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Maternidade e Paternidaderesponsáveis Na Adolescência

O documento discute a maternidade e paternidade responsáveis na adolescência, abordando os desafios enfrentados por jovens pais e mães em um contexto de crescimento pessoal e social. A gravidez na adolescência é apresentada como um problema de saúde pública, com taxas crescentes, mas também como parte do projeto de vida de algumas jovens, que pode ser desejada. O texto ressalta a dualidade entre a erotização da sociedade e a falta de preparo para as consequências da atividade sexual precoce.

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Maternidade e Paternidaderesponsáveis Na Adolescência

O documento discute a maternidade e paternidade responsáveis na adolescência, abordando os desafios enfrentados por jovens pais e mães em um contexto de crescimento pessoal e social. A gravidez na adolescência é apresentada como um problema de saúde pública, com taxas crescentes, mas também como parte do projeto de vida de algumas jovens, que pode ser desejada. O texto ressalta a dualidade entre a erotização da sociedade e a falta de preparo para as consequências da atividade sexual precoce.

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MATERNIDADE E PATERNIDADERESPONSÁVEIS NA

ADOLESCÊNCIA
Sônia Maria Tavares de Albuquerque Gomes

“Pra mim, ser pai é uma coisa boa, é uma emoção diferente, é uma nova vida que a gente aprende a
levar, mas eu tô me sentindo assim...com uma carga muito maior de responsabilidade...” Caio,18 anos,
filho com 1 ano.

“Ah, ela é linda! É tudo para mim. É minha vida. Agora, eu acho que envelheci assim... mentalmente... uns
dez anos... “ Fernanda, mãe aos 17 anos.

Na linguagem corrente, os termos maternidade e paternidade significam, respectivamente, qualidade ou


condição de mãe e de pai. Já a palavra responsável traz o significado daquele, ou daquela, que res- ponde
pelos próprios atos ou pelos de outrem, ou ainda que responde legal ou moralmente pela vida, pelo bem-
estar, etc. de alguém.

A condição de ser mãe ou pai, e não apenas genitora ou genitor, implica que a concepção de um filho
esteja inscrita no desejo, que este se concretize numa gestação ou adoção, cujo produto seja reconhe-
cido como filho e, a partir de então, seja alvo do amor e do
cuidado para sempre.

Assim, se vamos falar de maternidade e paternidade responsáveis na adolescência, uma pergunta logo nos
ocorre: será que o(a) adolescente terá condição de assumir a identidade de pai ou de mãe, viven- ciando
uma etapa do ciclo de vida em que suas experiências estão voltadas para seu próprio crescimen- to e
desenvolvimento?

Como enfrentar a dupla crise da transformação de menino/menina em homem/mulher e ao mesmo


tempo de filho ou filha em pai ou mãe? Como se comportar no contexto de uma sociedade pautada por
uma dupla mensagem, cuja erotização da vida cotidiana cria o fascínio pelo sexo, mas não alerta para o
embaraço que a atividade sexual precoce pode causar? Para responder a essas questões talvez pos-
samos nos valer de algumas reflexões sobre a gravidez na adolescência, pois é por esse acontecimento
que nascem a mãe e o pai adolescentes.

A gravidez na adolescência tem sido considerada nas três últimas décadas, tanto na literatura científica
como na imprensa leiga, um problema de saúde pública, em face de sua ocorrência cada vez mais ele-
vada. Dados censitários brasileiros vêm demonstrando que, enquanto a taxa de fecundidade na popu-
lação adulta do mundo inteiro vem diminuindo, entre nossas adolescentes está aumentando.
Para alguns autores, entretanto, esses dados demográficos produzem uma ideia enganosa, uma vez
que são o grande crescimento, em termos relativos e absolutos, de adolescentes na população e a forte
diminuição da fecundidade na população de mulheres adultas que conferem maior visibilidade ao nú-
mero de gestações na adolescência.
A gravidez na adolescência também costuma ser marcada por um discurso alarmista, associado a as-
pectos negativos que podem ocorrer com a adolescente e seu bebê (abandono da escola, dificuldade
para conseguir emprego, baixo peso dos bebês ao nascer, etc.) e a adjetivos pejorativos associados à
gravidez como não-planejada, indesejada, precoce. Há que se considerar, porém, que para algumas
moças a gravidez surge como parte de seu projeto de vida, parecendo inclusive ser desejada. Mesmo que
no início seja causa de algum mal-estar no meio familiar por ocorrer fora do casamento, com a
perspectiva da chegada do bebê e seu forte poder de sedução, a aceitação da família é inevitável e ela
passa a dar apoio ao binômio mãe/filho.

Segundo R.P. Scott 14 , “para algumas adolescentes parece que ter um filho não foi nem tão impensado
nem tão fora dos padrões quanto todas as acusações sugerem. O valor simbólico do filho é enorme, e a
ideia de tê-lo muitas vezes foi um acidente planejado”. 14 Autor de Quase adulta, quase velha: por que
antecipar as fases do ciclo vital?

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