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admin,+RAC108 - MAI AGO 2020+final 84 89

Este trabalho apresenta uma revisão sobre os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas agrícolas e naturais, destacando estratégias de mitigação e adaptação. As abordagens incluem o uso de modelos de simulação de culturas, melhoramento genético com genes de plantas adaptadas e políticas públicas para desenvolvimento sustentável. O estudo enfatiza a necessidade de ações para reduzir os efeitos das mudanças climáticas e garantir a qualidade da produção agrícola.

Enviado por

Maynar Nogueira
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Tópicos abordados

  • Relação entre ecossistemas,
  • Efeitos das mudanças climática…,
  • Evolução das espécies,
  • Espécies endêmicas,
  • Produção agrícola,
  • Cultura de cana-de-açúcar,
  • Mitigação,
  • Colaboração científica,
  • Gases de efeito estufa,
  • Biodiversidade
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Este trabalho apresenta uma revisão sobre os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas agrícolas e naturais, destacando estratégias de mitigação e adaptação. As abordagens incluem o uso de modelos de simulação de culturas, melhoramento genético com genes de plantas adaptadas e políticas públicas para desenvolvimento sustentável. O estudo enfatiza a necessidade de ações para reduzir os efeitos das mudanças climáticas e garantir a qualidade da produção agrícola.

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Tópicos abordados

  • Relação entre ecossistemas,
  • Efeitos das mudanças climática…,
  • Evolução das espécies,
  • Espécies endêmicas,
  • Produção agrícola,
  • Cultura de cana-de-açúcar,
  • Mitigação,
  • Colaboração científica,
  • Gases de efeito estufa,
  • Biodiversidade

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Mudanças climáticas nos ecossistemas agrícolas e naturais:


medidas de mitigação e adaptação
Leticia de A. Dias¹, João Batista Tolentino Júnior² e Leosane Cristina Bosco²

Resumo – O objetivo deste trabalho foi apresentar uma revisão bibliográfica sobre os principais impactos que os ecossistemas
agrícolas e naturais vêm sofrendo com a ocorrência das mudanças climáticas, e então expor algumas estratégias de mitigação
dos impactos e da adaptação destes ecossistemas às mudanças. Dentre as estratégias, podem-se citar o uso de modelos de si-
mulação de culturas como suporte ao conhecimento e tomadas de decisão, o uso de genes de plantas adaptadas às alterações
climáticas no melhoramento genético, e o uso de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Termos para Indexação: Aquecimento Global; Vulnerabilidade de Ecossistemas; Conservação.

Climate change in natural and agricultural ecosystems: mitigation and adaptation strategies

Abstract – The objective of this work was to present a bibliographic review about the main impacts that the agricultural and
natural ecosystems have been suffering with the occurrence of climate changes, and then to expose some strategies to miti-
gate the impacts and the adaptation of these ecosystems to the changes. Among the strategies addressed, we can mention the
use of crop simulation models to support knowledge and decision making, the use of plant genes adapted to climate change
in genetic improvement, and the use of public policies aimed at sustainable development.

Index Terms: Global Warming; Ecosystem Vulnerability; Conservation.

Introdução mas, por exemplo – depende do seu ní- bibliográfica a respeito dos principais
vel de informação a respeito do assunto impactos que os ecossistemas agrícolas
Os ecossistemas agrícolas e os natu- (ROSENZWEIG et al., 2014). A partir do e naturais vêm sofrendo em decorrên-
rais estão diretamente relacionados, ou momento em que se percebem as con- cia das mudanças climáticas. Aliado a
seja, qualquer impacto sofrido por um sequências das mudanças climáticas, isso, buscou-se abordar algumas estra-
gera consequências sobre o outro. Inde- observa-se uma busca popular por for- tégias de mitigação dos impactos e da
pendentemente do nível de responsa- mas de restringir as consequências das adaptação destes ecossistemas a estas
bilidade que a atividade antrópica tem ações antrópicas sobre os ecossistemas mudanças.
sobre a intensificação das mudanças cli- naturais, já que muitas destas ações in-
máticas, a temática deve ser abordada tensificam os efeitos das mudanças cli- A problemática das
e transmitida para todos os setores da máticas (PECL et al., 2017). mudanças climáticas
comunidade, e não permanecer apenas Reduzir os impactos causados pelo
no meio científico. A partir da difusão fenômeno climático sobre as atividades Barry (2013) afirma que nos últimos
do assunto torna-se possível tomar ati- econômicas também deve ser um foco milhares de anos o clima passou por va-
tudes que garantam a boa condição de de ação (FOGUESATTO et al., 2019). Esta riações que afetaram a agricultura e os
vida nos ecossistemas e a qualidade da é a realidade que se apresenta no setor ecossistemas naturais. A inconstância
produção agrícola, diminuindo os efei- agrícola, com estratégias que podem do clima pode ser evidenciada a partir
tos das mudanças climáticas. envolver o uso de variedades de cultivo de mudanças diretas nos anéis de cres-
O efeito das mudanças climáticas é mais resistentes, e de modelos de simu- cimento das árvores, nos registros em
mais percebido em algumas regiões do lação de culturas que permitem identifi- testemunhos de gelo e em sedimentos
que em outras, e a forma como as pes- car a época ideal para o plantio e o uso do oceano, que fornecem registros que
soas interpretam estes efeitos – como de agrotóxicos. podem ser referentes a um período
as alterações no regime anual de chu- Tendo em vista o exposto, este tra- anual, e até mil anos. Tais registros po-
vas e nas temperaturas máximas e míni- balho apresenta-se como uma revisão dem indicar a ocorrência de mudanças

Recebido em 8/8/2019. Aceito para publicação em 1/4/2020,


¹ Engenheira Ambiental, Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais (PPGEAN) / Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), Centro de Ciências Rurais, Campus de Curitibanos, Curitibanos, SC, Brasil. CEP: 89.520-000. E-mail: [email protected].
² Engenheiro-agrônomo (Docente), Dr., PPGEAN / UFSC, Centro de Ciências Rurais, Campus de Curitibanos. E-mail: [email protected]. / leoane.bosco@
ufsc.br.

82 Este periódico está licenciado conforme Creative Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v.33, n.2, p.82-87, maio/ago. 2020
Commons Atribuição 4.0 Internacional.
climáticas ou de variações climáticas.
Mudanças climáticas podem ser obser-
vadas a partir de mudanças locais ou
globais, estatisticamente significativas,
nas características climáticas de longo
prazo. Elas podem ser decorrentes de
ação antrópica ou de processos natu-
rais. As variações climáticas, diferentes
das mudanças climáticas, são cíclicas e
ocorrem em um curto período, sendo
processos internos comuns do sistema
climático.
As principais formas de identificar a
ocorrência de mudanças climáticas em
dados históricos são através de altera-
Figura 1. Aumentos da temperatura média global observada e modelagem de repostas às
ções nas médias de temperatura do ar e
emissões antrópicas de CO2 e radioatividade. Autor: Adaptado de IPCC (2018)
da pluviosidade, que interferem direta- Figure 1. Observed global average temperature increase, and future increase due to
mente na circulação atmosférica do glo- different anthropic emissions. Author: Adapted from IPCC9 2018)
bo (BARRY, 2013). O aumento do nível A – Modelagem atual de emissões: As emissões globais de CO2 atingem 0 em 2055
do mar, que representa um risco para enquanto as forças radioativas são reduzidas após 2030. O aumento médio chega próximo
as áreas costeiras, e o aumento da ocor- a 2°C.
rência de eventos extremos como secas, B – Reduções mais rápidas das emissões de CO2 implicam uma probabilidade mais alta de
inundações, tempestades e da intensifi- reduzir o aumento da temperatura média para 1,5°C até 2100.
C – Nenhuma redução imediata nas emissões de partículas radioativas resulta em uma
cação do fenômeno de El Niño, também
menor probabilidade de reduzir o aumento da temperatura média para 1,5°C até 2100.
podem ser relacionados às mudanças
climáticas, devido ao aumento das tem-
peraturas (CAI et al., 2014). Algumas consequências globais já soja serão as mais afetadas, devido a
Uma das causas das mudanças cli- observadas são o aquecimento e o der- sua sensibilidade às altas temperaturas
máticas é a intensificação do efeito retimento de geleiras, com o aumento e ao estresse hídrico, o que pode repre-
estufa e o consequente aquecimento no nível dos oceanos. Outros eventos sentar impactos para a economia do
global. O homem contribui para o aque- extremos, como tempestades de vento país (TAVARES et al., 2018). A cana-de-
cimento global através da liberação de e as ondas de calor também têm sido açúcar e o milho poderão ter sua área
gases como o O3, CO2, CH4, NOx e os mais frequentes (IPCC, 2013). Dubreuil de cultivo expandida, por serem plantas
CFCs, que acumulam na atmosfera e re- et al. (2019), utilizando a classificação do tipo C4 e responderem positivamen-
agem com seus componentes naturais de Köppen para evidenciar as mudanças te a uma maior quantidade de CO2 na at-
(IPCC, 2018). O novo relatório do Painel climáticas no Brasil, atestam o cresci- mosfera (EMBRAPA, 2008, DAMATTA et
Intergovernamental sobre Mudanças mento das regiões áridas no Nordeste al., 2019). Assim, Martins et al. (2010) e
Climáticas – IPCC (2018) traz as ações brasileiro, a mudança do clima tempera- DaMatta et al. (2019) chamam atenção
necessárias para cumprir com a decisão do para tropical em diversas regiões do para a importância do estudo e da apli-
tomada durante a Convenção-Quadro Sul, e a redução da frequência de anos cação de estratégias de mitigação dos
das Nações Unidas sobre Mudanças hiperúmidos na Amazônia. O Brasil con- efeitos e a necessidade de adaptação
Climáticas de reduzir as emissões at- tribui para este cenário com o desma- do setor agrícola às mudanças climáti-
mosféricas e, consequentemente, o au- tamento na Amazônia para plantação cas que vêm ocorrendo.
mento previsto da temperatura média de lavouras e criação de gado, e com a Ainda sobre o impacto na agricultu-
do planeta de 2°C acima dos níveis pré- produção de arroz alagado (EMBRAPA, ra, Rosenzweig et al. (2014) afirmam que
industriais para 1,5°C até o ano de 2100. 2008). Os setores de geração de energia avaliar e comparar o nível de interferên-
A Figura 1 ilustra o comportamento da e processos industriais também adicio- cia que diferentes regiões agrícolas so-
temperatura média do globo, de acor- nam forças às contribuições brasileiras frem é uma tarefa difícil. Ao testar uma
do com as modificações nas emissões (ICLEI, 2015). Apesar disso, a agricul- série de modelos estatísticos de múlti-
antropogênicas. Apesar de o provável tura também sofre os impactos destas plas culturas em grade global (GGCM),
aumento de 1,5°C trazer consequên- mudanças climáticas devido ao aqueci- identificou-se que os efeitos mais dele-
cias menos severas do que as projeções mento atmosférico, que pode represen- térios ocorrerão devido ao aumento de
para 2°C (IPCC, 2018), ainda existem tar ameaças ao cultivo de uma série de temperaturas em regiões de baixas lati-
consequências sobre a saúde dos ecos- culturas, com o risco de mudanças na tudes. Este mesmo efeito também pode
sistemas, podendo causar a extinção de geografia da produção agrícola atual do ser observado em dados de rendimen-
espécies e mudanças nas características Brasil (GHINI et al., 2011). to da safra agrícola de diversas regiões
de biomas (SCARANO, 2017). As culturas de grãos como café e do globo avaliados por Challinor et al.
Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v.33, n.2, p.82-87, maio/ago. 2020 83
(2014). Em relação às pragas no cam- sos de seleção natural dos indivíduos sementes crioulas que, por serem fruto
po, Jacques et al. (2019) afirmam que mais resistentes (WEBSTER et al., 2017), da seleção feita de acordo com sua qua-
o aumento da temperatura atmosférica com mudanças na composição de uma lidade e resistência ao longo dos anos,
promovido pelas mudanças climáticas comunidade e na competitividade dos possuem maior capacidade de adaptar-
afeta a taxa de desenvolvimento e o vol- indivíduos (BOULANGER et al., 2017). se às variações naturais em seu ambien-
tinismo da lagarta Mythimma sequax, Porém esta não é a realidade para es- te (NODARI & GUERRA, 2015).
de acordo com a avaliação de modelos pécies vegetais nativas e endêmicas A Figura 2 é uma síntese dos prin-
climáticos para o sul do Brasil. cujas comunidades são menores e, cipais problemas apresentados pelos
Reduções no número de municípios consequentemente, sofrem perdas de ecossistemas agrícolas e naturais abor-
catarinenses aptos para a produção, e variabilidade genética à medida que os dados neste texto.
alterações no período de cultivo e na organismos vão se extinguindo devido
época de semeadura, de acordo com o à perda de hábitats. Isto vem causando Estratégias de mitigação e
zoneamento climático para os próximos uma redução gradual da biodiversidade
anos, já foram apontadas para a cultura de espécies vegetais nativas das flores-
adaptação
da maçã (MASSIGNAM & PANDOLFO, tas brasileiras (SILVA et al., 2019).
2016), do milho (MASSIGNAM et al., As estratégias de adaptação são
Outro malefício é a redistribuição
2015), banana (PANDOLFO et al., 2007), aquelas que ajudam o ecossistema a
de patógenos de plantas, que tendem a
videira (PANDOLFO et al., 2008) e trigo modificar-se de acordo com as mudan-
se deslocar para regiões mais quentes,
(SANTI et al., 2017). Oliveira et al. (2018) ças no ambiente, e podem envolver ca-
como é o caso de bactérias fitopatogê- racterísticas de resistência, resiliência
afirmam que pode ocorrer um declínio
nicas do gênero Xanthomonas que têm ou de resposta das espécies. As estraté-
de até 70% na produção leiteira do sul
atacado a cultura do tomate com maior gias de mitigação podem ser interpreta-
brasileiro, caso ocorra um aumento de
frequência (BETTIOL et al., 2017). Em das de duas formas: como as ações que
3°C na temperatura média global.
contrapartida, a modelagem indica a re- permitem que o ecossistema reduza a
Além dos ecossistemas agrícolas, os
ecossistemas naturais também passam dução na incidência de outras doenças influência antropogênica sobre o clima
por situações de estresse em que os or- devido à redução de áreas com intensa global, ou as ações que reduzem o im-
ganismos são submetidos a novas condi- umidade, como é o que vem ocorren- pacto das mudanças climáticas sobre as
ções físicas, como as alterações da tem- do com a sigatoka-negra da bananeira, espécies (MILLAR et al., 2007). Pode-se
peratura atmosférica e nos regimes de causada pelo gênero de fungo Mycos- citar ainda a adaptação evolucionária,
chuvas, que afetam a estabilidade dos phaerella (GHINI et al., 2007). As ques- quando a espécie interpreta a mudança
ecossistemas (WEBSTER et al., 2017). tões benéficas podem também estar climática como uma oportunidade para
Estas mudanças podem fazer com que relacionadas à implementação de no- modificar seu sistema (HOFFMANN &
o organismo desenvolva estratégias de vos cultivos resistentes, como o uso de SGRÒ, 2011).
adaptação, promovendo uma evolução
da espécie. Considerando que a sobre-
vivência antrópica depende dos compo-
nentes vivos da natureza, as alterações
em um espectro trarão consequências
diretas para o outro espectro. Apesar
de as mudanças cíclicas serem espe-
radas na dinâmica de espécies, estão
ocorrendo redistribuições inesperadas
e universais da vida na Terra. Isso afe-
ta as relações-chave entre espécies que
estão sendo rompidas por mudanças
de habitat ou extinção de indivíduos,
gerando novas comunidades bióticas
(PECL et al., 2017). Estas novas comuni-
dades podem afetar a atividade antrópi-
ca de forma benéfica ou maléfica
As populações nativas têm a capa-
cidade de se ajustar a estas novas con-
dições ambientais a partir de algumas
respostas, que incluem a mudança ge-
ográfica para um local mais propício ao Figura 2. Mudanças Climáticas nos ecossistemas e seus principais impactos relacionados
seu desenvolvimento, com uma reorga- Fonte: Os autores (2019)
nização ecológica, ou através de proces- Figure 2. Ecosystem climatic changes and its major impacts. Source: Authors (2019)

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Levando em consideração as diferen- internacionalmente, mas para sua apli- Outra estratégia relacionada ao se-
tes formas de adaptação, é importante cação no Brasil são necessárias adapta- questro de carbono envolve a aplicação
que diferentes estratégias sejam aplica- ções às caraterísticas dos remanescen- dos sistemas de diversificação da produ-
das, de forma a garantir que o ecossis- tes florestais e à realidade socioambien- ção como a integração lavoura-pecuá-
tema, agrícola ou natural, sobreviva às tal de cada estado. ria-floresta (ILPF) e integração pecuária-
mudanças de longo prazo (MILLAR et Coltri et al. (2019), avaliando formas floresta (IPF) (ANGELOTTI et al. 2015).
al., 2007). Aliam-se estudos que avaliam de adaptar a cultura de café do sul do Estes métodos, além de aumentarem o
a vulnerabilidade e a forma que esta in- Brasil às mudanças climáticas, afirmam estoque de carbono do solo, permitem
fluenciará em um ecossistema, para que que é importante planejar o esquema a recuperação de áreas degradadas,
se tenha uma base de informações que de sombreamento da produção como promovem um aumento da diversida-
serão utilizadas para desenvolver as es- forma de reduzir a temperatura na la- de biológica e atuam na mitigação de
tratégias de redução e mitigação de ris- voura, a incidência de ventos e radia- processos de degradação do ambiente,
cos (MARTINS et al., 2010). A adaptação ção, e aumentar a umidade do ar. como a desertificação pelo uso de mo-
às mudanças climáticas só será eficiente Abordando a relação entre ecossis- noculturas.
a partir do momento em que as respos- temas naturais e a atividade agrícola, Tendo em vista, ainda, que os ecos-
tas das espécies de cada local – princi- é importante considerar que, além de sistemas naturais afetam a sociedade
palmente as mais sensíveis, as espécies- encontrar formas de adaptar as culturas de forma direta, Scarano (2017) chama
chave e as endêmicas – forem incluídas a eventos extremos, também são ne- atenção para a necessidade de com-
nos processos de tomada de decisão cessárias adaptações na agricultura que binar a justiça social, a saúde do meio
(PECL et al., 2017). Prevendo de que for- reduzam a geração de gases poluentes ambiente e a produtividade econômica
ma elas irão responder às mudanças no e que visem aumentar o sequestro de como estratégias para reduzir os riscos
seu ambiente, torna-se possível definir carbono atmosférico pelas culturas. aos quais um ecossistema pode ser ex-
os locais para onde irá ocorrer a migra- Challinor et al. (2014) apontam que mu- posto, adaptando estas estratégias de
ção das espécies, e assim promover atri- danças para variedades mais resisten- acordo com a realidade de cada região,
butos que garantam a adaptação a estes
tes, na época de plantio e no tempo de na busca por um desenvolvimento sus-
lugares (WEBSTER et al., 2017).
irrigação, podem garantir um aumento tentável. O autor chama esta política
A identificação de espécies capazes
no rendimento da safra em 7-15%, prin- pública de “Adaptação com base nos
de suportar as situações extremas de
cipalmente nas culturas de grãos. Nes- ecossistemas” e afirma que ela seria
escassez hídrica e temperaturas altas,
te âmbito, os modelos de simulação de ideal para garantir a sobrevivência do
além da alta salinidade e da exposição
culturas têm sido utilizados com êxito. ecossistema natural e a adaptação da
à radiação ultravioleta, também pode
Os modelos de simulação de cultu- sociedade às mudanças climáticas.
ser aproveitada para o desenvolvimen-
ras são um exemplo de tecnologia que Esta adaptação ocorreria através do
to genético de espécies agrícolas resis-
permite avaliar os riscos na produção uso dos serviços ecossistêmicos, rela-
tentes (HOFFMANN & SGRÒ, 2011). Xu
et al. (2018) afirmam que a modulação agrícola. Eles indicam de que forma a cionando estes a políticas socioeconô-
dos níveis de micro RNAs vegetais, que cultura irá crescer e se desenvolver, de micas e de desenvolvimento, com vistas
são reguladores da expressão dos ge- acordo com dados históricos do manejo à redução dos níveis de gás carbônico
nes envolvidos nas adaptações da plan- desta cultura e das variações nas con- antrópico liberado. O autor propõe tam-
ta às mudanças no ambiente, permite dições climáticas no local, indicando a bém o pagamento por serviços ecossis-
que sejam desenvolvidas culturas mais melhor época de plantio (CHALLINOR et têmicos e o ecoturismo em áreas pro-
resistentes às mudanças climáticas. A al., 2018). tegidas como partes importantes da po-
hibridização natural entre espécies, Com relação ao papel do setor agrí- lítica, além da interdisciplinaridade das
apesar de ser considerada um efeito cola em realizar o sequestro de carbono ciências envolvidas, nas áreas de meio
negativo para a conservação, pode tam- atmosférico, Tao et al. (2019) afirmam ambiente, social e econômica. Esta seria
bém facilitar o processo de adaptação que a intensificação da agricultura or- a estratégia mais realista quando se fala
evolucionária, através da introdução de gânica seria importante, devido a um a respeito da relação entre os ecossis-
genes resistentes a espécies que ante- aumento da produção através do uso temas naturais e a atividade antrópica.
riormente não possuíam a capacidade de fertilizantes naturais e de um manejo Ela já tem sido uma preocupação das
de sobreviver em ambientes extremos eficiente dos resíduos vegetais, asso- políticas públicas brasileiras que visam
(HOFFMANN & SGRÒ, 2011). ciados à prática do plantio direto. Estes integrar o agronegócio com as necessi-
Reis Neto & Araújo (2018) citam o métodos reduzem o impacto sofrido dades socioambientais (SAMBUICHI et
instrumento denominado Redução do pelo solo e aumentam sua capacidade al., 2014). Foguesatto et al. (2019) afir-
Desmatamento e da Degradação Flo- de absorver carbono atmosférico atra- mam que, antes de aplicar as políticas
restal (REDD), para incentivar a redu- vés da vegetação, fazendo ainda com públicas para incentivar a aplicação de
ção de atividades que contribuem para que ele mantenha seus níveis de fertili- práticas de agricultura sustentável no
o efeito estufa e aumentar a proteção dade e contribua para o bom rendimen- Brasil, é importante entender a percep-
das florestas nativas no Brasil. Este é um to da cultura, sendo esta uma forma de ção dos agricultores quanto à questão
instrumento que vem sendo utilizado mitigação dos impactos já existentes. ambiental.
Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v.33, n.2, p.82-87, maio/ago. 2020 85
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