Módulo VIII/ - CEA - CERTIFIQUEI
Módulo VIII/ - CEA - CERTIFIQUEI
FUNDOS DE INVESTIMENTOS
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Sumário
Referência - Prova .................................................................................................................................3
8.1 Definições Legais.............................................................................................................................4
Fundos de Investimento (FI) e Fundos de Investimento em Cotas (FIC): definições ..................... 4
Condomínio. Fundos Abertos e Fundos Fechados ................................................................ 5
Constituição e registro na CVM............................................................................................... 5
Comunicação com o cotista .................................................................................................. 6
Cota, valor da cota e transferência de titularidade .............................................................. 6
Propriedade dos ativos de Fundos de Investimentos – excluindo fundos imobiliários ........ 7
Segregação entre gestão de recursos próprios e de terceiros: Barreira de Informação ...... 7
Assembleia Geral de Cotistas (competências e deliberações). Convocação ........................ 7
Direitos e obrigações dos condôminos ................................................................................. 8
Divulgação de informações e de resultados ......................................................................... 8
Informações periódicas ......................................................................................................... 9
Atos ou fatos relevantes ....................................................................................................... 9
Administração ..................................................................................................................... 10
Dinâmica de Aplicação e Resgate ........................................................................................ 12
Fechamento dos fundos para resgates e aplicações........................................................... 13
Diferenciais do Produto para o Investidor .......................................................................... 14
Riscos de ativos individuais versus riscos da carteira ......................................................... 15
Limites de alocação por emissor e por tipo de ativo. Riscos para o investidor .................. 15
Liquidez ............................................................................................................................... 16
Política de Investimento ...................................................................................................... 16
Dificuldades de replicação dos índices de referência (benchmarks) e suas principais
causas: custos, impostos, dinâmica de cálculo da rentabilidade do fundo e regras de
contabilização a mercado.................................................................................................... 17
Instrumentos de divulgação das políticas de investimento e rentabilidade: regulamento,
lâmina de informações essenciais, demonstração de desempenho, formulário de
informações complementares e termo de adesão. Diferença no uso dos documentos e
acesso ao público investidor ............................................................................................... 17
Marcação a mercado. Conceito, finalidade e relevância para investidor ........................... 19
Alavancagem: conceito, vantagens e desvantagens ........................................................... 20
Impacto de variações nas taxas de juros, câmbio e inflação sobre os tipos de Fundos:
consequências ..................................................................................................................... 20
Taxas de administração e outras......................................................................................... 21
Classificação CVM................................................................................................................ 22
Renda Fixa Curto Prazo ....................................................................................................... 24
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Renda Fixa Referenciados ................................................................................................... 24
Renda Fixa Simples .............................................................................................................. 25
Renda Fixa Dívida Externa ................................................................................................... 25
Ações Mercado de Acesso................................................................................................... 25
Tributação ........................................................................................................................... 25
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Referência - Prova
4 questões
- Correspondem a 5,00% do total da prova
- Quantidade mínima exigida de acertos: não há
▪ Histórico
▪ Instrução CVM nº 555/2014 e respectivas atualizações
▪ Classes
- Curto Prazo, Referenciado, Renda Fixa, Multimercado, Ações, Cambial, Dívida Externa e
FICs (Fundos de Investimento em Cotas)
▪ Aspectos Operacionais
- Taxas de Administração, de Performance, de Ingresso e de Saída
▪ Políticas de Investimentos
- Definição
- Gestão Ativa e Passiva
- Instrumentos de Divulgação das Políticas de Investimento
▪ Aspectos Tributários
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8.1 Definições Legais
Os Fundos são regidos por um Regulamento, em que este deve estar disponível a todos os
participantes juntamente com o Prospecto no momento do ingresso, quando são estabelecidas todas
as regras básicas de funcionamento e outras informações relevantes, como a composição da carteira,
limites de cada ativo, risco, entre outros.
No FI, o gestor adquire ou vende aplicações em nome do fundo, onde a cada movimentação de
aplicação e resgate dos cotistas, altera-se o Patrimônio Líquido (PL) do mesmo. Já o FIC compra cotas
de um ou mais fundos, respeitando o percentual mencionado dos recursos investidos. A outra
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parcela – 5% - pode ser investida diretamente em títulos privados ou públicos, de acordo com o que
o gestor considerar oportuno, respeitando a política de investimentos.
O cotista, ao comprar cotas de um fundo, está aceitando suas regras de funcionamento e passa a ter
os mesmos direitos dos demais, independentemente da quantidade de cotas que possui.
Os fundos podem ser organizados como condomínios fechados ou abertos. Nos fundos constituídos
sob a forma de condomínio aberto, os cotistas podem comprar ou resgatar suas cotas a qualquer
tempo. Não há uma data de vencimento e, portanto, o investidor não precisa renovar sua aplicação.
Já nos fundos fechados, o ingresso no fundo ocorre em período determinado e as cotas somente
não são resgatadas por decisão do cotista. Caso este queira sair do fundo antes do vencimento ou
de sua liquidação, o investidor deve vender suas cotas para outro investidor antes do encerramento
do fundo. O fundo fechado pode ou não ter vencimento, existindo um período determinado para o
resgate das cotas.
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regulamento. Além do regulamento, algumas informações importantes são exigidas no ato do
registro, como a indicação do auditor independente, a formalização do fundo (CNPJ), a lâmina de
informações essenciais, os dados relativos ao registro do regulamento em cartório de títulos e
documentos e a declaração do administrador de que o fundo é aderente à legislação em vigor.
O referido regulamento só pode ser alterado por decisão dos cotistas ou em caso de necessidade de
adequação à legislação.
Para os fundos em que não há envio físico, poderá existir a possibilidade para o mesmo,
especificando no regulamento se os custos referentes ao processo serão de responsabilidade do
fundo ou dos cotistas que optarem por essa modalidade.
Um Fundo é dividido em participações, conhecidas por cotas, que os investidores mantem sobre o
patrimônio de aplicação. As cotas são, portanto, frações ideais do patrimônio. São escriturais,
nominativas e conferem iguais direitos e obrigações.
Cada valor aplicado no Fundo corresponde a uma quantidade de cotas. O patrimônio formado pelos
investidores é convertido em ativos, seja de renda fixa ou variável. Se, ao final de um mês os ativos
que lastreiam o Fundo se valorizarem, isso é refletido no valor da cota. Logo, novas entradas se darão
ao valor da cota atualizado, mais valorizado.
O valor da cota é calculado diariamente (no encerramento do dia, i.e., no horário de fechamento dos
mercados em que o fundo atua) pela divisão entre o patrimônio atualizado a preços de mercado e a
quantidade de cotas emitidas. A fórmula abaixo é utilizada pelo administrador para o cálculo do valor
da cota:
A quantidade de cotas possuídas por um investidor é sempre a mesma, exceto nos casos em que há
a aquisição de novas, de resgate ou ocorra um recolhimento de Imposto de Renda na forma de
“come-cotas”.
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No que diz respeito à transferência de titularidade, esta irá depender da característica do Fundo. As
cotas de um fundo aberto não podem ser objeto de cessão ou transferência, salvo por decisão
judicial, execução de garantia ou sucessão universal. As cotas de fundos fechados, por sua vez,
podem ser objeto de cessão ou transferência mediante termo de cessão e transferência ou via
operação em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado.
A propriedade dos ativos dos Fundos de Investimento é dos cotistas, do condomínio. Ressalta-se que
o patrimônio do fundo não se mistura com o patrimônio de seus prestadores de serviços
(administrador ou gestor). Lembrando que o fundo deve ter escrituração contábil e CNPJ próprios.
A Resolução CMN 2.451, de novembro de 1997, exige completa independência entra a administração
de recursos próprios e de terceiros. Tal separação inclui a separação física e a contratação de pessoa
jurídica distinta para a administração dos recursos de terceiros, ou a designação de membro da
diretoria exclusivamente para essa finalidade.
A exigência dessa separação visa evitar possíveis conflitos de interesse, impedindo também o fluxo
de informações privilegiadas e sigilosas para outros setores da instituição. Essa separação, conhecida
como barreira de informação, é a causa de muitas instituições financeiras criarem empresas
chamadas gestoras de recursos de terceiros, ou asset management, cuja atuação se dá de forma
independente do banco.
As principais decisões que envolvem o patrimônio dos Fundos de Investimento são tomadas no
âmbito da Assembleia Gera de Cotistas. A Assembleia delibera sobre política de investimento,
prestação de contas do administrador, alterações no regulamento do Fundo, contratação ou
substituição do Administrador, definição da taxa de administração, liquidação do Fundo, emissão de
novas cotas – no fundo fechado, amortização e resgate compulsório de cotas, dentre outros.
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ordem do dia, isto é, todas as matérias a serem deliberadas pelos cotistas, não se admitindo que sob
a rubrica de assuntos gerais haja matérias que dependam de deliberação da assembleia.
A Assembleia pode ser convocada, a qualquer tempo, pelo administrador, pelo gestor, custodiante,
cotista ou grupo de cotistas que detenha pelo menos 5% do total de cotas.
A adesão se dá via assinatura do Termo de Adesão e Ciência de Risco, atestando que teve acesso ao
inteiro teor dos documentos entregues pelo administrador ou distribuidor do fundo, além de
confirmar ciência da política de investimentos e os riscos envolvidos no negócio, inclusive o da
possibilidade de ocorrência de patrimônio negativo, com o consequente aporte de novos recursos
com a finalidade de cobrir o prejuízo.
No que se refere aos direitos, todos os cotistas devem possuir tratamento igualitário, não havendo
qualquer tipo de distinção, salvo a proporcionalidade de número de cotas na contabilização de votos.
Além disso, todos possuem o direito de participar das Assembleias do Fundo e votar, quando for o
caso.
Adicionalmente, o cotista tem o direito de acesso a informações referentes ao fundo, como o extrato
de conta contendo informações relevantes (enviado mensalmente pelo administrador), a lâmina de
informações essenciais e o formulário de informações complementares.
Cabe aos administradores dos fundos de investimento divulgar informações aos cotistas, a CVM e as
entidades do mercado. Seguindo a linha de que todos os condôminos devem ter o mesmo
tratamento, as informações devem ser divulgadas de maneira equitativa, por meio eletrônico ou no
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site do administrador ou distribuidor. Caso essa ação não seja cumprida, o administrador do fundo
está sujeito a multa diária no valor de R$500,00, em virtude do descumprimento dos prazos previstos
pela CVM.
Informações periódicas
Para a CVM, ato ou fato relevante consiste em qualquer evento que possa influir de modo ponderável
no valor das cotas ou na decisão dos investidores de adquirir, manter ou alienar tais cotas. O ato ou
fato relevante divulgado deve ser mantido nos sites do administrador e do distribuidor do fundo,
sendo que a divulgação se dá na forma prevista no regulamento do fundo, por meio do Sistema de
Envio de Documentos, disponível no site da CVM.
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Administração
O administrador pode contratar os seguintes serviços junto a terceiros, sendo que, ao fazê-lo, ele
passa a responder solidariamente com os prestadores de serviços que contratar, por eventuais
prejuízos causados aos cotistas, em virtude de condutas contrárias à lei, ao regulamento ou aos atos
normativos da CVM:
Caso opte por contratar agência de classificação de risco, o contrato deve conter cláusula obrigando
a agência a divulgar imediatamente em seu site e comunicar à CVM e ao administrador, qualquer
alteração na classificação do fundo.
Caso o fundo invista em cotas de outros fundos de investimento, o administrador e o gestor devem,
em conjunto e diligentemente avaliar a liquidez do fundo investido, considerando, no mínimo, o
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volume investido, as regras de pagamento de resgate do fundo investido e os sistemas e ferramentas
de gestão de liquidez utilizados pelo administrador e gestor do fundo investido.
Ambos, administrador e gestor, devem ser substituídos caso sejam descredenciados para o exercício
da atividade de administração de carteiras de valores mobiliários, por decisão da CVM ou deliberação
da assembleia geral (Seção VI).
Normas de condutas
Na Seção V estão contidas as normas de condutas a serem adotadas pelo administrador e pelo gestor
do Fundo. No artigo 92, inciso I, consta:
I. Exercer suas atividades buscando sempre as melhores condições para o fundo, empregando
o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma dispensar à administração
de seus próprios negócios, atuando com lealdade em relação aos interesses dos cotistas e
do fundo, evitando práticas que possam ferir a relação fiduciária com eles mantida, e
respondendo por quaisquer infrações ou irregularidades que venham a ser cometidas sob
sua administração ou gestão;
II. Exercer, ou diligenciar, para que sejam exercidos todos os direitos decorrentes do
patrimônio e das atividades do fundo, ressalvado o que dispuser a política relativa ao
exercício de direito de voto do fundo;
III. Empregar, na defesa dos direitos do cotista, a diligência exigida pelas circunstâncias,
praticando todos os atos necessários para assegurá-los e adotando as medidas judiciais
cabíveis.
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Dinâmica de Aplicação e Resgate
Aplicação de recursos e compra de ativos por parte dos gestores. Cota do dia (D+0) e
cota do dia seguinte ao da data de aplicação (D+1)
Sempre que ocorre um cenário de aplicação líquida, com entrada de recursos superior ao resgate de
recursos, o gestor terá que comprar ativos para a carteira realizando novos investimentos.
Quando o Fundo recebe uma aplicação, esta não é convertida automaticamente em novas cotas. O
valor investido é lançado e contabilizado dentro do fundo. O valor da cota para a conversão dos
investimentos a fim de calcular o número de cotas a fim de calcular o número de cotas detidas pelo
nove investidor pode ser a cota do dia (D+0) ou a cota do dia seguinte ao da data de aplicação (D+1).
Somente a partir daí o gestor está autorizado a realizar a compra de ativos.
Podemos definir essa referência como data de cotização: data em que os recursos aplicados são
convertidos em cotas, e em que cotas são convertidas em recursos (no caso de resgate). O dia em
que a conversão é concretizada, está indicado após o “D”. Cabe ao Fundo informar o critério
adotado na emissão. Sendo D+0, o valor da cota do dia é calculado a partir do patrimônio líquido
do dia anterior, devidamente atualizado por um dia. Sendo D+1, apenas após o fechamento do
mercado o valor é conhecido.
Sempre que o cliente opta por resgatar seus recursos de um Fundo, pode ser que ele tenha que
esperar mais tempo para ter o montante em sua cota, dada a liquidez de cada ativo. O valor a ser
resgatado na data de pagamento é referente ao valor da cota na data de conversão de cotas. Sendo
assim, pode haver diferença entre o dia em que o investidor solicita o resgatem o dia em que o
administrador calcula o valor da cota para pagamento e o dia do efetivo pagamento. Tais prazos
devem estar presentes no regulamento do fundo e na lâmina de informações essenciais.
Exemplo:
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O conceito de prazo de cotização foi implicitamente colocado nos tópicos anteriores. Para fixar o
entendimento, tome como referência os seguintes conceitos:
De acordo com a política do Fundo de Investimento pode existir um prazo de carência para resgate,
ou seja, pode haver um prazo em dias para que o pedido de resgate seja efetivado. Para um caso de
1 mês de carência, o resgate é efetuado após 30 dias da solicitação, e o valor resgatado pode ter ou
não rendimento nesse período.
A existência do prazo de carência deve constar em destaque na capa de todo o material de divulgação
do Fundo. A existência da carência não elimina a possibilidade de o cotista resgatar seus recursos
antecipadamente, cabendo, nesse caso, a incidência de uma taxa ou perda de rentabilidade
acumulada no período, uma vez prevista no regulamento.
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Em casos excepcionai de falta de liquidez, o administrador pode tomar a decisão de declarar o
fechamento do fundo para realização de resgate. Esse movimento configura fato relevante e, por
isso, deve atender tempestivamente a política de divulgação de atos e fatos relevantes. Caso o
fechamento supere cinco dias consecutivos, uma assembleia geral extraordinária deve ser
convocada.
Uma vantagem destacada de um Fundo é a gestão profissional especializada que possui. Enquanto,
na maioria dos casos, o investidor isoladamente não possui os conhecimentos técnicos necessários
para tomar as melhores decisões de investimentos, ou até mesmo disponibilidade de tempo para
acompanhar o mercado, os administradores dos fundos são profissionais qualificados e experientes.
Dentre outros aspectos, podemos elencar quatro principais vantagens em aplicar recursos em um
Fundo de Investimento:
▪ Liquidez;
▪ Custos menores de transação;
▪ Diversificação;
▪ Acesso ao mercado financeiro.
Diversificação
Os Fundos são capazes de promover a diversificação de suas carteiras, mesclando de forma eficiente
os ativos financeiros de forma a maximizar o seu retorno dado um certo nível de risco, ou minimizar
o risco para um retorno esperado. A maioria dos Fundos aplica a diversificação como forma a
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diminuir o risco para seus investidores, sendo que a CVM determina limites máximos de
concentração por tipo de emissor e de ativo que um Fundo de Investimento pode ter.
Metodologicamente, uma das formas de medir o risco de um ativo é mensurar o desvio padrão do
seu retorno em torno da sua própria média de retornos. Quando maior o desvio em relação à média,
maior o risco, visto a maior incerteza.
Em uma carteira com vários ativos, ao se somar os retornos e se avaliar o risco, poderá ser obtido
um valor para o risco menor do que as somas dos riscos individuais dos ativos. Isso porque os ativos
possuem retornos e desvios com a média diferentes uns dos outros e, quando alocados em uma
mesma carteira, parte do risco se anula, reduzindo-o.
Para diminuir o risco da carteira, é essencial a alocação em ativos diferentes entre si e, para diminuir
os riscos aos cotistas, a CVM limita a exposição a alguns ativos.
Os Fundos de Investimentos são limitados em suas alocações quanto ao tipo de emissor, sendo
destacado:
▪ Até 100% do patrimônio líquido pode estar alocado em ativos de emissão da União Federal;
▪ No máximo 20% do patrimônio líquido pode ser aplicado em ativos de emissão de
instituições financeiras;
▪ Até 10% do patrimônio líquido pode ser aplicado em ativos de emissão das companhias
abertas ou Fundos de Investimento;
▪ Até 5% do patrimônio líquido aplicado em ativos de emissores privados.
▪ Até 20% do patrimônio podem ser investidos conjuntamente em: cotas de FI e FIC-FI, cotas
de FII, FIDC e FIC-FIDC, cotas de Fundos de Índice, CRI e outros ativos previstos na Instrução
CVM 555.
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▪ Títulos de emissão ou coobrigação de instituição financeira;
▪ Valores mobiliários diversos dos já listados, desde que registrados na CVM;
▪ Notas promissórias, debêntures e ações;
▪ Contratos derivativos.
Liquidez
Conceituada como a facilidade de se vender um ativo a um preço justo, em FIs a liquidez é reflexo
direto dos prazos de resgates. Em Fundos abertos a maioria dos Fundos de Renda Fixa possui como
data de cotização D+0 e pagamento também em D+0, configurando liquidez diária.
No que diz respeito à liquidez dos Fundos, é importante atentarmos à capacidade desse em honrar
os compromissos em situações de estresse, que afetem o comportamento de resgate. O
administrador e o gestor devem adotar políticas para que a liquidez seja compatível com os prazos
previstos para pagamento dos pedidos de resgate e o cumprimento das obrigações do Fundo.
Política de Investimento
Objetivo
A administração ativa de um Fundo envolve a compra e venda de ativos com o intuito de apurar
retorno acima de um índice fixado como referência para a gestão da carteira. A aposta de um Fundo
com gestão ativa é que seu desempenho, medido pela relação risco-retorno, irá superar o
benchmark (o do mercado), oferecendo uma expectativa de maiores rendimentos aos investidores.
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A administração passiva, por sua vez, é uma estratégia de investimento em que o administrador do
Fundo investe em ativos visando reproduzir a carteira do índice previamente definido. O retorno,
nessa estratégia, deve aproximar-se do benchmark.
A diferença entre as duas gestões é que na administração ativa não há uma réplica da carteira do
índice escolhido, sendo este retorno entendido apenas como referencial a ser atingido e, de
preferência, superado pelo Fundo.
Os fundos passivos (referenciados), pela sua maior simplicidade na gestão e menor risco envolvido,
costumam apresentar custos menores.
Na prática, replicar exatamente o desempenho de um benchmark não é tarefa fácil. Isso porque o
desempenho do Fundo é influenciado pela cobrança da taxa de administração e de outros encargos,
como as taxas de corretagem.
Na renda fixa, as taxas cobradas são obstáculos à replicação do desempenho de um índice, uma vez
que no cálculo de performance de um benchmark não existe nenhuma taxa. Já em Fundo de Ações,
além das taxas, existe a dificuldade de comprar a quantidade proporcional de todas as ações
presentes no benchmark.
Os principais tipos de risco presentes no Fundo de Investimento são o risco de crédito, o risco de
mercado, o risco de liquidez e o risco sistêmico.
No regulamento do Fundo constam todas as informações que esta precisa ter. A CVM estabelece
regras para as informações que o regulamento deve ter, como:
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▪ Espécie do Fundo (aberto ou fechado);
▪ Prazo de duração;
▪ Política de investimento;
▪ Taxa de administração;
▪ Taxas de performance, ingresso e de saída, se houver;
▪ Despesas do Fundo;
▪ Condições para aplicação e o resgate de cotas;
▪ Distribuição de resultados;
▪ Público-alvo;
▪ Exercício social do Fundo;
▪ Política de divulgação de informações e interessados;
▪ Política relativa ao exercício de direito do voto do fundo, pelo administrador ou por seus
representantes legalmente constituídos;
▪ Tributação aplicável;
▪ Política de administração de risco.
Para Fundos com administração aberta, deve constar uma lâmina de informações essenciais,
documento que apresenta, basicamente, as principais informações do Fundo. Devido a sua estrutura,
é um documento atualizado mensalmente que permite compreender e comprar informações
importantes:
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▪ Local, meio e forma de solicitação de informações;
▪ Exposição dos fatores de riscos inerentes à composição da carteira;
▪ Tributação aplicável;
▪ Descrição da política de administração de risco;
▪ Política de distribuição de cotas.
Ao investir em um Fundo, o cotista assina o termo de adesão e ciência de risco. Este, deve conter, no
máximo, 5.000 caracteres para facilitar a leitura do investidor e apresentar os riscos de uma carteira.
Marcação a mercado é um processo de estabelecer o “valor justo” a uma carteira de títulos, tendo
como referência seus valores de realização de mercado. Em outras palavras, a marcação a mercado
permite converter cada título que compõe uma carteira em seu valor de mercado, revelando o
efetivo valor da carteira.
Um título de renda fixa emitido por uma empresa pode ter seu preço alterado em função da variação
dos juros de mercado e alterações do risco de crédito do emissor. Sendo assim, os valores desses
títulos são atualizados periodicamente.
A oferta inicial de títulos públicos federais é realizada através de leilões no mercado primário. Os
rendimentos dos títulos são calculados de acordo com as ofertas apresentadas pelas instituições
participantes do leilão, sendo os pagamentos garantidos pelo Governo, emissor dos títulos. Após a
colocação inicial, os títulos são negociados entre os investidores no mercado secundário. Nesse
momento, os preços são definidos pelo mecanismo de oferta e demanda, podendo ser diferentes
daqueles observados no mercado primário.
A diferença de preços pode ocorrer com os diferentes tipos de papéis. Uma preocupação dos Fundos
de Investimentos, por exemplo, quando os depositantes solicitam resgate de suas cotas, é que os
títulos precisam ser vendidos no mercado secundário, onde as cotações são geralmente diferentes
da carteira mantido. Com isso, podem ser registrados prejuízos.
Ao adotar o procedimento de marcação a mercado, a cotação dos títulos que compõem uma carteira
de investimentos é estabelecida com base em seu valor de mercado. São estes valores que irão
definir o valor da cota do investidor. O ajuste ocorre diariamente.
No caso das ações, os preços diários são divulgados pela B3, e as cotações diárias servem para
calcular o valor do patrimônio dos Fundos de Investimento.
A marcação é importante para o investidor, uma vez que ela faz com que ele pague o preço justo do
valor da cota ao aplicar e receba um valor justo no momento do resgate. Ela impede a transferência
de riqueza entre os cotistas que aplicam ou resgatam seus recursos de um Fundo, pois o valor da
cota reflete o preço de mercado dos ativos que fazem parte da carteira do Fundo.
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Alavancagem: conceito, vantagens e desvantagens
O Fundo é tido como alavancado quando existe a possibilidade de perda superior ao patrimônio. Em
linhas gerais, um Fundo alavancado utiliza derivativos para aumentar sua exposição em determinado
mercado. Estes derivativos são transacionados nos mercados futuros e de opções. Ressalta-se,
porém, que alguns Fundos utilizam derivativos apenas com a finalidade de hedge (proteção) da
carteira, não significando alavancagem.
Ambos, inflação e juros, afetam as aplicações financeiras. O aumento da Selic, por exemplo, torna
mais atraente a rentabilidade dos títulos de renda fixa pós-fixados atrelados à variação dessa taxa.
Já a inflação pode ter efeito contrário, sendo preciso estar atento aos ganhos reais proporcionados
pelas aplicações – ou seja, ganhos acima do aumento do nível geral de preços da economia.
Os impactos do câmbio são sentidos de forma mais direta nos Fundos Cambiais. A desvalorização do
real, por exemplo, não necessariamente leva a um melhor resultado do Fundo. Isso porque o Fundo
investe em títulos atrelados à moeda e também a uma taxa de juros, sendo o efeito conjunto de
ambas as variáveis que contribuirá para o resultado.
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Taxas de administração e outras
Outros aspectos importantes acerca da taxa de administração é que ela pode variar de acordo com
a instituição e o produto, mas, uma vez definido o valor, ela é fixa, não podendo ser aumentada sem
prévia aprovação em assembleia geral.
A taxa de performance é cobrada com base no desempenho apresentado pela carteira do Fundo de
Investimento em relação a um índice de mercado. Assim, caso o retorno da carteira supere o
benchmark utilizado, será cobrado um percentual que exceder o indicador no período. Logo, a taxa
de performance é cobrada para remunerar uma boa performance.
Nem todos os Fundos estão autorizados a cobrar a taxa de performance, sendo que a mesma deve
atender aos seguintes critérios:
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Fundos de Renda Fixa das classes CVM curto prazo, referenciado e renda fixa é vedada a cobrança
de taxa de performance, salvo quando destinados a investidores qualificados ou somente no caso
dos Fundos de renda fixa que tiverem o compromisso de obter tratamento fiscal destinado a Fundos
de longo prazo na regulamentação fiscal vigente.
Outras taxas previstas para serem cobradas – mas não muito comuns no Brasil – são a taxa de
ingresso, que incide sobre os valores aplicados, e a taxa de saída, aplicada quando do resgate, sobre
o valor resgatado.
Classificação CVM
Os Fundos de Investimentos são classificados pela CVM de acordo com a composição de suas
carteiras, permitindo uma mais fácil identificação de sua política de investimentos e objetivos.
Os Fundos de Renda Fixa possuem, no mínimo, 80% de sua carteira formada por ativos de renda fixa
prefixados, que definem previamente a taxa de juro de rendimento, ou pós-fixados, que
acompanham a variação de uma taxa de juro ou um índice de inflação.
▪ Curto prazo: aplica em títulos com prazo máximo a decorrer de 375 dias, sendo o
prazo médio da carteira inferior a 60 dias. O risco é baixo, mas existe o de crédito,
de mercado e de liquidez;
▪ Longo prazo: compromete-se a obter o tratamento discal destinado a fundos de
longo prazo. Possui baixo risco de crédito e liquidez. Alto risco de mercado (taxa de
juros);
▪ Referenciado: investe ao menor 95% do patrimônio em ativos que acompanham um
índice de referência, destinando 80% para títulos públicos e ativos de baixo risco.
Possui baixo risco de crédito, de mercado e de liquidez;
▪ Simples: aplica ao menos 95% do patrimônio a títulos públicos ou papéis de
instituições financeiras com risco equivalente. Prevê no regulamento que seus
documentos serão disponibilizados aos cotistas por meios eletrônicos. Baixo risco
de crédito, mercado e liquidez;
▪ Dívida externa: aplica ao menos 80% do patrimônio em títulos da dívida externa da
União. Possui baixo risco de crédito, mas tem risco de mercado (câmbio) e liquidez;
▪ Crédito privado: investe mais de 50% do patrimônio em ativos de crédito privado.
Possui alto risco de crédito, de mercado e de liquidez.
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Os Fundos de Ações devem conter, na composição de suas carteiras, um percentual elevado (67%)
de ações negociadas no mercado a vista da bolsa de valores ou em mercado de balcão organizado;
cotas de Fundos de ações e cotas dos Fundos de índice de ações; e Brazilian Depositary Receipts
(BDR), classificados como níveis II e III. Muitos desses Fundos têm como benchmark índices do
mercado de ações, como o Ibovespa e o IBX.
Os Fundos Multimercado não possuem obrigação de concentração de sua carteira em nenhum ativo
específico, definindo uma política de investimentos que incorpore diversas classes de ativos e fatores
de risco. Esse tipo de Fundo investe em diversos mercados ao mesmo tempo, permitindo uma
diversificação das aplicações. Para alavancar usas posições ou proteger suas carteiras, os Fundos
Multimercado utilizam ativamente instrumentos derivativos.
Os Fundos Cambiais devem possuir, no mínimo, 80% de seu patrimônio em ativos relacionados à
variação de preços de uma moeda estrangeira ou cupom cambial.
▪ Risco de crédito;
▪ Risco de liquidez;
▪ Risco de mercado.
O risco de crédito é o risco relacionado a possibilidade de a contraparte não assumir suas obrigações,
parcial ou integralmente, na data combinada. Desse modo, o risco consiste não somente no
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inadimplemento completo das obrigações da contraparte, como também do pagamento de apenas
uma parte do compromisso, ou mesmo, do pagamento após a data acordada.
Ao investir em um Fundo, o cotista não corre o risco de crédito da instituição que administra o Fundo.
O risco está nos ativos que o Fundo tiver em carteira, não em que o administra. Caso a instituição na
qual o investidor tenha investimentos quebrar, sua perda só será a parcela do patrimônio que o
Fundo tiver investido em ativos dessa instituição financeira.
O risco de liquidez está relacionado com a disponibilidade imediata de caixa diante de demandas por
parte dos cotistas. Logo, surge da dificuldade em conseguir encontrar compradores potenciais para
determinado ativo no momento e no preço desejado.
Como destacado anteriormente, os títulos que compõem sua carteira devem ter prazo máximo a
decorrer de 375 dias até o vencimento do título e prazo médio da carteira inferior a 60 dias.
Só são admitidos investimentos em: títulos públicos federais ou privados prefixados, títulos públicos
federais ou privados indexados na taxa Selic, em outra taxa de juros ou índices de preços, em títulos
privados que sejam considerados de baixo risco de crédito pelo gestor, em cotas de Fundos de índice
que apliquem nesses tipos de títulos, e em operações compromissadas lastreadas em títulos públicos
federais.
Visam acompanhar a variação de determinado benchmark. Devem manter, no mínimo, 95% de seu
patrimônio investido em ativos que acompanhem o indicador, sendo no mínimo 80% do patrimônio
representado por títulos públicos federais, ativos de renda fixa considerados de baixo risco de crédito
ou cotas de Fundos de índice que invistam em ativos com as mesmas características. Devem ter em
sua denominação o índice de referência.
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Renda Fixa Simples
Fundos de baixo risco de crédito, liquidez e mercado. Devem manter, no mínimo, 95% do seu
patrimônio em títulos públicos federais, operações compromissadas lastreadas em títulos públicos,
ou títulos de emissão de instituições financeiras de risco de crédito equivalente ao risco soberano.
Devem manter, no mínimo, 80% do patrimônio líquido em títulos representativos da dívida externa
de responsabilidade da União. Podem realizar operações em mercados de derivativos, nacional ou
exterior, para fins de proteção.
Tributação
Existe a incidência de imposto de renda (IR) e o imposto sobre operações de crédito, câmbio e
seguros, ou relativas a títulos e valores mobiliários (IOF). Ambos são recolhidos sobre o lucro obtido
com a aplicação, que é sua base de cálculo.
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O IOF incide sobre o rendimento dos Fundos nos resgates feitos em período inferior a 30 dias, sendo
que a alíquota varia de 96% a 0%, decrescente conforme o período.
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