FACULDADE DE TEOLOGIA DE SÃO PAULO
IGREJA PRESBTERIANA INDEPENDENTE DO BRASIL
MAURICIO CALGAROTTO
PAULO E A CONTEXTUALIZAÇÃO HELÊNICA
Londrina
2023
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MAURICIO CALGAROTTO
PAULO E A CONTEXTUALIZAÇÃO HELÊNICA
Artigo apresentado em
cumprimento às exigências da disciplina
“Filosofia” da Faculdade de Teologia de
São Paulo, ministrada pelo Professor
Leontino Faria dos Santos.
Londrina
2023
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.............................................................................................................3
1. TENSÕES E CONVERGÊNCIAS............................................................................4
2. PAULO EM ATENAS...............................................................................................4
CONCLUSÃO.............................................................................................................. 6
BIBLIOGRAFIA............................................................................................................7
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INTRODUÇÃO
Somos tentados, por diversas vezes, a fazer pouco caso da filosofia, pois
prestamos pouca atenção à origem das ideias que com grande frequência
constituem conceitos que norteiam nossa vida. Tendemos a pensar que todo mundo
pensa e age da mesma forma que nós. Talvez por isso podemos imaginar que a
filosofia seja uma disciplina de estudo efêmero, abstrato e sem aplicação prática.
Essas afirmações primárias intensificam a desnecessidade da filosofia quando
aproxima-se da Teologia. Dizem alguns ser a filosofia um estudo para céticos
movidos apenas pela razão.
Todavia, como veremos a seguir, a filosofia caminha como “serva da
Teologia” por compartilhar de suas capacidades e auxiliar na construção do
pensamento Teológico a fim de vivermos uma vida com sua unidade e diversidade
coram Deo, perante a face de Deus, sob sua autoridade e para sua glória.
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1. TENSÕES E CONVERGÊNCIAS
Num primeiro momento, é provável a suposição da comunidade científica de
que a utilização da Filosofia na Teologia não faz sentido algum. Talvez até
questionem ser a Teologia uma “ciência”. Historicamente, o “estudo sobre Deus” é
tido como uma disciplina deixada de lado. Talvez por não visualizarem que a fé pode
experimentar e ser ampliada por um tanto de razão humana.
Em meio às tensões entre fé e ciência/razão ao longo da história, podemos
observar que diversos embates apareceram; de um lado, filósofos e cientistas ateus
que tentavam demonstrar conceitos e métodos racionais e lógicos para comprovar a
não necessidade de um ser superior do qual a humanidade dependesse; do outro
lado, filósofos e pensadores cristãos que, além da revelação especial de Deus
(Bíblia Sagrada) também se utilizavam dos métodos filosóficos e até mesmo ciência
para comprovar a existência de Deus.
Como diz Leontino (2020, p. 71) “de uma forma ou de outra, a Filosofia
sempre esteve presente, com contribuições significativas para o desenvolvimento do
pensamento teológico e no processo de revisão de seus conceitos”.
2. PAULO EM ATENAS
Há uma necessidade por parte da comunidade cristã em estabelecer alguns
fundamentos bíblicos necessários e, assim, reconhecer a natureza mista de cada
cultura, uma vez que há elementos bons e ruins em cada uma, todavia sempre
afirmando a necessidade de adaptar a mensagem da Bíblia a determinado contexto
cultural específico.
Em um dos vários discursos de Paulo registrados no livro de Atos,
testemunhamos o engajamento do Apóstolo dos gentios nessa tarefa de
contextualização, comunicando o evangelho a diferentes etnias.
Paulo, que possuía descendência helênica, sabia por certo os pensamentos
de sua cultura. No relato de Atos 17, verificamos que Paulo estava visitando Atenas,
a capital da Filosofia, e lá Paulo fala aos pagãos instruídos que haviam deixado a
crença nos deuses e mitologia e abraçaram uma multiplicidade de convicções
filosóficas, tais como estoicismo e epicurismo que estavam em alta na época.
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Quando analisamos os discursos em Atos, verificamos que a apresentação
que Paulo fazia do evangelho era distinta uma das outras, isto porque dependia da
cultura dos ouvintes.
Segundo Tim Keller conseguimos notar alguns padrões nos discursos de
Paulo em Atos. Primeiro ele cita existir diferenças entre as mensagens:
Com cada auditório, Paulo usa uma base diferente de
autoridade. Diante dos cristãos, ele citava as Escrituras e João
Batista; diante dos pagãos, ele argumentava da perspectiva da
revelação e da grandeza da criação. O conteúdo bíblico de sua
apresentação também varia, dependendo dos ouvintes. Paulo
muda a ordem da apresentação das verdades, como também a
ênfase que dá a vários aspectos da teologia. Com os judeus
tementes a Deus, Paulo gasta pouco tempo na doutrina sobre
Deus e vai direto a Cristo. Mas com os pagãos, ele concentra a
maior parte do tempo desenvolvendo o conceito de Deus. Com
gregos e romanos, Paulo fala primeiro sobre a ressurreição de
Cristo e não sobre a cruz. (Keller, 2014, p. 135).
Agora, especificamente tratando de um conteúdo filosófico, existe também
um desafio epistemológico na apresentação do evangelho em seus múltiplos
cenários. Paulo precisa dizer às pessoas que sua compreensão de Deus e da
realidade essencial estão erradas. Conforme Keller:
Os judeus ouvem que, apesar de acharem que entendem o
Deus da Bíblia, estão seriamente equivocados em relação às
escrituras. A mensagem aos gentios é que, embora achem que
entendem o mundo, entenderam muito mal a criação e seus
próprios instintos. (Keller, 2014, p. 135).
Vemos, portanto, que Paulo necessita não apenas possuir conhecimento em
sua grande área de atuação – qual seja a teologia – mas também conhecer os
pensamentos filosóficos que dominam sua época. Em parte para poder se utilizar
deles, como no próprio episódio em Atenas quando ele visualiza o altar escrito “AO
DEUS DESCONHECIDO” (Atos 17.23) e anuncia ao público do Areópago Ateniense
o Logos conhecido e verdadeiro.
As mensagens de Paulo nos fornecem uma sólida justificativa bíblica para
desenvolvermos uma contextualização meticulosa e apropriada de conhecimentos
humanos também. Neste sentido podemos citar a filosofia sendo serva da Teologia,
trabalhando para que esta atue eficazmente em mentes e corações puramente
racionais, quebrando, assim, o paradigma de que razão e fé não se misturam.
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CONCLUSÃO
O discurso de Paulo em Atenas constitui como um dos primeiros textos que
traz uma relação entre cristãos e gregos.
O discurso que se deu por volta de 50-52 d.C. no Areópago de Atenas nos
mostra a capacidade de Paulo, um cristão convertido, em promover a apologia
Cristã de forma especial se utilizando de elementos da filosofia e cultura grega
promovendo assim o desenvolvimento da Teologia Cristã
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BIBLIOGRAFIA
KELLER, Timothy. Igreja Centrada: desenvolvendo em sua cidade um ministério
equilibrado e centrado no evangelho. São Paulo: Vida Nova, 2014.
SANTOS, Leontino Faria. Guia de Estudos: Filosofia. São Paulo, 2020.
SILVA, Franciso José. “O Discurso De Paulo Em Atenas, Encontro Entre Fé Cristã E
Filosofia Grega” In: Revista Helius. Juazeiro do Norte, ano I, n. 1, p.15-26, jul-dez
2013.
SPROUL, Robert Charles. Filosofia para iniciantes. São Paulo: Vida Nova, 2002.
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