DIREITO PENAL
LEGITIMA DEFESA
- Art. 25
- Excludente de ilicitude: Art. 23, I, II
- A) O direito não pode e não precisa ceder ao injusto
- B) O Estado não consegue estar presente na vida das pessoas a todo momento
- Opcional se defender
- Ex: guarda municipal que matou o homem
- Natureza jurídica: causa de justificação, permissão, excludente de ilicitude
Requisitos
1) Injusta agressão – conduta humana que lesa ou põe em perigo um bem
juridicamente tutelado
- não precisa ser física
- Tal comportamento ilícito deverá ser real, efetivo e concreto
2) Atual ou iminente – requisito temporal
- Cuidado: a ação exercida após cessado o perigo é vingança
3) Direito seu ou de outrem
- interesses a vida e liberdades públicas (físicas, sexual, ir e vir...) –
permissão tácita
- Avaliar a situação
- A defesa de bens de terceiros depende da concordância do titular do
direito
4) Meios necessários – o agente deve optar, na hipótese de existirem vários meios
de defesa, por aquele que provocar o menor dano possível
5) Uso moderado – a defesa não deve ir além do estritamente necessário para seu
fim
- Não existe legítima defesa recíproca - senão conseguir ver quem atacou primeiro os
dois são absolvidos
- A legítima defesa do agressor: a defesa em relação ao excesso é permitida
- Limites éticos: não enfrentamento pois há uma limitação de que não seria necessário
- Ex: bater em bêbado, em criança
- Tendo opções utilizar o meio menos lesivo
Estado de necessidade
- Art. 24, CP
- Não precisa da ação humana
- Ex: Titanic
Fundamentos
- Uma situação de perigo justificante
- Uma ação justificada: conduta necessária para afastar o perigo
- Apenas senão tiver saída, não pode enfrentar igual a legítima defesa
- Perigo concreto, atual
Requisitos
- Perigo: o bem jurídico deve estar em estado de risco presente, imediato e provável de
suportar um dano
- Esse perigo pode decorrer de uma conduta humana, animal, forças da
natureza...
- Tem que estar em jogo duas vidas, não pode sacrificar uma vida para salvar
patrimônio
- Atualidade: Ideia de proteção imediata de bens
- Pode ser iminente também mesmo a lei não citando
- Ameaça a direito próprio ou alheio: entende-se como todo e qualquer bem jurídico
tutelado (vida, integridade física, patrimônio), permitindo o agente atuar para a
salvaguarda de um direito que é seu ou mesmo de terceiros
- Perigo não provocado voluntariamente pelo agente: você não pode criar riscos e
sacrificar outras vidas pelo risco que você criou, terá que suportar
- Quem cria o perigo não tem permissão legal para utilizar do Estado de
Necessidade
- Inevitabilidade do comportamento lesivo: o sacrifício do bem jurídico alheio deve ser
a única alternativa do agente salvaguardar seu direito
- Só se reconhece a permissão se o agente não puder salvar de perigo o interesse
próprio ou de terceiro que não seja com a prática do fato lesivo.
- Ex: pistoleiro que queria matar o médico, mas o médico engana e mata ele –
tinha como evitar, não é estado de necessidade
- Razoabilidade do sacrifício: se puder evitar, evite, caso não de deve-se sacrificar o de
menor dano
- O bem jurídico preservado com a prática da conduta lesiva deve ser de igual ou
maior valor ao do bem jurídico sacrificado
- Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo: Art. 24, parágrafo 1, CP
- Todo aquele que tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode invocar a
justificante para eximir-se de sua responsabilidade pela conduta típica praticada
- Polícia e bombeiros não podem alegar estado de necessidade, pois é seu dever
legal de estar na situação de perigo
- Ex: bombeiro das torres gêmeas que se ficasse para salvar iria morrer junto
Excesso
- Art. 23
- Tem início depois de um marco fundamental, o momento em que o agente, com a sua
repulsa, fez estancar a agressão que contra ele era praticada. Toda conduta praticada em
excesso é ilícita, devendo o agente responder pelos resultados dela advindos.
- Ocorrerá quando o agente extrapola (por erro no cálculo, ódio ou vingança) os limites
do permitido para a proteção a seu direito nas condições em que concretamente se
encontrava.
- Excesso exculpante: constata-se quando o ato é praticado sob a influência de estados
emocionais extremos, tais como medo, susto, perturbação, uma modalidade de excesso
que, por suas peculiaridades, não é merecedora de reprovação. O excesso na resposta à
injusta agressão não é causado por uma postura dolosa ou culposa, mas por uma atitude
emocional do agredido. Dessa forma, elimina-se a culpabilidade do agente por não se
poder exigir do agente conduta diversa da por ele praticada.
Discriminantes putativas
- Art. 20, parágrafo 1
- Quando o perigo está na cabeça da pessoa
- Ex: Homem que está se afogando e afoga o outra para se salvar, mas na verdade o
local dava pé pra ele
Estrito cumprimento do dever legal
- Art. 23, III
- Sempre que estiver realizando algo legal, não produz algo ilícito
EXCLUDENTES DE CULPABILIDADE
Menoridade
- Menores de 18 anos são penalmente inimputáveis
- Trata-se de uma presunção absoluta, que não admite prova em contrário.
- Art. 228, CF e art. 27, CP
- Se o menor matar em legítima defesa seu comportamento será lícito, mas se ele
cometer outro crime não incide culpabilidade, então NÃO TEM CRIME
- Para ser crime precisa ter tipicidade, ilicitude e culpabilidade
- O menor recebe medida socioeducativa – sem exceção
- Critério biológico
Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado
- Critério biopsicológico
- Art. 26, CP
- Mental – patológico que afeta o caráter de discernimento
- Comprovada a inimputabilidade o agente é absolvido (absolvição imprópria) sendo
imposta medida de segurança, e não pena
- Ex: Homicídio praticado em um surto de esquizofrenia – feito um laudo
incidente de insanidade mental para averiguar se o agente era capaz de compreender, se
ele atestar que não era capaz não tem culpa, crime
- Medida de segurança – manicômio judicial – obrigatória
- Por desenvolvimento mental incompleto entende-se aquele que ainda não se
completou como por exemplo na hipótese da falta de convivência social.
- O silvícola inadaptado ao convívio com a civilização pode enquadrar-se no art.
26, caput ou parágrafo único, de acordo com o caso concreto
- O parágrafo único reconhece parcialmente reduzindo a pena de 1 a 2/3
Embriaguez acidental completa
- É aquela decorrente de caso fortuito, quando o agente ignora o efeito inebriante da
substância de que faz a ingestão ou força maior, quando o sujeito é obrigado a fazer a
ingestão de álcool
- Critério psicológico
- Art. 28, II, parágrafo 1
- Força maior- obrigado, coação
- Caso fortuito – sem saber
- Inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito
- Ex: homem faz tour na fábrica de cachaça, ele não bebe e ficou embriagado pelo vapor
que inalou
- Também usada para drogas
- Ex: Julio que queima a fazenda e não tinha capacidade de discernimento
Causa não excludentes de culpabilidade
Emoção e paixão
- Os estados passionais não afastam o juízo de responsabilidade penal
- Art. 28, inciso I, CP
- Não é patológico
- A pessoa tem como compreender o que está fazendo
- Há referências médicas de que estado excepcionais de medo, susto, perturbação tiram
momentaneamente a capacidade de compreensão.
Embriaguez não acidental
- A embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos,
não exclui a imputabilidade.
- Art. 27, II
- Pela teoria da actio libera in causa o agente, no instante em que decidiu fazer a
ingestão de bebida alcoólica, era livre, e assim se praticar alguma infração penal privado
da capacidade de entendimento em razão do álcool será responsabilizado.
- O individuo intencionalmente se coloca na posição de não compreender o caráter
ilícito
- Ingestão de álcool para tomar coragem e fazer algo – ex: violência doméstica
Teoria da actio libera in causa
- Entende-se a situação em que o sujeito pratica um comportamento criminoso sendo
inimputável ou incapaz de agir, mas, em momento anterior, ele próprio se colocou nesta
situação de ausência de imputabilidade ou de capacidade de ação, de maneira
propositada ou, pelo menos, previsível
Causa excludente do potencial consciência da ilicitude
- É a noção que deve ter o agente no sentido de que a sua conduta se revela contrária à
ordem jurídica.
Erro de proibição
- Art. 21, caput, segunda parte
- Alguém não tem a capacidade de compreender ou não sabe que a lei existe
- O erro de proibição é aquele que incide sobre a ilicitude do fato. O agente acredita ser
permitida e lícita uma conduta que, na verdade, é proibida e ilícita. Trata-se de um
equivocado juízo de valoração sobre o que é ilícito.
- Sempre examinar se tinha potencial para reconhecer que o fato era ilícito
- justificável (desculpável ou inevitável): erro que não poderia ter sido evitado pelo
agente, ou seja, o sujeito não tinha como saber a respeito da ilicitude do fato. caso,
excluída estará a potencial consciência da ilicitude e, por consequência, a culpabilidade.
- injustificável (indesculpável ou evitável): erro que poderia ter sido evitado pelo
agente se atuasse com maior diligência, ou seja, o sujeito tinha como saber a respeito da
ilicitude do fato. Aqui, não há falar-se em exclusão da potencial consciência da ilicitude,
mas, sim, em causa de diminuição de pena (redução de um sexto a um terço).
- Podia reconhecer, mas não buscou os meios para isso
- Ex: Bolsonaro e a molestação de cetáceos – nenhuma condição de saber
Causas excludentes da exigibilidade de conduta diversa
- É a possibilidade de exigir do agente um comportamento diferente daquele por ele
praticado. Para ser culpável é preciso que se possa exigir do sujeito, naquelas mesmas
condições e circunstâncias a que estava submetido, o desenvolvimento de uma conduta
em sintonia com a ordem jurídica.
Coação moral irresistível
- Decorre do emprego de grave ameaça (séria e idônea) como forma de exigir de alguém
a prática de determinada conduta.
- Nos termos definidos pelo art. 22 do Código Penal, só é punível o autor da coação.
- A coação moral dá-se quando uma pessoa for alvo da ameaça de inflição de um mal
grave e injusto. A gravidade do mal é avaliada seguindo critério do standard mediano.
- A irresistibilidade deve ser medida pela gravidade do mal ameaçado de modo a
proporcionar condições do coautor de cumprir a ameaça.
- A ponderação é elemento importante para avaliar a relação entre o ato exigido e o mal
prometido (imediatidade + ponderação.)
Obediência hierárquica
- Cumprimento de uma ordem não manifestamente ilegal proveniente de um superior
hierárquico pelo subalterno.
- O agente pratica um fato típico e ilícito por força do cumprimento de uma ordem
exarada pelo superior hierárquico, ou seja, em razão de obediência a um comando
superior.
- Art. 22 do Código Penal, só é punível o autor da ordem.