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O documento aborda a didática de Educação Visual e Ofícios, destacando a importância dessas disciplinas no desenvolvimento intelectual dos alunos e na aquisição de competências. Enfatiza a necessidade de uma abordagem sistemática e organizada no ensino, que considere a aprendizagem como um processo dinâmico e multifacetado. Além disso, discute a relevância da planificação didática para garantir resultados eficazes no processo de ensino-aprendizagem.

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O documento aborda a didática de Educação Visual e Ofícios, destacando a importância dessas disciplinas no desenvolvimento intelectual dos alunos e na aquisição de competências. Enfatiza a necessidade de uma abordagem sistemática e organizada no ensino, que considere a aprendizagem como um processo dinâmico e multifacetado. Além disso, discute a relevância da planificação didática para garantir resultados eficazes no processo de ensino-aprendizagem.

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DIDÁCTICA DE EDUCAÇÃO VISUAL E OFÍCIOS

Aspectos Conceituais

Educação Visual e Ofícios

Esta cadeira é composto por duas disciplinas, nomeadamente:

Educação Visual – disciplina prática que visa desenvolver nos alunos a destreza manual,
através de diferentes técnicas de expressão artística, o sentido de organização dos espaços
físicos e pictóricos, de estética e gosto pelo belo e o uso da imagem para comunicar.

Ofícios – prática disciplina que se dedica a produção de artefactos ou seja objectos que
podem ser de natureza utilitária, lúdica ou decorativa e desenvolver nos alunos a destreza
manual.

Educação

É um processo pelo qual a sociedade prepara seus membros para garantir a sua
“continuidade e o seu desenvolvimento”. Trata-se de um “processo dinâmico” que busca,
continuamente, as melhores estratégias para responder aos novos desafios de
continuidade, transformação e desenvolvimento que a sociedade impõe. (INDE, 2003).

Sendo assim podemos concluir que a educação tem um “princípio de transferências


culturais,” para que as pessoas se adaptem à capacidade de desenvolver suas
potencialidades, e como resultado evolução da sociedade

Ensino

É uma acção sistemática e organizada pela qual o professor, por meio de métodos
adequados, orienta a aprendizagem dos alunos. Assim, a didática não pode tratar do
ensino sem considerar simultaneamente a aprendizagem, na verdade o ensino visa a
aprendizagem.

Ensinar é a atividade que tem por finalidade que o outro obtenha o conhecimento. Para
que se tenha um ensino de forma que realmente agregue valor é preciso que o estimado
professor como sendo mediador do ensino-aprendizagem utilize de métodos e técnicas
adequadas que tenham base não apenas no contexto geral como o local.

Aprendizagem
Num primeiro momento, poderíamos descrever a aprendizagem como sendo “um
processo de aquisição e assimilação, mais ou menos consciente, de novos padrões e
formas de perceber, ser, pensar e agir.” (SCHMITZ, 1982, p. 53).

Mas a aprendizagem não é apenas um processo de aquisição de conhecimentos, conteúdos


ou informações. Estes devem passar por um processo complexo que vise transformar as
informações recebidas, dando-lhes um caráter significativo para a vida das pessoas.

É importante observar, com relação aos tipos de aprendizagem, que não se aprende uma
só coisa de cada vez, mas várias.

Segundo Claudino Piletti (2010, p.32), os tipos de aprendizagem são:

- Aprendizagem Motora - consiste na aprendizagem de habilidades motoras, verbais e


gráficas;

- Aprendizagem Cognitiva - abrange a aquisição de informações e conhecimentos;

- Aprendizagem afetiva ou emocional- diz respeito aos sentimentos e emoções, sinais


internos ao indivíduo, experiências como prazer, dor, satisfação ou descontentamento,
alegria ou ansiedade.

No processo de ensino-aprendizagem o aluno é, ao mesmo tempo, objecto, sujeito e


construtor do processo, enquanto o professor é o estimulador, orientador e facilitador, ou
seja, é ele quem deve criar as condições para que o aluno adquira conhecimento e
compreensão dos fatos.

Importância de Educação Visual e Ofícios

Estas duas disciplinas têm um papel fundamental no desenvolvimento intelectual da


criança e na aquisição de competências, assentam-se nos quatro pilares do conhecimento
que são: Aprender a conhecer, Aprender a fazer, Aprender a viver juntos e Aprender a
ser. Equipando o aluno de conhecimentos, habilidades e atitudes no desenvolvimento das
suas bases psicológicas e intelectuais para trabalhos manuais e no uso da imagem como
um meio de comunicação visual.

Características gerais da aula de Educação Visual e Ofícios

Os princípios básicos do ensino

Prezado professor os princípios básicos do ensino são aspectos gerais do processo de


ensino que expressam os fundamentos teóricos de orientação do trabalho docente. Os
princípios do ensino levam em conta à natureza da prática educativa escolar numa
determinada sociedade, as características do processo de conhecimento, as peculiaridades
metodológicas das matérias e suas manifestações concretas na prática docente, as relações
entre o ensino e o desenvolvimento dos alunos, as peculiaridades psicológicas de
aprendizagem e desenvolvimento conforme idades. As exigências práticas da sala de aula
requerem algumas indicações que orientam a atividade consciente dos professores no
rumo dos objetivos gerais e específicos do ensino.

Ter carácter científico sistemático

Os conteúdos de ensino devem estar em correspondência com os conhecimentos


científicos actuais e com os métodos de investigação próprios de cada matéria.

Recomenda ao professor:

- Buscar explicação científica de cada conteúdo da matéria;


- Orientar o estudo independente dos alunos na utilização dos métodos científicos da
matéria;
- Certificar da consolidação da matéria anterior por parte dos alunos, antes de introduzir
a matéria nova;
- Assegurar no plano de na aula a sequência entre os conceitos e as habilidades;
- Assegurar a unidade entre os resultados de aprendizagem-conteúdos-métodos;
- Organizar as aulas de modo que sejam evidenciadas as inter-relações entre os
conhecimentos da matéria de outras disciplinas;
- Aproveitar, em todos os momentos, as possibilidades educativas da matéria no sentido
de formar atitudes e convicções.

Ser compreensível e possível de ser assimilado

- O grau de dificuldades no processo de ensino, deve ter em conta a superação do que


o aluno já sabe e os resultados a serem alcançados;
- Diagnóstico periódico do nível de conhecimentos e desenvolvimentos dos alunos;
- Análise sistemática da correspondência entre o volume de conhecimentos e as
condições concretas do grupo de alunos;
- Aprimoramento e atualização, por parte do professor, nos conteúdos da matéria que
leciona como condição de torná-los compreensíveis e assimiláveis pelos alunos.

Assegurar a relação conhecimento-prática


- Estabelecer, sistematicamente, vínculos entre os conteúdos escolares, as
experiências e os problemas da vida prática;
- Exigir dos alunos que fundamentem, com o conhecimento sistematizado, aquilo que
realizam na prática;
- Mostrar como os conhecimentos de hoje são resultado da experiência das gerações
anteriores em atender necessidades práticas da humanidade e como servem para criar
novos conhecimentos para novos problemas.

Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem

- Esclarecer aos alunos sobre o objetivo da aula e sobre a importância de novos


conhecimentos para a sequência dos estudos, ou para atender necessidades futuras;
- Destacar a diferença entre ideias e experiências que os alunos possuem (sobre um
fato ou objeto de estudo) e o conhecimento científico sobre esse fato ou objeto de
estudo;
- Criar condições didácticas nas quais os alunos possam compreender e assimilação
conceitos e habilidades (explicar como resolver um problema, tirar conclusões sobre
dados da realidade, fundamentar uma opinião seguir regras para desempenhar uma
tarefa);
- Estimular os alunos a expor e defender pontos de vistas, conclusões sobre uma
observação ou experimento e a confrontá-los com outras opiniões;
- Formular perguntas ou propor tarefas que requeiram a exercitação do pensamento e
solução criativa;
- Criar situações didáticas (discussões, exercícios, provas, conversação dirigida etc.)
em que os alunos possam aplicar conteúdos a situações novas ou a problemas do meio
social;
- Desenvolver formas didáticas variadas de aplicação do método de solução de
problemas.

Garantir a solidez dos conhecimentos

- Este princípio se apoia na afirmação de que o desenvolvimento das capacidades


mentais e modos de ação é o principal objetivo do processo de ensino de que é
alcançado no próprio processo de assimilação de conhecimentos, habilidades e
hábitos;
- Esse princípio exige do professor frequente recapitulação da matéria, exercícios de
fixação, tarefas individualizadas a alunos que apresentem dificuldades e
sistematização dos conceitos básicos da matéria.

Vincular trabalho coletivo com particularidade individuais dos alunos

O trabalho docente deve ser organizado e orientado para educar a todos os alunos da
classe. Como professor deve empenhar-se para que os alunos aprendam a comporta-se
tendo em vista o interesse de todos, ao mesmo tempo em que presta atenção às diferenças
individuais e as peculiaridades de aproveitamento escolar.

Para isso, podem ser adotadas as seguintes medidas:

- Explicar com clareza os objetivos da atividade docente, as expectativas em relação


aos resultados esperados e as tarefas em que os alunos estarão envolvidos;
- Desenvolver um ritmo de trabalho de acordo com o nível de exigências que se pode
fazer para o grupo de alunos;
- Prevenir a influência de particularidades desfavoráveis ao trabalho escolar (colocar
nas primeiras carteiras os alunos com problemas de visão ou audição dirigir-se com
mais frequência a alunos distraídos, dar mais detalhes de uma tarefa a alunos mais
lentos);
- Considerar que a capacidade de assimilação da matéria, a motivação para o estudo
e os critérios de valorização das coisas não são iguais para todos os alunos: tais
particularidades requerem uma atenção especial do professor a fim de colocar alunos
isolados em condições de participar no coletivo.

Dada a natureza prática desta disciplina, as suas Unidades Temáticas são basicamente
técnicas, cujos passos do seu desenvolvimento são, nomeadamente:

- Recorrer a metodologias activas e participativas durante o processo de ensino-


aprendizagem;
- Mostrar resultados da aplicação da técnica, como forma de motivar e inspirar os
alunos;
- Produzir material didáctico para facilitar o processo de ensino-aprendizagem;
- Orientar aos alunos a prepararem as ferramentas/instrumentos para o
desenvolvimento das técnicas de trabalho com diversos materiais;
- Organizar o material, natural, artificial ou artesanal necessário para aula;
- Explicar os passos da execução das técnicas;
- Acompanhar os alunos na execução das técnicas;
- Fazer a auto-avaliação tendo em conta a assimilação dos conteúdos;
- Identificar os aspectos a melhorar no processo de ensino-aprendizagem;
- Fazer a análise reflexiva das aulas junto com outros colegas;
- Orientar análises, em grupos, dos trabalhos individuais;
- Realizar visitas de estudo;
- Organizar exposições dos trabalhos.

Planificação didáctica

Processo de previsão, racionalização, organização e coordenação das acções e


procedimentos que o professor vai realizar junto a seus alunos com vista a alcançar um
determinado resultado ou seja aprendizagem dos alunos.

Importância da planificação didáctica

Na introdução desta lição destacamos a importância de uma boa preparação para obter
bons resultados através de um provérbio popular. Nesse sentido para obter bons
resultados no processo de ensino-aprendizagem destaca-se um aspecto fundamental que
faz parte da preparação que é a planificação.

Importância da planificação para o aluno

- Saberá o que está a fazer, porquê e para quê;


- Adquirirá hábitos de organização (apercebe-se da organização do trabalho do professor);
- Intervirá activamente na realização do trabalho, reflectirá, discutirá, proporá soluções, e
formulará com o professor o trabalho programado;
- Terá consciência do seu próprio progresso;
- Auto avaliar-se-á comparando o que realiza e o que estava programado realizar.

Importância da planificação para o professor

- Serve de guia orientador do trabalho do professor em função do papel formativo da


disciplina.
- Garante melhor motivação dos alunos;
- Permite conduzir cientificamente a aula;
- Ajuda a obter bons resultados;
- Elimina a improvisação;
- Ajuda a escolher as estratégias;
- Economiza tempo;
- Permite manter uma sequência lógica na aula;
- Facilita o domínio do conteúdo.

Tipos de planificação

Ao iniciar um ano lectivo, é importante que tenha uma perspectiva abrangente sobre o
processo ensino-aprendizagem a desenvolver ao longo do ano, no que diz respeito à sua
disciplina e de outras consideradas partes integrantes da acção educativa.

Para isso, antes do início das aulas a primeira preocupação do professor deve consistir
em delimitar globalmente a acção a ser empreendida ao longo do trimestre, isto é, elaborar
a planificação a longo prazo.

Antes do início do ano lectivo e durante o seu desenrolar, é necessário elaborar planos a
médio prazo correspondentes a cada unidade de aprendizagem considerada no plano a
longo prazo. Por exemplo, os planos mensais e quinzenais.

Durante o ano lectivo é necessário elaborar planos a curto prazo de pequena amplitude
correspondentes às acções diárias – plano de aula, que vão concretizar os diferentes
conteúdos dos planos a médio prazo.

Elementos do plano de aula

Para entender a planificação didáctica é necessário que façamos algumas questões.

- Para que fim este trabalho será realizado esta actividade? [Objectivos] - definir
objetivos educacionais adequados aos alunos;
- Que assuntos se pretendem aprender/estudar em ofícios e educação visual?
[conteúdos] - selecionar e estruturar conteúdos a serem assimilados;
- Para quem estamos a organizar/planificar o trabalho/actividade da disciplina de
ofícios e educação visual? [sujeito da aprendizagem = aluno] - analisar as
características (aspirações, necessidades e possibilidades) dos alunos;
- Como é que esta actividade será realizada de quanto necessita? [métodos] - prever
e organizar os procedimentos do professor e escolher recursos didáticos adequados
para estimular a participação dos alunos;
- Em que medida foi/será conseguida esta actividade [meios de avaliação] - prever
procedimentos de avaliação e refletir sobre recursos disponíveis conducentes às metas
propostas.

Para planificar uma aula é necessário seguir algumas etapas que são:

1ª Etapa

1- Estudo prévio do programa, do livro de texto (se existir) e das bibliografias afins;
2- Análise das sugestões metodológicas correspondentes as unidades.

2ª Etapa

1- Determinação dos objectivos da aula;


2- Organização do conteúdo;
3- Preparação metodológica: métodos e meios de ensino;
4- Formas de avaliação;
5- Distribuição do tempo.

3a Etapa

1- A quantidade de alunos;
2- As condições físicas da instituição;
3- Os recursos disponíveis;
4- As possíveis estratégias de inovação;
6- As expectativas dos alunos;
7- O nível intelectual;
8- A realidade sociocultural do aluno.

Objectivos

Devem ser definidos de acordo com o que o aluno deve ser capaz de saber, fazer, sentir
etc., no final da aula. Alguns professores escrevem objetivos sobre o que eles farão na
aula, mas isso é errado, o objetivo é de levar o aluno a aprendizagem ou seja o objectivo
é do aluno. Nem toda aula incluirá os aspectos do saber, sentir e fazer (objetivos
cognitivos, afetivos ou ativos) o professor deve sempre verificar o impacto da aula nessas
três categorias gerais. Os objetivos devem ser mensuráveis, alcançáveis, específicos,
práticos e breves.
A classificação proposta por Bloom dividiu as possibilidades de aprendizagem em três
grandes domínios:

a) O cognitivo: abarca a aprendizagem intelectual;


b) O afectivo: circunscreve os aspectos de sensibilização e valores;
c) O psicomotor: abrange as habilidades de execução de tarefas que envolvem o
organismo muscular.

Na hierarquia de Bloom, o domínio cognitivo é dividido em cinco níveis:

Niveis de Bloom

Trata-se de níveis a serem alcançados de acordo com a aprendizagem. Cada nível


apresenta suas características fundamentais:

1. Conhecimento – é atingido quando o aluno passa a ter conhecimento de


determinado assunto. Neste nível, o máximo que o professor deve cobrar em
termos de avaliação é que o aluno responda as questões com as palavras do autor
ou do professor.
2. Compreensão - é atingida quando o professor trabalha por tempo suficiente para
proporcionar entendimento real sobre o assunto. Como professor pode solicitar
aos alunos que respondam aos questionamentos com suas próprias palavras.
3. Aplicação – se caracteriza pela apresentação de uma situação problema e a
requisição aos alunos que apliquem sua compreensão sobre o assunto para dar
solução ao problema.
4. Análise – é atingida quando os alunos são preparados suficientemente para
desdobrar o assunto em partes e, de modo a proporcionar o entendimento
detalhado.
5. Síntese – é atingida quando o aluno está apto a sintetizar o conhecimento de modo
a, após o entendimento de cada uma das partes que compõe o assunto, adquirirem
entendimento do todo.
6. Avaliação – é o último nível, a ser atingido quando o aluno, após passar por todos
os demais, estiver apto a avaliar a importância do assunto para sua vida e para a
sociedade.

Os conteúdos

São entendidos como um conjunto de assuntos que compõem determinada matéria ou a


relação de temas a serem estudados em uma disciplina.
Libâneo (1994, p.127) quando fala de conteúdos engloba conceitos, ideias, fatos,
processos, princípios, leis científicas, regras, habilidades cognitivas, modos de actividade,
métodos de compreensão e aplicação, hábitos de estudo, de trabalho e de convivência
social, valores, convicções e atitudes.

Os conteúdos devem ser significativos, isto é, interessantes, expressivos, incluir


elementos da vida dos alunos para serem assimilados de forma ativa e consciente. O
domínio de conhecimentos, habilidades e procedimentos, visa o desenvolvimento das
funções intelectuais como o pensamento independente e criativo do aluno.

Segundo Libâneo (1994), o conteúdo é composto por quatro elementos: conhecimentos


sistematizados, habilidades, atitudes e convicções.

Nogueira (2001) apresenta algumas questões que ajudam o professor a selecionar


conteúdos tornando-os exequíveis, significativos, contextualizados:

- Para que é importante esse tópico?


- Qual é a relação dessa unidade com as anteriores e com as próximas?
- Como contextualizar esse conteúdo no cotidiano de meu aluno?
- Que procedimentos posso usar para trabalhar com esta unidade?
- O que aconteceria para o aluno se eu não ministrasse essa unidade?
- O que pretendo atingir trabalhando esse conteúdo?
- Que habilidades e atitudes se pretende adquirir ao trabalhar com este conteúdo?
- Que valores podem ajudá-los a desenvolver esse conteúdo?

Uma reflexão sobre essas perguntas leva o professor a repensar a forma como tem
selecionado os conteúdos e a importância deles para o aluno, para sua formação como
cidadão e futuro profissional.

Os conteúdos das aulas devem abordar assuntos:

- Actuais e actualizados;
- Que se relacionem com a vida e a realidade do aluno além da escola;
- Que integrem conhecimentos de várias áreas, rompendo a fragmentação do saber;
- Que gerem novos desafios;
- Que possibilitem diferentes análises e interpretações;

Método de Ensino
O termo método origina-se no grego das palavras (meta = meta) e (hodos = caminho),
resultando no latim na palavra methodus.

Método é a “organização racional e bem calculada dos recursos disponíveis e dos


procedimentos mais adequados para se atingir determinado objectivo da maneira mais
segura possível” (MATTOS, 1963, p.117).

Método é ordenamento sistematizado das acções a serem desenvolvidas num


planeamento de uma disciplina. É o caminho utilizado pelo professor para colocar o aluno
em contacto com o conteúdo da sua disciplina. Esses caminhos referem-se a selecção das
actividades ou experiências de aprendizagem planejadas para o aluno e os modos
particulares de organização das situações de ensino. Trata-se de um conjunto de
estratégias e procedimentos de ensino sistematizados pelo professor, para apresentar o
conteúdo da sua disciplina ao aluno.

Técnicas de ensino
A origem da palavra técnica por intermédio do grego, está na palavra técnico, e por via
do latim, na palavra technicus, que quer dizer como fazer algo.

Técnicas são maneiras racionais de conduzir uma ou mais fases da aprendizagem


(MATTOS, l967, p.124). As técnicas de ensino representam as maneiras particulares de
organizar as condições externas à aprendizagem, com a finalidade de provocar as
modificações comportamentais desejáveis no educando (TURRA, 1984, p.134).

Método de exposição pelo professor

Nesse método, a atividade dos alunos é receptiva, embora, não necessariamente passiva,
cabendo ao professor a apresentação dos conhecimentos e habilidades, que podem ser
expostos das seguintes formas ou técnicas:

1. Perguntas e respostas - enriquecem a aula expositiva. O professor dirige


perguntas aos alunos sobre o que estudaram ou sobre a sua experiência. O objetivo
não é julgar ou atribuir notas, mas estimular a participação. Os alunos também
podem perguntar e o professor responder, com uma variação na qual quem não
sabe interroga quem sabe. Torna a aula expositiva menos individualizada.
2. Exposição verbal - como não há relação direta do aluno com o material de estudo,
o caro professor explica o assunto de modo sistematizado, estimulando nos alunos
motivação para o assunto em questão.
3. Demonstração – o professor utiliza instrumentos que possam representar
fenómenos e processos, que podem ser, por exemplo: visitas técnicas, projeção de
slides.
4. Ilustrações - são utilizadas pelo professor, tal como na demonstração, a
apresentação de gráficos, sequências históricas, mapas, gravuras, de forma que os
alunos desenvolvam sua capacidade de concentração e de observação.
5. Exemplificação - nesse processo, o professor faz uma leitura em voz alta, quando
escreve ou fala uma palavra, para que o aluno observe e depois repita. A finalidade
é ensinar ao aluno o modo correto de realizar uma tarefa.

Método de trabalho independente

Esse método consiste na aplicação de tarefas para serem resolvidas de forma


independente pelos alunos, porém dirigidas e orientadas pelo professor. É importante para
atividade mental dos alunos e o desenvolvimento de habilidades de saber fazer e para que
isso ocorra de forma adequada é necessário que:

As tarefas sejam claras, compreensíveis e à altura dos conhecimentos e da capacidade de


raciocínio dos alunos, tendo o professor que assegurar condições para que o trabalho seja
realizado e acompanhar de perto a sua realização.

Pode ser proposto em qualquer momento da aula, para ser realizado na classe ou em casa,
como tarefa preparatória, de assimilação ou de elaboração pessoal a respeito de um
determinado conteúdo.

Método de elaboração conjunta

A forma mais típica desse método é a conversação didática, onde o professor através dos
conhecimentos e experiências que possui, leva os alunos a se aproximar gradativamente
da organização lógica dos conhecimentos e a dominar métodos de elaboração das ideias
independentes.

A forma mais usual de aplicação da conversação didática é a pergunta, tanto do professor


quanto dos alunos. Para que o método tenha validade e aplicabilidade é necessário que a
preparação da pergunta seja feita com bastante cuidado, para que seja compreendida pelo
aluno. Por isso, esse método é reconhecido como um excelente procedimento para
promover a assimilação ativa dos conteúdos, suscitando a atividade mental, através da
obtenção de respostas pensadas sobre a causa de determinados fenómenos, avaliação
crítica de uma situação, busca de novos caminhos para soluções de problemas.
Método de trabalho em grupo

É um processo racional pelo qual os alunos se ajudam mutuamente, no processo de


ensino-aprendizagem, trabalhando como parceiros entre si sobre a orientação do
professor, visando adquirir conhecimento, desenvolver e consolidar habilidades e
conteúdos sobre um dado conteúdo.

Esse método consiste, basicamente, em distribuir temas de estudo iguais ou diferentes a


grupos fixos ou variáveis, compostos de três a cinco alunos, e que para serem bem-
sucedidos é fundamental que haja uma ligação orgânica entre a fase de preparação, a
organização dos conteúdos (planeamento) e a comunicação dos seus resultados para a
turma. Oferece ao aluno a oportunidade de trocar ideias e opiniões, desenvolvendo a
prática da convivência social. A formação dos grupos pode ser espontânea ou dirigida. O
método visa completar e enriquecer conhecimentos, enriquecer experiências, atender a
diferenças individuais, treinar a capacidade de liderança e aceitação, e desenvolver o
senso crítico, a criatividade e o espírito de cooperação.

Entre as várias técnicas de organização de grupos, destacamos as seguintes:

1. Debate - consiste em indicar alguns alunos para discutir um tema polêmico


perante a turma.
2. Philips 66 - para se conhecer de forma rápida o nível de conhecimento de uma
classe sobre um determinado tema, o professor organiza seis grupos de seis alunos
que discutirão a questão em poucos minutos (seis minutos) para apresentarem suas
conclusões. Pode ser organizado também em cinco grupos de cinco alunos, ou
ainda em dupla de alunos.
3. Tempestade Mental – essa técnica é utilizada quando os alunos dizem o que lhes
vem à cabeça sobre um determinado tema, sem preocupação com censura. As
ideias são anotadas no quadro-negro e finalmente só é selecionado o que for
relevante para o prosseguimento da aula.

Novos ou activos – dão grande destaque à vida social do aluno como fator fundamental
para o seu desenvolvimento intelectual e moral e envolvem os seguintes métodos e
técnicas:

Método de Montessori

Centrado no aluno, baseia-se nos princípios da liberdade, atividade, vitalidade e


individualidade, que se resumem na autoeducação. Em um ambiente apropriado, as
necessidades interiores dos alunos de cada grau de desenvolvimento o impulsionam a
aprender. O professor deve ser substituído pelo material didático, que corrige a si mesmo
e permite que o aluno eduque a si mesmo, o que deve ser recompensado com um
“parabéns” ou “ muito bem”.

Método de Solução ou Resolução de problemas

Considera-se que ensinar é apresentar problemas e aprender, resolvê-los. Consiste em


apresentar ao aluno problemas que estimulem o pensamento reflexivo na busca de uma
solução satisfatória, uma vez que o hábito resolve situações rotineiras, já o pensamento
reflexivo, as situações novas.

Método de projectos

Tem em vista a transformação das atitudes dos alunos, convertendo-os em indivíduos que
concebem, preparam e executam o próprio trabalho. A tarefa do professor é dirigi-los,
sugerir-lhes ideias úteis e auxiliá-los quando necessário. Assemelha-se ao método de
solução de problemas, mas é mais amplo, pois aquele possui um caráter intelectual e este
envolve atividades manuais, estéticas, sociais e intelectuais. Todo projeto é um problema,
mas nem todo problema é um projeto. Por exemplo: o professor pode propor produção de
um herbário para auxiliar as aulas de ciências naturais.

Actividades Especiais

São aquelas que complementam os métodos de ensino e que concorrem para a assimilação
ativa dos conteúdos. Podemos citar como exemplo:

Estudo do meio

É a interação do aluno com sua família, com seu trabalho, com sua cidade, região, país,
através de visitas de estudo a locais determinados (órgãos públicos, museus, fábricas,
fazendas, etc.). Todavia, o estudo não se restringe apenas a visitas, passeios, excursões,
mas, principalmente, à compreensão dos problemas concretos do cotidiano, pois não é
uma atividade meramente física e sim mental, para que, através dos conhecimentos e
habilidades já adquiridos, o aluno volte à escola modificada e enriquecida, através de
novos conhecimentos e experiências.

Para tal o estimado professor deve fazer:

1. Planeamento - O professor deve visitar o local antes e colher todas as informações


necessárias para, depois, em sala de aula, junto com os alunos, planejar as questões
a serem levantadas, os aspectos a serem observados e as perguntas a serem feitas
ao pessoal do local a ser visitado.
2. Execução - Com base nos objetivos do estudo e o tipo de atividade planejado e
com a orientação do professor, os alunos vão tomando notas, conversando com as
pessoas, perguntando sobre suas atividades, de modo que os objetivos planejados
sejam atingidos adequadamente.
3. Exploração dos resultados e avaliação - através da preparação de um relatório
sobre as visitas, os alunos registram os acontecimentos, o que foi visto, o que
aprenderam e que conclusões tiraram. Os resultados serão utilizados para a
elaboração de provas, e avaliar se os objetivos foram alcançados.

Como decidir que método ou técnica a utilizar?

A resposta depende dos seguintes factores:

• Dos objectivos educacionais;


• Da experiência didática do professor;
• Do tipo de aluno;
• Das condições físicas da sala de aula;
• Do tempo disponível;
• Da estrutura do assunto e tipo de aprendizagem a ser desenvolvido.

O professor deve falar bem, contar histórias interessantes, ter ânimo para sentir o estado
da classe, se adaptar às circunstâncias, saber usar metáforas, o humor, usar as tecnologias
adequadamente, trazer novidades, variar seus métodos e técnicas de organizar o processo
de ensino-aprendizagem.

1. Perguntas ao invés de respostas: Estimular os questionamentos. Não dar


respostas prontas.
2. Diversidade de materiais: abandono do manual único.
3. Aprendizagem pelo erro: é normal errar; aprende-se corrigindo os erros.
4. Consciência semântica: o significado está nas pessoas, não nas palavras.
5. Incerteza do conhecimento: Falível, incerto e evolui.

A aplicação das técnicas de ensino exige que o professor:

a) Conheça bem a técnica a ser aplicada;


b) Defina a técnica;
c) Apresente os resultados esperados;
d) Enumere as etapas da aplicação da técnica;
e) Estabeleça os papéis dos participantes dos grupos; e
f) Apresente, exponha e distribua o material que será utilizado.

Funções Didácticas

Segundo Piletti (2004) "as funções didácticas são orientações para o professor dirigir o
processo completo de aprendizagem e de aquisição de diferentes qualidades" (p. 110).

Para Libâneo (1994) "funções didácticas são momentos ou passos do PEA no decorrer de
uma aula ou unidade didáctica" (p. 175).

As principais funções didácticas são: Introdução e Motivação, Mediação e Assimilação,


Domínio e Consolidação e Controle e Avaliação.

1. Introdução e Motivação: Segundo Libâneo (2008) esse momento busca criar


condições para o estudo, tais como, mobilização da atenção, organização do
ambiente, motivação e ligação do novo conteúdo em relação ao anterior. A
motivação inicial também inclui perguntas para “averiguar se os conhecimentos
anteriores estão efetivamente disponíveis e prontos para o conhecimento novo”
(p. 182).

A Introdução e Motivação decorrem no princípio da aula. Tem em vista preparar o aluno


para o início da aula e sua fase seguinte. Esta preparação tem 3 objectivos fundamentais:

a) Criar disposição e ambiente favoráveis aos alunos, que possam assegurar o bom
decurso da aprendizagem;

b) Consolidar o nível inicial e orientar o aluno para novo conteúdo;

c) Motivar permanentemente com o fim de manter o interesse e a atenção dos alunos


através de avaliação de estímulos.

Como Motivar?

- Partindo de situações concretas, de histórias, vídeos, jogos, pesquisa, práticas e


incorporando informações, reflexões, teoria a partir do concreto.

- Exigir que os alunos façam, mesmo que errado.


- Aprender exige envolver- se, pesquisar, ir atrás, produzir novas sínteses fruto de
descobertas.

2. Mediação e assimilação: caminho que leva o aluno do não saber, ao saber. É o


momento de percepção dos objectos e fenômenos ligados ao tema de estudo, a
formação de conceitos, o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas de
observação, imaginação e de raciocínio dos estudantes. Na mediação,
predominam as formas de estruturação e organização lógica e didáctica dos
conteúdos. Na assimilação, interessam os processos da cognição mediante a
interiorização de conhecimentos, saberes, habilidades, hábitos, capacidades,
destrezas, competências e valores.
3. Domínio e consolidação: de acordo com Piletti (2004), é o momento da aula em
que se realizam acções com a finalidade de sistematizar, reflectir e aplicar (p.
111). Para isso deve criar condições de retenção e compreensão das matérias
através de exercícios e actividades práticas para solidificar a compreensão. Esta
etapa deve ser caracterizada por repetição, sistematização e aplicação.
4. Controle e Avaliação: verificação das actividades do professor e do aluno em
função dos objectivos definidos" (p. 186).

A avaliação é uma actividade contínua de pesquisa que visa verificar até que ponto os
objectivos definidos no programa estão sendo alcançados, permite identificar os alunos
que necessitam de uma atenção especial e reformular o trabalho com a adoção de
procedimentos para ajustar as deficiências

De acordo com Piletti (2004) "em cada função didáctica deve ser proposto o tempo da
sua duração, conteúdo, método dominante, conjuntos de meios e formas de ensino a
utilizar inclusive as actividades concretas dos alunos" (p.111).

Meios de Ensino

Componentes do ambiente que estimulam a aprendizagem do aluno (Piletti, C. 2010 apud


Gagné, R., 1971).

Ao selecionar os meio de ensino ou material didáctico temos que ter em conta alguns
critérios como:

- As competências a serem alcançadas;

- Conhecer o material didáctico;


- A natureza dos conteúdos a serem ensinados;

- O tempo disponível;

- O momento será utilizado;

- Como será utilizado durante a aula.

Importância do Material didáctico

Os meios de ensino para além de facilitarem a aula eles tem uma extrema importância
para :

- Motivar e despertar o interesse dos alunos;


- Desenvolver a capacidade de observação nos alunos;
- Aproximar o aluno da realidade;
- Visualizar conteúdos da aprendizagem;
- Facilitar a fixação da aprendizagem;
- Ilustrar noções abstratas;
- Desenvolver a experimentação concreta.

Avaliação

Segundo Piletti, (2010) a avaliação é: “um processo contínuo de pesquisas que visa
interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças
esperadas no comportamento, propostas nos objetivos, a fim de que haja condições de
decidir sobre alternativas de melhoria do trabalho do professor.”

Objectivos da avaliação

a) Determinar o grau de aquisição e desenvolvimento de competências;


b) Comprovar a adequação, eficiência e eficácia dos métodos e meios de ensino-
aprendizagem utilizados pelos professores bem como da relevância do Currículo
e dos programas de formação;
c) Contribuir para avaliação do desempenho do professor;
d) Contribuir para a elevação da qualidade de formação.

Tipos de Avaliação
De acordo com os estudos de Bloom (1993) a avaliação do processo ensino-
aprendizagem, apresenta três tipos de funções: diagnóstica (analítica), formativa
(controladora) e sumativa (classificatória).
Avaliação Diagnóstica – é aquela que tem como objectivo verificar os pré-requisitos dos
alunos, o conhecimento prévio, habilidades e atitudes tendo em conta as suas
particularidades no início de uma unidade, aula, trimestre ou ano lectivo como preparação
para novas aprendizagens.

Avaliação formativa - “Caracteriza-se por um processo interpretação-intervenção sobre


o desenvolvimento do ensino-aprendizagem com a finalidade de garanti-lo, aprimorá-lo,
direcioná-lo, enfim, de dar condições efetivas para que o ensino e a aprendizagem
ocorram com sucesso tanto para o professor bem como para o aluno” (SILVA,
HOFFMANN, ESTEBAN, 2003, p. 39).

“A formativa auxilia o aluno a aprender e a se desenvolver, ou seja, que colabora para a


regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de um projeto educativo”
(PERRENOUD apud HADJI, 2001, p. 20).

Avaliação sumativa, realizada ao final de um curso, ano lectivo, semestre ou trimestre e


consiste em classificar os alunos de acordo com os níveis de aproveitamento. Geralmente
tem em vista a promoção do aluno de uma classe para outra (HAYDT, 1988, p. 18).

Na autoavaliação, o aluno participa de maneira mais ampla e ativa no processo de


aprendizagem, uma vez que tem a oportunidade de analisar seu progresso nos estudos,
suas atitudes e comportamento diante do professor e colegas. A autoavaliação é a melhor
forma de conduzir ao aperfeiçoamento (HAYDT, 1988, p. 147-148).

Perrenoud (1999, p. 11) afirma que “não se trata mais de multiplicar os feedbacks
externos, mas de formar o aluno para a regulação de seus próprios processos de
pensamento e aprendizagem”. A avaliação deve ser, sempre que possível, acompanhada
e complementada pela autoavaliação. Se pretendemos que nossos alunos sejam ativos no
processo de aprendizagem, eles devem tornar-se ativos também no processo de avaliação
(HAYDT, 1988, p. 156).

Etapas da avaliação
Durante o PEA podemos encontrar as seguintes etapas:

Planificação: estabelecimento dos objectivos a serem atingidos pelos alunos, ao final do


processo, e na escolha das actividades que poderão levar os alunos a atingir esses
objectivos. Duas perguntas devem ser respondidas pela planificação:
 O que devem saber fazer os alunos no final do processo?
 Que actividades podem levá-los a aprender?

De seguida Determina-se o que vai ser avaliado.

Realização: após a planificação segue-se a fase da execução das actividades, tendo em


conta os conhecimentos, habilidades e atitudes de devem ser adquiridas, na qua o
professor exerce a função de orientador e estimulador da aprendizagem.

Verificação: momento de análise da diferença entre a planificação e a execução das


actividades recorrendo a vários instrumentos de avaliação. É nesta etapa que o professor
verifica se o aluno aprendeu ou não, caso tenha aprendido, passa para o ponto seguinte.
Caso não tenha aprendido, volta-se ao mesmo ponto, lançando actividades diferentes,
próprias para a aprendizagem, é esta etapa que o professor:

 Estabelece os critérios e as condições para a avaliação;


 Seleciona as técnicas e instrumentos de avaliação;
 Afere os resultados em função dos conteúdos planificados e mediados com os
alunos.
É importante que discuta com os alunos sobre as metas a atingir e de seguida orientar e
acompanhar o seu trabalho, possibilitando que tomem iniciativas, e realizem
espontaneamente as actividades propostas.

Instrumentos de avaliação
Para a avaliação possa desempenhar as funções que é necessário o uso combinado de
várias técnicas e instrumentos. Não medimos a aprendizagem e sim alguns
comportamentos que nos permitem aferir se houve ou não aprendizagem. "A avaliação
envolve a obtenção de evidências sobre mudanças de comportamento nos alunos face aos
conteúdos mediados".

Tipos de testes

A verificação e a quantificação (avaliação) dos resultados de aprendizagem no início,


durante e no final das unidades visam a sempre diagnosticar e superar dificuldades,
corrigir falhas e estimular os alunos para que continuem se dedicando aos estudos. Sendo
uma das funções da avaliação determinar o quanto e em que nível de qualidade estão
sendo atingidos os resultados. Durante o desenvolvimento da aula acompanha-se o
rendimento dos alunos por meio de exercícios, estudos dirigidos, trabalhos em grupo,
observação do comportamento, conversas, recordação da matéria e são aplicadas provas
ou testes de aproveitamento.

Provas orais ou discursivas

Realizam-se na base do diálogo entre professor e o aluno, obedecendo os seguintes


critérios:

 Criar condições favoráveis para que os alunos se sintam à vontade.


 Criar uma conversa amigável com o aluno para que ele se sinta à vontade.
 Feita a pergunta, deve-se dar tempo para que esta seja objecto de reflexão.

 O professor deve fazer perguntas claras precisas, directas e formuladas de maneira


pensada.

Provas escritas

Estas provas podem ser usadas em qualquer aula no início da aula seguinte para o
professor certificar-se sobre o que o aluno aprendeu e então, saber que rumo dar aos
trabalhos da nova aula. Se é para repetir, rectificar ou prosseguir, dependendo da situação
vivida no momento quando ao saber, saber fazer e saber ser, estar nos alunos; por
conseguinte, as provas escritas frequentemente utilizadas são: ACS, ACP, ACF e Exame
Final, dependendo ainda delas a atribuição de notas ou classificação, quais vão determinar
a aprovação e reprovação do aluno.

Provas Objectivas

São instrumentos de avaliação que permitem um julgamento rápido admitindo uma única
resposta correcta.

As provas objectivas mais conhecidas são: falso-verdadeiro, múltipla escolha,


complemento ou lacuna, e acasalamento.

Provas práticas

Neste tipo de prova o aluno e posto diante duma situação problemática que deve ser
resolvido por uma realização material, um conhecimento de elementos visuais. Este tipo
de provas é característico da disciplina de Educação Visual e Ofícios.

Procedimentos para que a avaliação proceda de forma satisfatória:

 A Avaliação deve ser constante e continua;

 Verificações periódicas fornecem maior número de amostras;


 As verificações podem ser informais (trabalhos, exercícios, seminários, debates,
dinâmicas etc.)

 É importante que o aluno conheça suas dificuldades para poder afirmar seus
acertos.

Para seleção das técnicas e instrumentos de avaliação é necessário analisar:

- As metas (informações, habilidades, atitudes, aplicação de conhecimentos, etc.);


- Dos meios/seleção e produção de material didáctico,
- Dos conteúdos/complexidade da matéria;
- Tempo disponível/duração;
- Número de alunos na turma;
- O tipo do aluno;
- A idade dos alunos;
- As condições da sala de aula.

ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO GRÁFICO DA CRIANÇA

Conceito Etapas de desenvolvimento gráfico da criança

"Antes eu desenhava como Rafael, mas precisei de toda uma existência para aprender a
desenhar como as crianças" Picasso

“A arte não entra na criança; sai dela” Arno Stern

“A criança mobiliza todo o seu ser quando se entrega espontaneamente a uma actividade
criadora. É um verdadeiro meio de disciplina interior que envolve processos de formas
superiores de vida mental e que traz à criança, no plano geral, equilíbrio e harmonia,
preparando-a ainda para a aprendizagem formal da escola.

Por que desenham as crianças? Desenham para apreender, compreender-se a si mesmas e


as coisas que as rodeiam. Desenham a sua experiência de vida. Desenham os objectos que
conhecem, as pessoas que conhecem, os personagens dos seus desejos e medos. São
representações gráficas que denotam os recursos da sua educação e cultura.” Mahylda
Bessa
Desta forma podemos definir etapas gráficas ou evolutivas da criança como sendo
maneiras de interpretar e descrever as fases ou estádios que a criança atravessa no
desenho.

“Os primeiros estudos sobre a produção gráfica das crianças datam do final do século
XIX e estão fundados nas concepções psicológicas e estéticas de então. É a psicologia
genética que impõe o estudo científico do desenvolvimento mental da criança (Rioux,
1951).

As concepções de arte que permearam os primeiros estudos estavam baseadas numa


produção estética idealista e naturalista de representação da realidade. Sendo a habilidade
técnica, portanto, um factor prioritário.

São os psicólogos que no final do século XIX descobrem a originalidade dos desenhos
infantis, publicam as primeiras notas e observações sobre o assunto.

As concepções relativas à infância modificaram-se progressivamente. A descoberta de


leis próprias da psique infantil, a demonstração da originalidade do seu desenvolvimento,
levaram a admitir a especificidade desse universo. A maneira de encarar o desenho
infantil evolui paralelamente.

Importância do conhecimento das etapas gráficas na planificação


didáctica

“Não é possível programar as actividades da disciplina, para os trabalhos Curriculares da


Turma, sem as sequenciar progressivamente. É natural que o faça olhando para as
características de desenvolvimento do aluno. Sabemos que como professor está
consciente das diferenças de maturidade dos seus alunos, relacionadas com a faixa etária
do grupo, no entanto alguns alunos trabalham melhor que outros que ainda estão a utilizar
formas e técnicas mais simples.

Apesar destas variações é possível estabelecer um padrão se estudarmos um número


suficiente de trabalhos, ainda que o grau de desenvolvimento não esteja necessariamente
ligado à idade ou capacidade intelectual, será difícil para o estimado professor ignorar as
semelhanças de habilidades dos alunos no seu desenvolvimento progressivo de estágio
para estágio.

O importante é respeitar os ritmos de cada aluno e permitir que desenhem livremente,


explorando diversos materiais, suportes e situações.
O estimado professor deve estar preparado para estimular, promover e aceitar a linguagem
gráfica da criança como factor importante para seu desenvolvimento.

Antes de planificar as actividades lectivas devemos ter em conta todos esses aspectos de
modo a orientar actividades específicas tendo em conta os estágios de desenvolvimento
gráfico dos nossos alunos.

Etapas gráficas segundo Viktor de Lowenfeld

Segundo Viktor Lowenfeld a expressão gráfica do desenho acontece em fases conforme


o desenvolvimento em cada idade, onde podemos destacar:

Fase dos Rabiscos: quando a criança faz os primeiros rabiscos de forma desordenada
simplesmente como atividade cinestésica. Após seis meses de rabiscos, os traços são um
pouco mais ordenados e a criança nomeia os rabiscos. Assim como outros estudiosos ele
classifica os rabiscos e/ou garatujas em três estágios. Que são:

1. Garatuja Desordenada (1-2 anos de idade): a criança faz traços simples em


forma de linhas que seguem em todas as direções sem um planeamento prévio ou
controle de suas ações e nem sempre olha para a folha de papel ao desenhar,
ultrapassando o limite do papel e procura várias formas para segurar o lápis.

2. Garatuja Ordenada (a partir de 2 anos de idade): a criança descobre que existe


ligação entre seus movimentos e os traços que faz no papel, passando do traçado
contínuo para o descontínuo. Nesse estágio a criança troca intencionalmente de cor
e começa a fazer formas circulares, mas não faz relação entre o que desenhou e a
realidade.

3. Garatuja Nomeada (3 anos de idade): nessa última etapa da garatuja, a criança


começa a fazer comentários verbais sobre o desenho que fez e passa a dar nome à
garatuja. Nesse estágio é possível observar que a criança passa mais tempo
desenhando e distribui significativamente melhor o traço no papel e os movimentos
circulares e longitudinais convertem-se em formas reconhecíveis. Pouco a pouco a
criança passa a atribuir significado a seus desenhos nominando-os.

Fase Pré-Esquemática: (4-6 anos de idade) surgem as primeiras tentativas de


representação da figura humana. As linhas se fecham e geralmente utilizam o círculo para
representar a cabeça e duas linhas verticais para as pernas. Nessa fase o desenho não
forma um conjunto organizado e por esse motivo a criança desenha o que sabe do objeto
e não o que vê e ainda não há uma relação temática e espacial entre os objetos desenhados.

Fase Esquemática: (7-9 anos de idade) nessa fase a criança chega a um “esquema”, uma
maneira definitiva de retratar um objeto, embora possa ser modificado quando ele precise
retratar algo importante. Os desenhos nessa fase simbolizam de modo descritivo o
conceito de forma definida, isto é, existe uma ordem nas relações espaciais e entre objetos,
seus temas e suas cores. Ao retratar as coisas da terra a criança as desenha na borda
inferior do papel e as coisas relativas ao céu na parte superior da folha.

Fase de Gangue – Amanhecer do Realismo: (10 anos de idade) descobre que a


generalização esquemática já não permite expressar a realidade e por esse motivo surge
o alvorecer de como as coisas podem ser na verdade. Através do desenho a criança coloca
objetos sobrepostos em uma linha do horizonte e não mais na “linha de base” e começa a
comparar o seu trabalho com os dos colegas tornando-se mais crítica.

Fase Pseudo Naturalista: (aos 12 anos de idade) nessa fase a criança mantém o foco no
produto final, se esforçando para criar um desenho que caso um adulto aprecie ele goste.
Nessa fase é comum surgir uma preocupação com o tamanho dos objetos, seu espaço,
dobras e movimentos.

Fase de Decisão: (aos catorze e dezasseis anos de idade) o desenho e consequentemente


a arte nessa fase da vida, é algo a ser feito ou deixado de lado. Os jovens são criticamente
conscientes e devido à imaturidade são facilmente desencorajados.

Vale lembrar que o encanto pelo ato de desenhar se estende por toda a infância e que isso
pode desaparecer gradualmente com a chegada do início da adolescência, pois as crianças
se tornam mais críticas e exigentes consigo mesmas. Estudos comprovam que isso
acontece devido ao fato de algumas crianças apresentarem certa dificuldade em atingir o
realismo visual o que acarreta um quadro de desânimo e consequentemente é gerada
naturalmente uma desistência do ato de desenhar.

Etapas gráficas segundo Georges Henry Luquet

Georges Henry Luquet: filósofo e etnógrafo francês conhecido como o pioneiro no


estudo do desenho infantil, ele partiu da observação dos desenhos que sua filha Simone
fazia para fundamentar suas pesquisas sobre o tema para sua tese de doutorado. Seu
método de estudo partia de uma análise “monográfica” onde ele acompanhava e
registrava todas as ações e verbalizações da filha antes, durante e depois do ato dela
desenhar. Segundo ele toda criança desenha para se divertir e afirma em sua teoria que o
repertório gráfico infantil está condicionado pelo meio onde a criança vive e que a
intenção de desenhar está diretamente ligada a objetos reais e a associação de ideias.
Luquet distingue quatro estágios para o desenho infantil. Sendo eles:

Realismo Fortuito: (inicia por volta dos 2 anos de idade) a criança verifica que os seus
traços produziram acidentalmente uma semelhança não procurada, isto é, é a partir das
tentativas favorecidas pela tendência ao automatismo gráfico imediato que a habilidade
gráfica melhora e a criança adquire êxito em seus desenhos através da grafia total pondo
fim ao período chamado rabisco e passando a nomear os seus desenhos.

Realismo Falhado: (normalmente entre 3 e 4 anos de idade) nessa fase a criança tem a
intenção de desenhar algo com determinado aspecto, mas não consegue devido a dois
obstáculos: o de ordem motora (quando não têm o controle total de seus movimentos) e
o de ordem psíquica (referente ao caráter de tempo limitado e descontínuo da atenção
infantil).

Realismo Intelectual: (estende-se dos 4 aos 10 e/ou 12 anos de idade) a criança inclui
em seus desenhos elementos que só existiam em sua mente e faz uso de transparências,
planificação, rebatimento e mistura variados pontos de vista.

Realismo Visual: (geralmente por volta dos 12 anos de idade) nessa fase a criança
substitui a transparência pela opacidade e o rebatimento e a mudança de ponto de vista
pela perspectiva.

Luquet ressalta que a mudança do realismo intelectual para o visual; que caracteriza o
desenho do adulto; dá-se geralmente entre os 8 e 9 anos de idade, mas explica que em
alguns casos quando se manifesta bem mais cedo, algumas pessoas adultas ainda podem
permanecer na fase do realismo intelectual. Segundo o estudioso há outro aspecto do
desenho infantil que deve ser levado em consideração além dos quatro estágios citados
acima que é a “narração gráfica”. Como a criança; ao desenhar uma história; escolhe
naturalmente a melhor maneira de traduzi-la para o papel, ele apresenta três características
para esse processo que são classificadas em forma de solução. Que são:

1. Narração Gráfica do tipo Simbólica: (usada por crianças ou adultos) onde é


escolhido o momento mais marcante da história para ilustrá-la.
2. Narração Gráfica do tipo Epinal: (usada por crianças ou adultos) onde a
história é ilustrada em várias imagens, como nas histórias em quadrinho.

3. Narração Gráfica do tipo Sucessiva: (usada apenas por crianças) onde são
reunidos elementos pertencentes a diversos momentos da história em um único
momento ilustrado.

Fases de desenvolvimento gráfico infantil segundo Jean Piaget

Jean Piaget, psicólogo e filósofo suíço, foi um grande estudioso do campo da inteligência
infantil que observou seus filhos e desenvolveu estudos sobre a aprendizagem como um
processo de reorganização cognitiva. Com relação ao desenho infantil a análise piagetiana
apresenta algumas fases:

Garatuja: Faz parte da fase sensório motor (0 a 2 anos) e é parte da fase pré-operacional
(2 a 7 anos). A criança sente prazer em traçar linhas em todos os sentidos sem levantar o
lápis do papel como se esse fosse o prolongamento de sua mão. Como nessa fase os
desenhos refletem momentos distintos na criança que podem representar felicidade
(através de traços fortes que ocupam em sua maioria um grande espaço do papel),
comportamentos instáveis (através de quedas constantes dos lápis das mãos) e quando
não estão se desenvolvendo bem (visualmente percebido quando não sabem segurar o
lápis) Nessa fase à figura humana é inexistente ou pode aparecer da maneira imaginária
e o uso das cores tem um papel secundário o que faz com que apareça o interesse pelo
contraste. Até os dois anos de idade a criança desenha sem intenção consciente o que
divide a garatuja em dois momentos.

1. Desordenada: percebida através dos movimentos amplos e desordenados onde o


desenho ainda é um exercício, pois não há preocupação com a preservação dos
traços uma vez que são cobertos com novos rabiscos várias vezes.

2. Ordenada: movimentos longitudinais e circulares; coordenação viso-motora. A


figura humana pode aparecer de maneira imaginária, pois aqui existe a exploração
do traçado; interesse pelas formas (Diagrama).

Pré- Esquematismo: também corresponde ao “estágio Pré-Operacional” com três anos


de idade a criança já atribui significado ao que desenha fazendo riscos na horizontal,
vertical, espiral e círculos apesar de não nominar o que faz. Com relação ao uso das cores
em suas produções, ela às vezes pode usar, mas não há uma relação forte com a realidade.
Como aos quatro anos ela já é capaz de projetar no papel o que ela sente mesmo sendo
incapaz de aceitar o ponto de vista de outra pessoa, até os seis anos o grafismo irá
representar uma fase mais criativa e diversificada nas produções proporcionando uma
descoberta maior nas relações entre desenho, pensamento e realidade.

Esquematismo: Faz parte da “fase das operações concretas” (7 a 10 anos). As operações


mentais da criança ocorrem em resposta a objetos e situações reais e com isso ela
compreende termos de relações como: maior, menor, direita, esquerda, mais alto, mais
largo, etc. Apesar de apresentar dificuldade com os problemas verbais, ela ainda traça a
chamada “linha de base” como aos seis anos apesar de representar a figura humana com
alguns desvios como: exageros, negligências e omissões. Nessa fase a criança descobre
as relações de cor-objeto e progressivamente começa a desenvolver a capacidade de se
colocar no ponto de vista do outro.

Realismo: Ao final do “estágio das Operações Concretas,” o desenho infantil apresenta


a fase do Realismo onde a criança utiliza bastante as formas geométricas em seus
desenhos com maior rigidez e formalismo e acentuam-se os usos das representações de
roupas para distinguir os sexos. Existe uma consciência maior do sexo e autocrítica
pronunciada. No espaço é descoberto o plano e a superposição. Abandona a linha de base.
Na figura humana aparece o abandono das linhas.

Pseudo Naturalismo: Corresponde a “fase das operações abstratas” (10 anos em


diante). O pensamento formal da criança é hipotético-dedutivo, isto é, ela é capaz de
deduzir as conclusões de puras hipóteses e não somente através de observação real. Diante
disso, essa fase do desenho infantil é marcado pelo fim da arte como atividade espontânea
e passa a ser uma investigação de sua própria personalidade buscando profundidade e uso
consciente da cor. Na figura humana as características sexuais são exageradas existindo
a presença detalhada das articulações e das proporções.

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