REVISÃO PRIMEIRA FASE – FUVEST E VUNESP
1. (Fuvest – 2023)
FAMÍLIA
Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.
O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade. Alguma poesia.
No poema de Drummond,
a) a hierarquização dos substantivos que compõem a primeira estrofe tem a
função de situar essa família na sociedade escravagista do século XIX.
b) a repetição de um verbo de ação, em contraste com o caráter nominal dos
versos, destaca a serventia da figura feminina na organização familiar.
c) a ausência de menção direta ao homem produz um retrato reativo à família
patriarcal, por salientar o protagonismo social da mulher.
d) o modo como os elementos que compõem a terceira estrofe estão
relacionados permite inferir a prosperidade econômica familiar.
e) o enquadramento da mulher no ambiente doméstico lança luz sobre um
regime social que favorece a realização plena das potencialidades femininas.
Texto para a questão 02
Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com clareza e sagacidade a
capacidade antropofágica do capitalismo financeiro que “engole” a linguagem do
protesto e da libertação para transformá-la e utilizá-la para legitimar a dominação
social e política a partir do próprio mercado. Na dimensão do mundo do trabalho,
por exemplo, todo um novo vocabulário teve que ser inventado para escamotear
as novas transformações e melhor oprimir o trabalhador. Com essa linguagem
aparentemente libertadora, passa-se a impressão de que o ambiente de trabalho
melhorou e o trabalhador se emancipou.
Assim houve um esforço dirigido para transformar o trabalhador em
"colaborador", para eufemizar e esconder a consciência de sua superexploração;
tenta-se também exaltar os supostos valores de liderança para possibilitar que,
a partir de agora, o próprio funcionário, não mais o patrão, passe a controlar e
vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há a intenção de difundir a cultura do
empreendedorismo, segundo a qual todo mundo pode ser empresário de si
mesmo. E, o mais importante, se ele falhar nessa empreitada, a culpa é apenas
dele. É necessário sempre culpar individualmente a vítima pelo fracasso
socialmente construído.
SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2021
2. (Fuvest – 2023 adaptada) O uso dos verbos “passar” (2.º parágrafo) e “tentar”
(3.º parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela
a) adequação à forma analítica da voz passiva.
b) construção com conjunção integrante.
c) marcação da impessoalidade do discurso.
d) informalidade correspondente ao gênero discursivo.
e) ênfase na reciprocidade da linguagem.
Texto para as questões 03 e 04
3. (Fuvest – 2023) Os verbos “detonar” e “avariar”, no texto, são exemplos de
a) usos linguísticos próprios de gêneros da área jurídica.
b) termos cujos sentidos se contradizem na composição da tira.
c) vocábulos empregados informalmente.
d) recursos linguísticos inadequados à situação de comunicação.
d) escolhas vocabulares associadas ao contexto de cada personagem
4. (Fuvest – 2023) Da leitura da tira, depreende-se que
a) o filho leva o pai a uma reflexão inócua a respeito do patrimônio público.
b) o patrimônio público é restrito a equipamentos dispostos nas vias de uma
cidade.
c) as lixeiras e as placas de trânsito não fazem parte do patrimônio público.
d) a destruição de hospitais, universidades, florestas e estatais é também crime
de dano ao patrimônio público.
e) o pai e o filho discordam quanto aos efeitos da depreciação do patrimônio
público.
5. (Fuvest – 2023)
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu
lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Belchior. “Sujeito de sorte”.
Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da música:
I. Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um contraste entre passado e
presente, o que reforça o caráter metafórico do texto.
II. A locução “apesar de” contribui para a expressão de um sentimento
inesperado em relação ao sentido de “muito moço”.
III. As formas verbais “morri” e “morro”, embora se refiram a momentos distintos,
apresentam sentido denotativo.
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
6. (Fuvest – 2023)
Disponível em https://incrivel.club/admiracao-fotografia/. Adaptado.
Com base na peça publicitária da Anistia Internacional, é correto afirmar
que
a) a correlação verbo-visual, reforçada pela polissemia do verbo “desligar”,
contrapõe quem vive e quem observa a guerra.
b) os pronomes “você” e “eles” indicam compatibilidade ideológica entre grupos
de regiões diferentes.
c) a linguagem visual impede a conscientização acerca das realidades das zonas
de guerra.
d) a omissão do verbo no segundo período do texto coloca o leitor como
participante da guerra.
e) os recursos visuais possuem independência da expressão linguística na
interpretação da publicidade.
Texto para as questões 07 e 08
Tempo de nos aquilombar
É tempo de caminhar em fingido silêncio,
e buscar o momento certo no grito,
aparentar fechar um olho evitando o cisco
e abrir escancaradamente o outro.
É tempo de fazer os ouvidos moucos
para os vazios lero-leros,
e cuidar dos passos assuntando as vias,
ir se vigiando atento, que o buraco é fundo.
É tempo de ninguém se soltar de ninguém,
mas olhar fundo na palma aberta
a alma de quem lhe oferece o gesto.
O laçar de mãos não pode ser algemas,
e sim acertada tática, necessário esquema.
É tempo de formar novos quilombos,
em qualquer lugar que estejamos
e que venham dias futuros, salve 2020
A mística quilombola persiste afirmando:
“a liberdade é uma luta constante”.
Conceição Evaristo. Jornal O Globo, 31/12/2019.
7. (Fuvest – 2024) O verso “É tempo de formar novos quilombos” é um exemplo
de
a) paradoxo, na medida em que propõe retomar o passado num contexto atual.
b) metonímia, já que os quilombos fazem parte de um novo contexto cultural,
sem relação com o passado.
c) metáfora, representando uma união coletiva como forma de resistência social.
d) antítese, ao relacionar a noção de tempo passado a uma nova configuração
de futuro.
e) hipérbole, apresentando o termo “quilombos” no plural para indicar o grau de
difusão do movimento.
8. (Fuvest – 2024) Considerando o enfoque do texto na denúncia social, o eu
lírico revela, predominantemente,
a) a crítica às reações da nossa sociedade frente aos problemas que ficaram no
passado.
b) as justificativas para a segregação social no mundo contemporâneo.
c) as tensões sociais presentes há tempos, sob a luz dos embates do momento
atual.
d) a importância de contornar os problemas sociais do passado.
e) as peculiaridades das diferentes classes sociais ao enfrentar os problemas
sociais atuais.
9. (Fuvest – 2024) “O preconceito linguístico é tanto mais poderoso porque, em
grande medida, ele é ‘invisível’, no sentido de que quase ninguém fala dele, com
exceção dos raros cientistas sociais que se dedicam a estudá-lo. Pouquíssimas
pessoas reconhecem a existência do preconceito linguístico, quem dirá a sua
gravidade como um sério problema social.”
BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. Edições Loyola, São Paulo, 1999.
Com base na leitura do texto, é possível depreender que o preconceito
linguístico, apesar de nocivo para a sociedade, muitas vezes é despercebido.
Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de preconceito
linguístico.
a) A língua falada é um instrumento de sobrevivência em sociedade.
b) A língua varia tão rapidamente quanto as mudanças que ocorrem na
sociedade.
c) Existem muitas maneiras de se expressar a mesma ideia.
d) Os habitantes de uma cidade grande não possuem sotaque na língua falada.
e) Todo falante nativo de uma língua a conhece plenamente.
10. (Fuvest – 2021) Terça é dia de Veneza revelar as atrações de seu festival
anual, cuja 77.ª edição começa no dia 2 de setembro, com a dromédia “Lacci”,
do romano Daniele Luchetti, seguindo até 12/9, com 50 produções internacionais
e uma expectativa (extraoficial) de colocar “West Side Story”, de Steven
Spielberg, na ribalta.
Rodrigo Fonseca. “À espera dos rugidos de Veneza”. O Estado de S. Paulo. Julho/2020. Adaptado.
Um processo de formação de palavras em língua portuguesa é o
cruzamento vocabular, em que são misturadas pelo menos duas palavras na
formação de uma terceira. A força expressiva dessa nova palavra resulta da
síntese de significados e do inesperado da combinação, como é o caso de
“dramédia” no texto. Ocorre esse mesmo tipo de formação em
a) “deleitura” e “namorido”.
b) “passatempo” e “microvestido”.
c) “hidrelétrica” e “sabiamente”.
d) “arenista” e “girassol”.
e) “planalto” e “multicor”.
Texto para as questões 11 e 12
Romance LIII ou Das Palavras Aéreas
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova! (...)
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
— sois madeira que se corta,
— sois vinte degraus de escada,
— sois um pedaço de corda...
— sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
— sois um homem que se enforca!
Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência.
11. (Fuvest – 2021) Ao substituir a pessoa verbal utilizada para se referir ao
substantivo “palavras” pela 3.ª pessoa do plural, os verbos dos versos “sois de
vento, ides no vento,” (v. 4) / “Perdão podíeis ter sido!” (v. 12)! / “Éreis um sopro
na aragem...” (v. 20) seriam conjugados conforme apresentado na alternativa:
a) são, vão, podiam, eram. d) são, vão, poderiam, eram.
b) seriam, iriam, podiam, serão. e) eram, iriam, podiam, seriam
c) eram, foram, poderiam, seriam.
12. (Fuvest – 2021) A “estranha potência” que a voz lírica ressalta nas palavras
decorre de uma combinação entre
a) fluidez nos ventos do presente e conteúdo fixo no passado.
b) forma abstrata no espaço e presença concreta na história.
c) leveza impalpável na arte e vigor nos documentos antigos.
d) sonoridade ruidosa nos ares e significado estável no papel.
e) lirismo irrefletido da poesia e peso justo dos acontecimentos.
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13. (Unesp – 2024) Examine a tirinha da cartunista Laerte.
Na construção de sua tirinha, Laerte mobiliza fundamentalmente o
seguinte recurso expressivo:
a) hipérbole. d) intertextualidade.
b) redundância. e) eufemismo.
c) ambiguidade.
Para responder às questões 14 e 15, leia a letra da canção “Foi um rio
que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola, gravada em 1970.
Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Eu carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém que não me lembro anunciou
Portela1, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ah, minha Portela
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria a voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
(www.paulinhodaviola.com.br)
1. Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela (ou simplesmente Portela): escola de samba
brasileira da cidade do Rio de Janeiro que adota como símbolo a águia e as cores azul e branco.
14. (Unesp – 2024) Na canção, o eu lírico
a) tem consciência de que a Portela também se caracteriza como um novo
desengano.
b) acredita que um novo amor, por se assemelhar a um rio, mostra-se volúvel.
c) acredita que um novo amor seja capaz de apagar uma antiga desilusão
amorosa.
d) tem consciência de que a Portela, por sua inconstância, será um novo amor
efêmero.
e) acredita que a Portela, por ser indefinível, não se caracteriza como um novo
amor.
15. (Unesp – 2024) Considerando o contexto em que se insere, está reescrito
em ordem direta o seguinte verso da canção:
a) “Meu coração conquistou” (2.a estrofe) → conquistou meu coração
b) “Meu coração for consultado” (1.a estrofe) → for consultado meu coração
c) “Só um amor pode apagar” (1.a estrofe) → pode apagar só um amor
d) “Há um caso diferente” (2.a estrofe) → um caso diferente há
e) “Senti meu coração apressado” (3.a estrofe) → meu coração senti apressado
Para responder às questões de 16 e 17, leia a fábula árabe “Um cachorro
e um abutre”, cuja autoria é desconhecida.
“Certa feita, um cachorro roubou um naco de carne de um abatedouro e
correu em direção ao rio, em cujas águas viu o reflexo do naco de carne, bem
maior do que o naco que carregava. Largou-o então, e um abutre desceu e
agarrou a carne, enquanto o cachorro corria atrás do naco maior, mas nada
encontrou. Retornou para pegar a carne que antes carregava, mas também não
a encontrou. Pensou então: “A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem
aquilo que eu já tinha por ir atrás daquilo que eu não alcançaria.”
(Mamede Jarouche (org.). Fábulas árabes: do período pré-islâmico ao século XVII, 2021.)
16. (Unesp – 2024) “Pensou então: ‘A ilusão me fez perder o bom senso [...]’.”
Ao se transpor esse trecho para o discurso indireto, os termos sublinhados
assumem, respectivamente, as seguintes formas:
a) “o” e “faria”. d) “te” e “faz”.
b) “o” e “fizera”. e) “lhe” e “fazia”.
c) “lhe” e “fizesse”.
17. (Unesp – 2024) No trecho “em cujas águas viu o reflexo do naco de carne”,
o termo sublinhado pertence à mesma classe gramatical daquele sublinhado em
a) “mas também não a encontrou”.
b) “um cachorro roubou um naco de carne”.
c) “enquanto o cachorro corria atrás do naco maior”.
d) “Largou-o então”.
e) “Retornou para pegar a carne”.
18. (Unesp – 2024 adaptada) Em “As ideias não podem ser desperdiçadas,
mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono.”, a oração subordinada
expressa ideia de
a) consequência. d) condição.
b) causa. e) comparação
c) concessão.
19. (Unesp – 2023) Examine a tirinha do cartunista Silva João, publicada em sua
conta do Instagram em 26.09.2019.
O efeito de humor da tirinha está centrado na ambiguidade do termo
a) “inspire” d) “acreditei”
b) “cheguei” e) “sonho
c) “bolso”
20. (Unesp – 2023 adaptada) Constitui exemplo de neologismo formado pelo
processo de sufixação a palavra
a) “inexistisse” d) “descobrem”
b) “derradeiragem” e) “imobilidade”
c) “intacta”
21. (Unesp – 2023 adaptada) Ocorre o pronome apassivador “se” no seguinte
trecho:
a) “A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta.”
b) “Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol.”
c) “Clareou a voz, para melhor se autorizar.”
d) “E o caso se vai seguindo, estória sem história.”
e) “Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem.”
22. (Unesp – 2023 adaptada) Em “eu não me dignaria [...] a acrescentar ‘contanto
que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre
seja uma só e a mesma.”, a locução sublinhada pode ser substituída, sem
prejuízo para o sentido do texto, por:
a) visto que. d) ainda que.
b) assim que. e) de modo que.
c) desde que.
23. (Unesp – 2022) “Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão
do rico, ia muito bem.” Em relação à oração que o sucede, o trecho sublinhado
expressa noção de
a) tempo. d) causa.
b) comparação. e) condição
c) concessão.
24. (Unesp – 2022) “MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma
aqui...” Na oração em que está inserido, o termo sublinhado é um verbo que pede
a) objeto direto, expresso pelo vocábulo “mala”, e objeto indireto, expresso pelo
vocábulo “ma”.
b) apenas objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”.
c) apenas objeto direto, expresso pelo vocábulo “ma”.
d) objeto direto, expresso pelo vocábulo “burro”, e objeto indireto, expresso pelo
vocábulo “ma”.
e) objeto direto e objeto indireto, ambos expressos pelo vocábulo “ma”.