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Tese Completa Final

Este trabalho caracteriza as principais afluências de águas interiores à zona costeira do concelho de Matosinhos e avalia o impacto de suas descargas na qualidade das águas balneares. Um Sistema de Informação foi criado para monitorar as linhas de água e praias, e um modelo hidrodinâmico foi desenvolvido para avaliar as plumas de poluição. Os resultados indicam que as descargas têm um efeito localizado nas praias, e a ativação de estruturas de by-pass é uma solução eficaz para proteger as águas recreativas.

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Tese Completa Final

Este trabalho caracteriza as principais afluências de águas interiores à zona costeira do concelho de Matosinhos e avalia o impacto de suas descargas na qualidade das águas balneares. Um Sistema de Informação foi criado para monitorar as linhas de água e praias, e um modelo hidrodinâmico foi desenvolvido para avaliar as plumas de poluição. Os resultados indicam que as descargas têm um efeito localizado nas praias, e a ativação de estruturas de by-pass é uma solução eficaz para proteger as águas recreativas.

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Hugo Manuel da Rocha Rodrigues

CARACTERIZAÇÃO DAS PRINCIPAIS AFLUÊNCIAS


DE ÁGUAS INTERIORES À ZONA COSTEIRA DO
CONCELHO DE MATOSINHOS

UNIVERSIDADE DO MINHO, Setembro de 2006

I
II
AGRADECIMENTOS

Para a realização deste trabalho foram determinantes as contribuições


de várias pessoas e instituições a quem expresso o meu profundo
reconhecimento.

Ao professor José Luís Pinho pelo seu inexcedível empenho na


orientação da dissertação, pela sua acção de enriquecimento científico e
técnico e pela sua simpatia e disponibilidade.

Ao professor José Vieira pelo interesse demonstrado e atenção


dispendida.

Ao professor Veloso Gomes pela disponibilidade dispendida.

Aos responsáveis pela instituição onde trabalho, Serviços


Municipalizados de Águas e Saneamento de Matosinhos, nomeadamente ao
seu presidente Dr. Guilherme Pinto pelo seu interesse e disponibilização de
meios e recursos e ao meu director Eng. João Rodrigues pela colaboração e
compreensão o meu obrigado.

Aos colegas de especialização que me incentivaram no sentido de


desenvolver e concluir o presente trabalho.

A todos os colegas dos SMAS de Matosinhos que me ajudaram na


pesquisa de informação relevante para o trabalho desenvolvido.

A todos os meus amigos pela atenção e ânimo prestados.

À minha família, pais, irmão, sogros e em especial à Mónica e ao Duarte


o meu profundo obrigado pela, atenção, incentivo e compreensão
demonstrados.

I
II
RESUMO

A Lei da Água (Lei n.º 58/2005 de 29 de Dezembro) assegura a


transposição da Directiva n.º 2000/60/CE, do Parlamento Europeu e do
Conselho, de 23 de Outubro de 2000 (Directiva Quadro da Água), constitui um
instrumento de actuação extremamente ambicioso no domínio da água. A
directiva introduz o conceito de região hidrográfica que acrescenta à bacia
hidrográfica uma faixa costeira com uma extensão de uma milha para além da
linha de base costeira. Desta forma, o conhecimento dos principais processos
físicos, químicos e biológicos das regiões costeiras, apresenta-se com uma
importância acrescida para um correcto planeamento e gestão dos recursos
hídricos.

Este trabalho tem como principais objectivos a caracterização e estudo


das principais afluências de águas interiores à zona costeira do concelho de
Matosinhos e a avaliação do impacto das suas descargas na qualidade das
águas balneares.

Foi criado um Sistema de Informação que inclui temas relacionados com


as diversas linhas de água e praias de Matosinhos. Efectuaram-se vários
levantamentos no campo que incluíram a medição dos caudais e a recolha de
amostras para análise da qualidade da água. Procedeu-se a uma análise da
informação de modo a identificar as linhas de água que mais contribuem para a
poluição das águas balneares. Criou-se um modelo hidrodinâmico e de
qualidade da água da zona costeira adjacente ao concelho de Matosinhos que
permitiu avaliar as plumas resultantes de cada um das descargas.

A extensão das plumas de coliformes totais e fecais resultantes das


descargas apresenta, de um modo geral, um efeito localizado, afectando as
praias em que se localizam. A activação das estruturas de by-pass constitui
uma solução eficiente para a protecção das zonas balneares. Nas condições
de simulação adoptadas constata-se que a pluma do rio Douro não atinge as
praias do concelho de Matosinhos, mesmo considerando cargas
bacteriológicas muito desfavoráveis.

III
IV
ABSTRACT

The Water Law (Law 58/2005 of 29 December) transposes the Directive


2000/60/EC of the European Parliament and of the Council of 23 October 2000
(Water Framework Directive) which constitutes an ambitious legal framework in
the field of water policy. The Directive includes within the same area of
management territorial waters and coastal waters that are in a distance of one
nautical mile from the coastal baseline. This way, knowledge of the main
physical, chemical and biological processes that take place in coastal regions
became essential for proper planning and management of water resources.

The aims of this work are the characterization and study of the most
important inland waters discharges at the coastal zone of the Matosinhos
municipality and its impact evaluation on the coastal recreational waters.

An Information System that includes Matosinhos municipality streams


and beaches data was built. Several field works were carried out consisting
mainly in streams discharges and water quality monitoring. The information was
analysed and the major pollutant discharges of coastal waters were identified. A
hydrodynamics and water quality mathematical model of Matosinhos coastal
waters was implemented in order to evaluate the discharges plumes.

The extents of the total and faecal coliform bacteria plumes present in
almost cases a local effect in the beach where is located the interior water
discharge. Activation of by-pass structures constitutes an efficient solution in
order to protect recreational coastal waters. For simulated conditions the river
Douro bacterial plumes doesn’t achieve the Matosinhos municipality beaches,
even for the most unfavourable bacterial loads.

V
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos
Índices

ÍNDICE DE TEXTO
1 – INTRODUÇÃO ............................................................................................. 1
2 - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO............................................... 5
2.1 - Relevo .................................................................................................... 6
2.2 - Características oceanográficas – Batimetria e Estrutura de fundos ....... 6
2.3 - Clima ...................................................................................................... 8
2.4 - Geologia ................................................................................................. 8
2.5 - Demografia ............................................................................................. 9
2.6 - Perfil Industrial...................................................................................... 10
2.7 – Drenagem de águas residuais ............................................................. 10
2.8 – Controlo da qualidade das águas das infra-estruturas balneares ........ 14
3 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO .................................................................... 19
3.1 – CONTEÚDOS TEMÁTICOS ................................................................ 19
3.1.1 – Linhas de água.............................................................................. 20
3.1.2 – Bacias hidrográficas ...................................................................... 41
3.1.3 – Praias ............................................................................................ 43
3.1.4 - Emissários e interceptores............................................................. 51
3.1.5 - Estações elevatórias ...................................................................... 54
3.1.6 – Estruturas de By-pass ................................................................... 56
3.1.7 – Pontos de amostragem da qualidade da água.............................. 59
4 – CAMPANHAS DE AMOSTRAGEM............................................................ 61
4.1 Localização dos pontos de amostragem................................................. 61
4.2 Método utilizado na estimação de caudais ............................................. 63
4.3 Análise dos resultados obtidos ............................................................... 66
4.3.1 Caudais ............................................................................................ 66
4.3.2 Qualidade bacteriológica.................................................................. 69
5 – ANÁLISE DA INFORMAÇÃO ..................................................................... 75
5.1 – LINHAS DE ÁGUA............................................................................... 75
5.1.1 – Caudais das linhas de água .......................................................... 75
5.1.2 – Concentração de coliformes totais ................................................ 77
5.1.3 – Concentração de coliformes fecais ............................................... 79
5.1.4 – Áreas das bacias hidrográficas ..................................................... 80
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

5.1.5 – Densidade populacional das bacias hidrográficas ............................ 81


5.1.6 – Descargas de emergência das estações elevatórias afluentes às
linhas de água .............................................................................................. 82
5.1.7 – Existência de estruturas de by-pass ................................................. 84
5.1.8 – Carga de coliformes totais ................................................................ 85
5.1.9 – Carga de coliformes fecais ............................................................... 85
5.1.10 – Ordenação das linhas de água ....................................................... 86
5.2 – PRAIAS................................................................................................ 90
5.2.1 - Área das praias .............................................................................. 90
5.2.2 – Concentração de coliformes totais das praias............................... 90
5.2.3 – Concentração de coliformes fecais das praias.............................. 91
5.2.4 – Amostras não conformes nas praias ............................................. 92
5.2.5 – Ordenação das praias ................................................................... 93
6 – MODELAÇÃO MATEMÁTICA DAS AFLUÊNCIAS DE ÁGUAS
INTERIORES À ZONA COSTEIRA DO CONCELHO DE MATOSINHOS ....... 97
6.1 – Generalidades ..................................................................................... 97
6.2 – Formulação matemática do modelo................................................... 100
6.3 – Domínio modelado e discretização espacial...................................... 103
6.4 - Cenários de modelação...................................................................... 105
6.5 - Resultados obtidos nas diferentes simulações................................... 108
6.5.1 - Análise do efeito do tempo de simulação..................................... 108
6.5.2 – Análise da influência da carga bacteriológica ............................. 111
6.5.3 Análise de sensibilidade dos resultados à taxa de decaimento de CT
e CF ........................................................................................................ 114
6.5.4 – Resultados para substâncias conservativas ............................... 118
6.5.5 - Simulação de plumas de descargas com by-pass inactivo ou activo
................................................................................................................ 119
6.5.6 Análise do efeito do rio Douro ........................................................ 122
6.5.7 - Influência da maré........................................................................ 125
7 – CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA DESENVOLVIMENTOS FUTUROS
....................................................................................................................... 129
7.1 – Conclusões ........................................................................................ 129
Índices

7.2 - Sugestões para desenvolvimentos futuros ......................................... 132


8 - BIBLIOGRAFIA ......................................................................................... 135
ANEXOS ........................................................................................................ 137
Anexo I - Dados censos 1999 das diferentes freguesias de Matosinhos ....... 139
Anexo II - Resultados obtidos na campanha de campo - caudais.................. 141
Anexo III - Caudais obtidos na campanha...................................................... 143
Anexo IV - Concentrações bacteriológicas obtidas na campanha executada no
âmbito do presente trabalho........................................................................... 145
Anexo V - Concentrações Bacteriológicas médias anuais (NMP/100mL) ...... 147
Anexo VI - Distâncias entre os pontos de amostragem localizados nas praias e
as descargas das linhas de água. .................................................................. 149
Anexo VII - Estimativa das concentrações bacteriológicas para o rio Douro. 151
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 2.1 – Localização da área de estudo...................................................... 5
Figura 2.2 – Isolinhas batimétricas na plataforma adjacente ao concelho de
Matosinhos (INAG, 2006). .................................................................................. 7
Figura 2.3 – População residente no concelho de Matosinhos (sensos de
2001). ................................................................................................................. 9
Figura 2.4 – ETAR de Matosinhos: obra de entrada. ...................................... 11
Figura 2.5 – ETAR de Matosinhos: órgão de desarenação/desengorduramento.
À esquerda na fase de construção à direita em pleno funcionamento. ............ 12
Figura 2.6 – ETAR de Matosinhos: decantador. À esquerda na fase de
construção à direita em pleno funcionamento. ................................................. 12
Figura 2.7 – ETAR de Matosinhos: espessador de lamas............................... 13
Figura 2.8 – Praias do concelho de Matosinhos.............................................. 14
Figura 3.1 – Linhas de água afluentes à orla costeira de Matosinhos............. 20
Figura 3.2 – Localização e foz do Rio Onda.................................................... 23
Figura 3.3 – Descarga de águas pluviais em frente ao antigo centro de saúde
de Lavra. .......................................................................................................... 24
Figura 3.4 – Localização e foz do Ribeiro da Certagem.................................. 25
Figura 3.5 – Localização e foz do Ribeiro do Corgo........................................ 26
Figura 3.6 – Localização e foz do Ribeiro da Agudela. ................................... 27
Figura 3.7 – Localização e foz do Ribeiro de Pampelido................................. 28
Figura 3.8 – Localização e foz do Ribeiro de Joane........................................ 29
Figura 3.9 – Localização da descarga das águas pluviais da Rua Ocidental.. 30
Figura 3.10 – Localização e foz do ribeiro da Guarda. .................................... 31
Figura 3.11 – Localização e foz do ribeiro da Petrogal.................................... 32
Figura 3.12 – Localização e bóia sinalizadora do emissário submarino.......... 33
Figura 3.13 – Localização e foz do ribeiro da Boa Nova. ................................ 34
Figura 3.14 – Localização e foz do ribeiro do Sardoal..................................... 35
Figura 3.15 – Localização e foz do rio Leça no concelho de Matosinhos........ 36
Figura 3.16 – Localização e foz do ribeiro da Riguinha................................... 38
Figura 3.17 – Localização e foz do ribeiro de Carcavelos. .............................. 39
Figura 3.18 – Localização e foz do ribeiro do Castelo do Queijo..................... 40
Índices

Figura 3.19 – Delimitação das bacias hidrográficas das linhas de água. ........ 42
Figura 3.20 – Localização e delimitação das praias de Matosinhos................ 44
Figura 3.21 – Vistas gerais das praias de Matosinhos: Angeiras Norte,
Angeiras Sul, Funtão, Corgo e Agudela. .......................................................... 46
Figura 3.22 – Vistas gerais das praias de Matosinhos: Quebrada, Marreco,
Memória, Paraíso e Cabo do Mundo................................................................ 48
Figura 3.23 – Vistas gerais das praias de Matosinhos: Aterro, Conchinha,
Senhora, Leça da Palmeira e Matosinhos........................................................ 50
Figura 3.24 – Emissários, interceptores e estações elevatórias do concelho de
Matosinhos. ...................................................................................................... 51
Figura 3.25 – Valores dos Caudais médios mensais à entrada da ETAR. ...... 54
Figura 3.26 – Localização das principais estações elevatórias da rede de
drenagem. ........................................................................................................ 55
Figura 3.27 – Localização das estruturas de by-pass. .................................... 57
Figura 3.28 – a1 e a2) By-pass das águas pluviais para as águas residuais b1
e b2)– By-pass das águas residuais para as águas pluviais. ........................... 59
Figura 3.29 – Localização dos pontos de amostragem no mar. ...................... 60
Figura 4.1 – Localização dos pontos de amostragem, número de medições
realizadas e nº de amostras recolhidas............................................................ 62
Figura 4.2 – Forma e dimensões das secções de descarga dos ribeiros........ 64
Figura 4.2 – Forma e dimensões das secções de descarga dos ribeiros
(continuação).................................................................................................... 65
Figura 4.3 – Evolução temporal dos caudais estimados durante a campanha de
amostragem. .................................................................................................... 66
Figura 4.3 – Evolução temporal dos caudais estimados durante a campanha de
amostragem (continuação)............................................................................... 67
Figura 4.4 – Alteração da estrutura de descarga na foz da Ribeira da Riguinha
e Carcavelos. Esquerda: situação anterior a Maio de 2005. Direita: situação
posterior a Maio de 2005.................................................................................. 69
Figura 4.5 – Resultado da activação do by-pass na foz do Ribeiro de Joane. À
esquerda by-pass inactivo e à direita by-pass activo. ...................................... 69
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Figura 4.6 – Evolução temporal das concentrações de coliformes totais durante


a campanha de amostragem............................................................................ 70
Figura 4.7 – Evolução temporal das concentrações de coliformes fecais
durante a campanha de amostragem............................................................... 71
Figura 4.8 – Evolução temporal das concentrações de estreptococos fecais
durante a campanha de amostragem............................................................... 72
Figura 6.1 – Modelo hidrodinâmico e de qualidade da água do concelho de
Matosinhos: domínio modelado...................................................................... 103
Figura 6.2 – Modelo hidrodinâmico e de qualidade da água: malha de
elementos finitos. ........................................................................................... 104
Figura 6.3 – Resultados de modelação: análise do efeito do tempo de
simulação nas plumas de coliformes totais- cenários 2 e 5 ........................... 109
Figura 6.4 – Resultados de modelação: análise do efeito do tempo de
simulação nas plumas de coliformes fecais - cenários 15 e 18...................... 110
Figura 6.5 – Resultados de modelação: análise do efeito da carga
bacteriológica em coliformes totais - cenários 2 e 9....................................... 112
Figura 6.6 – Resultados de modelação: análise do efeito da carga
bacteriológica em coliformes fecais - cenários 15 e 22. ................................. 113
Figura 6.7 – Resultados de modelação: análise do efeito do T90 na
configuração das plumas de coliformes totais - cenários 27 e 28. ................. 115
Figura 6.8 – Resultados de modelação: análise do efeito do parâmetro T90 na
configuração das plumas de coliformes fecais - cenários 29 e 30. ................ 117
Figura 6.9 – Resultados de modelação: análise do comportamento de uma
substância conservativa – cenário 1. ............................................................. 118
Figura 6.10 – Resultados de modelação: análise das plumas resultantes da
inactivação ou activação dos by-pass para os coliformes totais – cenários 2 e
11. .................................................................................................................. 120
Figura 6.11 – Resultados de modelação: análise das plumas resultantes da
inactivação ou activação dos by-pass para os coliformes fecais – cenários 15 e
24. .................................................................................................................. 121
Figura 6.12 – Resultados de modelação: análise das plumas para os
coliformes totais resultantes da afluência do rio Douro, cenários 6, 7, 8 e 31.123
Índices

Figura 6.13 – Resultados de modelação: análise das plumas para os


coliformes fecais resultantes da afluência do rio Douro, cenários 19, 20, 21 e
32. .................................................................................................................. 124
Figura 6.14 – Resultados de modelação: análise das plumas resultantes da
consideração de maré cenário 26 ao fim de a) 3 h, b) 6 h, c) 9 h, d)12 h. ..... 126
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 2.1 – Valores máximos recomendados e admissíveis. ....................... 16
Quadro 3.1 – Estimativa da população residente nas bacias hidrográficas. ... 43
Quadro 5.1 – Caudal das diferentes linhas de água........................................ 76
Quadro 5.2 – Concentrações médias de coliformes totais no ano de 2005. ... 78
Quadro 5.3 – Concentrações médias de coliformes fecais no ano de 2005.... 79
Quadro 5.4 – Área das bacias hidrográficas das linhas de água..................... 80
Quadro 5.5 – Densidades populacionais nas bacias de cada uma das linhas de
água. ................................................................................................................ 82
Quadro 5.6 – Descargas de emergência das estações elevatórias e caudais
bombeados em 1999........................................................................................ 83
Quadro 5.7 – Existência de estruturas de by-pass instaladas nas linhas de
água. ................................................................................................................ 84
Quadro 5.8 – Carga de coliformes totais das linhas de água. ......................... 85
Quadro 5.9 – Carga de coliformes fecais em cada uma das linhas de água... 86
Quadro 5.10 – Ordenação das linhas de água. ............................................... 87
Quadro 5.11 – Ordenação das linhas de água considerando as estruturas de
by-pass activas................................................................................................. 89
Quadro 5.12 – Área das praias de Matosinhos. .............................................. 90
Quadro 5.13 – Concentrações médias de coliformes totais nas praias de
Matosinhos no ano de 2005. ............................................................................ 91
Quadro 5.14 – Concentrações médias de coliformes fecais nas praias de
Matosinhos no ano de 2005. ............................................................................ 92
Quadro 5.15 – Número de não conformidades verificadas no ano de 2005 nas
análises das praias do concelho de Matosinhos. ............................................. 93
Quadro 5.16 – Ordenação das praias. ............................................................ 94
Quadro 6.1 – Cenários simulados. ................................................................ 106
Cap. 1 │ Introdução

1 – INTRODUÇÃO

A Directiva 2000/60/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de


Outubro (Directiva-Quadro da Água), constitui um instrumento de actuação
extremamente ambicioso no domínio da água. A directiva introduz o conceito
de região hidrográfica que acrescenta à bacia hidrográfica uma faixa costeira
com uma extensão de uma milha para além da linha de base costeira. Desta
forma, o conhecimento dos principais processos físicos, químicos e biológicos
das regiões costeiras, apresenta-se com uma importância acrescida para um
correcto planeamento e gestão dos recursos hídricos.

São muito diversos os problemas que se colocam às entidades


responsáveis pela gestão dos recursos hídricos costeiros e que obrigam a um
conhecimento profundo da hidrodinâmica e dos processos biogeoquímicos
destes sistemas, a diferentes escalas espaciais e temporais. Na definição do
uso balnear de águas costeiras a possibilidade de prever as áreas de influência
de eventuais descargas de água adquire uma relevância fundamental.

Antes de cada época balnear, a atribuição das bandeiras azuis constitui


um momento muito importante para os municípios portugueses, tendo a
atribuição desse galardão, implicações sócio-económicas muito significativas
para as populações que usufruem dessas praias.

A qualidade das águas balneares é um dos múltiplos aspectos que


condiciona a atribuição da bandeira azul, pelo que o controlo das fontes de
poluição assume uma importância fundamental na preservação da qualidade
da água balnear.

A modelação matemática constitui uma ferramenta de enormes


potencialidades para o estudo da hidrodinâmica e qualidade de águas
costeiras, contribuindo de forma eficiente para a gestão destes sistemas
complexos. As suas potencialidades poderão ser exploradas para a realização
de diagnósticos sobre o estado de qualidade da água resultante de descargas

1
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

no meio marinho e antecipar impactos de medidas operacionais de gestão


relativas à recolha, tratamento e descarga de águas residuais na orla costeira.

O município de Matosinhos à muito que se empenha na resolução dos


problemas ambientais nomeadamente os que influenciam negativamente a
qualidade das suas águas balneares.

Para além da monitorização que executa, à quase uma década, à


qualidade das águas balneares do concelho, tem promovido a elaboração de
diferentes estudos tendo como objectivo a caracterização e monitorização das
linhas de água afluentes à orla costeira de Matosinhos. Entre estes estudos os
mais relevantes são “Ribeiras de Lavra e Perafita estudo da sua despoluição”
(IHRH, 2000), “Diagnóstico de poluição dos ribeiros de Carcavelos e Riguinha”
(Hidrofunção, 2000) e finalmente “Reconhecimento das interferências
poluentes nos leitos e procura de soluções para a sua eliminação” (Geoworks,
2002). No primeiro estudo citado caracterizam-se as linhas de água bem como
as respectivas bacias hidrográficas das freguesias descriminadas, nos dois
outros efectuou-se o levantamento dos ribeiros citados ambos pertencentes à
freguesia de Matosinhos, com o objectivo de os caracterizar
pormenorizadamente e de detectar todos os seus focos de poluição com vista a
solucioná-los.

Este trabalho centra-se na caracterização das principais afluências de


águas interiores ao concelho de Matosinhos e no estudo do impacto das suas
descargas na qualidade das águas balneares.

Para a concretização do objectivo geral estabeleceram-se os seguintes


objectivos específicos:

• Caracterização quantitativa e qualitativa dos rios e ribeiros que


desaguam na orla costeira do concelho de Matosinhos;

• Caracterização das descargas de águas residuais realizadas em


meio marinho;

2
Índices

• Identificação e estruturação de temas de informação relevantes


para o trabalho;

• Criação de um Sistema de Informação Geográfica (SIG) de apoio


ao trabalho a realizar;

• Análise e caracterização da situação de referência;

• Aplicação de software de modelação matemática da


hidrodinâmica e da qualidade da água para avaliação do impacto
das descargas;

• Sugestão de medidas que permitam melhorar o estado de


qualidade das águas balneares no concelho de Matosinhos.

O trabalho foi organizado em sete capítulos cujos conteúdos se


descrevem seguidamente, de forma reduzida.

No Capitulo 2 procede-se a uma caracterização sumária das


características do concelho de Matosinhos nomeadamente relevo,
características oceanográficas e estrutura de costa, clima, geologia, demografia
e actividades sócio-económicas.

No Capitulo 3 apresenta-se o Sistema de Informação Geográfica criado


no âmbito deste trabalho que inclui informação relativa às diversas linhas de
água, identificando os seus percursos, as suas descargas, as suas bacias
hidrográficas e os resultados das amostragens da qualidade da água. Inclui
ainda outros temas relevantes para o desenvolvimento do estudo relacionados
com as praias do concelho: localização e delimitação (inclui levantamento
fotográfico) e qualidade das águas balneares nos pontos de monitorização São
ainda incluídos os temas relativos aos traçados dos emissários da rede de
drenagem de águas residuais com a localização das respectivas estações

3
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

elevatórias bem como informação relativa ao tipo e localização das estruturas


de by-pass identificadas e localizadas no âmbito deste trabalho.

No Capitulo 4 são apresentados os resultados do reconhecimento dos


locais de descarga e do levantamento das características geométricas das
secções de descarga (complementadas com levantamentos fotográficos). São
apresentados os resultados das estimativas de caudais realizadas durante um
período de seis meses e dos resultados analíticos obtidos para a qualidade
bacteriológica das amostras recolhidas durante a campanha especificamente
desenvolvida no âmbito deste trabalho.

No Capitulo 5 é apresentada uma análise da informação conducente à


classificação das linhas de água e praias, considerando nomeadamente a
dimensão das bacias hidrográficas, valores dos caudais, concentrações
bacteriológicas, carga bacteriológica das diferentes linhas de água, dimensão
das praias, existência de descargas de emergência de estações elevatórias
para ribeiros e existência de estruturas de by-pass.

No Capitulo 6 apresentam-se as principais características de um


modelo hidrodinâmico e de qualidade da água da zona costeira adjacente ao
concelho de Matosinhos implementado no âmbito deste trabalho e que permitiu
avaliar as plumas resultantes de cada um das descargas. São caracterizados
diferentes cenários simulados considerando diferentes caudais, concentrações
bacteriológicas e características de decaimento das espécies bacteriológicas
no meio marinho.

No Capitulo 7 são apresentadas as principais conclusões obtidas neste


trabalho. São identificadas as linhas de água com maior e menor caudal e que
apresentam pior qualidade da água. São ainda apresentadas sugestões para
desenvolvimentos futuros, destacando-se a proposta de execução de
campanhas de monitorização sistemáticas e com recolhas simultâneas nas
linhas de água e praias, a implementação de novas estruturas de by-pass em
determinadas linhas de água e a implementação de um modelo tridimensional
para a caracterização das plumas do rio Douro e do emissário submarino.

4
Cap. 2 │ Caracterização da Área em Estudo

2 - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O concelho de Matosinhos pertence à região do Douro Litoral e ao


distrito do Porto (Figura 2.1). Confronta a Sul com o concelho do Porto, a Norte
com o concelho de Vila do Conde, a Nascente com o concelho da Maia e a
Poente com o Oceano Atlântico.

Concelho de Matosinhos

Figura 2.1 – Localização da área de estudo.

Com uma área de 62.3 Km2, o concelho de Matosinhos corresponde a


cerca de 8% do território da Área Metropolitana do Porto (AMP).

Administrativamente está dividido em 10 freguesias urbanas:


Matosinhos, Senhora da Hora, S. Mamede Infesta, Leça do Balio, Custóias,
Guifões, Leça da Palmeira, Perafita, Santa Cruz do Bispo e Lavra.

5
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Matosinhos situa-se a pouca distância do rio Douro, mas fora da sua


bacia hidrográfica, pertencendo a maior parte do seu território à bacia
hidrográfica do rio Leça.

2.1 - Relevo
O relevo do concelho, pouco acentuado, elevando-se suavemente da
costa para o interior, atinge a cota máxima de 115 m no seu limite Sudeste, em
S. Mamede de Infesta (PDM Matosinhos, 1990). É mais acidentado junto ao rio
Leça e seus afluentes, com profundos sulcos por eles marcados, fazendo
avultar encostas e morros, bastante abruptos.

2.2 - Características oceanográficas – Batimetria e Estrutura de fundos


O concelho é limitado a Oeste pelo Oceano Atlântico. Esta frente
marítima apresenta uma extensão de 12 km, aproximadamente. A nível da
batimetria da plataforma costeira nesta fronteira, verifica-se que a isolinha
de -20.0 m apresenta um andamento com traçado sensivelmente paralelo à
linha de costa entre o limite norte do concelho e o porto de Leixões. Para sul
desta estrutura portuária a referida isolinha vai-se afastando gradual e
significativamente da linha de costa, adoçando-se o perfil da plataforma
(Figura 2.2).

A isolinha de –30.0 m apresenta um traçado sensivelmente constante


com direcção Norte/Sul, afastando-se gradualmente da isolinha dos –20,0 m a
partir da zona adjacente à praia do Paraíso.

6
Cap. 2 │ Caracterização da Área em Estudo

Figura 2.2 – Isolinhas batimétricas na plataforma adjacente ao concelho de


Matosinhos (INAG, 2006).

O traçado das isolinhas de cotas iguais ou inferiores a –10,0 m


apresentam zonas sucessivas de gradual aproximação e afastamento,
consoante, respectivamente, estejam frente a zonas de costa acidentada ou de
praia. É neste caso, significativo o afastamento dessa isolinha frente às praias
de Angeiras, Paraíso e Leça.

Nesta zona de costa, e apesar de não existirem dados concretos sobre a


matéria, é licito esperar que, fora da zona usual de rebentação, os fundos
apresentem uma estrutura de tipo misto com substrato rochoso sobre a qual
existe uma camada de areia de espessura variável (por vezes significativa, da
ordem de 1.5 m) e gradualmente para o largo os fundos sejam uniformes, de
areia, com dimensão uniformemente crescente (PDM Matosinhos, 1990).

7
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

2.3 - Clima
A temperatura média anual oscila entre 12,5 ºC e 15.0 ºC, reflectindo o
efeito moderador do oceano, atenuante das amplitudes térmicas (PDM
Matosinhos, 1990).

A pluviosidade média anual atinge valores entre 1000 mm e 1200 mm,


sendo os dias do ano com precipitação igual ou superior a 1 mm, de 70 a 100
dias.

Os períodos de insolação têm uma duração elevada, oscilando entre


2500 e 2600 horas/ano de exposição solar, equivalentes à média de 7
horas/dia, à excepção das zonas interiores e de maior altitude, pela existência
de maior nebulosidade. A radiação solar apresenta valores entre 145 e 150
Kcal/cm2, o que, conjugada com a insolação, contribui para as boas condições
do concelho como local de veraneio.

A humidade do ar é elevada pela proximidade do oceano Atlântico, com


valores médios entre 80% e 85%.

Pela presença do Atlântico, tem vento predominante do quadrante


Oeste, seguindo-se o do Leste e do Norte, depois o do Sudoeste e do Noroeste
e, por último, o do Sul e do Sueste.

O concelho apresenta características gerais de zona costeira, é


temperado, tem condições de salubridade, excepto nas encostas mal insoladas
voltadas a Norte e em pequenas áreas de terrenos baixos e alagadiços. A zona
litoral é mais afectada pelos ventos de Noroeste no Verão e de Sudoeste no
Inverno.

2.4 - Geologia
A área em estudo é de difícil caracterização geológica visto que é
densamente urbanizada, encontrando-se muito alterada e consequentemente
muito aplanada, com um coberto vegetal bastante espesso.

8
Cap. 2 │ Caracterização da Área em Estudo

A toalha freática encontra-se a um nível elevado, causando por vezes


problemas, nomeadamente quando a natureza do terreno não permite o seu
total escoamento, diminuindo a resistência do solo para construções,
fundações e leitos de estrada. (PDM Matosinhos, 1990).

2.5 - Demografia
De acordo com os dados dos sensos de 2001 (INE, 2001), existiam até
aquela data 160232 habitantes residentes no concelho de Matosinhos, com
77529 homens e 82703 mulheres. Estes estão distribuídos por 56195 famílias.
De acordo com os mesmos sensos, existem no concelho 65535 alojamentos e
32610 edifícios.

Na Figura 2.3 é verificável que no período entre 1994 e 2001 todas as


freguesias, à excepção de Santa Cruz do Bispo, Matosinhos e Guifões
aumentaram a sua população o que indica que é um concelho em claro
crescimento demográfico. (os dados apresentados nesta figura são
apresentados no Anexo I).

35.000

30.000

25.000
População

20.000
Total-1994
Total- 2001
15.000

10.000

5.000

0
a

po
s

a
ra
es

io
s

ita

st
ho

or
ia

vr

al

is
ei

fe

af

H
La

in
B

lm

B
In
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os

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G

Pa

ru
C

at

ed
Le

ra

C
ça

am
S

ta
Le

an
.M

S
S

Freguesias

Figura 2.3 – População residente no concelho de Matosinhos (sensos de


2001).

9
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

2.6 - Perfil Industrial


O concelho de Matosinhos, fortemente industrializado e urbanizado,
apresenta um tecido produtivo relativamente diversificado. Diversos sectores
industriais estão presentes, tais como lacticínios, indústria conserveira,
manutenção e reparação de automóveis, transportes, comércio de combustível,
produtos têxteis, transformação e fundição de metais.

A indústria conserveira era, até há alguns anos atrás, o principal sector


industrial do concelho de Matosinhos, sobrevivendo actualmente apenas cinco
indústrias conserveiras.

A Petrogal (refinaria, armazenagem e transformação de combustíveis) é


ainda a indústria de maior dimensão no concelho. Para além desta existem
outras indústrias como a Unicer, Jomar, Lactogal, Efacec, Inapal, MBO-Binder,
Novinco de grandes dimensões.

2.7 – Drenagem de águas residuais


O Plano Director de Drenagem e Tratamento de Águas Residuais
(PDDTAR) de Matosinhos (IHRH, 1990) define a cobertura com rede de águas
residuais de todo o concelho incluindo o conjunto de redes de colectores,
emissários, estações elevatórias, ETAR e exutor submarino.

Na aplicação do plano anteriormente citado foram implementados, até


2005, cerca de 60.000 metros de colectores e 6 estações elevatórias, para
assegurar a drenagem das águas residuais, utilizando diferentes emissários.

O plano está subdividido em 28 bacias de drenagem, que afluem aos


diferentes emissários que por sua vez estão ligados à ETAR.

A solução implementada no concelho para tratamento das águas


residuais (PROCESL, 1991) foi a construção de uma ETAR, situada em Leça
da Palmeira, a norte do farol da Boa Nova, a qual ocupa uma área de 18000m2,
com reserva de 24000 m2. A reserva servirá para a eventual necessidade de
incremento do grau de tratamento. A rejeição das águas residuais tratadas é

10
Cap. 2 │ Caracterização da Área em Estudo

feita no mar através de um emissário submarino com cerca de 2800 m,


localizado em frente da respectiva ETAR.

O tratamento implementado é de nível primário, capacitado para águas


residuais domésticas e industriais, sendo que estas últimas só são admitidas
no sistema desde que compatíveis com o mesmo.

Três grandes emissários (Litoral Norte, Leça e Matosinhos) conduzem


as águas residuais brutas à obra-de-entrada, onde estas são sujeitas a uma
gradagem mecânica (Figura 2.4).

Figura 2.4 – ETAR de Matosinhos: obra de entrada.

Os resíduos sólidos retirados neste processo são encaminhados para


Aterro Sanitário.

A medição do caudal, em canal Parshall, precede a operação de


desarenação/desengorduramento a qual permite a remoção das areias e a
raspagem superficial de gorduras, que são transportadas à superfície por meio
de injecção de ar comprimido através de difusores (Figura 2.5).

11
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Figura 2.5 – ETAR de Matosinhos: órgão de desarenação/desengorduramento.


À esquerda na fase de construção à direita em pleno funcionamento.

Estes subprodutos regressam à obra-de-entrada para serem


desidratados e posteriormente encaminhados para aterro sanitário. As águas
residuais provenientes da desidratação regressam à cabeça do tratamento.

A etapa seguinte promove o tratamento físico propriamente dito, através


de quatro decantadores lamelares, que promovem a decantação da matéria
orgânica, dimensionada para uma redução de cerca de 60% de sólidos em
suspensão e de 30% de carência bioquímica de oxigénio (Figura 2.6).

Figura 2.6 – ETAR de Matosinhos: decantador. À esquerda na fase de


construção à direita em pleno funcionamento.

A fase líquida é, quando assim se justifique, encaminhada para o tanque


de cloragem onde se procede à desinfecção do efluente, seguindo depois para
a câmara de carga que alimenta o emissário submarino.

12
Cap. 2 │ Caracterização da Área em Estudo

A fase sólida composta pelas lamas sedimentadas nos decantadores é


elevada para dois espessadores de planta circular, nos quais se reduz o seu
teor de humidade (Figura 2.7). Os sobrenadantes regressam à cabeça do
tratamento.

Figura 2.7 – ETAR de Matosinhos: espessador de lamas.

Depois de espessadas, estas lamas são bombeadas para o edifício de


desidratação, sendo sujeitas a prévia adição de polielectrólito de forma a
aumentar o rendimento da operação seguinte.

Por intermédio de equipamento de centrifugação as lamas sofrem uma


redução muito significativa do teor de humidade, de modo que a concentração
de sólidos rondará os 35%. A água resultante deste processo regressa à
cabeça do tratamento.

Finalmente, às lamas é adicionada cal viva, de forma a estabilizá-las


quimicamente, para que sejam transportadas ao seu destino final, o aterro
sanitário.

13
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

2.8 – Controlo da qualidade das águas das infra-estruturas balneares


A extensa frente marítima constitui um recurso de enorme valia para o
concelho dadas as potencialidades das inúmeras praias existentes no litoral
(Figura 2.8).

Praias

Figura 2.8 – Praias do concelho de Matosinhos.

No entanto, a ocupação intensiva do litoral tem como consequência a


alteração do regime hidrológico das linhas de água costeiras e a modificação
da sua qualidade devido à descarga de águas residuais sem tratamento. As
águas costeiras receptoras de águas interiores sofrem alterações de qualidade
podendo alterar-se a sua aptidão para os usos mais exigentes.

O uso balnear, é sem dúvida, um dos usos mais exigentes. Este é


regulado pela directiva comunitária 76/160/CEE, de 8 de Dezembro de 1975,
inicialmente transposta para o direito nacional pelo DL 74/90, revogado pelo DL
236/98, de 1 de Agosto. A directiva entrou em vigor em 1993. As normas de

14
Cap. 2 │ Caracterização da Área em Estudo

qualidade das águas balneares têm por finalidade preservar estas águas da
poluição e proteger o ambiente e saúde pública.

De acordo com as disposições da directiva as autoridades competentes,


em cada estado membro, deverão estabelecer e implementar programas de
monitorização nas zonas balneares designadas para esse efeito junto da
comissão, ou naquelas que se pretende vir a designar.

O programa de monitorização assenta nos seguintes requisitos: (DL


236/98)

- A amostragem começa duas semanas antes do início da época


balnear, que decorre de 1 de Junho a 30 de Setembro de cada ano; a recolha
de amostras deve continuar durante toda a época balnear, com uma frequência
mínima quinzenal;

- As colheitas devem realizar-se nos locais em que a densidade média


diária de banhistas é mais elevada, de preferência 30 cm abaixo da superfície
de água, com excepção das amostras para análise dos óleos minerais, que
serão colhidos à superfície.

- A classificação das zonas balneares é realizada de acordo com os


resultados do controlo analítico de alguns parâmetros; são eles os parâmetros
bacteriológicos (coliformes totais e coliformes fecais) e os parâmetros físico-
químicos (óleos minerais, substâncias tensioactivas e fenóis).

As águas balneares consideram-se em conformidade com a norma de


qualidade do respectivo decreto se satisfizerem os seguintes parâmetros:

- Em 95% das amostras, relativamente aos parâmetros conformes ao


VMA (Valor máximo admissível).

- Em 90% das amostras nos restantes casos e se:

Para os 5%, 10% ou 20% das amostras que, consoante o caso, não
estão conformes, se verifique, cumulativamente que:

15
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

- Os valores dos parâmetros não apresentam desvio superior a 50% do


valor dos parâmetros em questão, excepto no que se refere ao PH, ao oxigénio
dissolvido e aos parâmetros biológicos;

- Os valores dos parâmetros nas amostras de água colhidas


consecutivamente, em intervalos de tempo estatisticamente adequados, não se
desviam, sistematicamente, dos valores paramétricos que lhes correspondem
na norma da qualidade. No Quadro 2.1 apresentam-se os valores definidos no
DL 236/98.

Quadro 2.1 – Valores máximos recomendados e admissíveis.

Compete às autoridades de saúde coordenar as acções de vigilância


sanitária que consistem em:

- Avaliar as condições de segurança e funcionamento das instalações


envolventes das zonas balneares;

- Realizar análises que complementem a avaliação da qualidade da


água das zonas balneares de acordo com os métodos de referência;

- Realizar estudos orientados para a avaliação de factores de risco,


quando justificados pelos dados ambientais ou epidemiológicos;

- Avaliar do risco para a saúde da qualidade das águas balneares.

Quando se constate que a qualidade das águas põe em risco a saúde, o


director regional de saúde interdita, no âmbito de competência própria, o uso
dessas águas para fins balneares, e para isso deve ter conhecimento imediato

16
Cap. 2 │ Caracterização da Área em Estudo

dos resultados das análises, previamente à publicação dos mesmos,


notificando deste facto a direcção regional do ambiente e ainda a autoridade
marítima, no caso de águas balneares abrangidas pelo regulamento de
assistência a banhistas nas praias.

Compete às comissões de coordenação regional:

- Examinar periodicamente as bacias hidrográficas a montante das


águas balneares, tendo em vista determinar o volume e a natureza de todas as
descargas poluentes ou potencialmente poluentes, os respectivos dados
geográficos e topográficos, em função da distância que as separa das zonas
balneares, bem como os efeitos destas na qualidade da água;

- Realizar análises suplementares sempre que se revelar a existência ou


a probabilidade de descargas de substâncias susceptíveis de diminuir a
qualidade da água balnear ou quando exista qualquer outra razão que faça
suspeitar de uma diminuição da sua qualidade.

Neste trabalho são apresentados valores referentes às análises da


qualidade de água balnear efectuados entre os anos de 1999 e 2005.

17
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

18
Cap. 3 │ Sistema de Informação

3 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Os sistemas de informação integram e permitem gerir dados


georeferenciados e informação alfanumérica numa plataforma de visualização
o que permite uma maior eficiência na análise de problemas espaciais
(MATOS, 2001). Numa fase inicial deste trabalho procedeu-se a uma
compilação da informação relevante e sua organização num Sistema de
Informação (SI), especialmente desenvolvido para o efeito.

Com o SI desenvolvido (Rodrigues e Pinho, 2005), pretendeu-se


efectuar a sistematização de toda a informação necessária à caracterização
das águas interiores afluentes à orla costeira do concelho de Matosinhos e de
suporte à criação de modelos matemáticos, que permitam avaliar o impacto
das suas descargas nas águas costeiras utilizadas para fins balneares.

A informação de base foi organizada em bases de dados nos formatos


originais e sempre que se revelou necessário recorreu-se a uma aplicação
desenvolvida para o efeito em que se realizaram as tarefas de processamento
necessárias, para a sua incorporação nos diferentes componentes do SI.

A exportação e importação destas informações pode ser feita através de


diferentes formatos, sendo o formato DXF (Data Exchange Format) o mais
utilizado durante o desenvolvimento deste trabalho.

3.1 – CONTEÚDOS TEMÁTICOS


Os temas incluídos no SI estão organizados em sete conjuntos distintos:
linhas de água, bacias hidrográficas, praias, emissários e interceptores,
estações elevatórias, pontos de amostragem e estruturas de by-pass.
Apresenta-se a seguir uma descrição mais detalhada do conteúdo de cada um
dos temas considerados neste trabalho.

19
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

3.1.1 – Linhas de água


O tema linhas de água inclui informações relativas aos principais
ribeiros, rios, colectores de águas pluviais e águas residuais afluentes à orla
costeira de Matosinhos. Para cada linha de água foram recolhidos dados como
a sua localização espacial, extensão, inclinação e caudais.

Foram considerados neste trabalho dezassete linhas de água (Figura


3.1). São incluídos os ribeiros da Certagem, do Corgo, de Pampelido, da
Agudela, de Joane, da Guarda, da Petrogal, da Boa Nova, do Sardoal, da
Riguinha, de Carcavelos e do Castelo Queijo. São ainda considerados dois
rios, o rio Onda que faz fronteira a norte com o concelho de Vila do Conde e o
rio Leça cuja nascente se localiza fora do concelho. São ainda incluídos neste
tema duas descargas directas na orla costeira de redes de drenagem de águas
pluviais, que se supõe conterem também águas residuais e o emissário
submarino que se situa em frente à refinaria da Petrogal.

1
N
2
3

5 1 – Rio Onda
6 2 –AP antigo centro saúde de Lavra
7 3 – Ribeiro da Certagem
8 4 – Ribeiro do Corgo
5 – Ribeiro da Agudela
9
6 – Ribeiro de Pampelido
10
7 – Ribeiro de Joane
11 8 – AP frente à Rua Ocidental
9 – Ribeiro da Guarda+Ribeiro Petrogal
12
10 – Emissário Submarino
11 – Ribeiro da Boa Nova
13
12 – Ribeiro do Sardoal
13 – Rio Leça
14
14 – Ribeiro da Riguinha e Carcavelos
15
15 – Ribeiro do Castelo do Queijo

Figura 3.1 – Linhas de água afluentes à orla costeira de Matosinhos.

20
Cap. 3 │ Sistema de Informação

As descargas no mar das diferentes linhas de água em estudo são


efectuadas nas seguintes freguesias de Matosinhos:

- Na freguesia de Lavra desaguam o Rio Onda, Águas pluviais em frente


antigo centro de saúde de Lavra, Ribeiro da Certagem (também designado
como ribeiro da Carreira ou da Cernagem), Ribeiro do Corgo, Ribeiro da
Agudela (também designado por Rio da Bouça) e Ribeiro de Pampelido
(também designado por ribeiro do Marreco).

- Na freguesia de Perafita o ribeiro de Joane, Águas pluviais da rua


Ocidental, Ribeira da Guarda, Emissário submarino e Ribeiro da Boa Nova
(também com as designações de Ribeiro da Amorosa ou Ribeiro da Adega
Amarela).

- Na freguesia de Leça Palmeira o Ribeiro do Sardoal e Rio Leça.

- Na freguesia de Matosinhos o Ribeiro da Riguinha e o Ribeiro de


Carcavelos.

À semelhança do que acontece com muitas linhas de água do território


nacional, a deficiente qualidade do meio hídrico constitui o problema que mais
conflitos gera na preservação, manutenção e ordenamento da rede hidrográfica
da zona litoral do concelho de Matosinhos. A degradação das linhas de água
no concelho de Matosinhos deve-se, segundo o IHRH (2001), às seguintes
situações:

- Existência de descargas de águas residuais directamente para as


linhas de água uma vez que a rede de águas residuais ainda não se encontra
totalmente construída (a rede separativa actual apresenta uma cobertura de
cerca de 75% da totalidade da rede prevista);

- Existência de ligações indevidas de águas residuais para a rede de


águas pluviais, dado que se verifica que nas épocas de estiagem é notório o
escoamento de águas residuais domésticas e industriais em colectores de
águas pluviais;

21
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

- Existência de habitações muito próximas das linhas de água com


eventuais ligações de águas residuais directamente para as mesmas;

- Proliferação de linhas de água subterrâneas ou cobertas com


diferentes tipos de estruturas, cujo traçado é desconhecido e em que ocorrem
eventuais descargas de águas residuais;

- Deposição de detritos na linha de água, devido a maus hábitos cívicos


por parte dos cidadãos;

- Degradação das margens através da construção desordenada de


diversas estruturas nos leitos das linhas de água.

A grande pressão urbana existente neste concelho deu origem a


diversas intervenções nos cursos de água provocando muitos dos problemas
atrás mencionados. Poucos são os cursos de água que não têm algum troço
modificado, ou de algum modo artificializado, favorecendo o aparecimento de
problemas relacionados com situações de descargas ilegais.

[Link] – Rio Onda


Este rio desagua na fronteira entre Vila do Conde e Matosinhos
exactamente a norte da Praia de Angeiras Norte (Figura 3.2). A sua bacia
hidrográfica estende-se na sua maioria em território do concelho de Vila do
Conde, concelho esse que não dispõe de estações de tratamento de águas
residuais, encontrando-se numa situação de carência significativa quanto à
cobertura da rede separativa de águas residuais.

22
Cap. 3 │ Sistema de Informação

Rio Onda

Figura 3.2 – Localização e foz do Rio Onda.

A freguesia de Labruje, freguesia do concelho de Vila do Conde que se


situa imediatamente a norte da de Lavra, drena a quase totalidade das suas
águas residuais para uma estação elevatória que se encontra na margem deste
rio, mais concretamente junto à sua foz, a qual dispõe de uma saída de
emergência ligada ao mesmo. Sempre que ocorre qualquer avaria na estação
elevatória todo este efluente é descarregado para este rio.

[Link] – Descarga de águas pluviais em frente ao antigo centro de saúde


de Lavra
Trata-se de um colector de águas pluviais com cerca de 200 m de
comprimento que descarrega no mar a sul da praia de Angeiras Norte (Figura
3.3).

23
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

N
Descarga de águas pluviais

Descarga de águas pluviais

Figura 3.3 – Descarga de águas pluviais em frente ao antigo centro de saúde


de Lavra.

A esta descarga de pequenas dimensões, não estão ligadas em épocas


de estiagem quaisquer águas residuais, devido ao by –pass situado a montante
da descarga.

A área de influência deste colector pluvial é de cerca de 0.72 Km2 e


desenvolve-se num território que tem sido progressivamente urbanizado.

[Link] - Ribeiro da Certagem


Este ribeiro tem uma extensão de cerca de 5.1 Km apresentando-se
pouco ramificado. Quase se resume à linha de água principal. A sua foz situa-
se no lugar do Funtão na praia de Angeiras Sul (Figura 3.4).

24
Cap. 3 │ Sistema de Informação

Ribeiro da Certagem

Figura 3.4 – Localização e foz do Ribeiro da Certagem.

Antes de desaguar no mar, este ribeiro atravessa a Avenida da Marginal,


perto da estação elevatória de águas residuais do Emissário do Litoral Norte, a
qual tem a sua descarga de emergência ligada ao ribeiro.

A bacia hidrográfica deste ribeiro tem uma forma alongada,


apresentando baixa densidade de drenagem sendo o seu relevo pouco
acentuado, estendendo-se ao longo de aproximadamente 6 km2 onde se
incluem as povoações de Paiço, parte de Cabanelas, Antela, Lavra e parte de
Angeiras.

A bacia hidrográfica do ribeiro da Certagem, apesar de estar integrada


numa zona com características progressivamente mais urbanas, ocupa uma
área que ainda mantém muitas características rurais. Os limites da bacia
situam-se entre o aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde recebe a descarga
final da ETAR que serve o aeroporto e a povoação de Lavra.

25
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

[Link] - Ribeiro do Corgo


Esta linha de água foi totalmente artificializada. Apresenta um
desenvolvimento de 900 m, aproximadamente, tendo sido transformada num
colector de águas pluviais que drena para a Praia do Corgo (Figura 3.5).

Ribeiro do Corgo

Figura 3.5 – Localização e foz do Ribeiro do Corgo.

O ribeiro do Corgo foi praticamente todo incluído na rede de drenagem


de águas pluviais da povoação do Corgo. O único trecho que ainda se mantém
sem grandes alterações corresponde a um pequeno canal que atravessa uns
campos de cultivo, o qual só tem caudal em ocasiões de precipitação intensa.

A descarga de águas pluviais efectua-se para a praia com um traçado


que corresponde à embocadura do antigo percurso do ribeiro, antes do mesmo
ter sido canalizado. Actualmente os caudais rejeitados na praia não
correspondem somente a águas pluviais. Apesar das redes de águas residuais
desta pequena bacia estarem concluídas, a inspecção visual do efluente
descarregado e que atravessa a praia indicia a existência de descargas de
águas residuais ilícitas na rede de águas pluviais.

26
Cap. 3 │ Sistema de Informação

A sua bacia hidrográfica tem uma área de 1.88 Km2, desenvolvendo-se


em território que tem vindo a ser progressivamente urbanizado.

[Link] - Ribeiro da Agudela ou Rio da Bouça


O ribeiro da Agudela apresenta uma extensão reduzida de cerca de 1,3
Km2 apresentando-se pouco ramificado e com baixa densidade de drenagem
sendo a sua foz localizada a sul da praia da Agudela (Figura 3.6).

Ribeiro da Agudela

Figura 3.6 – Localização e foz do Ribeiro da Agudela.

O ribeiro da Agudela percorre parte da freguesia de Lavra e vai


desaguar entre a praia da Agudela e a praia do Marreco. A bacia hidrográfica
abrange parte dos lugares de Gandra, Picoutos e Agudela e encontra-se
medianamente urbanizada.

A jusante da rua da Agudela, a linha de água apresenta detritos nas


margens e leito e muita vegetação infestante que conferem um aspecto
degradado à sua embocadura.

27
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

A bacia hidrográfica deste ribeiro ocupa cerca de 1.79 Km2 e tem uma
forma alongada e com um relevo pouco acidentado.

[Link] - Ribeiro de Pampelido ou Ribeiro do Marreco


O ribeiro resume-se a uma linha de água, de pouco mais de 500 metros
de comprimento, que recebe algum caudal proveniente da rede de drenagem
de águas pluviais localizando-se a sua foz junto à praia do Marreco (Figura
3.7).

Ribeiro do Pampelido

Ribeiro de Pampelido

Figura 3.7 – Localização e foz do Ribeiro de Pampelido.

O ribeiro de Pampelido atravessa a Rua D. Pedro IV, sendo este


atravessamento realizado através de uma conduta que passa por baixo de uma
habitação e segue com um trecho de canal a céu aberto até uma câmara de
grades. O trecho posterior à câmara de grades só se identifica na praia onde é
visível a conduta de descarga final.

No trecho de canal aberto não se escoa actualmente nenhum caudal.


Este facto deve-se à intervenção dos SMAS de Matosinhos em 2004 que

28
Cap. 3 │ Sistema de Informação

consistiu na instalação de uma estrutura de by-pass junto à Rua D. Pedro IV


que desviou a totalidade do caudal que afluía à orla costeira para a rede de
águas residuais.

A bacia hidrográfica deste ribeiro com cerca de 0.63 Km2 limita-se à


povoação de Pampelido. O ribeiro desagua na praia do Marreco.

[Link] - Ribeiro de Joane


A linha de água principal, com uma extensão de cerca de 3,7 Km,
encontra-se canalizada na sua extensão total. A sua foz localiza-se na praia do
Paraíso junto à estação elevatória do Cabo do Mundo (Figura 3.8).

Ribeiro de Joane

Ribeiro de Joane

Figura 3.8 – Localização e foz do Ribeiro de Joane.

Drenam para o ribeiro as zonas da Telheira, Freixieiro, Farrapas,


Padrão, Telheira, Montedouro, Guarda, Santa Cruz do Bispo, Perafita e, ainda,
uma parte do aeroporto Francisco Sá Carneiro. A densidade populacional,
relativamente alta, a existência de uma intensa infra-estrutura rodoviária e de
grandes superfícies destinadas a unidades industriais, faz com que esta bacia

29
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

esteja, na sua maior parte, impermeabilizada e que as linhas de águas estejam,


em grande parte artificializadas.

A bacia hidrográfica deste ribeiro ocupa uma área de cerca de 6.53 Km2
caracterizando-se em termos fisiográficos por ter uma forma arredondada e
relevo pouco acentuado.

[Link] – Descarga de águas pluviais da Rua Ocidental


Trata-se de um colector de águas pluviais com cerca de 300 m de
comprimento que descarrega no mar a cerca de 100 m a sul da praia do
Paraíso (Figura 3.9).

Descarga de águas pluviais

Descarga de águas pluviais

Figura 3.9 – Localização da descarga das águas pluviais da Rua Ocidental.

É relevante a consideração desta descarga dado que apesar de ter sido


instalado um colector de águas residuais paralelo ao pluvial na Rua Ocidental,
algumas das habitações ainda tem os seus efluentes residuais ligados ao
colector pluvial que descarrega na praia. Para eliminar esta descarga foi

30
Cap. 3 │ Sistema de Informação

instalada uma estrutura de by-pass no final da Rua Ocidental que desvia as


águas pluviais para o colector de águas residuais da Rua de Almeiriga Norte.

A área de influência deste colector pluvial é de 0.29 Km2, apresentando


uma inclinação acentuada no sentido Poente.

[Link] - Ribeiro da Guarda


O Ribeiro da Guarda apresenta uma extensão de 2.6 Km, desaguando
na praia do Cabo do Mundo junto à foz do Ribeiro da Petrogal (Figura 3.10). O
seu percurso foi completamente alterado, tendo sido parte do seu caudal
desviado para a rede de águas pluviais após o desvio do seu percurso dos
terrenos da Petrogal.

Ribeiro da Guarda

Ribeiro da Guarda

Figura 3.10 – Localização e foz do ribeiro da Guarda.

Actualmente, a linha de água só mantém dois trechos com escoamento


em canal a céu aberto, estando os restantes canalizados. Um dos trechos tem
cerca de 500 m de comprimento e localiza-se a montante da rua da Guarda e o
outro corresponde ao trecho final da linha de água que vai desaguar à praia do

31
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Cabo do Mundo, junto ao campo de futebol do grupo desportivo de Aldeia


Nova.

A bacia hidrográfica deste ribeiro ocupa uma área de aproximadamente


1 km2, abrangendo o lugar de Almeiriga e parte dos terrenos ocupados pela
refinaria da Petrogal.

[Link] – Ribeiro da Petrogal


O ribeiro da Petrogal tem uma extensão de cerca de 300 m, desaguando
na praia do Cabo do Mundo junto à foz do Ribeiro da Guarda (Figura 3.11).

Ribeiro da Petrogal

Ribeiro da Petrogal

Figura 3.11 – Localização e foz do ribeiro da Petrogal.

A bacia hidrográfica deste ribeiro, com cerca de 1.33 Km2 encontra-se


totalmente incluída nos terrenos da Petrogal. A designação de ribeiro pode não
ser a mais correcta, dado que se trata de um colector de águas pluviais do
complexo petrolífero da Petrogal.

32
Cap. 3 │ Sistema de Informação

[Link] – Emissário submarino


O Emissário Submarino (Figura 3.12) foi concebido tendo em atenção a
capacidade regeneradora do meio receptor, o Oceano Atlântico, (IHRH, 1990)
garantindo-se de acordo com os ventos, correntes e marés em presença, a
qualidade de água adequada à utilização balnear, minimizando-se ainda os
impactos negativos na fauna e flora.

Emissário submarino

Emissário submarino

Figura 3.12 – Localização e bóia sinalizadora do emissário submarino.

Com um comprimento total de 2748.8 m, a partir da câmara de carga,


inclui o difusor com 320 m de extensão, é constituído por um túnel nos
primeiros 550 m, em anéis de betão de 1600 mm de diâmetro, a cuja
extremidade foi ligada a restante fracção, em polietileno de alta densidade, com
diâmetro nominal 1200 mm.

A descarga na zona de difusão, é efectuada a uma cota batimétrica


média de –27.0 m (referida ao zero hidrográfico).

33
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Este emissário serve a totalidade do concelho de Matosinhos, ou seja,


uma área de cerca de 62.3 Km2.

[Link] - Ribeiro da Boa Nova


Este ribeiro (também conhecido por Ribeiro da Amorosa ou Ribeiro da
Adega Amarela) tem uma extensão de 3,6 Km desenvolvendo-se
essencialmente em zona urbana, não sendo pois de estranhar o facto de se
encontrar artificializado em quase toda a sua extensão. Desagua a norte da
praia da Conchinha.

Ribeiro da Boa Nova

Ribeiro da Boa Nova

Figura 3.13 – Localização e foz do ribeiro da Boa Nova.

A foz do ribeiro está canalizada e a localização da descarga deixou de


ser em plena praia da Conchinha para passar a ser a cerca de 70 metros mais
a norte.

A bacia hidrográfica deste ribeira divide-se pelas freguesias de Perafita e


de Leça da Palmeira, ocupando uma área de 3.42 Km2, onde se incluem os

34
Cap. 3 │ Sistema de Informação

lugares de Monte Avó, Monte Espinho, Padrão, Amorosa e uma parte dos
terrenos da refinaria da Petrogal.

[Link] – Ribeiro do Sardoal


O Ribeiro do Sardoal apresenta um percurso cujo desenvolvimento é de
1,3 Km situando-se a sua foz a norte da piscina das marés de Leça da
Palmeira (Figura 3.14). Encontra-se totalmente artificializado, fruto das
sucessivas alterações a que foi sujeito devido ao desenvolvimento urbanístico
que se verifica na sua bacia hidrográfica.

Ribeiro do Sardoal

Ribeiro do Sardoal

Figura 3.14 – Localização e foz do ribeiro do Sardoal.

Este ribeiro recebe uma ligação de uma estrutura de by-pass de cheia,


ou seja, a ligação de um colector de águas residuais que descarrega para este
ribeiro em situações de escoamento de caudais de cheia. Esta situação pode
originar problemas na qualidade do efluente descarregado, tal como aconteceu
durante a amostragem desenvolvida no âmbito deste trabalho.

35
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

A sua bacia hidrográfica, com cerca de 0.36 Km2, encontra-se numa


zona fortemente edificada da freguesia de Leça da Palmeira.

[Link] - Rio Leça


O rio Leça (INAG, 2000) nasce no monte de Santa Luzia, a cerca de 420
m de altitude, percorrendo 48 km até à sua foz no Oceano Atlântico, com um
declive médio de 0.9% (Figura 3.15). Os principais afluentes do rio Leça são o
ribeiro do Arquinho e o ribeiro do Leandro, ambos afluentes da margem direita.

Rio Leça

Rio Leça

Figura 3.15 – Localização e foz do rio Leça no concelho de Matosinhos.

A bacia hidrográfica do rio Leça é confrontada a Norte pela bacia


hidrográfica do rio Ave e a Oriente e a Sul com a bacia hidrográfica do rio
Douro, tendo uma área de 185 km2.

A bacia engloba total ou parcialmente as áreas de jurisdição de 6


concelhos: Matosinhos, Maia, Porto, Santo-Tirso, Valongo e Vila do Conde.

A altitude média da bacia do rio Leça é de 145 metros, sendo de referir


que as áreas de altitude inferior a 200 m correspondem a cerca de 85% do total

36
Cap. 3 │ Sistema de Informação

da sua bacia. O sector mais elevado da bacia é o de montante, onde se atinge


o máximo de 531 metros. Esta bacia caracteriza-se por uma forte
industrialização nos concelhos de Matosinhos e Maia e, em menor escala, nos
concelhos de Valongo e Santo-Tirso, com a ocorrência de um número
significativo de grandes instalações industriais, com actividades particularmente
poluentes que, em muitos casos, ainda não dispõe de instalações de
tratamento de efluentes. Para além das grandes unidades, existe ainda um
elevado número de instalações de pequena/média dimensão, cuja situação em
termos de tratamento de efluente também é deficitária.

Este aspecto traduz-se na afluência ao meio hídrico de uma grande


carga poluente com origem industrial. É também de salientar a insuficiência
generalizada de elementos relativos à caracterização dos efluentes industriais.

A monitorização da qualidade das águas superficiais nesta bacia


hidrográfica, que apenas se iniciou em Janeiro em 1994, incide sobre quatro
locais de amostragem no rio Leça, e está a cargo da Comissão de
Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. A rede de monitorização
existente tem um reduzido número de locais de amostragem e não contempla
um número considerável de parâmetros relevantes.

Sobre a evolução da situação quanto à qualidade da água na área do


Plano de Bacia Hidrográfica do Leça, salientam-se os seguintes aspectos
fundamentais relativamente aos anos recentes:

- A situação agrava-se claramente de montante para jusante e, com


excepção da estação mais a montante, tem vindo a degradar-se
progressivamente ao longo dos últimos anos em relação a vários parâmetros
(condutividade, oxigénio dissolvido, azoto amoniacal, fosfatos e sobretudo
coliformes fecais).

- A situação, mais gravosa na época de seca, tem-se tornado


particularmente critica nas duas estações de jusante.

37
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

- Apesar da construção do emissário do rio Leça dentro do concelho de


Matosinhos, e do esforço para eliminar ligações directas ao rio, não é possível
controlar a qualidade da água que entra no concelho.

[Link] - Ribeiro da Riguinha


O ribeiro da Riguinha (Hidrofunção, 2000) tem a sua nascente na fonte
das Sete Bicas e percorre cerca de 3.8 Km para desaguar a sul da praia de
Matosinhos conjuntamente com o ribeiro de Carcavelos (Figura 3.16).

Ribeiro da Riguinha

Ribeiro da Riguinha

Figura 3.16 – Localização e foz do ribeiro da Riguinha.

Este ribeiro encontra-se canalizado em quase todo o seu percurso. A


sua canalização é materializada por diferentes tipos de materiais (PVC, grés,
granito e betão) sendo utilizadas diferentes dimensões de secção transversal
(1.5x1.0 m2, 1.6x1.0 m2, 1.4x0.7 m2, 1.4x0.5 m2, 0.6x0.5 m2, entre outras).

Uma inspecção realizada ao curso do ribeiro (Geoworks, 2002) revelou a


existência de 103 interferências, tendo sido considerado que 20 dessas
ligações eram poluidoras.

38
Cap. 3 │ Sistema de Informação

A sua bacia hidrográfica desenvolve-se por uma área de 3.11 Km2 na


sua quase totalidade em ambiente urbanizado de elevada densidade de
ocupação.

[Link] - Ribeiro de Carcavelos


O ribeiro de Carcavelos (Figura 3.17) tem a sua nascente junto à feira
da Senhora da Hora e percorre cerca de 2.8 Km para atingir a sua foz
(Hidrofunção, 2000), a sul da praia de Matosinhos juntamente com o ribeiro da
Riguinha.

Ribeiro de Carcavelos

Ribeiro de Carcavelos

Figura 3.17 – Localização e foz do ribeiro de Carcavelos.

Este ribeiro também se encontra canalizado em quase todo o seu


percurso. A sua canalização é feita com diferentes materiais (PVC e betão) e
utiliza diferentes secções transversais (1.5x1.0 m2, 1.6x1.0 m2, 1.4x0.7 m2,
1.4x0.5 m2, 0.6x0.5 m2, entre outras).

39
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Numa inspecção realizada ao seu curso (Geoworks, 2002) foram


detectadas 80 interferências considerando-se que 7 dessas interferências eram
poluidoras.

A bacia hidrográfica com uma área de 2.60 Km2 desenvolve-se na sua


quase totalidade em ambiente fortemente urbanizado.

[Link] – Ribeiro do Castelo do Queijo


Este ribeiro tem todo o seu percurso bem como a sua descarga no
concelho do Porto, na baia artificial formada pela barra da doca de Matosinhos
(Figura 3.18). A sua proximidade a uma das praias mais importantes do
concelho de Matosinhos justificou a sua inclusão neste trabalho. A sua foz,
bem como parte do seu percurso, foi alterada aquando da construção do
parque de estacionamento na praça do Império em 2001, no âmbito das
empreitadas executadas aquando do Porto 2001 capital europeia da cultura.

Ribeiro do Castelo do Queijo


Ribeiro do Castelo do Queijo

Figura 3.18 – Localização e foz do ribeiro do Castelo do Queijo.

40
Cap. 3 │ Sistema de Informação

[Link] – Rio Douro


Pela importância que apresenta em termos de condicionamento das
condições de circulação e transporte nas águas costeiras do concelho de
Matosinhos, considerou-se pertinente a inclusão do rio Douro na análise de
alguns aspectos desenvolvidos neste trabalho.

O rio Douro (INAG, 2001) nasce na serra de Urbion (Cordilheira Ibérica)


a cerca de 1700 m de altitude. Ao longo do seu curso de 927 km (o terceiro
maior entre os rios da Península Ibérica, depois do Tejo e do Ebro) até à foz no
Oceano Atlântico, junto à cidade do Porto, atravessa o território espanhol numa
extensão de 597 km. Seguidamente serve de fronteira ao longo de 122 km,
sendo os últimos 208 km percorridos em Portugal.

A área total abrangida pela Bacia Hidrográfica do Rio Douro é de 18643


km2 ocupando a parte Portuguesa da bacia hidrográfica do rio Douro 19.1% do
total (97603 km2).

Esta região é confrontada a noroeste pela faixa litoral que se desenvolve


a sul do Rio Leça, onde se insere o Rio Onda, a norte pelas bacias
hidrográficas dos rios Leça, Ave e Cávado, a este pela parte espanhola da
bacia do Douro, a sul pelas bacias hidrográficas dos rios Vouga, Mondego e
Tejo e a oeste pelo Oceano Atlântico.

3.1.2 – Bacias hidrográficas


A delimitação das bacias hidrográficas dos rios e ribeiros foi realizada
com base num trabalho anterior (IHRH, 2000), e recorrendo a cartografia
existente nos SMAS de Matosinhos. A delimitação da bacia hidrográfica do rio
Leça e do rio Onda foi efectuada a partir de informação recolhida,
respectivamente, no Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (IA,
2005) e no INAG, (2001).

Na Figura 3.19 são apresentadas as bacias hidrográficas dos rios,


ribeiros e descargas de águas pluviais do concelho de Matosinhos. Não foi
incluída na figura a bacia hidrográfica do ribeiro do Castelo do Queijo por não

41
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

ter sido possível obter essa informação. Também não é apresentada na figura
a extensão de toda a bacia hidrográfica do rio Leça (cerca de 197 km2).

N Área da bacia
hidrográfica
ID Designação (Km2)
1 Ribeiro da Riguinha 3.1
15
2 Ribeiro de Carcavelos 2.6
3 Ribeiro da Riguinha e Carcavelos 0.1
14 4 Rio Leça 197456.8
5 Ribeiro Sardoal 0.4
6 Ribeiro da Boa Nova 3.5
13 7 Ribeiro da Petrogal (Águas pluviais) 1.3
8 Ribeiro da Guarda 1.0
12 9 Águas pluviais ( Rua Ocidental) 0.3
10 Ribeiro de Joane 6.9
11 Ribeiro de Pampelido 1.4
11 12 Ribeiro da Agudela 1.9
13 Ribeiro do Corgo 1.9
10
14 Ribeiro da Certagem 5.7
15 Colector unitário (antigo centro de saúde) 0.7
9
8
7
6

5
4

2
1

Figura 3.19 – Delimitação das bacias hidrográficas das linhas de água.

Considerando unicamente as bacias que pertencem ao concelho de


Matosinhos verifica-se que as bacias dos ribeiros de Joane (6.9 km2) e
Certagem (5.7 km2) são as de maior dimensão e as dos ribeiros da Petrogal
(1.3 km2), da Guarda (1.032 km2), do colector unitário em frente ao antigo
centro de saúde de Lavra (0.7km2) e a das águas pluviais da Rua Ocidental
(0.294 km2) as que apresentam menor dimensão.

Para cada uma das bacias consideradas foi estimada a população


residente, tendo por base os dados do INE (2001) e admitindo que a densidade
populacional é uniforme em cada uma das freguesias (Quadro 3.1).

42
Cap. 3 │ Sistema de Informação

Constatamos assim que as bacias mais densamente povoadas são as


dos ribeiros da Riguinha depois a de Carcavelos seguida pela do ribeiro do
Sardoal.

No Quadro 3.1 podemos ainda verificar qual a população estimada para


cada uma das bacias sendo a bacia hidrográfica do ribeiro da Riguinha e
Carcavelos com cerca de 15500 habitantes a mais povoada.

Quadro 3.1 – Estimativa da população residente nas bacias hidrográficas.

3.1.3 – Praias
A zona balnear de Matosinhos inclui quinze praias: Angeiras Norte,
Angeiras Sul, Funtão, Corgo, Agudela, Quebrada, Marreco, Memória, Paraíso,
Cabo do Mundo, Aterro, Conchinha, Senhora, Leça e Matosinhos (Figura
3.20).

A delimitação das praias foi realizada a partir dos ortofotomapas do


concelho. Embora os limites das praias apresentem um carácter dinâmico,
apresentando variações a diferentes escalas temporais, o contorno definido
representa uma aproximação razoável à realidade actual dado não se terem
verificado alterações substanciais desde a data em que foram obtidos os
ortofotomapas.

43
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

N
1

4
5
6
7
8
ID Nome Area (m2)
9 1 Praia de Angeiras Norte 45594
2 Praia de Angeiras Sul 82368
10 3 Praia do Funtão 57806
11 4 Praia do Corgo 119006
5 Praia da Agudela 73252
12 6 Praia da Quebrada 24211
7 Praia do Marreco 13821
13 8 Praia da Memória 80097
9 Praia do Paraíso 6292
14 10 Praia Cabo do Mundo 56329
11 Praia do Aterro 123014
12 Praia da Conchinha 5061
13 Praia da Senhora 10483
14 Praia de Leça 148445
15 15 Praia de Matosinhos 119005

Figura 3.20 – Localização e delimitação das praias de Matosinhos.

Para o desenvolvimento deste trabalho foi realizado um reconhecimento


local das praias (Figuras 3.21, 3.22 e 3.23) e, para além da estimativa das
respectivas áreas, foi identificado o local de amostragem da água balnear para
controlo da sua qualidade e localizadas as descargas de águas interiores mais
próximas.

A praia de Angeiras Norte é a praia do concelho de Matosinhos situada


mais a norte onde afluem o rio Onda a norte e o ribeiro da Certagem a sul. A
praia tem cerca de 45600 m2 de área e situa-se numa zona piscatória, onde
existe uma lota de pesca e um parque de campismo. O ponto de colheita para
controlo da qualidade da água situa-se na zona de banhos de Angeiras Norte,
ligeiramente a norte do apoio de praia Bar Azul.

A praia de Angeiras Sul tem aproximadamente 82400 m2 de área e a ela


aflui a ribeiro da Certagem. A recolha das amostras para controlo da qualidade

44
Cap. 3 │ Sistema de Informação

da água é efectuada em frente ao parque de estacionamento, a sul do apoio da


praia bar Calhaus, em frente ao café Praia Central.

A praia do Funtão tem uma área de cerca de 57800 m2. A norte desta
praia desagua o ribeiro da Certagem. Trata-se de uma praia separada das
habitações por uma zona dunar. A recolha das amostras de água é feita
sensivelmente a meio do desenvolvimento norte-sul da praia.

À praia do Corgo aflui o ribeiro com a mesma designação. Situa-se


numa zona rural, que tem vindo a ser progressivamente urbanizada, e possui
uma grande extensão dunar. Tem uma área de cerca de 119000 m2. A recolha
das amostras de água é efectuada em frente ao bar Paradyse. No ano de 2004
foi concluído um parque de estacionamento, bem como uma série de outros
apoios para esta praia desenvolvidos de acordo com o Plano de Ordenamento
da Orla Costeira (POOC) para esta zona balnear.

Na praia da Agudela com cerca de 73300 m2 desagua o ribeiro com o


mesmo nome. A recolha das amostras é realizada em frente ao bar de praia aí
existente. A praia é separada da rua que lhe dá acesso por uma extensa zona
dunar.

45
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

1
N
2

4
5

Localização 1 – Praia de Angeiras Norte

2 – Praia de Angeiras Sul 3 - Praia do Funtão

4 - Praia do Corgo 5 – Praia da Agudela


Figura 3.21 – Vistas gerais das praias de Matosinhos: Angeiras Norte,
Angeiras Sul, Funtão, Corgo e Agudela.

46
Cap. 3 │ Sistema de Informação

A praia da Quebrada tem a afluência a norte do ribeiro da Agudela e a


sul do ribeiro de Pampelido. Tem uma área de cerca de 24200 m2. No acesso a
esta praia situa-se o bar da Quebrada, o qual tem um terreno de grandes
dimensões que serve de estacionamento. O ponto de colheita de amostras
para controlo da qualidade da água balnear localiza-se em frente ao bar da
Quebrada.

À praia do Marreco, com cerca de 13800 m2, aflui a norte o ribeiro de


Pampelido. Situa-se numa zona rural, localizando-se o ponto de recolha das
amostras de água balnear em frente às antigas arrecadações de material dos
pescadores. O ribeiro de Pampelido desagua no afloramento rochoso
localizado 50 m a norte do ponto de colheita. No ano de 2004 foram instaladas
infra-estruturas de drenagem de águas residuais na Rua do Marreco que dá
acesso à praia, que solucionaram todos os problemas de saneamento
decorrentes de escoamentos de fossas sépticas aí existentes.

A praia da Memória apresenta uma área com cerca de 80100 m2.


Insere-se numa zona rural com uma grande extensão dunar. O ponto de
recolha de amostras de água balnear situa-se em frente ao restaurante
Tequilha. A zona de acesso à praia foi totalmente reabilitada no ano de 2003
com a construção de um parque de estacionamento de grandes dimensões.

A praia do Paraíso, de pequenas dimensões (aproximadamente 6300


m2), caracteriza-se por apresentar um pequeno areal e uma quantidade muito
significativa de rochas. Nesta praia desagua o ribeiro de Joane junto à estação
elevatória de águas residuais do Cabo do Mundo, encontrando-se interdita para
uso balnear há alguns anos.

A praia do Cabo do Mundo com cerca de 56300 m2 tem o seu ponto de


recolha de amostras localizado na zona de banhos em frente ao café do grupo
desportivo Aldeia Nova. São efectuadas a sul desta praia as descargas do
ribeiro da Guarda e do ribeiro da Petrogal bem como a descarga do emissário
submarino.

47
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

6
7
8
9

10

Localização 6 – Praia da Quebrada

7 – Praia do Marreco 8 – Praia da Memória

9 – Praia do Paraíso 10 – Praia do Cabo do Mundo


Figura 3.22 – Vistas gerais das praias de Matosinhos: Quebrada, Marreco,
Memória, Paraíso e Cabo do Mundo.

48
Cap. 3 │ Sistema de Informação

A praia do Aterro está inserida numa zona dunar de grandes dimensões,


situando-se em frente da refinaria da Petrogal e da ETAR de Matosinhos. Tem
uma área de aproximadamente 123000 m2. Afluem a norte da praia os ribeiros
da Guarda e Petrogal e a sul o ribeiro da Boa Nova.

A praia da Conchinha é uma praia de muito pequenas dimensões, cerca


de 5100 m2, onde desagua a norte o ribeiro da Boa Nova. Situa-se junto ao
farol de Leça e à casa de chá da Boa Nova e apesar da sua pequena dimensão
é muito frequentada durante a época balnear.

A praia da Senhora, também de pequenas dimensões (10500 m2), situa-


se algumas dezenas de metros a sul da praia da Conchinha, constituindo
quase um prolongamento da praia de Leça da Palmeira situada a sul.

A praia de Leça da Palmeira está inserida numa zona urbana e


apresenta uma área de 148500 m2. O ponto de recolha de amostras para
análise da qualidade da água situa-se no alinhamento com a rua Hintze
Ribeiro, a sul da piscina das marés e da afluência do ribeiro do Sardoal. Foi
concluída no verão de 2005 a renovação da zona marginal da praia, tendo sido
construídos novos lugares de estacionamento e amplas zonas de circulação
para peões junto à praia.

À praia de Matosinhos afluem os ribeiros da Riguinha e Carcavelos que


partilham a mesma foz. A praia de Matosinhos dispõe de um areal com cerca
de 119000 m2 e situa-se numa zona urbana. A recolha das amostras para
controlo da qualidade da água balnear é efectuada em frente ao restaurante
Proa. Esta foi uma zona sujeita a intervenção do programa Pólis em 2001.
Situa-se na zona de influência do molhe na foz do rio Leça, numa zona em que
o mar forma uma baia em que a agitação marítima é pouco intensa. Dadas as
características desta praia, é provável que a qualidade da água balnear seja
influenciada quer pelas descargas dos ribeiros da Riguinha e Carcavelos, quer
pelo ribeiro do Castelo do Queijo e pelos rios Leça e Douro.

49
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

11
12
13
14

15

Localização 11 – Praia do Aterro

12 – Praia da Conchinha 13 – Praia da Senhora

14 – Praia de Leça da Palmeira 15 – Praia de Matosinhos


Figura 3.23 – Vistas gerais das praias de Matosinhos: Aterro, Conchinha,
Senhora, Leça da Palmeira e Matosinhos.

50
Cap. 3 │ Sistema de Informação

3.1.4 - Emissários e interceptores


A rede principal de drenagem de águas residuais do concelho de
Matosinhos, constituída pelos emissários e interceptores, encontra-se
concluída. Estas estruturas foram definidas de forma a encaminharem todas as
águas residuais para uma única ETAR situada no litoral, na freguesia de Leça
da Palmeira, em frente à refinaria da Petrogal, já apresentada no Capitulo 2. O
efluente após um tratamento primário é entregue no mar por intermédio de um
emissário submarino (Procesl, 1991).

Na Figura 3.24 apresentam-se todos os emissários e interceptores do


concelho de Matosinhos: emissário Litoral Norte, Leça, Principal e Matosinhos
e interceptores do ribeiro de Joane, do ribeiro das Avessas, do ribeiro de
Picoutos, do ribeiro da Lomba e interceptor estruturante.

Emissários

Interceptores

Estações elevatórias

Figura 3.24 – Emissários, interceptores e estações elevatórias do concelho de


Matosinhos.

51
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

O emissário Litoral Norte foi executado ao longo de toda a linha da


costa, desde o lugar de Lavra até à ETAR de Matosinhos. Tem origem na
estação elevatória de Angeiras, à qual afluem os esgotos de uma das bacias
de drenagem previstas no PDDTAR (bacia 1) e ainda os esgotos provenientes
das freguesias de Mindelo, Vila Chã, Labruge e Aveleda do concelho de Vila do
Conde. Na estação elevatória de Angeiras tem origem a primeira conduta com
879 m de comprimento e 450 mm de diâmetro. O emissário tem um troço
gravítico que faz a ligação entre a primeira conduta elevatória e a estação
elevatória do Cabo do Mundo. Sensivelmente a meio deste troço (próximo de
Centro de Apoio do Cidadão Deficiente Mental em Perafita) fica localizada a
estação elevatória do Marreco cuja finalidade é elevar o efluente da cota 1.89
m para a cota 5.13 m. Este troço recebe os efluentes de uma das bacias
definidas no PDDTAR (bacia 2). À estação elevatória do cabo do Mundo afluem
os caudais da bacia do interceptor do ribeiro de Joane. Este troço é
materializado por uma conduta com comprimento total de 3330 m e diâmetros
que variam entre 500 mm e 700 mm. A partir da estação elevatória do cabo do
Mundo segue outra conduta elevatória, até à ETAR, com um comprimento total
de 1789 m e 700 mm de diâmetro.

O emissário do rio Leça tem uma extensão total de 18555 m, com início
em S. Mamede de Infesta atravessando as freguesias de Leça do Balio,
Custóias, Guifões, Santa Cruz do Bispo, Perafita e Leça da Palmeira até à
ETAR. Funciona quase sempre em superfície livre, excepto num troço no lugar
da Portela na freguesia de Santa Cruz do Bispo e no troço final em Leça da
Palmeira que funciona em pressão. Foi executado com diâmetros a variarem
entre 600 mm e 1000 mm.

O emissário principal tem o seu percurso entre o lugar de Alto do Viso na


Senhora da Hora e a estação elevatória de Matosinhos, situada em frente ao
mercado municipal. Tem uma extensão de 5000 m, com troços em PVC de
diâmetros de 500 mm e 630 mm e o troço final de diâmetro de 800 mm. Este

52
Cap. 3 │ Sistema de Informação

emissário recebe os esgotos provenientes da conduta elevatória, bem como,


dos vários pontos de concentração situados ao longo do seu traçado.

O emissário de Matosinhos tem uma extensão total de 6720 m e tem um


diâmetro de 800 mm. Trata-se de uma conduta elevatória que recebe caudais
em dois pontos: na estação elevatória de Matosinhos (efluentes de Matosinhos
e Senhora da Hora) e na estação elevatória de Leça da Palmeira.

O interceptor do Ribeiro de Joane está localizado no lugar de


Montedouro na freguesia de Perafita e tem uma extensão de 2823 m, com
diâmetros a variarem entre 400 mm e 600 mm.

O interceptor do Ribeiro das Avessas recebe os efluentes dos lugares da


Arroteia e Recarei em Leça do Balio e faz ligação a jusante com o interceptor
do Ribeiro de Picoutos. Tem uma extensão de 1845 m, com diâmetros de 300
mm e 500 mm.

O interceptor do Ribeiro de Picoutos recebe os efluentes dos lugares de


Arroteia, Ermida, S. Mamede e Telheiro na freguesia de S. Mamede de Infesta,
e ainda, dos lugares de Padrão da Légua e Picoutos em Leça do Balio. Tem
uma extensão de 3574 m, em diâmetros de 400 mm, 500 mm e 600 mm.

O interceptor do Ribeiro da Lomba desenvolve-se desde o Monte dos


Pipos em Custóias até à estação elevatória da Portela (que fica localizada no
emissário do rio Leça). Tem uma extensão de 2228 m, com diâmetros de 400
mm e 500 mm.

O interceptor estruturante recolhe todo o efluente existente desde a


Refinaria da Petrogal ao longo da costa até à estação elevatória de Leça da
Palmeira e desde a Exponor até à mesma estação elevatória. Tem uma
extensão aproximadamente de 3800 m, com diâmetros a variarem entre 200
mm e 500 mm.

A exploração da ETAR teve início a 22 de Fevereiro de 1999, estando o


valor dos caudais médios à entrada da ETAR nos últimos quatro anos

53
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

indicados na Figura 3.25. Nesta figura podemos constatar que o caudal médio
mensal tem vindo a crescer progressivamente desde o ano 1999, em que se
iniciou a sua actividade, os dados utilizados foram obtidos em relatórios
elaborados pelos SMAS de Matosinhos.

800000

700000

600000

500000
Caudal (m3/mês)

400000

300000

200000

100000

0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
Ano

Figura 3.25 – Valores dos Caudais médios mensais à entrada da ETAR.

3.1.5 - Estações elevatórias


As estações elevatórias consideradas neste estudo estão associadas
aos emissários e interceptores, elevando portanto caudais de grandes
dimensões. O controlo e manutenção deste tipo de instalações reverte-se de
extrema importância, dado que as avarias que ocorram, implicam descargas
directas, quer nas praias, quer nas linhas de água, tendo ambas
consequências muito negativas na qualidade das águas balneares.

São seis as principais estações elevatórias incluídas na rede de


saneamento de Matosinhos (Figura 3.26), estando situadas em Angeiras,
Marreco, Cabo do Mundo, (ligadas ao emissário litoral norte), Leça da
Palmeira, Matosinhos (emissário de Matosinhos) e Portela (emissário do Leça).

54
Cap. 3 │ Sistema de Informação

N ID Designação
1 E.E. 01 de Angeiras
2 E.E. [Link] Marreco
1
3 E.E. 11 Cabo do Mundo
4 E.E. 48 de Leça da Palmeira
5 E.E. 52 de Matosinhos
6 E.E. da Portela

Emissários

5 Interceptores

6
Estações elevatórias

Figura 3.26 – Localização das principais estações elevatórias da rede de


drenagem.

A estação elevatória de Matosinhos apresenta, considerando os dados


existentes desde o inicio de actividade, dados esses retirados de relatórios
internos dos SMAS de Matosinhos, o maior volume mensal bombeado (219552
m3) e a de Angeiras o menor volume (46937 m3).

A estação elevatória de Angeiras situa-se junto à foz do ribeiro da


Certagem, a sul da praia de Angeiras Sul. A conduta elevatória, com sentido
norte-sul, transporta as águas residuais de uma parte considerável da freguesia
de Lavra e de algumas freguesias de Vila do Conde. Tem instaladas três
bombas com uma altura manométrica de 20 m. A descarga de emergência está
ligada ao ribeiro da Certagem.

A estação elevatória do Marreco situa-se sensivelmente entre a praia do


Marreco e a praia da Memória. Tem instaladas três bombas com uma

55
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

capacidade de elevação de cerca de 6 m. A descarga de emergência desta


estação está ligada ao ribeiro de Pampelido.

A estação elevatória do Cabo do Mundo situa-se junto à praia do


Paraíso ou seja junto à foz do ribeiro de Joane. Tem instaladas quatro bombas
com possibilidade de elevar o efluente em a cerca de 18 m. A sua descarga de
emergência está ligada ao mar a norte do ribeiro de Joane.

A estação elevatória da Palmeira localiza-se na parte norte do complexo


da Administração do Porto do Douro e Leixões APDL, junto à ponte móvel.
Efectua a bombagem do caudal recolhido em toda a freguesia de Leça da
Palmeira. Tem instaladas duas bombas com possibilidade de elevar o efluente
em cerca de 26 m. A sua descarga de emergência está ligada ao Rio Leça.

A estação elevatória de Matosinhos está localizada na parte sul da


APDL, junto à rotunda com acesso à ponte móvel. Tem instaladas três bombas
com capacidade de elevar o efluente em 28 m. Em situação de avaria
descarrega para o Rio Leça.

Finalmente, a estação elevatória da Portela situa-se a cerca de 1 km da


foz do rio Leça na freguesia de Guifões. Efectua a elevação do caudal de todo
o emissário do rio Leça para a estação de tratamento de águas residuais. Tem
instaladas três bombas com possibilidade de elevar o efluente em 52 m. A
descarga de emergência também se faz para o Rio Leça.

3.1.6 – Estruturas de By-pass


Designam-se de by-pass as estruturas que permitem realizar desvios de
caudais de linhas de água ou colectores dos seus cursos habituais. Para
localizar este tipo de estruturas foi realizado no âmbito deste trabalho um
levantamento exaustivo de todas as estruturas de by-pass existentes nas redes
de drenagem municipais orientado pelos técnicos responsáveis pela
manutenção destas estruturas.

56
Cap. 3 │ Sistema de Informação

Estas estruturas têm por objectivo evitar a afluência de águas pluviais


poluídas à zona balnear, sendo por isso incorporadas nos colectores de águas
residuais, para posteriormente serem tratadas. Outro tipo de estruturas de by-
pass são utilizadas para evitar a afluência de águas residuais às vias públicas,
situação que é originada por períodos de intensa pluviosidade e em
consequência de ligações indevidas de redes de águas pluviais aos colectores
de águas residuais. Para evitar que isto aconteça encontram-se instaladas em
alguns troços de rede estruturas de by-pass de emergência. As estruturas de
by-pass encontram-se instaladas quer nas caixas de visita da rede de águas
residuais quer na de pluviais e são normalmente materializadas por um colector
situado na zona inferior para as caixas de águas residuais e superior para as
caixas de águas pluviais.

Na Figura 3.27 encontram-se localizados todas as estruturas de by-pass


do concelho de Matosinhos de acordo com o levantamento realizado.

Águas pluviais para águas residuais

Colector unitário para águas residuais

Emissário para ribeiro

Ribeiro para águas residuais

Águas residuais para águas pluviais

Figura 3.27 – Localização das estruturas de by-pass.

57
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

O controlo das estruturas de by-pass, sobretudo do primeiro tipo atrás


referido, reveste-se de uma importância significativa, dado que a dimensão
reduzida em que são realizados (na sua maioria 90 mm e 125 mm de
diâmetro), favorece a obstrução dos mesmos. As obstruções são relativamente
frequentes dado que nas redes de águas pluviais, são muitas vezes
introduzidos, pelas sarjetas e sumidouros, materiais grosseiros que impedem o
seu normal funcionamento.

Nas Figuras 3.28 a1 e a2) apresentam-se as fotografias de um tipo de


estrutura de by-pass, em que é efectuado o desvio do caudal pluvial, por
intermédio de um tubo de PVC 90 mm, para a rede de recolha de águas
residuais. Esta estrutura encontra-se em ruas que dispõe de colectores
separativos e tem como principal objectivo evitar a chegada à praia de águas
residuais indevidamente introduzidas no colector pluvial. Neste tipo de by-pass
estão incluídos os que foram executados em ribeiros para funcionar durante a
época balnear. Trata-se do desvio da totalidade do caudal dos ribeiros para os
emissários mais próximos, utilizando comportas para bloquear a descarga
desses ribeiros no mar.

O outro tipo de estruturas de by-pass (das águas residuais para as


águas pluviais) efectua a transferência de caudal em excesso transportado na
rede de águas residuais que ocorre em alturas de intensa precipitação, para a
rede de drenagem de águas pluviais (Figura 3.28 b1 e b2)).

58
Cap. 3 │ Sistema de Informação

a1) b1)

a2) b2)
Figura 3.28 – a1 e a2) By-pass das águas pluviais para as águas residuais b1
e b2)– By-pass das águas residuais para as águas pluviais.

3.1.7 – Pontos de amostragem da qualidade da água


Foi realizada uma recolha de todos os resultados analíticos da qualidade
da água nas linhas de água e na orla costeira, com importância para a
avaliação das potencialidades das praias para uso balnear. Os resultados
analiticos foram produzidos pelas seguintes entidades: INAG e SMAS de
Matosinhos

Foram compilados dados da qualidade da água no mar, no rio Leça e


nos ribeiros da freguesia de Matosinhos. Para os outros ribeiros efectuou-se
uma campanha de recolhas de amostras para a obtenção de dados

59
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

bacteriológicos da qualidade da água nas secções de descargas, cujos


resultados serão apresentados no Capítulo 4.

Na Figura 3.29 apresenta-se a localização de todos os pontos de


amostragem localizados junto à costa. A localização em planta de todos estes
pontos foi realizada no âmbito deste trabalho.

1 N
2

5
6
7
8
ID Local
9 1 Praia de Angeiras Norte
2 Praia de Angeiras Sul
10 3 Praia do Funtão
11 4 Praia do Corgo
12
5 Paria da Agudela
6 Praia da Quebrada
13 7 Praia do Marreco
14 8 Praia da Memória
15 9 Praia do Paraíso
10 Praia Cabo do Mundo
11 Emissário submarino - Difusor
16 12 Emissário submarino - 450m
13 Praia do Aterro
14 Praia da Conchinha
17 15 Praia da Senhora
16 Praia de Leça
17 Porto de Leixões (interior)
18 19 18 Porto de Leixões (exterior)
19 Praia de Matosinhos

Figura 3.29 – Localização dos pontos de amostragem no mar.

O SI criado constitui uma ferramenta de base essencial para a análise


do impacto das descargas de águas interiores na orla costeira do concelho de
Matosinhos. Esta ferramenta permite a organização e apresentação de
informação com origem diversificada numa plataforma comum. A análise da
informação apresentada no Capítulo 5 é baseada neste SI. Para além dessa
análise parte da informação é utilizada na construção dos modelos
matemáticos de simulação da hidrodinâmica e da qualidade da água cujos
resultados são apresentados no Capítulo 6.

60
Cap. 4 │ Campanhas de Amostragem

4 – CAMPANHAS DE AMOSTRAGEM

4.1 Localização dos pontos de amostragem


No âmbito deste trabalho foram realizadas campanhas de amostragem
com o objectivo de obter informação relativa aos caudais das linhas de água e
à sua qualidade bacteriológica.

Foram seleccionadas as linhas de água com caudal mais significativo e


na maior parte dos casos sem estrutura de by-pass instalada. Assim, não foram
incluídas as descargas de águas pluviais em frente ao antigo centro de saúde
de Lavra, em frente à Rua Ocidental e dos ribeiros da Agudela, de Pampelido e
da Petrogal.

A campanha foi realizada na foz dos cursos de água que afluem à costa
de Matosinhos, recolhendo-se informação necessária para estimar o caudal
dos mesmos, dada a completa inexistência de quaisquer dados neste domínio.
Na Figura 4.1 apresentam-se a localização dos pontos de amostragem assim
como o número de medições realizadas em cada um deles bem como o nº de
amostras recolhidas para realização de análises bacteriológicas.

61
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

0
4 0
0 16
4

16
4 12
0 16
0
16
4 0
0 16
4
0
0 16
4 4
4
0
0 16
0 8
4

Nº de medições - Caudais
Nº de amostras - Qualidade bacteriológica

Figura 4.1 – Localização dos pontos de amostragem, número de medições


realizadas e nº de amostras recolhidas.

A campanha foi realizada ao longo de seis meses, entre Fevereiro e


Agosto de 2005, sendo de realçar que este correspondeu a um período de
seca o que implicou o registo de valores reduzidos de caudal. As medições
foram realizadas com uma periodicidade semanal.

No Anexo II apresentam-se os valores das alturas de água medidas em


cada uma das secções que serviram de base à estimação dos valores dos
caudais afluentes ao litoral de Matosinhos nas linhas de água monitorizadas.

No que se refere à caracterização bacteriológica foram recolhidas


amostras entre Julho e Agosto de 2005 com uma frequência quinzenal. As
amostras foram analisadas em laboratório sendo os resultados obtidos
apresentados no Anexo IV.

62
Cap. 4 │ Campanhas de Amostragem

4.2 Método utilizado na estimação de caudais


Para a estimação dos caudais foi realizado um levantamento das
características geométricas das secções de descarga dos ribeiros. Para a
medição da inclinação do último trecho dos ribeiros foram utilizados dois
procedimentos: nas linhas de água em que foi possível aceder aos dois
extremos do troço final foi utilizado equipamento topográfico para medir a
diferença de cotas e os comprimentos necessários para calcular a inclinação e
para as linhas de água em que apenas era observável a extremidade da foz a
inclinação foi medida com o auxílio de um nível. Na Figura 4.2 apresentam-se
as características geométricas para cada uma das descargas monitorizadas.

Para a obtenção da profundidade de água em cada uma das secções


das linhas de água foi utilizada uma vareta rígida. A medição foi efectuada num
ponto do trecho final do ribeiro representativo da profundidade média do
escoamento. A medição da largura da lâmina líquida da linha de água foi
realizada com fita métrica.

63
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Ribeiro da Certagem Ribeiro do Corgo

h
i h

L=1.2 m i
H H=2.3 m L=1.8 m
i= 0.012 H=1.2 m
L H
i= 0.015
L

Ribeiro da Agudela Ribeiro de Joane

h h
i i

L=1.4 m L=7.35 m
H H=1.0 m H H=1.2 m
i= 0.010 i= 0.010
L L

Ribeiro da Guarda Ribeiro da Petrogal

h
h
D3 D1=0.60 m i
D2
D1 D2=0.40 m
L=1.20 m
i D3=0.30 m
D1 H H=1.8 m
i= 0.020
i= 0.001
L

Figura 4.2 – Forma e dimensões das secções de descarga dos ribeiros.

64
Cap. 4 │ Campanhas de Amostragem

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro do Sardoal

i h h
i

D=1.00 m D=1.50 m
D i= 0.010 D i= 0.010

Ribeiros da Riguinha e Ribeiro do Castelo do


Carcavelos Queijo

i
h

H i
D=4.20 m L=5.00 m
D H=0.4 m H H=1.8 m
i= 0.005 i= 0.010
L

Figura 4.2 – Forma e dimensões das secções de descarga dos ribeiros


(continuação).

Os caudais foram estimados admitindo-se que em cada trecho o regime


de escoamento é uniforme. Assim, recorreu-se à fórmula de Manning-Strickler
(Lencastre, 1980) para estimar o caudal correspondente:

Q = K * S * R 2 / 3i1/ 2 (4.1)
em que,

Q – é o caudal (m3s-1).

S – é a área da secção molhada (m2)

R – é o raio hidráulico (m)

K – é o coeficiente de Manning-Strickler (m1/3s-1)

i – é a inclinação do troço final da linha de água (m/m).

Na estimação dos caudais foi utilizado um valor para o coeficiente de


Manning-Strickler de 80 m1/3s-1 em todas as secções. Com este valor,

65
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

relativamente elevado em relação aos valores propostos (Novais Barbosa,


1985) para canais de betão rugoso, é natural obterem-se estimativas do caudal
relativamente superiores aos que se verificam na realidade. Foi possível
comprovar este facto, para medições em que também foi utilizado um método
de medição volumétrico (através do enchimento de um recipiente).

4.3 Análise dos resultados obtidos

4.3.1 Caudais
Na Figura 4.3 apresentam-se as evoluções temporais dos caudais
estimados durante a campanha de amostragem.

0,30

0,25

0,20

0,15
Caudal (m3/s)

0,10

0,05

0,00
Fev-05

Ago-05
Abr-05
Jan-05

Mar-05

Mar-05

Mai-05

Mai-05

Jun-05

Jul-05

Jul-05

Ribeiro Castelo Queijo Data e Carcavelos


Ribeiro da Riguinha Ribeiro da Boa Nova
Ribeiro de Joane Ribeiro da Certagem

Figura 4.3 – Evolução temporal dos caudais estimados durante a campanha de


amostragem.

66
Cap. 4 │ Campanhas de Amostragem

0,08

0,07

0,06
Caudal (m3/s)

0,05

0,04

0,03

0,02

0,01

0,00
28-01-2005

17-02-2005

09-03-2005

29-03-2005

18-04-2005

08-05-2005

28-05-2005

17-06-2005

07-07-2005

27-07-2005

16-08-2005
Data

Ribeiro do Sardoal Ribeiro da Petrogal (Águas pluviais) Ribeiro da Guarda


Ribeiro de Pampelido Ribeiro da Agudela Ribeiro do Corgo

Figura 4.3 – Evolução temporal dos caudais estimados durante a campanha de


amostragem (continuação).

Os valores mais elevados foram obtidos para os ribeiros da Riguinha e


Carcavelos e Joane (0.25m3s-1 e 0.13m3s-1, respectivamente) seguindo-se o
caudal do ribeiro da Boa Nova (cerca de 0.11 m3s–1). Os valores inferiores
foram obtidos para o Ribeiro da Petrogal e para o Ribeiro do Sardoal (cerca de
0.01m3s-1).

Algumas das descargas apresentaram, durante a campanha, valores de


caudais extremamente baixos o que dificultou a sua medição. Por outro lado, a
irregularidade geométrica da secção de algumas das descargas, como é o
caso do ribeiro da Guarda e do Rio Onda, dificultam a estimação do seu caudal
pelos métodos e meios disponíveis para realização deste trabalho.

Os valores máximos dos caudais verificados, perfeitamente observáveis


na Figura 4.3, ocorrem em períodos após eventos de precipitação, sobretudo
no dia 16-5-2005 em que se registou a precipitação mais intensa durante o
período de monitorização.

67
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Nas restantes medições, efectuadas em dias em que não ocorre


precipitação, os caudais mantêm-se com valores praticamente constantes.

Salienta-se, ainda, que devido à activação das estruturas de by-pass,


que tem como função desviar o caudal dos ribeiros para os emissários,
efectuada no início de Maio de 2005, os caudais que afluem à costa anularam-
se, com excepção dos caudais dos ribeiros da Riguinha e Carcavelos, Boa
Nova e Guarda, que não dispõem deste tipo de estrutura de desvio do caudal
(ver Figura 4.5). O conjunto de resultados obtidos é apresentado no Anexo III.

Não foram monitorizados os caudais do rio Onda, do rio Leça, do rio


Douro, do emissário submarino e das descargas de águas pluviais em frente ao
antigo centro de saúde de Lavra e em frente à rua Ocidental. A não inclusão
destes cursos de água deve-se às seguintes razões: no caso dos rios Leça e
Douro existem registos que permitem obter os valores dos respectivos caudais;
no caso do rio Onda, os meios disponíveis não eram suficientes para uma
correcta estimação dos caudais; o caudal descarregado através do emissário
submarino pode ser avaliado a partir da informação da exploração da ETAR de
Matosinhos e as outras descargas de colectores pluviais apresentavam caudais
praticamente nulos.

As infra-estruturas objecto deste trabalho apresentam frequentemente


alterações significativas que devem ser consideradas em qualquer SI que seja
utilizado como suporte à sua gestão. A título ilustrativo, apresenta-se na Figura
4.4 as alterações registadas no mês de Maio na foz do ribeiro da Riguinha e
Carcavelos (foi removida a estrutura em betão e pedra que servia de soleira
descarregadora sendo agora a descarga efectuada directamente para a praia a
partir do colector pluvial). Apresenta-se, ainda, na Figura 4.5 a alteração
efectuada na foz do ribeiro de Joane onde o by-pass foi activado desviando-se
a totalidade do caudal para o emissário do litoral norte.

68
Cap. 4 │ Campanhas de Amostragem

Figura 4.4 – Alteração da estrutura de descarga na foz da Ribeira da Riguinha


e Carcavelos. Esquerda: situação anterior a Maio de 2005. Direita: situação
posterior a Maio de 2005.

Figura 4.5 – Resultado da activação do by-pass na foz do Ribeiro de Joane. À


esquerda by-pass inactivo e à direita by-pass activo.

4.3.2 Qualidade bacteriológica


[Link] - Qualidade bacteriológica nas linhas de águas
Nas Figura 4.6, 4.7 e 4.8 apresentam-se as evoluções das
concentrações bacteriológicas durante o período de monitorização.

69
70
Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL)

0
200.000
400.000
600.000

0
40.000
80.000
120.000
160.000
0
1.000.000
2.000.000
3.000.000
4.000.000
17-Jun 17-Jun

0
8.000.000
16.000.000
24.000.000
32.000.000
40.000.000
17-Jun
Matosinhos

17-Jun
22-Jun 22-Jun
22-Jun 22-Jun

27-Jun 27-Jun
27-Jun 27-Jun

2-Jul 2-Jul
2-Jul 2-Jul

7-Jul 7-Jul 7-Jul


7-Jul

12-Jul 12-Jul 12-Jul

Data

Data
12-Jul

Data

Data
17-Jul 17-Jul 17-Jul
17-Jul

Rio Onda
22-Jul 22-Jul 22-Jul 22-Jul

Ribeiro da Guarda
Ribeiro do Corgo

Ribeiro do Sardoal
27-Jul 27-Jul 27-Jul 27-Jul

1-Ago 1-Ago 1-Ago 1-Ago

6-Ago 6-Ago 6-Ago 6-Ago

Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL)

0
200.000
400.000
600.000
0
100.000
200.000
300.000
400.000
500.000

0
300.000
600.000
900.000
1.200.000
0
800.000
1.600.000
2.400.000
3.200.000
4.000.000
17-Jun 17-Jun
Coliformes totais

17-Jun 17-Jun

22-Jun 22-Jun
22-Jun 22-Jun

a campanha de amostragem.
27-Jun 27-Jun
27-Jun 27-Jun

2-Jul 2-Jul
2-Jul 2-Jul

7-Jul 7-Jul 7-Jul 7-Jul

12-Jul 12-Jul 12-Jul 12-Jul


Data

Data

Data
Data
17-Jul 17-Jul 17-Jul 17-Jul

22-Jul 22-Jul 22-Jul 22-Jul


Ribeiro de Joane
Ribeiro da Certagem

27-Jul

Ribeiro da Boa Nova


27-Jul 27-Jul 27-Jul

Ribeiro do Castelo do Queijo


1-Ago 1-Ago 1-Ago 1-Ago

6-Ago
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de

6-Ago 6-Ago 6-Ago

Figura 4.6 – Evolução temporal das concentrações de coliformes totais durante


Concentração (UFC/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL)

0
5.000
10.000
15.000
20.000
0
100.000
200.000
300.000
400.000
0
40.000
80.000
17-Jun 120.000

0
1.000.000
2.000.000
3.000.000
4.000.000
17-Jun 17-Jun
17-Jun

22-Jun 22-Jun 22-Jun


22-Jun

27-Jun 27-Jun 27-Jun


27-Jun

2-Jul 2-Jul 2-Jul


2-Jul

7-Jul 7-Jul 7-Jul


7-Jul

12-Jul 12-Jul 12-Jul

Data
12-Jul

Data
Data

Data
17-Jul 17-Jul 17-Jul
17-Jul

Ribeiro do Sardoal
22-Jul
Rio Onda

22-Jul 22-Jul 22-Jul

Ribeiro da Guarda
Ribeiro do Corgo
27-Jul 27-Jul 27-Jul 27-Jul

1-Ago 1-Ago 1-Ago 1-Ago

6-Ago 6-Ago 6-Ago 6-Ago

Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL)
0
100.000
200.000
300.000

0
50.000
100.000
150.000
200.000
0
200.000
400.000
600.000

0
400.000
800.000
1.200.000
17-Jun 17-Jun 17-Jun
17-Jun
Coliformes fecais

22-Jun 22-Jun 22-Jun


22-Jun

27-Jun 27-Jun 27-Jun


27-Jun

2-Jul 2-Jul 2-Jul


2-Jul

durante a campanha de amostragem.


7-Jul 7-Jul 7-Jul
7-Jul

12-Jul 12-Jul 12-Jul 12-Jul

Data
Data
Data

Data
17-Jul 17-Jul 17-Jul 17-Jul
Ribeiro da Certagem

22-Jul 22-Jul 22-Jul 22-Jul


Ribeiro de Joane

Ribeiro do Castelo do Queijo


Ribeiro da Boa Nova
27-Jul 27-Jul 27-Jul 27-Jul

1-Ago 1-Ago 1-Ago 1-Ago

Figura 4.7 – Evolução temporal das concentrações de coliformes fecais


6-Ago 6-Ago 6-Ago 6-Ago
Cap. 4 │ Campanhas de Amostragem

71
72
Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL)

0
2.000
4.000
6.000
8.000
0
5.000
10.000

0
100.000
200.000
300.000
400.000
17-Jun
17-Jun

0
200.000
400.000
600.000
800.000
1.000.000
17-Jun
17-Jun
Matosinhos

22-Jun
22-Jun 22-Jun
22-Jun
27-Jun
27-Jun 27-Jun
27-Jun
2-Jul
2-Jul 2-Jul
2-Jul
7-Jul 7-Jul
7-Jul 7-Jul

12-Jul 12-Jul
12-Jul

Data
Data
12-Jul

Data
Data
17-Jul 17-Jul 17-Jul
17-Jul

Rio Onda
22-Jul 22-Jul 22-Jul
22-Jul

Ribeiro da Guarda
Ribeiro do Corgo

Ribeiro do Sardoal
27-Jul 27-Jul 27-Jul 27-Jul

1-Ago 1-Ago 1-Ago 1-Ago

6-Ago 6-Ago 6-Ago 6-Ago

Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL) Concentração (NMP/100 mL)

0
20.000
40.000
60.000
80.000
0
10.000
20.000
30.000
40.000

0
50.000
100.000
150.000
200.000
0
40.000
80.000
120.000

17-Jun 17-Jun
17-Jun 17-Jun

22-Jun 22-Jun
Estreptococos fecais

22-Jun 22-Jun

27-Jun 27-Jun 27-Jun 27-Jun

2-Jul 2-Jul 2-Jul 2-Jul

durante a campanha de amostragem.


7-Jul 7-Jul 7-Jul 7-Jul

12-Jul 12-Jul 12-Jul 12-Jul

Data
Data

Data
Data

17-Jul 17-Jul 17-Jul 17-Jul


Ribeiro de Joane

22-Jul 22-Jul 22-Jul 22-Jul


Ribeiro da Certagem

Ribeiro da Boa Nova


27-Jul 27-Jul 27-Jul 27-Jul

Ribeiro do Castelo do Queijo


1-Ago 1-Ago 1-Ago 1-Ago

Figura 4.8 – Evolução temporal das concentrações de estreptococos fecais


Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de

6-Ago 6-Ago 6-Ago 6-Ago


Cap. 4 │ Campanhas de Amostragem

Relativamente a coliformes totais podemos identificar três situações


diferenciadas: o rio Onda e os ribeiros da Certagem, Joane e Guarda com
concentrações quase na totalidade das medições abaixo dos 5x106
NMP/100mL; os ribeiros do Corgo, Boa Nova e Castelo do Queijo que atingem
concentrações superiores a 106 NMP/100 mL e, finalmente, o ribeiro do
Sardoal que apresentou concentrações sempre superiores a 5x106 NMP/100
mL.

Quanto aos coliformes fecais podemos observar que os traçados dos


gráficos são em tudo idênticos aos dos coliformes totais, para o Rio Onda,
ribeiro da Certagem, Joane e Sardoal, diferindo em algumas medições para os
outros ribeiros. As concentrações mais elevadas correspondem ao ribeiro do
Sardoal com valores máximos superiores a 3x106 NMP/100 mL superando em
muito as do segundo maior as do ribeiro da Boa Nova com aproximadamente
1x106 NMP/100 mL.

Os estreptococos fecais têm resultados mais aproximados aos


coliformes totais diferindo mais dos coliformes fecais. Contrariamente aos
resultados dos coliformes totais e fecais é o ribeiro do Corgo com perto de
1x106 NMP/100 mL, e não o ribeiro do Sardoal, aquele que apresentou o valor
mais elevado de estreptococos fecais. O resultado mais baixo corresponde à
medição efectuada em 19-7-2005 no rio Onda com apenas 100 NMP/100mL.
Os resultados apresentados nas Figuras 4.6, 4.7 e 4.8 foram obtidos a partir
dos quadros presentes no Anexo IV.

73
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

74
Cap. 5 │ Análise da Informação

5 – ANÁLISE DA INFORMAÇÃO

Neste capítulo procede-se à análise da informação utilizando-se critérios


que permitem a classificação quer das linhas de água que afluem à costa de
Matosinhos quer das praias deste concelho. Foram utilizados critérios que se
inserem em duas categorias: a primeira categoria engloba critérios baseados
em características elementares quer das linhas de água quer das praias, a
segunda, só aplicada às linhas de água, baseia-se em critérios obtidos a partir
da combinação de características elementares.

5.1 – LINHAS DE ÁGUA

5.1.1 – Caudais das linhas de água


O primeiro critério de classificação utilizado foi o valor do caudal de cada
uma das linhas de água que aflui à orla costeira de Matosinhos.

Os valores dos caudais utilizados na classificação das linhas de água


(Quadro 5.1) foram definidos a partir de três origens diferentes de dados:
médias dos caudais estimados ao longo da campanha executada no âmbito
deste trabalho, resultados obtidos a partir quer da bibliografia existente (rio
Leça), quer através de relatórios de exploração dos SMAS de Matosinhos
(ETAR de Matosinhos) e valores estimados a partir da área da respectiva sub-
bacia e de caudais específicos calculados em sub-bacias vizinhas.

75
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Quadro 5.1 – Caudal das diferentes linhas de água.

1 – Média dos valores estimados durante a campanha de amostragem.


2 – Valores apresentados na bibliografia.
3 – Valores estimados a partir da área da sub-bacia e do caudal específico.

Da análise do Quadro 5.1 podemos observar que os três cursos de


água com maior caudal contribuem praticamente com 80% do caudal afluente à
zona balnear de Matosinhos. Verifica-se também que, à excepção do ribeiro da
Riguinha e Carcavelos, as restantes linhas de água apresentam contributos
inferiores a 5% do caudal total.

Em algumas linhas de água, como já foi referido anteriormente, os


caudais que afluem ao mar são nulos devido à activação dos by-pass, tal como
se verifica no ribeiro de Pampelido em que o by-pass se encontra activo
durante todo o ano.

O Rio Douro apesar de não afluir directamente à costa de Matosinhos,


pelo valor do seu caudal, pela distância da sua foz à fronteira sul de
Matosinhos, cerca de 2 km, e pelo regime de ventos e correntes verificados
nesta zona apresenta uma influência marcada no padrão de circulação na
costa sul do concelho de Matosinhos. Apesar da provável influência do rio

76
Cap. 5 │ Análise da Informação

Douro na qualidade da água balnear do concelho de Matosinhos (Bordalo e Sá,


2005), não foi considerado na presente análise dado que se optou por apenas
considerar as linhas de água que directamente afluem ao litoral de Matosinhos.

5.1.2 – Concentração de coliformes totais


A classificação baseada neste critério permite averiguar da
contaminação em coliformes totais de cada uma das linhas de água em estudo.

Foram utilizados os valores médios das concentrações de coliformes


totais obtidos nas amostras pontuais realizadas nas diferentes linhas de água
ao longo do ano de 2005. Optou-se por utilizar apenas os dados de 2005 dado
ter sido também este o período considerado na classificação das linhas de
água através dos caudais.

No caso do rio Leça foram consideradas as concentrações registadas na


estação de monitorização localizada na Ponte do Carro (ponto situado a cerca
de 1000 m da foz), no caso do ribeiro da Riguinha e Carcavelos recorreu-se
aos resultados obtidos durante a campanha executada pelos SMAS de
Matosinhos e para o emissário submarino foi realizada uma estimativa
(baseada no valor do caudal do emissário submarino e na concentração média
de coliformes totais de uma água residual doméstica, considerando, ainda, uma
remoção de 10% de coliformes totais no processo de tratamento primário da
(ETAR de Matosinhos). No Quadro 5.2 apresenta-se a classificação das linhas
de água tendo em consideração as concentrações médias de coliformes totais.

77
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Quadro 5.2 – Concentrações médias de coliformes totais no ano de 2005.

1 – Média dos valores medidos durante a campanha executada no âmbito deste trabalho.
2 – Campanha executada pelos SMAS de Matosinhos.
3 – Valor estimado.
4 – Valores registados na estação de Ponte do Carro.

O efluente do emissário submarino constitui a fonte poluidora com


concentrações mais elevadas. Segue-se o ribeiro do Sardoal. Os valores
encontrados para este ribeiro devem-se à activação de um by-pass de cheia
originado por uma obstrução. Esta levou a que o colector de águas residuais
entrasse em carga e na caixa onde se localiza o by-pass, o efluente tivesse
passado para o colector pluvial que aflui ao ribeiro, tendo assim contaminado o
mesmo.

Não são apresentados valores para as linhas de água que constam das
últimas cinco linhas do Quadro 5.2 uma vez que o reduzido caudal verificado
durante a campanha impediu a colheita de amostras.

78
Cap. 5 │ Análise da Informação

5.1.3 – Concentração de coliformes fecais


A classificação baseada na concentração de coliformes fecais (Quadro
5.3), tal como a classificação apresentada no ponto anterior, permite obter uma
noção quanto à qualidade bacteriológica de cada uma das linhas de água.

Foram utilizados os valores correspondentes a médias das


concentrações de coliformes fecais obtidas nas amostragens pontuais
realizadas nas diferentes linhas de água no ano de 2005, com excepção das
concentrações relativas ao ribeiro da Riguinha e Carcavelos, rio Leça e
emissário submarino cujos valores foram obtidos de forma análoga à indicada
para as concentrações de coliformes totais.

Quadro 5.3 – Concentrações médias de coliformes fecais no ano de 2005.

1 – Média dos valores medidos durante a campanha executada no âmbito deste trabalho.
2 – Campanha executada pelos SMAS de Matosinhos.
3 – Valor estimado.
4 – Valores registados na estação de Ponte do Carro.

As cinco linhas de água com concentrações superiores apresentam-se


idênticas em termos de concentrações em coliformes totais e fecais (Quadros
5.2 e 5.3). Mais uma vez os efluentes mais concentrados são os do emissário

79
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

submarino e do ribeiro do Sardoal (neste último pelas razões indicadas no


ponto anterior).

5.1.4 – Áreas das bacias hidrográficas


Com este critério pretende-se classificar as linhas de água de acordo
com a dimensão das suas bacias hidrográficas, dado que, tal como o caudal
afluente, esta poderá ser indicadora da magnitude do potencial impacto
associado às descargas, sendo, no entanto, de mais fácil quantificação.

A dimensão de cada uma das bacias foi obtida a partir da medição no


SIG apresentado no Capítulo 3. Considerou-se a área da bacia do emissário
submarino a totalidade da área do concelho de Matosinhos. A área da bacia do
ribeiro do Castelo do Queijo foi estimada a partir da relação caudal/área do
ribeiro vizinho (ribeiro da Riguinha e Carcavelos), tendo sido considerado uma
dimensão proporcional ao caudal do ribeiro. No Quadro 5.4 apresenta-se a
classificação das diferentes linhas de água com base na área de cada uma das
suas bacias.

Quadro 5.4 – Área das bacias hidrográficas das linhas de água.

1 – Valor estimado.

80
Cap. 5 │ Análise da Informação

Salienta-se dos resultados obtidos a conformidade entre áreas e caudais


(Quadro 5.1) das primeiras três linhas de água. Dez das linhas de água em
estudo possuem bacias com áreas inferiores a um por cento do somatório das
áreas das bacias e quando a importância de cada uma delas é confrontada
com a que resultou da classificação através dos caudais verifica-se que estas
resultam bastante diferentes. Assim, nestas bacias o caudal escoado não
apresenta uma relação directa com a sua dimensão.

5.1.5 – Densidade populacional das bacias hidrográficas


Com o critério, cujos resultados se apresentam no Quadro 5.5,
pretendeu-se classificar as linhas de água de acordo com a densidade
populacional das suas bacias, partindo do princípio que a poluição das linhas
de água poderá ser tanto maior quanto maior for a densidade demográfica das
mesmas.

Para o cálculo da densidade demográfica foram utilizados os dados


relativos à área e número de habitantes por freguesia, considerando que a
densidade das diferentes bacias corresponde à densidade das freguesias em
que estas se inserem. Considerou-se que a densidade demográfica da bacia
do rio Onda é semelhante à do ribeiro da Certagem e a do Castelo do Queijo
semelhante à dos ribeiros da Riguinha e Carcavelos.

81
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Quadro 5.5 – Densidades populacionais nas bacias de cada uma das linhas de
água.

1 – Valor estimado com base na densidade da bacia do ribeiro da Certagem.


2 – Valor estimado com base na densidade da bacia do ribeiro da Riguinha e Carcavelos.

Os ribeiros situados mais a sul do concelho, nas freguesias de Leça da


Palmeira e de Matosinhos correspondem às bacias mais povoadas, logo com
maior potencial de poluição das linhas de água.

5.1.6 – Descargas de emergência das estações elevatórias afluentes às


linhas de água
Esta análise centra-se na existência de potenciais descargas de
emergência das principais estações elevatórias, ou seja, as descargas
associadas aos emissários de águas residuais, nas linhas de água. Para além
das estações elevatórias que servem alguns dos emissários, existem outras
localizadas em diferentes arruamentos ao longo do concelho. As descargas de
emergência associadas às estações elevatórias não têm grande relevância,
visto que envolvem geralmente caudais muito mais baixos, e situam-se
maioritariamente longe da costa o que permite que se verifique uma
degradação dos poluentes ao longo do curso de água antes de chegarem à
zona balnear.

82
Cap. 5 │ Análise da Informação

Os valores utilizados foram retirados dos relatórios de exploração


mensais dos SMAS de Matosinhos. No Quadro 5.6 podemos observar as
linhas de água que recebem descargas de emergência das estações
elevatórias e os respectivos valores.

A descarga de emergência da estação elevatória pertencente ao sistema


de drenagem de Vila do Conde, que se situa junto à foz do rio Onda e que
drena para este em caso de avaria, não foi considerada dado não se ter
conseguido obter os caudais elevados.

Quadro 5.6 – Descargas de emergência das estações elevatórias e caudais


bombeados em 1999.

Recebem descargas de Valor


emergência das estações Caudal Médio Relativo
Linha de Água elevatórias Mensal (m3/mês) (%)
Rio Leça Sim 465,384 77.92
Ribeiro de Pampelido Sim 59,549 9.97
Ribeiro da Certagem Sim 46,934 7.86
Rio Onda Sim 25,355 4.25
Unitário em frente antigo centro de saúde Não - 0.00
Ribeiro do Corgo Não - 0.00
Ribeiro da Agudela Não - 0.00
Ribeiro de Joane Não - 0.00
Águas pluviais em frente à Rua Ocidental Não - 0.00
Ribeiro da Guarda Não - 0.00
Ribeiro da Petrogal Não - 0.00
Emissário Submarino Não - 0.00
Ribeiro da Boa Nova Não - 0.00
Ribeiro do Sardoal Não - 0.00
Ribeiro da Riguinha e Carcavelos Não - 0.00
Ribeiro do Castelo do Queijo Não - 0.00
Apenas quatro das dezasseis linhas de água poderão receber caudais
provenientes das descargas de emergências das estações elevatórias. A
magnitude do impacto nas respectivas linhas de água depende da relação
entre o caudal descarregado e o caudal escoado na linha de água.

A descarga para o ribeiro de Pampelido poderá ser das mais gravosas


dado que o valor do caudal do ribeiro é praticamente nulo durante a época
balnear. No caso do rio Leça o caudal escoado é mais elevado e,
consequentemente, as potenciais descargas de emergência terão um menor
impacto.

83
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

5.1.7 – Existência de estruturas de by-pass


Este critério reveste-se da máxima importância porque dada a existência
de estruturas de by-pass instaladas junto à foz de algumas das linhas de água
o caudal que aflui à praia anula-se, durante a sua activação.

Estas estruturas foram introduzidas pela autarquia de Matosinhos com o


objectivo de melhorar a qualidade da água durante a época balnear, tendo sido
introduzidas em alguns dos ribeiros mais poluídos.

As linhas de água de maior caudal como é o caso do rio Leça e do rio


Onda não poderão sofrer desvios idênticos dado os volumes de água
envolvidos.

Apesar de se verificar (Quadro 5.1) que o caudal que aflui à zona


balnear proveniente do ribeiro da Guarda não ser nulo este é muito reduzido
devido à activação de um by-pass situado a cerca de 50 mts da sua foz pelo
que se considerou também, para esta linha de água, uma contribuição nula de
caudal.

No Quadro 5.7 indicam-se as linhas de água em que estão instaladas


estruturas de by-pass.

Quadro 5.7 – Existência de estruturas de by-pass instaladas nas linhas de


água.
Linha de Água By-pass
Rio Onda Não
Unitário em frente antigo centro de saúde Sim
Ribeiro da Certagem Sim
Ribeiro do Corgo Sim
Ribeiro da Agudela Sim
Ribeiro de Pampelido Sim
Ribeiro de Joane Sim
Águas pluviais em frente à Rua Ocidental Sim
Ribeiro da Guarda Sim
Ribeiro da Petrogal Não
Emissário Submarino Não
Ribeiro da Boa Nova Não
Ribeiro do Sardoal Sim
Rio Leça Não
Ribeiro da Riguinha e Carcavelos Não
Ribeiro do Castelo do Queijo Não

84
Cap. 5 │ Análise da Informação

Apresentam-se a seguir classificações das linhas de água baseadas em


critérios que combinam simultaneamente diferentes características.

5.1.8 – Carga de coliformes totais


Esta grandeza resulta do produto do valor do caudal (Quadro 5.1) pela
concentração de coliformes totais da linha de água (Quadro 5.2) , sendo os
seus valores apresentados no Quadro 5.8.

Quadro 5.8 – Carga de coliformes totais das linhas de água.

O emissário submarino representa mais de 90% da carga em coliformes


totais, e juntamente com o rio Leça praticamente 99% da totalidade da carga
de todas as linhas de água consideradas. Em cinco linhas de água não foi
possivel estimar a carga dado não existirem valores relativos às concentrações
de coliformes.

5.1.9 – Carga de coliformes fecais


Os valores descriminados no Quadro 5.9 resultam do produto directo
dos valores médios dos caudais (Quadro 5.1) pelas médias dos valores das
concentrações de coliformes fecais (Quadro 5.3).

85
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Quadro 5.9 – Carga de coliformes fecais em cada uma das linhas de água.

O peso relativo do emissário submarino tem uma diminuição de quase


10% relativamente à carga de coliformes totais subindo para mais do dobro a
importância do rio Leça.

5.1.10 – Ordenação das linhas de água


Recorrendo aos resultados obtidos nos pontos anteriores procurou-se
obter uma ordenação única baseada nos diferentes critérios anteriormente
definidos. Para tal, foi adicionado o valor relativo apresentado em cada um dos
quadros anteriores e ordenadas as linhas de água por ordem decrescente do
valor da respectiva soma. No Quadro 5.10 apresentam-se os resultados
obtidos.

86
Cap. 5 │ Análise da Informação

Quadro 5.10 – Ordenação das linhas de água.

87
Cap. 5 │ Análise da Informação

Verifica-se que o emissário submarino juntamente com o rio Leça


correspondem às linhas de água com maior potencial impacto na zona balnear
no concelho de Matosinhos. Juntamente com o ribeiro da Riguinha e
Carcavelos as duas linhas de água atrás descriminadas apresentam um peso
relativo de cerca de 77%.

Pode-se ainda identificar um segundo conjunto de linhas de água, em


que os pesos relativos variam entre os 2% e 5% que incluem o ribeiro do
Sardoal, o rio Onda, o ribeiro do Castelo do Queijo, o ribeiro da Boa Nova, o
ribeiro da Certagem e o ribeiro de Pampelido.

As restantes linhas de água apresentam pesos relativos iguais ou


inferiores a 1%.

No caso das estruturas de by-pass se encontrarem activas e com


funcionamento eficiente as linhas de água em que se encontram instaladas não
terão qualquer influência directa sobre as zonas balneares. Assim, anulando a
influência das linhas de água em que existem estruturas de by-pass obtêm-se
os resultados apresentados no Quadro 5.11.

88
Cap. 5 │ Análise da Informação

Quadro 5.11 – Ordenação das linhas de água considerando as estruturas de


by-pass activas.
Valor
Soma Relativo
Linha de Água (%) By-pass 1 Produto (%) (%)

Emissário (Exutor - Difusor) 360 1 360 51.75


Rio Leça 154 1 154 22.06
Ribeiro da Riguinha e Carcavelos 106 1 106 15.19
Rio Onda 29 1 29 4.21
Ribeiro do Castelo do Queijo 22 1 22 3.10

Ribeiro da Boa Nova 18 1 18 2.58


Ribeiro da Petrogal 8 1 8 1.11
Unitário em frente antigo centro de saúde 3 0 0 0.00
Ribeiro da Certagem 15 0 0 0.00
Ribeiro do Corgo 7 0 0 0.00
Ribeiro da Agudela 4 0 0 0.00

Ribeiro de Pampelido 13 0 0 0.00


Ribeiro de Joane 11 0 0 0.00
Águas pluviais em frente à Rua Ocidental 4 0 0 0.00
Ribeiro da Guarda 6 0 0 0.00
Ribeiro do Sardoal 40 0 0 0.00
No Quadro 5.11 verifica-se que a importância dos três principais cursos
de água se mantém em termos de potencial impacto. Apresentam um peso
moderado o rio Onda, o ribeiro do Castelo do Queijo, o ribeiro da Boa Nova e o
ribeiro da Petrogal.

89
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

5.2 – PRAIAS

5.2.1 - Área das praias


Optou-se por utilizar a dimensão das praias (Quadro 5.12), para as
distinguir quanto à sua utilização, dado não estarem disponíveis dados quanto
ao número de frequentadores de cada uma delas. As praias de maior dimensão
são, em princípio, mais utilizadas.

Quadro 5.12 – Área das praias de Matosinhos.


Valor relativo
2
Praia Area (m ) (%)
Praia de Leça 148,445 15.39
Praia do Aterro 123,014 12.75
Praia do Corgo 119,006 12.33
Praia de Matosinhos 119,005 12.33
Praia de Angeiras Sul 82,368 8.54
Praia da Memória 80,097 8.30
Praia da Agudela 73,252 7.59
Praia do Funtão 57,806 5.99
Praia Cabo do Mundo 56,329 5.84
Praia de Angeiras Norte 45,594 4.73
Praia da Quebrada 24,211 2.51
Praia do Marreco 13,821 1.43
Praia da Senhora 10,483 1.09
Praia do Paraíso 6,292 0.65
Praia da Conchinha 5,061 0.52
Verificamos da análise do Quadro 5.12 que existem 4 praias com áreas
superiores a 100000 m2, outras 5 com áreas entre os 50000 m2 e os 100000 m2
e as restantes 6 praias tem áreas que vão dos 5000 m2 até aos 50000 m2.

5.2.2 – Concentração de coliformes totais das praias


Com este parâmetro pretendeu-se mensurar a poluição bacteriológica da
água balnear das diferentes praias (Quadro 5.13). Os dados utilizados
referem-se às médias dos valores dos coliformes totais medidos ao longo do
ano de 2005. Apesar de estarem disponíveis resultados da qualidade da água
nas praias desde 1999, optou-se por utilizar apenas os dados de 2005, que
correspondem ao mesmo período de análise utilizado para as linhas de água. É

90
Cap. 5 │ Análise da Informação

de realçar que os resultados de 2005 são próximos dos valores médios


calculados com a série de dados disponível (de 1999 a 2005), sendo estes
apresentados no Anexo V.

Quadro 5.13 – Concentrações médias de coliformes totais nas praias de


Matosinhos no ano de 2005.

No Quadro 5.13 podemos verificar que à excepção das praias do


Paraíso e da Conchinha todas as outras médias são inferiores ao limite máximo
definido na legislação (VMA-10000 NMP/100 mL) para a classificação de
conformidade relativa aos coliformes totais.

5.2.3 – Concentração de coliformes fecais das praias


A concentração de coliformes fecais nas águas das praias é um dos
indicadores a considerar na aptidão da praia para o uso balnear. No Quadro
5.14 apresentam-se os valores obtidos no ano de 2005.

91
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Quadro 5.14 – Concentrações médias de coliformes fecais nas praias de


Matosinhos no ano de 2005.

Tal como se verificou com os coliformes totais apenas a praia da


Conchinha e Paraíso tem médias superiores ao limite máximo preconizado pela
lei para a conformidade no que respeita aos coliformes fecais (VMA - 2000
NMP/100 mL).

5.2.4 – Amostras não conformes nas praias


Este critério é da maior importância dado que permite verificar se a
qualidade da água da praia é consentânea com o uso para fins balneares. Os
resultados apresentados no Quadro 5.15 foram obtidos a partir das análises
dos coliformes totais e fecais anteriormente descriminadas e de acordo com os
parâmetros definidos no Capítulo 2.

92
Cap. 5 │ Análise da Informação

Quadro 5.15 – Número de não conformidades verificadas no ano de 2005 nas


análises das praias do concelho de Matosinhos.

As praias de Matosinhos e de Angeiras Norte apesar de não serem as


que possuem concentrações médias dos valores de contaminação
bacteriológica superiores são as que têm maior número de não conformidades,
seguidas das duas praias mais pequenas (Paraíso e Conchinha) que tem
também as maiores concentrações médias de coliformes totais e fecais.

5.2.5 – Ordenação das praias


De forma análoga ao procedimento utilizado para as linhas de água
procurou-se obter uma ordenação única para as praias baseada nos diferentes
critérios atrás apresentados. No Quadro 5.16 apresentam-se os resultados
obtidos.

93
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Quadro 5.16 – Ordenação das praias.

Da análise do Quadro 5.16 constata-se que as praias mais


problemáticas são as de menor dimensão (Conchinha e Paraíso) e em seguida
a praia de Matosinhos e Angeiras Norte.

Após a análise dos resultados anteriores quer em relação a linhas de


água quer em relação às praias torna-se necessário relacionar os resultados
obtidos nas linhas de água com os resultados obtidos para as praias. Esta
análise será essencialmente baseada na aplicação de um modelo matemático
apresentado no capítulo 6. No entanto, recorrendo a uma análise de
proximidade entre as descargas das linhas de água e pontos de amostragem
da qualidade da água nas praias (Anexo VI) podem apresentar-se as seguintes
considerações:

- o emissário submarino encontra-se mais próximo das praias do Aterro


e da Conchinha que se situam na primeira e quinta posição na ordenação
realizada para as praias mais vulneráveis às descargas.

- o rio Leça encontra-se mais perto das praias de Leça e de Matosinhos


que ocupam a sexta e a terceira posição na referida ordenação.

94
Cap. 5 │ Análise da Informação

- quanto ao ribeiro da Riguinha e Carcavelos encontra-se mais perto das


praias de Leça e Matosinhos que ocupam a sexta e terceira posições,
respectivamente.

- as praias da Conchinha e Paraíso situam-se mais próximas do ribeiro


da Boa Nova e um pouco mais distantes do Sardoal, estando estes ribeiros
classificados na sétima e quarta posições, respectivamente.

95
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

96
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

6 – MODELAÇÃO MATEMÁTICA DAS AFLUÊNCIAS DE ÁGUAS


INTERIORES À ZONA COSTEIRA DO CONCELHO DE MATOSINHOS

6.1 – Generalidades
As zonas costeiras encontram-se entre os ambientes marinhos de maior
complexidade da Terra. Elas estão sujeitas a um conjunto de acções exteriores
laterais, internas e superficiais devidas ao movimento das marés, impulsões e
vento, restringidas por geometrias irregulares da costa e do fundo,
compreendendo um largo espectro de escalas espaciais e temporais. As
circulações costeiras resultantes são constituídas por frentes permanentes e/ou
variáveis, correntes com forte variação espacial (ao longo da costa e/ou na
vertical), ondas, variações horizontais das características das massas de água,
fortes estratificações verticais e zonas de intensa mistura turbulenta, quer em
camadas superficiais quer em camadas junto ao fundo.

A modelação numérica destas áreas requer modelos de grande


flexibilidade cuja implementação apresenta uma grande complexidade. Quanto
mais complexo é o modelo, menos precisa é a técnica de obtenção de
soluções o que gera maior controvérsia na análise dos resultados obtidos a
partir dos modelos. Quanto mais variáveis estão envolvidas num modelo de um
sistema marinho maior é o número de parâmetros que dependem do
modelador. Com este aumento de parâmetros aumenta também o nível de
incerteza associado aos modelos obtidos (Pinho, 2001).

A modelação da qualidade de água evoluiu apreciavelmente desde que


surgiram os primeiros trabalhos nestas áreas no início do século XX. A
modelação da qualidade de águas superficiais apresenta quatro estágios
distintos de desenvolvimento (Chapra, 1997).

Os primeiros trabalhos de modelação da qualidade da água tinham


como preocupação primordial a avaliação do impacto das descargas de águas
residuais em rios ou estuários. Uma vez que nesta fase ainda não era possível
recorrer a meios de cálculo automático, a avaliação das concentrações do

97
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

oxigénio dissolvido (como medida do impacto provocado pelas descargas) em


águas superficiais era efectuada adoptando-se cinéticas lineares na descrição
dos processos, geometrias simplificadas dos sistemas naturais e
consideravam-se regimes permanentes na caracterização da hidrodinâmica
dos sistemas receptores.

Nos anos 60 com o aumento da acessibilidade aos meios de cálculo


automático, a modelação da qualidade da água sofreu um desenvolvimento,
com o aparecimento de técnicas de resolução numérica, que permitiram obter
soluções para problemas em que a principal variável de estado considerada
ainda era o oxigénio dissolvido, mas em que a cinética dos processos
modelados e as geometrias mais complexas podiam ser obtidas em regime
variável. A aplicação destes modelos estendeu-se a sistemas bidimensionais
como estuários ou zonas costeiras.

O terceiro período de desenvolvimento da modelação da qualidade de


águas superficiais coincide com o aparecimento dos primeiros movimentos
ecológicos nos anos 70. O principal problema ambiental alvo dos trabalhos de
modelação, refere-se à eutrofização, provocada sobretudo pelas fontes difusas
de nutrientes e que conduz à degradação da qualidade da água dos meios
receptores. Surgiram então, diversas descrições mecanicistas deste processo
biológico, que com o auxílio dos meios de cálculo disponíveis permitiram a
obtenção de soluções numéricas.

A quarta fase de desenvolvimento dos modelos de qualidade da água


caracteriza-se pelo esforço colocado no estudo do comportamento de
substâncias tóxicas e da sua associação aos processos que regulam o
transporte da matéria em suspensão na coluna de água. Esta matéria, que
poderá incluir pequenas partículas orgânicas, tais como o fitoplâncton, podem
ser ingeridas passando a incorporar-se em organismos de nível trófico superior
(onde poderá ocorrer a sua concentração), o que foi objecto de análise através
da inclusão dos modelos da cadeia alimentar nos processos de modelação da
qualidade da água.

98
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

Actualmente, modelos bi e tridimensionais, considerando processos com


cinéticas mecanicistas complexos, podem ser implementados com custos
computacionais relativamente baixos. Por outro lado, os desenvolvimentos
verificados nos trabalhos de investigação neste domínio no que se refere à
caracterização dos processos e da hidrodinâmica das águas superficiais
atingiram um nível que permite a sua implementação em estruturas gerais de
modelação da qualidade da água.

Para a modelação conjunta da hidrodinâmica e da qualidade da água em


zonas costeiras é indispensável o desenvolvimento de uma estrutura comum
que permita a resolução quer das equações que regem a física dos
escoamentos nestas zonas (equação da continuidade e equações de
conservação da quantidade de movimento) quer as equações (em cada um dos
processos são normalmente seleccionadas as variáveis consideradas
preponderantes estabelecendo-se equações de balanço de massa para cada
uma das variáveis) que definem a distribuição dinâmica de variáveis
indicadoras do estado da qualidade da água (equações de advecção-difusão-
reacção de substâncias dissolvidas na água). Se, relativamente às primeiras,
as formulações matemáticas conhecidas actualmente são aceites de forma
quase unânime (com excepção para os aspectos relacionados com a
modelação da turbulência), a modelação dos processos biogeoquimicos
apresenta-se muito menos consensual, dadas as simplificações efectuadas,
sobretudo no que se refere à caracterização das reacções (não existem
normalmente leis universais para a sua definição). Assim, no estado actual de
conhecimentos, o estabelecimento das leis que regem os processos a que
determinadas substâncias estarão sujeitas em meio hídrico, deverá ser sempre
questionada e se possível comprovada, com base quer nos dados de campo
disponíveis quer através de estudos desenvolvidos para meios hídricos
semelhantes (Pinho, 2001).

Na modelação da qualidade da água recorre-se, na generalidade dos


casos, à caracterização da distribuição no meio fluído de grandezas
consideradas como indicativas dessa qualidade. A evolução espaço-temporal

99
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

da referida distribuição resulta da combinação de dois efeitos principais: o seu


transporte no meio fluído e as reacções a que está sujeita em função das
condições ambientais.

6.2 – Formulação matemática do modelo

O modelo construído engloba um módulo hidrodinâmico e um módulo de


transporte de massa implementados no software RMA2 e RMA4,
respectivamente.

O programa RMA2 permite a implementação de modelos hidrodinâmicos


bidimensionais no plano horizontal. Este programa é baseado no Método dos
Elementos Finitos (WES-HL, 1996). Calcula a altura da água e as componentes
horizontais da velocidade média segundo a direcção vertical nos pontos nodais
da malha em que é discretizado o domínio.

O programa é baseado nas equações de conservação de massa e


quantidade de movimento integradas segundo a direcção vertical:

(1)
∂h  ∂u ∂v  ∂h ∂h
+ h +  + u + v =0
∂t  ∂x ∂y  ∂x ∂y

∂u ∂u ∂u h  ∂ 2u ∂ 2u   ∂a ∂h  (2)
h + hu + hu −  E xx 2 + E xy 2  + gh + +
∂t ∂y ∂y ρ  ∂x ∂y   ∂x ∂x 
gun 2 2
( 1
)
+ 1 u + v 2 2 − ζ Va2 cosψ − 2hωv sin φ = 0
h 3

∂v ∂v ∂v h  ∂ 2v ∂ 2v   ∂a ∂h  (3)
h + hu + hv −  E yx 2 + E yy 2  + gh +  +
∂t ∂x ∂y ρ  ∂x ∂y   ∂y ∂y 
gvn 2
( 1
)
+ 1 u 2 + v 2 2 − ζVa2 sinψ − 2hωu sin φ = 0
h 3

onde,

100
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

x e y são as coordenadas horizontais cartesianas [m];

t é o tempo [s];

u e v são a média vertical das componentes horizontais de velocidade


[ms-1];

h é a profundidade total [m];

ρ é a massa volúmica da água [kgm-3];

ρa é a massa volúmica do ar [kgm-3];

a é a elevação da superfície livre [m];

Va é a velocidade do vento [ms-1];

ψ é a direcção do vento [-];

ζ é o coeficiente de atrito entre o ar e a água [-];

ω velocidade angular de rotação da Terra [rad s-1];

φ latitude do local [-];

n é o coeficiente de Manning [m-1/3s];

Exx, Exy, Eyx, e Eyy são os coeficientes de viscosidade turbulenta [kgm-1s-


1
].

O modelo de qualidade da água foi implementado com o software RMA4


baseado na forma bidimensional da equação de transporte de massa:

dc dc dc d dc d dc
+ u + v − Dx − Dy − σ + kc + R(c) = 0 [4]
dt dx dy dx dx dy dy

em que,

101
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

c é a concentração da substância [kgm-3];

Dx e Dy são os coeficientes de difusividade turbulenta [m2s-1];

k é a taxa de decaimento/crescimento da substância [s-1];

σ é o termo correspondente a fontes ou sumidouros da substância [kgm-


3 -1
s ];

R(c) é a taxa de entrada/saída através da superfície livre (precipitação ou


evaporação) [kgm-3s-1].

São consideradas tantas equações do tipo da Eq. 4 quantas as variáveis


consideradas no processo de qualidade da água simulado. O termo kc é
substituído por uma equação de reacção mais complexa nos casos em que se
pretendem simular processos de qualidade da água distintos dos que envolvem
apenas uma substância conservativa (neste caso k=0) ou uma substância não
conservativa.

O programa pode ser usado para avaliar o transporte de qualquer


substância que se encontre dissolvida na água sendo também utilizado para
investigar o processo de decaimento e mistura de substâncias não
conservativas em albufeiras, rios, estuários e zonas costeiras.

Tem sido aplicado para caracterizar a distribuição horizontal da


salinidade na foz de rios, calcular o tempo de residência de portos e baías,
identificar áreas potenciais para derramamento de hidrocarbonetos ou a
propagação de outros poluentes.

A aplicação do programa RMA4 (WES-HL, 2000) está limitada a


sistemas que possam ser estudados a uma ou duas dimensões, onde a
distribuição da concentração na direcção vertical poderá ser considerada
uniforme.

Deste modo, os resultados apresentados devem ser encarados com


alguma prudência, uma vez que na realidade as descargas no mar poderão

102
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

ocasionar concentrações mais elevadas para a situação em que não ocorra


uma mistura vertical instantânea.

6.3 – Domínio modelado e discretização espacial


O domínio modelado corresponde a uma área costeira com cerca de 250
km2 que compreende a totalidade da frente marítima do concelho de
Matosinhos, estendendo-se para norte do rio Onda (no concelho de Vila do
Conde) cerca de 2 km e para sul do rio Douro (concelho do Porto) cerca de 3
km (Figura 6.1).

Figura 6.1 – Modelo hidrodinâmico e de qualidade da água do concelho de


Matosinhos: domínio modelado.

As malhas revelam-se de crucial importância na resolução numérica de


sistemas de equações diferenciais de derivadas parciais, associados a muitos
problemas físicos. Uma das tarefas iniciais do desenvolvimento e
implementação de um modelo de uma zona costeira consiste na discretização
do domínio de interesse. A forma dos elementos constituintes de uma malha

103
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

condiciona fortemente o desempenho dos métodos numéricos utilizados na


resolução de um determinado problema. As malhas utilizadas na modelação
(através do MEF) deverão seguir as seguintes regras principais: serem
formadas por elementos (triângulos ou quadriláteros) não distorcidos e os
ângulos internos mínimos deverão ser limitados (o limite de 20º) é um valor
mínimo aceitável).

Na Figura 6.2 apresenta-se a malha de elementos finitos utilizada no


modelo constituída por 4902 elementos triangulares e 11135 nós. A batimetria
foi definida a partir de uma base de dados batimétrica global na generalidade
do domínio e de dados de elevada resolução espacial resultantes de
levantamentos batimétricos no estuário do rio Douro e no Porto de Leixões.

Figura 6.2 – Modelo hidrodinâmico e de qualidade da água: malha de


elementos finitos.

104
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

6.4 - Cenários de modelação


Foram considerados vários cenários de modelação com o objectivo de
avaliar a área de impacto de cada uma das afluências fazendo variar diversos
parâmetros com influência nos resultados do modelo. O conjunto de cenários
definidos resultou da consideração de diferentes valores do caudal das linhas
de água, da variável bacteriológica considerada, da duração da simulação, do
tempo de decaimento da variável bacteriológica, do estado inactivo ou activo
das estruturas de by-pass, da inclusão no modelo da descarga do rio Douro e
do regime hidrodinâmico. No Quadro 6.1 apresenta-se uma síntese dos
cenários simulados.

105
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Quadro 6.1 – Cenários simulados.

Foram adoptadas as seguintes considerações na definição de cenários:

- Relativamente aos caudais das linhas de água são considerados três


conjuntos de valores: os valores mínimos, médios e máximos das séries de
caudais já apresentados no Capitulo 4.

- No que diz respeito à variável bacteriológica são considerados dois


tipos: os coliformes totais e os coliformes fecais e dentro de cada um deste tipo
dois conjuntos de valores os médios e os máximos das séries de resultados
apresentados no Capítulo 4.

106
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

- Analisa-se ainda a influência da duração da simulação nos resultados


obtidos considerando dois valores distintos (12h e 24h de tempo de simulação).

- Para o parâmetro T90 foram considerados valores que vão desde 1,5 h
até às 6 horas. Foi, ainda, simulado o efeito das descargas adoptando um
comportamento conservativo para o poluente simulado.

- Considerou-se a influência da activação das estruturas de by-pass já


descritas no Capítulo 3.

- Foram simuladas as descargas, considerando diferentes valores para o


caudal do rio Douro (valores mínimos, médios, e máximos).

- Por último simularam-se as descargas em regime hidrodinâmico


variável (acção da maré).

Nas simulações realizadas não foram consideradas correntes das águas


costeiras, salientando-se que estas alteram a configuração das plumas
resultantes das descargas em condições de estratificação da coluna de água.

Deste conjunto de cenários é possível analisar diferentes aspectos


relacionados com as afluências das diferentes linhas de água.

Os resultados obtidos com os cenários 2, 9 e 10 (coliformes totais) e os


cenários 15, 22 e 23 (coliformes fecais) permitem avaliar a influência da
variação de caudal associada a incrementos de concentração nos resultados
obtidos para as plumas das descargas.

Os resultados obtidos com os cenários 2 e 5 (coliformes totais) e 15 e 18


(coliformes fecais) permitem avaliar a influência da duração do tempo de
simulação (12 horas e 24 horas).

Os valores resultantes dos cenários 1, 2, 3, 4, 27 e 28 para os coliformes


totais e os cenários 14, 15, 16, 17, 29 e 30 para os coliformes fecais permitem
avaliar a influência do parâmetro T90.

107
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Os cenários 2 e 11 (coliformes totais) e 15 e 24 (coliformes fecais)


permitem avaliar a influência da activação ou não das estruturas de by-pass.

Os cenários 6, 7, 8 e 31 e 19, 20, 21 e 32 produziram resultados que


permitem avaliar a influência do rio Douro, respectivamente para os coliformes
totais e fecais.

Os valores resultantes dos cenários 11 e 13 (coliformes totais) e 24 e 26


(coliformes fecais) permitem avaliar o efeito da maré nas plumas resultantes.

6.5 - Resultados obtidos nas diferentes simulações


Neste ponto procede-se à apresentação dos resultados considerados
mais relevantes obtidos com as simulações realizadas.

Na impossibilidade de efectuar uma calibração do modelo hidrodinâmico


e de transporte de massa de forma adequada, devido à falta de séries de
dados consistentes, foram adoptados valores para os parâmetros de calibração
idênticos aos determinados para modelos semelhantes (n= 0,025 m-1/3s,
E=20000 kgm-1s-1) no modelo hidrodinâmico e os coeficientes de difusividade
turbulenta foram determinados automaticamente com base num procedimento
implementado no programa RMA4.

Os resultados apresentados correspondem a plumas cujos limites são


estabelecidos com base nos valores VMA e VMR do DL 236/98 já
apresentados no Capítulo 2. Em termos gráficos os resultados apresentados
evoluem do azul escuro para o vermelho passando pelo azul claro, verde,
amarelo e laranja. Correspondendo o azul ao VMR e o vermelho ao VMA.

6.5.1 - Análise do efeito do tempo de simulação


A pluma resultante de uma descarga depende naturalmente da carga
poluente envolvida mas também da duração de manutenção das condições em
que se realiza a descarga. Para analisar o efeito do tempo de simulação nas

108
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

configurações obtidas para as plumas foram efectuadas diferentes simulações


que envolvem os cenários 2, 5, 15 e 18.

Na Figura 6.3 apresentam-se os resultados obtidos para as plumas de


coliformes totais ao fim de 12 horas de simulação (Cenário 2) e ao fim de 24
horas de simulação (Cenário 5).

Cenário 2 Cenário 5
Concentração Concentração
180000 NMP/100 ml 180000 NMP/100 ml

-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
10000 10000

Rio Onda Rio Onda

Ribeiro da Certagem 500 Ribeiro da Certagem 500

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000

Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal


Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

10000
Rio Douro 10000
Rio Douro

500 500
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.3 – Resultados de modelação: análise do efeito do tempo de


simulação nas plumas de coliformes totais- cenários 2 e 5.

109
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

As plumas obtidas ao fim de 12 horas e 24 horas apresentam uma


configuração muito semelhante. Conclui-se, assim, que ao fim de 12 horas o
regime verificado na zona em estudo já se encontra estabilizado. Esta duração
de simulação foi adoptada nos restantes cenários a seguir apresentados.

Na Figura 6.4 apresentam-se os resultados obtidos para as plumas de


coliformes fecais ao fim de 12 horas de simulação (Cenário 15) e ao fim de 24
horas de simulação (Cenário 18).

Cenário 15 Cenário 18
180000 Concentração 180000 Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml
-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
2000 2000

Rio Onda Rio Onda


100 100
Ribeiro da Certagem Ribeiro da Certagem

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000

170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml
2000 Rio Douro 2000 Rio Douro

100 100
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.4 – Resultados de modelação: análise do efeito do tempo de


simulação nas plumas de coliformes fecais - cenários 15 e 18.

110
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

Tal como foi verificado para os coliformes totais as plumas ao final de 24


horas de simulação são idênticas às obtidas ao fim de 12 horas.

6.5.2 – Análise da influência da carga bacteriológica


O caudal que aflui à orla costeira proveniente de cada uma das linhas de
água e a sua concentração bacteriológica constituem, na maior parte dos
casos, os factores determinantes da dimensão da pluma resultante. Na Figura
6.5 (coliformes totais) para os cenários 2 e 9 e na Figura 6.6 (coliformes fecais)
para os cenários 15 e 22 pode-se observar a influência que a variação do
caudal e da concentração tem na dimensão das plumas.

111
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Cenário 2 Cenário 9
Concentração Concentração
180000 NMP/100 ml 180000 NMP/100 ml

-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
10000 10000

Rio Onda Rio Onda

Ribeiro da Certagem 500 Ribeiro da Certagem 500

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000

170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

10000 Rio Douro 10000 Rio Douro

500 500
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.5 – Resultados de modelação: análise do efeito da carga


bacteriológica em coliformes totais - cenários 2 e 9.

Como seria de esperar o aumento do valor do caudal conjugado com o


aumento da concentração bacteriológica fez aumentar a dimensão das plumas
de todas as linhas de água. Esse aumento significa para a praia de Matosinhos

112
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

um acréscimo da extensão da área afectada de cerca de 100 metros e para o


ribeiro do Corgo de cerca de 150 metros para sul e para norte.

Cenário 15 Cenário 22
180000 Concentração 180000 Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
2000 2000

Rio Onda Rio Onda


100 100
Ribeiro da Certagem Ribeiro da Certagem

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000

170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos
Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo
do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NM P/ 100 mL
2000 Rio Douro 2000 Rio Douro

100 100
-52500

-47500

-42500
-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.6 – Resultados de modelação: análise do efeito da carga


bacteriológica em coliformes fecais - cenários 15 e 22.

Tal como se verifica para os coliformes totais as plumas de coliformes


fecais das diferentes linhas de água aumentam a sua dimensão com o
aumento do caudal e da concentração bacteriológica verificando-se, no entanto
um aumento muito mais significativo da dimensão da pluma do emissário

113
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

submarino. A influência da pluma referida anteriormente alcança a pluma do


Ribeiro da Boa Nova. Salienta-se que a carga de coliformes fecais estabelecida
para o emissário foi estimada.

Não são apresentadas as imagens resultantes das simulações


referentes aos cenários 10 e 23 porque são em tudo semelhantes às obtidas
para os cenários 9 e 22.

6.5.3 Análise de sensibilidade dos resultados à taxa de decaimento de CT


e CF
Nas simulações realizadas foram considerados diferentes valores para o
parâmetro T90, tempo necessário para reduzir em 90% a concentração da
substância em causa, com o objectivo de testar a influência deste parâmetro na
dimensão das plumas das diferentes linhas de água.

O valor recomendado para o parâmetro T90 difere de acordo com o


país. Nas normas Espanholas é-lhe atribuído o valor de 2 horas nas normas
Francesas entre 2.5 e 3 horas e nas normas Inglesas entre as 4 e as 6 horas
(IHRH, 1990).

O IHRH procedeu em agosto de 1998 à realização de medições de T90


na praia de Matosinhos onde, num dia típico de verão se registaram valores de
cerca de 0.5 a 1 horas.

Na Figura 6.7 relativa aos cenários 27 e 28 apresentam-se os


resultados de plumas de coliformes totais para valores de T90=1,5 h e T90=6,0
h, respectivamente.

Estes resultados correspondem aos valores mínimos e máximos


simulados para o parâmetro em questão. Foram ainda simulados valores de
0,5 h e 1 h para o parâmetro mas as plumas resultantes apresentam
dimensões desprezáveis, com valores sempre abaixo dos valores máximos
recomendados.

114
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

O valor máximo testado para o parâmetro corresponde ao máximo


definido nas normas do Reino Unido, as quais correspondem ao mar do norte,
mais frio, não sendo de crer que o parâmetro apresente valores superiores a
este. Não são apresentadas as figuras dos cenários 2, 3 e 4 e 15, 16 e 17 dado
que apresentam plumas com dimensões intermédias às apresentadas nas
figuras que se seguem.

Cenário 27 Cenário 28
Concentração Concentração
180000 NMP/100 ml 180000 NMP/100 ml

-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
10000 10000

Rio Onda Rio Onda

Ribeiro da Certagem 500 Ribeiro da Certagem 500

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000

170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

10000 Rio Douro 10000 Rio Douro

500 500
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.7 – Resultados de modelação: análise do efeito do T90 na


configuração das plumas de coliformes totais - cenários 27 e 28.

115
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Tal como seria de esperar as plumas correspondentes ao cenário 27 são


de dimensão mais reduzida em comparação com as do cenário 28. Para o
cenário 27 apenas os ribeiro do Corgo, Boa Nova, Sardoal, rio Leça e ribeiro da
Riguinha e Carcavelos apresentam plumas com extensões em que se verificam
concentrações superiores ao máximo admissível por lei enquanto que para o
cenário 28 todas as linhas de água que afluem ao mar apresentam plumas com
concentrações superiores ao máximo anteriormente referido.

Na Figura 6.8 relativa aos cenários 29 e 30 apresentam-se resultados


de plumas de coliformes fecais para valores de T90= 1,5 h e T90= 6 h ,
respectivamente.

116
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

Cenário 29 Cenário 30
180000 Concentração 180000 Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
2000 2000

Rio Onda Rio Onda


100 100
Ribeiro da Certagem Ribeiro da Certagem

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000

170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml
2000 Rio Douro 2000 Rio Douro

100 100
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.8 – Resultados de modelação: análise do efeito do parâmetro T90 na


configuração das plumas de coliformes fecais - cenários 29 e 30.

A dimensão das plumas e a relação entre as suas áreas são


semelhantes às obtidas para coliformes totais, apresentando-se no entanto
com áreas ligeiramente superiores. Considerando, por exemplo, um valor de

117
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

T90= 6 h (cenário 30) o rio Onda afecta uma parte significativa da praia de
Labruje e a quase totalidade da praia de Angeiras Norte com valores
superiores aos máximos recomendáveis.

6.5.4 – Resultados para substâncias conservativas


A razão de considerar e apresentar as plumas correspondentes a
substâncias conservativas prende-se com o facto de se pretender estimar a
área máxima de influência de cada descarga em regime permanente.

Na Figura 6.9 apresentam-se resultados de plumas de uma substância


conservativa que apresente concentrações e cargas com valores idênticos aos
valores referentes aos coliformes totais (Cenário 1).

a) Cenário 1, norte do concelho b) Cenário 1, sul do concelho


Concentração
180000 NMP/100 ml 170000
Ribeiro do Sardoal
-42500
-52500

-47500

10000 Rio Leça

Rio Onda Ribeiros da


Riguinha e
Carcavelos
Ribeiro da Certagem 500
Ribeiro do Castelo
do Queijo
Ribeiro do Corgo
175000 165000

Ribeiro da Agudela Concentração


NMP/100 ml
Ribeiro de Pampelido
10000 Rio Douro
Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal


500
Emissário Submarino
-52500

-47500

-42500

Ribeiro da Boa Nova


170000 160000

Figura 6.9 – Resultados de modelação: análise do comportamento de uma


substância conservativa – cenário 1.

Da análise dos resultados é evidente que a dimensão das plumas é


muito superior às apresentadas para substâncias não conservativas. Verifica-
se ainda que as substâncias conservativas com concentrações semelhantes
aos coliformes totais iriam influenciar a totalidade da zona balnear de

118
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

Matosinhos, com exclusão de uma pequena faixa em frente às linhas de água


de Pampelido.

6.5.5 - Simulação de plumas de descargas com by-pass inactivo ou activo


Tendo em consideração, tal como já foi descrito anteriormente no
Capitulo 5, que algumas das linhas de água do concelho de Matosinhos não
afluem ao mar em determinados períodos do ano devido à activação das
estruturas de by-pass, efectuou-se um ajuste do modelo anteriormente
apresentado à realidade, desprezando a influência das linhas de água que
devido à activação das estruturas de by-pass não afluem ao mar.

Considerou-se tal como foi efectuado no Capitulo 5 para o ribeiro da


Guarda a activação da estrutura de by-pass.

Na Figura 6.10 (coliformes totais) e na Figura 6.11 (coliformes fecais)


apresentam-se os resultados relativos aos cenários 2 e 15, considerando todas
as linhas de água e relativos aos cenários 11 e 24 que consideram apenas as
linhas de água que afluem ao mar após a activação das estruturas de by-pass.

119
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Cenário 2 Cenário 11
Concentração Concentração
180000 NMP/100 ml 180000 NMP/100 ml

-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
10000 10000

Rio Onda Rio Onda

Ribeiro da Certagem 500 Ribeiro da Certagem 500

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000

170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

10000 Rio Douro 10000 Rio Douro

500 500
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.10 – Resultados de modelação: análise das plumas resultantes da


inactivação ou activação dos by-pass para os coliformes totais – cenários 2 e
11.

Pode-se observar claramente na Figura 6.10 a implicação que a


activação dos by-pass tem na qualidade da água balnear. Com a activação dos
by-pass apenas são afectadas as praias de Angeiras Norte, Conchinha,
Senhora e Matosinhos resultantes das descargas do rio Onda, ribeiro da Boa

120
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

Nova, rio Leça, ribeiros da Riguinha e Carcavelos e ribeiro do Castelo do


Queijo.

Cenário 15 Cenário 24
180000 Concentração 180000 Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

-42500

-42500
-52500

-47500

-52500

-47500
2000 2000

Rio Onda Rio Onda


100 100
Ribeiro da Certagem Ribeiro da Certagem

Ribeiro do Corgo Ribeiro do Corgo


175000 175000
Ribeiro da Agudela Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 170000


170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml
2000 Rio Douro 2000 Rio Douro

100 100
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.11 – Resultados de modelação: análise das plumas resultantes da


inactivação ou activação dos by-pass para os coliformes fecais – cenários 15 e
24.

A situação para os coliformes fecais é em tudo análoga à descrita para


os coliformes totais, em súmula verifica-se a anulação das plumas

121
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

correspondentes às linhas de água com by-pass activos e a manutenção da


dimensão das restantes plumas.

Considerando os valores dos caudais e os resultados apresentados na


Figura 6.11 seria de equacionar o desvio dos caudais dos ribeiros da Boa
Nova, Riguinha, Carcavelos e Castelo do Queijo durante a época balnear,
mantendo como únicas afluências à orla costeira os rios Onda e Leça. Desta
forma o risco de contaminação das zonas balneares seria muito diminuido.

6.5.6 Análise do efeito do rio Douro


Neste ponto pretende-se avaliar a influência que a descarga do rio
Douro poderá ter na zona balnear do concelho de Matosinhos.

Para avaliar esta influência considerou-se uma carga bacteriológica total


e fecal correspondente a um cenário hipotético que resultasse da ruptura em
simultâneo de todas as ETAR do concelho do Porto e de Gaia que drenam
directa ou indirectamente para o rio Douro (Águas de Gaia, 2005) (SMAS
Porto, 2005) e (INAG, 2000).

A concentração bacteriológica considerada no rio Douro foi obtida a


partir da população equivalente máxima de cada uma das ETAR e o valor dos
coliformes totais e fecais produzido por adulto definido como 1010 e 2x109 por
habitante por dia (MetCalf & Eddy, 1990).

Os valores dos caudais e concentrações do rio Douro são apresentados


no Anexo VII.

Os resultados apresentados nas Figuras 6.12 e 6.13 correspondem aos


cenários 8 e 21 referentes a um caudal do rio Douro de 200 m3s-1 os cenários 6
e 19 um caudal de 450 m3s-1, os cenários 7 e 20, um caudal de 700 m3s-1 e os
cenários 31 e 32 a um caudal de 10000 m3s-1, respectivamente para os
coliformes totais e fecais.

122
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

a) Cenário 8, caudal = 200 m3s-1 b) Cenário 6, caudal = 450 m3s-1


170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

10000 10000
Rio Douro Rio Douro

500 500
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500
160000 160000

c) Cenário 7, caudal = 700 m3s-1 d) Cenário 31, caudal = 10000 m3s-1


170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

10000 Rio Douro 10000 Rio Douro

500 500
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.12 – Resultados de modelação: análise das plumas para os


coliformes totais resultantes da afluência do rio Douro, cenários 6, 7, 8 e 31.

As plumas do Douro em qualquer um dos cenários apresentados na


Figura 6.12 não influenciam a zona balnear de Matosinhos. Verifica-se que o
aumento do valor do caudal corresponde a uma diminuição da dimensão da
pluma com valores superiores ao VMA, como seria de esperar.

123
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Salienta-se no entanto, que plumas mais extensas poderão ocorrer no


caso de se verificarem condições de escoamento estratificado e uma acção do
vento não desprezável. Estas condições estão fora da capacidade preditiva do
modelo utilizado.

a) Cenário 21, caudal = 200 m3s-1, b) Cenário 19, caudal = 450 m3s-1
170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml
2000 Rio Douro 2000 Rio Douro

100 100
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500
160000 160000

c) Cenário 20, caudal = 700 m3s-1 d) Cenário 32, caudal = 10000 m3s-1
170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml
2000 Rio Douro 2000 Rio Douro

100 100
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.13 – Resultados de modelação: análise das plumas para os


coliformes fecais resultantes da afluência do rio Douro, cenários 19, 20, 21 e
32.

124
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

As plumas apresentadas na Figura 6.13 são em tudo semelhantes às


apresentadas na Figura 6.12, o que esclarece que a influência da pluma do
Douro não afecta bacteriologicamente a costa de Matosinhos, nas condições
simuladas.

6.5.7 - Influência da maré


Como conclusão dos cenários simulados, avalia-se agora a influência de
outra acção (maré) na configuração final das plumas resultantes das
descargas.

Foram comparados os cenários 11 e 24 para um regime permanente


com os cenários 13 e 26 considerando a acção da maré, respectivamente para
os coliformes totais e fecais.

As plumas referentes ao cenário 11 são em dimensão um pouco


superiores à do cenário 13, em média essa diferença poderá significar uma
diminuição em cerca de 50 metros na dimensão da pluma que afecta as
diferentes praias considerando a influência da maré.

Na Figura 6.14 apresentam-se as plumas referentes ao cenário 26


correspondente aos coliformes fecais, para uma região central da costa de
Matosinhos, em diferentes instantes correspondentes a diferentes situações da
maré.

Não se apresentam as plumas referentes aos coliformes totais dado ser


em tudo semelhante à dos coliformes fecais.

125
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

a) 3 h b) 6h
175000 Ribeiro da Agudela 175000 Ribeiro da Agudela
Ribeiro de Pampelido Ribeiro de Pampelido

Ribeiro de Joane Ribeiro de Joane

Ribeiros da Guarda e Petrogal Ribeiros da Guarda e Petrogal

Emissário Submarino Emissário Submarino

Ribeiro da Boa Nova Ribeiro da Boa Nova


170000 Ribeiro do Sardoal 170000 Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça
Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml

2000 2000

Ribeiro da Riguinha e Ribeiro da Riguinha e


Carcavelos Carcavelos
Ribeiro do Castelo do Ribeiro do Castelo do
-52500

-52500
100 Queijo 100 Queijo
-47500

-47500
-42500

-42500
165000 165000


c) 9 h d) 12 h
170000 170000
Ribeiro do Sardoal Ribeiro do Sardoal
Rio Leça Rio Leça

Ribeiros da Ribeiros da
Riguinha e Riguinha e
Carcavelos Carcavelos

Ribeiro do Castelo Ribeiro do Castelo


do Queijo do Queijo

165000 165000

Concentração Concentração
NMP/100 ml NMP/100 ml
2000 Rio Douro 2000 Rio Douro

100 100
-52500

-47500

-42500

-52500

-47500

-42500

160000 160000

Figura 6.14 – Resultados de modelação: análise das plumas resultantes da


consideração de maré cenário 26 ao fim de a) 3 h, b) 6 h, c) 9 h, d)12 h.

Embora seja dificilmente perceptível na Figura 6.14 verificou-se na


simulação realizada que a pluma resultante apresenta deslocamentos que
rondam os 100 metros para norte e sul.

126
Cap. 6 │ Modelação Matemática das Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do
Concelho de Matosinhos

Em conclusão o aumento da duração da simulação de 12 para 24 horas


não influencia os resultados obtidos o que significa que o modelo, nas
condições simuladas, se encontra estável ao final de meio-dia. O aumento do
parâmetro T90 acarreta um aumento da dimensão das plumas, sendo estas
insignificantes para valores do parâmetro inferiores a 1,5 horas. A pluma do rio
Douro não atinge a zona balnear de Matosinhos considerando uma mistura
completa segundo a direcção vertical. A consideração da acção da maré faz
com que as plumas das linhas de água tenham uma oscilação para norte e
para sul de cerca de 100 metros.

127
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

128
Cap. 7 │ Conclusões e Sugestões para Desenvolvimentos Futuros

7 – CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA DESENVOLVIMENTOS FUTUROS

7.1 – Conclusões
O presente trabalho constitui um dos estudos pioneiros das linhas de
água afluentes às águas costeiras do concelho de Matosinhos, considerando a
totalidade das afluências de forma integrada e avaliando-se a sua influência
nas águas balneares do concelho.

No estudo desenvolvido procedeu-se à recolha e organização de toda a


informação relevante, utilizando-se uma quantidade muito significativa de
informação diversificada que inclui desde a caracterização sumária do concelho
em termos físicos e socio-económicos, a recolha de resultados de qualidade da
água obtidos em campanhas executadas quer a linhas de água quer nas
praias, a apresentação da ETAR de Matosinhos e das principais características
das redes de drenagem de águas residuais do concelho, as características das
linhas de água, as principais características das praias do concelho e
respectivos pontos de monitorização da qualidade da água e algumas
características da plataforma costeira adjacente ao concelho.

Foi criado um Sistema de Informação Geográfica que permitiu a


organização da informação recolhida e serviu de base à sua análise. Este
sistema inclui os seguintes grupos temáticos: linhas de água, bacias
hidrográficas, praias, emissários e interceptores, estações elevatórias, pontos
de amostragem da qualidade da água e estruturas de by-pass.

Com o objectivo de complementar a informação disponível, e dado terem


sido detectadas lacunas importantes na informação disponível, nomeadamente
informação necessária à realização de simulações de descargas através de
modelação matemática, foi realizada uma campanha de monitorização ao
longo de um período de seis meses que permitiu estimar quer o valor do caudal
de cada uma das linhas de água em estudo quer as concentrações
bacteriológicas da água escoada em cada uma delas.

129
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

Os valores mais elevados foram obtidos para os ribeiros da Riguinha e


Carcavelos e Joane (0.25m3s-1 e 0.13m3s-1, respectivamente) seguindo-se o
caudal do ribeiro da Boa Nova (cerca de 0.11 m3s–1). Os valores inferiores
foram obtidos para o Ribeiro da Petrogal e para o Ribeiro do Sardoal (cerca de
0.01m3s-1). Salienta-se, no entanto, que estes valores foram determinados num
período anormalmente seco.

No que se refere à qualidade da água dos ribeiros foram analisadas as


concentrações de coliformes totais, coliformes fecais e estreptococos. Em
relação aos primeiros verificam-se três situações diferenciadas: o rio Onda e os
ribeiros da Certagem, Joane e Guarda apresentam concentrações abaixo de
5x105 NMP/100 mL; os ribeiros do Corgo, Boa Nova e Castelo do Queijo
atingem concentrações superiores a 106 NMP/100 mL e o ribeiro do Sardoal
apresentou concentrações sempre superiores a 5x106 NMP/100 mL. As
concentrações mais elevadas de coliformes fecais verificaram-se no ribeiro do
Sardoal com valores máximos superiores a 3x106 NMP/100 mL. As
concentrações de estreptococos fecais mais elevadas verificaram-se no ribeiro
do Corgo (cerca de 1x106 NMP/100 mL).

Os trabalhos de campo incluíram, ainda, o levantamento fotográfico das


praias, o levantamento das características geométricas das secções de
descarga das linhas de água e o levantamento das estruturas de by-pass
apresentadas no Capítulo 3.

Para a análise da informação recorreu-se à aplicação de diferentes


critérios a partir dos quais se procedeu à classificação das linhas de água e das
praias. Procedeu-se à classificação das linhas de água utilizando-se os
seguintes critérios: caudais, concentração de coliformes totais e fecais, área
das bacias hidrográficas, população da bacia hidrográfica, existência de
descargas de emergência das estações elevatórias para as linhas de água,
existência de estruturas de by-pass e carga de coliformes totais e fecais. No
caso das praias os critérios utilizados foram: área, concentração de coliformes
totais e fecais nos pontos de monitorização das águas balneares e o número
de não conformidades das amostras recolhidas. Conclui-se que as linhas de

130
Cap. 7 │ Conclusões e Sugestões para Desenvolvimentos Futuros

água com maior potencial influência na qualidade da água balnear são o


emissário submarino, o rio Leça, o rio Onda e o ribeiro da Riguinha e
Carcavelos. Quanto às praias, aquelas que apresentam uma maior
vulnerabilidade são por ordem decrescente: praia da Conchinha, praia do
Paraíso, praia de Matosinhos e a praia de Angeiras Norte

A extensão das plumas de coliformes totais e coliformes fecais


associadas a cada uma das descargas foram avaliadas recorrendo-se a um
modelo hidrodinâmico e de transporte de massa da região oceânica adjacente
ao concelho de Matosinhos. Neste modelo, bidimensional no plano horizontal,
admite-se uma distribuição uniforme das concentrações na coluna de água, e
foram apresentadas as áreas afectadas, considerando diferentes condições de
degradação das espécies bacteriológicas e condições de escoamento em
regime permanente.

Para a generalidade das descargas a extensão das plumas apresenta


um efeito localizado, afectando a praia em que se localizam. O rio Onda afecta
a praia de Angeiras Norte em todas as simulações realizadas. As plumas
associadas ao rio Leça desenvolvem-se no interior da zona do porto de
Leixões. Quanto ao emissário submarino, nos cenários considerados, as
plumas não chegam a afectar as praias mais próximas. Contudo, em situações
em que o efluente descarregado pelos difusores, ascenda à superfície e em
condições de vento desfavoráveis, poderão ser afectadas as praias com
concentrações mais intensas do que as que se verificaram nas simulações
realizadas.

A activação das estruturas de by-pass constitui uma solução eficiente


para a protecção das zonas balneares. No entanto, dada a limitada capacidade
das tubagens de recepção dos caudais nestas estruturas, poderão ocorrer
situações de descarga em que não seja possível interceptar a totalidade do
caudal, permitindo-se que os caudais atinjam as praias. Será sempre
necessária uma manutenção cuidada destas estruturas, enquanto se verificar a
existência de águas residuais em redes que deveriam transportar apenas
águas pluviais. As linhas de água que não são desviadas durante a época

131
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

balnear (ribeiro da Boa Nova, ribeiro da Riguinha e Carcavelos e ribeiro do


Castelo do Queijo) têm um impacto negativo na qualidade da água para o uso
balnear nas praias em que desaguam.

Nas condições de simulação adoptadas a pluma do rio Douro não atinge


as praias do concelho de Matosinhos, mesmo considerando cargas
bacteriológicas muito desfavoráveis. No entanto, tal como referido para o caso
do emissário submarino, em condições de estratificação da coluna de água, as
plumas resultantes poderão apresentar maiores extensões.

A maré provoca uma oscilação (com cerca de 100 m para norte e para
sul) das plumas resultantes em cada descarga.

Os resultados negativos verificados na praia de Matosinhos, podem


ainda ser agravados por descargas não consideradas no presente estudo que
ocorram entre o ribeiro do Castelo do Queijo e o rio Douro.

7.2 - Sugestões para desenvolvimentos futuros


Para se conseguir melhorar a qualidade da água balnear das praias do
concelho de Matosinhos será necessário proceder à despoluição das diferentes
linhas de água que desaguam no litoral do concelho ou adoptar medidas que
permitam o desvio de caudais das linhas de água poluídas para a ETAR.
Entende-se que um conhecimento mais aprofundado sobre os regimes
hidrodinâmicos e sobre a qualidade da água, através da realização de um
programa de monitorização que inclua todas as linhas de água, constituirá um
valioso contributo para a selecção das medidas mais adequadas a adoptar.
Sugere-se, assim, a generalização do programa actualmente em curso de
monitorização dos ribeiros da Riguinha e Carcavelos à totalidade das linhas de
água ou, pelo menos, para aquelas que apresentam um potencial impacto mais
significativo.

132
Cap. 7 │ Conclusões e Sugestões para Desenvolvimentos Futuros

As soluções adoptadas para a realização das estruturas de by-pass que


desviam os caudais das praias deveriam ser objecto de um estudo
aprofundado do seu funcionamento de forma a conhecer-se o nível da sua
eficiência e evitarem-se situações de descarga durante a época balnear.

O sistema de informação criado deveria ser disponibilizado numa


plataforma WEB que permita a consulta e partilha da informação recolhida.

A calibração de qualquer modelo de qualidade da água requer a


disponibilização de séries de dados relativos a amostras recolhidas em
simultâneo nos ribeiros e nas praias. Esta informação só é possível através da
realização de uma campanha de amostragem cuja programação pode ser
baseada nos resultados obtidos neste trabalho. As tecnologias de informação
actuais permitem, ainda, a disponibilização do modelo desenvolvido, em
ambiente WEB o que constituiria uma ferramenta de grande utilidade para o
apoio à tomada de decisões de gestão dos sistemas analisados em condições
de funcionamento normal ou excepcional.

A avaliação do impacto do emissário submarino e da pluma do rio Douro


poderá ser avaliado de forma mais realista, recorrendo-se à simulação das
respectivas descargas através de um modelo tridimensional. Este tipo de
modelo mais exigente em termos de informação necessária à sua
implementação, permitirá esclarecer algumas dúvidas sobre as configurações
resultantes das descargas do rio Douro e do emissário submarino, em
condições hidrodinâmicas mais complexas.

133
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

134
Cap. 8 │ Bibliografia

8 - BIBLIOGRAFIA

- A. Lencastre - Hidráulica Geral. Porto: Universidade do Porto, 1980.


654 p.

- Barbosa N., Mecânica dos Fluidos e Hidráulica Geral. Vol. I Porto


Editora, 1986.

- Metcalf & Eddy - Wastewater Engineering Treatment Disposal Reuse.


3º edição. Nova Yorque: Mc Graw Hill Intenational Editions, Civil Engineering
Series. 1991. 1334 p.

- Matos J.L. – Fundamentos de Informação Geográfica. Lidel Edições


técnicas Lda, 2001.

- Chapra S.C. Surface Water Quality Modeling Mc-Graw Hill Int. Edi. –
1997.

- Pinho J.L.S. – Modelação Numérica da Hidrodinâmica e da Qualidade


da Água em Zonas Costeiras. Braga: Universidade do Minho, 2000. 187 p.
Grau de Doutor.

- WES-HL – Users Guide to RMA2 – Nova Yorque, 1996.

- WES-HL – Users Guide to RMA4 – Nova Yorque, 2000.

- Rodrigues H.M e Pinho J.L.S – Sistema de Informação para Avaliação


das Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de Matosinhos, ENGM,
2005.

- Bordalo e Sá, Laboratório de Hidrobiologia do Instituto de Ciências


Biomédicas Abel Salazar e Fundação Gomes Teixeira, Universidade do Porto,
2005, 37 p..

- Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos, IHRH - Ribeiras de Lavra e


Perafita Estudo da sua Despoluição. Matosinhos: IHRH, 2000. 102 p.

135
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

- Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos, IHRH - Plano Director de


Drenagem e Tratamento de Águas Residuais (PDDTAR). Matosinhos: IHRH,
1990. 556 p.

- Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos, IHRH - Campanhas


Marítimas e Simulações. Matosinhos: IHRH, 1990. 102 p.

- PROCESL (Engenharia Hidráulica e Ambiental, Lda) – Tratamento e


Destino Final das Águas Residuais de Matosinhos, Exutor Submarino. Lisboa.
PROCESL, 1991. 254 p.

- Hidrofunção – Diagnóstico de Poluição dos Ribeiros de Carcavelos e


Riguinha. SMAS Matosinhos, 2000, 108 p.

- Geoworks, Reconhecimento das Interferências poluentes nos leitos e


procura de soluções para a sua eliminação, SMAS de Matosinhos, 2002, 73 p.

- Instituto Nacional da Água, INAG Plano da Bacia Hidrográfica do Rio


Leça. Lisboa: Hidrorumo, Hidro4, Procesl, Prosistemas, 2000.

- Instituto Nacional da Água, INAG, Plano da Bacia Hidrográfica do Rio


Douro. Lisboa: Hidrorumo, Hidro4, Procesl, Prosistemas 2001. 800 p.

- Instituto Nacional da Água, INAG, Plano da Bacia Hidrográfica do Rio


Ave. Lisboa: Hidrorumo, Hidro4, Procesl, Prosistemas 2001. 99 p.

- Câmara Municipal de Matosinhos, Plano Director Municipal,


Matosinhos, 1990.

- Instituto Nacional de Estatística, Sensos 2001.

- Águas de Gaia, site Internet, 2005.

- Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento Porto, site Internet,


2005.

- INAG, SNIRLIT, 2006.

136
Anexos

ANEXOS

137
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

138
Anexos

Anexo I - Dados censos 1999 das diferentes freguesias de Matosinhos

139
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de Matosinhos

140
Anexos

Anexo II - Resultados obtidos na campanha de campo - caudais.

141
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de Matosinhos

142
Anexos

Anexo III - Caudais obtidos na campanha

143
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

144
Anexos

Anexo IV - Concentrações bacteriológicas obtidas na campanha


executada no âmbito do presente trabalho.

145
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

146
Anexos

Anexo V - Concentrações Bacteriológicas médias anuais (NMP/100mL)

Coliformes totais

Coliformes fecais

147
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de Matosinhos

148
Anexos

Anexo VI - Distâncias entre os pontos de amostragem localizados nas praias e as descargas das linhas de água.

149
Caracterização das Principais Afluências de Águas Interiores à Zona Costeira do Concelho de
Matosinhos

150
Anexos

Anexo VII - Estimativa das concentrações bacteriológicas para o rio


Douro.

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