Introdução
Para que Filosofia?
No nosso dia a dia, afirmamos, negamos,
desejamos ou recusamos coisas, pessoas,
situações ou conceitos. Nossa vida cotidiana
é toda feita de crenças silenciosas, da
aceitação silenciosa de evidências que nunca
questionamos porque nos parecem naturais
e óbvias. Cremos no espaço, no tempo, na
realidade, na qualidade, na quantidade, na
verdade, na diferença entre realidade e
sonho ou loucura, entre verdade ou mentira;
cremos também na objetividade e na subjetividade, na existência da vontade, da liberdade,
do bem e do mal, da moral, da sociedade.
Expressões Crenças Existentes
Que horas são? Que dia é hoje? O tempo pode ser medido, passado,
presente, futuro, pode ser lembrado,
esquecido, desejado, temido
Ela está sonhando! Julgamento do improvável, impossível, irreal,
real, ilusão.
Tá louco ! Diferenciação de razão/loucura, realidades
que não são a mesma para todos.
Onde há fumaça, há fogo. Relação causa/efeito; existência da
causalidade, situações que se desencadeiam
em relações causais.
Esta casa é mais bonita que a outra. Comparação, avaliação, julgamento de
Glória está mais jovem que Joana. qualidade, feio, bonito, mais, menos, maior,
menor.
Você é mentiroso! Diferença da verdade para a mentira,
distorção da realidade, decisão de falsear.
O árbitro do grenal tem que ser Objetividade/subjetividade.
imparcial.
A essência da filosofia está em não aceitar rapidamente as crenças existentes, mas a
perguntar, a questionar estas crenças, buscando entendê-las. O que é o tempo? O que é a
loucura, a razão? O que é a causa, o efeito? O que é o belo, o feio? O que é o maior, o
menor? O que é a verdade, a mentira? A objetividade e a subjetividade? O bem, o mal? O
moral, o imoral?
A Filosofia possui uma atitude crítica em relação à realidade. É um dizer NÂO ao senso
comum, aos pré-conceitos, aos fatos e às idéias cotidianas. É uma constante interrogação
sobre o que são as coisas, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós
mesmos, ou seja, é perguntar. O que é? Por que é? Como é? . Estas são as perguntas
fundamentais da Filosofia que constituem o que chamamos de atitude crítica e pensamento
crítico.
1- O Nascimento da Filosofia
Mito e Filosofia
Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (astros, terra, homens,plantas,
animais, fogo, água, ventos, bem, mal, saúde, doença, etc.). A palavra mito vem do grego
mytheyo que significa contar, narrar, falar de alguma coisa para outros. Para os gregos,
mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem a narrativa como
verdadeira, porque confiam naquele que narra. Esta narrativa mitológica se chama
teogonia que significa as coisas divinas, os seres divinos, os deuses e sua origem. Esta
narrativa, surgia de três maneiras diferentes:
1. Encontrando pai e mãe das coisas e dos seres, isto é, relações pessoais entre
forças divinas pessoais, deuses, titãs. Ex.: da união da deusa Penúria e do deus
Poros, nasceu Eros.
2. Rivalidade ou aliança entre os deuses: Ex.: Poema de Homero , Ilíada.
3. Recompensa e castigo dos deuses: Ex. : Prometeu e a dádiva do fogo, Pandora e a
origem dos males do mundo.
O mito não se importava com as
contradições, com o fabuloso e o
incompreensível, porque continha a
autoridade religiosa do narrador. A
Filosofia nasce não admitindo
contradições, exigindo uma explicação
coerente, lógica e racional. Além disso, a
autoridade da explicação não vem da
pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.
Os historiadores da Filosofia datam seu início no século VI antes de Cristo, nas colônias
gregas da Ásia Menor, na cidade de Mileto. O primeiro Filósofo foi Tales de Mileto. Neste
início a Filosofia possuía um conteúdo: a cosmologia. A palavra cosmologia é composta de
duas outras: cosmos = mundo ordenado e logia = pensamento racional, discurso racional,
conhecimento. Assim, a Filosofia nasce como conhecimento racional da ordem do mundo
ou da Natureza. Neste sentido, a Filosofia nasceu realizando uma transformação gradual
sobre os mitos gregos ao mesmo tempo realizando uma ruptura radical com os mitos.
TEOGONIA COSMOLOGIA
Passado fabuloso, longínquo, genealogias Pensamento racional, discurso racional,
Genealogia, rivalidades e alianças entre os conhecimento
deuses
Recompensas e castigos das divindades
aos homens
2 - Condições históricas para o surgimento da Filosofia
A. As viagens marítimas, que permitiam aos gregos descobrir que os locais que os
mitos diziam habitados por deuses, titãs e semi-deuses, monstros e seres fabulosos,
na verdade, eram habitados por outros seres humanos. As viagens produziram
desencantamento ou a desmistificação do mundo, exigindo explicações que o mito
já não podia oferecer;
B. A invenção do calendário, permitindo calcular o tempo, e perceber que importantes
fatos se repetem, trazendo a percepção do tempo como algo natural e não como um
poder divino incompreensível;
C. A criação da moeda que trouxe uma nova capacidade de abstração e de
generalização;
D. O surgimento da vida urbana diminui o prestígio da aristocracia proprietária de terras
para quem os mitos foram criados;
E. A invenção da escrita alfabética como representação de uma idéia;
F. A invenção da política, ou seja, a ordenação da polis (cidade), trazendo a
necessidade do aspecto da ordenação, regulação do mundo racional. Surge o
espaço público, onde acontece o discurso do filósofo, que é diferente do narrador do
mito. A política estimulou o pensamento e o discurso, que não é formulado por
seitas secretas, repletas de mistérios sagrados, ao contrário, o discurso político é
público, ensinado e debatido na polis.
3 - Os Principais Períodos da Filosofia
3.1 Filosofia Antiga (VI a.C. – VI d. C.)
Divide-se a Filosofia antiga em quatro grandes fases:
Pré-Socrático ou Cosmológico (VI a.C. - V a.C.):
Destacam-se os filósofos Tales de Mileto, Pitágoras de Samos, Pârmenides de Eléia,
entre outros. Tendo como principal característica a cosmologia que explicava a origem,
ordem e transformação da natureza ao quais os seres humanos fazem parte. Ao explicar a
natureza, os filósofos explicavam os seres humanos. Negavam que o mundo fora criado do
nada, ou por alguma divindade. Afirmavam que tudo o mundo está em movimento eterno,
ao qual se chama devir.
Período Socrático ou antropológico (V a.C. – IV a. C.)
O desenvolvimento das cidades e o nascimento da democracia levaram a igualdade dos
homens perante as leis e o direito dos cidadãos (exceto mulheres, crianças, idosos e
estrangeiros) participarem do governo da polis. Para saber falar bem nas assembléias, o
cidadão precisava saber falar e ser capaz de persuadir, trazendo mudanças na educação
grega, surgindo aí os sofistas, que foram os primeiros filósofos do período socrático. Estes
diziam que os cosmologistas e seus ensinos eram inúteis para a polis.
Apresentando-se como
mestres da persuasão,
ensinavam a ganhar uma
discussão a “qualquer
preço”, não importando a
busca pela verdade e sim
ganhar a discussão.
Sócrates, considerado
patrono da Filosofia,
rebelou-se contra os
sofistas, afirmando que
estes não tinham amor pela
verdade. Propunha que, antes de querer conhecer a Natureza, ou persuadir os outros, cada
um deveria conhecer a si mesmo.
Sócrates procurava definir a essência verdadeira de alguma coisa, da idéia, do valor.
Procurava o conceito e não mera opinião. As pessoas esperavam que Sócrates
respondesse todas as questões, como os sofistas faziam, porém Sócrates fazia perguntas
acerca das idéias e valores que os gregos julgavam conhecer. Donde vem a famosa
expressão atribuída a ele: “ Sei que nada sei”. Para os poderosos de Atenas, Sócrates
tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. E foi condenado a suicidar-se com um
veneno – a cicuta.
O que sabemos sobre Sócrates não vem de seus próprios escritos e sim de seus
discípulos, sendo o principal Platão. Principais características da Filosofia de Sócrates e
ampliadas por Platão:
A. A discussão filosófica dos comportamentos, das idéias e valores, das questões
morais e políticas;
B. O homem é um ser racional, capaz de conhecer a si mesmo e refletir;
C. O pensamento reflexivo é capaz de oferecer critérios e caminhos para investigar o
que é verdadeiro;
D. As perguntas filosóficas visam alcançar justiça, coragem, piedade, amor, beleza,
temperança, etc.
E. De um lado está a opinião e as imagens das coisas trazidas pela experiência,
hábitos e tradições, interesses, de outro, as idéias, que se referem à essência
íntima, invisível e verdadeira das coisas.
Período Sistemático (IV a.C. – III a.C.)
Este período tem como principal nome o filósofo
Aristóteles de Estagira, discípulo de Platão. Aristóteles
afirma que, antes de um conhecimento constituir seu
objeto deve-se conhecer as leis gerais que governam o
pensamento. Suas principais idéias foram:
A. Sistematização: classificação das várias áreas
do conhecimento;
B. Ética: busca da moderação humana baseada na
prudência, visando o bem da sociedade e a
democracia;
C. Metafísica ou além da física: caracterizada pela
investigação das realidades que transcendem a
experiência sensível, a natureza primeira de tudo que
existe tendo quatro causas fundamentais: eficiente,
material, formal e final.
D. Lógica: forma de linguagem formalmente válida e que buscasse argumentos que
fossem fundamentados em premissas.
Período Helenístico (III a.C. – VI d. C.)
Último Período da Filosofia antiga, quando a polis grega desapareceu dando lugar ao
poderio do Império Romano. Os filósofos passam a dizer que o mundo é sua cidade e eles
cidadão do mundo. A Filosofia volta-se para a relação do homem com a natureza, as
relações sociais e a relação com a divindade. Predominam aqui as preocupações com a
ética, a física, a teologia e a religião .Os filósofos não interferem mais na política, sendo
esta centralizada no Imperador e no senado romano. Principais correntes filosóficas desta
fase:
A. Estóicos: pensamento cuja característica central é o pensamento de que todo o
cosmos é regido por uma harmonia que determina todos os acontecimentos.
B. Epicureus: procura dos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade
pelo conhecimento do funcionamento do mundo e do estabelecimento de limites
para os desejos.
C. Céticos: caracterizada, essencialmente, por duvidar de todos os fenômenos que
rodeiam o ser humano.
D. Neoplatonismo: Os neoplatônicos acreditavam na perfeição humana e que a
felicidade era possível neste mundo, sem esperar por uma vida após a morte
3.2 Filosofia Patrística (I d.C. – VII d.C.)
Santo Agostinho
A Patrística resultou do esforço feito pelos dois apóstolos
intelectuais (Paulo e João) e pelos primeiros Pais da Igreja de
conciliar o Cristianismo com o pensamento filosófico dos
gregos e dos romanos, pois só com esta estrutura de
pensamento, a fé cristã seria entendida pelo pagãos. Divide-
se em patrística grega (ligada à igreja de Bizâncio) e
patrística latina (ligada a igreja de Roma). Seus principais
nomes foram: Justino, Tertuliano, Orígenes, Clemente,
Eusébio e Santo Agostinho, entre outros. Procurou explicar
como o mal pode existir no mundo, já que foi criado por Deus,
que é pura perfeição e bondade. Introduziu a idéia do homem interior que possui livre-
arbítrio. Os padres filósofos transformaram as verdades reveladas por Deus nas Escrituras
judaicos-cristãs em um sistema dogmático, buscando conciliar fé e razão. A patrística
desenvolveu três posições principais:
“Creio porque é absurdo” – Fé e razão irreconciliáveis, fé superior a razão;
“Creio para compreender” – Fé e razão conciliáveis, a razão subordinada à fé;
“Creio na razão e creio na fé” – A razão é para os assuntos terrenos e a fé para a vida
eterna futura.
3.3 – Filosofia Medieval (VII – XIV)
Abrange pensadores europeus, árabes e judeus. É o período em que a Igreja
Romana dominava a Europa, ungia e coroava reis, organizava as cruzadas à Terra
Santa e criava, à volta das catedrais, as primeiras universidades ou escolas. Esta
fase também é conhecida como Escolástica. Um dos temas mais constantes foram
as provas da existência de Deus e da alma, isto é, demonstrações racionais da
existência do infinito criador e o espírito humano imortal. Importa salientar que nesta
fase a Filosofia se ocupou não só da religião cristã (Tomás de Aquino), mas também
de criar um sistema filosófico para o judaísmo (Maimônides) e para o islamismo
(Averróis), tendo a Filosofia Aristotélica como base.
3.4 – Filosofia da Renascença (XIV- XVI)
Erasmo de Roterdã
Marcada pela descoberta de obras de
Platão desconhecidas na Idade Média e
também de novas obras de Aristóteles.
São três linhas de pensamento que
marcam esta fase:
A. Provenientes do Neoplatonismo,
apresentando um crescimento da
alquimia,da astrologia.
B. Originária dos pensadores
florentinos das cidades italianas.
Defendiam os ideais republicanos contra o Império Romano-Germânico, buscando o
resgate da “República”de Platão.
C. O homem como artífice do seu destino, dominando conhecimentos, através da
política, das técnicas e das artes. Houve nesta fase grande efervescência na
medicina, arquitetura, teatro, escultura e literatura. Essa efervescência cultural e
política levaram a críticas profundas à Igreja Romana, culminando na Reforma
Protestante, baseada na idéia de liberdade de crença e pensamento. Os nomes
importantes deste período foram Dante, Maquiavel, Erasmo, entre outros.
3.5 – Filosofia Moderna (XVI – XVIII)
Também conhecido como o Grande Racionalismo Clássico, ao qual predomina a
idéia de conquista científica e técnica de toda a realidade, a partir da explicação
mecânica e matemática do universo e da invenção das máquinas, graças às
experiências químicas e físicas. Existe também a convicção que a razão humana é
capaz de conhecer a origem, as causas e os efeitos das paixões e das emoções e, pela
vontade orientada do intelecto, é capaz de governá-las, de sorte que a vida ética pode
ser plenamente racional. Principais pensadores deste período:
Pensadores Principais Idéias
Francis Bacon Método indutivo, experimentação daquilo que podia
ser passível de observação.
Descartes A ideia de que a razão absoluta é a única forma
possível para o desenvolvimento da vida humana.
Galileu Teoria do heliocentrismo, o Sol no centro do universo
Hobbes Defende o absolutismo com argumentos lógicos e
estritamente racionais (excluindo quaisquer preceitos
ou argumentos religiosos). Baseia-se na ideia de que é
necessário um Estado Soberano para controlar a todos
e manter a paz civil.
Espinosa Liberalismo político e racionalismo religioso
Leibniz Introduziu a idéia de que o pensamento humano pode
ser reduzido a cálculos e fórmulas.
Locke Empirismo, teoria que defende a experiência como
única forma de conhecimento do mundo
Newton Os fenômenos naturais são regidos por leis naturais.
Ele criou a 'lei da gravidade' e é considerado o pai da
Física Moderna.
3.6 – Filosofia da Ilustração ou Iluminismo (XVII – XVII)
Chamada também da “Era das Luzes”. Sua base filosófica foi fundamental e
decisiva para as idéias da Revolução Francesa de 1789.
Liberdade, Igualdade e fraternidade
Principais pensamentos desta fase:
A. Pela razão, o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade social e política;
B. A razão conduzirá ao progresso e evolução. A perfectibilidade humana
(capacidade de ser melhorado) é possível libertando-se das superstições, dos
preconceitos religiosos e sociais;
C. O aperfeiçoamento das sociedades é possível;
D. O avanço civilizatório com liberdade, igualdade e fraternidade é possível pela
razão, bem como o domínio da natureza, o aperfeiçoamento moral, ético e
político.
Neste período há grandes avanços pelas
ciências que se relacionam com a evolução, com
grande interesse pela Biologia, sendo o papel da
Filosofia fornecer as ferramentas de pensamento
empírico. As artes também terão espaço, pois elas
expressavam o progresso da civilização. Começa
haver uma filosofia de interesse social, político e
econômico, surgindo uma reflexão acerca da
origem da riqueza das nações. Destaca-se aqui o
filósofo Immanuel Kant. A filosofia teórica de Kant
conclui pela impossibilidade de o intelecto produzir
conhecimento por si mesmo. A experiência é a
origem do conhecimento e o entendimento possui o papel de organizador das
informações da sensibilidade.
3.7 – Filosofia Contemporânea (XIX – até os dias atuais)
É no século XIX que a Filosofia descobre o conceito de historicidade do homem. O
filósofo Hegel particularmente iniciou este pensamento, ou seja, somos seres históricos. No
século anterior, a idéia de progresso, dos seres humanos e das sociedades, das ciências,
das artes, das técnicas que foram principalmente difundidas pelo positivismo do filósofo
Augusto Conte, agora na contemporaneidade começam a ser questionadas. Enquanto o
positivismo científico afirmava que “saber para prever, prever para prover”, que a ciência
resolveria as grandes questões da humanidade, os filósofos do século XX questionavam
esta idéia, diante dos colonialismos, dos imperialismos e as grandes guerras, traziam a
realidade de que as sociedades nãos estavam em um progresso contínuo e acumulativo.
Os filósofos refletiam diante do pano de fundo do século XX que “passado foi passado,
presente é o presente e futuro será o futuro”.
Positivismo e Utilitarismo - Augusto Comte, Stuart Mill.
O positivismo de Comte considera a ciência como a maturidade da evolução
humana e a única via capaz de trazer a felicidade para a humanidade. O utilitarismo é uma
teoria ética inspirada nos princípios do positivismo, descrita em “O Utilitarismo”, de Mill e
cujo fim é alcançar a maior felicidade possível para o maior número possível de pessoas.
COMTE STUART MILL
Período Contemporâneo – Marxismo – (Séc. XIX - XX) Karl Marx, F. Engels, Gramsci.
A história da humanidade pode ser entendida como a luta constante entre opressores e
oprimidos luta que deriva de certa organização da atividade econômica e que Marx descreve em “O
Capital”. Sua crítica inicia-se pela concepção da história de Hegel. Para este, a história não é uma
mera sequência casual de acontecimentos, mas um suceder racional que se desenvolve segundo um
princípio imanente, ou seja, uma dialética interna. O decisivo nisso é que o verdadeiro sujeito da história
não são os homens que agem e sim a tensões econômicas..
MARX ENGELS
Existencialismo (Séc. XX) Nietzsche, Kierkegaard Sartre, Heidegger, Foucault, Simone de
Beauvoir .
O existencialismo foi uma doutrina filosófica e um movimento intelectual surgido na Europa, no final do
século XIX, mas ganhou notoriedade no século XX, a partir do desenvolvimento do existencialismo
francês. Está pautado na existência metafísica, donde a liberdade é seu maior mote, refletida nas
condições de existência do ser. O existencialismo sofreu influência da fenomenologia (fenômenos do
mundo e da mente), cuja existência precede a essência, sendo dividido em duas vertentes:
Existencialismo ateu: negam a existência de uma natureza humana.
Existencialismo cristão: essência humana corresponde um atributo de Deus.
Para os filósofos existencialistas, a essência humana é construída durante sua vivência, a partir de sua
experiência no mundo e de suas escolhas, uma vez que possui liberdade incondicional.
Em outras palavras, a corrente existencialista prega que o ser humano é um ser que possui toda a
responsabilidade por meio de suas ações. Assim, ele cria ao longo sua vida um sentido para sua própria
existência. Para os existencialistas, a vida humana é baseada na angústia, no absurdo e na náusea
causada pela vida não possuir um sentido para além da própria existência.
A partir da autonomia moral e existencial, fazemos escolhas na vida e traçamos caminhos e planos.
Nesse caso, toda escolha implicará numa perda ou em várias, dentre muitas possibilidades que nos são
postas. Assim, para os existencialistas, a liberdade de escolha é o elemento gerador, no qual ninguém e
nem nada pode ser responsável pelos encaminhamentos da vida. Os indivíduos são seres "para-si", livres
e plenamente responsáveis.
Principais Filósofos Existencialistas
Friedrich Nietzsche
Considerado pré-existencialista. Nietzsche defendia a inexistência em vários sentidos: de
Deus, da alma e do sentido da vida. Para ele, o ser humano deveria abandonar as
muletas metafísicas, a chamada morte dos ídolos. O filósofo se opunha aos dogmas da
sociedade, principalmente ao defender que a verdade era uma ilusão
8
Sören Kierkegaard
Sören Kierkegaard foi um filósofo dinamarquês. Fez parte da linha do
existencialismo cristão, no qual defende, sobretudo, o livre-arbítrio e a
irredutibilidade da existência humana. Da mesma maneira que outros
existencialistas, Kierkegaard focou na preocupação pelo indivíduo e pela
responsabilidade pessoal. Segundo ele:
“ Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se.”
Martin Heidegger
A partir da obra de Kierkegaard e da crítica à história da filosofia,
Heidegger (1889-1976) vai desenvolver a idéia de que o ser humano pode
experimentar uma existência autêntica ou inautêntica.
O que determinará esta existência será sua atitude face à morte e as
escolhas que tomará diante a finitude de sua vida. O ser humano não é o
senhor dos seres, mas o pastor do ser.
Jean-Paul Sartre
Um dos maiores representantes do existencialismo, Sartre (1905-1980) foi
filósofo, escritor e crítico francês. Para ele, estamos condenados a ser livres:
Condenado porque não se criou a si próprio; e, no entanto, livre, porque uma vez
lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer.
Simone de Beauvoir
Simone de Beauvoir foi filósofa, escritora, professora e feminista francesa
nascida em Paris. Personalidade ousada e libertária para sua época, Simone cursou
filosofia e enveredou pelos caminhos do existencialismo e da defesa da liberdade
feminina. Segundo ela: Não se nasce mulher: torna-se. Essa frase corrobora sua
tendência existencialista, cuja existência precede a essência, essa última sendo algo
que se constrói durante a vida. Em sua obra fundamental, o livro O Segundo
Sexo (1949), a filósofa desenvolve as bases do pensamento feminista do século XX.
Ela critica o pensamento tradicional que associa o ser humano ao masculino,
relegando à mulher um papel de subalternidade, como seres humanos de segunda
classe.
9
Michel Foucault
Ao se debruçar sobre as instituições sociais e a influência
delas sobre a cultura e individualidade dos humanos, Michel
Foucault traz a ideia de poder para a sua teoria. Segundo ele,
as civilizações são construídas a partir de disciplina e regras.
Nesse sentido, o existir está sob uma hierarquia, em que
sempre haverão normas que precisam ser respeitadas. Alguns
poderes são abrangentes, como as leis, enquanto outros são
menos influentes, o que ele nomeou de “micropoderes”, como
a posição dos pais sobre os filhos.
10