UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CERES
BACHARELADO EM ENFERMAGEM
Juliana Bispo de Lima
ESTUDO DE CASO- RESUMO
Ceres
2024
RESTRIÇÃO DO CRESCIMENTO FETAL (RCF)
A restrição de crescimento fetal (RCF) é uma das complicações mais frequentes na
prática obstétrica, sendo a segunda principal causa de mortalidade perinatal. Apesar
dos avanços nos cuidados neonatais, a RCF ainda está associada a alta morbidade,
tanto precoce quanto tardia. O termo “crescimento intrauterino retardado” foi
substituído por expressões mais específicas para evitar associação direta com
alterações na função mental. Considera-se que o feto apresenta restrição de
crescimento quando ocorre uma alteração patológica que impede o seu crescimento
potencial. Contudo, na prática, pela dificuldade em determinar esse potencial, fetos
com peso abaixo do percentil 10 para a idade gestacional são frequentemente
classificados como portadores de RCF. A incidência de RCF varia na literatura,
dependendo do conceito adotado, sendo mais alta em países em desenvolvimento.
Sua etiologia pode estar relacionada a fatores que afetam diferentes compartimentos:
materno, fetal, placentário ou do cordão umbilical.
Diagnóstico de RCF:
Medida do fundo uterino: É indicada como uma triagem inicial para identificar
possíveis casos de RCF.
Ultrassonografia: É o método diagnóstico mais importante, avaliando parâmetros
como: Biometria fetal: Medidas de diferentes partes do corpo do feto; Estimativa de
peso fetal: Para comparar com curvas de crescimento esperadas; Razões
biométricas: A relação entre o diâmetro transverso do cerebelo e a circunferência
abdominal é um dos destaques; Medidas seriadas: Acompanhar o crescimento ao
longo do tempo oferece maior precisão na identificação da RCF do que o uso isolado
de índices como o Doppler.
O uso combinado de múltiplos parâmetros ultrassonográficos é recomendado para
garantir um diagnóstico mais confiável e seguro. A conduta da enfermagem diante de
um caso de restrição de crescimento fetal (RCF) envolve cuidados direcionados à
mãe e ao feto, com o objetivo de monitorar, prevenir complicações e colaborar com a
equipe multidisciplinar.
PREMATURIDADE
A prematuridade é a principal causa de morte infantil em todo o mundo, segundo
dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O parto prematuro ocorre quando
o bebê nasce antes de 37 semanas completas de gestação (36 semanas e 6 dias). O
período gestacional ideal varia entre 37 e 42 semanas. Além de representar 70% das
morbidades e mortalidade neonatal, a prematuridade pode ter impacto duradouro,
com possíveis sequelas neurológicas, doenças crônicas e necessidade de
internações frequentes.
Classificação da Prematuridade pela OMS: A Organização Mundial da Saúde (OMS)
classifica a prematuridade em graus, com base na idade gestacional: Extremamente
prematuro: até 28 semanas; Muito prematuro: entre 28 e 32 semanas; moderado a
tardio: de 32 a 37 semanas.
Quanto menor a idade gestacional, pior é o prognóstico do bebê. Isso se deve ao fato
de que, nas últimas semanas da gravidez, ocorre o amadurecimento completo do
sistema cardiorrespiratório. Sem esse desenvolvimento, o recém-nascido enfrenta
dificuldades para se adaptar à vida fora do útero, além de maior risco de problemas
como asma e alergias. Embora ações globais sejam realizadas para reduzir sua
incidência, a prematuridade ainda é recorrente. No Brasil, cerca de 300 mil bebês
prematuros nascem anualmente. Para conscientizar a sociedade, o Dia Mundial da
Prematuridade é celebrado em 17 de novembro.
Tipos de Parto Prematuro: O parto prematuro pode ocorrer de duas formas:
Espontâneo: causado por trabalho de parto antecipado, caracterizado por contrações
e dilatação precoce do colo do útero, com ou sem ruptura das membranas; Eletivo ou
terapêutico: indicado por profissionais de saúde em situações de risco para a mãe ou
o feto, como crises hipertensivas, hemorragias ou restrição de crescimento fetal.
Causas da Prematuridade: Diversos fatores podem aumentar o risco de parto
prematuro, incluindo condições demográficas, socioeconômicas, obstétricas e
clínicas: Idade materna extrema: mães com menos de 15 anos ou mais de 40 anos
têm maior probabilidade de partos prematuros; Fatores socioeconômicos: ausência
de pré-natal adequado e intervalos curtos entre gestações são mais comuns em
situações de vulnerabilidade social; Histórico obstétrico: mulheres que já tiveram parto
prematuro têm cerca de 25% de chance de repetir o quadro.
Outros fatores: Tabagismo; Uso de drogas ilícitas; Estresse materno; Miomas;
Gravidez múltipla; Inserção baixa de placenta; Ruptura prematura de membranas;
Infecções maternas (como doença periodontal); Diabetes gestacional; Malformações
uterinas; Pré-eclâmpsia; Insuficiência istmo cervical (fraqueza do colo do útero).
Fatores hormonais, emocionais, inflamatórios e imunológicos também podem
contribuir para a prematuridade. As complicações da prematuridade variam conforme
a idade gestacional. Em casos de prematuridade tardia, os problemas tendem a ser
leves, sendo necessária apenas observação médica. Já nos casos de prematuridade
extrema, é comum que o recém-nascido precise de tratamento prolongado em uma
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), devido à imaturidade dos órgãos e
maior vulnerabilidade biológica. Os principais problemas associados à prematuridade
incluem: Doenças respiratórias; Hemorragia cerebral; Infecções; Insuficiência renal e
hepática; Condições congênitas e genéticas; Problemas pulmonares crônicos,
cardíacos e neurológicos; Dificuldades para respirar, manter a temperatura corporal
e se alimentar.
A conduta da enfermagem em casos de prematuridade é fundamental para garantir o
bem-estar da mãe e do recém-nascido. As ações envolvem monitoramento,
intervenções específicas e suporte emocional, tanto durante o pré-parto quanto no
pós-parto, especialmente em situações que demandam cuidados intensivos.
ROTURA PREMATURA MEMBRANAS OVULARES (RPMO)
A rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) é uma condição obstétrica
caracterizada pelo rompimento das membranas que envolvem o feto e o líquido
amniótico antes do início do trabalho de parto. Essa condição exige atenção médica
imediata devido ao aumento dos riscos de complicações para a mãe e o bebê.
Definição e Fisiologia das Membranas Ovulares: As membranas ovulares são
estruturas que envolvem o feto e o líquido amniótico, sendo compostas pela
membrana amniótica interna e a membrana coriônica externa. Quando essas
membranas se rompem antes do início do trabalho de parto, ocorre a RPMO,
independentemente da idade gestacional.
Embora muitas pessoas associem a RPMO a idades gestacionais prematuras, cerca
de 75-80% dos casos ocorrem em bebês a termo (≥ 37 semanas), enquanto menos
de 25% acontecem antes das 37 semanas. É importante destacar que não existem
preditores clínicos para o trabalho de parto prematuro.
Classificação da RPMO: A rotura prematura das membranas ovulares pode ser
classificada de acordo com sua causa ou idade gestacional; Iatrogênica: causada por
intervenções médicas, como amniocentese, cerclagem, laserterapia e biópsia de vilo
corial; Espontânea: geralmente associada a fatores multifatoriais, como estresse
mecânico e ação de enzimas, sendo a mais comum a degradação por colagenases,
fosfolipases e tripsina, frequentemente de origem bacteriana (70% dos casos).
Idade gestacional: Termo: ≥ 37 semanas; Pré-termo: < 37 semanas; Casos mais
graves: idade gestacional < 24 semanas, onde as chances de sobrevivência fetal são
reduzidas.
O rompimento das membranas pode ocorrer por: Causas iatrogênicas: manipulações
diretas ou indiretas durante procedimentos médicos; Causas espontâneas: fatores
como fragilidade intrínseca das membranas ou infecção bacteriana, que libera
enzimas que corroem as membranas. Dessa forma, a coleta para cultura de
estreptococos do grupo B é essencial.
Fatores de Risco para a RPMO: Embora não existam preditores específicos para o
trabalho de parto prematuro, alguns fatores de risco são conhecidos:
Epidemiológicos: Idade materna extrema (muito jovem ou avançada); Nutrição
inadequada; Uso de tabaco e outras substâncias. Obstétricos e ginecológicos:
Histórico de partos prematuros; Presença de placenta prévia, gemelaridade e
amniorrexe; Alterações anatômicas uterinas (ex.: úteros unicorno ou didelfo).
Condições maternas: Doenças como diabetes, hipertensão e cardiopatias.
Apesar desses fatores de risco, é importante ressaltar que condições como
malformações uterinas não necessariamente impedem uma gestação saudável. O
acompanhamento pré-natal adequado é essencial para prevenir e tratar possíveis
complicações.
GESTAÇÃO PROLONGADA
A gestação prolongada é definida como aquela que ultrapassa 42 semanas completas
de amenorreia, ou 294 dias, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1977)
e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO, 1986). Em inglês,
utiliza-se o termo postterm pregnancy para se referir a esses casos. Já o pós-datismo
caracteriza-se pela gestação que ultrapassa a data provável do parto, ou seja, após
a 40ª semana de gestação.
O risco de natimortalidade pré-parto aumenta proporcionalmente à idade gestacional.
Estudos realizados no Reino Unido demonstram que, ao calcular a frequência de
mortes por 1.000 gestações em andamento, as taxas aumentam após 40 semanas:
• Entre 40 e 41 semanas: 0,86 a 1,08 por 1.000 gestações;
• Entre 41 e 42 semanas: 1,2 a 1,27 por 1.000 gestações;
• Entre 42 e 43 semanas: 1,3 a 1,9 por 1.000 gestações;
• Após 43 semanas: 1,58 a 6,3 por 1.000 gestações.
Diante desse cenário, recomenda-se maior vigilância fetal a partir da 40ª semana de
gestação.
Classificação e Impacto na Pediatria: Na pediatria, os recém-nascidos (RN) são
classificados da seguinte forma: RN de termo: aqueles nascidos entre 37 semanas e
41 semanas e 6 dias de gestação; RN pós-termo: aqueles com idade gestacional de
42 semanas ou mais (294 dias a partir do primeiro dia do último período menstrual).
Os bebês pós-termo apresentam maiores taxas de morbimortalidade em comparação
aos nascidos a termo, o que justifica a proposta de interrupção eletiva da gestação
antes de alcançar as 42 semanas.
Na maioria dos casos, o crescimento fetal contínuo em gestações prolongadas resulta
em maior peso ao nascer, aumentando o risco de:
• Macrossomia fetal;
• Lesões ao nascimento, como desproporção cefalopélvica, distocia de
ombro e trabalho de parto prolongado.