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Psicologia Comunitária

A administração de conflitos envolve a habilidade de lidar com estresse e manter o equilíbrio nas interações sociais, sendo essencial para o desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis. O conflito é visto como um fator de mudança social, podendo ser positivo ao promover o diálogo e a negociação. A Psicologia Social Comunitária desempenha um papel crucial na educação e politização da consciência, buscando transformar a realidade social e promover a inclusão.

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Kamilly Lima
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Psicologia Comunitária

A administração de conflitos envolve a habilidade de lidar com estresse e manter o equilíbrio nas interações sociais, sendo essencial para o desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis. O conflito é visto como um fator de mudança social, podendo ser positivo ao promover o diálogo e a negociação. A Psicologia Social Comunitária desempenha um papel crucial na educação e politização da consciência, buscando transformar a realidade social e promover a inclusão.

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Administração de Conflitos

(cap 04)

Administrar conflitos é a capacidade do indivíduo de lidar com situações de estresse


do dia a dia. É ter como atitude o equilíbrio em suas ações necessário para uma
conduta social adequada, ser responsável no procedimento dos deveres e/ou direitos
de cada indivíduo.
Para a administração de um conflito que não exija muito esforço, basta que o
indivíduo tenha conhecimento sobre a situação e domine as condições que afetam o
psicológico do indivíduo e o motivo do estresse provocado por aquela situação,
podendo levar o indivíduo ao isolamento social ou à desistência de algo que seja de
suma importância.
O administrador de conflito tem que ter uma conduta social respeitada, devido as
suas responsabilidades, deve permanecer calmo e ser de boa conduta. Que não se
afete e se melindre por qual- quer situação, pois trabalha com o social, e deve dizer
somente a verdade, e ser capaz de modificar aquilo que lhe é possível. Se agir ao
contrário da conduta social esperada, estará ludibriando os indivíduos, o que
provocaria um conflito mais elevado.

4.1 Conceito
Conflito é o conjunto de duas ou mais situações exclusivas, mas que não podem
permanecer em um mesmo lugar, pois são incompatíveis. É um fator que pode
resultar em uma mudança social.

Antigamente, o conflito era avaliado sob a perspectiva moral ou justa, exemplo:


guerra religiosa, por terras. Mas com o desenvolvimento do conflito, hoje, é visto
como aspecto ativo de uma sociedade.
As teorias existentes sobre o conflito social explicam a necessidade social de
conjunto e integração, que explica o desenvolvimento nas políticas de consenso ou
de repressão. Em ambos os casos, o conflito constitui-se como o fator de mudança
social e como parte deste consenso.
A existência de ideais, sentimentos, atitudes, interesses contrários, é ao mesmo
tempo o princípio e lei da transformação das coisas, dos indivíduos, a oposição dos
contrários. E tudo o que é contrário é útil, nos faz crescer, a retomarmos a harmonia,
a serenidade.

O conflito não é necessariamente ruim, pode ser visto como positivo, porque pode
ser utilizado a favor do indivíduo, havendo o enriquecimento pessoal, ajustando o
relacionamento interpessoal. Provoca a negociação através do diálogo, favorecendo
a finalização na divergência.

4.2 Avaliação do Psicólogo


O psicólogo ao avaliar uma problemática social que considera relevante, considera
sua mente como referencial, de como as coisas deveriam ser e quando deverão ser
mudadas e transformadas, que em geral, são temas ligados às dificuldades ou
mesmo injustiças e desigualdades sociais, pelas quais passa o indivíduo, junto à
comunidade.

Há principalmente duas razões históricas que culminaram no desenvolvimento da


Ciência Cognitiva e na suposta virada informacional na Filosofia. A primeira foi a
interpretação cognitivista do movimento behaviorista, pela qual o behavio- rismo era
acusado ou de negar a existência da mente, sendo, assim, uma psicologia “sem
cognição”, ou de aceitar sua existência, mas, em contrapartida, de condenar a
mente ao ostracismo científico, já que ela seria empiricamente inaces- sível.
Esta última rendeu ao behaviorismo a alcunha de psicologia da “caixa-preta”. A
segunda razão, por sua vez, estava na própria agenda de pesquisa cognitivista e nos
métodos escolhidos para cumpri-la.
Os cientistas cognitivos pretendiam abrir a “caixa-preta” e estudar objetiva e
pormenorizadamente os processos envolvidos na atividade inteligente.

Trabalhar com a administração dos conflitos é um desafio constante, que eleva o


nível da ansiedade do psicólogo, na medida em que vai adentrando o conhecimento
do ser humano. Em vez de buscarmos respostas no intrapsíquico, expandimos o
olhar e a escuta, para iniciar o estudo do indivíduo como conjunto de relações
sociais.
Quanto mais complexos são os estudos, os entendimentos e as práticas, mais
entrosamento deveria ocorrer com a realidade desses conflitos, com isto, a
quantidade de preocupações e de pesquisas só aumenta a responsabilidade e a
ansiedade do psicólogo, que verifica as diferenças de época, e percebe que hoje as
necessidades são outras, em um ritmo frenético e acelerado.

A teoria poderá ser transformadora, não será aceitável para a transformação social e
polí- tica; deverá haver intervenções em nível social e político que implicam ações,
trabalho sustentado, prática institucionalizada.
A Psicologia Social, na atualidade, é constantemente cercada com as transformações
da sociedade que colocam muitos desafios a serem trabalhados; um desses desafios
é a necessidade de se estar sempre com novos modos de conhecimento frente às
questões que surgem, reinventando.

O objeto da Psicologia Social é a experiência subjetiva, porque as práticas sociais


conduzem a certa forma de relação consigo e com o mundo, e este objeto está em
constante transformação.
Na transformação social, as ideologias são determinadas pelo sistema e a visão de
mundo de cada um, do bem e do mal, do que gosta e do que não gosta, do justo e do
injusto, e cada qual com sua opinião, atitude e valores que constituem as condic ̧ões
de vida necessárias e suficientes para a construção de uma vida melhor e a
possibilidade de fazer parte do mundo.

Nos fenômenos sociais, a estruturação psicológica deve ser mais ou menos estável,
para que a organização, muitas vezes por motivações irracionais, tenha uma fixação
na estruturação da personalidade do indivíduo.
Existe dicotomização dos indivíduos entre aqueles que são do bem e os outros que
atemorizam por serem do mal, que ganham dimensões mundiais, e muitas vezes são
legitimados em nome da defesa e da proteção da humanidade.

Um ambiente que está dicotomizado perde em sua essência, e a ciência contribui


demonstrando suas bases biológico-naturais. Assim, as teorias científicas,
psicológicas e pedagógicas ajudam no conhecimento de determinados fatos ou
condições humanas, e ao mesmo tempo, podem obscurecer parte ou mesmo toda
uma realidade da comunidade.

O fato de encararmos cada ser humano como único pode levar à aceitação dos
indivíduos também como únicos, devendo traçar seu próprio caminho na vida, e
sendo os mesmos, portanto, os responsáveis por suas escolhas, caminhos e
resultados obtidos. Essas teses individualistas são do mundo ocidental e camuflam o
fato de que as sociedades estão organizadas e os indivíduos são envolvidos em
tramas de poder que vão muito além da vontade e consciência individual.

As implicações psicossociais para a vida cotidiana dos trabalhadores comu- nitários


envolvidos — profissionais e população — e para o próprio trabalho deparamo-nos
com dois elementos que estão presentes e são intrínsecos à própria dinâmica do
trabalho comunitário. Um deles liga-se à detecção e com- preensão da dimensão
sociopolítica da ação humana e às repercussões psicos- sociais que tal ação passa a
ter, seja para o psicólogo comunitário, seja para a comunidade (FREITAS, 2001a;
MONTERO, 2000).

Os trabalhos comunitários são produzidos e determinados por impactos psicossociais


na vida cotidiana dos indivíduos, envolvidos em processos de politização de
consciência e de participação coletiva em torno dos interesses comuns e que indaga
sobre os resultados obtidos a curto e a longo prazo, e quais as condições objetivas e
subjetivas são necessárias para que os indivíduos continuem o processo de
envolvimento e participação comunitária.
Estes desafios referem-se às condições básicas para a realização dos trabalhos para
que sejam produzidos e sistematizados nos conhecimentos a respeito do que é
considerado como comunitário, como psicológico e como relação psicossocial
necessária entre ambos. Estes conhecimentos refletem na concepção a respeito do
indivíduo e da sociedade.

Ao longo dos inúmeros trabalhos desenvolvidos, a ciência tem sempre desafios e


mais conhecimentos que agregam para a valorização humana. E em todos eles tem
se observado que o papel da Psicologia Social Comunitária tem sido o de educar e o
de politizar.
Educar nas relações concretas cotidianas e com um forte compromisso coletivo é o
compro- misso das formas de ação comunitária presentes nos trabalhos da educação
popular e da pesquisa participante, que têm se revelado como necessários.

Outro trabalho educativo são as práticas psicossociais em comunidade, onde está a


apreensão e a construção de uma vida cotidiana fundamentada em valores de
solidariedade, dignidade e jus- tiça, sem tolerância para os preconceitos e estigmas
entre os indivíduos. O papel de politizar aponta para as diferentes possibilidades de
ação cotidiana, que são incorporadas nos seus significados psicossociais como
catalisadores dos processos de conscientização para cada envolvido.

Neste sentido, a Psicologia Social Comunitária auxilia a politização da consciência e


na tarefa de construir indivíduos coletivos como membros de transformação social,
forjada às relações cotidianas imediatas.
Assim, é necessário que tenhamos uma concepção do individualismo, que estimule
as capacidades reflexivas e críticas, responsabilizando-se por um projeto de vida
individualizado, com reco- nhecimento solidário, adestramento na interação das
estruturas de harmonia com o constitutivo da vida moral e a participação dos
espaços públicos conscientes.

Por outro lado, a impassibilidade coletiva e a indiferença de indivíduos e grupos,


diante destas crueldades, que atravessam as relações entre os indivíduos, apoiam-se
na apatia de todos e se alimentam do ódio que se alastra por todo o convívio social.

A vida em sociedade cada vez mais está ordenada pelas regras abstratas e
hierárquicas da burocracia na qual se dissolve e esvazia a atribuição de autoridade
que se torna impalpável e não individualizada, construindo uma impunidade como
alicerce.
Hoje, existem inúmeros trabalhos que auxiliam a comunidade na resolução de
conflitos como: os Conselhos tutelares, os Fóruns da Educação e da Saúde; as
diversas instituições de abri- gos, as ONGs (organizações não governamentais), os
sindicatos representantes das classes tra- balhadoras, as atividades junto aos
portadores do HIV (sigla em inglês do vírus da imunodeficiên- cia humana, causador
da AIDS, ataca o sistema imunológico,) e de diferentes deficiências, junto ao MST e
diferentes grupos e movimentos populares, entre outros.

Os comportamentos e as relações que existem na comunidade são de partilha,


solidariedade, colaboração, cooperação. Estas relações são compartilhadas e
fraternas. A participação se dá em nível harmônico, através da ação e do diálogo.

As questões sociais e os setores desfavorecidos não garantem mudanças e trabalho,


mas a polêmica para os novos momentos político-sociais em que estamos vivendo,
depois da posse de um governo de origem popular, retorna o questionamento de ser
necessária uma análise profunda a res- peito das repercussões psicossociais,
organizativas e políticas para a comunidade e de serem desenvolvidos trabalhos
preventivos X trabalhos curativos.
Para os psicólogos envolvidos no trabalho comunitário deverá existir
responsabilidade para com as possibilidades de produção de conhecimentos que
façam avançar, melhorar e resolver os problemas nos quais se envolveu, sem deixar
a ética profissional e da vida cotidiana.
O estudo e envolvimento têm contribuído para ampliar os conhecimentos sobre
educação inclusiva na comunidade e poderá ser uma ferramenta utilizada para gerar
recursos para uma real inclusão social. Sabemos que o caminho da inclusão é longo,
mas necessário para uma sociedade mais justa e igualitária.

Representação Social da População junto ao trabalho do psicólogo (cap 08)

Neste capítulo, estudaremos as formas de pesquisa e atuação do psicólogo, assim


como suas meto- dologias junto à comunidade e ao movimento da população.
O trabalho do psicólogo cresce na atuação com as representações sociais, trazendo a
reflexão sobre seu papel na comunidade.

A Psicologia Comunitária baseia-se na Psicologia Social, seu estudo é voltado para a


constituição da subjetividade dos seres humanos numa comunidade. O foco da
Psicologia Comunitária são as práticas grupais, a intervenção grupal torna-se
necessária nas comunidades para o desenvolvimento da consciência, no qual um
componente do grupo se descobre no outro, percebendo-se conuntamente (Lane,
1996).

Para o psicólogo atuar numa realidade social, é importante conhecer o contexto


histórico em que essa realidade se desenvolve, diante disso, surge um desafio de
intervenção social, visto que vivemos em uma sociedade em transformações
constantes.

A reflexão do psicólogo sobre o desempenho na comunidade esbarra na


problemática da for- mação profissional. Para esse tipo de reflexão, deve haver uma
formação conscientizada capaz de apoiar as diferentes formações socioprofissionais.
O psicólogo deve encontrar soluções em cursos de graduação e/ou de
especialização. Os psicólogos que realizam trabalhos em comunidades fazem “uso
de uma técnica que permite compreender as interações dos indivíduos em grupo”
(Guareschi; Rocha; Moreira, 2010).

É fundamental para os psicólogos levar em conta as questões psicossociais do


contexto, sobretudo do ponto de vista macrossocial. Na maioria das vezes, alguns
psicólogos se definem como atuantes de uma esfera microssocial, fazendo uma
delimitação, como se as relações existentes nos níveis micro não fizessem parte da
ordem macro. Os níveis micro e macrossocial estão interligados, e o profissional
necessita compreender essa questão.
Os trabalhos realizados nas comunidades têm revelado diferentes modos de inclusão
do psicó- logo. Essa admissão também tem gerado preocupações, principalmente em
virtude do fato de se trabalhar com metodologias e instrumentos poucos utilizados
por outras áreas da Psicologia. Há que se ressaltar, contudo, que a metodologia da
pesquisa participante – tão comum em trabalhos de Psicologia Comunitária – é
ilustrativa desse modelo em que sujeito e objeto são ativos na pesquisa. O psi-
cólogo que deseja trabalhar em comunidade necessita de um conhecimento da
teoria da Psicologia Social e, mais especificamente, da área comunitária. Necessita
também de um embasamento teórico nos pressupostos da Psicologia Social
Comunitária.

8.1 A relação psicólogo × comunidade

O psicólogo não constrói sozinho os modelos de atuação junto à comunidade: há


limites em seu trabalho em função da estruturação nas representações do que é a
psicologia para a população em geral. A representação social da psicologia explora a
percepção dos que ingressam nas faculdades de Psicologia sobre uma visão negativa
que a população tem a respeito do trabalho do psicólogo. Essa percepção negativa
está associada à atividade desenvolvida pelo psicólogo, como:

» desconfiança em relação ao saber psicológico: quase não conhece o trabalho


comunitário, elitista;
» desconfiança em relação ao fazer psicológico: medo de invasão de privacidade,
medo da loucura;
» desconfiança do próprio psicólogo.
Por todas estas causas e desconhecimentos do saber e do fazer do psicólogo –
alimentando até as variedades dos modelos de atuação –, a representação deste
profissional para a população (que desconhece seu trabalho) se ampara em vultos
mais conhecidos, como o psiquiatra, o psicanalista, o padre, o pastor, entre outros.
Existem profissionais que oferecem atendimento psicológico gratuito em
comunidades como forma de conhecer e se aproximar mais daquela população.
Entretanto, a intervenção ainda repete um modelo desigual: de um lado, está a
comunidade que necessita de um atendimento psicológico; de outro, está o
psicólogo oferecendo ajuda, interessado em criar interferências para adequar a
população às normas, acreditando que estará amenizando sofrimentos. Sua inserção
baseia-se em atendi- mento psicológico aos desfavorecidos.

No entanto, há outras formas do profissional de Psicologia entrar numa comunidade,


por exemplo, quando incentivados pela possibilidade de conhecimento neste campo,
alguns estudantes e/ou profissionais se inserem no ambiente comunitário com a
intenção de estudá-lo. Essa inserção baseia-se em curiosidade científica.

Existe ainda outro tipo de inserção na qual o psicólogo deve promover mudanças das
condições vividas pela população e é esta que estabelece os caminhos a serem
percorridos para mudança. Nessa perspectiva, valoriza-se o indivíduo como
protagonista da sua história, no indivíduo em movimento. Esta inserção baseia-se na
possibilidade de uma mudança social e na construção do conhecimento da área.

Os trabalhos, como relatado anteriormente, são baseados na perspectiva social


comunitária e partem de um levantamento de necessidades nas situações
vivenciadas pela população na comu- nidade investigada. Após essas
investigações, procura-se trabalhar com grupos, utilizando métodos e processos de
conscientização para que eles progressivamente assumam seu papel de indivíduos e
desenvolvam na comunidade condições plenas de cidadania e de igualdade.
A intervenção por meio de grupos utiliza a interação na pesquisa qualitativa. A
técnica objetiva conscientiza ideias e não apenas valida uma única ideia no grupo.
Por meio dessa técnica, pode-se observar uma quantidade maior de interações em
um tempo limitado e pode-se também perceber as prioridades nos temas
promovidos que partem da interação grupal.

No trabalho com a comunidade, caso o psicólogo se coloque em posição de


educador, poderá interromper o desenvolvimento de um processo, no qual a
comunidade possa identificar verdadeiramente suas necessidades. Sabemos que,
para se realizar uma intervenção nesse âmbito, é fun- damental conhecê-la antes de
intervir, levando em conta os conhecimentos adquiridos ao longo da vida dos
indivíduos e suas subjetividades. É de extrema importância que o profissional
distinga entre a demanda que a comunidade está solicitando direta- mente do desejo
que a induz.

Exemplo
Um dos trabalhos realizados na capital paulista foi desempenhado junto a técnicos
do governo que trabalhavam com pessoas que moravam em barracos, áreas
consideradas de risco pela Defesa Civil; essa comunidade era assistida por um
projeto de moradia do Estado. Os técnicos contaram aos psicólogos que não
compreendiam os moradores que recebiam as casas novas pelo Estado e, em vez de
morar, alugavam, vendiam ou devolviam.
Segundo os técnicos eram poucas as pessoas que chegavam a morar nas casas, e
questionavam aos psicólogos o porquê destas atitudes.
Durante as conversas, os técnicos chegavam a dizer que a comunidade é mal-
agradecida
e que continuariam na pobreza, porém os profissionais perceberam que essa
tentativa de
ajuda foi pensada para a comunidade e não com a comunidade, o que resulta em
uma ação
assistencialista, colocando os membros da comunidade em uma posição vitimizada,
o fato de

No exemplo, é possível perceber que não é levada em consideração a questão do


desejo/ demanda, cabe ao profissional instruído pela Psicologia Social Comunitária
estar atento às questões relacionadas entre o que é de ordem do desejo e o que é da
demanda. Não é preciso responder à demanda, visto que é insatisfeita por natureza
do próprio indivíduo. O profissional necessita escu- tar a demanda, trabalhá-la e
perceber o que está além dela – o desejo. Com relação às casas para a comunidade
do exemplo, era necessário o questionamento sobre a necessidade por meio do
diálogo com os indivíduos, sua participação e sua intenção sobre o ocorrido.

Essas indagações são essenciais, porque, por meio delas, o indivíduo estará
participando e se responsabilizando pelos resultados obtidos e muitas questões
podem vir à tona, durante este processo. Deve-se interrogar a comunidade,
questioná-la e não apenas, como no exemplo, levar em con- sideração apenas a
moradia precária. Mesmo com essa necessidade externa, a população pode se
mostrar contrária. Se levar em consideração o que a comunidade solicita e o que
realmente deseja, o profissional terá grandes chances de viabilizar uma mudança de
posição desta população.
Alguns desafios são encontrados pelos psicólogos comunitários que surgem
da reflexão sobre as diferenças socioeconômicas entre o psicólogo e a comunidade:
» problemas relativos à resistência da comunidade diante de a uma intervenção
externa;
» definição da especificidade do papel do psicólogo nas comunidades;
» dificuldades em relação aos modelos institucionais paternalistas que desafiam
os traba- lhos realizados pelos psicólogos comunitários, porque impedem que os
sujeitos possam tomar uma postura de autores da sua história.

Na comunidade existe uma perspectiva de que o psicólogo comunitário resolva suas


questões e/ou problemas pessoais, como saúde, educação, moradia, entre outros.
Com base nesta expectativa, a comunidade continua perdendo a proposta do
trabalho da psicologia social e comunitária, e, na maioria das vezes, os indivíduos
não entendem como funciona o trabalho do psicólogo que promove uma relação de
igualdade entre os indivíduos e a comunidade.
A partir do momento que o psicólogo e a comunidade conhecem o trabalho da
psicologia social e comunitária, há uma sinergia, na qual os dois lados estarão a
serviço da transformação com ideias para a construção de novos projetos, com a
adesão a uma nova concepção de indivíduo e com a aproximação da comunidade,
assumindo compromissos e conquistando trabalho coletivo, consciência crítica e
atenção permanente e comprometida com as urgências e as necessidades da
população. Quando adentramos em uma comunidade temos que aceitar regras,
cumprir normas e exigências e desempenhar um papel com a comunidade.

8.2 Individual e coletivo


Os indivíduos estão inseridos na sociedade ao mesmo tempo em que possuem vida
própria. O mundo individual é denominado pequeno mundo e, nele, o ser é
reconhecido e faz valer seus direitos e vontades, podendo realizar seus objetivos
individuais. Toda comunidade e seus membros ativamente participantes, não
importando a posição ou o papel desempenhado, buscam o mesmo: aten- der ao
objetivo individual. No entanto, esse objetivo se depara com as ações da
comunidade. Na perspectiva da Psicologia Social Comunitária, os processos
individuais – conscientes ou inconscientes – são considerados tão importantes
quanto os processos sociais.

De um lado, o social determina as regras, as leis, os papéis, as formas estabelecidas


de inter relação entre os indivíduos. Do outro lado, existem as diferentes
necessidades e os desejos de cada um, conscientes ou inconscientes, determinantes
em suas ações. As negociações das articulações e desarticulações entre as
determinantes origens sociais e psicológicas é justamente a comunidade como um
todo.

O convívio coletivo implica instituir uma organização, e isso significa divisão de


papéis e de trabalhos numa hierarquização das relações sociais que estabelece as
relações de poder, permeando toda e qualquer relação social.
O trabalho do psicólogo social comunitário traz um campo de pesquisa e de ação e
descreve como é constituído este espaço socialmente organizado, articulado entre os
diferentes elementos sociais – econômico, ideológico, cultural e político – e os
componentes psicológicos. Tais articula- ções podem ser apreendidas pelo
psicossocial realizado na própria comunidade.

Os indivíduos adquirem, por meio da convivência comunitária, a possibilidade de


manifestações psíquicas, o confronto interpessoal e a ação individual. Ao mesmo
tempo, concebem estruturas organizacionais e imposições legais, políticas e
econômicas que regularizam a sociedade.
O espaço de articulação da psicologia social comunitária não está reduzido aos
processos sociais e às projeções imaginárias individuais. Não se deve considerar
também que o psiquismo indi- vidual esteja totalmente subordinado aos objetivos
sociais.
Sob a ótica do social, a vida coletiva organizada e psicológica refere-se ao indivíduo,
tanto em nível consciente como em nível inconsciente. Para mencionar o social e o
psicológico, devemos também acrescentar os espaços que na realidade fazem parte
de todo o contexto.

A psicologia social comunitária considera seu objeto de estudo o indivíduo em


situação social, envolvido em múltiplas causas. Consequentemente, procura
estabelecer relações e articulações entre contribuições teóricas das diversas
disciplinas. Assim, o estudo do indivíduo torna-se mais amplo em uma compreensão
da realidade mais complexa, com as possíveis relações estabelecidas entre as
orientações congruentes destas ciências.

8.3 A forma de atuação


Um número crescente de pesquisas tem sido realizado em comunidades com
diferentes enfoques. Estes estudos seguem as metodologias de variadas ciências
que orientam a ação dos psicólogos junto à comunidade.
Para realizar esta pesquisa de ação é necessário ter como base de conhecimento o
saber e o fazer, o que faz parte interdisciplinar e o que inclui os diferentes saberes
acadêmicos, e a relação entre a ciência e o indivíduo.
As relações indivíduo × cultura × meio ambiente implicam consequências na
reelaboração coletiva das aspirações e dos valores psíquicos e sociais, na
participação comunitária e na ação organizada. A metodologia desenvolvida, neste
contexto, dependerá dos objetivos que devem ser alcançados e os rumos da ação.
A atuação do psicólogo na comunidade visa conquistar o conhecimento por meio da
vivência com estes indivíduos para que a transformação possa ocorrer no conjunto.
Assim, nesta ação conjunta, todos apreendem com a vivência social, na comunidade,
e com o conhecimento da ciência.
Para Nasciutti (2013, p. 91-92):
A própria postura do pesquisador frente a seu objeto de pesquisa se distancia da
postura do pesquisador científico ortodoxo: Aqui pesquisador entende que o princípio
da “neutralidade científica” é um mito. Ele se encontra implicado com seu objetivo
até a alma (no sentido estrito e lato da palavra). Implicado pela sua posição técnico
profissional, ele planeja, elabora hipóteses, pesquisa sobre objetos psicossociais e
analisa resultados a partir de uma posição social que não pode lhe ser indiferente. Já
se assegura o poder de um saber. Implicado existencialmente, enquanto ser histó-
rico, o pesquisador é sujeito de uma ideologia, de valores sociais e realiza
julgamentos que lhe fazem olhar para a realidade que pesquisa sob uma certa
ótica/ética. Implicado psicoafetivamente, ele “gosta” ou não da realidade social que
apreende (tanto científica quanto vivencialmente), projeta nela e na interpretação
que dela faz con- teúdos de seu inconsciente, utiliza-a em seus mecanismos de
defesa, investe-a de suas vontades conscientes.
Existe um saber que é próprio à realidade da comunidade e dos indivíduos que
fazem parte deste contexto. Porém, isto não significa que o pesquisador apreenderá
somente por meio de métodos científicos tradicionais. É o saber na ação, em suas
diferentes formas do saber, que no princípio revela-se, pela postura interdisciplinar
do psicólogo.
O psicólogo poderá aproximar-se mais da comunidade pela ação do indivíduo, ante
as diferenças de papéis sociais que envolvem sua vivência de sociedade e individual.
Desta forma, o conhecimento acadêmico se enriquece. Há uma reflexão conjunta e a
ação agiliza os movimentos sociais, transformando-se numa realidade social.

Essa realidade social nos mostra a história de vida que a ciência social estuda e a
grande importância no estudo dos grupos, das instituições, das comunidades. Esta
história permite a interação da vida individual e da vida social, portanto esta história
está inserida no coletivo, uma verdade do grupo que se manifesta no individual.
O nível individual poderá ser identificado no social e no psicológico, quanto à
realidade vivida e representada nas situações sociais.
Um grupo social é visto quanto à diferença dos aspectos de vida de seus
participantes, como: estrutura familiar de origem, escolaridade, vida profissional e
inclusão social, representações coletivas, mecanismos de ação e movimento social.
O comportamento do indivíduo em situações sociais é determinante e permite a
identificação das informações a serem trabalhadas, juntamente com o grupo.
E estas práticas comunitárias necessitam abdicar do lugar de consciência social de
indivíduos e de grupos, ao rever seus conteúdos teóricos ante as mudanças no
mundo contemporâneo, onde a Psicologia Comunitária estará praticando a rigor sua
investigação e colocando as mudanças estruturais em ações nas mudanças
microssociais, buscando assim compreender estas diferenças provocadas pelas
ciências e estabelecer reflexões que permitam superá-los.
Temos significativas práticas de psicossociais na comunidade, indicando uma grande
variedade de atuações, de trabalhos e de perspectivas de conhecimentos.

Analisando-se as implicações psicossociais para a vida cotidiana da comunidade


envolvida – tanto os psicólogos, quanto os indivíduos – e para o próprio trabalho
deparamo-nos com dois ele- mentos que estão presentes e são intrínsecos na
dinâmica da atuação comunitária:

1) Detecção e compreensão da dimensão sociopolítica da ação humana e às


repercussões psicossociais que tal ação passa a ter – para o Psicólogo Comunitário
ou para a comunidade – trata-se dos significados que a prática de atuação tem, para
cada etapa, e para cada um dos envolvidos. Isto poderá entender alguns avanços e
retrocessos, mesmo quando parece que a atuação já não possui mais nenhum
impedimento para sua realização.
2) Aponta para a natureza de comprometimento político e social da atuação e da
intervenção psicossocial. Isto nos faz identificar em que impactos e retornos este tipo
de prática tem produzido e para que setores dentro da comunidade. E também,
identificar dificuldades para esta consecução, e possíveis falhas no processo de
formação dos profissionais.

A questão é: nossas práticas comunitárias trazem impactos sociais relevantes e que
postura profissional temos para obter isto?
Depois de quatro décadas de trabalhos comunitários, desenvolvidos pelos
profissionais da Psicologia, devemos rever os avanços conseguidos e os trabalhos
que passaram a ser desenvovidos, acompanhados por uma dinâmica dentro dos
movimentos sociais, e que vamos encontrando em diferentes lugares e em relação
às variadas temáticas nos diversos trabalhos comunitários concretizados.

Nos indagamos sobre os aspectos teóricos e conceituais, necessários para que


possamos ter uma compreensão consensual sobre o que é e o que não é Psicologia
Comunitária.
O desenvolver qualquer tipo de trabalho em Psicologia que não leve em conta as
problemáticas que assolam a maioria da comunidade. Contudo, isto por si só não
garante nem o aumento da participação e conscientização da população, em seus
próprios processos cotidianos de sobrevivência e de melhoria de vida, e nem que o
profissional de psicologia se identifique ou se considere responsável por sua atuação,
mesmo assim, esta proximidade da comunidade e a dinâmica social retrata a
dimensão que tem dos diferentes trabalhos desenvolvidos dentro e fora da
comunidade, tem uma peculiar importância ao indicar 2 situações:
» revela para a Psicologia Comunitária e seus profissionais a necessidade do
conheci- mento das políticas públicas, para que sejam inseridas as coerências de
seus trabalhos científicos e políticos;
» aponta lacunas e deficiências no processo de formação dos quadros para esta
área, em termos de domínio teórico e metodológico necessários, e de análise sobre
as repercussões psicossociais das políticas públicas que permeiam as relações
comunitárias cotidianas.

Entendemos a representação social como o processo de assimilação da realidade


pelo indivíduo, como sendo o produto da integração de seus valores, das suas
experiências, das informações que cercam em seu meio a respeito do objeto social, e
das relações que se estabelece com os outros indivíduos da comunidade. As
afirmações que os indivíduos fazem sobre a realidade e sobre a interação com os
outros, e como lidamos com a vida cotidiana.

É muito interessante lembrar que uma representação social é sempre do indivíduo e


do objeto, e não se pode mencionar a representação do objeto desvinculada de uma
população ou de um grupo social.

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