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Esquemas de Direito Internacional Privado

O documento aborda o Direito Internacional Privado (DIP), enfatizando a primazia do Direito da União Europeia e a necessidade de regular situações transnacionais com contatos juridicamente relevantes. Apresenta esquemas de resolução de conflitos, métodos de regulação e a interação do DIP com outras disciplinas jurídicas, além de discutir normas de conflito unilaterais e bilaterais. O texto também detalha a qualificação de normas materiais e de conflitos, utilizando exemplos práticos para ilustrar os conceitos.

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Esquemas de Direito Internacional Privado

O documento aborda o Direito Internacional Privado (DIP), enfatizando a primazia do Direito da União Europeia e a necessidade de regular situações transnacionais com contatos juridicamente relevantes. Apresenta esquemas de resolução de conflitos, métodos de regulação e a interação do DIP com outras disciplinas jurídicas, além de discutir normas de conflito unilaterais e bilaterais. O texto também detalha a qualificação de normas materiais e de conflitos, utilizando exemplos práticos para ilustrar os conceitos.

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Direito Internacional Privado - esquemas casos

Direito Internacional Privado (Universidade de Lisboa)

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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO – ESQUEMAS DE RESOLUÇÃO PARA A FREQUÊNCIA

Noções gerais sobre DIP antes de avançar na matéria:

 Há primazia do Direito da União Europeia, (art. 8º CRP) pelo que o primeiro passo é
averiguar se se aplicam os Regulamentos (I, II, III, IV) da União Europeia. Caso
contrário, aplicam-se os artigos do CC sobre o DIP.

 Lima Pinheiro afirma que estão em causa situações transnacionais e não situações
privadas internacionais, porque o direito internacional privado não regula apenas
situações entre entes privados

 Assistente: têm de estar em causa situações com contactos juridicamente relevantes


com mais de um Estado Soberano, surgindo a necessidade do DIP regular estas
mesmas situações. Portanto, não basta um contacto de facto, mas relevância jurídica
no contacto (não seria relevante um espanhol comprar um livro na Almedina de PT).

 Normas de conflito indicam qual o direito material competente, utilizando, para tal,
elementos de conexão (diferem dependentemente das matérias).

Esquemas de resolução de matéria sobre a qual incidiram as aulas práticas

REGULAMENTOS DA UNIÃO EUROPEIA


Caso 31

1. Introdução: Estamos perante um conflito plurilocalizado (dizer os factos),


pelo que cumpre determinar qual a lei materialmente aplicável. Para tal,
deve-se recorrer ao Direito Internacional Privado vigente no OJ português,

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i.e, as regras de conflito, podendo ter fonte supraestadual ou meramente


interna. Por força do artigo 8º/3 e nº4 CRP, as normas de conflito
supraestadual prevalece sobre as de fonte interna, pelo que cumpre
apreciar se existe algum Regulamento da União Europeia aplicável.

2. Interpretar o conceito-quadro da regra de conflitos (1º passo da


qualificação).

3. Analisar os âmbitos de aplicação do regulamento em causa:

Roma I – obrigações contratuais


 Material – a matéria tem de caber no âmbito do art. 1º/1 e não ser excluída pelo nº2.
 Espacial – art. 1º/1 in fine; tem de implicar um conflito de leis.
 Territorial – considerando 46 e protocolos; Estado do Foro tem de ser um Estado
Membro.
 Temporal – art. 28º; aplica-se a situações a partir de 17 de dezembro de 2009.

Roma II – obrigações extracontratuais


 Material – a matéria tem de caber no âmbito do art. 1º/1 e não ser excluída pelo nº2.
 Espacial – art. 1º; sempre que se verifique um conflito de leis.
 Territorial – considerando 39 e 40; aplica-se se o litígio for colocado num Estado
vinculado pelo Regulamento. Não estão vinculados a Irlanda e Dinamarca.
 Temporal – art. 32, aplica-se a situações a partir de 11 de janeiro de 2009.

Roma III – divórcio e separação judicial


 Material – a matéria tem de caber no âmbito do art. 1º/1 e não ser excluída pelo nº2.
 Espacial – tem de se tratar de uma situação transnacional.
 Territorial – o Estado do Foro tem de ser um Estado Membro.
 Temporal – art. 21º, aplica-se a situações a partir de 21 de junho de 2012.

Roma IV – sucessões
 Material – a matéria tem de caber no âmbito do art. 1º/1 e não ser excluída pelo nº2.
 Espacial – tem de se tratar de uma situação plurilocalizada/transnacional.
 Territorial – o Estado do Foro tem de ser um Estado Membro.
 Temporal – art. 83º, o regulamento é aplicável às sucessões das pessoas falecidas em
17 de agosto de 2015 ou após essa data.

Regulamento nº 2016/1103 – regimes matrimoniais


 Material – a matéria tem de caber no âmbito do art. 1º/1 e não ser excluída pelo nº2.

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 Espacial – considerando 14; aplica-se a situações transnacionais.


 Territorial – o Estado do Foro tem de ser um Estado Membro.
 Temporal – art. 69º/3, o regulamento é aplicável aos regimes matrimoniais após 29 de
janeiro de 2019.

Regulamento nº 2016/1104 – parcerias registadas


 Material – a matéria tem de caber no âmbito do art. 1º/1 e não ser excluída pelo nº2.
 Espacial – considerando 14; aplica-se a situações transnacionais.
 Territorial – o Estado do Foro tem de ser um Estado Membro.
 Temporal – art. 69º/3, o regulamento é aplicável após 29 de janeiro de 2019.

MÉTODOS DE REGULAÇÃO DE SITUAÇÕES


PRIVADAS INTERNACIONAIS
Casos 1 e 2

1. Necessidade – uma vez que existe uma pluralidade de sistemas jurídicos estaduais, há uma
necessidade de se determinar o meio de regulação destas situações transnacionais.

2. Métodos existentes

 Método Conflitual (de regulação indireta) – procura-se qual das leis em presença
apresenta a melhor ligação com o caso concreto. A determinação da norma aplicável é
feita por normas de conflitos, que têm em causa os melhores critérios a ter em conta.
É o método vigente em Portugal (temos normas de conflito bilaterais que tanto
remetem para o direito do foro como para o estrangeiro).

a) Vantagem – preservação da identidade cultural dos vários direitos.


b) Desvantagem – dificuldade em determinar qual a conexão mais estreita da RJ.

 Métodos materiais (de regulação direta) – pode-se fazer através de três vias:
 aplicação direta do direito material comum - COMPLETAR
 criação de um direito material de fonte interna - COMPLETAR
 unificação internacional do direito material aplicável - COMPLETAR

a) Vantagem – diminui a possibilidade de erros judiciais, por melhor conhecimento


da lei do foro.
b) Desvantagem – fomenta o fórum shopping, na medida em que torna possível
procurar o direito material mais favorável. Para além disso, há uma desarmonia
internacional de soluções, não sendo o direito aplicável previsível.

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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO E OUTRAS


DISCIPLINAS JURÍDICAS
Caso 3, 4 e 5

1. Introdução: Estamos perante um conflito plurilocalizado (dizer os factos), pelo que


cumpre determinar qual a lei materialmente aplicável. Para tal, deve-se recorrer ao
Direito Internacional Privado vigente no OJ português, i.e, as regras de conflito,
podendo ter fonte supraestadual ou meramente interna. Por força do artigo 8º/3 e nº4
CRP, as normas de conflito supraestadual prevalece sobre as de fonte interna, pelo que
cumpre apreciar se existe algum Regulamento da União Europeia aplicável.
Caso não exista, aplicam-se as normas do Código Civil.

2. Problemas:

I. Normas de conflito inconstitucionais (em baixo analisado)


II. Acórdão Michelleti, art. 49º TFUE e as 4 liberdades europeias
- Liberdades: liberdade de estabelecimento, de circulação de pessoas, de
circulação de mercadorias e serviços, de capitais.

- Art. 49º TFUE: são proibidas as restrições à liberdade de estabelecimento


dos nacionais de um EM no território de outro EM

- Ac. Michelleti (7/7/1992): quando estiver em causa alguma das quatro


liberdades europeias, se um cidadão tiver pelo menos uma nacionalidade
de um EM, essa é sempre prevalecente, beneficiando dos direitos
comunitários.
 DMV – só mesmo quando for possível identificar uma das quatro
liberdades é que se preferirá a nacionalidade europeia, caso
contrário (não estando nenhuma em presença), aplicar-se-á o art.
28º da LN.

 LP – à luz de um princípio de coerência interna, no caso de um


plurinacional, aplica-se sempre a nacionalidade europeia,
independentemente da existência ou não de liberdades europeias
no caso. Ou seja, o prof. nunca aplica o art. 28º LN.
Por exemplo, no caso de um cidadão com pelo menos 1
nacionalidade de um EM, se ele se quiser casar: 31º CC determina-
se a lei pessoal – é a lei da nacionaldiade – art. 28º LN – pode
resultar da 2º parte que vale a nacionalidade com o qual
mantenha uma vinculação mais estreita – é o estado terceiro. O
prof LP recusa que se aplique a lei do estado terceiro, devido a
uma questão de harmonia jurídica, pelo princípio da coerência,
estendendo a doutrina a todas as matérias.

III. Acórdão Garcia Avello (2/10/2003) – as autoridades de um EM não podem,


quando procedem ao registo do nome de um cidadão na União, recusar

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automaticamente o reconhecimento de um nome com o qual já tinha sido


legalmente registado de acordo com as normas de outro EM, salvo se este
reconhecimento colidir com razões imperativas de ordem pública que não
admitam exceções. Caso contrário, colocar-se-ia em causa o direito à livre
circulação que assiste aos indivíduos dos EM.

NORMAS DE CONFLITO UNILATERAIS E


BILATERAIS
Caso 6 e 32

1. Introdução: Estamos perante um conflito plurilocalizado (dizer os factos), pelo que


cumpre determinar qual a lei materialmente aplicável. Para tal, deve-se recorrer ao
Direito Internacional Privado vigente no OJ português, i.e, as regras de conflito,
podendo ter fonte supraestadual ou meramente interna. Por força do artigo 8º/3 e nº4
CRP, as normas de conflito supraestadual prevalece sobre as de fonte interna, pelo que
cumpre apreciar se existe algum Regulamento da União Europeia aplicável.
Caso não exista, aplicam-se as normas do Código Civil.

2. Distinção:

 Normas de conflito unilaterais – só remetem para o direito do foro. Podem ser:


a) Gerais (não existem em Portugal)
b) Especiais

 Normas de conflito bilaterais – tanto podem remeter para o direito do foro, como para
o direito estrangeiro, dependendo do elemento de conexão.
 Para proteger a confiança legitimada e fundada dos indivíduos, pode-se ter
necessidade de proceder a uma bilateralização

 Bilateralização do art. 28º CC


a) Se o outro contraente não sabe nem devia saber da incapacidade –
aplica-se a lei do local onde se celebra o contrato.
b) Se o outro contraente sabe da incapacidade – aplica-se a lei pessoal.

 Art. 3º CSC e 33º CC


a) 3º CSC é uma norma especial face ao artigo 33º, que contém
disposições gerais, devendo-se aplicar o art. 3º CSC

b) 3º/1 PRIMEIRA PARTE é bilateral. A SEGUNDA PARTE é unilateral,


porque só remete para a lei portuguesa. Contudo, o Prof LP neste
âmbito defende a bilateralização devido à legitima confiança de
terceiros, que é a ratio do artigo (ver lei pessoal das PC última matéria).

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3. Processo de bilateralização segundo o professor LIMA PINHEIRO: bilateralização é um


método de integração de lacunas de normas de conflitos unilaterais.
O professor distingue entre bilateralização imperfeita (apenas para um conjunto de
situações que ainda têm uma ligação com o estado português), e bilateralização
perfeita (quando a norma vale para qualquer estrangeiro em qualquer situação).

Processo:

I. 1º Passo: revelar uma lacuna: podem existir normas unilaterais que não
careçam de bilateralização, porque podem estar em causa verdadeiros
interesses locais que não podem ser bilateralizados.

II. 2º Passo: integrar a lacuna: ter em atenção a vontade de aplicação – se a


norma a aplicar não quiser ser aplicada, temos de aplicar a norma geral.
Nesta vontade de aplicação importa o reenvio de 2º lugar: quando o nosso
ordenamento remete para um OJ, que remete para outro e este remete para o
que nós remetemos – aplica-se o ordenamento para o qual remetemos.

QUALIFICAÇÃO
Caso 9, 11

A. SABER SE A NORMA MATERIAIS POTENCIALMENTE APLICÁVEL SE RECONDUZ


A UMA NORMA DE CONFLITOS

1. Identificar as normas materiais potencialmente aplicáveis – são de todos os


ordenamentos jurídicos em presença, porque como ainda não temos a regra de
conflitos, não sabemos qual é o elemento de conexão.

Caso prático para perceber cada passo: Um francês morre sem testamento, sem herdeiros,
e deixa os seus bens circulados em França. O único elemento internacional é que a
sucessão se coloca em Portugal.

 Neste passo: as normas potencialmente aplicáveis são a francesa e a portuguesa


 Em Portugal: a norma material seria o art. 2133º CC – aquela que diz que o Estado é
sucessor.
 Na França: a norma material diz que o Estado tem direito a apoderar-se.

2. Caracterizar essas normas (caracterização lege causae) – caracterização à luz do


conteúdo e função que essas normas têm no ordenamento jurídico a quem respeitam.

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 Portugal: a norma diz respeito às sucessões.


 França: a norma diz respeito a reais.

3. Identificar as normas de conflito potencialmente aplicáveis

 Portugal: 62º CC
 Francesa: 46º

A. INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO-QUADRO

4. Interpretar o conceito-quadro – interpretar a previsão da norma de conflitos e concluir


sobre qual o conceito-quadro dessa norma. Os conceitos-quadros são definidos por um
critério estrutural (casos obrigacionais) ou institucional (casos de família e sucessões)

 Portugal: o conceito-quadro do art. 62º CC diz respeito a sucessões


 França: o conceito-quadro do 46º diz respeito a reais

B. QUALIFICAÇÃO STRICTO-SENSU

5. Qualificação sictro-sensu (segundo lege fori) – ver se as normas materais da lei X se


inserem na norma de conflitos determinada, i.e, se cabem no conceito-quadro dessa
norma. Para tal, temos de olhar para o seu conteúdo e finalidade.

 Portugal: a norma material (2133º CC) cabe no conceito-quadro (sucessões) da norma


de conflitos (62º CC)
 França: a norma material cabe no conceito-quadro (reais) da norma de conflitos (46º)

6. Ver para onde remete a norma de conflitos (art. 15º CC) – se não for para a OJ da qual
eu parti, está ERRADA a identificação da regra de conflitos.

 Portugal: 62º CC remete para a França. A norma da qual partimos para chegar ao 62º
era portuguesa. Então o art. 15º do CC não está verificado, pelo que a norma não se
aplica.
 França: 46º remete para a França. Chegamos ao 46º através da norma material
francesa. Então o 15º CC verifica-se, pelo que a norma se aplica.

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INTERPRETAÇÃO E CONCRETIZAÇÃO DO
ELEMENTO DE CONEXÃO
Caso 13, 14

1. Introdução do problema: regras de conflito socorrem-se de elementos de conexão


(conceitos), sendo necessário realizar a sua interpretação e posteriormente a sua
concretização.

2. Interpretação do elemento de conexão: saber face a qual ordem jurídica deve-se fixar
o sentido e o alcance dos elementos de conexão. Assim:

a) Tratando-se de normas de direito interno: deve ser interpretada à luz do direito


do foro. P.E, o elemento de conexão «nacionalidade» usado no 31º CC deve ser
interpretado conforme esse conceito é interpretado na ordem jurídica pt = vínculo
jurídico-político entre um cidadão e um Estado Soberano.

b) Tratando-se de normas que constam de Regulamentos Europeus: é necessário


verificar se o Regulamento goza de alguma definição para o conceito técnico-
jurídico. P.E, o elemento de conexão «residência habitual» utilizado no art. 4º RR1
deve ser interpretado conforme o art. 19º RR1.

3. Concretização do elemento de conexão: deve ser feita à luz do ordenamento jurídico


que é designado pela regra de conflitos (lex causae – segundo o Direito do Estado cujo
elemento de conexão está em causa; p.e nacionalidade que está em causa é brasileira
logo tempos de atender ao direito do estado brasileiro para concretizar o elemento de
conexão – releva a nacionalidade brasileira, ainda que «nacionalidade» seja
interpretada segundo o DTO PT, como um vínculo jurídico-político entre um cidadão e
um Estado Soberano).

4. Concurso de nacionalidades: quando um elemento de conexão remete para uma


pluralidade de ordens jurídicas. P.E, qual a nacionalidade a considerar quando a pessoa
tem várias.

a) Art. 27º LN – quando alguém tem duas ou mais nacionalidades e uma delas for
portuguesa, prevalece, só esta relevando face à lei portuguesa.

b) Art. 28º LN – quando alguém tem duas ou mais nacionalidades e nenhuma for
portuguesa, considera-se apenas a nacionalidade do território onde o
plurinacional tenha a sua residência habitual. Não existindo, vigora a lei do
Estado com o qual tenha uma vinculação mais estreita.

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c) CONTUDO Ac. Micheletti!!!

 LIMA PINHEIRO: quando uma das nacionalidades for de um EM da


União, prevalece sempre (mesmo quando não esteja em causa uma
liberdade económica devido a um princípio de harmonia jurídica e de
coerência interna) essa nacionalidade.

 DMV: só se prefere a nacionalidade europeia quando seja


efetivamente identificável no caso uma das 4 liberdades europeias.

5. Ausência de conteúdo concreto/ conteúdo incerto: quando a concretização do


elemento de conexão não remete para qualquer ordem jurídica. P.E, qual a lei a aplicar
a alguém que não tenha nacionalidade, i.e, que seja apátrida. Ou quando não
conseguimos concretizar o lugar da coisa, por exemplo.

a) Solução 1 – deve-se atender à norma especial que resolva o problema. Se não


existir,

b) Solução 2 – recorre-se ao critério geral do art. 23º/2 2º parte do CC, que


manda aplicar a lei que for subsidiariamente competente.
 Art. 12º Convenção Relativa ao Estatuto dos Apátridas / 32º CC

 Se não houver,

c) Solução 3 – recorre-se ao direito material do foro, por aplicação analógica do


348º/3 CC. Portanto, deixa-se de aplicar a lei designada pela norma de
conflitos, uma vez que não é possível concretizá-la.

REENVIO
Caso mail, 15

1. Introdução: quando uma regra de conflitos remete para determinada lei, questiona-se
se esta referência se dirige apenas a normas materiais ou também abarca as regras de
direito internacional privado do direto estrangeiro (que incorpora também regras de
conflito).

2. Pressupostos para estarmos perante um caso de reenvio (doutrina):


a) Que a norma de conflitos do foro remeta para uma lei estrangeira;

b) Que a remissão não possa ser entendida como uma referência material;

c) Que a lei estrangeira designada não se considere competente (quando a norma


de conflitos estrangeira utiliza um elemento de conexão diferente da norma de
conflitos do foro; ou quando utiliza o mesmo elemento, mas de forma diferente
quanto à sua interpretação).

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3. Tipos de devolução (problemas) : podem surgir dois problemas:


a) Os casos de transmissão de competência (reenvio de 2º grau) – em que l1 designa
por competente l2, a qual por sua vez designa por competente l3.

b) Os casos de retorno de competência (reenvio de 1º grau) – em que l1 remete para


l2 que devolve a questão a l1

4. Teorias que visam solucionar estes problemas:

i) TEORIA DA REFERÊNCIA MATERIAL – a referência operada pela norma de


conflitos abrange apenas as normas materiais da lei designada (e não as de
conflito). ESTE ENTEDIMENTO EXCLUI O REENVIO!

Assim: L1 vai aplicar sempre L2 independentemente da lei que L2 considere


competente (se uma L3 ou L1). Ou seja, L1 vai sempre aplicar a lei por si
designada – L1;L2.

 Vantagem: respeito pela valoração feita pelo legislador na escolha da


conexão mais adequada.

 Desvantagem: princípio da harmonia jurídica internacional em causa,


uma vez que se ignora o direito de conflitos estrangeiro.

ii) TEORIA DA REFERÊNCIA GLOBAL – a remissão da norma de conflitos para uma


ordem jurídica estrangeira abrange outras normas que não só as materiais –
abrange as regras de DIP dessa mesma lei (as normas de conflito ou de
reenvio). ADMITE REENVIO.

Assim: se L1 pratica referência global e designa por aplicável L2, a qual pratica
referência material e designa por competente L3, então L1 vai aplicar L3.

A teoria é desenvolvida pela doutrina, com menos relevo prático.

 Vantagem: permite respeitar o princípio da harmonia dos julgados, na


medida em que, aceitando o reenvio, está-se a contribuir que seja
aplicado à causa a mesma lei.

 Desvantagem/problemas: LP
1. Objeções de fundo – ao fazer referência global, o direito de
conflitos do foro vai renunciar ao seu juízo de valor sobre a
conexão mais adequada para acompanhar o critério da conexão do
direito de conflitos estrangeiro.

2. Objeções de natureza prática – a primeira é a transmissão ad


infinitum: pode acontecer que L2 remeta para L3, L3 para L4, L4
para L5 e assim sucessivamente, sem que se chegue
definitivamente a nenhuma lei.
Outra é o pingue-pongue perpétuo: em caso de retorno entre dois

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sistemas de referência global, L1 acompanha a remissão feita por


L2 para L1 e L2 acompanha a remissão feita por L1 para L2. Só é
possível quebrar o ciclo vicioso se um deles praticar referência
material.

Em virtude dos problemas foram criadas duas teorias: a devolução


simples e a devolução dupla.

iii) TEORIA DA DEVOLUÇÃO E A TEORIA DA DUPLA DEVOLUÇÃO (ou foreign court


theory) DENTRO DA TESE DA REFERÊNCIA GLOBAL!

A. Teoria da devolução simples

A designação de uma lei estrangeira, por remissão da norma de conflitos


do foro, deve abranger as regras de direito material e as regras de conflito,
porém presume-se que a referência feita pelas regras de conflitos da lei
designada [para outra lei] é uma referência material.

Assim: se L1 praticar devolução simples e remeter para L2,


independentemente do sistema de devolução que essa pratique, L1 irá
aplicar a Lei designada pelas regras de conflitos de L2. Ou seja, apenas se
consultam as normas de conflito da lei designada, não se atendendo ao
seu sistema de devolução.
 Método dos dois passos da assistente:
1. L1 pratica devolução simples e remete para L2, onde temos de
ver apenas o que as normas de conflito nos dizem
2. Ficcionamos que L2 faz referência material e aplicamos L3

 Esquemas de reenvio:
1. Se L2;L3, então L1;L3
2. Se L2;L1, então L1;L1
3. Se L2;L2, então L1;L2

Vantagem: fácil de aplicar e de evitar as situações de pingue-pongue


perpétuo.

Desvantagem: não permite assegurar harmonia jurídica quando na L2 não


se faz referência material.

B. Teoria da devolução dupla

A referência operada abrange as regras materiais, as regras de conflitos e o


sistema de devolução da lei designada.
 Diferença: a devolução simples não abrange o sistema de
devolução, uma vez que se ficciona que a referência operada pela
regra de conflitos da L2 é uma referência material.

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Desta forma, para saber qual a lei que L1 vai aplicar, é necessário
determinar qual a lei que L2 considera competente, de acordo com as suas
regras de conflito e sistema de devolução.

 Esquemas:
1. L1;Ln, L2;Ln (esquema geral)
2. Se L2 praticar por referência material e considerar como
competente L3, então L1;L3
3. Se L2 praticar devolução simples e L3 remeter para L4, então
L1;L4, pois era essa a lei que L2 aplicaria.

Vantagem: assegura sempre a harmonia entre o seu próprio sistema e a


ordem jurídica para a qual remete
(L1;L2, L2 (RM); L3, L1;L3 assim como L2;L3)
(L1 (DD) L2 L2 (DD) L3 L3 (RM) L4 = L1;L4, L2;L4, L3;L4)

Desvantagem: não permite a identificação da lei competente quando


todos os sistemas pratiquem dupla devolução e nenhum se considere
competente: L1 (DD) L2 L2 (DD) LN – que direito se aplica em L2? O que
se aplica em L1, e vice-versa: não se consegue dizer qual a lei competente
neste caso.

5. O regime interno português: Portugal não pratica um sistema típico; o legislador


português consagrou um sistema atípico de devolução.
Caracterização do sistema atípico de devolução:
 Regra geral é da referência material do art. 16º CC
 Porém admite-se o reenvio nas situações do art 17º (transmissão de
competências) e do art. 18º (retorno à lei portuguesa). Estes artigos contêm
regras especiais, que admitem a devolução, configurando um sistema de
devolução sui generis.
 Em matéria de forma do NJ, admite-se a transmissão de competência para
uma lei que não esteja disposta a aplicar-se para obter a validade formal do
negócio.

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I) Art 16º CC

Regra geral: do artigo resulta que se deve apenas atender às regras materiais
de uma ordem jurídica estrangeira. A expressão direito interno no artigo quer
dizer direito material. E este direito material de L2 tanto pode ser de fonte
interna, como de fonte transnacional. Vale também para o 17º e 18º CC.

Exceções: são admitidas exceções que no fundo consomem a regra geral.


No artigo, admite-se preceito em contrário; isto quer dizer que não se adota a
tese da referência material, aceitando-se a devolução nos casos em que a lei o
determine: 17º, 18º, 36º/2.

II) Art. 17º CC

1º PASSO: Pressupostos de aplicação do art. 17º/1:


A. Lei portuguesa tem de remeter para outra lei (L2)
B. Essa L2 tem de aplicar uma terceira Lei (L3)
C. L3 tem de se considerar competente

Nota: entende-se por remeter, aplicar: o que interessa é que l2 aplique uma
terceira lei.

A transmissão em cadeia (L2 aplica L4 e L4 considera-se competente) não é


diretamente visada no 17º/1, mas é abrangida pela sua ratio.

2º PASSO: perante uma situação de preenchimento do nº1, é necessário


verificar o nº2. O número 2 obsta ao reenvio. Assim, os requisitos são:

A. Demonstrar o preenchimento do nº1


B. Estar-se perante uma matéria de estatuto pessoal (art. 25º CC)
C. Se o interessado residir habitualmente em território português ou em país
cujas normas de conflitos considerem competente o direito interno do
Estado da sua nacionalidade

3º PASSO: aplica-se quando o nº2 se encontra preenchido, uma vez que se


trata de uma restrição à restrição do nº2. Nº3 permite o reenvio. Requisitos:

A. Preenchimento do nº2
B. Tratar-se de matéria de: tutela e curatela, relações patrimoniais entre os
cônjuges, poder paternal, relações entre adotante e adotado e sucessão
por morte
C. A lei aplicável segundo a regra de conflitos remeter para outra legislação e
essa outra legislação for a lex rei sitae e se considere competente.

III) ART. 18º CC

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Único pressuposto de aplicação do 18º/1: a lei designada pela lei portuguesa


tem de aplicar a lei portuguesa, i.e, L2;Lpt.
Isto pode acontecer através de retorno direto: a remissão para a lei
portuguesa é feita diretamente.
Isto pode acontecer através de retorno indireto: a remissão para a lei
portuguesa é feita por uma terceira lei.

Problemas do nº1:
 Deve-se interpretar como aplicar em vez de devolver. Ou seja, se L2
remeter para a lei pt, mas considerar-se a si própria competente,
porque pratica DS, o nº1 não está preenchido.

 A doutrina diverge sobre o que fazer quando L2 pratica dupla


devolução e remete para o Direito PT:
JOÃO BATISTA MACHADO: considera que a harmonia internacional de
julgados está ressalvada independentemente se se aplicar a lei pt ou
l2, pois ao praticar dupla devolução, l2 vai aplicar a lei que a lei pt
aplicar. Desta forma, por foça do princípio da boa admnistração da
justiça, o autor defende que se deve considerar preenchido o n1º.

MAIORIA DA DOUTRINA (ELSA DIAS OLIVEIRA): defende que, apesar


de ser verdade que a harmonia internacional de julgados está sempre
ressalvada, a verdade é que L2 não aplica a lei pt, apenas remete, pelo
que não se pode considerar o art. 18º/1 preenchido.

Não estando preenchido o nº1: aplica-se a regra geral do 16º CC.

Número 2: impõe requisitos adicionais para se admitir o reenvio.


Estando-se perante matéria compreendida pelo estatuto pessoal, o nº2 exige
que o interessado resida habitualmente em Portugal ou a lei do país desta
residência considerar igualmente competente o direito interno pt.
Requisitos:
A. Preenchimento do 18º/1
B. Tratar-se de matéria relativa ao estatuto pessoal
C. A residência habitual do interessado ser em Portugal ou a lei da residência
habitual considerar a lei pt competente para regular a situação.

6. Casos em que não é admitido o reenvio (19º CC): as soluções do art. 19º resultam de
um confronto entre o princípio da harmonia internacional de julgados e outros
princípios de direito internacional privado:
i) Nº1: resulta de um confronto com o princípio favor negotti.
Não se aplicam os arts. 17º e 18º se da aplicação deles resultar a invalidade ou
ineficácia de um NJ que seria válido ou eficaz segundo a regra fixada no 16º, ou
a ilegitimidade de um Estado que de outro modo seria legítimo.

Requisitos:

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A. Demonstrar a aplicabilidade do 17º e 18º


B. À luz da lei aplicável pelo 17º e 18º, o negócio seria inválido
C. À luz da lei aplicável por via do art. 16º, o negócio seria válido

Divergência:

A. DMV + FERRER CORREIA: o 19º/1 só deve obstar ao reenvio quando exista


confiança digna de tutela – isto é, quando o negócio já foi celebrado,
devendo prevalecer a harmonia internacional de julgados.

B. LP – entende que o princípio internacional de julgados não deve ter


prevalência sobre os restantes princípios de DIP, pelo que se deve aplicar a
solução do 19º/1, independentemente, e se trata de um negócio já
celebrado ou a celebrar.

ii) Nº2: resulta de um confronto com o princípio da autonomia privada.


Não se aplicam os arts. 17º e 18º se a lei estrangeira tiver sido designada pelos
interessados, nos casos em que a designação é permita; i.e, a escolha das
partes é sempre uma referência material.

7. Regulamentos da União Europeia: todos, com exceção do RR4, dispõem de uma regra
de exclusão de reenvio: p.e 20º do RR1; 24º RR2, 11º RR3, 32º Regulamento nº
2016/1103 e 32º Regulamento nº 2016/1104
 RR4: único regulamento que admite o reenvio no seu art. 34º, não sendo
possível nos casos previstos no nº2 desse artigo.

 Requistios do nº1:
A. As regras do regulamento remeterem para a lei de um Estado Terceiro
(Estados não Membros e Irlanda e Dinamarca)
B. O DIP do Estado Terceiro aplicar:
i) O direito de um EM
ii) O direito de outro Estado Terceiro, desde que esse se considere
competente

Para além do requisito comum, é necessário, no caso da alínea a), que a lei
do Estado terceiro ‘’remeta’’ para uma lei de um EM; sucede que a
doutrina diverge sobre qual o significado da expressão remeter:

DOUTRINA MAIORITÁRIA PORTUGUESA: a lei do Estado terceiro tem de


aplicar a lei do EM, em virtude do princípio da harmonia internacional de
julgados e em virtude do próprio considerando nº 57.

DOUTRINA ITALIANA: defende que basta a mera remissão para a lei do


EM.

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REMISSÃO PARA ORDENAMENTOS JURÍDICOS


COMPLEXOS
Caso mail, 15

1. Introdução: ordenamentos jurídicos de Estados Soberanos em que coexistem


diferentes sistemas jurídicos dentro desse mesmo Estado Soberano. Dividem-se:
a) OJC de base territorial – multiplicidade de sistema jurídicos assente numa divisão
territorial do Estado Soberano;

b) De base pessoal – multiplicidade de sistemas jurídicos assenta numa divisão em


razão das diferentes categorias de pessoas;

2. Problema que se coloca: saber qual é a lei aplicável quando a regra de conflitos remete
para o Estado Soberano. Para que esta questão surja, é necessário estarem
preenchidos 3 pressupostos cumulativos:
i) Remissão para OJC

ii) Os vários sistemas jurídicos que coexistam nesse OJC ofereçam soluções
distintas. Este requisito não é preenchido se:
A) Se houver uma harmonização interna entre todos os sistemas jurídicos;
B) Se houver um regime que se aplica a todos esses sistemas jurídicos,
aprovado no âmbito do Estado Soberano
C) Se houver um regime material que regula a situação jurídica internacional
em caso de conflitos

iii) A regra de conflitos deve remeter para o OJC no seu todo, i.e, para a lei do
Estado soberano. Não é preenchido:
A) Se remeter diretamente para o Direito Local

Para saber se uma norma de conflitos remete para a lei do Estado Soberano ou
para o Direito Local é necessário verificar a existência de alguma norma que
delimite o âmbito da remissão, ou interpretar o elemento de conexão e chegar
a este entendimento.

3. Art. 20º CC:


 Nº1 e nº2 – OJC base territorial
 EC é a nacionalidade do interessado

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 Divergência doutrinária: saber o que é que acontece quando a lei da RH do


interessado fica num Estado que não o da sua nacionalidade:

A) FERRER CORREIA E BATISTA MACHADO - em virtude do elemento histórico


(anteprojeto e vontade do legislador) e literal (vê-se no 20º/2 uma regra de
conflitos subsidiária quando não se consegue chegar a uma solução
através do elemento de conexão nacionalidade) deve-se entender que a
remissão ainda assim opera para a residência habitual (sendo competente
o dto PT se tiver residência em PT)

B) LIMA PINHEIRO - existe uma verdadeira lacuna nos casos em que a


residência se situa fora do Estado de Nacionalidade (porque só releva a
residência habitual dentro do Estado de nacionalidade), que deve ser
integrada no sentido de remeter para o sistema local com o qual o visado
tem uma relação mais estreita.

 Nº3 – OJC base pessoal


 Para determinar a lei aplicável, deve-se:
a) Olhar para o Direito Interpessoal Unificado;

b) Na ausência de Direito Interpessoal Unificado, deve-se:


i) LP - aplica-se a lei com a conexão mais estreita
ii) DMV – aplica-se a lei da conexão subsidiária, i.e, RH

4. Outros elementos de conexão: 20º só se aplica diretamente quando esteja em causa


uma regra de conflitos que tenha como EC a nacionalidade. O que fazer quando não
está em causa esse EC?
i) DMV – quando é usado outro EC, então a remissão é feita diretamente para o
sistema jurídico local, se à luz desse direito interlocal do sistema jurídico local
esse sistema se considerar competente.
Sem prejuízo, não admite o reenvio quando as regras de conflito utilizarem
como EC a conexão mais estreita ou a escolha de lei.

ii) LP – deve-se aplicar o art. 20º por analogia, sendo que a 2º parte do nº2 só se
pode aplicar caso haja razões para o aplicar por analogia. Se nenhum critério
do art. 20º conseguir resolver a situação, deve-se entender que a remissão é
feita para o Direito Local.

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5. Regulamentos:
 RR1 e RR2 – 22º e 25º; estabelecem a mesma regra

 RR4 e 1103/1104 – têm soluções distintas

 RR3 – solução mista

NORMAS DE APLICAÇÃO IMEDIATA


Casos 24, 25, 26 e 27

1. RR1:
 Nº1 – noção.
De acordo com o art. 9º/1 do regulamento, normas de aplicação imediata são
disposições cujo respeito é considerado fundamental por um país para a salvaguarda
do interesse público, designadamente a sua organização política, social ou económica,
ao ponto de exigir a sua aplicação em qualquer situação abrangida pelo seu âmbito
de aplicação, independentemente da lei que de outro modo seria aplicável ao contrato,
por força do presente regulamento.

 Nº2 - permite a sobreposição das normas de aplicação imediata do foro à lei designada
pelas normas de conflitos do Regulamento.
A) Art. 3º: norma de conflitos geral. Falar sempre dela em primeiro: só deixamos de
aplicar o artigo se estivermos perante uma NAI do foro (só se aplica a NAI do foro
naquela parte em específico, e o art. 3º na restante).

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 Nº3 - permite a sobreposição das normas de aplicação imediata do país da execução


do contrato na medida em que, segundo essas normas, a execução do contrato seja
ilegal

2. RR2:
 16º - apenas permite a sobreposição das NAI do Estado do Foro.

3. Entendimento de MARQUES DOS SANTOS PROCESSO DE REGULAÇÃO AUTÓNOMA


a) NAI são normas materiais
b) São ainda normas espacialmente autolimitadas e dotadas de especial intensidade
valorativa (fins do estado consideradas importantes)
c) A norma de aplicação imediata como o art. 21º só pode ser aplicada quando for
acompanhada de uma norma como o artigo 23º (que nos permite perceber se a
norma está ao serviço de fins do Estado ou não). Ou seja, defende que a norma de
aplicação imediata só pode ser aplicada quando a regra de conflitos unilateral
especial ad hoc que a acompanha determina a sua aplicação.

4. ENTENDIMENTO DE LIMA PINHEIRO + DMV MÉTODO CONFLITUAL


a) NAI são normas materiais
b) São ainda normas espacialmente limitadas, não porque derivam do direito de
conflitos geral, mas de norma de conflitos especial
c) a única razão pela qual a regra de conflitos (23º) da norma de aplicação imediata
(21º/d) tem prevalência sobre o direito de conflitos comum (3º RR1) é a
circunstância de ser aplicada (21º/d) por norma de conflitos especial (23º), que
hierarquicamente prevalece sobre as normas de conflitos comuns (3º). Estes
autores, não aplicando a norma de aplicação imediata (21º/d) pela regra de
conflitos especial do 23/1 LCCG, aplicariam pelas regras de conflitos comum.

FRAUDE À LEI

1. Introdução: a fraude à lei é um problema a montante, onde há manipulação do


elemento de conexão ou a internacionalização fictícia de uma determinada situação.
DEVE-SE PRÉ-DETERMINAR A LEI COMPETENTE PARA AVERIGUAR SE HÁ FRAUDE, UMA
VEZ QUE O ART. 21º SÓ SE APLICA SE EXISTIR UMA LEI NORMALMENTE COMPETENTE.

2. Distinção com a reserva de ordem pública internacional

 Reserva de ordem pública internacional: normas e princípios fundamentais


que visam impedir que a aplicação de uma norma estrangeira conduza a um
resultado intolerável, incidindo sobre os efeitos jurídicos que resultam da
norma estrangeira. Art. 22º CC.
NA OPI está em causa a compatibilidade do resultado a que conduz a aplicação

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da lei estrangeira, com a justiça material da OJ do foro.

 Proibição de fraude à lei: está em causa o afastamento da lei normalmente


competente e o desrespeito da norma imperativa nela contida, ainda que o
Direito do foro não tenha norma equivalente.

3. Tipos de fraude à lei

A. Manipulação do elemento de conexão


Muda-se em concreto o próprio conteúdo do elemento de conexão.

Ex: quando a lei de Malta não admitia o divórcio, dois malteses residentes em
Portugal que pretendiam divorciar-se, naturalizam-se portugueses, embora não se
integrem na nossa sociedade.

NOTA: não há fraude à lei na medida em que a mudança do EC corresponde a uma


intenção real de se integrar no país onde se obteve nacionalidade. Ex: A e B
mudam de país para se casar, adquirindo a nacionalidade. Porém, passam a residir
no país.

B. Internacionalização fictícia de uma situação interna


Para afastar o direito material vigente na ordem jurídica portuguesa, que é
exclusivamente aplicável a uma situação interna, estabelece-se uma conexão com
um Estado estrangeiro, por forma a desencadear a aplicação desse Direito

Ex.: dois portugueses residentes em Portugal pretendem fugir aos limites fixados
pela lei portuguesa à taxa de juros do mútuo, pelo que celebram um contrato
interno em Badajoz e escolhem a lei espanhola para reger o contrato.

4. Elementos da fraude à lei (PRESSUPOSTOS para existir)

A. Elemento objetivo – manipulação com êxito do EC, ou na internacionalização


fictícia de uma situação interna.

B. Elemento subjetivo – vontade de afastar a aplicação de uma norma imperativa


que seria normalmente aplicável. É necessário dolo! (não há fraude à lei por
negligência).

5. Medidas preventivas da fraude: formas que o legislador tem encontrado para se evitar
a situação da fraude à lei. O legislador optou por qualificar o próprio elemento de
conexão: art 33º/1 CC ao considerar-se que era a sede principal efetiva, qualificando-se
o elemento de conexão; o mesmo acontece no art. 55º/2 CC.

6. Sanção

Jurisprudência francesa + FERNANDO OLAVO – princípio fraus omnia corrumpit, i.e,


todos os atos integrados no processo fraudulento são nulos ou para todos os efeitos

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inoperantes (p.e inclui-se a própria naturalização obtida no estrangeiro).

 Mas isto não pode ser, porque o Estado do foro não pode declarar a inválida a
aquisição de uma nacionalidade estrangeira. Pode é recusar os efeitos que essa
internacionalização teria nas normas de conflitos - art. 21º CC: a sanção
consiste em aplicar a lei normalmente competente.

 Contudo, isto não significa que os atos praticados sejam irrelevantes; só é a


manipulação ou internacionalização. Ou seja, se um português se naturaliza
no RU para afastar as normas sobre sucessão legitimária e faz testamento
onde deixa todos os bens a um amigo, o testamento não é irrelevante, a
naturalização é que é.

E quanto à sanção da fraude à lei estrangeira?

A. FERRER CORREIA – não diferencia a sanção da fraude à lei do foro e a sanção da


fraude à lei estrangeira. Basta haver fraude para ser sancionada.

B. ISABEL COLAÇO – a fraude à lei só é sancionada em dois casos:


i) Se a lei estrangeira defraudada também sanciona a fraude; ou
ii) Se, na perspetiva de DIP do foro, estiver em causa um princípio mínimo
ético nas relações internacionais que não se conforma com o desrespeito
da proibição contida na lei normalmente competente.

7. Relação com as liberdades económicas fundamentais da União – discutida no caso


Centros. Conclui-se que se um nacional de um EM pretender constituir uma sociedade
num outro EM, pode fazê-lo livremente, mesmo que apenas o faça por considerar mais
benéfico o Direito Societário desse Estado, podendo constituir sucursais em qualquer
outro EM.

RESERVA DE ORDEM PÚBLICA INTERNACIONAL

1. Introdução: normas e princípios fundamentais que visam impedir que a aplicação de


uma norma estrangeira conduza a um resultado intolerável, incidindo sobre os efeitos
jurídicos que resultam da norma estrangeira. Art. 22º CC.

2. Características fundamentais:
i) Caráter excecional da reserva de ordem pública internacional;
ii) Atualidade ou relatividade temporal;
iii) Caráter nacional ou relatividade espacial

3. Pressupostos - para que opere é necessário verificar-se:


i) Conexão interna: a situação internacional a regular tem de ter uma conexão
suficiente com a ordem jurídica portuguesa (tem de ter pontos de contacto)

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ii) Juízo de incompatibilidade: afere-se o juízo de conformidade (com a OPI)


quanto à situação jurídica que deriva da aplicação dessas regras estrangeiras

4. Efeitos – tem dois níveis de efeitos:


i) Efeito primário: afastamento das regras da lei estrangeira competente por ser
incompatível com a ordem jurídica internacional portuguesa.

ii) Efeito secundário: ocorre nos casos em que a intervenção da ordem pública
internacional resulta numa lacuna, sendo necessário encontrar normas que
subsituam aquelas que foram afastadas, podendo ser encontradas:
a) Na lei estrangeira (outras normas), ou, não sendo possível;
b) Na lei material do Estado do Foro

5. Regime no CC: 22º/1 afasta a lei estrangeira sempre que a sua aplicação ofenda os
princípios fundamentais da ordem pública internacional do Estado PT. 22º/2 estabelece
a solução para resolver a lacuna de regulação resultante deste afastamento

6. Regulamentos: 21º RR1, 26º RR2, 12º RR3, 35º RR4, 31º 1103 e 1004

7. Distinção com a Reserva de Ordem Pública Interna: distinguem-se em razão:


a) Do seu conteúdo – a ROPInternacional apenas abrange os princípios
fundamentais.

b) Da sua função - a ROPInternacional pretende salvaguardar os valores


fundamentais da ordem jurídica do Estado do Foro.

8. Distinção com fraude à lei (ACIMA)

INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO DE DIREITO


ESTRANGEIRO
(apenas as principais questões)

1. Podem os Tribunais portugueses conhecer oficiosamente do Direito estrangeiro, ou


este apenas pode ser aplicado se tal aplicação for suscitada pelas partes?
 Regra geral: o Tribunal conhece oficiosamente do Direito (art 664º CPC). Esta regra
aplica-se também ao Direito internacional por via do disposto no art 348º, nº 2 CC

2. Qual o regime de conhecimento e prova do Direito estrangeiro?


 348º/1 CC: compete àquele que invocar o Direito estrangeiro fazer a prova da sua
existência e conteúdo, mas deve o Tribunal procurar oficiosamente o respectivo
conhecimento

3. Como é que o Tribunal português vai averiguar o teor do Direito estrangeiro aplicável
ao caso, ou seja, por que meios é que o mesmo se deverá informar a esse respeito?

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 DMV: deverão ser utilizados todos os meios que sejam de confiança, quer directos
quer indirecto.

4. E se não for de todo possível obter tais informações?


 23º/2 CC: aplica-se a lei subsidiária, contudo pressupõe-se a total impossibilidade de
averiguação do conteúdo da lei estrangeira. No entanto, nem sempre há uma conexão
subsidiária nesta matéria, razão pela qual se determina que, em última análise, se
aplica o Direito português – art 348º, nº3 CC.

5. Como é que podemos fixar o conteúdo da lei estrangeira aplicável?


 Harmonia dos julgados - deve a causa ser decidida como se fosse o Tribunal estrangeiro
a decidir. Tal significa que se deve atender ao sistema de fontes de Direito dessa ordem
jurídica (p.e. se determinado ordenamento considera o costume uma fonte de Direito,
então ele deverá valer como tal neste âmbito), respeitando a sua hierarquia. Não
colhe, por isso, a aplicação das regras gerais dos arts 9º e 10º CC, mas antes a aplicação
das regras homólogas do Direito estrangeiro.

6. Em que condições poderá o Supremo Tribunal de Justiça controlar a aplicação feita


pelas instâncias da lei estrangeira competente?
 O Supremo pode controlar a aplicação de normas de fonte legal, não podendo, no
entanto, controlar a aplicação de normas de fonte consuetudinária ou de Direito
religioso. Pode também perguntar-se se o precedente judicial, que em alguns países é
fonte de Direito, pode considerar-se incluído nessa competência do STJ – o Professor
Dário Moura Vicente e o Professor Lima Pinheiro entendem que sim, pois entendem
que essas mais não são que disposições genéricas oriundas de um órgão de soberania
– são regras fixadas pelo próprio Tribunal, enquanto órgão de poder judiciário.

LEI PESSOAL DAS PESSOAS SINGULARES E


COLETIVAS
Caso 31, 32

A. LEI PESSOAL DAS PESSOAS SINGULARES

7. Ponderar a aplicação do Regulamento

8. Se não aplicável, observar as normas de conflito do CC – 31º CC: regra geral de que a
lei pessoal é a lei nacional.
Observar 32º caso falte a nacionalidade.
Concurso de nacionalidades: 27º e 28º LN + ter em conta a doutrina micheletti.

9. Caso especial do art. 31º/2 CC: consagra um desvio à regra segundo a qual a lei
pessoal é a lei nacional. A lei da residência habitual passa a ser aplicada para o
reconhecimento de certos negócios abrangidos pelo estatuto pessoal, em vez da lei da
nacionalidade do interessado. Fundamento: necessidade de proteger as expectativas

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dos interessados ou, para alguns, direitos adquiridos.

Quando aplicar o nº2?


 Pré-requisito: a aplicação do nº2 só se justifica quando pelo nº1 o negócio é
considerado inválido ou ineficaz, não o sendo pela lei da residência habitual.

 Requisitos:
a) LUGAR DE CELEBRAÇÃO DO NJ: o negócio tem de ter sido celebrado no
país da RH do interessado.
b) LEI DE ACORDO COM A QUAL O NJ DEVE TER SIDO CELEBRADO: O
negócio tem de ter sido celebrado de acoro com a lei da RH do
declarante (validamente).
c) VONTADE DE APLICAÇÃO DA LEI EM QUESTÃO: A lei da RH tem de se
considerar competente.

 Interpretação extensiva ou analógica do nº2 (quando os pressupostos não se


encontram preenchidos) com base na ratio do artigo de tutelar as expectativas
e proteger a confiança.

DMV: deve-se fazer uma interpretação extensiva – continua-se a proteger a


confiança (ratio). No que toca ao facto do NJ ter de ser válido segundo a lei da
RH, pode ser a lei da RH a remeter para outro Estado; o que importa não é
tanto a lei de acordo com a qual o negócio foi celebrado, mas sim que o
negócio seja eficaz no país da HR.

LP: deve-se fazer uma aplicação analógica – que só será admitida em dois
casos:

1. Quando a situação se constitui no PAÍS DA RH, segundo outro Direito, que


se considera competente e que é aplicável segundo o Direito de Conflitos
da RH

2. Quando a situação se constitui num PAÍS TERCEIRO, com base na lei da RH


que se considere competente, OU, com base na lei de um terceiro
ordenamento que se considere competente e seja considerada válida à
face do DIP da RH

FERRER CORREIA: interpretação extensiva ao art. 31º/2 CC com base numa


interpretação restritiva do 17º/2 CC:

1. Quando a situação se constitui num terceiro país mas segundo a lei da


residência habitual, sendo a situação reconhecia pela ordem jurídica do
Estado da residência habitual e tendo-se tornado nele efetiva;

2. Quando a situação se tenha constituído segundo a lei de terceiro país, caso


o DIP do Estado de residência habitual também aplique esta lei;

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3. Quando a situação tenha sido constituída por decisão judicial proferida em


terceiro país e reconhecida no Estado da residência habitual;

Aplicação analógica em casos de: reconhecimento da partilha de uma herança


realizada no país da situação dos bens imóveis, em conformidade com a
respetiva lei e desde que esta se considere competente.

B. LEI PESSOAL DAS PESSOAS COLETIVAS

1. Ponderar a aplicação do Regulamento

2. Se não aplicável, observar as normas de conflito do CC


 O art. 33º é a disposição geral em matéria da lei pessoal das pessoas coletivas
 Até à entrada em vigor do CSC foi controvertida na doutrina a questão de
saber se as sociedades comerciais estariam sujeitas ao disposto no 33º CC
 O Prof. LP afirma que a questão se tem como ultrapassada, tendo em conta o
disposto no art. 3º CSC, que aplica às sociedades comerciais as regras gerais do
art. 33º CC, com a especialidade resultante da relevância concedida à sede
estatutária (na parte final)
 Portanto, o art. 3º CSC é uma norma especial face ao art. 33º CC, que contém
disposições gerais, devendo-se aplicar o art. 3º CSC

3. As sedes: art. 33º CC e 3º CSC


 Sede estatutária é a sede do país de constituição; é a sede que consta dos
estatutos

 Sede principal e efetiva da admnistração (ou sede real) é o local de exercício


do seu centro de decisão, onde são adotadas as medidas de gestão da
sociedade

O CRITÉRIO DO ART. 33º CC E 3º/1 CSC 1 PARTE É O DA SEDE PRINCIPAL


E EFETIVA DA ADMNISTRAÇÃO DA PC. Assim, o legislador afasta-se de outros
elementos como:
 Nacionalidade - problemas com concretizar (não existe uma disposição q determine a
nacionalidade de pc)
 Incorporation theory - que mandaria atender ao direito segundo a qual a PC se
constituiu
 Place of incorporation - direito da constituição da PC

Vantagens:
A opção pela sede real evita problemas de fraude à lei e permite que o direito aplicável à
pessoa coletiva coincida com o local do exercício do seu centro de decisão.

Desvantagens:
 Na prática os sujeitos designam como sede estatutária um endereço no país da
constituição, onde são cumpridos (nesse país) os requisitos formais, substanciais e de

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registo das PC

 A sede real lesa a segurança jurídica e expectativas de terceiros porque a sua


determinação está dependente de factos que se encontram totalmente dependentes
de informação interna à PC PORQUE OS 3'S APENAS DISPÕE DOS ELEMENTOS DE
INFORMAÇÃO CONSTANTES DOS REGISTOS PÚBLCIOS

 É ISTO QUE JUSTIFICA A OPÇÃO NA PARTE FINAL DO 3º/1 CSC- QUE NÃO ESTÁ
CONSAGRADA NO ART. 33º CC

4. Interpretação do art. 3º CSC

 1º parte: a lei pessoal da PC é a lei do Estado onde se encontra situada a sede principal
e efetiva da sua administração.

 2º parte: dispõe que a sociedade que tenha em Portugal a sede estatutária não pode
opor a terceiros a sua sujeição a lei diferente da lei portuguesa.

QUANDO A SEDE ESTATUTÁRIA É EM PT


 Posição do Prof LP quanto à interpretação da segunda parte do art. 3º/1 CSC:
interpretação segundo a qual o Direito português da sede estatutária é o
aplicável nas relações com terceiros, a menos que estes tenham razão para
contar com a aplicação do Direito da sede da administração. Portanto, na
posição do prof LP, a lei pt só se aplicaria se era legítima a confiança nesta
aplicação, uma vez que a ratio do artigo é a tutela da confiança de terceiros.

QUANDO A SEDE ESTATUTÁRIA NÃO É EM PT

 Questiona-se a aplicação do art. 3º/1 2º parte CSC


 Para Marques dos Santos: uma vez que a 2º parte do artigo não é
bilateralizável, porque a ratio não seria a proteção da confiança, então não
será aplicável quando não esteja em causa uma sede estatutária em Portugal.
Desta forma, aplica-se a 1 parte do art. 3º/1 CSC.

 LP: sustenta que a ratio do artigo será a proteção da confiança de terceiros,


pelo que, uma vez que se protege quando há divisão de sedes e a estatutária
está em Portugal, deve-se apelar à mesma proteção quando a sede está em
estado terceiro. Assim sendo, não se aplica a 1 parte do art. 3º/1, devido a esta
proteção da confiança. Também não se aplica [imediatamente e diretamente]
a 2 parte porque está prevista para as sedes estatutárias em Portugal. Logo,
deve-se afirmar a existência de LACUNA - a solução será aplicar
analogicamente o 3º/1 2 parte, procedendo-se a uma bilateralização.
o DMV vai no mesmo sentido, contudo acrescenta que se trata de uma
aplicação condicionada porque tem haver uma norma equivalente à
nossa. Não faz sentido permitir a aplicação de uma lei estrangeira
enquanto lei da sede estatutária e esse mesmo país não se considerar

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competente = não ter norma semelhante. REQUISITO ADICIONAL DA


REMISSÃO CONDICIONADA.

Conclusão sobre o 3º CSC: é norma de conflitos especial face ao 33º CC. O nº1 1 parte é
bilateral; 2º parte é unilateral, a não ser que se adote a posição do PROF LP que bilateraliza.

Questões extra que podem ser pertinentes

Divergência Doutrinária – DIP E DTO CONSTITUCIONAL

As normas de conflito portuguesas podem ser afastadas se contrárias à CRP?

 JORGE MIRANDA (+ TC) – sim, uma vez que a CRP se sobrepõe.


 RUI MOURA RAMOS – DIP é parte da ordem jurídica de um Estado, não podendo ser
um espaço livre de constitucionalidade, pelo que as normas de conflito portuguesas
podem ser afastadas se contrárias à CRP, sob pena de inconstitucionalidade.
 DÁRIO MOURA VICENTE – as normas de conflito sujeitam-se à CRP, sendo esta uma
expressão imediata de valores jurídicos base acolhidos na comunidade política, pelo
que não se pode aceitar normas de conflitos contrárias à CRP.

Pode aplica-se lei estrangeira contrária à nossa CRP?

 JORGE MIRANDA – normas estrangeiras estão sujeitas à fiscalização da sua


constitucionalidade, do ponto de vista da nossa CRP. Assim, os tribunais portugueses
não podem aplicar normas contrárias à CRP (204º CRP), sendo inaplicável a norma de
conflitos contrária à CRP.
 DÁRIO MOURA VICENTE - 204º não está pensado para a lei estrangeira, uma vez que a
CRP não tem pretensão de aplicação universal. A CRP não pode obstar à aplicação de
todas e quaisquer normas estrangeiras por serem contrárias às suas prescrições.
Deve-se:
1. Verificar as finalidades que a norma constitucional tutela;
2. Ver se à luz dessas finalidades também faz sentido aplicar a lei estrangeira;
3. Tem de haver jusitificação à luz das finalidades subjacentes à situação para se
aplicar a lei estrangeira;
4. Se as finalidades tuteladas forem as mesmas, poder-se-á aplicar a lei estrangeira.

 FERRER CORREIA: se a contrariedade à CRP for ofensiva da reserva de ordem pública


internacional, não se pode aplicar a lei estrangeira.
ROPI = normas e princípios fundamentais; esta reserva visa impedir que a aplicação de
uma norma estrangeira conduza a um resultado intolerável, incidindo sobre os efeitos
jurídicos que resultam da norma estrangeira. Art. 22º CC.
1. A CRP tem princípios;
2. A reserva de ordem pública internacional do Estado PT contém princípios
constitucionais

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3. Uma norma estrangeira que contraria a CRP ofende a reserva de ordem pública
internacional do Estado PT
4. Deste modo, a norma de conflitos é inaplicável

Tribunais podem recusar a aplicação de lei estrangeira por esta contrariar as normas da CRP
do país de onde (essa lei) é originária?

 Entendimento coerente com o princípio da harmonia jurídica internacional: tem-se


de aplicar a lei estrangeira tal como é aplicada no país. Se a norma no seu país for
declarada inconstitucional, então o tribunal português não deve aplicar a norma.

 DMV – quando já houve decisão com força obrigatória geral sobre a


inconstitucionalidade, não se poderá aplicar a norma. Quando não houver decisões
com força obrigatória geral, mas quando há tribunais que já tenham considerado, em
sede de fiscalização difusa, um certo nº considerável de vezes, essa norma já náo se
poderá aplicar.

Princípios importantes de DIP

 Princípio da harmonia internacional de julgados – DIP visa que, independentemente


do sítio onde a questão seja colocada, o Direito Material aplicável seja o mesmo;

 Princípio da boa administração da justiça – como forma a evitar o erro judiciário,


deve-se aplicar ao máximo a lei do foro.

Regras de Conflito vigentes no ordenamento jurídico português

1. De fonte da União Europeia


 RR1 – obrigações contratuais
 RR2 – obrigações extracontratuais
 RR3 – divórcio e separação judicial
 RR4 – sucessões
 Regulamento nº 2016/1103 – regime matrimonial

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 Regulamento nº 2016/1104 – parcerias registadas.

2. De fonte interna mais relevantes – SÓ SE APLICAM REGRAS DE CONFLITO DE FONTE


INTERNA QUANDO NÃO SE POSSA APLICAR A REGRA DE CONFLITO SUPRAESTADUAL
(DUE OU DIPÚBLICO) – art. 8º/3/4 CRP. Isto acontece:
i) quando não existe regulamento sobre a matéria
ii) quando existe mas não se preenche o âmbito de aplicação
 CC
 Art. 3º CSC (lei pessoal das sociedades comerciais)

Divergência doutrinária – cláusula de exceção

Se não houver no Direito positivo uma cláusula de exceção, o juiz pode afastar a norma de
conflitos em benefício de outra lei com a qual haja uma conexão mais estreita?

 Cláusula de exceção – permite afastar o direito primariamente aplicável de um Estado,


quando a situação apresenta uma ligação manifestamente mais estreira com outro.
No direito de conflitos PT NÃO VIGORA uma cláusula geral de exceção.
a) MOURA RAMOS – sendo normas de conflito meros critérios instrumentais,
podem ser afastadas quando se demonstre que a conexão mais estreita se
estabelece com um direito diferente do por elas designado. Assim, admite no
mínimo a vigência de uma cláusula de exceção implícita.

b) LP – não tem este entendimento: 1) As normas de conflito são tão vinculativas


como as materiais; 2) O legislador de 66 optou conscientemente por regras de
conflito que utilizam conceitos designativos do elemento de conexão
determinados, mostrando-se desfavorável a critérios de remissão flexível.

 DMV – deve-se admitir que pode haver um afastamento da lei designada pela norma
de conflitos, em benefício de uma outra lei que tenha conexão mais estreita com a
situação privada internacional. Fundamento é tutelar as expectativas das partes.
(para além disso houve um acórdão do STJ que defendeu a aplicação da cláusula de
exceção que não estava explícita na lei)

 LP – defende, em iure condendo, a introdução no Direito de Conflitos PT de uma


cláusula geral de exceção, uma vez que a justiça da conexão é posta em causa quando
a norma de conflitos remete para o Direito de um Estado e a situação apresenta uma
ligação manifestamente mais estreita com outro Estado. Contudo:
a) A cláusula deve ser aplicada prudentemente como cláusula excecional, so
atuando quando a ligação com a lei primariamente competente é
ostensivamente mais fraca, e deve ser acompanhada do enunciado de critérios
orientadores.

b) A cláusula não se aplica: 1) quando as partes escolhem a lei a aplicar


(autonomia privada); 2) implicam a derrogação dos objetivos de política

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legislativa subjacente à regra de conflitos (como é o caso da proteção da parte


mais fraca)

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