0% acharam este documento útil (0 voto)
562 visualizações26 páginas

Resumo Hca

O documento aborda a civilização grega, destacando Atenas como um centro democrático e cultural no século V a.C., e a importância de figuras como Péricles. Também explora a mitologia grega, a evolução do pensamento filosófico, a arquitetura, a escultura e as artes, além de mencionar a transição de Roma de uma monarquia para um império sob Octávio César Augusto. A obra é rica em detalhes sobre a organização social, política e cultural da Grécia e Roma antigas.

Enviado por

Ana Gonçalves
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
562 visualizações26 páginas

Resumo Hca

O documento aborda a civilização grega, destacando Atenas como um centro democrático e cultural no século V a.C., e a importância de figuras como Péricles. Também explora a mitologia grega, a evolução do pensamento filosófico, a arquitetura, a escultura e as artes, além de mencionar a transição de Roma de uma monarquia para um império sob Octávio César Augusto. A obra é rica em detalhes sobre a organização social, política e cultural da Grécia e Roma antigas.

Enviado por

Ana Gonçalves
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

lOMoARcPSD|48131565

HCA – Resumos Exame Nacional 2024


MÓDULO 1
O Homem da democracia de Atenas:

 No Sul da Península Balcânica nasceu a civilização grega ou helénica, que


resultou de um desenvolvimento contínuo. Uma das cidades estado mais
importantes de Hélade (de onde provinha a civilização helénica ou grega),
no século V a. C, era Atenas.
 Atenas era conhecida por ser uma cidade autónoma e autossu昀椀ciente, era
formada por um corpo cívico (conjunto de cidadãos, homens atenienses com
mais de 18 anos e com o serviço militar cumprido) que governava a cidade e
estabelecia as suas leis.

Constituição de Atenas:

Fig.1 – Polis Grega

Acrópole – área sagrada e forti昀椀cada localizada na parte alta da cidade.


Ágora – praça pública, localizada na parte baixa da cidade, era considerado um
centro político, um centro cívico e social, centro administrativo e religioso, centro
cultural, centro judicial, e um centro comercial.
Zona Urbana – área habitacional privada.
Zona Rural – onde se praticava a agricultura e a pecuária.
Porto Marítimo – importante na vida económica e cultural.

 As guerras pérsicas tais como a Batalha de Salamina, que foi um dos últimos
combates navais entre os Persas e os Gregos, em que os Persas se viram
“a昀氀itos”, devido à inteligência tática do comandante grego, e à agilidade dos
trirremes (tipo de navio usado na época), que elevou o orgulho grego e
salientou a importância da razão e da cultura grega sobre a barbárie (falta
de civilização) dos Persas.
 Outros aspetos importantes que salientaram a importância dos gregos
foram: a criação de um regime democrático (apenas os cidadãos
participavam diariamente na governação da cidade), o desenvolvimento
cultural, cientí昀椀co, e artístico, o papel dirigente na Liga de Delos, e a
governação de políticos como Péricles.

O Grego Péricles:

 Péricles, foi o primeiro historiador grego, era conhecido devido às suas 4


grandes virtudes: inteligência, eloquência, patriotismo e desinteresse. O seu
período de governamentação caracterizou-se devido à consolidação da
democracia, limitação dos poderes da aristocracia, criação da mistoforia

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

(subsídio atribuído a todos os cidadãos que faziam parte da Assembleia de


Cidadãos) e reconstrução de Atenas.
 Durante este período Atenas tornou-se a “escola” mais importante da época
clássica, porém em 431 a. C, devido à guerra do Peloponeso (entre Atenas e
Esparta), a decadência foi tomando conta de Atenas e da própria Hélade,
que foi conquistada por Filipe II, e mais tarde pelos romanos.

Mitologia grega:
 A Mitologia grega simboliza os “mitos”, criados por Homero e Hesíodo, que
explicam a origem do homem e do mundo, através da vida de deuses belos
e imortais (Apolo, Posídon, Atena…), semideuses, e heróis que eram
representados com características físicas semelhantes à do homem
(antropomor昀椀smo), e pelos seus vícios e defeitos. OLIMPO – reino dos
deuses.
 Foi através da Mitologia, que artistas, 昀椀lósofos e cientistas, se inspiraram
para criarem as suas obras, para darem nomes a astros, plantas, …

A Organização do Pensamento:
 Ao surgir a organização do pensamento, na Grécia, as explicações míticas
foram “esquecidas”, devido ao surgimento de 昀椀lósofos defensores de um
pensamento lógico e racional, tais como: Sócrates (autoconhecimento),
Platão (razão), e Aristóteles (lógica).

O Estádio e o Teatro:
 As práticas desportivas e as representações eram atividades mais
participadas pelos gregos, usadas como convívio social. Tinham intenção
social, cultural e política contribuindo para uma formação moral e
consciência cívica dos gregos.
 Estádio – pista alongada com terra batida, bancadas num dos lados do
estádio, estabelecimento usado para a preparação dos cidadãos gregos para
a guerra (praticava- se exercício físico).
 Teatro – invenção grega, que teve origem nos ditirambos (narrativas em
verso dedicadas ao Deus Dioniso), daí o seu carácter religioso e sagrado. Era
organizado em tragédias (assuntos sérios ligados à religião e à História), e
em comédias (factos políticos e 昀椀guras públicas, tratados de um modo
crítico e cómico). Ambas continham vários atores que usavam diversas
máscaras para representar melhor cada tema.

Constituição do Teatro:
 Cena
 Palco ou Proscénio
 Orquestra
 Párodos ou Entradas (onde 昀椀cava o Coro)
 Bancadas (onde 昀椀cava o público)

Fig.2 - Teatro Grego

Teatro de Prienne:
 O teatro de Prienne localizava-se na Turquia, e é um dos mais antigos da
Ásia, foi umas das manifestações culturais mais populares da Grécia Antiga.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Os Persas, de Ésquilo:
 Uma peça de Ésquilo inspirada na batalha dos gregos sobre os Persas na
Batalha de Salamina, narrada a partir dos vencidos. Cumprindo o carácter
religioso e a função cívica do teatro, Ésquilo leva o público a questionar o
sentido da existência e o poder dos deuses sobre o destino do Homem.

Arquitetura grega:
 A arquitetura grega é racional, foi feita á medida do da evolução do Homem,
e para o mesmo. Foi na arquitetura, que o homem grego pretendeu atingir a
harmonia entre o Homem e a Natureza, re昀氀etindo um sistema racional. A
principal expressão da arquitetura grega foi o templo e as ordens
arquitetónicas.
 Templo – feito com mármore, segundo um sistema trilítico, numa fusão entre
racionalismo, idealismo e antropocentrismo, o templo é um objeto
arquitetónico com um forte carácter estético, concentra a procura de
racionalidade, de perfeição e do belo. No seu traçado são aplicadas noções
de ordem, proporção e harmonia.
 Ordem Arquitetónica – as ordens arquitetónicas consistem num conjunto de
regras que de昀椀nem as relações de proporção entre todos os elementos de
uma construção. Existem tês tipos de ordens arquitetónicas, a dórica
(apresentava robustez, decoração sóbria, correções óticas, capitel
geométrico, frisos com métopas e tríglifos), a jónica (mais esbelta e com
mais decoração, desta deriva a ordem coríntica, com mais decoração no
capitel).

Fig. 3 – Templo Grego

Os Templos Pártenon e Atena Niké:


 O Pártenon é um templo de ordem dórica, dedicado à deusa Atena, feito com
mármore pentélico e pintado com cores vivas. Apresenta fachadas exteriores
com 8 colunas nos lados menores, e 17 nos lados maiores. O friso contém 92
métopas, separadas por tríglifos, nos quais se encontram altos relevos que
apresentam quatro batalhas mitológicas. No interior, a cella é mediada por
um pórtico prostilo de seis colunas, e é rodeada por um friso jónico
(contínuo). No interior do naus encontrava-se uma estátua criselefantina
gigante com 昀椀nalidade votiva de Atena Partenos. A decoração escultórica
realizada com relevos e estátuas em mármore pentélico, com grande
realismo e com um requintado virtuosismo técnico.

Fig.4 – Templo Pártenon

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

 O Templo de Atena Niké é um pequeno templo jónico, a昀椀próstilo com quatro


colunas, de planta irregular. O friso exterior é jónico. Construído num
promontório à entrada de Acrópole. A decoração concentrava-se nos capiteis
com volutas, tímpanos dos frontões e no friso contínuo. Na balaustrada
destacava-se Niké desapertando a sandália, devido à sua elegância e pelas
suas vestes de aparência molhada, coladas ao corpo caindo de forma
ondulante.

Fig. 5 – Templo de Atena Niké

A Escultura Grega: O Homem em todas as dimensões:


 A Arte grega está dividida em três períodos de tempo: arcaico, clássico e
helenístico. Os artistas gregos incidiram as suas pesquisas na procura de
proporção, de harmonia e de um ideal de beleza, aplicados à morfologia do
corpo humano. A escultura grega era “parceira” da arquitetura devido à sua
função ornamental, 昀椀ns religiosos, 昀椀ns políticos e honorí昀椀cos, e 昀椀ns
funerários.
 O período arcaico dividia-se em duas modalidades (estatuária ou vulto
redondo e relevo). Foi marcado pelos kouroi (rapazes nus que simbolizavam
deuses e heróis) e pelas korai (raparigas vestidas que representavam deusas
ou virgens) na estatuária, mostravam rigidez, tinham olhos amendoados,
demonstravam um leve sorriso e estavam cobertos de viva policromia.

Fig. 6 – Kouroi e Korai

 O relevo era ajustado à arquitetura de acordo com cada ordem, na ordem


dórica ocupava as métopas e os tímpanos dos frontões, na ordem jónica
ocupava os tímpanos e os frisos contínuos.
 Do período severo á idade clássica (século V a.C) a 昀椀gura humana começa a
apresentar movimento e um maior domínio de proporções, a sua expressão
austera, séria e contemplativa. Foram estabelecidos cânones (conjunto de
regras de proporção métrica entre as diferentes partes do corpo humano,
produzindo modelos harmoniosos, com uma expressão serena, então estas
estátuas passam a designar-se como Estilo Severo. Os principais artistas
deste período foram Míron, Fídias e Policleto.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 7 – escultura grega, Estilo Severo


 Durante o período clássico, ou classicismo, dominava o movimento, a
expressividade e o naturalismo das 昀椀guras na escultura grega. Os artistas
principais desta época foram Escopas, Praxiteles e Lisipo.

Fig. 8 – Escultura grega, período clássico

 Após este período surgiu o período helenístico, onde o interesse dos artistas
se dirigiu à expressão da paixão, do sentimento e do afeto (exteriorização de
emoções) dando preferência a composições complexas, desequilibradas e
com uma acentuada expressão dramática.

Fig. 9 – Escultura grega, período Helenístico

Cerâmica e Pintura:
 Cerâmica – A Cerâmica Grega foi um dos melhores testemunhos da cultura,
da religião e da civilização grega. Foi inspirada em assuntos sobre cenas do
quotidiano e funções religiosas e funerárias, fornecendo-nos informação
preciosa acerca da civilização grega. De昀椀niu- se nos estilos geométricos, de
estilo de 昀椀guras negras (expressões naturalistas e pormenores anatómicos
caracterizados a negro para dar realismo e movimento) e de 昀椀guras
vermelhas, como exemplo o Vaso Pronomos.
 Vaso Pronomos – O Vaso Pronomos foi executado com estilo de 昀椀guras
vermelhas (peças cobertas de preto, onde ressaltam motivos decorativos na
cor natural da argila) que constituí uma fonte histórica de maior importância,
que acaba por representar uma companhia de teatro, contendo numerosa
informação sobre os atores, as suas vestes e máscaras, e sobre os músicos
que os acompanhavam.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 10 – Vaso Pronomos Fig. 11- Ânforas Gregas

 Pintura – nos dias de hoje restam poucos exemplos de pintura grega, porém
desempenhou um papel importante no enriquecimento dos ambientes
interiores. No século V a.C registou se também um aumento do naturalismo,
o domínio do movimento e uma maior expressividade de 昀椀guras. Os temas
comuns são cenas alegóricas e mitológicas, o quotidiano, as paisagens e as
naturezas mortas.

MÓDULO 2

A Lei e a Ordem do Império:


 Diz a lenda que Roma foi fundada em 753 a. C, sendo conhecida por ser uma
só cidade, que conquistou para si um vasto território. Na sua evolução Roma
passou de uma Monarquia à República e desta ao Império. A sociedade
romana era formada por uma elite privilegiada, que eram conhecidos por
serem os cidadãos mais ricos, chamados de “patrícios”, abaixo deste os
plebeus que trabalhavam para eles, chamados de “clientes”, e mais abaixo
os plebeus, que eram o povo em geral que se dedicava ás atividades
comerciais, ao artesanato e aos trabalhos agrícolas, ainda abaixo da plebe
encontravam-se os escravos. O Império Romano tornou-se um modelo de
organização social e política, desenvolvendo inclusivamente uma língua, o
latim.

O Romano Octávio:
 A Idade de Ouro da civilização romana aconteceu durante o governo de
Octávio Cesar Augusto, que iniciou a construção de um dos maiores impérios
da História. Durante este período Octávio estabilizou a política interna,
reorganizou a administração do Estado, criou uma ampla rede de estradas,
dinamizou um vasto programa de obras públicas, impulsionou a economia, e
apoiou a cultura e as artes. Tendo obtido das instituições políticas de Roma o
poder absoluto, Octávio pôde estender a sua ação a todos os aspetos da
governação , como: o militar (continuou conquistas estabelecendo a paz
romana - imperator), o político (reduziu os poderes do Senado reforçando a
sua autoridade política), o social (reorganizou a sociedade gerando paz
social), o cultural (desenvolveu as artes e as letras), e o religioso (adquiriu
toda a autoridade sobre a religião – pontifex maximus). Com tudo isto Roma
acabou por se tornar num modelo tradicionalista e civilizacional, foi também
copiado o modelo de vida sociocultural, permitindo um rápido e profundo
processo de aculturação das populações, das diferentes partes do Império,
romanização.

Fig. 12 – Romano Octávio

O Senado: Os Senadores e o Cursus Honorum:


 O Senado era uma assembleia de cidadãos notáveis eleitos entre os
patrícios, era a mais alta autoridade do Estado, e competia lhe zelar pelas
boas práticas do governo e das magistraturas (os cargos públicos)
integrados no Cursus Honorum, a carreira política dos patrícios. O Senado

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

detinha funções máximas da governamentação em Roma: ordinárias


(política extrema, decidir da paz e da guerra, administração das 昀椀nanças), e
extraordinárias (suspender tribunais, intervir no governo das províncias,
gestão do exército). No Senado, onde as ideias, opiniões e juízos eram
debatidos com determinação, a retórica (arte da argumentação) era a
condição fundamental para o sucesso dos oradores para a facilitação e para
o sentido das deliberações.

A Lei Romana:
 Inicialmente as leis não eram escritas e daí resultava a desigualdade na sua
aplicação, mas no tempo da República foi redigida a Lei Romana, que deu
origem à Lei das Doze Tábuas, e assim foram surgindo outras leis. A
excelência das leis romanas distinguia-se pela racionalidade e lucidez dos
seus princípios gerais, pelo seu pragmatismo, pela experiência colocada na
análise de situações concretas, e pela complexidade de situações que
abrangia. Imposto em todas as províncias o direito romano uniformizou os
procedimentos da justiça e dos tribunais, servindo como fator de
romanização.

O Incêndio de Roma, ano 64:


 No mês de julho do ano 64 decorreu um monstruoso incêndio, na cidade de
Roma, que durou mais de sete dias, que devastou palácios imperiais,
templos, basílicas e zonas residenciais ricas e pobres, originando a enorme
quantidade de perdas humanas. Ainda hoje, a origem deste incêndio é
desconhecida, ainda assim a população atribui as culpas ao imperador Nero,
e este por sua vez mandou matar todos os que se lhe opuseram, e ainda
auxiliou os desalojados e reconstruiu a cidade, destacando- se a construção
do seu palácio imperial – a Domus Aurea.

A Língua Latina (do latim erudito ao latim do limes):


 O latim, língua falada pelos Romanos, sofreu in昀氀uências de falares etrusco,
gaulês, cartaginês e grego. O latim converteu-se num importante fator para
criar uma unidade cultural, contribuindo para a assimilação cultural e
civilizacional de Roma. A língua foi se aperfeiçoando e atingiu o ponto mais
alto no tempo de Cícero, mas as elites re昀椀naram na, originando o latim
erudito, o povo ia contaminado a com outros falares, que se tornou no latim
do limes que originou as línguas românicas europeias.

O ócio (os tempos do lúdico, os jogos do circo, a preocupação com as artes):


 A ideia de ócio foi uma herança dos gregos. Mas entre os Romanos, a cultura
do ócio caracterizou-se como sendo otium cum dignitate – ócio com
dignidade, que hoje é descrito com fruição do lazer, mas sem esquecer a
moral e os bons costumes. Além dos jogos de circo (corridas de cavalos) e
das lutas de gladiadores (combates nos an昀椀teatros), os Romanos dividiam o
seu tempo pelo Fórum, pela basílica, pelas termas ou pelo templo
(representações teatrais), organizavam banquetes e salões culturais para os
amigos, acompanhados de música, dança e poesia em lugares luxuosos.

A Arte Romana:
 A arte romana, especialmente a partir do século II a. C, caracterizou-se por
ser monumental, pragmática, ao serviço do Estado e feita para a glória dos
homens e do Império.

Arquitetura Romana entre o belo e o útil:


 A arquitetura romana parte das tradições ítalo-etruscas (construção de
pontes, estradas e templos – de planta retangular sobre um pódio) e dos
conhecimentos greco-helenísticos (princípios formais e uso decorativo das
ordens), e de seu apresenta soluções criativas nos aspetos práticos, técnicos
e decorativos, como o uso de sistemas construtivos baseados no arco, o

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

desenvolvimento técnico e instrumental, a variedade e plasticidade dos


materiais, e o gosto pelo decorativismo.

Arquitetura Religiosa:
 Esta área da arquitetura está presente em todas a cidades, e em todo o
Império visto que é dedicada aos deuses e aos imperadores, as construções
que se destacam nesta arquitetura são o templo (exemplo do Templo de
Fortuna Virilis), a ara ou altar (Ara Pacis ou Altar da Paz), e o santuário
(Santuário da Fortuna Primigénia, séc. I a. C, Roma).

Fig. 13 – Templo de Fortuna Virilis Fig. 14 – Ara Pacis Fig. 15 – Santuário


da Fortuna Primigénia

Arquitetura Pública:
 A arquitetura pública tinha um sentido monumental e comemorativo, estas
construções demonstram o carácter da arquitetura romana, utilidade e
grandiosidade. Construções como estradas, pontes e aquedutos ao longo do
período republicano. Do período imperial salienta-se a basílica (múltiplas
funções, a partir do séc. IV foi adotada como modelo das primeiras igrejas,
exemplo da Basílica de Maxêncio, em Roma, séc. IV). Na arquitetura de lazer
encontramos os teatros (semelhantes aos gregos, Teatro de Marcelo, em
Roma, séc. I a. C), os an昀椀teatros (eram realizados jogos circenses), os
estádios hipódromos (Circo Máximo, em Roma) e as termas ou balneários
públicos (Termas de Caracala, em Roma, século III).

Fig. 16 – Basílica de Maxêncio Fig. 17 – Teatro de Marcelo

Fig. 18 – Termas de Caracala, Roma Fig. 19 – Circo Máximo, Roma

O An昀椀teatro Flávio:
 Atualmente mais conhecido como Coliseu de Roma, foi o maior edifício
construído em Roma, possuía no seu interior variadas dependências,
corredores, galerias e túneis, 76 entradas ornadas com estátuas e fontes,
que permitiam uma rápida evacuação do an昀椀teatro. A fachada do edifício
tinha uma decorativa clássica (ordens gregas, arcos de voltas perfeitas), foi
também onde decorreram os mais célebres Jogos de Circo.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 20/ 21 – An昀椀teatro Flávio ou “Coliseu de Roma”

Aqueduto de Segóvia:
 Este aqueduto funcionou até 1884, cumprindo a sua função de transportar
água vinda de Espanha, onde o mesmo se situava, até a cidade de Roma,
apresentava uma grande sobriedade na sua construção e decoração.

Fig. 22 – Aqueduto de Segóvia

Arquitetura Comemorativa:
 Dela fazem parte os arcos de triunfo (portas das cidades ou fóruns) e as
colunas triunfais (evocavam vitórias políticas e medievais).

Fig. 23 – Arco de Triunfo de Constantino, Roma

Arquitetura Privada (doméstica):


 Neste tipo de arquitetura salienta-se a domus, ou casa de família
(geralmente de um só piso fechada para o exterior e aberta para o interior,
decoração em mármore, mosaico e frescos na parede e no chão), as villae
(construções edi昀椀cadas fora da cidade, e rodeadas por áreas ajardinadas), e
as insulae (prédios urbanos alojados por famílias pobres, feitos de tijolo,
madeira e taipa, sem água nem esgotos, propícios a grandes catástrofes).

O Urbanismo:
 O urbanismo foi a materialização do Império, e por isso as respostas ás
necessidades políticas, militares e económicas, ou seja acabaram por ser
construídas estradas, equipamentos, infraestruturas e cidades, onde Roma
defendeu os seus valores e a sua cultura, foi acumulando fóruns e sendo
uma cidade antiga todos os imperadores queriam deixar construções em seu
nome.

A Escultura Romana:
 O que caracteriza a escultura romana é o seu realismo extremo, que decorre
das in昀氀uências etruscas e do contacto com a arte grega, especialmente a
helenística (maior realismo emocional e um gosto pelo virtuosismo técnico).
Desde a grande produção do retrato (função religiosa do culto dos
antepassados) até à profusão de estátuas públicas e estátuas equestres,

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

glori昀椀cando os imperadores ou aos relevos históricos enaltecendo as suas


façanhas militares, a escultura serviu de a昀椀rmação do poder imperial e da
sacralização dos seus protagonistas. No retrato, os romanos preferiram a
representação realista e expressivista, de modo a traduzir a personalidade e
os traços psicológicos do indivíduo, enaltecendo o carácter, a honra e a
glória e eternizando a sua memória.

Fig. 24 – Estátua do Patrício Barberini

A Coluna de Trajano:
 A Coluna de Trajano, monumento arquitetónico e escultórico, está situada no
fórum do Imperador Trajano em Roma, foi construída com objetivo de
comemorar as vitórias de Trajano na campanha militar na Dácia, é um
monumento de propaganda política, de exaltação à glória e soberania do
Imperador, com um longo friso de relevos representando batalhas, assaltos,
pilhagens e demais episódios da campanha. Esta coluna apresenta uma
narrativa contínua em espiral, na qual é visível a repetição da 昀椀gura principal
no decorrer das cenas – o Imperador Trajano. Originalmente foi pintada com
cores vivas.

Fig. 25 – Coluna de Trajano

A Pintura e o Mosaico, a vida enquanto forma de arte:


 As origens da pintura romana estão nos Etruscos, nos Egípcios e também na
pintura grega, a estas foram adicionadas características próprias da arte
romana, o sentido prático documental e realismo. A pintura mural era feita a
fresco, havia também painéis de madeira (pintura móvel) pintados a
encáustica ou a têmpera. Os temas tratados eram a pintura triunfal (cenas
históricas, Bodas Aldobrandinas, séc. I a.C), temas mitológicos (mistérios e
vidas de deuses, Perseu Libertando Andrómeda), paisagens de carácter
bucólico (Jardim de Lívia, 20 a.C), naturezas mortas (Pêssegos e Jarra de
Vidro), cenas de género e retratos (A Poetisa, séc. I).

Fig. 26 – Bodas Aldobrandinas, séc. I a.C Fig. 27- Perseu Libertando Andrómeda

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 28 – Pêssegos e Jarra de Vidro Fig. 29 – A Poetisa, séc. I

 O mosaico, tal como a pintura outra forma artística de decoração, em que


são utilizados materiais diferentes tais como vidro, mármore e outras pedras,
em forma de pequenos cubos, as tesselas. Os seus desenhos são de grande
昀椀nura e coloridos, com efeito de relevo e modelação imitando a pintura com
grande virtuosismo. Apresentam os mesmos temas que a pintura.

Fig. 30 – Mosaico Romano


Os Frescos de Pompeia:
 Pompeia foi uma cidade romana que 昀椀cou soterrada nas lavas do Vesúvio,
em 79 d. C, no século XVIII foram analisadas as pinturas das casas
particulares que foram classi昀椀cadas em 4 estilos: 1º estilo, ou estilo
estrutural ou de incrustação (painéis pintados de uma cor só, imitando lajes
de mármore com elementos arquitetónicos), 2º estilo, ou estilo arquitetónico
(três faixas horizontais com falsos elementos arquitetónicos pintados em
tromp l´oeil, painéis com paisagens mitológicas e efeito de profundidade,
Casa dos Mistérios), 3º estilo ou estilo ornamental ou de paredes reais
(painéis de fundos lisos, Casa de Lucretius Fronto) e o 4º estilo ou estilo
cenográ昀椀co ou ilusório ou 昀氀aviano (elementos arquitetónicos 昀椀ngidos,
animais fantásticos, máscaras, Casa dos Vetti).

Fig. 31 – Casa dos Mistérios Fig. 32 – Casa de Lucretius Fronto Fig. 33 – Casa dos Vetti

MÓDULO 3
Séculos IX – XII, da reorganização cristã da Europa ao crescimento e a昀椀rmação
urbanos:
 A partir do séc. V, o Império Romano viveu circunstâncias diferentes o que
sucedeu o 昀椀m da Antiguidade Clássica, o primeiro período da história, e o
início da Idade Média. No Ocidente, aos Romanos sucederam os Bárbaros, o
que provocou as seguintes alterações: degradação da economia mercantil -»
economia de subsistência, decadência dos centros urbanos, desorganização
da administração pública, depressão demográ昀椀ca, invasões muçulmanas,
precaridade da subsistência, permanente instabilidade e insegurança. Estes
fatores levaram à formação do feudalismo (uma sociedade organizada em
pequenos reinos de cariz rural, guerreira e cavaleiresca). Foi então nesta
Europa enfraquecida, onde novos reinos se iam formando, que o cristianismo
cresceu e se tornou aglutinador pelos seus objetivos de universalidade,
paci昀椀smo e centralização.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

A Europa dos reinos, a geogra昀椀a monástica da Europa:


 À medida que o Império Romano decaía o cristianismo (religião o昀椀cial)
tornava-se o sustentáculo do Ocidente. A aproximação da Europa com o
Oriente deu a conhecer o monaquismo, isto é, o abandono da vida mundana
e o retiro em comunidade, na qual se vive submetido a uma disciplina
própria (regras). Este conceito expandiu-se e a Europa provou-se de igrejas e
mosteiros como, as Ordens de Cluny e de Cister. A igreja tornou-se também
um vetor civilizacional, pois contribuiu para o desenvolvimento da
agricultura e da produção artesanal, para a conservação das artes e letras,
para a suavização dos costumes, incentivo às peregrinações a lugares
santos, e a organização das cruzadas. Todas estas ações deram origem ao
conceito de cristandade ou Christianitas (comunidade de povos e reinos
unidos pelos mesmos laços religiosos e culturais.

São Bernardo de Claraval (1090-1153):


 Bernardo de Claraval foi o maior impulsionador da Ordem de Cister, fundou o
Mosteiro de Claraval e foi aí que o mesmo concretizou os seus ideais
religiosos, estes tiveram repercussões artísticas, pois impuseram na sua
construção uma simplicidade total. Distinguiu-se como brilhante orador e
teve uma signi昀椀cativa intervenção política na história do seu tempo.

O Mosteiro: a autossu昀椀ciência monástica:


 O mosteiro, que inicialmente era um lugar para viver sozinho, passou a
designar uma comunidade religiosa instalada num edifício e terras
envolventes. Segundo a Regra Beneditina, os monges estavam ligados a um
conjunto de tarefas e deveres, organizados de modo a garantir a plena
autossu昀椀ciência de toda a comunidade. Ligados ao poder político (senhores
feudais), de quem recebiam doações e propriedades, os mosteiros
converteram-se não só em in昀氀uentes centros de poder político e económico,
como também em centros dinamizadores da economia, da cultura e da arte.

Fig. 34 – Mosteiro na Idade Média

A coroação de Carlos Magno:


 A coroação de Carlos Magno como imperador teve um grande signi昀椀cado
político, histórico e cultural, criou um Império que lhe abrangia quase toda a
Europa ocidental e central, proporcionando-lhe estabilidade e unidade.
Desencadeou uma importante ação de construção de igrejas e mosteiros e
patrocinou as letras e artes. Carlos Magno tornou-se o modelo de imperador
cristão.

Os guardiães do saber:
 Numa sociedade rural em que a generalidade da população é analfabeta,
inculta e sem instrução prevalece a classe eclesiástica (monges, bispos,
cardeais e clérigos em geral) cujo poder e prestígio vem do facto de saberem
ler e escrever, esta competência obriga os a interpretar a bíblia entre outros
textos sagrados. Os mosteiros transformaram-se em verdadeiros guardiões

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

do saber e exerceram o ensino e a instrução adaptando a educação aos


interesses da Igreja cristã.

O poder da escrita:
 Quem detinha o poder da escrita era o clero, nas livrarias dos mosteiros
depositavam-se livros sagrados, formam-se escolas onde se ensina o latim e
fundam-se os scriptoria. Á medida que a sociedade evoluiu os detentores
destes saberes tornaram-se mais importantes.

O canto gregoriano:
 O canto gregoriano é a mais antiga manifestação musical do Ocidente, é um
género de música vocal (com uma só melodia) de ritmo livre, era executado
por grupos corais de monges.

A arquitetura paleocristã:
 Nos tempos primitivos do cristianismo, a arte cristã limitou-se apenas a
algumas pinturas e relevos realizados nas catacumbas. A arquitetura
concretizou-se em três tipos de construções: as igrejas, os batistérios e os
mausoléus. Para a igreja havia dois modelos de planta centrada e o de
planta basilical.

Arquitetura Bizantina:
 A arquitetura bizantina deixou patente, em obras como a Igreja de Santa
So昀椀a, a herança da «matriz antiga»: da utilização do arco de volta perfeita,
da abóbada de berço e da cúpula, da planta centrada e em cruz grega.

Renascimento carolíngio e otoniano:


 A partir do século VIII, Carlos Magno desencadeou um movimento de
renovação cultural assente na fusão das heranças clássicas greco-latinas,
com a tradição céltico-germânica e com a cultura cristã, conhecido como
Renascimento Carolíngio. As igrejas seguem os modelos de planta centrada
e basilical, na planta basilical acrescenta-se uma cabeceira e outro transepto
(Igreja de São Miguel de Hildesheim, de 1010-30).

Fig. 35 – Igreja de São Miguel de Hildesheim

A arquitetura românica:
 A arte românica foi o estilo que 昀椀cou pela primeira vez, a arte europeia. O
crescimento económico e demográ昀椀co, e as atuações da Igrejas e cortes
reais e senhoriais contribuíram para a grandeza da arte românica.

A hegemonia da arquitetura religiosa (igrejas e mosteiros):


 Todas as igrejas românicas têm um conjunto de características próprio, em
planta estas igrejas seguiam maioritariamente o modelo basilical (com três,
cinco ou sete naves), embora tivessem substituído alguns exemplos de
planta centrada (em cruz grega, hexagonal, ortogonal e circular) de
in昀氀uência oriental.
 Com o exemplo da Igreja de peregrinação de Santiago de Compostela,
Espanha, conseguimos perceber melhor a sua formação, o modelo basilical,
a nave principal e as naves laterais juntas formam o corpo da igreja. As
naves são atravessadas pelo transepto, que separa o corpo da igreja da

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

cabeceira, geralmente onde se instala o altar-mor, o ponto de cruzamento do


corpo da igreja com o transepto é o cruzeiro, encimado pela torre lanterna
ou zimbório, que serve para iluminar a igreja. Nas igrejas românicas a
cabeceira pode conter uma única abside ou uma dupla abside, neste caso o
corredor entre as duas denomina-se deambulatório. Em algumas igrejas a
entrada é precedida de nártex, e uma ou duas torres sineiras ladeiam a
fachada principal.

 Sistemas de cobertura -» abóbadas, cúpulas e semicuúpulas


 Sistemas de suporte -» arcada principal (separa a nave principal das
laterais), tribuna ou galeria (corredor sobre as naves laterais que sobe para a
nave central), trifório (corredor estreito por cima da tribuna), e o clerestório
(abaixo da abóbada principal).
 Iluminação do edí昀椀co -» janelas do clerestório, frestas das paredes
exteriores, torre lanterna ou zimbório, janelões e rosáceas da fachada (a luz
entrava de cima para baixo).
 Con昀椀guração e decoração do exterior -» semicilindro na cabeceira e
abside, paralelepípedo no corpo da igreja e transepto, e o poliedro e a
pirâmide para as coberturas das torres sineiras e lanternas. A localização
exterior está localizada nas cornijas (arcos cegos), rosácea (relevos
geográ昀椀cos e 昀氀orais) e portais (entrada em chanfro, ombreiras decoradas
por colunelos, porta simples ou dupla).
 Unidade e diversidade -» apesar de podermos falar em unidade estilística,
dado possuir características comuns e individualizantes, o românico
apresenta também muitas particularidades técnico-construtivas e
decorativas que caracterizam certas regiões como: românico francês (Notre
Dame-La-Grande), românico italiano (igrejas de Santo Ambrósio) e românico
espanhol (Catedral de Santiago de Compostela), românico inglês (catedrais
de Elly e Durham), românico alemão (Igreja de Hildsheim).
 Mosteiros -» os mosteiros eram utilizados para oração individual, passeios
e meditações, no século XII os mosteiros cistercienses passaram a adotar
também o modelo ou plano Bernardino que procurava construções simples,
com fachadas e portais simples, no interior as naves eram altas cobertas por
abóbadas de arco, por vezes levemente quebrado, sem trifório no alçado
interno, mas com transepto e cabeceira pouco profunda.

Arquitetura Militar – O Castelo:


 Os castelos de pedra surgiram no Ocidente no 昀椀nal do séc. X, eram simples,
pouco depois no séc. XII tornaram-se grandes forti昀椀cações, erguidas em
lugares estratégicos, com grossos e altos panos murários. A porta era

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

protegida por mata-cães, e no interior, havia um pátio com poço, a torre


central (servia como quartel), a igreja, cabanas, estábulos, hortas e jardins.

Românico em Portugal:
 O românico português coincide com a luta pela a昀椀rmação da independência
em relação a Castela e com o tempo da Reconquista Cristã aos Árabes.
Nesta circunstância o românico religioso e rural tem características próprias,
pois está ligado a ordens religiosas e a mosteiros ou comunidades agrícolas,
possuem decoração interior e exterior simples e encontram-se, em algumas,
marcas de construtores, inscrições e siglas. Estas Igrejas situam-se
maioritariamente nas rotas de peregrinação para Santiago de Compostela.

A Escultura Românica - os poderes da imagem:


 A escultura românica caracterizou-se pela dependência em relação à
arquitetura, pelo sincretismo de técnicas e valores plásticos, abandonando o
realismo clássico, e pela valorização do relevo em detrimento de estatuária
de vulto, que perdeu tradição em relação à Antiguidade.
 O relevo, sempre pintado, tornou-se o meio para a representação da
mensagem do Cristianismo. Apresenta várias características como temas
(religiosos), 昀椀guras humanas, composição (昀椀guras alinhadas ou em
simetria), localização do relevo (cornijas, mísulas, capitéis, portais…).
 O capitel apresentava relevos geométricos, vegetalistas e animalistas, e
relevos historiados.
 O portal, como representa o acesso á casa de Deus, tem temas especí昀椀cos.
O tímpano sendo o espaço maior recebe a cena principal.
 Na estatuária (ou escultura de vulto redondo) de culto salientam-se as
Virgens românicas, tidas como objetos de veneração, feitas de madeira e
pedra policromadas, apresenta características semelhantes às do relevo.

As artes da cor – pintura, mosaico e iluminura:


 Semelhantes á escultura, as artes do românico nasceram: da tradição
pictórica romana, preservada pela arte paleocristã, das in昀氀uências da arte
bizantina e das in昀氀uências de origem germânica (carolíngia).
 Pintura mural -» o desenho sobrepõe-se à cor, mostrando linhas
estruturantes, a 昀椀gura é deformada para acentuar os traços expressivos e
para se adaptar ao espaço, a 昀椀gura apresenta posições formais e rigidez,
cenários simbólicos, esquemas geométricos na composição, a cor aplicada a
cheio sem matizes nem sombreados, e temas bíblicos.
 Iluminura -» desenhos pintados e muito decorados com pessoas, animais,
elementos vegetalistas estilizados e formas geométricas abstratas ao gosto
germânico, como uma nova forma de escrita, ilustrada pelos monges.

Fig. 36 – Pintura mural românica

Livro de Kells, 800 d. C., Irlanda:


 O Livro de Kells é um dos expoentes da síntese de culturas e do processo de
cristianização da Europa. Executado num período em que os scriptoria da
Irlanda e Escócia produziam iluminuras, marcadas por in昀氀uências das
tradições clássicas. Produzido com virtuosismo técnico, é um códice dos
Quatro Evangelhos, este códice serviu de modelo para os artistas do
românico e tornou-se o expoente do processo de cristianização europeia e o
símbolo de síntese de culturas então realizada.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 37 – Livro de Kells

Tapete de Girona:
 É uma das obras românicas mais singulares do domínio das “artes da cor”
também conhecida como Tapeçaria da Criação, pois o seu tema é a Criação.
Resulta de cores intensas, dos detalhes das 昀椀guras e da qualidade técnica
de execução, realizado a lã sobre linho.

Fig. 38 – Tapete de Girona

A Igreja de São Pedro de Rates:


 A Igreja de São Pedro de Rates pertence ao primeiro mosteiro beneditino
cluniacense a ser construído em Portugal, constituindo um símbolo de
ruralização e da feudalização da Europa românica. A Igreja apresenta
elementos decorativos com tradições e in昀氀uências distintas.

Fig. 39 – Igreja de São Pedro de Rates

A arquitetura áulica, religiosa e militar:


 A arte muçulmana apresenta duas características, a diversidade e a unidade
(subserviência e 昀椀delidade temática e formal aos princípios do Corão,
superlativação da arquitetura como arte maior, proibição de representação
昀椀gurativa, predileção pelas artes aplicadas (cerâmica, azulejaria, miniatura,
estuques e tapetes), e luxo e exuberância).
 Na arquitetura, a arte muçulmana usou os seguintes elementos: arcos de
várias formas, as colunas, a abóbada e a cúpula bulbosa.
 Na arquitetura civil, a construção mais importante é a do palácio, daí o
termo arquitetura áulica, os palácios por fora parecem uma fortaleza, mas
no seu interior são pequenos “paraísos” de luxo.
 A arquitetura religiosa comtempla os seguintes edifícios: a mesquita (casa
da oração, formada por uma sala hipostila, um extenso pátio descoberto, e
o(s) minarete(s) ou torre) (Mesquita de Córdova, exemplo representativo), as
madrasah (escolas de teologia para o estudo do Corão) e os mausoléus
(túmulos para homenagear guerreiros e príncipes).

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 40 – Mesquita de Córdova

 A arquitetura militar é representada pelo ribat, e é usada para 昀椀ns religiosos


(retiro e oração). Vigora a planta quadrada com quatro torres de vigia, tendo
no seu interior habitações, armazéns e uma mesquita.

A decoração arquitetónica e as artes ornamentais:


 A decoração arquitetónica cobre todas as superfícies interiores, usando os
mais diversos materiais, usa exclusivamente modelos geométricos,
vegetalistas e epigrá昀椀cos (letras árabes). As artes ornamentais, decorativas
ou aplicadas são a cerâmica, a azulejaria, a miniatura (pintura de pequena
dimensão), e a tapeçaria. A arte islâmica exerceu uma profunda in昀氀uência
sobre o Ocidente, especialmente na ornamentação românica.

Arte moçárabe:
 É a arte produzida pelos cristãos que viviam na Península Ibérica, mas sob a
alçada dos muçulmanos. Na arquitetura subsistem algumas igrejas em pedra
(Igreja de São Pedro de Lourosa…), na escultura sobressai o relevo nos
capitéis, nas aras dos altares e nos modilhões dos beirais dos telhados, a
arte móvel centrou se no trabalho do metal (cálices, cruzes de altar), e na
pintura não há vestígios, exceto as miniaturas.

MÓDULO 4
Do Séc. XII à 1.ª metade do Séc. XV:
 Entre estes séculos a Europa viveu um período de renovação sem
precedentes, foram diversos fatores que contribuíram para este período, as
cruzadas e as peregrinações proporcionaram o contacto com o Oriente, as
inovações técnicas na agricultura, o aumento da população, do comércio e
do artesanato e um período de paz e relativa estabilidade política trouxeram
uma melhoria de condições de vida. Disto resultou o ressurgimento das
cidades e uma economia de mercado, gerando a acumulação de riqueza,
que deu origem a uma nova elite social, a burguesia, que rapidamente
adquiriu grande poder económico disputando privilégios e estatuto social à
nobreza.
 Porém todo este processo foi interrompido na segunda metade do século XIV
devido á crise provocada pelas carestias (provenientes de maus anos
agrícolas e da in昀氀ação), pela rápida expansão da Peste Negra, e pela
prolongada guerra dos Cem Anos.

A Europa das cidades, catedrais e universidades:


 Na Europa as cidades salientaram-se pelas suas especi昀椀cidades funcionais,
como: as cidades de Itália e da Flandres pelas suas manufaturas, as cidades-
feiras como a zona de Champagne em França, as cidades junto aos portos
(Génova, Veneza, Sevilha, Lisboa, Porto…) e as cidades onde havia Igrejas de
peregrinação e aquelas onde se implantavam universidades. As
universidades e as catedrais são o símbolo de desenvolvimento de uma
cidade , são também o centro do saber e onde se ministra o ensino, estando
na origem das universidades, um novo modelo conhecido a escolástica,
caracterizada por ser a fusão do pensamento de Aristóteles com a doutrina
cristã.

O letrado Dante Alighieri (1265-1321):

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

 Dante era um homem de elevada craveira intelectual e moral, conviveu com


os homens mais cultos da cidade de todos os tipos de área, além disso teve
uma intervenção ativa na política da cidade, vindo a pertencer ao «Concelho
dos Cem» e ao próprio governo da Florença. Uma paixão platónica por
Beatriz marcou toda a sua obra poética, e em particular a sua obra-prima – A
Divina Comédia, uma alegoria poética escrita em três capítulos, Inferno,
Purgatório e Paraíso, traduzindo re昀氀exões 昀椀losó昀椀cas, literárias e políticas
sobre o seu tempo.

A catedral – a representação do divino espaço:


 A catedral, Igreja do bispo, tornou-se o centro e o símbolo da cidade. Ao
construir a suprema representação do divino no espaço, a catedral é a
expressão de poder económico, político e social da comunidade. Mas a
catedral também é a casa de deus na cidade dos homens, e por isso é um
local de conceções religiosas da época.

A Peste Negra (1348):


 A Peste Negra foi uma das piores pandemias que atingiram a humanidade,
matou cerca de um terço da população europeia. Teve como consequências
a queda da demogra昀椀a, a paralisação de economia e a consequente
in昀氀ação, com fome, revoltas e violência, as práticas extremas de penitências
e a crítica á religião. Resultante disto as igrejas receberam muitas doações
que aplicaram na construção de igrejas, hospitais e hospícios.

A cidade, espaço, população e subsistência:


 Entre estes séculos as cidades ou burgos cresceram, e tornaram-se os
centros económicos, 昀椀nanceiros, políticos, administrativos e religiosos da
época. A cidade organiza-se em volta da catedral, do mercado e da câmara
municipal, apresentando uma grande vitalidade e sendo cenário de
cerimónias laicas e religiosas.

A cultura cortesã – gentilezas, cortesãs e civilidade:


 Os tempos de paz e de bem-estar foram princípios ao desenvolvimento de
uma cultura profana e mais humanista. Ligada a acontecimentos religiosos
ou ao calendário litúrgico (como o Carnaval, na sua ligação com a
Quaresma), esta cultura mostrava-se em festas e romarias, procissões e
autos teatrais, seguidos de danças e cantares. Nas cortes a nobreza
dedicava-se à prática de caçadas, justas e torneios, bem como à cultura dos
prazeres mundanos, realizando banquetes animados por trovadores, jograis
e menestréis. As artes cortesãs manifestavam-se através do gosto pela
poesia, música, dança e pelas representações teatrais.

O casamento de Frederico III com D. Leonor de Portugal:


 Os festejos do casamento de D. Leonor de Portugal com o imperador
Frederico III motivaram vários festejos, que abrangeram todos os tipos de
ocupações, desde danças, cantares, torneios, duelos, cortejos,
representações com engenhos, festins com matança de touros e distribuição
da carne, missas e orações.

A arquitetura gótica – evolução e expansão:


 O Gótico foi a primeira arte do Ocidente, que rapidamente se expandiu pela
Europa. Esta arquitetura decorre da românica (planta basilical e cabeceira
absidal), acrescentou na sua construção outras inovações e estéticas. O
novo «esqueleto estrutural» foi um sistema assente no arco quebrado, na
abóbada de cruzaria de ogivas, nos acrobotantes e nos contrafortes. Estas
inovações permitiam acentuar a verticalidade da construção, tornar o seu
espaço interior mais amplo. Mais leve e 昀氀exível que a românica, a abóbada
gótica dispensa as robustas paredes, agora substituídas por vitrais. A cruz

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

latina é, agora menos evidente, já que o transepto se desloca para o meio da


nave, encurta os seus braços e integra na cabeceira o coro, o altar e o
deambulatório com as absidíolas.

A Catedral de Notre-Dame de Amiens, França, 1220-1280:


 A catedral de Amiens constitui o paradigma do sistema de construção gótica,
atingindo o limite da ousadia arquitetónica dos construtores góticos. É uma
estrutura que aplica os princípios utilizados no século XII: uma abóbada de
cruzaria de ogivas suportada por pilares e paredes ornamentadas,
reforçadas no exterior por acrobotantes e contrafortes, a decoração
sobrepõe-se à estrutura.

Fig. 41 – Catedral de Notre-Dame de Amiens, França

O Gótico em Portugal- o manuelino:


 Em Portugal, o Gótico desenvolveu-se no período 昀椀nal da Reconquista, quer
na arquitetura militar e civil quer em grandes empreendimentos como a
Igreja da Abadia de Santa Maria de Alcobaça e o Mosteiro da Batalha. Foi na
fase do Gótico Tardio, entre 1490 e 1540, abarcando o tempo dos reinados
de D. João II, D. Manuel I e de D. João III que surgiu uma expressão do gótico
que viria a ser designada como Manuelino. O Manuelino a昀椀rmou-se através
da decoração esculpida e caracterizou-se pela ornamentação exuberante de
motivos naturalistas de origem marítima, escudos, esferas, armilares e
peças heráldicas.
 Exemplos do manuelino na arquitetura religiosa -» o Mosteiro dos
Jerónimos (apresenta três naves, sendo a central um pouco mais alta,
transepto pouco saliente e a terminar em capelas, cabeceira e portal
monumental, virado a sul).
 Exemplos do manuelino na arquitetura civil -» Palácio Real de Sintra.
 Exemplos do manuelino na arquitetura militar -» Torre de Belém.

A Escultura Gótica - a humanização do céu:


 A grande diferença em relação ao românico é que a escultura decorativa já
não está pressa à arquitetura, mas pousada sobre mísulas, nas fachadas das
catedrais. O relevo aparece essencialmente nos tímpanos com um trabalho
mais profundo, maior modelação formal e um escalonamento de planos mais
bem de昀椀nido. Os temas 昀椀gurativos são os mesmo da arte românica, mas
também os temas marianos relacionados com a vida da Virgem e o
nascimento de Cristo. A escultura decorativa dos capitéis, arquivoltas, frisos
e mísulas apresenta temas vegetalistas trabalhados com verismo e
naturalismo. Outra novidade é a correta modelação anatómica, no trabalho
de pormenor, aumentando o naturalismo nas formas, nos gestos e nas
posturas. Por 昀椀m, a última alteração em relação ao românico é a
representação da expressividade, que se nota nos rostos, e na descrição de
sentimentos e emoções.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 42 – Giovanni Pisano, Virgem com o Menino, 1298-99, Pisa

Vitrais e Iluminuras:
 Vitrais -» enormes painéis de vidro colorido (descrevem cenas religiosas e
dos ofícios/pro昀椀ssões, incluindo imagens de reis, clero, aristocracia e alta
burguesia).
 Iluminuras -» apresentam as seguintes características: temas religiosos,
composições complexas (em que o espaço é ocupado por elementos da
Natureza e com as 昀椀guras incluídas em cenários arquitetónicos e naturais), e
cores ricas (azuis, dourados e vermelhos).

As artes na Itália e na Flandres:


 Na Itália e na Flandres, as artes evoluíram diferentemente. Na Itália os
pintores afastavam-se de tradição bizantina e românica, na Flandres a
pintura gótica só atingiu o seu ponto mais alto no séc. XV.
 Revolução pictórica italiana -» as cidades-estado italianas (Florença,
Veneza…) originaram uma burguesia rica que começou a investir nas artes.
Na zona da Toscana, desenvolveu-se uma escola de pintura a fresco, nela
integram se artistas como Giotto (1257-1337) que criou a ilusão da
profundidade através do enquadramento de cenários naturais arquitetónicos
e aperfeiçoou o volume dos corpos através do claro-escuro. As 昀椀guras são
mais realistas quanto a anatomia, conferindo-lhes uma certa humanidade.
 Revolução pictórica 昀氀amenga -» na região dos países baixos, na
Flandres, o desenvolvimento económico e social re昀氀etiu-se nas artes
também na pintura, através da técnica da pintura a óleo usada para
representar melhorar a realidade, estes pintores souberam dar volume às
formas e profundidade ao espaço com apurado realismo e uma intensa
expressão.

Alegoria de um bom governo:


 Num ciclo de frescos do Palazzo Communale, Ambrogio Lorenzetti apresenta-
nos uma típica cidade do seu tempo, representa os efeitos de «um bom e um
mau governo» na cidade, constituindo tanto uma mensagem política quanto
um retrato realista da arquitetura e da sociedade do Trezentos italiano.

O Triunfo da Morte, Pieter Bruegel, O Velho:


 Na tradição do realismo que caracterizou a escola 昀氀amenga do
Quatrocentos, o quadro de Bruegel traduz tanto a fragilidade da condição
humana, vulnerável às epidemias, aos con昀氀itos e às guerras, quanto a sua
submissão à morte, que no 昀椀m, triunfará sobre tudo e todos.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 43 – O Triunfo da Morte, Pieter Bruegel, óleo sobre madeira

MÓDULO 5
Da 1.ª Metade do séc. XV a 1618:
 O tempo histórico abrangido neste módulo conheceu duas conjunturas
diferentes, a primeira de crescimento e expansão, correspondeu ao
Renascimento, e a segunda de crise e depressão.
 O Renascimento surgiu na região da Península Itálica, no século XV, e
contribuiu para diversas condições favoráveis, tais como: a existência de
diversos vestígios de cultura clássica, o desenvolvimento económico que
permitiu a generalização da prática do mecenato, a rivalidade entre as
várias cidades italianas, o surgimento de várias universidades, bibliotecas e
centros impressores que permitiram a difusão de uma nova mentalidade
mais humanista e pragmática, racionalista e crítica.
 A segunda conjuntura (séc. XVI) que in昀氀uenciou o Maneirismo, foi provocada
devido à Reforma Protestante, às lutas religiosas, pelo regresso do clima de
insegurança, de maus anos agrícolas e das pestes, e por crises comerciais e
昀椀nanceiras.

A Europa das rotas comerciais:


 O crescimento do comércio deu-se pelo alargamento das rotas e redes
comerciais tradicionais, que se faziam principalmente no Mediterrâneo, no
litoral atlântico e no Mar Báltico. O comércio à escala mundial, iniciado neste
período acelerou as permutas culturais entre a Europa e o resto do mundo, e
deu origem à formulação de muitos conhecimentos novos geográ昀椀cos.

O mecenas Lourenço de Médicis (1449-1492):


 Lourenço de Médicis foi um burguês italiano que viveu em Florença (Itália),
na segunda metade do séc. XV. Pertencia à família dos Médicis, mercadores
e banqueiros poderosos, cuja riqueza e in昀氀uência lhes havia possibilitado
ascender ao domínio político na sua cidade, Florença. Lourenço foi o símbolo
do “homem do seu tempo” (individualista, topocêntrico e racional) que
marcou a época do Renascimento, pois soube gerir com e昀椀cácia os negócios
e a política da cidade, que acabou por se tornar uma das mais ricas. Ficou
conhecido pelo seu mecenato, devido à atenção que deu aos assuntos
culturas, letras e artes.

O Palácio, habitação das elites:


 Com o crescimento das cidades e ascensão social e económica das grandes
famílias burguesas, os palácios a昀椀rmam-se como habitação das elites.
Decorria uma vida requintada, voltada para os prazeres mundanos (festas e
banquetes, saraus de música, teatro e poesia, encontros culturais e debates
sobre 昀椀loso昀椀a, ciência, arte e literatura). Os palácios converteram-se em
pequenas cortes privadas, voltadas para os prazeres da vida.

O De Revolutionibus Orbium Coelestium (1543), de Nicolau Copérnico (1473-1543):


 Copérnico é considerado o fundador da astronomia moderna, pois apresenta
e comprova matematicamente a teoria heliocêntrica, publicada no seu livro
De Revolutionibus Orbium Coelestium, isto é, demonstrava que o centro do
universo era o Sol e que a Terra tinha três movimentos: rotação diária,
translação anual e a lenta inclinação anual do seu eixo de rotação.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

O Humanismo e a imprensa:
 O Humanismo foi um movimento intelectual e cultural, que se opunha à
escolástica medieval e propunha o estudo do pensamento, das artes e das
letras da Antiguidade Clássica. Os humanistas foram intelectuais ecléticos,
puseram em causa os saberes teóricos e livrescos da Idade Média e
construíram novos conhecimentos, baseados na experiência pessoal e na
observação direta da Natureza e das sociedades do seu tempo. Graças ao
aparecimento da imprensa (tipogra昀椀a de caracteres móveis), o humanismo
divulgou-se rapidamente por toda a Europa.

Reformas e espiritualidade:
 No séc. XV, a Igreja cristã do Ocidente, vivia tempos conturbados, marcados
por con昀氀itos interiores que se afastavam da doutrina e das virtudes do
cristianismo inicial. Esta situação conduziu a um clima de crise de fé e de
crítica à Igreja. Os cristãos refugiavam-se numa religiosidade mais individual
e privada, baseada em livros sagrados, ou alinhavam em movimentos
reformadores, como o da Devotio Moderna. A primeira grande revolta contra
a Igreja romana surgiu em volta da Questão das Indulgências, que deu
origem a outras iniciando um movimento de rutura chamado Reforma
Protestante. Para combater esta situação os papas de Roma iniciaram um
movimento de renovação interna e de combate Protestantismo, chamado
Contrarreforma.

Fala do Licenciado e diálogo de Todo-o-Mundo e ninguém, da obra Lusitânia, de Gil


Vicente:
 Nos seus autos e nas suas farsas, Gil Vicente retratou a sociedade da época
com espírito crítico, audaz e sarcástico. O Auto da Lusitânia é uma farsa cujo
tema principal é o casamento simbólico de Portugal com a Lusitânia, numa
alusão às raízes históricas e culturais do país, entre as cenas mais
importantes estão: a Fala do Licenciado (o Licenciado explica o namoro dos
noivos com muitas referências históricas e simbólicas) e o diálogo entre
Todo-o-Mundo e Ninguém em que Gil Vicente aproveita para satirizar o
comportamento vaidoso e petulante de maior parte dos seres humanos.

Requiem – Introito (1625), de Frei Manuel Cardoso (1566-1650):


 Nos séculos XVI e XVII, Portugal também foi marcado pela Contrarreforma e
pelo Índex. Assim surgiram várias escolas de música, como a Escola de
Évora e, nela, Frei Manuel Cardoso, organista e contrapontista inserido no
“Maneirismo Musical”. As suas peças eram cantadas 4, 6, ou 8 vozes
notadas pela sua expressividade e pelo cromatismo melódico, e
acompanhadas por instrumentos de sopro. Enquanto parte da Europa vivia a
revolução musical com o Barroco, Portugal elegia, na música sacra, a
polifonia ao stilo antico.

A pintura renascentista:
 A pintura foi a modalidade artística que mais se transformou durante a
época renascentista, e a mais inovadora. Teve como objetivo a imitação da
Natureza, tal como o lho humano a captava. A descoberta mais importante
para este objetivo foi a perspetiva cientí昀椀ca (base matemática e geométrica,
campo visual tridimensional). A perspetiva linear (ponto de fuga central
paralelo aos olhos do observador) teorizada pelos arquitetos Brunelleschi e
Alberti, e depois aperfeiçoada pelas pesquisas cientí昀椀cas de Leonardo da
Vinci que “descobre” a perspetiva aérea e a técnica do sfumato. As regras
da perspetiva conduziram à criação de espaços pictóricos reais e
equilibrados, organizados em composições pensadas geométrica e
matematicamente.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

 O desenho auxiliado pelo estudo paralelo da Anatomia e da geometria


permitiu aos pintores a representação rigorosa e realista das formas,
principalmente do corpo humano (exemplos -» Mantegna, Cristo Morto).

Fig. 44 – Cristo Morto, Mantegna

 Outra caracterização dos pintores do Quattrocento foi a modelação


tridimensional dos corpos pela luz (claro-escuro), atribuindo-lhes volume e
massa. Os estudos do claro-escuro só atingiram a perfeição com o uso da
pintura a óleo, e além disso produziam cores mais vivas. Antonello da
Messina, Leonardo da Vinci e Rafael foram expoentes da pintura a óleo desta
época.
 Materiais usados na pintura -» uso do pepel, meios riscadores
(sanguínea e pau de carvão) e tela.
 Temas usados na pintura -» cenas mitológicas, retratos, representação do
nu e representação da paisagem.
 A pintura visou exageros expressivos, harmonia, equilíbrio e a ordem, e a
beleza racional.

A Anunciação (1473-75), de Leonardo da Vinci (1452-1519):


 A Anunciação é uma pintura a óleo sobre um painel de madeira. Leonardo
apresenta-nos nesta obra várias inovações que marcam o seu estilo pessoal
a fazem desta Anunciação uma das obras-primas da pintura renascentista,
como a sua composição (todos os espaços se encontram matemática e
geometricamente calculados, organiza-se com base num triângulo e divide-
se em três planos espaciais), a técnica do esfumado, a pormenorização das
espécies vegetais, conceção das 昀椀guras (proporção anatómica),
luminosidade, e a expressividade tipicamente renascentista.

Fig. 45 – A Anunciação, Leonardo da Vinci

A arquitetura, metáfora do Universo:


 Os arquitetos do Renascimento inspiraram-se na arquitetura da Antiguidade
Clássica, mas associaram novos conhecimentos de matemática, aritmética,
geometria, física e outros, transformando a arte de contruir num exercício
intelectual. O objetivo era renovar a arte de construir, substituindo a
monumentalidade e exuberância das construções góticas por edifícios
projetados à escala humana.
 Assim, a arquitetura renascentista obedece às seguintes características:
cálculo rigoroso das proporções de todas as partes da construção, plantas e
volumes inspirados em formas geométricas regulares, fachadas retilíneas,
coberturas planas de madeira, ou então de pedra em forma de abóbadas e
de cúpulas, organização simétrica e perspética dos espaços interiores,
aberturas normalizadas e colocadas com simetria e regularidade no edifício,
sobriedade decorativa, uso de elementos retirados da gramática clássica,

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

isto implicou o regresso ao uso das ordens arquitetónicas clássicas. Estes


princípios concretizaram-se sobretudo em três tipos de edifícios: as igrejas
(seguem dois modelos, o modelo da planta centrada e o da planta
tradicional, as fachadas eram decoradas com arcadas cegas de arco redondo
ou colunas e frontões, os espaços interiores possuíam pinturas nas paredes e
nos tetos), os palácios (construções urbanas) e as villae (palácios de férias
erguidos nas propriedades rurais).

A Escultura – a completa autonomização:


 A escultura renascentista foi norteada pelos mesmos princípios estéticos e
técnicos da pintura: gosto pela representação do corpo humano, procura do
naturalismo nas posições e gestos, individualização dos rostos, preocupação
com o domínio técnico e prática do desenho projetual para estudos de forma
e composição. O interesse pela anatomia e a in昀氀uência clássica, conduziram
ao regresso do nu, em 昀椀guras bíblicas ou mitológicas (exemplo -» estátua de
David, de Donatello).

Fig. 46 – Estátua de David, Donatello

 Assim a escultura foi a arte que mais concretizou os ideais renascentistas e


foi muito prática, a maior novidade consistiu, no entanto, na emancipação da
escultura em relação à arquitetura.
 As temáticas foram idênticas às da pintura: religiosas, mitológicas, profanas
e retrato.
 Os iniciadores da escultura renascentista foram Ghiberti, nos relevos (Porta
Leste do Batistério de Florença) e Donatello, na estatuária (santos e profetas
do Campanário de Santa Maria das Flores).

Fig. 47 – Porta Leste do Batistério de Florença Fig. 48 – Campanário de Santa Maria das Flores

David, de Miguel Ângelo:


 A estátua de David é uma das obras mais signi昀椀cantes de Miguel Ângelo, a
estátua tornou-se o símbolo cívico da cidade, exprimindo o orgulho de
Florença. David é representado como um jovem, nu, com corpo atlético e
vigoroso, a sua perfeição anatómica, o domínio das formas e a
demonstração contida dos sentimentos transformam esta obra num símbolo
de “força e de ira”, tidas como virtudes cívicas daquele tempo.

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 49 – David, Miguel Ângelo

O séc. XVI – crise de valores e individualismo:


 O Maneirismo corresponde ao período de crise e incerteza que se manifesta
numa nova mentalidade que acaba com o espírito positivo, racional e
con昀椀ante do Renascimento. Estas mudanças vão dar origem a uma arte mais
individualizada e sensível (misticismo, sensualidade, raiva e dramatismo)
acentuando a expressividade.
 Os primeiros a registar estas mudanças de mentalidade e sensibilidade
estética foram Miguel Ângelo (Pietà de Florença e o fresco do Juízo Final) e
Rafael (A Trans昀椀guração). As características destas obras são os cânones
corporais alterados, uso frequente do nu, composições complexas e
movimentadas, preciosismos técnicos como esforços difíceis e efeitos de
tromp-l´oeil, e sentido cénico e forte carga emocional.

Fig. 50 – Pietà de Florença, Miguel Ângelo Fig. 51 – Juízo Final, Miguel Ângelo Fig. 52 – A Trans昀椀guração,
Rafael

A arte maneirista- pintura, arquitetura e escultura:


 A maneirista foi uma arte individualizada e tecnicista, erudita nos temas e
metáforas, arti昀椀cial, movimentada e expressiva.
 Pintura -» temáticas religiosas, mitológicas, alegóricas e retratos com
composições complexas, corpos de cânones alterados, cores arti昀椀ciais e
intensas, luminosidade arti昀椀cial e forte expressividade.
 Arquitetura -» igrejas salão, palácios e villas.
 Escultura -» temáticas de cunho profano, domínio técnico, formas
trabalhadas em posturas contorcionadas e composições complexas e
expressivas.

Renascimento e Maneirismo em Portugal:


 A arte do Renascimento só chegou a Portugal verdadeiramente, no reinado
de D. João III.
 Arquitetura Renascentista-» misturou in昀氀uências italianas com as do
Manuelino e plateresco. Registamos igrejas-salão, palácios e solares, com
forte horizontalidade. Entre os arquitetos salientaram-se Afonso Álvares (Sé
de Portalegre), João de Castilho (Capela da Conceição e Claustro de D. João
II, no convento de Cristo, Tomar) e Diogo de Torralva (Palácio da Bacalhoa,
Azeitão).

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])


lOMoARcPSD|48131565

Fig. 53 – Convento de Cristo, Tomar Fig. 54 – Palácio da Bacalhoa, Azeitão

 Pintura Renascentista -» temáticas religiosas, maior importância dada ao


desenho na conceção e execução das obras, espaços construídos pela
perspetiva cientí昀椀ca, composições equilibradas, corpos e vestes trabalhados
(claro-escuro), cenários com motivos arquitetónicos clássicos,
pormenorização realista dos elementos e maior riqueza cromática. Destaca-
se o pintor Vasco Fernandes, conhecido por Grão-Vasco (São Pedro
Patriarca).

Fig. 55 – São Pedro Patriarca, Grão-Vasco

 Escultura Maneirista -» abandonou o modo gótico a partir de XVI, com a


chegada de mestres estrangeiros que vieram para Portugal atraídos com o
mecenato, estes trabalharam dentro dos princípios renascentistas e
maneiristas, os mais importantes foram Nicolau de Chanterene (Porta
Especiosa da Sé Velha, Coimbra) e Filipe Hodarte (Apóstolos do Mosteiro de
Santa Cruz, Coimbra).
 A arte maneirista perdurou em Portugal desde a crise dinástica, 昀椀nais do séc.
XVI até ao período da Restauração e das Guerras da Independência.
 Arquitetura Maneirista -» “estilo chão”, edifícios horizontais, de fachada
simples e despojadas, interiores mais decorados, com pinturas, talha
dourada, azulejos… (Igreja de São Lourenço, Porto).
 Pintura Maneirista -» temas religiosos, históricos e retratos, composições
movimentadas orientadas por linhas sinuosas e diagonais, posições e gestos
dinâmicos. Obras de Gregório Lopes (A Adoração dos Pastores, Évora),
Gaspar Dias (A Anunciação) e Cristóvão de Morais (Retrato de D. Sebastião).

Fig. 56 – Porta Especiosa da Sé Velha Fig. 57 – Igreja de São Lourenço, Porto Fig. 58 – A Adoração dos
Pastores

Downloaded by Aluno Ana Beatriz Salgado Gonçalves (a.20220117@[Link])

Você também pode gostar