Engenharia de Telecomunicações
3º Ano
Disciplina: Propagação e Antenas
Prof: Engº Yuri Sebastião
Aula Nº 06 – Propagação na Ionosfera.
Propagação na ionosfera
• A existencia da região plasma na parte superior da
atmosfera terrestre foi prevista teoricamente por
Heaviside e Kennelly, comprovada alguns anos mais
tarde por Appleton e outros pesquisadores. Trata-se
de uma região em que a pressão é suficietemente
pequena para que possam existir electrons livres e
ions positivos por um longo periodo de tempo,antes
que as cargas anulem-se por recombinação. A
ionização dessa faixa da atmosfera pode ser causada
por muitos mecanismos diferentes, mas predominam
a ionização por absorção de energia e a ionização por
colisão de particulas de dimensões moleculares.
A ionização por absorção de energia
electromagnetica do ambiente é conhecida
também por fotoionização e a causa principal
é a irradiação oriunda do sol ( raios
ultravioleta, raios X, raios gama), por ser a
fonte de energia mais próxima da terra.
Para o estudo da propagação da onda
electromagnetica em frequências ate algumas
dezenas de mega-hertz e para longas
distancias, deve-se ter em vista toda a região
ionizada na atmosfera, que passou a ser
conhecida como ionosfera. Localiza-se na
parte mais elevada, estendendo-se desde
cerca de 50km ate aproximadamente 600km
de altura. Essa região costuma ser dividida em
camadas, nas quais a densidade de electrons
livres é aproximadamente estável.
Ate determinado limite, em media o grau de
ionização cresce com a altura, mas não de
forma monotonica. Para fins de analise do
comportamento da onda nessa região, as
camadas ionosféricas costumam ser
identificadas como camada D, camada E, e
camada F, cada uma com suas características
e suas propriedades. Eventualmente,
identifica-se também uma camada C abaixo
da camada D, confundindo-se com a
troposfera.
A camada D é a parte da ionosfera mais próxima
da terra e situa-se entre 50km e 90km
aproximadamente. Possui uma concentração
em torno de moléculas por metro cúbico,
formada principalmente por combinações de
oxigénio e nitrogénio. Tem uma densidade de
partículas carregadas em torno de
electrons por metro cúbico, formada
principalmente a partir de bombardeio de
raios X em moléculas de oxido nítrico, nos
comprimentos de onda entre 0,2nm e 0,5nm.
Essa camada desaparece quase completamente
durante a noite e tem pequeno efeito sobre a
reflexão dos sinais de radio de altas frequências.
Todavia, nas frequências mais baixas das ondas
celestes pode ter influencia considerável sobre
a atenuação.
A camada E forma-se principalmente por
ionização dos gases mais abundantes, oxigénio
e nitrogénio. Tem origem no bombardeio por
raios X e na irradiação por ultravioleta nos
comprimentos de onda entre 0,8nm e 14nm.
é também influenciada pelas irradiações nos
comprimentos de onda entre 91,2nm e 102,7nm,
responsáveis pela ionização das moléculas de
oxigénio. Durante o dia, a concentração de cargas
livres chega ate por volta de e cai para
valores entre durante a noite. Os
limites da camada E situam-se em altitudes entre
95km e 150km, podendo apresentar subcamadas
que se deslocam rapidamente por volta de 100km,
conhecidas como camadas E esporadicas, ou camada
Es.
Apos o por do sol, permanece certo grau de ionização,
mas com densidade de electrons de pelo menos uma
ordem de grandeza abaixo do máximo encontrado
durante o dia. Logo, tal como ocorre com a camada
D, a região E quase desaparece durante a noite.
A camada F ocupa o espaço que vai de 160km até
500km ou 600km de altura. Experiencias permitem
concluir que é constituída quase toda por ionização
de oxigénio, originada pelo bombardeio de energia
nos comprimentos de onda de 14nm e 91,1nm, com
o máximo de absorção em aproximadamente 175km.
Sua parte inferior é resultante da ionização de oxido
nítrico, de átomos e moléculas de oxigénio.
Por suas propriedades distintas, é dividida em duas
subcamadas, conhecidas como F1 e F2. A subcamada
F1 apresenta concentração de electrons próxima de
, durante os períodos de menor intensidade
solar. Para a subcamada F2 a concentração de
electrons pode atingir valores muito altos, até .
Situa-se a uma altitude média de 300km e seu
comportamento é bem diferente da subcamada F1.
devido à menor concentração de moléculas, sua taxa
de recombinação é também pequena, de mesmo
valor aproximado da subcamada F1. A figura abaixo,
mostra as varias camadas da ionosfera.
A possibilidade da onda electromagnetica ser
transmitida ou não nesse meio, depende de
diversos factores. Conforme a frequência, a
onda de radio nem mesmo chega a penetrar
na ionosfera, sendo refletida na base da
região ionizada. É possível, ainda, que essa
onda sofra reflexão em camadas mais altas,
retornando à Terra em pontos bem diferentes
do primeiro caso. De qualquer maneira, a
trajectoria nessa região pode permitir a
comunicação em grandes distancias na
superfície terrestre.
Para serem determinados os diversos efeitos
sobre as comunicações, necessita-se conhecer
com exatidão o comportamento das diversas
camadas da ionosfera. Todavia, quase todos os
parâmetros que influem em suas
propriedades dependem da atividade solar.
Portanto, vários dos resultados obtidos devem
ser vistos como valores aproximados, com
algum grau de tolerância, pela inexatidão dos
dados disponíveis.
Reflexão de ondas de baixas frequências na ionosfera
Fazendo incidir uma onda com determinada frequência, ela
avançará no meio ate que sua frequência fique igual à
frequência do plasma (meio ionizado) daquela altitude. Nesse
ponto, ocorrerá a reflexão total e o sinal retorna à terra.
Uma medida do tempo de ida e volta do sinal permite
determinar a distancia em que ocorreu a reflexão. Todavia,
como há diversos parâmetros que variam com a altitude,
modificando ponto a ponto as propriedades do meio,
costuma-se admitir que a velocidade de propagação da onda
seja igual a velocidade da luz no vácuo. Com isso determina-
se uma altura aparente na qual ocorre a reflexão, valor
definido como altura virtual. Conforme a fig. abaixo.
A altura virtual das camadas ionosféricas pode ser
calculada a partir do tempo que um sinal de RF
dirigido directamente na vertical, demora a regressar
à terra.
Conforme a descrição dos processos de ionização e
formação das camadas da ionosfera, a densidade de
electrons nas partes mais baixas é bem pequena
comparada com as camadas mais elevadas. Assim,
sinais de baixas frequências são refletidos nessas
regiões, uma vez que com pequenas penetrações já
se igualam às respectivas frequências de plasma.
Reflexão de ondas de altas frequências na ionosfera
A ideia é semelhante à apresentada para baixas
frequências, com a onda penetrando na região
ionizada até que sua frequência seja igual a
um valor que depende da concentração de
electrons no gás ionizado. Todavia, necessita-
se de uma analise mais generalizada, levando
em conta que a ionosfera apresenta uma
curvatura que aproximadamente acompanha
o contorno da terra.
se a frequência do sinal ultrapassar um certo valor, não
será refletida de volta à terra. Esta frequência crítica
é definida como sendo a mais alta frequência que
regressa à terra quando transmitida na direcção
vertical. O valor da frequência critica depende das
condições da ionosfera e como tal varia
constantemente ao longo do dia e dos meses.
Se o ângulo da radiação for menor do que os 90º da
vertical, a onda viajará mais longe na camada
ionizada e será refletida a um maior grau. Isto
significa que sinais acima da frequência critica
podem regressar à terra.
Para uma dada frequência, há sempre um
ângulo crítico a partir do qual o sinal não será
refletido de volta à terra. Conforme a figura.
A mais alta frequência que pode ser utilizada
para transmitir entre dois locais é chamada a
máxima frequência utilizável (MUF).
Sendo a, o raio efetivo da terra e hv, a altura
virtual e θ, o angulo de incidência.
Contudo, à medida que a frequência baixa
também o sinal absorvido na ionosfera
aumenta rapidamente e o nível de sinal é
dramaticamente reduzido. De facto, há uma
frequência mínima utilizável (LUF) abaixo da
qual o sinal de RF é totalmente absorvido na
ionosfera. Portanto, o máximo de sinal na
recepção é obtido quando se trabalha próximo
da MUF.
Infelizmente, a MUF está constantemente a mudar
devido aos efeitos da radiação solar. Por isso, para
garantir um funcionamento fiável, utiliza-se antes a
frequência óptima de utilização (OUF). Como a LUF,
a MUF e a OUF mudam de hora a hora, dia a dia e
mês a mês, pode parecer que as comunicações via
ionosfera são um despropósito. Contudo, há
cartas que prevêem a MUF e a LUF e a OUF, para
qualquer hora do dia em qualquer ponto da terra
durante um dado mês. Estas previsões são baseadas
na observação solar e podem ser utilizadas para
optimizar as comunicações via ionosfera.
Distância de salto
À medida que o ângulo de radiação diminui, a
distância que a onda viaja sobre a terra
aumenta. Esta distância é conhecida como
distância de salto.
A distância de salto pode ser maximizada
utilizando o menor angulo de radiação
possível e usando a mais alta frequência que
ainda será refletida àquele angulo. Com o seu
valor expresso em radianos, a distancia entre
T e R será 2aθ.
Grato pela atenção.
Ate a próxima aula