Reforma
Conceitos
De acordo com Pereira (1996), reforma significa reduzir o Estado, limitar suas funções como
produtor de bens e serviços e, em menor extensão, como regulador, mas implicará também
aplicar suas funções no financiamento de actividades que envolvem externalidades ou direitos
humanos básicos e na promoção da competitividade internacional das indústrias locais.
Por sua vez a EGRCP (2001-2011, p.45), descreve Reforma como um conjunto e acções de
carácter transversal ou horizontal e processos de mudanças que devem ser empreendidos para
que os serviços públicos prestados nos diferentes sectores sejam melhorados. A reforma
pretende que os serviços públicos sejam mais operacionais, orientados para resultados e com
enfoque no cidadão.
Reforma são mudanças implementadas no sector público com objectivo de melhorar a oferta de
serviços públicos aos cidadãos e tornar a Administração Pública mais eficiente e eficaz.
Sector Público
É um conjunto de instituições e agencias que directa ou indirectamente, financiadas pelo Estado
tem como objectivo final a provisão de bens e serviços públicos.
No sentido mais amplo, são actividades realizadas pelo Governo Central, Ministério, Governos
Provinciais, Direcções Provinciais, Administrações de Distritos, Direcções Distraiais, Postos
Administrativos, Autarquias, as Empresas públicas, os Institutos Públicos e outras Agências do
Estado, todos trabalhando para o benefício da sociedade Moçambicana. (EGRCP 2001-2011,
p.45)
Para Sousa (2006), sector público é um conjunto de actividades económicas de qualquer
natureza exercidas pelas entidades públicas (Estado, associações e instituições públicas, quer
assentes na representatividade e na descentralização democrática, quer resultantes da
funcionalidade- tecnocrática e da desconcentração por eficiência).
Em resumo, Sector público é a esfera da economia na qual o Estado é o protagonista de todas
suas actividades.
Reforma do Sector Público
Vários autores defendem que é tão linear definir reforma do sector público, dai a existência de
várias definições. Pollitt e Bouckaert (2000) citados por Awortwi (2006) afirmam que reforma
do sector público consiste em mudanças deliberadas na estrutura no processo das organizações
públicas, com objectivo de fazer com que funcionem melhor. Desse ponto de vista, Girishankar
(2001) olha para as reformas estruturais como tentativas deliberadas para desalojar as
instituições do equilíbrio sub-optica e reformá-los dentro de estruturas de governação que
proporcionam incentivos mais fortes. Da mesma forma, os esforços de capacitação são
tentativas de fornecer às organizações habilidades e equipamentos (ou outros insumos) para
operar de forma mais eficiente dentro de um determinado contexto institucional (Merina, 2014).
Boyne et al. (2003) citados por Merina comungam a ideia de que a Reforma do Sector Publico é
uma mudança deliberada no desenho de uma maneira de providenciar os serviços públicos. Por
exemplo, a reforma pode alterar as características internas das organizações. A autora avança
que há aspectos importantes a ter em conta nesta definição, que são a reforma entendida como
uma acção deliberada e não acidental; e a reforma entendida como indução sistémica para
melhoria de desempenho de organizações do sector publico.
Sistemas da Informação no Sector Público
Para Laudon e Laudon (2002), sistema de informação na visão de uma organização, pode ser
tecnicamente definido como uma interacção de componentes que colecta, processa, estoca e
distribui informações para suportar a tomada de decisões, coordenação e controle de uma
organização.
Ainda para os autores os sistemas de informação permitem que directores, gerentes e outros
trabalhadores possam analisar problemas, assuntos complexos, criar novos produtos, facilitar e
tornar a administração das empresas cada dia melhor e mais dinâmica.
Reforma do Sector Público e Implantação da Política de Sistemas de Informação em
Moçambique
A Estratégia de Implementação Implantação da Política de Sistemas de Informação em
Moçambique, cuja implementação se completaria em 2010, foi desenhada especificamente
para apoiar a segunda fase da Reforma do Sector Público, programada para o período 2006-
2011. Em antecipação da acção conjugada entre a Estratégia de Governo Electrónico e a
Reforma do Sector Público entre 2006 e 2010, os projectos da Estratégia de Governo
Electrónico foram calendarizados de forma a serem completados um ano antes da conclusão
do Programa da Reforma do Sector Público, para que os resultados da Estratégia de Governo
Electrónico pudessem ser objectivamente medidos e avaliados no contexto mais amplo da
Reforma do Sector Público, durante o ano de 2011 (EIGEM, 2005: 7-8). Portanto, esta
estratégia resultou de um longo trabalho e colaboração exemplar entre a Comissão para a
Política de Informática (CPInfo) e a Comissão Interministerial para a Reforma do Sector
Público (CIRESP), através das suas unidades técnicas — a Unidade Técnica de
Implementação da Política de Informática (UTICT) que passou para o Instituto Nacional de
Tecnologias de Informação e Comunicação e a Unidade Técnica da Reforma do Sector
Público (UTRESP). Os objectivos alinham-se com os mesmos dos anos 90, melhorar a eficácia
e eficiência dos serviços públicos aproximando, cada vez mais, o governo ao cidadão.
No âmbito da Visão, o Governo moçambicano considera que a Estratégia do Governo
Electrónico
“dará a qualquer moçambicano em qualquer área da governação, em qualquer
sector da economia, e a qualquer nível da sociedade, o direito de aceder,
processar e aplicar toda a informação necessária para cada um alcançar o
máximo do seu potencial como indivíduo dotado de conhecimento, um
cidadão responsável e um competidor global” (EIGEM, 2005: 11).
Sucede que “qualquer moçambicano”, “Direito de aceder” e “Toda Informação”, são
desafios que requerem um empenho total e completo para materializar esta visão e é aqui
onde reside o centro desta pesquisa, procurar perceber se volvidos cerca de 10 anos da
implementação desta Estratégia e se os programas de formação que têm lugar por todo o País,
segundo o INTIC, contribuem efectivamente para que qualquer moçambicano tenha o direito
de aceder à toda informação necessária para alcançar o máximo do seu potencial sem
necessariamente recorrer aos procedimentos tradicionais que implicam mais esforço e mais
custos em termos de tempo e recursos.
A Estratégia aponta que a implementação de centros públicos ou comunitários de acesso às
Tecnologias de Informação e Comunicação será uma área que será também objecto de
atenção especial em termos de promoção e coordenação por serem os locais que se pretende
servirem de pontos de acesso pelo cidadão aos serviços a serem disponibilizados pelos
projectos definidos na Estratégia de Governo Electrónico sendo que os CPRDs são apontados
como um desses pontos ao lado dos telecentros e Centros Comunitários Multimédia (EIGEM,
2005: 37).
Moçambique conta com oito (8) Centros Provinciais de Recursos Digitais (CPRDs) em igual
número de Províncias e de acordo com MOZTIC (2008), trata-se de mecanismos
organizacionais que permitem localizar, num determinado local, um conjunto de infra-
estruturas e conhecimentos necessários para ligar os vários organismos às TIC. É então
possível, através destes centros, efectuar o acesso à Internet, prestar apoio técnico aos
funcionários do Estado, bem como ministrar formação. Os Centros Provinciais de Recursos
Digitais podem ser vistos como um apoio à extensão da GovNet às províncias. As Províncias
que ainda não possuem CPRDs são as de Manica, Maputo e Maputo Cidade.
Longe dos resultados esperados, estas medidas, per si, mostram o interesse que o Governo
moçambicano, nas várias fases da sua administração, tem na qualidade de prestação de serviço
ao cidadão ao mesmo tempo que procura melhorar a capacidade e as condições de trabalho dos
próprios funcionários que compõem a máquina governativa.
É imprescindível que se faça um esforço na modernização e informatização dos procedimentos
administrativos para uma maior rapidez no atendimento ao público e uma redução significativa
da influência do factor humano na tramitação dos pedidos e autorizações nas cobranças de taxas
e emolumentos e em outras situações de contacto directo do cidadão com a administração
pública.
Tendo em conta todos os factores que nortearam a sua concepção, a implementação da
Estratégia do Governo Electrónico tinha como objectivo fundamental melhorar a prestação de
serviços públicos, usando as Tecnologias de Informação e Comunicação, em alinhamento com
a Estratégia Global de Reforma do Sector Público (José, 2014: 56). Mas mais do que isso, é
igualmente inegociável uma mobilização geral dos cidadãos a favor das TIC pois o domínio
unilateral por parte do executivo poderá criar défices na abordagem da matéria em termos de
uso e aproveitamento efectivo dos recursos de TIC existentes e da sua necessidade para a
massificação.
Referências Bibliográficas
CIRESP. Estratégia Global da Reforma do Sector Público (2001-2011). Maputo: Imprensa
Nacional, 2001.
Pereira, L. (1996). Gestão do Sector Publico: Estratégia para um novo Estado. Ministro da
Administração Federal e Reforma do Estado.
Sousa, B. (2006). Gestão da Segurança da Informação: Perspectivas Baseadas na Tecnologia
de Informação.