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Transp. e Comun. em Moz

O documento é um trabalho de investigação científica sobre transportes e comunicações em Moçambique, abordando a evolução histórica, a rede de transporte e os desafios enfrentados pelo setor. A pesquisa analisa a importância do transporte para o desenvolvimento econômico e social do país, destacando as infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, aéreas e marítimas. O estudo também explora a contribuição do setor para o PIB e a posição de Moçambique na região da SADC.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O documento é um trabalho de investigação científica sobre transportes e comunicações em Moçambique, abordando a evolução histórica, a rede de transporte e os desafios enfrentados pelo setor. A pesquisa analisa a importância do transporte para o desenvolvimento econômico e social do país, destacando as infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, aéreas e marítimas. O estudo também explora a contribuição do setor para o PIB e a posição de Moçambique na região da SADC.
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Anita Miguel João

Gércio Manasse Cumbane


Tomé Daniel

Transportes e Comunicações em Moçambique

Licenciatura em Geografia

Universidade Save
Maxixe
2024
Anita Miguel João
Gércio Manasse Cumbane
Tomé Daniel

Transportes e Comunicações em Moçambique

Trabalho de Investigação científica


realizado na cadeira de Geografia
Humana de Moçambique, a ser entregue
ao docente para efeitos de avaliação.

Docente: Mestre Freitas Fenias Cossa

Universidade Save
Maxixe
2024
Índice
1. Introdução............................................................................................................................ 4
2. Objectivos............................................................................................................................ 5
3. Metodologia ........................................................................................................................ 5
4. Transportes e Comutação em Moçambique ........................................................................ 6
5. Evolução dos transportes e comunicações em Moçambique .............................................. 6
5.1. Período colonial ............................................................................................................... 6
5.2. Pós-independência ........................................................................................................... 7
5.3. Período de a guerra civil (1977-1992) ............................................................................. 7
5.4. Período actual .................................................................................................................. 8
6. Rede de Transporte .............................................................................................................. 8
6.1. Transportes Marítimos e Portos ....................................................................................... 9
Tabela de número de portos activos e sua capacidade de manuseamento, 2023 ........................ 9
Tabela de número de pontes segundo província, 2023 ............................................................. 10
6.2. Transportes Ferroviários ................................................................................................ 10
Tabela de extensão das linhas ferroviárias e sua capacidade de manuseamento segundo linha e
região, 2023 .............................................................................................................................. 11
6.3. Transportes Aéreos ........................................................................................................ 11
Tabela de número de aeroportos e aeródromos activos em Moçambique, 2023 ...................... 12
6.4. Transportes Rodoviários ................................................................................................ 12
Tabela de extensão total de rede de estradas por classificação segundo província, 2023 ........ 13
7. Corredores de Desenvolvimento de Transportes de Comunicações ................................. 13
Mapa de distribuição dos corredores de desenvolvimento de transporte em Moçambique ..... 14
7.1. Corredor da Beira .......................................................................................................... 14
7.2. Corredor de Maputo ...................................................................................................... 15
7.3. Corredor de Mtwara....................................................................................................... 15
7.4. Corredor de Nacala ........................................................................................................ 16
8. Contribuição do sector de transporte e comunicações para o PIB em Moçambique ........ 16
Gráfico da contribuição do sector dos transportes e armazenagem no PIB, 2019-2023 .......... 17
9. Posição de Moçambique e Papel de transporte da Região de SADC................................ 17
10. Protocolo sobre Transportes E Comunicações .............................................................. 18
11. Principais desafios do sector de transporte e comunicações em Moçambique ............. 18
12. Conclusão ...................................................................................................................... 20
13. Referências bibliográficas ............................................................................................. 21
4

1. Introdução

Falar de transportes e comunicações em Moçambique remete-nos a uma avaliação profunda no


que se refere ao desenvolvimento económico do país. Olhando para aquilo que é a localização
estratégica de Moçambique e a sua extensa costa no Oceano Índico e fronteira com vários
outros países, faz com que este país seja crucial no que se refere ao comércio regional e
internacional. Moçambique é um país localizado na costa sudeste da África, com uma
população de mais de 30 milhões de habitantes. É um país com vastos recursos naturais e
culturais, o que faz com que o transporte seja uma parte crucial da infraestrutura nacional para
a economia e o desenvolvimento social. O transporte em Moçambique é caracterizado por uma
ampla diversidade de modos, com destaque para o transporte rodoviário e ferroviário, e também
pelo grande uso de transportes fluviais em algumas das regiões mais isoladas.
Com isso, pretende-se neste trabalho abordar de uma forma sucinta o tema referente a
transportes e comunicações em Moçambique, buscando dessa forma analisar a rede de
transporte em Moçambique.
Ao longo deste trabalho, discutiremos o papel do transporte em Moçambique, suas principais
formas e desafios. Além disso, o objetivo é também apresentar de uma forma geral e crítica os
impactos que o transporte tem tido na economia e na vida social do país, bem como as
perspectivas para o futuro.
5

2. Objectivos

2.1. Geral

▪ Analisar a rede de transportes e comunicações em Moçambique.

2.2. Específicos

▪ Explicar a rede de transporte em Moçambique;


▪ Explorar os corredores de desenvolvimento de transportes e comunicação em
Moçambique;
▪ Descrever a posição de Moçambique e papel de transporte na região da SADC.

3. Metodologia

Para a realização desta pesquisa, foi utilizada uma abordagem qualitativa e descritiva,
baseada em revisão bibliográfica e análise de dados secundários, ou seja, realizou-se consulta
de obras e documentos referentes ao tema em estudo.
6

4. Transportes e Comutação em Moçambique

Ninguém contesta o pressuposto de que um sistema de transportes eficiente é uma condição


imprescindível ao desenvolvimento de qualquer território, não só como armadura à sua
organização interna, mas também como facilitador da articulação desse território ao exterior.

Segundo Neto (2016), Moçambique é historicamente conhecido por ser um território voltado
ao seu exterior, tanto por escoar a produção de hinterland da África Austral (como seus vizinhos
África do Sul, Suazilândia, Zimbabwe e Malawi), como pelo antigo direcionamento da
economia do país para a exportação da produção interna.

É usual sintetizar, a nível das definições, que a actividade transporte assegura a circulação de
pessoas e bens, deixando para a comunicação a circulação de informações e mensagens.
O conjunto de transporte e comunicação é visivelmente o aparelho circulatório da Comunidade
humana global, encarregado de levar a cada tecido e suas células activas as “substâncias”
necessárias ao seu labor articulado e deles retirar, para distribuição, os produtos do seu trabalho
e do seu espírito.
A eficiência do transporte, como componente importante deste sistema circulatório, tem sido
pois preocupação permanente das Comunidades e seus dirigentes, com experiências e soluções
de perfeição variável.
Surge assim, nas preocupações dos responsáveis de cada Comunidade nacional, o problema do
ordenamento do território, em que o transporte desempenha um papel importante, sobretudo
através da infraestrutura dos transportes terrestres e do modo como estão ou são organizados.
A necessidade de circulação de pessoas e bens é vital nas comunidades humanas desde que,
nos primórdios da história, se reconheceu e acolheu a especialização, num quadro de divisão
cooperante do trabalho, sucessivamente pessoal, sectorial e nacional.
Moçambique tem três importantes corredores de transporte cada uma consistindo de ferrovias
integradas e instalações portuárias que servem de transito de tráfego, principalmente regional.

5. Evolução dos transportes e comunicações em Moçambique

5.1. Período colonial

Durante o período colonial, o setor de transporte e comunicação em Moçambique era


controlado principalmente pela administração colonial portuguesa, que investiu principalmente
em infraestrutura de transporte para beneficiar a exploração econômica do país. As principais
vias de transporte construídas durante este período foram as estradas de ferro de Sena e de
7

Beira, que ligavam as minas do interior do país aos portos da costa, bem como as estradas
pavimentadas que se estendiam de norte a sul do país. A centralização do setor de transporte
nas mãos do governo colonial prejudicou a diversificação e modernização do setor e excluiu a
participação de Moçambicanos na gestão e tomada de decisões.

Segundo Chichava (2013), durante a era colonial, a infraestrutura de transporte e comunicação


era precária e restrita aos interesses dos colonizadores. A rede de transporte limitava-se a
poucas estradas, ferrovias e portos, com pouca ou nenhuma conexão com o interior do país. O
setor de comunicação era dominado pelas empresas portuguesas, com pouca liberdade de
imprensa e limitado acesso a telefones e rádios.

5.2. Pós-independência

Após a independência em 1975, o governo de Moçambique deu prioridade ao desenvolvimento


da infraestrutura de transporte e comunicação como um elemento chave do desenvolvimento
nacional. Investimentos significativos foram feitos para expandir a rede rodoviária, ferroviária
e portuária, bem como modernizar as telecomunicações. Segundo Lopes, S., & Pereira, R.
(2014), “o nível de investimento nas infraestruturas de transporte e comunicação foi
significativo após a independência, visando melhorar a conectividade do país e reduzir as
assimetrias regionais” (p. 380).

Após a independência de Moçambique em 1975, o setor de transporte enfrentou vários


desafios. O governo moçambicano investiu significantemente no setor, mas a guerra civil que
se seguiu à independência prejudicou o desenvolvimento da infraestrutura. Segundo o relatório
do Banco Mundial de 1992, "Moçambique: From Socialist Construction to Free Market
Reforms", o país tinha uma rede ferroviária de 2.983 km de extensão, sendo que apenas cerca
de dois terços desses eram utilizados. O relatório também destaca a limitação do transporte
rodoviário em algumas áreas do país.

5.3. Período de a guerra civil (1977-1992)

Este período teve um impacto significativo na infraestrutura de transporte e comunicação. O


conflito levou à destruição de muitos equipamentos e a uma deterioração significativa da rede.
Após o fim da guerra, o governo empreendeu esforços significativos para a reconstrução e
modernização das infraestruturas de transporte e comunicação. Segundo Chichava, & Arndt
(2013), “os principais investimentos em infraestrutura rodoviária foram a construção de novas
estradas e a melhoria significativa dos padrões de conservação”, enquanto que “o setor de
8

comunicação aumentou significativamente a capacidade e a cobertura em telefonia móvel e


acesso à internet” (p. 5).

5.4. Período actual

Atualmente, a infraestrutura de transporte e comunicação em Moçambique conta com mais de


30 000 km de estradas pavimentadas e não pavimentadas e continua a ser uma prioridade do
governo. A rede rodoviária continua a crescer, com a construção de novas estradas e a melhoria
da qualidade das rodovias existentes. De acordo com o relatório do Banco Mundial de 2020,
desde as reformas de 1990, o setor de transportes de Moçambique tem sido caracterizado por
uma maior concorrência e participação do setor privado, o que levou a uma maior diversidade
de serviços e melhores preços para os consumidores. Além disso, o setor de comunicação,
incluindo as telecomunicações e o acesso à internet, tem visto um crescimento significativo.

6. Rede de Transporte

A expressão rede de transporte designa o conjunto de todas as vias de transporte de pessoas e


de mercadorias que se interligam com uma determinada densidade numa determinada região,
e inclui as estradas, as linhas de caminho de ferro, as ligações aéreas, entre outros.

Segundo Neto (2016), o sistema de transporte constitui um factor determinante para a coesão
social e territorial, e para conferir uma maior competitividade. Para que o sistema desempenhe
o seu papel de se dar atenção especial a melhoria das infra-estruturas ao nível nacional, tendo
em conta as necessidades de equidade e solidariedade de todos os cidadãos na garantia da sua
mobilidade e dos seus bens.

O uso eficiente de um sistema de transportes pressupõe a existência de uma rede de subsistemas


de transportes:

▪ Rodoviários (estradas);
▪ Ferroviários (linhas férreas);
▪ Aéreos (aeroportos);
▪ Marítimos (portos).
Esta redes, funcionam de uma forma interligada.
Cada uma dessas redes tem sua inserção institucional, o Instituto Nacional de Aviação Civil
(INAC), Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATER), o Instituto Nacional de
Hidrologia (INAHINA).
9

6.1. Transportes Marítimos e Portos

O transporte marítimo, sobretudo a travessia pelo país é garantida pela trans-marítima e


recentemente no caso de Maputo-Catembe opera também uma pequena empresa privada
(Mapapato). Enquanto que a ligação entre Malawi e Moçambique ao longo do Lago Niassa é
feito pela Emocil e a Malawi Shiping Company. A trans-marítima que apesar de ter uma
limitada frota de barcos e não cobre todas as travessias nacionais tem um destaque
considerável. E sob ponto de vista de trabalhadores ligados ao transporte, o seu universo é
limitado, porém os trabalhadores são permanentes.

Segundo Tamele (2013), o transporte marítimo tem a grande vantagem de não exigir
infraestruturas de rede, por isso é preferido, no que concerne ao transporte de carga para longa
distância sobretudo nos trajectos internacionais. Porém por inerência, complementaridade e
competitividade, o transporte marítimo é por excelência a opção de primazia para
Moçambique.

Os portos são vitais para a competitividade de produção na área de sua influência, tendo um
peso enorme no cômputo dos custos globais nas transações comerciais. A experiência dos
últimos anos de transformação do modo de gestão dos portos e caminhos de ferro, mostra que
as privatizações falharam redondamente quanto a eficiência e competitividade.

Tabela de número de portos activos e sua capacidade de manuseamento, 2023

Fonte: INE 2023


10

Tabela de número de pontes segundo província, 2023

Fonte: INE 2023

6.2. Transportes Ferroviários

O transporte ferroviário é considerado o mais adequado para cargas a granel e para grandes
distâncias. A maior capacidade de carga e a facilidade de transportar qualquer tipo de carga
confere ao transporte ferroviário a possibilidade de redução significativa de custos por unidade
de peso.

Para Gomes (2016), o transporte ferroviário em Moçambique conheceu pouca evolução se


considerarmos a sua importância estratégica. Com efeito, as linhas férreas existentes foram
concebidas quase que exclusivamente para promover o escoamento dos produtos de origem
internacional para os países vizinhos de Moçambique.

Entre 2011 e 2012, o transporte carga ferroviário aumentou 94,5% devido transporte do carvão,
bem como o transporte de mercadorias de países do interior que tinha influenciado o
crescimento em 126,9%. Embora o transporte de passageiros tenha registado um aumento de
11%.

O crescimento do sector foi influenciado pela indústria extrativa que opera com as suas próprias
locomotivas alugando a linha a CFM. Apesar dos dados da SINPOEC indicarem que os
trabalhadores ferroviários estão a aumentarem o número de trabalhadores ligados ao transporte
poderia ser significativo.
11

Tabela de extensão das linhas ferroviárias e sua capacidade de manuseamento segundo


linha e região, 2023

Fonte: INE 2023

6.3. Transportes Aéreos

O transporte aéreo da companhia nacional LAM que apesar de ter uma pequena frota de aviões
é a única que liga 9 das capitais provinciais do pais. E sob ponto de vista de trabalhadores
ligados ao transporte o seu universo é limitado, porém são trabalhadores permanentes. As
outras companhias não são nacionais e ligam maioritariamente a capital do pais, sendo que
ocasionalmente há ensaio de voos para mais uma ou mais capitais provinciais.

Muitos serviços ligados ao transporte aéreo foram terciarizações logo depois da entrada do país
no multipartidarismo. Sendo assim, existem várias empresas que prestam serviços associados
aos transportes aéreos, desde o aluguer de veículos, agências de viagens, companhias aéreas,
bancos, fornecimento de combustíveis, restaurantes, comércio, segurança, porém 3 serviços
mereceram alguma descrição, ou seja, gestão aeroportuária e manuseamento de carga.

Os aeroportos de Moçambique, E.P., também conhecida por sua sigla ADM EP, é uma empresa
pública moçambicana responsável pela gestão dos aeroportos e aeródromos do país. A ADM
gere o equipamento de controle de trafico aéreo nos aeroportos de Moçambique e facilita a
navegação aérea no espaço nacional.
12

Tabela de número de aeroportos e aeródromos activos em Moçambique, 2023

Fonte: INE 2023

6.4. Transportes Rodoviários

Para Neto (2016), a estratégia do sector dos transportes se debruça sobre a questão da
mobilidade e acessibilidade com o aumento da oferta dos serviços ligado ao aumento paralelo
de assistência técnica, conforto e segurança. Contudo, a aquisição e disponibilização de mais
meios de transporte é uma condição necessária, mas não suficiente. É preciso que haja um
suporte que garanta a manutenção e renovação da frota e a qualificação.

Os transportes rodoviários que ocorrem em Moçambique, se subdividem em urbano,


interurbano, interprovincial e internacional. A dominância do sistema de transportes rodoviário,
induz distorções que se repercutam sobre o desenvolvimento económico e muitas vezes
contribuem para a perpetuação dos desequilíbrios regionais.

Contrariamente aos outros modais de transporte, o parque automóvel do país tem estado a
crescer exponencialmente em resposta ao crescimento económico do país.
13

A Estrada Nacional Número 1(EN1) é a principal que estabelece a ligação rodoviária de Sul ao
Norte e as capitais provinciais com cerca de 2 515km, a Estrada Nacional Número 4(EN4)
partindo de Maputo, liga Moçambique com a África do Sul em Witbank, enquanto, na zona
Centro encontramos a Estrada Nacional Número (EN6) que parte da Beira até Machipanda
fronteira com o vizinho Zimbabwe.

Tabela de extensão total de rede de estradas por classificação segundo província, 2023

Fonte: INE 2023

7. Corredores de Desenvolvimento de Transportes de Comunicações

Segundo Fonseca (2003), a importância estratégica dos corredores e em particular dos


Corredores de Maputo, Beira e Nacala, foi particularmente posta em evidência durante a Guerra
Civil em Moçambique.
Os três principais portos de Moçambique- Maputo, Beira e Nacala não entroncam em nenhum
ponto de ancoragem primitivo do tempo dos descobrimentos ou da época da influência Árabe.
Foram os três criados em articulação com as ligações de caminho de ferro aos territórios do
interland. aos land-loclced-countries. Os três portos devem o seu dinamismo e crescimento
não ao lado do mar, mas ao lado da terra e a actividade económica daqueles países.
Assim, no sentido geral, os principais corredores de desenvolvimento de Moçambique
compreendem:
▪ Corredor de Maputo;
▪ Corredor da Beira;
▪ Corredor de Mtwara;
▪ Corredor de Nacala.
14

Mapa de distribuição dos corredores de desenvolvimento de transporte em


Moçambique

7.1. Corredor da Beira

Segundo Lopes, S., & Pereira, R. (2014, o Corredor da Beira, abrangendo a Província de
Manica e em particular a Província de Sofala, contém áreas produtivas de terra agrícola onde
o novo investimento em produção comercial pode actuar como futuros pólos de crescimento.
No entanto, os negócios nas províncias encontram uma série de desafios, designadamente infra-
estruturas desadequadas, serviços públicos e sistema legal e judiciário deficientes, baixa
produtividade da mão-de-obra e acesso limitado a financiamento e serviços bancários.
O Corredor da Beira é uma das áreas agrícolas mais produtivas de Moçambique. Tem potencial
particularmente elevado para milho, sorgo, painço, trigo, arroz, sementes oleaginosas, legumes,
frutas, castanhas e gado.
15

Além destes produtos, o corredor da Beira também é responsável pela importação e exportação
de alguns produtos que abaixo iremos ilustrar.

Fonte: Portos e CFM.

7.2. Corredor de Maputo

Para Lopes, S., & Pereira, R. (2014, a cidade de Maputo/região da província de Maputo,
incluindo a cidade industrial da Matola, é o centro económico e financeiro de Moçambique. É
já um pólo de crescimento bem estabelecido no Corredor de Desenvolvimento de Maputo
(CDM), que atraiu a grande maioria dos fluxos de IDE incluindo os investimentos mais
importantes em infra-estruturas e na área social. O maior parque industrial do país, Beluluane
e a fábrica Mozal de alumínio estão situados em Maputo, o mesmo acontecendo com as grandes
empresas transformadoras de alimentos e bebidas, produtores de cimento, empresas
agroindustriais, incluindo a refinaria de açúcar Maragara e o produtor de bananas,
Bananalandia.

7.3. Corredor de Mtwara

Borges (2003), afirma que a província de Tete está a viver um crescimento rápido, devido em
grande parte aos investimentos no sector da mineração, que deram origem a uma indústria de
apoio em crescimento na cidade de Tete e arredores e a uma enorme afluência de trabalhadores
de outras províncias e países. Prevê-se que a economia local continue a sua expansão rápida
16

nos próximos anos, em particular se os projectos planeados de mineração e energia se


concretizarem. Estes projectos iriam dar origem a grandes investimentos em infra-estruturas
de transportes, acarretando grandes benefícios para a população local. Contudo, a maioria
destes investimentos está planeada para áreas onde o governo provincial e os municípios têm
uma capacidade limitada para planear, coordenar e implementar programas e prestar serviços
sociais. O crescimento económico sustentável também podia ficar constrangido pela debilidade
das instituições de educação e formação, clima de investimento imprevisível, cadeias de
abastecimento e ligações com a economia local insuficientes e uma infra-estrutura de comércio
frágil.

7.4. Corredor de Nacala

A Província de Nampula também apresenta potencialidade para implementar uma estratégia de


pólos de crescimento, especialmente no corredor entre Nacala-Velha e Malema, o que inclui os
distritos de Ribaué, Nampula, Meconta, Mecuburi, Monapo e Ilha de Moçambique. Existe um
forte interesse do sector privado nestas áreas, incluindo dois megaprojectos autorizados e um
operacional na mineração e nas agroindústrias, totalizando cerca de USD 8000 milhões. Há
ainda uma série de actividades dos doadores, incluindo projectos de desenvolvimento de infra-
estruturas planeadas, que visam particularmente o desenvolvimento de estradas, água e
saneamento.
Segundo Fonseca (2003, p.220), as prioridades do governo provincial são a coordenação da
actividade de desenvolvimento para assegurar o uso eficaz dos recursos escassos; criação de
parcerias público-privadas sólidos; reforço do quadro institucional do desenvolvimento e
planeamento; expansão da infra-estrutura urbana e rural; e aceleração do desenvolvimento
social e estão estreitamente alinhadas com os objectivos globais de uma abordagem de pólos
de crescimento.

8. Contribuição do sector de transporte e comunicações para o PIB em Moçambique

INE (2023), afirma que:

Com excepção do ano de 2020, verifica-se um crescimento na economia do país e uma


contribuição positiva dos ramos de transporte, armazenagem, bem como de informação e
comunicação. Verifica-se, também, que os dois ramos analisados têm uma influência ligeira no
PIB, estando sempre abaixo de 1 ponto percentual. Para o ramo dos transportes e armazenagem,
o valor mais alto de contribuição verificou-se em 2022, onde atingiu 0,77% do crescimento do
17

PIB que se fixou em 4,36%, e no ramo de informação e comunicação verificou-se, em 2019,


uma contribuição de 0,16% do crescimento do PIB que foi em ordem 2,32% (p. 1).

Gráfico da contribuição do sector dos transportes e armazenagem no PIB, 2019-2023

Fonte: INE 2023

9. Posição de Moçambique e Papel de transporte da Região de SADC

Moçambique é signatário protocolo da SADC sobre os Transportes, Comunicações e


Meteorologia com o objectivo de tornar os transportes, comunicações e meteorologia efectivos,
eficientes, totalmente integrados na sua estrutura e operações para promover o
desenvolvimento económico e social. Apos a independência nacional e com a criação da
Conferência para o Desenvolvimento da Africa Austral (SADC), uma organizacao económica
regional, Moçambique passa a liderar a vanguarda como porta de entrada e saída de
mercadorias de Moçambique para hinterland, através dos corredores de transportes que ligam
os países vizinhos do interior, aos portos principais de Moçambique. Os portos marítimos de
Moçambique contribuem para o desenvolvimento económico do pais e da região Austral de
Africa.

Os acordos regionais vieram melhorar o ambiente dos transportes, sobretudo os rodoviários


que cruzam a fronteira servindo os passageiros regionais.

Uma região que pugna por uma integração mais forte precisa de um sistema de transportes
eficiente a fim de facilitar o comércio e as relações socioeconómicas. Em toda a África Austral,
18

esta rede de estradas, caminhos-de-ferro, portos e linhas aéreas satisfaz actualmente a procura
da maioria dos utilizadores. O Plano Director Regional para o Desenvolvimento de Infra-
estruturas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) prevê actualmente
a seguinte evolução:

▪ Até 2030, o trânsito rodoviário para os países da SADC sem fronteiras marítimas irá
aumentar para 50 milhões de toneladas, saltando para 148 milhões de toneladas até 2040 -
um índice de crescimento anual de 8,2%;
▪ O tráfego em portos irá expandir de 92 milhões de toneladas para 500 milhões de toneladas
até 2027;
▪ Os projectos de expansão portuária em Dar-es-Salaam apenas irão suportar o tráfego de
navios até 2030;
▪ O Aeroporto Internacional OR Tambo de Joanesburgo, África do Sul, vai acrescentar dois
milhões de passageiros por ano até 2030 e três milhões por ano até 2040; e
▪ O Aeroporto Internacional Kenneth Kaunda em Lusaka, Zâmbia, e o Aeroporto
Internacional de N’Djili em Kinshasa, República Democrática do Congo, operam
actualmente em 70% da sua capacidade, mas preveem a expansão do tráfego para mais de
100% da sua capacidade até 2030.

10. Protocolo sobre Transportes E Comunicações

O Protocolo sobre Transportes e Comunicações aconselha que os Estados-Membros da SADC


promovam:
▪ Um sistema de transportes multimodal integrado em toda a África Austral, que se mantenha
eficiente, fiável, economicamente viável e ambientalmente responsável.
▪ Os Estados-Membros concordam em cooperar numa rede de transportes destinada a
assegurar a livre circulação de pessoas e bens em toda a região, particularmente dos
Estados-Membros sem fronteiras marítimas para os portos marítimos situados em território
dos Estados-Membros costeiros e vice-versa.

11. Principais desafios do sector de transporte e comunicações em Moçambique

▪ Infraestrutura deficitária
A infraestrutura rodoviária em Moçambique ainda é insuficiente, com uma densidade de apenas
15 km de estradas por cada 100 km² de área (Governo de Moçambique, 2020, p. 242).

▪ Falta de investimento em tecnologia


19

A falta de investimento em tecnologia é um dos principais desafios que enfrenta o setor de


transporte e comunicação em Moçambique (SEAM, 2021, p. 33).

▪ Falta de coordenação entre os diferentes modais de transporte


A falta de integração entre os diferentes modos de transporte é um dos principais fatores que
prejudicam a eficiência do setor de transporte e comunicação em Moçambique" (SEAM, 2021,
p. 47).

▪ Falta de mão-de-obra qualificada


O setor de transportes em Moçambique enfrenta vários desafios, incluindo a falta de mão-de-
obra qualificada (SEAM, 2021, p. 33).

▪ Insegurança nas viagens


A falta de segurança nas estradas é um desafio significativo para o setor de transporte e
comunicação em Moçambique, especialmente nas áreas rurais (Governo de Moçambique,
2020, p. 244).
20

12. Conclusão

A rede de transporte e comunicação em Moçambique, através dos seus corredores de


desenvolvimento, é crucial para a integração regional e o crescimento econômico, não apenas
no país, mas também na SADC. O transporte em Moçambique é uma infraestrutura crítica que
desempenha um papel fundamental na economia do país. As dificuldades enfrentadas pelo setor
são superáveis com um compromisso conjunto e um plano claro para o futuro. O sucesso virá
com a modernização, melhoria e expansão da infraestrutura de transportes, utilizando o
estabelecimento de novas tecnologias e inovações para melhorar a eficiência e garantir a
integração social do país. No entanto, para maximizar o potencial desses corredores, é
necessário enfrentar desafios como a modernização da infraestrutura, a melhoria da eficiência
logística e a promoção de parcerias público-privadas. Investimentos contínuos e uma estratégia
de desenvolvimento sustentável são essenciais para garantir que Moçambique continue a
desempenhar um papel central no comércio regional, contribuindo para o crescimento
econômico e a integração dos países da SADC.
21

13. Referências bibliográficas

1. Neto, A.G.J. (2016). Entre trílios e rodas: fluidez e os sentidos de circulação de


mercadorias em Moçambique. São Paulo, Brasil.
2. INE (2023) Estatísticas dos Transportes e Comunicações, 2023. Moçambique
3. INE (2011). Estatísticas Dos Transportes E Comunicações, 2009 – 2011. Moçambique
4. INE (2018). Estatísticas Dos Transportes E Comunicações. Moçambique
5. Chichava, S. S. & Arndt, C. (2013). Infrastructure development in Mozambique: A
review of recente. developments and future projections. UNU-WIDER.
6. Lopes, S., & Pereira, R. (2014). O papel das infraestruturas de transporte na promoção
do crescimento económico do país (Moçambique): uma revisão literária. Revista
Portuguesa de Estudos Regionais, 37, 371-385.
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Common questions

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Os corredores de desenvolvimento, como os de Maputo, Beira e Nacala, têm sido cruciais para o dinamismo econômico de Moçambique. Conectam o país a territórios internos e landlocked, aumentam a competitividade do comércio e a produção local, e atraem investimentos na indústria e infraestrutura. Eles facilitam o fluxo de importações e exportações e atuam como polos de crescimento, integrando-se à economia regional e nacional .

Em Moçambique, o transporte aéreo é liderado pela companhia nacional LAM, que opera uma pequena frota conectando várias capitais provinciais. Apesar disso, enfrenta desafios como infraestrutura limitada, terceirização de muitos serviços e a presença de poucas companhias aéreas nacionais competindo com operadores internacionais. Há uma necessidade de expandir e modernizar essa infraestrutura para atender melhor à demanda .

A infraestrutura de transporte de Moçambique, através dos seus corredores de desenvolvimento, suporta a integração regional na SADC ao permitir a livre circulação de pessoas e bens e ao conectar países sem costa marítima a portos moçambicanos. Este sistema integrado é fundamental para a facilitação do comércio e da cooperação econômica dentro da região .

As prioridades estratégicas para o desenvolvimento dos corredores de transporte incluem promover a infraestrutura como polos de crescimento econômico, melhorar coordenadamente as condições das vias ferroviárias e rodoviárias, e fortalecer a ligação com os países vizinhos para ampliar o comércio e inclusão regional, especialmente nos corredores de Maputo, Beira, Mtwara e Nacala .

Durante o período colonial, o setor de transporte e comunicação em Moçambique foi controlado pela administração colonial portuguesa, que priorizou a infraestrutura de transporte para a exploração econômica do país. As principais vias construídas foram as estradas de ferro de Sena e de Beira, conectando as minas do interior aos portos, e algumas rodovias pavimentadas ao longo do país. Essa centralização prejudicou a diversificação e modernização do setor, limitando a participação dos moçambicanos. A infraestrutura era precária e restrita aos interesses dos colonizadores, com pouca conexão ao interior .

A guerra civil (1977-1992) teve um impacto devastador na infraestrutura de transporte e comunicação, resultando em destruição de equipamentos e deterioração significativa da rede. Após o conflito, houve esforços para reconstruir e modernizar as infraestruturas, com investimentos significativos em melhorias rodoviárias e expansão de telefonia móvel e acesso à internet .

O transporte marítimo é fundamental para a economia de Moçambique, servindo como a principal opção para o transporte de grandes cargas e longas distâncias devido ao seu custo-benefício. Os portos do país são cruciais para a competitividade do comércio, com impacto significativo nos custos globais das transações comerciais .

Após a independência em 1975, Moçambique priorizou o desenvolvimento da infraestrutura de transporte como parte essencial do desenvolvimento nacional. Investimentos significativos foram direcionados à expansão de redes rodoviárias, ferroviárias e portuárias, além da modernização da telecomunicação para melhorar a conectividade e diminuir as desigualdades regionais .

A privatização dos portos e caminhos de ferro em Moçambique não conseguiu melhorar a eficiência e a competitividade desses setores como esperado. O resultado foi uma falha em alcançar maiores níveis de eficiência, o que enfraqueceu a capacidade competitiva dos serviços de transporte .

O setor de transporte e comunicação em Moçambique enfrenta desafios como infraestrutura rodoviária insuficiente, falta de investimento em tecnologia, falta de integração entre modos de transporte, carência de mão-de-obra qualificada e insegurança nas estradas, especialmente em áreas rurais .

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