Guia 1
FATEJ - FACULDADE DE TECNOLOGIA JARDIM
BACHARELADO EM DIREITO
DANILO CASTIGLIONI ROSSI
PODER CONSTITUINTE
SANTO ANDRÉ
2024
Sumário
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................1
2. PODER CONSTITUINTE......................................................................................................2
3. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO...............................................................................2
4. PODER CONSTITUINTE DERIVADO.................................................................................. 2
4. 1. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR............................................. 3
4. 2. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE.............................................. 3
4. 3. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR....................................................... 3
5. PODER CONSTITUINTE DIFUSO....................................................................................... 4
6. BIBLIOGRAFIA.................................................................................................................... 5
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1. INTRODUÇÃO
O conceito de poder constituinte é essencial no direito constitucional,
significando a habilidade de elaborar, alterar ou até mesmo abolir uma constituição.
Ele representa o poder primordial, na sua essência mais pura e soberana, que se
encontra no povo e permite a estruturação política e jurídica de um Estado. O poder
constituinte desempenha um papel crucial, definindo os fundamentos normativos
que orientarão a coexistência social, política e jurídica de um país. Alexandre de
Moraes (2016), em termos doutrinários, define o poder constituinte como a
expressão suprema da vontade política do povo, estruturando-o social e legalmente.
A categorização do poder constituinte é um dos elementos que auxilia na
compreensão de sua extensão e operação no sistema jurídico. Pode ser
categorizado em várias categorias, incluindo o poder constituinte originário,
derivado, difuso e supranacional, cada um encarregado de um tipo específico de
alteração ou criação da constituição. Por exemplo, o poder constituinte originário
está ligado à formação da primeira constituição de um Estado ou a alterações
constitucionais que impliquem uma mudança estrutural significativa na estrutura
política. Por outro lado, o poder constituinte derivado se refere à habilidade de
modificar ou emendar a constituição em vigor, observando os procedimentos e
limites definidos pelo próprio poder constituinte originário.
Dentre as várias formas de exercício do poder constituinte derivado,
destacam-se o poder reformador, o poder decorrente e o poder revisor, sendo todos
submetidos às diretrizes da constituição originária. O poder constituinte difuso, por
sua vez, está relacionado à capacidade de promover mudanças interpretativas na
constituição, sem necessidade de alteração formal do texto. Assim, a teoria do poder
constituinte e suas classificações são essenciais para entender a dinâmica das
constituições e as formas de adaptação e evolução do ordenamento jurídico frente
às mudanças sociais, políticas e econômicas ao longo do tempo.
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2. PODER CONSTITUINTE
Poder constituinte é o poder que permite criar, alterar e até mesmo apagar a
vigência ou algum conteúdo de uma constituição. Segundo doutrinas modernas,
esse poder pertence e é legitimado pelo povo. O poder constituinte pode ser
categorizado em originário, derivado, difuso e supranacional.O constitucionalista
Alexandre de Moraes conceitua o poder constituinte como sendo a manifestação
soberana da suprema vontade política de um povo, social e juridicamente
organizado (MORAES, 2016, p. 41).
3. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO
Também conhecido como inicial, inaugural, genuíno ou de 1.º grau, segundo
Alexandre de Moraes
O Poder Constituinte originário estabelece a Constituição de um novo
Estado, organizando-o e criando os poderes destinados a reger os
interesses de uma comunidade. Tanto haverá Poder Constituinte no
surgimento de uma primeira constituição, quanto na elaboração de qualquer
Constituição posterior. (MORAES, 2016, p. 42).
O poder constituinte originário pode se expressar de duas maneiras: pela
outorga ou pela assembleia nacional constituinte. Pela outorga, ocorre a decisão
pela vontade e pronúncia unilateral do governante ou revolucionário, já na
assembleia nacional constituinte ocorre a representação popular a partir do debate
da população para a promulgação da constituição.
4. PODER CONSTITUINTE DERIVADO
O poder constituinte derivado, conhecido também por poder constituinte
instituído, secundário, de 2.° grau e remanescente, é o poder criado e estabelecido
pelo poder constituinte originário, e tem a capacidade de alterar a constituição
vigente. O poder constituinte derivado pode ser subdividido em poder reformador,
decorrente e revisor. Segundo Luís R. Barroso: “O poder constituinte derivado, por
sua vez, expressa o poder, normalmente atribuído ao Parlamento, de reformar o
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texto constitucional. Trata-se de uma competência regulada pela Constituição”.
(BARROSO, 2019, p. 161)
4. 1. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR
O Poder Constituinte derivado reformador, denominado por parte da
doutrina de competência reformadora, consiste na possibilidade de
alterar-se o texto constitucional, respeitando-se a regulamentação especial
prevista na própria Constituição Federal e será exercido por determinados
órgãos com caráter representativo. (MORAES, 2016, p. 43).
Ou seja, é aquela que é responsável por alterar a constituição por meio de
procedimentos específicos determinados pelo poder constituinte originário. No
ordenamento jurídico brasileiro, essas modificações são feitas por emendas
constitucionais.
4. 2. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE
“O Poder Constituinte derivado decorrente, por sua vez, consiste na
possibilidade que os Estados-membros têm, em virtude de sua autonomia
político-administrativa” (MORAES, 2016, p. 43), entretanto, é o poder que tem como
capacidade estruturar a Constituição dos Estados-Membros. Este poder é concedido
às Assembleias Legislativas dos Estados-membros, e deve ser exercido no prazo de
um ano após a promulgação da Constituição Federal. A Constituição estadual deve
respeitar a Constituição Federal, que é a suprema na hierarquia do ordenamento
jurídico.
Este poder é uma modalidade comum entre os países que utilizam da
Federação como forma de Estado, fazendo com que os Estados-Membros tenham
autonomia, por terem uma constituição própria, derivada da Constituição Federal.
4. 3. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR
O poder de reforma – expressão que inclui tanto o poder de emenda como o
poder de revisão do texto (art. 3º do ADCT) – é, portanto, criado pelo poder
constituinte originário, que lhe estabelece o procedimento a ser seguido e
limitações a serem observadas (BRANCO, 2018, p. 174).
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Portanto, assim como o poder derivado reformador e derivado decorrente, o
poder revisor é resultado do trabalho de criação do poder constituinte originário,
estando, portanto, a ele associado. Além disso, é um “poder” condicionado e limitado
pelas regras estabelecidas pelo originário, configurando-se assim como um poder
jurídico. Trata-se de uma competência de revisão, pois não se configura,
necessariamente, como um “poder”, uma vez que o processo de revisão é restrito
por uma força maior, que é o poder constituinte originário, este sim um verdadeiro
poder, inicial e sem limites, totalmente autônomo do ponto de vista jurídico.
5. PODER CONSTITUINTE DIFUSO
O poder constituinte difuso representa a capacidade de promover a mutação
constitucional. Assim como diz Luís Roberto Barroso:
A titularidade remanesce no povo, mas que acaba sendo exercido por via
representativa pelos órgãos do poder constituído, em sintonia com as
demandas e sentimentos sociais, assim como em casos de necessidade de
afirmação de certos direitos fundamentais. (BARROSO, 2019, p. 146)
Essas modificações implementadas por esse poder decorrem das
circunstâncias sociais, políticas e econômicas, sendo menos formal do que o poder
constituinte derivado revisor, atuando de fato. Trata-se, portanto, da alteração da
interpretação do texto constitucional e não necessariamente do corpo do texto.
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BIBLIOGRAFIA:
MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Atlas, 2016.
BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo. Saraiva,
2019.
BRANCO, Paulo Gustavo Gonet / MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito
Constitucional. 13. ed. rev. e atual. – São Paulo : Saraiva Educação, 2018.