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Compreensão e Interpretação de Textos

O documento aborda a interpretação e compreensão de textos em Língua Portuguesa, destacando a diferença entre os dois conceitos e a importância da leitura atenta. Além disso, discute a organização estrutural dos textos, incluindo elementos como introdução, desenvolvimento e conclusão, e enfatiza a coesão e coerência como marcas de textualidade essenciais para uma comunicação eficaz. Exemplos práticos e definições são fornecidos para ilustrar os conceitos apresentados.

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Compreensão e Interpretação de Textos

O documento aborda a interpretação e compreensão de textos em Língua Portuguesa, destacando a diferença entre os dois conceitos e a importância da leitura atenta. Além disso, discute a organização estrutural dos textos, incluindo elementos como introdução, desenvolvimento e conclusão, e enfatiza a coesão e coerência como marcas de textualidade essenciais para uma comunicação eficaz. Exemplos práticos e definições são fornecidos para ilustrar os conceitos apresentados.

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sumário

DPE-RO

Língua Portuguesa

Interpretação e compreensão de texto............................................................................ 1


Organização estrutural dos textos................................................................................... 3

Portuguesa
Marcas de textualidade: coesão, coerência e intertextualidade...................................... 6
Modos de organização discursiva: descrição, narração, exposição, argumentação e
injunção; características específicas de cada modo. Tipos textuais, características es-
pecíficas de cada tipo...................................................................................................... 10
Textos literários e não literários....................................................................................... 12
Tipologia da frase portuguesa. Estrutura da frase portuguesa: operações de desloca-
mento, substituição, modificação e correçã[Link] estruturais das frases. Orga-

MATÉRIA
nização sintática das frases: termos e orações. Ordem direta e inversa........................ 13
Norma culta..................................................................................................................... 21
Pontuação e sinais gráficos............................................................................................ 24
Tipos de discurso............................................................................................................ 28
Registros de linguagem................................................................................................... 32
Funções da linguagem.................................................................................................... 34

Língua
Elementos dos atos de comunicação.............................................................................. 36
Estrutura e formação de palavras................................................................................... 37
Formas de abreviação..................................................................................................... 40
Classes de palavras; os aspectos morfológicos, sintáticos, semânticos e textuais de
substantivos, adjetivos, artigos, numerais, pronomes, verbos, advérbios, conjunções e
interjeições...................................................................................................................... 42
Modalizadores................................................................................................................. 54
Semântica: sentido próprio e figurado; antônimos, sinônimos, parônimos e hiperôni-
mos. Polissemia e ambiguidade...................................................................................... 55
Os dicionários: tipos........................................................................................................ 58
A organização de verbetes.............................................................................................. 59
Vocabulário: neologismos, arcaísmos, estrangeirismos................................................. 75
Latinismos....................................................................................................................... 80
Ortografia........................................................................................................................ 82
Acentuação gráfica.......................................................................................................... 91
Crase............................................................................................................................... 93
Questões......................................................................................................................... 95
Gabarito........................................................................................................................... 102
Interpretação e Compreensão de texto

Definição Geral
Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois sempre que compreendemos adequadamen-
te um texto e o objetivo de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é do que as conclusões
específicas.
Exemplificando, sempre que nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação, a resposta
será localizada no próprio texto, posteriormente, ocorre a interpretação, que é a leitura e a conclusão funda-
mentada em nossos conhecimentos prévios.

Compreensão de Textos
Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do que está explícito no texto, ou seja, na
identificação da mensagem. É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso da capacidade de
entender, atinar, perceber, compreender.
Compreender um texto é captar, de forma objetiva, a mensagem transmitida por ele. Portanto, a compreen-
são textual envolve a decodificação da mensagem que é feita pelo leitor.
Por exemplo, ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos a mensagem transmitida por ela,
assim como o seu propósito comunicativo, que é informar o ouvinte sobre um determinado evento.

Interpretação de Textos
É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os resultados aos quais chegamos por meio da as-
sociação das ideias e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar é decodificar o sentido
de um texto por indução.
A interpretação de textos compreende a habilidade de se chegar a conclusões específicas após a leitura de
algum tipo de texto, seja ele escrito, oral ou visual.
Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado da leitura, integrando um conhecimento que
foi sendo assimilado ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva, podendo ser diferente
entre leitores.

Exemplo de compreensão e interpretação de textos


Para compreender melhor a compreensão e interpretação de textos, analise a questão abaixo, que aborda
os dois conceitos em um texto misto (verbal e visual):
FGV > SEDUC/PE > Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial > 2015
Português > Compreensão e interpretação de textos
A imagem a seguir ilustra uma campanha pela inclusão social.

1
“A Constituição garante o direito à educação para todos e a inclusão surge para garantir esse direito também
aos alunos com deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou menos severas.”
A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta.
(A) A inclusão social é garantida pela Constituição Federal de 1988.
(B) As leis que garantem direitos podem ser mais ou menos severas.
(C) O direito à educação abrange todas as pessoas, deficientes ou não.
(D) Os deficientes temporários ou permanentes devem ser incluídos socialmente.
(E) “Educação para todos” inclui também os deficientes.

Resolução:
Em “A” – Errado: o texto é sobre direito à educação, incluindo as pessoas com deficiência, ou seja, inclusão
de pessoas na sociedade.
Em “B” – Certo: o complemento “mais ou menos severas” se refere à “deficiências de toda ordem”, não às
leis.
Em “C” – Errado: o advérbio “também”, nesse caso, indica a inclusão/adição das pessoas portadoras de
deficiência ao direito à educação, além das que não apresentam essas condições.
Em “D” – Errado: além de mencionar “deficiências de toda ordem”, o texto destaca que podem ser “perma-
nentes ou temporárias”.
Em “E” – Errado: este é o tema do texto, a inclusão dos deficientes.

Resposta: Letra B.

ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO SEGUNDO O GÊNERO EM QUE SE INSCREVE


Compreender um texto nada mais é do que analisar e decodificar o que de fato está escrito, seja das frases
ou de ideias presentes. Além disso, interpretar um texto, está ligado às conclusões que se pode chegar ao
conectar as ideias do texto com a realidade.
A compreensão básica do texto permite o entendimento de todo e qualquer texto ou discurso, com base na
ideia transmitida pelo conteúdo. Ademais, compreender relações semânticas é uma competência imprescindível
no mercado de trabalho e nos estudos.
A interpretação de texto envolve explorar várias facetas, desde a compreensão básica do que está escrito
até as análises mais profundas sobre significados, intenções e contextos culturais. No entanto, Quando não
se sabe interpretar corretamente um texto pode-se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento
profissional, mas também o desenvolvimento pessoal.

Busca de sentidos
Para a busca de sentidos do texto, pode-se extrair os tópicos frasais presentes em cada parágrafo. Isso
auxiliará na compreensão do conteúdo exposto, uma vez que é ali que se estabelecem as relações hierárquicas
do pensamento defendido, seja retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos.
Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explicitadas pelo autor. Textos argumentativos não
costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Deve-se
atentar às ideias do autor, o que não implica em ficar preso à superfície do texto, mas é fundamental que não
se criem suposições vagas e inespecíficas.

Importância da interpretação
A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se informar, aprimora o vocabulário e dinamiza
o raciocínio e a interpretação. Ademais, a leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos específicos,
aprimora a escrita.

2
Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fatores. Muitas vezes, apressados, descuidamo-
nos dos detalhes presentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz suficiente. Interpretar exige
paciência e, por isso, sempre releia o texto, pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes
que não foram observados previamente.
Para auxiliar na busca de sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais presentes em
cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos
não estão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que estão, é
porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação hierárquica do pensamento defendido; retomando
ideias já citadas ou apresentando novos conceitos.
Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo autor: os textos argumentativos não costumam
conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às
ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que
não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas.
Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de
nós leitores proficientes.

Diferença entre compreensão e interpretação


A compreensão de um texto envolve realizar uma análise objetiva do seu conteúdo para verificar o que está
explicitamente escrito nele. Por outro lado, a interpretação vai além, relacionando as ideias do texto com a
realidade. Nesse processo, o leitor extrai conclusões subjetivas a partir da leitura.

Organização estrutural dos textos

A organização estrutural de um texto é fundamental para garantir clareza, coerência e coesão na comuni-
cação de ideias. A estrutura adequada permite que o leitor compreenda facilmente o conteúdo e acompanhe o
desenvolvimento das ideias. Abaixo estão os principais elementos da organização estrutural dos textos e como
aplicá-los:

- Introdução
Função:
- Apresentar o tema do texto.
- Contextualizar o assunto.
- Estabelecer o objetivo ou tese do texto.

Elementos:
- Abertura: Uma introdução atraente que capture o interesse do leitor, como uma citação, uma pergunta ou
uma breve narrativa.
- Exemplo: “Você sabia que mais de 80% dos adultos sofrem de estresse em algum momento da vida?”
- Contextualização: Fornecer o contexto necessário para entender o tema.
- Exemplo: “No mundo moderno, a pressão por desempenho e as demandas da vida cotidiana têm contribu-
ído para níveis crescentes de estresse.”
- Tese ou Objetivo: Declarar a principal ideia ou propósito do texto.
- Exemplo: “Este artigo explora as principais causas do estresse e oferece estratégias eficazes para seu
gerenciamento.”

3
- Desenvolvimento

Função:
- Explorar e desenvolver o tema proposto.
- Apresentar argumentos, evidências e exemplos.
- Organizar as ideias de forma lógica e sequencial.

Elementos:
- Parágrafos: Cada parágrafo deve abordar um ponto específico relacionado à tese. Deve começar com uma
frase tópico, seguir com explicações e exemplos, e concluir com uma frase de fechamento.
- Frase Tópico: Introduz a ideia principal do parágrafo.
- Exemplo: “Uma das principais causas do estresse é a sobrecarga de trabalho.”
- Desenvolvimento: Expõe detalhes, evidências e exemplos que sustentam a ideia.
- Exemplo: “Pesquisas mostram que longas jornadas de trabalho e a falta de equilíbrio entre vida profissional
e pessoal aumentam significativamente os níveis de estresse.”
- Frase de Fechamento: Resume o ponto principal do parágrafo e liga-o à ideia geral do texto.
- Exemplo: “Portanto, é crucial que as empresas implementem políticas de equilíbrio entre vida profissional
e pessoal para reduzir o estresse entre seus funcionários.”
- Sequência Lógica: Organizar os parágrafos e ideias de forma que fluam naturalmente, utilizando transi-
ções eficazes.
- Exemplo: “Além da sobrecarga de trabalho, outro fator importante a considerar é a falta de suporte social.”

- Conclusão

Função:
- Resumir os principais pontos discutidos no texto.
- Reafirmar a tese ou propósito.
- Oferecer uma reflexão final ou sugestão para ação.

Elementos:
- Resumo dos Pontos Principais: Revisar as ideias principais apresentadas no desenvolvimento.
- Exemplo: “Em resumo, as principais causas do estresse incluem a sobrecarga de trabalho e a falta de
suporte social.”
- Reafirmação da Tese: Reiterar a principal ideia ou propósito do texto à luz das evidências apresentadas.
- Exemplo: “Como demonstrado, é evidente que o gerenciamento eficaz do estresse é essencial para a
saúde e o bem-estar.”
- Reflexão Final ou Sugestão: Oferecer uma conclusão reflexiva ou uma sugestão de ação para o leitor.
- Exemplo: “Portanto, adotar técnicas de gerenciamento de estresse pode melhorar significativamente a
qualidade de vida.”

4
- Elementos Adicionais

Função:
- Complementar o texto e fornecer suporte adicional.

Elementos:
- Título: Deve refletir o conteúdo e chamar a atenção do leitor.
- Exemplo: “Como Gerenciar o Estresse: Causas e Soluções.”
- Subtítulos: Organizam o texto em seções e facilitam a navegação.
- Exemplo: “Causas do Estresse” e “Estratégias para Gerenciamento.”
- Introdução e Conclusão de Seções: As seções intermediárias devem começar com uma introdução clara
e terminar com uma conclusão ou transição para a próxima seção.
- Referências e Citações: Oferecer evidências e fontes para apoiar os argumentos e dar credibilidade ao
texto.
- Exemplo: “De acordo com Smith (2023),...”

- Coesão e Coerência

Coesão:
- Uso de Conectores: Palavras e frases que ajudam a ligar ideias e parágrafos, como “além disso”, “por outro
lado”, “por exemplo”.
- Exemplo: “Além disso, estudos mostram que o estresse crônico pode levar a problemas de saúde graves.”

Coerência:
- Consistência Temática: As ideias devem estar logicamente conectadas e seguir uma linha de raciocínio
clara.
- Exemplo: Manter o foco na discussão sobre estresse e evitar desvios para temas não relacionados.

Exemplos Práticos

1. Artigo Acadêmico:
- Introdução: Apresenta o problema de pesquisa, os objetivos do estudo e a hipótese.
- Desenvolvimento: Dividido em seções como revisão de literatura, metodologia, resultados e discussão.
- Conclusão: Resume os achados e sugere implicações ou direções para futuras pesquisas.

2. Texto Informativo:
- Introdução: Introduz o tema e a importância da informação.
- Desenvolvimento: Expõe informações e dados em parágrafos temáticos.
- Conclusão: Resume as principais informações e oferece uma visão geral.

3. Carta Formal:
- Introdução: Saudação formal e introdução do motivo da carta.
- Desenvolvimento: Detalhamento do assunto ou pedido.
- Conclusão: Resumo e agradecimento, seguido de uma assinatura formal.

5
Conclusão
A organização estrutural dos textos é essencial para a comunicação eficaz e a compreensão clara das
ideias. Seguir uma estrutura organizada—com uma introdução clara, desenvolvimento lógico e uma conclusão
coesa—ajuda a criar textos que são não apenas informativos, mas também agradáveis e fáceis de ler. A coesão
e a coerência garantem que o texto seja fluente e que as ideias estejam bem conectadas.

Marcas de textualidade: coesão, coerência e intertextualidade

— Definições e diferenciação
Coesão e coerência são dois conceitos distintos, tanto que um texto coeso pode ser incoerente, e vice-ver-
sa. O que existe em comum entre os dois é o fato de constituírem mecanismos fundamentais para uma pro-
dução textual satisfatória. Resumidamente, a coesão textual se volta para as questões gramaticais, isto é, na
articulação interna do texto. Já a coerência textual tem seu foco na articulação externa da mensagem.

— Coesão Textual
Consiste no efeito da ordenação e do emprego adequado das palavras que proporcionam a ligação entre
frases, períodos e parágrafos de um texto. A coesão auxilia na sua organização e se realiza por meio de pala-
vras denominadas conectivos.

As técnicas de coesão
A coesão pode ser obtida por meio de dois mecanismos principais, a anáfora e a catáfora. Por estarem rela-
cionados à mensagem expressa no texto, esses recursos classificam-se como endofóricas. Enquanto a anáfora
retoma um componente, a catáfora o antecipa, contribuindo com a ligação e a harmonia textual.

As regras de coesão
Para que se garanta a coerência textual, é necessário que as regras relacionadas abaixo sejam seguidas.

Referência
– Pessoal: emprego de pronomes pessoais e possessivos.
Exemplo:
«Ana e Sara foram promovidas. Elas serão gerentes de departamento.” Aqui, tem-se uma referência pes-
soal anafórica (retoma termo já mencionado).
– Comparativa: emprego de comparações com base em semelhanças.
Exemplo:
“Mais um dia como os outros…”. Temos uma referência comparativa endofórica.
– Demonstrativa: emprego de advérbios e pronomes demonstrativos.
Exemplo:
“Inclua todos os nomes na lista, menos este: Fred da Silva.” Temos uma referência demonstrativa catafórica.
– Substituição: consiste em substituir um elemento, quer seja nome, verbo ou frase, por outro, para que
ele não seja repetido.
Analise o exemplo:
“Iremos ao banco esta tarde, elas foram pela manhã.”

6
Perceba que a diferença entre a referência e a substituição é evidente principalmente no fato de que a
substituição adiciona ao texto uma informação nova. No exemplo usado para a referência, o pronome pessoal
retoma as pessoas “Ana e Sara”, sem acrescentar quaisquer informações ao texto.
– Elipse: trata-se da omissão de um componente textual – nominal, verbal ou frasal – por meio da figura
denominando eclipse.
Exemplo:
“Preciso falar com Ana. Você a viu?” Aqui, é o contexto que proporciona o entendimento da segunda oração,
pois o leitor fica ciente de que o locutor está procurando por Ana.
– Conjunção: é o termo que estabelece ligação entre as orações.
Exemplo:
“Embora eu não saiba os detalhes, sei que um acidente aconteceu.” Conjunção concessiva.
– Coesão lexical: consiste no emprego de palavras que fazem parte de um mesmo campo lexical ou que
carregam sentido aproximado. É o caso dos nomes genéricos, sinônimos, hiperônimos, entre outros.
Exemplo:
“Aquele hospital público vive lotado. A instituição não está dando conta da demanda populacional.”

— Coerência Textual
A Coerência é a relação de sentido entre as ideias de um texto que se origina da sua argumentação – con-
sequência decorrente dos saberes conhecimentos do emissor da mensagem. Um texto redundante e contradi-
tório, ou cujas ideias introduzidas não apresentam conclusão, é um texto incoerente. A falta de coerência preju-
dica a fluência da leitura e a clareza do discurso. Isso quer dizer que a falta de coerência não consiste apenas
na ignorância por parte dos interlocutores com relação a um determinado assunto, mas da emissão de ideias
contrárias e do mal uso dos tempos verbais.
Observe os exemplos:
“A apresentação está finalizada, mas a estou concluindo até o momento.” Aqui, temos um processo verbal
acabado e um inacabado.
“Sou vegana e só como ovos com gema mole.” Os veganos não consomem produtos de origem animal.
Princípios Básicos da Coerência
– Relevância: as ideias têm que estar relacionadas.
– Não Contradição: as ideias não podem se contradizer.
– Não Tautologia: as ideias não podem ser redundantes.

Fatores de Coerência
– As inferências: se partimos do pressuposto que os interlocutores partilham do mesmo conhecimento, as
inferências podem simplificar as informações.
Exemplo:
“Sempre que for ligar os equipamentos, não se esqueça de que voltagem da lavadora é 220w”.
Aqui, emissor e receptor compartilham do conhecimento de que existe um local adequado para ligar deter-
minado aparelho.
– O conhecimento de mundo: todos nós temos uma bagagem de saberes adquirida ao longo da vida e que
é arquivada na nossa memória. Esses conhecimentos podem ser os chamados scripts (roteiros, tal como nor-
mas de etiqueta), planos (planejar algo com um objetivo, tal como jogar um jogo), esquemas (planos de funcio-
namento, como a rotina diária: acordar, tomar café da manhã, sair para o trabalho/escola), frames (rótulos), etc.

7
Exemplo:
“Coelhinho e ovos de chocolate! Vai ser um lindo Natal!”
O conhecimento cultural nos leva a identificar incoerência na frase, afinal, “coelho” e “ovos de chocolate” são
elementos, os chamados frames, que pertencem à comemoração de Páscoa, e nada têm a ver com o Natal.

Elementos da organização textual: segmentação, encadeamento e ordenação.


A segmentação é a divisão do texto em pequenas partes para melhorar a compreensão. A encadeamento
é a ligação dessas partes, criando uma lógica e coesão no texto. A ordenação é a disposição dessas partes
de forma a transmitir uma mensagem clara e coerente. Juntos, esses elementos ajudam a criar uma estrutura
eficiente para o texto.

intertextualidade.

— Definições gerais
Intertextualidade é, como o próprio nome sugere, uma relação entre textos que se exerce com a menção
parcial ou integral de elementos textuais (formais e/ou semânticos) que fazem referência a uma ou a mais
produções pré-existentes; é a inserção em um texto de trechos extraídos de outros textos. Esse diálogo entre
textos não se restringe a textos verbais (livros, poemas, poesias, etc.) e envolve, também composições de
natureza não verbal (pinturas, esculturas, etc.) ou mista (filmes, peças publicitárias, música, desenhos animados,
novelas, jogos digitais, etc.).

— Intertextualidade Explícita x Implícita


– Intertextualidade explícita: é a reprodução fiel e integral da passagem conveniente, manifestada aberta e
diretamente nas palavras do autor. Em caso de desconhecimento preciso sobre a obra que originou a referência,
o autor deve fazer uma prévia da existência do excerto em outro texto, deixando a hipertextualidade evidente.
As características da intertextualidade explícita são:
– Conexão direta com o texto anterior;
– Obviedade, de fácil identificação por parte do leitor, sem necessidade de esforço ou deduções;
– Não demanda que o leitor tenha conhecimento preliminar do conteúdo;
– Os elementos extraídos do outro texto estão claramente transcritos e referenciados.
– Intertextualidade explícita direta e indireta: em textos acadêmicos, como dissertações e monografias,
a intertextualidade explícita é recorrente, pois a pesquisa acadêmica consiste justamente na contribuição de
novas informações aos saberes já produzidos. Ela ocorre em forma de citação, que, por sua vez, pode ser direta,
com a transcrição integral (cópia) da passagem útil, ou indireta, que é uma clara exploração das informações,
mas sem transcrição, re-elaborada e explicada nas palavras do autor.
– Intertextualidade implícita: esse modo compreende os textos que, ao aproveitarem conceitos, dados e
informações presentes em produções prévias, não fazem a referência clara e não reproduzem integralmente
em sua estrutura as passagens envolvidas. Em outras palavras, faz-se a menção sem revelá-la ou anunciá-
la. De qualquer forma, para que se compreenda o significado da relação estabelecida, é indispensável que o
leitor seja capaz de reconhecer as marcas intertextuais e, em casos mais específicos, ter lido e compreendido
o primeiro material. As características da intertextualidade implícita são: conexão indireta com o texto fonte; o
leitor não a reconhece com facilidade; demanda conhecimento prévio do leitor; exigência de análise e deduções
por parte do leitor; os elementos do texto pré-existente não estão evidentes na nova estrutura.

8
— Tipos de Intertextualidade
1 – Paródia: é o processo de intertextualidade que faz uso da crítica ou da ironia, com a finalidade de
subverter o sentido original do texto. A modificação ocorre apenas no conteúdo, enquanto a estrutura permanece
inalterada. É muito comum nas músicas, no cinema e em espetáculos de humor. Observe o exemplo da primeira
estrofe do poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira:
TEXTO ORIGINAL
“Vou-me embora para Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei?”
PARÓDIA DE MILLÔR FERNANDES
“Que Manoel Bandeira me perdoe, mas vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do Rei
Não tenho nada que eu quero
Não tenho e nunca terei”
2 – Paráfrase: aqui, ocorre a reafirmação sentido do texto inicial, porém, a estrutura da nova produção nada
tem a ver com a primeira. É a reprodução de um texto com as palavras de quem escreve o novo texto, isto é,
os conceitos do primeiro texto são preservados, porém, são relatados de forma diferente. Exemplos: observe
as frases originais e suas respectivas paráfrases:
“Deus ajuda quem cedo madruga” – A professora ajuda quem muito estuda.
“To be or not to be, that is the question” – Tupi or not tupi, that is the question.
3 – Alusão: é a referência, em um novo texto, de uma dada obra, situação ou personagem já retratados
em textos anteriores, de forma simples, objetiva e sem quaisquer aprofundamentos. Veja o exemplo a seguir:
“Isso é presente de grego” – alusão à mitologia em que os troianos caem em armadilhada armada pelos
gregos durante a Guerra de Troia.
4 – Citação: trata-se da reescrita literal de um texto, isto é, consiste em extrair o trecho útil de um texto e
copiá-lo em outro. A citação está sempre presente em trabalhos científicos, como artigos, dissertações e teses.
Para que não configure plágio (uma falta grave no meio acadêmico e, inclusive, sujeita a processo judicial), a
citação exige a indicação do autor original e inserção entre aspas. Exemplo:
“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”
(Lavoisier, Antoine-Laurent, 1773).
5 – Crossover: com denominação em inglês que significa “cruzamento”, esse tipo de intertextualidade tem
sido muito explorado nas mídias visuais e audiovisuais, como televisão, séries e cinema. Basicamente, é a in-
serção de um personagem próprio de um universo fictício em um mundo de ficção diferente. Freddy & Jason” é
um grande crossover do gênero de horror no cinema.

9
Exemplo:

Fonte: [Link]
6) Epígrafe: é a transição de uma pequena passagem do texto de origem na abertura do texto corrente. Em
geral, a epígrafe está localizada no início da página, à direita e em itálico. Mesmo sendo uma passagem “solta”,
esse tipo de intertextualidade está sempre relacionado ao teor do novo texto.
Exemplo:
“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu,
mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre
aquilo que todo mundo vê.”
Arthur Schopenhauer

Modos de organização discursiva: descrição, narração, exposição, argumentação e in-


junção; características específicas de cada modo. Tipos textuais, características espe-
cíficas de cada tipo

Definições e diferenciação: tipos textuais e gêneros textuais são dois conceitos distintos, cada um com
sua própria linguagem e estrutura. Os tipos textuais se classificam em razão da estrutura linguística, enquanto
os gêneros textuais têm sua classificação baseada na forma de comunicação.
Dessa forma, os gêneros são variedades existentes no interior dos modelos pré-estabelecidos dos tipos
textuais. A definição de um gênero textual é feita a partir dos conteúdos temáticos que apresentam sua estrutura
específica. Logo, para cada tipo de texto, existem gêneros característicos.

Como se classificam os tipos e os gêneros textuais


As classificações conforme o gênero podem sofrer mudanças e são amplamente flexíveis. Os principais
gêneros são: romance, conto, fábula, lenda, notícia, carta, bula de medicamento, cardápio de restaurante, lista
de compras, receita de bolo, etc.
Quanto aos tipos, as classificações são fixas, definem e distinguem o texto com base na estrutura e nos
aspectos linguísticos.
Os tipos textuais são: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo. Resumindo, os gêneros textu-
ais são a parte concreta, enquanto as tipologias integram o campo das formas, ou seja, da teoria. Acompanhe
abaixo os principais gêneros textuais e como eles se inserem em cada tipo textual:

10
Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho. Es-
ses textos se caracterizam pela apresentação das ações de personagens em um tempo e espaço determinado.
Os principais gêneros textuais que pertencem ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas
e fábulas.
Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem lugares, seres ou relatam acontecimentos.
Em geral, esse tipo de texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e, em termos de gêneros,
abrange diários, classificados, cardápios de restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc.
Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmitir ideias utilizando recursos de definição,
comparação, descrição, conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias, jornais, resumos
escolares, entre outros, fazem parte dos textos expositivos.
Texto argumentativo: os textos argumentativos têm o objetivo de apresentar um assunto recorrendo a
argumentações, isto é, caracteriza-se por defender um ponto de vista. Sua estrutura é composta por introdu-
ção, desenvolvimento e conclusão. Os textos argumentativos compreendem os gêneros textuais manifesto e
abaixo-assinado.
Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma
que o emissor procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de verbos no modo imperativo é
sua característica principal. Pertencem a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, manuais de
instruções, entre outros.
Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir o leitor em relação ao procedimento. Esses
textos, de certa forma, impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele siga o que diz o texto.
Os gêneros que pertencem a esse tipo de texto são: leis, cláusulas contratuais, editais de concursos públicos.
Texto informativo: é um texto que traz informações sobre um tema específico, visando à elucidação dos
leitores sobre esse determinado assunto. Em geral, o texto informativo é escrito em prosa e pode abordar, por
exemplo, surtos de doenças, epidemias, novas regras do governo, acontecimentos em geral, etc.
No caso de uma doença, o texto informativo apresentará esclarecimentos sobre a prevenção, os sintomas
e os cuidados necessários. Nesse caso, estamos diante de um texto informativo científico, com informações
sancionadas conforme a ciência.
Outras características desse tipo textual dizem respeito à estrutura, que se baseia em uma sucinta intro-
dução, um desenvolvimento e uma conclusão. Sua linguagem deve ser formal, objetiva, direta e clara, e deve
apresentar ideias reais e concretas, assim como os exemplos e a menção às fontes informativas.
Texto publicitário: trata-se de uma produção textual que carrega uma comunicação que visa tornar um
produto conhecido pelo público, como o calendário vacinal em uma cidade ou região, ou mesmo ações de pro-
moção de vendas.
O objetivo é propagar um assunto e, por meio de jornais, televisão, revistas, outdoor, rádios, plataformas
digitais, crescer o seu alcance. Em geral, esse tipo de texto é caracterizado por elementos como imagem, slo-
gan, título, texto e assinatura.
O slogan consiste em uma breve frase, que permite uma simples associação entre o produto e a memória
do público. A assinatura, por sua vez, é o nome que designa o produto do anunciante ou seu serviço.
Texto propagandístico: também chamado de redação publicitária, esse tipo textual, como o próprio nome
sugere, tem a propaganda como propósito principal. Por meio da propaganda, divulga-se algo em específico,
podendo ser um produto, um novo conceito, um movimento social, um benefício, um partido político, etc.
A função apelativa da linguagem é, obviamente, a principal característica do texto propagandístico, em ra-
zão do seu objetivo explícito de convencer, persuadir o leitor a aderir, comprar, etc. Ademais, o texto propagan-
dístico utiliza, na maioria das vezes, a expressão de chamamento (vocativo) para se dirigir ao leitor de forma
direta; uma linguagem dinâmica, simplificada e acessível; faz relação com outros textos (intertextualidade); por
fim, contém humor, ironia e criatividade.

11
Texto normativo: são produções textuais consideradas reguladoras, apropriadas para a sistematização da
legislação e dos códigos regulares que garantem direitos e deveres em uma sociedade. Além disso, o texto nor-
mativo promove a regulação das regras funcionais de empresas privadas ou organizações públicas, de escolas,
comunidades, igrejas, entre outros âmbitos sociais.
Como características, o texto normativo apresenta três seções fundamentais, que são: seção preliminar
(composta por epígrafe, ementa, enunciado do objeto e indicação normativa), seção normativa e seção final.
Além disso, o texto normativo deve ser apresentado com o máximo de clareza, prevenindo reveses de entendi-
mento para seus leitores; também deve ser objetivo e estar centrado no seu tema, seja ele relações de trabalho,
políticas, sociais, entre outras.
Texto didático: trata-se de um gênero textual com fins pedagógicos. É construído de modo que seus lei-
tores possam chegar a uma conclusão determinada. Em razão disso, recebe a classificação de texto utilitário.
As principais características desse tipo textual são a objetividade, impessoalidade, linguagem clara e aces-
sível ao leitor, conforme o seu grau de instrução. A mensagem transmitida pelo texto didático deve prezar pela
coesão e pela maior clareza possível. Esse tipo de texto ordinariamente está relacionado a processos de apren-
dizagem, e têm a finalidade explícita de ensinar e conduzir seus leitores conforme os objetivos pedagógicos.
Texto divinatório: esse tipo textual pressupõe um conhecimento prévio maior (por parte do autor) à sua
exposição, sendo amplamente empregado em livros didáticos e artigos científicos. Como principais caracterís-
ticas, ele apresenta objetividade, coesão, impessoalidade e perspectiva que leve a uma determinada e única
interpretação.
O conceito de divinatória pode ser explicado como uma interpretação ou previsão imediata do significado de
um texto. Exemplificando: diante de indicações como “Perigo!”, “Não ultrapasse” ou “Cuidado!” o leitor pronta-
mente acata a mensagem, sem discutir, questionar, pressupondo que a pessoa que redigiu aquele texto possui
informações que ele não tem (talvez até “premonitórias”), ou seja, ele conclui de imediato que é mais prudente
e natural não ultrapassar o limite estabelecido.
Além das placas, o texto divinatório é característica do horóscopo, da mensagem contida nos chamados
biscoitos chineses da sorte, entre outros. O leitor prefere acreditar na mensagem sem levar em conta quaisquer
outras circunstâncias.

Textos literários e não literários

Principais características do texto literário


Há diferença do texto literário em relação ao texto referencial, sobretudo, por sua carga estética. Esse tipo
de texto exerce uma linguagem ficcional, além de fazer referência à função poética da linguagem.
Uma constante discussão sobre a função e a estrutura do texto literário existe, e também sobre a dificuldade
de se entenderem os enigmas, as ambiguidades, as metáforas da literatura. São esses elementos que
constituem o atrativo do texto literário: a escrita diferenciada, o trabalho com a palavra, seu aspecto conotativo,
seus enigmas.
A literatura apresenta-se como o instrumento artístico de análise de mundo e de compreensão do homem.
Cada época conceituou a literatura e suas funções de acordo com a realidade, o contexto histórico e cultural e,
os anseios dos indivíduos daquele momento.
– Ficcionalidade: os textos baseiam-se no real, transfigurando-o, recriando-o.
– Aspecto subjetivo: o texto apresenta o olhar pessoal do artista, suas experiências e emoções.
– Ênfase na função poética da linguagem: o texto literário manipula a palavra, revestindo-a de caráter
artístico.
– Plurissignificação: as palavras, no texto literário, assumem vários significados.

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Principais características do texto não literário
Apresenta peculiaridades em relação a linguagem literária, entre elas o emprego de uma linguagem
convencional e denotativa. Além disso, tem como função informar de maneira clara e sucinta, desconsiderando
aspectos estilísticos próprios da linguagem literária.
Os diversos textos podem ser classificados de acordo com a linguagem utilizada. Ademais, a linguagem
de um texto está condicionada à sua funcionalidade. Quando pensamos nos diversos tipos e gêneros textuais,
devemos pensar também na linguagem adequada a ser adotada em cada um deles. Para isso existem a
linguagem literária e a linguagem não literária.
Diferente do que ocorre com os textos literários, nos quais há uma preocupação com o objeto linguístico
e também com o estilo, os textos não literários apresentam características bem delimitadas para que possam
cumprir sua principal missão, que é, na maioria das vezes, a de informar. Quando pensamos em informação,
alguns elementos devem ser elencados, como a objetividade, a transparência e o compromisso com uma
linguagem não literária, afastando assim possíveis equívocos na interpretação de um texto.

Tipologia da frase portuguesa. Estrutura da frase portuguesa: operações de desloca-


mento, substituição, modificação e correçã[Link] estruturais das frases. Organi-
zação sintática das frases: termos e orações. Ordem direta e inversa

A sintaxe é um ramo da gramática que estuda a organização das palavras em uma frase, oração ou período;
bem como as relações que se estabelecem entre elas.

Frase
É todo enunciado capaz de transmitir ao outro tudo aquilo que pensamos, queremos ou sentimos, ou seja,
é um conjunto de palavras que transmite uma ideia completa. Além disso, ela pode possuir verbo ou não.
Exemplos:
▪ Caía uma chuva.
▪ Dia lindo.

Oração
É a frase que apresenta pelo menos um verbo conjugado e uma estrutura sintática (normalmente, como
sujeito e predicado, ou só o predicado).
Exemplos:
▪ Ninguém segura este menino: (Sujeito: Ninguém; Verbo: segura; Predicado: segura este menino).
▪ Havia muitos suspeitos: (Sujeito: suspeitos; Verbo: havia; Predicado: havia muitos suspeitos).

▸Termos da oração

Sujeito;
Termos essenciais Predicado

objeto direto
Complemento verbal; objeto indireto
Termos integrantes Complemento nominal;
gente da passiva.

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Adjunto adnominal;
Termos acessórios adjunto adverbial;
aposto.
Vocativo

Afirma-se que sujeito e predicado são os termos essenciais da oração, pois constituem sua estrutura básica.
O verbo, por sua vez, desempenha um papel central na oração, sendo o núcleo do predicado em orações
verbais. Contudo, não se deve confundir o núcleo do predicado ou o verbo com os termos essenciais, já que o
sujeito e o predicado são as partes fundamentais da oração.
Exemplo:
Choveu muito durante a noite.
▪ Sujeito: Inexistente (oração sem sujeito, pois o verbo “chover” descreve um fenômeno da natureza).
▪ Predicado: Choveu muito durante a noite.
▪ Núcleo do predicado: O verbo choveu.
▪ Complementos no predicado: muito (adjunto adverbial de intensidade) e durante a noite (adjunto
adverbial de tempo).

Observação:
A oração “Choveu muito durante a noite” é classificada como uma oração sem sujeito porque o verbo
“chover” representa um fenômeno da natureza. Nesse caso, o predicado é o único termo essencial presente,
sendo formado pelo verbo e pelos adjuntos que o acompanham.
Os termos “acessórios” recebem essa denominação por serem considerados, em teoria, dispensáveis na
construção da oração. No entanto, essa ideia nem sempre corresponde à realidade, pois sua ausência pode
comprometer a clareza, a riqueza ou a expressividade da mensagem.

Sujeito
Sujeito é o termo da oração que, normalmente, realiza, sofre ou é o elemento sobre o qual se declara algo
em relação à ação, estado ou fenômeno expresso pelo verbo.
Exemplos:
▪ A notícia corria rápida como pólvora – (A notícia – sujeito; Corria – verbo; Corria está no singular
concordando com a notícia).
▪ As notícias corriam rápidas como pólvora – (Corriam, no plural, concordando com as notícias).
O núcleo do sujeito é a palavra principal do sujeito, que encerra a essência de sua significação. Em torno
dela, como que gravitam as demais.
▪ Exemplo: Os teus lírios brancos embelezam os campos – (Lírios é o núcleo do sujeito).
Podem exercer a função de núcleo do sujeito o substantivo e palavras de natureza substantiva. Veja:
▪ O medo salvou-lhe a vida – (substantivo).
▪ Os medrosos fugiram – (Adjetivo exercendo papel de substantivo: adjetivo substantivado).
▪ Sujeito simples: tem um só núcleo.
▪ Exemplo: As flores morreram.
▪ Sujeito composto: tem mais de um núcleo.
▪ Exemplo: O rapaz e a moça foram encostados ao muro.
▪ Sujeito elíptico (ou oculto): não expresso e que pode ser determinado pela desinência verbal ou pelo
contexto.

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▪ Exemplo: Viajarei amanhã – (sujeito oculto: eu, descrito pela desinência verbal).
▪ Sujeito indeterminado: é aquele que existe, mas não é identificado de forma precisa, seja porque não se
sabe quem ele é, seja porque não se quer especificá-lo. Ocorre:
▪ Quando o verbo está na 3ª pessoa do plural, sem referência a nenhum substantivo previamente mencionado
no contexto.
Exemplo: Batem à porta.
Com verbos intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de ligação (VL) acompanhados da partícula SE,
chamada de índice de indeterminação do sujeito (IIS).
Exemplos:
Vive-se bem. (VI)
Precisa-se de pedreiros. (VTI)
Falava-se baixo. (VI)
Era-se feliz naquela época. (VL)
▪ Orações sem sujeito: são orações cujos verbos são impessoais, com sujeito inexistente.
Ocorrem nos seguintes casos:
Com verbos que se referem a fenômenos meteorológicos.
▪ Exemplo: Chovia e ventava durante a noite.
Haver no sentido de existir ou quando se refere a tempo decorrido.
▪ Exemplo: Há duas semanas não o vejo. (= Faz duas semanas).
Fazer referindo-se a fenômenos meteorológicos ou a tempo decorrido.
▪ Exemplo: Fazia 40 à sombra.
Ser nas indicações de horas, datas e distâncias.
▪ Exemplo: São duas horas.

Predicado
O predicado é um termo essencial da estrutura da oração, responsável por expressar o que se declara a
respeito do sujeito.

▸Predicado nominal
O núcleo do predicado é um nome, ou seja, o núcleo fica em torno do qual as demais palavras do predicado
gravitam e contém o que de mais importante se comunica a respeito do sujeito.
Esse núcleo é um nome, isto é, um substantivo ou adjetivo, ou palavra de natureza substantiva. Com isso,
o verbo de ligação liga o núcleo ao sujeito, indicando estado (ser, estar, continuar, ficar, permanecer; também
andar, com o sentido de estar; virar, com o sentido de transformar-se em; e viver, com o sentido de estar
sempre), e por fim temos o predicado nominal que dá característica ao núcleo.
Exemplo:
Os príncipes viraram sapos muito feios – (verbo de ligação (viraram) mais núcleo substantivo ( sapos) =
Predicado Nominal: feios).

Verbos de ligação
São aqueles que, sem possuírem significação precisa, ligam um sujeito a um predicativo. São verbos de
ligação: ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar, tornar-se etc.
▪ Exemplo: A rua estava calma.

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▸Predicativo do sujeito
É o termo da oração que, no predicado, expressa qualificação ou classificação do sujeito.
▪ Exemplo: Você será engenheiro.
O predicativo do sujeito, além de vir com verbos de ligação, pode também ocorrer com verbos intransitivos
ou com verbos transitivos.

▸Predicado verbal
Ocorre quando o núcleo é um verbo. Logo, não apresenta predicativo. É formado por verbos transitivos ou
intransitivos.
▪ Exemplo: A população da vila assistia ao embarque. (Núcleo do sujeito: população; núcleo do predicado:
assistia, verbo transitivo indireto).

▸Predicado verbo-nominal
Esse predicado tem dois núcleos (um verbo e um nome), é formado por predicativo com verbo transitivo
ou intransitivo.
Exemplos:
▪ A multidão assistia ao jogo emocionada. (predicativo do sujeito com verbo transitivo indireto)
▪ A riqueza tornou-o orgulhoso. (predicativo do objeto com verbo transitivo direto)

▸Predicativo do sujeito
O predicativo do sujeito, além de vir com verbos de ligação, pode também ocorrer com verbos intransitivos
ou transitivos. Nesse caso, o predicado é verbo-nominal.
▪ Exemplo: A criança brincava alegre no parque.

▸Predicativo do objeto
Exprime qualidade, estado ou classificação que se referem ao objeto (direto ou indireto).
Exemplo:
▪ O juiz declarou o réu culpado.

▪ Exemplo de predicativo do objeto indireto:


▪ Gosto de você alegre.

Verbos intransitivos
São verbos que não exigem complemento algum; como a ação verbal não passa, não transita para nenhum
complemento, recebem o nome de verbos intransitivos. Podem formar predicado sozinhos ou com adjuntos
adverbiais.
▪ Exemplo: Os visitantes retornaram ontem à noite.

Verbos transitivos

Os verbos que, ao declarar algo sobre o sujeito, necessitam de um complemento para que seu sentido seja
completo são chamados de verbos transitivos. O elemento que recebe ou completa a ação expressa por
esses verbos é denominado objeto. Os verbos transitivos classificam-se em: diretos, indiretos e diretos e
indiretos.

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▪ Verbos transitivos diretos: Exigem um objeto direto.
▪ Exemplo: Espero-o no aeroporto.
▪ Verbos transitivos indiretos: Exigem um objeto indireto.
▪ Exemplo: Gosto de flores.
▪ Verbos transitivos diretos e indiretos: Exigem um objeto direto e um objeto indireto.
▪ Exemplo: Os ministros informaram a nova política econômica aos trabalhadores. (VTDI)

▸Complementos verbais
Os complementos verbais são representados pelo objeto direto (OD) e pelo objeto indireto (OI).

Objeto indireto:
É o complemento verbal que se liga ao verbo pela preposição por ele exigida. Nesse caso o verbo pode ser
transitivo indireto ou transitivo direto e indireto. Normalmente, as preposições que ligam o objeto indireto ao
verbo são a, de, em, com, por, contra, para etc.
▪ Exemplo: Acredito em você.

Objeto direto:
Complemento verbal que se liga ao verbo sem preposição obrigatória. Nesse caso o verbo pode ser transitivo
direto ou transitivo direto e indireto.
▪ Exemplo: Comunicaram o fato aos leitores.

Objeto direto preposicionado:


É aquele que, contrariando sua própria definição e característica, aparece regido de preposição (geralmente
preposição a).
▪ Exemplo: O professor elogiou a todos pela dedicação.
Na frase, o verbo “elogiou” é transitivo direto, e seu complemento “a todos” é um objeto direto preposicionado.
A preposição “a” foi utilizada por questões estilísticas, conferindo ênfase e evitando ambiguidades, sem alterar
a função sintática do termo.

Objeto pleonástico:
É a repetição do objeto (direto ou indireto) por meio de um pronome. Essa repetição assume valor enfático
(reforço) da noção contida no objeto direto ou no objeto indireto.

Exemplos:
▪ Ao colega, já lhe perdoei. (objeto indireto pleonástico)
▪ Ao filme, assistimos a ele emocionados. (objeto indireto pleonástico)

Adjunto adnominal
É o termo acessório que vem junto ao nome (substantivo), restringindo-o, qualificando-o, determinando-o
(adjunto: “que vem junto a”; adnominal: “junto ao nome”).

Observe:
Os meus três grandes amigos [amigos: nome substantivo] vieram me fazer uma visita [visita: nome
substantivo] agradável ontem à noite.

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São adjuntos adnominais os (artigo definido), meus (pronome possessivo adjetivo), três (numeral), grandes
(adjetivo), que estão gravitando em torno do núcleo do sujeito, o substantivo amigos; o mesmo acontece
com uma (artigo indefinido) e agradável (adjetivo), que determinam e qualificam o núcleo do objeto direto, o
substantivo visita.
O adjunto adnominal prende-se diretamente ao substantivo, ao passo que o predicativo se refere ao
substantivo por meio de um verbo.

Complemento nominal
É o termo que completa o sentido de substantivos, adjetivos e advérbios porque estes não têm sentido
completo.
▪ Objeto: recebe a atividade transitiva de um verbo.
▪ Complemento nominal: recebe a atividade transitiva de um nome.
O complemento nominal é sempre ligado ao nome por preposição, tal como o objeto indireto.
Exemplo: Tenho necessidade de dinheiro.

Adjunto adverbial
É o termo da oração que modifica o verbo ou um adjetivo ou o próprio advérbio, expressando uma
circunstância: lugar, tempo, fim, meio, modo, companhia, exclusão, inclusão, negação, afirmação, duvida,
concessão, condição etc.

Período
Enunciado formado de uma ou mais orações, finalizado por: ponto final ( . ), reticencias (...), ponto de
exclamação (!) ou ponto de interrogação (?). De acordo com o número de orações, classifica-se em:
Apresenta apenas uma oração que é chamada absoluta.
O período é simples quando só traz uma oração, chamada absoluta; o período é composto quando traz mais
de uma oração. Exemplo: Comeu toda a refeição. (Período simples, oração absoluta.); Quero que você leia.
(Período composto.)
Uma maneira fácil de saber quantas orações há num período é contar os verbos ou locuções verbais. Num
período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele existentes.
Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e subordinação
ao mesmo tempo (também chamada de misto).

▸Período Composto por Coordenação


As três orações que formam esse período têm sentido próprio e não mantêm entre si nenhuma dependência
sintática: são independentes. Há entre elas uma relação de sentido, mas uma não depende da outra
sintaticamente.
As orações independentes de um período são chamadas de orações coordenadas (OC), e o período formado
só de orações coordenadas é chamado de período composto por coordenação.
As orações coordenadas podem ser assindéticas e sindéticas.
As orações são coordenadas assindéticas (OCA) quando não vêm introduzidas por conjunção.

Exemplo:
Os jogadores correram, / chutaram, / driblaram.
OCA OCA OCA
▪ As orações são coordenadas sindéticas (OCS) quando vêm introduzidas por conjunção coordenativa.

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Exemplo:
A mulher saiu do prédio / e entrou no táxi.
OCA OCS
As orações coordenadas sindéticas se classificam de acordo com o sentido expresso pelas conjunções
coordenativas que as introduzem. Pode ser:
▪ Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição com referência
à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva.
▪ Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de oposição à oração anterior, ou seja,
por uma conjunção coordenativa adversativa.
▪ Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por isso, pois, logo.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de conclusão de um fato enunciado na
oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva.
▪ Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que estabelece uma relação de alternância ou escolha com
referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa alternativa.
▪ Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois, porquanto.
A 2ª oração é introduzida por uma conjunção que expressa ideia de explicação, de justificativa em relação
à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa explicativa.

Período Composto por Subordinação:


Nesse período, a segunda oração exerce uma função sintática em relação à primeira, sendo subordinada
a ela. Quando um período é formado de pelo menos um conjunto de duas orações em que uma delas (a
subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele é classificado como período composto por
subordinação. As orações subordinadas são classificadas de acordo com a função que exercem.

Orações Subordinadas Adverbiais


Exercem a função de adjunto adverbial da oração principal (OP). São classificadas de acordo com a
conjunção subordinativa que as introduz:
▪ Causais: expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (=
porque), pois que, visto que.
▪ Condicionais: expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal.
Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que.
▪ Concessivas: expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir sua
realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que.
▪ Conformativas: expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como
(=conforme), segundo.
▪ Temporais: acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal. Conjunções:
quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que).
▪ Finais: expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: para
que, a fim de que, porque (=para que), que.
▪ Consecutivas: expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: porque,
que, como (= porque), pois que, visto que.

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▪ Comparativas: expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções: como,
assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais).
▪ Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na
principal. Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.

Orações Subordinadas Substantivas


São aquelas que, num período, exercem funções sintáticas próprias de substantivos, geralmente são
introduzidas pelas conjunções integrantes que e se.
▪ Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: é aquela que exerce a função de objeto direto do
verbo da oração principal.
▪ Observe: O filho quer que você o ajude. (objeto direto)
▪ Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: é aquela que exerce a função de objeto indireto do
verbo da oração principal.
▪ Observe: Preciso que você me ajude. (objeto indireto)
▪ Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: é aquela que exerce a função de sujeito do verbo da
oração principal.
▪ Observe: É importante que você ajude. (sujeito)
▪ Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: é aquela que exerce a função de complemento
nominal de um termo da oração principal.
▪ Observe: Estamos certos de que ele é inocente. (complemento nominal)
▪ Oração Subordinada Substantiva Predicativa: é aquela que exerce a função de predicativo do sujeito
da oração principal, vindo sempre depois do verbo ser.

Observe:
O principal é que você esteja feliz. (predicativo)
Oração Subordinada Substantiva Apositiva: é aquela que exerce a função de aposto de um termo da
oração principal.
Observe:
Ela tinha um objetivo: que todos fossem felizes. (aposto)

Orações Subordinadas Adjetivas


Exercem a função de adjunto adnominal de algum termo da oração principal.
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que, qual, cujo, quem,
etc.) e são classificadas em:
▪ Subordinadas Adjetivas Restritivas: são restritivas quando restringem ou especificam o sentido da
palavra a que se referem.
▪ Subordinadas Adjetivas Explicativas: são explicativas quando apenas acrescentam uma qualidade à
palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou especificá-lo.

Orações Reduzidas
São caracterizadas por possuírem o verbo nas formas de gerúndio, particípio ou infinitivo. Ao contrário das
demais orações subordinadas, as orações reduzidas não são ligadas através dos conectivos. Há três tipos de
orações reduzidas:

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Orações reduzidas de infinitivo:
▪ Infinitivo: terminações –ar, er, ir.
▪ Reduzida: Meu desejo era ganhar na loteria.
▪ Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse na loteria. (Oração Subordinada Substantiva Predicativa)

Orações Reduzidas de Particípio:


Particípio: terminações – ado, ido.
▪ Reduzida: A mulher sequestrada foi resgatada.
▪ Desenvolvida: A mulher que sequestraram foi resgatada. (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva)

Orações Reduzidas de Gerúndio:


Gerúndio: terminação – ndo.
▪ Reduzida: Respeitando as regras, não terão problemas.
▪ Desenvolvida: Desde que respeitem as regras, não terão problemas. (Oração Subordinada Adverbial
Condicional).

Norma culta

A Linguagem Culta ou Padrão


É aquela ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências em que se apresenta com terminologia
especial. É aplicada pelas pessoas instruídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela obediência
às normas gramaticais. Tem o uso comum na linguagem escrita e literária, reflete o prestígio social e cultural.
Além disso, é mais artificial, mais estável, e menos sujeita a variações. Entretanto, está presente nas aulas,
conferências, sermões, discursos políticos, comunicações científicas, noticiários de TV, programas culturais etc.
Ouvindo e lendo é que você aprenderá a falar e a escrever bem. Procure ler muito, ler bons autores, para
redigir bem.
A aprendizagem da língua inicia-se em casa, no contexto familiar, que é o primeiro círculo social para uma
criança. A criança imita o que ouve e aprende, aos poucos, o vocabulário e as leis combinatórias da língua.
Um falante ao entrar em contato com outras pessoas em diferentes ambientes sociais como a rua, a escola
e etc., começa a perceber que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que falam de forma diferente por
pertencerem a outras cidades ou regiões do país, ou por fazerem parte de outro grupo ou classe social. Essas
diferenças no uso da língua constituem as variedades linguísticas.
Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente, ou seja,
em que região do país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes, até nossos
valores, círculo de amizades e hobbies. O uso da língua também pode informar nossa timidez, sobre nossa
capacidade de nos adaptarmos às situações novas e nossa insegurança.
A norma culta é a variedade linguística ensinada nas escolas, contida na maior parte dos livros, registros
escritos, nas mídias televisivas, entre outros. Como variantes da norma padrão aparecem: a linguagem regional,
a gíria, a linguagem específica de grupos ou profissões.
O ensino da língua culta na escola não tem a finalidade de condenar ou eliminar a língua que falamos em
nossa família ou em nossa comunidade. O domínio da língua culta, somado ao domínio de outras variedades
linguísticas, torna-nos mais preparados para comunicarmos nos diferentes contextos lingísticos, já que a
linguagem utilizada em reuniões de trabalho não deve ser a mesma utilizada em uma reunião de amigos no
final de semana.

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Portanto, saber usar bem uma língua equivale a saber empregá-la de modo adequado às mais diferentes
situações sociais de que participamos.
A norma culta é responsável por representar as práticas linguísticas embasadas nos modelos de uso
encontrados em textos formais. É o modelo que deve ser utilizado na escrita, sobretudo nos textos não literários,
pois segue rigidamente as regras gramaticais. A norma culta conta com maior prestígio social e normalmente é
associada ao nível cultural do falante: quanto maior a escolarização, maior a adequação com a língua padrão.
Exemplo:
Venho solicitar a atenção de Vossa Excelência para que seja conjurada uma calamidade que está prestes
a desabar em cima da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, senhor presidente, ao movimento entusiasta
que está empolgando centenas de moças, atraindo-as para se transformarem em jogadoras de futebol, sem
se levar em conta que a mulher não poderá praticar este esporte violento sem afetar, seriamente, o equilíbrio
fisiológico de suas funções orgânicas, devido à natureza que dispôs a ser mãe.

A Linguagem Popular ou Coloquial


É usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-se quase sempre rebelde à norma gramatical e
é carregada de vícios de linguagem (solecismo – erros de regência e concordância; barbarismo – erros de
pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia; pleonasmo), expressões vulgares, gírias e preferência pela
coordenação, que ressalta o caráter oral e popular da língua.
A linguagem popular está presente nas conversas familiares ou entre amigos, anedotas, irradiação de
esportes, programas de TV e auditório, novelas, na expressão dos esta dos emocionais etc.

Dúvidas mais comuns da norma culta

– Perca ou perda:
Isto é uma perda de tempo ou uma perca de tempo?
Tomara que ele não perca o ônibus ou não perda o ônibus?
Quais são as frases corretas com perda e perca? Certo: Isto é uma perda de tempo.

– Embaixo ou em baixo:
O gato está embaixo da mesa ou em baixo da mesa?
Continuarei falando em baixo tom de voz ou embaixo tom de voz?
Quais são as frases corretas com embaixo e em baixo? Certo: O gato está embaixo da cama

– Ver ou vir:
A dúvida no uso de ver e vir ocorre nas seguintes construções: Se eu ver ou se eu vir? Quando eu ver ou
quando eu vir?
Qual das frases com ver ou vir está correta? A correta seria ”Se eu vir você lá fora, você vai ficar de castigo!”

– Onde ou aonde:
Os advérbios onde e aonde indicam lugar: Onde você está? Aonde você vai?
Qual é a diferença entre onde e aonde? Onde indica permanência. É sinônimo de em que lugar. Onde, Em
que lugar Fica?

– Como escrever o dinheiro por extenso?


Os valores monetários, regra geral, devem ser escritos com algarismos: R$ 1,00 ou R$ 1 R$ 15,00 ou R$
15 R$ 100,00 ou R$ 100 R$ 1400,00 ou R$ 1400.

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– Obrigado ou obrigada
Segundo a gramática tradicional e a norma culta, o homem ao agradecer deve dizer obrigado. A mulher
ao agradecer deve dizer obrigada.

– Mal ou mau:
Como essas duas palavras são, maioritariamente, pronunciadas da mesma forma, são facilmente confundidas
pelos falantes.
Qual a diferença entre mal e mau? Mal é um advérbio, antônimo de bem. Mau é o adjetivo contrário de bom.

– “Vir”, “Ver” e “Vier”


A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas situações, como por exemplo no futuro do
subjuntivo. O correto é, por exemplo, “quando você o vir”, e não “quando você o ver”.
Já no caso do verbo “ir”, a conjugação correta deste tempo verbal é “quando eu vier”, e não “quando eu vir”.

– “Ao invés de” ou “em vez de”:


“Ao invés de” significa “ao contrário” e deve ser usado apenas para expressar oposição.
Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.
Já “em vez de” tem um significado mais abrangente e é usado principalmente como a expressão “no lugar
de”. Mas ele também pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas recomendam usar “em vez
de” caso esteja na dúvida.
Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bicicleta.

– “Para mim” ou “para eu”:


Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase com um verbo, deve usar “para eu”.
Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para eu curtir as fotos dele.

– “Tem” ou “têm”:
Tanto “tem” como “têm” fazem parte da conjugação do verbo “ter” no presente. Mas o primeiro é usado no
singular, e o segundo no plural.
Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de mudança.

– “Há muitos anos”, “muitos anos atrás” ou “há muitos anos atrás”:
Usar “Há” e “atrás” na mesma frase é uma redundância, já que ambas indicam passado. O correto é usar
um ou outro.
Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O romance começou muito tempo atrás.
Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, está incorreta.

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Pontuação e sinais gráficos

Visão Geral
O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais gráficos que, em um período sintático, têm a fun-
ção primordial de indicar um nível maior ou menor de coesão entre estruturas e, ocasionalmente, manifestar as
propriedades da fala (prosódias) em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os gestos e as
expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a compreensão da frase.
O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades:
– Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos tipos textuais;
– Garantir os efeitos de sentido dos enunciados;
– Demarcar das unidades de um texto;
– Sinalizar os limites das estruturas sintáticas.

Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um enunciado

Vírgula
De modo geral, sua utilidade é marcar uma pausa do enunciado para indicar que os termos por ela isolados,
embora compartilhem da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas, se, ao contrário, hou-
ver relação sintática entre os termos, estes não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao mesmo
tempo que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em outras, ela é vetada.
Confira os casos em que a vírgula deve ser empregada:

– No interior da sentença
1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição:

ENUMERAÇÃO
Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e chocolate.
Paguei as contas de água, luz, telefone e gás.

REPETIÇÃO
Os arranjos estão lindos, lindos!
Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada.

2 – Isolar o vocativo
“Crianças, venham almoçar!”
“Quando será a prova, professora?”
3 – Separar apostos
“O ladrão, menor de idade, foi apreendido pela polícia.”
4 – Isolar expressões explicativas:
“As CPIs que terminaram em pizza, ou seja, ninguém foi responsabilizado.”  
5 – Separar conjunções intercaladas

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“Não foi explicado, porém, o porquê das falhas no sistema.”
6 – Isolar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado:
“Amanhã pela manhã, faremos o comunicado aos funcionários do setor.”
“Ele foi visto, muitas vezes, vagando desorientado pelas ruas.”
7 – Separar o complemento pleonástico antecipado:
“Estas alegações, não as considero legítimas.”
8 – Separar termos coordenados assindéticos (não conectadas por conjunções)
“Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, morrem.”
9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas:
“São Paulo, 16 de outubro de 2022”.
10 – Marcar a omissão de um termo:
“Eu faço o recheio, e você, a cobertura.” (omissão do verbo “fazer”).

– Entre as sentenças
1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas
“Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.”
2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações iniciadas
pela conjunção “e”:
“Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedi para que nos ajudasse.”
3 – Para separar as orações substantivas que antecedem a principal:
“Quando será publicado, ainda não foi divulgado.”
4 – Para separar orações subordinadas adverbiais desenvolvidas ou reduzidas, especialmente as que an-
tecedem a oração principal:

Reduzida Por ser sempre assim, ninguém dá atenção!


Desenvolvida Porque é sempre assim, já ninguém dá atenção!

5 – Separar as sentenças intercaladas:


“Querida, disse o esposo, estarei todos os dias aos pés do seu leito, até que você se recupere por completo.”

– Antes da conjunção “e”


1 – Emprega-se a vírgula quando a conjunção “e” adquire valores que não expressam adição, como conse-
quência ou diversidade, por exemplo.  
“Argumentou muito, e não conseguiu convencer-me.”
2 – Utiliza-se a vírgula em casos de polissíndeto, ou seja, sempre que a conjunção “e” é reiterada com com
a finalidade de destacar alguma ideia, por exemplo:
“(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; e dez meses de combates, e cem dias de
cancioneiro contínuo; e o esmagamento das ruínas...” (Euclides da Cunha)
3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas apresentam sujeitos distintos, por exemplo:
“A mulher ficou irritada, e o marido, constrangido.”

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O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito e predicado, verbo e objeto, nome de
adjunto adnominal, nome e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração substantiva e oração
subordinada (desde que a substantivo não seja apositiva nem se apresente inversamente).

Ponto
1 – Para indicar final de frase declarativa:
“O almoço está pronto e será servido.”
2 – Abrevia palavras:
– “p.” (página)
– “V. Sra.” (Vossa Senhoria)
– “Dr.” (Doutor)
3 – Para separar períodos:
“O jogo não acabou. Vamos para os pênaltis.”

Ponto e Vírgula
1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já se tenha uti-
lizado a vírgula:
“Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG; nossa amiga, de praticar esportes.”
2 – Para separar os itens de uma sequência de itens:
“Os planetas que compõem o Sistema Solar são:
Mercúrio;
Vênus;
Terra;
Marte;
Júpiter;
Saturno;
Urano;
Netuno.”

Dois Pontos
1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam
e/ou resumem ideias anteriores.
“Anote o endereço: Av. Brasil, 1100.”
“Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela grande ofensa.”
2 – Para introduzirem citação direta:
“Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma’.”
3 – Para iniciar fala de personagens:
“Ele gritava repetidamente:
– Sou inocente!”

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Reticências
1 – Para indicar interrupção de uma frase incompleta sintaticamente:
“Quem sabe um dia...”
2 – Para indicar hesitação ou dúvida:
“Então... tenho algumas suspeitas... mas prefiro não revelar ainda.”
3 – Para concluir uma frase gramaticalmente inacabada com o objetivo de prolongar o raciocínio:
“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília -
José de Alencar).
4 – Suprimem palavras em uma transcrição:
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner).

Ponto de Interrogação
1 – Para perguntas diretas:
“Quando você pode comparecer?”
2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para destacar o enunciado:
“Não brinca, é sério?!”

Ponto de Exclamação
1 – Após interjeição:
“Nossa, Que legal!”
2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva
“Infelizmente!”
3 – Após vocativo
“Ana, boa tarde!”
4 – Para fechar de frases imperativas:
“Entre já!”

Parênteses
Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases intercaladas de valor explicativo, podendo subs-
tituir o travessão ou a vírgula:
“Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como sempre) quem seria promovido.”

Travessão
1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto:
“O rapaz perguntou ao padre:
— Amar demais é pecado?”
2 – Para indicar mudança do interlocutor nos diálogos:
“— Vou partir em breve.  
— Vá com Deus!”

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3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários:
“Esse ônibus tem destino à cidade de São Paulo — SP.”
4 – Para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas:
“Michael Jackson — o retorno rei do pop — era imbatível.”   

Aspas
1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta, como termos populares, gírias, neologis-
mos, estrangeirismos, arcaísmos, palavrões, e neologismos.  
“Na juventude, ‘azarava’ todas as meninas bonitas.”

“A reunião será feita ‘online’.”


2 – Para indicar uma citação direta:
“A índole natural da ciência é a longanimidade.” (Machado de Assis)

Tipos de discurso

No estudo para concursos, compreender os diferentes tipos de discurso é essencial para a interpretação de
textos e para a produção de redações coerentes. Os tipos de discurso mais comuns são o direto, o indireto e o
indireto livre.

Discurso direto
É a fala da personagem reproduzida fielmente pelo narrador, ou seja, reproduzida nos termos em que foi
expressa.
— Bonito papel! Quase três da madrugada e os senhores completamente bêbados, não é?
Foi aí que um dos bêbados pediu:
— Sem bronca, minha senhora. Veja logo qual de nós quatro é o seu marido que os outros querem ir para
casa.
(Stanislaw Ponte Preta)
Observe que, no exemplo dado, a fala da personagem é introduzida por um travessão, que deve estar
alinhado dentro do parágrafo.
O narrador, ao reproduzir diretamente a fala das personagens, conserva características do linguajar de cada
uma, como termos de gíria, vícios de linguagem, palavrões, expressões regionais ou cacoetes pessoais.
O discurso direto geralmente apresenta verbos de elocução (ou declarativos ou dicendi) que indicam quem
está emitindo a mensagem.
Os verbos declarativos ou de elocução mais comuns são:

acrescentar dizer interromper reclamar


afirmar Esclarecer intervir repetir
concordar gritar mandar replicar
consentir exclamar Ordenar responder
contestar gritar perguntar retrucar
declamar indagar prosseguir solicitar
explicar insistir protestar pedir

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Os verbos declarativos podem, além de introduzir a fala, indicar atitudes, estados interiores ou situações
emocionais das personagens como, por exemplo, os verbos protestar, gritar, ordenar e outros. Esse efeito pode
ser também obtido com o uso de adjetivos ou advérbios aliados aos verbos de elocução: falou calmamente,
gritou histérica, respondeu irritada, explicou docemente.
Exemplo:
— O amor, prosseguiu sonhadora, é a grande realização de nossas vidas.
Ao utilizar o discurso direto – diálogos (com ou sem travessão) entre as personagens –, você deve optar
por um dos três estilos a seguir:
Estilo 1:
João perguntou:
— Que tal o carro?
Estilo 2:
João perguntou: “Que tal o carro?” (As aspas são optativas)
Antônio respondeu: “horroroso” (As aspas são optativas)
Estilo 3:
Verbos de elocução no meio da fala:
— Estou vendo, disse efusivamente João, que você adorou o carro.
— Você, retrucou Antônio, está completamente enganado.

Verbos de elocução no fim da fala:


— Estou vendo que você adorou o carro — disse efusivamente João.
— Você está completamente enganado — retrucou Antônio.
Os trechos que apresentam verbos de elocução podem vir com travessões ou com vírgulas. Observe os
seguintes exemplos:
— Não posso, disse ela daí a alguns instantes, não deixo meu filho. (Machado de Assis)
— Não vá sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria, disse ele, escarrachando-se diante de mim.
(Machado de Assis)
— Vale cinquenta, ponderei; Sabina sabe que custou cinquenta e oito. (Machado de Assis)
— Ainda não, respondi secamente. (Machado de Assis)
Verbos de elocução depois de orações interrogativas e exclamativas:
— Nunca me viu? perguntou Virgília vendo que a encarava com insistência. (Machado de Assis)
— Para quê? interrompeu Sabina. (Machado de Assis)
— Isso nunca; não faço esmolas! disse ele. (Machado de Assis)
Observe que os verbos de elocução aparecem em letras minúsculas depois dos pontos de exclamação e
interrogação.

Discurso indireto
No discurso indireto, o narrador exprime indiretamente a fala da personagem. O narrador funciona como
testemunha auditiva e passa para o leitor o que ouviu da personagem. Na transcrição, o verbo aparece na terceira
pessoa, sendo imprescindível a presença de verbos dicendi (dizer, responder, retrucar, replicar, perguntar,
pedir, exclamar, contestar, concordar, ordenar, gritar, indagar, declamar, afirmar, mandar etc.), seguidos dos
conectivos que (dicendi afirmativo) ou se (dicendi interrogativo) para introduzir a fala da personagem na voz do
narrador.

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A certo ponto da conversação, Glória me disse que desejava muito conhecer Carlota e perguntou por que
não a levei comigo.
(Ciro dos Anjos)
Fui ter com ela, e perguntei se a mãe havia dito alguma coisa; respondeu-me que não.
(Machado de Assis)

Discurso indireto livre


Resultante da mistura dos discursos direto e indireto, existe uma terceira modalidade de técnica narrativa,
o chamado discurso indireto livre, processo de grande efeito estilístico. Por meio dele, o narrador pode, não
apenas reproduzir indiretamente falas das personagens, mas também o que elas não falam, mas pensam,
sonham, desejam etc. Neste caso, discurso indireto livre corresponde ao monólogo interior das personagens,
mas expresso pelo narrador.
As orações do discurso indireto livre são, em regra, independentes, sem verbos dicendi, sem pontuação que
marque a passagem da fala do narrador para a da personagem, mas com transposições do tempo do verbo
(pretérito imperfeito) e dos pronomes (terceira pessoa). O foco narrativo deve ser de terceira pessoa. Esse
discurso é muito empregado na narrativa moderna, pela fluência e ritmo que confere ao texto.
Fabiano ouviu o relatório desconexo do bêbado, caiu numa indecisão dolorosa. Ele também dizia palavras
sem sentido, conversa à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era bruto, sim senhor,
nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Então mete- se um homem
na cadeia por que ele não sabe falar direito?
(Graciliano Ramos)
Observe que se o trecho “Era bruto, sim” estivesse um discurso direto, apresentaria a seguinte formulação:
Sou bruto, sim; em discurso indireto: Ele admitiu que era bruto; em discurso indireto livre: Era bruto, sim.
Para produzir discurso indireto livre que exprima o mundo interior da personagem (seus pensamentos,
desejos, sonhos, fantasias etc.), o narrador precisa ser onisciente. Observe que os pensamentos da personagem
aparecem, no trecho transcrito, principalmente nas orações interrogativas, entremeadas com o discurso do
narrador.

Transposição de discurso
Na narração, para reconstituir a fala da personagem, utiliza-se a estrutura de um discurso direto ou de um
discurso indireto. O domínio dessas estruturas é importante tanto para se empregar corretamente os tipos de
discurso na redação.
Os sinais de pontuação (aspas, travessão, dois-pontos) e outros recursos como grifo ou itálico, presentes no
discurso direto, não aparecem no discurso indireto, a não ser que se queira insistir na atribuição do enunciado
à personagem, não ao narrador. Tal insistência, porém, é desnecessária e excessiva, pois, se o texto for bem
construído, a identificação do discurso indireto livre não oferece dificuldade.

Discurso direto
– Presente
A enfermeira afirmou:
– É uma menina.
– Pretérito perfeito
– Já esperei demais, retrucou com indignação.
– Futuro do presente
Pedrinho gritou:
– Não sairei do carro.

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– Imperativo
Olhou-a e disse secamente:
– Deixe-me em paz.
Outras alterações
– Primeira ou segunda pessoa
Maria disse:
– Não quero sair com Roberto hoje.
– Vocativo
– Você quer café, João?, perguntou a prima.
– Objeto indireto na oração principal
A prima perguntou a João se ele queria café.
– Forma interrogativa ou imperativa
Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa:
– E o amarelo?
– Advérbios de lugar e de tempo aqui; daqui; agora; hoje; ontem; amanhã.
– Pronomes demonstrativos e possessivos
essa(s), esta(s); esse(s), este(s); isso, isto; meu, minha; teu, tua ; nosso, nossa

Discurso Indireto
– Pretérito imperfeito
A enfermeira afirmou que era uma menina.
– Futuro do pretérito
Pedrinho gritou que não sairia do carro.
– Pretérito mais-que-perfeito
Retrucou com indignação que já esperara (ou tinha esperado) demais.
– Pretérito imperfeito do subjuntivo
Olhou-a e disse secamente que o deixasse em paz.
Outras alterações
– Terceira pessoa
Maria disse que não queria sair com Roberto naquele dia.
– Objeto indireto na oração principal
A prima perguntou a João se ele queria café.
– Forma declarativa
Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa pelo amarelo.
– Pronomes, advérbios e expressões temporais que podem ser encontrados em narrativas que utilizam o
discurso indireto:

dali, de lá
naquele momento
naquele dia

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no dia anterior, na véspera
no dia seguinte
aquela(s)
aquele(s)
aquilo
seu, sua (dele, dela)
seu, sua (dele, dela)
seu, sua (deles, delas)

Registros de linguagem

Definição de Linguagem
A linguagem compreende qualquer sistema organizado para comunicar ideias ou sentimentos através
de signos convencionais, sejam eles sonoros, gráficos, gestuais, etc. A linguagem, individual e flexível,
varia conforme a idade, cultura, posição social, profissão, etc. A maneira como articulamos as palavras e as
organizamos na frase ou no texto determina nossa linguagem, nosso estilo – uma forma única de expressão
pessoal.
As inovações linguísticas, originadas pelo falante, ao longo do tempo, provocam mudanças na estrutura da
língua. No entanto, a língua absorve essas mudanças de maneira gradual, somente após serem aceitas por
todo o grupo social. Muitas novidades linguísticas, criadas pelo uso, não perduram na língua e acabam caindo
em desuso.

Língua Escrita e Língua Falada


A língua escrita não é meramente uma reprodução gráfica da língua falada, uma vez que os sinais gráficos
não conseguem capturar diversos elementos da fala, como o timbre da voz, a entonação, gestos e expressões
faciais. Na realidade, a língua falada é mais descontraída, espontânea e informal, manifestando-se na conversa
diária, na sensibilidade e na liberdade de expressão do falante. Nessas situações informais, muitas regras
determinadas pela língua padrão são quebradas em prol da naturalidade, liberdade de expressão e sensibilidade
estilística do falante.

Linguagem Popular e Linguagem Culta


Tanto a linguagem popular quanto a linguagem culta podem ser empregadas. A linguagem popular,
evidentemente, é mais utilizada na fala, nas expressões orais cotidianas. Contudo, ela pode estar presente em
poesias (como no Movimento Modernista Brasileiro, que procurou valorizá-la), contos, crônicas e romances em
que o diálogo representa a língua falada.

Linguagem Popular ou Coloquial


Utilizada espontânea e fluentemente pelo povo, a linguagem popular mostra-se quase sempre rebelde à
norma gramatical e está carregada de vícios de linguagem (solecismos – erros de regência e concordância;
barbarismos – erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia; pleonasmo), expressões vulgares,
gírias e preferência pela coordenação, ressaltando o caráter oral e popular da língua. Presente em conversas
familiares, entre amigos, anedotas, transmissões esportivas, programas de TV e auditório, novelas, expressões
emocionais, etc.

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Linguagem Culta ou Padrão
A linguagem culta é aquela ensinada nas escolas e serve como veículo para as ciências, apresentando
terminologia especializada. É utilizada por pessoas instruídas de diferentes classes sociais e caracteriza-se
pela obediência às normas gramaticais. Mais comumente empregada na linguagem escrita e literária, reflete
prestígio social e cultural. É mais artificial, estável e menos sujeita a variações, marcando presença em aulas,
conferências, sermões, discursos políticos, comunicações científicas, noticiários de TV, programas culturais,
etc.

Gíria
A gíria está associada ao cotidiano de certos grupos sociais, sendo uma ferramenta de resistência contra
as classes dominantes. Esses grupos utilizam a gíria como meio de expressão cotidiana, permitindo que as
mensagens sejam decodificadas apenas por eles mesmos.
Assim, a gíria é originada por determinados grupos, que disseminam o vocabulário para outros segmentos
até alcançar os meios de comunicação de massa, como televisão e rádio, os quais difundem novos termos e, por
vezes, criam alguns. A gíria pode ser absorvida pela língua oficial, manter-se no léxico de grupos restritos ou cair
em desuso, exemplificado por expressões como “chutar o pau da barraca”, “viajar na maionese”, “galera”, “mina”
e “tipo assim”.

Linguagem Popular
Existe uma linguagem popular associada àqueles que têm pouco ou nenhum contato com centros
urbanizados. Na linguagem popular, surgem estruturas como “nóis vai, lá”, “eu di um beijo” e “Ponhei sal na
comida”.

Linguagem Regional
Regionalismos representam variações geográficas na utilização da língua padrão, envolvendo construções
gramaticais e o emprego de determinadas palavras e expressões. No Brasil, destacam-se falares amazônico,
nordestino, baiano, fluminense, mineiro e sulino.
Os níveis de linguagem e fala são determinados pelos seguintes fatores:

O Interlocutor:
Os interlocutores (emissor e receptor) são parceiros na comunicação, sendo um dos fatores cruciais para
a adequação linguística. O objetivo é buscar entendimento entre eles, tornando fundamental considerar o
interlocutor. Por exemplo, um professor não deve utilizar a mesma linguagem com um aluno na faculdade e
na alfabetização, sendo essencial escolher a linguagem pensando em quem será o parceiro na comunicação.

Ambiente:
A linguagem é definida pelo ambiente, portanto, é crucial prestar atenção para evitar inadequações. Não é
possível usar o mesmo tipo de linguagem entre amigos e em um ambiente corporativo, em um velório e em um
campo de futebol, ou na igreja e em uma festa.

Assunto:
Similar à escolha da linguagem, está a escolha do assunto. É necessário adequar a linguagem ao tema,
utilizando bom senso na seleção da linguagem de acordo com o assunto.

Relação Falante-Ouvinte:
A presença ou ausência de intimidade entre os interlocutores é outro fator usado para a adequação linguística.
Portanto, ao solicitar informações a um estranho, é apropriado utilizar uma linguagem mais formal, enquanto ao
parabenizar um amigo, a informalidade é mais adequada.

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Intencionalidade (Efeito Pretendido):
Nenhum texto (oral ou escrito) é despretensioso; todos têm objetivos e intenções. Para cada intenção, existe
uma forma de linguagem compatível. Declarações de amor são feitas de maneira diferente de uma solicitação
de emprego, e é essencial considerar essas distinções.

Funções da linguagem

Funções da linguagem são recursos da comunicação que, de acordo com o objetivo do emissor, dão ênfase
à mensagem transmitida, em função do contexto em que o ato comunicativo ocorre.
São seis as funções da linguagem, que se encontram diretamente relacionadas com os elementos da co-
municação.

Funções da Linguagem Elementos da Comunicação


Função referencial ou denotativa contexto
Função emotiva ou expressiva emissor
Função apelativa ou conativa receptor
Função poética mensagem
Função fática canal
Função metalinguística código

Função Referencial
A função referencial tem como objetivo principal informar, referenciar algo. Esse tipo de texto, que é voltado
para o contexto da comunicação, é escrito na terceira pessoa do singular ou do plural, o que enfatiza sua im-
pessoalidade.
Para exemplificar a linguagem referencial, podemos citar os materiais didáticos, textos jornalísticos e cientí-
ficos. Todos eles, por meio de uma linguagem denotativa, informam a respeito de algo, sem envolver aspectos
subjetivos ou emotivos à linguagem.
Exemplo de uma notícia:
O resultado do terceiro levantamento feito pela Aliança Global para Atividade Física de Crianças — enti-
dade internacional dedicada ao estímulo da adoção de hábitos saudáveis pelos jovens — foi decepcionante.
Realizado em 49 países de seis continentes com o objetivo de aferir o quanto crianças e adolescentes estão
fazendo exercícios físicos, o estudo mostrou que elas estão muito sedentárias. Em 75% das nações participan-
tes, o nível de atividade física praticado por essa faixa etária está muito abaixo do recomendado para garantir
um crescimento saudável e um envelhecimento de qualidade — com bom condicionamento físico, músculos e
esqueletos fortes e funções cognitivas preservadas. De “A” a “F”, a maioria dos países tirou nota “D”.

Função Emotiva
Caracterizada pela subjetividade com o objetivo de emocionar. É centrada no emissor, ou seja, quem envia
a mensagem. A mensagem não precisa ser clara ou de fácil entendimento.
Por meio do tipo de linguagem que usamos, do tom de voz que empregamos, etc., transmitimos uma ima-
gem nossa, não raro inconscientemente.
Emprega-se a expressão função emotiva para designar a utilização da linguagem para a manifestação do
enunciador, isto é, daquele que fala.
Exemplo: Nós te amamos!

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Função Conativa
A função conativa ou apelativa é caracterizada por uma linguagem persuasiva com a finalidade de conven-
cer o leitor. Por isso, o grande foco é no receptor da mensagem.
Trata-se de uma função muito utilizada nas propagandas, publicidades e discursos políticos, a fim de in-
fluenciar o receptor por meio da mensagem transmitida.
Esse tipo de texto costuma se apresentar na segunda ou na terceira pessoa com a presença de verbos no
imperativo e o uso do vocativo.
Não se interfere no comportamento das pessoas apenas com a ordem, o pedido, a súplica. Há textos que
nos influenciam de maneira bastante sutil, com tentações e seduções, como os anúncios publicitários que nos
dizem como seremos bem-sucedidos, atraentes e charmosos se usarmos determinadas marcas, se consumir-
mos certos produtos.
Com essa função, a linguagem modela tanto bons cidadãos, que colocam o respeito ao outro acima de tudo,
quanto espertalhões, que só pensam em levar vantagem, e indivíduos atemorizados, que se deixam conduzir
sem questionar.
Exemplos: Só amanhã, não perca!
Vote em mim!

Função Poética
Esta função é característica das obras literárias que possui como marca a utilização do sentido conotativo
das palavras.
Nela, o emissor preocupa-se de que maneira a mensagem será transmitida por meio da escolha das pala-
vras, das expressões, das figuras de linguagem. Por isso, aqui o principal elemento comunicativo é a mensa-
gem.
A função poética não pertence somente aos textos literários. Podemos encontrar a função poética também
na publicidade ou nas expressões cotidianas em que há o uso frequente de metáforas (provérbios, anedotas,
trocadilhos, músicas).
Exemplo:
“Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...”
(Cecília Meireles)

Função Fática
A função fática tem como principal objetivo estabelecer um canal de comunicação entre o emissor e o re-
ceptor, quer para iniciar a transmissão da mensagem, quer para assegurar a sua continuação. A ênfase dada
ao canal comunicativo.
Esse tipo de função é muito utilizado nos diálogos, por exemplo, nas expressões de cumprimento, sauda-
ções, discursos ao telefone, etc.
Exemplo:
-- Calor, não é!?
-- Sim! Li na previsão que iria chover.
-- Pois é...

35
Função Metalinguística
É caracterizada pelo uso da metalinguagem, ou seja, a linguagem que se refere a ela mesma. Dessa forma,
o emissor explica um código utilizando o próprio código.
Nessa categoria, os textos metalinguísticos que merecem destaque são as gramáticas e os dicionários.
Um texto que descreva sobre a linguagem textual ou um documentário cinematográfico que fala sobre a
linguagem do cinema são alguns exemplos.
Exemplo:
Amizade s.f.: 1. sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades. “sentia-se feliz
com a amizade do seu mestre”
2. POR METONÍMIA: quem é amigo, companheiro, camarada. “é uma de suas amizades fiéis”

Elementos dos atos de comunicação

Dentro do processo de comunicação existem alguns fatores que são imprescindíveis de serem citados como
elementos da comunicação, que são:
Emissor: é a pessoa, ou qualquer ser capaz de produzir e transmitir uma mensagem.
Receptor: é a pessoa, ou qualquer ser capaz de receber e interpretar essa mensagem transmitida.
Codificar: é transformar, num código conhecido, a intenção da comunicação ou elaborar um sistema de
signos, ou seja, é interpretar a mensagem transmitida para a sua correta compreensão.
Descodificar: Decifrar a mensagem, operação que depende do repertório (conjunto estruturado de infor-
mação) de cada pessoa.
Mensagem: trata-se do conteúdo que será transmitido, as informações que serão transmitidas ao receptor,
ou seja, é qualquer coisa que o emissor envie com a finalidade de passar informações.
Código: é o modo como a mensagem é transmitida (escrita, fala, gestos, etc.)
Canal: é a fonte de transmissão da mensagem, ou o meio de comunicação utilizado (revista, livro, jornal,
rádio, TV, ar, etc.)
Contexto: é a situação que estão envolvidos o emissor e receptor.
Ruído: são os elementos que interferem na compreensão da mensagem que está sendo transmitida, po-
dem ser ocasionados pelo ambiente interno ou externo. Podem ser tanto os barulhos de uma maneira geral,
uma palavra escrita incorretamente, uma dor de cabeça por parte do emissor como do receptor, uma distração,
um problema pessoal, gírias, neologismos, estrangeirismos, etc., podem interferir no perfeito entendimento da
comunicação.
Linguagem verbal: as dificuldades de comunicação ocorrem quando as palavras têm graus distintos de
abstração e variedade de sentido. O significado das palavras não está nelas mesmas, mas nas pessoas (no
repertório de cada um e que lhe permite decifrar e interpretar as palavras).
Linguagem não-verbal: as pessoas não se comunicam apenas por palavras, os movimentos faciais e
corporais, os gestos, os olhares, e a entonação são também importantes (são os elementos não verbais da
comunicação).
Retroalimentação ou Feedback: é o processo onde ocorre a confirmação do entendimento ou compreen-
são do que foi transmitido na comunicação.

36
Macromodelo do Processo de Comunicação

FONTE: KOTLER E KELLER, 2012.


Em resumo, a comunicação é um processo pelo qual a informação é codificada e transmitida por um emis-
sor a um receptor por meio de um canal, ela é, portanto, um processo pelo qual nós atribuímos e transmitimos
significado a uma tentativa de criar entendimento compartilhado.

Estrutura e formação de palavras

As palavras podem ser subdivididas em estruturas significativas menores - os morfemas, também chamados
de elementos mórficos:
– radical e raiz;
– vogal temática;
– tema;
– desinências;
– afixos;
– vogais e consoantes de ligação.
Radical: Elemento que contém a base de significação do vocábulo.
Exemplos
VENDer, PARTir, ALUNo, MAR.
Desinências: Elementos que indicam as flexões dos vocábulos.
Dividem-se em:
Nominais
Indicam flexões de gênero e número nos substantivos.
Exemplos
pequenO, pequenA, alunO, aluna.
pequenoS, pequenaS, alunoS, alunas.

37
Verbais
Indicam flexões de modo, tempo, pessoa e número nos verbos
Exemplos
vendêSSEmos, entregáRAmos. (modo e tempo)
vendesteS, entregásseIS. (pessoa e número)
Indica, nos verbos, a conjugação a que pertencem.
Exemplos
1ª conjugação: – A – cantAr
2ª conjugação: – E – fazEr
3ª conjugação: – I – sumIr

Observação
Nos substantivos ocorre vogal temática quando ela não indica oposição masculino/feminino.
Exemplos
livrO, dentE, paletó.
Tema: União do radical e a vogal temática.
Exemplos
CANTAr, CORREr, CONSUMIr.
Vogal e consoante de ligação: São os elementos que se interpõem aos vocábulos por necessidade de
eufonia.
Exemplos
chaLeira, cafeZal.

Afixos
Os afixos são elementos que se acrescentam antes ou depois do radical de uma palavra para a formação
de outra palavra. Dividem-se em:
Prefixo: Partícula que se coloca antes do radical.
Exemplos
DISpor, EMpobrecer, DESorganizar.
Visão geral: a formação de palavras que integram o léxico da língua baseia-se em dois principais processos
morfológicos (combinação de morfemas): a derivação e a composição.
Derivação: é a formação de uma nova palavra (palavra derivada) com base em uma outra que já existe na
língua (palavra primitiva ou radical).
1 – Prefixal por prefixação: um prefixo ou mais são adicionados à palavra primitiva.

PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA PALAVRA DERIVADA


inf fiel infiel
sobre carga sobrecarga

38
2 – Sufixal ou por sufixação: é a adição de sufixo à palavra primitiva.

PALAVRA PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA


gol leiro goleiro
feliz mente felizmente

3 – Prefixal e sufixal: nesse tipo, a presença do prefixo ou do sufixo à palavra primitiva já é o suficiente para
formação de uma nova palavra.

PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA


inf feliz – Infeliz
– feliz mente Felizmente
des igual – desigual
– igual dade igualdade

4 – Parassintética: também consiste na adição de prefixo e sufixo à palavra primitiva, porém, diferentemen-
te do tipo anterior, para existência da nova palavra, ambos os acréscimos são obrigatórios. Esse processo parte
de substantivos e adjetivos para originar um verbo.

PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA


em pobre cer empobrecer
em trist ecer estristecer

5 – Regressiva: é a remoção da parte final de uma palavra primitiva para, dessa forma, obter uma palavra
derivada. Esse origina substantivos a partir de formas verbais que expressam uma ação. Essas novas palavras
recebem o nome de deverbais. Tal composição ocorre a partir da substituição da terminação verbal formada
pela vogal temática + desinência de infinitivo (“–ar” ou “–er”) por uma das vogais temáticas nominais (-a, -e,-o).”

VERBO RADICAL DESINÊNCIA VOGAL TEMÁTICA SUBSTANTIVO


debater debat er e debate
sustentar sustent ar o sustento
vender vend er a venda

6 – Imprópria (ou conversão): é o processo que resulta na mudança da classe gramatical de uma palavra
primitiva, mas não modifica sua forma. Exemplo: a palavra jantar pode ser um verbo na frase “Convidaram-me
para jantar”, mas também pode ser um substantivo na frase “O jantar estava maravilhoso”.
Composição: é o processo de formação de palavra a partir da junção de dois ou mais radicais. A composi-
ção pode se realizar por justaposição ou por aglutinação.   
– Justaposição: na junção, não há modificação dos radicais. Exemplo: passa + tempo - passatempo; gira
+ sol = girassol.  
– Aglutinação: existe alteração dos radicais na sua junção. Exemplo: em + boa + hora = embora; desta +
arte = destarte.

39
Formas de abreviação

Abreviatura
Existem algumas regras para abreviar as palavras, porém a maioria das abreviaturas que ganham o gosto do
público são aquelas que, mesmo sem seguir as regras preditas pela gramática, são usuais, práticas. Vejamos
algumas regras para se fazer uma abreviatura da maneira correta (prevista na gramática).

– Quando usar:
Quando há necessidade de redução de espaço em títulos, legendas, tabelas, gráficos, infográficos,
creditagem de TV e crawl. Mesmo assim, é necessário ter cuidado para que o uso de abreviaturas não prejudique
a compreensão.
– Regra Geral: primeira sílaba da palavra + a primeira letra da sílaba seguinte + ponto abreviativo. Exemplos:
adj. (adjetivo), num. (numeral).

Outras Regras:
As abreviaturas devem ser acentuadas quando o acento gráfico ocorrer antes do ponto abreviativo.
Exemplos:
Técnicas -> téc.
Páginas -> pág.
Século -> séc.
Nunca se deve cortar a palavra numa vogal, sempre na consoante. Caso a primeira letra da segunda sílaba
seja vogal, escreve-se até a consoante.
No entanto, Se a palavra tiver acento na primeira sílaba, ele é conservado.
Exemplo:
núm. (número)
lóg. (lógica)
Caso a segunda sílaba se inicie por duas consoantes, utiliza-se as duas na abreviatura.
Constr. (construção)
Secr. (secretário)
O ponto abreviativo também serve como ponto final, sendo assim, se a abreviatura estiver no final da frase,
não há necessidade de se utilizar outro ponto.
Ex: Comprei frutas, verduras, legumes, etc.
Alguns gramáticos não admitem que as flexões sejam marcadas na abreviatura.
Exemplo:
Profª (professora)
Págs. (páginas)
Algumas palavras, mesmo não seguindo as regras descritas acima, são aceitas pela gramática normativa,
é o caso de:
a.C. ou A.C. (antes de Cristo);
ap. ou apto. (apartamento);

40
bel. (bacharel);
cel. (coronel);
Cia. (Companhia);
cx. (caixa);
D. (Dom, Dona);
Ilmo. (Ilustríssimo);
Ltda. (Limitada);
p. ou pág. (página) e pp. Págs. (páginas);
pg. (pago);
vv. (versos, versículos).
Mesmo sabendo que estas siglas são permitidas e reconhecidas pela gramática, ao escrevermos textos
oficiais, artigos, trabalhos, redações, não devemos utilizá-las abusivamente, pois acabará atrapalhando a
clareza da comunicação. Em textos informais, no entanto, não há nenhuma restrição, a abreviatura pode ser
utilizada quando quisermos.

Símbolos
O desenvolvimento científico e tecnológico exigiu medições cada vez mais precisas e diversificadas. Por
essa razão, o Sistema Métrico Decimal acabou sendo substituído pelo Sistema Internacional de Unidades - SI,
adotado também no Brasil a partir de 1962.
As unidades SI podem ser escritas por seus nomes ou representadas por meio de SÍMBOLOS, um sinal
convencional e invariável utilizado para facilitar e universalizar a escrita e a leitura das unidades SI.
Lembre-se de que os símbolos que representam as unidades SI não são abreviaturas; por isso mesmo não
são seguidos de ponto, não têm plural nem podem ser grafados como expoentes.

Abreviaturas e símbolos mais usados

Abreviação Significado Como usar


Usa-se com ponto.
etc. Etcetera A vírgula antes é facultativa

kilobyte
KB gigabyte
GB megabyte
MB

quilowatt
KW megawatt
MW gigawatt
GW
h hora
minuto Não têm ponto nem plural
min segundo
s

quilograma
kg Sem ponto, sem plural
litro
l

Hz hertz
KHz quilo-hertz
mega-hertz
MHz giga-hertz
GHz

41
milhão
mi Só são usadas para valores
bilhão
bi monetários.
trilhão
tri
m metro
km quilômetro

metro quadrado
m² quilômetro quadrado
km²
Ltda. limitada
jan., fev.
mar., abr. Com todas as letras em
mai., jun. caixa alta, use sem ponto:
jul., ago. JAN, FEV, OUT
set., out.
nov., dez.
Mantém-se o acento
pág. página Plural: págs.
S.A. sociedade anônima Plural: [Link].
Tevê também pode ser usado.
TV Para emissoras, use apenas TV.
Não use tv ou Tv

Sigla
As siglas são a junção das letras iniciais de um termo composto por mais de uma palavra:
Exemplo:
P.S. (pós escrito = escrito depois);
S.A. (Sociedade Anônima);
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Se a sigla tiver até três letras, ou se todas as letras forem pronunciadas individualmente, todas ficam
maiúsculas.
Exemplo:
MEC, USP, PM, INSS.
Porém, se a sigla tiver a partir de quatro letras, e nem todas forem pronunciadas separadamente, apenas a
primeira letra será maiúscula, e as demais minúsculas:
Embrapa, Detran, Unesco.

Classes de palavras; os aspectos morfológicos, sintáticos, semânticos e textuais de


substantivos, adjetivos, artigos, numerais, pronomes, verbos, advérbios, conjunções e
interjeições

Classes gramaticais são grupos de palavras que organizam o estudo da gramática. Isto é, cada palavra
existente na língua portuguesa condiz com uma classe gramatical, na qual ela é inserida em razão de sua fun-
ção. Confira abaixo as diversas funcionalidades de cada classe gramatical.

42
▸Artigo
É a classe gramatical que, em geral, precede um substantivo, podendo flexionar em número e em gênero.

A classificação dos artigos:


▪ Artigos definidos: especificam um substantivo ou referem-se a um ser específico, que pode ter sido men-
cionado anteriormente ou ser conhecido mutuamente pelos interlocutores. Eles podem flexionar em número
(singular e plural) e gênero (masculino e feminino).
▪ Artigos indefinidos: indicam uma generalização ou ocorrência inicial do representante de uma dada
espécie, cujo conhecimento não é compartilhado entre os interlocutores, por se tratar da primeira vez em que
aparece no discurso. Podem variar em número e gênero.
Observe:

NÚMERO/GÊNERO MASCULINO FEMININO EXEMPLOS


Preciso de um pedreiro.
Singular Um Uma Vi uma moça em frente à casa.
Localizei uns documentos antigos.
Plural Uns Umas Joguei fora umas coisas velhas.

Outras funções do artigo:


▪ Substantivação: é o processo de converter adjetivos e verbos em substantivos usando um artigo. Obser-
ve:
Em “O caminhar dela é muito elegante.”, “caminhar”, que teria valor de verbo, passou a ser o substantivo
do enunciado.
▪ Indicação de posse: antes de palavras que atribuem parentesco ou de partes do corpo, o artigo definido
pode exprimir relação de posse. Por exemplo:
“No momento em que ela chegou, o marido já a esperava.”

Na frase, o artigo definido “a” esclarece que se trata do marido do sujeito “ela”, omitindo o pronome posses-
sivo dela.
▪ Expressão de valor aproximado: devido à sua natureza de generalização, o artigo indefinido inserido
antes de numeral indica valor aproximado. Mais presente na linguagem coloquial, esse emprego dos artigos
indefinidos representa expressões como “por volta de” e “aproximadamente”. Observe:
“Faz em média uns dez anos que a vi pela última vez.”
“Acrescente aproximadamente umas três ou quatro gotas de baunilha.”

Contração de artigos com preposições:


Os artigos podem fazer junção a algumas preposições, criando uma única palavra contraída. A tabela abai-
xo ilustra como esse processo ocorre:

43
PREPOSIÇÃO
de em a per/por
singular o do no ao pelo
masculino
plural os dos nos aos pelos
ARTIGOS DEFINIDOS
singular a da na à pela
feminino
plural as das nas às pelas
singular um dum num
masculino
plural uns duns nuns
ARTIGOS INDEFINIDOS
singular uma duma numa
feminino
plural umas dumas numas

▸Substantivo
Essa classe atribui nome aos seres em geral (pessoas, animais, qualidades, sentimentos, seres mitológicos
e espirituais). Os substantivos se subdividem em:
▪ Próprios ou Comuns: são próprios os substantivos que nomeiam algo específico, como nomes de pes-
soas (Pedro, Paula, etc.) ou lugares (São Paulo, Brasil, etc.). São comuns aqueles que nomeiam algo de forma
geral (garoto, caneta, cachorro).
▪ Primitivos ou derivados: os substantivos derivados são formados a partir de palavras, por exemplo, car-
reta, carruagem, etc. Já os substantivos primitivos não se originam de outras palavras, no caso de flor, carro,
lápis, etc.
▪ Concretos ou abstratos: os substantivos que nomeiam seres reais ou imaginativos, são concretos (cava-
lo, unicórnio); os que nomeiam sentimentos, qualidades, ações ou estados são abstratos.
▪ Substantivos coletivos: são os que nomeiam os seres pertencentes ao mesmo grupo. Exemplos: mana-
da (rebanho de gado), constelação (aglomerado de estrelas), matilha (grupo de cães).

▸Adjetivo
É a classe de palavras que se associa ao substantivo, atribuindo-lhe caracterização conforme uma qualida-
de, um estado e uma natureza, bem como uma quantidade ou extensão à palavra, locução, oração, pronome,
enfim, ao que quer que seja nomeado.

Os tipos de adjetivos
▪ Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regular);
apresenta mais de um radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, amarelo-limão).
▪ Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adjetivos
originados de verbo, substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: substantivo: morte →
adjetivo: mortal; verbo: lamentar → adjetivo: lamentável).
▪ Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou origem de uma pessoa (paulista, brasileiro,
mineiro, latino).

O gênero dos adjetivos


▪ Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, isto é, não flexionam em gênero. Exemplo:
“Fred é um amigo leal.” / “Ana é uma amiga leal.”
▪ Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que variam conforme o gênero. Exemplo: “Me-
nino travesso.” / “Menina travessa”.

44
O número dos adjetivos:
Por concordarem com o número do substantivo a que se referem, os adjetivos podem estar no singular ou
no plural. Assim, a sua composição acompanha os substantivos. Exemplos: pessoa instruída → pessoas ins-
truídas; campo formoso → campos formosos.

O grau dos adjetivos:


Quanto ao grau, os adjetivos se classificam em comparativo (compara qualidades) e superlativo (intensi-
fica qualidades).
▪ Comparativo de igualdade: “O novo emprego é tão bom quanto o anterior.”
▪ Comparativo de superioridade: “Maria é mais prestativa do que Luciana.”
▪ Comparativo de inferioridade: “O gerente está menos atento do que a equipe.”
▪ Superlativo absoluto: refere-se a apenas um substantivo, podendo ser Analítico ou Sintético, como nos
exemplos a seguir:
“A modelo é extremamente bonita.” (Analítico) - a intensificação se dá pelo emprego de certos termos que
denotam ideia de acréscimo (muito, extremamente, excessivamente, etc.).
“Pedro é uma pessoa boníssima.” (Sintético) - acompanha um sufixo (íssimo, imo).
▪ Superlativo relativo: refere-se a um grupo, podendo ser de:
▪ Superioridade: “Ela é a professora mais querida da escola.”
▪ Inferioridade: “Ele era o menos disposto do grupo.”

Pronome adjetivo:
Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses pronomes alteram os substantivos aos quais
se referem. Assim, esse tipo de pronome flexiona em gênero e número para fazer concordância com os subs-
tantivos. Exemplos: “Esta professora é a mais querida da escola.” (o pronome adjetivo esta determina o subs-
tantivo comum professora).

Locução adjetiva:
Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, que, associadas, têm o valor de um único ad-
jetivo. Basicamente, consiste na união preposição + substantivo ou advérbio.
Exemplos:
▪ Criaturas da noite (criaturas noturnas).
▪ Paixão sem freio (paixão desenfreada).
▪ Associação de comércios (associação comercial).

▸ Verbo
É a classe de palavras que indica ação, ocorrência, desejo, fenômeno da natureza e estado. Os verbos se
subdividem em:
Verbos regulares: são os verbos que, ao serem conjugados, não têm seu radical modificado e preservam
a mesma desinência do verbo paradigma, isto é, terminado em “-ar” (primeira conjugação), “-er” (segunda con-
jugação) ou “-ir” (terceira conjugação). Observe o exemplo do verbo “nutrir”:
▪ Radical: nutr (a parte principal da palavra, onde reside seu significado).

45
▪ Desinência: “-ir”, no caso, pois é a terminação da palavra e, tratando-se dos verbos, indica pessoa (1a,
2 , 3a), número (singular ou plural), modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempo (pretérito, presente ou
a

futuro). Perceba que a conjugação desse no presente do indicativo: o radical não sofre quaisquer alterações,
tampouco a desinência. Portanto, o verbo nutrir é regular: Eu nutro; tu nutres; ele/ela nutre; nós nutrimos; vós
nutris; eles/elas nutrem.
▪ Verbos irregulares: os verbos irregulares, ao contrário dos regulares, têm seu radical modificado quando
conjugados e/ou têm desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma.
Exemplo: analise o verbo dizer conjugado no pretérito perfeito do indicativo: Eu disse; tu dissestes; ele/ela
disse; nós dissemos; vós dissestes; eles/elas disseram. Nesse caso, o verbo da segunda conjugação (-er) tem
seu radical, diz, alterado, além de apresentar duas desinências distintas do verbo paradigma”.
Se o verbo dizer fosse regular, sua conjugação no pretérito perfeito do indicativo seria: dizi, dizeste, dizeu,
dizemos, dizestes, dizeram.

▸Pronome
O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala),
a posse de um objeto e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os
pronomes podem suplantar o substantivo ou acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome
substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em: pessoais, possessivos, demonstrativos,
interrogativos, indefinidos e relativos.

Pronomes pessoais:
Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em prono-
mes do caso reto (desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como complemen-
to), sendo que, para cada caso reto, existe um correspondente oblíquo.

CASO RETO CASO OBLÍQUO


Eu Me, mim, comigo
Tu Te, ti, contigo
Ele Se, o, a , lhe, si, consigo
Nós Nos, conosco
Vós Vos, convosco
Eles Se, os, as, lhes, si, consigo

Observe os exemplos:

▪ Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria.
▪ Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o que?
O forno.
Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na nos, e nas desempenham apenas
a função de objeto direto.

46
Pronomes possessivos:
Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso.

PESSOA DO DISCURSO PRONOME


1 pessoa – Eu
a
Meu, minha, meus, minhas
2a pessoa – Tu Teu, tua, teus, tuas
3a pessoa – Ele/Ela Seu, sua, seus, suas

Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós).

Pronomes de tratamento:
Tratam-se de termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o
pronome você. Eles têm a função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de
comunicação).
São divididos conforme o nível de formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome de tratamento
específico. Apesar de expressarem interlocução (diálogo), à qual seria adequado o emprego do pronome na
segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos pronomes de tratamento, os verbos devem ser usados em 3a
pessoa.

PRONOME USO ABREVIAÇÕES


Você situações informais V./VV
Sr, Sr. (singular) e Srs.,
a
Senhor (es) e Senhora (s) pessoas mais velhas Sra.s. (plural)
Vossa Senhoria em correspondências e outros textos redigidos V. S.a / V. [Link]
Altas autoridades como Presidente da República,
Vossa Excelência V. Ex.a / V. [Link]
Senadores, Deputados e Embaixadores
Vossa Magnificência Reitores de Universidades V. Mag.a / V. [Link]
V. A (singular) e
Vossa Alteza Príncipes, princesas e duques V.V.A.A. (plural)
Vossa Reverendíssima Sacerdotes e religiosos em geral V. Rev.m.a / V. [Link]
V. Ema., V. Em.ª ou V.
Vossa Eminência Cardeais Em.a. / V. Emas., V.
[Link]
Vossa Santidade Papa V.S.

Pronomes demonstrativos
Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo, ao espaço e à pessoa do discurso –
nesse último caso, o pronome determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em
gênero e número.

PESSOA DO
PRONOMES POSIÇÃO
DISCURSO
Os seres ou objetos estão próximos da pessoa
1a pessoa Este, esta, estes, estas, isto. que fala.
Os seres ou objetos estão próximos da pessoa
2a pessoa Esse, essa, esses, essas, isso. com quem se fala.
Aquele, aquela, aqueles, aquelas,
3a pessoa De quem/ do que se fala.
aquilo.

47
Observe os exemplos:
“Esta caneta é sua?”
“Esse restaurante é bom e barato.”
Pronomes Indefinidos
Esses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do
discurso. Os pronomes indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis
(não flexionam). Analise os exemplos abaixo:
– Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefi-
nida ou não especificada.
– Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de
modo vago, pois não se sabe de qual convidado se trata.
– Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase
“criança”, sem especificá-lo.
– Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem
especificar de quais lojas se trata.
Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos:

CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INDEFINIDOS


Muito, pouco, algum, nenhum, outro, qualquer, certo, um, tanto, quan-
VARIÁVEIS to, bastante, vários, quantos, todo.
INVARIÁVEIS Nada, ninguém, cada, algo, alguém, quem, demais, outrem, tudo.

Pronomes relativos
Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, ou seja, para
prevenir a repetição indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o qual, cujo, quanto) ou
invariáveis (que, quem, onde).
Observe os exemplos:
– Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos
(“pessoas” e “história”) e se relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”).
– Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o
substantivo dito anteriormente (“problemas”).

CLASSIFICAÇÃO PRONOMES RELATIVOS


O qual, a qual, os quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quan-
VARIÁVEIS tos, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que, onde.

Pronomes interrogativos
Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e
indiretas. Exemplos:
“Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta)
“Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta)

48
CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INTERROGATIVOS
VARIÁVEIS Qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que.

— Advérbio
É a classe de palavras invariável que atua junto aos verbos, aos adjetivos e mesmo aos advérbios, com o
objetivo de modificar ou intensificar seu sentido, ao adicionar-lhes uma nova circunstância. De modo geral, os
advérbios exprimem circunstâncias de tempo, modo, vlugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, aprova-
ção, afirmação, negação, dúvida, entre outras noções. Confira na tabela:

CLASSIFICAÇÃO PRINCIPAIS TERMOS EXEMPLOS


Bem, mal, assim, melhor, pior, depressa,
ADVÉRBIO DE devagar. Grande parte das palavras que “Coloquei-o cuidadosamente no berço.”
MODO terminam em “-mente”, como cuidadosa- “Andou depressa por causa da chuva.”
mente, calmamente, tristemente.
“O carro está fora.”
ADVÉRBIO DE “Procurei pelas chaves aqui e acolá, mas elas
Perto, longe, dentro, fora, aqui, lá, atrás.
LUGAR estavam aqui, na gaveta”
“Demorou, mas chegou longe.”
ADVÉRBIO DE Antes, depois, hoje, ontem, amanhã, sem- “Sempre que precisar de algo, basta chamar-
TEMPO pre, nunca, cedo, tarde -me.” “Cedo ou tarde, far-se-á justiça.”
“Eles formam um casal tão bonito!”
ADVÉRBIO DE Muito, pouco, bastante, tão, demais,
tanto “Elas conversam demais!” “Você saiu muito
INTENSIDADE
depressa.”
Sim e decerto; palavras afirmativas com “Decerto passaram por aqui.”
ADVÉRBIO DE sufixo “-mente” (certamente, realmente).
“Claro que irei!”
AFIRMAÇÃO Palavras como claro e positivo podem ser
advérbio, dependendo do contexto “Entendi, sim.”
Não e nem; palavras como negativo,
ADVÉRBIO DE nenhum, nunca, jamais, entre outras, “Jamais reatarei meu namoro com ele.”
NEGAÇÃO podem ser advérbio de negação, depen- “Sequer pensou para falar.” “Não pediu ajuda.”
dendo do contexto.

ADVÉRBIO DE Talvez, quiçá, porventura, e palavras que “Quiçá seremos recebidas.” “Provavelmente,
expressem dúvida, acrescidas do sufixo “: sairei mais cedo.”
DÚVIDA -mente”, como possivelmente. “Talvez eu saia cedo.”
“Por que vendeu o livro?” (Oração interrogati-
Quando, como, onde, aonde, donde, por va direta, que indica causa)
ADVÉRBIO DE que; esse advérbio pode indicar circuns-
“Quando posso sair?” (oração interrogativa
tâncias de modo, tempo, lugar e causa; é
INTERROGAÇÃO direta que indica tempo)
usado somente em frases interrogativas
diretas ou indiretas. “Explica como você fez isso.”(oração interro-
gativa indireta, que indica modo.

49
▸ Conjunção
As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado
ou oração e, com isso, estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados.
Em função dessa relação entre os termos conectados, as conjunções podem ser classificadas, respectiva-
mente e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras palavras, as conjunções são um vín-
culo entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado uma maior clareza e precisão ao enunciado.
▪ Conjunções coordenativas: observe o exemplo:
“Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e cha-
maram o socorro.”
No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações
em um mesmo período: além de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há
relação de dependência entre ambas as sentenças, e que, para fazerem sentido, elas não têm necessidade
uma da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as relaciona, como coor-
denativa.
▪ Conjunções subordinativas: analise este segundo caso:
Não passei na prova, apesar de ter estudado muito.”
Neste caso, temos uma locução conjuntiva (duas palavras desempenham a função de conjunção). Além
disso, notamos que o sentido da segunda sentença é totalmente dependente da informação que é dada na
primeira. Assim, a primeira oração recebe o nome de oração principal, enquanto a segunda, de oração subor-
dinada. Logo, a conjunção que as relaciona é subordinativa.

Classificação das conjunções:


Além da classificação que se baseia no grau de dependência entre os termos conectados (coordenação e
subordinação), as conjunções possuem subdivisões.
▪ Conjunções coordenativas: essas conjunções se reclassificam em razão do sentido que possuem cinco
subclassificações, em função do sentido que estabelecem entre os elementos que ligam. São cinco:

CLASSIFICAÇÃO FUNÇÃO EXEMPLOS


Estabelecer relação de adição “No safári, vimos girafas,
Conjunções (positiva ou negativa). As principais conjun- leões e zebras”
coordenativas ções coordenativas aditivas são “e”, “nem” “Ela ainda chegou, nem sabemos
aditivas e “também”. quando vai chegar.”
“Havia flores no jardim, mas
Estabelecer relação de oposição.
Conjunções estavam murchando.”
As principais conjunções coordenativas
coordenativas “Era inteligente e bom com
adversativas são “mas”, “porém”, “contudo”,
adversativas palavras, entretanto, estava
“todavia”, “entretanto”. nervoso na prova.”
Estabelecer relação de alternância. “Pode ser que o resultado saia
Conjunções As principais conjunções coordenativas amanhã ou depois”
coordenativas alternativas são “ou”, “ou ... ou”, “ora ... ora”, “Ora queria viver ali para sempre,
alternativas “talvez ... talvez” ora queria mudar de país.”
Estabelecer relação de conclusão.
Conjunções “Não era bem remunerada, então
As principais conjunções coordenativas con-
coordenativas decidi trocar de emprego.”
clusivas são “portanto”, “então”,
conclusivas “Penso, logo existo.”
“assim”, “logo”
“Quisemos viajar porque não
Conjunções Estabelecer relação de explicação. conseguiríamos descansar aqui
coordenativas As principais conjunções coordenativas em casa”
explicativas explicativas são “porque”, “pois”, “porquanto” “Não trouxe o pedido, pois
não havia ouvido.”

50
– Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a
conjunção subordinativa pode ser de dois subtipos:
1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto
indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se. Exem-
plos:
«É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.”
“Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.”
2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância
adverbial relacionada à oração principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo:

CLASSIFICAÇÃO FUNÇÃO EXEMPLOS


São as empregadas para introduzir a Que e se.
oração que cumpre a função de sujeito, Analise: “É obrigatório que o senhor
Conjunções objeto direto, objeto indireto, compareça na data agendada.” e
integrantes predicativo, complemento nominal ou “Gostaria de saber se o resultado
aposto de outra oração. sairá ainda hoje.”
Conjunções Introduzem uma oração subordinada Porque, pois, por isso que, uma vez
subordinativas que denota causa. que, já que, visto que, que, porquanto.
causais
Introduzem uma oração subordinada
Conjunções em que se exprime a conformidade de Conforme, segundo, como,
subordinativas um pensamento com a da oração consoante.
conformativas principal.
Introduzem uma oração subordinada
Conjunções Se, caso, salvo se, desde que,
em que é indicada uma hipótese ou
subordinativas contanto que, dado que, a menos que,
uma condição necessária para que seja
condicionais a não ser que.
realizada ou não o fato principal.
Mais, menos, menor, maior, pior, me-
Conjunções lhor, seguidas de que ou do que. Qual
Introduzem uma oração que expressa
subordinativas depois de tal,. Quanto depois de
uma comparação,
comparativas tanto. Como, assim como, como se,
bem como, que nem.
Conjunções Indicam uma oração em que se admite Por mais que, por menos que, apesar
subordinativas um fato contrário à ação principal, mas de que, embora, conquanto, mesmo
concessivas incapaz de impedi-la. que, ainda que, se bem que.
Introduzem uma oração, cujos
Conjunções acontecimentos são simultâneos, A proporção que, ao passo que, à
subordinativas concomitantes, ou seja, ocorrem no medida que, à proporção que.
proporcionais mesmo espaço temporal daqueles
conditos na outra oração.
Depois que, até que, desde que, cada
Conjunções Introduzem uma oração subordinada vez que, todas as vezes que, antes
subordinativas indicadora de circunstância de tempo. que, sempre que, logo que, mal
temporais quando.
Tal, tão, tamanho, tanto
Conjunções Introduzem uma oração na qual é (em uma oração, seguida pelo que em
subordinativas indicada a consequência do que foi outra oração).
consecutivas declarado na oração anterior. De maneira que, de forma que, de
sorte que, de modo que.
Conjunções Introduzem uma oração indicando a
subordinativas A fim de que, para que.
finalidade da oração principal.
finais
▸Numeral

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É a classe de palavra variável que exprime um número determinado ou a colocação de alguma coisa dentro
de uma sequência. Os numerais podem ser: cardinais (um, dois, três), ordinais (primeiro, segundo, terceiro),
fracionários (meio, terço, quarto) e multiplicativos (dobro, triplo, quádruplo). Antes de nos aprofundarmos em
cada caso, vejamos o emprego dos numerais, que tem três principais finalidades:
▪ Indicar leis e decretos: nesses casos, emprega-se o numeral ordinal somente até o número nono; após,
devem ser utilizados os numerais cardinais. Exemplos: Parágrafo 9° (parágrafo nono); Parágrafo 10 (Parágrafo
10).
▪ Indicar os dias do mês: nessas situações, empregam-se os numerais cardinais, sendo que a única exce-
ção é a indicação do primeiro dia do mês, para a qual deve-se utilizar o numeral ordinal. Exemplos: dezesseis
de outubro; primeiro de agosto.
▪ Indicar capítulos, séculos, capítulos, reis e papas: após o substantivo emprega-se o numeral ordinal
até o décimo; após o décimo utiliza-se o numeral cardinal. Exemplos: capítulo X (décimo); século IV (quarto);
Henrique VIII (oitavo); Bento XVI (dezesseis).

Os tipos de numerais:
▪ Cardinais: são os números em sua forma fundamental e exprimem quantidades.
▪ Exemplos: um, dois, dezesseis, trinta, duzentos, mil.
Alguns deles flexionam em gênero (um/uma, dois/duas, quinhentos/quinhentas).
Alguns números cardinais variam em número, como é o caso: milhão/milhões, bilhão/bilhões, trilhão/tri-
lhões, e assim por diante.
A palavra ambos(as) é considerada um numeral cardinal, pois significa os dois/as duas. Exemplo: Antônio e
Pedro fizeram o teste, mas os dois/ambos foram reprovados.
▪ Ordinais: indicam ordem de uma sequência (primeiro, segundo, décimo, centésimo, milésimo…), isto é,
apresentam a ordem de sucessão e uma série, seja ela de seres, de coisas ou de objetos.
Os numerais ordinais variam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos:
primeiro/primeira, primeiros/primeiras, décimo/décimos, décima/décimas, trigésimo/trigésimos, trigésima/trigé-
simas.
Alguns numerais ordinais possuem o valor de adjetivo. Exemplo: A carne de segunda está na promoção.
▪ Fracionários: servem para indicar a proporções numéricas reduzidas, ou seja, para representar uma parte
de um todo. Exemplos: meio ou metade (½), um quarto (um quarto (¼), três quartos (¾), 1/12 avos.
Os números fracionários flexionam-se em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exem-
plos: meio copo de leite, meia colher de açúcar; dois quartos do salário-mínimo.
▪ Multiplicativos: esses numerais estabelecem relação entre um grupo, seja de coisas ou objetos ou coi-
sas, ao atribuir-lhes uma característica que determina o aumento por meio dos múltiplos. Exemplos: dobro,
triplo, undécuplo, doze vezes, cêntuplo.
Em geral, os multiplicativos são invariáveis, exceto quando atuam como adjetivo, pois, nesse caso, passam
a flexionar número e gênero (masculino e feminino). Exemplos: dose dupla de elogios, duplos sentidos.
▪ Coletivos: correspondem aos substantivos que exprimem quantidades precisas, como dezena (10 unida-
des) ou dúzia (12 unidades).
Os numerais coletivos sofrem a flexão de número: unidade/unidades, dúzia/dúzias, dezena/dezenas, cen-
tena/centenas.

▸Preposição
Essa classe de palavras cujo objetivo é marcar as relações gramaticais que outras classes (substantivos,
adjetivos, verbos e advérbios) exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas relações entre as unidades
linguísticas dentro do enunciado, as preposições não possuem significado próprio se isoladas no discurso.

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Em razão disso, as preposições são consideradas uma classe gramatical dependente, ou seja, sua função
gramatical (organização e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que gera significado e
sentido, possua valor menor.

Classificação das preposições:


▪ Preposições essenciais: são aquelas que só aparecem na língua propriamente como preposições, sem
outra função. São elas: a, antes, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por (ou per, em
dadas variantes geográficas ou históricas), sem, sob, sobre, trás.
▪ Exemplo 1: ”Luís gosta de viajar.” e “Prefiro doce de coco.” Em ambas as sentenças, a preposição de
manteve-se sempre sendo preposição, apesar de ter estabelecido relação entre unidades linguísticas diferen-
tes, garantindo-lhes classificações distintas conforme o contexto.
▪ Exemplo 2: “Estive com ele até o reboque chegar.” e “Finalizei o quadro com textura.” Perceba que nas
duas fases, a mesma preposição tem significados distintos: na segunda, indica recurso/instrumento; na primei-
ra, exprime companhia. Por isso, afirma-se que a preposição tem valor semântico, mesmo que secundário ao
valor estrutural (gramática).

Classificação das preposições:


▪ Preposições acidentais: são aquelas que, originalmente, não apresentam função de preposição, porém,
a depender do contexto, podem assumir essa atribuição. São elas: afora, como, conforme, durante, exceto,
feito, fora, mediante, salvo, segundo, visto, entre outras.
▪ Exemplo: ”Segundo o delegado, os depoimentos do suspeito apresentaram contradições.” A palavra “se-
gundo”, que, normalmente seria um numeral (primeiro, segundo, terceiro), ao ser inserida nesse contexto, pas-
sou a ser uma preposição acidental, pois tem o sentido de “de acordo com”, “em conformidade com”.

Locuções prepositivas:
Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e emprego de uma preposição. As principais locuções
prepositivas são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da preposição de, a ou com. Confira
algumas das principais locuções prepositivas.

abaixo de de acordo com junto a


acerca de debaixo de junto de
acima de de modo a não obstante
a fim de dentro de para com
à frente de diante de por debaixo de
antes de embaixo de por cima de
a respeito de em cima de por dentro de
atrás de em frente de por detrás de
através de em razão de quanto a
com a respeito a fora de sem embargo de

▸Interjeição
É a palavra invariável ou sintagma que compõe frases que manifestam, por parte do emissor do enunciado,
surpresa, hesitação, susto, emoção, apelo, ordem, etc. São as chamadas unidades autônomas, que usufruem
de independência em relação aos demais elementos do enunciado.
As interjeições podem ser empregadas também para exigir algo ou para chamar a atenção do interlocutor e
são unidades cuja forma pode sofrer variações como:

53
▪ Locuções interjetivas: são formadas por grupos e palavras que, associadas, assumem o valor de inter-
jeição. Exemplos: “Ai de mim!”, “Minha nossa!” Cruz credo!”.
▪ Palavras da língua: “Eita!” “Nossa!”
▪ Sons vocálicos: “Hum?!”, “Ué!”, “Ih…!”

Os tipos de interjeição:
De acordo com as reações que expressam, as interjeições podem ser de:

ADMIRAÇÃO “Ah!”, “Oh!”, “Uau!”


ALÍVIO “Ah!”, “Ufa!”
ANIMAÇÃO “Coragem!”, “Força!”, “Vamos!”
APELO “Ei!”, “Oh!”, “Psiu!”
APLAUSO “Bravo!”, “Bis!”
DESPEDIDA/SAUDAÇÃO “Alô!”, “Oi!”, “Salve!”, “Tchau!”
DESEJO “Tomara!”
DOR “Ai!”, “Ui!”
DÚVIDA “Hã?!”, “Hein?!”, “Hum?!”
ESPANTO “Eita!”, “Ué!”
IMPACIÊNCIA (FRUSTRAÇÃO) “Puxa!”
IMPOSIÇÃO “Psiu!”, “Silêncio!”
SATISFAÇÃO “Eba!”, “Oba!”
SUSPENSÃO “Alto lá!”, “Basta!”, “Chega!”

Modalizadores

O que são modalizadores discursivos? Esses elementos são responsáveis por evidenciar nossa opinião
tanto na fala quanto na escrita
O uso que fazemos da língua em nossas ações de comunicação é sempre mediado por intenções: explicitar
certeza, dúvida, obrigatoriedade, sentimentos, entre outros. Esse propósito está tão presente em nosso dia a
dia que se materializa na estrutura de nossa língua.
Ducrot, professor de filosofia e linguista francês do século XX, foi quem fundamentou essa ideia e afirmou
que a língua é fundamentalmente argumentativa, uma vez que, ao interagirmos, seja pela fala, seja pela escrita,
estamos imprimindo nossas ideias e argumentos pretendidos. Dessa forma, pensando que a argumentação é
característica intrínseca às relações humanas, nós, do Brasil Escola, preparamos um texto para apresentar as
marcações argumentativas.
Os elementos que atuam como indicadores de argumentação são denominamos de modalizadores discursi-
vos. Eles são os encarregados de evidenciar o ponto de vista assumido pelo falante e assegurar o modo como
ele elabora o discurso.
Como foi apresentado anteriormente na introdução do texto, são várias as intenções que explicitamos em
nossas interações diárias e, por isso, há tipos diversos de modalizadores discursivos. Como afirmam Castilho
e Castilho1 (1993, p. 217), diferentes recursos linguísticos estão a serviço dessa ação argumentativa: modos
verbais, verbos auxiliares, adjetivos, advérbios, entre outros.

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Utilizaremos aqui a classificação feita por Castilho e Castilho:
Modalização Epistêmica: “Expressa uma avaliação sobre o valor e as condições de verdade das proposi-
ções”.
Compreende três subclasses:
Os asseverativos;
a) Afirmativos: realmente, evidentemente, 1naturalmente, efetivamente, claro, certo, lógico, sem dúvida,
mesmo, entre outros;
b) Negativos: de jeito nenhum, de forma alguma.
Os Quase- Asseverativos; talvez, assim, possivelmente, provavelmente, eventualmente.
Os Delimitadores: quase, um tipo de uma espécie de, geograficamente, biologicamente, etc.
Modalização Deôntica: se refere ao princípio da obrigação e da permissão: obrigatoriamente, necessaria-
mente etc.
Modalização Afetiva: “verbaliza as reações emotivas do falante em face do conteúdo proposicional, deixan-
do de lado quaisquer considerações de caráter epistêmico ou deôntico”
Há dois tipos de modalização afetivos:
Subjetivos: felizmente, infelizmente, curiosamente, surpreendentemente, espantosamente
Intersubjetivos: sinceramente, francamente, lamentavelmente, estranhamente etc.
Ao definirmos e observarmos alguns exemplos de modalizadores discursivos, podemos concluir que não
existe interação comunicativa sem modalização, uma vez que, sempre que nos expressamos, estamos indican-
do nosso ponto de vista em relação ao assunto em questão. A modalização, todavia, pode ser mais explícita ou
mais contida.

Semântica: sentido próprio e figurado; antônimos, sinônimos, parônimos e hiperôni-


mos. Polissemia e ambiguidade

O significado das palavras é objeto de estudo da semântica, ela é a área que se dedica ao sentido das pa-
lavras e também às relações de sentido estabelecidas entre elas.

Denotação e conotação
Denotação corresponde ao sentido literal e objetivo das palavras, enquanto a conotação diz respeito ao
sentido figurado das palavras. Exemplos:
“O gato é um animal doméstico.”
“Meu vizinho é um gato.”
No primeiro exemplo, a palavra gato foi usada no seu verdadeiro sentido, indicando uma espécie real de
animal. Na segunda frase, a palavra gato faz referência ao aspecto físico do vizinho, uma forma de dizer que
ele é tão bonito quanto o bichano.

Hiperonímia e hiponímia
Dizem respeito à hierarquia de significado. Um hiperônimo, palavra superior com um sentido mais abran-
gente, engloba um hipônimo, palavra inferior com sentido mais restrito.
Exemplos:
– Hiperônimo: mamífero: – hipônimos: cavalo, baleia.
– Hiperônimo: jogo – hipônimos: xadrez, baralho.
1 CASTILHO, A. T.; CASTILHO, C. M. M de. Advérbios modalizadores. In: ILARI, Rodolfo (Org.). Gramática
do português falado. 2. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1993. v. II.

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Polissemia e monossemia
A polissemia diz respeito ao potencial de uma palavra apresentar uma multiplicidade de significados, de
acordo com o contexto em que ocorre. A monossemia indica que determinadas palavras apresentam apenas
um significado. Exemplos:
– “Língua”, é uma palavra polissêmica, pois pode se tratar de um idioma ou um órgão do corpo, dependendo
do contexto em que é inserida.
– A palavra “decalitro” significa medida de dez litros, e não tem outro significado, por isso é uma palavra
monossêmica.

Sinonímia e antonímia
A sinonímia diz respeito à capacidade das palavras serem semelhantes em significado. Já antonímia se
refere aos significados opostos. Desse modo, por meio dessas duas relações, as palavras expressam proximi-
dade e contrariedade.
Exemplos de palavras sinônimas: morrer = falecer; rápido = veloz.
Exemplos de palavras antônimas: morrer x nascer; dormir x acordar.

Homonímia e paronímia
A homonímia diz respeito à propriedade das palavras apresentarem semelhanças sonoras e gráficas, mas
com distinção de sentido (palavras homônimas); semelhanças homófonas, mas com distinção gráfica e de sen-
tido (palavras homófonas); e semelhanças gráficas, mas com distinção sonora e de sentido (palavras homógra-
fas). Já a paronímia se refere a palavras que são escritas e pronunciadas de forma parecida, mas que possuem
significados diferentes. Veja os exemplos:
– Palavras homônimas: caminho (itinerário) e caminho (verbo caminhar); morro (monte) e morro (verbo
morrer).
– Palavras homófonas: apressar (tornar mais rápido) e apreçar (definir o preço); arrochar (apertar com
força) e arroxar (tornar roxo).
– Palavras homógrafas: apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar); boto (golfinho) e boto (verbo botar); choro
(pranto) e choro (verbo chorar).
– Palavras parônimas: apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico), comprimento (tamanho)
e cumprimento (saudação).

— Ambiguidade
A ambiguidade é um fenômeno linguístico que ocorre quando uma palavra, frase ou expressão apresenta
mais de um sentido ou interpretação. Essa duplicidade de sentidos pode surgir de forma intencional, como um
recurso estilístico em textos literários ou publicitários, ou de maneira não intencional, resultando em falhas de
comunicação e mal-entendidos. Por isso, compreender a ambiguidade e saber evitá-la é essencial para uma
comunicação clara e precisa, especialmente em textos formais, como aqueles exigidos em concursos públicos.

O que é Ambiguidade?
A ambiguidade ocorre quando a estrutura linguística de uma frase permite interpretações diferentes, seja
em nível lexical (palavras isoladas) ou estrutural (construção da frase). Em outras palavras, uma frase ambígua
pode transmitir mais de um significado, e o contexto é fundamental para identificar qual sentido é o mais ade-
quado.

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Exemplos de Ambiguidade:
– Ambiguidade Lexical: Ocorre quando uma palavra tem mais de um significado, e o contexto não deixa
claro qual é o sentido pretendido.
Exemplo: “João foi ao banco.”
A palavra “banco” pode significar tanto uma instituição financeira quanto um assento, e a frase não esclare-
ce qual das duas interpretações é a correta.
– Ambiguidade Estrutural: Ocorre quando a construção da frase permite múltiplas interpretações.
Exemplo: “A professora elogiou a aluna dedicada.”
A interpretação pode ser que a professora elogiou “a aluna que era dedicada” ou que a professora, que é
dedicada, elogiou a aluna.

Ambiguidade Intencional e Não Intencional


– Ambiguidade Intencional: É utilizada de forma proposital, principalmente em textos literários, publici-
tários e humorísticos. Nesses casos, a ambiguidade é empregada como recurso de estilo para enriquecer a
mensagem, criar humor ou tornar um texto mais expressivo e intrigante.
Exemplo publicitário: “Este é o carro que você sempre sonhou.” pode se referir a “um carro que você so-
nhou em possuir” ou “um carro que aparece em seus sonhos”, explorando a ideia de desejo e aspiração.
– Ambiguidade Não Intencional: Ocorre quando o autor, de forma involuntária, constrói uma frase que
pode ser interpretada de mais de uma maneira. Essa forma de ambiguidade pode prejudicar a clareza do texto
e gerar confusão.
Exemplo: “O médico atendeu o paciente de pijama.” não está claro se o médico ou o paciente estava usando
o pijama, e isso torna a frase ambígua.

Como a Ambiguidade Pode Atrapalhar a Comunicação?


Em situações formais, como redações, relatórios, contratos e provas de concursos, a ambiguidade não
intencional é um erro que pode comprometer a compreensão da mensagem. Frases ambíguas podem causar
interpretações equivocadas, prejudicando o entendimento do texto e, consequentemente, a avaliação do can-
didato ou do autor. Por isso, é fundamental saber identificar e eliminar qualquer possibilidade de ambiguidade
para garantir que a mensagem seja transmitida de forma clara e precisa.

Estratégias para Evitar a Ambiguidade em Textos


– Revise a Estrutura da Frase: Ao revisar o texto, certifique-se de que a construção das frases é clara e
que não há possibilidade de dupla interpretação. Uma revisão cuidadosa pode evitar que uma estrutura inade-
quada cause ambiguidades.
– Prefira Palavras Específicas: Use palavras que tenham um significado claro e preciso, evitando termos
que possam ser interpretados de diferentes maneiras.
– Em vez de dizer “O funcionário trouxe o relatório para o chefe na sala”, especifique “O funcionário entregou
o relatório ao chefe na sala.”
– Evite a Omissão de Informações Importantes: Quando deixamos de especificar quem realizou determi-
nada ação, criamos margem para interpretações múltiplas. Certifique-se de que todos os sujeitos e objetos das
ações estão claramente identificados.
– Use Pontuação Adequada: A pontuação pode ajudar a esclarecer o sentido da frase e evitar ambiguida-
des. Por exemplo:
– Ambíguo: “O juiz disse que o advogado era mentiroso.”
– Mais claro: “O juiz, disse, o advogado, era mentiroso.” (Neste caso, fica claro que o juiz falou, e não que
ele estava chamando o advogado de mentiroso.)

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– Leia o Texto em Voz Alta: Ao ler o texto em voz alta, fica mais fácil identificar construções que podem
causar dúvidas ou ambiguidades. Essa prática ajuda a perceber onde a mensagem pode ser mal interpretada.

Ambiguidade e Figuras de Linguagem


A ambiguidade também pode ser utilizada como figura de linguagem em textos literários ou publicitários,
gerando efeitos de humor, ironia ou suspense. Quando usada de forma consciente, a ambiguidade pode enri-
quecer o texto, tornando-o mais interessante e criativo.
Por exemplo, a ambiguidade é frequentemente explorada em trocadilhos, charadas e piadas:
– Trocadilho: “É verdade que o padeiro é muito pão–duro?”
– A palavra “pão–duro” pode significar tanto alguém avarento quanto fazer referência ao fato de o padeiro
trabalhar com pão.

Análise de Ambiguidade em Textos Publicitários e Propagandas


A ambiguidade é um recurso muito utilizado em publicidade para chamar a atenção do consumidor, fazen-
do com que ele reflita sobre a mensagem e se engaje com o produto ou serviço anunciado. Muitas vezes, a
duplicidade de sentido em um slogan ou campanha publicitária cria um efeito surpreendente e faz com que a
mensagem fique gravada na mente do público.

Exemplo Publicitário:
Uma propaganda de móveis com a frase “Nossos móveis não duram”, que pode ser interpretada como:
– Os móveis não duram na loja porque são vendidos rapidamente devido ao preço baixo.
– Os móveis não têm boa qualidade e, portanto, não são duráveis.
Essa ambiguidade pode ser intencional para gerar curiosidade e provocar uma reflexão sobre o verdadeiro
significado da mensagem.
A ambiguidade, quando utilizada intencionalmente, pode ser um poderoso recurso estilístico que enriquece
a linguagem e torna a comunicação mais expressiva e interessante. No entanto, em contextos formais ou aca-
dêmicos, ela deve ser evitada para garantir a clareza e a precisão da mensagem.
Ao desenvolver a habilidade de identificar e corrigir ambiguidades, o estudante aprimora sua capacidade de
produzir textos bem estruturados e de interpretar mensagens de forma mais eficaz. Esse é um conhecimento
especialmente relevante para quem se prepara para concursos públicos, onde a clareza e a objetividade da
comunicação são fundamentais.

Os dicionários: tipos

Os dicionários são recursos linguísticos importantes que fornecem definições, traduções, sinônimos, an-
tônimos e outras informações sobre palavras. Existem vários tipos de dicionários, cada um com um propósito
específico. Aqui estão alguns dos principais tipos:

1. Dicionário de Língua:
- Dicionário de Definições: Fornece significados das palavras, exemplos de uso e, às vezes, informações
etimológicas e gramaticais.
- Dicionário de Sinônimos e Antônimos: Lista palavras com significados semelhantes (sinônimos) e opos-
tos (antônimos).
- Dicionário de Homônimos e Parônimos: Explica palavras que têm a mesma pronúncia ou grafia (homô-
nimos) e palavras que são semelhantes na grafia e/ou pronúncia, mas têm significados diferentes (parônimos).

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2. Dicionário Bilíngue ou Multilíngue:
- Dicionário de Tradução: Fornece traduções de palavras de uma língua para outra, geralmente com
exemplos de uso em ambas as línguas.

3. Dicionário Especializado:
- Dicionário Técnico ou Científico: Foca em terminologias específicas de um campo ou disciplina, como
medicina, direito, engenharia, etc.
- Dicionário de Gírias e Expressões Informais: Contém palavras e expressões usadas em contextos
informais ou coloquiais.
- Dicionário de Termos Regionais: Inclui palavras e expressões usadas em áreas geográficas específicas.

4. Dicionário Etimológico:
- Explora as origens e a evolução histórica das palavras, mostrando como elas mudaram ao longo do tempo.
5. Dicionário de Pronúncia:
- Fornece a transcrição fonética das palavras, indicando como elas devem ser pronunciadas.

6. Dicionário Visual:
- Usa imagens para ilustrar o significado das palavras, geralmente organizado por temas ou categorias.

7. Dicionário Infantil:
- Adaptado para crianças, com definições mais simples, ilustrações e exemplos adequados para a faixa
etária.

8. Dicionário de Citações:
- Coletânea de frases e trechos famosos de obras literárias, discursos e outros textos.
Esses são alguns dos tipos de dicionários mais comuns, cada um servindo a diferentes necessidades e
públicos.

A organização de verbetes

Organização do verbete
A cabeça de verbete, também conhecida como entrada de verbete, constitui-se de uma palavra simples,
uma palavra composta por hífen, uma locução, uma sigla, um símbolo ou uma abreviatura. Ela está destacada
na cor azul.

daltonismo

dal·to·nis·mo
sm
MED Incapacidade congênita para distinguir certas cores, principalmente o vermelho e o verde, que geral-
mente afeta indivíduos do sexo masculino.
ETIMOLOGIA
der do np Dalton+ismo, como fr daltonisme.

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pão-durismo

pão-du·ris·mo
sm
COLOQ Qualidade ou característica do que é pão-duro ou sovina; avareza, sovinice.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: pão-durismos.
ETIMOLOGIA
der de pão-duro+ismo.

piña colada

[ˈpiña koˈlada]
loc subst
Coquetel preparado com rum, leite de coco, suco de abacaxi e gelo.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: piña coladas.
ETIMOLOGIA
esp.

OAB
Sigla de Ordem dos Advogados do Brasil.

°C
FÍS, METEOR Símbolo de grau Celsius.

d.C.
Abreviatura de depois de Cristo.
Logo após a cabeça de verbete, há a indicação da divisão silábica assinalada por um ponto, com a separa-
ção das vogais dos ditongos (crescentes e decrescentes).

dedicatória

de·di·ca·tó·ri·a
sf
Palavras afetuosas, escritas principalmente em livros, fotos, CDs ou outro objeto artístico, dedicadas a al-
guém; dedicação.
ETIMOLOGIA
fem de dedicatório, como fr dédicatoire.
As siglas aparecem com letras maiúsculas, mas aquelas que foram cristalizadas apenas com a inicial mai-
úscula estão no dicionário respeitando essa forma; já os símbolos científicos aparecem com inicial maiúscula
ou minúscula.

60
ONU
Sigla de Organização das Nações Unidas.

Unesco
Sigla do inglês United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Os substantivos que denominam seres sagrados (Buda, Deus etc.), seres mitológicos (Diana, Zeus etc.),
astros (Marte, Terra etc.), festas religiosas (Natal, Páscoa etc.) e pontos cardeais que indicam regiões são gra-
fados com inicial minúscula e com a informação “[com inicial maiúscula]”.

buda

bu·da
sm
FILOS, REL
1 [com inicial maiúscula ] Título dado pelos seguidores do budismo a quem alcançou um nível superior de
entendimento e chegou à plenitude da condição humana por meio da libertação dos desejos e da dissolução
da ilusão produzida por estes. O título se refere especialmente a Siddharta Gautama (563-483 a.C.), o maior de
todos os budas e o real fundador do budismo: “E, por fim, cansados, sentaram-se num banco de pedra próximo
a uma imagem de Buda e foram invadidos pela paz” (CV2).
2 Representação de Siddharta Gautama, geralmente em forma de estátua ou estatueta: Suspende o buda
de porcelana e o coloca com cuidado sobre a cômoda.
ETIMOLOGIA
sânscr Buddha.

natal

na·tal
adj m+f
1 Relativo ao nascimento; natalício.
2 Em que ocorre o nascimento; natalício.
sm
1 Dia do nascimento; natalício.
2 REL [com inicial maiúscula ] O dia de nascimento de Jesus Cristo, comemorado em 25 de dezembro.
3 MÚS Cântico medieval executado por ocasião das festas natalinas.
ETIMOLOGIA
lat natalis.
As palavras homógrafas que possuem etimologias próprias são registradas como entradas diferentes, com
número sobrescrito, ou alceado.

61
cabana 1

ca·ba·na
sf
Pequena habitação rústica, geralmente construída de madeira e coberta de colmo; barraca, choupana.
ETIMOLOGIA
lat capannam, como esp cabaña.

cabana 2

ca·ba·na
sf
AERON Conjunto de cabos usado como contravento em asas de avião.
ETIMOLOGIA
ingl cabane
As formas do feminino só apresentam entradas autônomas quando há acepções diferentes daquela da
mera indicação de gênero.

nora 1

no·ra
sf
A mulher do filho em relação aos pais dele.
ETIMOLOGIA
lat vulg *nuram.
nora 2

no·ra
sf
Engenho de tirar água de poços, cisternas etc.; sarilho.
ETIMOLOGIA
ár nāᶜūrah, como esp noria.
Os verbetes que se referem a marcas registradas são indicados por meio do símbolo ®, grafado logo após
a cabeça de verbete.
teflon®

te·flon
sm
[com inicial maiúscula ] Marca registrada do produto comercial feito com politetrafluoretileno.
ETIMOLOGIA
marca Teflon.

62
As palavras estrangeiras que integram este dicionário são grafadas em itálico e não trazem divisão silábica.
A transcrição fonética, logo após a cabeça de verbete, sempre entre colchetes, indica a pronúncia da palavra
na língua de origem.
NOTA: Entenda todos os símbolos fonéticos utilizados neste dicionário na seção “Transcrição fonética” em
“Como consultar”.

mailing

[ˈmeɪlɪŋ]
sm
Relação de mensagens eletrônicas recebidas por meio de rede de computadores.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: mailings.
ETIMOLOGIA
ingl.
Os estrangeirismos que no idioma original são grafados com inicial maiúscula, como, por exemplo, os
substantivos da língua alemã, são registrados neste dicionário com inicial minúscula pois assim são usados na
língua portuguesa.

blitz

[bliːtz]
sf
1 HIST, MIL Ataque aéreo relâmpago e inesperado.
2 Batida policial inesperada, com grande número de policiais armados: “Foi então que vimos a blitz: dois
carros da polícia com aquelas luzes giratórias acionadas, os cones estreitando a pista, alguns carros e motos
parados no acostamento e vários policiais em volta deles” (LA3).
3 Mobilização de improviso, de caráter fiscalizador, a fim de combater qualquer tipo de infração: “– Se algum
vidro for quebrado, se alguma parede for derrubada, se alguém se machucar, se a polícia der uma blitz e apre-
ender drogas ou drogados” (TB1).
4 FUT Ataque em massa; sucessão de ataques.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: blitze.
ETIMOLOGIA
alem Blitz.
A rubrica, sempre destacada no verbete e geralmente abreviada, refere-se às categorias gramaticais (subs-
tantivo, adjetivo, pronome etc.), às áreas de conhecimento (botânica, medicina etc.), aos regionalismos (Nor-
deste, Sul etc.) e aos níveis de linguagem (coloquialismo, vulgarismo, gíria etc.).
NOTA: Entenda o que significa cada abreviatura na seção “Abreviaturas” em “Como consultar”.

63
chapadeiro

cha·pa·dei·ro
sm
1 Habitante das chapadas; caipira, matuto.
2 Terreno irregular e árido de certas chapadas.
3 REG (MG) Vvaqueiro, acepção 1.
4 REG (MG) Nome de uma raça bovina.
ETIMOLOGIA
der de chapada+eiro.

rabanete

ra·ba·ne·te
sm
BOT
1 Planta herbácea ( Raphanus sativus), da família das crucíferas, de folhas denteadas, flores com veias
amarelas e violeta e raiz branca ou vermelha; nabo-japonês, rábano, rábão.
2 A raiz carnosa dessa planta, de sabor picante, geralmente usada em saladas.
ETIMOLOGIA
der de rábano+ete.

fanchona

fan·cho·na
sf
PEJ, GÍR Mulher de aspecto e maneiras viris; virago.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: fanchonaça.
ETIMOLOGIA
fem de fanchão.
Registra-se, logo após a cabeça de verbete, a categoria gramatical.

eclampsia

e·clamp·si·a
sf
MED Afecção que ocorre em geral no final do período de gravidez, caracterizada por convulsões associadas
à hipertensão.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: eclampse, eclâmpsia.
EXPRESSÕES

64
Eclampsia puerperal: convulsões e coma associados com hipertensão, edema ou proteinúria que podem
ocorrer em paciente após o parto.
ETIMOLOGIA
der do gr éklampsis+ia1, como fr éclampsie.

ilegal

i·le·gal
adj m+f
Que contraria os preceitos ou as determinações da lei; sem legitimidade jurídica; ilícito.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
ANTÔN: legal.
ETIMOLOGIA
voc comp do lat in2-+legal, como fr illégal.

barbear

bar·be·ar
vtd e vpr
1 Fazer ou aparar as barbas de: Barbeou o pai doente, pouco antes de sua morte. “[…] não pudera barbe-
ar-se sequer, dizia enquanto ela retirava o chapéu guardando cuidadosamente os grampos” (CL).
vtd
2 ART GRÁF Cortar as barbas de livro, papel etc.; aparar.
vtd e vint
3 Passar com uma embarcação muito próximo de outra ou do cais; fazer a barba.
ETIMOLOGIA
der de barba+ear, como esp.

cromado

cro·ma·do
adj
1 Que tem cromo.
2 Revestido de cromo.
sm
Parte ou acessório cromado de um veículo automotor.
ETIMOLOGIA
der de cromo+ado, como fr chromé.
Os substantivos de gênero oscilante apresentam duplo registro, separados por barra (sm/sf).

65
personagem

per·so·na·gem
sm/sf
1 Pessoa que desfruta de atenção por suas qualidades, habilidades ou comportamento singular e diferen-
ciado.
2 Cada um dos papéis que um ator ou atriz representa baseado em figuras humanas imaginadas por um au-
tor: Ele já desempenhou várias personagens: um criminoso sádico, um herói trágico, um bancário metódico etc.
3 POR EXT Figura humana criada por um autor de obra de ficção: “A peça vivia esse ponto de crise, que
um poeta chamou de tensão dionisíaca. Eis o que acontecera no palco: o personagem central, que passara,
até então, por paralítico, ergue-se da cadeira de rodas. “‘– Não sou paralítico, nunca fui paralítico’, é ele próprio
quem o diz” (NR).
4 Figura humana representada em diversas expressões artísticas.
5 POR EXT O homem definido por seu papel social.
ETIMOLOGIA
fr personnage.
A rubrica referente à área de conhecimento, geralmente abreviada, é indicada antes das definições quando
se aplica a todas elas.
labaça 1

la·ba·ça
sf
BOT
1 Arbusto ( Rumex conglomeratus) da família das poligonáceas, nativo do sul da Europa e do leste da Ásia;
alabaça.
2 Erva ( Rumex obtusifolius) da família das poligonáceas, oriunda da Europa, muito usada por suas proprie-
dades medicinais; labaça-obtusa, labaçol.
ETIMOLOGIA
lat lapathia.
emoticon
[ɪˈməʊtɪkən]
sm
INTERNET Representação pictórica da expressão facial de uma pessoa, indicando estados emocionais
(alegria, tristeza, espanto, zanga etc.), que é utilizada nos bate-papos e mensagens.
ETIMOLOGIA
ingl.
Quando ocorre mudança de área de conhecimento, a rubrica é indicada antes de cada acepção.

66
cravo 1

cra·vo
sm
1 BOT Flor do craveiro1, acepção 1.
2 BOT Vcraveiro 1, acepção 1.
3 BOT Botão da flor do craveiro-da-índia, que é usado no mundo todo como condimento e tem também usos
medicinais e farmacêuticos, entre outros; africana, cravinho, cravo-aromático, cravo-cabecinha, cravo-da-índia,
cravo-da-terra-de-minas, cravo-da-terra-de-são-paulo, cravo-de-cabeça, cravo-de-cabecinha, cravo-giroflê, gi-
rofle, giroflê.
4 Prego quadrangular que se usa em ferraduras.
5 Prego com que os pés e as mãos dos suplicados eram fixados à cruz e ao ecúleo.
6 MED Calo profundo e doloroso que se localiza na planta do pé e tem forma semelhante a um cone.
7 MED Afecção do folículo sebáceo, causada pelo acúmulo de resíduos epiteliais; comedão.
8 Pessoa incômoda ou nociva; chato, importuno, inconveniente.
9 Mau negócio; embuste, fraude, trapaça.
10 VET Tumor duro no casco das cavalgaduras.
11 Afecção do folículo pilossebáceo; ponto negro.
EXPRESSÕES
Dar uma no cravo e outra na ferradura, COLOQ: a) dar um golpe certo e outro errado; b) apoiar duas coisas
que encerram contradição, em geral por maldade ou dissimulação.
ETIMOLOGIA
lat clavum, como esp clavo.
A mesma definição pode conter mais de uma rubrica referente à área de conhecimento.

crioidrato

cri·o·i·dra·to
sm
FÍS, QUÍM Eutético constituído por água e um sal.
ETIMOLOGIA
voc comp do gr krýos+hidrato, como ingl cryohydrate.
Há referência às vozes dos animais, no final do verbete, indicando-se os verbos e os substantivos que se
relacionam a elas.

canário

ca·ná·ri·o
adj sm
Vcanarino.
sm
1 ZOOL Pássaro canoro pequeno da família dos fringilídeos ( Serinus canaria), de plumagem geralmente
amarela e canto melodioso, originário das ilhas Canárias, da Madeira e dos Açores.

67
2 POR EXT Pessoa que canta bem.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VOZ (acepção 1): canta, dobra, modula, trila, trina.
EXPRESSÕES
Canário de uma muda só, COLOQ: pessoa que anda todo o tempo com uma só roupa.
Canário sem muda, COLOQ: Vcanário de uma muda só.
ETIMOLOGIA
de Canárias, np, como esp canario.
Todos os comentários gramaticais são sempre mencionados entre colchetes.

certamente

cer·ta·men·te
adv
1 Com certeza, sem dúvida [usado como modificador de frase, indica grande probabilidade e pequeno grau
de incerteza ] : “Tão determinado que, se alguém o olhasse mais atento, certamente perceberia alguma forma
mais precisa nos movimentos” (CFA).
2 Com certeza, é claro, sim [usado como resposta afirmativa a uma solicitação ] : “[…] não é assim? … –
Certamente, respondeu a mocinha, sem perturbar-se” (JMM).
ETIMOLOGIA
voc comp do fem de certo+mente.
A transitividade dos verbos é indicada em todas as acepções, antes dos números que as registram, já que
os verbos podem exigir um ou mais complementos no sintagma verbal, a fim de formar um sentido completo.

excetuar

ex·ce·tu·ar
vtd
1 Fazer exceção de; pôr fora: Conhecia quase todos na festa, excetuando um ou outro convidado.
vtdi e vpr
2 Deixar(-se) de fora: Não excetuou nenhum parente de sua lista de convidados. Conseguiu excetuar-se da
lista dos mais bagunceiros da turma.
vtd
3 JUR Impugnar uma demanda por meio de exceção.
vint
4 JUR Propor uma exceção.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: exceptuar.
ANTÔN (acepção 1): incluir.
ETIMOLOGIA
der do lat exceptus+ar1.
Quando o verbo é essencialmente pronominal, usa-se a partícula se na cabeça de verbete.

68
queixar-se

quei·xar-se
vpr
1 Manifestar lamúrias ou lamentações diante da dor física ou da mágoa; gemer, lastimar-se, reclamar: No
enterro do marido, a viúva queixava-se aos prantos.
vpr
2 Manifestar desgosto ou desprazer; lamentar-se: “A cada dia, a Igreja, contudo, se queixa de que há menos
vocações sacerdotais” (Z1).
vpr
3 Mostrar-se magoado ou ofendido: Queixa-se diante de tantas injustiças.
vpr
4 Denunciar algo de que foi vítima: “Se você quiser, vá queixar-se à polícia… Está no seu direito! Eu me
explicarei em juízo!” (AA1).
vpr
5 Descrever estado físico ou moral: Ele se queixa de dores crônicas no peito.
ETIMOLOGIA
lat vulg *quassiare, como esp quejar.
Os verbos irregulares, defectivos ou impessoais trazem essa informação entre colchetes, no final do verbe-
te.

cerzir

cer·zir
vtd e vint
1 Costurar ou remendar tecido rasgado ou esgarçado, com pontos miúdos, a fim de reconstituir sua trama
original, sem deixar defeito: “Na barcaça […], apenas duas ou três mulheres catando sururu, dois ou três pes-
cadores cerzindo redes” (JU). “Foi pouco fogo. O buraco é pequeno, dá para cerzir invisível” (TM1).
vtd e vtdi
2 Juntar, reunir ou incorporar alguma coisa a outra: A atitude do político perante as câmeras cerziu os piores
comentários. O autor cerziu o romance com textos picantes. [Verbo irregular. ]
ETIMOLOGIA
lat sarcire.

carpir

car·pir
vtd
1 ANT Arrancar (fios de barba ou de cabelo) em sinal de dor ou de sentimento.
vtd
2 Arrancar (erva daninha ou mato); capinar.
vtd
3 Expressar-se por meio de lamento; chorar, lamentar.

69
vtd e vpr
4 Lastimar(-se), prantear(-se).
vtd e vint
5 Expressar sons tristes e comoventes; sussurrar como que chorando.
vpr
6 Exprimir-se em tom de lamento; lamentar-se, prantear-se. [Verbo defectivo. ]
ETIMOLOGIA
lat carpĕre.

garoar

ga·ro·ar
vint Cair garoa, chuviscar: Ontem, garoou à noitinha. [Verbo impessoal.]
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: garuar.
ETIMOLOGIA
der de garoa1+ar1.
Quando uma unidade lexical tem sua definição em outro verbete, por ser sinônimo ou não ser o termo pre-
ferencial, a remissão é indicada pela letra V (veja) seguida do verbete a consultar. Se a remissão refere-se a
determinada acepção, esta também é indicada.

guri

gu·ri
sm
1 REG (RS) Vmenino, acepção 1.
2 BOT Vguriri.
3 ZOOL Denominação comum aos peixes teleósteos siluriformes, da família dos ariídeos, encontrados em
águas marinhas, com o corpo revestido de escamas grossas, que formam uma couraça, dotados de grandes
barbilhões; uri.
ETIMOLOGIA
tupi wyrí, como esp.
No final do verbete, numa seção denominada “Informações complementares”, registram-se os sinônimos,
os antônimos, as variantes, os plurais, os femininos, os aumentativos e os diminutivos irregulares e os super-
lativos absolutos sintéticos. Às vezes essas formas (antônimo, sinônimo, plural etc.) podem referir-se apenas a
uma acepção. Nesse caso, essa acepção é indicada.

70
molambento

mo·lam·ben·to
adj
Que está em farrapos; roto e sujo.
adj sm
Que ou aquele que se veste com farrapos.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
SIN: maltrapilho, molambudo, mulambudo.
VAR: mulambento.
ETIMOLOGIA
der de molambo+ento.

anorexia

a·no·re·xi·a
(cs)
sf
MED Falta ou perda de apetite.
EXPRESSÕES
Anorexia nervosa, MED, PSICOL: distúrbio nervoso grave, caracterizado pelo medo obsessivo de engordar,
fazendo com que a pessoa pare de se alimentar, fique desnutrida e tenha sua vida ameaçada. Acomete espe-
cialmente mulheres, em geral entre 16 e 25 anos, e provoca menstruação irregular, queda de peso repentina,
palidez, atrofia dos músculos, recusa do organismo em ingerir alimentos, insônia, diminuição ou ausência da li-
bido etc. O tratamento inclui a administração de antidepressivo, psicoterapia individual e reeducação alimentar.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
ANTÔN: orexia.
ETIMOLOGIA
gr anoreksía.

plástico-bolha

plás·ti·co-bo·lha
sm
Material plástico, produzido em polietileno de baixa densidade, com bolhas de ar prensadas, utilizado na
embalagem de produtos diversos, proporcionando-lhes proteção. É também usado no revestimento de pisos,
antes da colocação de carpetes de madeira e afins, conferindo-lhes isolação acústica.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: plásticos-bolhas e plásticos-bolha.
ETIMOLOGIA
voc comp.

71
barão

ba·rão
sm
1 Título nobiliárquico imediatamente inferior ao de visconde: “Lia-se no Jornal do Comércio que Sua Exce-
lência fora agraciado pelo governo português com o título de Barão do Freixal […]” (AA1).
2 ANT Senhor feudal, subordinado ao rei.
3 ANT Homem ilustre por seus feitos e por sua riqueza.
4 BOT Variedade de algodoeiro.
5 Homem de muito poder: É o barão da pequena cidade.
6 COLOQ Pessoa muito rica: Os barões vivem enclausurados em suas mansões.
7 Homem que se destaca em determinado ramo de negócios: “Os últimos brilhos do poente já iam e, a pe-
dido do barão do café, fogueiras e tochas não deveriam ser acesas” (TM1).
8 OBSOL Cédula antiga de mil cruzeiros.
9 ETNOL Entidade sobrenatural do boi de mamão.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
FEM: baronesa.
ETIMOLOGIA
lat baronem.

animal

a·ni·mal
sm
1 BIOL Ser vivo multicelular, dotado de movimento, de crescimento limitado, com capacidade de responder
a estímulos.
2 Ser animal destituído de razão; animal irracional.
3 COLOQ Pessoa insensível ou cruel.
4 COLOQ Pessoa muito grosseira ou ignorante.
5 Animal cavalar, especialmente o macho.
6 FIG A natureza animal; animalidade.
adj m+f
1 Relativo ou pertencente aos animais.
2 Próprio de animal.
3 Extraído ou obtido de animal.
4 FIG Que se entrega aos prazeres do sexo; lascivo, libidinoso.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
AUM (sm): animalaço, animalzão.
DIM: animalzinho, animalejo, animálculo.
EXPRESSÕES
Animal inferior, ZOOL: animal invertebrado.

72
Animal irracional: qualquer animal, exceto o homem.
Animal sem fogo, REG (CE): cavalo ainda não marcado ou ferrado.
Animal sem rabo, COLOQ: pessoa grosseira, mal-educada.
Animal superior: animal vertebrado.
ETIMOLOGIA
lat anĭmal.

ágil

á·gil
adj m+f
1 Que se movimenta com rapidez ou agilidade: “Firmo […] era um mulato pachola, delgado de corpo e ágil
como um cabrito […]” (AA1).
2 FIG Que tem raciocínio rápido; desembaraçado, ligeiro, perspicaz.
3 Que atua ou trabalha com eficiência; diligente.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
SUP ABS SINT: agílimo e agilíssimo.
ANTÔN: moroso, sonolento, vagaroso.
ETIMOLOGIA
lat agĭlis.
Também são chamadas de subverbetes as expressões na estrutura de um verbete. Elas estão destacadas
ao final do verbete, numa seção denominada “Expressões”.

barba

bar·ba
EXPRESSÕES
Barba a barba: em situação de confronto.
Barba de baleia, MAR: pequena haste ao lado do mastro da proa, utilizada para disparos de cabos que
prendem as velas.
Barba de bode: Vcavanhaque.
À barba, COLOQ: bem visível.
Fazer a barba: raspar a barba, barbear-se.
Fazer barba, cabelo e bigode, ESP: vencer pelo menos três vezes o mesmo adversário em categorias dife-
rentes em curto espaço de tempo.
Nas barbas de: na presença de alguém, faltando-lhe o respeito.
Pôr as barbas de molho: agir com prevenção contra alguma situação perigosa.
Ter barbas: ser muito antigo.

73
tomate

to·ma·te
EXPRESSÕES
Tomate francês, BOT: tomate de forma e tamanho de um ovo, de coloração vermelho-escura, de tom alaran-
jado no interior, consistência firme, sabor levemente ácido, com sementes pretas.
Tomate italiano, BOT: tomate pequeno, de formato geralmente cilíndrico, com a extremidade inferior pontu-
da. É adocicado e tem menos sumo que a maioria das variedades dos tomates. É muito usado na preparação
de molhos.
Tomate seco, CUL: tomate cortado em duas metades, retirando-se as sementes, seco no forno ou ao sol,
temperado com azeite, orégano, sal e, frequentemente, alho. É comumente servido em saladas ou como ante-
pasto.
fuga 2

fu·ga
EXPRESSÕES
Fuga escolar, MÚS: aquela com rígida observância das regras formais.
Fuga real, MÚS: aquela cuja resposta não apresenta alterações intervalares em relação ao sujeito.
Fuga tonal, MÚS: aquela cuja resposta apresenta alterações intervalares em relação ao sujeito.
Foram utilizados exemplos e abonações com o objetivo de autorizar o emprego das palavras. As abonações
foram extraídas de textos literários de autores brasileiros consagrados e estão transcritas entre aspas, com a
sigla que representa o autor e a obra entre parênteses. Os exemplos foram criados pela equipe de lexicógrafos
e são registrados em itálico.
NOTA: Entenda o que significa cada sigla das abonações na seção “Abonações – obras e siglas” em “Como
consultar”.

fadigar

fa·di·gar
vtd e vpr Causar ou sentir fadiga; afadigar: A alta temperatura fadigou alguns corredores. O rapaz fadigou-se
com o excesso de trabalho.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: fatigar.
ETIMOLOGIA
der de fadiga+ ar1, como esp fatigar.

fabricação

fa·bri·ca·ção
sf
1 Ação, processo ou arte de fabricar algo; fábrica, fabrico, manufatura: “Três meses mais tarde Mr. Chang
Ling apareceria em Antares com a mulher e seus cinco filhos e mais três compatriotas seus, especialistas na
fabricação de óleos comestíveis” (EV).
2 POR EXT O que resulta da fabricação; fabrico.
3 Ação de inventar ou elaborar algo novo; criação, produção: É um mestre na fabricação de personagens.

74
4 Ação de produzir de modo natural: A fabricação de anticorpos pelo organismo é a sua principal defesa.
5 Produção ou criação de algo de modo ilícito, com o objetivo de distorcer os fatos: A fabricação das provas
era evidente.
EXPRESSÕES
Fabricação em série: fabricação em grande escala, segundo especificações padronizadas.
ETIMOLOGIA
der de fabricar+ção, como esp fabricación.
O campo destinado à etimologia do vocábulo está sempre no final do verbete, após a indicação “Etimologia”
e nele há diversos tipos de informação como a língua de origem, o étimo e os elementos de composição.
NOTA: Entenda como a etimologia dos vocábulos foi criada e como está padronizada neste dicionário lendo
a seção “Etimologia” em “Como consultar”.

astroquímica

as·tro·quí·mi·ca
sf
ASTROQ Estudo da composição química dos astros, baseado especialmente nas análises espectroquími-
cas.
ETIMOLOGIA
voc comp do gr ástron+química, como ingl astrochemistry.
Fonte: [Link]

Vocabulário: neologismos, arcaísmos, estrangeirismos

A língua é um organismo vivo, que se transforma e adapta ao longo do tempo em resposta às dinâmicas
culturais, sociais e tecnológicas. Entre os muitos fenômenos que testemunham essa constante evolução estão
os neologismos e os estrangeirismos, dois processos linguísticos que enriquecem e, ao mesmo tempo, desa-
fiam a preservação do idioma.
Os neologismos consistem na criação de novas palavras ou expressões, impulsionadas pela necessidade
de nomear inovações, sentimentos ou situações antes inexistentes. Já os estrangeirismos refletem a incorpo-
ração de termos de outras línguas ao vocabulário de um idioma, seja por falta de um correspondente direto ou
pela influência de fatores como moda, globalização ou avanços tecnológicos.
Esses fenômenos, apesar de trazerem benefícios, também suscitam debates sobre o impacto na identidade
linguística. Enquanto muitos defendem o caráter enriquecedor dessas incorporações, outros alertam para os
perigos de descaracterização cultural e até para a criação de barreiras de compreensão.
A proposta deste estudo é explorar os conceitos, classificações e implicações do neologismo e do estran-
geirismo na língua portuguesa. Com base em exemplos práticos e reflexões teóricas, pretende-se compreender
como essas práticas contribuem para a renovação do idioma sem perder de vista a sua essência cultural e
histórica.

75
— Neologismos
O neologismo é um fenômeno linguístico que se caracteriza pela criação de novas palavras ou expressões.
Esse processo é essencial para suprir as demandas de um idioma em constante evolução, permitindo que no-
vas ideias, conceitos e situações sejam nomeados e comunicados. A criação de neologismos ocorre por meio
de diferentes processos de formação, como a derivação, a composição ou a justaposição, entre outros.
Mais do que uma necessidade linguística, o neologismo reflete a criatividade e a adaptabilidade da língua,
funcionando como um espelho das transformações sociais, culturais e tecnológicas de uma época.

Classificações
Os neologismos podem ser classificados de acordo com a natureza da mudança ou da criação. Entre as
principais categorias estão:
– Neologismo Semântico: ocorre quando uma palavra já existente na língua adquire um novo significado,
muitas vezes figurado ou metafórico.
Exemplo:
Bico: utilizado para se referir a trabalho temporário.
Laranja: intermediário em negócios ilícitos.
– Neologismo Lexical: implica na criação de uma nova palavra para designar um conceito inédito.
Exemplo:
Deletar: no sentido de excluir algo.
Internetês: linguagem típica da comunicação virtual.
– Neologismo Sintático: envolve combinações de elementos já existentes na língua, formando expressões
ou frases que se tornam parte do uso cotidiano.
Exemplo:
A não-informação conduz o homem à caverna.
– Neologismo Mórfico: utiliza processos formais de formação de palavras existentes para gerar novos
termos. Em alguns casos, há a criação de palavras figuradas a partir de significados já conhecidos.
Exemplo:
Amasso: ato de abraçar e beijar, com conotação afetiva.
Troca-troca: ato de intercambiar, com sentido variado.

Processos de Formação
Os neologismos podem ser criados de diversas formas, dependendo das regras gramaticais e da necessi-
dade do contexto. Entre os processos mais comuns destacam-se:
– Derivação:
Formação de novas palavras a partir de uma base já existente, com o acréscimo ou substituição de afixos.
– Prefixal: Desligar (des + ligar).
– Sufixal: Dentista (dente + ista).
– Parassintética: Alistar (a + lista + ar).
– Regressiva: Chorar – choro.

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– Composição:
Criação de palavras a partir da união de elementos existentes.
– Justaposição: os elementos são unidos sem alterar suas estruturas. Ex.: Girassol.
– Aglutinação: ocorre alteração fonética entre os elementos unidos. Ex.: Aguardente (água ardente).
– Onomatopeia: criação de palavras que imitam sons ou ruídos naturais.
Exemplo: Tique-taque (som do relógio).
– Hibridismo: palavras formadas pela combinação de elementos de diferentes línguas.
Exemplo: Televisão (tele, do grego, e visão, do latim).
– Combinação (Palavra-valise): união de fragmentos de palavras diferentes para formar uma nova.
Exemplo: Adultescente (adulto + adolescente).

Exemplos na Prática
A criação de neologismos acompanha o surgimento de novas tecnologias, mudanças culturais e avanços
científicos. Termos como selfie, streaming e blogar são exemplos contemporâneos de como os neologismos
entram no vocabulário e, muitas vezes, são incorporados oficialmente pela língua.
Além disso, o papel dos neologismos transcende o funcional; eles também expressam a criatividade e a
espontaneidade dos falantes. Na literatura e na poesia, autores como Manuel Bandeira exploraram o neologis-
mo para inovar e dar nova vida à linguagem. Em seu poema “Neologismo”, o verbo fictício teadorar simboliza a
força afetiva de novas palavras.

— Estrangeirismos
O estrangeirismo é um fenômeno linguístico que se refere à incorporação de palavras ou expressões de
línguas estrangeiras ao idioma local. Esses termos podem ser mantidos em sua grafia original, como mouse
e drive-in, ou adaptados às regras ortográficas e fonológicas da língua portuguesa, como abajur (do francês
abat-jour).
Esse processo é comum em contextos de globalização, interação cultural e inovação tecnológica, quando
a língua local ainda não possui termos que traduzam com precisão as novas ideias ou objetos. Embora amplie
o vocabulário e conecte os falantes a realidades externas, o uso excessivo de estrangeirismos pode gerar crí-
ticas, especialmente por aqueles que enxergam nesse fenômeno uma ameaça à preservação da identidade
linguística.

Histórico e Impacto Cultural


Os estrangeirismos refletem, de forma marcante, os períodos históricos e as relações culturais de uma so-
ciedade. No Brasil, por exemplo, durante o início do século XX, o francês era a principal influência no vocabulá-
rio, com palavras como toalete (toilette) e bale (ballet). Com o avanço da globalização e da tecnologia, o inglês
passou a ser a língua que mais contribui com empréstimos linguísticos, como backup, software e smartphone.
Esse impacto cultural vai além das palavras; ele carrega os traços das relações econômicas, políticas e
sociais entre os países. A incorporação de termos estrangeiros muitas vezes reflete a hegemonia cultural de
certas nações em momentos históricos específicos.

Debates sobre o Uso


O uso de estrangeirismos divide opiniões entre linguistas, acadêmicos e a sociedade em geral. Entre os
principais argumentos estão:
– A favor:
– Ampliação do vocabulário e adaptação a novas realidades.
– Inclusão de conceitos e termos para os quais o idioma local ainda não possui equivalentes.

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– Conexão cultural e econômica em um mundo globalizado.
– Contra:
– Risco de empobrecimento do idioma, caso o uso seja indiscriminado.
– Substituição de palavras nativas por estrangeiras, desvalorizando o idioma local.
– Aumento da exclusão linguística, dificultando a compreensão de termos por parte da população menos
familiarizada com idiomas estrangeiros.
Esse embate foi amplificado por iniciativas como o Projeto de Lei do deputado Aldo Rebelo, em 1999, que
propunha a proibição do uso de estrangeirismos em prol da “proteção” da língua portuguesa. Embora a propos-
ta tenha gerado discussões acaloradas, foi amplamente criticada por linguistas, que destacaram a inviabilidade
de legislar sobre algo tão dinâmico como a língua.

Integração e Aportuguesamento
Nem todos os estrangeirismos mantêm sua forma original; muitos passam por um processo de aportugue-
samento, no qual são adaptados às regras da língua portuguesa. Esse fenômeno, natural ao longo do tempo,
busca integrar os empréstimos ao idioma de forma mais harmoniosa.
Exemplos incluem:
– Batom (do francês baton).
– Abajur (do francês abat-jour).
– Sutiã (do francês soutien).
Outros termos, especialmente relacionados à tecnologia, permanecem em sua grafia original, como hardwa-
re, design e pen drive. A razão para essa preservação é, muitas vezes, a falta de correspondentes à altura na
língua portuguesa.
Reflexões sobre a Abolição do Estrangeirismo
Apesar das críticas, a total abolição dos estrangeirismos é uma tarefa praticamente impossível. A língua
é um sistema dinâmico e democrático, que reflete o uso cotidiano e as necessidades comunicativas de seus
falantes. Restringir o uso de termos estrangeiros seria equivalente a tentar impor limites artificiais à evolução
natural da linguagem.
A recomendação, portanto, é o bom senso. Sempre que existir uma palavra na língua portuguesa que tradu-
za adequadamente o significado de um estrangeirismo, sua preferência é bem-vinda. Por outro lado, quando o
termo estrangeiro expressa de forma mais precisa um conceito ou objeto, sua adoção se torna inevitável.
Exemplos no Cotidiano
A sociedade está repleta de estrangeirismos que foram assimilados e, muitas vezes, passaram a ser indis-
pensáveis na comunicação. Exemplos comuns incluem:
Mantidos na forma original:
Delivery (entrega).
Show (espetáculo).
Streaming (transmissão contínua).
Aportuguesados:
Estresse (de stress).
Checar (de check).
Cachorro-quente (de hot dog).
Esses exemplos reforçam a ideia de que, com equilíbrio e contextualização, os estrangeirismos podem en-
riquecer nossas atividades discursivas sem comprometer a identidade da língua portuguesa.

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— Reflexões e Conclusão
A língua é um reflexo direto da sociedade que a utiliza. Os fenômenos linguísticos, como os neologismos
e os estrangeirismos, mostram como o idioma se adapta às transformações culturais, sociais e tecnológicas.
Contudo, esses mesmos processos geram questionamentos sobre até que ponto essas inovações impactam a
identidade linguística e cultural de uma nação.
Os neologismos evidenciam a capacidade criativa do idioma e sua função como veículo de expressão. Eles
são indispensáveis para a comunicação em um mundo em constante evolução, permitindo a nomeação de
conceitos e práticas emergentes. Além disso, ajudam a traduzir a realidade cotidiana de maneira mais precisa,
seja no campo científico, seja na literatura ou no dia a dia.
Os estrangeirismos, por sua vez, revelam a influência de relações econômicas, políticas e culturais entre
diferentes povos. Embora possam enriquecer a língua, introduzindo novas formas de pensamento e expressão,
seu uso excessivo levanta preocupações. A substituição de termos nativos por estrangeiros pode, em longo
prazo, comprometer a autenticidade e a integridade do idioma.
Assim, o debate não deve ser sobre a completa aceitação ou rejeição dessas práticas, mas sobre a forma
como elas são integradas. É necessário adotar uma postura equilibrada: valorizar a língua portuguesa, optando
por termos nativos quando eles existem, mas também reconhecer a importância de novos vocábulos quando
estes preenchem lacunas ou promovem uma comunicação mais eficiente.
A globalização, o avanço tecnológico e as interações multiculturais continuarão a impulsionar o surgimento
de neologismos e estrangeirismos. Cabe aos falantes do idioma, às instituições educacionais e aos estudiosos
da língua exercerem um papel ativo na mediação entre tradição e inovação. Esse equilíbrio assegura que a
língua portuguesa siga evoluindo sem perder suas raízes históricas e culturais.
Em resumo, a língua é um patrimônio imaterial em constante construção. Proteger sua essência não signifi-
ca estagná-la, mas sim guiar sua transformação de maneira consciente, promovendo o enriquecimento cultural
e linguístico sem descartar a importância da identidade nacional.

Arcaísmo
O arcaísmo é um fenômeno linguístico que consiste no uso de palavras, expressões ou estruturas gramati-
cais que caíram em desuso ao longo do tempo. Representa uma ligação com as formas antigas de um idioma,
sendo mais frequentemente encontrado em textos históricos, literários ou jurídicos. Embora atualmente possa
ser visto como algo ultrapassado, o arcaísmo desempenha um papel fundamental para o estudo da evolução da
língua e da cultura de uma sociedade. Ele também se manifesta como recurso estilístico em certas produções
literárias ou em situações específicas, como a linguagem formal utilizada no Direito.

O Que São Arcaísmos?


Os arcaísmos podem ser definidos como unidades linguísticas — sejam vocábulos, expressões idiomáticas
ou construções sintáticas — que foram substituídas por formas mais modernas. Em geral, eles surgem como
vestígios da evolução natural da língua, refletindo mudanças culturais, tecnológicas e sociais. Por exemplo, na
Língua Portuguesa, palavras como vossa mercê foram substituídas por formas mais curtas e informais, como
você.

Exemplos de Arcaísmos:
•Vocabulário: assucar (açúcar), almafa (almofada).
•Expressões: cumprir a fado (cumprir o destino), a guisa de (à maneira de).
•Construções: Faz-se mister (é necessário).

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Arcaísmo na Literatura
Na literatura, o arcaísmo muitas vezes é utilizado de forma intencional para evocar uma atmosfera de an-
tiguidade ou conferir um tom elevado e formal ao texto. Autores como Luís de Camões em Os Lusíadas e o
movimento literário do Arcadismo incorporaram amplamente termos e expressões arcaicas como elemento
estilístico. Além disso, o uso de arcaísmos pode auxiliar na caracterização de personagens ou na ambientação
de narrativas históricas.

Exemplo Literário:
No verso de Camões:
“As armas e os barões assinalados, que da ocidental praia Lusitana...”
Expressões como barões assinalados demonstram um vocabulário e uma construção típicos de seu tempo.

Arcaísmo no Direito
O Direito é um dos campos onde o arcaísmo ainda é marcante. O vocabulário jurídico conserva expressões
tradicionais por questões de formalidade e precisão. Termos como data venia (com o devido respeito), ex vi le-
gis (por força da lei), e outrossim são amplamente utilizados, mesmo que não sejam comuns na língua corrente.
Essa persistência ocorre porque o Direito é baseado na tradição, e a utilização de arcaísmos reforça a so-
lenidade e a autoridade das normas jurídicas. Contudo, há um movimento crescente para modernizar a lingua-
gem jurídica e torná-la mais acessível à população.

Diferença Entre Arcaísmo e Erro Linguístico


É importante distinguir o arcaísmo de um erro linguístico. O arcaísmo é intencional e reflete formas anterior-
mente corretas e aceitas na língua. Já os erros linguísticos resultam do desconhecimento das normas vigentes
ou de falhas na aplicação das regras gramaticais.

Exemplo de Diferenciação:
•Arcaísmo: “Vossa mercê há de ser servida.” (forma antiga, mas correta).
•Erro: “Você vai ser servido.” (erro de concordância verbal com sujeito feminino).

Latinismos

EXPRESSÕES E VOCÁBULOS LATINOS


Embora muitos gramáticos e estudiosos da língua defendam que se deve privilegiar o uso de palavras em
português, diversas palavras e expressões latinas são usadas diariamente pelos falantes da língua, quer em
linguagem formal ou de áreas específicas, quer em linguagem informal.
As expressões latinas não sofrem processos de aportuguesamento, devendo assim ser escritas em sua for-
ma original, sem qualquer tentativa de aproximação às regras ortográficas e fonológicas da língua portuguesa.
Deverão, contudo, ser grafadas com algum sinal indicativo da sua condição de expressão de outro idioma:
em itálico, entre aspas, sublinhadas, em negrito. Confira exemplos das principais palavras e expressões latinas
usadas atualmente na língua portuguesa:
Ab initio: desde o princípio.
A contrario sensu: em sentido contrário, pela razão contrária.
A posteriori: pelo que segue, depois de um fato. Diz-se do raciocínio que se remonta do efeito à causa.

80
A priori: segundo um princípio anterior, admitido como evidente; antes de argumentar, sem prévio conhe-
cimento.
Apud: em, junto a, junto em. Emprega-se em citações indiretas, isto é, citações colhidas numa obra.
Carpe Diem: “Aproveita o dia”. (Aviso para que não desperdicemos o tempo).
Curriculum Vitae: conjuntos de dados relativos ao estado civil, ao preparo profissional e às atividades an-
teriores de quem se candidata a um emprego.
Data venia: concedida a licença, com a devida vênia. É uma expressão respeitosa com que se inicia uma
argumentação discordante da de outrem.
Et cetera (ou Et caetera) (abrev.: etc.): e as outras coisas, e os outros, e assim por diante. Apesar de seu
sentido etimológico (= e outras coisas), emprega-se, atualmente, não somente após nomes de coisas, mas
também de pessoas, como expressão continuativa.
Exempli gratia: por exemplo. É expressão sinônima de Verbi gratia.
Habeas corpus: “Que tenhas o corpo”. Meio extraordinário de garantir e proteger todo aquele que sofre vio-
lência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte de qualquer autoridade
legítima.
Habeas data: “Que tenha os dados”, “Que conheça os dados”. Trata-se de garantia ativa dos direitos fun-
damentais, que se destina a assegurar:
a) o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de
dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.
Homo sapiens: homem sábio; nome da espécie humana na nomenclatura de Lineu.
Id est: isto é, quer dizer. Às vezes, aparece abreviadamente (i.e.).
In memoriam: em comemoração, para memória, para lembrança.
In posterum: no futuro.
In terminis: no fim. Decisão final que encerra o processo.
In verbis: nestes termos, nestas palavras. Emprega-se para exprimir as citações ou as referências feitas
com as palavras da pessoa que se citou ou do texto a que se alude.
Ipsis Verbis: pelas próprias palavras, exatamente, sem tirar nem pôr.
Lato sensu: em sentido amplo, em sentido geral.
Per capita: por cabeça, para cada indivíduo.
Quorum: número mínimo de membros presentes necessário para que uma assembleia possa funcionar ou
deliberar regularmente.
Sic: assim, assim mesmo, exatamente. Pospõe-se a uma citação, ou nela se intercala, entre parênteses ou
entre colchetes, para indicar que o texto original é da forma que aparece.
Statu quo: “No estado em que”. Emprega-se, na linguagem jurídica, para indicar a forma, a situação ou a
posição em que se encontra certa questão ou coisa em determinado momento.
Stricto sensu: em sentido restrito, em sentido literal.
Verbi gratia: por exemplo.
Verbum ad verbum: palavra por palavra, textualmente, literalmente.

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Ortografia

A ortografia oficial da língua portuguesa trata das regras que orientam a escrita correta das palavras, ga-
rantindo a padronização e a clareza na comunicação. Essas normas são fundamentais para a uniformidade da
língua escrita, tanto em contextos formais quanto informais. Ao longo do tempo, o português passou por diver-
sas reformas ortográficas, sendo a mais recente o Novo Acordo Ortográfico, que trouxe algumas mudanças na
grafia de palavras e na inclusão de certas letras no alfabeto oficial.
Aprender a ortografia correta de uma língua exige prática, e a leitura é uma das ferramentas mais eficazes
para alcançar esse objetivo. A leitura regular não apenas amplia o vocabulário, mas também auxilia na memori-
zação das grafias, uma vez que expõe o leitor a diferentes padrões e contextos. No entanto, apesar da existên-
cia de regras claras, a ortografia do português é repleta de exceções, exigindo atenção redobrada dos falantes.
Neste texto, serão abordadas as principais regras ortográficas do português, com destaque para dúvidas
comuns entre os falantes. Desde o uso das letras do alfabeto até as regras para o emprego de X, S e Z, vere-
mos como essas normas são aplicadas e quais são os erros mais frequentes. Além disso, exploraremos a dis-
tinção entre parônimos e homônimos, palavras que, por sua semelhança gráfica ou sonora, costumam causar
confusão.

— O Alfabeto na Língua Portuguesa


O alfabeto da língua portuguesa é composto por 26 letras, sendo que cada uma possui um som e uma
função específica na formação de palavras. Essas letras estão divididas em dois grupos principais: vogais e
consoantes. As vogais são cinco: A, E, I, O, U, enquanto as demais letras do alfabeto são classificadas como
consoantes.
A principal função das vogais é servir de núcleo das sílabas, enquanto as consoantes têm a função de
apoiar as vogais na formação de sílabas e palavras. Essa divisão permite uma vasta combinação de sons, o
que torna o português uma língua rica e complexa em termos de fonologia e grafia.

Inclusão das Letras K, W e Y


Com a implementação do Novo Acordo Ortográfico, assinado pelos países lusófonos em 1990 e efetivado
em 2009, houve a reintrodução das letras K, W e Y no alfabeto oficial da língua portuguesa. Essas letras, que
anteriormente eram consideradas estranhas ao alfabeto, passaram a ser aceitas oficialmente em determinadas
circunstâncias específicas.
As letras K, W e Y são utilizadas em:
– Nomes próprios estrangeiros: Exemplo: Kátia, William, Yakov.
– Abreviaturas e símbolos internacionais: Exemplo: km (quilômetro), watts (W).
O objetivo dessa inclusão foi alinhar a ortografia portuguesa com o uso global dessas letras em contextos
internacionais, especialmente para garantir a correta grafia de nomes e símbolos que fazem parte da cultura e
ciência contemporâneas.

Relevância do Alfabeto para a Ortografia


Compreender o alfabeto e suas características é o primeiro passo para dominar a ortografia oficial. A com-
binação correta das letras, assim como o reconhecimento dos sons que elas representam, é fundamental para
escrever com precisão. A distinção entre vogais e consoantes e o uso adequado das letras adicionadas pelo
Acordo Ortográfico são pilares essenciais para evitar erros na grafia de palavras.
A familiaridade com o alfabeto também ajuda a identificar casos de empréstimos linguísticos e termos es-
trangeiros que foram incorporados ao português, reforçando a necessidade de se adaptar às mudanças orto-
gráficas que ocorrem com o tempo.

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Uso do “X”
O uso da letra “X” na língua portuguesa é uma das áreas que mais geram dúvidas devido à sua pronúncia
variável e à multiplicidade de regras que regem sua grafia. Dependendo da palavra, o “X” pode assumir dife-
rentes sons, como /ch/ (em “chave”), /ks/ (em “táxi”), /s/ (em “próximo”) ou até mesmo /z/ (em “exemplo”). Além
disso, há regras específicas que ajudam a determinar quando se deve usar o “X” ao invés de outras letras,
como o “CH”.
A seguir, serão apresentadas algumas regras e dicas práticas para o uso correto do “X” na ortografia portu-
guesa.

Após as Sílabas “ME” e “EN”


Uma das principais regras de uso do “X” é sua ocorrência após as sílabas “me” e “en”, uma peculiaridade
que se aplica a muitas palavras do português. Em casos como esses, o “X” deve ser utilizado em vez do “CH”.
Exemplos:
– Mexer (não “mecher”)
– Enxergar (não “enchergar”)

Após Ditongos
Outro caso comum de uso do “X” é após ditongos, que são encontros de duas vogais na mesma sílaba.
Nessa situação, a letra “X” é empregada em vez de outras consoantes, como o “S” ou o “CH”.
Exemplos:
– Caixa (não “caicha”)
– Baixo (não “baicho”)

– Palavras de Origem Indígena ou Africana


O “X” também é utilizado em muitas palavras de origem indígena ou africana, refletindo a influência dessas
culturas na formação do vocabulário da língua portuguesa. Esses termos foram incorporados ao idioma ao lon-
go da colonização e preservam a grafia com “X”.
Exemplos:
– Abacaxi (fruto de origem indígena)
– Orixá (divindade de religiões de matriz africana)

– Exceções e Particularidades
Apesar dessas regras, o uso do “X” na língua portuguesa está cheio de exceções que não seguem um pa-
drão claro, o que muitas vezes exige que o falante simplesmente memorize a grafia correta de certas palavras.
Por exemplo, palavras como exceção, excluir e exame não seguem as regras gerais e precisam ser decoradas.
Uma maneira eficaz de evitar erros na escrita do “X” é observar o contexto em que ele aparece. As regras
mencionadas anteriormente são úteis, mas em muitos casos, a leitura frequente e a exposição à língua são as
melhores estratégias para memorizar a grafia correta. Além disso, é importante atentar-se às exceções que não
seguem uma regra clara e que podem confundir o falante.
Dominar o uso do “X” é essencial para escrever de forma clara e correta, já que muitos erros comuns de
ortografia envolvem justamente a confusão entre o “X” e outras letras que apresentam sons similares.

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Uso do “S” e “Z”
O uso correto das letras “S” e “Z” na língua portuguesa pode gerar confusão, pois ambas podem produzir
o som de /z/ em determinadas palavras. No entanto, há regras que orientam a escolha entre essas duas letras
em diferentes contextos. A seguir, serão apresentadas algumas dessas regras para ajudar a diferenciar o uso
do “S” e do “Z”.

Uso do “S” com Som de “Z”


A letra “S” pode assumir o som de /z/ em alguns casos específicos. Essas ocorrências, embora comuns,
seguem regras claras que facilitam a sua identificação.

a) Após Ditongos
O “S” assume o som de /z/ quando aparece logo após um ditongo (encontro de duas vogais na mesma
sílaba).
Exemplos:
– Coisa
– Maisena
b) Palavras Derivadas de Outras com “S” na Palavra Primitiva
Em palavras derivadas, se a palavra primitiva já contém a letra “S”, essa letra deve ser mantida na palavra
derivada, mesmo que o som seja de /z/.
Exemplo:
– Casa → Casinha
– Análise → Analisador
c) Sufixos “ês” e “esa” Indicando Nacionalidade ou Título
Nos sufixos “ês” e “esa”, usados para indicar nacionalidade, título ou origem, a letra “S” também pode ter o
som de /z/.
Exemplos:
– Francês, portuguesa
– Marquês, duquesa
d) Sufixos Formadores de Adjetivos: “ense”, “oso” e “osa”
Quando palavras formam adjetivos com os sufixos “ense”, “oso” e “osa”, a letra “S” também é utilizada com
o som de /z/.
Exemplos:
– Paranaense, londrinense
– Preguiçoso, gloriosa

– Uso do “Z”
A letra “Z” tem regras bem definidas em relação à sua utilização, especialmente em radicais e sufixos de
palavras.

a) Em Palavras que Têm Radicais com “Z”


O “Z” é mantido em palavras derivadas que possuem o radical ou a forma primitiva com essa letra. Isso
ocorre principalmente em verbos e substantivos.

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Exemplos:
– Feliz → Felicidade
– Realizar → Realização

b) Verbos Terminados em “-izar”


Os verbos terminados em “-izar” costumam ter sua forma baseada em substantivos ou adjetivos que não
terminam com “S”, mas com “Z”. Essa regra é bastante comum na formação de verbos que indicam a ação de
transformar algo.
Exemplos:
– Civilizar (de “civil”)
– Organizar (de “organização”)

c) Palavras com Sufixos “-ez”, “-eza”


Os sufixos “-ez” e “-eza”, que formam substantivos abstratos, também utilizam a letra “Z”.
Exemplos:
– Beleza
– Tristeza

Diferenças Regionais e Exceções


Embora existam regras claras para o uso do “S” e do “Z”, algumas palavras apresentam variações regionais
ou são exceções às regras, o que exige memorização. Termos como analisar e paralisar, por exemplo, mantêm
o “S” mesmo quando derivam de substantivos com “Z” (análise, paralisação), representando uma exceção à
regra dos verbos terminados em “-izar”.

Dicas para Evitar Confusões


Para evitar erros frequentes no uso do “S” e do “Z”, é recomendável:
– Estudar e reconhecer as palavras que seguem as regras.
– Praticar a leitura regular, uma vez que isso ajuda na memorização da grafia correta.
– Prestar atenção ao radical das palavras, especialmente na formação de verbos e substantivos derivados.
Dominar o uso correto de “S” e “Z” é fundamental para escrever com precisão, já que essas letras estão
presentes em muitas palavras da língua portuguesa, e pequenos erros podem mudar o significado das palavras
ou comprometer a clareza da comunicação.

Uso do “S”, “SS” e “Ç”


O uso correto das letras “S”, “SS” e “Ç” é um dos aspectos fundamentais da ortografia da língua portuguesa.
Essas letras têm sons parecidos, mas sua aplicação obedece a regras específicas que, quando seguidas, aju-
dam a evitar erros na escrita. A seguir, veremos as principais orientações para o uso adequado de cada uma.

Uso do “S”
A letra “S” pode assumir sons diferentes, dependendo de sua posição dentro da palavra e das letras que a
circundam. Ela pode ter som de /s/ (surdo) ou de /z/ (sonoro), e algumas regras ajudam a definir seu uso.

a) Entre Vogal e Consoante


Quando o “S” aparece entre uma vogal e uma consoante, seu som é surdo (como /s/), e ele é mantido nessa
posição.

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Exemplos:
– Diversão (entre e e n)
– Mansão (entre a e n)

b) No Início de Palavras ou Entre Consoantes


Quando o “S” está no início de palavras ou aparece entre consoantes, ele também tem som de /s/ e é escrito
com uma única letra “S”.
Exemplos:
– Saúde (início da palavra)
– Perspectiva (entre consoantes)

c) Entre Duas Vogais


Quando o “S” aparece entre duas vogais, o mais comum é que ele tenha som de /z/ (som sonoro).
Exemplos:
– Casa (som de /z/ entre a e a)
– Rosa (som de /z/ entre o e a)

— Uso do “SS”
A dupla “SS” é utilizada para marcar o som surdo /s/ quando ele ocorre entre duas vogais. O “SS” é a forma
que preserva o som de /s/ em palavras derivadas e compostas, diferenciando-se do uso de “S” simples, que
teria o som de /z/ nesse contexto.
Exemplos:
– Processo
– Passagem
Uma regra importante é que o “SS” nunca é utilizado no início de palavras, sendo uma combinação exclu-
siva de vogais.
Exemplos:
– Missão
– Apressar

Uso do “Ç”
O “Ç” (cedilha) sempre tem som de /s/ e só pode ser usado antes das vogais “A”, “O” e “U”. Ele é uma forma
especial da letra “C” usada para representar o som de /s/ nessas condições. O “Ç” nunca aparece antes das
vogais “E” e “I”, e, em vez dele, usa-se o “S” para produzir o mesmo som.

a) Uso em Palavras Estrangeiras Aportuguesadas


Muitas palavras de origem estrangeira que foram aportuguesadas utilizam o “Ç” para garantir a coerência
com as regras ortográficas do português.
Exemplo:
– Muçarela (adaptado do italiano “mozzarella”)

b) Em Palavras Derivadas
Em palavras derivadas, o “Ç” é mantido quando ele já existe na palavra primitiva e é combinado com sufixos.

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Exemplo:
– Crescer → Crescimento

— Regras Gerais e Exceções


Apesar de existirem regras claras para o uso do “S”, “SS” e “Ç”, há algumas exceções que precisam ser
memorizadas. Um exemplo clássico é a palavra exceção, onde o “Ç” é usado sem seguir diretamente as regras
aplicáveis à maior parte das palavras com cedilha.
Além disso, o uso do “Ç” pode variar em palavras que compartilham a mesma raiz com outros idiomas, es-
pecialmente em palavras de origem latina que foram modificadas na sua grafia ao longo do tempo.

Dicas para Evitar Erros


Para facilitar a memorização e evitar confusões, algumas dicas práticas podem ser úteis:
– Entre vogais, se o som for de /s/, usa-se “SS” (processo); se o som for de /z/, usa-se “S” (casa).
– O “Ç” nunca é utilizado antes das vogais “E” ou “I”.
– Se o som de /s/ aparecer antes de uma consoante, utiliza-se o “S” (diversão).
O uso de “S”, “SS” e “Ç” segue regras bem definidas, mas existem exceções que precisam ser memorizadas
com a prática. A leitura constante é uma excelente ferramenta para familiarizar-se com essas regras e ampliar
o vocabulário de palavras corretamente grafadas. Dominar esses conceitos é essencial para garantir clareza e
precisão na comunicação escrita.

— Os Diferentes “Porquês”
A língua portuguesa apresenta quatro formas distintas para a palavra “porquê”: por que, porque, por quê e
porquê. Cada uma dessas formas tem uma função específica na frase, e seu uso incorreto é uma das principais
dúvidas ortográficas dos falantes. A seguir, veremos as regras que determinam quando e como utilizar correta-
mente cada uma dessas formas.

Por que
A forma “por que” é uma combinação da preposição “por” com o pronome interrogativo ou relativo “que”. Ela
pode aparecer em perguntas diretas ou indiretas e, em alguns casos, introduz orações subordinadas.

a) Usado em Perguntas Diretas


Quando está no início de uma pergunta direta, o “por que” tem o sentido de “por qual motivo” ou “por qual
razão”. Nessa construção, ele não leva acento e costuma vir no início da frase interrogativa.
Exemplos:
– Por que você chegou tarde?
– Por que eles não vieram à reunião?

b) Usado em Perguntas Indiretas


Também pode ser utilizado em perguntas indiretas, que não contêm o sinal de interrogação, mas ainda in-
dicam uma dúvida ou questionamento.
Exemplos:
– Quero saber por que ele se atrasou.
– Não entendo por que ela não respondeu.

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c) Usado com Pronomes Relativos
Quando o “que” funciona como um pronome relativo, o “por que” pode ser usado para introduzir orações
subordinadas, e nesse caso também significa “pelo qual” ou “pela qual”.
Exemplo:
– Esse é o motivo por que eu me preocupo tanto.

Porque
A forma “porque” é uma conjunção explicativa ou causal. Ela é utilizada para indicar a causa ou motivo de
algo, conectando duas ideias de forma que a segunda explica a primeira. Diferente de “por que”, “porque” nunca
é usado em perguntas, apenas em respostas ou justificativas.
Exemplos:
– Ele não veio porque estava doente.
– Fui embora cedo porque estava cansado.
Nesse contexto, a palavra “porque” pode ser substituída por “pois”, já que ambas expressam explicações
ou razões.

Por quê
A forma “por quê” é usada em final de frases interrogativas, ou seja, em perguntas diretas quando o “que”
aparece no final da oração. Nesse caso, o “que” recebe acento por estar em posição final e o uso mantém o
sentido de “por qual motivo”.
Exemplos:
– Você está cansado, por quê?
– Ela saiu tão cedo, por quê?
Esse uso é exclusivo de frases interrogativas diretas e ocorre apenas quando o “quê” está antes de um sinal
de pontuação, como interrogação, exclamação ou ponto final.

Porquê
A forma “porquê” é um substantivo e, como tal, vem sempre acompanhado de um artigo, numeral, prono-
me ou adjetivo, funcionando como qualquer outro substantivo comum. Ele significa “motivo” ou “razão” e deve
sempre ser acentuado.
Exemplos:
– Não entendo o porquê de tanta confusão.
– Explique-me os porquês dessa decisão.
Uma dica útil para não errar o uso dessa forma é lembrar que ela pode ser substituída diretamente por “mo-
tivo”. Se a troca for possível, o correto é usar “porquê”.
Exemplos:
– Ela não me disse o porquê.
(Ela não me disse o motivo.)
– Gostaria de saber os porquês dessa mudança.
(Gostaria de saber os motivos.)

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Dicas Práticas
– Se for uma pergunta direta ou indireta, use “por que”.
– Se estiver explicando algo ou dando uma justificativa, use “porque”.
– Se o “que” estiver no final de uma pergunta direta, use “por quê” com acento.
– Se puder substituir por “motivo”, use “porquê” (substantivo).
Compreender as diferentes formas do “porquê” é essencial para a escrita correta em português, pois o uso
inadequado pode causar confusão e prejudicar a clareza da comunicação. Embora existam regras específicas,
a prática da leitura e o exercício constante ajudam a fixar o emprego correto dessas palavras no dia a dia, ga-
rantindo uma comunicação mais clara e precisa.

— Parônimos e Homônimos
As palavras parônimas e homônimas representam dois fenômenos linguísticos que podem causar confu-
são tanto na escrita quanto na fala, devido à semelhança fonética ou gráfica que possuem. Embora parecidas,
essas palavras têm significados completamente diferentes. A compreensão desses conceitos é essencial para
evitar equívocos na comunicação, principalmente em textos formais e em concursos públicos.

Parônimos
Os parônimos são palavras que têm grafia e pronúncia semelhantes, mas significados distintos. Essa simi-
laridade muitas vezes leva a erros na escolha da palavra correta, especialmente em contextos em que o uso
preciso do vocabulário é necessário. Esses erros, além de alterarem o sentido do que se quer comunicar, po-
dem prejudicar a clareza e a formalidade do texto.

Exemplos de Parônimos:
– Cumprimento (saudação) x Comprimento (extensão)
– Exemplo: O cumprimento do chefe foi cordial. / A mesa tem dois metros de comprimento.
– Tráfego (movimento de veículos) x Tráfico (comércio ilegal)
– Exemplo: O tráfego estava intenso nesta manhã. / A polícia prendeu uma quadrilha de tráfico de drogas.
– Descrição (ato de descrever) x Discrição (qualidade de ser discreto)
– Exemplo: A descrição do lugar foi detalhada. / Ele foi elogiado por sua discrição no trabalho.
– Emergir (vir à tona) x Imergir (afundar)
– Exemplo: O submarino começou a emergir lentamente. / O mergulhador teve que imergir profundamente.
Esses exemplos mostram como pequenas diferenças na grafia podem alterar significativamente o sentido
da frase. Dominar a diferença entre parônimos é crucial para manter a precisão na comunicação.

Homônimos
Os homônimos são palavras que possuem a mesma grafia ou mesma pronúncia, mas que têm significados
diferentes. Dependendo do tipo de homonímia, elas podem ser classificadas em:
– Homônimos perfeitos: possuem a mesma grafia e mesma pronúncia, mas têm significados distintos.
– Homônimos homófonos: têm a mesma pronúncia, mas a grafia é diferente.
– Homônimos homógrafos: têm a mesma grafia, mas a pronúncia é diferente.
a) Homônimos Perfeitos
Esses homônimos possuem grafia e pronúncia idênticas, mas seus significados variam de acordo com o
contexto em que são utilizados.

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Exemplos:
– Rio (verbo “rir”) x Rio (curso d’água)
– Exemplo: Ele rio das piadas. / O rio estava cheio após a chuva.
– Manga (parte da roupa) x Manga (fruta)
– Exemplo: A manga da camisa rasgou. / O suco de manga estava delicioso.
– Banco (instituição financeira) x Banco (assento)
– Exemplo: Preciso ir ao banco sacar dinheiro. / Sentei no banco da praça.
b) Homônimos Homófonos
Os homônimos homófonos têm a mesma pronúncia, mas a grafia é diferente, o que os diferencia na escrita,
embora soem da mesma maneira na fala.
Exemplos:
– Sessão (reunião ou evento) x Cessão (ato de ceder) x Seção (divisão, departamento)
– Exemplo: A sessão de cinema foi cancelada. / A cessão de direitos foi formalizada. / Ele trabalha na seção
de contabilidade.
– Conserto (reparo) x Concerto (apresentação musical)
– Exemplo: O conserto do carro ficou caro. / O concerto de piano foi maravilhoso.
– Acento (marca gráfica) x Assento (local onde se senta)
– Exemplo: O professor corrigiu o acento na palavra. / O assento do ônibus estava quebrado.
c) Homônimos Homógrafos
Os homônimos homógrafos possuem a mesma grafia, mas são pronunciados de forma diferente, alterando
o significado dependendo da entonação.
Exemplos:
– Colher (verbo: pegar algo) x Colher (substantivo: utensílio)
– Exemplo: Vou colher frutas no pomar. / A colher de sopa está na gaveta.
– Sede (desejo de beber) x Sede (local, matriz)
– Exemplo: Estou com muita sede após o treino. / A empresa mudou sua sede para São Paulo.

Dicas para Diferenciar Parônimos e Homônimos


– Contexto: Preste atenção ao contexto da frase. Muitas vezes, a forma correta de usar um parônimo ou
homônimo só pode ser determinada pela análise do sentido global da oração.
– Leitura e prática: Ler com frequência é uma excelente maneira de aumentar o vocabulário e fixar a grafia
e os significados das palavras.
– Consultas ao dicionário: Quando estiver em dúvida sobre o uso de uma palavra, consultar um dicionário
é uma prática importante, principalmente em casos de homônimos e parônimos.
Parônimos e homônimos são armadilhas frequentes para quem escreve ou fala português, mas, com o de-
vido cuidado, é possível aprender a diferenciá-los e usá-los corretamente.
O entendimento dessas palavras não só evita erros, como também enriquece a comunicação, tornando-a
mais precisa e clara. A prática constante e a atenção ao contexto são fundamentais para dominar o uso correto
desses termos.

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Dominar as regras ortográficas da língua portuguesa é essencial para garantir clareza e precisão na comu-
nicação escrita. A ortografia oficial, incluindo aspectos como o uso correto do “X”, “S”, “Z”, “SS” e “Ç”, assim
como a distinção entre os diferentes “porquês”, é uma ferramenta fundamental para quem deseja evitar erros
comuns na grafia. Além disso, o entendimento da diferença entre parônimos e homônimos é crucial para a es-
colha adequada das palavras, prevenindo equívocos que podem alterar completamente o sentido de uma frase.
Esses tópicos são especialmente importantes para candidatos a concursos públicos, onde a correção gra-
matical é avaliada rigorosamente. A leitura constante, o estudo das regras e a prática diária da escrita são as
melhores estratégias para fixar o uso correto da ortografia e expandir o vocabulário. Embora algumas exceções
possam parecer desafiadoras, o conhecimento dessas normas torna-se, com o tempo, uma habilidade valiosa
para a produção de textos mais consistentes e profissionais.
Portanto, é essencial que o estudo da ortografia seja contínuo, visto que ele aprimora tanto a comunicação
pessoal quanto a profissional, contribuindo para uma expressão escrita mais assertiva e confiante.

Acentuação gráfica

— Definição
A acentuação gráfica consiste no emprego do acento nas palavras grafadas com a finalidade de estabe-
lecer, com base nas regras da língua, a intensidade e/ou a sonoridade das palavras. Isso quer dizer que os
acentos gráficos servem para indicar a sílaba tônica de uma palavra ou a pronúncia de uma vogal. De acordo
com as regras gramaticais vigentes, são quatro os acentos existentes na língua portuguesa:
– Acento agudo: Indica que a sílaba tônica da palavra tem som aberto. Ex.: área, relógio, pássaro.
– Acento circunflexo: Empregado acima das vogais “a” e” e “o”para indicar sílaba tônica em vogal fechada.
Ex.: acadêmico, âncora, avô.
– Acento grave/crase: Indica a junção da preposição “a” com o artigo “a”. Ex: “Chegamos à casa”. Esse
acento não indica sílaba tônica!
– Til: Sobre as vogais “a” e “o”, indica que a vogal de determinada palavra tem som nasal, e nem sempre
recai sobre a sílaba tônica. Exemplo: a palavra órfã tem um acento agudo, que indica que a sílaba forte é “o”
(ou seja, é acento tônico), e um til (˜), que indica que a pronúncia da vogal “a” é nasal, não oral. Outro exemplo
semelhante é a palavra bênção.  

— Monossílabas Tônicas e Átonas


Mesmo as palavras com apenas uma sílaba podem sofrer alteração de intensidade de voz na sua pronún-
cia. Exemplo: observe o substantivo masculino “dó” e a preposição “do” (contração da preposição “de” + artigo
“o”).  Ao comparar esses termos, percebermos que o primeiro soa mais forte que o segundo, ou seja, temos
uma monossílaba tônica e uma átona, respectivamente. Diante de palavras monossílabas, a dica para identifi-
car se é tônica (forte) ou fraca átona (fraca) é pronunciá-las em uma frase, como abaixo:
“Sinto grande dó ao vê-la sofrer.”
“Finalmente encontrei a chave do carro.”
Recebem acento gráfico:  
– As monossílabas tônicas terminadas em: -a(s) → pá(s), má(s); -e(s) → pé(s), vê(s); -o(s) → só(s), pôs.
– As monossílabas tônicas formados por ditongos abertos -éis, -éu, -ói. Ex: réis, véu, dói.

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Não recebem acento gráfico:
– As monossílabas tônicas: par, nus, vez, tu, noz, quis.
– As formas verbais monossilábicas terminadas em “-ê”, nas quais a 3a pessoa do plural termina em “-eem”.
Antes do novo acordo ortográfico, esses verbos era acentuados. Ex.: Ele lê → Eles lêem leem.
Exceção! O mesmo não ocorre com os verbos monossilábicos terminados em “-em”, já que a terceira pes-
soa termina em “-êm”. Nesses caso, a acentuação permanece acentuada. Ex.: Ele tem → Eles têm; Ele vem
→ Eles vêm.
Acentuação das palavras Oxítonas
As palavras cuja última sílaba é tônica devem ser acentuadas as oxítonas com sílaba tônica terminada em
vogal tônica -a, -e e -o, sucedidas ou não por -s. Ex.: aliás, após, crachá, mocotó, pajé, vocês. Logo, não se
acentuam as oxítonas terminadas em “-i” e “-u”. Ex.: caqui, urubu.

Acentuação das palavras Paroxítonas


São classificadas dessa forma as palavras cuja penúltima sílaba é tônica. De acordo com a regra geral,
não se acentuam as palavras paroxítonas, a não ser nos casos específicos relacionados abaixo. Observe as
exceções:
– Terminadas em -ei e -eis. Ex.: amásseis, cantásseis, fizésseis, hóquei, jóquei, pônei, saudáveis.
– Terminadas em -r, -l, -n, -x e -ps. Ex.: bíceps, caráter, córtex, esfíncter, fórceps, fóssil, líquen, lúmen, réptil,
tórax.  
– Terminadas em -i e -is. Ex.: beribéri, bílis, biquíni, cáqui, cútis, grátis, júri, lápis, oásis, táxi.
– Terminadas em -us. Ex.: bônus, húmus, ônus, Vênus, vírus, tônus.  
– Terminadas em -om e -ons. Ex.: elétrons, nêutrons, prótons.
– Terminadas em -um e -uns. Ex.: álbum, álbuns, fórum, fóruns, quórum, quóruns.  
– Terminadas em -ã e -ão. Ex.: bênção, bênçãos, ímã, ímãs, órfã, órfãs, órgão, órgãos, sótão, sótãos.  

Acentuação das palavras Proparoxítonas


Classificam-se assim as palavras cuja antepenúltima sílaba é tônica, e todas recebem acento, sem exce-
ções. Ex.: ácaro, árvore, bárbaro, cálida, exército, fétido, lâmpada, líquido, médico, pássaro, tática, trânsito.

Ditongos e Hiatos
Acentuam-se:
– Oxítonas com sílaba tônica terminada em abertos “_éu”, “_éi” ou “_ói”, sucedidos ou não por “_s”. Ex.:
anéis, fiéis, herói, mausoléu, sóis, véus.
– As letras “_i” e “_u” quando forem a segunda vogal tônica de um hiato e estejam isoladas ou sucedidas por
“_s” na sílaba. Ex.: caí (ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú).
Não se acentuam:
– A letra “_i”, sempre que for sucedida por de “_nh”. Ex.: moinho, rainha, bainha.
– As letras “_i” e o “_u” sempre que aparecerem repetidas. Ex.: juuna, xiita. xiita.
– Hiatos compostos por “_ee” e “_oo”. Ex.: creem, deem, leem, enjoo, magoo.
O Novo Acordo Ortográfico
Confira as regras que levaram algumas palavras a perderem acentuação em razão do Acordo Ortográfico
de 1990, que entrou em vigor em 2009:

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1 – Vogal tônica fechada -o de -oo em paroxítonas.
Exemplos: enjôo – enjoo; magôo – magoo; perdôo – perdoo; vôo – voo; zôo – zoo.
2 – Ditongos abertos -oi e -ei em palavras paroxítonas.
Exemplos: alcalóide – alcaloide; andróide – androide; alcalóide – alcaloide; assembléia – assembleia; as-
teróide – asteroide; européia – europeia.
3 – Vogais -i e -u precedidas de ditongo em paroxítonas.
Exemplos: feiúra – feiura; maoísta – maoista; taoísmo – taoismo.
4 – Palavras paroxítonas cuja terminação é -em, e que possuem -e tônico em hiato.
Isso ocorre com a 3a pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo. Exemplos: deem; lêem –
leem; relêem – releem; revêem.
5 – Palavras com trema: somente para palavras da língua portuguesa. Exemplos: bilíngüe – bilíngue; en-
xágüe – enxágue; linguïça – linguiça.
6 – Paroxítonas homógrafas: são palavras que têm a mesma grafia, mas apresentam significados diferen-
tes. Exemplo: o verbo PARAR: pára – para. Antes do Acordo Ortográfico, a flexão do verbo “parar” era acentua-
da para que fosse diferenciada da preposição “para”.
Atualmente, nenhuma delas recebe acentuação. Assim:
Antes: Ela sempre pára para ver a banda passar. [verbo / preposição]
Hoje: Ela sempre para para ver a banda passar. [verbo / preposição]

Crase

Na gramática grega, o termo quer dizer “mistura” ou “contração”, e ocorre entre duas vogais, uma final e
outra inicial, em palavras unidas pelo sentido.
Desse modo: a (preposição) + a (artigo feminino) = à; a (preposição) + aquela (pronome demonstrativo fe-
minino) = àquela; a (preposição) + aquilo (pronome demonstrativo feminino) = àquilo.
Por ser a junção das vogais, a crase, como regra geral, ocorre diante de palavras femininas, sendo a única
exceção os pronomes demonstrativos aquilo e aquele, que recebem a crase por terem “a” como sua vogal ini-
cial.
Atenção: crase não é o nome do acento, é a indicação do fenômeno de união representado pelo acento
grave.
A crase pode ser a contração da preposição a com:
– O artigo feminino definido a/as: “Foi à escola, mas não assistiu às aulas.”
– O pronome demonstrativo a/as: “Vá à paróquia central.”
– Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: “Retorne àquele mesmo local.”
– O a dos pronomes relativos a qual e as quais: “São pessoas às quais devemos o maior respeito e consi-
deração”.
Perceba que a incidência da crase está sujeita à presença de duas vogais a (preposição + artigo ou prepo-
sição + pronome) na construção sintática.

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Técnicas para o emprego da crase
1 – Troque o termo feminino por um masculino, de classe semelhante. Se a combinação ao aparecer, ocor-
rerá crase diante da palavra feminina.
Exemplos:
“Não conseguimos chegar ao hospital / à clínica.”
“Preferiu a fruta ao sorvete / à torta.”
“Comprei o carro / a moto.”
“Irei ao evento / à festa.”
2 – Troque verbos que expressem a noção de movimento (ir, vir, chegar, voltar, etc.) pelo verbo voltar. Se
aparecer a preposição “da”, ocorrerá crase; caso apareça a preposição de, o acento grave não deve ser em-
pregado.
Exemplos:
“Voltei a São Paulo. / Voltei de São Paulo.”
“Voltei à festa dos Silva. / Voltei da festa dos Silva.”
“Voltarei a Roma e à Itália. / Voltarei de Roma e da Itália.”
3 – Troque o termo regente da preposição a por um que estabeleça a preposição por, em ou de. Caso essas
preposições não façam contração com o artigo, isto é, não apareçam as formas pela(s), na(s) ou da(s), a crase
não ocorrerá.
Exemplos:
“Começou a estudar (sem crase) – Optou por estudar/Gosta de estudar/Insiste em estudar.”
“Refiro-me à sua filha (com crase) – Apaixonei-me pela sua filha / Gosto da sua filha / Votarei na sua filha.”
“Refiro-me a você. (sem crase) – Apaixonei-me por você / Gosto de você / Penso em você.”
4 – Tratando-se de locuções, isto é, grupo de palavras que expressam uma única ideia, a crase deve ser
empregada se a locução for iniciada por preposição e se ela tiver como núcleo uma palavra feminina, ocorrerá
crase.
Exemplos:
“Tudo às avessas.”
“Barcos à deriva.”
5 – Outros casos envolvendo locuções e crase:
Na locução «à moda de”, pode estar implícita a expressão “moda de”, ficando somente o à explícito.
Exemplos:
“Arroz à (moda) grega.”
“Bife à (moda) parmegiana.”
Nas locuções relativas a horários, ocorre crase apenas no caso de horas especificadas e definidas:
Exemplos:
“À uma hora.”
“Às cinco e quinze”.

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Questões

1. FGV - 2023

Entre as opções a seguir, assinale aquela em que o aumentativo sublinhado perdeu o valor de aumentativo,
designando uma outra realidade.
(A) O entregador tocou a campainha e esperou no portão.
(B) O fazendeiro tinha um cachorrão para vigiar a plantação.
(C) O panelão da feijoada já estava sobre o fogão.
(D) O apartamento tinha um varandão na frente.
(E) Na parte de trás, havia um terrenão para o plantio de frutas.

2. FGV - 2023

Assinale a opção que exemplifica a seguinte mudança de classe nas palavras: substantivos comuns que
passaram a substantivos próprios e substantivos próprios que passaram a comuns.
(A) Campina Grande / celular.
(B) Fortaleza / felicidade.
(C) Pouso Alegre / santo.
(D) Três Corações / champanha.
(E) Recife / canário.

3. FGV - 2023

Nossas necessidades são muitas, mas nossos desejos são incontáveis.


Nessa frase, o segundo termo sublinhado mostra uma intensificação do primeiro. Assinale a opção em que
essa estratégia se repete.
(A) “Livros trazem a vantagem de podermos estar sós e acompanhados.”
(B) “Documentários são tão verdadeiros ou tão mentirosos quanto a ficção.”
(C) “O escritor não escreve o que ouve, nem o que houve. Escreve o que sente.”
(D) “Quando você possui um livro com mente e espírito, você enriquece. Mas quando você o passa adiante,
enriquece triplamente.”
(E) “Livros são os mais silenciosos e constantes amigos. Os conselheiros mais acessíveis e sábios. E os
mais pacientes professores.”

4. FGV - 2023

“As pessoas de classe deixam à plebe tanto a preocupação de pensar, quanto o temor de pensar erronea-
mente.” Na frase acima, o termo sublinhado traz implícito um adjetivo (alta classe).
Assinale a opção em que a expressão sublinhada não mostra a mesma situação.
(A) Meu pai sempre aconselhava que procurássemos uma menina de família para casar.
(B) Sempre devemos respeitar as pessoas de idade.

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(C) As pessoas do interior são mais francas.
(D) A empregada trouxe do mercado um pacote de manteiga de qualidade.
(E) Os dois times mostraram um futebol de categoria.

5. FGV - 2023

Na descrição de uma paisagem, o autor do texto empregou os seguintes pares de palavras: céu azul, mar
agitado, aves ruidosas, ruído agradável, águas cálidas, atmosfera barroca, nuvens densas...
Entre todos os adjetivos empregados, os dois que pertencem a um grupo diferente dos demais, são
(A) céu azul / mar agitado.
(B) aves ruidosas / ruído agradável.
(C) atmosfera barroca / nuvens densas.
(D) ruído agradável / atmosfera barroca.
(E) águas cálidas / aves ruidosas.

6. FGV -2023

Muitas vezes podemos substituir uma locução adjetiva por um adjetivo.


Assinale a opção em que o termo sublinhado não pode ser substituído por um adjetivo.
(A) O relógio tinha uma valiosa pulseira de ouro.
(B) Os erros de ortografia devem ser evitados.
(C) As lembranças dos filhos eram guardadas numa caixa.
(D) Os livros de Matemática eram utilizados em sala.
(E) As mensalidades dos alunos eram depositadas no banco.

7. FGV - 2023

Todas as frases abaixo contêm adjetivos; assinale a frase em que esse adjetivo tem o valor de qualificação.
(A) Na guerra contra a pobreza, a lista de mortos é impublicável.
(B) Na inflação capitalista os preços sobem.
(C) A indústria farmacêutica não tem remédio.
(D) A crença de nosso cliente é o nosso maior patrimônio.
(E) Não mexa no que está quieto.

8. FGV - 2023

Assinale a frase em que o adjetivo bom/boa tem valor objetivo.


(A) Os clientes aperfeiçoaram o sistema de tornar impossível a boa propaganda.
(B) O melhor do marketing é uma boa tabela de preços.
(C) Perdoar é, além do mais, um bom negócio.
(D) Existem dias de bom tempo em que é melhor divertir-se do que fazer negócio.
(E) O dinheiro é um bom cosmético.

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9. FGV -2023

“Cheguei ao trabalho por volta das oito da manhã. Como sempre, meu chefe já estava na seção. Nunca
pude entender o porquê de ele chegar tão cedo, pois as coisas só começavam depois que todos chegassem.
Dirigi-me a minha mesa e passei a organizar o material de trabalho.”
Esse é um fragmento de texto narrativo, caracterizado basicamente pela evolução cronológica de ações.
Assinale a opção que apresenta as formas verbais que documentam essa evolução.
(A) começavam / chegassem.
(B) Cheguei / dirigi-me.
(C) estava / pude entender.
(D) pude entender / chegar.
(E) chegassem / dirigi-me.

10. FGV-2023

Conto o que me contaram. (Heródoto)


Assinale a opção que apresenta as duas formas verbais que podem substituir corretamente as formas su-
blinhadas, mantendo-se os tempos verbais.
(A) Divulguei / divulgaram.
(B) Comunico / comunicam.
(C) Expressei / expressaram.
(D) Falo / falam.
(E) Digo / disseram.

11. FGV -2023

Observe a seguinte frase: “Nunca roubes: desse modo, nunca terás sorte nos teus negócios. Procura ludi-
briar apenas”.
Toda essa frase mostra o tratamento na segunda pessoa do singular; se a passarmos para a terceira pessoa
do singular, a forma correta dessa frase seria:
(A) Nunca roubes: desse modo nunca terá sorte nos seus negócios. Procure ludibriar apenas;
(B) Nunca roube: desse modo nunca terá sorte nos seus negócios. Procure ludibriar apenas;
(C) Nunca roube: desse modo nunca terás sorte nos seus negócios. Procure ludibriar apenas;
(D) Nunca roube: desse modo nunca terá sorte nos teus negócios. Procure ludibriar apenas;
(E) Nunca roube: desse modo nunca terá sorte nos seus negócios. Procura ludibriar apenas.

12. FGV - FT2023

Todas as frases a seguir foram escritas em segunda pessoa do singular.


Assinale a opção que indica a frase que está corretamente modificada para a terceira pessoa.
(A) Tu te entretiveste toda a manhã com as crianças. / Você se entreteu toda a manhã com as crianças.
(B) Faz de conta que o dinheiro é teu e gasta-o como queiras. / Faça de conta que o dinheiro é seu e gasta-o
como queira.
(C) Tu intervieste no momento certo. / Você interviu no momento certo.

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(D) Ri livremente porque o riso é sinal de felicidade. / Rias livremente porque o riso é sinal de felicidade.
(E) Sê feliz com os teus. / Seja feliz com os seus.

13. FGV -2023

A opção abaixo em que a forma verbal destacada mostra fatos anteriores em relação aos outros é:
(A) Quando a guerra da Ucrânia terminar, muitos vão voltar ao país;
(B) Ela já terminara os exercícios quando os pais chegaram para levá-la;
(C) O diretor entrou em sala quando a maioria já saíra;
(D) O professor estava no quadro quando o aluno entrou;
(E) Todos vão saber o resultado amanhã à tarde.

14. FGV - 2023

As frases abaixo mostram um advérbio formado com o sufixo–mente.


Assinale a frase em que esse advérbio indica modo.
(A) A personalidade do homem determina antecipadamente o grau de sua fortuna.
(B) A boa sorte nunca chega tardiamente.
(C) O homem esquece mais facilmente a morte do pai do que a perda do patrimônio.
(D) Nunca faça antes o que pode ser feito posteriormente.
(E) Constantemente nos enganamos com o nosso próximo.

15. FGV - 2023

Na escrita, um só termo pode substituir, de forma adequada, uma locução ou mesmo toda uma oração. Em
todas as opções abaixo há uma locução adverbial sublinhada; a frase em que a locução foi substituída adequa-
damente por um advérbio de mesmo sentido, é:
(A) A sobremesa foi servida em seguida às iguarias / seguidamente;
(B) De antemão, o governo deve garantir certa estabilidade jurídica para que os negócios se realizem / An-
tecipadamente;
(C) De quando em quando as medidas governamentais surtem o efeito pretendido / Frequentemente;
(D) O acidente de ontem, como de ordinário, ocorreu em função das péssimas condições da rodovia / popu-
larmente;
(E) As ordens da polícia foram seguidas ao pé da letra pela população do local / preliminarmente.

16. FGV - 2023

Assinale a opção em que a preposição de traz uma contribuição semântica para a frase, não sendo uma
exigência de um termo anterior (valor gramatical).
(A) Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito e, mesmo assim, ainda gosta de você.
(B) Nunca chegarás a convencer um rato de que um gato traz boa sorte.
(C) Perdoe seus inimigos, mas não se esqueça de seus nomes.
(D) Um bebê nasce com a necessidade de ser amado.
(E) Sempre há um pouco de loucura no amor.

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17. FGV - 2023

A maioria das palavras mostra vários significados (polissemia), o que também ocorre com as preposições.
Assinale a opção que indica a frase em que a preposição com tem o significado de acordo.
(A) Gosto muito da paisagem dos velhos portos com seus barcos.
(B) Os turistas passeiam pela praia com seus cães.
(C) Com o retorno das aulas, o trânsito piora.
(D) Vamos terminar tudo, com calma.
(E) Penso que todos os sindicatos estarão com a nossa proposta.

18. FGV - 2023

Em todas as opções a seguir há um período composto por dois segmentos separados por um ponto.
Assinale a opção em que o conectivo substitui adequadamente esse ponto.
(A) Em época de paz, os filhos enterram os pais. Em épocas de guerra são os pais que enterram os filhos.
/ quando.
(B) Tenho medo de borboletas. Elas têm algo de esquisito, assustador. / conquanto.
(C) Às vezes vejo um vulto lá fora, que é a velhice. Ela vê que estou trabalhando tanto que resolve procurar
outra pessoa. / portanto.
(D) Não é preciso muito para ser um produtor de coelhos. Você coloca um casal numa gaiola e é tudo. /
enquanto.
(E) No universo tudo procede por vias indiretas. Não existem linhas retas. / pois.

19. FGV - 2023

“Se um país é regido pelos princípios da razão, a pobreza e a miséria são objeto de vergonha. Se um país
não é regido pelos princípios da razão, a riqueza e as honras são objeto de vergonha.”
Confúcio (séc. V a. C.)
Sobre a estruturação lógica desse pensamento, assinale a afirmativa correta.
(A) Os dois períodos que compõem o texto estão estruturados com base em uma comparação.
(B) Cada um dos períodos do texto mostra inicialmente uma causa seguida de sua consequência.
(C) As frases iniciais de cada período são produzidas como condições potenciais e, por isso, são falsas.
(D) Como as condições indicadas em cada oração inicial foram construídas na voz passiva, referem-se ao
passado.
(E) Os períodos do texto mostram uma diferença do ponto de vista social e econômico.

20. FGV -2023

Assinale a opção em que a segunda oração do período indica uma consequência.


(A) Já que todos estavam dormindo, a festa acabou.
(B) A música era tão alta, que ninguém conseguiu dormir.
(C) Dormir à tarde é muito bom, pois ficamos mais espertos.
(D) Consultava os dicionários porque assim conseguia ler.
(E) Decidiu viajar para a Europa, ainda que custasse caro.

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21. FGV - 2023

Texto
“Quando deve ocorrer uma auditoria empresarial?
É preciso se livrar da convicção de que uma auditoria só é necessária quando as coisas não vão bem – por-
que ela deve ser feita quando está tudo bem, quando tudo está em perfeitas condições, pois isso pode garantir
a ordem nos negócios a longo prazo
Quanto maior a empresa, mais provável é que os pontos-chave exijam auditorias completas e frequentes –
isso pode ser feito por especialistas internos qualificados ou consultores externos.
Para determinar se sua empresa precisa de uma auditoria, considere se as informações em uma área es-
pecífica são suficientemente transparentes, claras e seguras. Se não, definitivamente indica a necessidade de
uma análise aprofundada.
Outra orientação muito importante é conversar com os funcionários. Eles sabem melhor do que ninguém
se os processos são seguidos e se os requisitos burocráticos e legais são cumpridos. Portanto, comece uma
conversa.”
(Redator Ponto Tel / 20/10/2021)
Em todos os segmentos abaixo há a presença de dois termos sublinhados.
Assinale a opção em que a presença do segundo termo é dispensável, por ser sinônimo perfeito do primeiro.
(A) porque ela deve ser feita quando está tudo bem, quando tudo está em perfeitas condições.
(B) mais provável é que os pontos-chave exijam auditorias completas e frequentes.
(C) isso pode ser feito por especialistas internos qualificados ou consultores externos.
(D) as informações em uma área específica são suficientemente transparentes, claras e seguras.
(E) Eles sabem melhor do que ninguém se os processos são seguidos e se os requisitos burocráticos e
legais são cumpridos.

22. FGV - 2023

Os textos usados na prova de Língua Portuguesa podem conter uma abordagem sociológica que não ne-
cessariamente reflete o tratamento dado pelo ordenamento jurídico quanto ao tema da segurança pública.

Atenção: o texto a seguir refere-se a próxima questão.


“A segurança pública, de forma conceitual, é uma atividade que deve ser prestada pelos órgãos estatais e
pela comunidade como um todo que visa proteger a cidadania, de forma a prevenir e controlar atos de crimi-
nalidade. Sendo que essa prestação efetiva garante o exercício pleno da cidadania nos limites da lei. Dada a
importância constitucional desse serviço é que se conclui que o mesmo não pode ser executado de qualquer
forma e sim de modo satisfatório, pois, quando não o é, a sociedade fica sujeita a diversos tipos de violência
em diversas proporções, em que bens jurídicos como o patrimônio e a vida são gravemente violados. Por con-
seguinte, instituindo-se um caos de agressividade.”
([Link] / 28-07-2015)
Algumas palavras presentes no texto foram selecionadas abaixo.
Assinale a opção que mostra um sinônimo adequado para a palavra selecionada.
(A) atividade / profissão.
(B) comunidade / vizinhança.
(C) sociedade / população.
(D) agressividade / marginalidade.

100
23. FGV - 2023

Um dos problemas mais comuns da escrita é a troca entre parônimos.


Assinale a opção em que isso ocorre com a palavra sublinhada.
(A) A sobremesa estava boa, mas a calda poderia estar um pouco menos doce.
(B) Os deputados, reunidos extraordinariamente na Câmara, decidiram não apreciar o projeto.
(C) Todos os recrutas fizeram a marcha em movimento acelerado.
(D) O Prefeito decidiu deferir a solicitação dos moradores.
(E) Naquela conjetura socialmente problemática, o melhor era evitar o combate.

24. FGV - 2023

Assinale a opção que indica a frase em que ocorreu a troca indevida de uma palavra por seu parônimo.
(A) Fazei grande provisão de papel e tinta que te proporcionarei oportunidade de escrever grandes façanhas.
(B) Aquilo que pensamos saber com frequência nos impede de aprender.
(C) Como todas as outras pessoas, historiadores são mais perceptivos depois que as coisas obedecem.
(D) Graves incidentes ocorrem nas rodovias nos finais de semana, alguns deles com vítimas.
(E) Costureira decente não perde a linha.

25. FGV - 2023

Analise a frase a seguir.


“O conceito ‘bom’ tem muitos significados. Por exemplo, se um homem acertasse sua avó a uma boa dis-
tância, ele seria um bom atirador, mas não necessariamente um bom homem.”
Assinale a opção que apresenta uma característica da linguagem dessa frase.
(A) a polissemia.
(B) a ambiguidade.
(C) a redundância.
(D) o paralelismo.
(E) a expressividade.

101
Gabarito

1 A
2 D
3 D
4 C
5 D
6 D
7 D
8 D
9 B
10 E
11 B
12 E
13 B
14 C
15 B
16 E
17 E
18 E
19 A
20 B
21 A
22 C
23 E
24 D
25 A

102

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