Impacto da Auditoria Interna na Gestão
Impacto da Auditoria Interna na Gestão
SUPERIOR
DE CONTABILIDADE
E ADMINISTRAÇÃO
DO PORTO
POLITÉCNICO
DO PORTO
M MESTRADO
Auditoria
OUTUBRO/2019
Outubro/2019
INSTITUTO
SUPERIOR
DE CONTABILIDADE
E ADMINISTRAÇÃO
DO PORTO
POLITÉCNICO
DO PORTO
M MESTRADO
Auditoria
Dissertação de Mestrado
ii
Agradecimentos
Quero manifestar o meu sincero agradecimento a todos aqueles que, de formas diferentes,
contribuíram para que este trabalho fosse possível.
A elaboração da Dissertação de Mestrado foi para mim um enorme desafio pois tornou-
se num longo caminho de ansiedade e de angústia. Porém, ter chegado ao fim deste longo
percurso deixa-me muito orgulhosa e por isso quero agradecer a todas as pessoas que
fizeram parte desta etapa.
Quero agradecer à empresa onde trabalho, Cosmos-Viagens e Turismo, S.A pela ajuda e
flexibilidade durante todo o meu percurso académico. O vosso apoio foi fundamental!
Agradecer aos meus pais e irmãos por estarem sempre do meu lado e por me ajudarem na
tomada das minhas decisões.
Ao meu namorado por todo o apoio e a todos os meus amigos pelas palavras de
motivação.
OBRIGADA!
iii
Resumo
Analisar o Impacto da Auditoria Interna numa Oganização poderá ser um tema de grande
interesse para as empresas e para os utentes em geral. Este revela ser um tema da
atualidade por desenvolver matérias que contribuem significativamente para a redução de
riscos na tomada de decisão e para a melhoria na qualidade de gestão.
Nesta dissertação importa-nos estudar a importância que auditoria interna representa nas
Organizações de forma a acrescentar valor aos investidores, clientes, fornecedores e
sociedade. Neste sentido, começamos pela revisão da literatura com referência aos
principais conceitos, funções e competências inerentes à atividade da auditoria interna, a
partir do qual surgem as perguntas de investigação.
iv
Abstract
Analyzing the impact of internal audits on an organization can be a topic of great interest
to businesses in general. It reveals to be a important theme for the development of issues
and contributes to reducing risk in decision making and improving management quality.
In this dissertation, we want to study the importance that internal auditors represent in
organizations in order to increase the value to shareholders, customers, suppliers and
society. In this way, we started the literature review with reference to the main concepts,
functions and competencies inherent to the internal audit activity, from which the research
questions arise.
Then, explain the methodology created and present the empirical case, which was based
on the preparation of a questionnaire.
The results point to the importance of the activity developed by the internal auditors in
organizational success that will be developed in this dissertation.
v
Índice geral
Introdução ....................................................................................................................... 1
vi
4.5 Recolha de dados .......................................................................................... 38
Apêndices....................................................................................................................... 78
vii
Índice de Figuras
viii
Índice de Tabelas
ix
Índice de Gráficos
x
Lista de abreviaturas
AI Auditoria Interna
CG Corporate Governance
CI Controlo Interno
DF Demonstração Financeira
SOX Sarbanes-Oxley
xi
INTRODUÇÃO
1
Cada vez mais, as Organizações têm necessidade de se reinventar e tomar as decisões
mais assertivas contribuindo para o crescimento da Organização assim como para o
crescimento sustentado.
A auditoria interna é uma área que permite criar valor à organização pelo que deverá ser
parte integrante de qualquer modelo de uma organização, atuando diretamente com a
Administração e a Gestão da Organização.
Neste âmbito, a presente dissertação tem como principal objetivo analisar o Impacto da
Auditoria Interna na Gestão de uma Organização. Nesta análise, busca-se perspetivar as
áreas em que esta assume maior relevância assim como analisar o grau de influência das
informações prestadas pela AI na tomada de decisão.
A presente dissertação é constituída por seis capítulos sendo os três primeiros capítulos
alusivos à revisão da literatura.
2
No quarto capítulo são definidas as questões de investigação formuladas com base na
revisão da literatura e dos objetivos que pretendemos atingir. Neste capítulo é descrito o
modo como a investigação será realizada, tendo em consideração a população-alvo,
objeto de estudo, definição da amostra e os procedimentos adotados na recolha de dados.
3
CAPÍTULO I – AUDITORIA FINANCEIRA
4
1 AUDITORIA FINANCEIRA
5
Consequentemente, o papel do auditor assume uma posição de grande relevância devido
à sua responsabilidade no panorama empresarial. Isto é, cabe ao auditor adotar uma
atitude de ceticismo profissional, identificar e avaliar os riscos bem como planear e
desenvolver a auditoria com vista à obtenção de garantia razoável para emissão da sua
opinião.
Desta forma, podemos concluir que “os auditores são profissionais qualificados e
necessariamente externos à empresa, com o propósito de garantir a independência e
fiabilidade dos resultados das atividades das empresas e da sua posição financeira.”
(Duarte, 2010, pág.9)
Tal como conhecemos hoje, a auditoria surgiu por volta do século XIV mais precisamente
no ano de 1314 em Inglaterra quando foi criado o cargo de Auditor do Tesouro para
realizar auditoria a contas publicas. A pressão das forças económicas que acompanham a
profissão de auditoria desde os seus primórdios, bem como a sua adaptabilidade à
realidade económica e às exigências da sociedade, originou o seu crescente
desenvolvimento.
No entanto, segundo vários autores, há conhecimento que por volta do ano 4000 Antes
de Cristo se efetuavam auditorias na Babilonia, na China e no Egipto sobretudo
relacionadas com a cobrança de impostos e com o controlo de armazéns faraós. (Costa,
2010)
Santi (1988), aponta a Revolução Industrial que ocorreu no Reino Unido, no século
XVIII, como responsável pelos registos que deram origem à auditoria. A expansão dos
capitais e das atividades implicaram a necessidade de novos investimentos, exigindo a
segurança do seu retorno, principalmente quando os investidores eram pessoas não
ligadas à administração das entidades.
6
Várias são as teorias acerca da origem e evolução da auditoria ao contrário do que
acontece com o surgimento da contabilidade. Alberton (2002) defende que a
contabilidade surgiu com a necessidade de o Homem medir, controlar e trocar a sua
produção, deixando de ser apenas uma troca de alimentos, ainda Antes de Cristo.
Por fim, podemos concluir que o conceito de auditoria reflete as modificações económicas
e sociais que ocorreram ao longo dos últimos anos. Se primordialmente os processos de
auditoria visavam a descoberta de fraudes e erros, que na opinião de Griffiths (1885), leva
o público a colocar uma fé injustificada nos poderes da auditoria, com a modernização
dos mercados verificamos um alargamento a outros domínios, assumindo formas
específicas ou especializadas as quais iremos abordar de seguida.
No decorrer de uma auditoria qualquer processo deve ser dividido em três grandes fases
sequenciais, como a figura nº1 demonstra: Planeamento, Execução/Obtenção da Prova e
Elaboração do Relatório de Auditoria.
7
Figura 1 - Principais Fases de uma Auditoria
Fonte: Almeida et al. (2018)
8
• Risco e Materialidade: deve usar o seu julgamento tendo em conta a materialidade
e o risco associado. Considera-se que uma informação é materialmente relevante
se a sua omissão ou distorção puder influenciar as decisões dos utilizadores das
demonstrações financeiras.
• Natureza, Tempestividade e Extensão dos Procedimentos: estes termos prendem-
se essencialmente à calendarização do trabalho, seleção da equipa de auditoria,
identificação das áreas a testar e dos respetivos procedimentos a executar e a
definição dos objetivos a cumprir para as áreas a auditar.
Após a fase de Planeamento de uma auditoria, segue-se a fase de Execução, ou seja, dá-
se início ao trabalho de campo com intuito de obtenção à prova.
A fase de Execução tem início após a aprovação do Plano Global de Auditoria e termina
com o início do relatório de auditoria. O principal objetivo na fase de Execução é reunir
evidências de auditoria suficientes e apropriadas que permitam dar resposta às questões
de auditoria e sustentar as observações, conclusões e recomendações.
No caso de uma auditoria externa, com base na ISA 700 – “Formar uma Opinião e Relatar
sobre Demonstrações Financeiras”, o principal objetivo do auditor é poder formar uma
opinião independente sobre as demonstrações financeiras e a fiabilidade das mesmas.
9
Quando estamos perante uma auditoria interna, no qual o auditor tem um carácter
permanente na Organização, este elabora um Relatório com recomendações baseadas nas
observações e conclusões durante a realização do trabalho. (Morais & Martins,2007)
Tendo em conta o tema desta dissertação serão analisadas com maior profundidade
apenas duas áreas de Auditoria, que na opinião de Crepaldi (2007) são as auditorias às
demonstrações financeiras, também designadas por auditoria externa, e a auditoria
operacional ou de gestão, também conhecida por auditoria interna.
10
Auditoria externa para (Araújo 2004, pág. 20) pode ser definida como:
Tendo em atenção que o auditor externo não tem uma presença diária e contínua nas
entidades, para atender às necessidades da Gestão, surge o auditor interno como uma
ramificação da auditoria externa para a continuação de um trabalho periódico, com maior
grau de profundidade visando também outras áreas por exemplo: sistema de controlo de
qualidade, administração de pessoal, entre outras.
Para (Jund, 2001, pág. 26), a auditoria interna pode ser definida como:
Attie (1992) conclui afirmando que a auditoria interna ocupa um lugar privilegiado no
seio das organizações, uma vez que tem a capacidade de intervir com toda a estrutura e
determinar as áreas mais sensíveis propondo ideias para melhorar a atividade.
11
Figura 2 - Características entre Auditoria Interna e Externa
Fonte: Crepaldi, G.; Crepaldi, S. (2016, pág. 82)
Apesar das referidas áreas serem de diferentes níveis de complexidade são áreas que se
podem interligar e relacionar de forma a elevar o padrão de qualidade nos resultados
finais. Por exemplo, se o auditor externo tomar como base o trabalho realizado pelo
auditor interno, este poderá reduzir a realização de determinados procedimentos de
auditoria, assim como, o tempo despendido.
A auditoria interna é uma ferramenta muito útil para as Organizações pois também,
podem proporcionar prova de auditoria relativamente a várias rúbricas das demonstrações
financeiras ou classes de transações e à eficácia operacional das políticas e procedimentos
de controlo da empresa. (Wittington & Winters 1990)
Tal como mencionado por (Wood, 2004, pág. 2), “Auditores Internos e Externos têm
forças diferentes que se combinam para aumentar a eficácia das auditorias”. Mas interessa
compreender até que ponto é que estas áreas se podem complementar ou substituir.
12
Neste sentido, a aplicação da ISA 610 – “Usar o Trabalho de Auditores Internos”
determina que se o auditor externo pretender utilizar o trabalho desenvolvido pelos
auditores internos, este deve avaliar e realizar procedimentos de auditoria com o objetivo
de determinar o seu nível de confiança.
Contudo, se por um lado a cooperação entre os dois tipos de auditoria pode melhorar a
eficácia da auditoria externa através da prova para o trabalho de auditoria por outro lado
uma má coordenação entre elas pode levar à duplicação de trabalho e consequentemente
a maiores custos.
A ISA 610- “Usar o Trabalho de Auditores Internos” reporta alguns impedimentos que
possam pôr em causa o desenvolvimento de um ambiente favorável tais como:
13
CAPÍTULO II – AUDITORIA INTERNA
14
2 AUDITORIA INTERNA
Neste capítulo é realizada uma análise mais detalhada sobre a atividade de auditoria
interna. Inicialmente são abordados o conceito, alcance e funções da mesma. De seguida,
é apresentado o Instituto Português de Auditores Internos, assim como os motivos da sua
criação e objetivos. Questões como a independência e rotatividade do auditor interno são
temas analisados neste capítulo.
Por fim, aborda a importância que a auditoria interna representa para as organizações e o
contributo da mesma no Corporate Governance.
Para Teixeira (2006), a evolução no paradigma da auditoria interna, está relacionada com
o facto das necessidades das organizações se irem alterando com o tempo, pelo que a
auditoria deve adequar o seu papel de modo a corresponder às novas exigências que
podem advir de uma organização em permanente evolução.
Desta forma, o conceito de auditoria interna pode ser definido como: “um departamento,
divisão, equipa de consultores, ou outro (s) praticante (s), que fornecem serviços
independentes e objetivos de garantia e de consultoria, destinados a acrescentar valor e
melhorar as operações da organização.” – (IPAI ,2019)
Quanto ao seu alcance, a auditoria interna tem vindo a ser atualizada ao longo dos anos.
De facto, a auditoria interna tinha a função de proteger os ativos da empresa, a
credibilidade de informação financeira e a deteção de fraudes que assumia grande
relevância no papel da auditoria interna (Costa, 2010).
15
Atualmente, a auditoria interna deixa de ser uma função e passa a ser uma atividade que,
em vez de apenas se limitar a apoiar os membros da organização no desempenho eficaz
das suas responsabilidades, pretende contribuir para o aumento de valor das operações e
cumprimento dos seus objetivos.
Neste sentido, podemos concluir que auditoria interna constitui um elemento de controlo
de gestão, funcionando através de análise e avaliação da eficiência de outros controlos,
sendo efetuado por uma seção denominada para este fim, ou por um profissional ligado à
empresa. (Pinto, 2016)
Desta forma, o trabalho de auditoria interna torna-se mais completo pelo facto das suas
atividades de avaliação incidirem sobre diversas áreas como é possível observar na figura
nº3. Para além das áreas chave (contabilista e financeira) a AI intervém nas áreas de
gestão, controlo interno, governação e operacional.
Após a análise das referidas áreas, a auditoria interna colabora com os gestores na deteção
de ameaças e pontos fracos no controlo na empresa, recomendando as devidas alterações
de forma a que os objetivos da empresa não sejam comprometidos. O objetivo principal
da função de auditoria funciona como um “sócio estratégico da gestão”, que lhe permita
servir de assessor e consultor da mesma na identificação dos riscos e propor possíveis
estratégias de ação que permitam à instituição uma melhor performance. (Teixeira,2006)
Comprova-se assim, a visão proativa da AI, pois esta não se limita apenas à avaliação,
análise e diagnóstico, mas também à implementação de soluções e medidas corretivas,
certificando-se que a sua aplicação incrementará na organização criação de valor.
(Pinheiro, 2005)
16
Figura 3 - Funções da Auditoria Interna
Fonte: Morais & Martins (2013, pág. 92)
Segundo Morais & Martins (2013; pág. 92 citado em Augusto 2016), são atribuições de
atividade de AI:
17
Importa referir um dos principais orientadores para o exercício da auditoria interna. Em
Portugal foi criada em 6 de março de 1992, uma associação profissional denominada
Instituto Português de Auditoria Interna, IPAI, voluntária e sem fins lucrativos com o
intuito de promover a classe dos profissionais de auditoria interna e desta forma,
contribuir para a partilha e troca de experiências entre os profissionais.
18
2.3 Independência e Rotatividade do Auditor Interno
Com base num estudo, o autor (Chi 2011: citado em Santos, 2015) considera que a
rotatividade do auditor numa entidade poderá diminuir a qualidade das demonstrações
financeiras pois o bom relacionamento entre a comissão de auditoria e a empresa
auditada, o conhecimento da entidade e das pessoas que a compõem é uma mais valia
para a qualidade de uma auditoria.
As razões que podem estar na origem destes resultados segundo Simmons, Costigan, &
Lovata (2009) e Kramer et al. (2011) deve-se ao facto de os auditores serem mais
rigorosos e minuciosos no primeiro mandato comparativamente com os posteriores.
19
2.4 Importância da Auditoria Interna na Organização
A auditoria interna assume grande relevância para a gestão das organizações, pois através
da estratégia implementada, dos resultados obtidos e dos planos elaborados pela empresa,
o auditor vai poder identificar mais facilmente as oportunidades e as ameaças para a
consecução de resultados futuros.
Neste sentido, (Pamponet, 2009, pág.14) também é da opinião que a auditoria interna
constitui “uma função de apoio à gestão e, além de importante, tornou-se imprescindível
no mundo empresarial atual, visto que auxilia as empresas na obtenção de eficiência e
eficácia dos processos e recursos internos.”
Sendo uma atividade independente e objetiva no qual um dos principais objetivos é criar
valor e levar à melhoria dos processos de gestão de controlo, risco e governance parece-
nos importante perceber se de facto as organizações reconhecem a auditoria interna como
um benefício para as mesmas.
Desta forma, existem autores que consideram que um departamento de auditoria no seio
de uma organização é essencial para a sobrevivência das empresas, no sentido em que a
participação na gestão operacional das organizações não se baseia apenas na
“fiscalização” sobre os processos, mas sim, numa rede muito mais complexa de funções.
(Teixeira, 2006)
Segundo o mesmo autor em Portugal a reflexão sobre o Governo das Sociedades surge,
não pelos escândalos societários, mas sim pela harmonização dos mercados financeiros
nivelando os parâmetros da segurança e de organização dos agentes dos mercados.
Desta forma, o interesse pelas boas práticas governativas começa por se manifestar em
1999 pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sobre forma de
recomendações.
1
Traduzido em português como governo das empresas, governo das sociedades, governança corporativa.
21
A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) considera que uma adequada
política de CG deve:
• Garantir a transparência e assegurar a defesa dos acionistas e dos credores;
• Melhorar o desempenho da organização;
• Promover a gestão de risco;
• Responsabilizar os gestores pelos incumprimentos de objetivos e pelas violações
à lei;
Ainda que, com maior impacto nas empresas cotadas, o CG estabelece boas práticas que
podem ser aplicadas em todas as organizações independentemente do seu tamanho ou
estrutura. Deste modo, Morais & Martins (2007) refere não existir um modelo único de
governo, uma vez que os modelos têm de se adaptar à cultura e enquadramento legal de
cada país.
Neste seguimento, importa realçar o contributo da auditoria interna nesta matéria uma
vez que atua em áreas críticas da Organização, promovendo a redução dos riscos de
gestão. Para além do mencionado, recomenda decisões que procurem solucionar falhas e
consequentemente incita um maior envolvimento e responsabilidade do Conselho de
Administração, do Conselho Fiscal e do Comité de Auditoria. (Teixeira, 2006)
García, Barbadillo, & Pérez (2012) referem que a presença de atividade de auditoria
interna, devidamente articulada com a comissão de auditoria, reduz a oportunidade de a
gestão manipular resultados. Ora, este é um mecanismo muito importante para
credibilizar a informação.
22
CAPÍTULO III – CONTROLO INTERNO
23
3 CONTROLO INTERNO
Este capítulo tem por objetivo perceber do ponto de vista teórico a importância do
controlo interno para o bom desempenho das atividades de uma organização, assim como
para a elaboração dos trabalhos da auditoria interna. Apresenta o conceito, os objetivos,
as componentes e as limitações ao controlo interno.
Neste sentido, o controlo interno surge num contexto de auditoria, com o intuito de
aumentar a confiança dos stakeholders contribuindo para o sucesso de qualquer entidade.
Com base na ISA 315 (paragrafo 4) – “Identificar e Avaliar os Riscos de Distorção
Material por meio da compreensão da entidade e do seu ambiente” o controlo interno é
definido como sendo:
24
Em reposta ao governo americano após a ocorrência de vários escândalos financeiros,
surge a Lei Sarbanes-Oxley, mais conhecida como “SOX” aprovada em 2002.
Para além de potenciadora do Corporate Governance segundo Morais & Martins (2007),
Grumet (2007) defende que a Lei SOX contribui para o fortalecimento da
responsabilidade corporativa e o aumento da confiança dos investidores nas grandes
empresas e no mercado de capitais.
25
Para Costa (2010, pág. 224), o “CI administrativo não influi, em princípio, nas DF ao
contrário do que acontece com o CI contabilístico o qual, podendo afetar
significativamente os registos contabilísticos (e consequentemente as DF finais), deve
merecer uma atenção muito especial quer do auditor interno quer, sobretudo, do auditor
externo”.
Attie (1992), corrobora a mesma ideia que Costa defendendo a importância de sistema de
contabilidade eficiente e sólido apoiado num SCI eficiente.
O controlo interno permite, quer ao auditor, quer à empresa, obter uma segurança razoável
de que os seus objetivos: eficácia e eficiência das operações, fiabilidade das DF e
cumprimento com as leis e os regulamentos são alcançados e cumpridos com o sucesso
esperado. (Catalão, 2015)
O COSO é uma entidade sem fins lucrativos direcionado à melhoria do reporte financeiro,
através da ênfase no Corporate Governance, e no controlo interno. Este, é considerado
um framework poderoso, pois permite que as entidades se foquem nos seus valores,
componentes e processos chaves, de modo a que estas consigam atingir os objetivos
definidos. (Morais & Martins, 2013)
26
Contudo, em Setembro de 2017 o Committee of Sponsoring Organizations of the
Treadway Commission – COSO publicou a revisão de seu framework associado à gestão
de riscos corporativos, que agora se chama ERM – Integrating with Strategy and
Performance. As principais mudanças consistem numa nova estrutura com apenas cinco
componentes e vinte princípios alinhados ao ciclo de negócios bem como maior ênfase
na cultura organizacional. Esta nova estrutura explora também diferentes benefícios do
ERM assim como uma maior gestão de risco em todos os níveis da organização.
Deste modo, o modelo ERM representa a relação entre os objetivos que a entidade procura
alcançar e os componentes necessários para atingir esses mesmos objetivos. Na figura nº4
estão representados os principais objetivos: definição da missão e visão, planeamento de
objetivos estratégicos e melhoria da perfomance da organização.
27
Quanto ao ambiente de controlo, este está relacionado com a cultura da empresa e a forma
como esta lida com o controlo interno. O ambiente de controlo compreende alguns fatores
determinantes, considerados “soft controls” como a liderança, competência e estilo de
gestão que derivam essencialmente do posicionamento da gestão de topo.
A avaliação dos riscos de uma entidade consiste na identificação, análise e gestão dos
riscos relevantes e que poderão comprometer a consecução dos objetivos fixados para a
empresa. Citado em Duarte, 2011 estes riscos podem resultar de circunstâncias tais como
mudanças no ambiente operacional, entrada de novos colaboradores, mudanças nos
sistemas de informação, novas tecnologias, novas linhas de produtos ou atividades,
operações no estrangeiro, ou alterações nas normas contabilísticas.
Desta forma podemos concluir que as junções destas componentes formam um sistema
integrado, funcionando articuladamente entre si, respondendo de forma dinâmica a
qualquer mudança na envolvente (Morais & Martins, 2013).
28
3.3 Limitações ao Controlo Interno
Como já referido nos pontos anteriores, a adoção de um sistema de controlo interno parece
essencial para apoio da gestão assim como prevenir e evitar potenciais perdas, mas isso
não significa que a Organização esteja imune a situações indesejáveis.
Contudo, e na opinião de Costa (2010) a criação de um SCI é uma das mais importantes
responsabilidades do órgão de gestão de qualquer empresa. No entanto parece que o facto
de existir um sistema implementado não significa que o mesmo esteja operacional.
Deste modo, uma das principais limitações, segundo Costa (2010), diz respeito à falta de
interesse do órgão de gestão, que pode conduzir a uma falta de manutenção do Sistema
de Controlo Interno, comprometendo a confiança e a integridade da informação.
Considerada outra limitação pelo Tribunal de Contas (1999), no qual poderá originar
falhas no controlo interno, consiste no facto dos poderes de autorização de operações, por
parte daqueles a quem os mesmos foram atribuídos, poderem ser usados de forma abusiva
ou arbitrária.
A dimensão da empresa também faz parte das limitações ao CI pois torna-se mais difícil
atingir os objetivos numa empresa com poucos colaboradores. Na perspetiva do mesmo
autor, é mais complicado realizar segregação de funções numa entidade de menor
dimensão do que numa entidade de maior dimensão, ou seja, entidades de maior dimensão
possuem maior probabilidade de implementar um bom sistema de controlo interno.
(Costa, 2010)
A existência de erros humanos, tais como simples enganos, corresponde a uma das várias
limitações sugeridas por COSO (2013). Estes erros podem existir devido à negligência
dos colaboradores ou até mesmo devido à má compreensão das instruções, originando
uma falha no Controlo Interno. Consequentemente, o julgamento humano pode resultar
na tomada de más decisões.
29
Por fim, COSO (2013) afirma que os eventos e fatores externos, fora do controlo da
entidade, constituem também uma limitação que impede que a estrutura de governação e
administração obtenha uma segurança absoluta da realização dos objetivos da entidade.
30
CAPÍTULO IV – METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO
31
4 METOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO
Para Teixeira (2006, pág.72) este capítulo é de extrema importância, pois “é através da
metodologia que se estuda, descreve e explica os métodos que se vão aplicar ao longo do
trabalho, de forma a sistematizar os procedimentos adotados durante as várias etapas,
procurando garantir a validade e a fidelidade dos resultados”.
Para (Sousa, 2016) é possível definir metodologia como um estudo de métodos e etapas
a seguir num determinado processo de investigação. Por outras palavras, é uma
explicação detalhada e rigorosa de toda uma ação desenvolvida ao longo do trabalho de
pesquisa.
Nesta fase metodológica, Fortin (1999, pág. 102) considera “necessário escolher um
desenho apropriado segundo se trata de explorar, de descrever um fenómeno, de examinar
associações e diferenças ou de verificar hipóteses”. Portanto, antes de se iniciar um estudo
é necessário proceder a uma análise acerca dos diferentes tipos de pesquisa e escolher o
método mais adequado ao nosso estudo.
Também, Yin (1994) considera a seleção das questões a investigar como o passo mais
relevante para decidir o tipo de pesquisa.
Desta forma, surgem na perspetiva de Sousa & Baptista (2011), abordagens distintas no
que respeita aos métodos de investigação, classificando os métodos em: métodos de
investigação quantitativos, métodos de investigação qualitativos e métodos de
investigação mistos.
32
Diehl (2004; citado por Lima, 2014) descreve as duas abordagens do seguinte modo:
No que diz respeito à metodologia qualitativa, a informação recolhida para o estudo não
é expressa em números, mas sim em matéria subjetiva do objeto analisado. Como refere
(Richardson,1989) o método qualitativo difere do quantitativo uma vez que o método
qualitativo não utiliza qualquer instrumento estatístico como base na análise de um
problema.
Por fim, Diehl (2004) conclui que a escolha do método dependerá da natureza do
problema, bem como do nível de aprofundamento que se pretende alcançar.
Tendo como base o tema desta Dissertação: O Impacto da Auditoria Interna na Gestão de
uma Organização e após uma análise aos objetivos a atingir relativamente às questões de
investigação, optámos por enquadrar o estudo da presente dissertação como um método
quantitativo.
33
4.2 Formulação do problema
“No início de uma investigação, sabemos vagamente que queremos estudar tal ou tal
problema, mas não sabemos como abordar a questão”. (Quivy & Campenhoudt, 1998,
pág.2 citado em Lima, 2014).
É nesta fase que surge a formulação do problema. Para (Gil,2008, pág.33) o problema
pode ser definido como “o que dá margem a hesitação ou perplexidade, por difícil de
explicar ou resolver (...). Contudo, na aceção científica, problema é qualquer questão não
solvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do conhecimento.”
Neste sentido, a elaboração deste trabalho tem como objetivo compreender o impacto que
a auditoria interna tem na gestão de uma organização. Pretendemos avaliar se o impacto
da auditoria interna tem carácter positivo ou negativo na tomada de decisão das empresas
e perceber quais as áreas fulcrais cujo o impacto é notório e representativo.
2
Denomina-se população alvo a totalidade dos elementos sobre os quais se deseja obter determinado tipo de
informações.
34
4.4 Hipóteses de Estudo
Com o objetivo de obter uma resposta para o problema apresentado, qualquer estudo deve
basear-se em hipóteses para, posteriormente, serem testadas. A hipótese é “um enunciado
formal das relações previstas entre duas ou mais variáveis. Esta combina com o problema
e o objetivo numa explicação clara dos resultados esperados de um estudo” (Fortin, 2000
pág. 102; citado em Lima, 2014).
HIPÓTESES
PERGUNTAS DE INVESTIGAÇÃO
H2:
Existe relação entre o tempo na
A rotatividade do auditor interno pode pôr em função do Auditor Interno e a
Rotatividade do mesmo com a
causa a prevenção ou deteção do relato
prevenção/ deteção de fraude no
financeiro? (Chi, 2011) relato financeiro.
H3:
Existe relação entre a existência de
De que forma a implementação do Corporate um Departamento de Auditoria
Governance pode contribuir para o sucesso da Interna e a implementação de
Organização? (OCDE, 1999) Corporate Governance na
Organização.
35
Tabela 1 - Relação entre as perguntas de investigação e as hipóteses em análise
Hipótese 1
De acordo com Attie (1992) a Auditoria Interna ocupa um lugar privilegiado no seio das
organizações, uma vez que tem a capacidade de intervir com toda a estrutura e determinar
as áreas mais sensíveis propondo ideias para melhorar a atividade. Desta forma, Pinheiro
(2005) destaca a proatividade da AI pois não se limita apenas à avaliação, análise e
diagnóstico, mas também à implementação de soluções e medidas corretivas,
certificando-se que a sua aplicação incrementará na organização criação de valor.
Hipótese 2
Relativamente à rotatividade do auditor, as opiniões dividem-se e alguns autores
defendem que a rotação do auditor aumenta a qualidade da própria auditoria na medida
em que assegura uma maior independência por parte do auditor na execução do seu
trabalho.
No entanto (Chi, 2011) refere que a rotatividade do auditor numa entidade poderá
diminuir a qualidade das demonstrações financeiras pois bom relacionamento entre a
comissão de auditoria e a empresa auditada, o conhecimento da entidade e das pessoas
que a compõem é uma mais valia para a qualidade de uma auditoria.
36
Hipótese 3
A OCDE (1999) esclarece que um bom governo das sociedades deve proporcionar
incentivos adequados para que o órgão de administração e os gestores prossigam
objetivos que sejam do interesse da organização e dos seus acionistas devendo facilitar
uma fiscalização eficaz.
Da mesma forma, García, Barbadillo, & Pérez (2012) referem que a presença de atividade
de auditoria interna, devidamente articulada com a comissão de auditoria, reduz a
oportunidade de a gestão manipular resultados. Ora, este é um mecanismo muito
importante para credibilizar a informação
Hipótese 4
De acordo com Costa (2010) criação de um SCI é uma das mais importantes
responsabilidades do órgão de gestão de qualquer empresa. Segundo Griffiths (1885)
numa primeira fase, a Auditoria dava uma especial ênfase à deteção de fraudes o que
poderia levar o público a colocar uma fé injustificada nos poderes da Auditoria. Contudo,
apesar do trabalho de auditoria não se basear exclusivamente na deteção de fraudes, com
a implementação de um SCI eficiente é possível controlar e identificar possíveis
anomalias.
37
4.5 Recolha de dados
Para proceder à recolha dos dados optámos pelo uso de um questionário por entendermos
que era a técnica que melhor se adequava às especificidades do presente trabalho.
A escolha desta técnica de investigação apresenta uma série de vantagens pois possibilita
atingir um maior número de pessoas mesmo que estas estejam dispersas numa área
geográfica muito extensa; garante o anonimato das respostas e permite que as pessoas
respondam ao questionário no momento em que julgarem mais conveniente. (Gil, 2008)
38
Importa referir que não foi solicitada a identificação pessoal ou empresa a responder para
que esses não se sentissem inibidos nas suas respostas.
Assim sendo, o questionário foi enviado através da rede social Linkedln com uma breve
apresentação e o link que direcionava os inquiridos para a plataforma onde o inquérito
estava disponível de forma online. A seleção dos indivíduos para responder ao inquérito
baseou-se em dois fatores: contacto direto à área financeira e à área de controlo
interno/auditoria interna. O referido questionário também foi divulgado nas redes sociais
do IPAI – Instituto Português de Auditoria Interna. Deste modo foi possível obter um
maior número de respostas e ampliar a amostra deste estudo.
A definição das variáveis deverá ser uma das primeiras etapas na realização de um estudo.
De acordo com Lakatos & Marconi (1999) quando formulamos o problema e a hipótese,
deverá também ser feita a indicação das variáveis: dependentes e independentes. Segundo
o mesmo autor, estas devem ser definidas com clareza, objetividade e de forma
operacional.
39
Polit & Hungler (1995, pág. 374) descrevem uma variável como sendo “a característica
ou atributo de uma pessoa ou objeto que varia (assume valores diferentes) na população
estudada”. Desta forma, uma variável pode tomar diferentes valores para exprimir
quantidades, qualidades, características, magnitudes e traços.
Variável Dependente:
As variáveis dependentes são aquelas que são afetadas ou explicadas pelas variáveis
independentes, isto é, uma variável dependente representa uma quantidade cujo
valor depende da forma como a variável independente é manipulada.
Por outras palavras, a variável dependente é a variável que o investigador tem interesse
em compreender e explicar.
Variável Independente:
40
4.7 Modelo de Análise
De acordo com (Quivy & Campenhoudt 2005; citado por Cavadas 2016) a fase de
construção do modelo de análise constitui a ligação entre a problemática fixada pelo
investigador e o seu trabalho de elucidação sobre um campo de análise forçosamente
restrito e preciso.
H1 H2
H3 H4
Figura 5 - Modelo de Análise
Fonte: Elaboração Própria
Na figura acima nº5 podemos observar o esquema que representa a relação que se
estabelece entre as quatro hipóteses que constituem este estudo, e que de acordo com a
revisão bibliográfica parecem estar relacionadas entre si.
Neste estudo, foi considerada uma preponderância equitativa entre as várias hipóteses e,
assim sendo, cada asserção possui uma ponderação de 25% o que significa que, caso se
verifique a validação de, pelo menos, 50% das hipóteses, a conclusão será favorável
relativo ao impacto (positivo) da auditoria interna na gestão de uma organização. Caso se
venha a verificar a situação contrária a conclusão será, simplesmente, desfavorável.
41
4.8 Relação entre as hipóteses de análise e as perguntas do questionário
Após a construção das hipóteses com base na revisão da literatura, decidimos criar a
tabela nº2 com a relação entre as hipóteses e as perguntas colocadas no questionário.
42
CAPÍTULO V – APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
43
5 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
• Caraterização do Inquirido
Na caracterização do inquirido foram realizadas 3 questões tais como Género,
Cargo/Função dentro da Organização e Duração do mesmo. Estas questões permitem
fazer uma análise acerca da categoria profissional do inquirido e a sua experiência
relativamente à matéria abordada no inquérito.
Deste modo, perante a caracterização da amostra podemos verificar que a maior parte dos
inquiridos são do sexo masculino com uma percentagem de 67% sendo que os restantes
33% são do sexo feminino.
Feminino 30 33%
Masculino 61 67%
Total 91 100%
44
No que respeita ao cargo ocupado dentro da Organização concluímos que a maioria dos
inquiridos exerce a função de Auditor Interno correspondendo a 63% da amostra. De
seguida, 32% da amostra refere-se a outros cargos relacionados com auditoria como
Diretores de Auditoria Interna, Técnicos de Auditoria, Auditores Financeiros e
Administrativos. Os restantes 5% referem-se a cargos referentes a Contabilistas
Certificados e Diretores Financeiros.
32%
63%
2%
3%
Quanto à duração dos cargos ocupados pelos inquiridos, 49% da amostra exerce a sua
função pelo menos até 5 anos, de seguida 32% exercem há mais de 10 anos e a minoria,
19% exerce entre 5 a 10 anos.
Duração do Cargo
32%
49%
19%
45
Neste sentido, a tabela nº4 demonstra a relação entre o cargo do inquirido e a duração do
mesmo. Nesta análise concluímos que 49.45% da amostra, exerce atividade de auditoria
há pelo menos até 5 anos e que as restantes categorias ligadas a área de auditoria exerce
atividade no ramo há mais de 10 anos representando 31.87% da amostra.
• Caraterização da Organização
Perante o gráfico nº3, verificamos que a área com maior expressão é o setor de Serviços
relativo a 54% da amostra. A área Comercial representa 20% e o setor Industrial atinge
apenas 7%. Os restantes 19% correspondem a outros setores de atividade, como por
exemplo áreas de Saúde, Banca, Setor Público, Construção Civil e Transportes.
46
Setores de Atividade
19% 20%
7%
54%
Quanto ao tipo de empresa, gráfico nº4, foram considerados alguns tipos de organizações:
sociedades anónimas, por quotas e unipessoal por quotas. Também nesta questão os
inquiridos poderiam acrescentar outra opção de empresa. Contudo, verificamos que a
generalidade da amostra corresponde a sociedades anónimas com uma percentagem de
64.8%. As sociedades por quotas representam 13.2% da amostra e as sociedades
unipessoais por quotas apenas 1.1%.
Tipo de Empresa
21%
1%
13%
65%
47
Outros tipos de empresas como Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS),
Empresas Públicas Empresariais (EPEE) e Administração Publica (AP) compõem os
restantes 21% da amostra.
Nº de trabalhadores
Volume de Até 10 Entre 10 e Mais de Total Percentagem
Negócios 50 50
Menos de 700 000 2 3 1 6 6.59%
euros
Entre 700.000 e 8 0 3 9 12 13.19%
000 000 euros
Mais de 8 000 000 0 0 73 73 80.22%
euros
Total 2 6 83 91
Percentagem 2.20% 6.59% 91.21% 100% 100%
Por fim, a última questão sobre a caracterização da Organização prende-se sobre a sua
estrutura organizacional. Deste modo foi questionado aos inquiridos se a organização
possuía organigrama sendo que 98% responderam afirmativamente. Apenas 2% dos
inquiridos responderam que a organização não possui organigrama.
48
A Organização possui Organigrama?
2%
98%
Sim Não
Existência de Departamento de
Auditoria Interna
14%
86%
Sim Não
49
Conforme se pode observar pelo gráfico nº7, verificamos que a maioria dos inquiridos
responde afirmativamente à questão colocada, isto é, 86% afirmam que a estrutura
organizacional contempla a atividade de auditoria interna. No entanto, apuramos que 14%
da amostra responderam negativamente à questão e perante esta situação os inquiridos
passam diretamente para a questão nº16.
Nº de colaboradoress que
compõem o Departamento
Auditoria Interna
33%
47%
20%
50
Áreas da Organização % Sim % Não
Financeira / operacional 96.25% 3.75%
Gestão de risco 86.84% 13.16%
Qualidade 57.58% 42.42%
Recursos Humanos 75.36% 24.64%
Comercial 72.86% 27.14%
Tabela 6 - Áreas de atuação da Auditoria Interna
Fonte: Elaboração Própria
Existência de um Manual de
Procedimentos
15%
85%
Sim Não
A avaliação da atividade de AI também foi uma questão respondida pelos inquiridos pelo
que 36% da amostra refere que a avaliação da atividade de AI é sempre sujeita a
avaliações e 29% afirma serem realizadas avaliações frequentemente. Contudo 15% da
amostra refere nunca terem sido feito avaliações à atividade de AI.
51
Avaliação da atividade de AI
15%
36%
20%
29%
25,0% 26,2%
2,5% 2,5%
52
Na questão nº16 pedimos aos inquiridos que classificassem o grau de importância numa
escala de 1 a 5 sendo que 1 representa pouco importante e 5 muito importante, os
principais objetivos da AI numa Organização.
52%
51%
44%
43%
40%
40%
36%
35%
31%
31%
15%
15%
14%
14%
10%
9%
4%
4%
3%
2%
2%
2%
1%
1%
0%
53
Relatório com recomendações da AI
6%
94%
Sim Não
Após a seguinte análise, é demonstrado que a maioria dos inquiridos afirma ter
existência de um sistema controlo o interno, justamente 93% da amostra. Apenas 7%
revela não ter qualquer sistema de controlo interno.
Existência de um Sistema de
Controlo Interno
7%
93%
Sim Não
54
No mesmo seguimento da questão anterior, dos 93% dos inquiridos que responderam
existir um sistema de controlo interno, 65% é aplicado de forma formal, ou seja, através
de um manual de procedimentos. Do mesmo modo, 25% dos inquiridos refere que o SCI
é aplicado de forma informal, não existindo um documento escrito.
Dado que nesta questão os inquiridos poderiam dar outra resposta para além das
mencionadas, 10% das respostas referem-se a outros métodos de como o SCI é
implementado tais como existência de diferentes manuais, isto é, um manual para cada
processo e através de um Software específico (Opensource) no qual consideramos que
ambos métodos se enquadram na aplicação formal .
25%
65%
A análise dos resultados da tabela nº7, relativa à cooperação, indica que 56% dos
inquiridos refere que os Órgãos de Gestão cooperam algumas vezes no desenvolvimento
dos trabalhos da atividade de auditoria interna, seguindo-se os que dizem que esta
cooperação é sempre praticada (35.20%). Salienta-se que apenas 8.80% dos inquiridos
afirmam não existir cooperação por parte dos Órgãos de Gestão.
55
Cooperação dos Órgãos de Gestão N %
Nunca 8 8.80%
Sempre 32 35.20%
Relativamente às áreas onde o SCI atua podemos verificar uma alta proporção nas três
áreas selecionadas com percentagens entre os 76% a 86%.
Na parte final do questionário, decidimos abordar um tema que tem vindo a estar mais
em foco nas organizações: O Corporate Governance. Deste modo, questionamos aos
inquiridos se as respetivas Organizações adotavam princípios de Corporate Governance
e no caso de a resposta ser afirmativa de que forma o mesmo era aplicado.
Perante a análise do gráfico abaixo, 82% das respostas foram afirmativas o que nos indica
que praticamente todas as organizações que fazem parte da nossa amostra adotam
princípios de Corporate Governance.
56
A Organização adota princípios de
Corporate Governance?
18%
82%
Sim Não
Quanto ao método de divulgação, dos 82% que respondeu “Sim” à questão anterior, 31%
refere que os princípios de Corporate Govenance são divulgados através do Relatório de
Contas e de Reuniões com colaboradores e diretores, simultaneamente. Contudo, 21%
dos inquiridos responderam não serem divulgados devido ao facto da organização não
adotar princípios de Corporate Governance.
57
Por fim, abordamos a rotatividade e a independência do auditor interno para compreender
a opinião dos inquiridos sobre esta temática. Deste modo, questionámos os inquiridos:
“A rotatividade dos Auditores Internos é uma mais valia para a prevenção e deteção da
fraude de relato financeiro. Concorda com a afirmação?”
Com base no gráfico nº16 verificamos que 55% dos inquiridos concorda que a
rotatividade dos auditores interfere na qualidade de auditoria tornando-se uma mais valia
para a gestão de uma Organização. No entanto, 32% discordam da afirmação e 13%
revelam não ter opinião sobre o tema.
13%
32% 55%
Perante o gráfico nº17 podemos concluir que 39% dos inquiridos consideram não
haver relação entre o tempo na função e a sua independência. Contudo, 35% dos
inquiridos são da opinião que de forma a garantir a independência do auditor, a
rotação do mesmo deveria incidir entre 5 e 10 anos.
58
Na sua opinião, de forma a garantir a independência,
ao fim de quantos anos deveria existir rotação do
Auditor Interno?
23%
39%
3% 35%
Menos de 5 anos
Entre 5 e 10 anos
Mais de 10 anos
Não há relação entre o tempo na função e a independência
Após a análise descritiva dos dados obtidos, segue-se a abordagem inferencial dos
mesmos, através da estatística analítica.
H0: Hipótese Nula: é a hipótese que julgamos improvável. Geralmente contém (=).
59
Os testes de hipóteses são sempre compostos por duas hipóteses: a hipótese nula (H0) e
a alternativa (H1), ou seja, a hipótese nula é a hipótese que é considerada verdadeira
durante o procedimento do teste até ao momento em que haja evidência significativa que
permita refutar a hipótese nula. A hipótese alternativa é aquela que se pretende confrontar
com os factos estatísticos e na qual se admite que a experiência realizada com a amostra
não desencadeou alterações nas suas características.
Por outras palavras, a hipótese alternativa só pode ser considerada válida, caso a hipótese
nula seja, estatisticamente, rejeitada. Ou seja, a resposta num teste de hipóteses é baseada
na rejeição ou não rejeição da hipótese nula (H0).
Por outro lado, e uma vez que a tomada de decisão é baseada numa amostra da população
e não na sua totalidade, pode-se cometer dois tipos de erros. O erro tipo I consiste em
rejeitar a hipótese nula quando a mesma é verdadeira. A probabilidade de cometer um
erro tipo I num teste de hipóteses é designada de nível de significância e representa-se
pela letra grega (α). O erro tipo II consiste em não rejeitarmos a hipótese nula quando a
mesma é falsa. A probabilidade de ocorrer um erro tipo II é denominada pela letra grega
(β).
De acordo com a tabela nº10, podemos concluir que a hipótese nula pode ser rejeitada se
o valor de p for inferior ou igual a 0.05, e não pode ser rejeitada se for superior a esse
valor.
60
Se p >=0.1 Não existe evidência contra a H0, logo não é possível rejeitar
a hipótese nula.
61
No que respeitos aos testes não paramétricos, para Tuckman (2000), são testes que
requerem menos pressupostos, quando comparados com os paramétricos. Baseiam-se em
dados ordinais e/ou nominais, são muito úteis para a análise de pequenas e grandes
amostras, no entanto não é um método tão forte quanto os paramétricos pois têm menor
probabilidade de se rejeitar a hipótese nula.
As nossas hipóteses foram testadas com um intervalo de confiança de 95%, ou, por outras
palavras, com um nível de significância de 5%, em que a probabilidade de ocorrer o erro
tipo I é de 5% (é o erro de rejeitar H0 quando, na realidade, H0 é verdadeira).
Para que o teste de independência do Qui-Quadrado possa ser aplicado com rigor, é
necessário que as seguintes condições sejam preenchidas:
Nas situações em que não se cumpra o requisito nº4, será utilizada a simulação de Monte
Carlo.
62
5.3 Discussão de Resultados
Hipótese 1:
63
Tabela 12 - Teste do Qui-Quadrado por Simulação de Monte Carlo H1
Fonte: SPSS
Hipótese 2:
(H0): Não existe relação entre o tempo na função do Auditor Interno e a Rotatividade do
mesmo com a prevenção / deteção de fraude no relato financeiro.
A tabela nº13 demonstra que 54.9% dos inquiridos consideram a rotatividade do auditor
uma mais valia para prevenção e deteção de fraudes no qual o período da sua rotatividade
numa Organização deverá incidir entre 5 e 10 anos. No entanto, 361.9% discordam da
afirmação e consideram não existir relação entre o tempo e a função.
64
Tabela 13 - Tabela contingência relativo à Rotatividade do Auditor Interno
Fonte: SPSS
65
Hipótese 3:
66
Tabela 16 - Teste do Qui-Quadrado H3
Fonte: SPSS
Hipótese 4:
(H0): Não existe relação entre o envolvimento do Órgão de Gestão no SCI e a importância
da Auditoria Interna na mitigação e ocorrência de fraudes.
67
Tabela 17 - Tabela contingência relativo ao envolvimento do Órgão de Gestão
Fonte: SPSS
68
CAPÍTULO VI - CONCLUSÃO
69
No contexto atual, com a crescente concorrência dos mercados, o papel da auditoria
interna tem conquistado uma posição indispensável ao sucesso de uma Organização
fomentando a qualidade e o rigor na tomada de decisão. Neste sentido, a auditoria interna
é capaz de contribuir significativamente para a redução de riscos e melhorar a qualidade
da gestão.
Neste sentido, através da revisão da literatura realizada foi possível constatar a crescente
evolução da auditoria interna bem como o seu alargamento a outros domínios. A auditoria
interna deixou de ser limitada ao domínio contabilístico/financeiro alargando o seu campo
de atuação para diversas áreas como por exemplo no âmbito organizacional e operacional
das entidades.
No que respeita à rotatividade dos auditores internos 55% dos inquiridos concorda que a
rotatividade dos auditores interfere na qualidade de auditoria tornando-se uma mais valia
para a gestão de uma organização. No entanto, 32% discordam da afirmação e 13%
revelam não ter opinião sobre o tema. Quanto á independência do auditor, 39% dos
inqueridos consideram não haver relação entre o tempo na função e a sua independência.
70
Contudo, 35% dos inquiridos são da opinião que, de forma a garantir a independência do
auditor a rotação do mesmo deveria incidir entre 5 e 10 anos.
O Corporate Governance é um dos temas que tem vindo a estar cada vez mais em foco
na medida em que o mercado e as instituições reconhecem o impacto positivo que as boas
práticas de Corporate Governance nas Organizações. E, de facto, 82% da amostra
confirma a adoção de medidas de Corporate Governance nas respetivas Organizações.
Na análise ao controlo interno consideramos que esta é uma área que se tornará cada vez
mais importante dentro de uma organização, no qual 93% da amostra respondeu
afirmativamente à questão sobre a existência de um SCI na Organização. Quanto à
envolvência do Órgão de Gestão no desenvolvimento e manutenção do SCI, 56% dos
inquiridos respondeu algumas vezes, 35.20% respondeu cooperar sempre e apenas 8.80%
respondeu nunca cooperar no desenvolvimento do CI.
Posto isto, tendo em conta a ponderação do modelo de análise construído onde cada
hipótese analisada correspondia a 25%, podemos dizer que a H1, H2 e H3 confirmaram-
se pelo que obtivemos 75% de confirmação das hipóteses.
Em sentido oposto, a hipótese H4 não se verificou, ou seja, não existe relação entre o
envolvimento do Órgão de Gestão no SCI e a importância da Auditoria Interna na
mitigação e ocorrência de fraudes. Uma possível explicação para que a quarta hipótese
não se verifique pode estar relacionada com a construção da pergunta nº19 do
questionário, o que poderá ter levado a várias interpretações por parte dos inquiridos e
desta forma o objetivo ter sido deturpado.
Assim sendo, com uma percentagem de confirmação de 75%, consideramos ter alcançado
o objetivo a que este estudo se propôs, dando uma resposta bastante assertiva à pergunta
inicial desta pesquisa “O impacto da auditoria interna na gestão de uma organização”.
71
Limitações ao Estudo
Como limitações ao presente estudo, consideramos a dificuldade de obtenção de respostas
por parte das empresas. Neste sentido, sentimos a necessidade de alterar o método de
envio do questionário inicialmente estabelecido o que constituiu uma dificuldade
acrescida, impedindo o normal desenvolvimento do trabalho.
Consideramos a nossa amostra um ponto limitativo na realização deste estudo, uma vez
que não foi possível obter respostas por parte dos Órgãos de Gestão das Organizações.
72
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APÊNDICES
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Apêndice I – Questionário Realizado
79
80
81
82
83