Thomas Kuhn
Filosofia da ciência
Trabalho realizado por Petra e Marta M.
1
Índice
1 Capa
2 Índice
3 Introdução
4 Evolução da
ciência
7 Objetividade
da ciência
9 Aproximação
à verdade
10 Conclusão
11 Bibliografia e
Webgrafia
2
Introdução
Biografia
Thomas Kuhn (1922-1996) foi um importante filósofo
norte-americano que desafiou a visão tradicional de que a ciência
progride de forma linear e cumulativa, acumulando conhecimento
de forma gradual. Em vez desse modelo, na sua obra sobre a
filosofia da ciência, o livro "A Estrutura das Revoluções Científicas"
(1962), Kuhn propôs um modelo cíclico. Nessa mesma obra, o
filósofo realça também o papel do contexto histórico e sociológico
na evolução da ciência.
Tópicos abordados
Este trabalho explora as ideias revolucionárias de Thomas Kuhn
na filosofia da ciência, abordando vários tópicos fundamentais da
sua teoria.
Primeiro, é explicada a visão de Kuhn sobre a evolução da
ciência, que desafia a noção tradicional de progresso linear e
propõe um modelo cíclico de mudanças de paradigma que inclui
várias etapas. Durante estas etapas existem grandes períodos de
estabilidade, em que todos os cientistas trabalham dentro de um
paradigma, e pequenos momentos de instabilidade, em que certas
descobertas se tornam anomalias dentro do paradigma vigente e
surgem conflitos de ideias e debates sobre que conhecimentos
usar como base para a construção de um novo paradigma.
O trabalho também se debruça sobre a questão da objetividade
na ciência, explorando como Kuhn argumentava que certos fatores
influenciam o processo científico.
Além disso, é abordada a perspetiva de Kuhn sobre a
aproximação à verdade, questionando a ideia de que a ciência
progride em direção a uma verdade absoluta.
Esta exposição oferece uma visão abrangente e crítica do
pensamento de Thomas Kuhn, destacando como as suas teorias
transformaram a filosofia da ciência, a nossa compreensão da
natureza desta e do conhecimento científico.
3
Evolução da ciência
Tal como referido anteriormente, Thomas Kuhn defende que a
evolução da ciência não é constante, encontrando ao longo da sua
investigação longos períodos de estabilidade, em que os cientistas
desenvolvem o seu trabalho sob o paradigma vigente e obtêm
resultados nas suas experiências que vão de encontro ao que
tinham previsto de acordo com esse paradigma, e curtos períodos
de instabilidade, durante os quais existem transformações
revolucionárias e reformas de ideias e pressupostos. É nestes
períodos de mudanças de ideias que são aceites grandes e
importantes teorias científicas e que se criam paradigmas novos.
Um paradigma é um conjunto de teorias, métodos, instrumentos,
regras, valores, objetivos, pressupostos metafísicos e princípios
teóricos e práticos que definem o que é considerado um problema
científico legítimo e como resolvê-lo.
Thomas Kuhn defende que não é correto dizer que um paradigma
é melhor que o outro a descrever a realidade, mesmo depois de
ocorrer uma mudança de paradigma por causa de uma anomalia
encontrada ou de um refinamento de um paradigma vigente.
Também não e correto afirmar que ocorre uma aproximação à
verdade quando há substituição do paradigma, como veremos
mais à frente. Esta tese chama-se tese da incomensurabilidade
dos paradigmas, e defende que, quando se muda de paradigma,
apenas se muda de perspetiva e visão, não que nos aproximamos
de uma "meta" (neste caso a verdade) ou que existe algum
progresso em direção à verdade.
4
Etapas da evolução da ciência
As etapas da evolução da ciência são:
Pré-ciência: é a fase pré-paradigmática, durante a qual ainda
não há ciência propriamente dita nem um modelo de
compreensão com capaz de fornecer uma base teórica e
prática para o trabalho científico se desenvolver. É marcada
pela existência de opiniões divergentes entre cientistas que
exploram um problema novo e começam a formular possíveis
explicações para este. Estas explicações são, no entanto,
ainda pouco desenvolvidas, não fornecem uma solução bem
fundamentada e não permitem criar conjuntos de conceitos
fundamentais consensuais a partir da sua a análise.
Ciência Normal: é o período em que a pesquisa científica é
guiada por um paradigma dominante. Os cientistas trabalham
dentro do paradigma, refinando-o e resolvendo os enigmas
com que se deparam usando as técnicas e os conteúdos
contidos nesse paradigma vigente. Nesta fase são também
definidos quais são os problemas a resolver ou os factos a
explicar e são testadas e aprofundadas teorias dominantes.
Durante este período, há um desenvolvimento e progresso da
ciência cumulativo.
Anomalias: durante a ciência normal, surgem observações e
resultados experimentais que não se encaixam no paradigma
existente. Essas "anomalias" são inicialmente ignoradas ou
minimizadas, havendo uma atitude de conservadorismo e
resistência à mudança e uma tentativa de assimilação desse
problema dentro do paradigma vigente, antes de o romper. Se
se acumularem várias anomalias, a ciência entra em crise,
havendo um período de desorientação, insegurança e
instabilidade relativamente ao paradigma vigente, e os
cientistas começam a explorar alternativas a esse paradigma.
Esta crise leva a um período extraordinário na ciência.
5
Etapas da evolução da ciência
Ciência Extraordinária: durante a revolução, surgem
hipóteses para a construção de um novo paradigma e os
cientistas debatem sobre quais serão as melhores teorias,
práticas, princípios e conceitos para criar a base deste.
Formam-se grupos de cientistas que partilham uma perspetiva
semelhante, existindo uns grupos mais conservadores, outros
mais inovadores e outros mais revolucionários. Estes grupos
discutem uns com os outros, argumentando a favor do
paradigma que defendem e oferecendo novas maneiras de
entender os dados e resolver os problemas. A aceitação do
novo paradigma não é puramente racional; envolve também
fatores sociais, psicológicos e políticos. Este processo é
muitas vezes longo e conturbado.
Nova Ciência Normal: um novo paradigma estabelece-se e
passa a guiar a pesquisa científica, dando origem a um novo
período de ciência normal. O ciclo recomeça.
Pr
é-
ci An
ên
ci
a ac oma
um lia
Ciência ula s
da
Normal s
O ciclo
de Kuhn Crise
M
u
de dan
pa ça
ra
dig
v o l u ção dinári
a)
m
a Re extr
cia
aor
(ciên
6
Objetividade da ciência
Kuhn questionou a ideia de que a ciência é puramente
objetiva e livre de influências externas. Ele argumentava que:
A observação é carregada de teoria: o que os cientistas
observam e como interpretam essas observações são
influenciados pelo paradigma em que trabalham. Dois
cientistas com diferentes paradigmas podem olhar para os
mesmos dados e ver coisas diferentes.
Os valores influenciam a escolha da teoria: os cientistas
não escolhem teorias apenas com base em evidências
empíricas. Valores como simplicidade, consistência, precisão e
fecundidade também desempenham um papel importante.
Fatores sociais e históricos: a ciência é uma atividade
humana, e, como tal, é influenciada por fatores sociais,
históricos e políticos.
Kuhn não negava que a ciência possa ser objetiva até certo ponto.
Dentro de um determinado paradigma, os cientistas podem usar
métodos objetivos para testar hipóteses e obter resultados
confiáveis. No entanto, ele argumentava que a escolha entre
paradigmas rivais não é puramente objetiva, pois envolve
julgamentos de valor e considerações que vão além da evidência
empírica.
Existem tipos dois fatores que interferem na escolha de teorias:
fatores objetivos e fatores subjetivos.
Fatores objetivos: critérios partilhados pela comunidade
científica, como os princípios, regras ou características, como
por exemplo, a simplicidade ou a exatidão das teorias.
Fatores subjetivos: critérios individuais de aspetos
idiossincráticos, dependentes de aspetos biográficos e da
personalidade dos cientistas. Estão relacionado com a sua
história de vida e a sua personalidade.
7
Objetividade da ciência
Critérios Objetivos de Escolha:
Exatidão: refere-se à exatidão e concordância entre as
previsões teóricas e as observações experimentais, medindo
quão bem uma teoria científica corresponde à realidade
observada e sua capacidade de reproduzir resultados
consistentemente.
Consistência: deve ser internamente coerente e compatível
com outras teorias aceites que tratem de aspetos relacionados
da natureza.
Alcance: refere-se à abrangência e poder explicativo de uma
teoria, indicando sua capacidade de elucidar uma ampla gama
de fenômenos, unificar diferentes áreas do conhecimento e
gerar novas hipóteses e previsões em diversos contextos
científicos.
Simplicidade: a teoria deve organizar fenômenos complexos
de forma clara, simples e eficiente, evitando complicações
desnecessárias.
Fecundidade: deve ser capaz de gerar novas descobertas,
revelando fenómenos ou relações previamente
desconhecidos.
Limitações dos Critérios Objetivos:
Ambiguidade: cada critério pode ser interpretado de maneiras
diferentes por cientistas distintos.
Conflito entre critérios: em muitos casos, os critérios podem
apontar para direções opostas (ex.: uma teoria mais precisa
pode ser menos simples).
Apesar dessas limitações, esses critérios são amplamente
utilizados como guias para avaliar teorias científicas e
desempenham um papel essencial na escolha entre paradigmas
rivais. Contudo, fatores subjetivos e debates persuasivos também
influenciam significativamente o processo de escolha teórica
8
Aproximação à Verdade
Kuhn rejeitava a visão de que a ciência progride em direção a
uma verdade objetiva e final. Ele argumentava que:
Não há um critério neutro para avaliar o progresso
científico: como os paradigmas são fundamentalmente
diferentes e incomensuráveis, não há um padrão objetivo pelo
qual se possa dizer que um paradigma é "mais próximo da
verdade" do que outro.
A ciência evolui, mas não necessariamente em direção à
verdade: a ciência resolve problemas, mas não
necessariamente se aproxima de uma representação mais
precisa da realidade. O que muda são os problemas
considerados importantes e as formas de resolvê-los.
Kuhn via a evolução científica como uma série de
mudanças de paradigma: em vez de haver um progresso em
direção à verdade, cada paradigma oferece apenas uma
maneira diferente de entender o mundo, não existindo
necessariamente uma aproximação à verdade. Cada
paradigma resolve certos problemas melhor do que os
anteriores, mas também pode criar novos problemas.
A verdade é sempre relativa ao paradigma vigente: a
verdade acaba por ser algo relativo e não objetivo, o que
impossibilita uma aproximação da ciência a uma verdade
objetiva.
Resumindo, em vez de progresso em direção à verdade, Kuhn via
a evolução científica como uma série de mudanças de paradigma,
onde cada paradigma oferece uma maneira diferente de entender
o mundo, novas explicações para certos fenómenos e novos
problemas a resolver.
9
Conclusão
Em suma, a perspectiva de Thomas Kuhn revolucionou a forma
como entendemos a ciência.
Ao invés de uma progressão linear em direção a uma verdade
objetiva, Kuhn propôs um modelo de evolução científica marcado
por rupturas e mudanças de paradigma.
Além disso, a objetividade, para Kuhn, não era um ideal absoluto,
mas sim relativa ao contexto do paradigma em que o cientista está
inserido. Esta perspetiva acaba por ser mais humana e realista do
que as visões partilhadas por filósofos anteriores a Thomas Kuhn.
Por fim, a aproximação à verdade, na tese de Kuhn, não é vista
como um destino final, mas sim como uma sucessão de
paradigmas que resolvem problemas específicos, sem
necessariamente alcançar uma representação perfeita da
realidade.
A obra de Kuhn leva-nos a refletir praticamente sobre a natureza
da ciência e o papel dos fatores sociais, históricos e subjetivos na
construção do conhecimento científico.
10
Bibliografia e Webgrafia
Manual "Em Questão 11"
http://manualescolar2.0.sebenta.pt/fotos/links/228_231_13993923
07.pdf
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Structure_of_Scientific_Revolutio
ns
http://www.cchla.ufrn.br/shXIX/anais/GT22/Thomas%20Kuhn%20e
%20o%20papel%20dos%20valores%20na%20escolha%20teorica.
pdf
https://www.goodreads.com/book/show/61539.The_Structure_of_S
cientific_Revolutions
https://periodicos.unb.br/index.php/polemos/article/download/2376
3/23416/55093
https://www.oxfordbibliographies.com/abstract/document/obo-
9780195396577/obo-9780195396577-0202.xml
https://e-
journal.unair.ac.id/DIALEKTIKA/article/download/35044/22406/169
270
https://www.britannica.com/biography/Thomas-S-Kuhn
https://plato.stanford.edu/entries/thomas-kuhn/
https://study.com/academy/lesson/thomas-kuhn-biography-
scientific-revolutions.html
https://www.britannica.com/biography/Thomas-S-Kuhn
https://www.redalyc.org/journal/5766/576664133017/html/
https://ensina.rtp.pt/explicador/kuhn-sobre-a-racionalidade-e-a-
objetividade-cientificas/
https://criticanarede.com/anunescienciaeobjetividade.html
11