Globalização é um fenômeno de integração do espaço mundial através dos avanços da
tecnologia nos setores da comunicação e dos transportes, entre outros. Esse processo se
intensificou com o advento da Terceira Revolução Industrial, em que se observou um
aumento nos fluxos internacionais de capitais, mercadorias, pessoas e informações. Esse
processo é marcado pela multiplicação das empresas transnacionais e pela consolidação
do capitalismo financeiro, causando grandes transformações no sistema econômico
internacional e na organização do trabalho.
Atualmente, se criaram novas redes geográficas, e houve uma expansão sem
precedentes das escalas de propagação de informações e também do consumo. Apesar
disso, a globalização não se expandiu de maneira homogênea pelos territórios,
colocando uma parte da população mundial à margem desse processo.
Tipos de globalização
A expansão do capitalismo moderno pelo mundo deu início à globalização, mas esse
fenômeno não ficou restrito somente a essa esfera. Como foi mencionado, o
aperfeiçoamento técnico da comunicação e dos transportes propiciou novos
vínculos territoriais, permitindo-nos distinguir, para fins metodológicos, ao menos dois
diferentes tipos de globalização.
Globalização econômica
A globalização econômica refere-se ao processo de internacionalização da economia,
que é marcado pela consolidação do capitalismo monopolista (ou financeiro) como
novo modelo de acumulação, com grande importância do mercado no âmbito da tomada
de decisões.
A globalização econômica é caracterizada pela massiva presença das empresas
transnacionais pelo globo, pela padronização da produção e, sobretudo pela
fragmentação das cadeias produtivas, derivada da modernização tecnológica das
comunicações.
Está inserida também no escopo da globalização econômica a reestruturação produtiva
dos territórios em escala global, que tem como resultado a instalação de uma nova
divisão internacional do trabalho.
Globalização cultural
A globalização cultural, chamada também de globalização social, corresponde à difusão
de elementos culturais em escala planetária, da mesma forma como pode ser relacionada
ao aumento da circulação de pessoas pelo espaço mundial e nas trocas socioculturais e
relações que são estabelecidas nesses deslocamentos. Está intimamente ligada aos meios
de comunicação e ao desenvolvimento de novas tecnologias, como a internet, que
ampliam a escala das conexões e da difusão de informações.
Globalização da informação
O desenvolvimento das tecnologias de informação, com destaque para o advento da
internet, foi o principal responsável pelo surgimento do conceito deste tipo de
globalização.
Com as redes sociais online (como o Twitter, por exemplo), as pessoas que têm acesso à
internet podem receber e enviar informações instantaneamente para todas as partes do
mundo.
Unindo a globalização cultural com a necessidade de transmitir informações que
possam ser recebidas e interpretadas em todo o planeta, também surgiu a ideia de
determinar um idioma globalizado. Ou seja, uma língua que possa servir como elo entre
todas as outras.
Vantagens da globalização
A propagação das informações e do conhecimento atingiu, no atual período técnico,
uma escala sem precedentes na história, o que pode ser considerado um dos aspectos
positivos da globalização. Com a ideia de superação das barreiras físicas alcançada
pelos novos meios de comunicação e de transporte, é possível ter conhecimento em
tempo real do que acontece em outros territórios localizados a centenas de milhares de
quilômetros, bem como estabelecer canais de contato com pessoas em todos os lugares
do mundo.
O contato com novas tradições culturais foi ampliado, o que foi facilitado também pela
difusão de elementos por meio de músicas, filmes, séries, livros e outras produções
audiovisuais de várias regiões distintas do globo.
As próprias inovações no campo das ciências e da tecnologia podem ser apontadas
como vantagens do processo de globalização, assim como a circulação de mercadorias
com a ampliação do alcance dos mercados internacionais, o que significa maior
variedade de produtos aos consumidores finais. Ainda no campo econômico, as
intensificações dos fluxos de capital na forma de investimentos estrangeiros auxiliaram
o processo de industrialização de determinados países.
Desvantagens da globalização
Apesar dos pontos positivos, a globalização apresenta também uma série de aspectos
negativos, o que levou autores como Milton Santos a falarem em uma faceta perversa da
globalização.
Um dos seus pontos negativos é a padronização do consumo, resultante da dispersão das
transnacionais por todas ou quase todas as áreas do planeta, bem como da formação de
grandes conglomerados (oligopólios) que acabam por se tornar dominantes na produção
de um bem (alimento, produto de beleza, aparelho eletrônico, carro) ou na prestação de
serviços (bancários, comunicações etc.).
Nota-se ainda que a globalização não é um processo homogêneo e não incorpora todos
os territórios da mesma forma e intensidade em suas mais diferentes dimensões —
econômica, cultural ou informacional. Nesse sentido, há um reforço das desigualdades
socioeconômicas e o aprofundamento de problemas como a concentração de renda, a
pobreza e o desemprego, por exemplo.
Além disso, culturas já antes em uma posição hegemônica, que são aquelas dos países
desenvolvidos, obtêm maior alcance, o que conduz a um processo de homogeneização
cultural e menor protagonismo de costumes e tradições locais.
Efeitos da globalização
Da mesma maneira como o processo de globalização atingiu todas as dimensões que
compõem a sociedade, os seus efeitos repercutiram de forma abrangente nas mais
distintas escalas territoriais e esferas socioeconômicas. Difusão das empresas
transnacionais pelo espaço global;
Reconfiguração da divisão internacional do trabalho, caracterizada agora pela
presença de países desenvolvidos ou países centrais e também de países
emergentes e subdesenvolvidos, que constituem a periferia econômica;
Surgimento de novos organismos internacionais, principalmente após o fim da
Segunda Guerra Mundial, e de blocos econômicos que atuam na regulamentação
política e econômica em escala internacional e na intermediação de conflitos.
São exemplos dessas uniões o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional
(FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Mercosul e muitas
outras;
Ampliação da competitividade entre lugares e também entre empresas;
Transformações no papel do Estado diante da maior atuação do mercado;
Intensificação dos fluxos de investimentos estrangeiros entre empresas e
territórios;
Maior integração entre os lugares e criação de novas redes geográficas.
O processo de globalização resultou em impactos diretos ao meio ambiente. Embora
tenha havido um grande desenvolvimento dos transportes nesse período, o uso
indiscriminado de combustíveis fósseis ainda é realizado para a geração de energia nos
motores à combustão, lançando volumes expressivos de gases poluentes na atmosfera.
Mais recentemente, veículos elétricos têm sido desenvolvidos como uma alternativa,
mas o seu uso ainda é bastante restrito e de elevado custo.
A escala de produção e a crescente demanda por produtos dos mais variados
tipos intensificou a busca por recursos naturais e matérias-primas, sem contar, é
claro, com o aumento na produção de alimentos e commodities agrícolas que são
responsáveis pela abertura de novas áreas de cultivo e pastagem. Como
consequência desses processos, podemos citar: desmatamento, poluição de
mananciais, escassez de recursos, contaminação do solo e muitos outros efeitos
negativos para o ecossistema.
Além disso, o aumento da produtividade e do consumo gerou ampliação da
produção de lixo em escala global na mesma proporção, o que gera uma série de
problemas para os ambientes, tanto terrestres quanto marítimos, como é o caso
das toneladas de plástico que são descartadas anualmente nos oceanos.