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Estado

O Estado é um organismo político que ocupa um território e é dirigido por um governo, representando a soberania e a organização social. A Constituição estabelece a estrutura e as leis que regulam as relações dentro do Estado, enquanto a participação política é essencial para a cidadania e a governança. A filosofia política, desde os sofistas até Aristóteles, explora as origens do Estado, as formas de governo e a busca pelo bem comum.

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O Estado é um organismo político que ocupa um território e é dirigido por um governo, representando a soberania e a organização social. A Constituição estabelece a estrutura e as leis que regulam as relações dentro do Estado, enquanto a participação política é essencial para a cidadania e a governança. A filosofia política, desde os sofistas até Aristóteles, explora as origens do Estado, as formas de governo e a busca pelo bem comum.

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Organismo político administrativo que ocupa um território determinado; é dirigido por um

governo próprio e constitüi-se como pessoa jurídica de direito público, internacionalmente

reconhecida. 0 Estado e comaparávela um pai ou a uma mãe que tem filhoS: a sua função é

cuidar dos filhos. Osilhos, por seu turno, devem obediência ao pai eàmãe. O Estado é o conjunto

de todos os elemertos que envołvem umna sociedade organizada: população, território, poder

soberano, além dô reconhecímento internacional como tal. O poder soberano éa autonom ia,

O direito exclusivO que o Estado tem sobrE si mesrno. Este poder é exercido pelos representantes

do Estado.

Governo

Acção de dirigir um Estado; é o conjunto de pess0as quc detêm cargos oficiais e exercem autori-

dade em nome do Estado e que lhe foi conferida pelo povo, no caso cOmun da demnocracia.

Governante é qualquer funcionário público que assume cargos de direcção, que dirige uma

deveriam ser) os servidores do povo. A palavra

ção pública. Os governantes sãofou deveriam ser)

instituição

«ministro», pOr exemplo, provém do latim ni zister e significa «escravo».

Nação

Este conceito é, nuitas vezes, associado ao de EStado. A nação é a comunidade natural de

homens que, reunidos num nesmo territorio, possuen em Comum a origem, os costumes e a língua

e estāo conscientes desses factos. Tal definiçao, que sintetizao consenso da Imaioria dos especia-

listas, engloba os elementos essenciais para a constituição da nacionalidade: tradição e cultura

Comuns, origem e raça (factores objectivos) e a consciência do grupo humano de que estes

elementos comunitários estão presentes (factor subjectivo).


Reflectindo sobre esta definição e fazendo uma retrospectiva histórica, verificamos que a maior

parte dos Estados modernos se constituiu em nações, na medida em que os povOs se foram

unindo e adquirindo sentimentos de pertença de uma mesma nação – como França, Itália e

Moçambique, que são Estados formados por várioS povos e culturas e que formam hoje uma

mesma nação.

Constituição

Um outro conceito necessário para uma abordagem política é a Constituição. A Constituição

é a estrutura de uma comunidade politica organizada, a ordem necessária que deriva da desig-

nação de um poder soberano e dos órgãos que o exercem. Dito de forma mais simples, a

Constituição é o conjunto de leis básicas que regulam o relacionamento de todos os elementos

pertencentes a um mesmo Estado (indivíduos, instituições, relações de poder, etc.). As outras

leis particulares são elaboradas de acordO COm a Constituição, que é a lei-mãe. Por isso, mesmo

os Estados absolutistas do século XVIIl e os tota litaristas do século XX tiveram uma Constituição.

Portanto, a Constituiçāo tein a funçāo de traçar os princípios ideológicos da organização interna

(do Estado).

A mudança da Constituição implica a mudança do tipo de Estado; a Constituição de 1990,

por exemplo, converte o Estado moçambicano num Estado Democrático, por abrir a possibi lidade

de participação politica através do voto, da liberdade de reunião e de associação e da formação

de partidos políticos, entre varias outras alterações.

Participação política dos Cidadãos


A necessidade da participação dos

cidadãos nos assuntos políticos foi consi-

derada imprescindível por Péricles, como

vimos na introdução da unidade. Como

igualmente apontámos, a questão da

política nāo é opcional, nas uma neces-

sidade que se impõe ao Homem, enquanto

membrO de uma comunidade organizada

que se rege por leis comuns e assenta em

principios éticos valorizados pelos seus Imembros.

No entender de Pasquino, participação

política é o conjuIto de actOs e de atitudes

que aspiram a influenciar de forma mais ou menos directa e mais ou menos legal as decisões dos
detentores do poder no sistema político

ou em organizações politicas particulares, bem como a própria escolha daqueles, como propósito

de manter ou modificar a estrutura (e, consequentemente, os valores) do sistema de interesses

dominante».

Se o problema político diz respeito a toda a sociedade, o cidadão que comnpõe a sociedade tem

de participar nela com0 algo que Ihe diz respeito.

A vida social é condicionada sobremaneira pela política. O direito de estudar, por exemplo,

está politicarnente autorizado e legalmente fundamentado na Constituição da República. Ora,

se a nossa forma de agir é regulada por leise estas são operacionalizadas por outros órgāOs,

é nossa obrigação estabelecer uma relação constante com tais órgãos do Estado, participando

nos eventos de interesse do Estado e contribuindo com ideias no que se refere às decisões a serem

tomadas para o bom funcionamento do Estado. Por exemplo, participando nos debates püblicos,

exercendo o direito de voto, dando a nossa opinião sobre algum problema que perturba a socie-
dade, etc. Aliás, Jurgen Habermas (filosofo alemāo contemporâneo) afirma que o espaço pública

éo lugar onde oS cidadãos discutem ideias, para o bom funcionamento da sua sociedade.

Moçambique, a participação dos cidadäos na gOvernação local é regulada pela Lei

Em

n.° 8/2003 de 19 de Maio, a Lei dos Orgãos Locais do Estado (LOLE).

Outra forma de participação politica é a formaçaão e participação cívica através de partidos

políticos. O partido político consiste num agrupamento de indivíduos unidos por ideias

e actividades comuns, com vista à consecução de certos fins politicos ou à eleição de funcionários

para o Estado, quer se trate de órgãos para o Governo central ou para äs autarquias locais.

A politica existe porque há diferenças entre os seres humanos e entre os grupos de seres

humanos (sexo, idade, condição física e psiquica, raça, nacionalidade, língua, costumes, cultura,

religiāo) e porque também há relações que transformam diferenças em separações. Estas relações

são relações de poder, as quais impöem cisões entre indivíduos: ricos e pobres, sábiose ignorantes,

fortes e fracos. Estas separações implicam conlitos ea existência destes postula a política comno

instrumento de remissão do conflito, ou seja, há política onde há conflitos sociais e, como é do

conhecimento geral, não há sociedades sem conflitos.

Em síntese, a política é o instrumento de solução dos problemas humanos (quer sejam polfticos,

sociais, educacionais, laborais, económicos, etc.).

Em regimes democráticos, os partidos politicos sobem ao poder através de eleições. Eleição é

a escolha, por meio de sufragios ou votos, de pessoas para ocupar um cargo ou desempenhar

certas funçöes. Na eleiçāo, o povo escolhe o programa do partido que acha que resolverá melhor
Os problemas do seu grupo social.

O partido eleito adquire o poder de impleinentar o seu programa de governo (que corresponde

aos objectivos ou fins do partido), legitimado pelo voto do pov0.

No nosso país, existe um guião que regulamenta a participação e consulta comunitáría na

Dlanificação distrital, com os seguintes objectivas:

providenciar orientaçÕes metodológicas para a organização eofuncionamento dos Conselhos

COnsultivos locais no âmbito da planificação distrital participativa;

dotar os seus utentes coIm alguns conceitos basicos relativos ao proccsSO de participação

E consulta comunitária na planificação distrital;

oferecer «ferramnentas» para a harmonização das metodologias e os procedimentos dos vários

actores/agentes envolvidos na planificação participativa;

Sugerir um padrao minimo para a estruturação da participacão da sociedade civil na planifi-

cacão distrital e a sua represcntacão noS cOnselhos consultiVOs.

2.2 AFilosofia política na História

2.2.1 A Filosofia política na Antiguidade

Os sofistas

Os priheiros filósofos da Grécia antiga preocuparam-se com as questöes da Natureza.

As explicações coSmológicas giravam em torno da procura do arché (princípio) de todas as coisas.

Os sofistas foram os primeiros a desviare a rota tradicional de pensamento dos pré-soCraticos,

que se centrava na Natureza, concentrando a sua atenção no Homem e nas questões da moral e

da política.

Na politica, elaboraram e legitimaram o ideal democrático. A virtude de uma aristocracia

guerreira opõe-se, comn cles, a virtude do cidadão: a maior das virtudes passa a ser a justiça.
Postularam igualmente que todos os cicdadãos da polis devem ter direito ao exercício do poder e

elaboraram uma nova educação capaz de satisfazer os ideais do homem da polis, e não apenas o

aristocrata, superando assim os privilégios da antiga educação elitista.

Outra obra importante dos sofistas foi a sistematizacão do ensino: gramática, retórica e dialéc-

tica, E de salientar igualmente que, com o brilhantismo da participaçao no debate público,

deslumbraram Os jovens do seu témpo.

Os sofistas mais famosos loram: Protágoras, Górgias, Trasíaco, PrÓico e Hipódamo.

Platão

O pensamento político de Platão (428-347 a. C.) está contido

sobretudo nas obras A República e O Politico e as Leis. Era ateniense,

provinha de uma família aristocrática e tinha um grande fascínio

pela política.

A República, importante obra da cultura ocidental, é umna utopia.

«Utopia» significa, etimologicamerite ern neTihum lugar. Platão

imagina uma cidade (que nãO existe), mas que deve ser o modelo de

todas as cidades terrenas:e a cidade ideal. Na obra, exanina a questāo

to bon goveTno e do regime justo (justiça). C bom governo depende

da virtude dos bons governantes.

Em Platäo, ha a considerar quatro abordagens: a origem do Estado, comunismo/idealismo, a questão


das classes sociais e as formas de governo.

Origem do Estado

A origem do Estado deve-se ao facto de o Homem não ser auto-suficiente. De facto, ninguém

pode ser, ao mesimo tempo, professor, advogado, mecânico, técnico de frio, etc. Para satisfazer

todas as suas necessidades, o Homem deve associar-se a outros homens e dividir con eles as
varias ocupaçOes. Dividindo os encargos e o trabalhO, poderá satisfazer todas as suas necessidades

do melhpr modo possivel, porque cada um se torna especialista numa área.

Comunismo/idealismo

Em A RepitbliccL, Platão imagina que todas as CIianças deven ser criadas pelo Estado e que até

aos vinte anos todoS devem receber a mesima educacão. Nessa altura, OCOrreo primneiro corte

e defirnem-se as pess0as que, por pOSSuíreIm «alma de brOnze>, têm uma sensibilidade grosseira

e por isso devem dedicar-se à agricultura, ao artesanato e ao comercio. Os outrOS prosseguem os

estucdoOS durante mais dez anos, momento em que acOntecera um segundo COrte. Os que tem

K<alma de prata dedicar-se-ão à defesa da cidade. Os mais notaveis, por terem <alma de ouro»,

serão instruid05 na arte de pensar a dois (dialogar). Conhecerão, então, a Filosofia, que elcva a

alma ate ao conhecimento mais puro e que é a fonte da verdade.

Aos cinquenta anos, aqueles que passaram com sucesso por essa série de provas estarāo aptos

a ser admitidoS no corpo supremo doS Imagistrados. Caberá a estes O exercicio do poder, pois

apenas eles têm a ciência da politica. Como são os mais sábios, tambén serão os mais justos,

uma vez que justo é aquele que conhece a justiça. A justiça constitui a principal virtude,

a condição đas outras virtudes.

Classes sociais

A partir do comunismo de Platão podemos antever a sua organização social. Ele parte do

principio de que os homens são diferentes e que, portanto, deverão ocupar lugares e funções

diferentes na sociedade. Dependendo do metal da alma de cada um, a sociedade organiza-se em

três classes: trabalhadores (canponeses, artesāos e comerciantes), soldados e magistrados

(governantes). Os trabalhadores deverão garantir a subsistência da cidade; os soldados, a sua


defesa e os magistrados, dirigir a cidade, mantendo-a coesa.

Formas de governo

Teoricamente falando, a melhor forma de governo, segundo Platão, é a monarquia, sob o

comando de um filósofo-rei, que governaria a pólis de acordo com a justiça e preservaria a sua

unidade.

A sua segunda opção seria a aristocracia composta por filóSofos e guerreiros. Porém, cedo

constatou que este tipo de governo facilmente degeneraria e se converteria numa timocraia

(a virtude seria substituída pela norma da guerra), ficando a direcção da cidade nas mãos de

ambicioSOS de poder e honra.

Afase mais corrompida da aristocracia é a oligarquia, em que a ganancia pelo poder e pela

honra é superada pela avidez de riqueza. Quando a máquina politica cai nas mãos dos abastados,

o povo torna-se desesperadamente pobre e este expulsa os ricos do poder e implanta a

demoCracia.

Aos olh0s de Platão, a democraciaéo pior dos governos, pois, estando o poder nas mãos do

povo, e sendo este incapaz de conhecer a ciência política, facilita, através da dernagogia, O apare-

cimento da tirania –ö governo exercido por um só homem, àtravés da força.

Aristóteles

Nascido em Estagira, na Trácia, em 384 a. C, Aristóteles foi

discípulo de Platão e cedo se tornou crítico do seu mestre.

Na base da divergência estão as influências que cada um deles

Soireu. Platão apreciava mais as ciências abstractas e a Matemática,


enquanto Aristoteles, por ser filho de um medico, foi fortemente

influenciado pelo estudo da Biologia. Assim se justifica o seu

gosto pela observação, o queo levou a analisar 158 constituições

existentes na época. Este estdo fez COm que a sua politica fosse

mais tescritiva, aleIm de normatiIva.

Aristóteles critica o autoritarismo de Platão e não concorda

com o idealismo platónico, pois a cidade é constituída por indi-

viduos naturalmente diferentes, sengdo impossivel uma unidade

absoluta. De igual modo, critica a sofocracia, que atribui um poder ilimitado apenas a uma parte do
corpo social -os mais sábios (flósofos).

A origemn do Estado

O Estado, segundo Aristóteles, é produto da Natureza: «é evidente que o Estado é uma criação

da Natureza e queo Homené, por natureza, um animal político». O facto deo Homem ser capaz

de discursar prOva a sua natureza política. Historicamente, explica Aristóteles, o Estado desen-

volveu-se a partir da família: ao unirem-se, as famílias deram origen a aldeias. Estas desenvolveram-se

e formaram as cidades (Es tado). Este, apesar de ter sidooúltimo a criar-se, é superior às anteriores

uniões da sociedade, pois o Estado é auto-suficiente. O objectivo do Estado é proporcionar feli-

cidade aos cidadāos. O escopo da vida humana é a felicidade e o escopo do Estado é facilitar a

consecucao da felicidade. Dito de outra forma, o escopo do Estado é facilitar a consecução do

bem comum.

Formas de governo

Partindo do princípio de que o fim do Estado ếo bein comum, Aristóteles pensava que cada

Estado deveria aprovar uma constituição que respondesse ås suas necessidades. Ele concebeu três

formas de organização política (Constituições) do Estado, as quais se poden também apresentar

na forma de governO corTUpto:


Monarquia (governo de um homem)-é teoricamente a melhor forma de governo, porque

preserva a unidade do Estado, Contudo, facilmente se pode transformar em tirania -govern0

de um so homem que se move por interesse própri0. As sociedades bárbaras, na óptica de

Aristóteles, precisarm da autoridade centralizada da monarquia.

Aristocracia governo de poucos homens)-governo de um grupo de cidadāos virtuosos, os

Imellhores, que cuidam do bem de todos. A sua forma corrupta éa oligarquia, que é o governo

dos ricOs, os qais procuram o benm económico pessoal.

de um tipo de governo constituído pelo

RepLIblica (governo de muitos homens)trata-se

povo, Cque cuida do bem de toda a polis. uando o povo toma o poder e suprime todas as

diterenças sociais em nome da igualdade, Cste tipo de governo chama-se democracia e é a forma
corrupta da república.

Comentário sobre a Filosofia política em Aristoteles

Na Grécia antiga, o nascimento das estava ligado às divindades. Cada cidade seria

fundada por um deus ou deusa que as protegia. Portanto, a observância das leis era considerada

uma obrigação religiosa. Esta concepçāo é notória no pensamento de Platão e SỐCrates. Aristóteles

foi o primeiro a fundamentar a origem do Estado numa base racional. A Concepção aristotélica

do Homem como animal politico eviderncia a concepção naturalista do Estado.

2.2.2 Filosofia politica na ldade Média

Santo Agostinho

A doutrina politica de Santo Agostinho encontra-se na obra A Cidade de DeIs. Para ele, o mundo
divide-se em duas cidades: a Cidade de Deus e a Cidade terena. A greja é a encarnação da cidade

de DeuIS, apesar de istO não se aplicar a todos cs seus membros, nen a todos os seuS ministras

sagrados. O Estado é a encarnação da cidade terrena, uma necessidade imposta ao Homem pelo
pecado original. Na sua presente condição, o Homem precisa

do Estado para obrigar os membros da comunidade ao cumpri-

mento da lei.

Santo Agostinho acredita que o Homem é mais divino do que

o Estado, porque o Homem tem um fim natural que transcende I

o fim do estado terrestre. Para este padre, a lgreja é superior ao

Estado.

Santo Agostinho defende a existência da autoridade política,

para que se marntenha a paz, a justiça, a ordem e a segurança.

A autoridade política é entendida como uma dádiva divina aoS

seres humanos. Por isso, os cidadāos devem obedecer aos govern-

antes e não é da sua competência (dos homens) distinguir entre

governantes bOns e maus, ou formas de governo justas ouinJLIStas.

A obra Cidade de Deus é considerada o primeiro tratado da

Filosofia da História e da teologia da História.

são Tomás de Aquino

A obra De Reginine Principum

(Do Governo dos

Príncipes) espelha

o pensamento político de São Tomás de Aquino. Versa sobre a

origem e a natureza do Estado, as várias formas de governo e as


relações entre o Estado e a Igreja.

Quanto à origem do Estado, Tomás de Aquino recusa-se a

aceitar a concepção augustiniana, segundo a qual a origem do

Estado se deve ao pecado original,e concorda com Aristóteles:

este nasce da natureza social do Homen e não das limitações

do indivíduo.

O Estado é uma socicdade, uma sociedade perfeita. É uma

sociedade porque consiste na reunião de muitos indivíduos que

pretendem fazer alguma coisa em comum. Éa sociedade perfeita

Porque tem um fim própTiO: O bem comum e os meios suficientes para o realizar. O Estado tem os
meios suficientes para proporcionar um modo de vida que

permita a todos os cidadāos ter aquilo que necessitam para viver como homens.

No que se refere às formas de governo, Tomás de Aquino não é original, conquanto retoma

a divisāo aristotélica e considera como governo ideal a monarquia absoluta. Porém, na prática,

considera a monarquia constitucional a melhor forma de governo.

Quanto à relação entre o Estado e a Igreja, Tomás de Aquino diz que sendo o Estado uma

sociedade perfeita, goza de perfeita autonomia; mas sendo a meta da Igreja o bem sobrenatural,

este é superior ao do Estado, que é simplesmente o bem comum neste mundo. A Igrejaé uma

Sociedade nais perfeita, devendo, por isso, o Estado subordinaI-se a ela, em tudo o que concerne

ao fim sobrenatural do homem.

2.2.3 Filosofia política na ldade Moderna

A Filosofia moderna surge no início do século XVI e termina no fim do século XVIII, período

extremamente rico em acontecimentos políticos (fim do significado político do império e do


papado, afirmação das potências nacionais, primeiro da Espanha, depois da França, da Inglaterra,

da Holanda, e outros países, contestaçāo do poder absoluto dos, soberanos e introdução dos

governOS Constitucionais, etc.).

A época moderna, em síntese, apresenta três características fundamentais:

a) a libertação do Homem em relação às explicações teológicas da realidade, através da razão;

b) a libertação do Homem dos regimes ditatoriais, através da democracia;

) a libertação do Homem da dependência da Natureza, através da técnica.

Esta tripla emancipação do Homem permitirá aos filósofos pensar sem que tenham de obedecer

a regras previamente estabelecidas, como acontecia na época precedente, o que resultará numa

pluralidade de visões sobre os temas tradicionais da Filosofia política.

Nicolau Maquiavel (1469-527)

Com o fim do império cristãoe com o enfraquecimento do

poder político do papado, surgem, fora de Itália, os Estados

nacionais e, em Itália, as repúblicas e as senhorias. Eram regimes

Onde se respirava o ar de liberdade e onde se procurava, acima

de tudo, o bem-estar mnaterial dos cidadãos, em detrimento do

bem-estar espiritual.

Maquiavel viveu em Florença no tempo dos Médici. Observava

COm apreensão a falta de estabilidade da vida política numa

Itália dividida em principadose condados, onde cada um possuía

a sua própria milicia. Esta fragmenta ção do poder transformava

Itália numa presa fácil de outros povos estrangeiros, principal-

mente frariceses e espanhóis. Maquiavel, que aspirava ver a Itália


unificada, esboça a figura do príncipe capaz de promover um

Estado forte e estável.

Por isso, em 0 Principe, Maquiavel desenha as linhas gerais

do comportamento de um príncipe que pudesse unificar a sua

Itália. Para tal, Maquiavel parte do pressuposto de que os homens,

em geral, seguem ccgamente as suas paixões, esquecendo-se

mais depressa da morte do pai do que da perda do patrimonio.

As paixões que se colocam em primeiro lugar são, além da cobiça e do desejo de prazeres,

a preguiça, a vileza, a duplicidade e a insolência. Por isso torna-se imperioso que o governante

da república prepare as leis segundo o pressuposto de que todos os homens são réuse que

procedem sempre com malicia em todas as oportunidades que tiverem.

O principe deve impor-se mais pelo temôr do que pelo amor, para alcançar os seus objectivos:

preservar a sua vida e a do Estado. Porém, Maquiavel adverte que o príncipe não deve esquecer

a sua reputaçao.

Crítica a O Príncipe

Escrito em 1513, O Príncipe popularizou-se e foi alvo de inúmeras interpretações. ACredita-se

que Maquiavel era apologista do absolutismo e do mais completo imoralismo, pois afirmava que

<ê necessario que um principe, para se manter, aprenda a ser maue que se valha ou deixe de se

valer disso segundo a necessidade». Mas, na óptica de Rousseau, trata-se de uma sátira, e a intenção

verdadeira de Maquiavel seria o desmascaramento das práticas despóticas, ensinando (...) o povo

a defender-se dos tiranos.

Alguns hermeneutas de Maquiavel postulam a necessidade de se desfazer o mito do maqui-


vaelismo para se entender O Príncipe. Na linguagem comum, chama-se pejorativamente maquiavélica

a uma pessoa sem escrupulos, traiçoeira, astuCiosa que, para atingir os seus fins, usa todos os

Imeios possiveis ao seu alcance, incluindo a mentira e a má-fé.

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