
Morgagni)

Figura 3. Estrutura das tubas uterinas. Fonte: Netter


interativo

SAIBA MAIS!
Como o sistema genital feminino comunica-se com a cavidade peritoneal através
dos óstios abdominais das tubas uterinas, as infecções da vagina, do útero e das
tubas uterinas podem evoluir para peritonite. Inversamente, a inflamação da tuba
uterina (salpingite) pode resultar de infecções que se disseminam da cavidade peri-
toneal. Uma importante causa de infertilidade em mulheres é a obstrução das tubas uterinas,
não raro consequência da salpingite.

Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 473

Vascularização dos ovários e das nos ligamentos suspensores, aproxi-


tubas uterinas mando-se das faces laterais dos ová-
rios e das tubas uterinas. Os ramos
As artérias ováricas originam-se da
ascendentes das artérias uterinas
parte abdominal da aorta e descem
(ramos das artérias ilíacas internas)
ao longo da parede abdominal poste-
seguem ao longo das faces laterais
rior. Na margem da pelve, cruzam so-
do útero e se aproximam das faces
bre os vasos ilíacos externos e entram
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 8

mediais dos ovários e tubas uteri- uterinas das extremidades opostas


nas. Tanto a artéria ovárica quanto a e anastomosam-se entre si, criando
artéria uterina ascendente terminam uma circulação colateral de origem
bifurcando-se em ramos ováricos e abdominal e pélvica para ambas as
tubários, que irrigam ovários e tubas estruturas.

Peritônio (margem
seccionada)

Ligamento
suspensor do
Parte abdominal
ovário (contém os
da aorta
vasos ováricos)

Tuba uterina

Útero
Artéria ilíaca
interna
Ligamento
redondo do útero
Artéria ovárica

Vagina
Ovário
Artéria uterina

Figura 4. Irrigação arterial do aparelho genital feminino. Fonte: Netter interativo

As veias que drenam o ovário for- esquerda drena para a veia renal es-
mam um plexo venoso pampinifor- querda. As veias tubárias drenam
me, semelhante a uma trepadeira, para as veias ováricas e para o plexo
no ligamento largo perto do ovário venoso uterino (uterovaginal).
e da tuba uterina. As veias do plexo
geralmente se fundem para formar
uma única veia ovárica, que deixa a
pelve menor com a artéria ovárica. A
veia ovárica direita ascende e entra
na veia cava inferior; a veia ovárica
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 9

Veia cava inferior

Veia renal
esquerda
Veia renal
direita

Veias ováricas
Veia uterina

Plexo venoso
uterovaginal

Figura 5. Drenagem venosa do aparelho genital femi-


nino. Fonte: Netter interativo

Inervação dos ovários e das tubas ovárico e dos nervos esplâncnicos


uterinas lombares até os corpos celulares nos
gânglios sensitivos dos nervos es-
A inervação é derivada em parte do
pinais T11–L1. As fibras reflexas
plexo ovárico, descendo com os
aferentes viscerais seguem as fibras
vasos ováricos, e em parte do ple-
parassimpáticas retrogradamente
xo uterino (pélvico). Os ovários e as
através dos plexos uterino (pélvico)
tubas uterinas são intraperitoneais
e hipogástrico inferior e dos nervos
e, portanto, estão localizados acima
esplâncnicos pélvicos até os corpos
da linha de dor pélvica. Assim, fibras
celulares nos gânglios sensitivos dos
de dor aferentes viscerais ascen-
nervos espinais S2–S4.
dem retrogradamente com as fibras
simpáticas descendentes do plexo
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 10

Gânglio e tronco simpáticos

Plexo intermesentérico
Nn. Esplâncnicos lombares
(abdominopélvicos)

Plexo hipogástrico superior


N. Hipogástrico esquerdo
N. Esplânico sacral

N. Esplânico pélvico
Plexo hipogástrico inferior

Plexo ovárico

Plexo
Plexo uterino
uterovaginal Plexo
vaginal

Vista anterior Inervação


Somática Parassimpática
Simpática Autonoma mista

Figura 6. Inervação do aparelho genital feminino. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed.
PÁG 467

Útero menor, com o corpo sobre a bexiga


urinária e o colo entre a bexiga uriná-
O útero é um órgão muscular oco,
ria e o reto.
piriforme, com paredes espessas. O
embrião e o feto se desenvolvem no O útero é uma estrutura muito dinâ-
útero. As paredes musculares adap- mica, cujo tamanho e proporções
tam-se ao crescimento do feto e ga- modificam-se durante as várias fa-
rantem a força para sua expulsão ses da vida. Na mulher adulta, o útero
durante o parto. O útero não grávido geralmente encontra-se antevertido
geralmente está localizado na pelve (inclinado anterossuperiormente em
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 11

relação ao eixo da vagina) e antefle- posição do útero muda com o grau


tido (fletido ou curvado anteriormen- de enchimento da bexiga urinária e
te em relação ao colo, criando o ângu- do reto, e com a evolução da gravi-
lo de flexão), de modo que sua massa dez. Embora seu tamanho varie mui-
fica sobre a bexiga urinária. Sendo to, o útero tem cerca de 7,5 cm de
assim, quando a bexiga urinária está comprimento, 5 cm de largura e 2 cm
vazia, o útero tipicamente situa-se de espessura e pesa cerca de 90 g.
em um plano quase transversal. A

Útero
Alterações com a idade

4 anos
Recém-nascido

Puberdade

Adulto
(nulíparo)

Adulto
(pós-
Adulto menopáusico)
(multíparo)
Útero
Variações na posição 12
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR

Contorno retal Graus de retroversão


alterado 3º grau Útero
Variações na posição
3º grau 2º grau 1º grau

Normal
Contorno retal Graus de retroversão
alterado 3º grau
3º grau 2º grau 1º grau

Normal

Figuras 7 e 8. Desenvolvimento do útero. Fonte: Netter interativo

O útero pode ser dividido em duas relativamente estreitado, com cerca


partes principais: o corpo e o colo. de 1 cm de comprimento.
O corpo do útero, que forma os dois O colo do útero é o terço inferior cilín-
terços superiores do órgão, inclui o drico e relativamente estreito do úte-
fundo do útero, a parte arredonda- ro, que tem comprimento aproximado
da situada superiormente aos óstios de 2,5 cm em uma mulher adulta não
uterinos. O corpo está situado en- grávida. Para fins descritivos, é di-
tre as lâminas do ligamento largo vidido em duas porções: uma por-
e é livremente móvel. Tem duas fa- ção supravaginal entre o istmo e a
ces: anterior (relacionada com a be- vagina, e uma porção vaginal, que
xiga urinária) e posterior (intestinal). se projeta para a parte superior da
O corpo do útero é separado do colo parede anterior da vagina. A porção
pelo istmo do útero, um segmento vaginal arredondada circunda o óstio
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 13

do útero e, por sua vez, é circunda-


da por um recesso estreito, o fórnice SE LIGA! O câncer do colo do útero,
da vagina. A porção supravaginal é também chamado de câncer cervical, é
causado pela infecção persistente por
separada da bexiga urinária anterior-
alguns tipos do Papilomavírus Humano
mente por tecido conjuntivo frouxo e - HPV (chamados de tipos oncogênicos).
do reto posteriormente pela escava- A infecção genital por esse vírus é muito
ção retouterina. frequente e não causa doença na maio-
ria das vezes. Entretanto, em alguns ca-
A cavidade do útero, semelhante sos, ocorrem alterações celulares que
a uma fenda, tem cerca de 6 cm de podem evoluir para o câncer. Essas al-
comprimento do óstio uterino até a terações são descobertas facilmente no
parede do fundo do útero. Os cornos exame preventivo (conhecido também
como Papanicolau), e são curáveis na
do útero são as regiões superolaterais quase totalidade dos casos. Por isso, é
da cavidade do útero, onde penetram importante a realização periódica desse
as tubas uterinas. A cavidade do úte- exame.
ro continua inferiormente como o ca- Excetuando-se o câncer de pele não me-
nal do colo do útero. O canal fusifor- lanoma, é o terceiro tumor maligno mais
frequente na população feminina (atrás
me estende-se de um estreitamento do câncer de mama e do colorretal), e a
no interior do istmo do corpo do útero, quarta causa de morte de mulheres por
o óstio anatômico interno, atravessa câncer no Brasil.
as porções supravaginal e vaginal do
colo, comunicando-se com o lúmen
A parede do corpo do útero é for-
da vagina através do óstio uterino. A
mada por três camadas ou lâminas:
cavidade do útero (em particular, o
canal do colo do útero) e o lúmen da • Perimétrio – a serosa ou revesti-
vagina juntos constituem o canal de mento seroso externo – consiste
parto que o feto atravessa ao fim da em peritônio sustentado por uma
gestação. fina lâmina de tecido conjuntivo
• Miométrio – a camada média de
músculo liso – é muito distendido
(mais extenso, porém muito mais
fino) durante a gravidez. Os princi-
pais ramos dos vasos sanguíneos
e nervos do útero estão localizados
nessa camada. Durante o parto, a
contração do miométrio é estimu-
lada hormonalmente a intervalos
cada vez menores para dilatar o
óstio do colo do útero e expelir o
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 14

feto e a placenta. Durante a mens- blastocisto implanta-se nessa ca-


truação, as contrações do miomé- mada; se não houver concepção,
trio podem causar cólica. a face interna dessa camada é eli-
minada durante a menstruação. A
• Endométrio – a camada mucosa
quantidade de tecido muscular no
interna – está firmemente aderido
colo do útero é bem menor do que
ao miométrio subjacente. O endo-
no corpo. O colo do útero é, em
métrio participa ativamente do ciclo
sua maior parte, fibroso e consiste
menstrual, sofrendo modificações
principalmente em colágeno com
de sua estrutura a cada estágio
uma pequena quantidade de mús-
do ciclo. Se houver concepção, o
culo liso e elastina.

Fundo do
útero

Corpo do
útero

Perimétrio
Endométrio

Istmo do
Miométrio
útero
Mesométrio (do
Ostio histológico ligamento largo do útero)
interno do útero
Vasos uterinos
Colo do útero
Ligamento transverso do colo
Canal do colo do
útero com pregas Fórnice da vagina
palmadas

Ostio Vagina
(externo) do
útero

Figura 9. Estrutura do útero. Fonte: Netter interativo

Externamente, o ligamento útero- gônada de sua posição embrionária


-ovárico fixa-se ao útero posteroin- sobre a parede abdominal posterior.
feriormente à junção uterotubária. O O ligamento largo do útero é uma
ligamento redondo do útero fixa-se dupla lâmina de peritônio (mesen-
anteroinferiormente a essa junção. tério) que se estende das laterais do
Esses dois ligamentos são vestígios útero até as paredes laterais e o as-
do gubernáculo ovárico, relaciona- soalho da pelve. Esse ligamento aju-
dos com a mudança de posição da da a manter o útero em posição. As
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 15

duas lâminas do ligamento largo são O útero é uma estrutura densa situa-
contínuas entre si em uma margem da no centro da cavidade pélvica. As
livre que circunda a tuba uterina. La- principais sustentações do útero que
teralmente, o peritônio do ligamento o mantêm nessa posição são passi-
largo é prolongado superiormente so- vas e ativas ou dinâmicas. A susten-
bre os vasos como o ligamento sus- tação dinâmica do útero é propi-
pensor do ovário. Entre as lâminas ciada pelo diafragma da pelve. Seu
do ligamento largo de cada lado do tônus nas posições sentada e de pé e
útero, o ligamento útero-ovárico si- a contração ativa durante períodos de
tua-se posterossuperiormente e o li- aumento da pressão intra-abdominal
gamento redondo do útero situa-se (espirro, tosse etc.) são transmitidos
anteroinferiormente. A tuba uterina através dos órgãos pélvicos adjacen-
situa-se na margem livre anterossu- tes e da fáscia endopélvica que o cer-
perior do ligamento largo, dentro de cam. A sustentação passiva do úte-
um pequeno mesentério denominado ro é proporcionada por sua posição
mesossalpinge. Do mesmo modo, o – o modo como o útero normalmente
ovário situa-se dentro de um peque- antevertido e antefletido fica apoia-
no mesentério denominado mesová- do sobre o topo da bexiga urinária.
rio na face posterior do ligamento lar- Quando a pressão intra-abdominal
go. A parte maior do ligamento largo, aumenta, o útero é pressionado con-
inferior ao mesossalpinge e ao me- tra a bexiga urinária. O colo do útero
sovário, que serve como mesentério é a parte menos móvel do órgão em
para o próprio útero, é o mesométrio. razão da sustentação passiva propor-
cionada por condensações de fáscia
parietal da pelve (ligamentos) fixadas
a ele, que também contém músculo
liso.
• Ligamentos transversos do colo
estendem-se da porção suprava-
ginal do colo e das partes laterais
do fórnice da vagina até as pare-
des laterais da pelve.
• Ligamentos retouterinos seguem
superiormente e um pouco poste-
roinferiormente das laterais do colo
do útero até o meio do sacro; são
palpáveis ao toque retal.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 16

Tuba uterina
Ligamento suspensor
(de Falópio) Ureter
do ovário
Ovário
Ligamento e prega
retouterina
Ligamento útero-ovário
(próprio do ovário) Escavação
vesicouterina
Corpo do útero
Ligamento Escavação retouterina
redondo do útero ( fundo-de-saco de
Douglas)
Fundo do útero
Colo do útero

Bexiga urinária
Reto
Sínfise púbica

Ligamento púbico inferior Canal anal

Ânus

Figura 10. Corte sagital do aparelho genital feminino. Fonte: Netter interativo

Resumo das relações do útero: • Lateralmente: o ligamento largo


peritoneal ladeando o corpo do
• Anteriormente (anteroinferior- útero e os ligamentos transversos
mente em sua posição antevertida do colo, fasciais, de cada lado do
normal): a escavação vesicouterina colo do útero e da vagina; na tran-
e a face superior da bexiga uriná- sição entre os dois ligamentos, os
ria; a porção supravaginal do colo ureteres seguem anteriormente,
tem relação com a bexiga urinária um pouco superiores à parte late-
e é separada dela apenas por teci- ral do fórnice da vagina e inferiores
do conjuntivo fibroso. às artérias uterinas, em geral cerca
• Posteriormente: a escavação re- de 2 cm laterais à porção suprava-
touterina contendo alças de in- ginal do colo.
testino delgado e a face anterior
do reto; apenas a fáscia visceral
Vascularização do útero
da pelve que une o reto e o útero
nesse local resiste ao aumento da A vascularização do útero provém
pressão intra-abdominal. principalmente das artérias uterinas,
com possível irrigação colateral das
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 17

artérias ováricas. As veias uteri- venoso uterino de cada lado do colo.


nas penetram nos ligamentos largos As veias do plexo uterino drenam
com as artérias e formam um plexo para as veias ilíacas internas.

SAIBA MAIS!
Disposição do útero e prolapso uterino
Quando há aumento da pressão intra-abdominal, o útero normalmente antever-
tido e antefletido é pressionado contra a bexiga urinária. Entretanto, o útero pode
assumir outras posições, inclusive a anteflexão excessiva, anteflexão com retroversão e re-
troflexão com retroversão. Em vez de pressionar o útero contra a bexiga urinária, o aumento
da pressão intra-abdominal tende a empurrar o útero retrovertido, massa sólida em posição
vertical sobre a vagina (um tubo oco e flexível), para o interior ou mesmo através da vagina.
O útero retrovertido não sofre obrigatoriamente prolapso, mas há maior tendência a isso. A
situação é exacerbada quando existe ruptura do corpo do períneo ou atrofia (“relaxamento”)
dos ligamentos e músculos do assoalho pélvico.

Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 477

Vagina A vagina:
A vagina, um tubo musculomembra- • Serve como canal para o líquido
náceo distensível (7 a 9 cm de com- menstrual;
primento), estende-se do meio do
• Forma a parte inferior do canal de
colo do útero até o óstio da vagina,
parto;
a abertura na sua extremidade infe-
rior. O óstio da vagina, o óstio exter- • Recebe o pênis e o ejaculado du-
no da uretra e os ductos da glândula rante a relação sexual;
vestibular maior e as glândulas ves- • Comunica-se superiormente com
tibulares menores abrem-se no ves- o canal do colo do útero e inferior-
tíbulo da vagina, a fenda entre os mente com o vestíbulo da vagina.
lábios menores do pudendo. A parte
vaginal do colo do útero está locali-
zada anteriormente na parte superior
da vagina.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 18

Fáscia uterovaginal

Ligamento transverso do
colo (cardinal) (de
Colo do útero Mackenrodt)

Artéria vaginal
Ramo inferior do
púbis Ramo do clítoris

Artéria do bulbo do Parede da vagina


vestíbulo
Lábio menor do Bulbo do vestíbulo
Lábio maior do Vagina
pudendo
pudendo Vestíbulo da vagina

Figura 11. Estrutura da vagina. Fonte: Netter interativo

A vagina geralmente encontra-se co- A vagina situa-se anteriormente ao


lapsada. O óstio costuma estar co- reto, passando entre as margens me-
lapsado em direção à linha mediana, diais do músculo levantador do ânus
de modo que suas paredes laterais (puborretal). O fórnice da vagina, o
ficam em contato de cada lado de recesso ao redor do colo, tem partes
uma fenda anteroposterior. Superior- anterior, posterior e lateral. A parte
mente ao óstio, porém, as paredes posterior do fórnice da vagina é a
anterior e posterior estão em conta- mais profunda e tem íntima relação
to a cada lado de uma cavidade vir- com a escavação retouterina. Quatro
tual transversal, que tem formato de músculos comprimem a vagina e atu-
H em corte transversal, com exceção am como esfíncteres: pubovaginal,
de sua extremidade superior, na qual esfíncter externo da uretra, esfíncter
o colo do útero as mantém afastadas. uretrovaginal e bulboesponjoso.
A vagina situa-se posteriormente à A vagina está relacionada:
bexiga urinária e à uretra, sendo que
esta se projeta ao longo da linha me- • Anteriormente com o fundo da be-
diana de sua parede anteroinferior. xiga e a uretra;
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 19

• Lateralmente com o músculo le- • Posteriormente (da parte inferior


vantador do ânus, a fáscia visceral para a superior) com o canal anal,
da pelve e os ureteres; o reto e a escavação retouterina.

M. pubovaginal M. pubovesical M. retovesical

Vagina
Bexiga
urinária Reto

Cóccix

M. pubococcígeo

M. puborretal

M. pubococcígeo
M. Esfíncter Corpo de períneo
externo M. Esfíncter uretrovaginal
da uretra
M.M.
bulboesponjoso
bulboesponjoso M. Compressor da uretra
Figura 12. Musculatura da região pélvica. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 471

Vascularização da vagina da vagina e na túnica mucosa vaginal.


Essas veias são contínuas com o ple-
As artérias que irrigam a parte supe-
xo venoso uterino, formando o plexo
rior da vagina originam-se das arté-
venoso uterovaginal, e drenam para
rias uterinas. As artérias que suprem
as veias ilíacas internas através da
as partes média e inferior da vagina
veia uterina. Esse plexo também se
são ramos das artérias vaginal e pu-
comunica com os plexos venosos ve-
denda interna.
sical e retal.
As veias vaginais formam plexos ve-
nosos vaginais ao longo das laterais
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 20

A. e V. Ligamento
ováricas Útero útero-ovárico
Ampola da tuba
uterina
Ramos tubários
Ramos ováricos
Infundíbulo da tuba uterina
Fímbrias Margem
seccionada do
Ovário
peritônio
Ureter
Plexo e V. uterinos
A. Ilíaca interna
A. uterina
A. e V. vaginais Ramo ascendente da A. uterina
Ramo vaginal da A. uterina

Plexo venoso vaginal A. Pudenda interna

Vista posterior Vagina

Figura 13. Vascularização da vagina e do útero. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG
466

Inervação da vagina e do útero são derivados do plexo nervoso ute-


rovaginal, que segue com a artéria
Apenas o quinto ao quarto inferior
uterina na junção da base do liga-
da vagina tem inervação somática.
mento largo (peritoneal) com a parte
A inervação dessa parte da vagina
superior do ligamento transverso do
provém do nervo perineal profun-
colo (fascial). O plexo nervoso utero-
do, um ramo do nervo pudendo, que
vaginal é um dos plexos pélvicos que
conduz fibras aferentes simpáticas e
se estendem do plexo hipogástrico
viscerais, mas não fibras parassimpá-
inferior até as vísceras pélvicas. Fi-
ticas. Apenas essa parte inervada so-
bras aferentes simpáticas, parassim-
maticamente é sensível ao toque e
páticas e viscerais atravessam esse
à temperatura, embora as fibras afe-
plexo.
rentes somáticas e viscerais tenham
seus corpos celulares nos mesmos A inervação simpática atravessa os
gânglios sensitivos de nervos espi- nervos esplâncnicos lombares e os
nais (S2– S4). plexos intermesentéricos-hipogástri-
cos-pélvicos, enquanto a inervação
A maior parte da vagina (três quar-
parassimpática atravessa os nervos
tos a dois quintos superiores) tem
esplâncnicos pélvicos até o plexo hi-
inervação visceral. Os nervos para
pogástrico inferior-uterovaginal.
essa parte da vagina e para o útero
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 21

A inervação visceral da parte supe- seguem as fibras parassimpáticas


rior (corpo e fundo) e inferior (colo) retrogradamente pelos plexos ute-
do útero e vagina diferem nas vias de rovaginal e hipogástrico inferior e
condução, que são importantes para dos nervos esplâncnicos pélvicos
localização correta da anestesia no para chegar aos corpos celulares
parto. dos nervos espinhais S2-S4. – As
fibras que não conduzem impulsos
• As fibras que conduzem impulsos
dolorosos seguem essa via.
do fundo e do corpo do útero se-
guem inervação simpática retró-
grada e chega aos corpos celula- O corpo do útero está situado acima
res nos nervos espinhais torácicos da linha de dor pélvica, visto que é in-
inferiores-lombares superiores. traperitoneal. A vagina, por sua vez,
• As fibras que conduzem impul- está localizada abaixo da linha de
sos do colo do útero e da vagina dor pélvica.

SAIBA MAIS! Fístulas vaginais


Em virtude da proximidade entre a Fístula vesicovaginal Fístula retovaginal
vagina e os órgãos pélvicos adjacen-
tes, o traumatismo obstétrico durante
o trabalho de parto longo e difícil pode
ocasionar fraquezas, necrose ou rupturas na
parede da vagina e, às vezes, além. Estas po-
dem dar origem ou se transformar depois em
passagens anormais (fístulas) entre o lúmen
vaginal e o lúmen da bexiga urinária, uretra,
reto ou períneo, em posição adjacente. A urina
entra na vagina pelas fístulas vesicovaginal e
uretrovaginal, mas o fluxo é contínuo na pri-
meira e ocorre apenas durante a micção na úl-
tima. No caso de uma fístula retovaginal, pode Fístula uretrovaginal Fístula vaginoperineal
haver eliminação de fezes pela vagina.
Vista medial (pela esquerda)

Figura 14. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orien-


tada para a clínica. 7 ed. PÁG 481

Trato genital inferior maiores do pudendo, os lábios me-


nores do pudendo, o clitóris, os
Os órgãos genitais externos femini-
bulbos do vestíbulo e as glândulas
nos são o monte do púbis, os lábios
vestibulares maiores e menores. Os
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 22

sinônimos vulva e pudendo incluem • Para orientar o fluxo de urina;


todas essas partes; o termo vulva é
• Para evitar a entrada de material
usado com frequência na clínica. O
estranho nos sistemas genital e
pudendo serve:
urinário.
• Como tecido sensitivo e erétil para
excitação e relação sexual;

Monte do púbis Comissura anterior dos


lábios

Rima do pudendo (espaço Prepúcio do clítoris


circundado pelos lábios maiores)

Glande do clítoris

Ostio externo da uretra

Frênulo do clítoris
Lábio menor do
pudendo

Ostios do ductos parauretrais


(de Skene)
Lábio maior do
pudendo
Vestíbulo da vagina (espaço circundado
Ostio da vagina pelos lábios menores)

Ostio da glândula vestibular maior


(de Bartholin)
Fossa do vestíbulo da vagina
Carúncula himenal
Ânus Comissura posterior
Frênulo dos lábios do Rafe do períneo (cobrindo o dos lábios
pudendo corpo do períneo)

Figura 15. Genitália externa feminina. Fonte: Netter interativo

Monte do púbis Lábios maiores do pudendo


O monte do púbis é a eminência adi- Os lábios maiores do pudendo são
posa, arredondada, anterior à sínfise pregas cutâneas proeminentes que
púbica, tubérculos púbicos e ramo proporcionam proteção indireta para
superior do púbis. A eminência é for- o clitóris e para os óstios da uretra e
mada por massa de tecido adiposo da vagina. Cada lábio maior é preen-
subcutâneo. A quantidade de tecido chido principalmente por um “prolon-
adiposo aumenta na puberdade e gamento digital” de tecido subcutâ-
diminui após a menopausa. A super- neo frouxo contendo músculo liso e
fície do monte é contínua com a pa- a extremidade do ligamento redondo
rede anterior do abdome. Após a pu- do útero. Os lábios maiores seguem
berdade, o monte do púbis é coberto em sentido inferoposterior do mon-
por pelos pubianos encrespados. te do púbis em direção ao ânus.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 23

Os lábios maiores situam-se nas la- os lábios menores formam duas lâ-
terais de uma depressão central (uma minas. As lâminas mediais de cada
fenda estreita quando as coxas são lado se unem e formam o frênulo do
aduzidas, a rima do pudendo, no in- clitóris. As lâminas laterais unem-se
terior da qual estão os lábios menores anteriormente à glande do clitóris (ou
do pudendo e o vestíbulo da vagina. muitas vezes anterior e inferiormen-
As faces externas dos lábios maio- te, assim superpondo-se à glande e
res na mulher adulta são cobertas encobrindo-a), e formam o prepúcio
por pele pigmentada contendo mui- do clitóris. Nas mulheres jovens, so-
tas glândulas sebáceas e por pelos bretudo as virgens, os lábios menores
pubianos encrespados. As faces in- estão unidos posteriormente por uma
ternas dos lábios são lisas, rosadas e pequena prega transversal, o frênu-
não têm pelos. lo dos lábios do pudendo. Embora a
Os lábios maiores do pudendo são face interna de cada lábio menor seja
mais espessos anteriormente, onde formada por pele fina e úmida, tem
se unem para formar a comissura an- a cor rosa típica da túnica mucosa e
terior. Posteriormente, em mulheres contém muitas glândulas sebáceas e
nulíparas (que nunca tiveram filhos), terminações nervosas sensitivas.
fundem-se para formar uma crista, a
comissura posterior, que está situ- Clítoris
ada sobre o corpo do períneo e é o
limite posterior da vulva. Essa comis- O clítoris, ou clitóris, é um órgão erétil
sura geralmente desaparece após o localizado no ponto de encontro dos
primeiro parto vaginal. lábios menores do pudendo ante-
riormente. O clitóris consiste em uma
raiz e um pequeno corpo cilíndrico,
Lábios menores do pudendo formados por dois ramos, dois corpos
Os lábios menores do pudendo são cavernosos e a glande do clitóris. Os
pregas arredondadas de pele sem ramos fixam-se aos ramos inferiores
pelos e sem tecido adiposo. Estão do púbis e à membrana do períneo,
situados na rima do pudendo, circun- profundamente aos lábios do puden-
dam imediatamente e fecham o ves- do. O corpo do clitóris é coberto pelo
tíbulo da vagina, no qual se abrem os prepúcio. Juntos, o corpo e a glan-
óstios externo da uretra e da vagina. de do clitóris têm cerca de 2 cm de
Eles têm um núcleo de tecido conjun- comprimento e < 1 cm de diâmetro.
tivo esponjoso contendo tecido eré- Ao contrário do pênis, o clitóris não
til em sua base e muitos pequenos tem relação funcional com a uretra ou
vasos sanguíneos. Anteriormente, a micção. Atua apenas como órgão
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 24

de excitação sexual. O clitóris é mui- é a parte mais inervada do clitóris e


to sensível e aumenta de tamanho à tem densa provisão de terminações
estimulação tátil. A glande do clitóris sensitivas.

Sínfise púbica

Ângulo
Corpo
Do clítoris
Glande
Ramo
Ramo isquiopúbico

Vista anterior
Figura 16. Estrutura do clítoris. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 519

Vestíbulo da vagina pudendo, nas posições de 5 e 7 ho-


ras em relação ao óstio da vagina na
O vestíbulo da vagina é o espaço cir-
posição de litotomia.
cundado pelos lábios menores do
pudendo no qual se abrem os óstios O tamanho e a aparência do óstio da
da uretra e da vagina e os ductos vagina variam com a condição do hí-
das glândulas vestibulares maiores men, uma prega anular fina de muco-
e menores. O óstio externo da ure- sa, que proporciona oclusão parcial ou
tra está localizado 2 a 3 cm poste- total do óstio da vagina. Após a ruptu-
roinferiormente à glande do clitóris e ra do hímen, são visíveis as carúncu-
anteriormente ao óstio da vagina. De las himenais remanescentes. Esses
cada lado do óstio externo da uretra remanescentes delimitam a vagina e
há aberturas dos ductos das glându- o vestíbulo. O hímen não tem função
las uretrais. As aberturas dos ductos fisiológica estabelecida, é considera-
das glândulas vestibulares maiores do basicamente um vestígio do de-
estão localizadas nas faces mediais senvolvimento, mas sua condição (e
superiores dos lábios menores do a do frênulo dos lábios do pudendo)
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 25

muitas vezes oferece dados decisi- delgados dessas glândulas seguem


vos em casos de abuso de crianças profundamente aos bulbos do vestí-
e de estupro. bulo e se abrem no vestíbulo de cada
lado do óstio vaginal. Essas glându-
las secretam muco para o vestíbulo
Bulbos do vestíbulo durante a excitação sexual.
Os bulbos do vestíbulo são duas As glândulas vestibulares meno-
massas de tecido erétil alongado, res são pequenas glândulas de cada
com cerca de 3 cm de comprimen- lado do vestíbulo da vagina que se
to. Os bulbos do vestíbulo situam- abrem nele entre os óstios da uretra e
-se lateralmente ao longo do óstio da da vagina. Essas glândulas secretam
vagina, superior ou profundamente muco para o vestíbulo da vagina, o
aos lábios menores do pudendo (não que umedece os lábios do pudendo e
dentro), imediatamente inferiores à o vestíbulo da vagina.
membrana do períneo. São cobertos
inferior e lateralmente pelos múscu-
los bulboesponjosos que se esten- Vascularização do pudendo
dem ao longo de seu comprimento. A irrigação abundante do pudendo
Os bulbos do vestíbulo são homólo- provém das artérias pudendas ex-
gos ao bulbo do pênis. terna e interna. A artéria pudenda
interna irriga a maior parte da pele, os
Glândulas vestibulares órgãos genitais externos e os múscu-
los do períneo. As artérias labiais e do
As glândulas vestibulares maiores clitóris são ramos da artéria pudenda
(glândulas de Bartholin), com cerca interna.
de 0,5 cm de diâmetro, estão situadas
As veias labiais são tributárias das
no espaço superficial do períneo. Si-
veias pudendas internas e veias
tuam-se de cada lado do vestíbulo da
acompanhantes da artéria pudenda
vagina, posterolateralmente ao óstio
interna. O ingurgitamento venoso du-
da vagina e inferiormente à membra-
rante a fase de excitação da resposta
na do períneo; assim, estão no espaço
sexual causa aumento do tamanho e
superficial do períneo. As glândulas
consistência do clitóris e dos bulbos
vestibulares maiores são redondas
do vestíbulo da vagina.
ou ovais, sendo parcialmente super-
postas posteriormente pelos bulbos
do vestíbulo. Como os bulbos, são Inervação do pudendo
parcialmente circundadas pelos mús-
culos bulboesponjosos. Os ductos A face anterior do pudendo (monte
do púbis, parte anterior dos lábios do
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 26

pudendo) é inervada por derivados do musculares do nervo perineal su-


plexo lombar: os nervos labiais an- prem o óstio da vagina e os múscu-
teriores, derivados do nervo ilioin- los superficiais do períneo. O nervo
guinal, e o ramo genital do nervo dorsal do clitóris supre os músculos
genitofemoral. profundos do períneo e são respon-
A face posterior do pudendo é iner- sáveis pela sensibilidade do clitóris.
vada por derivados do plexo sacral: O bulbo do vestíbulo e os corpos eré-
o ramo perineal do nervo cutâneo teis do clitóris recebem fibras paras-
femoral posterior lateralmente e o simpáticas via nervos cavernosos do
nervo pudendo centralmente. Este plexo nervoso uterovaginal. A esti-
último é o principal nervo do perí- mulação parassimpática provoca au-
neo. Seus nervos labiais posterio- mento das secreções vaginais, ereção
res (ramos superficiais terminais do do clitóris e ingurgitamento do tecido
nervo perineal) suprem os lábios do erétil nos bulbos do vestíbulo.
pudendo. Os ramos profundos e

M. bulboesponjoso
M. isquiocavernoso
N. Dorsal do clitóris
Membrana do períneo
Ramo perineal do N. cutâneo
femoral posterior
N. Perineal profundo
N. Perineal superficial
M. Transverso superficial do períneo
N. Dorsal do clitóris
N. Perineal
N. Pudendo
N. Anal inferior
N. (Nn.) clúnio(s) inferior(es)

M. Glúteo máximo
M. Esfíncter externo do ânus
Figura 17. Inervação do pudendo feminino. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 520
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 27

Drenagem linfática do períneo A linfa do clitóris, do bulbo do ves-


feminino tíbulo e da parte anterior dos lábios
menores do pudendo, drena para os
O pudendo contém uma rica rede de
linfonodos inguinais profundos ou
vasos linfáticos. A linfa da pele do pe-
diretamente para os linfonodos ilía-
ríneo, inclusive da anoderme inferior à
cos internos, e a linfa da uretra drena
linha pectinada do anorreto e da par-
para os linfonodos ilíacos internos
te inferior da vagina, óstio da vagina e
ou sacrais.
vestíbulo, drena inicialmente para os
linfonodos inguinais superficiais.

Trajetos para o fluxo


linfático proveniente de:
Linfonodos A = pudendo
Lombares B = glande do clítoris,
Ilíacos comuns lábios menores do
pudendo
Ilíacos internos
C = uretra
Ilíacos externos
Inguinais superficiais
Inguinais profundos
Sacrais

Figura 18. Drenagem linfática do períneo feminino. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed.
PÁG 521
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 28

MAPA RESUMO: APARELHO REPRODUTOR FEMININO.

Anterior e posterior Fórnice PUDENDO FEMININO


(VULVA) Prepúcio
Óstio da vagina VAGINA
Rima do pudendo Ramo
Apenas em virgens Hímen
Clitóris Corpo
Fundo
Glande
Corpo ÚTERO
Maiores
Colo (cérvix) ÓRGÃOS Lábios do pudendo
INTERNOS Menores

Com óstio externo da uretra


Vestíbulo da vagina Entre eles
Istmo
Óstio da uretra
Ampola TUBAS UTERINAS
Óstio externo da vagina
Infundíbulo
Abertura das glândulas
ÓRGÃOS vestibulares
Com fímbrias EXTERNOS
Bulbos do vestíbulo

Faces (lateral e medial)

Extremidades (uterina e tubária) OVÁRIOS


Maiores (D e E)
Secretoras de muco lubrificante
Ligamentos
Menores

GLÂNDULAS
VESTIBULARES (de Bartholin)
Suspensor do ovário Próprio do ovário Mesovário ANEXAS

Mapas Mentais da Medicina / Bruno Bastos Godoi, João Henrique Fonseca do Nascimento, autoria e coordenação. Salvador: SANAR, 2019. Pág 72 – 73.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 29

3. APARELHO Ducto deferente


REPRODUTOR O ducto deferente é a continuação
MASCULINO do ducto do epidídimo. O ducto
Introdução deferente:
O aparelho reprodutor masculino con- • Tem paredes musculares relativa-
siste no conjunto de órgãos mascu- mente espessas e um lúmen muito
linos responsáveis pela reprodução. pequeno, o que confere a ele fir-
É no aparelho reprodutor masculino, meza semelhante à de um cordão;
mais precisamente nos testículos, • Começa na cauda do epidídimo, no
que são formados os espermatozoi- polo inferior do testículo;
des, que irão fecundar um óvulo femi-
nino fértil a fim de formar um embrião. • Ascende posterior ao testículo,
medial ao epidídimo;
Ademais, o aparelho reprodutor mas-
culino compartilha estruturas com • É o principal componente do funí-
o aparelho urinário, visto que par- culo espermático;
te da uretra masculina é caminho
• Penetra a parede abdominal ante-
comum para excreção de urina e
rior através do canal inguinal;
espermatozoides.
• Cruza sobre os vasos ilíacos exter-
nos e entra na pelve;
Estruturas internas
• Segue ao longo da parede lateral
Os órgãos genitais internos masculi- da pelve, onde se situa externa-
nos incluem testículos, epidídimos, mente ao peritônio parietal;
ductos deferentes, glândulas semi-
nais, ductos ejaculatórios, próstata • Termina unindo-se ao ducto da
e glândulas bulbouretrais. Os testí- glândula seminal para formar o
culos e epidídimos são considerados ducto ejaculatório.
órgãos genitais internos de acordo
com sua posição no desenvolvimento Durante a parte pélvica de seu traje-
e homologia com os ovários femini- to, o ducto deferente mantém conta-
nos, que são internos. No entanto, em to direto com o peritônio; sem ou-
razão de sua posição externa pós- tra estrutura interposta entre eles. O
-natal e por serem encontrados du- ducto cruza superiormente ao ureter
rante a dissecção da região inguinal perto do ângulo posterolateral da be-
da parede abdominal anterior, são xiga urinária, seguindo entre o ureter
apresentados junto com estruturas e o peritônio da prega uretérica para
externas. chegar ao fundo da bexiga. A relação
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 30

entre o ducto deferente e o ureter no situa-se acima da glândula seminal,


homem é semelhante, embora tenha depois desce medialmente ao ureter
menor importância clínica, à relação e à glândula. O ducto deferente au-
entre a artéria uterina e o ureter na menta para formar a ampola do duc-
mulher. Posteriormente à bexiga uri- to deferente antes de seu término.
nária, o ducto deferente inicialmente

Cabeça do
epidídimo
Ducto
deferente
Dúctulos
eferentes do
testículo

Corpo do
epidídimo

Cauda do
epidídimo

Figura 19. Anatomia do testículo. Fonte: Netter interativo

Ureter
Bexiga

Ducto
deferente

Ampola do
ducto
deferente Glândula
(vesícula)
seminal

Próstata

Início do ducto
ejaculatório

Glândulas
bulbouretrais

Figura 20. Anatomia da vesícula seminal. Fonte: Netter interativo


ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 31

Vascularização do ducto deferente


SE LIGA!
A pequena artéria do ducto defe-
Glândula seminal
rente geralmente origina-se de uma
artéria vesical superior (às vezes in-
ferior) e termina anastomosando-se
com a artéria testicular, posterior-
Ducto
deferente
mente ao testículo.
seccionado e
ligado As veias da maior parte do ducto dre-
nam para a veia testicular, incluindo
o plexo pampiniforme distal. Sua
Testículo
Vista medial (da esquerda)
parte terminal drena para o plexo ve-
noso vesical/prostático.
Figura 21. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia
orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 462

O método comum de esterilização mas-


culina é a deferentectomia, popularmen-
te conhecida como vasectomia. Durante
esse procedimento, parte do ducto defe-
rente é ligada e/ou excisada por meio de
uma incisão na parte superior do escroto.
Portanto, o líquido ejaculado subsequen-
temente das glândulas seminais, prósta-
ta e glândulas bulbouretrais não contém
espermatozoides. Os espermatozoides
não expelidos degeneram no epidídimo
e na parte proximal do ducto deferente.

Parte abdominal da aorta


Veia cava inferior

Artéria vesical
Artéria vesical superior
superior

Artéria umbilical
(parte oclusa) Ducto deferente e sua
artéria
Plexo venoso
Artéria retal
vesical
média
(retropúbico)
Artéria vesical
inferior
Artéria
testicular Plexo venoso
prostático
Figura 22. Corte sagital do
Plexo Artéria do ducto aparelho reprodutor mascu-
pampiniforme deferente lino. Fonte: Netter interativo
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 32

Glândulas seminais Vascularização das glândulas


seminais
Cada glândula seminal é uma estru-
tura alongada (tem cerca de 5 cm de As artérias para as glândulas semi-
comprimento, mas às vezes é bem nais originam-se nas artérias vesi-
mais curta) situada entre o fundo da cal inferior e retal média. As veias
bexiga e o reto. As glândulas seminais acompanham as artérias e têm no-
encontram-se em posição oblíqua mes semelhantes.
superiormente à próstata e não ar-
mazenam espermatozoides (como
dá a entender o termo “vesícula”). Se- Ductos ejaculatórios
cretam um líquido alcalino espesso Os ductos ejaculatórios são tubos del-
com frutose (fonte de energia para gados que se originam pela união dos
os espermatozoides) e um agente ductos das glândulas seminais com
coagulante que se mistura aos es- os ductos deferentes. Os ductos eja-
permatozoides no seu trajeto para os culatórios (aproximadamente 2,5 cm
ductos ejaculatórios e a uretra. de comprimento) originam-se perto
As extremidades superiores das glân- do colo da bexiga e seguem juntos,
dulas seminais são recobertas por anteroinferiormente, atravessando a
peritônio e situam-se posteriormen- parte posterior da próstata e ao longo
te aos ureteres, onde são separadas das laterais do utrículo prostático.
do reto pelo peritônio da escavação Os ductos ejaculatórios convergem
retovesical. As extremidades inferio- para se abrir no colículo seminal por
res das glândulas seminais estão inti- meio de pequenas aberturas seme-
mamente relacionadas ao reto e são lhantes a fendas sobre a abertura do
separadas dele apenas pelo septo utrículo prostático, ou logo dentro da
retovesical. O ducto da glândula se- abertura. Embora os ductos ejacula-
minal une-se ao ducto deferente para tórios atravessem a parte glandular
formar o ducto ejaculatório. da próstata, as secreções prostáticas
só se juntam ao líquido seminal quan-
do os ductos ejaculatórios terminam
na parte prostática da uretra.

FORMAÇÃO DO DUCTO EJACULATÓRIO.

Ducto deferente + Ducto da


glândula seminal
Ducto
ejaculatório
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 33

Vascularização dos ductos


ejaculatórios
As artérias do ducto defe-
rente, em geral ramos das arté-
rias vesicais superiores (mas
muitas vezes das artérias Crista uretral
vesicais inferiores), su- Colículo seminal
prem os ductos eja- Ostios dos dúctulos
culatórios. As veias prostáticos no seio
prostático
Utrículo prostático

unem os plexos ve-


nosos prostático e Ostio do ducto
ejaculatório
vesical.

Próstata
A próstata (com aproximada-
mente 3 cm de comprimento,
4 cm de largura e 2 cm de profundi-
dade anteroposterior [AP]) é a maior • Uma base intimamente relaciona-
glândula acessória do sistema genital da ao colo da bexiga;
masculino. A próstata de consistên- • Um ápice que está em contato com
cia firme, do tamanho de uma noz, a fáscia na face superior dos mús-
circunda a parte prostática da ure- culos esfíncter da uretra e trans-
tra. A parte glandular representa cer- verso profundo do períneo;
ca de dois terços da próstata; o outro
• Uma face anterior muscular, cuja
terço é fibromuscular.
maioria das fibras musculares é
A cápsula fibrosa da próstata é transversal e forma um hemies-
densa e neurovascular, incorporando fíncter vertical, semelhante a uma
os plexos prostáticos de veias e ner- depressão (rabdoesfíncter), que é
vos. Tudo isso é circundado pela fás- parte do músculo esfíncter da ure-
cia visceral da pelve, que forma uma tra. A face anterior é separada da
bainha prostática fibrosa que é fina sínfise púbica pela gordura retro-
anteriormente, contínua anterolate- peritoneal no espaço retropúbico;
ralmente com os ligamentos pubo-
prostáticos, e densa posteriormente • Uma face posterior relacionada
onde se funde ao septo retovesical. com a ampola do reto;
A próstata tem: • Faces inferolaterais relacionadas
com o músculo levantador do ânus.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 34

Corpo da bexiga
Peritônio
Fundo da bexiga
Prega interuretérica
Ducto deferente
Ostio do ureter direito
Trígono da bexiga

Colo da bexiga Esfíncter


Fáscia parietal da pelve interno da
(endopélvica paravesical) e plexo uretra
venoso vesical
Arco tendíneo do músculo
levantador do ânus
Recesso
Uvula da bexiga anterior da
fossa
Músculo obturador interno
isquioanal
Músculo levantador do ânus
Cápsula prostática Ramo
inferior do
Ligamento lateral puboprostático
púbis
Próstata e parte prostática da uretra
Colículo seminal Ramo do pênis e
músculo
Arco tendíneo da fáscia da pelve isquiocavernoso
Glândula bulbouretral (de Cowper)
Tela subcutânea do
Membrana do períneo e músculo esfíncter externo da uretra
períneo (de colles)
Parte esponjosa da uretra no bulbo do pênis (camada
membranácea)
Corpo esponjoso e músculo bulboesponjoso
Fáscia superficial do períneo (de Gallaudet)

Figura 24. Bexiga urinária masculina. Fonte: Netter interativo

A descrição tradicional da próstata pouco profundo, podem ser subdi-


inclui os lobos a seguir, embora não vididos, cada um, para fins descri-
sejam bem distintos do ponto de vista tivos, em quatro lóbulos indistintos,
anatômico: definidos por sua relação com a
uretra e os ductos ejaculatórios, e –
• O istmo da próstata situa-se an-
embora menos visível – pelo arran-
teriormente à uretra. É fibromus-
jo dos ductos e tecido conjuntivo:
cular, e as fibras musculares repre-
sentam a continuação superior do ◊ Um lóbulo inferoposterior
músculo esfíncter externo da ure- situado posterior à uretra e in-
tra para o colo da bexiga, e contém ferior aos ductos ejaculatórios.
pouco ou nenhum tecido glandular Esse lóbulo constitui a face da
próstata palpável ao exame
• Os lobos direito e esquerdo da retal digital;
próstata, separados anteriormen-
te pelo istmo e posteriormente ◊ Um lóbulo inferolateral dire-
por um sulco longitudinal central e tamente lateral à uretra, que
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 35

forma a maior parte do lobo próximo do colo da bexiga. Acredita-


direito ou esquerdo; -se que o aumento do lobo médio seja
◊ Um lóbulo superomedial, si- ao menos parcialmente responsável
tuado profundamente ao lóbu- pela formação da úvula que pode se
lo inferoposterior, circundando projetar para o óstio interno da uretra.
o ducto ejaculatório ipsilateral; Os ductos prostáticos (20 a 30)
◊ Um lóbulo anteromedial, si- se abrem principalmente nos seios
tuado profundamente ao ló- prostáticos, situados de cada lado
bulo inferolateral, diretamente do colículo seminal na parede poste-
lateral à parte prostática pro- rior da parte prostática da uretra. O
ximal da uretra. líquido prostático, fino e leitoso, re-
presenta aproximadamente 20% do
volume do sêmen (uma mistura de
Um lobo médio (mediano) dá origem secreções produzidas pelos testícu-
a (3) e (4) anteriores. Essa região ten- los, glândulas seminais, próstata e
de a sofrer hipertrofia induzida por glândulas bulbouretrais que constitui
hormônio na idade avançada, for- o veículo no qual os espermatozoides
mando um lóbulo médio situado en- são transportados) e participa da ati-
tre a uretra e os ductos ejaculatórios e vação dos espermatozoides.
Glândula seminal
M. Esfíncter interno
Istmo da próstata da uretra
Lóbulo inferolateral Lóbulo
superomedial
Parte prostática da uretra
Ducto ejaculatório
Lóbulo anteromedial Parte prostática da
Colículo seminal uretra
Ductos ejaculatórios Lóbulo
inferoposterior
Lóbulo superomedial Istmo da próstata

Lóbulo inferoposterior Ápice da próstata


Sulco na face posterior Parte membranácea
da uretra
A. Corte anatômico transversal da próstata (esquerda) no nível da linha vermelha no corte mediano (direita) M. Esfíncter externo
da uretra

Figura 25. Corte anatômico transversal da próstata (esquerda) no nível da linha vermelha no corte mediano (direita).
Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 461

Vascularização da próstata inferiores, mas também as artérias


pudenda interna e retal média.
As artérias prostáticas são princi-
palmente ramos da artéria ilíaca in- As veias se unem para formar um ple-
terna, sobretudo as artérias vesicais xo ao redor das laterais e da base da
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 36

próstata. Esse plexo venoso pros- posterolateralmente à parte mem-


tático, situado entre a cápsula fibro- branácea da uretra, inseridas no
sa da próstata e a bainha prostática, músculo esfíncter externo da uretra.
drena para as veias ilíacas internas. Os ductos das glândulas bulbou-
O plexo venoso prostático é contínuo retrais atravessam a membrana do
superiormente com o plexo venoso períneo com a parte membranácea da
vesical e comunica-se posteriormen- uretra e se abrem através de peque-
te com o plexo venoso vertebral nas aberturas na região proximal da
interno. parte esponjosa da uretra no bulbo
do pênis. Sua secreção mucosa entra
SE LIGA! O câncer de próstata é a se-
na uretra durante a excitação sexual.
gunda causa de morte por câncer em
homens no Brasil. Na presença de sinais
e sintomas, recomenda-se a realização
de exames. Na fase inicial, o câncer de
Parte prostática Próstata
próstata pode não apresentar sintomas da uretra
e, quando apresenta, os mais comuns
são: Parte membranácea Glândula bulbouretral
(intermédia) da uretra (de Cowper)
Dificuldade de urinar;
Demora em começar e terminar de Ductos da glândula
urinar; bulbouretral

Sangue na urina; Ostios dos ductos da


glândula bulbouretrais
Diminuição do jato de urina;
Necessidade de urinar mais vezes du-
rante o dia ou à noite. Parte esponjosa Uretra
Esses sinais e sintomas também ocor- da uretra
rem devido a doenças benignas da
próstata. Por exemplo:
Hiperplasia benigna da próstata é o au-
mento benigno da próstata. Afeta mais
da metade dos homens com idade su-
perior a 50 anos e ocorre naturalmente
com o avançar da idade.
Prostatite é uma inflamação na próstata, Figura 26. Estrutura da uretra masculina. Fonte: Netter
geralmente causada por bactérias. interativo

Glândulas bulbouretrais
As duas glândulas bulbouretrais
(glândulas de Cowper), do tama-
nho de uma ervilha cada, situam-se
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 37

Inervação dos órgãos genitais liberar os espermatozoides durante a


internos da pelve masculina ejaculação.
O ducto deferente, as glândulas se- A função da inervação parassimpá-
minais, os ductos ejaculatórios e a tica dos órgãos genitais internos é
próstata são ricamente inervados por obscura. No entanto, as fibras paras-
fibras nervosas simpáticas. As fibras simpáticas que atravessam o plexo
simpáticas pré-ganglionares origi- nervoso prostático formam os ner-
nam-se de corpos celulares na co- vos cavernosos que seguem até os
luna intermédia de células dos seg- corpos eréteis do pênis, responsáveis
mentos T12–L2 (ou L3) da medula pela ereção peniana.
espinal. Atravessam os gânglios pa-
ravertebrais dos troncos simpáticos
Estruturas externas
para se tornarem componentes dos
nervos esplâncnicos lombares (abdo- Os órgãos genitais externos masculi-
minopélvicos) e dos plexos hipogás- nos incluem a parte distal da uretra,
tricos e pélvicos. o escroto e o pênis.
As fibras parassimpáticas pré-gan-
glionares dos segmentos S2 e S3 da Parte distal da uretra masculina
medula espinal atravessam os nervos
esplâncnicos pélvicos, que também A uretra masculina é subdividida em
se unem aos plexos hipogástricos/ quatro partes: intramural (pré-pros-
pélvicos inferiores. As sinapses com tática), prostática, membranácea
neurônios simpáticos e parassimpá- e esponjosa. As partes intramural
ticos pós-ganglionares ocorrem nos e prostática são consideradas junto
plexos, no trajeto para as vísceras com a pelve.
pélvicas ou perto delas. A parte membranácea (intermédia)
Durante um orgasmo, o sistema sim- da uretra começa no ápice da prós-
pático estimula a contração do mús- tata e atravessa o espaço profundo
culo esfíncter interno da uretra para do períneo, circundada pelo músculo
evitar a ejaculação retrógrada. Ao esfíncter externo da uretra. Em segui-
mesmo tempo, estimula contrações da, penetra a membrana do períneo,
peristálticas rápidas do ducto defe- terminando quando entra no bulbo
rente, e a contração e secreção as- do pênis. Posterolateralmente a essa
sociadas das glândulas seminais e parte da uretra estão as pequenas
da próstata que garantem o veícu- glândulas bulbouretrais e seus duc-
lo (sêmen) e a força expulsiva para tos finos, que se abrem na região pro-
ximal da parte esponjosa da uretra.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 38

A parte esponjosa da uretra co- na glande do pênis para formar a fos-


meça na extremidade distal da par- sa navicular. De cada lado, os finos
te membranácea e termina no óstio ductos das glândulas bulbouretrais
externo da uretra masculina, que é se abrem na região proximal da parte
ligeiramente mais estreito do que as esponjosa da uretra; os óstios desses
outras partes da uretra. O lúmen da ductos são extremamente pequenos.
parte esponjosa da uretra tem cer- Também existem muitas aberturas
ca de 5 mm de diâmetro; entretanto, diminutas dos ductos das glândulas
é expandido no bulbo do pênis para uretrais secretoras de muco na parte
formar uma dilatação intrabulbar e esponjosa da uretra.
Bexiga urinária
Partes da uretra masculina:
Parte intramural da uretra (no colo da bexiga)
Intramural (pré-prostática)
Próstata Prostática
Parte prostática da uretra Intermédia (membranácea)
Óstio do utrículo prostático Esponjosa (peniana)

Parte membranácea (intermédia) da uretra


Ramo do pênis
Parte esponjosa da uretra no bulbo do pênis
Corpo cavernoso
Corpo esponjoso
Parte esponjosa (peniana) da uretra Glândulas uretrais
Glândula e ducto
secretoras de muco
bulbouretrais
Colo da glande
Membrana do Coroa da glande
períneo
Fossa navicular
Bulbo do pênis Óstio externo da
uretra

Figura 27. Partes da uretra masculina. Fonte: MOORE:


Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG
406

Vascularização da parte distal da Drenagem linfática da parte distal


uretra masculina da uretra masculina
A irrigação arterial das partes mem- Os vasos linfáticos da parte mem-
branácea e esponjosa da uretra pro- branácea da uretra drenam princi-
vém de ramos da artéria dorsal do palmente para os linfonodos ilíacos
pênis. internos, enquanto a maioria dos
As veias acompanham as artérias e vasos da parte esponjosa da uretra
têm nomes semelhantes. segue até os linfonodos inguinais
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 39

profundos, mas parte da linfa segue a rafe do períneo. Na parte interna,


para os linfonodos ilíacos externos. profundamente a sua rafe, o escroto é
dividido em dois compartimentos, um
para cada testículo, por um prolonga-
Inervação da parte distal da uretra mento da túnica dartos, o septo do
masculina escroto.
A inervação da parte membranácea
da uretra é igual à da parte prostá- Glande do pênis
tica: inervação autônoma (eferente)
através do plexo nervoso prostáti- Coroa da
co, originado no plexo hipogástri- glande
co inferior. A inervação simpática Frênulo do
provém dos níveis lombares da me- prepúcio
dula espinal através dos nervos es-
plâncnicos lombares, e a inervação Rafe do pênis
parassimpática provém dos níveis
Face uretral
sacrais através dos nervos esplânc-
do pênis
nicos pélvicos. As fibras aferentes
viscerais seguem as fibras parassim-
páticas retrogradamente até os gân-
glios sensitivos dos nervos espinais Rafe do
sacrais. O nervo dorsal do pênis, um escroto
ramo do nervo pudendo, é respon-
sável pela inervação somática da par-
te esponjosa da uretra.
Rafe do
períneo
Escroto
Ânus
O escroto é um saco fibromuscular
cutâneo para os testículos e estrutu- Vista inferior
ras associadas. Situa-se posteroinfe-
Figura 28. Vista inferior do escroto. Fonte: MOORE:
riormente ao pênis e abaixo da sínfise Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG
púbica. A formação embrionária bila- 407

teral do escroto é indicada pela rafe


do escroto mediana, que é contínua
na face ventral do pênis com a rafe
do pênis e posteriormente ao lon-
go da linha mediana do períneo com
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 40

Irrigação arterial do escroto As fibras simpáticas conduzidas por


esses nervos auxiliam a termorre-
As artérias escrotais anteriores, ra-
gulação dos testículos, estimulando
mos terminais das artérias puden-
a contração do músculo liso dartos
das externas (da artéria femoral), ir-
em resposta ao frio ou estimulan-
rigam a face anterior do escroto. As
do as glândulas sudoríferas escro-
artérias escrotais posteriores, ra-
tais enquanto inibem a contração do
mos terminais dos ramos perineais
músculo dartos em resposta ao calor
superficiais das artérias pudendas
excessivo.
internas, irrigam a face posterior. O
escroto também recebe ramos das
artérias cremastéricas (ramos das ar- Testículo
térias epigástricas inferiores).
Os testículos são as gônadas mascu-
linas – pares de glândulas reproduti-
Drenagem venosa e linfática do vas masculinas, ovais, que produzem
escroto espermatozoides e hormônios mas-
culinos, principalmente testosterona.
As veias escrotais acompanham as
Os testículos estão suspensos no es-
artérias, compartilhando os mesmos
croto pelos funículos espermáticos,
nomes, mas drenam principalmente
e o testículo esquerdo geralmente
para as veias pudendas externas.
localiza-se em posição mais baixa
Os vasos linfáticos do escroto condu- do que o direito.
zem linfa para os linfonodos ingui-
A superfície de cada testículo é co-
nais superficiais.
berta pela lâmina visceral da túnica
vaginal, exceto no local onde o testí-
Inervação do escroto culo se fixa ao epidídimo e ao funículo
espermático. A túnica vaginal é um
A face anterior do escroto é inerva-
saco peritoneal fechado que circunda
da por derivados do plexo lombar:
parcialmente o testículo, que repre-
nervos escrotais anteriores, deriva-
senta a parte distal cega do processo
dos do nervo ilioinguinal, e o ramo
vaginal embrionário. A lâmina visceral
genital do nervo genitofemoral.
da túnica vaginal encontra-se intima-
A face posterior do escroto é iner- mente aplicada ao testículo, epidídimo
vada por derivados do plexo sacral: e parte inferior do ducto deferente. O
nervos escrotais posteriores, ramos recesso da túnica vaginal, semelhan-
dos ramos perineais superficiais do te a uma fenda, o seio do epidídimo,
nervo pudendo, e o ramo perineal situa-se entre o corpo do epidídimo e
do nervo cutâneo femoral posterior. a face posterolateral do testículo.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 41

A lâmina parietal da túnica


Fáscia espermática
vaginal, adjacente à fáscia interna (revestida
espermática interna, é mais internamente pela
lâmina parietal da
extensa do que a lâmina túnica vaginal)
Apêndice do
visceral e estende-se supe- testículo
riormente por uma curta dis- Epidídimo e testículo
cobertos pela lâmina
tância até a parte distal do visceral da túnica
funículo espermático. O pe- vaginal
queno volume de líquido na
cavidade da túnica vaginal
separa as lâminas visceral Seio do
e parietal, permitindo o livre epidídimo
movimento do testículo no
escroto. Cavidade da
túnica vaginal
Os testículos têm uma face
externa fibrosa e resistente,
Vista lateral
a túnica albugínea, que se
espessa em uma crista sobre sua face Figura 29. Vista lateral do testículo. Fonte: MOORE:
interna posterior como o mediastino Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG
276
do testículo. A partir dessa estria in-
terna, septos fibrosos estendem-se
internamente entre lóbulos de túbu- abaixo das artérias renais. Elas se-
los seminíferos contorcidos peque- guem no retroperitônio (posterior ao
nos, mas longos e muito espiralados, peritônio) em direção oblíqua, cru-
nos quais são produzidos os esper- zando sobre os ureteres e as partes
matozoides. Os túbulos seminíferos inferiores das artérias ilíacas externas
contorcidos são unidos por túbulos para chegar aos anéis inguinais pro-
seminíferos retos à rede do testícu- fundos. Entram nos canais inguinais
lo, uma rede de canais no mediastino através dos anéis profundos, atra-
do testículo. vessam os canais, saem deles atra-
vés dos anéis inguinais superficiais
Irrigação arterial, drenagem e entram nos funículos espermáticos
venosa, linfática e inervação do para irrigar os testículos. A artéria
testículo testicular ou um de seus ramos anas-
tomosa-se com a artéria do ducto
As longas artérias testiculares origi- deferente.
nam-se da face anterolateral da parte
abdominal da aorta, imediatamente As veias que emergem do testículo e
do epidídimo formam o plexo venoso
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 42

pampiniforme, uma rede de 8 a 12 A drenagem linfática do testícu-


veias situadas anteriormente ao duc- lo segue a artéria e a veia testicula-
to deferente e que circundam a arté- res até os linfonodos lombares di-
ria testicular no funículo espermático. reito e esquerdo (caval/aórtico) e
O plexo pampiniforme faz parte do pré-aórticos.
sistema termorregulador do tes- Os nervos autônomos do testículo
tículo (juntamente com os múscu- originam-se como o plexo nervoso
los cremaster e dartos), ajudando a testicular sobre a artéria testicular,
manter essa glândula em temperatu- que contém fibras parassimpáticas
ra constante. As veias de cada plexo vagais e aferentes viscerais e fibras
pampiniforme convergem superior- simpáticas do segmento T10 (–T11)
mente, formando uma veia testicular da medula espinal.
direita, que entra na veia cava inferior
(VCI), e uma veia testicular esquer-
da, que entra na veia renal esquerda.
Cisterna do quilo
Parte abdominal da aorta Drenagem linfática
A. Renal esquerda Do testículo
A. Renal direita A. Testicular esquerda
Do escroto

Linfonodos pré-aórticos
A. Testicular direita
Vasos linfáticos
Linfonodos lombares (cavais\aórticos)
Plexo lombar

A. Ilíaca comum direita

A. Ilíaca interna

N. ilioinguinal A. Ilíaca externa


Plexo sacral Ramo perineal da
Ramo genital do A. pudenda interna
N. genitofemoral Linfonodo inguinal
N. pudendo superficial
Nn. Escrotais A. Cremastérica (ramo da
(perineais) A. epigástrica inferior)
posteriores A. femoral
N. Cutâneo Ramo pudendo
femoral posterior externo da A. femoral
Nn. Escrotais Aa. Escrotais
anteriores Funículo anteriores
Testículo Escroto espermático
Vista anterior
Figura 30. Drenagem linfática do aparelho reprodutor masculino. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a
clínica. 7 ed. PÁG 274
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 43

progressivamente enquanto segue


CONCEITO! Criptorquidia é falha na da cabeça do epidídimo na parte su-
migração do testículo. Os testículos não perior do testículo até sua cauda. Na
descem em cerca de 3% dos recém-
cauda do epidídimo, o ducto defe-
-nascidos a termo e em 30% dos pre-
maturos. O testículo não descido geral- rente começa como a continuação do
mente está em algum ponto ao longo do ducto do epidídimo. No longo trajeto
trajeto normal de sua descida pré-natal, desse tubo, os espermatozoides são
na maioria das vezes no canal ingui-
nal. A importância da criptorquidia é o
armazenados e continuam a amadu-
grande aumento do risco de câncer no recer. O epidídimo é formado por:
testículo que não desceu, ainda mais
problemático porque não é palpável e • Cabeça do epidídimo: a parte ex-
geralmente só é detectado quando em pandida superior que é composta
estágio avançado. de lóbulos formados pelas extre-
midades espiraladas de 12 a 14
dúctulos eferentes;
Epidídimo
• Corpo do epidídimo: a maior par-
O epidídimo é uma estrutura alon-
te é formada pelo ducto contorcido
gada na face posterior do testículo.
do epidídimo;
Os dúctulos eferentes do testículo
transportam espermatozoides re- • Cauda do epidídimo: contínua
cém-desenvolvidos da rede do testí- com o ducto deferente, o ducto que
culo para o epidídimo. O epidídimo é transporta os espermatozoides do
formado por minúsculas alças do duc- epidídimo para o ducto ejaculató-
to do epidídimo, tão compactadas rio, de onde são expulsos pela ure-
que parecem sólidas. O ducto diminui tra durante a ejaculação.

FORMAÇÃO DO ESPERMA

Espermatozoides
Glândulas Próstata secreta Glândulas
produzidos nos
seminais liberam líquido que neutraliza bulbouretrais liberam
testículos e
líquido rico em acidez da uretra e das secreção durante a
armazenados
frutose secreções vaginais excitação sexual
no epidídimo

Pênis sêmen. O pênis consiste em raiz,


corpo e glande. É formado por três
O pênis é o órgão masculino da có-
corpos cilíndricos de tecido caver-
pula e, conduzindo a uretra, ofere-
noso erétil: dois corpos cavernosos
ce a saída comum para a urina e o
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 44

dorsalmente e um corpo esponjoso O corpo do pênis é a parte pendu-


ventralmente. Em posição anatômi- lar livre suspensa da sínfise púbica.
ca, o pênis está ereto; quando o pênis Exceto por algumas fibras do mús-
está flácido, seu dorso está voltado culo bulboesponjoso perto da raiz do
anteriormente. Cada corpo caverno- pênis e do músculo isquiocavernoso
so tem um revestimento fibroso ex- que circundam os ramos, o corpo do
terno ou cápsula, a túnica albugínea. pênis não tem músculos.
Superficialmente ao revestimento O pênis é formado por pele fina, te-
externo está a fáscia do pênis (fás- cido conjuntivo, vasos sanguíneos e
cia de Buck), a continuação da fáscia linfáticos, fáscia, corpos cavernosos
profunda do períneo que forma um e corpo esponjoso contendo a parte
revestimento membranáceo forte dos esponjosa da uretra. Na parte distal,
corpos cavernosos e do corpo espon- o corpo esponjoso se expande para
joso, unindo-os. O corpo esponjoso formar a glande do pênis cônica, ou
contém a parte esponjosa da uretra. cabeça do pênis. A margem da glan-
Os corpos cavernosos estão fundidos de projeta-se além das extremidades
um ao outro no plano mediano, exce- dos corpos cavernosos para formar a
to posteriormente, onde se separam coroa da glande. A coroa pende por
para formar os ramos do pênis. In- sobre uma constrição sulcada oblíqua,
ternamente, o tecido cavernoso dos o colo da glande, que separa a glan-
corpos é separado (em geral incom- de do corpo do pênis. A abertura em
pletamente) pelo septo do pênis. fenda da parte esponjosa da uretra, o
A raiz do pênis, a parte fixa, é for- óstio externo da uretra, está perto da
mada pelos ramos, bulbo e músculos extremidade da glande do pênis.
isquiocavernoso e bulboesponjoso. A A pele do pênis tem pigmentação es-
raiz do pênis está localizada no es- cura em relação à pele adjacente, e
paço superficial do períneo, entre a unida à túnica albugínea por tecido
membrana do períneo superiormente conjuntivo frouxo. No colo da glande,
e a fáscia do períneo inferiormente. a pele e a fáscia do pênis são prolon-
Os ramos e o bulbo do pênis consis- gadas como uma dupla camada de
tem em massas de tecido erétil. Cada pele, o prepúcio do pênis, que em
ramo está fixado à parte inferior da homens não circuncidados cobre a
face interna do ramo isquiático cor- glande em extensão variável. O frê-
respondente, anterior ao túber isqui- nulo do prepúcio é uma prega me-
ático. A parte posterior aumentada do diana que vai da camada profunda do
bulbo do pênis é perfurada superior- prepúcio até a face uretral da glande
mente pela uretra, continuando a par- do pênis.
tir de sua parte membranácea.
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 45

Dorso do
pênis
Pelos pubianos
que cobrem o
local da sínfise
púbica
Face uretral
Raiz do
pênis
Dorso do A. e N.
pênis dorsais
V. Superficial
dorsal Pele
Corpo Profunda
do pênis Septo do
Coroa da A. pênis
glande profunda Tecido
Escroto Corpos areolar
cavernosos frouxo
Glande
do pênis Parte Fáscia
esponjosa profunda
Óstio
da uretra
externo Corpo Túnica
da uretra esponjoso albugínea

Vista anterior Vista em corte transversal

Figura 31. Estrutura interna do pênis. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 507

O ligamento suspensor do pênis é une e se funde inferiormente à túnica


uma condensação de fáscia profun- dartos, formando o septo do escro-
da que se origina na face anterior da to. As fibras do ligamento fundiforme
sínfise púbica. O ligamento segue in- são relativamente longas e frouxas e
feriormente e divide-se para formar situam-se superficialmente (anterior-
uma alça que está fixada à fáscia pro- mente) ao ligamento suspensor.
funda do pênis na junção de sua raiz
e corpo. As fibras do ligamento sus-
pensor são curtas e tensas, fixando Irrigação arterial do pênis
os corpos eréteis do pênis à sínfise O pênis é irrigado principalmente
púbica. por ramos das artérias pudendas
O ligamento fundiforme do pênis é internas.
uma massa ou condensação irregular • Artérias dorsais do pênis se-
de colágeno e fibras elásticas do te- guem de cada lado da veia dorsal
cido subcutâneo que desce na linha profunda no sulco dorsal entre os
mediana a partir da linha alba superior corpos cavernoso, irrigando o te-
à sínfise púbica. O ligamento divide- cido fibroso ao redor dos corpos
-se para circundar o pênis e depois se
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 46

cavernosos, corpo esponjoso, par- anastomosando-se com ramos das


te esponjosa da uretra e pele do artérias pudendas internas.
pênis; As artérias profundas do pênis são
• Artérias profundas do pênis per- os principais vasos que irrigam os
furam os ramos na parte proximal e espaços cavernosos no tecido erétil
seguem distalmente perto do cen- dos corpos cavernosos e, portanto,
tro dos corpos cavernosos, irrigan- participam da ereção do pênis. Elas
do o tecido erétil nessas estruturas; emitem vários ramos que se abrem
diretamente para os espaços caver-
• Artérias do bulbo do pênis irrigam nosos. Quando o pênis está flácido,
a parte posterior (bulbar) do corpo essas artérias encontram-se espira-
esponjoso e a uretra em seu inte- ladas, restringindo o fluxo sanguíneo;
rior, além da glândula bulbouretral. são denominadas artérias helicinas
do pênis.
Além disso, os ramos superficiais
e profundos das artérias puden- Drenagem venosa do pênis
das externas irrigam a pele do pênis,
O sangue dos espaços cavernosos
é drenado por um ple-
A.
A. ilíaca iIíolombar xo venoso que se une
comum à veia dorsal profunda
A. ilíaca do pênis na fáscia pro-
interna Aa. funda. Essa veia passa
A. ilíaca Sacrais
externa laterais
entre as lâminas do li-
gamento suspensor do
A. femoral
pênis, inferiormente ao
A.
A. Pudenda Pudenda
ligamento púbico inferior
externa interna e anteriormente à mem-
A. Dorsal A. Retal brana do períneo, para
do pênis inferior entrar na pelve, onde
A. drena para o plexo veno-
Profunda A. do bulbo do pênis so prostático. O sangue
do pênis A. perineal da pele e da tela sub-
A. Escrotal A. Escrotal cutânea do pênis drena
anterior posterior para a(s) veia(s) dor-
Vista medial sal(is) superficial(is),
Figura 32. Irrigação arterial do pênis. Fonte: MOORE:
que drena(m) para a veia
Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG pudenda externa superficial. Parte
499
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 47

do sangue também segue para a veia anteriormente até o espaço profun-


pudenda interna. do do períneo. Depois, segue para o
dorso do pênis, onde passa lateral-
mente à artéria dorsal. Inerva a pele
Inervação do pênis e a glande do pênis. O pênis é rica-
Os nervos derivam dos segmentos mente suprido por diversas termina-
S2–S4 da medula espinal e dos gân- ções nervosas sensitivas, sobretudo
glios sensitivos de nervos espinais, a glande do pênis. Os ramos do ner-
atravessando os nervos esplâncnicos vo ilioinguinal suprem a pele na raiz
pélvicos e pudendos, respectivamen- do pênis. Os nervos cavernosos, que
te. A inervação sensitiva e simpática conduzem fibras parassimpáticas em
é garantida principalmente pelo ner- separado do plexo nervoso prostáti-
vo dorsal do pênis, um ramo termi- co, inervam as artérias helicinas do
nal do nervo pudendo, que tem ori- tecido erétil.
gem no canal do pudendo e segue

SAIBA MAIS!
Disfunção erétil
A incapacidade de obter uma ereção pode ter várias causas. Quando uma lesão
do plexo prostático ou dos nervos cavernosos acarreta a incapacidade de atingir
uma ereção, uma prótese peniana semirrígida ou inflável, implantada cirurgica-
mente, pode assumir o papel dos corpos eréteis, garantindo a rigidez necessá-
ria para introduzir e movimentar o pênis na vagina durante a relação sexual. Pode ocorrer
várias outras causas. O sistema nervoso central (hipo-talâmico) e os distúrbios endócrinos
(hipofisários ou testiculares) podem causar redução da secreção de testosterona (hormônio
masculino). As fibras nervosas podem não estimular os tecidos eréteis ou a sensibilidade dos
vasos sanguíneos à estimulação autonômica pode ser insuficiente. Em muitos desses casos,
a ereção pode ser alcançada com o auxílio de medicamentos orais ou injeções que aumentam
o fluxo sanguíneo para os sinusoides cavernosos mediante relaxamento do músculo liso.

Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. PÁG 516

Drenagem linfática do períneo drena para os linfonodos inguinais


masculino superficiais.
A linfa da pele de todas as partes do Refletindo sua origem abdominal, a
períneo, inclusive a pele sem pelos linfa dos testículos segue uma via
inferior à linha pectinada do anorre- independente da drenagem escrotal,
to, mas excluindo a glande do pênis, ao longo das veias testiculares até a
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 48

porção intermesentérica dos linfo- internos, enquanto a maioria dos va-


nodos lombares (cavais/aórticos) sos da parte esponjosa da uretra, dis-
e pré-aórticos. A drenagem linfáti- tal, e da glande do pênis segue para
ca das partes membranácea e proxi- os linfonodos inguinais profundos,
mal da uretra e dos corpos caverno- mas parte da linfa segue para os lin-
sos segue para os linfonodos ilíacos fonodos inguinais externos.

Trajeto do fluxo linfático


proveniente de:
Linfonodos • Glande do pênis (A)
Lombares • Parte esponjosa da
Ilíacos comuns uretra (B)
• Pele do corpo do
Ilíacos internos
pênis\escroto (C)
Ilíacos externos • Testículo (D)
Inguinais superficiais
Inguinais profundos

Figura 33. IDrenagem linfática do períneo masculino. Fonte: MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed.
PÁG 511
ANATOMIA DO APARELHO REPRODUTOR 49

MAPA RESUMO: APARELHO REPRODUTOR MASCULINO

Posterior ao testículo Bulbo do pênis

Armazena
Parte epidídima espermatozoides Corpo esponjoso

Parte funicular Cabeça Corpos cavernosos


Lobos (ínfero-posterior,
D e E, Médio e istmo) Parte inguinal Corpo Prepúcio
Faces (anterior, posterior e
ínfero-laterais) Parte pélvica Cauda Glande

Ápice Ducto deferente Epidídimo Corpo

Base Raiz
ÓRGÃOS INTERNOS
Formada por Próstata Pênis Formado por

Ducto ejaculatório
GLÂNDULAS ÓRGÃOS GENITAIS
ANEXAS EXTERNOS
Ducto seminal +
ducto deferente
Glândula seminal Escroto Septo escrotal (interno)
Produz líquido nutritivo
GÔNADAS
Rafe escrotal
Abertura do ducto parte
esponjosa da uretra
Túnica dartos
Produz líquido pré- Testículos
Glândula bulbouretral
ejaculatório
Músculo liso
Inferior à próstata Contém Camadas Controle da
temperatura para
Ductos eferentes Túnica dartos Túnica albugínea espermatogênese

Tubos seminíferos Fáscia espermática Túnica vaginal


externa

Fáscia cremastérica Fáscia espermática


interna

Mapas Mentais da Medicina / Bruno Bastos Godoi, João Henrique Fonseca do Nascimento, autoria e coordenação. Salvador: SANAR, 2019. Pág 74 – 75.
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REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
GARTNER, et al. Tratado de Histologia em Cores. 3 ed.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2014.
MOORE, Keith L; PERSAUD, T. V. N.; TORCHIA, Mark G. Embriologia clínica. 9. ed. Rio de
Janeiro, RJ: Elsevier. 2013.
NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014.
MARTINS, Mílton de Arruda, et al. (Ed.). Clínica médica, volume 1.
STANDRING, S. Grayʾs Anatomia. A base anatômica da prática clínica. 40a Ed. Elsevier Edi-
tora Ltda: Rio de Janeiro: 2010.
Olaf Hiort, MD. Desenvolvimento sexual normal. UpToDate. 2020. Disponível em: < https://
[Link]/contents/normal-sex-development?search=anatomia%20feminina&-
topicRef=5417&source=related_link >. Acesso em: 05 de maio de 2020.
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