CENTRO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO - UNIBRA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
LUANA VITÓRIA FREITAS DA SILVA PEREIRA
MILENA VIEIRA DA COSTA
NAYARA KETHELYN DE OLIVEIRA LIRA
AUTISMO: A PERSPECTIVA DA GESTALT-TERAPIA
SOBRE A CRIANÇA ALÉM DO ESPECTRO
RECIFE 2021
LUANA VITÓRIA FREITAS DA SILVA PEREIRA
MILENA VIEIRA DA COSTA
NAYARA KETHELYN DE OLIVEIRA LIRA
AUTISMO: A PERSPECTIVA DA GESTALT-TERAPIA
SOBRE A CRIANÇA ALÉM DO ESPECTRO
Trabalho de conclusão de curso, apresentado ao Centro
Universitário Brasileiro – UNIBRA, como requisito para obtenção
do título de bacharel em Psicologia.
Professora Orientadora: Carla Lopes
Professor Co-orientador: César Oliveira
RECIFE 2021
Ficha catalográfica elaborada pela
bibliotecária: Dayane Apolinário, CRB4- 2338/ O.
P436a Pereira, Luana Vitória Freitas da Silva
Autismo: a perspectiva da gestalt-terapia sobre a criança além do
espectro / Luana Vitória Freitas da Silva Pereira, Milena Vieira da Costa,
Nayara Kethelyn de Oliveira Lira. - Recife: O Autor, 2021.
31 p.
Orientador(a): Carla Lopes.
Coorientador(a): César Oliveira.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Centro Universitário
Brasileiro – UNIBRA. Bacharelado em Psicologia, 2021.
Inclui Referências.
1. Transtorno do espectro autista. 2. Criança. 3. Capacitismo. 4.
Gestalt-terapia. I. Costa, Milena Vieira da. II. Lira, Nayara Kethelyn de
Oliveira. III. Centro Universitário Brasileiro - UNIBRA. IV. Título.
CDU: 159.9
Aos que acreditaram em nós.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a Deus, pelos talentos confiados a nós, e seu chamado para trilhar o
caminho da Psicologia. Nos capacitando a todo o tempo através das experiências e
trocas que permitiu em nossa caminhada.
Agradecemos aos nossos pais e familiares, pelo apoio e incentivo não só nos cinco
anos da graduação, mas, em todas as etapas de nossas vidas até aqui.
Agradecemos também, aos nossos professores e professoras, que nos ajudaram no
percurso da graduação, que nos guiaram e apresentaram as belezas e os fenômenos
da Psicologia. Em especial aos que colaboram ativamente na construção deste
trabalho, agradecemos por todo aprendizado gerado e orientação; a Carla Lopes,
nossa orientadora, por sua dedicação; e César Oliveira, nosso co-orientador; pela
disponibilidade em compartilhar de seu tempo conosco.
Por fim, agradecemos a nós mesmas, por nosso empenho e dedicação conjuntos,
pelos risos, choros e emoções compartilhadas. E pela nossa cumplicidade e carinho
durante toda nossa jornada da graduação.
“Se me fosse possível estalar os dedos e
deixar de ser autista, eu não o faria. O
autismo faz parte do que eu sou”
Temple Grandin em uma entrevista ao The
New Yorker (1993)
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 09
2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 11
2.1 A historicidade do TEA ………...…………………………………….....................11
2.2 A visão social a respeito do sujeito diagnosticado com autismo.................13
2.3 A perspectiva da Gestalt-Terapia sobre a criança além do espectro…..…...15
3 DELINEAMENTO METODOLÓGICO ………………………………………………...17
4 RESULTADOS …………………………………………………………………………..18
5 DISCUSSÃO ……………………………………………………………………………..24
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS …………………………………………………………....27
7 REFERÊNCIAS.......................................................................................................29
8
AUTISMO: A PERSPECTIVA DA GESTALT-TERAPIA
SOBRE A CRIANÇA ALÉM DO ESPECTRO
Luana Vitória Freitas da Silva Pereira
Milena Vieira da Costa
Nayara Kethelyn de Oliveira Lira
Carla Lopes¹
César Oliveira²
Resumo:
O Transtorno do Espectro Autista se caracteriza por alterações do comportamento,
interação social e está incluso nos chamados Transtornos Globais do
Desenvolvimento. O presente estudo foi pensado a partir da observação do aumento
no número de pesquisas científicas acerca da humanização nas práticas psicológicas,
enquanto valorização do sujeito para além do seu diagnóstico. Esta pesquisa teve por
objetivo geral discutir a perspectiva da Gestalt- Terapia sobre a criança além do
espectro. Foi feita uma busca bibliográfica que considerou obras que abordam o
assunto, coletando informações disponíveis em artigos e estudos científicos que
possibilitaram uma abordagem epistemológica sobre o tema. O diagnóstico de TEA
faz com que o indivíduo sofra com um impacto negativo vindo da sociedade que,
através de uma visão capacitista, acaba por estigmatizá-lo por conta do transtorno
associado à psiquiatria. Compreendido enquanto um transtorno do
neurodesenvolvimento, o TEA aparece como um desvio de regra da normalidade.
Com ênfase na visão da Gestalt-Terapia, que através de seus conceitos, se configura
como uma abordagem da Psicologia que entende a pessoa como um todo, dentro do
seu espaço social e suas interações, não exclusivamente sua psicopatologia. Com
destaque para a necessidade do desprendimento do rótulo “autista”, para entrar em
contato com a criança, possibilitando assim, uma visão mais abrangente sobre ela
mesma. Para compor os resultados buscamos conteúdo que falasse de atendimento
infantil e Gestalt-terapia, e referências mais atuais sobre as questões sociais
relacionadas ao diagnóstico. Percebemos ainda que há pouco material que sem
desprezar a existência singular da criança com TEA, discuta como articular a proposta
de potencialidades frente às limitações(ou deficiências) próprias do transtorno.
Palavras-chave: Transtorno do espectro autista; Criança; Capacitismo; Gestalt-
terapia.
9
Abstract
The Autistic Spectrum Disorder is characterized by changes in behavior, social
interaction and is included in the so-called Pervasive Developmental Disorders. The
present study was designed from the observation of the increase in the number of
scientific researches about the humanization of psychological practices, while valuing
the subject beyond his diagnosis. This research had as general objective to discuss
the perspective of Gestalt Therapy on the child beyond the spectrum. A bibliographical
search was made, considering works that address the subject, collecting information
available in articles and scientific studies that allowed an epistemological approach to
the subject. The diagnosis of ASD causes the individual to suffer a negative impact
from society which, through a capacitating view, ends up stigmatizing him due to the
disorder associated with psychiatry. Understood as a neurodevelopmental disorder,
ASD appears as a rule deviation from normality. Emphasizing the vision of Gestalt-
Therapy, which through its concepts, configures itself as an approach to Psychology
that understands the person as a whole, within their social space and interactions, not
exclusively their psychopathology. With emphasis on the need to detach from the
“autistic” label, in order to get in touch with the child, thus enabling a more
comprehensive view of themselves. To compose the results, we sought content that
spoke of child care and Gestalt therapy, and more current references on social issues
related to the diagnosis. We also noticed that there is little material that, without
despising the unique existence of the child with ASD, discusses how to articulate the
proposal of potential in face of the limitations (or deficiencies) inherent to the disorder.
Keywords: Autism spectrum disorder; Kid; Capacitance; Gestalt therapy.
1 INTRODUÇÃO
A palavra “autismo” tem origem a partir da junção de “auto” que significa de si
mesmo, e do sufixo greco-latino “ismos” se referindo a uma ideologia, que somados
podem representar uma ideologia de si, um modo próprio de “ser no mundo”
(MARANHÃO, 2018). Apesar da existência de um quadro sintomatológico, o autismo
tem nuances diversas, por isso está colocado como um espectro, e por ainda se ter
pouca discussão sobre esse aspecto, faz-se necessário observar e valorizar as
individualidades, surgiu assim a terminologia Transtorno do espectro autista (TEA).
Atualmente, o TEA se caracteriza por alterações do comportamento, de
interação social e habilidades psicomotoras, interferindo no desenvolvimento
esperado da criança (BRANCATO, 2020). No DSM-V, o TEA é considerado um
transtorno global do desenvolvimento, manifestado antes dos três anos de idade,
caracterizado pelo comprometimento de duas áreas: a comunicação e interação
social, além da presença de comportamento, interesses e atividades estereotipadas e
10
repetitivas. (CARNIEL; SALDANHA; FENSTERSEIFER, 2010). O TEA pode
manifestar seus sintomas, em alguns casos, a partir dos primeiros 36 meses de vida,
sendo comum observar relatos que o bebê não gosta do colo ou rejeita o aconchego,
tem problemas para se alimentar e dormir, e que estas crianças evitam o contato
ocular ou o mantêm por um período de tempo muito curto (MELO, 2016).
Ademais, ainda destaca-se que “o diagnóstico de Transtorno do Espectro do
Autismo também já produziu desvantagens sociais, e não apenas para os indivíduos
portadores desse transtorno, mas também para os seus familiares” (BRASIL, 2013,
p.35). Uma delas refere a construção de uma imagem genérica que estabelece um
rótulo diagnóstico e passa a ser vista apenas por ele.
No entanto, apesar dessa visão orgânica e taxativa para o diagnóstico do TEA,
se faz necessário explorar uma visão que abarque a subjetividade da criança com
autismo deve-se ir além de um diagnóstico, voltando o olhar para o sujeito, e não para
a patologia, pois cada criança é singular, e atravessada por contextos distintos.
Discutimos, pois, as possibilidades do fazer da psicologia como forma de minimizar o
sofrimento humano, pela via da Gestalt-Terapia, que concebe sua visão de ser
humanos através da autorrealização e suas potencialidades de crescimento,
criatividade e autonomia, na tentativa de explorar sobre sua atuação com pessoas
com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares, sobretudo a respeito da
visão da sociedade sobre esse transtorno sobre a hedge da “promoção da liberdade,
da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano” (CONSELHO FEDERAL
DE PSICOLOGIA, 2005, p. 07). Assim, surgiu o questionamento qual a perspectiva
da Gestalt-Terapia sobre a criança além do espectro?
O presente estudo foi desenvolvido a partir da observação de discussões
acerca da humanização nas práticas psicológicas, enquanto valorização da
singularidade do sujeito. O objetivo geral deste artigo será discutir a perspectiva da
Gestalt-Terapia sobre a criança além do espectro. Tivemos como objetivos
específicos relatar a evolução do autismo ao longo da história; demonstrar a visão
social a respeito do sujeito diagnosticado com autismo; e definir como a Gestalt-
Terapia entende a criança além do espectro. Para isso, utilizamos em nosso
referencial teórico as contribuições de Aguiar (2015) e Antony (2006) enquanto
expoentes sobre o atendimento gestáltico com crianças e as contribuições das
pesquisas de campo de Smeha (2011) e Zanatta (2014) para visibilizar as reações
familiares ao frente ao diagnóstico. Assim, pretendemos proporcionar um maior
11
entendimento sobre as possibilidades de ser da criança diagnosticada com TEA a
partir dos conceitos Gestalt- Terapia(GT).
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 A historicidade do TEA
A discussão sobre a origem das doenças mentais se intensificou após a
publicação da obra Demência Precoce ou o Grupo das Esquizofrenias (1911), de
Eugen Bleuler. Existem diferentes teorias sobre quem utilizou o termo "autismo" pela
primeira vez, e o registro mais antigo se refere a Bleuler em 1910, seu relato era que
alguns dos pacientes esquizofrênicos que ele acompanhava tinham um “pensamento
autista” (MARANHÃO, 2018) e segundo Dalgalarrondo (2008), incluía a dificuldade ou
capacidade de estabelecer conexões emocionais com outras pessoas, a retirada da
vida social, a inacessibilidade do mundo interior do paciente, a rigidez de atitudes e
comportamentos, a confusão do pensamento.
A psiquiatria infantil iniciou muito após a consolidação da clínica psiquiátrica do
adulto, assim, sem ter seu próprio campo de investigação, os psiquiatras projetavam
as síndromes e transtornos mentais encontrados nos adultos, nas crianças. Segundo
Bercherie (2001), a psiquiatria infantil conquistou sua autonomia no período entre
1930 a 1980, considerando a fase da infância a partir de sua própria existência e
racionalidade, “invertendo o paradigma de interpretação da infância – não seria mais
o adulto que explicaria a criança que existiu, mas, sim, a criança que explicaria o devir
adulto” (MAS,2018, p.36). Apenas a partir dos anos 1930, a clínica psiquiátrica infantil
passou a desenvolver seus próprios conceitos (MALEVAL, 2017). Em 1933, o médico
estadunidense Howard Potter, com base na esquizofrenia de Bleuler, descreveu seis
casos em que os sintomas de alteração de comportamento, falta de conexão
emocional e um instinto de integração com o ambiente começaram antes da
adolescência, ele denominou esse quadro de esquizofrenia infantil. (BRASIL, 2013)
A colaboração da pediatria e a influência das ideias psicanalíticas sobre a
clínica da psicopatologia infantil fazem algumas manifestações patológicas
da criança nesse período passarem a ser pensadas tanto sob o modelo da
histeria, tanto como pelas formas de conversão ou de expressão substitutiva
das dificuldades que a criança encontra ao se relacionar, como sob a ótica
dos fenômenos psicossomáticos. (MAS,2018, p.36)
12
No ano de 1935, também nos Estados Unidos, o psiquiatra Leo Kanner
publicou o Manual da Psiquiatria Infantil, permitindo enfim consistência à clínica
psiquiátrica da criança. Em 1943, Kanner fez a primeira publicação citando o termo
usado anteriormente por Bleuler, o que ele chamou de “distúrbio autístico do contato
afetivo”, e dizia que as crianças com esse distúrbio não tinham interesse de contato
nem com as pessoas nem com o ambiente, resultando assim em um isolamento
precoce.
O denominador comum desses pacientes é sua impossibilidade de
estabelecer desde o começo da vida conexões ordinárias com as pessoas e
as situações. Os pais dizem que eles querem ser autônomos, que se
recolhem, que estão contentes quando são deixados sozinhos, que agem
como se as pessoas que os rodeiam não estivessem. (KANNER, 1966, p.
720, apud MAS, 2018, p.17)
Kanner observou e descreveu o caso de onze crianças, no qual o principal
comprometimento era a incapacidade para relacionamentos interpessoais desde o
início da vida (MAS, 2018). Relata ainda sobre essas crianças que aquelas que
desenvolveram a capacidade de falar, aprendiam com facilidade palavras e a nomear
animais e objetos, o alfabeto e os nomes dos presidentes, e embora conseguissem
falar, não utilizavam a linguagem para se comunicar com o mundo a sua volta.
(BRANCO, 2020)
A maioria dessas crianças foram trazidas à clínica com diagnóstico de intensa
debilidade mental ou de deficiência auditiva. Os testes psicométricos
registram cocientes de inteligência muito baixos, e a falta de reação aos sons,
ou resposta insuficiente a estes, confirmaram a hipótese de surdez; mas um
exame meticuloso demonstrou que o transtorno básico encobria a
capacidade cognitiva das crianças. Em todos os casos estabeleceu que não
havia deficiência auditiva. (KANNER, 1966, p. 720, apud MAS,2018, p.17)
Ainda outro médico, Hans Asperger, usou o termo trazido por Bleuler “autismo”,
dessa vez colocando o prejuízo no relacionamento com o outro, compensado pelo
“alto nível de originalidade no pensamento e nas atitudes”, apesar de ter ficado quase
desconhecido, diferentemente de Kanner, essa fala contribuiu depois para a entrada
no DSM do que é atualmente a Síndrome de Asperger. (BRASIL, 2015). Apenas quase
quarenta anos depois da primeira publicação de Kanner sobre o assunto, em 1980, é
que o autismo passou a fazer parte do Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais
(DSM) em sua terceira edição, sendo caracterizado por déficits no comportamento,
comunicação e interação. (MARANHÃO, 2018)
13
Dentre as reformulações de alguns conceitos e etiologias das classificações
diagnósticas, que o DSM passa, dentre elas a do TEA, saiu da definição do DSM-III
como (Esquizofrenia tipo infantil) e passou a ser classificada pelo DSM-V como
(Transtornos do Neurodesenvolvimento). Resumindo assim, alguns impasses das
edições anteriores. Atualmente, os dois sistemas de classificação adotados pela
saúde pública brasileira são a Classificação Internacional de Doenças e Problemas
Relacionados à Saúde (CID), que está em sua 10ª edição, e a 5º edição do Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), mencionado
anteriormente. (MAS, 2018)
O CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) inclui o autismo nos
chamados Transtornos Globais do Desenvolvimento, que são definidos como um
grupo de transtornos caracterizados segundo o DSM-V por déficits na comunicação e
interação social, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, além de que
esses sintomas devem causar prejuízo no funcionamento social e não pode ser
explicado por deficiência intelectual. Na versão mais recente do DSM-V, o autismo
recebe o nome de Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo compreendido
enquanto um transtorno do neurodesenvolvimento. Apresenta três níveis de
gravidade, que tomam como base os prejuízos na comunicação social e os padrões
de comportamento, sendo nomeados da seguinte maneira: nível 1 – “exigindo apoio”,
nível 2 – “exigindo apoio substancial” e nível 3 – “exigindo apoio muito substancial”.
Além disso, os sintomas devem estar presentes desde o início da infância e limitar ou
prejudicar o funcionamento do indivíduo. (AMERICAN PSYCHIATRIC
ASSOCIATION, 2014)
2.2 Visão social a respeito do sujeito diagnosticado com autismo
D’Abreu, 2012, fala sobre as consequências indesejáveis advindas através de
um “rótulo psiquiátrico”, ao mesmo tempo que discorre sobre a importância do mesmo
para o planejamento de estratégias que auxiliem o desenvolvimento de crianças
diagnosticadas com algum transtorno psiquiátrico. A importância do diagnóstico
também está ainda em adequar as expectativas dos pais em relação à criança, mas
também como forma de obter conhecimento sobre seu transtorno (D’ABREU, 2012) e
14
comorbidades, se houver. Entendendo que um diagnóstico bem feito pode gerar mais
benefícios que prejuízo para a criança e que é dever do profissional que o faz, realizá-
lo com responsabilidade.
Algumas dessas consequências negativas seriam, por exemplo, visão
determinista, medicalização na infância e as limitações que de certa forma são
impostas à criança quando se considera rígidamente que seu leque de
desenvolvimento foi reduzido. “Um rótulo diagnóstico pode resultar na exclusão de
programas públicos ou reduzir as chances de se obter acesso a serviços e benefícios.”
(BRASIL,2013, p. 35)
Sobre a medicalização Brzozowski e Caponi, discorrem:
(...) Tratamos aqui de um tipo específico de medicalização, que é a dos
comportamentos considerados desviantes. Mas o que seriam os desvios?
Para Conrad e Schneider (1992), os desvios consistem em categorias de
julgamentos sociais negativos que são construídos e aplicados
socialmente(...) O desvio é um fenômeno universal, e a noção de que toda
sociedade tem normas sociais já pressupõe a existência do desvio. Grupos
sociais criam regras e impõem suas definições para os outros membros por
meio do julgamento e da aprovação social(...) (2013, p.210)
É importante que a família da criança seja devidamente esclarecida sobre suas
condições, sem contudo, estigmatizá-la, visto que será a partir dessa instituição
primária que decorrerá todo o processo de desenvolvimento e adaptação social da
criança. A amplitude de variação dos sintomas sobre o espectro vai além do
diagnóstico taxativo, como os níveis de comunicação, tanto verbal como não-verbal,
as habilidades e déficits intelectuais, os diferentes interesses, o contexto familiar e
social como um todo, além da capacidade de autonomia. Esses sintomas são
acompanhados através de diversas terapias que visam uma harmonia no
desenvolvimento e qualidade de vida para as famílias (ZANATTA, 2014). Cada pessoa
ao enfrentar situações adversas viverá isso de forma única, isso acontece também em
relação às experiências de pessoas com transtorno do espectro do autismo. (BRASIL,
2013)
Pessoas inseridas em alguns dos transtornos de desenvolvimento, como no
caso do TEA, muitas vezes preferem não serem vistos através da lupa da patologia,
mas pela diferença (BRASIL, 2013). Ser neuro-divergente, termo usado pela própria
comunidade, pessoas com alguns tipos de transtornos do desenvolvimento, para se
15
referirem a si mesmos, não os configura como “doentes”, é uma condição de
existência diferente, discurso amplificado principalmente nos níveis mais leves do
diagnóstico. “Uma pessoa com um transtorno mental é, antes de tudo, uma “pessoa”
e não um “transtorno”. (...) um indivíduo “com” Transtorno do Espectro do Autismo não
“é” um “autista”. (BRASIL, 2013, p.33). Para valorizar e perceber as potencialidades e
possibilidades da pessoa, é preciso reconhecê-lo enquanto outro, considerar suas
necessidades, desejos e autonomia também, não mais pelo olhar capacitista que
limita o desenvolvimento da pessoa, mas catalisar suas próprias capacidades.
2.3 Perspectiva da Gestalt-Terapia sobre a criança além do espectro
A Gestalt-Terapia se configura como uma abordagem da Psicologia que surgiu
em 1951, a partir da publicação de Perls, Hefferline e Goodman, que definem a
Gestalt-Terapia como uma abordagem que acredita na autorrealização do ser
humano através de suas potencialidades de crescimento e criatividade e que traz uma
concepção de indivíduo como um ser de potencialidades e de autonomia, considera o
indivíduo um todo, um ser único e singular, pensamento derivado de um de seus
pressupostos filosóficos, o Humanismo. (KIYAN, 2006)
Segundo Cordeiro, 2019, p.9
“A Gestalt-terapia é uma abordagem psicoterapêutica que tem
fundamentação no humanismo, no existencialismo dialógico, na Teoria
Organísmica, fenomenologia, na Teoria de Campo e nas filosofias orientais.
O seu foco de atuação é o desenvolvimento pessoal e tem base na
potencialidade humana de autogestão e autorregulação, buscando a
realização plena do ser humano. Com isso a abordagem em questão inteira-
se das dimensões afetivas, intelectuais, sociais, sensoriais e espirituais do
ser, através do contato autêntico que o mesmo tem consigo mesmo e com o
mundo, em constante modificação por essa interação, assim, compreende o
homem como um ser de organização e reorganização acerca das suas
necessidades.”
A Gestalt-Terapia (GT) compreende o desenvolvimento humano como um
processo permanente e contínuo de ajustamento criativo mediado pela capacidade
inata de auto-regulação organísmica do indivíduo e revela uma sensação de
realização, que não significa resultados ou preparações, mas um processo composto
de percepção, integração, sensibilidade e sentimento no sentido mais completo do
16
termo contato. Na origem do nosso ser, somos uma existência em relação, uma
existência de contato e contato, ou seja, nascemos da comunicação, da interação e
do encontro com os outros. Os conceitos em desenvolvimento representam
continuidade, fluxo, conexão e histórico. (SOARES, 2005)
Soares, 2005, ainda reforça que o desenvolvimento do ser humano se
entrelaça com diferentes histórias de vida e é o resultado de múltiplas coexistências.
Cada fenômeno psicológico provém da regulação comum entre dois ou mais
organismos e da comunicação entre eles e os outros. Então, é válido levar em
consideração que as crianças são pessoas sociais e sua classe social, econômica e
cultural deve ser considerada e que consequentemente afetará a maneira como as
pessoas são no mundo. Além disso, de acordo com D’acri; Lima; Orgler, 2007, a
Gestalt-Terapia não acredita que a criança é uma pessoa incompleta e o adulto é uma
pessoa completa, o desenvolvimento não é organizado em fases direcionadas ao
objetivo final, ele passa por diversos ajustes criativos, resultando em uma
autoconstrução ininterrupta, que é entendida aqui como "si mesmo, sua
personalidade, sua natureza básica".
Para a Gestalt-Terapia, o todo é mais importante que o somatório das partes
que constituem o sujeito, e este não pode ser tomado em pedaços, logo, a criança
que recebe um diagnóstico não deve ser cuidada apenas a partir dele, deve ser
tomada pela sua existência particular e por todos as partes que lhe constituem.
(AGUIAR, 2015)
O ser humano está sempre em movimento e em interação com o meio,
transformando-o e sendo transformado por ele, sendo assim não se preocupa
com o “por que”, ou seja, com a causa do autismo ou de uma doença, mas
com o “como”, a maneira com que a pessoa em funcionamento autista encara
suas limitações e dificuldades, mediante os ajustamentos criativos possíveis
a ela. (GONÇALVES, 2009 apud SOARES, FERREIRA,2018, p.82).
A clínica infantil Gestáltica, que tem como objetivo resgatar o curso saudável
do desenvolvimento, gerando oportunidades para que a criança entre em contato com
o mundo de forma fluida. Segundo Barbosa (2011), é necessário compreender que a
criança é mais do que um rótulo, incentivando-a em seu processo de entrar em contato
com o mundo e a forma como se revela.
[...]a Gestalt-Terapia não engessa a criança em diagnósticos ou estruturas
fixas de personalidade. A criança pode sim ser diagnosticada, mas a ênfase
17
na psicoterapia recairá na sua forma de se colocar no mundo e se relacionar,
e não sobre o sintoma(...) Além disso, ao enxergarmos o ser humano como
um constante vir-a-ser, não restringi-mo-lo a uma única possibilidade fadada
ao fracasso, pois em sua totalidade existente, há sempre outras partes a
serem desvendadas e fortalecidas (BARBOSA, 2011, p. 20).
3 DELINEAMENTO METODOLÓGICO
Com a finalidade de atingir os objetivos descritos acima a presente pesquisa
se utilizará da pesquisa bibliográfica, como definido por Pizzani et al, 2012, é uma das
etapas da investigação científica, que se desenvolve de forma a facilitar o caminho
entre o pesquisador e a informação desejada, se valendo assim de alguns passos
desde a delimitação do tema até a localização da fonte, leitura do material e por fim a
redação do trabalho, e reforça ainda que a pesquisa bibliográfica serve também como
ponto de partida para mais pesquisas principalmente quando o tema é ainda pouco
explorado. Nesta pesquisa, o universo é representado pela criança com TEA, e sobre
seu desenvolvimento para além do diagnóstico. Os dados serão coletados por meio
de uma pesquisa que irá considerar obras científicas e empíricas que abordam o tema
e que apresentam possíveis respostas para a problemática da pesquisa, compondo
hipóteses indutivas consideráveis na elaboração do texto do trabalho.
A pesquisa será realizada através das bases de dados selecionadas:
Scientific Electronic Library Online (SCIELO); a Literatura Latino-americana e do
Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); e Periódicos Eletrônicos de Psicologia
(PEPSIC). Serão utilizados artigos e livros que estejam relacionados com o tema,
através dos descritores: Transtorno do Espectro Autista; Despatologização;
Diagnóstico; Capacitismo; Gestalt-Terapia. O fichamento foi feito a partir do tema
proposto e resumo do material encontrado, e aqui reforçamos que ainda há pouca
produção sobre o estudo que propomos, posto que, foi preciso que abríssemos o
leque temporal já que esses cuidados de humanização e despatologização no contato
com crianças com autismo, estão sendo produzidos ainda aos poucos, assim,
coletamos publicações datadas de 2005 a 2021.
18
Como critérios de inclusão foi dado privilégio aos materiais que abordem a
historicidade do Transtorno do Espectro Autista, a representação social do autismo, e
artigos que falem da perspectiva da Gestalt-Terapia sobre diagnóstico e criança
escritos com o idioma Português do Brasil. E como critérios de exclusão, materiais
que não tenham ligação com o tema. Foram encontrados 33 artigos para pesquisa e
28 utilizados para desenvolvimento teórico e discussões de forma a tornar a pesquisa
mais sólida
4 RESULTADOS
Durante a construção do TCC foram encontrados 33 trabalhos referente ao tema
central da pesquisa, onde ao final foram utilizados 28 estudos entre livros, artigos e
monografias. A seguir segue a tabela com os autores considerados mais significativos
para construção da pesquisa, ao total utilizamos 9 autores.
Autor Ano Título Objetivos Resultados Considerações Finais
AGUIAR, 2015 Gestalt- Elucidar teoria Constrói uma obra Através dos exemplos consegue
Luciana terapia com e prática no dinâmica, atual e demonstrar como a teoria funciona
crianças: atendimento completa. Entre os na prática. Com isso além de
teoria e psicoterapêuti- temas abordados explicar alguns fundamentos da
prática. co infantil estão o Gestalt-Terapia, como a visão de
desenvolvimento homem, e as principais
da psicoterapia terminologias que utilizamos dentro
infantil, a da abordagem, a autora explica
concepção de ser todo o processo de psicoterapia em
humano em detalhes, como cada etapa pode ser
Gestalt-terapia, a realizada e dando assim algumas
família na dicas aos psicólogos.
perspectiva
gestáltica, o
funcionamento
saudável e não
saudável, a
compreensão
diagnóstica em
Gestalt-terapia com
crianças, o
processo
terapêutico e o
19
trabalho com os
responsáveis e a
escola.
ANTONY 2006 A criança em Despertar A Gestalt-Terapia é Como dito por Yontef "A totalidade
Scheila desenvolvime reflexões baseada em teorias unificada pode e precisa ser
nto no mundo: sobre o sistêmicas que não diferenciada em partes para poder
um olhar desenvolvimen compartilham uma ser dinamicamente entendida".
gestáltico. to psicológico visão reduzida e Aprofundar a compreensão de
humano à luz determinista da "corpo" para entender a constituição
do enfoque existência humana, da subjetividade na
relacional e da que sustenta que intercorporeidade humana é
teoria do ciclo todas as crianças fundamental, uma vez que o
do contato da se desenvolvem e desenvolvimento da personalidade
Gestalt- crescem, seguindo da criança é fruto da
Terapia. estágios conscientização e conhecimento
sucessivos e fixos cada mais profundo do seu corpo
definidos. A visão vivido. A prática clínica no
de pessoa inteira atendimento infantil deve tomar as
orienta a busca noções de contato, consciência e
pela compreensão corpo como referencial teórico
do
desenvolvimento
em sua
multidimensionalida
de
interdependente.
Assim, a criança em
desenvolvimento é
o resultado de
influências do
ambiente, da
aleatoriedade dos
eventos e das
potencialidades
inerentes que são
herdadas.
BARBOSA 2011 A criança sob Discutir o Existem problemas A Gestalt-Terapia oferece uma
, Poliana.G o olhar da termo infância importantes na visão mais abrangente do que é ser
Gestalt- e sua prática clínica com humano e, mais especificamente, o
Terapia construção crianças e que mais que é ser criança. Valoriza ainda
histórica, até a pesquisas são mais a criança como um objeto
formalização necessárias nesta global e real com potencialidades
da noção atual área. Seria internas que podem incluí-la como
de criança contrário à visão autor de aquisições e perdas
como um cultural atual da adquiridas. Uma criança pode ser
momento infância presumir diagnosticada, mas a ênfase na
peculiar e que ela não tem psicoterapia estará na maneira
aclamado; problemas próprios. como ela é inserida no mundo e nos
20
descrever de No entanto, embora relacionamentos, não no sintoma.
maneira geral as tradições Portanto, estamos mais
a criança como culturais interessados no processo da
uma totalidade reconheçam essas criança do que no conteúdo de sua
inserida em peculiaridades, no fala
um contexto, final reduzem a
no qual ela é criança a uma
ativa, interage atitude passiva em
com o mundo e relação ao mundo.
realiza trocas;
apresentar a
criança
crescendo,
fortalecendo
sua fronteira
de contato, se
desenvolvend
o por meio da
relação com o
outro e do
ajustamento
criativo.
D'ABREU, 2012 O desafio do Enumerar e Embora haja uma O diagnóstico deve ser feito de
Lylla diagnóstico discutir as necessidade de forma responsável e, sobretudo, por
Cysne psiquiátrico na dificuldades e melhorar a profissionais com profundo
Frota criança. limitações do validação das conhecimento do desenvolvimento
uso do categorias das doenças mentais e com uma
diagnóstico diagnósticas de investigação abrangente do estado
psiquiátrico em doenças mentais psicológico da sociedade infantil. A
crianças e na infância e presença e o número de sintomas,
adolescentes; adolescência, as sua frequência e o
justificar o seu pesquisas sobre comprometimento funcional que
uso, a partir de esse tópico têm causam são critérios importantes
sua feito um enorme para diferenciar os casos clínicos
importância progresso nas dos não clínicos. Profissionais mal
em pesquisas últimas décadas. treinados podem usar mal e abusar
epidemiológica Ressaltar que a do jargão psiquiátrico, eles podem
s, e seus preocupação com o ignorar características ambientais e
aspectos diagnóstico deve desconsiderar aspectos específicos
facilitadores na ser um bom motivo do desenvolvimento de uma
prática clínica para os médicos criança. Portanto, o uso de critérios
e seus serem cuidadosos diagnósticos sem cautela ou
benefícios aos sobre como fazê-lo, experiência clínica está ameaçado
pacientes. mas seus porque os priva dos benefícios que
benefícios devem um diagnóstico bem executado
ser um forte motivo pode proporcionar.
para não evitá-lo
KLIN, A 2006 Autismo e Enfatizar as As síndromes de Com isso, uma nova onda de
síndrome de necessidades autismo e Asperger estudos prospectivos sobre
21
Asperger: e os desafios são síndromes que autismo, em cima de irmãos e irmãs
uma visão típicos se originam de em risco de adoecer são rastreados
geral enfrentados mudanças desde o nascimento, tornando-se
pelos fundamentais e uma nova perspectiva na
indivíduos com precoces na neurociência. Os fatores
essas socialização, relacionados à patogênese e
condições, levando a uma psicobiologia são próximos, este
independente ampla gama de esforço pode resolver o mistério da
mente do impactos no etiologia e patogênese dessas
rótulo funcionamento e no doenças. O foco da pesquisa é em
específico a desenvolvimento tratamentos mais eficazes, se não a
eles atribuído. adaptativo, na prevenção pode acontecer.
comunicação social
e na imaginação,
entre outros
déficits. Muitas
áreas do
funcionamento
cognitivo são
geralmente
preservadas, e os
indivíduos com
essas condições às
vezes exibem
habilidades
surpreendentes e
até extraordinárias.
O início precoce, o
perfil dos sintomas
e a natureza
crônica dessas
condições implicam
que os
mecanismos
biológicos são
centrais para a
etiologia do
processo.
SOARES, 2005 Um convite A noção de A criança não está Pode-se pensar em psicoterapia
L.L.M para pensar desenvolvimen se desenvolvendo como o estabelecimento de uma
sobre to para os, sozinha, é parceria terapeuta / cliente, que
desenvolvime Gestalt- importante lembrar significa apoiar intervenções de
nto em terapeutas, a própria parceria recuperação, desenvolvimento
Gestalt- revela sim um terapêutica As interrompido, conflito emocional
Terapia sentido de características são reduzido, em interesses ambíguos,
plenitude, o tão únicas quanto a objetivos ambíguos. A relação entre
qual não presença dos que o obscuro e sem retorno. A
significa as compõe. A psicoterapia é entendida como
resultados ou criança é chamada desenvolvimento, onde visa mostrar
prontidão, mas para a visões existenciais guiado por um
um processo conscientização de olhar permanente no reino dos
constituído de sua importância em relacionamentos. Significa ver a si
percepção, de projetos de mesmo como parte do todo, ver a si
integração, se desenvolvimento mesmo como um todo quebrado e
sensibilidade e maiores, construir
sentimentos, parcerias no
22
do vivido, no ambiente de vida trazer novos significados e novas
mais pleno nas crianças, pais direções no rearranjo das partes.
significado do ou cuidadores. Não
termo contato. é possível afirmar
que todos estão ao
mesmo tempo, ser
capaz de
estabelecer
parcerias que
atendam às
necessidades
individuais, mas é
possível lidar com
as limitações de
todos, acreditando
que sempre haverá
alguns
desenvolvimentos
que podem ser
esperados. Afinal, é
possível para
aquele grupo
naquele
determinado
momento de
existência,
interrupções e
obstáculos fazerem
parte de todo
processo de
desenvolvimento.
SOARES, 2018 O Analisar o Verifica-se que a Como todos sabemos, para toda a
M.N; Funcionament funcionamento perspectiva sociedade, ser diferente muitas
FERREIR o Autista Sob autista sob a biomédica tem vezes é visto com estranheza e
A, W.B.F A Ótica Da ótica da como foco o negligência sendo muitas vezes
Clínica Clínica Infantil desenvolvimento e difícil de ser aceito pelo ambiente. O
Gestáltica. Gestáltica os problemas autismo permeia diferentes estilos
cognitivos, de vida no mundo, que geralmente
principais fatores podem não ser adequados para a
na compreensão e chamada vida "normal". Este modo
enfrentamento do de existir e de ser reflete uma
autismo, e também espécie de riqueza, mas também a
define os padrões dificuldade de estabelecer contato
comportamentais e com os outros, e deve ser
as formas respeitado em suas limitações e
comportamentais expressões. Também deve ser
de diagnóstico. Do entendido que pode ser rastreado e
contrário, a Gestalt- resolvido através de várias
Terapia não vai possibilidades, incluindo a Clínica
ignorar esse Infantil Gestalt-Terapia, que tem
23
conceito, mas faz realizado atividades de
parte de uma acompanhamento e intervenções
hipótese que traz para buscar cada vez mais contato
uma perspectiva com essa criança.
mais abrangente
por não se apegar a
fatores específicos
e tenta
compreender a
pessoa de forma
abrangente, em vez
de reduzi-la ao
adoecimento.
Nesse sentido, isso
é entendido como
uma forma de ser e
estar no mundo,
que pode ser
considerada
diferente, mas
precisa ser
respeitada e
compreendida.
SMEHA, 2011 A vivência da Compreender Notou-se que A atenção voltada aos filhos é tanta
Luciane maternidade a dinâmica muitos sentimento que a experiência maternal
Najar; de mães de vivenciada em de cunho negativo atravessa e até limita outras áreas
CEZAR, crianças com relação à são despertados de desenvolvimento da mulher, que
Pâmela autismo. maternidade inicialmente, como recebe uma sobrecarga através da
Kurtz de crianças “tristeza, incerteza, experiência materna, sendo preciso
com autismo, inconformismo e refletir sobre o lugar da rede de
sobre os culpa”. E a apoio, mas também sobre os efeitos
sentimentos experiência dessa sobrecarga nas relações
experienciado singular sobre o familiares.
s nessa fase, a momento do
rotina de diagnóstico, desde
cuidado e rede o choque imediato
de apoio. entre a criança
desejada e a real, à
aceitação,
prevendo as
possibilidades mais
claras em relação
aos cuidados mais
adequados para
criança.
ZANATTA 2014 Cotidiano de Conhecer o Ao planejar um É necessária a disponibilização de
et al. famílias que cotidiano de bebê, você deseja uma rede de apoio social aos
convivem com famílias que um bebê perfeito e familiares de crianças com autismo,
24
o autismo convivem com saudável. Nem onde será possível a busca dessas
infantil o autismo mesmo se famílias por novos conhecimentos,
infantil considera que essa estabelecendo uma forma mais
criança vai nascer eficaz de ajudar crianças com
com alguma autismo e suas famílias,
limitação. Quando a proporcionando um espaço de troca
criança dos sonhos de experiências e apoio para que
começa a possam falar sobre suas
apresentar dificuldades diárias, sentimentos,
características, frustrações e esclarecer suas
como dificuldade de dúvidas e obter conselhos de
falar ou atrasar a profissionais envolvidos nesses
fala, serviços. Como resultado, eles
comportamento ganharam um senso de segurança
repetitivo e e motivação para continuar a
estereotipado e batalha diária de criar filhos com
dificuldade de autismo da melhor maneira.
estabelecer
relações
emocionais, sonhos
que foram
idealizados para
aquela criança vão
se esvaindo para
uma realidade
desconhecida, o
que podem levar a
uma nova
organização
familiar. A mãe
passa a se dedicar
inteiramente ao
filho, o que gera
uma sobrecarga em
sua vida.
5 DISCUSSÕES
Considerando o que foi apresentado sobre a Gestalt-terapia, principalmente a
visão de autonomia e desenvolvimento humano, é possível discutir a atuação com
crianças com autismo, e não nos focamos na atuação clínica, mas em como a prática
de contato com o outro, pode ser guiada por esses conceitos além do campo da
psicoterapia, e em todos os aspectos em que sejam possíveis chegar à criança e
estimular suas potencialidades, seja qual for sua relação com o mundo e seu modo
de ser.
25
De acordo com Aguiar, 2015, a Gestalt-Terapia enxerga o indivíduo como
organismo presente no mundo sendo afetado por ele mas também atuando sobre ele,
num processo dialógico, o ser humano como relacional, se desenvolvendo através da
relação com o outro em toda sua existência, e compreende o processo de
desenvolvimento como infinito a partir da interação do ser com o ambiente. Essa ideia
de atuação mútua dá à criança a possibilidade de ser ator no seu meio e “não se afina
com a perspectiva de criança frágil” (AGUIAR, 2015, p. 32). Honrando assim seus
conceitos básicos de compreensão do sujeito humano enquanto um ser total,
relacional, contextual, e auto regulador, capaz através de um potencial inato realizar
ajustes que o permitam viver.
Smeha (2011), comenta sobre a expectativa familiar gerada quando se espera
o nascimento de uma criança, e é permeada por sonhos e planejamentos, pela
recepção de uma criança saudável e fora de qualquer comportamento que fuja aos
ideais da normalidade. A fragilidade dessas expectativas é tamanha, e quando
acontece de não serem correspondidas, há um processo de luto pela criança
imaginada e não nascida. A problemática maior desse luto, está na sua existência por
conta dos estigmas que transmitem a limitação das capacidades e redução de
potencial desse sujeito recém diagnosticado. Existe sim uma atenção específica
demandada pela criança que acaba por transformar a dinâmica familiar, e sobre isso
D’Abreu (2012), discorre sobre como é importante que esse acompanhamento
diagnóstico seja feito de forma consciente, para adequar a família a essa nova
configuração. É necessário que haja uma desmistificação desses estigmas negativos
pois até a forma como a notícia é passada vai interferir no comportamento familiar,
que pode ser de uma forma terapêutica e facilitadora do desenvolvimento mas
também um abalo que transforma a criança numa obrigação ou peso na visão familiar.
Entende-se que o diagnóstico que define a criança como autista caracteriza-se
por déficits, especificamente em três áreas: nas interações sociais, na comunicação e
no comportamento. E existem diversas estratégias de intervenção para trabalhar com
crianças com TEA, que possuem algumas especificidades que devem ser
consideradas antes da sua escolha como: se o indivíduo é criança, jovem ou adulto e
comportamento-alvo. Em sua pesquisa Smeha (2011), trata da maternidade que se
torna complexa, e traz o sentimento que muitas mães já possuíam, ao não observar
nos filhos características de desenvolvimento esperadas para a idade, após
26
confirmação de suspeitas, aparecem os sentimentos mais pesarosos de culpa,
negação, ansiedade, tristeza, desilusão, e em alguns casos aceitação, como um
atestado indicando que caminho seguir a partir de então. Zanatta (2014), concorda
quando diz que quando a diferença entre a criança imaginada e a real entra em
cheque surgem as diferenças no cotidiano familiar.
Aguiar (2015), em seu livro Gestalt-terapia com crianças: teoria e prática,,
conclui que há uma incoerência entre a forma da Gestalt-terapia enxergar o homem
no mundo e a visão da infância como um período de fragilidade e instabilidade total,
opondo-se à fase adulta, que por sua vez seria estável. Sendo que Soares (2005)
afirma que não há evolução máxima, mas sim, plenitude de cada momento da
experiência de existir, pois desenvolvimento não é alcançar patamares e, por isso,
nunca é definitivo.
Sobre desenvolvimento, e segundo Klin (2006), do ponto de vista biomédico, o
autismo é considerado um transtorno do desenvolvimento que afeta importantes
aspectos da vida das crianças, tornando difícil estabelecer relacionamentos com
outras pessoas e tendendo a se isolar do mundo exterior, apresenta também padrões
de comportamentos rígidos, itens esses, que interferem no desenvolvimento infantil.
Somando- se a isso, segundo Antony (2006), as crianças são o resultado de
influências ambientais (sociais e culturais), da aleatoriedade dos eventos e do
potencial genético inato. Podemos nos referir ao ambiente como um evento em que o
indivíduo pode manter algum tipo de relação, quando nós nos comportamos, nós
agimos (ou seja, respondemos) em relação a partes específicas do ambiente, que são
os eventos ambientais, assim o meio sócio-cultural vai estar atravessando a
experiência de vida da criança, quando temos um ambiente que a estimula a
construção da sua identidade e não se coloca como um reforçador do capacitismo,
encontramos um caminho para a autonomia do ser.
Considerando o viés da Gestalt-terapia, Aguiar (2015), concebe uma visão
diferente sobre este funcionamento, não desconsiderando os sintomas, mas
buscando compreender a criança enquanto ser singular, e integrante de uma família
ou meio social que tem costumes e hábitos, e que está inserida em um contexto social,
cultural, histórico e econômico, influenciando e sendo influenciada pelo meio. A clínica
gestáltica, como preceito, não tem o objetivo de enquadrar a criança na norma e nem
27
de fazê-la corresponder às expectativas sociais para ser aceita. A criança deve ser
respeitada e acolhida, legitimando o seu modo de existir e valorizando o que ela é
capaz de fazer no momento, de forma que o papel de quem acompanha a criança é
ser um facilitador, para que ela mesma possa realizar seu ajustamento criativo. Sendo
assim, nossa escolha em falar a partir da Gestalt-Terapia coloca em evidência a
criança em toda sua potencialidade, enxergando-a como um todo, este é o princípio
libertador trazido pela Gestalt-Terapia, a criança é muito mais do que o dito, e precisa
ser apresentada a caminhos que lhe façam expandir seu potencial.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A seguinte pesquisa exigiu de nós percorrer todo um caminho que nos
possibilitou contemplar melhor a compreensão sobre o TEA (Transtorno do Espectro
Autista), sobre sua primeira descrição e características enquanto transtorno, além da
visão enraizada socialmente acerca da criança com autismo, e para além, a visão de
ser humano sobre o viés da Gestalt-Terapia, sua fundamentação e seus processos
de interação e o modo como a mesma concebe o desenvolvimento humano. Ao
decorrer deste trabalho ratificamos o desenvolvimento de algumas articulações entre
o TEA e a Gestalt-Terapia.
Por meio das reflexões trazidas ao longo da pesquisa, do ponto de vista da
Gestalt terapia, os seres humanos estão em processo de desenvolvimento contínuo.
O trabalho da Gestalt-Terapia gira em torno de facilitar o processo de crescimento e
desenvolvimento do potencial de cada um, por meio do processo de integração. Sobre
o TEA, na Gestalt-terapia, as pessoas não podem ser distinguidas do autismo, essa
separação deve ser eliminada. Nossa intenção não foi nomear capacidades ou
limitações, mas sim enfatizar a qualidade que habita na diferença, e como isso nos
constitui enquanto seres em sociedade. O ponto de partida para lidar com o transtorno
é ir além do comportamento autista e refletir sobre quem essa pessoa é, para além do
rótulo diagnóstico.
Pode-se compreender também que o importante trabalho realizado pelos
psicólogos, visa a melhoria da qualidade de vida das pessoas com autismo e dispõem
de vários recursos para facilitar esse processo. O nosso trabalho visa dar conta da
28
expressão que cada subjetividade pode revelar, inclusive a expressão da criança com
TEA, entendendo que a comunicação pode ir além da expressão verbal, considerando
assim outras formas de comunicação e expressão. A Gestalt-Terapia abre um leque
de possibilidades para que o indivíduo possa se auto-regular, tendo como objetivo
desconstruir, junto ao cliente, as expectativas ou rótulos fazendo com que o indivíduo
possa trabalhar seu ajustamento criativo e, de forma saudável, se reorganizar,
possibilitando assim o direcionamento do presente trabalho.
É válido ressaltar que mesmo com a escassez de referenciais teóricos que
abordem como trabalhar com crianças com TEA sem que o foco esteja voltado às
dificuldades ou limitações trazidas junto com o laudo diagnóstico, ou sem o que ele
atue diretamente na visão sobre a criança, gerou um certo desânimo no início, mas
não foi um impeditivo para que esta pesquisa fosse desenvolvida. A nossa principal
expectativa com este trabalho, foi ter contribuído para a referida discussão, e
possibilitar mais interesse sobre essa forma de atuar dentro da Psicologia. E
reforçamos que é importante mais pesquisas explorando a relação da Psicologia e o
contato com a criança além do diagnóstico, de forma teórica e prática.
29
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