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Entendendo a Endometriose: Causas e Tratamento

A endometriose é uma doença ginecológica crônica e inflamatória que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Os sintomas incluem dor pélvica, dismenorreia e infertilidade, e o diagnóstico é feito através de história clínica, exame físico e exames de imagem, sendo a laparoscopia com biópsia o padrão-ouro. O tratamento pode ser clínico, com hormônios e analgésicos, ou cirúrgico, dependendo da gravidade e dos objetivos reprodutivos da paciente.

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Henrique Banhara
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Entendendo a Endometriose: Causas e Tratamento

A endometriose é uma doença ginecológica crônica e inflamatória que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Os sintomas incluem dor pélvica, dismenorreia e infertilidade, e o diagnóstico é feito através de história clínica, exame físico e exames de imagem, sendo a laparoscopia com biópsia o padrão-ouro. O tratamento pode ser clínico, com hormônios e analgésicos, ou cirúrgico, dependendo da gravidade e dos objetivos reprodutivos da paciente.

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Endometriose

Introdução varia de 5 a 10 anos. 32 anos é a idade


media diagnosticada no Brasil
Endometriose é uma doença
ginecológica crônica, inflamatória,
benigna, estrogênio-dependente e de
Fatores que aumentam os níveis
natureza multifatorial que acomete
de estrogênio estão associados ao risco
principalmente mulheres em idade
de endometriose.
reprodutiva.
Definida como pela presença de
tecido endometrial (glândulas e
estremo) funcional fora da cavidade
uterina, com predomínio, mas não
exclusivo, no peritônio, ovários, tubas
uterinas, ligamento largo e destaque
para o ligamento útero-sacral.

Dividida em 3 classes: peritoneal, Doença benigna, ocasionalmente,


ovariana, profunda. acompanhada por tumores ovarianos
malignos, (endometriomas e
 Peritoneal – presença de adenocarcinomas de células claras) –
implantes superficiais no NÃO AUMENTA O RISCO DE
peritônio; DESENVOLVER CANCER.
 Ovariana – implantes superficiais
nos ovários ou cistos Fisiopatologia
(endometriomas);
Há 5 principais teorias que foram
 Profunda – presença de lesão que
agrupadas nas categorias:
penetra no espaço retroperitoneal
ou na parede dos órgãos pélvicos  Transplantação
com profundidade de 5mm ou  Metaplasia celômica
mais.  Indução metaplásica devida a
fatores bioquímicos e endógenos
Estima-se que 6% a 10% das da cavidade peritoneal
mulheres em idade reprodutiva, 50% a
60% de adolescente e adultas com
dores pélvicas e até 50% de mulheres A teoria mais aceita é a da
com infertilidade sejam afetadas pela mentruação retrograda que diz que
doença. haveria aderência de tecido endometrial
pós-menstrual na cavidade peritoneal e
Tempo médio desde início dos demais órgãos, decorrente de fluxo
sintomas até o diagnostico cirúrgico retrogrado. Implantação de células-
tronco endometriais alteradas atingem a
ocorrer quando há endometriose retro e
paracervical.
A endometriose é investigada
com base na história clínica da pct,
antecedentes pessoais e familiares e
exame físico.
No exame físico, é fundamental a
observação de:
cavidade peritoneal através do fluxo
retrogrado e se implantam no peritônio.  Nodulações ou rugosidades
enegrecidas em fundo de saco
posterior (chocolate)
 Útero com pouca mobilidade
Foi observado que 90% das
sugere aderência pélvica Pelve
mulheres apresentam fluxo retrogrado,
Congelada
mas apenas 10% desenvolvem (órgãos
endometriose. Por tanto outros fatores aderidos)
seriam capazes de permitir o
desenvolvimento e implantação desse
tecido endometrial fora da cavidade
uterina
A teoria genética sugere uma
predisposição genética ou alterações
epigenéticas associadas a modificações
no ambiente peritoneal (fatores
inflamatórios, imunológicos, hormonais,
estresse oxidativo) poderiam iniciar a
doença nas suas diversas formas.

Além do mais, alterações


químicas e inflamatórias no ambiente
ovariano, defeitos imunológicos,
alterações endócrinas (LH e prolactina)
e distorções anatômicas pélvicas
 Anexos fixos e dolorosos, assim
(aderências) estão relacionadas a
como a presença de massas
redução da fertilidade na endometriose.
anexiais, podem estar
Quadro clínico e diagnostico relacionados a endometrioma

A endometriose pode ser A extensão da endometriose pode


assintomática em 2% a 22% das variar muito entre as pacientes. Por
mulheres, mas na maioria dos casos conta disso, um estadiamento para
envolve sintomas como: avaliar objetivamente a extensão das
lesões, grau de envolvimento ovariano,
 Dismenorreia presença de aderências e
 Dispareunia de profundidade comprometimento do fundo de saco de
 Dor pélvica não cíclica Douglas.
 Disquezia
 Disuria, hematúria, polaciuria
 Alterações hábitos intestinas
(distensão, hematoquezia, Exame de imagem
constipação)  USG transvaginal
 Infertilidade  USG pélvico Com
preparo
O acometimento do nervo  Ressonância magnética
hipogástrico e do plexo sacral pode
 Enema opaco ou colonos. método contraceptivo e que não
(↓sensibil.) consegue engravidar.
o Na presença de sintomas
intestinais A investigação de infertilidade
 Videolaparoscopia com biopsia deve começar: após 1 ano de tentativa
para pacientes com < 35 anos e de 6
O USG TV é proposto como meses para pacientes com > 35 anos.
primeira escolha para investigação, a
ressonância deve ser solicitada em  Espermograma
casos de queixas típicas com resultados  Dosagem de FSH e Estradiol para
negativos no USG ou em casos de avaliar reserva ovariana (entre 2o
e 5o dia do ciclo)
lesões em andar superior de abdômen
 Ultrassonografia transvaginal
ou múltiplos sítios de lesão. para contagem de folículos pré
O único biomarcador sérico usado antrais para avaliar reserva
com certa frequência é o CA-125, no ovariana (na primeira
 fase do ciclo)
entanto, possui baixa sensibilidade
 Dosagem de hormônio anti-
podendo ser alterado por outras
Mulleriano para avaliar reserva
doenças. ovariana
Assim, até o momento, o padrão-  Histerossalpingografia para
ouro para diagnostico consiste em avaliar tubas uterinas
 Histeroscopia ou Ultrassonografia
laparoscopia com biopsia dirigida.
para avaliar cavidade endometrial
Contudo, o diagnostico por cirurgia tem
(ex.: presença de sinéquias
desvantagens inerentes a cirurgia como uterinas)
danos ao órgão, hemorragia, infecções e
formação de aderência, além do custo
Tratamento Clinico
O tratamento pode ser dividido
em clinico, expectante farmacológico e
cirúrgico. O uso de terapias
medicamentosas para endometriose é
baseado no fato de que a endometriose
é responsiva aos hormônios. No entanto,
a escolha vai depender da
sintomatologia, localização das lesões,
objetivos do tratamento e se deseja ou
não preservar a fertilidade.

Hormonal
 AHCO
o Etinilestradiol 30mg +
levonogestrel
o Primeira escolha
o Anovulação

 Progestágeno em uso continuo


o Medroxiprogesterona 150mg –
financeiro. 90 dias
o Dienogeste – (+) custo, (-) efeito
colateral
Infertilidade e endometriose o SIU – Levonogestrel – (+) adesão

O diagnóstico de infertilidade é  AINES


feito em pacientes sexualmente ativas o Alivio de dores
(3x semana), que não utilizam nenhum
o Diminui prostaglandina
endometrial  Endometrioma ovariano > 6cm
 Lesão em ureter, íleo, apêndice
 Análogos de GnRH ou retossigmoide (com sinais de
o Bloqueia eixo suboclusão)
o Sintomas menopausa -
colateral O tratamento cirúrgico diminui a
o 6 meses de uso máximo reserva folicular pela retirada da
o Pode causar osteoporose cápsula dos endometriomas e
consequente destruição
Obs. Não utilizado em pct que desejam de tecido sadio.
engravidar. Recomenda-se o congelamento
de óvulos antes de realizar
videolaparoscopia se a paciente tiver
idade mais avançada e sem prole
constituída.

Salpingectomia (retirada das


tubas) melhora fertilidade da paciente
com hidrossalpinge que será submetida
à Fertilização
in Vitro. No entanto, pode aumentar o
risco de gestação ectópica por
diminuição da luz da tuba.

A hidrossalpinge é a presença de
cistos tubários, que provoca obstrução
da tuba e acúmulo de líquido e, pelo
mecanismo de vômica tubária, lança
este líquido na cavidade uterina e
impede a nidação.

Obs.: A FIV não aumenta chance de


endometriose

Tratamento cirúrgico
 Videolaparoscopia
o Retirada dos focos de
endometriose
o Cauterização dos focos
mínimos (que não consegue
fazer a retirada)
o Retirar as aderências
o Pode espalhar as lesões

 Histerectomia e ooferectomia –
definitiva
o Não é realizada em paciente
jovem
o Haverá sintomas de
menopausa precoce.
o Às vezes retira somente o
útero, porém a paciente ainda
poderá ter sintomas

Indicação para cirúrgica imediata


nos casos de:

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