Sumário
Introdução....................................................................................................................................2
Vida e Contexto Histórico............................................................................................................3
Principais conceitos Filosóficos...................................................................................................4
O Estado de Natureza em Thomas Hobbes..............................................................................4
O Contrato Social e a Origem do Estado...............................................................................4
As Três Causas Principais de Discórdia.........................................................................................6
O Chamado à Experiência Pessoal............................................................................................6
A Leitura do Homem em Hobbes.........................................................................................7
Passos para Pôr Termo ao Conflito Segundo Hobbes...................................................................7
Fundamentação Jurídica e Institucional........................................................................................8
1. Legitimidade e Infalibilidade do Soberano...............................................................................9
2. Definição de Liberdade.........................................................................................................9
O Estado, o Medo e a Propriedade em Hobbes............................................................................9
Filosofia Política de Hobbes.......................................................................................................11
Críticas e Influências...................................................................................................................12
O Legado de Thomas Hobbes....................................................................................................13
1. Fundamentação da Teoria Política Moderna..................................................................13
2. Impacto na Filosofia do Direito..........................................................................................13
Filosofia Política Detalhada........................................................................................................15
Conclusão...................................................................................................................................16
Bibliografia................................................................................................................................17
Introdução
O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679) é um dos pensadores mais importantes
da filosofia política moderna. Sua obra "Leviatã" (1651) é um marco na teoria do
contrato social e na análise da natureza humana. Hobbes propõe uma visão do Estado
como uma entidade necessária para assegurar a paz e a segurança, sustentada pelo medo
e pela autoridade centralizada do soberano. Este trabalho examina as principais ideias
de Hobbes sobre o Estado, o medo e a propriedade, comparando-as com outras teorias
políticas modernas, especialmente a de John Locke. Além disso, discute-se a relevância
e as críticas ao pensamento hobbesiano, explorando como suas ideias desafiaram e
influenciaram a filosofia política.
Vida e Contexto Histórico
Thomas Hobbes nasceu em 5 de abril de 1588, em Westport, uma aldeia próxima a
malmesbury, na Inglaterra. Hobbes viveu durante um período tumultuado da história
inglesa, marcado pela Guerra Civil Inglesa (1642-1651), a execução de Carlos I e a
ascensão de Oliver Cromwell. Esses eventos moldaram profundamente sua visão sobre
a necessidade de ordem e autoridade para evitar o caos social. Hobbes foi educado na
Universidade de Oxford, onde estudou a filosofia escolástica tradicional, mas logo
interessou pelas novas ciências e pelo racionalismo emergente, influenciado por figuras
como Galileo Galilei e René Descartes. Sua careira intelectual o levou a viajar pela
Europa, onde em contato com outros pensadores e cientistas da época.
Thomas Hobbes (1588 –1679)
Principais conceitos Filosóficos
O Estado de Natureza em Thomas Hobbes
Para Hobbes, o estado de natureza é uma condição hipotética anterior à formação do
Estado e da sociedade civil. Nesse estado, os indivíduos vivem sem uma autoridade
central que regule suas ações. Hobbes descreve essa condição como uma "guerra de
todos contra todos" onde a vida é "solitária, pobre, sórdida, brutal e curta". A ausência
de leis e de um poder comum leva os homens a uma constante desconfiança e
competição, onde cada uma luta pela sua própria sobrevivência.
O Contrato Social e a Origem do Estado
Hobbes é um contratualista, acreditando que a origem do Estado reside em um contrato
social. Os indivíduos, cansados da constante insegurança do estado de natureza,
concordam em renunciar a algumas de suas liberdades em troca de proteção e ordem.
Esse contrato é a base do poder soberano, que tem autoridade absoluta para garantir a
paz e a segurança. Hobbes argumenta que sem esse acordo, a sociedade não poderia
funcionar, pois a desconfiança mútua e a competição levariam inevitavelmente à guerra.
O Leviatã
O Leviatã, título de sua obra mais famosa publicada em 1651, simboliza o estado ou
soberano que emerge do contrato social. Hobbes argumenta que a autoridade absoluta
do soberano é necessária para manter a paz e evitar o retorno ao caos do estado de
natureza. O Leviatã é, portanto, uma figura de poder supremo, cuja autoridade deve ser
incontestável para garantir a estabilidade e a segurança da sociedade.
Impacto e Legado
As ideias de Hobbes tiveram um impacto profundo no desenvolvimento da filosofia
política moderna. Seu realismo e sua visão pessimista da natureza humana
influenciaram pensadores subsequentes, como John Locke e Jean-Jacques Rousseau,
que, embora discordassem de Hobbes em muitos pontos, não podiam ignorar a
importância de sua análise do contrato social.
Hobbes também é frequentemente considerado um percursor do liberalismo e do
absolutismo. Sua defesa de um governo forte e centralizado, bem como sua insistência
na necessidade de um poder soberano absoluto, contribuíram para debates sobre a
melhor forma de organizar a sociedade política.
O Medo e a Guerra no Estado de Natureza
O medo é um elemento central no pensamento de Hobbes. No estado de natureza, o
medo da morte violenta é onipresente, levando os indivíduos a adotar atitudes racionais
que muitas vezes envolvem a preempção de ataques. Hobbes postula que, em um
ambiente sem um poder comum, a guerra é a consequência natural da racionalidade
humana. Cada indivíduo, ao tentar se proteger, acaba contribuindo para a perpetuação
do conflito.
A Igualdade Natural e a Competição
Hobbes observa que, embora existam diferenças individuais, a natureza fez os homens
suficientemente iguais em capacidades corporais e intelectuais para que ninguém possa
reclamar uma superioridade absoluta. Essa igualdade gera competição, pois os recursos
são limitados e todos têm aproximadamente a mesma capacidade de alcançar o que
desejam. A desconfiança e o desejo de segurança levam os homens a conflitos
constantes, reforçando a necessidade de um poder central para manter a ordem.
Críticas e Mal-Entendidos sobre o Contratualismo
No século XIX, críticos como Sir Henry Maine questionaram a plausibilidade do
contratualismo, argumentando que selvagens isolados não teriam a sofisticação
necessária para formular um contrato social. No entanto, essa crítica perde de vista o
ponto central de Hobbes: o estado de natureza é uma construção teórica para explicar a
necessidade de um poder soberano, não uma descrição literal de um estágio histórico.
Hobbes não sugere que indivíduos primitivos se reuniram para elaborar um contrato,
mas que a natureza humana, constante ao longo do tempo, exige uma autoridade para
evitar o caos.
A Ciência Política de Hobbes
Para Hobbes, a ciência política deve ser baseada em princípios racionais e matemáticos,
comparando o contrato social a um teorema geométrico. Ele defende que o
conhecimento político deve ser seguro e certo, construído pela razão humana. Hobbes
rejeita a ideia de uma sociabilidade natural, argumentando que a organização social é
um produto da razão e do contrato, não de uma tendência inata dos seres humanos.
A Igualdade e a Competição em Hobbes
Hobbes argumenta que, na natureza humana, há uma igualdade fundamental em relação
à capacidade e à esperança de atingir os fins desejados. No entanto, essa igualdade gera
competição, especialmente quando os indivíduos desejam os mesmos recursos escassos.
Essa competição leva à desconfiança mútua e à guerra no estado de natureza.
A Desconfiança e a Guerra no Estado de Natureza
No estado de natureza hobbesiano, a ausência de um poder comum para regular as
interações humanas leva à desconfiança generalizada. Os indivíduos, preocupados com
sua própria segurança, estão constantemente em alerta contra possíveis ataques de
outros. Essa desconfiança alimenta a guerra de todos contra todos, tornando a vida
solitária, brutal e curta.
A Política do Medo e da Antecipação
Hobbes descreve uma política baseada no medo e na antecipação. No estado de
natureza, a razão leva os homens a adotar medidas preventivas contra possíveis
ameaças, incluindo a subjugação de outros para garantir sua própria sobrevivência. A
ausência de um poder comum capaz de manter todos em respeito leva os indivíduos a
agirem de forma a assegurar sua própria segurança.
As Três Causas Principais de Discórdia
Para Hobbes, a competição, a desconfiança e a glória são as três principais causas de
discórdia entre os homens. A competição leva os indivíduos a buscar lucro, a
desconfiança os leva a buscar segurança, e a glória os leva a buscar reputação. Essas
paixões humanas alimentam o conflito e a guerra no estado de natureza.
O Chamado à Experiência Pessoal
Hobbes desafia seus leitores a refletirem sobre suas próprias experiências para
compreenderem a natureza humana. Ele sugere que a desconfiança e a precaução são
atitudes naturais em um mundo onde não há garantia de segurança. Ao examinarem suas
próprias ações e motivações, os indivíduos podem compreender melhor as paixões
humanas que alimentam o conflito.
A Leitura do Homem em Hobbes
Hobbes argumenta que a verdadeira sabedoria vem da compreensão do homem, não
apenas da leitura dos livros. Ele convida seus leitores a conhecerem a si mesmos, a
lerem suas próprias paixões e pensamentos, para entenderem melhor as motivações
humanas. Essa leitura do homem é essencial para a construção de uma política baseada
na razão e na compreensão das paixões humanas.
Passos para Pôr Termo ao Conflito Segundo Hobbes
Renúncia ao Direito de Natureza: Cada indivíduo deve concordar em renunciar ao seu
direito de fazer tudo o que queira, uma vez que a manutenção desse direito leva
inevitavelmente ao estado de guerra. Esta renúncia é um passo fundamental para a
formação do contrato social.
Estabelecimento da Lei de Natureza: A lei de natureza, conforme definida por Hobbes,
é um preceito ou regra geral estabelecida pela razão, que proíbe ações que possam
destruir a vida de um homem ou privá-lo dos meios de preservá-la. A primeira lei de
natureza é procurar a paz e segui-la.
Formação do Contrato Social: Os indivíduos pactuam entre si para formar uma
sociedade sob um poder comum, seja ele um monarca ou uma assembleia. Este contrato
não é feito com o soberano (que ainda não existe), mas entre os próprios indivíduos, que
concordam em autorizar o soberano a agir em nome de todos.
Conferência de Autoridade Absoluta ao Soberano: O soberano, uma vez instituído, deve
possuir autoridade absoluta. Este poder absoluto é necessário para assegurar a paz e a
defesa comuns. Sem essa autoridade, as leis da natureza, que promovem justiça e
equidade, não seriam eficazes devido às paixões naturais dos homens, como o orgulho e
a vingança.
Manutenção do Poder Soberano: Hobbes argumenta que o poder do soberano deve ser
indivisível e inquestionável. Qualquer tentativa de limitar o poder do soberano ou de
estabelecer uma autoridade alternativa conduziria ao retorno do estado de guerra.
Portanto, o soberano não está sujeito ao contrato e suas ações não podem ser
consideradas uma violação do pacto.
Implementação de um Estado de Paz: Com o estabelecimento do soberano, os
indivíduos passam a viver sob um estado de paz, onde a autoridade central regula a
justiça, protege os direitos e assegura a cooperação mútua entre os cidadãos.
Fundamentação Jurídica e Institucional
Distinção entre Jus e Lex: Hobbes distingue entre direito (jus) e lei (lex). O direito
consiste na liberdade de fazer ou omitir, enquanto a lei determina ou obriga a uma
dessas ações. Esta distinção é crucial para entender o contrato social, onde os indivíduos
renunciam a parte de seus direitos em favor da paz.
Papel da Imagem e Honra: No estado natural, a busca pela honra e a imaginação
exacerbada são fontes de conflito. Sob o governo soberano, a regulação da imaginação e
a atribuição de honra são controladas pelo poder central, reduzindo assim os motivos de
conflito.
1. Legitimidade e Infalibilidade do Soberano
Hobbes argumenta que, uma vez que os súditos, através do contrato social, conferem
todo o poder e autoridade ao soberano, eles se tornam autores de todas as ações desse
soberano. Portanto, nada que o soberano faça pode ser considerado injusto ou injurioso
pelos súditos, já que seria como reclamar de si mesmos. Ele explica que, ao instituir um
Estado, os súditos renunciam ao seu direito natural em favor da segurança e da ordem
proporcionadas pelo soberano. Essa renúncia implica que os súditos não podem acusar o
soberano de injustiça, pois, ao agirem sob a autoridade deste, estão agindo sob sua
própria autoridade conferida ao soberano. Hobbes também menciona que o soberano
não pode ser justamente morto ou punido pelos súditos, pois punir o soberano
significaria punir a si mesmos, dado que cada súdito é autor dos atos do soberano. O
soberano pode cometer iniquidades, mas não injustiças, uma vez que as ações do
soberano não são juridicamente injuriosas para os súditos que consentiram com sua
autoridade.
2. Definição de Liberdade
Hobbes redefine o conceito de liberdade, contrastando-o com as noções populares e
filosóficas de seu tempo. Ele argumenta que liberdade é simplesmente a ausência de
oposição ou impedimentos externos ao movimento. Isso se aplica tanto a seres
irracionais quanto a seres racionais. Para Hobbes, um homem é livre na medida em que
não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer dentro de suas capacidades.
Ele critica a visão clássica de liberdade apresentada por filósofos como Aristóteles e
Cícero, que associavam liberdade à participação em democracias e à ausência de
governo monárquico. Hobbes vê essa visão como enganosa e fomentadora de tumultos e
insatisfações injustificadas. Segundo ele, a verdadeira liberdade do súdito é a liberdade
de preservar sua própria vida. Se o soberano falhar em garantir a proteção da vida dos
súditos, eles não são mais obrigados a obedecê-lo. Essa liberdade é baseada na própria
razão de ser do contrato social: evitar a guerra de todos contra todos.
O Estado, o Medo e a Propriedade em Hobbes
Estado e o Direito à Vida
No pensamento político de Hobbes, o indivíduo conserva um direito fundamental à
vida, talvez sem paralelo em outras teorias políticas modernas. Comparando com Locke,
em seu "Segundo Tratado do Governo" (caps. 2 e 4), um criminoso grave perde o
direito à vida, sendo equiparado a uma fera que deve ser destruída por todos. No Estado
absoluto de Hobbes, a garantia da vida é central, mas essa segurança vem acompanhada
pelo medo.
O Medo no Estado Hobbesiano
O Leviatã de Hobbes, representado como um príncipe coberto por uma armadura feita
de seus súditos, com uma espada ameaçadora, simboliza o governo pelo temor. O nome
"Leviatã" remete a um monstro bíblico, enfatizando o poder e a força do soberano.
Hobbes argumenta que o soberano governa pelo medo que inflige em seus súditos,
essencial para que eles renunciem à sua liberdade natural em troca de segurança.
No entanto, o medo no Estado hobbesiano não é de terror constante, mas um medo
regulado. No estado de natureza, o terror é contínuo, pois a ameaça de morte violenta é
uma realidade constante. No Estado, o soberano mantém os súditos temerosos de modo
que eles saibam as regras a seguir para evitar a ira governamental.
O comportamento adequado garante a segurança, e o bom súdito raramente terá
problemas com o soberano.
O Conforto e a Propriedade
A entrada no Estado não é motivada apenas pelo medo da morte, mas também pela
esperança de uma vida melhor e mais confortável. Esse conforto é, em grande parte,
garantido pela propriedade. Na sociedade burguesa emergente do tempo de Hobbes, a
autonomia do proprietário se consolida, em contraste com as limitações feudais da Idade
Média. Hobbes reconhece o fim dessas limitações, alinhando-se com a burguesia ao
defender a autonomia proprietária, mas impõe um limite significativo: todas as terras e
bens estão sob controle do soberano.
O Papel do Soberano na Distribuição da Propriedade
O soberano detém a autoridade sobre a distribuição de terras e bens, assegurando que a
propriedade privada só existe sob sua jurisdição. Esta distribuição visa o bem comum e
a paz social, evitando a incerteza e a guerra constante do estado de natureza. O soberano
é responsável por decidir sobre o uso das terras e os termos dos contratos, garantindo
que esses aspectos econômicos não prejudiquem a segurança do Estado.
Críticas e Rejeição de Hobbes
Hobbes é frequentemente classificado como um pensador "maldito", ao lado de
Maquiavel e, em certa medida, Rousseau. Ele rompe com a visão confortadora do bom
governante aristotélico e do homem naturalmente bom. Subordina a religião ao poder
político e nega o direito natural e sagrado à propriedade. Sua visão de que a propriedade
depende do beneplácito do soberano vai contra a ideologia burguesa que defende a
propriedade privada como um direito anterior e superior ao Estado.
A Ciência Política de Hobbes
Hobbes considera que a ciência política começou com sua obra "De cive". Ele se baseia
no modelo matemático para argumentar que, assim como os teoremas geométricos, as
leis políticas derivam de princípios criados pela mente humana. O contrato social é
comparado a um teorema, um produto da razão humana que permite um conhecimento
certo e seguro sobre a organização da sociedade. Hobbes defende que o Estado é uma
criação humana e, portanto, passível de ser conhecido e compreendido cientificamente.
Filosofia Política de Hobbes
1. Natureza Humana e Medo
Para Hobbes, os seres humanos são movidos por desejos e aversões, sendo o medo da
morte violenta uma aversão fundamental. Esse medo impulsiona os indivíduos a buscar
paz e segurança através do contrato social. Hobbes descreve os seres humanos como
egoístas por natureza, mas racionais o suficiente para reconhecer a necessidade de um
governo centralizado para evitar o caos.
2. Direito Natural e Leis Naturais
Hobbes distingue entre o direito natural (jus naturale) e as leis naturais (leges naturales).
O direito natural é a liberdade de usar o próprio poder para a autopreservação, enquanto
as leis naturais são preceitos racionais que orientam os seres humanos a buscar a paz. A
primeira e mais fundamental lei natural é "procurar a paz e segui-la".
3. Soberania Absoluta
Hobbes argumenta que o soberano, ou Leviatã, deve ter poder absoluto para garantir a
paz e a ordem. Este soberano pode ser um monarca ou uma assembleia, mas deve ter
autoridade indivisível e inquestionável. A obediência ao soberano é uma necessidade
lógica do contrato social, uma vez que sem um poder centralizado, a sociedade
regressaria ao estado de natureza.
4. Liberdade e Necessidade
Hobbes também aborda a questão da liberdade em relação à necessidade. Ele afirma que
a liberdade não é a ausência de restrições, mas a ausência de impedimentos externos
para a ação. Assim, mesmo sob um governo absoluto, os indivíduos podem ser
considerados livres, desde que suas ações não sejam impedidas pelo soberano, exceto
quando necessário para a preservação da paz..
Críticas e Influências
1. Críticas
As teorias de Hobbes foram amplamente criticadas por sua defesa do absolutismo. John
Locke, por exemplo, rejeitou a ideia de que os indivíduos deviam submeter-se
incondicionalmente a um soberano. Locke propôs um contrato social mais moderado,
onde a soberania reside no povo e os direitos naturais, como vida, liberdade e
propriedade, são inalienáveis.
Jean-Jacques Rousseau também criticou Hobbes, argumentando que o estado de
natureza não era uma guerra de todos contra todos, mas uma condição de paz e
igualdade. Para Rousseau, o contrato social deveria promover a liberdade e a igualdade,
ao invés de subordinar os indivíduos a um poder absoluto.
2. Influências
Apesar das críticas, a obra de Hobbes influenciou profundamente o pensamento político
moderno. Ele é considerado um dos fundadores do pensamento político ocidental e do
conceito de soberania moderna. Sua análise realista da natureza humana e sua ênfase na
necessidade de um governo forte são visíveis nas teorias de realismo político e no
desenvolvimento das teorias do Estado.
O Legado de Thomas Hobbes
Thomas Hobbes deixou um legado profundo e duradouro na filosofia política,
influenciando uma ampla gama de áreas desde a teoria do estado até a filosofia do
direito e as relações internacionais. Suas ideias continuam a ser relevantes e formam a
base de muitos debates contemporâneos sobre poder, autoridade e justiça.
1. Fundamentação da Teoria Política Moderna
Contrato Social
A ideia de Hobbes sobre o contrato social, onde os indivíduos renunciam a certos
direitos em troca de segurança e ordem, é uma das contribuições mais duradouras para a
teoria política. Essa noção foi adotada e adaptada por filósofos como John Locke e
Jean-Jacques Rousseau, que, embora tenham discordado de muitas das conclusões de
Hobbes, utilizaram o conceito de contrato social como ponto de partida para suas
próprias teorias sobre a legitimidade política e a estrutura do governo.
Natureza Humana e Governança
Hobbes foi um dos primeiros a articular claramente a ideia de que a natureza humana e
os impulsos egoístas precisam ser controlados por uma autoridade centralizada para
evitar o caos e a anarquia. Sua visão pessimista da natureza humana e a defesa de um
governo forte influenciaram profundamente o pensamento político subsequente,
especialmente em contextos onde a ordem e a estabilidade são prioritárias.
2. Impacto na Filosofia do Direito
Positivismo Jurídico
Hobbes é frequentemente citado como precursor do positivismo jurídico, que sustenta
que a validade de uma lei não depende de seu conteúdo moral, mas de sua origem. Em
outras palavras, as leis são válidas porque são promulgadas pela autoridade soberana e
devem ser obedecidas para evitar o retorno ao estado de natureza. Esta visão tem sido
fundamental para o desenvolvimento da teoria legal moderna, particularmente nas
discussões sobre a relação entre direito e moralidade.
3. Influência nas Relações Internacionais
Realismo Político
A visão hobbesiana do estado de natureza como um "bellum omnium contra omnes"
(guerra de todos contra todos) teve um impacto significativo na teoria das relações
internacionais, especialmente na escola de pensamento conhecida como realismo
político. Realistas como Hans Morgenthau e Kenneth Waltz utilizam a analogia do
estado de natureza para explicar o comportamento dos estados no sistema internacional,
argumentando que, na ausência de uma autoridade global, os estados agem de maneira
egoísta e competitiva, buscando poder e segurança.
4. Contribuições para a Filosofia e Ética
Determinismo e Psicologia Humana
Hobbes também contribuiu para o entendimento da psicologia humana e do
determinismo. Ele argumentou que o comportamento humano é governado por causas
naturais e que a liberdade é compatível com a necessidade causal. Esta visão influenciou
subsequentes debates filosóficos sobre o livre-arbítrio e a natureza da moralidade.
Teoria do Direito Natural
Embora Hobbes tenha uma visão particular do direito natural, sua abordagem ajudou a
formar a base para discussões mais amplas sobre os direitos naturais e a moralidade
política. Sua insistência na necessidade de um soberano para manter a paz e a ordem foi
uma contribuição crucial para a teoria política e legal.
5. Influência na Filosofia Social
Estrutura Social e Ordem
A análise de Hobbes sobre a necessidade de estruturas sociais fortes e centralizadas para
evitar o caos continua a ser relevante em discussões contemporâneas sobre a governança
e a estrutura das sociedades. Sua defesa de um governo poderoso para garantir a
estabilidade social influenciou tanto teorias políticas conservadoras quanto debates
sobre autoritarismo e democracia.
Filosofia Política Detalhada
Teoria do Contrato Social
A teoria do contrato social de Hobbes é fundamental para a filosofia política. No
"Leviatã", ele descreve a transição do estado de natureza para a sociedade civil através
de um pacto social. No estado de natureza, segundo Hobbes, não há leis ou autoridade,
resultando em uma guerra de "todos contra todos" (bellum omnium contra omnes). Os
indivíduos, portanto, concordam em ceder seus direitos a um soberano que lhes garante
segurança e ordem. Esta visão inovadora influenciou o desenvolvimento da teoria
política liberal e é uma pedra angular na discussão sobre a legitimidade do poder
político.
Defesa do Absolutismo
Hobbes acreditava que um soberano absoluto era necessário para evitar o caos e a
guerra civil. Ele argumentava que o poder absoluto de um governante era justificado,
desde que protegesse os direitos e a segurança dos indivíduos. Esta defesa do
absolutismo era baseada na ideia de que somente um poder central forte poderia manter
a paz e prevenir a anarquia. Embora essa perspectiva tenha sido criticada, ela introduziu
uma abordagem secular e racional para a justificação do poder político, em contraste
com as teorias divinas do direito dos reis prevalentes na época.
Metodologia Científica e Filosofia Natural
Influência da Ciência
Hobbes foi influenciado pelo método científico emergente e procurou aplicar princípios
científicos à filosofia. Ele foi contemporâneo de figuras como Galileo Galilei e Isaac
Newton e adotou uma abordagem mecanicista para entender o comportamento humano
e a sociedade. Ele via a política como uma ciência dedutiva, onde conceitos e leis
podiam ser derivados de premissas básicas sobre a natureza humana.
Psicologia e Comportamento Humano
Hobbes tinha uma visão mecanicista do ser humano, vendo as ações humanas como
resultantes de causas físicas e movimentos. Ele acreditava que os seres humanos eram
movidos por desejos e aversões, e que o comportamento podia ser entendido em termos
de forças e pressões internas e externas. Esta abordagem reducionista influenciou
subsequentes teorias psicológicas e sociológicas, incluindo o behaviorismo.
Conclusão
Durante a elaboração do trabalho nos podemos compreender que, o pensamento político
de Hobbes continua relevante e desafiador. Sua visão do Estado como uma entidade
necessária para assegurar a paz e a segurança, sustentada pelo medo e pela autoridade
centralizada, oferece uma perspectiva única sobre a natureza humana e a organização
social. Embora suas ideias tenham enfrentado críticas, especialmente em relação à
propriedade e à autoridade soberana, Hobbes estabeleceu fundamentos importantes para
a teoria do contrato social e a ciência política moderna. Sua obra nos lembra da
importância de um Estado forte para evitar a anarquia e garantir a prosperidade dos
indivíduos.
Bibliografia
Hobbes, Thomas. Leviatã. Trad. João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da
Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988.
Locke, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil. Trad. [Nome do Tradutor].
[Local de Publicação]: [Editora], [Ano de Publicação].
Strauss, Leo. The Political Philosophy of Thomas Hobbes. Chicago: University of
Chicago Press, 1952.
Oakeshott, Maurice. Hobbes on Civil Association. Oxford: Oxford University
Press, 1975.
Thomas, Keith. "The Social Origins of Hobbes's Political Thought." In: Brown,
Keith, ed. Hobbes Studies. Oxford: Oxford University Press, 1965.
Macpherson, C.B. The Political Theory of Possessive Individualism. Oxford:
Oxford University Press, 1962.
Lebrun, Gérard. "Hobbes en-deçà du libéralisme." Manuscrito, Unicamp, 1(4):
37-49, 1980.
Ribeiro, Renato Janine. Ao Leitor sem Medo: Hobbes Escrevendo Contra o Seu
Tempo. São Paulo: Brasiliense, 1984.