EXCELENTÍSSIMO SENHORA DOUTORA JUIZA DE DIREITO DA 1ª VARA DA
COMARCA DE BAIXO GUANDU - ES.
Processo nº 0001907-63.2018.8.08.0007
NELZETE DO CARMO CARVALHO, já qualificada nos autos do
presente processo, vem, respeitosamente, perante Vossa
Excelência, por meio de seus procuradores, opor os presentes
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES em face da
sentença proferida (evento 54497045), nos termos do artigo 1.022
do CPC e 48 da Lei 9.099/95, de acordo com os fundamentos que ora
passa a expor:
DO CABIMENTO
Nos termos do artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos
de declaração quando, em qualquer decisão judicial, houver
obscuridade, omissão ou contradição. Além disso, o inciso III do
referido artigo traz a possibilidade de manejo do presente
recurso para o efeito de corrigir erro material.
Ainda, o parágrafo único, inciso II do artigo 1.022
estabelece que é omissa a decisão judicial não fundamentada, em
que o Julgador “deixar de seguir enunciado de súmula,
jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar
a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do
entendimento” (artigo 489, § 1º, VI do CPC).
Portanto, em se tratando de julgamento omisso (evento
ID 54497045) proferido por este juízo, é pertinente o manejo do
presente recurso.
DA CONTRADIÇÃO A DECISÃO DO PRÓPRIO DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA, EM RELAÇÃO AOS CAUSAS PREVIDENCIÁRIAS,
VEJAMOS:
A r. sentença determinou o seguinte:
f) Sem recurso, considerando-se tratar de condenação
ilíquida, remetam-se os autos ao Egrégio Tribunal de Justiça
deste Estado por força do reexame necessário, eis que à espécie
aplica-se a súmula 490 do STJ.
Ocorre que tal situação não ocorre em demandas
previdenciárias, vejamos:
PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO
RECURSO ESPECIAL. DISPENSA DA REMESSA NECESSÁRIA. ART.
496, § 3º, I DO CPC/2015. CONDENAÇÃO OU PROVEITO
ECONÔMICO INFERIOR A MIL SALÁRIOS MÍNIMOS. SÚMULA
490/STJ QUE NÃO SE APLICA ÀS DEMANDAS ILÍQUIDAS DE
NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. JULGADOS DAS DUAS TURMAS DA
PRIMEIRA SEÇÃO DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO DA AUTARQUIA
A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Com o julgamento do REsp.
1 .735.097/RS, a Primeira Turma do STJ, guiada pelo
voto condutor do Min. GURGEL DE FARIAS, pacificou o
entendimento de que a orientação da Súmula 490/STJ não
se aplica às sentenças ilíquidas nos feitos de natureza
previdenciária, a partir dos novos parâmetros definidos
no art. 496, § 3º, I do CPC/2015, que dispensa o duplo
grau obrigatório às sentenças contra a União e suas
autarquias cujo valor da condenação ou do proveito
econômico seja inferior a mil salários mínimos . 2. Não
obstante a aparente iliquidez das condenações em causas
dessa natureza, a sentença que defere benefício
previdenciário é espécie absolutamente mensurável,
podendo o valor ser aferido por simples cálculos
aritméticos, os quais são expressamente previstos na
lei de regência. 3. Ainda que o benefício
previdenciário seja concedido com base no teto máximo,
observada a prescrição quinquenal, com os acréscimos de
juros, correção monetária e demais despesas de
sucumbência, não se vislumbra, em regra, como uma
condenação na esfera previdenciária venha a alcançar os
mil salários mínimos (REsp. 1.735.097/RS, Rel. Min.
GURGEL DE FARIA, DJe 11.10.2019). 4. Julgados de ambas
as Turmas que compõem a Primeira Seção deste Superior
Tribunal de Justiça no mesmo sentido. 5. Agravo interno
da autarquia federal a que se nega provimento. (STJ -
AgInt no REsp: 1797160 MS 2019/0039361-4, Relator.:
Ministro MANOEL ERHARDT (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO
TRF-5ª REGIÃO), Data de Julgamento: 09/08/2021, T1 -
PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 16/08/2021)
PROCESSUAL CIVIL. REEXAME NECESSÁRIO PURO. CONDENAÇÃO
EM 1ª INSTÂNCIA INFERIOR A MIL SALÁRIOS MÍNIMOS. ART.
496, § 3º, I, DO CPC. SÚMULA 85 DO STJ. REMESSA OFICIAL
NÃO CONHECIDA. 1. Na hipótese, ainda que a sentença de
1º grau seja ilíquida, a prospecção da futura
liquidação do julgado demonstra que o valor da
condenação não alcançará o teto de mil (1.000)
salários-mínimos, mormente tendo em conta a incidência
da súmula 85 do STJ às prestações de trato sucessivo,
ensejando a aplicação da exceção supramencionada, que
consiste na não aplicação do duplo grau de jurisdição
de ofício. 2. O período de tempo entre a publicação da
sentença e o futuro trânsito em julgado da ação
evidencia a impossibilidade da condenação de 1º grau
ultrapassar o valor de 1.000 (mil) salários mínimos,
devendo assim, ser aplicado na espécie o disposto no
art. 496, § 3º, I do CPC. 3. Remessa oficial não
conhecida.(TRF 1º REGIÃO – PROCESSO N° 1020794-
98.2021.4.01.9999 - DESEMBARGADOR FEDERAL JOÃO LUIZ DE
SOUSA – JULGAMENTO 28/10/2021)
Verifica-se, portanto nos casos em que a sentença de
condena a parte ré ao pagamento de valor que, após liquidação do
julgado, será, indubitavelmente, inferior ao limite estabelecido
no dispositivo legal supramencionado, não se aplicando o
instituto de recurso de ofício. Vejamos:
“Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição,
não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo
tribunal, a sentença:
I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito
Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e
fundações de direito público;
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os
embargos à execução fiscal.
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a
apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos
autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do
respectivo tribunal avocá-los-á.
§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1o, o
tribunal julgará a remessa necessária.
§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a
condenação ou o proveito econômico obtido na causa for
de valor certo e líquido inferior a:
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as
respectivas autarquias e fundações de direito público;”
Nessa senda, nos casos das ações em que a sentença,
apesar de ser ilíquida, a prospecção da futura liquidação do
julgado demonstra que o valor da condenação não alcançará o teto
de mil (1.000) salários-mínimos, aplica-se a exceção
supramencionada, traduzida na não aplicação do duplo grau de
jurisdição de ofício.
REQUERIMENTO
Por todo o narrado, REQUER a Vossa Excelência o
recebimento e acolhimento dos presentes embargos de declaração
com efeitos infringentes, para modificar a sentença afim de
excluir a necessidade de remessa necessária considerando que o
valor não será superior a 1.000 salários mínimos.
Em caso se manutenção da sentença, requer seja
determinado o processo para Reexame Necessário ao TRF da 2º
Região e não ao TJES, considerando que não se trata de benefício
aposentadoria por invalidez decorrente de doença do trabalho.
Nesses Termos;
Pede Deferimento.
Colatina/ES, 10 de março de 2025.
GUILHERME STINGUEL GIORGETTE
OAB/MG 95.783