Transformações Lineares em Álgebra Linear
Transformações Lineares em Álgebra Linear
Departamento de Matemática
Álgebra Linear
LMAC e LEFT
Soluções dos exercı́cios sobre transformações lineares
Resposta:
(i) Temos
1
logo f é uma transformação linear.
(iii) Uma vez que f (0, 0) = (0, 1) não é o vetor zero do espaço vetorial de chegada,
conclui-se que f não é uma transformação linear.
(iv) Temos
0 0
a + a0 b + b 0
a b a b
f + 0 0 = f
c d c d c + c0 d + d 0
= a + a0 + b + b0 = (a + b) + (a0 + b0 )
0 0
a b a b
= f +f
c d c0 d 0
e
a b αa αb
f α = f
c d αc αd
= αa + αb = α(a + b)
a b
= αf
c d
2
(a) Calcule T (2, 5).
(b) Descreva a imagem por T do triângulo com vértices (0, 1), (1, 2) e (0, 0).
(c) Determine a matriz que representa T com respeito às bases canónicas de R2 e R3
e escreva a expressão para T (x, y) ∈ R3 .
Resposta:
(a) Podemos escrever (2, 5) como combinação linear de (1, 1) e (1, 2):
( (
α+β =2 β=3
(2, 5) = α(1, 1) + β(1, 2) ⇔ ⇔
α + 2β = 5 α = −1
(b) Começamos por observar que o segmento de reta que une dois vetores v1 e v2 num
espaço vetorial é parametrizado por
Em particular, o segmento de reta que une (0, 1) a (1, 2) é descrito pelas com-
binações lineares (1 − t)(0, 1) + t(1, 2), t ∈ [0, 1]. O triângulo do enunciado é a
união dos segmentos de reta cujas extremidades são a origem (0, 0) e um ponto do
segmento (1 − t)(0, 1) + t(1, 2), t ∈ [0, 1] ou seja, é o conjunto dos pontos
que é o triângulo dado pela união de todos os segmentos de reta que vão de T (0, 0) =
(0, 0, 0) ao segmento de reta de T (0, 1) = T (1, 2)−T (1, 1) = (−1, 4, 5) a T (1, 2) =
(1, 4, 6), ou seja, o triângulo com vértices (0, 0, 0), (−1, 4, 5) e (1, 4, 6).
(c) Já vimos que T (0, 1) = (−1, 4, 5) e temos que T (1, 0) = T (1, 1) − T (0, 1) =
(2, 0, 1) − (−1, 4, 5) = (3, −4, −4) logo
3 −1
AT,Bcan ,Bcan = −4 4
−4 5
3
(a) f ([0, 2] × [0, 1]) (isto é, a imagem por f do retângulo
seja o quadrado com vértices (0, 0), (1, 2), (−2, 1) e (−1, 3).
(b) A imagem por f do triângulo com vértices (0, 0), (1, 0), (0, 1) seja o segmento de
reta {(x, x) : x ∈ [0, 2]}.
Resposta:
{α(2, 0) + β(0, 1) : 0 ≤ α, β ≤ 1}
Uma vez que f é uma transformação linear e portanto preserva combinações lineares,
a imagem do retângulo é o conjunto
(b) Como na pergunta 2(b), a imagem do triângulo pela transformação linear é dada
pela união de todos os segmentos de reta que unem a origem a um ponto da forma
Para que a imagem esteja contida no segmento de reta dado precisamos que f (1, 0)
e f (0, 1) pertençam ao segmento; para que a imagem seja todo o segmento que vai
de (0, 0) a (2, 2) precisamos que pelo menos um dos pontos f (1, 0) ou f (0, 1) seja
(2, 2). Tomando, por exemplo, f (1, 0) = (2, 2) e f (0, 1) = (0, 0) obtemos
4
E se a primeira condição for omitida? Justifique.
Resposta: Escrevendo (1, 3), (1, 1) e (0, 3) como combinações lineares de (1, 0) e (0, 1)
e usando que f é uma transformação linear, a segunda condição escreve-se
o que contradiz a independência linear de f (1, 0) e f (0, 1). Conclui-se que não existe
nenhuma transformação linear satisfazendo as duas condições.
Se a primeira condição for omitida existe uma tal transformação linear. Por exemplo a
transformação linear identicamente nula. Mais geralmente, vimos que a segunda condição
é verificada se e só se f (1, 0) = −2f (0, 1) pelo que as transformações lineares que
satisfazem a segunda condição são determinadas por uma escolha arbitrária de v =
f (1, 0), sendo que f (0, 1) é necessariamente igual a − 12 v.
Resposta:
f ((p + q)(t)) = (p + q)00 (t) − 2(p + q)(t) = p00 (t) + q 00 (t) − 2p(t) − 2q(t)
= p00 (t) − 2p(t) + q 00 (t) − 2q(t) = f (p(t)) + f (q(t))
5
6. Determine a matriz que representa a transformação linear T : V → W indicada com
respeito às bases ordenadas B1 para V e B2 para W indicadas.
Resposta:
(a) As bases canónicas são B1 = ((1, 0, 0), (0, 1, 0), (0, 0, 1)) e B2 = (1). Uma vez que
temos
AT,B1 ,B2 = 1 −2 6
(b) Temos T (1, 1) = (−1, 0, 2, −1) e T (0, 1) = (−2, 0, 1, 0) logo
−1 −2
0 0
AT,B1 ,B2 = 2
1
−1 0
logo
1 0 0
0 1 0
AT,B1 ,B2 =
−1 0 1
0 −1 0
0 0 −1
6
1 0 0
1 0 0 1 0 0 0 0
(d) Tomando B1 = , , , e B2 = 0 , 1 , 0
0 0 0 0 1 0 0 1
0 0 1
temos
1 1 4 −2
1 0 1 0 4 0 1
T = −1 0
= −4 ,
T = 2
0 0 0 0 −2 0 0
3 2 12 −6
4 −2
0 0 0 0
T = 0 ,
T = 0
1 0 0 1
8 4
logo
4 −2 4 −2
AT,B1 ,B2 = −4 2 0 0
12 −6 8 4
7. Seja P o espaço vetorial dos polinómios de grau menor ou igual a 2 e T : M2×2 (R) → P
uma transformação linear tal que
1 0 1 1 2 1 0 2 0 0
T = 1+t, T = t−2t , T = −3t , T = 4.
0 0 0 0 1 0 0 1
3 1
(a) Calcule T .
1 0
(b) Determine a matriz que representa T nas bases canónicas para as matrizes e polinómios.
Resposta:
(a) Temos
3 1 1 0 1 1 1 0
T =T +T +T = 1+t+(t−2t2 )−3t2 = 1+2t−5t2
1 0 0 0 0 0 1 0
7
8. Seja V = L({e−2x , e−x , 1, ex , e2x ) ⊂ F (R, R) e considere a transformação linear T : V →
V definida por T (f ) = f 00 + f 0 − 2f
(a) Verifique que T está bem definida, isto é que T (f ) ∈ V quando f ∈ V .
(b) Determine a matriz que representa T com respeito a uma base para V por si escol-
hida.
(c) Determine T −1 (0) = {f ∈ V : T (f ) = 0}.
(d) Determine T −1 (e−x ) = {f ∈ V : T (f ) = e−x }.
Resposta:
(a) As funções e−2x , . . . , e2x são linearmente independentes (ver ficha sobre espaços
vetoriais) logo formam uma base para V . Temos T (e−2x ) = 4e−2x −2e−2x −2e−2x =
0, T (e−x ) = −2e−x , T (1) = −2, T (ex ) = 0 e T (e2x ) = 4e2x . Uma vez que T
envia uma base de V para V , envia todo o V para o subespaço V das funções reais
de variável real, logo está bem definida.
(b) Pelos cálculos da alı́nea anterior temos
0 0 0 0 0
0 −2 0 0 0
AT,B,B = 0 0 −2 0 0
0 0 0 0 0
0 0 0 0 4
8
9. Seja V um espaço vetorial e B = (v1 , . . . , vn ) uma base ordenada para V . Mostre que a
função f : V → Mn×1 (R) definida por f (v) = [v]B (que associa a um vetor v a matriz
coluna que tem por entradas as suas coordenadas na base B) é uma transformação linear.
Resposta: Sejam v, w ∈ V e α um escalar. Podemos escrever de forma única v =
α1 v1 +. . .+αn vn e w = β1 v1 +. . .+βn vn . Então v +w = (α1 +β1 )v1 +. . .+(αn +βn )vn
e αv = (αα1 )v1 + . . . + (ααn )vn logo
α1 + β1 α1 β1
.
.. . .
f (v + w) = [v + w]B = = .. + .. = f (v) + f (w)
αn + βn αn βn
e
αα1 α1
.. ..
f (αv) = [αv]B = . = α . = α[v]B
ααn αn
logo f é uma transformação linear.
Resposta:
(a) V tem dimensão 3 porque SB1 →B10 é uma matrix 3 × 3 e analogamente W tem
dimensão 2.
(b) A matriz AT,B10 ,B20 é a única matriz que satisfaz
SB2 →B20 AT,B1 ,B2 SB10 →B10 [v]B10 = SB2 →B20 AT,B1 ,B2 [v]B1 = SB2 →B20 [T (v)]B2 = [T (v)]B20
9
vemos que AT,B10 ,B20 = SB2 →B20 AT,B1 ,B2 SB10 →B10 e portanto
−1
1 1 1
1 −2 1 1 0
AT,B10 ,B20 = 0 1 2
3 1 −1 3 2
0 0 1
1 −1 1
3 −5 −4
= 0 1 −2
2 6 2
0 0 1
3 −8 9
=
2 4 −8
11. Seja T : V → W uma transformação linear e S ⊂ V um subconjunto. Se S for lin-
earmente dependente, T (S) é um conjunto linearmente dependente em W ? Se S for
linearmente independente, T (S) é necessariamente linearmente independente? Justifique.
Resposta: Se S é linearmente dependente então T (S) não é necessariamente linearmente
dependente. Esta afirmação é bastante surpreendente pois seria natural pensar que dados
v1 , . . . , vn vetores distintos de V e α1 , . . . αn escalares não todos nulos tais que α1 v1 +
. . . + αn vn = 0 então, como α1 T (v1 ) + . . . + αn T (vn ) = 0 e os vetores T (v1 ), . . . , T (vn )
pertencem a T (S), o conjunto T (S) é linearmente dependente. Este argumento não está
correto porque os vetores T (v1 ), . . . , T (vn ) podem não ser distintos e essa condição é
fundamental na definição de dependência linear.
De facto a transformação linear T : R2 → R2 definida por T (x, y) = (x, 0) (que projeta
no eixo dos xx) leva o conjunto linearmente dependente S = {(1, 1), (1, 2), (1, 3)} no
conjunto T (S) = {(1, 0)} que é linearmente independente.
Se S é linearmente independente não há qualquer razão para que T (S) seja. Por exemplo
a transformação linear identicamente nula leva qualquer conjunto linearmente indepen-
dente em {0} que é linearmente dependente.
12. Determine uma base para o espaço vetorial L(R2 , R3 ) das transformações lineares de R2
para R3 .
Resposta: L(R2 , R3 ) é isomorfo ao espaço M3×2 (R) por exemplo pelo isomorfismo que
leva f ∈ L(R2 , R3 ) em Af,Bcan ,Bcan . Como tal, uma base de L(R2 , R3 ) é dada (por
exemplo) pelas transformações lineares que correspondem pelo isomorfismo à base
1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0
B = 0 0 , 0 0 , 1 0 , 0 1 , 0 0 , 0 0
0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1
de M2×2 (R). Estas são, respetivamente,
f1 (x, y) = (x, 0, 0), f2 (x, y) = (y, 0, 0), f3 (x, y) = (0, x, 0)
f4 (x, y) = (0, y, 0), f5 (x, y) = (0, 0, x), f6 (x, y) = (0, 0, y)
2 3
Uma base para L(R , R ) é assim, por exemplo, (f1 , . . . , f6 ).
10
13. Seja V um espaço vetorial real. O espaço vetorial das transformações lineares de V para
R chama-se o dual de V e denota-se por V ∗ = L(V, R).
Resposta:
As três matrizes linhas acima são claramente uma base de M3×1 (R) (pois são um
conjunto de três vetores linearmente independentes num espaço de dimensão 3) e
correspondem a φ0 , φ1 , φ2 pelo isomorfismo L(V, R) → M3×1 (R) dado pelas bases
B1 e B2 . Conclui-se que {φ0 , φ1 , φ2 } é uma base.
(b) Uma vez que φ(1) = 0, φ(t) = 1 e φ(t2 ) = 2 temos
Aψ,B1 ,B2 = 0 1 2
1
Portanto Aψ,B1 ,B2 = 2
(Aφ2 ,B1 ,B2 − Aφ0 ,B1 ,B2 ) e consequentemente ψ = − 12 φ0 +
1
φ . Conclui-se que
2 2 1
−2
[ψ](φ0 ,φ1 ,φ2 ) = 0
1
2
11
(d) Mostre que U ⊂ V é um subespaço vetorial se e só se f (U ) é um subespaço vetorial
e nesse caso a restrição de f a U é um isomorfismo entre U e f (U ).
Resposta:
(a) Uma vez que ser linearmente independente é a negação de ser linearmente depen-
dente as afirmações relativas à preservação por f da dependência e independência
linear são logicamente equivalentes.
Seja S ⊂ V um conjunto linearmente dependente. Vamos começar por ver que f (S)
é linearmente dependente. Sejam v1 , . . . , vn vetores distintos de S e α1 , . . . , αn es-
calares não todos nulos tais que α1 v1 +. . .+αn vn = 0. Então f (α1 v1 +. . .+αn vn ) =
α1 f (v1 ) + . . . + αn f (vn ) = 0. Como f é uma função injetiva f (v1 ), . . . , f (vn ) são
vetores distintos de f (S) e portanto a igualdade anterior mostra que f (S) é um
conjunto linearmente dependente.
Reciprocamente se f (S) é um conjunto linearmente dependente em W , então, dado
que f −1 é também um isomorfismo, o parágrafo anterior permite-nos concluir que
f −1 (f (S)) = S é um conjunto linearmente independente em V .
(b) Suponhamos que S gera V e vejamos que f (S) gera W . Temos a mostrar que
todo o w ∈ W pode ser expresso como uma combinação linear de elementos de
f (S). Seja w ∈ W . Uma vez que f é uma função sobrejetiva, existe v ∈ V tal que
f (v) = w. Como S gera V , existem v1 , . . . , vn ∈ S e escalares α1 , . . . , αn tais que
v = α1 v1 + . . . + αn vn . Então
w = f (v) = α1 f (v1 ) + . . . + αn f (vn ) ∈ L(f (S))
Isto mostra que W = L(f (S)) conforme pretendido.
Reciprocamente, suponhamos que f (S) gera W . Então aplicando o parágrafo an-
terior ao isomorfismo f −1 : W → V vemos que f −1 (f (S)) = S gera V .
(c) Suponhamos que V é finitamente gerado. Então existe um conjunto finito S ⊂ V
tal que V = L(S). Pela alı́nea (b) temos que W = L(f (S)). Uma vez que S
é finito, a sua imagem f (S) é também um conjunto finito logo W é finitamente
gerado. A afirmação recı́proca obtém-se como acima aplicando a implicação já
demonstrada ao isomorfismo f −1 .
Se B é uma base para V então B é um conjunto linearmente independente que
gera V . Logo pela alı́nea (a), f (B) é um conjunto linearmente independente de
W e, pela alı́nea (b) f (B) gera W , logo f (B) é uma base para W . Como V é
finitamente gerado, B é necessariamente um conjunto finito e, uma vez que f é
uma função bijetiva, B e f (B) têm o mesmo número de elementos. Conclui-se que
V e W têm a mesma dimensão.
(d) f (U ) é a imagem da restrição de f a U , f|U : U → W logo é um subespaço vetorial.
Por definição f|U : U → f (U ) é sobrejectiva. Como f é um isomorfismo, f é injetiva
e portanto f|U é também uma função injetiva. Conclui-se que f|U : U → f (U ) é
um isomorfismo.
12
Finalmente, se f (U ) é um subespaço de W então f −1 (f (U )) = U é um subespaço
de V .
∗ 15. O espaço vetorial livremente gerado por um conjunto.
(a) Seja S um conjunto não vazio qualquer, e K um corpo. Recorde que F (S, K)
denota o espaço vetorial das funções de S para K com a soma e produto por escalar
definidos da forma usual. O suporte de f ∈ F (S, K) é o conjunto
supp(f ) = {x ∈ S : f (x) 6= 0} ⊂ S
O espaço vetorial sobre K livremente gerado por S é o subespaço
K · S = {f ∈ F (S, K) : supp(f ) é finito} ⊂ F (S, K)
Mostre que se trata realmente de um subespaço de F (S, K).
(b) Para cada x ∈ S, seja φx : S → K a função definida por
(
1 se y = x
φx (y) =
0 caso contrário.
Mostre que {φx : x ∈ S} é uma base de K · S. Um elemento f ∈ K · S é visto
como P uma combinação linear formal dos elementos do suporte de f . A combinação
linear P x∈S αx φx (em que apenas finitos coeficientes são não nulos) é normalmente
escrita1 x∈S αx · x.
(c) Seja V um espaço vetorial sobre K e B uma base de V . Defina um isomorfismo
natural K · B → V .
(d) Sendo V um espaço vetorial sobre K estabeleça um isomorfismo natural entre L(K ·
S, V ) e F (S, V ).
Resposta:
(a) O conjunto K · S é não vazio uma vez que a função constante igual a 0 tem suporte
vazio e portanto pertence a K · S.
Sejam f, g elementos de K · S e α ∈ K. Temos a verificar que as funções f + g e
αf estão em K · S, isto é, que têm suporte finito.
Uma vez que se f (x) = 0 então (αf )(x) = αf (x) = 0 vemos que o suporte de
αf está contido no suporte de f (na realidade, supp(αf ) = supp(f ) se α 6= 0 e
supp(αf ) = ∅ se α = 0). Portanto supp(αf ) é também finito, ou seja αf ∈ K · S.
Analogamente, se f (x) = 0 e g(x) = 0 temos que (f + g)(x) = 0 e portanto, se
(f + g)(x) 6= 0 então, ou f (x) 6= 0 ou g(x) 6= 0. Isto mostra que supp(f + g) ⊂
supp(f ) ∪ supp(g). Como supp(f + g) está contido numa união de dois conjuntos
finitos é um conjunto finito e portanto f + g ∈ K · S.
1
Se S for o conjunto dos esquilos obtemos assim finalmente um espaço vetorial de esquilos! Mais precisa-
mente, os vetores são famı́lias finitas de esquilos cada um com um elemento de K a flutuar por cima da sua
cabeça. 0 vetor zero é a famı́lia vazia de esquilos.
13
(b) Temos a ver que o conjunto {φx : x ∈ S} gera K · S e é linearmente independente.
Seja f ∈ K · S e suponhamos que supp(f ) = {x1 , . . . , xk } (com xi ∈ S distintos).
Então existem αi ∈ K não nulos tais que
(
αi se x = xi
f (x) =
0 se x 6∈ {x1 , . . . , xk }
Vejamos que f = α1 φx1 + . . . + αk φxk . Para isto basta calcular o valor de cada
uma das duas funções em x ∈ S: Se x = xi temos
α1 φx1 (xi )+. . .+αi φxi (xi )+. . . αn φxn (xi ) = α1 ·0+. . .+αi ·1+. . . αn ·0 = αi = f (xi )
Se x 6∈ {x1 , . . . , xk } então φxi (x) = 0 para todo o i = 1, . . . , k logo
α1 φx1 (x) + . . . + αk φxk (x) = α1 0 + . . . + αk 0 = 0 = f (x)
Conclui-se que f e α1 φx1 +. . .+αk φxk tomam o mesmo valor em todos os elementos
x ∈ S, logo são iguais. Portanto {φx : x ∈ S} gera K · S.
Para ver que o conjunto B = {φx : x ∈ S} é linearmente independente, suponhamos
que φx1 , . . . , φxn são elementos distintos de B. Isto é equivalente a dizer que
os elementos x1 , . . . , xn ∈ S são distintos. Sejam α1 , . . . , αn escalares tais que
α1 φx1 + . . . + αn φxn = 0. Então avaliando a combinação linear α1 φx1 + . . . + αn φxn
no ponto xi obtemos
α1 φx1 (xi ) + . . . + αi φxi (xi ) + . . . + αn φxn (xi ) = α1 · 0 + . . . + αi · 1 + . . . + αn · 0 = αi
Logo α1 φx1 + . . . + αk φxn = 0 ⇒ αi = 0 para cada i = 1, . . . , n e portanto B é
linearmente independente.
(c) O isomorfismo natural é a transformação linear Ψ : K · B → V que envia o elemento
φb ∈ K · B no elemento b ∈ B em V . Mais precisamente definimos
Ψ (α1 φb1 + . . . + αk φbk ) = α1 b1 + . . . + αk bk
onde αi ∈ K e bi são elementos distintos de B. Esta função associa a uma função
f ∈ K · B com suporte {b1 , . . . , bk } o elemento f (b1 )b1 + . . . f (bk )bk ∈ V e pode
por isso escrever-se X
Ψ(f ) = f (b)b
b∈B
(onde na soma os termos com coeficientes nulos são ignorados). Em termos desta
expressão é claro que Ψ é uma transformação linear: dados α, β escalares e f, g ∈
K · B temos
X X
Ψ(αf + βg) = (αf + βg)(b) = (αf (b) + βg(b))
b∈B b∈B
X X
= αf (b) + βg(b) = αΨ(f ) + βΨ(g)
b∈B b∈B
14
Uma vez que B gera V e pertence à imagem de Ψ (note-se que b = Ψ(φb )) a
função Ψ é sobrejetiva. Uma vez que B é linearmente independente, o núcleo de
Ψ é constituı́do apenas pela função nula. Conclui-se que Ψ é também injetiva e
portanto um isomorfismo.
(d) Uma transformação linear é determinada pelo efeito que tem numa base e vimos
na alı́nea (b) uma base de K · S que se identifica naturalmente com S. Seja
Φ : L(K · S, V ) → F (S, V ) a função definida por
Então é imediato verificar que Φ é linear por definição das operações em L(K · S, V )
e F (S, V ). Se Φ(T ) = 0 então T anula-se na base {φx : x ∈ S} e é por isso a
transformação linear nula. Conclui-se que Φ é injetiva. Dada uma função f : S → V
seja T : K · S → V a transformação linear definida por
X
T (g) = g(s)f (s)
x∈S
16. Para as seguintes transformações lineares, determine se são injetivas ou sobrejetivas, ache
uma base para o núcleo e para a imagem da transformação linear, e caso sejam invertı́veis
determine uma expressão para a transformação inversa.
Resposta:
(a) Temos
1 2
Af,Bcan ,Bcan = 0 0
−2 −4
O núcleo desta matriz é determinado pela equação x + 2y = 0 pelo que {(−2, 1)} é
uma base para o núcleo. Como o núcleo é não trivial f não é injetiva. Claramente
15
também não é sobrejetiva (por exemplo (0, 1, 0) não está na imagem). Na realidade
nunca poderia ser sobrejetiva, a imagem de qualquer transformação linear f : R2 →
R3 tem no máximo dimensão 2 como se vê por exemplo aplicando o Teorema da
caracterı́stica-nulidade. Neste caso especı́fico, o Teorema da caracterı́stica-nulidade
diz que a imagem tem dimensão dim(R2 ) − dim N (f ) = 2 − 1 = 1. Uma base para
a imagem é por exemplo {f (1, 0)} = {(1, 0, −2)}
(b) A representação matricial de f com respeito às bases canónicas é
1 1 0 0
0 0 1 1
16
canónica de R3 . Seria fácil aplicar o método de Gauss-Jordan para calcular a matriz
inversa e portanto a transformação inversa mas neste caso é ainda mais rápido
aplicar a definição de função inversa:
u = y
y = u
y = u
v =x+z ⇔ v =x+z ⇔ z = v − (w + u) = v − w − u
w =x−y x=w+u x=w+u
17. Indique justificadamente quais das seguintes transformações lineares são isomorfismos.
p0 (0)
p(0)
f (p) =
p00 (0) + p(1) p000 (1)
(e) Uma transformação linear representada por uma matriz 4 × 4 cuja terceira coluna é
a soma das duas primeiras colunas.
(f) A transformação linear do espaço de todos os polinómios reais nele próprio definida
por T (p) = p0 .
(g) A transformação linear do espaço de todos os polinómios reais nele próprio definida
por T (p) = p0 − p.
Resposta:
Uma vez que a matriz Af,B,B tem caracterı́stica 3 ela é invertı́vel. Logo f é invertı́vel
e portanto um isomorfismo.
17
(b) Uma vez que f (1, −1, −1) = (0, 0, 0) o núcleo de f não é trivial e portanto f não
é um isomorfismo.
(c) Aplicando o método de Gauss à matriz que representa f com respeito às bases
canónicas obtemos
1 −1 1 1 1 1 −1 1 1 1 1 −1 1 1 1
−1 2 0 1 0 0 1 1 2 1 0 1 1 2 1
0
0 1 1 −2 → 0 0
1 1 −2 → 0 0
1 1 −2
1 4 0 1 0 0 5 −1 0 −1 0 0 −6 −10 −6
0 −2 3 −2 −1 0 −2 3 −2 −1 0 0 5 2 1
1 −1 1 1 1
0 1 1 2 1
→ 0 0 1 1 −2
0 0 0 −4 −18
0 0 0 −3 11
Uma vez que a matriz tem caracterı́stica 5, f é um isomorfismo
(d) Temos
1 0 0 1 2 0 0 3 0 0
f (1) = , f (t) = , f (t ) = , f (t ) =
1 0 1 0 3 0 1 6
2 3 1 0 0 1 0 0 0 0
logo com respeito às bases B1 = (1, t, t , t ) e B2 = , , ,
0 0 0 0 1 0 0 1
temos
1 0 0 0
0 1 0 0
Af,B1 ,B2 = 1 1 3 1
0 0 1 6
É imediato verificar que esta matriz tem caracterı́stica 4 pelo que f é um isomor-
fismo.
(e) Não, a dimensão do espaço das colunas de uma tal matriz tem dimensão no máximo
3 logo a matriz não é invertı́vel.
(f) Não porque os polinómios constantes pertencem ao núcleo da transformação.
(g) A transformação linear é injetiva por que o único polinómio que é igual à sua derivada
é o polinómio constante igual a zero. Uma vez que T (−tk − ktk−1 − k(k − 1)tk−2 −
. . . − k!) = tk , a imagem de T contém uma base do espaço dos polinómios. Logo
T é sobrejetiva e portanto um isomorfismo.
18
matriciais
2 1
1 1 1 2
Af,B1 ,B1 = Ag,B1 ,B1 = Ah,B1 ,B2 = 3 0
−2 1 2 4
−1 1
Resposta:
19
(a) Determine (g ◦ f )(1, 0).
(b) Determine a expressão geral para (g ◦ f )(x, y).
(c) Determine a matriz que representa g ◦ f com respeito às base B1 = ((1, 1), (1, −1))
de R2 e a base canónica de M2×2 (R).
(d) Determine uma base para o espaço W = (g ◦ f )(R2 ).
(e) Determine a matriz que representa (g ◦ f )−1 : W → R2 com respeito à base da
alı́nea anterior e a base canónica em R2 .
Resposta:
(a) f (1, 0) = 2f (1, 1) − f (1, 2) = 4 + 2t − (1 − t2 ) = 3 + 2t + t2 logo
2 0 6
(g ◦ f )(1, 0) = g(3 + 2t + t ) =
3 2
1 3
(d) Uma vez que as colunas da matriz da alı́nea (b) são não colineares, formam uma
base para o espaço das colunas. Uma vez que o espaço das colunas é a tradução
em coordenadas da imagem de uma transformação linear vemos que
0 3 0 −9
B2 = ,
2 1 −4 −3
é uma base para W = (g ◦ f )(R2 ).
(e) A aplicação g ◦ f : R2 → W é um isomorfismo já que é uma transformação linear
sobrejetiva entre espaços de dimensão 2. Uma vez que B2 = ((g ◦ f )(1, 1), (g ◦
f )(1, −1)) temos que (g ◦ f )−1 envia esta base em (1, 1) e (1, −1) logo
1 1
A(g◦f )−1 ,B2 ,Bcan =
1 −1
20
20. Sendo f : V → W uma transformação linear, quais são os possı́veis valores que (dim N (f ), dim f (V ))
pode tomar quando f
(a) aplica R7 em R4 .
(b) aplica R3 em R5 .
Resposta:
(dim N (f ), dim f (R7 )) ∈ {(3, 4), (4, 3), (5, 2), (6, 1), (7, 0)}
Todos estes valores são de facto possı́veis: podemos por exemplo tomar as trans-
formações
logo
(dim N (f ), dim f (R3 )) ∈ {(0, 3), (1, 2), (2, 1), (3, 0)}
Todos estes valores são possı́veis. Podemos por exemplo considerar as transformações
21
para alguns α, β ∈ R (pois a imagem de f corresponde ao espaço das colunas da matriz).
Para que (a, b) esteja no núcleo de f é necessário que
(
αa βa a a(αa + βb) = 0
=0⇔ ⇔ αa + βb = 0
αb βb b b(αa + βb) = 0
22
2 −1 1 1
(c) As matrizes e podem representar a mesma transformação
−1 0 2 2
linear em bases distintas de R2 ? Justifique.
Resposta:
logo −1
1 0 −1 1 −1 1
1
S = 0 1 0 = 0 2 0
2
1 1 1 −1 −1 1
e
1 −1 1 1 −2 0 1 0 −1
1
Af,B,B = 0 2 0 1 0 1 0 1 0
2
−1 −1 1 0 1 1 1 1 1
0 −1 0 1 0 −1 0 −1 0
1 1
= 2 0 2 0 1 0 = 4 2 0
2 2
−2 3 0 1 1 1 −2 3 2
23
(i) A projeção de R2 na reta {(x, y) ∈ R2 : x + 2y = 0} ao longo da direção do
vetor (1, 1),
(ii) A projeção de R3 no plano {(x, y, z) ∈ R3 : x − y + z = 0} ao longo da direção
do vetor (1, 3, −2).
Resposta:
(a) Dado v ∈ V temos
(Id −P )2 (v) = (Id −P ) ◦ (Id −P )(v) = (Id −P )(v − P (v))
= v − P (v) − P (v) + P 2 (v) = v − P (v) − P (v) + P (v)
= v − P (v) = (Id −P )(v)
logo (Id −P )2 = (Id −P ) e portanto Id −P é uma projeção.
(b) Para estabelecer a igualdade P (V ) = N (Id −P ) vamos verificar as duas inclusões.
Dado w = P (v) em P (V ) temos
(Id −P )(w) = (Id −P )(P (v)) = P (v) − P 2 (v) = P (v) − P (v) = 0
logo w ∈ N (Id −P ), o que mostra que P (V ) ⊂ N (Id −P ). Reciprocamente se
v ∈ N (Id −P ) então (Id −P )(v) = 0 ⇔ v − P (v) = 0 ⇔ P (v) = v logo v é a
imagem de si próprio por P . Conclui-se que N (Id −P ) ⊂ P (V ), e portanto que
P (V ) = N (Id −P ).
Uma vez que Id −P também é uma projeção (pela alı́nea (a)), o parágrafo anterior
mostra que (Id −P )(V ) = N (Id −(Id −P )) = N (P ).
(c) Recorde do Exercı́cio 21(d) da ficha sobre espaços vetoriais que temos a mostrar que
V = P (V ) + (Id −P )(V ) e que P (V ) ∩ (Id −P )(V ) = {0}. A primeira afirmação
é imediata uma vez que, dado v ∈ V temos
v = P (v) + (v − P (v)) = P (v) + (Id −P )(v) ∈ P (V ) + (Id −P )(V )
Pela alı́nea (b) resta mostrar que P (V ) ∩ N (P ) = 0. Seja w = P (v) um elemento
de P (V ). Se w pertence a N (P ) então temos P (w) = 0 ⇔ P (P (v)) = 0 ⇔
P (v) = 0 ⇔ w = 0. Logo P (V ) ∩ N (P ) = 0.
(d) Vimos na alı́nea anterior que uma projeção P permite decompor um vetor v ∈ V de
forma única na forma v = u + w com u = P (v) ∈ P (V ) e w = v − P (v) ∈ N (P ),
e, descrevendo v nestes termos, a projeção é dada por P (v) = u.
Geometricamente, a projeção de v é o único elemento do plano P (V ) que pertence
ao plano v + N (P ), pelo que P projeta um vetor de V no plano P (V ) ao longo das
direções contidas no plano N (P ).
Para calcular uma projeção podemos usar uma base adaptada à situação, em que os
vetores da base pertençam todos a N (P ) ou a P (V ). Claro que P tem de enviar os
vetores de N (P ) para 0. Quanto aos vetores de P (V ), têm de ser necessariamente
enviados para si mesmos.
24
(i) Uma base para a reta (que será a imagem da projeção) é (−2, 1) e a direção
de projeção é uma base para o núcleo de P . Conclui-se que a projeção é
determinada por
Uma vez que P (1, 0) = 13 (P (1, 1) − P (−2, 1)) = 31 (2, −1) e P (0, 1) =
P (1, 1) − P (1, 0) = 31 (−2, 1) vemos que P (x, y) = 31 (2x − 2y, −x + y).
(ii) Uma base para o plano é dada por (1, 1, 0) e (0, 1, 1) já que estes são dois
vetores não colineares que pertencem ao plano. A projeção P é portanto
determinada por
25
Resolução: Consideremos as transformações lineares T : Rn → Rm e S : Rk → Rn
representadas nas bases canónicas relevantes respetivamente pelas matrizes A e B. Então
AB representa a transformação T ◦ S e portanto car(AB) = dim(T ◦ S)(Rk )
Uma vez que (T ◦ S)(Rk ) ⊂ T (Rn ) temos dim(T ◦ S)(Rk ) ≤ dim T (Rn ) = car(A).
Pelo Teorema da caracterı́stica nulidade aplicada à restrição de T a S(Rk ) temos dim(T ◦
S)(Rk )+dim N (T|S(Rk ) ) = dim S(Rk ) pelo que dim(T ◦S)(Rk ) ≤ dim S(Rk ) = car(B).
Conclui-se que car(AB) ≤ min(car(A), car(B))
Podemos obter uma fórmula para a caracterı́stica do produto aplicando o Teorema da
caracterı́stica-nulidade à restrição de T ao subespaço S(Rk ) como no parágrafo acima:
26. Recorde do Exercı́cio 20 da ficha sobre espaços vetoriais que um espaço vetorial com-
plexo tem uma estrutura natural de espaço vetorial real. Sejam V, W espaços vetoriais
complexos. Uma transformação linear T : V → W de espaços vetoriais complexos é clara-
mente também uma transformação linear entre V e W quando estes são considerados
como espaços vetoriais reais.
26
(a) Temos T (1) = a + bi e T (i) = (a + bi)i = −b + ai logo
a −b
AT,(1,i),(1,i) =
b a
(b) Temos
m
X m
X m
X
T (vk ) = ajk wk = (xjk + iyjk )wj = xjk wj + yjk (iwj )
j=1 j=1 j=1
m
X m
X m
X m
X
T (ivk ) = iajk wk = i(xjk +iyjk )wj = (−yjk +ixjk )wj = −yjk wj +xjk (iwj )
j=1 j=1 j=1 j=1
Isto signfica que as colunas 2k−1 e 2k da matrix A (que são dadas pelas coordenadas
de T (vk ) e T (ivk ) na base B20 ) são dadas por
x1k −y1k
y1k x1k
.. ..
. .
xmk −ymk
ymk xmk
conforme pretendido.
Resolução:
(a) G(f ) 6= ∅ uma vez que (0, 0) = (0, f (0)) ∈ G(f ). Dados (v1 , f (v1 )), (v2 , f (v2 )) ∈
G(f ) temos
(v1 , f (v1 )) + (v2 , f (v2 )) = (v1 + v2 , f (v1 ) + f (v2 )) = (v1 + v2 , f (v1 + v2 )) ∈ G(f )
27
e, para um escalar α,
α(v, f (v)) = (αv, αf (v)) = (αv, f (αv)) ∈ G(f )
Logo G(f ) é não vazio, fechado para a soma e produto por escalar, e portanto um
subespaço vetorial de V × W .
(b) φ é uma transformação linear uma vez que
φ((v1 , w1 ) + (v2 , w2 )) = φ(v1 + v2 , w1 + w2 ) = (v1 + v2 ) + (w1 + w2 )
= (v1 + w1 ) + (v2 + w2 ) = φ(v1 , w1 ) + φ(v2 , w2 )
e
φ(α(v1 , w1 )) = φ(αv1 , αw1 ) = αv1 + αw1 = α(v1 + w1 ) = αφ(v1 , w1 )
Uma vez que dim(W +V ) = dim(W )+dim(V )−dim(W ∩V ) temos que dim(W +
V ) = dim(U ) e portanto o subespaço W + V ⊂ U é na realidade igual a U .
Isto mostra que a transformação linear φ é sobrejetiva. Se φ(v, w) = 0 temos
v + w = 0 ⇔ v = −w. Portanto v ∈ V ∩ W = {0}, o mesmo sucedendo com
w. Conclui-se que N (φ) = {(0, 0)} logo φ é injetiva, e portanto um isomorfismo.
Alternativamente, podemos concluir que φ é um isomorfismo pelo facto de φ ser
sobrejetiva e os conjuntos de partida e chegada terem a mesma dimensão.
(c) Suponhamos primeiro que φ−1 (Z) é o gráfico de f : V → W . Então
Z ∩ W = φ(φ−1 (Z ∩ W )) = φ(φ−1 (Z) ∩ φ−1 (W ))
(uma vez que φ−1 é uma bijeção e portanto preserva intersecções). Uma vez que
φ−1 (W ) = {0} × W e G(f ) ∩ ({0} × W ) = {0} × {0} vemos que
Z ∩ W = φ({0} × {0}) = {0}.
28
28. Escreva cada subespaço de V ⊂ Rn indicado como o gráfico de uma transformação
linear f : Rp → Rq para os subespaços Rp , Rq ⊂ Rn indicados. Ou seja, determine uma
transformação linear f : Rp → Rq tal que V = {(x, f (x)) ∈ Rn : x ∈ Rp } onde estamos
a escrever um vetor de Rn na forma (x, y) com x ∈ Rp e y ∈ Rq .
(a) V = {(x, y, z) ∈ R3 : x + 2y + 3z = 0} como gráfico de uma função de R2 =
{(x, y, 0)} para R = {(0, 0, z)} e de R2 = {(x, 0, z)} para R = {(0, y, 0)}.
(b) V = {(x, y, z, w) ∈ R4 : x − y + z + w = 0, 2x + z − w = 0} como gráfico de uma
função de R2 = {(x, y, 0, 0)} para R2 = {(0, 0, z, w)} e de R2 = {(0, 0, z, w)} para
R2 = {(x, y, 0, 0)}.
(c) V = {(x, y, z, u, v) ∈ R5 : x + y + v = 0, y − 3u + v = 0, z − u + v = 0} como
gráfico de uma função de R2 = {(0, 0, 0, u, v)} para R3 = {(x, y, z, 0, 0)}.
Resolução:
(a) Temos x + 2y + 3z = 0 ⇔ z = − 31 (x + 2y) logo
V = {(x, y, − 13 (x + 2y)) : (x, y) ∈ R2 } = G(f )
quando f : R2 → R é definida por f (x, y) = − 13 (x + 2y).
Analogamente, x + 2y + 3z = 0 ⇔ y = − 21 (x + 3z) logo
V = {(x, − 12 (x + 3z), z) : (x, z) ∈ R2 } = G(g)
para g : R2 → R definida por g(x, z) = − 21 (x + 3z).
(b) Temos
( ( (
x−y+z+w =0 z+w =y−x 2z = −3x + y
⇔ ⇔
2x + z − w = 0 z − w = −2x w = z + 2x = 21 x + 12 y
Portanto
V = {(−3u, 3u − v, u − v, u, v) : u, v ∈ R} = G(f )
para f : R → R3 definida por (x, y, z) = f (u, v) = (−3u, 3u − v, u − v).
2
29
∗ 29. Fatorização canónica de uma transformação linear.
(a) Mostre que toda a transformação linear T : V → W se fatoriza como uma com-
posição T = i ◦ p com p : V → U sobrejetiva i : U → W injetiva. Sugestão: Pode
tomar para U um espaço quociente apropriado de V .
(b) Seja T : V → W uma transformação linear e Z ⊂ V um subespaço vetorial tal
que Z ⊂ N (T ). Mostre que existe uma única transformação linear T : V /Z → W
tal que T = T ◦ π, onde π : V → V /Z denota a aplicação canónica definida por
π(v) = v + Z.
(c) Mostre que a fatorização da alı́nea (a) é única a menos de isomorfismo canónico no
seguinte sentido: se p0 : V → U 0 é sobrejetiva, i0 : U 0 → W é injetiva e T = i0 ◦ p0
então existe um único isomorfismo φ : U → U 0 tal que i0 ◦ φ = i e φ ◦ p = p0 .
Resolução:
i(v + N (T )) = T (v)
30
(b) Uma vez que a aplicação π é sobrejetiva, se T existir, ela é única e dada pela fórmula
T (v + Z) = T (π(v)) = T (v)
onde, na última equivalência usámos que i0 é injetiva. Conclui-se que N (p) = N (p0 ).
Pela alı́nea (b) existe uma única transformação linear φ : U = V /N (p) → U 0 tal que
φ ◦ p = p0 , que é definida por φ(v + N (p)) = p0 (v). A aplicação φ é necessariamente
sobrejetiva porque p0 é sobrejetiva. Uma vez que N (p0 ) = N (p)
Resolução:
31
(a) Seja j ≤ k e q : Rk → Rj a projeção nas primeiras j coordenadas. Então πj =
q ◦ πk logo πj (EL(A)) = q(πk (EL(A))) e portanto, pelo Teorema da caracterı́stica
nulidade aplicado a q|πk (EL(A)) temos
πj1 ,...,jm
Rk Rjm
πm
πj1 ,...,jm
m
R
Uma vez que πj1 ,...,jk é um isomorfismo e πm é sobrejetiva, a composta πj1 ,...,jm
é sobrejetiva, logo a imagem de πjm : EL(A) → Rjm tem dimensão ≥ m. Isto
significa, na notação da alı́nea (a), que L(jm ) ≥ m. Pela alı́nea (b), im é o mais
pequeno ı́ndice no qual L atinge o valor m, portanto jm ≥ im .
Isto conclui a demonstração.
32
(d) Vamos descartar os casos triviais de planos EL(A) com dimensão 0 ou iguais a todo
o espaço.
i. Seja A uma matriz com 2 colunas e com caracterı́stica 1. A tem o pivot na
primeira coluna se e só se a projeção no eixo dos xx de EL(A) é não trivial.
Nesse caso EL(A) é o gráfico de uma função y = ax para algum a ∈ R. Se A
tem o pivot na segunda coluna então EL(A) é a reta vertical.
ii. Seja A uma matriz com 3 colunas e com caracterı́stica 1. A tem o pivot na
primeira coluna se a reta EL(A) é um gráfico sobre o eixo dos xx, isto é pode
ser descrita por equações da forma y = ax, z = bx com a, b ∈ R. Tem o pivot
na segunda coluna se está contida no plano x = 0 (isto é no plano yz) e é dada
por z = ay para algum a ∈ R. Finalmente A tem o pivot na última coluna se
EL(A) coincide com o eixo dos zz.
Suponhamos agora que A tem caracterı́stica 2, então se os pivots estão nas
primeira e segunda coluna, o plano EL(A) é um gráfico sobre o plano xy, da
forma z = ax + by. Se os pivots estão na primeira e terceira coluna então a
projecção sobre o plano xy é uma reta, ou seja, o plano contém o eixo dos zz
mas não coincide com o plano yz (pois a projeção no eixo dos xx é sobrejetiva).
Finalmente, se os pivots estão nas segunda e terceira colunas EL(A) é o plano
yz.
iii. Seja A uma matrix com 4 colunas. Se car(A) = 1 e A tem um pivot na primeira
coluna, é um gráfico sobre o eixo dos xx. Se o pivot está na segunda coluna
EL(A) está contido no plano yzw e é um gráfico sobre o eixo dos yy, etc.
Os restantes casos são análogos (lamento mas acabou-se me a paciência...).
Indiquemos apenas um par de exemplos. Se os pivots estão nas colunas 2 e 4
isso significa que EL(A) está contido no plano yzw e que se projeta numa reta
no plano yz, ou seja, contém o eixo dos w.
Se os pivots estão nas colunas 1, 2 e 4, o plano EL(A) (de dimensão 3) projeta-
se num plano de dimensão 2 da forma z = ax + by no plano xyz e contém o
eixo dos ww.
então B ∗ = (φ1 , . . . , φn ) é uma base para V ∗ que se chama a base dual de B. Note
que φi (v) é a i-ésima coordenada de v na base B.
33
(c) O dual pode ser visto como o espaço das funções coordenadas em V juntamente com
a função nula: mostre que se V é finitamente gerado e φ ∈ V ∗ \ {0} então existe
uma base ordenada B = (v1 , . . . , vn ) de V tal que φ(v) é a primeira coordenada de
v na base B.
(d) Sendo B1 e B2 bases ordenadas para V e W e A a matriz que representa f com
respeito a estas bases, mostre que a matriz que representa f ∗ com respeito às bases
duais é AT .
(e) Mostre que a aplicação Φ : V → (V ∗ )∗ definida por
(Φ(v))(ψ) = ψ(v)
Resolução:
(a) A função f ∗ está bem definida porque a composição de duas transformações lineares
é uma transformação linear. Dadas T1 , T2 ∈ L(W, U ) e escalares α, β temos para
todo o v ∈ V
34
v1 6∈ W = L({v2 , . . . , vn }) logo B = {v1 , v2 , . . . , vn } é linearmente independente e
portanto uma base para V . Uma vez que φ(v1 ) = 1 e φ(vi ) = 0 para i ≥ 2, φ é
o primeiro elemento da base dual de B e portanto é a primeira função coordenada
com respeito à base B.
(d) Seja B1 = (v1 , . . . , vn ), B2 = (w1 , . . . , wm ), B1∗ = (φ1 , . . . , φn ) e B2∗ = (ψ1 , . . . , ψm ).
Seja A = Af,B1 ,B2 de forma que
m
X
f (vj ) = aij wi
i=1
Xm
∗
f (ψi )(vj ) = ψi (f (vj )) = ψi ( akj wk ) = aij
k=1
35
(f) Se V é o espaço dos polinómios reais, um elemento de f ∈ V ∗ é dado por uma
sucessão arbitrária de números reais f (tn ) (na realidade V ∗ é isomorfo ao espaço
das sucessões reais com as operações habituais de soma de sucessões e produto
por escalar). O espaço V ∗ não tem uma base contável. De facto o subconjunto de
sucessões {(enα ) : α ∈ R} é um subconjunto linearmente independente não contável
e está contido numa base3 para V ∗ pelo que V ∗ tem uma base B não contável.
Podemos agora definir um conjunto linearmente independente não contável B ∗ em
(V ∗ )∗ pelo que (V ∗ )∗ também não tem uma base contável, e portanto não pode ser
isomorfo a V .
Note que se encararmos a expressão φ(w) = 0 como uma equação linear para w, o
aniquilador é o espaço vetorial das equações lineares que são satisfeitas por todos os
elementos de W .
dim f (U ) = dim f ∗ (V ∗ )
Resolução:
3
Novamente, não demonstrámos isto no caso não finitamente gerado
36
(a) Seja B = (v1 , . . . , vk , vk+1 , . . . , vn ) uma base para V tal que (v1 , . . . , vk ) é uma
base para W . Seja B ∗ = (φ1 , . . . , φn ) a base dual. Um elemento ψ ∈ V ∗ pertence
ao aniquilador de W se e só se ψ(v1 ) = · · · = ψ(vk ) = 0. Isto é equivalente a
dizer que as primeiras k coordenadas de ψ na base dual são nulas (cf. (1)). Logo
W o = L({φk+1 , . . . , φn }) tem dimensão n − k e portanto dim W + dim W o =
k + (n − k) = n.
(b) Temos
φ ∈ N (f ∗ ) ⇔ f ∗ (φ) = 0
⇔ f ∗ (φ)(u) = 0 para todo o u ∈ U
⇔ φ(f (u)) = 0 para todo o u ∈ U
⇔ φ ∈ f (U )o
(c) Temos
(d) Vejamos primeiro que ψ(W ) ⊂ (W o )o : dado w ∈ W temos que ver que ψ(w)
aniquila o subespaço W o de V ∗ . Seja φ ∈ W o . Então
(ψ(w))(φ) = φ(w) = 0
ψ|W : W → (W o )o
37
33. Usando apenas uma vez o método de Gauss, calcule de forma eficiente bases para os
espaços das linhas e colunas da matriz
1 −3 1 4 0
−2 6 0 3 −1
1 −3 −1 0 4
Uma base para o espaço das linhas é {(1, −3, 1, 4, 0), (0, 0, 2, 11, −1), (0, 0, 0, 7, 3)} (as
três linhas da matriz inicial ou de qualquer das matrizes intermédias também são bases
uma vez que são conjuntos linearmente independentes com 3 elementos distintos num
espaço de dimensão 3).
Uma base para o espaço das colunas é dada pelas colunas da matriz inicial correspondentes
às colunas com pivot na matriz final: {(1, −2, 1), (1, 0, −1), (4, 3, 0)}.
Resolução:
d −λt
e f (t) = −λe−λt f (t) + e−λt f 0 (t) = −λe−λt f (t) + e−λt λf (t) = 0
dt
Logo existe uma constante c ∈ R tal que e−λt f (t) = c ⇔ f (t) = ce−λt . Por outro
lado é imediato verificar que as funções desta forma satisfazem f 0 = λf logo
T f = λf ⇔ f ∈ L({eλt })
(b) Esta equação diferencial é um exemplo de uma equação linear uma vez que é da
forma S(x) = b com S uma transformação linear. Neste caso, a transformação linear
S tem como domı́nio o subespaço de F (R, R) formado pelas funções diferenciáveis
e toma valores em F (R, R), sendo definida pela expressão S(f ) = f 0 − f e o termo
independente é a função b(t) = t + t2 .
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Tentamos então encontrar uma solução particular e é natural procurar uma que seja
um polinómio. Claramente termos de grau > 2 não irão ajudar (pois contribuirão
do lado esquerdo do sinal de igual com termos de grau > 2). Substituindo f (t) =
a + bt + ct2 na equação obtemos
f (t) = −3 − 3t − t2 + cet , c ∈ R
35. Para cada uma das transformações lineares do exercı́cio 16(a) e (c) determine as soluções
das duas equações lineares f (v) = (1, 0, −2) e f (v) = (1, 1, 4).
Resolução: 16(a): Uma solução particular da equação f (v) = (1, 0, −2) é por exemplo
(1, 0). Vimos nesse exercı́cio que o núcleo de f é L({(−2, 1)}) logo pelo princı́pio da
sobreposição o conjunto das soluções desta equação é {(1, 0) + α(−2, 1) : α ∈ R}.
A equação f (v) = (1, 1, 4) não tem solução uma vez que (1, 1, 4) não pertence à imagem
de f .
16(c): A equação f (v) = (1, 0, −2) não tem solução uma vez que a imagem de f é
gerada por (1, 0, 2) e (0, 1, 2) e o sistema
36. Seja V o espaço vetorial dos polinómios de grau ≤ 3 e considere a transformação linear
T : V → M3×2 (R) definida por
1 1 0 2 1 1 2 0
T (1+t) = 0 1 , T (2+t2 ) = 2 1 , T (t−t3 ) = 2 0 , T (2+t) = 0 0
−1 0 −1 0 0 1 0 1
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Resolução: Considerando a base B1 = (1 + t, 2 + t2 , t − t3 , 2 + t) para V e a base
canónica B2 para as matrizes, a matriz que representa T com respeito a estas bases é
1 0 1 2
1 2 1 0
0 2 2 0
AT,B1 ,B2 =
1
1 0 0
−1 −1 0 0
0 0 1 1
e dado que as últimas três equações do sistema são claramente incompatı́veis, vemos
novamente que a equação do enunciado não tem solução.
(c) Observamos que o termo independente da equação do enunciado é a diferença
T (1 + t) − T (2 + t2 ) logo uma solução particular desta equação é dada por 1 + t −
(2 + t2 ) = −1 + t − t2 . Pelo princı́pio da sobreposição conclui-se que o conjunto
das soluções é
{−1 + t − t2 + α(3 − t + t2 + t3 ) : α ∈ R}
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37. Seja V ⊂ F (R, R) o subespaço vetorial formado por todas as funções duas vezes difer-
enciáveis e considere a transformação linear T : V → F (R, R) definida por T (f ) = f 00 −f .
(a) Verifique que ex e e−x pertencem ao núcleo de T . Pode mostrar-se estas duas
funções geram o núcleo de T .
(b) Determine uma solução particular da equação f 00 −f = x2 +x. Sugestão: Determine
um polinómio que satisfaça esta equação.
(c) Determine todas as soluções da equação f 00 − f = x2 + x.
(d) Determine todas as soluções do sistema de equações diferenciais
(
f 00 − f = 0
f 0 + 2e2x f = 4e3x
Resolução:
(a) T (ex ) = (ex )00 − ex = ex − ex = 0 e T (e−x ) = (e−x )00 − e−x = e−x − e−x = 0.
(b) Um polinómio de grau > 2 não pode satisfazer a equação (pois substituindo na
equação terı́amos do lado esquerdo do sinal de igual um polinómio de grau > 2).
Tentamos encontrar uma solução da forma f (x) = a + bx + cx2 . Substituindo na
equação obtemos:
2c − (a + bx + cx2 ) = x2 + x ⇔ −cx2 − bx + (2c − a) = x2 + x
pelo que c = −1, b = −1 e a = 2c = −2. Vemos assim que f (x) = −2 − x − x2 é
uma solução particular da equação.
(c) Tendo em conta as alı́neas (a) e (b), pelo princı́pio da sobreposição o conjunto das
soluções é
{2 − x − x2 + αex + βe−x : α, β ∈ R}
(d) As soluções da primeira equação são f (x) = αex +βe−x com α, β ∈ R. Substituindo
na segunda equação obtemos
0
αex + βe−x + 2e2x αex − βe−x = 4e3x
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