Sofonias - Champlin
Sofonias - Champlin
INTERPRETADO
S ofon ias
3 C apítulos
53 V ersículos
SOFONIAS 3631
INTRODUÇÃO livros? Em que esse adiamento traria vantagem à causa desses críti
cos? Por que nenhum deles jamais tentou atribuir a algum livro da
Obra literária de um profeta que descendia do rei Ezequias. Ele Bíblia uma data mais antiga do que geralmente se supõe? A resposta
viveu nos dias de Josias, rei de Judá. Em qualquer lista dos doze é simples. É que eles são impulsionados pela incredulidade, mor
Profetas Menores, o livro de Sofonias sempre ocupa o nono lugar, mente quanto à possibilidade de Deus revelar a seus profetas, de
sempre antes de Ageu e depois de Habacuque. antemão, os acontecimentos futuros. Os críticos sempre querem dar
a entender que os livros proféticos são apenas livros históricos. Suas
Esboço: predições fariam referência ao passado e não ao futuro. Quanto mais
I. Unidade tarde eles puderem datar esses livros, melhor para as crenças deles.
II. Data Contra isso levantam-se estudiosos sérios, que crêem no fenômeno
III. Pano de Fundo Histórico da profecia preditiva como autêntica manifestação do Deus vivo. Não
IV. Propósito precisamos apelar para aquele esquema. Aceitamos o que os livros
V. Conteúdo da Bíblia dizem a seu próprio respeito, sem tentar nenhuma distorção.
VI. Bibliografia Para nós, essa atividade seria desonesta. Não estamos querendo
comprovar nenhuma teoria. Queremos encontrar a verdade!
I. Unidade
A maioria dos críticos admite que o primeiro capitulo do livro de III. Pano de Fundo Histórico
Sofonias é, realmente, obra do profeta com esse nome; mas quase As condições religiosas do reino de Judá deterioraram-se de
todos opinam que os capítulos segundo e terceiro do livro contêm ou modo marcante após a morte do rei Ezequias. Os judeus cada vez
poemas posteriores ou ampliações proveniente do período pós-exílico, mais se inclinavam para a adoção de costumes assírios, que então
que teriam sido acrescentados aos oráculos autênticos de Sofonias. exerciam grande influência cultural sobre a Palestina. As práticas
Quanto aos detalhes, os intérpretes também demonstram pouca religiosas degeneradas, anteriores à grande reforma religiosa de
concordância entre si. A principal dificuldade, porém, é que a maioria Josias, transparecem, com certos detalhes, no trecho de II Reis
dos estudiosos não acredita em profecias preditivas genuínas, mas 23.4-20.
apenas em vaticinium ex eventu (profecia após o evento ocorrido), Os estudiosos muito têm debatido sobre o pano de fundo político
além de crer que a teologia esperançosa, na história da religião de do livro de Sofonias. Se Isaías (39.6), Habacuque (1.6) e Jeremias
Israel, evoluiu somente no período pós-exílico. Mas a primeira des (10.4) especificaram que os babilônios seriam a vara de castigo usa
sas opiniões não se coaduna com o testemunho explícito da própria da por Yahweh, a qual haveria de destruir temporariamente o reino
Bíblia, e o segundo desses pressupostos encontra paralelos até mes de Judá, Sofonias somente diz que o próprio Deus aplicaria essa
mo na forma de profecias extrajudaicas do antigo Oriente Próximo, punição, mas sem determinar o instrumento usado para isso. Por
como as do Egito e as que aparecem nas cartas provenientes de causa desse silêncio de Sofonias, dois povos têm sido sugeridos
Mari, onde há predições que seguem o modelo de ameaças e de pelos estudiosos como instrumento: os citas ou os babilônios. E,
promessas. Isso demonstra que esse modelo não foi criação posteri visto que a invasão cita ocorreu em data posterior, é preferida pelos
or de Israel após o exílio. críticos que não acreditam em profecias preditivas. O erro dessa
opinião é visto claramente no fato de que Judá nunca foi atingida
II. Data pelos citas, ao passo que os babilônios levaram a nata da nação
De acordo com a introdução do próprio livro de Sofonias, esse judaica para o exílio, em 586 A. C. Isso tanto é testemunho bíblico
profeta atuou durante o reinado de Josias (640—609 A. C.). Com (ver, por exemplo, II Crô. 36.17 ss.) quanto da própria história. Os
base no estado da moral e da religião em sua época (Sof. 1.4 ss., 8, citas, por sua vez, somente perturbaram a Ciaxares, rei medo, por
9, 12 e 3.1, 3-7), pode-se inferir que suas atividades, mais precisa ocasião do cerco de Nínive. Depois, marcharam contra o Egito; mas
mente ainda, ocorreram antes da grande reforma religiosa de 621 A. sem atacá-lo, e retornaram a seus lugares de origem, sem jamais
C. (cf. II Reis 23.4 ss.). Os informes que, de acordo com certos terem atingido a Palestina.
críticos, indicariam uma data um tanto posterior para o livro, podem
ser devidamente explicados como segue: a. os filhos do rei mencio IV . Propósito
nados em Sof. 1.8, adeptos a costumes estrangeiros, não podem ter Sofonias predisse a queda de Judá e de Jerusalém como aconte
sido os filhos do rei Josias, porquanto Josias era jovem demais para cimentos inevitáveis (Sof. 1.4-13), em face da degeneração religiosa
isso. Antes, devemos pensar em seus irmãos ou parentes próximos, que ali reinava. Todavia, esse julgamento local é visto pelo profeta
b. A alusão àqueles que continuavam servindo aos ídolos, no versículo contra o pano de fundo do quadro maior dos últimos dias, que as
seguinte, designa quão completa seria a destruição deles — Yahweh Escrituras também chamam de Dia do Senhor (Sof. 1.4-18 e 2.4-15).
haveria de varrer de Israel todo e qualquer vestígio da adoração a Por conseguinte, o propósito central do autor sagrado foi, principal
Baal. mente, despertar os piedosos para que se voltassem de todo o cora
Os críticos também postulam uma data posterior para o livro de ção ao Senhor, a fim de escaparem da condenação quando do futuro
Sofonias porque vinculam a predição de Sofonias sobre o grande Dia dia do juízo (Sof. 2.1-3), tornando-se parte do remanescente que
de Yahweh (ver desde Sof. 1.1) com as invasões dos povos citas, haverá de desfrutar as bênçãos do reino de Deus (Sof. 3.8-20). Isso
que atacaram a Assíria em 632 A.C. Porém, é evidente que uma significa que o livro não é obsoleto para nós; antes, à medida que se
invasão que teve conseqüências relativamente pequenas não pode aproximarem os últimos dias, mais e mais o livro terá aplicação e
ser equiparada ao que as Escrituras em geral, e o próprio livro de utilidade para nossa meditação e orientação. Todos os livros proféti
Sofonias, em particular, dizem sobre o Dia do Senhor. A opinião cos (e também em menor grau todos os demais livros bíblicos) têm
desses críticos é simplesmente ridícula. Portanto, se aceitarmos o um aspecto escatológico decisivo, que não podemos desprezar. No
testemunho do próprio Sofonias, concluiremos que ele pregou nos seu conjunto, eles formam o quadro que Deus queria dar-nos acerca
dias do reinado de Josias. Muitos eruditos conservadores pensam dos dias finais desta dispensação, que abrirão caminho para uma
que Sofonias estava encerrando a sua carreira profética quando nova época “áurea”, o milênio ou reinado de Jesus Cristo à face da
Jeremias começava a sua. Jeremias foi chamado como profeta no terra!
décimo terceiro ano do reinado de Josias. Ver Jer. 1.2.
Cabe aqui perguntar: Por que os críticos sempre acham que os V . Conteúdo
livros da Bíblia foram escritos depois das datas às quais eles se O esboço do livro de Sofonias é muito simples, quanto a seus
ajustam, de acordo com os próprios informes encontrados nesses detalhes principais, a saber:
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Nos dias de Josias. Josias foi rei de Judá em cerca de 640-609 A. C., pelo 1.6
que o m inistério profético de S ofonias (bem com o a escrita de seu livro) ocorreu
nesse período. V er o gráfico sobre os profetas de Israel-Judá, na introdução ao Os que deixam de seguir ao Senhor, e os que não o buscam nem
livro de Oséias, que inclui inform ações sobre questões de cronologia. perguntam por ele. “ Destruirei aqueles que se afastaram do Senhor. Eles deixa
ram de seguir o S enhor e pararam de fazer consultas a Ele” (NCV). Em outras
Ameaça de Destruição (1.2-6) palavras, o povo de Judá tornou-se culpado de apostasia. Cf. Sal. 53.3; 80.18;
Pro. 14.14; Isa. 59.13. A quela gente “inquiria” a outros deuses e deixou de inquirir
1.2 a Yahweh. Eles perderam o costum e antigo de buscar o Senhor, e substituíram
essa prática pela busca de m uitos cultos dos povos pagãos. O s hom ens costum a
De fato consumirei todas as cousas sobre a face da terra. E m bora Judá vam buscar a vontade de Yahw eh através de sacerdotes que m anipulavam as
estivesse vivendo dias grandiosos no m om ento, sua taça da iniqüidade se enchia sortes sacras ou contem plavam as pedras hipnóticas da estola sacerdotal. V er I
rapidam ente. O território de Judá seria consum ido totalm ente pelo ataque do Sam. 30.7,8. Mais tarde, a casta profética entrou em proem inência e costum ava
exército babilónico, e Yahw eh era a Fonte originária desse ataque, pois Ele é o prever o futuro e resolver problem as, de ordem pessoal ou nacional (ver I Reis
Deus Sabaote, General dos Exércitos. D eus estava prestes a “pôr fim ” à arrogan 22.8; Jer. 37.7; e ve r no Dicionário o artigo cham ado Profecia, Proíetas e o Dom
te nação de Judá (cf. Osé. 4.3). Note o leitor a de struição im inente am eaçada três da Profecia. Inquirição tornou-se um a palavra técnica para indicar o modus operandi
vezes nos vss. 2 e 3. O s term os desses versículos são tão radicais que os de um culto qualquer. A nação de Judá, em seu paganism o e apostasia, mudou
intérpretes olham para o dia escatológico que varrerá do m apa o mal, antes da tanto o culto quanto a inquirição.
inauguração do Reino de Deus.
Dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o
1.3 manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas
rotas, que não retêm as águas.
Consumirei os homens e os animais. “N esta extensa denúncia, há, com o é
claro, um a rem iniscência de Gên. 7.23. ‘Peixes do m ar’ aqui, entretanto, é substi (Jerem ias 2.13)
tuído em Gênesis por 'répteis'. Cf. esta profecia com a que houve durante o
reinado de M anassés (ver II Reis 21.13)” (Ellicott, in loc.). O Sacrifício do Senhor (1.7)
A natureza inteira participará do expurgo geral, m as são destacados aqueles
hom ens perversos que se tornaram pedras de tropeço para os bons e afrontas 1.7
para Deus. Cf. Jerr25.31 -33. “Arruinarei o povo m au” (NCV). A lguns pensam que
as “ofensas” aqui referidas sejam os ídolos, os fab ricantes e os adoradores de Cala-te diante do Senhor Deus, porque o dia do Senhor está perto. Este
ídolos. Essa terrível com binação tinha-se tornado um em pecilho para a continua versículo atua como um a declaração introdutória para o poema que aborda o dia do
ção da própria nação, pelo que a causa é severam ente am eaçada. O Targum diz: Senhor. Encontramos aqui a primeira das 19 referências a esse dia. O poema se
“Cortarei da terra os hom ens, diz o S enhor” . Está em vista o cativeiro babilónico estende pelo restante do capítulo. Yahweh é aqui retratado a realizar um sacrifício.
(ver a respeito no Dicionário), m as esse cativeiro tipifica um expurgo ainda maior, Judá é a vítima, e as forças babilónicas e seus aliados são os hóspedes convidados.
necessário antes que se estabeleça a era do reino de Deus. O julgamento desse temível sacrifício ainda não é universal, visto que, no julgamento
final, as nações tam bém serão vítimas. Ver no Dicionário o artigo chamado Dia do
1.4 Senhor. Cada participante, a vitim a e as testemunhas mantêm-se parados e aterroriza
dos, enquanto Yahweh sacrifica o próprio povo. Diferentemente de Isaque, Judá não
Estenderei a minha mão contra Judá, e contra todos os habitantes de escapou e merecia o que estava acontecendo. Talvez a figura tenha sido tomada por
Jerusalém. Judá é agora clara m en te enfocado com o objeto da m atança que empréstimo de Isa. 34.6. Os hóspedes, naturalmente, em todos os sacrifícios, exceto o
haverá no futuro. A mão de Y ahw eh será o instrum en to de julgam ento. V er holocausto (ver a respeito no Dicionário), participavam da came da vítima, depois que
sobre Mão, em Sal. 81.14, e sobre Mão Direita, em S al. 20.6. H averá um golpe o sangue e a gordura foram oferecidas a Yahweh (ver Lev. 3.17), e oito porções
divino. O s habitantes de Judá e Jerusalém serão esm agados, e suas práticas escolhidas eram dadas aos sacerdotes (ver Lev. 6.26; 7.11-24; Núm. 18.8; Deu.
idólatras, de dicadas a Baal, serão de m olidas, juntam en te com seus sacerdotes 12.17,18). Mas é um erro pressionar os detalhes. V er também Hab. 2.20 e Zac. 2.13.
idólatras. A idolatria-adulté rio-a posta sia daquela nação a em purrava na direção
de sua condenação. As reform as iniciadas por Josias foram sup erficiais e te m A Punição dos Príncipes (1.8-9)
porárias. Judá em breve não poderia m ais re torn ar ao S enh or por m eio do
arrependim ento. Cf. este versículo com Isa. 5.25; 9.12,17,21. 1.8-9
O resto de Baal. Josias tinha-se em penhado em um esforço heróico para No dia do sacrifício do Senhor hei de castigar os oficiais e os filhos do
livrar Judá da praga de Baal. V er sobre Baal, no Dicionário. No entanto, perm ane rei. Os príncipes e nobres faziam parte do povo que form ava o sacrifício coletivo.
ceu um resto desse tipo de abom inação que em breve com eçou a florescer de N aquele terrível dia do Senhor, quando Ele realizar o rito, os líderes e nobres se
novo e se espalhou por todo o território de Judá. Agora, porém , uma reform a destacarão entre os sofredores, visto que se tinham destacado entre os principais
divina ultrapassaria em m uito a fra ca reform a encabeçada po r Josias. pecadores. Esses segm entos da sociedade vestiam roupas estrangeiras (im porta
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das), elevando-se acima dos aldeões, e, no seu orgulho, eram culpados de muitas seus sedimentos” não formariam exceção. A lâmpada do profeta brilharia sobre
ofensas. Devemos compreender que essa gente se conformava ao paganismo de eles, mostrando o que eles eram. “O vinho precisa ser agitado e derramado de
todas as maneiras possíveis, especialmente no que dizia respeito à idolatria, Suas tina para tina. Pois, caso contrário, engrossa e perde a força. Assim também
vestes estrangeiras eram um simbolo disso. ‘despreocupado esteve Moabe desde a sua mocidade, e tem repousado nas
Os vss. 8-9 condenam quatro pecados cardeais (e representativos), por cau fezes de seu vinho; não foi mudado de vasilha pra vasilha, nem foi para seu
sa dos quais aqueles homens ímpios e desvairados deveriam ser punidos: cativeiro’ (Jer. 48.11)” (Charles L. Taylor, Jr. in loc.).
1. Conformidade com este mundo (ver Rom. 1.2), simbolizada pelo uso de Os refugos precisavam ser removidos diariamente. Caso isso não acontecesse,
roupas de fabrico estrangeiro. E a mais maligna das conformidades era a formava-se uma crosta dura, e o líquido virava xarope de gosto ruim. Judá, pois, havia-
adoção da idolatria pagã (ver ã respeito no Dicionário). se tomado endurecido, por não ter sido misturado, mostrando-se indiferente para com
2. Saltar sobre o limiar, a. Isso poderia ser uma referência a I Sam. 5.5. A imagem a mensagem agitadora de Vahweh. Mas a complacência de Judá não indicava que
de Dagom tinha caído e quebrado as mãos no limiar do seu templo. Desde então, Yahwèh se mostrava passivo quanto às corrupções da nação. “Punirei aqueles que se
seus adoradores passaram a saltar por sobre o limiar (para evitar o contato com estabeleceram e estão satisfeitos consigo mesmos” (NCV). Aqueles ímpios não eram
aquele lugar infeliz), ao adentrar o templo. O significado disso, pois, seria que os capazes de ver a mão de Deus nos acontecimentos humanos. Eles pensavam que
líderes de Israel imitavam os filisteus em sua adoração, ou então participavam da Yahweh (se é que Ele existia) faria coisas boas em favor deles, e nada de mau. Eram
idolatria pagã. A tradução inglesa diz: “Punirei aqueles que adoram a Dagom”. b. ateus práticos. Talvez acreditassem em Deus, mas isso não fazia a menor diferença
Mas alguns estudiosos supõem que “saltar por sobre o limiar” significa saltar o quanto à sua conduta. Eles diziam: “Nada de Deus para nós!”.
limiar de casas ou palácios comuns, pois isso teria sido feito por homens violen
tos, que corriam para saquear o lugar no qual entravam. 1.13
3. Violência espalhafatosa. Nenhuma residência estava segura; nenhuma rua tinha
segurança quando aqueles réprobos estavam nas proximidades. “Punirei aqueles Por isso serão saqueados os seus bens. O julgamento divino haveria de
que ferem a outros” (NCV). Talvez esteja em foco o sacrilégio: aqueles homens feri-los repentinamente, quando não estivessem esperando por isso, provando-
enchiam as casas (templos) de seus senhores-deuses com violência. Os santuá lhes que Yahweh intervém nos eventos humanos. O Criador também intervém em
rios tornaram-se a cena de toda a espécie de deboche e crimes de sangue. Sua criação, recompensando e punindo em concordância com os requisitos da lei
4. Fraude e engano. Aqueles ímpios lideravam seu país em negócios desones moral, o que constitui o Teísmo (ver a respeito no Dicionário). Contraste-se isso
tos de toda a sorte, no comércio, na vida pessoal, na política e nos tratados. com o Deísmo, que supõe que a força criadora (pessoal ou impessoal) abando
Um significado possível é que, através desses métodos, os homens enchiam nou sua criação aos cuidados das leis naturais. Essas pessoas, que se' manti
as casas de seus senhores com ganho obtido desonestamente. Ou então nham indiferentes para com a mensagem divina, teriam de enfrentar os babilônios,
enchiam os templos pagãos com esse ganho, usando-os como se fossem que saqueariam e reduziriam a nada suas casas. Os judeus, pois, edificariam
tesouros. Parte dessas riquezas, sem dúvida, sustentava o culto e o pessoal casas somente para perdê-las, antes que tivessem a oportunidade de habitar
dos templos. Os chefes desses santuários logicamente aprovavam o que era nelas; plantariam vinhas somente para os babilônios, e não para si mesmos,
feito, por estarem compartilhando dos lucros. porquanto antes que chegasse o tempo da colheita eles perderiam todas as
terras. Cf. Amós 5.11; Miq. 6.15; Deu. 28.30,39. Os poucos judeus que sobrevi
Como o Dia do Senhor Afetará Jerusalém (1.10-11) vessem ao ataque seriam levados para a Babilônia, onde serviriam como escra
vos, sem terras e sem direitos. Note o leitor que este versículo exprime uma das
1.10 maldições do livro de Deuteronômio contra aqueles que desobedecessem à lei
mosaica.
Naquele dia, diz o Senhor, far-se-á ouvir um grito. O inimigo se aproxima O caráter generalizado da prestação de contas a Deus é completamente
ria de Jerusalém vindo do norte, entrando primeiramente pela Porta do Peixe devastador. Esse castigo cairia sobre os judeus investidos de autoridade, bem
(Nee. 3.1-6; 12.29; Jer. 1.13-16). A Cidade Baixa talvez seja uma alusão à adição como sobre os menos responsáveis. Esse castigo divino tornaria todos os judeus
de construções à cidade pelo único lado por onde ela poderia expandir-se, o lado iguais no julgamento, uma maneira terrível de ser igual.
norte, li Reis 22.14 diz-nos que Hulda vivia ali. Talvez os “outeiros” aqui mencio
nados sejam aquelas em redor de Jerusalém, porém é mais provável que esteja A Ira de Deus (1.14-16)
em pauta aquela parte da cidade chamada por esse nome, “os Outeiros”. Contu
do, ninguém sabe qual porção da cidade era ocupada pelos “Outeiros”. Alguns 1.14-15
estudiosos pensam que estão em foco Sião e o monte Moriá.
O significado geral é bastante claro. A cidade assediada mergulharia no Está perto o grande dia do Senhor. O dia do Senhor é aqui chamado de
pânico quando o ataque a atingisse por todos os lados. Não haveria onde se “grande”, pois será um julgamento temível e todo-consumidor, que varrerá todos à
esconder. Haveria choro e lamentação, bem como os horrendos ruídos da guerra, sua frente, sem respeitar nenhuma classe. Nivelará a sociedade inteira, e deixará
que atravessariam o ar. todos os seres humanos na mesma miséria. Esse dia temível é representado
como iminente, doloroso, devastador, melancólico, universal, sem nada para ser
1.11 desejado. O vs. 14 repete a idéia do vs. 7 — a proximidade do dia do Senhor.
Note o leitor que até poderosos guerreiros serão deixados em um choro
Uivai, vós, moradores de Mactés. O Pilão (no hebraico, Mactés) é, ao que se patético, completamente alquebrados pela matança e pelo saque que esmagará
presume, outra parte da cidade assediada, mas isso não está mencionado em nenhu toda a cidade de Jerusalém. Cf. a narrativa com Isa. 13.9,10: o dia do Senhor
ma outra parte da Bíblia, e ninguém pode calcular que lugar está em vista aqui. O produzirá melancolia e trevas; e conferir também Joel 1.15: o dia do Senhor trará
restante do versículo parece indicar que essa seção da cidade era cena de intenso a “destruição” causada por Yahweh; finalmente, conferir Eze. 7.19: nenhuma ri
comércio, o qual, contudo, pararia imediatamente diante do avanço dos babilônios. queza de prata ou ouro poderá livrar uma única pessoa do dia do Senhor. Ver
John D. Hannah, in toe., chamou essa parte da cidade de “centro dos negócios”. Os também Amós 5.18,20 e 8.9: o dia do Senhor será tenebroso, e não dia luminoso.
lucros terminariam; não haveria mais pesagem de ouro e prata para comprar produtos. O vs. 15 tem sua própria lista de descrições miseráveis: o dia do Senhor será
Os babilônios recolheriam todo o dinheiro e os produtos. O lucro seria deles. Na época de tribulação, agonia, indignação, alvoroço, desolação, escuridade, melancolia,
não havia moedas cunhadas, pelo que pesos de metais preciosos determinavam os nuvens e espessas trevas. Dessa maneira, Sofonias acumula palavras ameaça
valores. Ver no Dicionário o artigo denominado Dinheiro, quanto a detalhes. O pilão doras na tentativa de expressar a miséria total daquele dia, que se manifestará
pode ser referência a uma rocha usada para moer grãos. Um pilão era um vaso contra o pecado, em concordância com a lei da colheita segundo a semeadura
parecido com uma bacia (ou então uma pedra moldada nessa forma) usada para moer (ver Gál. 6.7,8). “As hordas babilónicas avançavam a fim de conquistar, matar,
grãos. Talvez a palavra se refira a um local geográfico de forma semelhante a um saquear, violar, tocar a trombeta e gritar enquanto avançavam, tanto contra Jeru
pilão. Josefo (Guerras [Link].1) referiu-se à questão das cidades ruidosas, que eram salém como contra outras cidades fortificadas de Judá” (John D. Hannah, in loc.).
como lugares onde as pessoas pisavam o grão ou se ocupavam no comércio em
geral. Ta! lugar estava repleto de casas e empreendimentos comerciais. 1.16
A Sorte dos Indiferentes (1.12-13) Dia de trombeta e de rebate contra as cidades fortes. No dia do Senhor a
trombeta de guerra será o rei. Está em vista o chifre de carneiro, que era tocado
1.12 para alertar os soldados para a marcha ou para encorajá-los enquanto durante o
ataque. Por isso lemos em Amós 2.2: “Moabe morrerá entre grande estrondo, alari
Naquele tempo esquadrinharei a Jerusalém com lanternas. Seria feita do e som de trombeta”. Ver também Jos. 6.5. Cidades fortificadas cairão diante da
busca completa para que se tivesse certeza de que nem um único culpado esca máquina de guerra babilónica. Torres altas ou “altas muralhas” (Revised Standard
paria, e os poucos inocentes ficariam com os culpados, apanhados pelo mesmo Version) de nada adiantarão como defesa. Seria o dia da Babilônia, e Judá ficaria
terror. Aqueles que esperavam que nada acontecesse aos que “se fixassem em sem defesa, a despeito de suas elaboradas medidas defensivas. A moral da história
SOFONIAS 3635
é que, a menos que o Senhor edifique e defenda a cidade, ela acabará caindo, a palha é soprada pelo vento; antes que a feroz ira de Yahweh os queimasse e os
despeito dos esforços dos construtores e defensores humanos. Ver Sal. 127.1. transformasse em cinzas; antes que o temível dia do Senhor os apanhasse, e a
ira divina os reduzisse como se fosse as chamas usadas pelo refinador. Uma
O Julgamento Universal (1.17-18) série de “antes" reflete a urgência do caso, porquanto agora o tempo estava curto,
e o exército da Babilônia já havia iniciado sua marcha de conquista. O decreto de
1.17 Yahweh estava por trás da situação inteira, pois Ele é o Soberano. Ele é Adonai-
Yahweh, o Senhor Soberano que cumpre Sua vontade entre os homens e as
Trarei angústia sobre os homens, e eles andarão como cegos. Angústia nações. Ver no Dicionário o verbete intitulado Soberania de Deus. Diz o Targum:
(Revised Standard Version); vida difícil (NCV); desolação; indignação. Essas são “Antes que o decreto da casa de julgamento venha sobre ti e sejas como a palha
palavras que descrevem os efeitos do julgamento universal. Os homens preferi que o vento sopra, e como uma sombra que passa antes do dia".
ram ser espiritualmente cegos; ignoraram a legislação mosaica, que foi dada
como guia (Deu. 6.4 ss.); rejeitaram a lei, que foi outorgada a fim de conferir-lhes O Convite aos Humildes (2.3)
vida (Deu. 4.1; Eze. 20.11); recusaram-se a ser um povo distinto entre as nações
(Deu. 4.4-8). Foi contra Yahweh que eles pecaram, e isso O forçou a derrubá-los 2.3
por terra. Eles seriam mortos, seu sangue seria derramado no chão, e seu corpo
serviria somente para fertilizar o solo. Cf. este versículo com Deu. 28.29 e Jer, Buscai o Senhor, vós todos os mansos da terra. O dia do Senhor será
22.19. fatal para os orgulhosos. O convite divino para as pessoas se arrependerem e
escaparem do terror foi dirigido aos humildes. Ver a humildade contrastada com o
1.18 orgulho, em Pro. 11.2; 13.10; 15.3,25; 16.5,18; 18.12; 21.4 e 30.12,32. Na humil
dade, um homem pode compreender e seguir aquilo que é reto, e na mansidão
Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação. ele pode achar a restauração. Nesse caso, ele pode ocultar-se sob a misericórdia
Aqueles homens, que sempre empregaram o suborno para obter o que queriam, mão do Senhor, quando o dia aterrorizante ferir a terra. Um remanescente poderá
tentarão usar de novo essa técnica para comprar os babilônios, mas estes ignora ser “abrigado” no tempo da tempestade (derivado do termo hebraico satar, “es
rão tão tola medida. Os babilônios estavam ali para apossar-se de tudo, pelo que condido”, “oculto”). Esse vocábulo é sinônimo de sapan, palavra da qual o nome
a idéia do suborno será eliminada. Ver no Dicionário o artigo chamado Suborno. de Sofonias foi extraído. Sofonias era um homem abrigado, e outros poderiam
Gananciosamente eles se apossaram do ouro e da prata da terra, somente para juntar-se a ele, se buscassem o abrigo na humildade e retidão. Ver no Dicionário
que os babilônios viessem e tomassem tudo, reduzindo os habitantes de Judá à o verbete denominado Humildade.
total pobreza e servidão, isto é, aqueles que conseguissem sobreviver. O dia da
ira do Senhor viria como fogo (ver no Dicionário quanto a essa metáfora). Tudo O Senhor é a nossa Rocha, Nele nos escondemos,
seria subitamente consumido. “Ele porá fim a todos os habitantes da terra" (NCV). Um abrigo no tempo da tempestade.
A severidade das palavras deste versículo subentende que o ataque dos babilônios Seguros, sem importar o mal que prevaleça,
seria apenas uma figura simbólica do dia escatológico ainda mais terrível, que Um abrigo no tempo da tempestade.
expurgará o mundo, em preparação para a era do reino de Deus.
“Finalmente, ali estará algo que o ouro e a prata dos homens não poderá (Ira D. Sankey)
livrá-los. Eles estarão desnudados de sua substância e terão de enfrentar a Deus.
E nada terão para dizer a Ele” (Howard Thurman, in loc.). Cf. Isa. 10.23, que pode Oráculo contra a Filístia (2.4-7)
ser a base literal deste versículo.
2.4
Capítulo Dois Porque Gaza será desamparada, e Ascalom ficará deserta. Quatro cida
des filistéias principais são mencionadas. Gate foi deixada de lado, porquanto já
não existia. A vassoura babilónica varreria toda a área palestina, e a Filístia não
Julgamentos contra as Nações (2.1-15) seria isentada. “Os filisteus seriam desolados, porque a palavra de Yahweh era
contra eles (ver Joel 3.4-8)” (Oxford Annotated Bible, comentando sobre o vs. 4).
Convocação para Punição dos Homens (2.1-2) A palavra é o decreto divino, e o decreto é o Seu poder que opera universalmente
entre os homens. A história e a arqueologia confirmam a devastação e a disper
A nação “que não tem pudor'’ presumivelmente é Judá. Outras nações, entre são que os filisteus sofreram. Heródoto (Hist. 11.157) conta-nos parte da história.
tanto, participarão da terrível sorte de Judá, como os filisteus e as nações Um papiro em aramaico, encontrado em 1942 em Sagara (Mênfis), contém um
circunvizinhas. Assim sendo, embora o julgamento divino seja particular, ele foi pedido de ajuda contra os babilônios que avançavam Palestina a dentro e já
generalizado. Os babilônios varreriam toda a região, não permitindo o escape de tinham chegado tão longe quanto Afeque. Isso pode ter sido um apelo enviado por
nenhuma vítima potencial. Os vss. 4-15 manifestam-se contra as nações da área Asquelom, e data de cerca de 603-602 A. C.
da Palestina. Quanto aos quatro nomes próprios, das principais cidades da Filístia, ver
os artigos que forneço sobre cada um deles. Note o leitor as palavras descriti
vas: Gaza (esquecida); Asquelom (desolada); Asdode (dispersa, expulsa); Ecrom
(desarraigada). Por meio desse acúmulo de palavras, o profeta enfatizou a
Concentra-te e examina-te, ó nação, que não tens pudor. Yahweh convo devastação generalizada naquela porção do mundo. As cidades foram mencio
ca aqui Seu povo desviado para uma assembléia, a fim de que ouçam a declara nadas por uma ordem do sul para o norte, e talvez tenha sido assim que os
ção de sua sorte melancólica. O processo todo seria feito publicamente, porque babilônios avançaram. Também há aqui um jogo de palavras: Gaza soa como a
os judeus eram pecadores públicos. Formavam um povo “desavergonhado” , ou palavra para “desertada”; Ecrom soa como a palavra “desarraigada” . Cf. Miq.
seja, literalmente, “nação que não tem pudor” , a despeito de suas horrendas 1.10-12 e Eze. 25.16. Asdode seria derrotada dentro de um prazo muito curto,
imoralidades. A raiz do vocábulo hebraico é kasap, “empalidecer” ou “ficar branco da manhã ao meio-dia, que formava um bom tempo para uma batalha, com
de vergonha”. Fazia muito tempo desde que um judeu “embranquecera” de vergo freqüência usado pelos exércitos antigos. A Pedra Moabita (linhas 15-16) diz
nha. Uma palavra relacionada é kesep, que significa “prata”. Judá esqueceu como alguma coisa similar: “... combateu contra ela do romper do dia até o meio-dia, e
corar ou sentir-se embaraçado. Cf. Sof. 1.12. A nação se endureceu para a a conquistou". A inscrição Zenjirli também se refere à conquista de Mênfis ao
natureza real e degradante do pecado, e fez do jogo do pecado mero esporte. Os meio-dia.
judaítas se tornaram tão debochados com o pecado e a degradação que Yahweh
não mais queria estar com eles. Eles perderam sua posição na aliança com o 2.5
Senhor. “Concentra-te, ó povo não querido” (NCV). Eles se tornaram apenas mais
uma nação pagã em sua desenfreada idoiatria-adultério-apostasia. Anularam sua Ai dos que habitam no litoral, do povo dos quereítasl Os habitantes das
filiação e sua herança. Os apóstatas judeus foram rejeitados, e agora a única costas marítimas eram os filisteus que se tinham estabelecido ali pouco depois de
coisa que podiam fazer era esperar o castigo que tão ricamente mereciam. 1200 A. C. Eles migraram da Ásia Menor e das ilhas do Mediterrâneo, incluindo
Creta. Heródoto (Hist. 1.173) vinculou os filisteus com a ilha de Creta. A mesma
2.2 informação é dada em Amós 9.7. Cf. também Deu. 2.23 e Jer. 47.4. Outro nome
para os filisteus é Quereteus (ver a respeito no Dicionário, onde forneço detalhes
Antes que saia o decreto, pois o dia se vai como a palha. Yahweh que não repito aqui). Originalmente, esse termo pode ter sido uma referência à
convocou os judeus com urgência, para que O buscassem humildemente, “antes ilha de Creta. Ver também I Sam. 30.14; II Sam. 8.18; 20.23; I Crô. 18.17; Eze.
que fosse tarde demars” (NCV); antes que fossem soprados para longe como a 25.16. O propósito de Deus era contra os filisteus. Tinha chegado o dia da conde
3636 SOFONIAS
nação deles. Pelo golpe da mão divina, o território dos filisteus ficaria essencial Quanto ao contraste entre orgulho e humildade, ver Pro. 6.17; 11.2; 13.10;
mente desabitado. Faraó Neco II, do Egito (609-594 A. C.), infligiu grandes perdas 14.3; 15.25; 16.5,18; 18.12; 21.4; 30.12,32. Ai dos que enriquecem por meio da
na área, e o pouco que restou foi liquidado pelos babilônios. Cf. Jer. 47. violência e da esperteza! Ai dos destemperados , cheios de orgulho, saque e
cobiça, pois querem tomar as possessões alheias!
2.6
2.10
O litoral será de pastagens, com refúgios para os pastores, Tão
completa seria a devastação, que áreas que tinham sido cidades altivas seri Isso lhes sobrevirá por causa da sua soberba, porque escarneceram.
am transformadas em terras de pastagem, e os pastores tomariam conta das Essas nações eram orgulhosas, o que as impulsionou à zombarias e jactâncias.
regiões onde exércitos orgulhosos antes tinham marchado. Em lugar de seres Eram a maçã mais azeda no pomar das nações. Por causa das atitudes que
humanos, haveria ovelhas e outros animais domésticos. Os sobreviventes provocaram toda a espécie de atos atrevidos, eles sofreriam a punição descrita no
não mais estariam interessados nas guerras e na glória, mas contentar-se- vs. 9. Yahweh-Sabaote, o Deus Eterno e General dos Exércitos, tem o poder de
iam em viver a vida fácil dos fazendeiros e dos pastores. “Essa faixa do país cumprir Suas ameaças. A história mostra que foi exatamente isso o que aconte
é representada como assolada e desolada, a ponto de tornar-se mero territó ceu. O governo universal de Yahweh, exercido em concordância com a lei moral,
rio de ovelhas” (Ellicott, in loc.). O quadro assim representado é de um não faria exceções. “O pecado de Moabe era o orgulho deles (cf. Isa. 16.6; Jer.
genocídio quase total, o que, afinal, era a especialidade dos assírios e 48.29), evidenciado nos insultos e nas zombarias contra o povo de Deus (cf. Sof.
babilônios. 2.8; Eze. 25.5,6,8)” (John D. Hannah, in loc.).
Jarchi imaginou o seguinte caso: Judá estava sendo levado no exílio para a
Babilônia. Os amonitas e moabitas puseram-se a zombar deles, rindo-se, como
que dizendo: “Por que estais a chorar e a lamentar? Pensem nisso! Estais
O litoral pertencerá aos restantes da casa de Judá. Este versículo retornando a Ur, de onde veio vosso pai, Abraão".
(considerado uma glosa pelos críticos) mostra a esperança de uma nação de
Judá restaurada que se estenderia até os antigos territórios dos filisteus. 2.11
Yahweh-Sabaote, o Deus Eterno e General dos Exércitos, que também é
Elohim, o Poder (cf. o vs. 9), agiria na história humana; Ele interviria e O Senhor será terrível contra eles, porque aniquilará todos os deuses
rearranjaria as fronteiras antigas, dando a Israel-Judá uma porção mais am da terra. Aquela gente sentirá medo do Senhor. Ele destruirá todos os deuses da
pla. Isso fará parte da restauração de Israel, porquanto Yahweh Elohim os terra. Então povos de lugares distantes adorarão o Senhor em seus próprios
conservaria na mente para o bem e lhes restauraria a sorte. “Ele lhes devol países. Em primeiro lugar vem a devastação. Mas os julgamentos de Deus são
verá as riquezas deles” (NCV). Literalmente, o texto hebraico original diz: remediais, e não meramente retributivos (ver I Ped. 4.6 no Novo Testamento
“trazendo de volta os seus cativos” , ou seja, Deus restaurará os israelitas à Interpretado; e ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o artigo chama
terra deles e ali haverá de abençoá-los abundantemente. Cf. Sof. 3.20. “A do Restauração). Cf. Miq. 4.1,2. “A remoção da idolatria pavimentará o caminho
futura ocupação desse território, por Judá, é garantida pelo pacto abraâmico para a adoração mundial quando Cristo estiver governando a terra como Rei. Na
(ver Gên. 15.18-20)” (John D. Hannah, in loc.). Alguns estudiosos supõem presente seção (vss. 8-11), o profeta repetiu a mensagem mediante tríplice argu
que o que aconteceu nos dias dos macabeus foi suficiente para explicar este mento: as razões para o julgamento (vss. 8,10); a natureza do julgamento (vss. 9a
versículo, mas o mais provável é que esta passagem pretenda ser uma predi e 11a); e a provisão final da bênção (vss. 9b e 11b)” (John D. Hannah, in loc.).
ção escatológica, a ser cumprida na era do reino de Deus.
2.12
Oráculos contra Moabe, os Filhos de Amor e os Etíopes (2.8-12)
Também vós, ó etíopes, sereis mortos pela minha espada. Essa minús
cula notícia sobre a Etiópia pode ser fragmento de um oráculo mais amplo, ou
então, alguma coisa como uma glosa feita por um editor posterior, o qual de
Ouvi o escárnio de Moabe, e as injuriosas palavras dos filhos de Amom. alguma maneira disse: “E a Etiópia também será julgada”. Esse julgamento se
“Os moabitas e os amonitas seriam aniquilados, tornando-se como Sodoma e processará por meio da espada, ou seja, por intermédio da guerra. Note o leitor
Gomorra, porque zombaram e se vangloriaram contra o povo do Senhor (cf. Isa. o uso da primeira pessoa do singular, na frase “minha espada”, pois quem
15 e 16; 25.10-12; Jer. 48.1-49.6; Eze. 25.8-11; Amós 1.13 - 2.3)” [Oxford Annotaled falava era Yahweh, que emprega exércitos para fazer a Sua vontade e punir
Bible, comentando sobre o vs. 8 ). povos desviados, tanto Seu próprio povo como o resto das nações. Ele é o Juiz
universal. Os cuxitas ou etíopes eram descendentes de Cuxe, um dos filhos de
2.9 Cão (ver Gên. 10.6; I Crô. 1.8). Eles residiam na região do alto rio Nilo, atual
mente ocupada pelo sul do Egito, pelo Sudão e pela parte norte da Etiópia. Ver
Moabe será como Sodoma, e os filhos de Amom como Gomorra. Os no Dicionário os verbetes chamados Cuxe e Etiópia, quanto a detalhes. Cf. este
moabitas e amonitas do século VI A. C. se aproveitaram dos infortúnios de Judá versículo com Jer. 46.2,9; Eze. 30.4,10 e Amós 9.17. Nabucodonosor, em 586
em mais de uma ocasião (ver Amós 1.13-15; 2.1-3). Uma conduta ultrajante não A. C., esmagou aquela região do mundo, pelo que essa palavra ameaçadora
poderá deixar de ser tratada, quando chegar o dia da prestação de contas. Os teve cumprimento.
arrogantes opressores serão reduzidos a nada, como aconteceu a Sodoma e
Gomorra (ver Gên. 19.23-29). Aquela gente orgulhosa tornar-se-á escrava dos Aviso à Assíria (2.13-14)
judeus, e suas terras serão confiscadas.
Os vizinhos de Judá ao oriente eram cheios de escárnio e vanglória, e 2.13
ajudaram a Babilônia, em seu pecado contra Judá. Eles planejavam ficar com
parte do território de Judá que fosse conquistado. Mas, ao contrário disso, Estenderá também a sua mão contra o norte, e destruirá a Assíria. A ira
seus esquemas maldosos haveriam de atuar como um bumerangue contra de Deus voltar-se-á contra todos os países da área, perfazendo um círculo com
eles. A brutalidade dos babilônios não lhes permitiria escapar. A devastação pleto através de todas as direções. Chegamos agora ao norte, a Assíria. Esse
de Moabe seria tão grande que qualquer um relembraria o que sucedeu a país e sua capital, Nínive, também estão sob a maldição divina. A seção diz o
Sodoma, e o aniquilamento traria à memória a cidade de Gomorra. Aqueles mesmo tipo de coisas contra a Assíria, que já tínhamos visto ser declarado contra
réprobos colheriam o que haviam semeado (ver Pro. 22.8; Gál. 6.7,8). Eles outra nações. Jonas viajou àquele lugar para pregar, e o arrependimento dos
tinham sido saqueadores violentos, pelo que também seriam saqueados com ninivitas foi o resultado. Isso outorgou quase 150 anos extras de vida nacional.
violência. Eles ficariam em estado desolado, uma terra cheia de mato dani Mas Naum mostrou que as coisas tinham azedado novamente, e o plano de
nho, espinheiros e poços de sal. Sua desolação não teria cura, mas se esten julgamento divino precisou continuar. Foi exatamente o que sucedeu. Nínive foi
deria para sempre. Suas terras seriam tomadas, e Israel-Judá participaria destruída em 612 A. C. pelos poderes combinados dos medos e babilônios. Pou
delas. Cf. Hab. 2.8,9; Isa. 16.7; Jer. 48.29; Amós 1.13-15 e 2.1-3. Vertambém co mais tarde (609 A. C.), foi conquistada a Assíria inteira. Quanto a detalhes, ver
Gên. 19.24-28 quanto à antiga história de Sodoma e Gomorra. o último parágrafo das notas expositivas no artigo sobre a Assíria, no Dicionário.
“Se a figura de vingança aqui contada não é particularmente edificante, Ver também o artigo chamado Nínive.
a passagem pode sugerir a sorte do orgulho, conforme pintado algures no A Assíria era culpada de atrocidades sem dó, e foi essa a potência que
Antigo Testamento, em passagens como Isa. 14.4-6 (contra a Babilônia); devastou a nação do norte (as dez tribos de Israel), em 722 A. C., e levou os
47.1-15 (a Babilônia); Eze. 27.1-36 (contra Tiro); Dan. 5.22-24 (contra poucos sobreviventes de Israel para o cativeiro. Em seguida, os assírios enviaram
Beisazar)... e pode servir como lembrete de que esse pecado está entre as povos para preencher o vácuo que ficara no território das tribos do norte. Essa
transgressões particularmente denunciadas por Jesus” (Charles L. Taylor, gente recém-chegada se misturou por casamento com os poucos sobreviventes
Jr., in loc.). na terra, do que resultou o povo samaritano.
SOFONIAS 3637
A mão de Yahweh operou através dos medos e babilônios para pôr fim ao (ver Deu. 6.4 ss.). Mas a nação de Judá, dos dias de Sofonias, tinha esquecido o
império assírio. O governo divino de Yahweh, que opera em consonância com a pacto (ver sobre o Pacto Mosaico na introdução a Êxo. 19) e, por isso, perdeu sua
lei moral, foi assim exibido. Ver sobre Mão, em Sal. 81.14 (e também no Dicioná distinção e seu direito de primogenitura.
rio); e ver sobre Mão Direita, em Sal. 20.6. Ver também, no Dicionário, os verbe Isto posto, o profeta chamou Jerusalém de “rebelde”, “contaminada” e “cidade
tes denominados Soberania de Deus e Teísmo, quanto a idéias que ilustram o opressora”. A tríplice repreensão é então ampliada em seguida. Os habitantes de
presente versículo. A mão divina devastaria a Assíria e a cidade de Nínive de tal Jerusalém tinham-se rebelado contra Yahweh, abandonado o culto a Ele e adota
modo que esses lugares seriam transformados em desertos. Ver Naum 3 quanto do toda a espécie de contaminação pagã, tanto religiosa quanto moral, especial
a detalhes. Sofonias pode ter tido em mente essa passagem, ao escrever os vss. mente a idolatria, que é a contaminação final, de acordo com a mentalidade do
13 e 14. Antigo Testamento. Os pecados de Jerusalém eram tanto contra Deus como
contra o povo. Eles se tornaram especialistas em todos os tipos de pecados e
2.14 fizeram da perversão um modo de vida. Eles se transferiram para o pólo oposto
da espiritualidade. Tornaram-se diametralmente contrários à espiritualidade, con
No meio desta cidade repousarão os rebanhos, e todos os animais em forme o Antigo Testamento a define. Neles não havia temor do Senhor. Ver no
bandos. A desolação de Nínive seria demonstrada pelo fato de que a área da Dicionário e também em Sal. 119.38 o verbete chamado Temor. Cf. Pro. 1.7.
cidade se tornaria lugar de rebanhos de animais domésticos e animais ferozes,
alguns dos quais o autor sacro listou:"... alojar-se-ão nos seus capitéis assim o
pelicano como o ouriço; a voz das aves retinirá nas janelas, o monturo estará nos
limiares; porque já lhe arrancaram o madeiramento de cedro”. Cedros preciosos, Não atende a ninguém, não aceita disciplina. Falhas caracterizavam Judá,
cuja madeira tinha sido antes usada como parte de edifícios altivos, seriam racha que não ouvia nenhuma voz disciplinadora, estando indisposta a ouvir e a seguir
dos e tornar-se-iam alojamentos convenientes para animais e pássaros. Em lugar a correção. Judá também deixou de confiar em Yahweh e abandonou o culto a
de uma cidade barulhenta e ativa, haveria a cacofonia de animais ferozes. Aves Ele, apelando para ídolos que não eram seres divinos. O povo de Judá deixou de
voariam para fora e para dentro de edifícios desertos, clamando enquanto faziam usar o templo como maneira de aproximar-se de Deus e do culto antigo. A lei e os
isso. Os portais de casas arruinadas acolheriam animais ferozes e aves selváticas. profetas eram as vozes de Deus, mas o povo de Judá ouvia as vozes estranhas
A imagem era de desolação, ruína e ausência de população humana. “Essa dos cultos pagãos.
descrição de desolação envolveu até os painéis de cedro das paredes sem teto, Ver Sof. 1.6, 12; 2.1-3. Os judeus aproximaram-se de Baal e Moloque (ver
que tinham sido abertos pelo vento e pelas chuvas” (Ellicott, in loc.). Sof. 1.4-6). Ver também Deu. 4.7.
2.15 Os seus príncipes são leões rugidores no meio dela. “Seus oficiais são
como leões rugidores. Seus governantes são como lobos famintos, que atacam
Esta é a cidade alegre e confiante, que dizia consigo mesma: Eu sou a no fim da tarde. Pela manhã nada resta dos que foram atacados” (NCV). Cf. esta
única. É possível que tenhamos aqui uma adição à seção. A exaltada cidade, que declaração com Eze. 22.27 e Miq. 3.1-3. A ganância pela abundância material e
se sentia tão segura em suas riquezas e fortificações e dizia: “Eu sou a maior!”, pelo poder inspirou aqueles homens a atos de violência contra o próximo, incluin
julgava-se a mais importante cidade do mundo e proferia absurdos como: “Eu sou, e do crimes de sangue. Ver também Pro. 28.15; Amós 3.4 e Hab. 1.8. “Eles usam
não há nenhuma outra” (Revised Standard Version); ou então: “Nenhuma é tão forte de violência e opressão predatória como se fossem feras. Repelem a luz e trans
como eu” (NCV). Essa cidade ficaria abandonada e desolada, sem forças, sem formam o dia em noite, com suas libertinagens” (Adam Clarke, in loc.). Ver Sal.
riquezas e sem conforto algum, e sem nenhuma vida humana. Ver Isa. 47.8, de 22.12,13. “São tão gananciosos que devoram instantaneamente sua presa, não
onde este versículo provavelmente foi tirado. Ver também Jer. 19.8. “A soberba deixando nenhuma porção para o dia seguinte” (Ellicott, in loc.).
precede a ruína, e a altivez do espírito a queda” (Pro. 16.18). Cf. Luc. 1.52. Durante
cerca de 200 anos, Nínive foi a principal cidade do mundo conhecido da época. Mas
o livro da história encerrou suas páginas e prosseguiu para um novo capítulo.
Atualmente, o que restou da cidade é abertamente escarnecido pelos que passam Os seus profetas são levianos, homens pérfidos. Os líderes religiosos não
por lá. Essas pessoas assobiam, insultam e sacodem a cabeça, defronte da antiga eram melhores que os réprobos líderes civis. Os profetas estavam inchados de
grande cidade. A ímpia cidade de Nínive foi entregue às feras, visto que se tornara orgulho e não eram dignos de confiança. Serviam a Baal, e não a Yahweh. Em sua
tão corrompida que seus habitantes perderam o direito de ocupar o local. arrogância, tinham perdido o caminho direito. Ver sobre a humildade e o orgulho
contrastados, em Pro. 6.17; 11.2; 13.10; 14.3; 15.25; 16.5,18; 18.12; 21.4; 30.12,32.
Não há remédio para a tua ferida; a tua chaga é incurável; Os sacerdotes há muito haviam abandonado o culto a Yahweh e tinham-se
todos os que ouvirem a tua íama baterão palmas sobre ti; tornado sacerdotes dos deuses que nada representam. Eles profanavam o que era
porque sobre quem não passou continuamente a tua sagrado e violavam cada um dos Dez Mandamentos. Transformaram-se em estre
maldade? las errantes, que não obedeciam a nenhuma órbita, senão à de suas próprias
concupiscências. O povo de Judá tornou-se infenso ao ensino, visto que os mestres
(Naum 3.19) tinham abandonado seu manual e guia, a lei de Moisés (ver Deu. 6.4 ss.). E mesmo
quando Judá cultuava a Deus, esse culto era misturado com o paganismo, produzin
do assim um sincretismo doentio. Além disso, eram praticantes de feitos profanos,
Capítulo Três que se tornaram líderes da idolatria-adultério-apostasia que tomara conta de Judá.
Ai da cidade opressora, da rebelde e manchada! Um “ai” foi proferido Manhã após manhã. No oriente, os tribunais funcionavam pela manhã. A
sobre a horrenda cidade de Jerusalém, por causa da multidão de pecados que justiça era feita desde cedo, se o ideal estivesse sendo seguido. Nenhum caso
quebraram cada um dos Dez Mandamentos. A nação de Israel se tornou distinta ficava arrastando-se durante anos, esperando pela ação judicial, tal como aconte
por possuir a lei mosaica e ser-lhe obediente (ver Deu. 4.4 ss.). A lei era o guia ce nos sistemas judiciais “modernos".
3638 SOFONIAS
O Fracasso da Disciplina (3.6-8) Isra e l reunido. “Os vss. 8-10 apresentam a ampliação da consolação
endereçada aos mansos da terra (Sof. 2.3), bem como à predição de Sof.
2,11. O grande dia do Senhor, que derrubará todos quantos se opuserem à
Sua soberania, também introduzirá uma extensão de conhecimento espiritual
Exterminei as nações, as suas torres estão assoladas. Aqueles que são entre as nações” (Ellicott, in Ioc.).
moralmente Indisciplinados não têm paciência com as leis da disciplina. Eles
usam a “liberdade” como pretexto para praticar toda a espécie de deboche. Tais A Segurança do Rem anescente (3.11-13)
homens estão destinados à desolação através do golpe da mão divina. Os vss. 6-
7 ampliam a idéia do vs. 2. Judá recusava-se a receber a correção a despeito dos
juízos divinos que podiam ser vistos ao redor, que também ameaçavam a nação.
Essa foi a queixa de Amós 4.6-11. Outras nações também já haviam sido devas Naquele dia não te envergonharás de nenhum a das tuas obras. Haverá
tadas, mas Judá não deu atenção, supondo-se a salvo das ameaças. Outras total reversão da antiga idolatria-adultério-apostasia de Israel, que lhes trouxera
nações foram deixadas “demolidas... desertas... desoladas” (NIV). Além disso, a tanta vergonha e tribulação. Os atos ímpios que eles realizaram, que se origina
nação do norte (as dez tribos de Israel) tinha sido aniquilada, e os poucos sobre ram em seu espírito rebelde, chegarão ao fim, do que resultará um povo reto. Os
viventes foram enviados à Assíria como escravos, em 722 A. C. A nação de Israel líderes orgulhosos, arrogantes e desviados serão eliminados, e uma nova e boa
se perdeu para sempre, mas Judá ignorou a lição objetiva, como se fosse imune liderança será provida. Os apóstatas arrogantes não mais exercerão controle
ao castigo divino. Cf. Isa. 36.18-20; 37.26. Ver também Sof. 1.9-13; 2.1-3. sobre o Monte Santo. De fato, nem mesmo terão acesso a ele. Cf. Eze. 20.34-38;
Mat. 25.1-13. “A colina santa de Deus (Jerusalém — Sal. 2.6; 3.4; 15.1; 24.3; Dan.
3.7-8 9.16,20; Joel 2.1; 3.17; Oba. 16) será habitada somente por um povo puro, os
mansos e os humildes — Sof. 2.3” (John D. Hannah, in Ioc.). O remanescente
Eu dizia: Certam ente me tem erás, e aceitarás a disciplina. Lições objeti aprenderá a santidade e não mais terá de envergonhar-se por causa de seus
vas e palavras divinas caíam no chão, sem efeito algum. A nação de Judá estava pecados. O espírito farisaico não continuará prevalecendo (ver Jer. 7.4; Miq. 3.11;
tão repleta de pecados que não restava espaço para nada de bom. Nem mesmo Mat. 3.9). Ver o vs. 4; os falsos profetas e os sacerdotes desviados não continua
as ameaças de aniquilamento (demonstradas peio que acontecera a outros po rão sendo líderes. O deboche deles chegará ao fim.
vos) exerceram efeito sobre os judaítas. Esse povo perdera a visão e a audição.
De fato, os judeus estavam destituídos de mente pela prática contínua de toda a 3.12
espécie de transgressão. Eles eram zelosos, mas somente para praticar o mal;
eram intensos, mas em favor da corrupção. Mostravam entusiasmo, mas somente Mas deixarei no m eio de ti um povo m odesto e humilde. As pessoas
para a prática de pecados múltiplos. Cf. isso com a lamentação de Jesus sobre pobre e humildes (Revised Standard Version), os “mansos e humildes” (NCV)
Jerusalém (ver Mat. 23.37). Esse povo se tornara o próprio modelo da desobedi herdarão a terra. São eles que confiarão em Yahweh com uma fé salvatícia.
ência e da rebeldia. Cf. Isa. 5.11, e contrastar Jer. 11.7 e 25.3. Eles eram inten
sos; levantavam-se cedo pela manhã para promover feitos errados e planejar Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
projetos ousados. “Eles se levantavam cedo a fim de praticarem o mal. Tudo
quanto eles faziam era mau” (NCV) “Eles se mostravam diligentes para encontrar (Mateus 5.5)
tempos e lugares para sua iniqüidade. Isso descreve o estado depravado do ser
humano" (Adam Clarke, in ioc.). O resultado será que Yahweh organizará o Seu “Uma inteira confiança no Senhor não poderá haver exceto quando todas as
tribunal (vs. 8) e condenará todas as nações, derramando sobre elas a Sua ira, causas de jactância tiverem sido tiradas (ver Isa. 14.32; Zac. 11.11)” (Fausset, in
queimando-as a fogo. Cf. Isa. 42.25; Jer. 10.25; Joel 3.2; Zac. 14.2. Temos aqui uma ioc.). Eles tinham Abraão como pai; tinham o templo e o culto, mas eles haviam
nota escatológica referente à era do reino de Deus. Ver as notas sobre o vs. 10. debochado dos antigos pactos e confiado nas coisas erradas. O coração deles
estava longe do Deus dos pactos. Mas na restauração futura tudo isso será
A Conversão das Nações (3.9-10) revertido. Ver no Dicionário o verbete chamado Fé.
3.9 3.13
Então darei lábios puros aos povos. A apostasia de Judá levou Yahweh Os restantes de Israel não cometerão iniqüidade. No futuro, haverá comple
a voltar-se para as nações, tal como a rejeição do Messias, pelos judeus, fez o ta transformação moral para o restante de Israel, durante a era do reino de Deus.
Senhor voltar-se para os gentios (João 1.11,12). As nações precisavam conver Eles não cometerão iniqüidades; não serão um povo enganador e falso, dizendo
ter-se, o que foi representado aqui peia mudança de sua fala, o instrumento mentiras e sendo uma mentira, conforme foram seus antepassados. Antes, serão
mediante o qual amaldiçoamos ou louvamos. Os homens usarão linguagem ovelhas obedientes do Grande Pastor e estarão seguros em seu rebanho, e não se
pura, falando sobre Yahweh e Suas obras, sobre Sua santidade e Sua lei. Os desviarão pelas veredas do pecados, conforme fizeram seus ancestrais. “Assim
homens haverão de adorar a Deus (ver Isa. 11.9 e Miq. 4.1,2). “Os lábios como esta passagem é memorável pela repreensão contra os orgulhosos e pela
representam a natureza de um homem. As palavras saltam de sua vida interior promessa feita aos humildes, também relembra ao leitor que só Deus é capaz de
(ver Isa. 6.5-7). As nações que antes tinham sido blasfemas, servindo a ídolos e prover segurança. Esta passagem encerra a promessa de um dia em que Jerusa
a eles orando, seriam limpadas e transformadas, e então, dotadas de linguagem lém será expurgada dos indivíduos altivos, quando os humildes haverão de adorar
pura, se voltariam para Yahweh. Elas O serviriam todas com o mesmo “consen em Sião, em paz. Só Deus é forte. Só Ele controla o mundo” (Charles L. Taylor, Jr.,
timento” (Revised Standard Version), literalmente, ombro a ombro, conforme diz in Ioc.). Cf. as promessas do Salmo 23. “Israel, por tanto tempo contaminado,
a tradução inglesa NIV. A Septuaginta diz aqui: “sob um único jugo”, figura atribulado e assediado, finalmente estará em paz entre as nações, e não mais viverá
apropriada para este texto. Quanto ao universalismo dessa minúscula seção, cf. acossado pelo temor” (cf. Sof. 3.15,16)” (John D. Hannah, in Ioc.).
Isa. 40-66, especialmente 49.5,6. Ver também Isa. 2.2-4; Miq. 4.1-4; Salmos 67
e 87; 95-100. Um Quadro da Época Á urea (3.14-20)
3.10 3.14
Dalém dos rios da Etiópia, os meus adoradores... “De todas as partes do Canta, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te... ó filha de Jerusa
mundo, os povos adorando juntos, em uma só linguagem, trarão oferendas. Os lém. A tilha de Sião do futuro terá motivos para cantar e clamar; para estar alegre
‘rios da Etiópia’ ficavam a pouca distância dos limites sul do mundo conhecido” e regozijar-se e de todo o coração não recuar diante de nada, pois havia chegado
(Charles L. Taylor, Jr., in Ioc.). o dia do triunfo. A filha de Sião também era a filha de Jerusalém, o povo restaura
O julgamento universal (vs. 8) será eficaz, trazendo restauração universal do com sede no antigo local onde o templo fora edificado.
(vs. 10), visto que os julgamentos de Deus são restauradores, e não mera
mente retributivos. Sua taça será derramada (vs. 8), mas outro tanto sucede à Exulta e jubila, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo
Sua grande misericórdia e amor. Alguns vinculam o vs. 8 com a Grande de Israel no meio de ti.
Tribulação que preparará o mundo para a era do reino (ver Zac. 14.2; Apo.
16.14,16). Quando o julgamento divino ferir todos os homens “lá fora”, por (Isaías 12.6)
igual modo a restauração atingirá as regiões mais distantes da terra. Cf. Isa.
66.18-20. Provavelmente a “filha da minha dispersão” é a nação de Israel, A nação de Judá, nos dias de Sofonias, ainda tinha de enfrentar desgraça e
que será reunida de novo. Miq. 4.1,2 é, pois, paralelo ao versículo que nos dá perdas, mas no futuro haverá total reversão que admirará todos os habitantes da
a mesma atitude. Os vss. 8-10 elaboram a idéia da restauração, estando terra. Temores cederão lugar a gritos de louvor e júbilo. “Temos aqui não somente
SOFONIAS 3639
uma graciosa promessa profética de sua restauração do cativeiro, mas também último capítulo da história. Isso é uma grande doutrina: o amor escreverá o capítulo
de sua conversão a Deus por meio de Cristo” (Adam Clarke, in loc.). final de toda a humanidade, e não meramente da nação de Israel.
O termo filha, para indicar coletivamente um povo, foi usado pela primeira vez
para referir-se a uma pequena cidade, subordinada a uma cidade maior, usual 3.18
mente dotada de muralhas e capaz de oferecer proteção para a cidade menor (ver
Juí. 1.27). Mas esse termo gradualmente passou a significar qualquer cidade ou Os que estão entristecidos por se acharem afastados das festas sole
comunidade e, finalmente, veio a representar a própria nação de Israel, ou Jeru nes. O dia das festividades tinha chegado. Os desastres tinham sido afastados do
salém, capital de Judá. Ver Sal. 9.14; Isa. 1.8; 10.32; Jer. 4.31; Lam. 1.6,15; Miq. povo de Deus. Os israelitas não mais teriam de suportar o opróbrio de ser uma
1.13 eZac. 2.10. nação julgada da qual outros povos zombavam e se riam. Os judeus que foram
espalhados não mais podiam tomar parte das festividades anuais que eram tem
3.15 pos de alegria. De fato, as festividades religiosas haviam cessado por causa dos
cativeiros e das dispersões. Tudo isso, porém, será revertido no alegre dia da
O Senhor afastou as sentenças que eram contra ti, lançou fora o teu restauração. As festividades voltarão, e o povo voltará a celebrá-las. Para o povo
inimigo. Yahweh tomou enérgicas providências em favor de Seu povo: Ele retirou de Deus, essas festividades não parecerão pesadas, porque o coração deles terá
Seus próprios julgamentos que tinham por finalidade disciplinar e restaurar, embora sido endireitado diante de Deus. A reprimenda divina desaparecerá, pois o Se
fossem severos e difíceis de suportar na ocasião; Ele expulsou os adversários de nhor estará sorrindo para Seu povo. Cf. este versículo com o Salmo 137. O
Israel que tinham sido usados como látegos e viviam a assediar o Seu povo; Ele se original hebraico do vs. 18 é obscuro e admite diversas interpretações. Ofereço
tomou o Rei deles em lugar dos fracassos humanos que governavam em benefício uma possível interpretação. Mas a tradução inglesa, NIV, tem uma interpretação
próprio, e, no fim, não ofereciam proteção; e dos israelitas removeu o temor. diferente: “As tristezas das festas determinadas removei de vós; elas são uma
carga e uma reprimenda contra vós”. A apostatada nação de Israel se sentia
Deus está no meio dela: jamais será abalada; Deus a ajudará sobrecarregada por suas festas, festividades e rituais. Mas a renovada nação de
desde antemanhã. Israel ficará dessa opressão e celebrará com alegria.
Haverá gritos de alegria, porque o Messias estará com Judá e será o seu Rei Eis que naquele tempo procederei contra todos os que te afligem. “Vss.
protetor e abençoador, não conhecendo limite de recursos. (Cf. Isa. 9.7; Zac. 19 e 20: Os principais elementos da escatologia pós-exílica podem ser encontra
14.9.) Será obliterada a opressão, por fora e por dentro, e por isso não haverá dos aqui: a destruição do inimigo (Oba. 15 e 16; Miq. 5.9; Zac. 12.9); o recolhi
razão para temor. Tendo aprendido a temer o Senhor (verSal. 119.38 e Pro. 1.7), mento dos exilados (Miq. 4.6,7; Zac. 10.8-10); e a volta dos israelitas à Terra
o povo de Israel não precisará temer coisa alguma. Yahweh é Rei (ver Sal. 93.1; Santa (Isa. 62.1-5; Zac. 8.7,8). Para tornar a nação de Israel famosa (literalmente,
96.10; 97.1 e 99.1). O reino pertence ao Senhor (Oba. 21). As razões para o dar-lhe um nome) e louvada entre os povos da terra, o Senhor cumpriu a promes
temor foram removidas. sa feita aos patriarcas (ver Gên. 12.2,3)” (Oxford Annotated Bible, comentando
sobre o vs. 19).
3.16 Sof. 2.4-15 e 3.8-15 já haviam predito que os opressores estrangeiros de
Israel certamente cairiam. Aquele que amaldiçoar Israel será amaldiçoado por
Naquele dia se dirá a Jerusalém: Não temas, ó Sião. Este versículo refor Israel (ver Gên. 12.3). Por isso, louvor e honra são prestados a Israel (ver Deu.
ça a idéia do vs. 15 — “Não temas”. Haverá um dia especial quando todo o temor 26.19; Sof. 3.20). Ver também Eze. 34.29. “Assim como agora eram um provérbio
será banido. Jerusalém e seu monte santo, Sião, receberão a recomendação de e uma reprimenda, cheios de vileza básica e egoísmo degradante, no tempo
que devem parar de tremer. Não haverá mais razão alguma para que as mãos futuro eles perderão esse caráter e serão completamente transformados. E ocu
fiquem pendidas a cada lado do corpo. Quando o Senhor estiver próximo, não parão uma posição de proeminência entre as nações” (Adam Clarke, in loc.).
haverá mais motivo para abatimento por parte de Israel.
Mãos pendidas retratam o temor, a ansiedade e a debilidade perante uma 3.20
força superior, em meio à angústia. Cf. Jer. 47.3. Agora, porém, Israel pode
levantar triunfalmente as mãos, em força e confiança, por causa da presença do Naquele tempo eu vos farei voltar e vos recolherei. Este versículo é uma
Rei. Cf. este versículo com Isa. 35.3,4 e 62.11 ss. leve expansão do versículo anterior, afirmando as mesmas coisas, porém de
maneira levemente diferente. Será Yahweh, conforme nos é dito aqui, quem exe
Por isso restabelecei as mãos descaída e os joelhos trôpegos. cutará a obra de reversão e restauração, Ao que havia sido dito, contudo, foram
adicionadas as seguintes palavras: “quando eu vos mudar a sorte”. Isso encontra
(Hebreus 12.12) mos declarado em Sof. 2.7, onde ofereço notas expositivas. Todas essas maravi
lhas devem ocorrer ante os olhos admirados de Israel. “No milênio, Israel possuirá
3.17 a sua terra, conforme Deus prometeu (ver Gên. 12.1-7; 13.14-17; 15.8-21 e 17.7,8)
e o Messias, Rei de Israel, estabelecerá o Seu reino e reinará (ver II Sam. 7.16;
O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para salvar-te. Yahweh é Sal. 89.3,4; Isa. 9.6,7; Dan. 7.27; Sof. 3.15” (John D. Hannah, in loc.). Cf. este
Elohim, o Poder, e esse Poder é um Guerreiro. Yahweh é o Rei-Guerreiro que versículo com Deu. 30.3 ss.
oferece segurança a Seu povo, Na antiguidade, os reis eram escolhidos por sua
habilidade em proteger um povo, e essa era a principal função dos monarcas. Por Tão certo quanto a Tua verdade perdurará,
conseguinte, o guerreiro mais poderoso era o melhor candidato a rei. Mas nenhum A Sião será dada, por certo,
guerreiro pode comparar-se a Yahweh-Sabaote, o Deus Eterno e General dos Exér A s mais brilhantes glórias que a terra pode produzir.
citos. Esse Guerreiro está no meio do povo de Israel e remove toda a razão para a
ansiedade, para o temor e para a sensação de insegurança. Pois o Senhor concede (Timothy Dwight)
a vitória. Ele estará feliz com o Seu povo e será a fonte da alegria deles. Eles
descansarão em Seu amor. Ele cantará e se rejubilará com Seu povo. E toda a
comunidade de Israel será triunfante. Será a época áurea do mundo e da nação de Oh, dia de descanso e de alegria,
Israel, a cabeça das nações, que finalmente chegou. Deus renovará a Israel em Seu Oh, dia de júbilo e de luz,
amor (Revised Standard Version). O amor do Senhor pelos filhos de Israel O impul Oh, bálsamo para os cuidados e a tristeza.
sionará a operar em favor deles, e eles serão receberão inúmeros benefícios que Mais belo e mais brilhante.
trarão alegria e bem-estar. O povo de Israel desde há muito fora o objeto da ira e do
desprazer de Deus, por causa de seus pecados. Mas agora o amor escrevia o (C. Wordsworth)