DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 2º Incumbe às guardas municipais, instituições de caráter civil, uniformizadas e
armadas conforme previsto em lei, a função de proteção municipal preventiva, ressalvadas
as competências da União, dos Estados e do Distrito Federal.
DOS PRINCÍPIOS
Art. 3º PRINCÍPIOS MÍNIMOS (substantivos)
Proteção dos direitos humanos fundamentais, do exercício da cidadania e das
liberdades públicas;
Preservação da vida, redução do sofrimento e diminuição das perdas;
Patrulhamento preventivo;
Compromisso com a evolução social da comunidade;
Uso progressivo da força.
DAS COMPETÊNCIAS
Art. 4º COMPETÊNCIA GERAL
Proteção de bens, serviços, logradouros públicos municipais e instalações do
Município.
Parágrafo único. Os bens mencionados no caput abrangem os de uso comum, os de uso
especial e os dominiais.
Art. 5º COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS das guardas municipais, respeitadas as competências
dos órgãos federais e estaduais: (verbos).
Zelar pelos bens, equipamentos e prédios públicos do Município;
Prevenir e inibir, pela presença e vigilância, bem como coibir, infrações penais ou
administrativas e atos infracionais que atentem contra os bens, serviços e instalações
municipais;
Atuar, preventiva e permanentemente, no território do Município, para a proteção
sistêmica da população que utiliza os bens, serviços e instalações municipais;
Colaborar, de forma integrada com os órgãos de segurança pública, em ações conjuntas
que contribuam com a paz social;
Colaborar com a pacificação de conflitos que seus integrantes presenciarem, atentando
para o respeito aos direitos fundamentais das pessoas;
Exercer as competências de trânsito que lhes forem conferidas, nas vias e logradouros
municipais, ou de forma concorrente, mediante convênio celebrado com órgão de
trânsito estadual ou municipal;
Proteger o patrimônio ecológico, histórico, cultural, arquitetônico e ambiental do
Município, inclusive adotando medidas educativas e preventivas;
Cooperar com os demais órgãos de defesa civil em suas atividades;
Interagir com a sociedade civil para discussão de soluções de problemas e projetos
locais voltados à melhoria das condições de segurança das comunidades;
Estabelecer parcerias com os órgãos estaduais e da União, ou de Municípios vizinhos,
por meio da celebração de convênios ou consórcios, com vistas ao desenvolvimento de
ações preventivas integradas;
Articular-se com os órgãos municipais de políticas sociais, visando à adoção de ações
interdisciplinares de segurança no Município;
Integrar-se com os demais órgãos de poder de polícia administrativa, visando a
contribuir para a normatização e a fiscalização das posturas e ordenamento urbano
municipal;
Garantir o atendimento de ocorrências emergenciais, ou prestá-lo direta e
imediatamente quando deparar-se com elas;
Encaminhar ao delegado de polícia, diante de flagrante delito, o autor da infração,
preservando o local do crime, quando possível e sempre que necessário;
Contribuir no estudo de impacto na segurança local, conforme plano diretor municipal,
por ocasião da construção de empreendimentos de grande porte;
Desenvolver ações de prevenção primária à violência, isoladamente ou em conjunto
com os demais órgãos da própria municipalidade, de outros Municípios ou das esferas
estadual e federal;
Auxiliar na segurança de grandes eventos e na proteção de autoridades e dignatários;
Atuar mediante ações preventivas na segurança escolar, zelando pelo entorno e
participando de ações educativas com o corpo discente e docente das unidades de
ensino municipal, de forma a colaborar com a implantação da cultura de paz na
comunidade local.
Parágrafo único. No exercício de suas competências, a guarda municipal poderá colaborar
ou atuar conjuntamente com órgãos de segurança pública da União, dos Estados e do
Distrito Federal ou de congêneres de Municípios vizinhos e, nas hipóteses previstas nos
incisos XIII e XIV deste artigo, diante do comparecimento de órgão descrito nos incisos
do caput do art. 144 da Constituição Federal , deverá a guarda municipal prestar todo o
apoio à continuidade do atendimento.
DA CRIAÇÃO
Art. 6º O Município PODE criar, por lei, sua guarda municipal.
Parágrafo único. A guarda municipal é subordinada ao chefe do Poder Executivo
municipal.
Art. 7º As guardas municipais não poderão ter efetivo superior a:
0,4% da população, em Municípios com até 50.000 habitantes;
0,3% da população, em Municípios com mais de 50.000 e menos de 500.000
habitantes,
0,2% da população, em Municípios com mais de 500.000 habitantes,
Art. 8º Municípios limítrofes podem, mediante consórcio público, utilizar, reciprocamente,
os serviços da guarda municipal de maneira compartilhada.
Art. 9º A guarda municipal é formada por servidores públicos integrantes de carreira
única e plano de cargos e salários, conforme disposto em lei municipal.
DAS EXIGÊNCIAS PARA INVESTIDURA
Art. 10. São REQUISITOS BÁSICOS para investidura em cargo público na guarda municipal:
Nacionalidade brasileira;
Gozo dos direitos políticos;
Quitação com as obrigações militares e eleitorais;
Nível médio completo de escolaridade;
Idade mínima de 18 anos;
Aptidão física, mental e psicológica;
Idoneidade moral comprovada por investigação social e certidões expedidas perante o
poder judiciário estadual, federal e distrital.
DA CAPACITAÇÃO
Art. 11. O exercício das atribuições dos cargos da guarda municipal requer capacitação
específica, com matriz curricular compatível com suas atividades.
Parágrafo único. PODERÁ ser adaptada a matriz curricular nacional para formação em
segurança pública, elaborada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do
Ministério da Justiça.
Art. 12. É FACULTADA ao Município a criação de órgão de formação, treinamento e
aperfeiçoamento dos integrantes da guarda municipal.
§ 1º Os Municípios PODERÃO firmar convênios ou consorciar-se, visando ao atendimento
do disposto no caput deste artigo.
§ 2º O Estado PODERÁ, mediante convênio com os Municípios interessados, manter
órgão de formação e aperfeiçoamento centralizado, em cujo conselho gestor seja
assegurada a participação dos Municípios conveniados.
§ 3º O órgão referido no § 2º não pode ser o mesmo destinado a formação, treinamento
ou aperfeiçoamento de forças militares.
DO CONTROLE
Art. 13. O funcionamento das guardas municipais será acompanhado por órgãos próprios,
permanentes, autônomos e com atribuições de fiscalização, investigação e auditoria,
mediante:
CONTROLE INTERNO, exercido por corregedoria, naquelas com efetivo
superior a 50 servidores da guarda e em todas as que utilizam arma de fogo, para
apurar as infrações disciplinares atribuídas aos integrantes de seu quadro;
CONTROLE EXTERNO, exercido por ouvidoria, independente em relação à direção da
respectiva guarda, qualquer que seja o número de servidores da guarda municipal,
para receber, examinar e encaminhar reclamações, sugestões, elogios e denúncias
acerca da conduta de seus dirigentes e integrantes e das atividades do órgão, propor
soluções, oferecer recomendações e informar os resultados aos interessados,
garantindo-lhes orientação, informação e resposta.
§ 1º O Poder Executivo municipal PODERÁ criar órgão colegiado para exercer o controle
social das atividades de segurança do Município, analisar a alocação e aplicação dos
recursos públicos e monitorar os objetivos e metas da política municipal de segurança e,
posteriormente, a adequação e eventual necessidade de adaptação das medidas adotadas
face aos resultados obtidos.
Art. 14. Para efeito do disposto no inciso I do caput do art. 13, a guarda municipal terá
código de conduta próprio, conforme dispuser lei municipal.
Os corregedores e ouvidores terão mandato cuja perda será decidida pela maioria
absoluta da Câmara Municipal, fundada em razão relevante e específica prevista em lei
municipal.
Parágrafo único. As guardas municipais não podem ficar sujeitas a regulamentos
disciplinares de natureza militar.
DAS PRERROGATIVAS
Art. 15. Os cargos em comissão das guardas municipais deverão ser providos por membros
efetivos do quadro de carreira do órgão ou entidade.
§ 1º Nos primeiros 4 anos de funcionamento, a guarda municipal poderá ser dirigida por
profissional estranho a seus quadros, preferencialmente com experiência ou formação na
área de segurança ou defesa social.
§ 2º Para ocupação dos cargos em todos os níveis da carreira da guarda municipal, deverá
ser observado o percentual mínimo para o sexo feminino, definido em lei municipal.
§ 3º Deverá ser garantida a progressão funcional da carreira em todos os níveis.
Art. 16. Aos guardas municipais é autorizado o porte de arma de fogo, conforme previsto
em lei.
Parágrafo único. Suspende-se o direito ao porte de arma de fogo em razão de restrição
médica, decisão judicial ou justificativa da adoção da medida pelo respectivo dirigente.
Art. 17. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destinará linha telefônica de
NÚMERO 153 e faixa exclusiva de frequência de rádio aos Municípios que possuam guarda
municipal.
Art. 18. É assegurado ao guarda municipal o recolhimento à cela, isoladamente dos
demais presos, quando sujeito à prisão ANTES de condenação definitiva.
DAS VEDAÇÕES
Art. 19. A estrutura hierárquica da guarda municipal não pode utilizar denominação
idêntica à das forças militares, quanto aos postos e graduações, títulos, uniformes,
distintivos e condecorações.
DA REPRESENTATIVIDADE
Art. 20. É reconhecida a representatividade das guardas municipais no:
Conselho Nacional de Segurança Pública
Conselho Nacional das Guardas Municipais
NO INTERESSE DOS MUNICÍPIOS:
Conselho Nacional de Secretários e Gestores Municipais de Segurança Pública.
DISPOSIÇÕES DIVERSAS E TRANSITÓRIAS
Art. 21. As guardas municipais utilizarão uniformes e equipamentos padronizados,
preferencialmente, na cor azul-marinho.
BENS DE USO COMUM
São aqueles que podem ser usados por todos indistintamente, em caráter geral e livre.
Em outras palavras, são os de domínio público.
Mares
Praças
Ruas
Estradas
Rios
BENS DE USO ESPECIAL
Todas as coisas, móveis ou imóveis, corpóreas ou incorpóreas, utilizadas pela
Administração Pública para realização de suas atividades e execução de suas finalidades.
Edifícios de repartições públicas
Mercados Municipais
Cemitérios públicos
Matadouros
BENS DOMINICAIS
São os que, mesmo constituindo patrimônio da União, do Estado, do Município, não
possuem destinação específica, não estando, portanto, afetados.
Terreno baldio
Terras devolutas
Prédios públicos desativados