ARTIGO DUDA - A Tomada de Decisão no Tratamento do TDAH
A tomada de decisão no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH) é comumente mais estudada no contexto médico, trazendo diversos modelos, cada
um com uma perspectiva diferente sobre a tomada de decisão no tratamento de crianças
com TDAH. Entre esses modelos, destaca-se o "modelo de tomada de decisão
compartilhada". Alguns benefícios dessa abordagem incluem o aumento da confiança dos
pacientes e melhores resultados gerais de saúde.
A inclusão das crianças nas decisões sobre seus tratamentos de saúde pode ser vista como
uma forma de respeito à sua dignidade, mas depende de uma consideração criteriosa de sua
capacidade para participar desse processo. Para isso, é necessário que os profissionais
analisem cuidadosamente as implicações das especificidades neurobiológicas, psicológicas e
sociais das crianças. No caso do TDAH, a importância da participação das crianças e de suas
famílias nas decisões sobre o tratamento é enfatizada devido à existência de diferentes
abordagens terapêuticas possíveis, sendo as mais comumente utilizadas as oficinas
terapêuticas e os atendimentos psiquiátricos individuais.
A 'padronização' na tomada de decisão para o tratamento do TDAH não ocorre de forma
totalmente voluntária, sendo, em parte, consequência da sobrecarga nos serviços de saúde.
Outros fatores destacados nesse tema referem-se à influência de outros agentes, como
familiares e escolas, no processo de decisão. Por exemplo, uma demanda excessiva dos
familiares pode dificultar a observação objetiva das especificidades de cada caso. Nesse
sentido, têm sido desenvolvidas propostas de intervenção para melhorar a comunicação
entre profissionais de saúde e usuários, com algumas evidências de que isso pode contribuir
para uma melhor relação terapêutica e maior satisfação dos usuários com o tratamento.
Este artigo inclui dados resultantes de uma pesquisa quantitativa.
Autores: Kalil Maihub Manara e Cesar Augusto Piccinini
Palavras-chave: Tomada de decisão; transtorno de déficit de atenção e hiperatividade;
estudo de caso.
Referências:
MANARA, Kalil Maihub; PICCININI, Cesar Augusto. A tomada de decisão no tratamento de
crianças com indicadores de TDAH. Psicologia em Estudo, 2023.
ARTIGO RAISSA - Aspectos Neurobiológicos do TDAH
Resumo
O artigo revisa os aspectos neurobiológicos do Transtorno do Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDAH), destacando que o TDAH é uma condição neuropsiquiátrica
complexa que envolve múltiplos sistemas cerebrais. Estudos mostram que indivíduos com
TDAH apresentam alterações em áreas do cérebro responsáveis pela atenção, controle
motor e regulação emocional. Além disso, o artigo discute o papel dos neurotransmissores,
como a dopamina e a noradrenalina, na etiologia do TDAH. A revisão também aborda as
implicações dessas descobertas para o diagnóstico e tratamento do TDAH, sugerindo que
uma melhor compreensão dos aspectos neurobiológicos pode levar a intervenções mais
eficazes.
A problemática do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)
Historicamente, o TDAH tem sido conhecido por várias nomenclaturas, como Lesão
Cerebral Mínima e Disfunção Cerebral Mínima, refletindo a evolução da compreensão
médica sobre o distúrbio. Atualmente, é dividido em subtipos: desatento,
hiperativo/impulsivo e combinado. Os sintomas, que geralmente aparecem antes dos sete
anos, incluem desatenção, hiperatividade e impulsividade, podendo causar dificuldades de
aprendizagem, problemas motores e fracasso escolar. O reconhecimento do TDAH muitas
vezes ocorre no ambiente escolar, onde as dificuldades são mais visíveis. O tratamento e a
compreensão do TDAH são guiados por sistemas classificatórios modernos como o CID-10 e
o DSM-IV, que proporcionam diretrizes diagnósticas consistentes.
Possíveis causas do TDAH
A etiologia do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é multifatorial,
resultando da interação de fatores ambientais e genéticos. Eventos pré e perinatais, como
baixo peso ao nascer e exposição ao álcool ou cigarros, aumentam o risco de TDAH, que é
também associado a uma imaturidade emocional persistente. Estudos mostram alta
recorrência familiar do TDAH, especialmente entre pais e irmãos. No entanto, não há genes
identificados como necessários ou suficientes para seu desenvolvimento. Pesquisas
sugerem que o TDAH está relacionado a déficits funcionais no lobo frontal e em
neurotransmissores específicos.
A neurobiologia do TDAH
Segundo Caliman (2008), a constatação diagnóstica do TDAH é baseada na interação de
aspectos biológicos, genéticos e cerebrais, com dados provenientes de pesquisas
neurológicas, imagens cerebrais e estudos de biologia molecular que comprovam sua
existência. O TDAH é associado a disfunções na neurotransmissão dopaminérgica em áreas
do cérebro como o córtex pré-frontal, o giro do cíngulo, regiões subcorticais e a região
límbica. Pesquisas recentes também apontam a participação de sistemas noradrenérgicos.
Insuficiências nos circuitos do córtex pré-frontal e amígdala resultam em sintomas como
esquecimento, distratibilidade, impulsividade e desorganização.
Procedimentos para avaliação diagnóstica
O TDAH é caracterizado por comportamentos crônicos que devem persistir por pelo menos
seis meses e se manifestam antes dos sete anos de idade. O diagnóstico, feito clinicamente,
depende da observação do comportamento da criança por pais, professores e médicos. A
avaliação envolve uma anamnese detalhada, exames físicos e neurológicos, além de
avaliações auditivas e visuais para excluir outras possíveis doenças. Diagnosticar o TDAH
requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo diversos profissionais para uma
avaliação completa.
Opções terapêuticas
O tratamento do TDAH envolve abordagens psicossociais e psicofarmacológicas, com
psicofármacos fazendo parte de um apoio integral que, embora não curativos, ajudam a
criança a se adequar melhor ao ambiente. Os psicoestimulantes, como metilfenidato,
aumentam a disponibilidade de dopamina e norepinefrina no cérebro, melhorando a
atenção e reduzindo a hiperatividade e impulsividade, mas podem ter efeitos colaterais
como insônia e perda de apetite. A medicação deve ser vista como complementar a outras
intervenções terapêuticas para melhores resultados.
Perspectivas atuais
Nos últimos dez anos, houve um aumento no interesse pelos estudos de genética molecular
no TDAH, focando nos sistemas dopaminéricos e noradrenérgicos como fatores
patofisiológicos. A pesquisa mostra que o tratamento psicoterápico é visto como suficiente,
mas há necessidade urgente de capacitar profissionais e esclarecer pais e educadores sobre
o TDAH e outros distúrbios neuropsicológicos.
ARTIGO KAMILA - Relação entre TDAH e Dores Crônicas
Introdução
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma síndrome psiquiátrica de
alta prevalência em crianças e adolescentes, mas também presente na fase adulta, onde é
frequentemente negligenciado pela sociedade. O TDAH apresenta critérios clínicos
operacionais bem estabelecidos pela comunidade psiquiátrica, com diagnóstico e
tratamento formalizados, incluindo abordagens medicamentosas e terapêuticas. Estudos
recentes mostram uma maior suscetibilidade de pacientes com TDAH a desenvolverem
dores crônicas, possivelmente devido a um mecanismo de ação semelhante presente nas
duas condições.
Objetivo
Analisar a relação entre TDAH e variáveis de dores crônicas.
Metodologia
Resumo expandido do tipo revisão sistemática, com artigos publicados nos últimos 14 anos.
Foram utilizadas as bases PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde, com os descritores
“(ADHD OR Attention deficit hyperactivity disorder) AND (Pain OR chronic pain)”.
Resultados e Discussão
Para esclarecer a relação entre TDAH e dores crônicas, estudos indicam que indivíduos com
graus mais elevados de TDAH têm até três vezes mais chance de apresentar altos níveis de
dor, mostrando uma associação significativa entre ambos. A explicação mais aceita até o
momento sugere uma maior sensibilidade à dor em indivíduos com TDAH, devido a
mecanismos neurobiológicos, como a instabilidade nos níveis de dopamina, o que pode
influenciar indiretamente a percepção da dor. A pesquisa levanta novas discussões sobre
efeitos fisiológicos semelhantes entre portadores de TDAH, além de destacar o aumento do
tônus muscular e problemas de regulação motora.
A relação entre TDAH e dor crônica também foi reconhecida por profissionais de saúde que
atendem pacientes com o transtorno, relatando que há uma conexão entre o TDAH e
condições de dor prolongada, que tendem a ser mais intensas e intermitentes. Além disso, a
relação com o comprometimento da capacidade organizacional e função executiva interfere
na capacidade de gerenciar a dor, resultando em maior dificuldade de controle em pacientes
com TDAH.
Análise de Artigos Pré-selecionados
Wlad (2016): O estudo trouxe uma perspectiva distinta sobre a correlação entre TDAH e dor
crônica, relatada por profissionais de saúde, dos quais a maioria reconheceu uma
coexistência entre o TDAH e condições de dor prolongada.
Kasahara (2021): Foi identificado que o TDAH coexiste em pacientes com dor crônica
(72,5%) diagnosticados com provável transtorno de sintomas somáticos, sendo o
rastreamento do TDAH relevante no tratamento da dor crônica.
Lipsker (2018): Elaborou um relato de caso sobre a presença de autismo e TDAH em
crianças com dor crônica, destacando a relação entre essas condições.
Esses estudos identificaram uma relação intrínseca entre o TDAH e dores crônicas,
vinculada à desregulação do neurotransmissor dopamina em pacientes com TDAH.
Conclusão
O TDAH é um transtorno frequentemente subdiagnosticado, o que leva diversos pacientes a
não receberem tratamento adequado. Isso pode resultar na intensificação dos problemas
físicos e psiquiátricos que acompanham o TDAH, como as dores crônicas.