ARTIGO
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como-funciona/
TERAPIA COGNITIVA
TERAPIA COGNITIVA
A terapia cognitivo-comportamental, ou TCC, é uma modalidade de psicoterapia
clínica desenvolvida pelo médico psiquiatra e professor Aaron Beck, nos Estados
Unidos, na década de 1960.
Na década de 1950 a intenção de Beck era demonstrar na prática a teoria
psicanalítica segundo a qual a depressão é raiva que se volta para dentro. Contudo,
ao longo de suas pesquisas, sua crença na teoria psicanalítica da depressão
diminuiu aos poucos e ele então passou a desenvolver uma nova e derivada teoria
empírica da depressão.
Através de seu contato com pacientes com sintomas de depressão, Beck começou
a considerar a depressão por outro ângulo e desenvolveu um novo instrumento para
medi-la: o Inventário de Depressão de Beck – teste que se tornou um dos mais
utilizados no mundo para mensuração da depressão.
Beck percebeu “distorções cognitivas” típicas que ocorrem em pessoas deprimidas.
Essas observações práticas levaram Beck a ver esse transtorno de “humor” como
primeiramente um transtorno de pensamento. Beck cunhou o termo “pensamentos
automáticos” para descrever os pensamentos que ocorrem espontaneamente ao
longo do dia. Ele demonstrou como, na depressão, esses pensamentos são
predominantemente negativos e incluem muitas distorções cognitivas.
Continuando sua pesquisa, demonstrou também como a “tríade cognitiva negativa”
(crenças negativas que as pessoas deprimidas têm sobre si mesmas, sobre o
mundo e sobre o futuro) poderia levar aos sintomas emocionais e motivacionais da
depressão.
O livro “Terapia Cognitiva da Depressão”, publicado em 1978, foi uma das primeiras
tentativas de detalhar a nova teoria e os procedimentos terapêuticos a ela
associados. Na época da criação de sua teoria, diversos estudos avaliaram o
protocolo de tratamento da TCC e constataram tratar-se de uma terapia eficaz para
depressão. Um desses estudos apontou a TCC como “o primeiro tratamento
psicoterápico a obter resultados tão bons quanto os tratamentos farmacológicos da
depressão, ou melhores do que eles”.
A combinação de um manual detalhado de tratamento com resultado de pesquisa
era uma inovação na prática psicoterápica. Beck foi o pioneiro de um modelo que os
psicólogos passaram a utilizar no mundo inteiro, à medida que seu trabalho era
traduzido para diversos idiomas.
Desse modo, o que inicialmente tratava-se de uma tentativa de comprovar uma
hipótese psicanalítica da depressão se transformou em uma nova e eficiente forma
de tratamento psicológico utilizada até hoje em todo o mundo, para diferentes
problemas e transtornos psicológicos.
Ficou interessado em conhecer melhor a TCC? Semana que vem tem mais!
Se desejar iniciar um acompanhamento psicológico nessa abordagem, entre em
contato conosco e agende um horário.
Autora: Carolina Aita Flores, psicóloga do Centro de Terapia Cognitiva.
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A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) surgiu na década de 1960 como uma
resposta às limitações das correntes psicológicas dominantes da época: a
psicanálise, que focava em conflitos inconscientes e traumas passados, e o
behaviorismo radical, que ignorava processos mentais internos. Aaron T. Beck,
psiquiatra inicialmente formado na psicanálise, começou a questionar a eficácia
dessa abordagem ao estudar a depressão. Ele observou que pacientes deprimidos
mantinham pensamentos automáticos negativos (como "sou um fracasso") que
influenciavam diretamente suas emoções e comportamentos, algo que a psicanálise
não explicava adequadamente. Paralelamente, Albert Ellis desenvolvia a Terapia
Racional-Emotiva (TREC), propondo que crenças irracionais (ex.: "preciso ser
perfeito") eram a raiz do sofrimento emocional. Ambos desafiaram a visão
behaviorista de que o ambiente era o único determinante do comportamento,
reintroduzindo a cognição como elemento central.
O contexto da revolução cognitiva dos anos 1960, que valorizava o estudo de
processos mentais como memória e percepção, forneceu base científica para essa
mudança. Beck e Ellis foram influenciados por filósofos estoicos, como Epicteto, que
defendiam que "não são os eventos que nos perturbam, mas a interpretação que
fazemos deles". Enquanto Beck criava técnicas estruturadas para identificar e
modificar distorções cognitivas, Ellis usava um estilo mais confrontativo para
desafiar crenças rígidas. Nos anos 1970, a integração de técnicas comportamentais
(como exposição e experimentação) ao modelo cognitivo de Beck deu origem à
TCC moderna, combinando mudança de pensamentos e ações.
A TCC ganhou força na década de 1980 com validação empírica robusta, tornando-
se a abordagem mais estudada em psicologia. Organizações como a APA
(American Psychological Association) e a OMS a reconheceram como tratamento de
primeira linha para depressão, ansiedade e outros transtornos. A partir dos anos
2000, surgiram as terapias de terceira onda (como ACT e DBT), incorporando
mindfulness e aceitação, expandindo o escopo da TCC para problemas complexos
(ex.: transtorno borderline). Hoje, é uma abordagem plural, adaptada a culturas
diversas e até formatos digitais, mantendo seu núcleo: a crença de que transformar
padrões cognitivos e comportamentais pode restaurar o equilíbrio emocional.
PRINCIPIOS TEORICOS
A terapia cognitiva, desenvolvida por Aaron T. Beck nos anos 1960, tem como
fundamento teórico central a ideia de que pensamentos, emoções e
comportamentos estão interligados, sendo os pensamentos distorcidos ou
disfuncionais a raiz primária do sofrimento emocional. Beck propôs que indivíduos
desenvolvem esquemas cognitivos (estruturas mentais profundas) a partir de
experiências de vida, que filtram a interpretação da realidade. Por exemplo, uma
pessoa com depressão pode ter esquemas como "sou incapaz" ou "o mundo é
hostil", gerando pensamentos automáticos negativos ("nada vai dar certo") que
perpetuam sentimentos de tristeza e comportamentos de evitação.
A terapia cognitiva parte do modelo cognitivo, que afirma que não são os eventos
em si, mas a interpretação subjetiva deles que determina reações emocionais e
ações. Beck identificou distorções cognitivas comuns, como generalização
exagerada ("sempre falho"), catastrofização ("vai ser horrível") e personalização ("a
culpa é minha"), padrões que mantêm problemas como ansiedade e depressão. A
abordagem também introduziu a tríade cognitiva da depressão — visões negativas
de si mesmo, do mundo e do futuro — como um marco teórico para entender
transtornos emocionais.
Diferentemente do behaviorismo radical, que ignorava processos mentais, e da
psicanálise, que focava no inconsciente, a terapia cognitiva valoriza a consciência
do paciente sobre seus padrões de pensamento. Beck enfatizou a importância da
colaboração terapêutica e do método científico, validando suas hipóteses por meio
de experimentos comportamentais (ex.: testar a validade de uma crença negativa na
prática). Influências filosóficas, como o estoicismo ("não controlamos eventos, mas
nossa interpretação deles"), embasaram a ideia de que a reestruturação cognitiva
pode transformar emoções.
A terapia cognitiva também integrou técnicas comportamentais, como exposição e
ativação, mas mantém seu cerne na modificação de cognições. Seu sucesso
empírico em transtornos como depressão e ansiedade consolidou-a como uma das
principais abordagens da psicoterapia moderna, sempre aliando teoria rigorosa a
intervenções práticas e estruturadas
PRESSUPOSTO DE CONTROLE
O pressuposto de controle do paciente é um elemento unificador nas diversas
vertentes da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), reforçando a ideia de que o
indivíduo não é um mero espectador de seu próprio tratamento, mas um
protagonista ativo na transformação de seus padrões disfuncionais. Esse princípio
parte da crença de que, embora fatores biológicos, ambientais ou históricos possam
contribuir para o sofrimento psicológico, a capacidade de mudança reside na
habilidade do paciente de reconhecer, questionar e modificar seus pensamentos,
emoções e comportamentos. Em todas as abordagens da TCC — desde a terapia
cognitiva clássica de Beck até as terapias de terceira onda, como a ACT —, o
paciente é incentivado a assumir um papel central, seja desafiando crenças
irracionais, praticando exposições graduais ou reconstruindo narrativas pessoais.
Na prática, esse controle se manifesta por meio da colaboração entre terapeuta e
paciente. Por exemplo, na terapia de Beck, o paciente é guiado a identificar
pensamentos automáticos negativos ("Sou incapaz") e, com técnicas como o
registro cognitivo, aprende a substituí-los por interpretações mais realistas. Já na
TREC de Ellis, o estilo diretivo do terapeuta desafia demandas absolutas ("Preciso
ser perfeito"), mas é o paciente quem, ao final, decide adotar crenças mais flexíveis
("Prefiro ser competente, mas posso lidar com erros"). Nas terapias de habilidades
de enfrentamento, como a inoculação de estresse de Meichenbaum, o paciente
pratica estratégias específicas (respiração, resolução de problemas) em situações
controladas, internalizando gradualmente a sensação de domínio sobre suas
reações.
As terapias de terceira onda, por sua vez, ampliam a noção de controle ao
incorporar conceitos como aceitação e atenção plena. Na ACT, o paciente não
busca eliminar pensamentos dolorosos, mas sim aprender a observá-los sem
julgamento, escolhendo agir de acordo com seus valores mesmo diante do
desconforto. Na DBT, desenvolvida para casos complexos como o transtorno
borderline, o controle envolve regular emoções intensas através de técnicas de
mindfulness e validação emocional, enquanto se trabalha a tolerância ao sofrimento.
Até na terapia construtivista, que questiona a objetividade das distorções cognitivas,
o paciente é convidado a reescrever suas histórias de vida, assumindo o papel de
autor de uma narrativa mais coerente e esperançosa.
Apesar das diferenças técnicas, o empoderamento do paciente é uma constante.
Tarefas para casa, como experimentos comportamentais ou diários de
pensamentos, são ferramentas que transferem o locus de controle para o próprio
indivíduo, fortalecendo sua autonomia. Um exemplo prático é o caso de alguém com
fobia social: ao enfrentar gradualmente situações sociais (como falar em público) e
registrar suas reações, o paciente percebe que a ansiedade diminui com o tempo,
reforçando sua capacidade de gerenciar o medo. No entanto, esse pressuposto
também traz desafios. Pacientes com depressão grave ou desesperança podem
inicialmente resistir à ideia de assumir responsabilidade pela mudança, exigindo que
o terapeuta equilibre apoio e encorajamento. Além disso, há o risco de o paciente se
sentir sobrecarregado pela demanda por ação, especialmente em culturas onde a
dependência de figuras de autoridade é mais valorizada.
Em última análise, o foco no controle do paciente reflete uma visão otimista da
capacidade humana de transformação. Ao longo do processo terapêutico, não se
trata apenas de aliviar sintomas, mas de cultivar uma postura ativa diante da vida —
algo que permanece mesmo após o término da terapia. Esse legado de autonomia
é, talvez, uma das contribuições mais duradouras da TCC, transcendendo as
particularidades de cada abordagem para destacar que a mudança, embora difícil, é
sempre possível quando o indivíduo se reconhece como agente de sua própria
história.
terapia racional emotiva
A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), desenvolvida por
Albert Ellis na década de 1950, é considerada uma das primeiras formas
de terapia cognitivo-comportamental e uma das abordagens pioneiras a
integrar cognição, emoção e comportamento. Ellis partiu da ideia de que
não são os eventos externos que causam sofrimento emocional, mas sim
a interpretação que fazemos deles, baseada em crenças irracionais
profundamente enraizadas. Essas crenças, muitas vezes absolutistas e
demandantes (como "Preciso ser perfeito em tudo" ou "As pessoas devem
sempre me tratar com justiça"), geram emoções disfuncionais (raiva,
depressão) e comportamentos autodestrutivos. O modelo central da TREC
é o ABC: A (Evento Ativador) → B (Crenças sobre o evento) → C
(Consequências emocionais e comportamentais). Ellis destacava, porém,
que entre A e C está B, o verdadeiro motor do sofrimento, e que a
intervenção terapêutica deve focar em D (Disputa das crenças irracionais)
para chegar a E (Efeito de novas emoções e comportamentos).
Diferentemente da terapia cognitiva de Beck, que adota uma postura mais
colaborativa e socrática, a TREC é conhecida por seu estilo diretivo e confrontador.
Ellis acreditava que, para romper padrões rígidos de pensamento, o terapeuta deve
desafiar ativamente as crenças irracionais do paciente, usando questionamentos
lógicos, empíricos e pragmáticos (ex.: "Onde está a evidência de que você deve ser
aprovado por todos?"). A técnica da disputa é central: o paciente é incentivado a
examinar a utilidade de suas crenças ("Isso me ajuda ou me prejudica?") e a
substituí-las por crenças mais flexíveis e realistas (ex.: "Eu preferiria ser amado,
mas posso tolerar a rejeição"). A TREC também utiliza tarefas de casa
comportamentais, como exposição a situações temidas, para consolidar mudanças
cognitivas.
Originalmente aplicada a transtornos de ansiedade e depressão, a TREC expandiu-
se para problemas como raiva crônica, culpa excessiva e baixa tolerância à
frustração. Ellis identificou 11 crenças irracionais universais (posteriormente
sintetizadas em 3 núcleos: "Eu devo ter sucesso", "Os outros devem me tratar bem",
"A vida deve ser fácil"), que considera a raiz da maioria dos conflitos emocionais.
Críticos apontam que o estilo confrontativo pode ser mal recebido por alguns
pacientes, mas estudos comprovam sua eficácia, especialmente quando combinada
a técnicas comportamentais. Apesar de ter sido parcialmente absorvida pela TCC
moderna, a TREC mantém sua relevância como um marco teórico que destaca o
poder transformador de questionar rigidézese abraçar a flexibilidade psicológica.
TERA CONSTRUTIVA
A terapia construtivista surge como uma abordagem que desafia a visão mais
racionalista e técnica da terapia cognitivo-comportamental (TCC) tradicional,
marcando uma transição para o que se convencionou chamar de "terceira onda" das
terapias cognitivas. Desenvolvida principalmente a partir dos anos 1980, ela se
baseia na ideia de que os seres humanos não são meros processadores passivos
de informações, mas construtores ativos de significados, moldados por suas
experiências, histórias de vida e contextos culturais. Enquanto a TCC clássica,
como a de Beck ou Ellis, busca identificar e corrigir "distorções cognitivas" por meio
de técnicas estruturadas, o construtivismo questiona a noção de uma verdade
objetiva a ser alcançada. Em vez de focar exclusivamente no conteúdo dos
pensamentos (como "isso é realista?"), a terapia construtivista se interessa pelo
processo por trás da construção desses pensamentos e pela forma como as
narrativas pessoais se organizam ao longo da vida.
Teóricos como Vittorio Guidano, Michael Mahoney e Robert Neimeyer argumentam
que os problemas emocionais estão enraizados em esquemas de significado
profundos, muitas vezes inconscientes, que são mantidos por histórias que o
indivíduo conta a si mesmo. Por exemplo, uma pessoa com depressão pode ter
internalizado uma narrativa de "fracasso permanente", não por distorcer fatos, mas
por ter organizado suas experiências de maneira coerente com crenças
desenvolvidas em contextos relacionais complexos (como uma infância marcada por
críticas constantes). A terapia, nesse sentido, não busca simplesmente substituir
pensamentos "irracionais" por "racionais", mas ajudar o paciente a recontar sua
história de modo mais flexível e integrado, reconhecendo nuances e contradições
que foram apagadas por padrões rígidos de interpretação.
O processo terapêutico envolve uma colaboração profunda entre terapeuta e
paciente, onde o primeiro atua como um "co-investigador" das narrativas do
segundo. Técnicas como a exploração de metáforas, a reconstrução de histórias de
vida e o diálogo sobre dilemas existenciais são centrais. Por exemplo, um paciente
que se vê como "vítima do destino" pode ser incentivado a explorar momentos em
que agiu com resiliência, reescrevendo sua autoimagem para incluir aspectos de
força que antes eram ignorados. A emoção é vista não como um subproduto da
cognição, mas como um elemento fundante da identidade, e o trabalho terapêutico
frequentemente envolve acessar camadas afetivas não verbalizadas, usando
métodos experienciais (como visualizações ou técnicas corporais).
A terapia construtivista se destaca em casos onde os problemas estão entrelaçados
com questões de identidade ou traumas complexos, como em transtornos de
personalidade ou experiências de luto complicado. Enquanto a TCC tradicional pode
ser eficaz para sintomas específicos (como ataques de pânico), o construtivismo
busca uma transformação mais profunda, reconhecendo que a mudança não ocorre
apenas pela correção de pensamentos, mas pela reelaboração da própria maneira
de significar a existência. Críticos argumentam que a falta de estrutura técnica pode
tornar a abordagem menos acessível para casos agudos, mas seus defensores
enfatizam que ela oferece uma resposta mais humana a dilemas que transcendem
categorias diagnósticas rígidas, como o vazio existencial ou a busca por sentido. Em
essência, a terapia construtivista não é sobre "consertar" a mente, mas sobre
reconhecer sua complexidade e abrir espaço para novas possibilidades de ser no
mundo.
TERA SOLUÇÃO DE PROBLE
A terapia de solução de problemas, desenvolvida inicialmente por D’Zurilla e
Goldfried na década de 1970, é uma abordagem cognitivo-comportamental que
ensina os pacientes a lidar com desafios cotidianos e situações estressantes de
maneira estruturada e sistemática. Seu pressuposto central é que muitos problemas
emocionais surgem não apenas de eventos externos, mas da percepção de
incapacidade para resolvê-los, gerando sentimentos de desesperança ou
impotência. A terapia propõe que, ao desenvolver habilidades práticas de resolução
de problemas, o indivíduo pode reduzir o sofrimento psicológico e aumentar sua
sensação de controle sobre a vida. O processo envolve etapas claras: identificar o
problema de forma concreta, gerar múltiplas soluções possíveis, avaliar os prós e
contras de cada opção, escolher a mais viável, implementá-la e, finalmente, revisar
os resultados para ajustar estratégias futuras.
Diferentemente de outras terapias cognitivas que focam em modificar pensamentos
distorcidos, a terapia de solução de problemas prioriza a ação prática, incentivando
o paciente a enxergar os obstáculos como desafios solucionáveis, não como
ameaças intransponíveis. Ela é particularmente eficaz em casos de depressão leve
a moderada, ansiedade generalizada e estresse crônico, especialmente quando o
sofrimento está ligado a dificuldades concretas (como conflitos no trabalho,
problemas financeiros ou ajuste a doenças crônicas). O terapeuta atua como um
treinador, guiando o paciente a quebrar problemas complexos em partes menores e
a experimentar soluções passo a passo, enquanto trabalha crenças subjacentes
como "nada do que eu fizer vai dar certo".
Estudos mostram que essa abordagem não só reduz sintomas emocionais, mas
também fortalece a autoconfiança e a resiliência, já que o paciente internaliza um
método replicável para enfrentar futuros desafios. A flexibilidade da terapia permite
adaptá-la a diferentes contextos culturais e populacionais, desde adolescentes com
dificuldades acadêmicas até idosos lidando com perdas funcionais. Críticos
apontam que, em casos de problemas profundamente enraizados (como traumas ou
transtornos de personalidade), a abordagem pode ser insuficiente sem integrar
outras técnicas. No entanto, sua simplicidade e foco no empoderamento prático a
tornam uma ferramenta valiosa no arsenal da TCC, especialmente para quem busca
respostas concretas e orientadas para a ação.
SEMELHA E DIFEREN
As diversas abordagens da terapia cognitivo-comportamental (TCC) compartilham
um núcleo teórico comum: a premissa de que pensamentos, emoções e
comportamentos estão interligados e que a modificação de padrões disfuncionais
nesses domínios pode aliviar o sofrimento psicológico. Todas são baseadas em
evidências, estruturadas e focadas em objetivos concretos, com ênfase em técnicas
práticas para lidar com problemas no presente. No entanto, divergem
significativamente em estilo, técnicas e pressupostos filosóficos. Por um lado, a
terapia cognitiva de Beck e a TREC de Ellis priorizam a identificação e o
questionamento de pensamentos distorcidos ou crenças irracionais, mas enquanto
Beck adota uma postura colaborativa e socrática (guiando o paciente a descobrir
inconsistências em seus pensamentos), Ellis é mais confrontativo e diretivo,
desafiando ativamente as demandas irracionais do paciente (ex.: "Por que você
precisa ser perfeito?").
Já as terapias de habilidades de enfrentamento, como o treinamento de inoculação
de estresse de Meichenbaum, têm um caráter mais psicoeducativo, ensinando
estratégias específicas (ex.: relaxamento, resolução de problemas) para gerenciar
situações estressantes, sem aprofundar-se necessariamente na reestruturação
cognitiva profunda. Já a terapia construtivista, em contraste, distancia-se do modelo
"racionalista" de corrigir distorções, focando na reconstrução de narrativas pessoais
e na exploração de como os significados são construídos ao longo da vida, muitas
vezes usando metáforas e técnicas experienciais. Enquanto a TCC tradicional busca
"consertar" pensamentos, o construtivismo busca reorganizar a maneira como o
paciente atribui sentido às experiências, aceitando a subjetividade radical da
realidade.
As terapias de terceira onda, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e
a Terapia Comportamental Dialética (DBT), introduzem elementos como
mindfulness e aceitação, divergindo da ênfase tradicional na mudança direta de
pensamentos. Por exemplo, a ACT não busca desafiar crenças, mas ajudar o
paciente a conviver com pensamentos difíceis enquanto age de acordo com seus
valores. A DBT, por sua vez, combina técnicas comportamentais com validação
emocional, especialmente útil em casos de desregulação emocional intensa (ex.:
transtorno borderline).
Em termos de aplicação, abordagens como a TREC e a terapia cognitiva clássica
são eficazes para transtornos específicos e agudos (depressão, fobias), enquanto
terapias como a do esquema (Young) ou a DBT são voltadas para problemas
crônicos e complexos (transtornos de personalidade, trauma). Apesar das
diferenças, todas partilham o compromisso com o empirismo e a adaptação
contínua, refletindo a evolução da TCC de um modelo inicialmente restrito à
correção cognitiva para um espectro amplo de intervenções que reconhecem a
complexidade humana.
Crenças nucleares e pressupostos
adjacentes
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como-funciona/
Crenças nucleares e pressupostos adjacentes
Não é raro que um pensamento automático seja distorcido e disfuncional.
Isso porque eles são influenciados por pressupostos adjacentes e crenças
nucleares.
As crenças nucleares são crenças que um indivíduo desenvolve acerca de si
mesmo, das outras pessoas e do mundo em geral. Por exemplo, uma pessoa
pode acreditar que o mundo é um lugar perigoso de se viver, criando uma
crença nuclear que é rígida e inflexível. Ou seja, as crenças nucleares não
são facilmente mudadas e costumam ser bem limitadoras em alguns casos.
Essas crenças nucleares nem sempre são ruins, mas existem algumas que
são disfuncionais e, por isso, são o foco da TCC.
Existem algumas categorias de crenças nucleares. São elas:
● Crença de desamor: Acreditar que não é amado e nem é digno de
amor;
● Crença de desvalor: Acreditar que é incapaz, impotente etc.;
● Crença de desamparo: Acreditar que não será amparado, não receberá
apoio, está sozinho no mundo, etc.
Uma mesma pessoa pode ter esses três tipos de crenças nucleares,
enquanto outras terão apenas um ou dois. Elas também podem estar ativas
em alguns momentos da vida (em um episódio depressivo, por exemplo) e
não em outros. Tudo vai depender das experiências da pessoa, pois as
crenças nucleares são adquiridas conforme as vivências do indivíduo desde a
infância.
Depois de formadas, essas crenças nucleares dão origem a pressupostos
adjacentes (também chamados de crenças intermediárias), que são como um
“conjunto de regras” que uma pessoa deve seguir ou frases condicionais que
afetam seu comportamento. Alguns exemplos são:
● “Se eu agradar a todos, serei amado” — Este seria um pressuposto
adjacente de uma pessoa com uma crença nuclear de desamor, na
qual ela se considera indigna de ser amada, e portanto precisa se
esforçar para agradar os outros e conseguir ser amada;
● “Se eu sofrer um acidente, ninguém estará lá para me ajudar” — Um
pressuposto de uma pessoa com crença nuclear de desamparo, que
tem medo de correr riscos e acabar desamparado.
ARTIGO 4
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Segundo Beck (1976), “quando o indivíduo é capaz de preencher o espaço faltante
entre um evento ativador e as conseqüências emocionais e comportamentais, então
suas reações se tornam compreensíveis”. Exemplificando, se um fóbico social
interpreta uma situação qualquer (um evento social, digamos) como uma possível
ameaça (“não saberei o que falar e serei humilhado”), conseqüentemente irá sentir
emoções (ansiedade, medo) e terá um comportamento (escapar do evento), além
de possíveis reações físicas, como aumento dos batimentos cardíacos.
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Usualmente, o trabalho da TC inicia com a avaliação e modificação dos
pensamentos, porque a alteração destes pode gerar um impacto em todos os outros
componentes; porém, há situações, como na depressão severa, em que a primeira
abordagem é a ativação comportamental, ficando o trabalho cognitivo para mais
adiante no processo terapêutico.
a abordagem beckiana propõe que, nos problemas psicológicos, o pensamento do
indivíduo torna-se não somente mais distorcido, como também mais rígido; os
julgamentos tornam-se absolutos e generalizados; e suas crenças fundamentais,
mais inflexíveis. um dos trabalhos básicos da TC é não só ensinar o paciente a
identificar, examinar e modificar as distorções do pensamento para retomar um
processamento de informações mais preciso, mas torná-lo mais flexível e não-
absoluto na avaliação dos eventos
Na hipótese da especificidade de conteúdo, Beck e colaboradores (1987) propõem
que os transtornos emocionais têm um conteúdo cognitivo específico, ou seja, uma
temática própria de cada transtorno. Por exemplo, a temática em torno da
desvalorização e da perda seria própria da depressão; perigo e ameaça seriam a
temática encontrada na ansiedade; perigos específicos situacionais, nas fobias;
intrusão de pensamentos involuntária e ameaçadora, na paranóia; e assim por
diante
Beck e colaboradores (1987) descreveram dois tipos de personalidade – a do tipo
sociotrópico e a do tipo autônomo – que são influenciadas de formas diferentes no
surgimento dos transtornos emocionais.
A sonalidade sociotrópica valoriza relações interpessoais íntimas e é dependente de
gratificações sociais, com ênfase em ser aceito e amado pelos outros. Já a
orientação de personalidade autônoma reflete um alto investimento em
independência pessoal, obtendo sua satisfação na liberdade de escolha, conquistas
e aquisição pessoal (Blackburn e Twaddle, 1996).
Perfil cognitivo dos transtornos psiquiátricos
Depressão – Visão negativa de si, dos outros e do futuro.
Hipomania ou episódios maníacos – Visão inflada de si, dos outros e do futuro.
Comportamento suicida – Desesperança e conceito autodesqualificador.
Ansiedade generalizada – Medo de perigos físicos ou psicológicos.
Fobia – Medo de perigos em situações específicas, evitáveis.
Pânico – Medo de um perigo físico ou mental iminente.
Estado paranóide – Visão dos outros como manipuladores e mal-intencionados.
Transtorno conversivo – Idéia de anormalidade motora ou sensória. Transtorno
obsessivo-compulsivo – Pensamentos continuados sobre segurança; atos
repetitivos para precaver-se de ameaças.
Anorexia ou bulimia – Medo de ser gordo e não atraente.
Hipocondria – Preocupação com doença insidiosa
Um indivíduo com boa saúde mental refletiria uma combinação equilibrada dos dois
tipos de personalidade, pois tanto os altamente sociotrópicos quanto os
exageradamente autônomos têm maior vulnerabilidade para problemas emocionais,
por razões diferentes. As pessoas sociotrópicas estão mais propensas a
desenvolver depressão, por exemplo, quando percebem uma perda na interação
social; já o indivíduo autônomo pode ficar deprimido numa situação de perda de
independência pessoal, controle ou mobilidade (Beck et al., 1987)
A TC identifica e trabalha três níveis de cognição: pensamentos automáticos (PA),
pressupostos subjacentes e crenças nucleares.
Crenças nucleares são as nossas idéias e conceitos mais enraizados e
fundamentais acerca de nós mesmos, das pessoas e do mundo. As crenças são
incondicionais, isto é, independente da situação que se apresente ao indivíduo, ele
irá pensar do mesmo modo consoante com suas crenças.
As crenças nucleares disfuncionais devem ser modificadas; e este é o objetivo
último da terapia cognitiva.
Judith Beck (1995) propôs que as crenças nucleares disfuncionais podem ser
colocadas em dois grandes agrupamentos, expandidos agora para três. A seguir,
alguns exemplos:
1. Crenças nucleares de desamparo (Helplessness): Crenças sobre ser impotente,
frágil, vulnerável, carente, desamparado, necessitado.
2. Crenças nucleares de desamor (Unlovability): Crenças sobre ser indesejável,
incapaz de ser gostado, incapaz de ser amado, sem atrativos, imperfeito, rejeitado,
abandonado, sozinho.
3. Crenças nucleares de desvalor (Unworthiness) Crenças sobre ser incapaz,
incompetente, inadequado, ineficiente, falho, defeituoso, enganador, fracassado,
sem valor
as crenças podem retornar ao seu estado de latência e somente ressurgir quando e
se ocorrerem situações semelhantes no futuro
Esquemas são estruturas internas de relativa durabilidade que armazenam aspectos
genéricos ou prototípicos de estímulos, idéias ou experiências, e também organizam
informações novas para que tenham significado, determinando como os fenômenos
são percebidos e conceitualizados.
Esquemas são estruturas cognitivas com conteúdos (crenças). Como estruturas
mentais que contêm armazenadas as representações de significados, esquemas
são fundamentais para orientar a seleção, codificação, organização,
armazenamento e recuperação de informações de dentro do aparato cognitivo.
Além do mais, esquemas têm uma estrutura interna consistente que ordena novas
informações que entram no sistema cognitivo. (Williams, 1997)
Portanto, o conteúdo dos esquemas são as representações internas (crenças)
abstraídas dos dados recebidos do sistema de processamento de informações, que
provêem a base para a interpretação das experiências de vida.
Correlacionados com os esquemas cognitivos, temos os esquemas afetivo,
fisiológico, comportamental e motivacional, os quais correspondem a diferentes
funções ou aspectos do sistema biopsicossocial do organismo e também estão em
constante operação na estrutura mental do indivíduo. esquemas têm uma variedade
de propriedades ou características: carga (valência afetiva) maior ou menor,
tamanho (mais amplo ou mais estreito), flexibilidade ou rigidez. Portanto, temos
esquemas com conteúdos acerca de todas as coisas, nossas e das outras pessoas,
de todas as emoções (“apaixonar-se é bom” ou, ao contrário, “paixão traz
sofrimento”), da realidade física (“gosto quando faz frio” ou “detesto frio”), de
cadeiras e sapatos, de comidas e viagens (“adoro conhecer lugares exóticos” ou
“em viagem não gosto de passar trabalho”), enfim, de tudo
Segundo os autores, esquemas mal-adaptativos são:
1. Verdades a priori acerca de si mesmo e/ ou do ambiente.
2. Resistentes à mudança, pois há uma crença associada de que é impeditivo
mudar.
3. Ligados a altos níveis de afeto, quando ativados.
4. Freqüentemente desencadeados por alguma mudança ambiental, como perda de
um emprego ou o fim de um relacionamento.
5. Geralmente resultantes de uma interação do temperamento inato da criança com
experiências de desenvolvimento disfuncionais com pessoas significativas.
6. Autoperpetuáveis.
Os esquemas primitivos mal-adaptativos perpetuam-se por três formas principais
(Young, Klosko, Weishaar, 2003):
– Manutenção do esquema: pensar e se comportar de maneiras que reforçam o
esquema. Acontece nos casos de “profecia autoconfirmatória”: a pessoa tem um
esquema relacionado com, digamos, ser abandonada; acaba agindo de uma forma
que provoca os outros a abandonarem-na, confirmando, assim, sua “profecia” de
que seria abandonada.
– Evitação do esquema: procurar maneiras de evitar a ativação dos esquemas e o
sofrimento associado. Exemplo: com o esquema de ser vulnerável, o indivíduo tenta
manter controle obsessivo sobre as coisas.
– Compensação do esquema: agir aparentemente de forma a contradizer o
esquema. Exemplo: com o esquema de ser inadequado (e, portanto, incapaz de ser
amado), o indivíduo acaba se relacionando com muitas mulheres (mas com
nenhuma integralmente).
Pressupostos subjacentes São construções cognitivas disfuncionais, subjacentes
aos pensamentos automáticos. São regras, padrões, normas, premissas e atitudes
que adotamos e que guiam a nossa conduta.
Pensamentos automáticos que são exagerados, distorcidos, equivocados, irrealistas
ou disfuncionais têm um papel importante na psicopatologia, porque moldam tanto
as emoções como as ações do indivíduo em resposta aos eventos da vida
Quando o paciente encontra dificuldades de identificar seus PA, a forma de evocá-
los é por aquilo que pode estar imaginando (isto é, pensando em imagens); por
exemplo, um indivíduo, ao ser convidado para dar uma palestra, tem a imagem de
estar encolhido num canto, com o rosto vermelho, enquanto toda a platéia está rindo
de alguma bobagem que ele imagina ter falado na palestra
Em relação à validade e utilidade dos pensamentos automáticos, eles podem ser de
três tipos (J. Beck, 1995):
1. Distorcidos, ocorrendo apesar das evidências em contrário. Ex.: “Se me separar,
nunca mais serei feliz.”
2. Acurados, mas com a conclusão distorcida. Ex.: “Meu filho não me telefonou até
agora, deve estar incomodado comigo.”
3. Acurados, mas totalmente disfuncionais.
Características dos pensamentos automáticos
PRINCÍPIOS PRÁTICOS
Afeto, comportamento, pensamento
Embora a TC seja fortemente identificada com intervenções desenhadas para
modificar pensamentos, essa é apenas uma de muitas formas de intervenção. Se as
emoções não forem trabalhadas, o tratamento cognitivo pode tornar-se apenas uma
troca intelectual, o que não teria sentido terapêutico. Sem a presença do afeto, a
reestruturação cognitiva do paciente não acontece.