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Parasitas Comuns e Suas Doenças

O documento aborda as parasitoses, doenças causadas por parasitas, com foco em três tipos: Ascaridíase, Esquistossomose e Doença de Chagas. Cada parasitose é descrita em termos de ciclo de vida, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e profilaxia. A prevalência dessas doenças é influenciada por fatores ambientais e socioeconômicos, especialmente em áreas com saneamento básico precário.
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Parasitas Comuns e Suas Doenças

O documento aborda as parasitoses, doenças causadas por parasitas, com foco em três tipos: Ascaridíase, Esquistossomose e Doença de Chagas. Cada parasitose é descrita em termos de ciclo de vida, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e profilaxia. A prevalência dessas doenças é influenciada por fatores ambientais e socioeconômicos, especialmente em áreas com saneamento básico precário.
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Parasitoses

As parasitoses são doenças causadas por parasitas que afetam a população,


especialmente em áreas com saneamento básico precário. No interior de São Paulo e em
diversas regiões do Brasil, algumas parasitoses são mais prevalentes devido a fatores
ambientais, socioeconômicos e climáticos. A seguir, serão descritas três parasitoses
comuns, destacando sua fonte de alimentação, ciclo de vida, reprodução, sinais e sintomas,
diagnóstico clínico e laboratorial, tratamento, profilaxia e morfologia.

1. Ascaridíase (Ascaris lumbricoides)


Fonte de Alimentação:

O Ascaris lumbricoides se alimenta dos nutrientes presentes no intestino delgado do


hospedeiro humano, competindo pela absorção de substâncias essenciais, como glicose,
aminoácidos e lipídios. Esse consumo de nutrientes pode levar a quadros de desnutrição e
deficiência de vitaminas nos indivíduos infectados.

Ciclo de Vida e Reprodução:

1.​ Ovo embrionado (fase infectante): Ovos são eliminados nas fezes e precisam de
10 a 30 dias no solo para amadurecer.
2.​ Larva L1 → L2 (desenvolvimento no ovo): No ambiente, os ovos desenvolvem
larvas dentro da casca protetora.
3.​ Larva L3 (fase infectante): Humanos ingerem alimentos ou água contaminada com
ovos contendo larvas maduras.
4.​ Eclosão e migração: No intestino delgado, as larvas eclodem e perfuram a parede
intestinal, entrando na corrente sanguínea.
5.​ Ciclo pulmonar: As larvas migram para o fígado, coração e pulmões, onde
amadurecem por 10 a 14 dias, atravessando os alvéolos e subindo até a faringe,
sendo engolidas novamente.
6.​ Vermes adultos no intestino: No intestino, as larvas amadurecem em vermes
adultos.
7.​ Reprodução sexuada: Os vermes adultos copulam no intestino delgado. A fêmea
pode depositar até 200.000 ovos por dia.
8.​ Eliminação dos ovos: Ovos são eliminados nas fezes, completando o ciclo.
Sinais e Sintomas:

●​ Dor abdominal
●​ Náuseas e vômitos
●​ Diarreia intermitente
●​ Perda de peso
●​ Retardo no crescimento em crianças
●​ Em infestações maciças, pode ocorrer obstrução intestinal

Diagnóstico Clínico e Laboratorial:

●​ Clínico: História de contato com ambientes contaminados, sintomas


gastrointestinais e sinais de desnutrição.
●​ Laboratorial:
○​ Exame parasitológico de fezes (método de sedimentação espontânea ou
flutuação) para identificação de ovos.
○​ Hemograma pode indicar eosinofilia.
○​ Exames de imagem (radiografia, ultrassonografia) em casos de grande
infestação para detectar massas de vermes.
Tratamento:

●​ Fármacos: Albendazol ou mebendazol (antiparasitários eficazes contra helmintos).


●​ Suporte: Tratamento sintomático para desnutrição e complicações intestinais.
●​ Cirurgia: Em casos graves de obstrução intestinal.

Profilaxia:

●​ Saneamento básico adequado.


●​ Higiene pessoal, como lavar as mãos antes das refeições.
●​ Lavar bem alimentos crus.
●​ Evitar consumo de água não tratada.

Morfologia:

●​ Vermes adultos cilíndricos, medindo de 15 a 40 cm de comprimento.


●​ Extremidades afiladas e coloração esbranquiçada.
●​ Machos possuem extremidade posterior curva.

2. Esquistossomose (Schistosoma mansoni)


Fonte de Alimentação:

O Schistosoma mansoni se alimenta do sangue do hospedeiro, nutrindo-se de hemoglobina


e outros componentes sanguíneos essenciais para sua sobrevivência e reprodução. Esse
consumo pode causar anemia e inflamação nos vasos intestinais e hepáticos.

Ciclo de Vida e Reprodução:

1.​ Ovos nas fezes: Eliminados pelo hospedeiro humano e chegam até a água.
2.​ Miracídio: Eclode na água e nada em busca do caramujo do gênero Biomphalaria.
3.​ Esporocistos dentro do caramujo: Os miracídios penetram no caramujo e se
transformam em esporocistos, multiplicando-se assexuadamente.
4.​ Cercárias (fase infectante): São liberadas do caramujo para a água, onde podem
penetrar na pele humana.
5.​ Migração pelo organismo: As cercárias entram na corrente sanguínea e chegam
ao fígado, onde amadurecem.
6.​ Vermes adultos: Migram para os vasos sanguíneos intestinais e copulam.
7.​ Deposição de ovos: Os ovos atravessam a parede do intestino e são eliminados
nas fezes, reiniciando o ciclo.
Sinais e Sintomas:

●​ Febre
●​ Fadiga
●​ Aumento do fígado e baço (hepatosplenomegalia)
●​ Dor abdominal
●​ Sangue nas fezes
●​ Coceira na pele na fase inicial da infecção

Diagnóstico Clínico e Laboratorial:

●​ Clínico: História de contato com águas contaminadas e sintomas hepatoesplênicos.


●​ Laboratorial:
○​ Exame parasitológico de fezes (método Kato-Katz) para pesquisa de ovos.
○​ Testes imunológicos e sorológicos para detecção de anticorpos.
○​ Ultrassonografia para avaliar fibrose hepática e hipertensão portal.

Tratamento:

●​ Fármacos: Praziquantel, medicamento antiparasitário específico.


●​ Controle Ambiental: Redução da população de caramujos vetores.

Profilaxia:

●​ Evitar contato com águas contaminadas.


●​ Controle de caramujos vetores.
●​ Saneamento básico adequado.

Morfologia:

●​ Vermes achatados e alongados, medindo de 6 a 20 mm.


●​ Dimorfismo sexual: machos são mais curtos e robustos, enquanto fêmeas são mais
longas e delgadas.
●​ Macho possui canal ginecóforo onde abriga a fêmea.

3. Doença de Chagas (Trypanosoma cruzi)


Fonte de Alimentação:

O Trypanosoma cruzi é um protozoário transmitido por insetos triatomíneos (barbeiros), que


se alimentam de sangue humano e de outros mamíferos.

Ciclo de Vida e Reprodução:

1.​ Tripomastigotas metacíclicos: O barbeiro defeca ao se alimentar de sangue,


liberando tripomastigotas metacíclicos.
2.​ Penetração no hospedeiro: O protozoário entra no corpo por feridas na pele,
mucosas ou conjuntivas.
3.​ Invasão celular: No interior das células musculares e do sistema nervoso, os
tripomastigotas se transformam em amastigotas.
4.​ Multiplicação intracelular: Os amastigotas se multiplicam por divisão binária,
rompem a célula hospedeira e se transformam novamente em tripomastigotas.
5.​ Disseminação no corpo: Os tripomastigotas invadem novas células ou são
ingeridos por outro barbeiro ao sugar sangue.
6.​ No inseto vetor: Os tripomastigotas se transformam em epimastigotas no intestino
do barbeiro e se multiplicam.
7.​ Transformação final: Os epimastigotas migram para a porção final do intestino do
inseto e se transformam em tripomastigotas metacíclicos, prontos para infectar um
novo hospedeiro.
Sinais e Sintomas:

●​ Fase Aguda:
○​ Febre prolongada
○​ Edema palpebral unilateral (sinal de Romaña)
○​ Inflamação local no ponto de entrada do parasita
○​ Mal-estar e fadiga
●​ Fase Crônica:
○​ Cardiomiopatia chagásica (arritmias, insuficiência cardíaca)
○​ Megaesôfago e megacólon

Diagnóstico Clínico e Laboratorial:

●​ Clínico: História de exposição a áreas endêmicas e sintomas cardíacos ou


digestivos.
●​ Laboratorial:
○​ Exame de sangue para pesquisa direta do protozoário (fase aguda).
○​ Testes sorológicos (ELISA, IFI) para identificação de anticorpos (fase
crônica).
○​ Eletrocardiograma e ecocardiograma para avaliar complicações cardíacas.

Tratamento:

●​ Fármacos: Benzonidazol e nifurtimox são os fármacos indicados na fase aguda.


●​ Tratamento sintomático: Suporte para complicações cardíacas e digestivas na fase
crônica.
Profilaxia:

●​ Controle de insetos vetores.


●​ Melhoria das condições de moradia.
●​ Triagem de sangue doado.

Morfologia:

●​ Tripomastigota: Forma fusiforme, com núcleo central e flagelo.


●​ Amastigota: Forma arredondada, sem flagelo, presente no interior das células
infectadas.
●​ Epimastigota: Forma replicativa no tubo digestivo do barbeiro.

Referências

●​ NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 13ª ed. São Paulo: Atheneu, 2016.


●​ REY, L. Bases da Parasitologia Médica. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2019.
●​ BRASIL, Ministério da Saúde. Manual de Diagnóstico e Tratamento das Doenças
Parasitárias. Brasília, 2021.
●​ WHO (World Health Organization). Schistosomiasis Fact Sheet. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2024.
●​ CDC (Centers for Disease Control and Prevention). Chagas Disease. Disponível
em: [Link] Acesso em: 2024.

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