Eletroterapia
Lauriston Medeiros Paixão
Eletroterapia
Introdução
Neste conteúdo estudaremos a eletroterapia e as suas modalidades, bem como
descreveremos os efeitos da passagem de uma corrente elétrica sobre tecidos do corpo
humano. Para tanto, é necessário compreender os princípios básicos de eletricidade e
as suas principais terminologias.
Iniciaremos nosso estudo classificando as correntes eletroterapêuticas, abordaremos
definições, efeitos fisiológicos e terapêuticos, características, aplicações, indicações e
contraindicações dos principais recursos eletroterapêuticos utilizados na fisioterapia.
Objetivos da Aprendizagem
• Apresentar os princípios básicos da eletroterapia;
• Abordar a classificação e os modos de usar os recursos eletroanalgésicos
como recursos eletroanalgésicos;
• Destacar os principais recursos eletroterapêuticos para a eletroestimulação.
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Eletroterapia
A utilização da eletricidade tem um grande espectro de aplicabilidades clínicas em
reabilitação, incluindo alguns objetivos conhecidos como fortalecimento e reeducação
muscular, controle da dor, facilidade em cicatrizar as feridas recalcitrantes, entre
outros. Para tanto, muitos profissionais, incluindo os fisioterapeutas, utilizam
rotineiramente essa estimulação em sua prática clínica (CAMERON, 2011).
Entende-se por corrente elétrica o fluxo de partículas carregadas, as quais podem
ser denominadas elétrons ou íons. Assim, eletricidade é uma força criada pelo
desequilíbrio no número desses elétrons entre dois pontos. Essa força, chamada
eletromagnética, cria um ambiente no qual os elétrons tendem a movimentar-se
tentando equilibrar as cargas e, desse modo, produzem a corrente de eletricidade.
Respostas Fisiológicas a Correntes Eletroterapêuticas
Cada um dos tipos de estimulação elétrica produz efeitos específicos nos tecidos,
assim como tem a capacidade de gerar uma ampla variedade de respostas
terapêuticas. O corpo humano pode ser interpretado como uma massa de fluidos e
tecidos, que possuem a capacidade de conduzir corrente elétrica. Essa capacidade
está totalmente ligada à quantidade de água: se a água no tecido aumentar, sua
capacidade de transmitir eletricidade também aumenta.
A partir disso, segundo Starkey (2001), os tecidos são classificados em excitáveis e
não excitáveis. Os tecidos excitáveis são influenciados diretamente pelos parâmetros
de intensidade, duração de pulso e frequência do pulso da corrente. Os tecidos não
excitáveis não apresentam resposta direta ao fluxo de corrente, mas podem ser
influenciados pelos campos elétricos causados pela corrente.
A passagem de corrente elétrica nos tecidos vivos produz efeitos biofísicos variáveis,
incluindo os efeitos fisioquímicos e as reações fisiológicas. Alterações térmicas
também podem acontecer, porém, não para efeitos terapêuticos.
Correntes Eletroterapêuticas
As correntes elétricas são classificadas em correntes diretas (CD) ou correntes
alternadas (CA), dependendo do caminho percorrido pelo fluxo.
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Figura 1 - Correntes direta e alternada
Fonte: adaptada de Bellew, Michlovitz e Nolan (2016, p. 260).
#pratodosverem: Gráfico de correntes direta e alternada usada na eletrotera-
pia.
Correntes Diretas (CD)
São caracterizadas por um fluxo contínuo de elétrons de maneira unidirecional,
ou seja, seus elétrons se movimentam numa única direção. Seu gráfico tem
somente uma fase (negativa ou positiva) e dispõe de efeitos polares.
Correntes Alternadas (CA)
São caracterizadas por uma corrente bidirecional – seus elétrons se transportam
numa direção, ou em outra, e seu gráfico tem duas fases: negativa e positiva,
sem dispor de efeitos polares.
As correntes em pulso são caracterizadas por períodos sem fluxo de corrente.
Neste caso, o fluxo de elétrons é periodicamente interrompido. Chamamos de fase a
unidade fundamental das correntes em pulso, o corte individual de um pulso por um
intervalo de tempo mensurável. Desse modo, tanto o número como o tipo de fases
categorizam o tipo de pulso, assim, a carga que cada uma das fases libera é a que
afeta os tecidos corporais.
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Formas, Duração e Frequência de Pulso
As correntes utilizadas na atuação clínica podem apresentar várias formas de pulso
(onda) das quais são decorrentes as suas denominações. As formas de pulso mais
comuns são: triangular, senoidal (sinusoidal), quadrática e contínua.
Ainda as correntes podem apresentar pulsos monofásicos, quando apresentam uma
fase apenas para um único pulso e o fluxo de corrente é unidirecional; ou bifásicos,
que consistem de duas fases, cada uma ocorrendo nos lados opostos do valor de
referência.
Duração do pulso
É o tempo transcorrido entre o começo da fase até sua conclusão na fase final.
Essa duração é muito importante na determinação quanto ao tipo de tecido em
que acontecerá a estimulação. Se ela for muito curta, a corrente não conseguirá
produzir nenhum tipo de potencial de ação. Com a elevação na duração da
fase, diferentes tecidos poderão ser despolarizados.
Frequência de pulso
É medida pelo número de pulsos ocorridos por segundo (ou seja, é a frequência
com a qual os elétrons passam na corrente elétrica). Comumente, essa
frequência é medida em Hertz (Hz).
As correntes podem ser classificadas quanto à sua frequência, conforme veremos a
seguir.
Correntes de baixa frequência
Apresentam menos de 1.000 ciclos ou pulsos por segundo, com frequência na
faixa de 1 a 1.000 Hz. São empregadas por seus efeitos biológicos.
Correntes de frequência média
Mudam de 1000 a 100.000 ciclos por segundo, com frequência na faixa de
1.000 a 100.000 Hz.
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Correntes de alta frequência
Retratam ciclos por segundo maiores que 100.000, com frequência de 100.000
Hz em diante. Tanto essas correntes como as de média frequência são as mais
utilizadas em virtude de seus efeitos de aquecimento.
A frequência também interfere no limiar sensitivo, sendo que as maiores desencadeiam
percepções menores, visto que altas frequências apresentam resistências menores
da pele ao trajeto da corrente elétrica.
A corrente polarizada tem sentido unidirecional, ou seja, a corrente flui do cátodo (polo
negativo), onde a concentração de elétrons é elevada, para o ânodo, (polo positivo),
onde a concentração de elétrons é baixa. As principais correntes polarizadas são a
Corrente Galvânica e as Correntes Diadinâmicas de Bernard (CDB).
Dentre as correntes despolarizadas, temos as de baixa frequência (<1.000 Hz), como
o Neuroestimulação Elétrica Transcutânea (TENS) e Estimulação Elétrica Funcional
(FES), além das de média frequência (entre 1.000 Hz e 10.000 Hz), como a Correntes
Interferencial Vetorial, Corrente Russa e Corrente Aussie.
Corrente Galvânica
A Corrente Galvânica pode ser conceituada como o emprego de uma corrente direta,
contínua ou constante com finalidade terapêutica. O termo “contínua” significa que
a intensidade da corrente é constante em valor e em direção. É considerada de baixa
frequência e utilizada para promover várias modificações fisiológicas que podem ser
usadas terapeuticamente (PRENTICE, 2004).
Efeitos Terapêuticos e Fisiológicos
Os benefícios terapêuticos e fisiológicos estão ligados aos efeitos vasomotor e polar,
à reação ácida ao redor do polo positivo e à reação alcalina no polo negativo. Entre
seus principais efeitos, podemos citar:
• Produção de calor: entre 1 e 3 °C.
• Efeitos vasomotores: vasoconstricção e vasodilatação, aumento de 300 a
500% do fluxo.
• Aumento da ação de defesa: com a vasodilatação e o consequente aumento
da irrigação sanguínea, haverá aumento de elementos fagocitários (leucóci-
tos, basófilos, neutrófilos etc.) e anticorpos.
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• Eletrólise: dissociação eletrolítica.
• Aumento do metabolismo.
• Aumento do aporte de O2.
• Fenômeno do eletrotônus: a Corrente Galvânica altera a condutibilidade e a
excitabilidade do tecido em tratamento.
• Aneletrotônus (no polo positivo): depressão da excitabilidade, que conduz ao
alívio de dores.
• Cateletrotônus (no polo negativo): aumento da excitabilidade, que torna mais
fáceis as atividades específicas do tecido nervoso.
• Efeito analgésico.
• Efeito anti-inflamatório.
• Estimulação nervosa.
Características dos Polos e Eletrodos
Quando aplicamos um potencial elétrico em nossas células e tecidos, provocamos
uma dissociação iônica, fenômeno no qual as moléculas se dividem em seus diferentes
componentes químicos, devido ao fato de cada um deles apresentar cargas elétricas
diferentes.
Após a dissociação eletrolítica, esses íons sofrem influência da passagem de corrente
contínua e reações químicas secundárias acontecem perante os eletrodos: no cátodo,
ocorrerá uma reação básica (alcalina), no ânodo, uma reação ácida.
Figura 2 - Eletrodos reutilizáveis de carbono e esponja (A); eletrodos adesivos descartáveis (B)
Fonte: adaptada de Bellew, Michlovitz e Nolan (2016, p. 260).
#pratodosverem: Eletrodos de diversas cores, materiais e formas usados na
eletroterapia
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Polo positivo (ânodo)
sedante, vasoconstrictor, solidificador de proteínas, desidratante, analgésico,
atrativo do O2, coagulador e ácido.
Polo negativo (cátodo)
estimulante, irritante, vasodilatador, liquefator de proteínas, hidratante, alcalino
e causador de sangramento.
Técnicas de Administração
Antes de dar início à aplicação, é importante saber que, quando a área do eletrodo
é menor, maior deverá ser a concentração de energia. Também, é preciso fazer a
identificação dos polos negativo e positivo. Com relação à dosimetria, é ideal que
seja aproximadamente de 0,5 a 1 mA por cm2 de área do eletrodo ou de 2 a 20 mA,
dependendo da sensação de formigamento alegada pelo paciente. É importante
que o paciente possa ter sempre uma sensação agradável. A duração da aplicação
normalmente pode ser de 15 a 30 minutos.
Formas de Aplicação
Longitudinal
Os eletrodos se mantêm em igual face anatômica.
Transversal
Os eletrodos se dispõem em faces anatômicas diferentes.
Banho de galvanização
Utiliza-se água para aumentar o campo de atuação.
Cuidados importantes na aplicação
• Posicionar as esponjas a cerca de 1 cm perante os eletrodos metálicos.
• Não transpassar os cabos.
• Não realizar aplicação em regiões com ausência de sensibilidade.
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• Observar o tipo de polo do cabo.
• Certificar-se de que a potência da corrente esteja na tolerância do paciente e
que seja aumentada à medida da acomodação.
• Utilizar eletrodos de tamanho igual em cima de gaze molhada em solução
salina e ligeiramente espremida.
• Colocar com a pele íntegra.
Indicações e Contraindicações
• Diminuição de edemas.
• Afecções da estética.
• Eletrólise depilatória: agulha especial, estando o cátodo para
reação alcalina.
Indicações • Algias (polo positivo).
• Lesões de nervos periféricos (polo negativo).
• Transtornos circulatórios.
• Estimulação da irrigação do sangue.
• Iontoforese.
• Região precordial.
• Neoplasias.
• Pacientes com distúrbios de sensibilidade.
• Ferida aberta.
• Região das gônadas e dos olhos.
Contraindicações • Útero gravídico.
• Confusão mental.
• Irritabilidade cutânea.
• Implante metálico no campo da aplicação.
• Marca-passo.
Quadro 1
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Correntes Diadinâmicas de Bernard (CDB)
O pesquisador Pierre Bernard, no início da década de 50, desenvolveu as correntes
diadinâmicas, uma corrente polarizada do tipo galvanofarádicas capaz de promover
especificamente em cada eletrodo alterações eletroquímicas pelo fluxo unidirecional
de partículas carregadas. Podemos citar como exemplo a aplicação no edema, onde
o polo positivo causa desidratação e o negativo causa hidratação.
De acordo com Camargo, Santos e Liebano (2012), existem cinco tipos de correntes
diadinâmicas:
• Corrente Difásica (DF): corrente alternada de 100 Hz, retificada em onda com-
pleta.
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• Corrente Monofásica (MF): corrente alternada de 50 Hz retificada em se-
mionda.
• Longos Períodos (LP): forma de corrente MF mesclada com uma segunda
forma MF, cuja fase está deslocada em uma semionda, variando sua ampli-
tude entre 0 e o valor estipulado no equipamento.
• Curtos Períodos (CP): formas de corrente MF e DF em fases sucessivas, sem
intervalos.
• Ritmo Sincopado (RS): forma de corrente MF com intervalos de 1 seg.
Como os efeitos eletroquímicos podem causar a formação de ácidos e bases fortes
na região da aplicação, deve-se tomar alguns cuidados para se evitar queimaduras
ou lesões teciduais, entre os quais destacamos (LOW; REED, 2001):
• O tempo de aplicação para cada tipo de corrente é de 4 minutos e a combina-
ção entre elas não deve ultrapassar 12 minutos, para não acumular ácidos e
bases debaixo de cada um dos polos, especificamente.
• Deve-se estabelecer uma amplitude adequada.
• A densidade da corrente deve ser menor do que 0,5 mA/cm² no eletrodo ne-
gativo e 1,0 mA/cm² no eletrodo positivo.
• Quando não for preciso o efeito de polarização, é necessário fazer uma inver-
são manual da polaridade da corrente.
Eletroanalgesia
Classificação e Modos de Uso do TENS
Dentre as correntes disponíveis, a Eletroestimulação Transcutânea (TENS), do inglês,
transcutaneous electrical nerve stimulation, é a corrente mais utilizada para analgesia
e controle da dor, conforme apresenta a figura a seguir. Sendo assim, a eficácia desse
tratamento é tão variável quanto as técnicas de aplicação. O resultado dependerá da
natureza da dor, do limiar individual da dor, da colocação do eletrodo, da intensidade
da estimulação e das características elétricas do estímulo.
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Figura 3 - Aplicação do TENS
Fonte: Freepik (2021).
#pratodosverem: Aparelho de TENS sendo aplicado no pescoço e trapézio de
uma mulher.
Mecanismo de Alívio da Dor
A TENS pode provocar contrações musculares, porém, seu principal uso é no controle
da dor. Ela diminui a percepção da dor no paciente, reduzindo a condutividade e a
transmissão dos impulsos dolorosos das pequenas fibras de dor para o Sistema
Nervoso Central (SNC). Pode também afetar as grandes fibras motoras e interferir no
padrão normal de proteção do músculo, reduzindo mais ainda os estímulos dolorosos.
A diminuição da dor pela aplicação de TENS ocorre principalmente mediante a
modulação do SNC no organismo. Sua aplicação pode ativar neurônios pré e pós-
ganglionares e provocar leves vasoconstrições. Aplicações mais prolongadas podem
modular as atividades dos neurônios do corno dorsal secundariamente à estimulação
dos nervos periféricos e favorecer a estimulação química dos órgãos viscerais. Além
disso, os efeitos de alívio da dor pela TENS podem ser obtidos por fatores psicológicos
derivados unicamente de efeitos neurofisiológicos ou somados a eles.
É importante salientar que a TENS atua na percepção da dor do indivíduo e que,
com isso, o tratamento exerce pouco efeito sobre a patologia principal. Portanto,
essa modalidade deve ser empregada associada a outras terapias que visem tratar
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a origem da dor. Sugere-se que tais respostas podem ser explicadas com base na
teoria da comporta da dor, que regula o fluxo de informações neurais no sistema
nervoso central pela ativação de neurorreceptores, como os mecanorreceptores, que
inibem os neurônios do corno dorsal, normalmente responsivos aos nervos aferentes
nociceptivos.
Classificação e Modo de Uso
Os parâmetros para serem configurados no aparelho são frequência, duração do
pulso e intensidade, que sofrerão variação de acordo com os objetivos de tratamento.
Podemos ter algumas modulações denominadas convencional (no caso de dor aguda
e dor crônica), acupuntural, burst ou trem de pulso e breve e intensa.
A TENS convencional é a maneira mais frequente aplicada com pulsos curtos
próximos de 40 a 150 Hz. Trata-se de uma estimulação de maior frequência e menor
intensidade. Presume-se que esses pulsos curtos de baixa intensidade estimulem
seletivamente as fibras para inibir a dor. Esse método também é o mais usado para
autotratamento.
A TENS acupuntural é de maior intensidade e menor frequência, com pulsos em
torno de 2 Hz, com intensidades que provocam contrações musculares visíveis. Essa
espécie de estimulação geralmente é aplicada aos pontos de acupuntura, contudo,
também há a possibilidade de ser aplicado em pontos motores do músculo em
questão.
A TENS burst, ou de pulso, é uma sequência de pulsos repetidos de 1 a 5 vezes
por segundo, geralmente em duas sequências. Cada trem ou série consiste em um
número de pulsos individuais nas frequências de TENS convencionais de 40 a 100
Hz, mas com intensidade mais alta. O benefício alegado a esse método é que ele
combina tanto a TENS convencional como a de acupuntura e, portanto, propicia alívio
de dor por duas rotas.
A TENS breve e intensa usa pulsos de duração maior, com frequências mais altas
próximas a 100 Hz e na intensidade mais alta que for tolerada. A aplicação não passa
de 15 minutos por vez.
Os eletrodos utilizados na aplicação da TENS são de borracha de silicone impregnada
com carbono, maleáveis e de fácil aplicação. É preciso utilizar um gel condutor, com
o objetivo de diminuir a resistência apresentada pela pele, bem como limpar a área
antes da aplicação dos eletrodos. Na maioria dos aparelhos, podemos encontrar dois
canais, sendo que em cada um deles há dois eletrodos.
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A aplicação dos eletrodos pode seguir estes critérios:
1. Cercando a região de dor: bilateral, cruzado, proximal e distal.
2. Seguindo o trajeto nervoso.
3. Colocando sobre o tronco nervoso.
4. Colocando sobre os dermátomos.
5. Colocando sobre os pontos motores.
6. Colocando sobre os pontos de acupuntura.
• Processos dolorosos em geral: dor crônica e aguda, tratamento
Indicações de dor pós-cirúrgica e fraturas.
• Dores não diagnosticadas (de origem desconhecida).
• Marca-passo.
• Cardiopatias ou disritmias.
• Pacientes nos três primeiros meses de gestação.
• Região da boca.
• Seio carotídeo.
Contraindicações • Feridas de pele.
• Região próxima aos olhos.
• Acidente Vascular Cerebral (AVC).
• Ataque Isquêmico Transitório (AIT).
• Epilepsia.
• Região da cabeça e da face.
Quadro 2
Fonte: Elaborado pelo autor (2021).
Corrente Interferencial Vetorial (CIV)
A Corrente Interferencial Vetorial é de média frequência, mas é modulada em baixa
frequência, sendo sua principal característica a sua utilização de modo tetrapolar
para produzir correntes alternadas em circuitos separados. Quando estas correntes
se superpõem no tecido, ocorre a interferência (dentro do tecido em tratamento).
Sendo assim, o princípio da terapia interferencial é passar, através do tecido corporal,
duas correntes alternadas de média frequência que ficam levemente fora de fase.
Quando as correntes se encontram, uma nova corrente se inicia. A superposição
das duas correntes alternadas se denomina interferência. As correntes de média
frequência penetram nos tecidos com pouca resistência, ao passo que as de
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interferência resultantes se encontram em uma faixa que possibilita a estimulação
eficaz de tecidos biológicos.
Efeitos Terapêuticos e Fisiológicos
De maneira geral, a estimulação interferencial é empregada no controle da dor e
impulsiona contrações musculares, com o intuito de aumentar o retorno venoso.
Também tem a possibilidade de ser utilizada para reeducar o músculo e aumentar a
força muscular. Como efeitos gerais, podemos citar analgesia, estimulação muscular,
melhoria na circulação, relaxamento muscular e diminuição de reação inflamatória.
Técnicas de Aplicação
Alguns conceitos se tornam necessários para a regulagem do aparelho e para a
aplicação dessa corrente. São eles:
• Frequência de Modulação da Amplitude (AMF): é ajustável e possibilita a se-
leção de uma faixa de baixas frequências, variando de 1 a 250 Hz, e modula-
das pela amplitude, ou seja, de acordo com a dor do paciente (aguda, suba-
guda ou crônica). A corrente portadora é fixa em 4.000 Hz.
• Slope: recurso de variar a frequência na terapêutica com o intuito de evitar a
acomodação no decorrer da aplicação. Nesta técnica, o tempo da oscilação
do espectro pode ser ajustado no aparelho.
• Intensidade: conforme a intensidade escolhida, pode-se obter efeitos dife-
rentes nos tecidos. Isso está relacionado à estimulação seletiva dos tipos de
nervos. Provavelmente, os efeitos sensitivos se originam entre 4 e 10 mA e as
respostas motoras entre 8 e 15 mA. Contudo, esses valores variam em con-
formidade com a área do corpo onde acontecerá o tratamento, assim como
as particularidades do indivíduo.
• Variação da frequência: o espectro de frequência é sobreposto ao AMF com
variações de frequência na ordem de 1 a 100 Hz e, normalmente, o valor es-
tipulado varia conforme o AMF escolhido. Orienta-se usar 50% ou mais do
valor estipulado do AMF.
Essa corrente tem a possibilidade de ser aplicada por meio de eletrodos de silicone
com gel de contato igual a TENS. A colocação dos eletrodos consiste basicamente
em três técnicas.
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Quadripolar
Os quatro eletrodos são posicionados ao redor do local que receberá o
tratamento, de maneira que cada canal corra perpendicularmente ao outro e
que a corrente cruze o ponto médio. Os tecidos dentro dessa área recebem o
efeito máximo de tratamento. Há um deslocamento automático do vetor, sendo
assim, ocorre um aumento na área de exposição da corrente.
Bipolar
A mistura dos dois canais ocorre dentro do gerador, e não nos tecidos. São
utilizados dois canais dentro do gerador com um único canal de saída aplicado
aos tecidos. Esse método gera uma mistura mais precisa, embora não seja tão
profundo se comparado à técnica quadripolar.
Na estimulação interferencial existe a possibilidade de ser aplicada uma ou duas
vezes ao dia, em sessões do procedimento variando, em geral, de 15 a 30 minutos.
O usuário deverá ter cuidado ao utilizar o aparelho de forma imprópria tanto da
estimulação interferencial (que pode gerar queimaduras ou causar irritação na pele)
como da estimulação prolongada (capaz de gerar consequências como espasmo
muscular e dor).
Indicações
• Analgesia (dor aguda e crônica).
• Reparo dos tecidos.
• Promoção de cicatrização.
• Espasmo muscular.
Contraindicações:
• Marca-passo.
• Gestante.
• Implantes metálicos.
• Ausência de sensibilidade.
• Dor de origem central.
• Dor de origem desconhecida.
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Eletroestimulação
Eletroestimulação Funcional (FES)
A Eletroestimulação Funcional (FES), do inglês functional electrical stimulation, é uma
corrente de baixa frequência utilizada para recrutar músculos em uma sequência
sinergística programada, com a finalidade de executar um padrão de movimento
funcional específico (PRENTICE, 2004).
Bases da Excitabilidade
A técnica FES baseia-se na produção da contração mediante a estimulação elétrica,
na qual despolariza o motoneurônio, gerando uma resposta sincrônica em cada
uma das unidades motoras do músculo. Esse sincronismo ocasiona uma contração
eficiente, contudo, para que isso aconteça, é necessário treinamento específico, com
a finalidade de refrear a fadiga precoce que impossibilitaria a utilização funcional do
método com o propósito de reabilitação.
Não é possível a obtenção de movimento funcional de um membro paralisado por um
simples pulso elétrico, é necessária uma sequência de estímulos com certa duração,
seguidos por outros com uma apropriada frequência e repetição. Essa sequência de
estímulos recebe o nome de trem de pulsos – sendo este um momento de repouso
entre dois trens. Deve ser observado com a finalidade de se refrear a fadiga na fase de
recondicionamento muscular ou de possibilitar o controle das contrações musculares
e, assim, serem obtidos movimentos úteis à locomoção.
Aparelho e Bases Funcionais
Os aparelhos manipulados são portáteis ou clínicos e devem conter controles que
regulam a intensidade, o ataque/descida, a frequência de pulsos, a duração de pulso,
a sustentação e o repouso.
Segundo Sá (2007), os parâmetros de funcionamento da FES são os elencados a
seguir.
Intensidade
Será ajustada em concordância com os objetivos.
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Frequência
Variável de 5 Hz a 200 Hz, sendo que a escolha da frequência depende das
características das fibras musculares, ou seja, se o músculo a ser estimulado
tem predominância de fibras vermelhas ou brancas, para cada tipo de fibra
deve haver uma frequência diferente.
Duração do pulso ou largura do pulso:
Variável de 50 μs a 400 μs.
Tempo de subida (rise)
Corresponde ao tempo de subida do pulso (1 a 10 s) e determina a velocidade
até alcançar a contração máxima, que pode ser lenta (gradual) ou repentina
(súbita).
Tempo de descida (decay)
Corresponde ao tempo de descida do pulso (1 a 10 s) e determina a velocidade
com a qual a contração diminui, isto é, o período entre a contração máxima até
o relaxamento muscular.
Ciclo on
É o tempo de máxima contração muscular (0 a 30 s), ou seja, regula o tempo de
circulação da corrente pelo eletrodo durante cada ciclo de estimulação.
Ciclo off
É o tempo de repouso da contração muscular (0 a 60 s), ou seja, regula o tempo
em que a corrente não circula pelos eletrodos.
Sincronizado
Está relacionado aos dois canais que funcionam simultaneamente no ciclo on
e off selecionados.
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Recíproco
Os canais funcionam de forma alternada – enquanto um está no ciclo on, o
outro está no ciclo off.
Critérios de Avaliação dos Pacientes
Antes de iniciarmos a terapia, devemos saber que certas condições interferem em
relação à nossa estimulação, como obesidade, presença de neuropatias periféricas,
distúrbios sensoriais importantes, aceitação do paciente e segurança do terapeuta
em realizar as técnicas.
É imprescindível uma avaliação completa e cuidadosa do paciente a ser submetido por
esse tratamento, para que se obtenham os melhores resultados possíveis.
Figura 4 - Avaliação de pacientes
Fonte: Freepik (2021).
#pratodosverem: foto de uma prancheta e uma mão com caneta escrevendo
no papel.
Deve-se considerar principalmente a capacidade de resposta à corrente, a graduação
da sua espasticidade e a avaliação da articulação pela movimentação passiva e pela
goniometria.
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• Facilitação neuromuscular.
• Fortalecimento muscular.
• Ganho ou manutenção da amplitude de movimento articular.
Indicações • Controle da espasticidade.
• Substituição ortótica.
• Hipotrofia por desuso.
• Disritmia cardíaca.
• Marca-passo.
• Região dos olhos.
Contraindicações • Região das mucosas.
• Útero gravídico.
• Lesão nervosa periférica.
Quadro 3:
Fonte: elaborado pelo autor (2021).
Corrente Russa
Histórico e Conceito
Tal corrente foi denominada de russa porque sua utilização foi investigada pela
primeira vez pelo Dr. Y. M. Kots em soldados russos (LOW; REED, 2001). Mesmo
que seja uma corrente de média frequência, os nervos são estimulados, pois ela
é suspensa para que ocorra a produção de uma estimulação de baixa frequência.
Como lança pulsos curtos, ela passa com indiscutibilidade ao longo da pele. Sendo
assim, podemos interpretá-la como uma corrente alternada (sinusoidal), modulada
por rajadas com finalidade excitomotores.
Efeitos Fisiológicos e Terapêuticos
Como efeitos gerais da utilização da corrente russa podemos citar: mudanças na
capilaridade, mudança na característica de resposta do motoneurônio, redução na
velocidade de condução e aumento da excitabilidade.
Vale salientar que a base teórica para sua utilização é que a estimulação elétrica máxima
pode ocasionar com que a maioria das unidades motoras em determinado músculo
se contraiam de modo sincronizado (algo que não se pode conseguir na contração
voluntária, de acordo com o que se alega). Isso dá possibilidade para que aconteça
a ocorrência de contrações musculares mais fortes com a estimulação elétrica e, por
conseguinte, maior hipertrofia no músculo.
Além disso, observamos outras constatações, como a modificação na composição
das fibras musculares a serem expostas a um período prolongado de excitação
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produzida por correntes elétricas. Essa alteração dependerá principalmente da
frequência com que se despolariza o nervo motor mediante a corrente elétrica. A
modificação é reversível, desde que passemos a trabalhar esses músculos com
funções mais dinâmicas.
Características
A chamada corrente russa, tem como característica apresentar uma onda senoidal
de frequência de 2.500 Hz e regulada em baixa frequência de acordo com a fibra
muscular. Assim, temos trens de pulso (burst) com duração de 10 milissegundos,
com um espaço de tempo também de 10 milissegundos. A corrente russa apresenta
várias vantagens que estão relacionadas à corrente de baixa frequência.
Uma dessas vantagens está relacionada à resistência (impedância) que o corpo do
ser humano oferece à passagem da corrente elétrica. Outras vantagens observadas
são a probabilidade de se ativar 30 a 60% a mais das unidades motoras com a corrente
russa que nos exercícios comuns e tratamentos convencionais, além de o aparelho
conseguir trabalhar totalmente a musculatura, inclusive zonas consideradas difíceis
de serem atingidas com eletroestimulação convencional. Há também uma melhora
em curto prazo e da estabilidade articular no decorrer da fase de mobilização.
Os parâmetros do aparelho têm bastante similaridade com os da corrente
interferencial. A modulação da frequência obedecerá a característica da fibra (fásica
ou tônica) e a porcentagem do ciclo obedecerá a situação da pessoa a ser tratada
(estado de saúde, fase da doença).
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• Incremento de força muscular.
• Hipertrofia muscular.
• Melhora da estabilidade articular.
• Melhora de rendimento físico em práticas esportivas de alto nível.
Indicações • Aumento da circulação sanguínea no músculo.
• Recuperação da sensação da contração nos casos de diminuição
de sinestesia.
• Incontinência esfincteriana.
• Estética.
• Lesões musculares, tendinosas e ligamentares.
• Inflamações articulares em fase aguda.
• Fraturas não consolidadas.
• Espasticidade.
• Miopatologias que impeçam a contração muscular fisiológica.
• Lesão nervosa periférica.
Contraindicações • Confusão mental.
• Marca-passo.
• Gestante.
• Implantes metálicos.
• Ausência de sensibilidade.
• Feridas abertas.
Quadro 4 - Profundidade Média (D/2) em diferentes meios e frequências de onda
Fonte: Adaptada de Cameron (2011).
Corrente Aussie
A Corrente Aussie, também denominada como corrente australiana, foi criada
em 2007 pelo estudioso Alex Ward em Melbourne, na Austrália. Ele pesquisou as
distinções entre on-time e off-time, tendo como base o conceito de burst, com a
finalidade de se determinar qual frequência deixaria o paciente mais confortável, que
fosse eficiente para estimulação nervosa e também para a estimulação sensorial.
Alex Ward concluiu que a corrente de média frequência de 4 Khz e a modulação burst
de curta duração é de baixa frequência.
Aplicações mais frequentes são aquelas que acontecem no abdômen, glúteos,
coxas e braços. A Corrente Aussie age na contração da musculatura por meio da
excitação nervosa, já os eletrodos necessitam ficar nas inserções musculares para
que aconteça a produção de estímulo de forma correta e eficiente. Vale salientar que
esse tipo de corrente não deve ser aplicado na calota craniana, no seio carotídeo,
trombose venosa profunda aguda e em grávidas, assim como não deve ser feito em
conjunto com equipamentos como ECG, monitores cardíacos e alarmes.
Quando se iniciou seu uso, as aplicações da corrente aconteciam na reabilitação
fisioterapêutica, contudo, seu criador fez demonstrações que evidenciavam
cientificamente que a corrente é eficiente também na estética.
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As principais indicações da Corrente Aussie são:
• Pós-operatório.
• Fortalecimento muscular.
• Os atletas usam para prevenir e atrasar a atrofia muscular por falta de uso.
• Modular dor aguda e crônica.
• Redução e controle da inflamação.
• Relaxamento muscular.
• Aumento da circulação sanguínea e linfática.
• Gordura localizada.
• Flacidez.
• Fibro Edema Gelóide (celulite).
Assim como qualquer outra corrente elétrica na fisioterapia, a aussie é contraindicada
para:
• Uso de marca-passo.
• Doenças cardíacas.
• Hipertensão descontrolada.
• Hipotensão descontrolada.
• Doenças renais.
• Varizes calibrosas.
• Dor sem etiologia.
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Conclusão
Correntes polarizadas
As correntes galvânicas e diadinâmicas são do tipo polarizadas. Esse tipo
de corrente tem sentido unidirecional, ou seja, os elétrons dirigem-se do
polo negativo para o positivo a partir do circuito gerador, causando efeitos
eletroquímicos na região em tratamento.
Figura 5 - Correntes polarizadas
Fonte: [Link]
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Eletroanalgesia
Essa modalidade provoca alteração da percepção da dor por intermédio de uma
corrente elétrica, sendo a TENS a principal corrente. O resultado dependerá
da natureza da dor, do limiar individual da dor, da colocação do eletrodo, da
intensidade da estimulação e das características elétricas do estímulo.
Figura 6 - Eletroanalgesia
Fonte: [Link]
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Eletroestimulação
As três principais correntes para eletroestimulação são: a corrente FES, a
Corrente Russa e a Corrente Aussie. Na eletroestimulação recruta-se músculos
em uma sequência sinergística programada com diversas finalidades
terapêuticas.
Figura 7 - Eletroestimulação
Fonte: Bellew, Michlovitz e Nolan (2016, p. 296)
Figura 8.
Fonte: Freepik (2022)
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Referências
BELLEW, J. W.; MICHLOVITZ, S. L. NOLAN JR., T. P. Modalities for therapeutic
intervention. 6. ed. Philadelphia: F.A. Davis Company, 2016.
CAMERON, M. Agentes físicos na reabilitação: da pesquisa à prática. 3. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2011.
CAMARGO, B. F.; SANTOS, M. M. dos; LIEBANO, R. E. Efeito hipoalgésico das correntes
diadinâmicas de Bernard em indivíduos saudáveis. Revista Dor, São Paulo, n. 13,
v. 4, p. 327-331, 2012. Disponível em: [Link]
Acesso em: 8 mar. 2022.
FUIRINI, N. J.; LONGO, G. J. Eletroterapia básica. Amparo: KLD - Biossistemas
Equipamentos Eletrônicos Ltda, 1996.
LOW, J; REED, A. Eletroterapia explicada. São Paulo: Barueri: Manole, 2001.
PRENTICE, W. E. Modalidades terapêuticas para fisioterapeutas. 4. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2014.
SÁ, V. W. Prescrevendo recursos da eletrotermofototerapia em Fisioterapia. Rio de
Janeiro: Universidade Castelo Branco, 2007.
STARKEY, C. Recursos terapêuticos em fisioterapia. Tradução de: Cíntia Fragoso. 2.
ed. São Paulo: Manole, 2001.
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