REPÚBLICA DE ANGOLA
GOVERNO DA PROVÍNCIA DE LUANDA
GABINETE PROVINCIAL DA EDUCAÇÃO / SAÚDE
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE ANA ESTRELA
PRÉ-PROJECTO PARA A PAP DO CURSO MÉDIO DE ENFERMAGEM
DOENÇAS INFLAMATÓRIA PÉLVICA
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PRESTADAS EM PACIENTES COM DOENÇAS
INFLAMATÓRIA PÉLVICA ATENDIDOS NA SECÇÃO DE GINECOLOGIA DO
HOSPITAL MUNICIPAL DO ZANGO II, NO PERIODO DE JANEIRO A MAIO DE
2025.
LUANDA-2025
Assistência de enfermagem prestadas em pacientes com Doença Inflamatória Pélvica atendidos
na secção de Ginecologia do Hospital municipal do Zango II, no periodo de Janeiro a Maio de
2025.
Pré Projecto do curso médio de enfermagem
que será apresentado no Instituto Técnico
Privado de Saúde Ana Estrela como um dos
requisitos para Aprovação da P.A.P.
Integrantes do grupo nº: 81
1. A
2. A
3. A
4. A
5. A
Orientador
_____________________________
Francisco Manjor Tomas
“ Lic. Em Enfermagem Geral”
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 4
1.1 Breves Dados Históricos ..................................................................................................... 4
1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................. 5
1.3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................... 5
1.4 OBJECTIVOS .................................................................................................................... 6
1.4 Geral……….. ...................................................................................................................... 6
1.5 Específicos…. ...................................................................................................................... 6
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................................ 7
2.1 Definição de Termos e Conceitos ...................................................................................... 7
2.2 Epidemiologia e Etiologia .................................................................................................. 7
2.3 Causas…… .......................................................................................................................... 8
2.4 Fisiopatologia ...................................................................................................................... 8
2.5 Sintomatologia .................................................................................................................... 9
2.5.1 Sintomas Sistêmicos......................................................................................................... 9
2.6 Fatores de Risco da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) .............................................. 10
2.7 Diagnóstico ........................................................................................................................ 10
2.7.1 Critérios maiores ........................................................................................................... 11
2.7.2 Critérios menores .......................................................................................................... 11
2.7.3 Critérios elaborados ...................................................................................................... 11
2.7.4 Exames complementares ............................................................................................... 11
2.7.5 Diagnóstico diferencial .................................................................................................. 12
2.8 Tratamento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) ...................................................... 12
2.8.1 Tratamento Hospitalar.................................................................................................. 13
2.9 Prevenção da Doença Inflamatória Pélvica ................................................................... 13
2.10 Complicações da Doença Inflamatória Pélvica ............................................................ 14
2.11 Assistência de enfermagem ............................................................................................ 14
3 METODOLOGIA................................................................................................................ 15
3.1 Tipo de estudo ................................................................................................................... 15
3.2 Local de Estudo................................................................................................................. 15
3.3 População em estudo ........................................................................................................ 15
3.3.1 Amostra…… .................................................................................................................. 15
3.4 Procedimento de Recolha de Dados ................................................................................ 15
3.5 Processamentos de Recolhas de Dados ........................................................................... 15
3.6 Procedimentos Éticos ....................................................................................................... 15
3.7 Procedimentos Administrativos ...................................................................................... 15
3.8 Variáveis em estudo .......................................................................................................... 15
3.8.1 Variáveis Sociodemográficos ........................................................................................ 15
3.8.2 Variáveis qualitativas .................................................................................................... 15
4 REFERÊNCIA ..................................................................................................................... 17
APÊNDICE ............................................................................................................................. 19
Apêndice A- Cronograma ...................................................................................................... 20
Apêndice B- Orçamento ......................................................................................................... 21
Apêndice C- Termo de consentimento .................................................................................. 22
ANEXO .................................................................................................................................... 23
4
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho visa uma melhor compreensão a respeito do que é a doença
inflamatória pélvica (DIP), bem como um melhor entendimento de seus fatores de risco,
epidemiologia, etiologia, patogênese, diagnósticos clínico e complementar, diagnósticos
diferenciais e tratamento. (SMITH, 2021)
Doença inflamatória pélvica, ou DIP, é considerada um conjunto de processos in_
amatórios da região pélvica devido à propagação de micro-organismos a partir do colo do útero
e da vagina para o endométrio, as tubas, o peritônio e as estruturas adjacentes. Esta propagação
ocorre de forma direta do colo para os órgãos superiores, denominada de via canalicular.
Um dos principais problemas é que em muitas vezes este processo passa despercebido,
pois os sintomas clínicos como a dor se apresentam de forma discreta, não suscitando a suspeita
diagnóstica. É uma das mais importantes complicações das infecções sexualmente
transmissíveis (IST) e um sério problema de saúde pública. Apresenta relevância devido às suas
complicações, tanto do ponto de vista de emergência, no caso da pelveperitonite ou ruptura de
abscesso tubo-ovariano, como em longo prazo, podendo provocar infertilidade, gravidez
ectópica e dor pélvica crônica. (PURI at al.,2018)
1.1 Breves Dados Históricos
Até meados do século XIX, conhecia-se muito pouco a respeito da patologia das
infecções da pelve, sendo que entre 1830 e 1840, Recamier, um ginecologista francês, foi o
primeiro a realizar drenagem vaginal de um abscesso pélvico, tal conduta foi copiada por
médicos da Inglaterra e dos Estados Unidos. Em 1872, Lowsn Tait realizou a primeira dissecção
por via abdominal de um abscesso tubo ovariano. Depois disso houve um rápido acúmulo de
evidências de que o abscesso pélvico era em princípio uma infecção na trompa de Falópio. Em
1879, Neisser descobriu o microrganismo responsável pela infecção gonocócica. Em 1921,
Curtis isolou a Neisseria do endométrio e das trompas. Em 1946, Falk demonstrou que o acesso
dos microrganismos à trompa de falópio poderia ser evitado pela ressecção da mesma em nível
de corno uterino (CONCEIÇÃO, 2015).
Embora a doença inflamatória pélvica (DIP) possa ocorrer de forma oligosintomática
em algumas ocasiões, em outras pode constituir quadro de intensa gravidade chegando a
ameaçar a vida. Entretanto, em ambas as situações podem deixar sequelas importantes,
interferindo com a qualidade de vida das pacientes. Dessa forma, uma vez que a DIP é
dispendiosa tanto do ponto de vista do sofrimento humano quanto pelos custos financeiros que
impõe, todos os esforços devem ser feitos para um diagnóstico precoce e tratamento eficaz
(CONCEIÇÃO, 2015).
5
1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
A Doença Inflamatória Pélvica não afeta apenas a saúde física das mulheres, mas
também tem um impacto significativo na saúde mental e no bem-estar social. No percurso da
realização do nosso estágio isso no hospital municipal do Zango II, constatamos um número
elevado de mulheres com esta doenças. A falta de assistência de enfermagem pode levar a
diagnósticos tardios, complicações graves e um impacto negativo na saúde reprodutiva e geral
das mulheres. Ao observer esta sictuação levou-nos a fazer a seguinte pergunta de partida:
Quais são as Assistências de enfermagem prestadas em pacientes com Doença
Inflamatória Pélvica, atendidas na secção Ginecologia do Hospital municipal do Zango
II?
1.3 JUSTIFICATIVA
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma condição de saúde significativa que afeta a
qualidade de vida e a saúde reprodutiva de muitas mulheres. A importância deste trabalho se
justifica por várias razões: A DIP é uma das principais causas de infertilidade e complicações
sérias na saúde reprodutiva feminina. Compreender os fatores que levam ao diagnóstico tardio
pode contribuir para a redução da incidência dessas complicações, melhorando a saúde pública
e diminuindo os custos associados ao tratamento de condições avançadas. Ao abordar sobre
tema em nosso trabalho, pretendemos contribuir para o entendimento da carga social que essas
condições impõem, ajudando a promover maior assstência de saúde mais inclusivas e sensíveis
às necessidades das mulheres.
6
1.4 OBJECTIVOS
1.4 Geral
Compreender assistência de enfermagem prestados em pacientes com Doença
Inflamatória Pélvica atendidos na secção de Ginecologia do Hospital municipal do Zango II,
no periodo de Janeiro a Maio de 2025.
1.5 Específicos
Caracterizar amostra de acordo os dados Sociodemográficos (Idade, Sexo)
Identificar os principais sintomas da DIP e como eles podem ser confundidos com outras
condições, contribuindo para o diagnóstico tardio.
Mencionar as assistências de enfermagem tais como: ( Adinistração de medicamentos;
Monitorização dos sinais vitais; Higienização nas pacientes);
Caracterizar Clínicamente as pacientes.
7
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Definição de Termos e Conceitos
Assistência em enfermagem: é um conjunto de ações e cuidados prestados por
profissionais de enfermagem com o objetivo de promover, manter e restaurar a saúde dos
pacientes. Essa assistência é fundamentada em conhecimentos científicos e técnicas específicas,
visando atender às necessidades físicas, emocionais e sociais dos indivíduos. Associação
Brasileira de Enfermagem (2023).
Ginecologia: é uma especialidade médica que se concentra no diagnóstico, tratamento
e prevenção de doenças do sistema reprodutor feminino. Essa área abrange uma ampla gama
de condições, desde questões menstruais até problemas relacionados à gravidez e à menopausa.
(WILLIAMS et al., 2022).
Doença Inflamatória Pélvica: é uma infecção que afeta os órgãos reprodutivos
femininos, incluindo o útero, as trompas de falópio e os ovários. É frequentemente causada por
infecções sexualmente transmissíveis, como a clamídia e a gonorreia, mas também pode resultar
de outras infecções bacterianas. A DIP pode levar a complicações graves, como infertilidade e
dor pélvica crônica. (WILLIAMS, 2022).
Manifesta-se, habitualmente, com um padrão clínico subagudo e oligossintomático,
sendo que dor abdominal, em intensidade variável, é sintoma obrigatório. É mais comum em
mulheres jovens que, com frequência, não incorporam o hábito do sexo seguro, tendo maior
chance de contrair agentes causais das cervicites, sendo estes os mais importantes para
desencadeamento da DIP.
Com o crescimento epidêmico das doenças sexualmente transmissíveis e os
consequentes aumentos dos casos de DIP, essa patologia tem se transformado em uma causa
comum de hospitalização entre mulheres em idade reprodutiva, sendo considerada atualmente
a mais séria e dispendiosa infecção bacteriana transmitida sexualmente, sendo geralmente tido
como um processo infeccioso agudo, exceto nos casos provocados por microrganismos
causadores da tuberculose e da actinomicose (FREITAS, 2021).
2.2 Epidemiologia e Etiologia
A incidência da DIP é maior em mulheres jovens com idade entre 15 a 25 anos,
sexualmente ativas e que possuem múltiplos parceiros sexuais (TAMARELLE et al., 2017).
Pesquisas evidenciaram que uma das maiores taxas de prevalências da DIP ocorre entre
as adolescentes, podendo representar até 20% de todos os casos, enquanto as mulheres em pós-
menopausa correspondem a apenas 11%. Tal fato pode ser explicado, principalmente, por não
8
possuírem múltiplos parceiros sexuais, não realizarem instrumentação uterina com frequência
e pela diminuição da colonização bacteriana comum nessa idade (SCHEER et al., 2021).
Quanto à sua gênese, a DIP ocorre a partir de uma infecção ascendente do colo uterino.
Via de regra, os principais patógenos são a Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis,
sendo responsáveis por cerca de 85% dos casos da doença. Ainda que de maneira incomum,
outros agentes causadores de vaginose bacteriana também podem ser responsáveis pela DIP,
como Mycoplasma genitalium, Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae,
Staphylococcus aureus, Mycobacterium tuberculosis, Escherichia coli, Peptostreptococcus spp.
e Bacteroides fragilis, correspondendo aproximadamente a 15% dos casos (JENNINGS;
KRYWKO, 2021; RAVEL; MORENO; SIMÓN, 2021).
2.3 Causas
Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)
A maioria dos casos de DIP é causada por ISTs. As infecções mais comuns associadas
à DIP são a clamídia e a gonorreia. A clamídia e a gonorreia são as principais causas de Doença
Inflamatória Pélvica, levando a complicações significativas se não tratadas. (HAGGERTY et
al., 2016).
Bactérias Comuns
Além das ISTs, outras bactérias que normalmente vivem na vagina podem causar DIP
quando há um desequilíbrio, permitindo que essas bactérias se multipliquem e causem infecção.
Infecções bacterianas que não estão relacionadas a ISTs também podem contribuir para o
desenvolvimento da Doença Inflamatória Pélvica. World Health Organization (WHO, 2020).
Procedimentos Médicos
A DIP também pode ocorrer após procedimentos médicos, como abortos espontâneos
ou induzidos, ou após uma inserção de dispositivo intrauterino (DIU). Intervenções
ginecológicas podem introduzir bactérias no trato reprodutivo e aumentar o risco de Doença
Inflamatória Pélvica. (MARDH et al., 2019).
2.4 Fisiopatologia
A DIP é definida como uma inflamação decorrente da infecção ascendente do trato
genital inferior em direção ao endométrio, tubas uterinas, ovários, órgãos pélvicos e abdominais
adjacentes. Estima-se que 10% a 15% das mulheres com C. trachomatis e N. gonorrhoeae
endocervical desenvolverão a doença, resultando em ofensas inflamatórias que cursam com
cicatrização e fibrose, formação de aderências e consequente obstrução parcial ou total das
tubas uterinas (RAVEL; MORENO; SIMÓN, 2021; JENNINGS; KRYWKO, 2021). De
maneira mais comum, a DIP causada pela N. gonorrhoeae é mais grave em relação aos demais
9
agentes etiológicos causadores da afecção. Em contrapartida, a DIP causada pela C. trachomatis
é a que ocorre com maior frequência e costuma cursar com sintomas discretos, porém, também
causa danos significativos a longo prazo (JENNINGS; KRYWKO, 2021).
Atualmente, a C. trachomatis é o agente causador da DIP em 50 a 60% dos casos agudos
em países desenvolvidos (TSEVAT et al., 2017; LENZ; DILLARD, 2018). Quanto à sua
fisiopatogenia, acredita-se que a bactéria é responsável pela ativação de uma resposta imune
inata mediada por células epiteliais infectadas e de uma resposta celular T adaptativa. Em
experimentos com primatas, a infecção recorrente por C. trachomatis foi responsável pela
infiltração mononuclear de células T CD8+ e deposição de tecido conjuntivo que resultaram
em fibrose significativa das tubas uterinas (RAVEL et al., 2021).
2.5 Sintomatologia
Dor Pélvica
A dor pélvica é um dos sintomas mais frequentes, podendo ser leve ou intensa. A dor
pélvica crônica é uma queixa comum em mulheres com DIP e deve ser considerada no
diagnóstico diferencial." (Osman et al., 2020)
Dor durante relações Sexuais (Dispareunia)
Muitas mulheres relatam dor durante a relação sexual. A dispareunia é um sintoma
significativo que pode indicar a presença de DIP." (Miller et al., 2019)
Alterações Menstruais
Sangramentos menstruais irregulares e aumento da dor menstrual podem ocorrer. As
alterações menstruais são frequentes em mulheres com DIP, refletindo a inflamação dos órgãos
reprodutivos." (THOMPSON et al., 2021)
Secreção Vaginal Anormal
A secreção vaginal pode ser anormal, frequentemente com odor desagradável. A
secreção vaginal purulenta é um sinal típico observado em casos de DIP." (Johnson et al., 2018)
2.5.1 Sintomas Sistêmicos
Febre, Calafrios e Mal-estar geral podem estar presentes, especialmente em infecções
mais severas. Sintomas sistêmicos como febre e calafrios são indicativos de uma infecção mais
grave e devem ser avaliados imediatamente." (COHEN et al., 2020)
Dor Lombar
Algumas mulheres podem sentir dor na região lombar associada à DIP. A dor lombar
pode ser um sintoma associado à inflamação pélvica e deve ser investigada." (FOWLER et al.,
2017)
10
2.6 Fatores de Risco da Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
Múltiplos Parceiros Sexuais
Ter múltiplos parceiros sexuais aumenta a exposição a infecções sexualmente
transmissíveis, que são as principais causas da DIP. O número de parceiros sexuais está
diretamente relacionado ao risco de contrair infecções que podem levar à Doença Inflamatória
Pélvica. Haggerty et al. (2016).
Histórico de DIP
Mulheres que já tiveram DIP anteriormente têm um risco aumentado de recorrência e
complicações. Um histórico prévio de Doença Inflamatória Pélvica é um dos fatores de risco
mais significativos para novas infecções. McCormack et al. (2015).
Uso de Dispositivo Intrauterino (DIU)
Embora o DIU seja um método contraceptivo eficaz, sua inserção pode aumentar
temporariamente o risco de infecção. A inserção de dispositivos intrauterinos pode estar
associada a um aumento no risco inicial de Doença Inflamatória Pélvica. Mardh et al. (2011).
Falta de Proteção Durante Relações Sexuais
Não usar preservativos durante as relações sexuais aumenta o risco de contrair ISTs,
a ausência do uso consistente de preservativos é um fator importante que contribui para a alta
incidência de infecções e, consequentemente, da Doença Inflamatória Pélvica. Ness et al.
(2008).
Idade Jovem
Mulheres jovens, especialmente aquelas entre 15 e 24 anos, estão em maior risco devido
à maior probabilidade de ter múltiplos parceiros e menor uso de proteção. Jovens mulheres são
particularmente vulneráveis à Doença Inflamatória Pélvica devido a comportamentos sexuais
arriscados. (CDC 2021).
Baixa Escolaridade e Renda
Fatores socioeconômicos, como baixa escolaridade e renda, podem estar associados a
um maior risco devido ao acesso limitado à educação sobre saúde sexual e serviços médicos.
Fatores socioeconômicos desempenham um papel importante na vulnerabilidade à Doença
Inflamatória Pélvica. (WHO 2020).
2.7 Diagnóstico
O diagnóstico é feito a partir de critérios maiores, critérios menores e critérios
elaborados. Para concluir o diagnóstico clínico de suspeição de DIP, a paciente precisa
apresentar três critérios maiores somados a um critério menor; ou somente um critério
elaborado (BRASIL, 2020; MENEZES et al., 2021).
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2.7.1 Critérios maiores
Dor no hipogástrio
Dor à palpação dos anexos
Dor à mobilização de colo uterino
2.7.2 Critérios menores
Temperatura axilar >37,5° C ou temperatura retal >38,3° C
Conteúdo vaginal ou secreção endocervical anormal
Massa pélvica
Mais de cinco leucócitos por campo de imersão em material de endocervical
Leucocitose em sangue periférico
Proteína C reativa (PCR) ou velocidade de hemossedimentação (VHS) elevados
Comprovação laboratorial de infecção cervical por gonococo, clamídia ou
micoplasma
2.7.3 Critérios elaborados
Evidência histopatológica de endometrite
Presença de abscesso tubo-ovariano ou de fundo de saco de Douglas em estudo
de imagem
Laparoscopia com evidência de DIP
2.7.4 Exames complementares
Conforme dito, a DIP pode cursar sem manifestações clínicas evidentes ou com
sintomas isolados. Sendo assim, os exames complementares auxiliam na investigação da
doença. Nesse sentido, pode-se solicitar exames laboratoriais e de imagem, com intuito de
confirmar a suspeita ou avaliar a gravidade da infecção (MENEZES et al., 2021).
Os exames laboratoriais que podem ser solicitados para inspeção da DIP são (BRASIL, 2020):
Hemograma;
VHS;
PCR;
Bacterioscopia para vaginose bacteriana;
Cultura de material de endocérvice com antibiograma;
Detecção de clamídia e/ou gonococo por biologia molecular;
Pesquisa de N. gonorrhoeae e C. trachomatis no material de endocérvice, da uretra, de
laparoscopia ou de punção do fundo de saco posterior;
Qualitativo de urina e urocultura (para descartar infecção do trato urinário);
Hemocultura;
12
Teste de gravidez (para descartar gravidez ectópica);
Do ponto de vista imagiológico, o exame preferencial é a Ultrassonografia (US)
transvaginal ou pélvica, visto que é um método com ampla disponibilidade, custo acessível e
não invasivo. Através do US, é possível avaliar o comprometimento da infecção e suas
complicações, como abscesso tubo-ovariano. O principal achado de imagem é a presença de
uma fina camada líquida que preenche as trompas, havendo ou não líquido livre na pelve.
(CHARVÉRIAT; FRITEL, 2019)
Outros exames de imagem podem ser solicitados com intuito de afastar demais
diagnósticos que mimetizam essa doença, os quais serão abordados na próxima seção (BRASIL,
2020; MENEZES et al., 2021).
Por fim, temos a laparoscopia como método padrão ouro para investigação de salpingite,
a qual possibilita um diagnóstico bacteriológico preciso e completo. Contudo, não é indicada
em casos leves a moderados de DIP, pelo fato de ser impraticável, haver baixa disponibilidade
e não detectar endometrite ou inflamações tubárias de baixa intensidade (CHARVÉRIAT;
FRITEL, 2019; BRASIL, 2020).
2.7.5 Diagnóstico diferencial
Pelo fato da DIP apresentar-se com sintomas inespecíficos, deve-se conhecer outras
patologias que cursam com clínica semelhante para não estabelecer um diagnóstico errôneo. As
patologias que mimetizam a DIP são (RAVEL; MORENO; SIMÓN, 2021):
Gestação ectópica;
Torção e ruptura de cisto ovarianos;
Apendicite aguda;
Endometriose;
Torção de mioma;
Infecção do trato urinário;
Litíase renal.
2.8 Tratamento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
O tratamento da DIP geralmente envolve o uso de antibióticos para eliminar a infecção
e, em casos mais graves, pode incluir intervenções adicionais.
Antibióticos
O tratamento inicial para a DIP é geralmente feito com antibióticos. O regime pode
incluir uma combinação de medicamentos para tratar as infecções mais comuns, como clamídia
e gonorreia. O tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro é recomendado para
todas as mulheres diagnosticadas com Doença Inflamatória Pélvica. ( HAGGERTY et al. 2016).
13
Os regimes comuns incluem a administração de doxiciclina, metronidazol e ceftriaxona,
a combinação de doxiciclina com metronidazol é eficaz no tratamento da Doença Inflamatória
Pélvica leve a moderada. (CDC, 2021).
2.8.1 Tratamento Hospitalar
Em casos graves, como abscessos ou quando há sinais de septicemia, pode ser
necessário o tratamento hospitalar com antibióticos intravenosos. Pacientes com Doença
Inflamatória Pélvica severa devem ser tratados em ambiente hospitalar, onde podem receber
terapia intravenosa. (MARDH et al., 2011).
Intervenções Cirúrgicas
Em situações onde há complicações graves, como abscessos persistentes ou danos aos
órgãos reprodutivos, a cirurgia pode ser necessária. A cirurgia pode ser considerada em casos
de complicações sérias da Doença Inflamatória Pélvica que não respondem ao tratamento
conservador (NESS et al., 2018).
Tratamento Rápido de Infecções
Qualquer infecção genital, como clamídia ou gonorreia, deve ser tratada prontamente
para evitar complicações que possam levar à DIP. O tratamento oportuno de infecções pode
prevenir a progressão para a doença inflamatória pélvica." (MILLER et al., 2019)
Limitar Múltiplos Parceiros Sexuais
Reduzir o número de parceiros sexuais ou manter um relacionamento monogâmico pode
diminuir o risco de contrair ISTs. Menos parceiros sexuais está associado a uma menor taxa de
infecções e, consequentemente, a um menor risco de DIP." (COHEN et al., 2020)
Consulta Médica Regular
Consultas regulares com um profissional de saúde para exames ginecológicos podem
ajudar na detecção precoce de problemas e na educação sobre saúde reprodutiva. Exames
ginecológicos regulares são essenciais para a saúde reprodutiva e podem ajudar na detecção
precoce da DIP." (FOWLER et al., 2018)
2.9 Prevenção da Doença Inflamatória Pélvica
A prevenção da doença inflamatória pélvica (DIP) é fundamental para reduzir o risco
de infecções e complicações associadas. Aqui estão algumas estratégias eficazes de prevenção:
Práticas Sexuais Seguras
O uso de preservativos durante as relações sexuais é uma das formas mais eficazes de
prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que são uma das principais causas da
DIP.O uso consistente e correto de preservativos reduz significativamente o risco de
transmissão de ISTs." (SMITH et al., 2021)
14
Testes Regulares para ISTs
Realizar testes regulares para ISTs, especialmente para aqueles que têm múltiplos
parceiros sexuais ou que estão em risco elevado, é essencial para detectar e tratar infecções
precocemente. O rastreamento regular para ISTs é uma medida crítica na prevenção da DIP."
(JOHNSON et al., 2020)
2.10 Complicações da Doença Inflamatória Pélvica
A Doença Inflamatória Pélvica pode levar a várias complicações graves, que afetam a
saúde reprodutiva e geral das mulheres. As principais complicações incluem:
Infertilidade: a DIP é uma das principais causas de infertilidade feminina. De acordo
com um estudo de Haggerty et al. (2016), "cerca de 10-15% das mulheres afetadas pela DIP
podem desenvolver infertilidade devido a aderências e danos nas trompas de falópio".
Gravidez Ectópica: a inflamação e as cicatrizes nas trompas de falópio aumentam o
risco de gravidez ectópica, onde o embrião se implanta fora do útero. Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS, 2019), "as mulheres com histórico de DIP têm um risco
significativamente maior de experiências de gravidez ectópica".
Dor Pélvica Crônica: muitas mulheres que sofreram de DIP relatam dor pélvica crônica
mesmo após o tratamento da infecção inicial. Estudos mostram que "a dor pélvica crônica pode
resultar de alterações inflamatórias e fibrose nos órgãos reprodutivos" (Khan et al., 2020).
Abscessos Tubo-Ovariânicos: a infecção pode levar à formação de abscessos nos
ovários e nas trompas de falópio, que são coleções de pus que podem causar dor intensa e
requerer tratamento cirúrgico. De acordo com a SBGO (2021), "os abscessos tubo-ovarianos
são complicações graves que necessitam de intervenção médica imediata".
Peritonite: em casos mais graves, a infecção pode se espalhar para o revestimento
abdominal, levando à peritonite, uma condição potencialmente fatal. Segundo um estudo
realizado por Schaefer et al. (2018), a peritonite pode ocorrer como uma complicação da DIP
não tratada, exigindo tratamento urgente.
2.11 Assistência de enfermagem
Segundo Silva e Oliveira (2020), a assistência de enfermagem é crucial no manejo dessa
condição, abrangendo avaliação, educação, administração de medicamentos e suporte
emocional.
Avaliação Inicial
Acompanhamento
Cuidados Emocionais
Administração de Medicamentos; Educação e Orientação.
15
3 METODOLOGIA
3.1 Tipo de estudo
Trataremos de um estudo de caso único do tipo Exploratório Analítico e Descritivo de uma
abordagem qualitativa.
3.2 Local de Estudo
O estudo será realizado no Hospital municipal do Zango II, Localizado no municipio do
Cazenga província de Luanda.
3.3 População em estudo
Teremos como população em estudo os pacientes do Hospital municipal do Zango II.
3.3.1 Amostra
Trataremos de uma amostra não probabilística de 1 paciente do Hospital municipal do Zango
II retirado de forma intecional.
3.4 Procedimento de Recolha de Dados
Os dados para pesquisa serão recolhidos por meio de uma Observação direta no Processo do
Paciente.
3.5 Processamentos de Recolhas de Dados
Os dados da pesquisa serão processados por meio do pacote Microsoft Office utilizando o
programa Microsoft Word para a elaboração do texto no Microsoft Power Point para
apresentação do estudo em Slide.
3.6 Procedimentos Éticos
O estudo de caso é um tipo de estudo que envolve de forma direta o componente humano, sendo
assim, será dado um termo de consentimento livre e esclarecido onde o participante decidira
fazer ou não parte da pesquisa salvaguardando a sua identidade.
3.7 Procedimentos Administrativos
Afim de preservar os princípios Administrativo a direção do Instituto Técnico Privado de Saúde
Ana Estrela (ITPSA) vai elabora uma carta que será direcionada a Direcção Geral do Hospital
municipal do Zango II para a solicitação da pesquisa, para obtenção da recolha dos dados.
3.8 Variáveis em estudo
3.8.1 Variáveis Sociodemográficos
Idade, Sexo.
3.8.2 Variáveis qualitativas
Identificar os principais sintomas da DIP e como eles podem ser confundidos com outras
condições, contribuindo para o diagnóstico tardio.
16
Mencionar as assistências de enfermagem tais como: ( Adinistração de medicamentos;
Monitorização dos sinais vitais; Higienização nas pacientes);
Caracterizar Clínicamente as pacientes.
17
4 REFERÊNCIA
Associação Brasileira de Enfermagem. (2023). **Manual de Assistência de Enfermagem**.
Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). (2023). **Código de Ética dos Profissionais de
Enfermagem
Associação Brasileira de Enfermagem. (2023). *Manual de Assistência de Enfermagem*.
Editora da ABEn.
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19
APÊNDICE
20
Apêndice A- Cronograma
MESES
ATIVIDADES Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho
Revisão
Bibliográfica
Montagem de
Projecto
Análise do
Material
Elaboração do
relatório final
Colecta de
dados
Análise e
processamento
de dados
colectado
Defesa
21
Apêndice B- Orçamento
VALOR VALOR TOTAL
RECURSOS QUANTIDADE UNITÁRIO EM EM KWANZAS
KWANZAS
1. R. HUMANOS
Técnico de
informática
Revisor de
português
SUBTOTAL
2. R. MATERIAIS
Resma de papel A4
Esferográficas
Borracha
Pen-drive
SUBTOTAL
3. R. FINANCEIROS
SUBTOTAL
TOTAL
22
Apêndice C- Termo de consentimento
REPÚBLICA DE ANGOLA
GOVERNO DA PROVÍNCIA DE LUANDA
GABINETE PROVINCIAL DA EDUCAÇÃO E SAÚDE
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE ANA ESTRELA
TERMO DE CONSENTIMENTOE ESCLARECIDO
Somos o grupo de estudantes finalista do curso Médio Técnico de Enfermagem, do
Instituto Técnico Privado de Saúde Ana Estrela (ITPSAE), estamos a realizar um estudo
para Prova de Aptidão Profissional, que tem como título: Assistência de enfermagem
prestados em pacientes com Doença Inflamatória Pélvica atendidos na secção de
Ginecologia do Hospital municipal do Zango II, no periodo de Janeiro a Maio de 2025.
O presente trabalho científico destina-se para obtenção de título de Técnicos Médio
de Enfermagem.
Depois de esclarecido sobre o estudo, aceita responder o instrumento oferecido?
Sim ( ) Não ( )
O participante Assinatura do Autor
_____________________ _____________________
__
LUANDA, 2025
23
ANEXO