TEORIAA GERAL DO PROCESSO – 2º BIMESTRE – 2018/2
PROCESSO
- Conceito: É o meio pelo o qual o juiz poderá aplicar a lei ao caso concreto, ou seja,
maneira pelo o qual o Poder Judiciário dará a resposta solicitada. Não se confunde
com os autos, sendo o processo algo abstrato (aquilo que não é concreto, real verdadeiro,
resulta do pensamento) .
- PROCESSO E PROCEDIMENTO: Enquanto o processo engloba todo o conjunto de
atos que se alonga no tempo, estabelecendo uma relação duradoura entre os
personagens da relação processual, o procedimento consiste na forma pela qual a lei
determina que tais atos sejam encadeados. Não há processo sem procedimento.
O Procedimento pode ser:
a) Especial: quando precisa de um procedimento mais peculiar (característico próprio,
inerente a alguém).
b) Comum: ocorre na maioria dos casos e são os que não são especiais.
-TIPOS DE PROCESSO: classificam-se de acordo com a tutela postulada, têm-se:
Processo de Conhecimento: quando busca se atingir um direito;
Ainda dividindo-se em :
a) Condenatória: postula-se sentença que condene o réu ao cumprimento de
uma obrigação.
b) Declaratória: obter certeza sobre a existência ou não de determinada
relação jurídica.
c) Constitutiva: Constituição ou desconstituição de uma relação jurídica.
Processo de Execução: satisfação do direito já acertado.
- PROCESSO ECLÉTICO: LEI n. 11.232/05, os processos de conhecimento com pedidos
condenatórios passam a serem ecléticos, ou seja, a sentença condenatória transitada em
julgado não põe mais fim ao processo de conhecimento, mas apenas à fase cognitiva, dando-se
início à fase executiva se não houver a satisfação espontânea do julgado.
O que antes era composto por DOIS processos (1 conhecimento + 1 execução), constitui-se
hoje duas fases em um mesmo auto. A regra é que o processo executório ganhou novo nome,
fase de cumprimento de sentença, e após o transito em julgado, já se inicia, no mesmo
processo, a execução. Porém tal regra tem exceções, que são as medidas extrajudiciais, das
quais precisarão de dois autos separados.
*Reunião, em um processo único, de sistemas distintos, o cognitivo e o
executivo.
- PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS: o processo deve preencher requisitos para que possa ter um
desenvolvimento regular e válido, dessa forma, o mérito só será analisado se os preencher.
São necessárias duas coisas: (analogia do fazendeiro que ganhou prêmio da mega-sena e tem
que buscar)
O direito de ação, de obter resposta de mérito; (direito ao Prêmio)
Um processo válido e regular, desencadeado com o aforamento da demanda;
(Percurso que o fazendeiro percorre p/ buscar o prêmio)
As condições da ação são os requisitos necessários para que exista a ação, sem a qual não se
tem o direito à resposta de mérito. E os pressupostos processuais são os requisitos para que
haja um processo válido e regular.
Assim sendo, temos:
Pressupostos processuais, condições da ação e mérito: Antes de emitir a tutela
jurisdicional ou resposta de mérito, é preciso que se preencham os pressupostos
processuais (juiz analisa o desenvolvimento do processo, se foi válido e regular,) e as
condições da ação (se o autor tem direito à resposta de mérito, se ñ o processo é
extinto sem resolução de mérito).
Pressupostos processuais como matéria de ordem pública: Como é de ordem pública
se assemelha com as características da competência absoluta. Então pode ser
reconhecida a qualquer tempo, de ofício, mesmo com ausência de alegação e não se
prorroga.
- PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DE EFICÁCIA E VALIDADE
Alguns requisitos são de muita relevância e se não observados podem gerar ineficácia;
outros, também relevantes, mas nem tanto, se não preenchidos levarão à nulidade. A
diferença entre eles está na gravidade e não na existência ou produção de efeitos, pois
ambos existem, podem estar produzindo efeitos e ter vício.
Processo ineficaz: quando contém um vício insanável, que persiste e pode ensejar
providências mesmo depois decorrido o prazo para ação rescisória. A ineficácia
não se supera nunca devido à importância ou gravidade do vício.
Processo nulo: As nulidades podem ser relativas ou absolutas, porém ambas se
sanam, se tomadas as providencias necessárias para isso. Dessa forma, tem-se um
vício sanável. Mesmo com o trânsito em julgado, no caso da absoluta, podem ser
alegadas num prazo de dois anos, por meio de ação rescisória.
OBS. reconhecimento de vício:
1. PROCESSO EM CURSO= assim que identificado o vício o juiz determinará as
providências para saná-lo.
2. PROCESSO TRÂNSITADO EM JULGADO= Se for de nulidade absoluta, tem-se o
prazo de 2 anos por meio da ação rescisória. Se for caso de ineficácia, se
apresentará ação declaratória de ineficácia, que pode ser alegada a qualquer
tempo.
PRESSUPOSTO DE EFICÁCIA: para o processo ser eficaz precisa de:
a) Inexistência de jurisdição: os atos processuais só podem ser praticados por um juiz
investido na função, se for praticado por quem não está investido na função é
ineficaz. Ex. de ineficaz: juiz aposentado.
b) Existência de demanda: O juiz se decidirá de acordo com o que foi pedido. Como a
jurisdição é inerte, é ineficaz aquilo que for decidido pelo juiz na sentença, sem que
tenha havido pedido ou que extrapola o pedido.
c) Capacidade postulatória: somente o advogado com procuração tem capacidade
postulatória. O advogado poderá postular em juízo sem procuração apenas para
evitar preclusão, decadência, prescrição, ou para praticar ato urgente, depois tendo
15 dias para apresentar procuração. (art. 104, CPC) O ato não ratificado é considerado
ineficaz.
Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração,
salvo para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado
urgente.
§ 2o O ato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi
praticado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos.
Art. 115. A sentença de mérito, quando proferida sem a integração do contraditório, será:
II - ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram citados.
d) Citação do réu: a citação é necessária para dar direito ao contraditória e ampla
defesa.
PRESSUPOSTOS DE VALIDADE: para que o processo seja válido precisa-se dos seguintes
requisitos, que não são tão essenciais quanto o de eficácia, mas são importantes. Se estes o
processo não tiver, ele será nulo.
a) Petição inicial apta: a petição tem que ter pedido, causa de pedir e o fundamento. A
inépcia está prevista no art. 330,§1°,CPC, e impede o bom desenvolvimento do
processo.
Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: § 1o Considera-se
inepta a petição inicial quando:
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que
se permite o pedido genérico; (A Falta de pedido não gera invalidade,
apenas ineficácia)
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.
b) Juízo competente e juiz imparcial:
A competência é a aptidão do juízo. Há dois graus de
incompetência: a absoluta, que pode gerar nulidade e ação
rescisória; e a relativa que têm tempo para ser alegada.
A imparcialidade, é a do juiz. Há dois graus de parcialidade: o
impedimento e a suspeição, a última tem tempo(momento
oportuno) para ser alegada.
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo:
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como
membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha;
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão;
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do
Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo
ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou
parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,
inclusive;
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica
parte no processo;
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes;
VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de
emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços;
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge,
companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o
terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório;
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado.
Art. 145. Há suspeição do juiz:
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;
II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de
iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que
subministrar meios para atender às despesas do litígio;
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou
companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das parte
c) Capacidade: divide-se em três tipos:
Capacidade de ser parte: Aptidão de ser parte em um processo, de figurar na
condição de autor ou réu. Têm essa capacidade qualquer pessoa física ou
jurídica, ainda se previsto em lei, alguns despersonalizados como massa falida,
espólio, etc.
Capacidade Processual ou para estar em juízo: Aptidão para figurar-se parte,
sem precisar ser representado ou assistido. As pessoas naturais com
capacidade de fato, podem pleitear direito próprio em nome próprio, ou seja
tem a capacidade processual. Os incapazes não tem capacidade processual,
mas passará a ter, por intermédio de um assistente ou representante.
Capacidade postulatória: Deriva da necessidade de uma aptidão especial para
formular requerimento ao Poder judiciário. Em regra as pessoas não a têm,
exceto em situações que a lei autoriza, como ex. habeas corpus. Apenas têm
essa capacidade advog/ados e MP.
OBS: Legitimidade “ad processum”: capacidade processual, pressuposto de
validade e, portanto, não se confunde com a condição da ação “ad causam”.
d) Pressupostos negativos: todos os anteriores são pressupostos positivos, ou seja, eles
devem estar presentes para o desenvolvimento regular e válido. Já os negativos são
aqueles que devem estar ausentes no processo para ser válido. A presença de um deles
implicará extinção do processo sem resolução de mérito. São eles:
1. Litispendência: art.337, §3° Há litispendência quando se repete ação que está em
curso.
2. Coisa Julgada:art.337, § 4° Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida
por decisão transitada em julgado
3. Perempção: perda do direito de ação como consequência de, por 3 vezes anteriores, o
autor ter dada causa à extinção do processo, sem resolução de mérito, por abandono.
4. Compromisso arbitral