0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações4 páginas

Epidemiologia e Tratamento da Influenza

A pandemia de 1918 e a gripe suína de 2009 destacam a importância da influenza, que continua a circular sazonalmente. O vírus é transmitido principalmente por gotículas e o diagnóstico é desafiador, dependendo de fatores clínicos e laboratoriais. A vacinação anual e o tratamento antiviral são essenciais, especialmente para grupos de risco, visando reduzir complicações e mortalidade.

Enviado por

Gabriel Defalt
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações4 páginas

Epidemiologia e Tratamento da Influenza

A pandemia de 1918 e a gripe suína de 2009 destacam a importância da influenza, que continua a circular sazonalmente. O vírus é transmitido principalmente por gotículas e o diagnóstico é desafiador, dependendo de fatores clínicos e laboratoriais. A vacinação anual e o tratamento antiviral são essenciais, especialmente para grupos de risco, visando reduzir complicações e mortalidade.

Enviado por

Gabriel Defalt
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

-A pandemia de 1918, conhecida como “gripe espanhola”, teve grande impacto em todo o

mundo, com estimativa de 50% da população mundial infectada e de 30 milhões de óbitos


-Em 11 de junho de 2009 foi declarada, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a primeira
pandemia de influenza deste século: influenza A H1N1 ou gripe suína
-O vírus da influenza pandêmica continuou a circular no mundo, com diferente intensidade
em vários países e passou a ser considerado como mais um vírus de circulação sazonal
EPIDEMIOLOGIA
-Nos países de clima tropical, a epidemiologia é diferente, podendo ocorrer em qualquer
época do ano, porém as epidemias têm tendência de acontecer após mudanças nos
padrões climáticos, por exemplo, relacionadas à estação de chuvas
-O vírus é transmitido de pessoa a pessoa por meio de gotículas ou contato direto
com objetos contaminados recentemente por secreções nasofaríngeas
-O paciente é mais infectante durante as 24 horas anteriores ao início dos sintomas e durante
o período mais sintomático, com o pico da disseminação viral ocorrendo após 3 dias do
início dos sintomas e terminando no sétimo dia, podendo ser mais prolongado em
imunodeprimidos
-O período de incubação é geralmente de 1 a 4 dias, e as crianças são propagadoras
eficientes e as menores de 2 anos possuem maior risco
VÍRUS
-Os vírus influenza pertencem à família Orthomyxoviridae, gênero Influenzavirus. São
subdivididos em tipos A, B e C
-O envelope do vírus é uma dupla camada lipídica, que contém projeções proeminentes
formadas pelas glicoproteínas hemaglutinina (HA), neuraminidase (NA) e proteína M2
-A HA é o principal antígeno viral, contra a qual é dirigida a maioria dos anticorpos
neutralizantes
-Mutações nos sítios antigênicos da HA provocam surgimento de novas cepas virais que se
disseminam na população, uma vez que essas variantes podem escapar da imunidade
desenvolvida por infecção ou vacinação prévia. Esse fenômeno é conhecido como variação
antigênica menor (antigenic drift) e é a explicação molecular para as epidemias sazonais de
gripe
QUADRO CLÍNICO
-A influenza pode apresentar-se de várias formas clínicas, dependendo principalmente da
idade do hospedeiro
 Nos primeiros meses de vida pode ocorrer quadro de bronquiolite, laringite e até
quadro semelhante a sepse bacteriana.
 Na maioria das crianças menores de 5 anos ocorre febre e sinais de infecção de
vias aéreas superiores (IVAS); em 10 a 50% ocorre também envolvimento do trato
respiratório inferior
o Infecções por vírus influenza são mais graves em crianças menores de 2
anos de idade, em decorrência da falta de imunidade e, provavelmente, do
pequeno calibre das vias aéreas
 Crianças maiores e adultos jovens apresentam mais frequentemente um quadro
com início abrupto, com febre alta, calafrios, cefaleia, mialgia, fadiga, anorexia e tosse
seca. Em seguida, congestão nasal, rinite, dor de garganta e tosse tornam-se
proeminentes. Sintomas gastrointestinais podem ocorrer, incluindo vômitos, dor
abdominal, diarreia. A frequência é maior em crianças
 Pontos-chave para diagnóstico de influenza em crianças:
o período de circulação viral (sazonalidade)
o febre, tosse e rinorréia
 Em adultos, a síndrome gripal clássica é caracterizada por início abrupto dos
sintomas, com febre alta, calafrios, cefaleia, mialgia, fadiga e anorexia. Artralgia pode
ser observada. Desconforto ocular com lacrimejamento, ardor e fotofobia é comum. Os
sintomas sistêmicos duram em média 4 dias, persistindo os sintomas respiratórios,
como tosse seca, dor de garganta, congestão nasal e rinorreia, perdurando por até 7
dias.
 A influenza predispõe a complicação bacteriana, sendo otite média aguda,
sinusite e pneumonia as mais frequentes
o Pneumonia bacteriana ou viral: quadro agudo, febre persistente, dispneia,
cianose, SARA
o Pode descompensar doenças crônicas como diabetes mellitus
o Podo ocorrer miosite após término dos sintomas respiratórios
o Raramente ocorre miocardite: arritmias
o Raras complicações neurológicas: convulsão febril, encefalite, etc
DIAGNÓSTICO CLÍNICO E LABORATORIAL
-O diagnóstico clínico, em todos os grupos etários, é difícil e impreciso
-É importante que o profissional de saúde tenha conhecimento da circulação do vírus
 O diagnóstico da influenza pode ser baseado no seguinte tripé
o vírus em circulação na comunidade (epidemiologia)
o quadro clínico: início súbito, febre, tosse e comprometimento sistêmico
o testes laboratoriais para diagnóstico
-O diagnóstico laboratorial pode ser feito por cultura viral, testes sorológicos, detecção
de antígenos virais e reação em cadeia da polimerase
INFLUENZA X RESFRIADO COMUM

Principais diferenças: Febre, cefaléia, exaustão, tosse e alta fadiga


VACINA
-Existem dois tipos de vacina: vacina inativada e vacina de vírus vivos atenuados
-As vacinas são reformuladas anualmente, com base nas recomendações da OMS
-Elas contêm três cepas de vírus, sendo: influenza A H3N2, influenza A H1N1 e influenza
B
-Deve ser aplicada anualmente antes do inverno e
esta indicada a parir de 6 meses de idade
-Em crianças menores de 8 anos de idade, a
resposta imunológica à vacina é inferior quando
comparada
à de adultos, assim, na primeira imunização, o esquema de duas doses é recomendado
-O intervalo entre as doses deve ser de, no mínimo, 1 mês
 No Brasil, em 2012, o Ministério da Saúde elegeu os seguintes grupos para
vacinação
o crianças de 6 meses a menos de 2 anos de idade
o trabalhadores de saúde
o gestantes
o indígenas
o idosos com mais de 60 anos
TRATAMENTO E QUIMIOPROFILAXIA
-No Brasil, o protocolo atual do Ministério da Saúde recomenda que pacientes com
síndrome gripal, sem fatores de risco, devem receber apenas medicamentos
sintomáticos, hidratação oral e repouso domiciliar
-Com base no julgamento clínico, o tratamento antiviral pode ser considerado em pacientes
ambulatoriais sem fatores de risco, desde que o tratamento possa ser iniciado nas primeiras
48 horas do começo da doença
-Para os pacientes com síndrome respiratória aguda grave e para aqueles com
fatores de risco, está indicado o uso de oseltamivir, de forma empírica (não se deve
aguardar confirmação laboratorial), independentemente da situação vacinal
 São considerados fatores de risco
o crianças < 2 anos
o adultos ≥ 60 anos
o grávidas em qualquer idade gestacional, puérperas até 2 semanas após o parto
o indivíduos com doença crônica (exceção de pressão alta)
o imunossupressão
o indivíduos menores de 19 anos de idade em uso prolongado com ácido
acetilsalicílico (risco de síndrome de Reye)
o população indígena
o obesidade mórbida (índice de massa corporal ≥ 40 kg/m2)
 No Brasil, o uso do oseltamivir para profilaxia está indicado nas seguintes
situações
o profissionais de laboratório não vacinados, que tenham manipulado
amostras clínicas que contenham o vírus influenza sem o uso adequado de
equipamento de proteção individual (EPI)
o trabalhadores de saúde não vacinados que estiveram envolvidos na
realização de procedimentos invasivos (geradores de aerossóis) ou manipulação
de secreções de um caso suspeito ou confirmado de infecção por influenza, sem
o uso adequado de EPI
o indivíduos com fator de risco para complicações para influenza e não
vacinados e com exposição a pacientes suspeitos de influenza nas últimas 48
horas
-Existem duas classes de agentes antivirais disponíveis para tratamento e profilaxia da
influenza
 1) Inibidores dos canais de íon M2: rimantadina e amantadina
o São ativos apenas contra influenza A, pois o tipo B não possui a proteína M2
o São aprovados para crianças acima de 1 ano de idade
o A eficácia dessa classe é limitada por dois fatores importantes: o
desenvolvimento de resistência e os efeitos adversos

 2) Inibidores da neuraminidase (INA): oseltamivir e zanamivir


o Oseltamivir é aprovado para tratamento e profilaxia em crianças acima de 1 ano
de idade
o Zanamivir é aprovado para tratamento acima de 7 anos e profilaxia acima de 5
anos
o Estudos mostram que a introdução precoce dos INA pode diminuir a duração da
febre e dos sintomas, o risco de complicações e morte, e a duração da
hospitalização
o Esses benefícios ocorrem principalmente quando a medicação é
introduzida dentro de 48 horas do início dos sintomas

Você também pode gostar