Geologia e Recursos Minerais em Rondônia
Geologia e Recursos Minerais em Rondônia
Ministro de Estado
Adolfo Sachsida
Secretária de Geologia, Mineração e Transformação Mineral
Lilia Mascarenhas Sant'agostino
LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS
E DE POTENCIAL MINERAL DE NOVAS FRONTEIRAS
ORGANIZADORES
Carlos Eduardo Santos de Oliveira
Dalton Rosemberg Valentim da Silva
Gustavo Negrello Bergami
Jaime Estevão Scandolara
Wilson Lopes de Oliveira Neto
Rondônia
2022
REALIZAÇÃO CARTOGRAFIA GEOLÓGICA LEVANTAMENTO GEOLÓGICO
Residência de Porto Velho (http://geosgb.cprm.gov.br) Aline da Silva Prado
Carlos Eduardo Santos de Oliveira Dalton Boaz Delfino de Souza
CRÉDITOS DE AUTORIA Rosemberg Valentim da Silva Jaime Fábio Silva de Carvalho
DA NOTA EXPLICATIVA Estevão Scandolara João Herbet de O. Passarinho
Caio Gurgel de Medeiros Luiz Rogério da Silva
1 Introdução Thyago de Jesus Ribeiro Raimundo Nonato Tavares
Carlos Eduardo Santos de Oliveira Wilson Lopes de Oliveira Neto
Dalton Rosemberg Valentim da Silva LABORATÓRIO DA REPO – REDE LAMIN
Gustavo Negrello Bergami Boaz Delfino de Souza
Caio Gurgel de Medeiros
CARTOGRAFIA DIGITAL E João Herbet de O. Passarinho
2 Contexto Geológico Regional GEOPROCESSAMENTO Julio Rodrigues Walfredo
Carlos Eduardo Santos de Oliveira Dalton Rosemberg Valentim da Silva Maria Rosalva Campos Coelho
Jaime Estevão Scandolara Nadir Ceolin
GEOFÍSICA
3 Unidades Litoestratigráficas Carlos Eduardo Santos de Oliveira Michelle ESCRITÓRIO
Carlos Eduardo Santos de Oliveira Cunha Graça Lucas Eduardo Silva Farias
Gustavo Negrello Bergami Willyan Fernando da Silva Oliveira
Dalton Rosemberg Valentim da Silva MAPEAMENTO GEOQUÍMICO Jady Caroline Alves
Jaime Estevão Scandolara Wilson Lopes de Oliveira Neto
Caio Gurgel de Medeiros GEOCRONOLOGIA PROJETO GRÁFICO/EDITORAÇÃO
Thyago de Jesus Ribeiro Joseneusa Brilhante Rodrigues Capa (DIMARK)
4 Geofísica Raissa Beloti de Mesquita Washington José Ferreira Santos
Carlos Eduardo Santos de Oliveira GEOLOGIA ECONÔMICA Miolo (DIEDIG)
5 Geologia Estrutural e Tectônica Evandro Luiz Klein Andréia Amado Continentino
Gustavo Negrello Bergami Felipe Mattos Tavares Agmar Alves Lopes
Carlos Eduardo Santos de Oliveira Marcelo Januário de Sousa
Thyago de Jesus Ribeiro Marcelo Lacerda Vasquez Diagramação (SUREG-BE)
Jaime Estevão Scandolara Kotaro Uchigasaki Marcelo Henrique Borges Leão
6 Mapeamento Geoquímico PETROGRAFIA NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
Wilson Lopes de Oliveira Neto Iaponira Paiva Gomes Ana Paula da Silva
Cristina Maria Burgos de Carvalho Marcelo
7 Recursos Minerais Januário de Sousa REVISÃO FINAL
Carlos Eduardo Santos de Oliveira Tiago Bandeira Duarte Ruy Benedito Calliari Bahia (DIGEOB)
Gustavo Negrello Bergami Xafi da Silva Jorge João Luiz Gustavo Rodrigues Pinto (DISEGE)
Dalton Rosemberg Valentim da Silva Caroline Couto Santos (DIGEOQ)
Anderson Dourado Rodrigues da Silva LEVANTAMENTO GEOQUÍMICO
Aline da Silva Prado Eduardo Duarte Marques (DIGEOQ)
8 Conclusões Avelino Alves de Moraes Silvana de Carvalho Melo (DIGEOQ)
Carlos Eduardo Santos de Oliveira Edilberto Raimundo L. Leão (in memoriam)
Dalton Rosemberg Valentim da Silva Flávio Fernandes Faleiro
Gustavo Negrello Bergami João Herbet de O. Passarinho
José Paulo Santos de Melo
Linaldo de Souza Mesquita
Pedro Ricardo Soares Bispo
Oscar Matos Brito
Raimundo Rodrigues Barbosa
Sebastião Gouveia Benjamim
Silvio César da Costa Lisboa
Serviço Geológico do Brasil – CPRM FOTOS DA CAPA
www.cprm.gov.br Da esquerda para a direita:
[email protected] 1. Gnaisse calciossilicático com sulfeto maciço;
2. Migmatito metatexito;
Dados Internacionais de Catalogação-na-Puplicação (CIP) 3. Gnaisse kinzigítico com pods de silimanita;
Serviço Geológico do Brasil – CPRM / DIDOTE - Processamento Técnico
4. Granito microporfirítico;
5. Granito do tipo "S" com alteração hidrotermal;
G345 Geologia e recursos minerais da porção noroeste do estado de Rondônia: 6. Granito megaporfirítico.
folhas Abunã SC.20-V-C-V, Mutumparaná SC.20-V-C-VI, Igarapé Água 7. Conglomerado da Formação Palmeiral;
Azul SC.20-Y-A-III e Vila Murtinho SC.20-Y-A-II / Organizadores: Carlos 8. Anfibolito cortado por veio de quartzo
Eduardo Santos de Oliveira... [et al.] – Escala 1:100.000. – Porto Velho: formando brechas.
CPRM, 2022.
1 recurso eletrônico
ISBN 078-65-5664-301-4
The main contribution of the project “Geological Mapping and Mineral Resources of the Northwest
Portion of Rondônia” was to increase the knowledge of the cartography and geological evolution of such
region, which is located in the southwestern context of the Amazon Craton. The area corresponds to
four sheets in a 1:100,000 scale, SC.20-V-C-V (Abunã), SC.20-V-C-VI (Mutumparaná), SC.20-Y-A-II (Vila
Murtinho) and SC.20-Y-A-III (Igarapé Água Azul), summing 12,000 km2. In the Abunã and Vila Murtinho
sheets, an area of 3,000 km2 is included in Bolivian territory, therefore, not included in this study. The
thirty-three lithostratigraphic units mapped on this work scale present a geological evolution that begins
in the Paleoproterozoic with the formation of an active continental margin arc, which accretionary phase
is represented by mostly orthoderived migmatitic rocks from the Jamari Complex and orogenic basin with
low grade metavulcanosedimentary rocks from Mutum-Paraná Formation. The post-collisional period in
the Lower Mesoproterozoic is marked by the generation of A-Type magmatic suites Serra da Providência
and Rio Crespo. In the present work, three sub-units in Jamari Complex were mapped, calcissilicate gneiss,
metabasic rocks and metasedimentary rocks. In the Serra da Providência Suite, the Rio Taquara and
Pedreira Fortaleza bodies were distinguished, in addition to the formal inclusion of the Serra da Muralha
Granite as part of the Serra da Providência Suite. Rocks of the Rio Crespo Suite, despite being related to
Serra da Providência Type-A magmatism, stand out for their strong gneissification and migmatization as
a result of tectonic action. A migmatized metasedimentary sequence with orthoderived portions, formed
in the middle Mesoproterozoic is classified as the Nova Mamoré Complex. With the geological mapping
carried out in this work, it was possible to expand the knowledge of the Nova Mamoré Complex, resulting
in the classification of orthoderived rocks that include orthogneiss, orthomigmatite and metabasic units;
metasedimentary rocks that include metapelitic, metapsamitic, metachert and metasedimentary units
(schists, graphite gneiss, phylonites and calcissilicates); in addition to hornfelsic rocks formed as a result
of granite intrusion. The S-type intrusive rocks in the Nova Mamoré Complex are grouped in the Laje
Suite, which includes biotite-muscovite granites and leucogranites and pegmatoid garnets grouped as
Nova Dimensão Granite. Also in the Mesoproterozoic there was a A-type magmatism registered in the
granites of the Alto Candeias and São Lourenço-Caripunas Suites. At the end of the Mesoproterozoic,
intracontinental siliciclastic sedimentation of the Palmeiral Formation occurred. The area is extensively
covered by Cenozoic sediments that include the Undifferentiated Sedimentary Covers, Lateritic Crust, Rio
Madeira Formation, Alluvial Deposits and Argillous Deposits. The mineral resources in the area include
metallic and non-metallic substances. Among the metallic substances, the main occurrences are: alluvial gold
related to Madeira River, whose chemical and morphological characteristics studied in this work indicate
wide diversity in sources of gold particles; sulphides, gold and silver in veins that cut calciosilicate rocks of
the Nova Mamoré Complex, which were target of structural, petrographic and fluid inclusion studies in this
work; Tin in cassiterite and arsenic in the granites of the São Lourenço-Caripunas Suite; new occurrences of
graphite in veins present in paragneisses of Nova Mamoré Complex, identified in this work; Manganese in
sandstones of the Palmeiral Formation. Non-metallic substances are mainly industrial rocks and minerals,
such as gravel extracted from the granites of Serra da Providência Suite; sand, clay and gravel extracted
from alluvial deposits and lateritic-debris; amethyst related to the thermal effect caused by the intrusion
of the São Lourenço-Caripunas granites into the low-grade metasedimentary rocks of the Mutum-Paraná
Formation; and tourmaline in metasedimentary rocks of the Nova Mamoré Complex. The evolution of
geological knowledge produced with this work allowed a better characterization of lithostratigraphic,
structural, geochemical and economic potential aspects in the area, generating public information that
can be used in public management or serve as a basis for more detailed research made by academic
institutions or private business companies, enabling possible improvements in the population's life quality.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................ 9
1.1 LOCALIZAÇÃO E ACESSO..................................................................................................................9
1.2 HISTÓRICO......................................................................................................................................... 9
1.3 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS...................................................................................................... 9
1.4 ASPECTOS FISIOGRÁFICOS............................................................................................................. 11
3 UNIDADES ESTRATIGRÁFICAS............................................................................................... 15
3.1 ASPECTOS GERAIS...........................................................................................................................15
3.2 COMPLEXO JAMARI (PP4Ja)............................................................................................................ 16
3.2.1 Aspectos gerais....................................................................................................................... 16
3.2.2 Unidade Metabásicas (PP4jamb)............................................................................................ 17
3.2.3 Unidade Ortoderivadas..........................................................................................................23
3.2.4 Unidade Gnaisse Calcissilicático (PP4jagc)............................................................................. 26
3.2.5 Unidade Metassedimentares (PP4jams)................................................................................. 33
3.3 FORMAÇÃO MUTUM-PARANÁ (PP4mp)........................................................................................ 33
3.3.1 Aspectos gerais....................................................................................................................... 33
3.3.2 Petrografia.............................................................................................................................. 35
3.3.3 Litogeoquímica.......................................................................................................................35
3.4 SUÍTE SERRA DA PROVIDÊNCIA (MP1γp)....................................................................................... 36
3.4.1 Aspectos gerais....................................................................................................................... 36
3.4.2 Metagranitos - Domínio Jamari.............................................................................................. 37
3.4.3 Metagranitos - Domínio Nova Mamoré................................................................................. 38
3.4.4 Granito Serra da Muralha (MP1γpsm).................................................................................... 42
3.4.5 Granito Fortaleza do Abunã................................................................................................... 43
3.4.6 Granito Rio Taquara (MP1γprt)............................................................................................... 45
3.4.7 Rochas Máficas-Ultramáficas da Suíte Serra da Providência................................................. 45
3.4.8 Litogeoquímica da Suíte Serra da Providência.......................................................................48
3.5 SUÍTE RIO CRESPO (MP1γrc)........................................................................................................... 58
3.6 COMPLEXO NOVA MAMORÉ (MP2nm).......................................................................................... 65
3.6.1 Aspectos gerais....................................................................................................................... 65
3.6.2 Rochas Ortoderivadas............................................................................................................ 66
3.6.3 Rochas Metassedimentares................................................................................................... 70
3.6.4 Rochas Hornfélsicas/Metamorfismo de Contato................................................................... 79
3.6.5 Litogeoquímica das Rochas do Complexo Nova Mamoré......................................................80
3.7 SUÍTE ALTO CANDEIAS (MP2γac).................................................................................................... 91
3.7.1 Aspectos gerais....................................................................................................................... 91
3.7.2 Petrografia.............................................................................................................................. 92
3.7.3 Litogeoquímica....................................................................................................................... 93
3.8 SUÍTE SÃO LOURENÇO-CARIPUNAS (MP2γlc)...............................................................................96
3.8.1 Aspectos gerais....................................................................................................................... 96
3.8.2 Granitos.................................................................................................................................. 98
3.8.3 Corpo Caripunas (MP2αlcr).................................................................................................... 99
3.8.4 Petrografia.............................................................................................................................. 99
3.8.5 Litogeoquímica..................................................................................................................... 101
3.8.6 Geocronologia......................................................................................................................104
3.9 SUÍTE LAJE (MP2γl)........................................................................................................................105
3.9.1 Aspectos gerais..................................................................................................................... 105
3.9.2 Petrografia............................................................................................................................ 108
3.9.3 Litogeoquímica..................................................................................................................... 109
3.10 FORMAÇÃO CAPITÃO SILVIO (MP3αcs)..................................................................................... 116
3.10.1 Aspectos gerais................................................................................................................... 116
3.10.2 Petrografia.......................................................................................................................... 116
3.10.3 Litogeoquímica................................................................................................................... 118
3.11 FORMAÇÃO PALMEIRAL (MP23bpa).......................................................................................... 118
3.11.1 Aspectos gerais................................................................................................................... 118
3.11.2 Arenitos (MP23bpar)..........................................................................................................119
3.11.3 Conglomerados (MP23bpac).............................................................................................. 120
3.12 COBERTURAS SEDIMENTARES CENOZOICAS............................................................................ 121
3.12.1 Perfil de intemperismo....................................................................................................... 121
3.12.2 Crosta laterítica (NQcl)....................................................................................................... 122
3.12.3 Coberturas sedimentares indiferenciadas (NQi)................................................................ 122
3.12.4 Formação Rio Madeira (Q1rm)........................................................................................... 122
3.12.5 Depósitos aluvionares (Q2a)............................................................................................... 123
3.12.6 Depósitos argilosos (Q2ag)................................................................................................. 123
4 GEOFÍSICA............................................................................................................................. 125
4.1 AEROGEOFÍSICA............................................................................................................................ 125
4.1.1 Materiais e Métodos............................................................................................................ 125
4.1.2 Processamento.....................................................................................................................125
4.1.3 Intepretação Geofísica......................................................................................................... 125
1 INTRODUÇÃO
O presente texto reúne as informações geológicas, e pelo segundo ciclo da borracha, ciclos de garimpagem
geoquímicas, geofísicas e de recursos minerais, geradas de diamante, cassiterita e ouro (http://www.rondonia.
pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM, durante os anos ro.gov.br/diof/sobre/historia/).
de 2018 a 2021, no âmbito do Projeto Geologia e Recursos Os primeiros registros históricos de trabalhos de
Minerais da Porção Noroeste do Estado de Rondônia. cunho geológico/geocientífico, ainda que de caráter
Este projeto foi executado pela Residência de Porto localizado, foram os de Evans (1906), que em traba-
Velho, sob coordenação nacional do Departamento de lho de reconhecimento geológico, descreveu as rochas
Geologia (DEGEO), da Diretoria de Geologia e Recursos expostas nas corredeiras e cachoeiras dos rios Madeira,
Minerais (DGM). O projeto contou com apoio das divisões Mamoré e Beni (OLIVEIRA, 1915, 1918). A década de 1950
de Geologia Básica (DIGEOB), de Geodinâmica (DIGEOD), em Rondônia foi marcada pelo início da atividade de
de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE), de Geo- mineração em especial de garimpeiros que, procurando
logia Econômica (DIGECO), de Geoquímica (DIGEOQ), de ouro e diamante registraram as primeiras ocorrências de
Cartografia (DICART) e de Geoprocessamento (DIGEOP). cassiterita no Estado de Rondônia.
O objetivo principal deste estudo é aumentar a com- A área de estudo engloba porções de áreas de projetos
preensão sobre a geologia da região, com novas informa- executados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM),
ções obtidas e o seu potencial mineral. O projeto resultou sendo o Projeto Noroeste de Rondônia (SOUZA et al., 1975)
no mapeamento geológico e levantamento geoquímico a primeira referência de mapeamento na área. Outros
de quatro folhas em escala 1:100.000: Folhas SC.20-V-C-V projetos foram desenvolvidos ao longo do tempo como
(Abunã), SC.20-V-C-VI (Mutumparaná), SC.20-Y-A-II (Vila Província Estanífera de Rondônia (ISOTTA et al., 1978);
Murtinho) e SC.20-Y-A-III (Igarapé Água Azul). O projeto é Sulfetos de Abunã (LIMA, 1976); Projeto Guajará-Mirim
parte da ação Levantamentos Geológicos e de Potencial (SILVA et al., 1980); Mapas Metalogenéticos e de Previsão
Mineral de Novas Fronteiras, do Programa Geologia, de Recursos Minerais Folha SC.20-V-C Abunã (OLIVEIRA,
Mineração e Transformação Mineral. Os dados, relatórios 1985); Geologia da Região de Porto Velho-Abunã - Folhas
e mapas estão disponíveis no repositório institucional Abunã e Mutum-Paraná (ADAMY; ROMANINI, 1990) e
RIGeo (http://rigeo.cprm.gov.br/jspui/) e no banco de Projeto Rio Madeira (RIZZOTTO et al., 2005a, 2005b).
dados GeoSGB (http://geosgb.cprm.gov.br/).
1.3 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS
1.1 LOCALIZAÇÃO E ACESSO
A área abrange parte dos municípios de Porto Velho,
A área de trabalho está situada na porção noroeste Nova Mamoré e Guajará Mirim, que tiveram origem e se
do estado de Rondônia, região de fronteira com a Bolívia. desenvolveram com a construção da Estrada de Ferro
Abrange parte dos municípios rondonienses de Porto Madeira-Mamoré. O histórico de desenvolvimento dos
Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim. O acesso à área municípios, suas sedes e distritos é descrita pelo IBGE e
é realizado pela BR-364 e pela BR-425, a partir de Porto disponibilizado em https://cidades.ibge.gov.br/.
Velho, sendo aproximadamente 280 km até o município O município de Porto Velho, criado em 1907, apre-
de Nova Mamoré (Figura 1.1). sentava em 2010 uma a densidade demográfica de 12,57
A área de pesquisa possui malha viária pavimen- hab/km2, com 428.527 pessoas em uma área territorial
tada apenas nas principais rodovias de acesso (BR-364 de 34.090,95 km2 e a população estimada em 2019 era
e BR-425), grande parte das vias desta região não possui de 529.544 pessoas (IBGE, 2020). O município de Guajará
pavimentação asfáltica. Mirim foi elevado à esta categoria em 1928 e sua den-
sidade demográfica em 2010 era de 1,68 hab/km2, com
1.2 HISTÓRICO população estimada em 2019 de 46.174 pessoas (IBGE,
2020). Em 1988 o povoado de Vila Nova foi elevado à
O estado de Rondônia teve o seu desenvolvimento categoria de município, recebendo a denominação de Vila
relacionado a ciclos econômicos, tendo o primeiro deles Nova de Mamoré, porém, em 1993, o nome do município
ocorrido durante a construção da Estrada de Ferro foi alterado para Nova Mamoré (IBGE, 2020). A densidade
Madeira-Mamoré (1907 a 1912), seguido pelo primeiro demográfica em 2010 para Nova Mamoré era de 2,24
|9|
| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
hab/km2, com uma população de 22.546 habitantes em Igarapé Ribeirão (Nova Momoré) e Igarapé Laje (entre os
um território de 10.071,64 km2. Em 2019 a população municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim), ocupam
estimada era de 30.583 habitantes (IBGE, 2020). aproximadamente 1540 km² dentro da área de pesquisa
Reservas indígenas e áreas especiais de conservação (Figura 1.1). Na região foram estabelecidos o Parque Esta-
foram delimitadas por grande parte da região noroeste dual de Guajará-Mirim, Floresta Estadual de Rendimento
de Rondônia (Tabela 1.1). As reservas indígenas Karipuna Sustentável Rio Vermelho e a Estação Ecológica Estadual
(entre os municípios de Porto Velho e Nova Mamoré), Mujica Nava, além do Parque Nacional Mapinguari.
Figura 1.1 - Mapa de localização da área estudada na porção noroeste do estado de Rondônia.
| 10 |
| Projeto NW de Rondônia |
| 11 |
| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
2.1 CONTEXTO TECTÔNICO 1986; TEIXEIRA et al., 1989; TASSINARI, 1981; TASSINARI;
SIGA JR.; TEIXEIRA, 1984; TASSINARI et al., 1996; TASSINARI
O Cráton Amazônico, uma das maiores e menos et al., 2000). Para estes autores as mobile belts teriam se
conhecidas áreas pré-cambrianas do mundo, está incluso desenvolvido de forma paralela durante o Mesoprotero-
entre as principais unidades tectônicas da América do zoico, a partir de núcleo mais antigo, a Província Amazônia
Sul (5.600.000 km2), separado da Faixa Orogênica Andina Central, com idades progressivamente mais jovens no
por extensiva cobertura cenozoica (Llanos colombianos sentido sudoeste do cráton. Novos dados geocronológicos
e venezuelanos, Chaco paraguaio-boliviano, etc.), que (U-Pb convencional, LA-ICP-MS e SHRIMP), reinterpretação
dificulta o estabelecimento de seu limite ocidental. Sua de valores isotópicos Sm-Nd e inclusão de informações
extensão para oeste, por sob a cobertura cenozoica, é retiradas de levantamentos de campo, conduziram a novo
sugerida pela presença de fragmentos mesoproterozoi- entendimento sobre a subdivisão e evolução do Cráton
cos na Cordilheira Oriental, como Garzón e Santa Marta Amazônico no Pré-Cambriano, com a definição das pro-
(KROONENBERG, 1982; PRIEM et al.,1989). No Brasil o víncias geológicas (SANTOS et al., 2000). Segundo estes
Cráton Amazônico, com área aproximada de 4.400.000 autores, o sudoeste do Cráton Amazônico é constituído
km2, é limitado a leste pelo Grupo Baixo Araguaia, a sul e por apenas duas províncias geológicas: Rondônia-Juruena
sudeste pelos grupos Alto Paraguai, Cuiabá e Corumbá e (1810-1520 Ma, orogênese Ouro Preto) e Sunsás (1450-990
por rochas geradas durante o Ciclo Orogênico Brasiliano Ma, orogêneses Candeias e Nova Brasilândia), construídas
(900-540 Ma, PIMENTEL; FUCK, 1992). É em relação por eventos acrescionário/colisional e colisional, respec-
às rochas geradas durante esse ciclo orogênico que o tivamente (Figura 2.1B).
conceito de cráton é aplicado, representando a área
estabilizada em tempos pré-brasilianos (cerca de 1000 2.2 GEOLOGIA REGIONAL
Ma). O cráton é coberto por bacias fanerozoicas a leste
(Parnaíba), sul (Xingu e Alto Tapajós), sudoeste (Parecis), 2.2.1 Terrenos
oeste (Solimões), norte (Tacutu) e centro (Amazonas).
A bacia fanerozoica amazônica divide o cráton em dois A porção sudoeste do Cráton Amazônico, especifica-
grandes blocos: o escudo das Guianas, no norte, e o mente no estado de Rondônia, é dividida em três grandes
escudo Brasil Central, ao sul. terrenos: Jamari, Juruena e Alto Guaporé. Esta vasta
A porção sudoeste do Cráton Amazônico, região alvo região inclui o contexto das províncias geocronológicas
desta pesquisa, contém o registro de evolução geotectô- Rondônia-Juruena (1,82-1,54 Ga) ou Rio Negro-Juruena
nica policíclica com embasamento formado no período (1,80-1,55 Ga), formadas em aproximadamente 300
1820 e 950 Ma e resultante de sucessivos episódios de milhões de anos (1810-1510 Ma).
magmatismo, metamorfismo, sedimentação e deformação Os terrenos Jamari e Juruena constituem o Orógeno
(SCANDOLARA, 1999). Três províncias geocronológicas Acrescionário Juruena (SCANDOLARA et al., 2017). O Ter-
(sensu CORDANI et al., 1979; LITHERLAND et al., 1986; reno Jamari é uma importante unidade geotectônica rela-
TEIXEIRA et al., 1989; TASSINARI; MACAMBIRA, 1999) cionada ao evento Rio Negro-Juruena, que iniciou com a
constituem o arcabouço geotectônico do sudoeste do formação de um arco de margem continental ativo, com
Cráton Amazônico (Figura 2.1A): Província Rio Negro- fase acrescionária entre 1770 e 1740 Ma (Complexo Jamari,
Juruena (1800-1550 Ma), Província Rondoniana-San Ignácio metamorfizado em alto grau) e duas bacias orogênicas:
(1450-1250 Ma) e Província Sunsás (1300-1000 Ma). De Formação Mutum-Paraná (~1750 Ma, de baixo grau meta-
conotações mobilistas, o modelo é baseado principalmente mórfico) e o Complexo Quatro Cachoeiras (1720-1670 Ma).
em dados isotópicos Rb-Sr, método com limitações bem A fase colisional é caracterizada pelo metamorfismo de
conhecidas em áreas polideformadas, polimetamorfizadas, alto grau (1680-1650 Ma) e o período pós-colisional (1650-
ou de alto grau metamórfico, onde o sistema pode ser facil- 1520 Ma) é marcado pela geração das suítes plutônicas
mente reaberto. As províncias geocronológicas receberam “tipo-A” Serra da Providência e Rio Crespo. Neste contexto,
conotações tectônicas, segundo modelo dinâmico do tipo o Complexo Jamari é a porção crustal mais antiga dentro
mobile belts (CORDANI; NEVES, 1982; LITHERLAND et al., deste terreno, sendo composto por tonalitos/enderbitos,
| 12 |
| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 2.1 - Províncias geocronológicas e geotectônicas do Cráton Amazonas. Modelos comparativos a partir da evolução dos trabalhos
de Teixeira et al. (1989); Tassinari e Macambira (1999) e Scandolara et al. (1999); e Santos et al. (2000, 2008).
granodiritos, granitos, charnockitos e ortognaisses máficos, mapeamento geológico regional, como os de Lobato
com idades de cristalização U-Pb entre 1770 e 1740 Ma et al. (1966), Souza et al. (1975), Isotta et al. (1978) e
(ISOTTA et al., 1978; SANTOS et al., 2000; PAYOLLA et al., Leal et al. (1978). Posteriormente, os trabalhos de Bahia
2002; SCANDOLARA et al., 2017) (Figura 2.2). (1997), Pedreira (1998), Bahia e Pedreira (1999, 2000)
O Complexo Jamari (arco de Jamari) representa a consolidaram os estudos das bacias sedimentares de
extensão ocidental de rochas metaplutônicas seme- Rondônia, analisando as relações entre caracterís-
lhantes às que ocorrem no arco de Juruena (estado de tica sedimentar e a evolução geotectônica no Cráton
Mato Grosso), ao longo de aproximadamente 500 km Amazônico.
de faixa orogênica paleoproterozoica. Durante o evento A sedimentação proterozoica é registrada pela
Rio Negro-Juruena as rochas foram metamorfizadas Formação Palmeiral, no contexto da bacia Rondônia,
sob condições de fácies anfibolito alto a granulito, destacando-se as serras dos Pacaás Novos, Uopianes
que apenas perturbaram suas características primá- e a região da extinta vila Palmeiral, nas margens do rio
rias. Dados de litogeoquímica mostram que as rochas Madeira, km-159 da BR-364 onde foi definida a uni-
gnáissicas félsicas e intermediárias são metaluminosas dade. O preenchimento desta grande bacia iniciou no
à peraluminosas, indicando que os mesmos foram Proterozoico médio/superior através de uma sequência
formados em um arco magmático tipo Andino imaturo. sedimentar de ambiente continental, composta por
arenitos arcoseanos e conglomerados. Esta sequência
2.2.2 Coberturas Sedimentares sedimentar foi seccionada por falhas normais, com
a formação de grabens, propiciando a ocorrência de
O estudo das bacias sedimentares no estado vulcanismo básico em determinadas porções da bacia
de Rondônia se inicia junto com os trabalhos de (BAHIA; PEDREIRA, 2000).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 2.2 - Mapa simplificado do cráton amazônico SW mostrando os limites aproximados do orógeno acrescionário de Juruena,
seus terrenos e domínios, e orógenos mesoproterozoicos.
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| Projeto NW de Rondônia |
3 UNIDADES ESTRATIGRÁFICAS
Figura 3.1 - Mapa geológico simplificado com a distribuição das unidades litoestratigráficas cartografadas na área de estudo.
A legenda das unidades é apresentada na Figura 3.2.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
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| Projeto NW de Rondônia |
Quadro 3.1 - Resumo das unidades e rochas componentes do No mapa de Amplitude do Sinal Analítico é bem clara a
Complexo Jamari. associação de grandes domínios lineares de alta amplitude
UNIDADES ROCHAS
magnética, na porção centro-norte da área de estudo. A
extensa cobertura dificulta a separação de domínios gama.
Ortognaisses (biotita ortognaisse),
anfibolitos, gnaisses metagranitos,
De forma geral a área de ocorrência das rochas do Com-
Ortoderivadas plexo Jamari apresenta um background magnético mais
migmatitos e rochas metassomáticas
associadas (granulitos metassomáticos) forte e bem marcado pela estruturação NE, ocorrendo
Hornblenda metagranodiorito, granitos magnéticos, gnaisses com magnetitas e rochas
Metabásicas
hornblenda metatonalito, metapiroxenito
máficas. O forte intemperismo desta região é perceptível
Metassedimentares Xistos
pela grande concentração de anomalias no canal do tório.
Metapsamíticas Quartzitos e muscovita quartzitos
A B
C D
Figura 3.3 - Rochas metabásicas do Complexo Jamari. A) Aspecto recorrente dos afloramentos desta unidade. B) Fácies de granulação
média a grossa com grandes cristais de plagioclásio. C) Ripas de plagioclásio na foliação e D) Foliação interna da rocha.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.1 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas máficas do Complexo Jamari.
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.1 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas máficas do Complexo Jamari (continuação).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A
C
Figura 3.4 - Diagramas de classificação de rochas máficas: em (A) diagrama tipo TAS de Irvine e Baragar (1971); (B) ternário AFM de
Irvine e Baragar (1971); (C) diagrama binário com elementos imóveis e a definição das séries magmáticas (BARRET; MACLEAN, 1999) e
(D) diagrama ternário multicatiônico desenvolvido por Jensen (1976) e as amostras do Complexo Jamari.
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| Projeto NW de Rondônia |
exibem enriquecimento em LILE (Rb, Ba e Sr), mode- Apesar da falta de consenso entre os pesquisadores, a
rado enriquecimento em ETR leves e U-Th, marcante litogeoquímica é extensivamente usada para caracterizar
depleção em HFSE (Nb-Ta), porém, menos acentuada ambientes tectônicos e magmatismo máfico. No diagrama
em Zr, Hf e Ti. Em adição, a forte anomalia positiva binário da Figura 3.6A os valores relativamente altos da
de Pb presente nas duas amostras pode ser resultado razão Ba/Nb (LILE vs. HFSE) e La/Nb (identifica anomalia
da extração acentuada deste elemento da cobertura negativa de Eu no diagrama de multielementos) nas rochas
sedimentar do slab durante o processo de desidratação estudadas são característicos de suítes geradas em arcos
que marca a subducção. Os toleítos de alto-Fe e Mg magmáticos. No diagrama da Figura 3.6B, que usa dois
mostram padrões de ETR similares (Figura 3.5C, E), elementos importantes para caracterizar magmatismo em
com normalização ao condrito de Boynton (1984). As zona de subducção (Th e Nb), os altos valores normalizados
curvas representam rochas com muito baixos valores de Th e relativamente baixos de Nb, caracterizam rochas
de fracionamento ETR leves vs. ETR pesados [(La/Yb) máficas associadas ao desenvolvimento de arco continental.
= 1,13 a 2,33] e anomalias positivas de Eu (Eu/Eu* = A razão Ta/Hf é boa indicadora de enriquecimento
1,01 até 1,16), sugerindo, além de fontes rasas, que mantélico enquanto a razão Th/Hf é muito útil para medir a
o mecanismo petrogenético concentrou plagioclásio. contribuição do slab – metassomatismo mantélico (adição
Nos diagramas de multi-elementos (Figura 3.5D, F), de voláteis ou fundidos na cunha mantélica). Da mesma
os LILE têm fracas anomalias positivas e negativas, forma, trend com correlação negativa das razões La/Ba vs.
acentuada anomalias negativas de Nb-Ta, depleção La/Nb (Figura 3.7A) sugere, para as rochas do Complexo
em ETR e Y, e valores de Pb fracamente positivos a Jamari, fonte de manto depletado com magma máfico
fracamente negativos. modificado em zona de subducção, em profundidades
A B
C D
E
F
Figura 3.5 - Padrões de ETR normalizados ao condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto primitivo
(M�DONOUGH; SUN, 1995) das rochas máficas do Complexo Jamari.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
inferiores a 90 km (Figura 3.7B). Valores de ETR e razões magmas manto depletados da cunha mantélica que
de ETR das Figura 3.7C e D, sugerem fontes do tipo espi- foram modificados por metassomatismo relacionado
nélio lherzolito com taxa de fusão mantélica de 10 a 30%. a fluidos em zona de subducção, da mesma forma que
No diagrama da Figura 3.8A, a baixa razão Ta/La e o diagrama da Figura 3.8B, com baixas razões Nb/La e
relativamente alta razão Hf/Sm são características de altas razões Ba/Rb.
A B
Figura 3.6 - Em (A) diagrama petrotectônico de Fan et al. (2004) e as rochas máficas do Complexo Jamari no campo dos arcos
magmáticos; (B) diagrama binário de Saccani (2015) e interpretação tectônica dos tipos de rochas máficas. Back-arc A indica basaltos de
bacias de back-arc (BABB) caracterizados pelo input de componentes crustais ou da subducção (e.g., immature intra-oceanic ou ensialic
backarcs), enquanto Back-arc B indica BABBs sem input de componentes crustais ou da subducção (e.g., mature intra-oceanic back-
arcs). OCTZ: ocean-continent transition zone. Nb e Th são normalizados ao N - (SUN; MCDONOUGH, 1989). Símbolos como na Figura 3.5.
A B
D
A
Figura 3.7 - Em (A) diagrama de razões de elementos incompatíveis e o trend das rochas máficas com química modificadas em zona
de subducção (ZHAO; ASIMOV, 2014); (B) diagrama de Herzberg (1995) e Wang et al. (2004) e as razões Th/Y indicativas de fontes de
profundidade inferior a 90 km; (C) diagrama de Thirlwall et al. (2006) com amostras alinhadas na curva de fusão de fonte mantélica
de composição espinélio lherzolito e as taxas de fusão de Aldanmaz et al. (2000); (D) diagramas de ETR e as curvas de fusão de fontes
mantélicas (ZHOU; WANG, 1988). DM – manto depletado de McKenzie e O’Nions (1991, 1995) e
PM – manto primitivo de Sun e McDonough (1989). Símbolos como na Figura 3-5.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 3.8 - Em (A) diagrama de razões de elementos incompatíveis e os campos indicativos da natureza da moficação de fonte
mantélica em zona de subducção, de Hofmann e Jochum (1996); (B) diagrama binário de Wang et al. (2004) e a indicação de
metassomatismo mantélico por fluidos na cunha mantélica. Símbolos como na Figura 3-5.
A B
C D
Figura 3.9 - Rochas ortoderivadas do Complexo Jamari. A) biotita gnaisse com foliação nordeste marcada. B) Granulação fina com
foliação regional. C e D) Anfibolitos que ocorrem intercalados com os gnaisses na porção norte do complexo.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Os migmatitos afloram na região sul da Folha em minerais máficos na forma de filmes de biotita com
Mutum-Paraná, próximo da região da vila Petrópolis, anfibólio. Hornblenda ocorre em enclaves do paleos-
onde ocorrem em aproximado trend estrutural leste- soma de natureza gnáissica e dobrada com segregação
oeste. São metatexitos estromáticos nos quais se metamórfica com biotita e hornblenda e quartzo-felds-
observa a preservação de dobras com raiz e banda- pática e bordas de material restito irregulares de 1 a 5
mento em alguns sítios. Na porção fundida ocorrem cm (Figura 3.10D). E da mesma forma o melanossoma
rochas isotrópicas com textura nebulítica. São frequen- ocorre rompido e distribuído no leucossoma formando
tes injeções de fundidos de granito leucocrático em textura do tipo schöllen.
veios e bolsões com até 5 m de comprimento, como Associados ao migmatitos ocorrem rochas metasso-
veios pegmatíticos tardios (Figura 3.10A e B). Nos locais máticas de cor cinza, mesocrática. A granulação varia de
de maior fusão ocorrem agregados de magnetita de fina a média com textura granoblástica e pórfiros inequi-
granulação grossa em material granítico. Estruturas granulares. A rocha apresenta bandamento, alternando
de migmatização in situ são atribuídas às feições de bandas com anfibólio e biotita e bandas quartzofeldspá-
migmatitos estromáticos cortados por fundidos graní- ticas. Subordinadamente ocorrem bandas com textura
ticos mais novos (Figura 3.10C). O melanossoma é rico flek similar a metatexitos (Figura 310 E e F).
A B
C D
E F
Figura 3.10 - Rochas migmatíticas ortoderivadas do Complexo Jamari. A) Migmatito metatexito estromático com feições de dobras em
caixa. B) Dobras ptigmáticas são comuns nos afloramentos e revelam a plasticidade do material durante o metamorfismo. C) Zona de
fusão com a concentração de cristais de magnetita associado a leucossoma de composição granítica. D) Filmes de biotita e anfibólio
contidos na foliação do paleossoma. E e F) Granulitos metassomáticos (granulito ácido a granoblastito tonalítico) são rochas que
ocorrem relacionadas aos migmatitos.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.11 - Fotomicrografias de rochas do Complexo Jamari. Gnaisses de composição tonalítica (A e B).
Anfibolitos subordinados com aspecto de textura equigranular com orientação de cristais (C e D).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
Figura 3.12 - Fotomicrografias das rochas metassomáticas associadas ao migmatitos do Complexo Jamari. A e B) Cristais de hornblenda
poiquiloblásticos. C e D) Diopsídio, contendo numerosas inclusões em padrão poiquiloblástico
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.2 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Unidade Ortoderivada - migmatitos e rochas metassomáticas associadas (granulitos
metassomáticos) do Complexo Jamari.
Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo
Unidade
Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari
Leucos- Leucos- Melanos- Melanos- Gnaisse Gnaisse Gnaisse Gnaisse
Gnaisse Gnaisse
Rocha soma soma soma soma grano- grano- quartzo quartzo
tonalítico tonalítico
granítico granítico (Hbl gnaisse) (Bt gnaisse) diorítico diorítico monzonito monzodiorito
Amostra TJ-082A TJ-082B TJ-082D CE-142B CM-047A TJ-082C TJ-114 TJ-077A TJ-077B TJ-077D
SiO2 70,5 70,7 49,2 51 66,8 65,8 69,7 65,6 64,4 58,2
Al2O3 14,6 13,6 16 19,2 15,5 15,3 12,4 15,4 16,7 15,9
Fe2O3 2,36 4,43 11 9,86 4,48 5,91 6,9 6,29 4,83 8,64
MgO 0,43 0,24 5,54 4,03 0,92 1,09 1,49 1,47 1,11 3,5
CaO 0,41 1,09 9,3 11 2,72 2,44 2,31 4,8 2,42 5,53
Na2O 2,53 2,9 2,39 3,33 4,45 4,11 4,11 4,85 4,85 3,65
K 2O 8,45 6,22 4,31 0,24 3,7 3,84 1,23 1,68 3,94 2,29
P2 O 5 0,01 0,04 0,39 0,14 0,1 0,17 0,17 0,23 0,11 0,15
TiO2 0,16 0,25 1,4 0,9 0,37 0,68 0,63 0,7 0,41 0,71
MnO 0,04 0,06 0,27 0,14 0,09 0,1 0,14 0,14 0,1 0,15
LOI 0,28 0,18 0,54 0,38 0,61 0,21 1,01 0,14 0,36 0,45
Sum 99,76 99,71 100,34 100,22 99,74 99,65 100,09 101,3 99,23 99,17
K2O/Na2O 3,34 2,14 1,8 0,07 0,83 0,93 0,3 0,35 0,81 0,63
Cr 2 5 45 29 4 10 2 33 10 20
Ni 7,3 14,1 70,6 10 14,3 19,3 19,9 12,1 14,6 33,5
Co 1,6 4,8 58,4 31,5 8,2 13 5 10,8 <0.1 40,5
Sc 5,6 5,3 58,5 27,6 7,6 16 17,5 11,3 <0.5 46,4
V <5 12 215 299 220 45 5 78 23 131
Cu 12,2 6,6 4,9 17,3 <0.5 <0.5 5 <0.5 1,6 7,4
Pb 31,8 30,8 54,3 1,8 7,6 16,5 5,1 11,2 0,45 11,3
Zn 44 75 295 67 72 107 142 101 86 99
Rb 224,4 174,1 147,7 5,2 89 144,2 31,6 45 124,2 69,7
Ba 1139 890 419 74 1007 465 210 424 742 674
Sr 129 147 504 324 302 145 181 476 343 378
Cs 3,49 6,85 5,2 0,15 1,16 4,88 1,12 0,4 2,09 1,83
Ga 19,6 18,2 18,2 19,7 18,7 18,7 18,4 23,6 20,3 18,2
Y 15,23 13,93 20,44 17,75 25,18 30,5 56,63 50,32 22,11 26,58
Nb 10,82 2,67 4,88 2,12 7,84 9,05 8,62 10,18 4,45 4,41
Ta 0,56 0,11 0,18 <0.05 0,61 0,38 1,02 0,04 0,15 0,31
Zr 404 669 109 20 232 301 227 251 107 163
Hf 10,33 15,46 2,38 0,72 5,96 7,71 6,15 6,65 2,91 4,12
U 3,67 6,06 1,14 0,67 1,58 3,3 1,74 3,76 0,88 0,75
Th 12,5 14,1 2,3 1,1 5,5 8,5 4,1 7,7 3 3,3
Sn 2,4 3,1 0,8 0,9 1,8 6 2,3 3,4 1,3 1,7
La 10 54,5 16,3 7,1 25 51,8 19,8 53 30,3 19,3
Ce 98,6 104,3 35,5 11,9 48,5 85,9 44,7 78,4 42,9 42,3
Pr 2,74 12,9 4,88 1,63 6,11 12,58 6,56 11,88 6,51 5,49
Nd 9,9 43,7 21 7,6 22,3 47,6 28,2 45,7 25,1 23
Sm 2,1 7,4 4,3 2 4,5 9,2 7,4 9,4 4,7 4,9
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.2 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Unidade Ortoderivada - migmatitos e rochas metassomáticas associadas (granulitos
metassomáticos) do Complexo Jamari (continuação).
Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo
Unidade
Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari Jamari
Leucos- Leucos- Melanos- Melanos- Gnaisse Gnaisse Gnaisse Gnaisse
Gnaisse Gnaisse
Rocha soma soma soma soma grano- grano- quartzo quartzo
tonalítico tonalítico
granítico granítico (Hbl gnaisse) (Bt gnaisse) diorítico diorítico monzonito monzodiorito
Amostra TJ-082A TJ-082B TJ-082D CE-142B CM-047A TJ-082C TJ-114 TJ-077A TJ-077B TJ-077D
Eu 0,58 0,84 1,55 1,01 0,94 1,07 1,94 1,74 1,29 1,23
Gd 1,9 5,04 4,08 2,64 4,16 7,79 8,89 8,91 4,17 4,86
Dy 2,58 2,98 3,56 3,04 3,89 5,6 9,65 7,52 3,6 4,64
Er 1,94 1,44 1,89 1,96 2,46 2,8 6,43 4,65 2,22 2,88
Ho 0,57 0,5 0,71 0,64 0,8 0,96 2,01 1,56 0,71 0,93
Tb 0,38 0,6 0,6 0,48 0,61 1,01 1,5 1,31 0,6 0,73
Tm 0,3 0,22 0,26 0,28 0,38 0,36 0,93 0,64 0,31 0,42
Yb 2,2 1,5 1,7 1,8 2,5 2,2 5,9 4,3 2 2,9
Lu 0,27 0,2 0,17 0,13 0,3 0,24 0,88 0,51 0,2 0,34
ETRt 134,06 236,12 96,5 42,21 122,45 229,11 144,79 229,52 124,61 113,92
Eu/Eu* 0,89 0,42 1,13 1,34 0,66 0,39 0,73 0,58 0,89 0,77
(La/Yb)n 3,26 26,06 6,88 2,83 7,17 16,89 2,41 8,84 10,87 4,77
A B
D
C
Figura 3.13 - Em (A) diagrama de classificação química Q-P (DEBON; LEFORT, 1988) e os granitoides do Complexo Jamari;
diagrama classificatório Q-P; (B) diagrama binário K2O vs. SiO2 de Peccerillo e Taylor (1976); (C) diagrama AFM de Irvine e Baragar (1971)
e (D) diagrama ASI vs. SiO2 com o teor de saturação e alumina, adaptado por Frost et al. (2001).
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| Projeto NW de Rondônia |
de coloração cinza escura, granulação fina a média, observar sulfetos e cristais de magnetita alinhados na
com forte foliação (Figura 3.16), constituídos por pla- foliação. Também é possível observar tensores indicati-
gioclásio, quartzo e hornblenda e predominância de vos de zonas de cisalhamento dextral. Os resultados de
minerais máficos como clinopiroxênio. geocronologia indicaram que esse conjunto de rochas
A foliação é marcada por cristais de biotita e pelo tem uma idade paleoproterozoica que ainda não fora
alinhamento preferencial dos cristais de feldspatos e registrado nos terrenos metamórficos de Rondônia,
quartzo. Em algumas porções do afloramento é possível constituindo o núcleo mais antigo registrado no estado.
A B
Figura 3.14 - Diagramas petrotectônicos. Em (A) binário de Pearce (2008); Condie e Kröner (2013) em (B) e diagrama Brown, Thorpe e
Webb (1984) com sugestão de grau de maturidade do arco Jamari. Símbolos como na Figura 3 13.
A B
Figura 3.15 - Diagramas petrotectônicos com a indicação das fases de evolução do orógeno. Em (A) diagrama binário de Thièblemont e
Tègyey (1994); (B) diagrama multicatiônico R1-R2 adaptado por Batchelor e Bowden (1985).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
Figura 3.16 - A, B) Gnaisses migmatíticos bandados exibindo a foliação no trend regional NE; é possível observar cristais de magnetita
alinhados na foliação. C) Cristais de sulfeto disseminados na porção quartzosa. D) Porção com foliação e indicadores
cinemáticos de deformação.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.17 - A e B) Fotomicrografias de rochas exibindo o padrão da foliação em lâmina. C e D) Substituição do clinopiroxênio
(diopsídio-hedenbergita) por anfibólio (hornblenda) resultado do metamorfismo retrógado
Tabela 3.3 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso),
traços (ppm) e Terras Raras (ppm) das rochas calcissilicáticas do Complexo Jamari.
| 31 |
| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.3 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso),
traços (ppm) e Terras Raras (ppm) das rochas calcissilicáticas do Complexo Jamari.
A B
Figura 3.18 - Diagramas de Elementos Terras Raras para a Unidade Gnaisses Calcissilicáticos do Complexo Jamari.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.19 - Rochas metassedimentares. A) Afloramento em corte de estrada com veios de quartzo intrafoliais cortando rochas
metapelíticas. B) Amostra de mão de metapelitos (xistos) do Complexo Jamari. C) Afloramento de Mica branca quartzito
cortado por veios de quartzo. D) Quartzitos fraturados.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A Formação Mutum-Paraná é constituída por duas com direções NW e EW e mergulhos subverticais, que
unidades sendo a inferior formada por filitos, ardósias, afetam as rochas da Formação Mutum-Paraná. As estru-
metargilitos, metacherts, brechas vulcânicas, vulcanoclás- turas sedimentares incluem estratificação cruzada de
ticas félsicas a intermediárias, riolitos, riodacitos, dacitos, baixo a médio ângulo, ondulações cavalgantes, marcas
metatufos a cinza. A unidade superior é composta de de ondas simétricas, bidirecionalidade de estratos em
quartzo-metarenitos, quartzitos e metasiltitos subordi- planos distintos e laminação truncada por ondas (QUA-
nados, apresentando, de modo geral, baixo ângulo de DROS; RIZZOTTO, 2007).
mergulho das camadas (Figura 3.20). Nas cartas geológi- As rochas sedimentares desta bacia são intrudidas
cas, é possível a individualização desta unidade superior por granitos e riolitos da Suíte São Lourenço-Caripunas.
(PP4mpqma), enquanto que as demais litologias ficam Este processo tem como resultado o desenvolvimento
indivisas como Formação Mutum-Paraná (PP4mp). de feições de metamorfismo de contato como: auréolas
Em trabalhos pioneiros foi registrada a ocorrência de de contato, mineralizações de ametista e formação de
diques máficos, zonas de falhas e cisalhamentos dúcteis cristais de quartzo.
A B
C D
E F
Figura 3.20 - Afloramentos da Formação Mutum-Paraná. A) Afloramento de quartzitos cortados por veios de quartzo. B) Metarenito
cisalhado e cortado por veios de quartzo com ferro. C) Metasiltito/Metaritimito de cor vermelha associado com a porção basal de
quartzitos. D) Ardósias de cor cinza da porção superior. E) Ametista produto do metamorfismo de contato de granitos São Lourenço-
Caripunas em metassedimentos da Formação Mutum Paraná F) Filitos associados à fácies vulcanoclástica com manganês dendrítico.
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| Projeto NW de Rondônia |
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Estas rochas contém um alto teor de sílica (67,9- Tabela 3 4 - Resultado das análises litogeoquímicas de
69% SiO2) e alumínio (17,4-17,6% Al2O3), valores concentrações de elementos maiores (% em peso), traços
intermediários de ferro (3-4,16% Fe2O3) e potássio (ppm) e Terras Raras (ppm) das rochas da Formação
(4,43-5,36% K2O). Os elementos magnésio, cálcio, sódio Mutum-Paraná (continuação).
e fosforo apresentam valores muito baixos (Tabela
Unidade Fm Mutum Paraná Fm Mutum Paraná
3.4). No Diagrama TAS, álcalis totais por sílica (MIDD-
LEMOST, 1994), as amostras estão concentradas no Rocha Rocha vulcânica Rocha vulcânica
campo do dacito. No diagrama de Muller, Rock e Gro- Amostra TJ-125A TJ-125B
ves (1992), as amostras estão posicionadas nos campos Ga 21,3 20,6
de Arcos Continentais Pós-Colisionais (Figura 3.21). O Y 23,28 72,4
diagrama spider plot, normalizado ao condrito, indica Nb 14,47 15,71
um padrão de enriquecimento para ETR leves até cem Ta 1,33 1,23
vezes e com leve depleção no európio. Os ETR pesados Zr 249 242
apresentam padrão plano. Para análise dos elementos Hf 6,71 6,18
traços foi considerado a normalização em relação a
U 3,41 3,66
crosta continental superior, exibindo concentrações
Th 13,1 12
compatíveis com os valores de referência da crosta
Sn 4,9 5,3
continental. Apenas os elementos estrôncio e fósforo
exibem forte depleção. La 21,6 66,8
Ce 43,1 83
Tabela 3.4 - Resultado das análises litogeoquímicas de Pr 5,08 14,68
concentrações de elementos maiores (% em peso), traços Nd 19,1 52,8
(ppm) e Terras Raras (ppm) das rochas da Formação Sm 3,8 10,4
Mutum-Paraná.
Eu 0,77 2,1
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| Projeto NW de Rondônia |
A
B
C D
Neste trabalho foram identificadas seis grandes gru- dominantemente deformados com estrutura protomi-
pos de granitos relacionados a este plutonismo calimiano lonítica, milonítica, gnáissica e augen. Em zonas com
Tipo-A: metagranitos do Domínio Jamari, metagranitos do altas taxas de deformação, ocorrem gnaisses quartzo-
Domínio Nova Mamoré, Granito Serra da Muralha, Grani- feldspáticos e ortognaisse granítico com bandamento
tos da Pedreira Fortaleza, Granito Rio Taquara e Suíte Rio tectônico e segregação metamórfica.
Crespo (Quadro 3.2). Adicionalmente, na porção central Uma importante feição para destaque é a deformação
da Folha Mutum-Paraná foram mapeadas rochas máficas superimposta em corpos monzograníticos, possivelmente
com idades correspondentes às rochas desta suíte. intrudidos em condições anorogênicas. Esses monzogra-
nitos são leucocráticos, inequigranulares e porfiríticos,
3.4.2 Metagranitos - Domínio Jamari de granulação grossa, com deformação em estágio cata-
clástico. Uma fácies secundária de mesma característica
Os metagranitos da Suíte Serra da Providência possui textura fina a média, porém, há palhetas de biotita
mapeados no Domínio Jamari ocorrem nas folhas Abunã com forte orientação, sugerindo foliação metamórfica
e Mutum-Paraná, de forma restrita entre extensas secundária (Figura 3.22A e B). Os sienogranitos protomilo-
áreas cobertas por sedimentos cenozoicos e mate- níticos à miloníticos, são leucocráticos e inequigranulares,
rial laterítico. Esses granitos deformados apresentam de textura fina a média, com biotita e hornblenda, além
grande variação litológica, como: (1) monzogranito de epidoto e titanita (Figura 3.22C).
porfirítico cataclástico; (2) monzogranito milonítico; (3) Epidoto metagranitos têm cor cinza clara, granula-
micromonzogranito epidotífero e epidoto-biotita meta- ção fina e forte foliação, constituída por plagioclásio,
granito; (4) sienogranito milonítico e protomilonítico; quartzo, biotita e K-fedspato. A foliação é marcada pelo
(5) tonalito protomilonítico e (6) magnetita biotita gra- alinhamento dos cristais de biotita e faixas de epidoto
nito. Não foram individualizados nas cartas geológicas, (Figura 3.22D). São observadas feições de contato intru-
estando representados como Suíte Serra da Providência sivo (Figura 3.23E). Magnetita granitos ocorrem com
(MP1γp). Estes stocks são orientados conforme a direção granulação média e cristais inequigranulares. A magnetita
WNW-ESSE, com inflexão para ENE-WSW e mergu- ocorre dispersa na rocha com cristais de até 1 cm de
lhos de 75° para NE e SE, respectivamente. Ocorrem diâmetro (Figura 3.22F).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
UNIDADES LITOTIPOS
Esta subunidade está assinalada no mapa do Sinal como consequência da superimposição de uma deforma-
Analítico como grandes faixas lineares de alta ampli- ção dúctil cisalhante em estágio milonítico, sob condições
tude, variando acima de 0,459 nT até as maiores faixas de fácies anfibolito médio.
(16,84 nT). De forma geral, as porções superiores das Os sienogranitos são compostos por quartzo, micro-
folhas Mutum-Paraná e Abunã possuem essa assinatura clina e plagioclásio, além de cristais prismáticos de hor-
magnética, neste caso, coberta por sedimentos da For- nblenda verde e biotita marrom amarelada.
mação Rio Madeira. O mapa gamaespectrométrico RGB O epidoto-biotita metagranito, em lâmina, possui
evidencia este contraste dos sedimentos em relação ao textura lepidogranoblástica, protomilonítica, granulação
mapa magnético. variando de fina a média, com predomínio da média, é
inequigranular, foliado, deformado e alterado. A folia-
Petrografia ção é marcada pelo alinhamento dos cristais de biotita
e pela orientação preferencial de forma dos cristais
Os monzogranitos porfiríticos, possuem composição de feldspatos e quartzo. É constituída essencialmente
ácida, são leucocráticos, inequigranulares, com larga por porfiroclastos de plagioclásio, quartzo e microclina
variação na granulação. Quartzo, microclina e plagio- imersos em uma matriz quartzo-feldspática. A biotita
clásio dominam a paragênese e o padrão textural ori- ocorre como agregados de palhetas com pleocroísmo
ginal hipidiomórfico-granular foi submetido a intensos variando de castanho claro a castanho escuro associada
processos metamórficos deformacionais. As palhetas com epidoto e allanita com a presença de mirmequita
prismáticas de biotita marrom amarelada, geralmente e quartzo em ribbon.
contendo inclusões de allanita e opacos, apresentam
padrão de ocorrência caótico. 3.4.3 Metagranitos - Domínio Nova Mamoré
Os monzogranitos miloníticos são rochas ácidas, com-
postas por quartzo, microclina e plagioclásio como fases Estes metagranitos apresentam indicativos de meta-
minerais majoritários, às quais se associam diminutas morfismo de alto grau (anfibolito médio à alto) em rochas
palhetas de biotita com forte orientação preferencial, graníticas. Aparentemente essas rochas são os termos
realçando a foliação metamórfica secundária (Figura crustais nos quais foi desenvolvida a deformação da
3.23). O arranjo mútuo entre os grãos minerais, segue orogênese que formou as rochas do Complexo Nova
o padrão textural granolepidoblástico, em que os grãos Mamoré. São afloramentos esparsos e intrudidos por
feldspáticos ocelares mostram junto com os grânulos granitos anatéticos e granitos do tipo “S” da Suíte Laje.
quartzosos evidências rotacionais e de achatamento De forma geral, os granitos são leucocráticos, de cor
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
E F
Figura 3.22 - Granitos da Suíte Serra da Providência - Domínio Jamari. A) Monzogranito pórfiro cataclástico. B) Monzogranito milonítico.
C) Sienogranito milonítico. D) Monzogranito epidotífero. E) Tonalito protomilonítico e F) Granito com magnetita.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
segundo a Lei da Albita e Albita-Carlsbad, exibindo (riebeckita-tremolita) são prismáticos e fibrosos, exi-
leves alterações para argilominerais e intercresci- bindo geralmente pleocroísmo em tons verde-escuro
mento com quartzo nas bordas de alguns dos cristais a verde-amarelo, alteração para biotita e carbonato,
de K-fedspato, formando fina franjas de mirmequitas. restos de aegirina-augita e inclusões diminutas de
Os cristais de quartzo são anédricos, intersticiais aos zircão metamicticos, formando halos pleocroicos. A
feldspatos, exibindo leve extinção ondulante. Alguns biotita ocorre em cristais tabulares, inter crescidos
dos cristais de quartzo contêm inclusões globulares simplecticamente com quartzo e formados ao longo
de microclínio, indicando crescimento ou cristaliza- dos cristais de aegirina-augita e dos anfibólios. Os
ção tardia. O clinopiroxênio (aegirina-augita) é pris- opacos são subédricos e anédricos, associados e inclu-
mático, exibindo cor verde-amarelo à luz natural, sos em anfibólio e biotita. Têm-se traços de fluorita
quase sempre alterado para anfibólio verde-escuro e diminutos cristais subédricos de allanita oxidada
(riebeckita) e para carbonato e biotita. Os anfibólios e de titanita.
A B
Figura 3.23 - Fotomicrografias dos granitos Serra da Providência do domínio Jamari. A) Feição textural milonítica em monzogranitos.
B) Rocha de composição ácida, granítica marcada por uma intensa epidotização.
A B
C D
Figura 3.24 - Granitos Serra da Providência do Domínio Nova Mamoré – Metassienogranito na região de Nova Mamoré.
Aspectos das rochas da Suíte Serra da Providência, exibindo a foliação regional.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.25 - Fotomicrografia dos granitos da Suíte Serra da Providência no Domínio Nova Mamoré. A) Textura ígnea ainda preservada.
B) Cristais de clinopiroxênio alterados C) Cristais de hornblenda. D) Cristais de magnetita subédricos com biotita.
Geocronologia
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Esta unidade é formada por stocks localizados no Rocha de textura granoblástica, protomilonítica,
extremo noroeste da Folha Abunã que se destacam no porfiroclástica, inequigranular, de granulação variando
relevo regional, formando serras do tipo inselbergs em de fina a grossa, com predomínio da grossa, deformada,
meio a um terreno pediplanizado (Figura 3.27A). Adamy microfraturada, foliada e alterada. A rocha é consti-
e Romanini (1990) foram os primeiros a cartografar estes tuída essencialmente por um mosaico recristalizado,
corpos intrusivos no Complexo Jamari, embora durante com a formação de pontos tríplices, de K-fedspatos,
o mapeamento não tenha sido identificada esta relação plagioclásio e quartzo, com quantidades subordinadas
em campo. Estes autores utilizaram principalmente o de biotita, na qual estão imersos porfiroclastos de pla-
critério estrutural para determinar a sua posição no empi- gioclásio, mesopertita, microclina pertítica, ortoclásio e
lhamento litoestratigráfico, correlacionada à Suíte Serra quartzo. Minerais opacos são acessórios. Mica branca/
da Providência. O Granito Serra da Muralha é formado sericita e epidoto são minerais de alteração. O quartzo
principalmente por hornblenda-biotita monzogranitos ocorre predominantemente na forma de agregados de
de cor cinza a rosa de granulação média a grossa (Figura porfiroclastos fortemente deformados, de granulação
3.27B). Apresentam uma foliação protomilonítica a milo- média a grossa, com forte extinção ondulante, contatos
nítica, zonas com textura tipo augen gnaisse, sombra de suturados, com grãos cominuídos e recristalizados ao seu
pressão e foliação “SC” indicando cinemática sinistral. redor. De forma subordinada, ele ocorre como cristais
Estes granitos são constituídos essencialmente por bio- de granulação fina a média, associados aos feldspatos
tita, hornblenda, K-fedspato, oligoclásio e quartzo, tendo formando um mosaico recristalizado permeando os
como acessórios allanita, zircão e apatita. porfiroclastos. Todos os feldspatos apresentam aspecto
A unidade está relacionada a baixa amplitude de turvo em luz plana devido à alteração parcial para sericita
background magnético, variação de 0,009 a 0,060 nT, em e mica branca. Os cristais de plagioclásio se apresentam,
formato semicircular na direção leste-oeste, na porção predominantemente, como porfiroclastos de granulação
noroeste da área de pesquisa. Nos mapas gamaespectro- grossa geminados segundo as Leis de Albita e Albita-
métricos os litotipos desta unidade possuem alta concen- Carlsbad. De forma subordinada, se apresentam como
tração nos canais de potássio, tório e uranio, que no mapa cristais de granulação fina a média e formam, junto com
RGB apresentam cores variando em tons esbranquiçados. os K-fedspatos e o quartzo, um mosaico recristalizado
A B
C D
Figura 3.27 - Serra da Muralha. A) Vista geral de stocks em meio a vegetação. B) Aspecto geral do granito Serra da Muralha.
C) Veios de quartzo em sigmoides de foliação S/C sinistral. D) Fácies secundária de granito anisotrópico.
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| Projeto NW de Rondônia |
entre os porfiroclastos. Os K-fedspatos são mesopertita característica desta unidade é o caráter isotrópico em
e microclina. Ocasionalmente observa-se a presença rochas de idade Serra da Providência. Esta unidade inclui
de mirmequita no contato entre os K-fedspatos e o pla- granitos e anfibolito. O anfibolito apresenta granulação fina
gioclásio. A biotita ocorre como agregados de palhetas e foliação, sendo constituído por anfibólio e plagioclásio
com pleocroísmo variando de castanho claro a castanho (Figura 3.28C). Os granitos possuem composição quartzo
escuro, parcialmente alterada para mica branca. feldspática e biotita e anfibólio como minerais máficos. De
forma geral, são rochas isotrópicas sem deformação pro-
3.4.5 Granito Fortaleza do Abunã nunciada, com três fácies distintas que variam de acordo
com a granulação, fina a grossa, e pela quantidade de
Os corpos graníticos desta unidade afloram na região minerais máficos. A fácies fina, de cor vermelho claro,
de Fortaleza do Abunã, e os melhores afloramentos possui poucos minerais máficos e maior quantidade de
são observados na região da Pedreira Fortaleza (Figura feldspato potássico (Figura 3.28D). A fácies de granulação
3.28A), a oeste do limite da Folha Abunã. Também são intermediária possui cerca de 3-5% de minerais máficos e
observados outros afloramentos na mesma região, na aumento na quantidade de plagioclásio (Figura 3.28E). A
forma de pequenas lajes às margens da BR-364, próximo fácies grossa possui cerca de 20-25% de minerais máficos
à pedreira e no distrito de Fortaleza do Abunã. A principal e a maior quantidade de plagioclásio (Figura 3.28F).
A B
C D
E F
Figura 3.28 - Granitos Pedreira Fortaleza. A) Vista parcial da frente de lavra da pedreira Fortaleza. B) Granito intrudido no anfibolito, em
algumas porções mostrando a mistura de magma. C) Biotita-epidoto anfibolito com idade Serra da Providência.
D) Granito de fácies fina. E) Granito de fácies intermediaria. F) Granito de fácies grossa.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Os corpos graníticos estão relacionados ao back- minerais opacos (<1%) e titanita (<1%). As vênulas são
ground magnético de baixa amplitude, com assinaturas constituídas por quartzo (2%), feldspatos (1%), epidoto
de alta magnetização em formato de estruturas de trend (<1%). Interpreta-se que um diabásio tenha sido o pro-
NE, na porção noroeste da área de pesquisa. Nos mapas vável protólito destes anfibolitos.
gamaespectrométricos os litotipos desta unidade pos-
suem alta concentração nos canais de potássio, tório e Geocronologia
uranio, que no mapa RGB apresentam cores variando
de tons brancos e verdes. Foram realizadas análises em duas amostras da
pedreira Fortaleza, em uma fácies do granito e outra
Petrografia análise em uma amostra do anfibolito.
A amostra CE-121A é referente à fácies fina do gra-
Os biotita-epidoto anfibolitos apresentam textura nito, e teve dois tipos de zircão extraídos, o primeiro com
granonematoblástica, granulação fina a média, com fragmentos e cristais prismáticos grandes, de cor marrom,
predomínio da fina, são equigranulares, foliados e opacos e textura da superfície sacaroide. Os cristais
alterados. São constituídos essencialmente por pór- menores também são prismáticos, ricos em inclusões,
firos alterados de clinopiroxênio e por aglomerados porém de cor branca. Revelada em imagem de catodo-
contínuos de cristais prismáticos de anfibólio, clinopi- luminescência, a estrutura interna dos cristais é caótica
roxênio e biotita fortemente orientados, definindo a com diversas inclusões e manchas de pequenas dimen-
foliação da rocha, com interstícios preenchidos por um sões. Os cristais grandes possuem baixa luminosidade e
mosaico de cristais de plagioclásio e quartzo. Minerais em poucos é possível observar relictos de zoneamento
opacos ocorrem como acessórios, epidoto e titanita oscilatório. Os cristais menores são mais luminescentes,
são minerais de alteração. Ocorrem vênulas milimétri- mas também são muito ricos em inclusões (MESQUITA;
cas cortando toda a rocha, constituída por feldspatos, RODRIGUES, 2019a).
quartzo e epidoto. A hornblenda, com pleocroísmo Apenas doze pontos em onze cristais desta amostra
variando de castanho a castanho esverdeado, ocorre tiveram suas análises concluídas, outros tiveram que
como aglomerados contínuos de cristais prismáticos ser abortados devido ao elevado conteúdo de chumbo
fortemente orientados, e estão alteradas para biotita comum. O zircão possui conteúdo de urânio muito ele-
e epidoto. Ela ocorre como alteração dos pórfiros de vado, chegando a valores na ordem de 9000 ppm. A
clinopiroxênio, provavelmente augita, e também dos radiação causou danos à estrutura cristalina do mineral
cristais de piroxênio da matriz. A biotita ocorre como e não foi possível estabelescer qualquer relação entre
palhetas com pleocroísmo variando de castanho claro a morfologia e textura interna dos cristais. Dois dados
a castanho escuro e, juntamente com a hornblenda e apresentaram elevado conteúdo de chumbo comum e
o piroxênio definem a foliação da rocha. O clinopiroxê- forte discordância reversa, assim foram descartados dos
nio ocorre como pórfiros alterados para hornblenda, cálculos. Três pontos apresentaram discordância reversa
biotita e epidoto e também como cristais alterados na (em menor intensidade), mas estão bem alinhados e sua
matriz. O plagioclásio ocorre como cristais hipidiomór- regressão indicou o intercepto de 1194 ±44 Ma com
ficos, geminados segundo a Lei Albita, parcialmente perda de chumbo para o presente. Os demais dados
alterados para epidoto e formam um mosaico junto estão grosseiramente alinhados e indicam o intercepto
com o quartzo nos interstícios dos minerais máficos. superior de 1494 ±49 Ma (Figura 3.29).
O epidoto se apresenta como alteração dos minerais A amostra CE-121D representa o anfibolito, com
máficos e do plagioclásio e esta alteração é pervasiva. cristais de zircão anédricos a euédricos, cristalizados
Observa-se duas gerações de minerais opacos. Os que em prisma alongado, de tamanho variando de 65 a
são oriundos da própria rocha e se apresentam como 223 μm e cor escura. (MESQUITA; RODRIGUES, 2019b).
cristais hipidiomórficos parcialmente a totalmente alte- Foram feitos nove pontos em nove cristais de zircão.
rados para titanita. A outra geração é formada por As análises de vários outros pontos foram iniciadas,
blastese e os cristais são idioblásticos, possuem formas mas foram abortadas devido ao alto teor de chumbo
retangulares e triangulares e não estão alterados. A comum. Para o cálculo da idade foram descartados
titanita ocorre como alteração dos minerais opacos. dois pontos devido ao alto erro analítico (spots 2.1 e
Retrometamorfismo e/ou hidrotermalismo resultou na 9.1) e um pelo alto teor de Pb comum (spot 7.1) (MES-
substituição do piroxênio por anfibólio, biotita e epidoto QUITA; RODRIGUES, 2019b). A regressão dos outros
e na alteração do plagioclásio para epidoto. Os mine- seis pontos forneceu um intercepto superior de 1532
rais observados no anfibolito ocorrem nas seguintes ±20 Ma, associado ao MSWD de 0,21 (Figura 3.30),
proporções: hornblenda (30%), biotita (25%), epidoto interpretado como a melhor estimativa da idade de
(25%), plagioclásio (7%), quartzo (7%), piroxênio (3%), cristalização da rocha.
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| Projeto NW de Rondônia |
Petrografia
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
Figura 3.31 - Sienogranito Rio Taquara. A) Afloramentos na região do igarapé Taquara. B) Amostra de mão
apresenta foliação incipiente. C e D) Trama do granito demonstra porções com a foliação incipiente em
menor e/ou maior estagio de deformação.
A B
C D
Figura 3.32 - Fotomicrografias do sienogranito Rio Taquara. A) Textura do tipo tartan em microclina.
B) Pertita são comuns nos granitos desta unidade. C e D) Cristais de biotita
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.33 - Anfibolito intrudido por material félsico formando brecha magmática.
Geocronologia
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.5 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de anfibolitos da Suíte Serra da Providência.
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.5 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de anfibolitos da Suíte Serra da Providência (continuação).
As composições normativas CIPW sugerem caráter [(La/Yb)n = 0,36-1,60), com baixo fracionamento ETR
normativo de quartzo, diopsídio e ortopiroxênio para os leves [(La/Sm)n = 0,56-1,61], igualmente baixa razão
toleítos e quartzo, biotita diopsídio e ortopiroxênio para [(Gd/Yb)n = 0,63-0,83) e significativas anomalias nega-
a rocha cálcio-alcalina. Assim, as amostras analisadas tivas de Eu (Eu/Eu* de 0,25 e 0,64), traduzindo que a
exibem um espectro de composição saturada em sílica. separação do plagioclásio no mecanismo de cristalização
As rochas máficas estudadas agrupam-se no campo dos fracionada foi significativa. O monzodiorito (diagrama
gabros, gabro diorítico/diorito e monzogabro no diagrama da Figura 3.36A) mostra curva representativa de rocha
de álcalis-total (Na2O+K2O) vs. SiO2 (TAS) (MIDDLEMOST, com enriquecimento em ETR total, fracionamento ETR
1994) (Figura 3.35A). No diagrama ternário (K2O+Na2O) - leves x pesados mais elevado que nos gabros dioríticos
FeOt - MgO para rochas máficas (AFM) de Irvine e Baragar e diorito, razões (La/Yb)n = 7,61s, (La/Sm)n = 2,82 e (Gd/
(1971), as rochas se distribuem preferencialmente no Yb) = 1,88 e fraca anomalia negativa de Eu (Eu/Eu* = 0,78.
campo toleítico com duas rochas fracamente cálcio- Os padrões de elementos incompatíveis no diagrama
alcalinas (GN-117B e TJ-77C) (Figura 3.35B) e na Figura de multi-elementos da Figura 3.36D mostram gabros
3.35C o diagrama ternário de Cabanis e Lecolle (1989) dioríticos e diorito com depleção de LILEs (Rb, Ba e Sr),
mostra as rochas distribuídas no campo dos toleítos de forte enriquecimento em Pb, fraca anomalia negativa
arco a N-MORB. de Nb-Ta, depleção em Zr (exceção de uma amostra),
No diagrama de padrões de ETR, com normalização P e Ti, com leve enriquecimento em Pb; o monzogabro
ao condrito de Boynton (1984), as curvas dos gabros se caracteriza por enriquecimento em Rb, Ba, Th e Sr,
dioríticos e diorito refletem baixos valores de ETR leves fraca depleção em Nb-Ta, forte enriquecimento em Pb,
(10 a 20 vezes o condrito), fraco enriquecimento dos e fraco enriquecimento em Zr com fracas anomalias
ETR leves em relação aos ETR pesados, com baixa razão negativas de P e Ti.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A
B
Figura 3.35 - (A) Diagrama de classificação química de Middlemost (1994); (B) diagrama AFM de Irvine e Baragar (1971);
(C) diagrama ternário de Cabanis e Lecolle (1989) e as rochas máficas no campo dos toleítos/N-MORB.
A B
C
D
Figura 3.36 - Padrões de ETR normalizados segundo o condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto
primitivo de McDonough e Sun (1995) das rochas máficas da Suíte Serra da Providência.
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| Projeto NW de Rondônia |
O magma máfico que deu origem aos gabros diorí- 90 km (Figura 3.37B). O diagrama de razões de elementos
ticos e diorito de alto-Mg de química toleítica e monzo- traços incompatíveis e de baixíssima mobilidade da Figura
diorito intermediário a cálcio-alcalino, rochas geradas 3.37C (V/Ti vs. Ti/Zr) sugere fontes relacionadas a fontes
por mecanismo de diferenciação magmática, foi produto de arco magmático com taxa de fusão entre 10 e 15%,
de fusão das fontes litosféricas depletadas com pequena enquanto a Figura 3.37D sugere produtos com expressivo
mistura de fonte astenosférica (Figura 3.37A) de com- fracionamento de clinopiroxênio e magnetita, e taxa de
posição espinélio lherzolito e profundidade inferior a fusão da fonte mantélica inferior a 15%.
A B
C
D
Figura 3.37 - Em (A) diagrama de razões de elementos incompatíveis e o trend das rochas máficas com química modificadas em zona
de subducção (ZHAO; ASIMOV, 2014); (B) diagrama de Herzberg (1995) e Wang et al. (2004) e as razões Th/Y indicativas de fontes de
profundidade inferior a 90 km; (C) Diagrama de razões de elementos incompatíveis de Woodhead, Eggins e Gamble (1993); (D) diagrama
Cr vs. Y e a indicação das principais fases fracionadas (FLOYD et al., 1991). DM – Manto depletado de McKenzie e O’Nions (1991, 1995)
e PM – manto primitivo de Sun e McDonough (1989). Símbolos como na Figura 3.36.
| 51 |
| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.6 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de granitos da Suíte Serra da Providência – Dominio Jamari.
Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt sieno Bt sieno Bt sieno
Rocha
granito granito granito granito granito granito granito granito
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.6 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de granitos da Suíte Serra da Providência – Dominio Jamari (continuação).
Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt-Hbl monzo Bt sieno Bt sieno Bt sieno
Rocha
granito granito granito granito granito granito granito granito
Tabela 3.7 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de granitos da Suíte Serra da Providência – Dominio Nova Mamoré.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.7 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de granitos da Suíte Serra da Providência – Dominio Nova Mamoré (continução).
| 54 |
| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.8 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm) e
Terras Raras (ppm) de granitos da Suíte Serra da Providência – Dominios Rio Taquara e Serra da Muralha.
Rocha Bt sienogranito Bt sienogranito Bt sienogranito Hbl sienogranito Hbl sienogranito Hbl sienogranito Hbl sienogranito
Amostra CM-048 TJ-102 TJ-103 CE-003A CE-003B CE-003C CE-004
SiO2 73,6 77 77,1 76,9 75,7 77,1 76,3
Al2O3 13,9 12,8 12,5 11,8 12,7 12,5 12,2
Fe2O3 2,5 1,07 1,5 2,11 2,07 2,12 1,81
MgO 0,36 0,1 0,13 0,1 0,1 0,1 0,1
CaO 0,96 0,64 0,69 0,46 0,61 0,57 0,62
Na2O 2,98 3,13 3,45 3,11 3,35 3,19 3,75
K 2O 4,78 4,69 4,74 5,24 5,61 5,86 4,89
P2O5 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01
TiO2 0,27 0,09 0,17 0,11 0,12 0,14 0,08
MnO 0,05 0,02 0,04 0,04 0,05 0,05 0,04
LOI 1,19 0,23 0,38 0,06 0,2 0,13 0,14
Sum 100,62 99,78 100,71 99,83 100,41 101,66 99,83
K2O/Na2O 1,6 1,5 1,37 1,68 1,67 1,84 1,3
K2O+Na2O 7,76 7,82 8,19 8,35 8,96 9,05 8,64
TsatZr 837,4 744,5 791,5 819,3 822,5 803,9 775
Cr 20 3 3 <1 <1 <1 <1
Ni 3,9 1,8 2 8,2 5,4 5,4 4,7
Co 2,5 0,8 0,8 0,6 0,6 0,5 1,6
Sc 2,5 0,8 1,6 8,4 7,5 7,1 3,2
V 25 11 7 9 9 <5 13
Cu 11,7 0,8 0,8 1,6 0,8 0,8 1,6
Pb 13 18,2 18,1 15,2 18,2 17,1 20
Zn 43 11 17 44 45 45 63
Rb 206,9 213,4 268,6 110,6 131,6 132,8 212,8
Ba 539 106 122 14 128 17 24
Sr 114 71 68 20 37 20 23
Cs 9,65 2,42 3,67 0,94 1,42 1,02 1,65
Ga 15,1 13,8 16,4 13,8 13,7 14,3 17,6
Y 23,59 28,16 69,93 41,91 27,49 20,44 66,48
Nb 10,01 11,43 25,79 5,68 8,92 11,13 18,33
Ta 1,62 0,95 2,15 0,18 0,28 0,27 1,08
Zr 242 84 162 224 243 199 146
Hf 6,14 2,87 5,78 5,66 5,61 5,43 6
U 3,05 8,24 17,55 2,71 5,22 2,08 6,63
Th 9,4 21,3 44,3 10 12,6 13,3 13,9
Sn 3,4 1,9 3,4 1,4 2,4 1,8 3,1
La 40,3 26,1 36,5 141 79,6 41,3 42,5
Ce 46,7 51,6 77,9 284,5 161,1 85 91,7
Pr 8,18 5,45 8,71 33,71 18,39 10,68 13,26
Nd 28 18,6 28,7 116,6 62,2 36,5 51,5
Sm 5,2 4,1 6 17,5 9,2 5,7 13,3
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.8 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm) e
Terras Raras (ppm) de granitos da Suíte Serra da Providência – Dominios Rio Taquara e Serra da Muralha (continuação).
Rocha Bt sienogranito Bt sienogranito Bt sienogranito Hbl sienogranito Hbl sienogranito Hbl sienogranito Hbl sienogranito
Amostra CM-048 TJ-102 TJ-103 CE-003A CE-003B CE-003C CE-004
Eu 0,67 0,32 0,37 0,54 0,42 0,28 0,2
Gd 4,84 3,5 5,95 11,96 6,24 4,01 13,3
Dy 4,06 3,86 7,85 7,82 4,77 3,37 12,56
Er 2,63 2,61 6,97 3,83 2,98 2,1 6,86
Ho 0,81 0,82 1,83 1,45 0,93 0,67 2,38
Tb 0,68 0,58 1,04 1,51 0,85 0,58 2,09
Tm 0,39 0,43 1,04 0,47 0,43 0,29 0,92
Yb 2,4 2,9 7,2 2,8 2,8 1,9 5,2
Lu 0,3 0,37 1,06 0,33 0,36 0,19 0,66
ETRt 145,16 121,24 191,12 624,02 350,27 192,57 256,43
Eu/Eu* 0,41 0,26 0,19 0,11 0,17 0,18 0,05
(La/Yb)n 12,04 6,46 3,64 36,12 20,39 15,59 5,86
(La/Sm)n 3,18 3,09 2,71 2,7 2,79 2,5 2,07
(Gd/Yb)n 1,67 1 0,68 3,53 1,84 1,75 2,12
A B
C
D
Figura 3.38 - Em (A) diagrama de classificação química Na2O+K2O vs. SiO2 (TAS) e os granitos da Suíte Serra
da Providência, de Irvine e Baragar (1971); (B) diagrama classificatório Q-P de Debon e LeFort (1988);
(C) diagrama binário K2O vs. SiO2 de Peccerillo e Taylor (1976) e (D) diagrama ASI vs. SiO2 com o teor de
saturação e alumina adaptado por Frost et al. (2001).
| 56 |
| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 3.39 - Em diagramas desenvolvidos por Frost et al. (2001); (A) campos magnesiano e ferroso e (B) diagrama MALI vs. SiO2
e os campos das séries magmáticas. Símbolos como na Figura 3.38.
A B
Figura 3.40 - Em (A) ternário Ba-Rb-Sr de El Bosely e El Sokkary (1975) e o grau de diferenciação petrogenética; (B) diagrama binário de
Dall’Agnol e Oliveira (2007) e os campos dos granitos tipo-A e cálcio-alcalinos; (C) diagrama ternário de Eby (1990) e os sienogranitos da
Suíte Alto Candeias no campo dos granitos tipo-A2. Símbolos como na Figura 3.38.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Eu acentuadas (0,10 a 0,57), fraco a médio fraciona- (Figura 3.43B), se distribuem no campo colisional/
mento dos ETR (La/Yb = 3,64 a 15,69, com uma amostra pós-colisional dos granitos tipo-A2 e no diagrama
apresentando alto valor de fracionamento – 36,12), de discriminação proposto por Batchelor e Bowden
baixos valores de fracionamento ETR leves (La/Sm = 2 (1985), estão nos campos tardi a pós-orogênicos
a 4,75) e pesados (Gd/Yb = 0,68 a 3,53). No diagrama (Figura 3.43C).
da Figura 3.41D e F os sienogranitos se caracterizam
pelos baixos valores de Ba e Sr, enriquecimento em Rb 3.5 SUÍTE RIO CRESPO (MP1γrc)
e Th, expressivas anomalias negativas de Nb-Ta, forte
depleção em P e Ti, enriquecimento leve a moderado A Suíte Intrusiva Rio Crespo foi proposta para
de Zr e enriquecimento em ETR. Na Figura 3.42A e B designar gnaisses graníticos de granulação fina e char-
destaca-se a grande similaridade química dos granitos noquitos granulíticos que afloram ao sul de Ariquemes
da Suíte Serra da Providência nos dois domínios. (PAYOLLA et al., 2002), posteriormente essa suíte foi
No diagrama de discriminação tectônica Rb-Y- rebaixada à hierarquia de corpo, integrando a Suíte
Nb de Thièblemont e Cabanis (1990) (Figura 3.43A) Serra da Providência, conforme Quadros, Palmeira e
as amostras caem principalmente na interface dos Castro (2011), Palmeira et al. (2018) e Costa, Castro
campos sin-subducção/pós-colisão e pós colisão; no e Buch (2018). Neste trabalho a unidade é denomi-
diagrama binário de Thièblement e Tègyey (1994) nada novamente como suíte, porém sem incluir o
A B
C D
E F
Figura 3.41 - Padrões de ETR normalizados ao condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto primitivo de
McDonough e Sun (1995) dos granitos da Suíte Serra da Providência nos Domínios Jamari e Nova Mamoré.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 3.42 - Padrões de ETR normalizados segundo o condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto
primitivo de McDonough e Sun (1995) das curvas médias comparativas dos granitos da Suíte Serra da Providência nos
diferentes domínios. A) Domínio Rio Taquara. B) Domínio Serra da Muralha.
B
A
Figura 3.43 - Diagramas petrotectônicos com a indicação das fases de evolução do orógeno. Em (A) diagrama ternário de Thièblemont
e Cabanis (1990); (B) diagrama multicatiônico R1-R2 adaptado por Batchelor e Bowden (1985).
termo intrusiva, seguindo os padrões normativos e estão posicionados na extensão ocidental da estru-
não adotando os mesmos critérios de classificação turação regional da Suíte Rio Crespo de direção NE/
de Payolla et al. (2002). SW. Os afloramentos geralmente ocorrem na forma
Na área de pesquisa os corpos graníticos da Suíte de matacões e pequenas lajes (Figura 3.44A), nos
Rio Crespo ocorrem na porção centro leste da Folha quais predomina rocha leucocrática, de tons claros
Mutum-Paraná, na forma de batólito com trend geral com variação entre cores rosa e laranja, anisotrópica
aproximadamente NE-SW. Estes granitos deformados de granulação média e granoblástica equigranular.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A mineralogia macroscópica é composta por K-feds- metamórfica com idade entre 1338 Ma e 1441 Ma (Pal-
pato, plagioclásio, quartzo e como minerais máficos a meira et al., 2018). Os valores isotópicos Sm-Nd forne-
biotita, anfibólio e magnetita. Em alguns afloramen- ceram a idade modelo TDM 1750 Ma a 1530 Ma. Estes
tos são observadas injeções e veios pegmatíticos. A dados isotópicos e geocronológicos juntamente com os
foliação penetrativa possui cinemática dextral em dados de Bettencourt et al. (2006) que obtiveram idade
planos S/C, com estiramento de quartzo e agregados de cristalização em torno de 1500 Ma para rochas da
de biotita lepidoblástica perfazendo a foliação. Faixas Suíte Rio Crespo, permitem interpretar que esta suíte
de rochas deformadas indicam metamorfismo em é parte do magmatismo Serra da Providência que foi
maior grau, de cores cinza claro a rosa, granulação gnaissificada, migmatizada e granulitizada durante a
fina a média, gnaisse quartzo feldspático bandado de Orogenia Rondoniana-San Ignácio. Esta interpretação
composição granítica (Figura 3.44B) e metamorfizados difere da classificação original de Payolla et al. (2002)
em fácies granulito. Corpos fora do batólito principal que obtiveram idades de 1433 ±11 Ma e 1424 ±10 Ma,
tendem a ter uma foliação incipiente (Figura 3.44C e D). interpretadas como cristalização do protólito granítico
No mapa de anomalia magnética da Amplitude do para ortognaises e charnockitos granulíticos, sugerindo,
Sinal Analítico é clara a assinatura magnética do formato segundo estes autores, um arco magmático de idade
de corpo intrusivo com deformação, com várias faixas Rondoniana-San Ignácio, por eles denominado de Suíte
de alta amplitude magnética que podem corresponder Intrusiva Rio Crespo.
a zonas de cisalhamentos sin-cinemáticas à estruturação Com base nestes e outros dados e interpretações,
do corpo granítico. A alta amplitude de anomalias é da Quadros, Palmeira e Castro (2011) modificaram a hie-
ordem de 0,120 a 16 nT. No mapa RGB, a maior parte rarquia da unidade Rio Crespo de Suíte Intrusiva para
corresponde a assinaturas correspondentes de solos um corpo (maciço), classificação mantida por Palmeira
lateríticos profundos na tonalidade verde, se destacando et al. (2018) e Costa, Castro e Buch (2018). No presente
alguns afloramentos de cores vermelhas (maior concen- trabalho, sugerimos que devido às suas características,
tração no canal de potássio). distribuição espacial e variedade litológica, seja mais
Dados U-Pb SHRIMP da Suíte Rio Crespo em outros adequada a classificação hierárquica como Suíte Rio
trabalhos mostram cristais de zircão contendo núcleo Crespo e não como um corpo, porém reforçando que a
ígneo com idade de cristalização U-Pb 1527 Ma e borda suíte é parte do magmatismo Tipo-A Serra da Providência.
A B
C D
Figura 3.44 - A) Aspecto de campo dos afloramentos da Suíte Rio Crespo. B) Foliação regional em rochas granulíticas.
C e D) Amostra de mão e de afloramento de porções com deformação menos pronunciada em litotipos da suíte.
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.9 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de rochas graníticas da Suíte Rio Crespo.
Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite
Unidade
R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo
Sieno Sieno Sieno Sieno
Sieno Sieno Sieno Sieno Sieno Qtz
Rocha granito granito granito granito
granito granito granito granito granito monzonito
gnáissico milonítico milonítico milonítico
Amostra GN-116 GN-117A GN-122 GN-128 TJ-073 CE-121A CE-121B CE-122A CE-122B CE-121 C
SiO2 74,2 76,3 76,4 74,4 77,3 76,9 76,4 73,4 74,2 67,6
Al2O3 12,9 11,9 12,3 13,4 12,2 12,6 12,5 12,8 13,2 14,5
Fe2O3 2,54 2,17 2,4 2,23 1,83 1,01 1,33 2,58 2,13 4,6
MgO 0,34 0,1 0,1 0,15 0,1 0,1 0,1 0,38 0,29 1,12
CaO 1,3 0,39 1,02 0,63 0,34 0,55 0,64 1,34 1,2 3,05
Na2O 3,4 3,21 2,66 3,75 3,14 3,51 3,33 2,95 3,03 3,65
K 2O 4,7 4,64 5,31 5,19 5,27 4,91 4,82 4,99 5,07 4,48
P2O5 0,06 0,01 0,01 0,01 <0.01 <0.01 <0.01 0,06 0,04 0,2
TiO2 0,26 0,15 0,1 0,19 0,08 0,09 0,12 0,3 0,22 0,75
MnO 0,04 0,01 0,02 0,03 0,03 <0.01 0,02 0,03 0,06 0,07
LOI 0,43 0,32 0,36 0,18 0,25 0,21 0,21 0,62 0,46 0,75
Sum 100,17 99,09 100,58 100,16 100,44 99,78 99,37 99,45 99,9 100,77
K2O/Na2O 1,38 1,45 2 1,38 1,68 1,4 1,45 1,69 1,67 1,23
K2O+Na2O 8,1 7,85 7,97 8,94 8,41 8,42 8,15 7,94 8,1 8,13
Cr 5 19 18 15 13 2 3 3 2 5
Ni 9,4 2,4 2,2 3,1 3,6 1,5 1,9 3,6 3,3 5,9
Co 4,3 <0.1 0,8 0,8 <0.1 <0.1 0,8 2,5 1,7 7,2
Sc 5,9 0,8 <0.5 0,8 0,8 0,8 0,8 3,3 1,7 8,8
V 53 6 6 <5 <5 12 33 23 46 59
Cu 1,6 9,2 3,3 2,5 4,7 1,7 0,8 6,6 0,8 4
Pb 13 11,4 17 11,7 15,6 26 20,3 19,4 20,7 18,9
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.9 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) de rochas graníticas da Suíte Rio Crespo (continuação).
Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite Suite
Unidade
R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo R. Crespo
Sieno Sieno Sieno Sieno
Sieno Sieno Sieno Sieno Sieno Qtz
Rocha granito granito granito granito
granito granito granito granito granito monzonito
gnáissico milonítico milonítico milonítico
Amostra GN-116 GN-117A GN-122 GN-128 TJ-073 CE-121A CE-121B CE-122A CE-122B CE-121 C
Zn 43 16 33 57 26 10 16 51 39 66
Rb 152 86,8 110,9 157,7 157,2 290 288,5 198,7 201,9 128,7
Ba 395 180 552 234 70 10 103 602 565 1079
Sr 119 51 198 51 42 26 62 159 154 314
Cs 0,71 0,09 0,79 1,07 0,8 1,62 1,78 1,44 1,45 2,31
Ga 15,5 22,2 15,5 18 15,9 18,1 15,9 17,6 17,6 18
Y 20,37 60,98 14,61 37,28 13,21 51,78 40,86 56,42 23,72 43,14
Nb 7,53 12,08 2,03 7,4 5,42 16,24 11,52 12,3 9,01 16,13
Ta 0,36 0,56 0,06 0,12 2,26 0,62 0,97 0,74 0,14 0,88
Zr 182 409 412 347 337 80 116 225 158 324
Hf 4,87 11,59 11,5 9,09 10,95 3,69 4,18 6,17 4,71 7,73
U 0,89 1,97 1,81 2,28 4,21 26,03 11,18 4,19 3,94 4,87
Th 5,2 9,5 18,2 7,3 14,6 30,1 27,5 20,5 14,6 13,1
Sn 1,8 3,6 1,2 1,8 2,3 1,1 1,9 2,9 2 2,7
La 34,7 36,1 75,1 39 33,1 13,9 28,7 75,2 52,6 47,6
Ce 67,8 128,7 127,8 78,4 105,4 36,2 59,9 148,9 97,6 102,8
Pr 7,72 9,84 15,55 9,19 9,47 5,06 6,97 16,9 11,02 12,99
Nd 26,1 36,7 56,5 32,9 32,3 21,4 25,2 57,9 35,8 50
Sm 4,3 8,4 8,2 6,3 7 6,7 5,5 11,1 5,8 9,8
Eu 0,63 0,26 0,76 0,31 0,31 0,21 0,43 1,42 0,94 1,67
Gd 3,61 8,75 5,37 5,86 5,3 7,34 5,82 9,45 4,61 8,44
Dy 3,16 11,31 2,88 5,88 3,72 8,78 6,22 10,01 3,76 7,74
Er 1,86 7,22 1,29 3,99 1,49 5,65 4,39 6,43 2,26 4,55
Ho 0,62 2,32 0,51 1,29 0,63 1,71 1,37 2,14 0,76 1,5
Tb 0,51 1,59 0,58 0,92 0,83 1,27 0,99 1,52 0,68 1,25
Tm 0,28 1,05 0,17 0,58 0,25 0,87 0,66 0,95 0,31 0,68
Yb 1,7 6,3 1 3,7 1,3 5,8 4,3 5,9 2,1 4,5
Lu 0,2 0,74 0,11 0,45 0,2 0,69 0,55 0,73 0,24 0,59
ETRt 153,19 259,28 295,82 188,77 201,3 115,58 151 348,55 218,48 254,11
Eu/Eu* 0,49 0,09 0,35 0,16 0,16 0,09 0,23 0,42 0,56 0,56
(La/Yb)n 14,64 4,11 53,87 7,56 18,26 1,72 4,79 9,14 17,97 7,59
(La/Sm)n 5,21 2,77 5,91 4 3,05 1,34 3,37 4,37 5,85 3,14
(Gd/Yb)n 1,76 1,15 4,44 1,31 3,37 1,05 1,12 1,33 1,82 1,55
Os granitos da Suíte Rio Crespo têm alta SiO2 (73,40 a - CaO vs. SiO2] se distribuem principalmente no campo
77,30), nos diagramas de classificação química da Figura cálcio-alcalino a levemente álcali-cálcicas. São rochas
3.45A e B as amostras ocupam os campos dos granitos/ com razões K2O/Na2O variando entre 1,38 e 2,0, álcalis
sienogranitos e quartzo monzonito, são rochas de alto-K (Na2O+K2O) entre 7,85 e 8,10, moderada a fortemente
(Figura 3.45C) e peraluminosas (Figura 3.45D). No dia- evoluídas com razões K/Rb entre 208,39 e 443,62. Na
grama FeOT/(FeOT+MgO) vs. SiO2 (Figura 3.46A; campos Figura 3.47A destaca-se o comportamento químico dos
de FROST et al., 2001) os granitos estudados caem no LILE, definindo trend evolutivo dos sienogranitos, com
campo das rochas ferrosas ou granitos tipo-A e no dia- destaque para três amostras diferenciadas a fortemente
grama da Figura 3.46B [FROST et al., 2001; (Na2O+K2O) diferenciadas. Na Figura 3.47B, os granitos da Suíte Rio
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| Projeto NW de Rondônia |
Crespo na região de estudo se distribuem entre os cam- leves x pesados [(razão La/Yb)n = 1,2 a 19,75, com uma
pos dos granitos tipo-A reduzidos a fracamente oxidados, amostra de alto fracionamento = 53,87], baixas razões
com valores de HFSE característicos dos granitos tipo-A-2 La/Sm (1,34 a 5,91) e Gd/Yb (1,05 a 4,44). No diagrama de
no diagrama ternário da Figura 3.47C. discriminação tectônica de Thièblemont e Cabanis (1990),
Os padrões de ETR dos sienogranitos na Figura 3.48A as amostras caem principalmente na interface dos campos
mostram enriquecimento de ETR leves (100 a 130 vezes o sin-subducção/pós-colisão e pós colisão (Figura 3.49A), e no
condrito), anomalias negativas de Eu acentuadas (Eu/Eu* diagrama de discriminação de Batchelor e Bowden (1985),
= 0,08 a 0,56), baixo a intermediário fracionamento ETR estão nos campos tardi a pós-orogênicos (Figura 3.49B).
A B
Figura 3.45 - Em (A) diagrama de classificação química Na2O+K2O vs. SiO2 (TAS) e os granitos da Suíte Rio Crespo, adaptado por Irvine e
Baragar (1971); (B) diagrama classificatório Q-P de Debon e LeFort (1988); (C) diagrama binário K2O vs. SiO2 de Peccerillo e Taylor (1976)
e (D) diagrama ASI vs. SiO2 com o teor de saturação e alumina adaptado por Frost et al. (2001).
A B
Figura 3.46 - Em diagramas desenvolvidos por Frost et al. (2001); em (A) campos magnesiano e ferroso e em (B) diagrama MALI vs. SiO2
e os campos das séries magmáticas. Símbolos como na Figura 3.45.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
Figura 3.47 - Em (A) ternário Ba-Rb-Sr de El Bosely e El Sokkary (1975) e o grau de diferenciação petrogenética; (B) diagrama binário de
Dall’Agnol e Oliveira (2007) e os campos dos granitos tipo-A e cálcio-alcalinos; (C) diagrama ternário de Eby (1990) e os sienogranitos da
Suíte Rio Crespo no campo dos granitos tipo A2. Símbolos como na Figura 3-45.
A B
C D
Figura 3.48 - Padrões de ETR normalizados segundo o condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto
primitivo de McDonough e Sun (1995) dos granitoides da Suíte Rio Crespo.
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 3.49 - Diagramas petrotectônicos com a indicação das fases de evolução do orógeno. Em (A) diagrama ternário de Thièblemont
e Cabanis (1990); (B) diagrama multicatiônico R1-R2 adaptado por Batchelor e Bowden (1985).
3.6 COMPLEXO NOVA MAMORÉ (MP2NM) Segundo Rizzotto et al. (2005a), a tectônica que afe-
tou o CNM representa um empurrão frontal e oblíquo,
3.6.1 Aspectos gerais no qual a região sul corresponde a uma rampa frontal de
baixo ângulo (35°-50°) para sudeste, cujo bandamento
O Complexo Nova Mamoré (CNM), foi definido inicial- ocorre paralelizado, enquanto que na região centro-norte
mente por Rizzotto et al. (2005a, 2005b) e corresponde da área de ocorrência desta unidade predomina uma
à porção ocidental do Complexo Gnáissico Migmatítico foliação de alto ângulo a sub-vertical, que preserva o
Jaru de Scandolara et al. (1999). Esta unidade aflora mesmo paralelismo da foliação e a mesma lineação. No
principalmente na porção sul das folhas Vila Murtinho entanto, ao norte predominam dobramentos indicando
e Igarapé Água Azul, também ocorre, de forma subor- distanciamento do front tectônico que está na direção sul.
dinada, nas folhas Mutum-Paraná e Abunã. O CNM é A relação de contato do CNM com o Complexo Jamari
constituído por uma associação de rochas polideforma- ainda não foi identificada em campo e provavelmente
das, gnáissico-migmatíticas paraderivadas com lentes de está numa zona de cobertura detrito-laterítica. Contudo,
anfibolitos associados e um núcleo ortoderivado restrito na provável zona de contato entre estas duas unidades
a rochas migmatíticas. É intrudida por corpos graníticos são observadas diferenças de background magnético
de natureza anatética e subordinadamente por granitos nos mapas aeromagnéticos abordados no Capítulo 4.
do tipo-S. Neste trabalho, o complexo foi dividido em dois Rochas de idade ectasiana possuem contatos intru-
principais grupos de unidades: rochas ortoderivadas e sivos, sin a tardi tectônicos, observados pelos granitos
rochas metassedimentares. Um terceiro grupo de rochas da Suíte Alto Candeias nas rochas do CNM. Este tipo
são relacionados ao metamorfismo de contato, que de feição foi descrito por Quadros e Rizzotto (2007)
ocorrem de forma subordinada, porém, muito comum em região do município de Buritis-RO. São observados
em vários afloramentos desta região. pequenos stocks de hornblenda-biotita sienogranitos
As rochas ortoderivadas compreendem os migma- e diopsídio-hornblenda granito com idade de cristali-
titos, gnaisses, metagabros e anfibolitos, que ocorrem, zação compatível com a Suíte Serra da Providência e
predominantemente, em fácies anfibolito médio para intrudidos por granitos da Suíte Laje. Esses granitos são
anfibolito alto. As rochas metassedimentares são catego- foliados, e concordantes com a estruturação do CNM,
rizadas em quatro subgrupos que compreendem: rochas e possuem idades de metamorfismo de 1334 ±4 Ma.
metassedimentares (stricto sensu), rochas metapelíticas, Isto significa idades Serra da Providência dos núcleos
metapsamitos e os metacherts. As rochas geradas a partir ortoderivados e idades de metamorfismo Rondoniano-
do metamorfismo de contato ocorrem em grande parte San Ignácio de acordo com as análises realizadas nestes
do complexo, relacionadas a intrusões de corpos graníti- granitos deformados.
cos em rochas metassedimentares e ortoderivadas. Estas Bettencourt et al. (2014) dataram um sillimanita-
intrusões incluem granitos tipo-S e pegmatitos atribuídos cordierita-biotita gnaisse metapelítico (paragnaisse
à Suíte Laje e interpretados como produto da anatexia do Buritis) localizado a noroeste do município de Buritis-
próprio complexo, formando, às vezes, pequenas serras RO, no domínio da zona de cisalhamento Rio Formoso-
e colinas com destaque no relevo regional. Ariquemes. As datações U-Pb SHRIMP em zircões de
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
núcleo ígneo mostram idades variando de 2695 a 1478 geoquímicas que indicam características de sedimentos
Ma, onde foram identificados três principais grupos de depositados em contexto de margem continental passiva.
idade (1761-1747 Ma, 1544 ±9 Ma e 1522-1478 Ma). Zir-
cões de sobrecrescimento metamórfico indicam idades 3.6.2 Rochas Ortoderivadas
variando de 1333 a 1286 Ma, incluindo uma relevante
população de idades entre 1333 a 1314 Ma. Segundo os As rochas ortoderivadas do Complexo Nova Mamoré
autores, o paragnaisse Buritis pode ser incluído no con- foram distribuídas em quatro grupos principais: migmatitos,
texto do Complexo Nova Mamoré, e possui propriedades gnaisses, anfibolitos e rochas metamáficas (Quadro 3.3).
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.50 - Rochas migmatíticas ortoderivadas do Complexo Nova Mamoré. (A) Anatexitos com
neossoma de composição granítica. (B) Boundin de material félsico, dobras do tipo bengala em camada
máfica competente. (C) Dobras pitigmáticas intrafoliais em estrutura de domos e quilhas. (D) Processo de
transposição de foliação com dobras intrafoliais sem raiz e na forma de bengala.
A B
C D
Figura 3.51 - Rochas gnáissicas ortoderivadas do Complexo Nova Mamoré. (A) Afloramento modelo na
reserva indígena Igarapé Ribeirão. (B) Feições estruturais e de migmatitos no afloramento. (C) Ortognaisse
com ocelos e foliação vestigial. (D) Ortognaisse do Complexo Nova Mamoré com núcleos de idade
Serra da Providência.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.52 - Rochas anfibolíticas do Complexo Nova Mamoré. (A) Aspecto da foliação desenvolvida em anfibolitos de matriz fina.
(B) Corpos máficos desenvolvidos ao longo da foliação de gnaisses e migmatitos. (C) Rochas metamáficas com piroxênio.
(D) Anfibolitos com sulfetos na foliação.
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A B
Figura 3.53 - Fotomicrografias de rochas metabásicas do Complexo Nova Mamoré. (A) Foliação de anfibolitos, mostrando a alternância
de cristais de hornblenda e plagioclásio. (B) Films melts de plagioclásio e/ou quartzo como resultado de fusão.
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| Projeto NW de Rondônia |
quartzo e K-fedspato, com textura granolepidoblástica. < l-0), a desidratação-fusão pode levar à geração de
A foliação regional desenvolvida varia de milonítica à bolsões locais na fase de fusão. Também a infiltração de
clivagem de crenulação, com cinemática sinistral obser- fluidos é geralmente considerada difusa, e nem responde
vada nos planos de S1, e lineação de estiramento com prontamente por uma distribuição desigual de pods
vergência para norte. Para a explicação quanto a origem quartzo-feldspáticos. Da mesma forma, se considera que
dos “pods” de sillimanita-quartzo devem-se considerar a segregação metamórfica resulta em bandas quartzo-
várias hipóteses de alguns autores que relacionam os feldspáticas contínuas (migmatitos) em vez de “pods”
“pods” quartzo-feldspáticos como resultados de vapor isolados. Em terrenos de alta temperatura (WALTERS,
consumido durante as reações de fusão (POWELL; EVANS, 1988), é provável que a fusão (desidratação) tenha sido o
1983), reações fusão-desidratação (THOMPSON, 1982), processo dominante que definiu a textura e distribuição
infiltração fluida (JANARDHAN; NEWTON; HANSEN, dos “pods” na rocha.
1982), e/ou segregação metamórfica (BROWN, 1994). Os ganisses kinzigíticos apresentam estrutura mig-
Nas rochas deficientes em fluídos (atividade da água matítica, com neossoma disposto em faixas intercaladas
A B
C D
E F
Figura 3.54 - A e B) Gnaisses granulíticos com clivagem de crenulação marcando a foliação S1 e pods de
silimanita quartizito. C e D) Granada-cordierita-sillimanita granulito e Granada-biotita-sillimanita gnaisse, em
fácies granulito, nas proximidades do distrito Nova Dimensão/RO. E e F) Gnaisse migmatítico kinzigítico com
cordierita, em fácies granulito, nas proximidades da cidade de Nova Mamoré/RO.
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com fitas de granada, leucogranitos na forma de lentes albítico com restos de k-fedspato, indicando ser pertita
e relictos de rochas calcissilicáticas (Figura 3.54C e por substituição e de k-fedspato mesopertítico e com bor-
D). Granada e cordierita ocorrem como porfiroblas- das de plagioclásio mirmequítico. Nas outras faixas tem-se
tos. Nos termos granada biotita gnaisse (migmatítico) quartzo em cristais anédricos e alongados, segundo uma
são observadas texturas do tipo nebulítica schöllen/ direção preferencial de foliação. Os cristais de k-fedspato
schlieren. Ocorrem lentes de neossoma leucograní- em todas as faixas são anédricos, pertíticos e mesopertí-
tico com bordas delgadas de restito ricas em biotita e ticos, com birrefringência em tons cinza-escuro e cinza-
granada, localmente são observados veios de quartzo claro a amarelado, contendo inclusões de plagioclásio e
com muscovita. de quartzo e com bordas abauladas quase sempre por
Em seção tem-se cristais anédricos de k-fedspatos quartzo e por cristais de plagioclásio albítico (alterados
e de quartzo, biotita, cordierita, granada e sillimanita para argilominerais). Também localmente formam “films
e subordinadamente de plagioclásio. Ocorrem “films melts” envolvendo cordierita.
melts” no entorno do quartzo e cordierita, como resul- Os cristais de plagioclásio são anédricos, geralmente
tado de fusão. A coexistência de cordierita com biotita alterados para argilominerais, raros com maclas da
+ k-fedspato + sillimanita ± granada compreende a zona albita. Intercrescem com quartzo nas bordas de alguns
correspondente ao grau mais alto em alguns terrenos k-fedspatos, formando finas mirmequitas. A sillimanita é
regionalmente metamórficos do tipo fibrolita, formando feixes fibrosos em agregados
grossos, distribuídos ao longo das faixas quartzosas e
Petrografia quartzo-feldspáticas e principalmente em finíssimas
agulhas inclusas ao longo dos porfiroblastos de granada
As seções da rocha gnáissica pelítica com fragmen- e cordierita (Figura 3.55). Os porfiroblastos de cordierita
tos de sillimanita-quartzito possuem grandes cristais de são anédricos, por vezes grandes, alongados segundo
quartzo anédricos e com extinção, contatos interlobu- a foliação e comumente alterados para penite (mica
lados e geralmente com inclusões e envolvendo cristais muito fina e com tons amarelo e amarelo-alaranjado
de k-fedspato. O k-fedspato é pertítico e mesopertítico à luz natural). Exibe a maioria dos porfiroblastos de
e com maclas da Albita-Periclina (tartan) típica do cordierita com birrefringência em tons variando de
microclínio, alguns com bordas albitizadas, onde se tem cinza-azulados e em tons amarelados e certa densidade
pequenas vênulas de mirmequitas. Também é comum de inclusões de fibrolita em finas agulhas e de monazita,
k-fedspato envolto dos cristais de quartzo formando biotita e de opacos. Alguns dos porfiroblastos de cordie-
“films melts” e também ao contrário onde o quartzo rita se mostram com inclusões de sillimanita (fibrolita)
escorre entre dois cristais de feldspato potássico ou de forma mais ou menos verticalizada, indicando um
aprisiona pequenas porções desses cristais, formando Sn+1 e outros alongados contêm inclusões de sílica
“films melts” como resultado de fusão. Os cristais de e também são englobados por k-fedspato, indicando
biotita são tabulares, geralmente com pleocroísmo nestes dois últimos casos a formação de “films melts”.
castanho-claro e pardo-acastanhado, associados quase Os porfiroblastos de granada são anédricos (Figura
sempre aos cristais de opacos (magnetita martitizada) 3.55), alongados e orientados segundo a foliação (Sn),
e por vezes oxidados e com alteração para muscovita. indicando serem pré-cinemáticos. Exibem certa den-
Os opacos (magnetita martitizada) são subédricos e sidade de inclusões de fibrolita em finíssimas agulhas
anédricos, inclusos em quartzo e associados por vezes e de cordierita (com núcleo de quartzo) e de biotita
à biotita. Nas porções quartzíticas tem-se grandes pardo-avermelhada. A biotita encontra-se em cristais
cristais anédricos de quartzo, com extinção ondulante tabulares, exibindo pleocroísmo castanho-avermelhado
e contatos interlobulados e com interstícios preen- e pardo-avermelhado (típico de altas temperaturas
chidos por novelos de sillimanita na variedade fibro- metamórficas) e inclusões diminutas de zircão (meta-
lita. Alguns desses novelos de sillimanita têm traços micticos) formando halos pleocroicos e quase sempre
ou restos de biotita. Tem-se também nestas porções associadas aos opacos (ilmenita - titanomagnetita) e
quartzíticas cristais de opaco (magnetita martitizada) à flogopita. A flogopita mostra cor em tons castanho-
e grãos detríticos de zircão. alaranjados, proveniente da alteração de cordierita.
Os granulitos têm faixas ou bandas (Sn) formadas Monazita e Zircão encontram-se inclusos em cordie-
por grandes cristais anédricos de quartzo, com extin- rita e em biotita. A associação silimanita + cordierita +
ção ondulante, os quais envolvem pequenas porções granada + quartzo + k-fedspato + fusão e com biotita
de porfiroblastos de cordierita e cristais de sillimanita + plagioclásio + flogopita, caracterizam a rocha como
(fibrolita) e de feldspatos potássicos e plagioclásio. Nessa metapelítica de alto grau, fácies granulito, com registro
faixa quartzosa tem-se um grande cristal de plagioclásio anatético (“films melts”).
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.55 - Micrografias das rochas metapelíticas do Complexo Nova Mamoré. A e B) Amostra TJ-0023 - Gnaisse migmatito exibindo
palhetas de sillimanita. C e D) Amostra CE-059 - Granulito metapelítico com textura granoblástica, com porfiroblastos de granada e de
cordierita, exibindo faixas de sillimanita na matriz.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
Figura 3.56 - Rochas metapsamíticas do Complexo Nova Mamoré. Gnaisses quartzo feldspáticos, quartzitos
feldspáticos e metarcóseos com estruturas primarias preservadas.
A B
C D
Figura 3.57 - Metacherts com turmalinito estratiforme. A e B) Afloramento em corte de estrada nas
proximidades do Parque Estadual Guajará-Mirim. C e D) Detalhe de amostra de mão e as finas camadas
de metachert ferrífero.
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| Projeto NW de Rondônia |
tem mais quartzo em cristais anédricos, ameboides e com hematita e goethita. Localmente em uma das lentes enri-
extinção ondulante. Entre as camadas estratiformes de quecidas em quartzo vê-se ligeiramente uma orientação
turmalina, são observadas faixas com maior concentração em “S” transposta de cisalhamento dos cristais anédricos
de grandes cristais de clinopiroxênio (diopsídio), algumas de quartzo que se associam a finíssimas ripas de estilp-
vezes muito oxidados, e de actinolita em cristais colunares nomelano total muito oxidadas. Os opacos são grafita e
e com geminação em dois planos. Os maiores cristais de magnetita anédricas, associados aos cristais de quartzo
clinopiroxênio (diopsídio) parcialmente oxidados em uma e aos de turmalina.
dessas camadas contêm pequenas inclusões de actinolita e
por vezes de cristais anédricos de quartzo. São observadas, Unidade Metassedimentar (MP2nmms)
em algumas seções, camadas com maior concentração em
cristais prismáticos e colunares de actinolita em relação Neste subgrupo de rochas metassedimentares (strictu
aos cristais de clinopiroxênio (diopsídio), é observado a sensu) são agrupados vários litotipos que não foram
ausência de pleocroísmo e com intenso processo de oxi- descritos nas subunidades já definidas e que possuem
dação ao longo das fissuras transversas. O conjunto dessas grande diversidade. São gnaisses grafitosos e calcissili-
características indica processo de alteração hidrotermal. cáticos, filonitos, margas, xistos e rochas relacionadas
As camadas com clinopiroxênio (hedenbergita) possuem ao metamorfismo de contato (Quadro 3.4).
cor verde-escuro, sempre associado ao anfibólio verde
(hornblenda) e a diminutos grânulos de turmalina. As Grafita gnaisse
camadas de cor marrom-avermelhada ocorrem devido
ao intenso processo de oxidação, as quais contêm restos Os grafita gnaisses do Complexo Nova Mamoré estão
de clinopiroxênio (diopsídio), anfibólios (prismáticos e localizados na região centro-sul da Folha Igarapé Água
fibrosos) e de quartzo residual. Os minerais opacos são Azul. São intercalados com granulitos quartzo feldspáticos
grafita-hematita e principalmente goethita, e grânulos e lentes de calcissilicáticas, apresentando migmatização
de turmalina. O início da alteração intempérica da rocha com paleossoma gnáissico e são ricos em lentes de grafita
pelo processo de ferruginização/oxidação dos principais (Figura 3.59A). O neossoma de composição albita granito
constituintes, que se tornaram vermelho-amarronzados é representado pelos granitos anatéticos portadores de
devido ao elevado teor em ferro (tipo BIFs), produz em granada, enquanto a porção do melanossoma é rica em
alguns casos material argiloso oxidado e em outros casos biotita e granada (Figura 3.59).
A B
C D
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Os grafita gnaisses têm cor cinza com manchas em extinção ondulante e ramificações oxidadas ao longo dos
tons marrom-salmão e com diminutas pontuações de contatos. A biotita é tabular, anédrica, com pleocroísmo
cor branca, granulação fina, composta por minerais castanho-vermelho e pardo-avermelhado (típico de altas
félsicos quartzo-feldspáticos e por máficos como biotita temperaturas) e quase sempre associado à grafita. Os
e opaco. Rocha em alto grau metamórfico, com feições opacos são grafita associada à biotita e inclusos em pla-
de fusão e presença de granada na foliação junto com gioclásio e quartzo (Figura 3.59D). Segundo alguns autores,
a participação de leucogranitos pegmatoides fundidos. a origem da grafita está relacionada ao desenvolvimento
Porções mais finas concentram biotita. de granitos anatéticos, já que durante a anatexia, fluidos
Em análise microscópica são observados cristais de gra- metamórficos podem ter facilitado a presença de carbono
fita compondo os minerais opacos. Os cristais de k-fedspato em gnaisses de grãos finos, produzindo assim grafita, em
são anédricos, pertíticos em filetes e com traços da maclas fácies anfibolito alto a granulito baixo.
da albita-periclina (tartan) típica do microclínio e com
lamelas de deformação. Exibem leves alterações para argi- Filonito
lominerais tipo caulim e ramificações oxidadas, inclusões
de quartzo globular e bordas abauladas por quartzo e por Rocha de cor cinza-escura com finíssimas camadas
plagioclásio mirmequítico. O plagioclásio (albita-oligoclásio) esbranquiçadas (Figura 3.60A), granoblástica, de gra-
é anédrico, geralmente caulinizado e com ramificações nulação muito fina e foliada (Figura 3.60B). É composta
oxidadas, exibindo por vezes leves traços da macla albita por minerais máficos como opacos e anfibólios e félsicos
e finas bordas límpidas, ou seja, manteados por albita, quartzo-feldspáticos, recristalizada e com ligeira impres-
indicando crescimento tardio. Intercrescem com quartzo são de dois planos de foliação “S” e “C”. Ocorrem finas
nas bordas de alguns dos cristais de k-fedspato formando camadas mais grossas constituídas por quartzo, plagio-
finas mirmequitas. São observados “films melts” de k-feds- clásio e sulfetos (pirita-calcopirita) e outras camadas
pato entre cristais de quartzo e plagioclásio e de quartzo formadas por anfibólio fibroso oxidado. Esta subunidade
entre k-fedspato e plagioclásio (Figura 3.59C). Os cristais de apresenta um padrão estrutural desenvolvido em zonas
quartzo são anédricos, intersticiais aos feldspatos, exibindo de cisalhamento leste-oeste.
A B
C D
Figura 3.59 - Rocha metassedimentar grafita biotita gnaisse. A) Afloramento de campo de gnaisses com grafita e granada na foliação.
B) Faixas/relictos com biotita e grafita. C) Micrografia mostrando os films mets. D) Arranjo de cristais com biotita e grafita nos opacos.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.60 - A e B) Aspecto de campo dos afloramentos e detalhe da foliaçao do filonito grafitoso. C) Cristais de grafita opacos ao
longo da foliaçao D) Sulfetos (pirita-calcopirita) alongados ao longo da foliação.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
E F
Figura 3.61 - A e B) Aspecto dos afloramentos e macroscópico da rocha calcissilicática na região de Nova Dimensão. C) Aspecto das
rochas calcissilicáticas sulfetadas com alteração hidrotermal. D) Calcissilicática com diopsídio na foliação. E) Rochas calcissilicáticas
com granada e leucogranito. F) Detalhe de sulfeto.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.62 -A e B) Xistos muito intemperizados em corte de estrada. C e D) Lentes de grafita em xistos.
3.6.4 Rochas Hornfélsicas/Metamorfismo e sericita. Os cristais de quartzo são anédricos e alguns com
de Contato leve extinção ondulante, recristalizados estaticamente. A
biotita encontra-se em pequenos cristais tabulares, não
A ocorrência de rochas hornfélsicas/corneanas no orientados, com pleocroísmo castanho-avermelhado e
Complexo Nova Mamoré é relacionada ao metamorfismo castanho-claro, contendo por vezes inclusões diminutas
de contato que ocorre em várias porções deste complexo de zircão formando halos pleocroicos, associados a opacos
e afeta diversos tipos de rocha. A ocorrência de hornfels e a finíssimos cristais anédricos de titanita. Os cristais de
tanto em rochas metassedimentares como em protólitos opacos (magnetita e sulfetos como pirita e calcopirita)
básicos, se deve à intrusão de granitos anatéticos como são anédricos, associados à biotita. Localmente, tem-se
parte da fusão no orógeno. Em afloramentos, essas material argiloso com opacos oxidados e com clorita.
rochas podem ser confundidas com anfibolitos, e são Hornblenda hornfels são rochas máficas de cor cinza-
observados desde albita-epidoto hornfels (fácies distal) escuro (Figura 3.63), com protólito ígneo vulcânico (basalto),
até piroxênio hornfels (fácies proximal). Os litotipos mais granulação muito fina, composto por anfibólio, plagioclásio
comuns são biotita hornfels e hornblenda hornfels. São e clinopiroxênio como minerais essenciais, e magnetita e
observadas faixas granofels em rochas metapelíticas de sulfeto como minerais secundários. Em seção tem-se uma
fácies granulito, intrudida por granitos anatéticos. textura em mosaico granular muito fino, localmente poli-
Os biotita hornfels são rochas de cor cinza escura, gonizada, formada principalmente por pequenos cristais de
granulação fina e compostas por minerais quartzo-fel- hornblenda marrom que se associam aos de plagioclásio
dspáticos e biotita, em fácies albita epidoto hornfels. Em e às sobras de clinopiroxênio e aos cristais de epidoto, e
seção tem-se textura granular, alotriomórfica, formada por principalmente aos de opacos (Figura 3.63). Os cristais de
pequenos cristais de plagioclásio em uma matriz de quartzo hornblenda marrom são prismáticos e tabulares, curtos,
e de biotita. Os cristais de plagioclásio (albita) mostram-se exibindo pleocroísmo castanho-amarronzado a castanho-
com traços da macla da Albita (simples) e Albita-Carlsbad, -avermelhado (típico de altas temperaturas) e com inclusões
porém todos têm aspecto esponjoso e que lembram de opacos. Associam-se a cristais de epidoto e a restos de cli-
buchitos (resultado de melt). O aspecto esponjoso deve-se nopiroxênio. Os cristais subédricos de plagioclásio (andesina)
ao processo de albitização dada pela dissolução (Al-SiO2), têm geminação Albita-Carlsbad e Carlsbad e formam em
onde se tem manchas ou resquícios de antigos cristais de alguns locais aglomerados de pequenos cristais em forma
plagioclásio (oligoclásio) e inclusões de finíssimas lamelas de um mosaico poligonizado. Alguns dos cristais exibem
de biotita e de clorita e com alterações para argilominerais leve alteração para mica muito fina e outros um aspecto de
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
zonação. Os cristais de clinopiroxênio (augita-diopsídio) são sugerem que a composição química dos ETR leves foi
prismáticos, por vezes esqueléticos, envolvendo pequenas pouco afetada por processos pós-magmáticos nas rochas
porções de hornblenda marrom, indicando uma origem estudadas (Tabela 3.10).
a partir deste. Contêm inclusões de opacos e também O número de Mg (59-72) nas amostras estudadas
envolvem pequenos cristais de plagioclásio. Os cristais de sugere que estas rochas não cristalizaram exclusivamente
epidoto são anédricos, geralmente esqueléticos envol- de magmas primários, indicando fontes heterogêneas.
vendo cristais de hornblenda marrom e de clinopiroxênio As rochas máficas estudadas agrupam-se no campo dos
e plagioclásio. Os cristais de opacos são em sua maioria “gabros” no diagrama álcalis-total (Na2O+K2O) vs. SiO2
anédricos, inclusos e associados aos cristais de hornblenda (TAS) (LE MAITRE et al., 1989) (Figura 3.64A) e no diagrama
e plagioclásio, representando a fase retrógrada. A luz direta ternário (K2O+Na2O) - FeOt - MgO para rochas máficas
mostra que a maioria dos cristais de opacos são sulfetos de Irvine e Baragar (1971), se distribuem no campo tole-
como pirita, calcopirita e bornita. A hornblenda marrom é ítico. No diagrama binário para discriminação de séries
típica de altas temperaturas e quando associadas ao clino- magmáticas da(Figura 3.64C) (BARRET; MACLEAN, 1999))
piroxênio e plagioclásios são comuns em rochas hornfels de confirma-se sua assinatura toleítica, enquanto o diagrama
composição basáltica. multicatiônico de Jensen (1976) (Figura 3.64D) permite
separá-las em gabros toleíticos de alto-Fe e alto-Mg.
3.6.5 Litogeoquímica das Rochas do Complexo Os toleítos de alto-Fe e Mg mostram padrões de ETR
Nova Mamoré similares (Figura 3.64A e C; Tabela 3.10), com normaliza-
ção ao condrito de Boynton (1984). As curvas represen-
Rochas Ortoderivadas do Complexo Nova Mamoré tam rochas com baixos valores de fracionamento ETR
leves vs. ETR pesados [(La/Yb) = 1,98 a 3,67] e anomalias
As rochas máficas do Complexo Nova Mamoré na de Eu fracamente negativas a positivas (Eu/Eu* = 0,86 até
região noroeste de Rondônia mostram baixo LOI (“loss- 1,12) sugerindo, além de fontes rasas, que o mecanismo
on-ignition” ou perda ao fogo = 0,2 a 2,24) sugerindo petrogenético concentrou plagioclásio nestas rochas.
fraca alteração intempérica, e as baixas razões (Gd/Yb) Nos diagramas de multi-elementos (Figura 3.64B e D) os
n, com valores fracamente elevados das razões Th/Ce LILE mostram fracas anomalias positivas, enriquecimento
(> 0,05) e (La/Sm)n (> 1,5), indicam fraca contaminação em Pb e Zr, anomalias negativas de Nb-Ta, baixos valores
crustal. Os valores da razão Ce/Ce* de 0,9 a 1,0 também em ETRt, porém com teores de Y relativamente altos.
A B
C D
Figura 3.63 - Hornfels metabásico, em fácies anfibolito, nas proximidades do distrito Palmeiras/RO. Hornblenda hornfels associado
ao metamorfismo de contato.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C
D
Figura 3.64 - Padrões de ETR normalizados segundo o condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto
primitivo de McDonough e Sun (1995) das rochas máficas do Complexo Nova Mamoré (cor verde). Campos dos toleítos de
alto-Fe e Mg do Complexo Jamari para comparação.
Os metagabros do Complexo Nova Mamoré na MORB e basaltos de arcos magmáticos. Para evitar
região NW de Rondônia têm conteúdo de TiO2 baixo as incertezas de discriminação de configuração dos
a médio, variando de 1,07 a 1,82, consistente com gabros e seu setting de geração, usamos os diagramas
o das rochas de bacia do arco posterior (back-arc) de Saccani (2015) (Figura 3.65A), Zr vs. Ti/Zr (Figura
em uma configuração de zona de supra-subducção, 3.65B) (PEARCE; CANN, 1973) e V vs. Ti de Shervais
com características químicas intermediárias entre (1982) (Figura 3.65C). As amostras se distribuem de
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| Projeto NW de Rondônia |
forma consistente nos campos dos back-arc nos três amostras seguem uma tendência paralela à junção
diagramas. A fonte dos metagabros do complexo é A-CN se o intemperismo for o controle da composição
relativamente rasa, inferior a 90 km, de acordo com o (FEDO et al., 1996). Contudo, os baixos a moderados
diagrama da Figura 3.66A, com composição espinélio- valores de CIA (30-65), e relativamente altos valores de
granada lherzolito com taxa de fusão de 10 a 20% ICV (> 1) (Figura 3.67B e C), assim como a correlação
conforme o diagrama da Figura 3.66B ou espinélio positiva entre as razões Zr/Sc e Th/Sc (diagrama não
lherzolito com taxa de fusão de 10 a 20% (Figura 3.66C). mostrado) sugerem sedimentação de baixa maturidade
com baixo intemperismo (Figura 3.67D).
Rochas Metassedimentares do Complexo Nova Mamoré Os valores das razões Th/Co vs. La/Sc são indicado-
res muito confiáveis para a estimativa da composição
As rochas analisadas desta unidade se distribuem em das fontes de rochas metassedimentares (CULLERS,
diferentes grupos litológicos (Tabela 3.11, Tabela 3.12 e 2002), destacando na Figura 3.68A o predomínio de
Tabela 3.13): gnaisse calcisilicático, granada-cordierita- fontes félsicas, e no diagrama da Figura 3.68B, Hf vs.
silimanita gnaisse, silimanita quartzito, granada-biotita La/Th (FLOYD; LEVERIDGE, 1987) as rochas se distri-
gnaisse (com grafite) e turmalinitos. buem nos campos que sugerem proveniência domi-
Os protólitos destas rochas podem ser deduzidos nada pela mistura de rochas ácidas até básicas de
na Figura 3.67A como grauvacas, litoarenitos, arcó- arco magmático e seus produtos de intemperismo e
seos e subarcóseos e na Figura 3.67B como folhelhos, sedimentação. No diagrama das razões Zr/Sc e Th/Sc
folhelhos com ferro, grauvacas, arcóseos e litoarenitos. para rochas metassedimentares (Figura 3.68C), as
A história de intemperismo para as rochas metasse- amostras definem uma correlação positiva, indicando
dimentares estudadas pode ser avaliada usando o que a fonte do material foi fracamente alterada com
diagrama A-CN-K (Figura 3.67C). Neste diagrama, as pequena participação de ressedimentação.
A B
Figura 3.65 - Em (A) diagrama discriminante de Saccani (2015) e as rochas máficas no campo dos back-arc tipo-A; (B) diagrama binário
com elementos traço incompatíveis (PEARCE; CANN, 1973); e (C) diagrama discriminante de Shervais (1982).
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A B
Figura 3.66 - Em (A) diagrama de Herzberg (1995) e Wang et al. (2004) e as razões Th/Y indicativas de fontes de profundidade inferior a 90 km;
(B) diagramas de ETR e as curvas de fusão de fontes mantélicas (ZHOU; WANG, 1988); (C) diagrama de Thirlwall et al. (2006) e com amostras
alinhadas na curva de fusão de fonte mantélica de composição espinélio lherzolito e as taxas de fusão de Aldanmaz et al. (2000). DM – manto
depletado de McKenzie e O’Nions (1991, 1995) e PM – manto primitivo de Sun e McDonough (1989). Símbolos como na Figura 3.65.
Tabela 3.11 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas calcissilicaticas metassedimentares do Complexo Nova Mamoré.
Neossoma Neossoma Neossoma Neossoma Gnaisse cálcio- Gnaisse cálcio- Gnaisse cálcio- Gnaisse cálcio-
Rocha
granítico granítico granítico granítico silicático silicático silicático silicático
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.11 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas calcissilicaticas metassedimentares do Complexo Nova Mamoré (continuação).
Neossoma Neossoma Neossoma Neossoma Gnaisse cálcio- Gnaisse cálcio- Gnaisse cálcio- Gnaisse cálcio-
Rocha
granítico granítico granítico granítico silicático silicático silicático silicático
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Tabela 3.11 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas calcissilicaticas metassedimentares do Complexo Nova Mamoré (continuação).
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Tabela 3.11 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas calcissilicaticas metassedimentares do Complexo Nova Mamoré (continuação).
Tabela 3.12 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas Metapeliticas do Complexo Nova Mamoré.
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Tabela 3.12 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas Metapeliticas do Complexo Nova Mamoré (continuação).
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A B
D
C
Figura 3.67 - Em (A) diagrama de classificação química de rochas sedimentares de Pettijohn et al. (1972); (B) diagrama bi-logaritmico de
classificação química de Herron (1988); (C) diagrama ternário Al2O3–(CaO+Na2O)–K2O (FEDO; NESBITT; YOUNG, 1995);
(D) diagrama CIA vs. ICV (COX; LOWE; CULLERS, 1995). ICV = (Fe2O3+K2O+Na2O+CaO+MgO+MnO+TiO2)/Al2O3
e CIA = (Al2O3/(Al2O3+CaO*+Na2O+K2O)*100.
A B
Figura 3.68 -Em (A) diagrama binário com elementos incompatíveis vs. compatíveis e a natureza das fontes (CULLERS, 2002);
(B) diagrama geoquímico Hf vs. La/Th (FLOYD; LEVERIDGE, 1987); (C) diagrama Th/Sc vs. Zr/Sc e os trends da variação composicional
e ressedimentação (FEDO; NESBITT; YOUNG, 1995). Símbolos como na Figura 3.67.
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| Projeto NW de Rondônia |
A composição geoquímica das rochas sedimentares K-fesldspato, por vezes manteados por plagioclásio; gra-
siliciclásticas é particularmente útil para discriminar os nitos porfiríticos de granulação fina a média; granitos
ambientes tectônicos e respectivas bacias (BHATIA, 1983; equigranulares de granulação fina a média; granitos
ROSER; KORSCH, 1986). Nos diagramas ternários que usam rapakivi e charnockitos, identificados em litofácies distin-
elementos traços imóveis, na Figura 3.69A e B, a composi- tas (TRIVELLI et al., 2019; COSTA; CASTRO; BUCH, 2018).
ção química das rochas metassedimentares do Complexo As datações geocronológicas U-Pb em zircão revela-
Nova Mamoré sugere deposição em bacia relacionada à ram idades entre 1346 ±5 Ma para a litofácies charno-
evolução de arco continental ou de margem continental ckito e 1329 ±12 Ma para a litofácies Alcalinas Campo
ativa com poucas amostras indicando a possibilidade de Novo (COSTA; CASTRO; BUCH, 2018). Estes granitos são
deposição parcial em bacia de margem passiva. intrusivos nas rochas da Suíte Serra da Providência e
Complexo Nova Mamoré. Na Carta Geológica da Folha
3.7 SUÍTE ALTO CANDEIAS (MP2γac) Alto Jamari, Costa, Castro e Buch (2018) subdividiram
esta unidade litoestratigráfica em um corpo com oito
3.7.1 Aspectos gerais litofácies, no entanto, na área de trabalho do atual projeto
foi reconhecida apenas uma, a litofácies Sienogranito a
O termo Batólito Alto Candeias foi utilizado por Souza Monzogranito (MP2γacbspe). De modo geral, são sieno
et al. (1975), Leal et al. (1978), Isotta et al. (1978) para o a monzogranitos leucocráticos de cor cinza esbranqui-
batólito granítico que se estende por aproximadamente çado, porfiríticos, isotrópicos a foliados, com fenocristais
150 km em seu maior eixo, sendo o maior batólito granítico de feldspato potássico subédricos a subarredondados
do estado de Rondônia. Apesar deste corpo ser referido em matriz xenomórfica granular grossa (Figura 3.70),
na literatura técnica por muitos anos como Batólito Alto compostos por quartzo, feldspato pertítico, plagioclá-
Candeias, Costa, Castro e Buch (2018) tiveram que adotar sio, biotita, hornblenda, eventualmente clinopiroxênio,
a terminologia de Batólito Buritis (MP2γacb) para seguir titanita, allanita, apatita, zircão e opacos.
regras de definição de nomenclatura estratigráfica, uma vez No trabalho de Costa, Castro e Buch (2018), foram
que o termo Alto Candeias foi utilizado por Bettencourt et determinadas idades-Pb em zircão 1338 ±23 Ma, desta
al. (1997) para denominar a Suíte Intrusiva Alto Candeias, forma é associada a ideia do caráter sintectônico para a
na qual o Batólito Buritis está incluso. O batólito polifásico Suíte Alto Candeias no Complexo Nova Mamoré. Estes gra-
Alto Candeias compõe volumoso magmatismo granítico nitos, quando deformados exibem textura porfiroclástica e
pertencente ao contexto geológico do sudoeste do Cráton uma foliação protomilonítica de direção aproximadamente
Amazônico, na porção centro-leste do estado de Rondônia. EW e NW-SE. A litofácies sienogranito e monzogranito
Esta região hospeda registro de magmatismo com assinatura formam corpos irregulares que são constituídos por uma
geoquímica do tipo-A, que ocorreu sob diferentes pulsos associação entre granitos porfiríticos a microporfiríticos
em sucessivos episódios magmáticos ao longo do Meso ao de matriz fina a média, apresentam fenocristais euédricos
Neoproterozoico (TRIVELLI et al., 2019, SANTOS et al., 2008). de ortoclásio com maclamento “Carlsbad” e plagioclásio
Os granitos da Suíte Alto Candeias afloram sob a que exibem uma foliação de fluxo magmático.
forma de grandes lajedos e mega-blocos tipo boulders. A assinatura geofísica é bem marcada na Amplitude
São granitos porfiríticos de granulação média a grossa do Sinal Analítico (ASA), em domínios magnéticos de
que apresentam cristais arredondados e tabulares de média a alta intensidade marcado pela forma linear.
A B
Figura 3.69 - Diagramas de discriminação tectônica das rochas metassedimentares do Complexo Nova Mamoré. Em (A) diagrama
ternário Th-Sc-La (BHATIA; CROOK, 1986); (B) diagrama de setting tectônico de Bhatia e Crook (1986).
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Nos mapas da ASA, como no mapa da primeira derivada, e por plagioclásio mirmequítico (Figura 3.71). Os pórfiros
é bem marcada a estruturação com trend nordeste, de plagioclásios (albita-oligoclásio) são subédricos, com
correspondente à forma do corpo observada na área de geminação da albita e carlsbad e periclina e geralmente
pesquisa. Nos mapas gamaespectrométricos os litotipos com aspecto de zonação. Alguns dos cristais de plagio-
desta unidade possuem alta concentração nos canais de clásio com maclas da albita mostram-se com restos de
potássio, tório e uranio, que no mapa RGB apresentam k-fedspato, indicando tratar-se de albita por substitui-
cores variando de tons brancos a azul turquesa. ção (Figura 3.71). Também se mostram alterados para
argilominerais e levemente para sericita. Intercrescem
3.7.2 Petrografia com quartzo nas bordas dos cristais de k-fedspato for-
mando mirmequitas. Os cristais de quartzo são anédricos,
As amostras desta unidade que foram observadas em alguns policristalinos e outros em subgrãos, geralmente
lâmina delgada são classificadas como monzogranito pór- intersticiais aos feldspatos, exibindo por vezes leve extin-
firo, constituídas essencialmente por k-feldspato (28%), ção ondulante. A biotita encontra-se em cristais tabu-
plagioclásio (22%), quartzo (13%) e biotita (20%). Os minerais lares, agregados, com pleocroísmo castanho-escuro e
acessórios são hornblenda (6%), titanita-cassiterita (3%), pardo-escuro, associados aos cristais de hornblenda,
allanita (2%), opacos (2%), zircão (2%) e apatita (2%). Estes opacos (ilmenita), allanita, titanita e apatita. Contêm,
minerais distribuem-se em uma textura granular alotrio- por vezes, inclusões diminutas de zircão com halos e
mórfica, com cristais de cassiterita observados em lâmina. de titanita alterada para leucoxênio e apatita. Tem-se
Os pórfiros de k-feldspatosão subédricos e anédricos, biotita secundária formada a partir da hornblenda. Os
pertíticos de birrefringência escura e alguns claros e com cristais de anfibólio (hornblenda) são prismáticos, com
geminação carlsbad associada e com aspecto de zona- pleocroísmo verde-escuro a claro, associados à biotita
ção, e que em ambos os casos são comuns ao ortoclásio e localmente à cassiterita (Figura 3.71). Os cristais de
(Figura 3.71A). Alguns são micropertíticos com traços da allanita são subédricos e anédricos, geralmente asso-
macla Albita-Periclina (tartan) típica do microclínio (Figura ciados e inclusos em biotita. Os cristais de titanita são
3.71A). Os maiores cristais são de pertitas com gemi- anédricos, alguns maiores e outros diminutos quando
nação carlsbad associada, medindo em torno de 5 mm associados e inclusos em biotita. Os cristais de apatita
de comprimento. Exibem alguns dos cristais de pertitas são anédricos, subarredondados, associados à biotita.
certa densidade de inclusões de quartzo globular e de Tem-se zircão em diminutos grãos metamíticos e em
plagioclásio e geralmente bordas abauladas por quartzo finos cristais subédricos, inclusos e associados à biotita.
A B
C D
Figura 3.70 - Aspecto macroscópico de monzogranitos porfiríticos da Suíte Alto Candeias aflorantes na área.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 3.71 - Fotomicrografias de monzogranito da Suíte Alto Candeias. A) Aspecto textural mostrando feldspatos pertíticos e
mirmequíticos. B) Cristais de cassiterita
Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto
Unidade
Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias
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Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto Suíte Alto
Unidade
Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias Candeias
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A B
C
D
Figura 3.72 - Em (A) diagrama de classificação química Na2O+K2O vs. SiO2 (TAS) e os granitos da Suíte Alto
Candeias, adaptado por Irvine e Baragar (1971); (B) diagrama classificatório Q-P de Debon e LeFort (1988);
(C) diagrama binário K2O vs. SiO2 de Peccerillo e Taylor (1976) e (D) diagrama ASI vs. SiO2 com o teor de
saturação e alumina adaptado por Frost et al. (2001).
A B
Figura 3.73 - Em diagramas desenvolvidos por Frost et al. (2001); em (A) campos magnesiano e ferroso
e em (B) diagrama MALI vs. SiO2 e os campos das séries magmáticas. Símbolos como na Figura 3.72.
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A B
Figura 3.74 - Em (A) ternário Ba-Rb-Sr de El Bosely e El Sokkary (1975) e o grau de diferenciação petrogenética; (B) diagrama binário de
Dall’Agnol e Oliveira (2007) e os campos dos granitos tipo-A e cálcio-alcalinos; (C) diagrama ternário de Eby (1990) e os sienogranitos da
Suíte Alto Candeias no campo dos granitos tipo-A2. Símbolos como na Figura 3.72.
No diagrama de padrões de ETR normalizados ao n = 8,38 e 28,80), baixas razões La/Sm (3,25 e 5,62) e
condrito de Boynton (1984) (Figura 3.75A) e de multie- Gd/Yb (1,84 a 2,99).Na Figura 3.75F destacam-se enri-
lementos (normalização ao manto primitivo de MCDO- quecimento em Rb, Pb, Th e Zr, depleção em Ba e Sr e
NOUGH e SUN, 1995) (Figura 3.75B), a composição do anomalias negativas de Nb-Ta, P e Ti.
quartzo monzonito gera curva similar aos monzogranitos, No diagrama de discriminação tectônica Rb-Y-Nb de
enquanto as curvas do quartzo sienito são similares Thièblemont e Cabanis (1990) (Figura 3.76A) as amos-
aos sienogranitos (Figura 3.75G e H). Monzogranitos da tras se distribuem entre os campos pós-colisional e
Suíte Alto Candeias (Figura 3.75C) mostram curvas de sin-subducção/pós-colisão. No diagrama binário de
ETR com enriquecimento em elementos leves, médio a Thièblement e Tègyey (1994), se distribuem no campo
alto fracionamento [(La/Yb) = 13 a 42, com uma amostra colisional/pós-colisional dos granitos tipo-A-2 (Figura
fracamente fracionada = 5,60], baixo fracionamento dos 3.76B) e no diagrama de discriminação proposto por
ETR leves [(La/Sm) = 3,33 a 5,89] e ETR pesados [(Gd/Yb) Batchelor e Bowden (1985), plotam no campo tardi-
n = 1,25 a 3,63] com importantes anomalias negativas orogênico (Figura 3.76C).
de Eu (Eu/Eu* = 0,31 a 0,35).
As curvas de multi-elementos da Figura 3.75D desta- 3.8 SUÍTE SÃO LOURENÇO-CARIPUNAS (MP2γlc)
cam enriquecimento em Rb e fraca depleção de Ba e Sr,
enriquecimento em Zr e anomalias negativas de Nb-Ta, P 3.8.1 Aspectos gerais
e Ti. Os padrões de ETR dos sienogranitos no diagrama da
Figura 3.75E mostram rochas com menor enriquecimento A Suíte São Lourenço-Caripunas (BETTENCOURT et
de ETR leves em relação aos monzogranitos, anomalias al., 1997) é constituída por biotita sienogranitos, gra-
negativas de Eu medianas (Eu/Eu* = 0,49 e 0,58), médio nitos pórfiros subvulcânicos, microgranitos de matriz
a alto fracionamento ETR leves x pesados [(razão La/Yb) granofírica e quartzo-sienitos. Os termos porfiríticos são
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| Projeto NW de Rondônia |
mais frequentes, mas também ocorre textura equigra- Os afloramentos ocorrem na porção norte das folhas
nular e rapakivi. A mineralogia principal é definida por Abunã e Mutum-Paraná, em corpos intrusivos na Forma-
feldspatos micropertíticos, quartzo, anfibólio, biotita, ção Mutum-Paraná e no Complexo Jamari, parcialmente
eventualmente apatita, zircão, opacos, titanita, fluorita, encobertos por sedimentos das formações Palmeiral
riebequita e aegirina-augita. De modo geral as rochas (Proterozoico) e Rio Madeira (Cenozoico). Durante a
desta suíte apresentam característica de alojamento e etapas de mapeamento foram identificadas três fácies
cristalização em crosta rasa (epizona). graníticas e uma fácies riolítica (Quadro 3.5).
A B
C D
E F
G H
Figura 3.75 - Padrões de ETR normalizados segundo o condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto
primitivo de McDonough e Sun (1995) dos granitos da Suíte Alto Candeias.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
B
A
Figura 3.76 - Diagramas petrotectônicos com a indicação das fases de evolução do orógeno. Em (A) diagrama ternário de Thièblemont e
Cabanis (1990); (B) diagrama de Thieblemont e Tègyey (1994) e em (C) diagrama multicatiônico R1-R2 adaptado por Batchelor e Bowden (1985).
Quadro 3.5 - Rochas da Suíte São Lourenço-Caripunas. da área aflorante do batólito granítico, com algu-
mas anomalias de cor branca, em regiões com boas
UNIDADES SUBUNIDADES CARACTERÍSTICAS exposições de granitos.
(1) Monzogranito e
Médio a grosso, rapakivi 3.8.2 Granitos
monzogranito
equigranular com hornblenda
protocataclástico
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
E F
Figura 3.77 - Aspecto macroscópico de rochas da Suíte São Lourenço-Caripunas. A e B) Granito fino e rapakivi. C) Sienogranito grosso
e porfirítico. D e E) Granitos da região de São Lourenço-Caripunas, próximos da mina de cassiterita. F) Riolito fino a médio com
fenocristais de feldspato, quartzo e piroxênio.
Esta unidade ocorre apenas na região de São Foram analisadas, desta unidade, lâminas petrográ-
Lourenço, em lajes aflorantes na mata nativa. Estes ficas das três litologias graníticas e da unidade riolítica.
corpos intrudem nas rochas sedimentares da Forma- As litofácies monzo e sienogranitos rapakivi médio a
ção Mutum-Paraná, sendo observado pelas faixas grosso, são constituídos por quartzo (20%), ortoclásio
com auréolas de contato. São riolitos de cor escura, (30-40%), plagioclásio (30-35%), biotita, hornblenda e
de granulação fina a média com pequenos pórfiros opacos (10%). O arranjo textural é hipidiomórfico-gra-
(Figura 3.77F), isotrópicos e magnéticos, compostos por nular com contatos intergranulares retilíneos e atectô-
quartzo, feldspato e piroxênio, com cristais euédricos e nicos. Essa textura mostra ausência de qualquer efeito
subarredondados, e apesar de isotrópicos, apresentam deformacional indicando tratar-se de uma rocha ígnea
incipiente orientação de fenocristais. emplacada sob condições anorogênicas e cristalizada
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
em ambiente de quietude tectônica. O quartzo euédrico prismáticos bem desenvolvidos de biotita parcialmente
de primeira geração tem bordas exibindo efeitos de cloritizada e de hornblenda hastingsítica, associada com
reabsorção magmática. Enquanto o quartzo de segunda apatita e opacos.
geração é anédrico com cristalização tardia e de loca- A fácies fina e rapakivi (monzo e sienogranito), é cons-
lização intersticial ou intergranular. O ortoclásio e o tituída essencialmente por quartzo (25-35%), k-feldspato
plagioclásio mostram-se bem desenvolvidos localmente (30%), plagioclásio (30%), biotita, fluorita e topázio (15%).
com efeitos de exsolução magmática e formando textura Os minerais acessórios são constituídos por sericita/mica
rapakivi. Quando intercrescido com ortoclásio constrói branca (2%), allanita (< 1%), zircão (< 1%) e minerais opacos
um padrão micrográfico ou granofírico disseminados (< 1%) (Figura 3.78C e D). A rocha é de natureza ácida, leuco-
pela rocha (Figura 3.78A e B). O ortoclásio é euédrico, crática, com textura hipidiomórfica granular tipomorfa. Os
com textura interna micropertítica parcialmente argi- caracteres estruturais, texturais e composicionais são indica-
lizado. O plagioclásio albítico é euédrico parcialmente tivos de um magmatismo granítico plutônico com uma supe-
sericitizado. A essa paragênese associam-se cristais rimposição deformacional em estágio protocataclástico.
A B
C D
E F
Figura 3.78 - Micrografias da Suíte São Lourenço-Caripunas. A e B) Granito médio a grosso. C e D) Granito fino com pórfiros, é possível
observar mirmequita. E e F) Riolito exibindo matriz muito fina com pórfiros.
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| Projeto NW de Rondônia |
Uma outra fácies possui textura granoblástica, ine- de deformação tais como a extinção ondulante. Os feno-
quigranular, granulação média a grossa, com predomínio cristais de plagioclásio são tabulares, possuem geminação
da grossa, sem foliação aparente e alterada. É constituída albita, granulação média a grossa, e estão parcialmente
essencialmente por feldspato alcalino, quartzo, plagioclásio sericitizados e repletos de inclusões. Os fenocristais de
e biotita. Minerais opacos e zircão são acessórios, enquanto microclina, de granulação média a grossa estão parcial-
que sericita/mica branca e clorita são minerais de altera- mente sericitizados e repletos de inclusões. Os fenocris-
ção. O k-feldspatoé hipidiomórfico a xenomórfico, com tais de clinopiroxênio estão parcialmente alterados para
bordas corroídas e de aspecto turvo em luz plana devido hornblenda, principalmente nas bordas, e para minerais
a alteração para sericita/mica branca. Exibem textura opacos. A matriz é constituída de essencialmente de
gráfica, micropertitas, e possuem inclusões de quartzo, minúsculos cristais de quartzo e feldspatos com quanti-
biotita e minerais opacos. Observa-se a presença de tex- dades subordinadas de sericita e microcristais e manchas
tura rapakivi em um cristal cujo núcleo é constituído por de opacos alterados para leucoxênio disseminados na
k-fedspato arredondado e com bordas corroídas envolto matriz. Cristais bem formados de zircão e apatita ocorrem
por um cristal idiomórfico de plagioclásio com geminação cristalizados na matriz e junto com o piroxênio.
albita. O quartzo é xenomórfico de granulação grossa e
com extinção ondulante. O plagioclásio é idiomórfico a 3.8.5 Litogeoquímica
hipidiomórfico, com aspecto levemente turvo em luz plana
devido a sericitização. Biotita parcialmente a totalmente Foram analisadas seis amostras de corpos graníticos
alterada para clorita ocorre como palhetas isoladas ou localizados na porção centro-norte da Folha Mutum-
agregados de palhetas dispersas na rocha. Os minerais Paraná e os resultados analíticos constam na Tabela
opacos ocorrem inclusos nos minerais da rocha e, oca- 3.15. Os sienogranitos têm alto a muito alto SiO2 (71,2 a
sionalmente, apresentam biotita nas suas bordas. Zircão 75,10), nos diagramas de classificação da Figura 3.79A
geralmente ocorre associado aos aglomerados de biotita. e B as amostras ocupam os campos dos granitos/sie-
O riolito é constituído por aproximadamente 50% nogranitos, são rochas de muito alto-K (Figura 3.79C)
de fenocristais e 50% de matriz. Esta rocha possui tex- e metaluminosas a fracamente peraluminosas (Figura
tura porfirítica, sem foliação, constituída por fenocristais 3.79D). No diagrama FeOT/(FeOT+MgO) vs. SiO2 (Figura
não orientados de granulação variando de fina a grossa, 3.80A; campos de FROST et al., 2001) os granitos plotam
imersos em uma matriz microcristalina (Figura 3.78E e F). no campo das rochas ferrosas ou granitos tipo-A e no
Os fenocristais são de quartzo, plagioclásio, microclina e diagrama da Figura 3.80B [FROST et al., 2001; (Na2O+K2O)
clinopiroxênio. Os fenocristais de quartzo têm granulação - CaO vs. SiO2] se distribuem no campo álcali-cálcico.
fina a média e são euédricos, subédricos e anédricos. As São rochas com razões K2O/Na2O variando entre 1,58 e
bordas são retas, irregulares e arredondadas, e alguns e 2,16, álcalis (Na2O+K2O) entre 8,75 e 8,89, moderada a
apresentam figura de corrosão. Não apresentam evidência evoluídas com razões K/Rb entre 155 e 262.
Tabela 3.15 - Concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm) e Terras Raras (ppm) em amostras
da Suíte São Lourenço - Caripunas.
Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço-
Unidade
Caripunas Caripunas Caripunas Caripunas Caripunas Caripunas
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.15 - Concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm) e Terras Raras (ppm) em amostras
da Suíte São Lourenço - Caripunas (continuação).
Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço- Suíte São Lourenço-
Unidade
Caripunas Caripunas Caripunas Caripunas Caripunas Caripunas
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C
D
Figura 3.79 - Em (A) diagrama de classificação química Na2O+K2O vs. SiO2 (TAS) e os sienogranitos da Suíte São Lourenço-Caripunas
adaptado por Irvine e Baragar (1971); (B) diagrama classificatório Q-P de Debon e LeFort (1988); (C) diagrama binário K2O vs. SiO2 de
Peccerillo e Taylor (1976) e (D) diagrama ASI vs. SiO2 com o teor de saturação em alumina adaptado por Frost et al. (2001).
A B
Figura 3.80 - Em diagramas desenvolvidos por Frost et al. (2001); em (A) campos magnesiano e ferroso e em (B) diagrama MALI vs. SiO2
e os campos das séries magmáticas.
No diagrama ternário da Figura 3.81A destaca-se o de Eu (Eu/Eu* = 0,17 e 0,30), baixo fracionamento ETR
comportamento químico dos LILE definindo rochas no leves x pesados [(razão La/Yb)n = 5,99 a 7,16), baixas
campo dos granitos anômalos a fracamente diferen- razões La/Sm (3,56 a 4,10) e Gd/Yb (1,07 a 1,55). Na
ciados. Na Figura 3.81B os granitos se distribuem no Figura 3.82B destacam-se enriquecimento em Rb, Th,
campo dos granitos tipo-A reduzidos, com valores de Y e Zr, depleção em Ba e Sr e anomalias negativas de
HFSE característicos dos granitos tipo-A-2 no no diagrama Nb-Ta, P e Ti.
ternário da Figura 3.81C. No diagrama de discriminação tectônica Rb-Y-Nb de
Os padrões de ETR dos sienogranitos no diagrama Thièblemont e Cabanis (1990) (Figura 3.83A) as amostras se
da Figura 3.82A mostram rochas com ETR enriquecidos distribuem na interface dos campos pós-colisional e sin-sub-
120 vezes o condrito, acentuadas anomalias negativas ducção/pós-colisão, no diagrama binário de Thièblement
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
e Tègyey (1994) (Figura 3.83B), se distribuem no campo euédricos, de tamanho variando entre 70 e 255 μm, e mui-
colisional/pós-colisional dos granitos tipo-A-2 e no diagrama tos apresentam fraturas (MESQUITA; RODRIGUES, 2019b).
de discriminação proposto por Batchelor e Bowden (1985), A regressão de treze pontos forneceu um intercepto
caem no campo tardi a pós-orogênico (Figura 3.83C). superior de 1302 ±19 Ma (MSWD de 0,44) (calculada
com as elipses em preto e azul da Figura 3.84). Com
3.8.6 Geocronologia o objetivo de melhorar o cálculo, foram selecionados
pontos com discordância menor do que 2%. Os dados
O zircão da amostra proveniente do granito da Suíte de nove pontos atenderam a este critério e permitiram
São Lourenço-Caripunas é, em sua maioria, límpido, com o cálculo da Concordia Age de 1298 ±3 Ma (elipses em
algumas exceções de cristais translúcidos e opacos. Os azul) que é interpretada como a melhor estimativa para
cristais possuem prismas curtos a alongados, subédricos a a idade de cristalização da rocha.
A B
Figura 3.81 - Em (A) ternário Ba-Rb-Sr de El Bosely e El Sokkary (1975) e o grau de diferenciação petrogenética; (B) diagrama binário de
Dall’Agnol e Oliveira (2007) e os campos dos granitos tipo e cálcio-alcalinos; (C) diagrama ternário de Eby (1990) e os sienogranitos da
Suíte São Lourenço-Karipunas no campo dos granitos tipo-A2.
A B
Figura 3 82 - Padrões de ETR normalizados segundo o condrito de Boynton (1984) e de multi-elementos normalizados pelo manto
primitivo de McDonough e Sun (1995) dos sienogranitos da Suíte São Lourenço-Karipunas.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 3.83 - Diagramas petrotectônicos com a indicação das fases de evolução do orógeno. Em (A) diagrama ternário de Thièblemont
e Cabanis (1990); (B) diagrama de Thièblement e Tègyey (1994) e em (C) diagrama multicatiônico R1-R2 adaptado por Batchelor e
Bowden (1985).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
de anatexia foram individualizados como uma outra porção leste e oeste do batólito ocorre biotita granito
unidade, integrante desta suíte, denominada de Granito microporfirítico fino a médio que preserva a mesma
Nova Dimensão (Quadro 3.6). trama de fluxo magmático. Na região norte do batólito
A Suíte Laje possui um batólito composto principal, predomina o muscovita-biotita granito, fino a médio.
com aproximadamente 20 km de diâmetro, que está Relacionada à baixa amplitude de background mag-
localizado dominantemente na Folha Igarapé Água Azul. nético, em formato irregular, na porção central da Folha
No entorno deste batólito principal afloram uma série Igarapé Água Azul. Nos mapas gamaespectrométricos
de stocks subordinados e numerosos corpos em escala os litotipos desta unidade possuem alta concentração
de afloramento que são intrusivos no Complexo Nova nos canais de potássio, tório e urânio, que no mapa
Mamoré. Foram observados os litotipos: biotita sieno- RGB apresentam cores variando de tons brancos e
granito equigranular a porfirítico, biotita granodiorito, vermelhos.
biotita monzogranito e biotita hornblenda monzo- O Granito Nova Dimensão (MP2γlnd) é leucocrático,
granito. A maioria dos afloramentos apresenta rocha de cor branca ou cinza, com textura equigranular fina a
isotrópica, com alguns pontos com foliação incipiente. média ou grossa a pegmatítica (Figura 3.86). Ocorrem
A cor varia de cinza a claro, com matriz fina a média, granodioritos a sienogranitos com menos de 10% de
equigranular e algumas fácies com porções porfiríticas biotita, granada muscovita biotita leucogranito, gra-
de granulação média a grossa (Figura 3.85). A compo- nada granito e leucogranito porfirítico pegmatoide.
sição é quartzo feldspática, com biotita e por vezes A mineralogia consiste em K-fedspato, plagioclásio,
muscovita também (duas micas). Os termos porfiríticos quartzo, muscovita, biotita e granada. A foliação é
geralmente apresentam fluxo magmático, marcado pelo incipiente, com granadas granoblásticas de cresci-
alinhamento dos fenocristais euédricos de K-fedspato, mento tardio, às vezes formando aglomerados. A fácies
como também ocorrem rochas isotrópicas, foliadas e pegmatoide é associada a zonas com fusão em meio
milonitizadas, com textura granoblástica e porfiroclás- a rochas metapelíticas. São observados “film-mets”
tica. Este arcabouço estrutural pode representar um de plagioclásio nas bordas de cristais de K-fedspato,
caráter sintectônico. assim como ortoclásio e biotita titanífera (vermelha),
A presença de xenólitos é importante, ocorrendo típico de altas temperaturas, característico de granito
fragmentos de rochas metassedimentares encaixantes anatético e resultante da fusão associada à porção de
como gnaisses e metatexitos e biotitito (restitos) com neossoma dos migmatitos.
limites arredondados, corroídos, alongados segundo o Na porção sul do batólito principal, foi mapeada a
fluxo magmático ou posicionados de forma paralela à Zona de Cisalhamento de Nova Dimensão, uma estru-
foliação tectônica (Figura 3.85D). Granitos porfiríticos tura de expressão regional que se estende por mais de
geralmente ocorrem em áreas de fusão com mistura 70 Km de comprimento na direção N50° e deforma os
de magmas. Alguns afloramentos apresentam até 5% leucogranitos da Suíte Laje gerando uma trama milo-
de granadas granoblásticas. nítica a gnáissica.
Biotita monzogranito grosso, porfirítico, rosado, Esta unidade é bem assinalada no mapa da ASA,
com estrutura de fluxo magmático gerada em estado em uma grande anomalia elipsoidal com baixa ampli-
subsólidus conforme a direção N80° e mergulho sub tude magnética. A escala do aerolevantamento não
vertical, que predomina na porção central do batólito. permite diferenciar as subunidades desta suíte em
Esta rocha é cortada por biotita granito cinza, equigra- termos de ranges magnéticos. No mapa RGB tem alta
nular fino a médio, homogêneo, que ocorre distribuído concentração nos canais de potássio, tório e urânio,
amplamente no batólito e nos stocks subordinados. Na apresentando cores variando de branca a vermelha.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 3.85 - A) Biotita granito. B) Biotita granito com granada. C) Biotita granito porfirítico e D) Biotita
granito mega porfirítico com xenólitos da encaixante.
A B
C D
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Rizzotto et al. (2005a) apresentam idade 1340 ±5 pequenas porções de feldspatos e de biotita, indicando
Ma U-Pb SHRIMP para a Suíte Laje, obtida por informa- crescimento tardio. A biotita (titanífera) é tabular, com
ção verbal de J. O. Santos. Este autor interpreta a idade pleocroísmo castanho-avermelhado típico de altas tem-
como o pico metamórfico da Orogenia Rondoniana-San peraturas e castanho-claros, contendo inclusões de
Ignácio e a idade de cristalização dos granitos anaté- zircão formando halo pleocróico e com alteração para
ticos. Neste sentido a Suíte Laje pode ser entendida clorita e muscovita. A muscovita ocorre como cristais
como granitos do tipo “S” oriundos de fusão crustal, tabulares ao longo do k-feldspatoe como produto de
cuja principal fonte é atribuída às rochas paraderivadas alteração da biotita. A clorita ocorre também como
do Complexo Nova Mamoré. alteração da biotita. O zircão ocorre em grãos detríticos
e em diminutos cristais euédricos e metamicticos for-
3.9.2 Petrografia mando pontuações de halo em biotita e grãos maiores
e subarredondados associados à biotita. A presença de
Os granitos Laje (biotita e muscovita) variam de “films melt” de plagioclásio nas bordas de alguns dos
sieno e monzogranitos com pórfiros até granodioritos. cristais de k-fedspato, bem como a presença de orto-
São constituídos por k-feldspato(34-38%) plagioclásio clásio e biotita (titanífera) pardo-avermelhada, típicos
(12-18%), quartzo (22-26%), biotita (14-20%), muscovita de altas temperaturas, vem assim caracterizar o granito
(1-4%), zircão (2%), apatita (1%), clorita (1%) e opacos anatético como resultado de fusão e relacionados à
(1%). A textura é granular, hipidiomórfica, de granula- migmatitos regionais (Figura 3.87B).
ção média, com cristais de k-feldspatomedindo até 5,2 Os leucogranitos Nova Dimensão descritos neste
mm. O k-feldspatoé subédrico, pertítico com birrefrin- projeto variam de sienogranitos a monzogranitos pór-
gência cinza-escura e com maclas da albita-periclina firos, são constituídos essencialmente por k-feldspato
(tartan) e Carlsbad. O plagioclásio (albita-oligoclásio) (36-40%), plagioclásio (20-25%) e quartzo (22-35%). Os
é anédrico, com bordas mais sódicas do que o núcleo. minerais acessórios são granada (3-5%), biotita (2%),
Intercrescem com quartzo nas bordas de algumas per- muscovita (2%), zircão (2%) e opacos-sulfetos (1-3%). A
titas formando vênulas de mirmequita (Figura 3.87A). O textura é granular porfirítica, alotriomórfica, granulação
quartzo é anédrico, intersticial aos feldspatos, exibindo média a grossa, onde os maiores pórfiros são k-feldspato,
por vezes extinção ondulante e aprisionamento de medindo em torno de 5 mm de comprimento (Figura
A B
C D
Figura 3.87 - Fotomicrografias de granitos da Suíte Laje. A) Granito Laje com mirmequita e biotita. B) Films melts evidenciando alta
temperatura. C) Pórfiros de feldspato potássico. D) Alteração de feldspato.
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.16 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Suíte Laje.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.16 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Suíte Laje (continuação).
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.16 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Suíte Laje (continuação).
Grt sieno Grt sieno Grt sieno Grt sieno Grt sieno Grt sieno Bt monzo Bt monzo Bt monzo
Rocha
granito granito granito granito granito granito granito granito granito
Sample CE-069A CE-072 CE-074 CE-075 CE-076 CE-077 GN-069A CM-030 CM-035
SiO2 76,90 73,60 73,70 73,60 73,50 74 68,70 71,30 71,20
Al2O3 13,70 14,20 14,30 14,30 14,50 14,70 14,00 14,80 13,80
Fe2O3 1,16 1,32 1,05 1,49 1,17 0,86 5,15 3,52 3,54
MgO 0,19 0,11 0,10 0,22 0,10 0,10 0,93 0,69 0,71
CaO 1,02 0,81 0,79 1,16 1,02 0,56 2,21 1,51 1,56
Na2O 3,83 4,37 3,61 4,32 4,64 4,77 2,70 3,22 2,93
K 2O 4,28 4,34 5,65 4,05 4,01 4,64 4,10 5,23 5,01
TiO2 0,15 0,08 0,07 0,16 0,12 0,01 0,76 0,43 0,44
P2O5 0,06 0,04 0,01 0,04 0,05 0,12 0,24 0,12 0,11
MnO 0,02 0,05 0,05 0,01 0,01 0,05 0,05 0,05 0,05
LOI 0,58 0,24 0,20 0,42 0,32 0,32 0,65 0,31 0,73
Sum 101,89 99,16 99,53 99,77 99,44 100,12 99,49 101,18 100,08
K2O/Na2O 1,12 0,99 1,57 0,94 0,86 0,97 1,52 1,62 1,71
Na2O+K2O 8,11 8,71 9,26 8,37 8,65 9,41 6,80 8,45 7,94
TsatZr 629,20 710,90 711,30 712 719,80 643,20 850,20 839,20 835,90
Cr 6 14 9 8 6 3 14 11 15
Ni 3,40 2,40 3,30 3,20 3 1,60 16,60 9,60 12,10
Co 1 0,70 0,40 2 0,30 1 10,10 6,80 7,10
Sc 2 1,60 1,80 3,50 2,60 5 13,30 6,40 8,40
V 22 23 5 35 5 0,20 65 51 44
Cu 0,50 0,80 2,50 1,60 3,90 0,80 5 2,40 7,30
Pb 33,60 52,40 66,30 22,70 32,90 25,50 19,20 20,80 23,20
Zn 27 34 12 41 23 15 84 64 69
Rb 118 152,10 145,70 129,10 220,90 166,80 184,60 186,80 207,40
Ba 552 1469 1188 1003 1793 66 863 1102 745
Sr 156 442 324 789 559 26 204 274 154
Cs 0,59 0,62 0,71 1,17 1,23 0,64 7,58 6,42 6,74
Ga 16,60 19,80 20,10 19,80 21,60 16 20,20 20,10 18,30
Y 20,66 17,58 10,68 7,86 11,61 4,64 44,23 24,40 23,75
Nb 4,06 4,44 4,88 6,17 8,28 3,60 16,95 18,55 19,03
Ta 0,28 0,15 0,21 0,39 1,33 0,16 1,02 0,77 0,56
Zr 43 115 116 119 130 55 428 391 384
Hf 1,40 3,97 3,87 4,03 3,46 1,88 10,14 9,82 8,47
U 3,15 8,01 14,15 10,32 4,95 2,43 3,80 3,35 6,29
Th 3,80 12 14 15,70 22,30 0,40 16,50 28,60 24
Sn 1,10 1 1,20 0,80 2,60 2,50 2,70 3,50 2,70
La 17,70 16,60 9,50 34,20 36,40 3,50 74,90 98,10 73,20
Ce 31,90 32,90 17,90 56,30 58,10 5,20 146 191,40 156,90
Pr 3,95 4,33 2,18 5,96 5,70 0,54 16,91 21,97 18,59
Nd 14,10 17,20 7,80 20,20 18,20 1,70 59,90 72,10 64,30
Sm 3,10 4,50 1,70 3,60 2,60 0,30 9 11,70 11,60
Eu 1,04 0,77 0,50 0,76 0,49 0,10 1,64 1,24 1,11
| 111 |
| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.16 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Suíte Laje (continuação).
Grt sieno Grt sieno Grt sieno Grt sieno Grt sieno Grt sieno Bt monzo Bt monzo Bt monzo
Rocha
granito granito granito granito granito granito granito granito granito
Sample CE-069A CE-072 CE-074 CE-075 CE-076 CE-077 GN-069A CM-030 CM-035
Tb 0,55 0,53 0,22 0,35 0,34 0,07 1,18 1,04 1,08
Gd 3,21 3,99 1,44 2,75 2,15 0,29 7,41 8,13 8,33
Dy 3,46 3,09 1,57 1,66 1,93 0,58 7,52 5,35 5,47
Ho 0,66 0,56 0,36 0,25 0,36 0,12 1,46 0,92 0,93
Er 1,93 1,89 1,24 0,67 1,10 0,49 4,23 2,16 2,23
Tm 0,27 0,28 0,19 0,08 0,17 0,10 0,62 0,26 0,24
Yb 1,70 1,90 1,40 0,40 1,10 0,90 3,70 1,40 1,20
Lu 0,17 0,23 0,13 0,05 0,08 0,07 0,42 0,12 0,11
ETR total 83,74 88,77 46,13 127,18 128,72 13,96 334,89 415,89 345,29
EuEu 1,01 0,56 0,98 0,74 0,63 1,04 0,61 0,39 0,35
(La/Yb)n 7,47 6,27 4,87 61,33 23,74 2,79 14,52 50,26 43,76
(La/Sm)n 3,69 2,38 3,61 6,13 9,04 7,53 5,37 5,41 4,07
(Gd/Yb)n 1,56 1,74 0,85 5,69 1,62 0,27 1,66 4,80 5,74
Tabela 3.16 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Suíte Laje (continuação).
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 3.16 - Resultado das análises litogeoquímicas de concentrações de elementos maiores (% em peso), traços (ppm)
e Terras Raras (ppm) das rochas da Suíte Laje (continuação).
Todas as amostras estudadas mostram moderado a normativa da Figura 3.88A são classificados como sieno
altos conteúdos de SiO2 (67 a 77% em peso) e Al2O3 e monzogranitos e no diagrama SiO2 vs. ASI de Frost et al.
(13,60 a 15,50% em peso), conteúdos varíáveis de TiO2 (2001), adaptado de Shand (1943) (Figura 3.88B) como
(0,15 a 0,86% em peso), P2O5 (0,02 a 0,25% em peso) rochas peraluminosas a fortemente peraluminosas.
e ETRt (120,08 a 498,27 ppm; 4 amostras com valores Embora os vários litotipos tenham conteúdos de
inferiores a 100 ppm), além de baixos teores de MnO ETR variáveis, eles mostram padrões similares. Monzo-
(0,02 a 0,08% em peso) e coríndon normativo variando granitos com biotita e granada têm valores de ETR total
de 0,662 a 2,077. No diagrama de classificação química variáveis (140 a 819 ppm) e quando normalizados aos
| 113 |
| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
valores do condrito de Boynton (1984) (Figura 3.89A) félsicos e anfibolitos/metatonalitos; na Figura 3.90D
mostram padrões levemente distintos, com alto fracio- confirma-se a heterogeneidade das fontes, com as
namento dos ETR [(La/Yb)n = 13 a 27] e três amostras amostras na superposição dos campos das grauvacas,
apresentando anomalias negativas de Eu acentuadas pelitos e granitoides.
(Eu/Eu* de 0,23 a 0,37); no diagrama de multielementos Os granitos S da Suíte Laje são peraluminosos a
da Figura 3.89B as rochas são enriquecidas em LILE fortemente peraluminosos, com altos valores da razão
(exceção do Sr), Pb, Zr com valores de enriquecimento, K2O/Na2O (1,12-2,12; porém cinco amostras têm valores
anomalia negativa de Nb-Ta, P e Ti e depleção em ETR entre 0,82 e 0,99) e baixas a elevadas concentrações
pesados. Sienogranitos com biotita e granada têm de Sr (112 a 789; duas amostras com valores acima
baixo fracionamento ETR leves vs. pesados [(La/Yb)n de 1000 ppm) (Tabela 3.16). Estas condições sugerem
= 2,98 a 6,92; exceção da amostra CE-20B com valor que a quebra de biotita ou muscovita ocorreu durante
de 27,89)(Figura 3.89C), são menos enriquecidos em fusão com ausência de fluido (Patiño DOUCE; BEARD,
ETR leves, mostram baixo fracionamento ETR leves 1996; WEINBERG; HASALOVA, 2015). Normalmente, as
[(La/Sm)n = 2,5 a 4,07) e ETR pesados [(Gd/Yb)n = 0,92 reações de fusão de desidratação de biotita ocorrem em
a 4,75) e acentuadas anomalias negativas de Eu (Eu/ temperaturas mais altas (~750-850 °C) do que reações
Eu* = 0,25 a 0,49, menos a amostra CE-44 que mostra de fusão de muscovita-desidratação (~650-750 °C)
fraca anomalia positiva = 1,01). (WEINBERG; HASALOVA, 2015). No entanto, as reações
Apesar do espalhamento, a fraca correlação positiva de fusão por desidratação envolvendo a degradação da
de SiO2 e A/CNK pode sugerir cristalização fracionada biotita também podem começar em temperaturas tão
de magmas com hornblenda (JIANG; ZHU, 2017) (figura baixas quanto 710 °C se as biotitas forem menos ricas
não mostrada). em Fe (SINGH; JOHANNES, 1996).
Os altos conteúdos de SiO2 (71-76,9%) e K2O (3,42 a Os valores de TsatZr estão entre 690 e 941 °C (Figura
5,65%), com baixos teores de MgO (0,10-1,03%) sugerem 3.91C), implicando que, provavelmente, foram formados
fusão parcial de protólitos essencialmente metassedi- por biotita e muscovita presentes no melt em processo
mentares (pelitos e grauvacas), porém, sete amostras de fusão com ausência de fluidos (Figura 3.91A). Con-
têm sílica variando de 67 a 69% em peso, baixos valores forme mostrado no diagrama Pb-Ba (Figura 3.91B), os
de Rb/Sr e Rb/Ba, compatíveis com protólitos basálticos granitos peraluminosos deste estudo têm Pb baixo a
a andesíticos (ZHU et al., 2018). Na Figura 3.90A os moderado (16-66 ppm), porém, com alto teor de Ba
baixos valores da razão Al2O3/TiO2 e os altos valores (50-2500 ppm), que é diferente daqueles dos granitos
da razão CaO/Na2O na maior parte das amostras são primários do tipo-S de baixa temperatura gerados pela
característicos de granitos S do tipo Lachlan Fold Belt, fusão da muscovita-desidratação, mas semelhantes aos
porém dez amostras com granada e biotita caem nos dos granitos do tipo-S de alta temperatura produzidos
campos Herciniano/Himalaiano. Em adição, o diagrama por fusão crustal associada à degradação da biotita.
binário Rb/Ba vs. Rb/Sr (Figura 3.90B) sugere fontes Portanto, propomos que os granitos peraluminosos
essencialmente metassedimentares do tipo grauvaca a fortemente peraluminosos da Suíte Laje derivaram
e folhelho e na Figura 3.90C destaca-se o predomínio predominantemente de reações com biotita em con-
de fontes do tipo grauvaca, subordinadamente, pelitos dições de ausência de fluido.
A B
Figura 3.88 - Em (A) diagrama normativo de classificação química de Streckeisen e Le Maitre (1979);
diagrama binário SiO2 vs. ASI de Frost el al. (2001) com as rochas nos campos peraluminoso e
fortemente peraluminoso.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
E F
G H
I J
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
D
C
Figura 3.90 - Em (A) elementos maiores e a composição dos granitos peraluminosos e fortemente peraluminosos no diagrama de
Sylvester (1998), (B) diagrama de razões Rb/Sr vs. Rb/Ba e as fontes dos granitos da Suíte Laje (SYLVESTER, 1998), (C) campos indicando
composições de fundidos parciais obtidos em estudos experimentais pela desidratação de pelitos félsicos, metagrauvacas, anfibolitos-
metabasaltos e metatonalitos (WOLF; WYLLIE,1994; PATIÑO DOUCE; BEARD, 1996; THOMPSON, 1997; PATIÑO DOUCE, 1999;
(D) fundidos experimentais derivados de pelitos de Le Breton e Thompson (1988), Vielzeuf e Holloway (1988), Patiño Douce e Johnston
(1991), Patiño Douce e Harris (1998), Pickering e Johnston (1998), Castro et al. (1999), Buick, Stevens e Gibson (2004), Spicer, Stevens
e Buick (2004); fundidos derivados de grauvacas de Conrad, Nicholls e Wall (1988), Gardien et al. (1995), Patiño Douce e Beard (1995,
1996), Montel e Vielzeuf (1997); fundidos derivados de granitoides de Carroll e Wyllie (1990), Skjerlie e Johnston (1992, 1993),
Singh e Johannes (1996), Castro et al. (1999), Watkins, Clemens e Treloar (2007).
3.10 FORMAÇÃO CAPITÃO SILVIO (MP3αcs) A rocha possui cor em tons vermelhos, devido a
quantidade de óxidos contido pelo alto grau de intem-
3.10.1 Aspectos gerais perismo. É constituída por uma matriz muito fina na
qual estão imersos cristais ripiformes de plagioclásio
Durante o mapeamento foi observada na porção e pórfiros hipidiomórficos totalmente alterados para
nordeste da Folha Mutum-Paraná um afloramento minerais de argila (Figura 3.92). Esta rocha é isotrópica,
restrito com rocha vulcânica capeada por rocha e são observadas feições de estruturas rúpteis em pares
carbonática. Este conjunto é sobreposto pela conjugados (Figura 3.92). A rocha vulcânica é sotoposta
Formação Palmeiral e associada diretamente a uma por capa carbonática (Figura 3.92) de cor cinza, com
anomalia magnética linear, na forma de elipse, de alta matriz afanítica e clastos de mesma composição da rocha.
frequência, se extendendo por mais de 40 km. Os
afloramentos são descontínuos e espaçados ao longo 3.10.2 Petrografia
desta anomalia. O afloramento típico fica as margens
da BR-364, próximo da entrada de uma fazenda, na A rocha vulcânica de textura porfirítica está inten-
forma de pequeno corte de estrada (Figura 3.92A). samente alterada, embora mantenha a textura ígnea
Neste trabalho, este conjunto de rochas é relacionado preservada, e sem foliação aparente (Figura 3.93A). É
à Bacia Rondônia (PEDREIRA; BAHIA, 2000), visto que constituída por fenocristais não orientados, euédricos
também são observadas manifestações magmáticas a subédricos, de granulação variando de fina a grossa,
em outras porções da bacia, tal qual a Formação Alta imersos em matriz microcristalina. Os fenocristais estão
Floresta (SCANDOLARA,1999; QUADROS; RIZZOTTO, intensamente alterados e/ou substituídos por mineralogia
2007; PEDREIRA, BAHIA, 2000). secundária constituindo relictos dos minerais originais.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 3.91 - Em (A) diagrama ternário CIPW - normativo de Yang et al. (2016; demais citações no artigo); (B) diagrama logarítmico
Ba vs. Pb e as condições de P-T para os granitos da Suíte Laje (FINGER; SCHILLER, 2012); (C) diagrama M vs. Zr e as temperaturas de
fusão da fonte (WATSON; HARRISON, 1983).
A B
C D
Figura 3.92 - A) Afloramento de rocha vulcânica avermelhada intemperizada. B) Cristais de plagioclásio distribuídos em matriz fina e par
de juntas preenchidas. C) Relação de contato entre rocha vulcânica (vermeha) e capa carbonática (cinza). D) Aspecto macroscópico
da rocha carbonática.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 3.17 - Resultados de análises químicas de óxidos dos elementos maiores (%) das rochas da Formação Capitão Silvio.
Nlab SiO2 Al2O3 Fe2O3 MgO CaO Na2O K 2O TiO2 P2O5 MnO BaO Cr2O3 SrO LOI
KCV495 44,9 20,4 22,8 0,11 0,06 <0,1 0,06 3,58 0,33 0,11 0,07 <0,01 0,03 8,86
KCV496 15,9 3,74 2,28 2,24 50,3 <0,1 0,05 0,19 0,1 0,17 <0,01 <0,01 0,25 23,51
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| Projeto NW de Rondônia |
Na área de pesquisa a Formação Palmeiral é restrita à de topografia registradas em seções geológicas. Bons
porção nordeste da Folha Mutum-Paraná, onde é possível afloramentos são observados nas linhas 10, linha do
observar nappes e klippes desta formação. Os afloramentos pavão e ao longo da BR-364. No presente trabalho foram
são na forma de pequenos morros residuais que sustentam identificadas as fácies: arenito, quartzo arenito, arenito
conglomerados e arenitos. Cortes de estradas também são arcoseano e arenito conglomerático e argilitos locali-
frequentes, exibindo as relações de contanto e gradação dos zados. O arenito tem granulometria fina a média com
sedimentos. Bahia (1997) com base na análise de litossomas grãos bem selecionados e arredondados, em camadas
e estrututras sedimentares definiu seis (6) litofácies para a tabulares métricas com estratificações plano-paralela,
Formação Palmeiral: ortoconglomerado maciço com estra- cruzada tabular e acanalada. Ainda nestes pacotes são
tificação incipiente, arenito com estratificação horizontal, observadas estruturas rúpteis de fraturamento, com
arenito com estratificação cruzada acanalada, arenito com direções distintas e com par cisalhante com eixo norte-
estratificação cruzada planar, arenito com estratificação sul (Figura 3.94A e B).
cruzada sigmoidal e arenito maciço. Os arenitos conglomeráticos de cor clara variando
a marrom escuro, possuem granulação variando de
3.11.2 Arenitos (MP23bpar) areia fina a média com seixos pingados (dropstone).
Em lâminas é possível observar deposição clástica com
Os arenitos estão sobrepostos de forma discordante cimentação silicosa, com fragmentos de biotita e fel-
aos granitos da Suíte São Lourenço-Caripunas. A espes- dspatos, e em alguns afloramentos cimento de argila
sura estimada é de 60 m, baseado pelo desnível de cota e/ou óxidos de ferro.
A B
C D
E F
Figura 3.94 - A) Arenitos finos com estratificação cruzada plano-paralela. B) Estruturas rúpteis de fraturamento. C e D) Arenitos
conglomerático. E) Lentes de argilito em camadas de arenito. F) Estruturas de marcas de onda
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Argilitos ocorrem na forma de lentes nos arenitos, quartzoarenito, quartzito e de rochas vulcânicas (dacito),
de composição essencialmente pelítica e associados com tamanhos variando de 1 cm até 40 cm de compri-
com grânulos de quartzo (Figura 3.94E). Em lâmina, mento (Figura 3.95A e B). Alguns afloramentos exibem
microfraturas são preenchidas por quartzo microcripto- conglomerado petromíticos com clastos de quartzo-are-
cristalino em varia direções. É observada segregação de nito. Os clastos são em maioria arredondados a bem arre-
níveis sílticos e ferruginosos. São observadas estruturas dondados com esfericidade variável e mal selecionados.
do tipo marca de onda na base do pacote assim como a Bahia (1997) indicou que o grau de arredondamento dos
presença de manganês stratabound preenchendo fra- conglomerados em afloramentos desta região é afetado
turas e a deposição de níveis microconglomeráticos e pela presença de concavidades nas superfícies dos clastos,
intra clastos no mesmo pacote. resultantes da dissolução por pressão. São observados
embricamento de clastos que indicam o sentido de pale-
3.11.3 Conglomerados (MP23bpac) ocorrentes em planos de estratificação plano paralela dos
depósitos (Figura 3.95C), essa característica anteriormente
A subunidade conglomerado ocorre na forma de descrita em Bahia, 1997. Boulers de pirolusita maciça e
camadas no topo dos arenitos, correlacionáveis em mapa fraturas preenchidas por manganês foram observados
topográfico, pelo relevo residual na forma de pequenas em diversos pontos (Figura 3.95D) e estão descritas no
serras. Os conglomerados são metaestáveis e oligomíti- capítulo de recursos minerais. Depósitos de brechas de
cos, contendo pouca matriz/cimento. Os clastos são de tálus foram observados em continuidade lateral em alguns
A B
E D
E F
Figura 3.95 - Ortoconglomerados da Formação Palmeiral mostrando o tamanho máximo de seixos (50 cm) medidos na Vila de
Palmeiral. Notar o embricamento dos seixos indicado paleocorrente para o canto superior direito da foto.
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| Projeto NW de Rondônia |
afloramentos na região do eixo da linha F (Figura 3.95E e F). antigo (TAYLOR; EGGLETON, 2001). Este termo constitui
Essa feição (tálus) é depositada por fluxo de fragmentos também o material rochoso fraturado ou intemperizado,
junto à escarpa da bacia, em ambiente subaquoso. saprólitos, solos, acumulação orgânica, material coluvionar
Relacionado a anomalias de baixa amplitude magnética, e aluvionar. Em uma simples descrição é todo material que
não é marcado o contraste desta unidade. Nos mapas gama- está acima da rocha fresca. A Figura 3.96 apresenta de forma
espectrométricos os litotipos desta unidade possuem baixa sumarizada um típico perfil de intemperismo idealizado por
concentração nos canais de potássio, tório e uranio, que Anand e Butt (1988), desde o topo da rocha sã gradando
no mapa RGB apresentam cores variando de tons escuros. para o saprólito, a zona rica em argila (zona mosqueada) e
a porção superior do perfil residual laterítico.
3.12 COBERTURAS SEDIMENTARES CENOZOICAS O horizonte mosqueado ou zona mosqueada, no per-
fil de intemperismo ocorre de forma subordinada abaixo
3.12.1 Perfil de intemperismo da crosta laterítica. É composto em maioria, por minerais
do grupo das argilas, e associado à geomorfologia erosiva,
O termo regolito refere-se ao material inconsolidado ou observada nas regiões planas. Apresenta composição
re-cimentado que cobre a rocha sã, formado por intempe- síltico-argilosa, podendo haver algumas intercalações
rismo, erosão, transporte e/ou deposição de material mais de material arenoso e argiloso, constituído por quartzo,
A B
D
E
Figura 3.96 - Perfil de intemperismo esquemático, apresentando as unidades de intemperismo, adptado de Eggleton, 2001.
A) Colúvio com fragmentos de crosta laterítica; B) Latossolo; C-Horizonte pisolítico; D) Cascalho laterítico ferruginoso (solto);
E) Crosta laterítica (duricrosta); )F) Horizonte mosqueado ferruginoso; G) Saprólito; H) Rocha granítica fresca
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
caulinita e hematita. A principal característica desse hori- área de forma subordinada aos depósitos de perfil de
zonte são as manchas avermelhadas de tons diversos que intemperismo e são observados, facilmente em mapa
formam o padrão mosquedo, observado na totalidade topográfico.
de área. Ainda é observado o horizonte de transição, que A crosta laterítica desmantelada, também passa a
é localizado entre a crosta laterítica e o horizonte mos- constituir parte das coberturas detrito-lateríticas, mode-
queado. Possui composição ferro-aluminosa de aspecto lando grande parte do relevo atual. Em certas áreas, onde
terroso, de coloração ocre-amarelada, friável, com fei- a parte superior está mais espessa e endurecida, e com
ções de nódulos hematíticos irregularmente dispersos. maior entalhamento de drenagem, observa-se a formação
O material laterítico desta área é utilizado como material de um relevo tendendo a platôs. As superfícies aplainadas
de empréstimo na construção civil. são constituídas dominantemente por solos argilo-are-
nosos, de baixa maturidade textural e mineralógica, de
3.12.2 Crosta laterítica (NQcl) tonalidade avermelhada, ricos em concreções ferruginosas,
além de níveis de argilas coloridas e areias inconsolidadas.
Esta cobertura está associada a morrotes residu-
ais, constituída por depósitos colúvio-aluvionares. São 3.12.3 Coberturas sedimentares
coberturas de solos residuais argilo-arenosos e argilo- indiferenciadas (NQi)
siltosos, total ou parcialmente lateritizados(Figura 3.97).
Os sedimentos detrito-lateríticos são formados, em Estes sedimentos inconsolidados ocorrem em grande
grande parte, por depósitos colúvio-aluvionares areno- parte a área de pesquisa. Scandolara et al. (1999) atri-
-siltosos, argilo-siltosos e argilosos, com níveis nodulares buem a idade plio-pleistocênica e interpretam de forma
lateríticos e recobertos por grânulos e seixos de crosta geral como leques aluviais, canais fluviais, planícies de
laterítica desmantelada. Ocorrem por grande parte da inundação e depósitos lacustres, constituídos de uma
variedade de materiais detríticos. Depósitos de areia,
silte, argila ou cascalho; restos de materiais lateríticos
A
(horizontes mosqueado e argiloso, além de restos de
crosta laterítica ferruginosa); sedimentos aluvionares,
coluvionares e eluvionares indiferenciados, recobertos por
cobertura de solos indiscriminados (Figura 3.98). A espes-
sura desta unidade tem em média 40 m. São observados
em superfície planas, associados a solos argilo-arenosos,
níveis arenosos e formações argilosas em contato com
materiais do intemperismo. As unidades que compõem
estas coberturas são desprovidas de material fossilífero.
| 122 |
| Projeto NW de Rondônia |
hidróxidos de ferro, de espessura variável, composto por Souza Filho et al. (1999) descreveram a morfodinâ-
seixos angulosos de quartzo-arenito, quartzito e quartzo mica do sistema fluvial Guaporé-Mamoré-Alto Madeira
leitoso. Esta segunda camada ocorre logo acima da pri- como produto de atividade neotectônica, com profunda
meira, por vezes separada por uma camada de areia fina influência no desenvolvimento da dinâmica fluvial. Esta
endurecida; 3) areia grossa, ferruginizada, endurecida dinâmica, ainda pouco estudada caracteriza a deposição
e cimentada por óxidos e hidróxidos de ferro, os quais de unidades sedimentares da Formação Rio Madeira.
emprestam uma coloração ocre-amarronzada ao sedi- Esta deposição é refletida na forma de terraços fluviais
mento; 4) pacote de argila-siltosa amarelada, por vezes desenvolvidos no Cenozoico com trend NW-SE. Os ter-
mosqueada, maciça, capeada por níveis de espessura raços normalmente constituem zonas de interflúvios
centimétrica e endurecidos por óxidos e hidróxidos de entre a drenagem principal e alguns de seus afluentes,
ferro (Figura 3.99). registrando nível topográfico mais elevado.
Depósitos de areia pouco espessos, com variação de
granulometria dos pacotes com níveis conglomeráticos 3.12.5 Depósitos aluvionares (Q2a)
na parte basal. Areia média a grossa, mal selecionada e
ferruginizada, intercalada com areia fina de cor amare- Estes sedimentos são depositados em leitos e margens
lada, contendo quartzo, feldspato, ilmenita, hematita de canais fluviais, atuais e paleocanais e correspondem a
e magnetita rara. Na parte superior são depositadas amplo ambiente deposicional. Os principais depósitos estão
camadas de argila/silte, que se apresentam intemperiza- associados às drenagens dos rios Mutum-Paraná, Cotia e
das, e em alguns afloramentos é observado o horizonte Ribeirão e os Iagarapés do Contra, Água Azul e das Araras.
mosqueado. Correspondem a depósitos de transbor- Os sedimentos aluvionares são constituídos por sei-
damento nas bacias laterais de inundação ou depósitos xos, areias finas a grossas, com níveis de cascalhos, lentes
associados a preenchimento dos baixios. de material silto-argiloso e restos de matéria orgânica,
relacionados a planícies de inundação, barras de canal e
canais fluviais atuais (Figura 3.100). É comum observar
A estratificações plano paralela e cruzada acanalada.
Observa-se paleocanais, depósitos de sedimentos
arenosos ferruginizados, com grãos de quartzo de baixa
esfericidade, subangulosos a subarredondados. O mate-
rial cimentante é composto por ferro, que eleva a dureza
desta camada, a qual geralmente encontra-se na base
do pacote sedimentar.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
A B
A B
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| Projeto NW de Rondônia |
4 GEOFÍSICA
O presente capítulo faz uma abordagem técnica da Os valores de concentração obtidos na gamaes-
utilização de dados geofísicos no projeto, que permitem pectrometria são derivados de uma relação direta da
ampliar o entendimento geológico regional e dos grandes intensidade de radiação captada, transformada em equi-
domínios estruturais da área em estudo. valentes de concentração por modelos matemáticos,
estes valores geralmente são de uso qualitativo e reque-
4.1.1 Materiais e Métodos rem certo processamento para eliminar inconsistências
geoquímicas. Os mapas de radioelementos foram gerados
A área de estudo é recoberta pelo levantamento a partir da interpolação do banco de dados utilizando
aerogeofísico Rio Madeira-Ituxi, executado pela Pros- o método de Mínima Curvatura (BRIGGS, 1974) devido
pectors aerolevantamentos e Sistemas LTDA., a serviço ao favorecimento das anomalias radiométricas ao longo
do SGB-CPRM, durante os períodos de 17/09/2014 a da direção das linhas de voo (IAEA, 2003). Os canais dos
09/12/2014 e 18/06/2015 a 22/12/2015. A área está três radioelementos (potássio, em porcentagem; tório
localizada entre o sudoeste do Amazonas e o noroeste equivalente, e urânio equivalente, em partes por milhão)
de Rondônia, com recobrimento de 95.311 km de perfis são base de todo o processamento e os produtos finais
aeromagnetométricos e aerogamaespectrométricos para análise são as imagens ternárias em falsa cor RGB
(Figura 4.1). Na região do limite Brasil/Bolívia é mantida e CMYK (SAUNDERS et al., 1993) (Figura 4.3).
uma distância de 10 quilômetros de margem da fronteira.
4.1.3 Intepretação Geofísica
4.1.2 Processamento
Lineamentos Magnetométricos
Os dados do aerolevantamento previamente proces-
sados pela equipe de aquisição, foram obtidos em linhas A extração dos lineamentos magnetométricos foi
de voo com direção N-S, transformados para o formato realizada a partir da interpretação de produtos da pri-
de malha regular (grid) usando o interpolador bidirecional meira derivada vertical (1Dz) e a inclinação do sinal
para magnetometria e mínima curvatura para a gamaes- analítico (ISA). A interpretação qualitativa permitiu a
pectrometria, no software Oasis Montaj®, com células de confecção dos mapas de lineamentos magnetométricos,
interpolação de 125 metros (valor referente a 1/4 do espa- que sintetizam feições lineares em profundidades dis-
çamento entre as linhas de voo). É mantida uma distância tintas e representam o arcabouço estrutural da região
aproximada de 10 km do limite fronteiriço Brasil/Bolívia. de estudo (Figura 4.4).
A partir das observações foi possível definir cinco
Magnetometria grandes domínios de padrões de estruturação. Longas
estruturas NE-SW possuem baixa frequência e consti-
Os produtos obtidos da aeromagnetometria foram tuem as anomalias de primeira ordem, são observadas
gerados a partir do Campo Magnético Anômalo (CMA), em toda a área de pesquisa. Alguns destes lineamentos
que é resultado da diferença entre o Campo Magnético possuem até 50 km de extensão, a faixa principal destes
Total (CMT) e o Campo Geomagnético de Referência (IGRF: lineamentos possui cerca de 25 km de largura. Parte
International Geomagnetic Reference Field). Estes produtos considerável destes lineamentos magnéticos estão enco-
incluem: derivadas horizontais (DX e DY), derivada verti- bertos por sedimentos cenozoicos da bacia holocênica
cal (DZ), amplitude do gradiente horizontal total (SALEM do rio Madeira.
et al., 2008), gradiente total (GT) (NABIGHIAN, 1972) e Estruturas de segunda ordem, de alta frequência,
inclinação do gradiente total - IGT (MILLER; SINGH, 1994; estão relacionadas aos lineamentos dispostos na estru-
SALEM et al., 2008). A interpretação qualitativa destes tura E-W, que perfazem a estruturação de domínios
produtos resultou em mapas de lineamentos e de domínios relacionados ao Complexo Nova Mamoré e vários
magnéticos, que serviram como base para o esboço do corpos graníticos relacionados à anatexia da região.
arcabouço estrutural da área (Figura 4.2). Parte destes lineamentos tendem a NW, na região da
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Folha Igarapé Agua Azul. Nesta região são observa- Domínios Geofísicos
das rochas metamorfizadas em fácies granulito. Os
lineamentos de maior extensão estão relacionados a A interação dos diferentes produtos gerados a partir
rochas ortoderivadas na região da Folha Vila Murtinho. do Campo Magnético Anômalo (CMA) permitiu definir
Estruturas NW-SE marcam o limite de grandes domí- classes e associar os diferentes domínios da região noro-
nios magnéticos, geralmente associados com grandes este de Rondônia. A porção central das quatro folhas
corpos graníticos relacionados à anatexia. Essas estru- representa o domínio de anomalias de baixa magneti-
turas também são observas nas falhas extensionais zação e pode ser relacionada a fontes magnéticas mais
relacionadas à bacia de Rondônia. profundas. Rochas metamórficas paraderivadas em fácies
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| Projeto NW de Rondônia |
anfibolito alto a granulito, granitos anatéticos e granitos Correlação dos Domínios Gamaespectrométricos
do tipo-S foram observados nesta região durante as eta-
pas de campos. Na porção sudeste de área de pesquisa Para representar, de forma eficaz, a variação lateral
grandes corpos graníticos possuem a tendência NW. dos elementos gamaespectrométricos em uma única
As rochas ortoderivadas do Complexo Nova Mamoré figura foi gerado o mapa ternário de pseudo-cor RGB.
estão dispostas pincipalmente na Folha Vila Murtinho Neste, a concentração de cada um dos três elementos é
e são representadas por domínios de alto magnetismo representada pela variação de intensidade de cores, que
associados a feições lineares e grandes blocos com a quando combinadas geram cores secundárias indicando
mesma assinatura magnética. a alta concentração em dois ou mais radioelementos.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A partir da composição ternária RGB dos canais de potás- lateríticas e aos depósitos detrito-lateríticos. As cobertu-
sio [K], tório [eTh] e urânio [eU] foi confeccionado o ras sedimentares indiferenciadas, porção centro-norte da
mapa de domínios gamaespectrométricos (Figura 4.5). área de pesquisa, apresentam baixos valores de potássio
As classes do produto foram conformadas segundo a e valores intermediários de urânio e tório.
expressividade do sinal de cada radioelemento, e produ- Os sedimentos da Formação Rio Madeira e Formação
ziram faixas de valores baixos, médios e altos. Estas com- Mutum-Paraná, refletem baixos valores gamaespec-
binações de intensidade dos três canais produziram 27 trométricos, verificado pela cor vermelha associada a
domínios gamaespectrométricos; a partir deste arranjo, esses sedimentos. A Formação Palmeiral similarmente
os domínios gamaespectrométricos são interpretados e apresenta baixos valores gamaespectrométricos, repre-
correlacionados com os litotipos aflorantes na região. sentados nas colorações de tons escuros no mapa RGB.
Com a observação do mapa de composição terna- Essas formações se encontram em regiões de campo
ria é possível distinguir grandes domínios de elevados magnético baixo, com textura suave e anomalias de baixa
valores radiométricos no canal do tório e baixo potássio. frequência, refletindo o ambiente de bacia sedimentar,
Esses domínios são relacionados a ambientes de rochas na região nordeste da área de pesquisa.
A B
C D
Figura 4.3 - Mapas aerogamaespectrométricos, onde: (A) Mapa de distribuição do potássio (%), (B) Mapa de
distribuição do equivalente tório (ppm), (C) Mapa do equivalente urânio (ppm) e (D) Mapa ternário (RGB).
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 4.4 - Mapa de composição ternaria, preparado com os produtos magnéticos: gradiente horizontal
total, inclinação do sinal analítico e primeira derivada vertical e o Mapa de interpretação dos domínios e
lineamentos magnetométricos.
Figura 4.5 - Mapa de composição ternária RGB da área de pesquisa. Mapa de domínios
gamaespectrométricos reclassificados a partir da intensidade do sinal de cada radioelemento (K - eTh - eU),
compreendendo várias faixas de valores associados a cada canal (baixo – médio e alto).
Localizado a sul desta bacia, corpos graníticos da dados magnetométricos permite delimitar com melhor
Suíte São Lourenço-Caripunas, são identificados por acerto a área de abrangência deste corpo granítico.
assinaturas intensas nos três canais gamaespectromé- Na porção leste da Folha Mutum-Paraná, os gra-
tricos, observado pela cor branca e representando as nitos das suítes Serra da Providência e Rio Crespo
exposições graníticas no mapa ternário RGB. Rochas possuem assinatura com baixos teores de tório, valor
e sedimentos lateríticos desta seção recobrem grande médio para urânio e alto para potássio, indicando
parte deste granito, em tons de cor verde, característico um padrão pontilhado relacionado às posições de
da assinatura gamaespectrométrica em área de expo- afloramentos. Solos lateríticos nesta região também
sição de rocha laterítica. A análise em conjunto com ocultam parte da assinatura.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Os granitos do tipo anatético e biotita granitos da existe uma variação magnética de sul para norte no
Suíte Laje possuem valores elevados nos três canais complexo, observado na porção centro-sul da área de
gamaespectrométricos, observados na região sudeste pesquisa. Associado a este complexo ainda são obser-
da área de pesquisa, representados por cores claras, vados três tipos de granitogênese.
possibilitando estabelecer a dimensão destes corpos Os granitos tipo Serra da Providência, de caráter
graníticos. Nesta mesma região o Complexo Nova pré-tectônico à deformação regional, têm tendência
Mamoré é caracterizado por tons em vermelho envol- leste-oeste e geralmente estão associados a anomalias
vendo a assinatura dos granitos, essa característica é magnéticas positivas. Os leucogranitos com granada
associada ao maior valor referente ao canal do potássio relacionados à fase de anatexia do orógeno são melhor
para esse litotipo. definidos pela sua assinatura gamaespectrométrica,
principalmente em sua anomalia de potássio. Feições
Arcabouço estrutural e associação petrotectônica magnéticas contribuem para a delimitação dos granitos
da Suíte Laje, de caráter sin a pós tectônicos, igualmente
Grande parte das feições do relevo magnéticos são com alto potássio observado.
mascaradas pelos sedimentos quaternários, principal- Algumas componentes noroeste e domínios de
mente na porção noroeste da área de pesquisa, grande corpos alongados são descriminados em diferentes
parte da Folha Abunã. Eventos de alteração laterítica padrões de estruturação. A porção NW de Rondônia
também mascaram esse relevo. O domínio de defor- possui um nítido trend estrutural dominantemente
mação D1 ocupa a parte central das quatro folhas do leste-oeste a nordeste (D1).
projeto (Abunã, Mutum-Paraná, Vila Murtinho e Igarapé As estruturas D1 tem geometria retilínea com
Água Azul), e parte considerável destes lineamentos direção preferencial 60-80 Az, tendo como principal
magnéticos estão cobertos por sedimentos cenozoicos característica lineamentos com até 65 km de extensão
da bacia holocênica do Rio Madeira com sedimentos das e com forte relevo magnético, aparentando constituir
coberturas indiferenciadas (Figura 4.6). uma segunda fase da deformação regional. Feições
Na porção sul da área ocorrem as unidades paraderi- marcadas de mesmo trend e menor comprimento de
vadas e ortoderivadas do Complexo Nova Mamoré. Usu- onda são associados a estes grandes lineamentos. Na
almente as rochas ortoderivadas têm relevo magnético porção centro-sul da área de trabalho o padrão D2 tem
pronunciado nas rochas paraderivadas e suas relações feições retilíneas, variando de leste-oeste à nordeste,
estruturais estão mais nítidas. É possível observar que com relevo magnético liso.
Figura 4.6 - Mapa organizado a partir dos produtos magnéticos: gradiente horizontal total, inclinação do
sinal analítico e a primeira derivada vertical. Mapa de interpretação de lineamentos e maiores domínios
magnéticos, a partir dos produtos.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
Figura 5.1 - Exemplos de foliações da área de estudo. Foliação Sn gnáissica dobrada (A); Zona de cisalhamento com nódulos
de silimanita sigmoides (B).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
V são dominados por uma tectônica predominantemente também ocorrem zonas de cisalhamento transpressivas
compressiva a transpressiva, enquanto os domínios III e VI com direção WNW e ENE, com alto ângulo de mergu-
apresentam regime tectônico dominantemente extensivo. lho, representadas por zonas miloníticas. O domínio II
O domínio I, com relevo magnético acentuado, tem engloba as mesmas unidades e também apresenta um
como estrutura principal um bandamento gnáissico bem bandamento gnáissico definido e penetrativo, porém com
desenvolvido e penetrativo nas rochas do Complexo direção principal para ENE, e altos ângulos de mergulho
Jamari e Suíte Rio Crespo, com direções predominantes (Figura 5.2). Há raras zonas miloníticas com lineação
para NW e ENE e mergulhos altos (Figura 5.2). Há dobras de estiramento de baixo ângulo que indica movimento
reclinadas suaves a fechadas, com eixos que mergulham transcorrente. As dobras também são raras. Ambos os
para SE com ângulos intermediários (Figura 5.3). Há eixos domínios (I e II) apresentam vergência das estruturas
de dobras com mergulho para SW e NE que indicam pos- para NNW e sinalizam possível transporte tectônico nesta
sível redobramento desta unidade. Além destas feições, direção, bem como o posicionamento do σ1.
Figura 5.2 - Divisão de domínios estruturais na área de estudo e estereogramas com as foliações principais de cada domínio.
Imagem de relevo sombreado SRTM.
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| Projeto NW de Rondônia |
O terceiro domínio exibe uma dominância de estruturas com variações para NW, NE e S (Figura 5.3). A variação na
rúpteis, como juntas extensivas que afetam rochas mais direção e ângulo de mergulho dos eixos de dobras pode
novas relacionadas à Suíte São Lourenço-Caripunas e à ser explicada pela migração diferenciada das charneiras
Bacia de Rondônia, e com algumas estruturas dúcteis como das dobras durante a deformação com alto grau de plas-
bandamento gnáissico similares aos domínios anteriores, ticidade (FOSSEN et al., 2019) em zonas compressivas.
porém com menor expressão, devido à menor ocorrência As zonas de cisalhamento têm direção principal
de rochas do embasamento neste domínio. As juntas apre- para NE, com mergulho para SE. As lineações de esti-
sentam direções predominantes para NW, com componen- ramento mergulham para SE com mergulho moderado
tes na direção NE em menor quantidade, ambos com alto e caracterizam zonas de cisalhamento transpressi-
ângulo de mergulho. As foliações gnáissicas são similares vas com transporte tectônico para NW. O domínio
aos domínios I e II, com direção WNW a ENE e mergulho V também engloba as mesmas unidades do domínio
moderado a alto. (Figura 5.2). As zonas de cisalhamento anterior, porém é marcado por uma mudança da dire-
mostram direção NE e NW, com alto ângulo de mergulho. ção do bandamento gnáissico principal para NE, com
Com a maior dimensão na área de estudo, o domínio mergulho que varia entre NW e SE com médio a alto
IV compreende principalmente as rochas do Complexo ângulo (Figura 5.2). Há apenas um registro de dobra
Nova Mamoré e Suíte Laje e exibem tectônica dominante sem raiz relacionada a uma zona de cisalhamento.
compressiva a transpressiva, com a presença de foliação Zonas miloníticas apresentam direção predominante
gnáissica generalizada. Esta foliação tem direção principal para EW e mergulho para N (Figura 5.4). Juntamente
EW a ENE, com mergulho médio a alto para sul, o que com lineações de estiramento para NW e mergulho
indica vergência para norte. Há dobras abertas a fecha- médio, indica o caráter também transpressivo das
das, reclinadas, com eixos que mergulham para SE a ESE, zonas cisalhamento e transporte tectônico para sul.
A B
Figura 5.3 - Estereograma dos eixos de dobra. Domínio I (A); Domínio IV (B).
A B
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
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| Projeto NW de Rondônia |
Os principais alvos do debate a regional são a respeito oeste para leste, marca o prisma intermediário a distal,
do orógeno Juruena (1810-1510 Ma) e o evento Rondo- e a porção ocidental conserva rochas ortoderivadas e
niano-San Ignácio (Mesoproterozoico). Especificamente o granitos tipo-A (1513 ±3 Ma). A orogenia Rondoniano-
trabalho de Scandolara et al. (2016) ascende a discussão San Ignácio é registrada em idades de deformação em
da evolução do arco acrescionário do paleo-mesoproto- granitos da Suíte Serra da Providência no domínio Nova
rozoico e a zona de sutura paleoprotezoica que separa os Mamoré (1334 ±4 Ma). Uma porção de rochas máficas
dois orógenos. Neste trabalho, é considerado que esta possuem composição toleítica, com geoquímica típica
parte do Cráton Amazônico é associada à evolução de de back arc. Algumas amostras de anfibolitos possuem
um orógeno acrecionário (CAWOOD et al., 2009; CONDIE, caráter cálcio-alcalino. Estas rochas cálcio-alcalinas neste
2007), ativo durante o Paleoproterozoico. Neste cenário, ambiente são extremamente raras e podem marcar a
o evento mais antigo é registrado nas rochas do Com- porção da bacia encostada no arco.
plexo Jamari, com o magmatismo de arco magmático Granitos Laje tipo-S de alta temperatura e baixa
continental entre 1,76 a 1,74 Ga (SCANDOLARA, 2006; pressão, ocorrem no período pós-colisional, em ambien-
SANTOS et al., 2008). Tanto os litotipos gerados no Arco tes de back arc. Granitos tipo-A (Suíte Alto Candeias),
Magmático Jamari quanto as rochas depositadas nas usualmente em paleoambiente de back arc, em fases de
bacias marginais deste arco foram deformadas e meta- finais do ciclo, sem subducção. Juntamente com granitos
morfizadas entre 1,67 e 1,63 Ga (SANTOS et al., 2008). tipo diferenciados. O desenvolvimento da fase orogênica
Neste evento, as rochas do arco e das bacias marginais é marcado pelos granitos anatéticos, com a associação
foram submetidas a condições metamórficas da fácies direta com a gênese dos granitos tipo-S (duas micas), e
anfibolito alto a granulito (SCANDOLARA, 2006). com granitos tipo-A (Granito Alto Candeias) que marcam
A bacia na qual foram depositados os sedimentos que o final da fase orogênica (Figuras 5.5 e 5.6).
deram origem ao Complexo Nova Mamoré, é interpre- Considerando a temperatura moderada a alta, de aber-
tada como parte do back arc, onde é observado grande tura do zircão em sistemas metamórficos, é compatível com
variação de rochas metassedimentares e, associada às grau metamórfico anfibolito médio a granulito, observado
faixas de rochas calcissilicáticas, com variação lateral de em rochas do Complexo Nova Mamoré, com o modelo
Figura 5.5 - Diagrama simplificado do Paleo-Mesoproterozoico do Noroeste de Rondônia. O evento Rio Negro-Juruena (1,80 - 1,55 Ga)
possui uma complexidade de idades de deformação. O gap proposto neste quadro é interpretativo. As faixas verdes representam
os eventos de deformação registrados nesta região.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
proposto. É indicado o nível de base desta bacia pode maior et al., 1986). A Orogenia Sunsás, nesta porção do Crá-
participação e restrita participação de crosta oceânica. ton, é representada por coberturas sedimentares da
Após uma pequena fase de quiescência tectônica, Formação Palmeiral, e observada em idades de rea-
a região da área de pesquisa, evoluiu para sua fase de tivação em zonas de cisalhamento rúpteis pouco ou
crátonização durante a Orogenia Sunsás (LITHERLAND não afetadas pela sua deformação.
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| Projeto NW de Rondônia |
6 MAPEAMENTO GEOQUÍMICO
As atividades de mapeamento geoquímico se deram granulométricas abaixo de 80 mesh (0,177 mm) foram
através de levantamento sistemático por sedimento ativo submetidas a pulverização abaixo de 150 mesh (0,053
de corrente (SC) e concentrado de bateia em leito ativo mm), com posterior digestão ácida por água régia e leitura
de drenagem (CB), em densidade amostral compatível através de ICP-MS/OES para 52 elementos. Complemen-
com a escala do projeto. Com esta ação busca-se, apre- tarmente, foram analisadas 30 g da amostra pulverizada
sentar o relevo geoquímico dos elementos analisados e através de Fire Assay para mais três elementos (Au, Pt, Pd).
as principais associações e correlações presentes nos A Tabela 6.1 permite acompanhar um resumo de todos
ambientes amostrados, além de identificar as associações os elementos analisados, além da unidade de medida em
e ocorrências de minerais pesados nestes ambientes. As que este foi reportado e seu limite inferior de detecção
informações foram exploradas através de tratamento (LDI). Todo o procedimento laboratorial de preparação e
estatístico de dados e serão apresentadas e discutidas análise das amostras foi realizado pela SGS-GESOL.
através de uma abordagem sobre a perspectiva da dis- Os resultados foram submetidos à análise estatística
persão clástica e química dos produtos de intemperismo de dados, que envolveu uma primeira fase destinada a
das unidades litoestratigráficas aflorantes, de forma a medidas de controle de qualidade, onde foram estima-
corroborar com a ampliação do conhecimento geológico das a acurácia e as variâncias regional e técnica para as
e dos recursos minerais da área estudada. principais variáveis do levantamento. E uma segunda fase,
O levantamento foi planejado com suporte de imagens que envolve a análise exploratória de dados através de
de satélite, bases geológicas, hidrográficas e cartográficas, técnicas univariadas, bivariadas e multivariadas aplicadas
para dar suporte ao posicionamento e delimitação da área a variáveis não paramétricas.
de influência de cada estação. Em conformidade com Lins Com isso busca-se entender a distribuição, estrutura
(2010), buscou-se recobrir, de modo uniforme, toda a área e principais inter-relações das variáveis de forma a trazer
a ser levantada com estações de amostragem, de maneira elementos que ajudem no entendimento geoquímico e,
que sua representatividade variasse entre 10 e 20 Km2. consequentemente, geológico e dos recursos minerais
Em poucas situações, onde não foi possível manter tal na região estudada.
proporção a bacia possui área maior que o recomendado.
As 385 estações de amostragem recobrem uma área 6.1.2 Controle e garantia da qualidade
de aproximadamente 5525 Km2, resultando numa densi-
dade amostral de, aproximadamente uma amostra a cada As etapas de garantia e controle da qualidade se
14 Km2. Foi planejada para cada estação a coleta de uma deram desde a fase de planejamento, com o dimensio-
amostra de SC e outra de CB que foram acondicionadas namento e preparação de toda a estrutura necessária
em saco plástico, devidamente identificadas e enviadas para a obtenção, registro, armazenamento e tratamento
ao laboratório para análise. A Figura 6.1 apresenta a área de todas as informações levantadas, até as fases inter-
do projeto relacionando as unidades litoestratigráficas mediárias e finais, como a consistência das informações
mapeadas com as estações de amostragem e sua área locacionais, das informações coletadas em campo, dos
de influência. As regiões não contempladas pelo levan- materiais coletados, bem como da qualidade dos dados
tamento correspondem às áreas de impedimento legal analíticos e de disponibilização das informações.
(terras indígenas, parques estaduais e nacionais e reserva Para avaliação dos níveis de exatidão das análises
legal) ou áreas inundadas, onde não foi possível o acesso químicas foram inseridos pelo laboratório, intercalados
ou a coleta das amostras com a devida qualidade. nos lotes analíticos, três materiais de referência certifica-
dos. A Tabela 6.2 apresenta, além dos teores certificados,
6.1 SEDIMENTO DE CORRENTE as médias de teores obtidos para as análises do MRC
OREAS46, que é um material de referência certificado
6.1.1 Materiais e métodos elaborado a partir de um tilito glacial produzido pela ORE
RESEARCH & EXPLORATION, onde foram certificados 44
As amostras de SC foram coleadas em todas as elementos para análise por ICP-MS após digestão ácida
estações, compostas por porções coletadas ao longo de (água régia) e indicados os teores de mais cinco elemen-
10 a 50 metros do leito do rio, com auxílio de pá, vasi- tos. Esta relação fornece informações sobre a acurácia
lhame e peneira de plástico. Em laboratório as frações das análises dos elementos certificados.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A estimativa dos níveis de precisão foi feita atra- este desvio é dividido pela média de todas as amostras.
vés do cálculo da variância regional e variância técnica. Esta metodologia foi utilizada para estimar a variância
Foram utilizadas as amostras duplicatas de campo e geral e analítica para os elementos que obtiveram grau
analítica respectivamente através de comparação entre de detecção 100% nos pares duplicados. Quando este
os resultados na amostra do levantamento e na amos- elemento obteve grau de detecção suficiente nas duas
tra de controle. Para a estimativa da variância geral, ou etapas da avaliação, foi possível estimar a variabilidade
seja, a variância relacionada a todo o processo amos- regional, ou seja, a variabilidade inerente ao material
tral e analítico, foram utilizados 23 pares de amostra e a todos os procedimentos de coleta e análise. Tais
de duplicatas de campo, enquanto que para a estima- informações podem ser acompanhadas na Tabela 6.3
tiva da variância analítica foram utilizados 10 pares de que expressa a média e desvio padrão, além do CV para
duplicatas analíticas. Segundo Reimann et al. (2008), as análises dos pares duplicados. A precisão analítica
quando se calcula a soma do quadrado das diferenças pode ser estimada a partir do CV analítico, enquanto
dos pares de amostras dividido pelo número de amostras, que o CV de campo expressa a variabilidade contida no
consegue-se expressar a variabilidade atribuída a este material, no procedimento de coleta e preparação das
grupo de análises. A raiz quadrada desta variabilidade amostras. A variabilidade de campo e de preparação das
é o desvio padrão, que é uma medida de precisão e é amostras pode ser obtida através da diferença entre o
equivalente ao coeficiente de variação (CV), quando CV analítico e o CV geral.
Figura 6.1 - Mapa de localização das estações de amostragem e suas respectivas áreas de representatividade,
em relação às unidades litoestratigráficas mapeadas. (legenda de unidades litoestratigráficas
conforme Figuras 3.1 e 3.2).
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 6.1 - Lista de elementos analisados no levantamento de SC, suas unidades de medida e limite de detecção inferior.
Tabela 6.2 - Dados da avaliação dos níveis de exatidão através das análises do MRC OREAS46.
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Tabela 6.2 - Dados da avaliação dos níveis de exatidão através das análises do MRC OREAS46 (continuação).
Tabela 6.3 - Dadsos da análise de variância geral e analítica através das duplicatas de campo e analítica. É indicada a
quantidade de pares utilizados no estudo (Pares), a média, desvio padrão e coeficiente de variação (CV) para o estudo da
variância geral e analítica além da variância atribuída ao material e ao processo de amostragem e preparação a amostra.
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 6.3 - Dadsos da análise de variância geral e analítica através das duplicatas de campo e analítica. É indicada a quanti-
dade de pares utilizados no estudo (Pares), a média, desvio padrão e coeficiente de variação (CV) para o estudo da variância
geral e analítica além da variância atribuída ao material e ao processo de amostragem e preparação a amostra (continuação).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Tabela 6.4 - Sumário estatístico das variáveis submetidas ao tratamento univariado mostrando, para cada elemento, o
número de estações com teores detectados, limite de detecção inferior, valor mínimo detectado, limiar anômalo negativo
(A_neg), os valores do primeiro quartil (Q1), mediana (Q2) e terceiro quartil (Q3), limiar anômalo positivo
(Anomalia Ordem 3) e o valor máximo detectado.
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6.2A - Mapas de distribuição dos elementos com teores detectados nas amostras de SC, apresentados
conforme as classes definidas no sumário estatístico da Tabela 6.4. Legenda no final (Figura 6.2E).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 6-2B - Mapas de distribuição dos elementos com teores detectados nas amostras de SC, apresentados
conforme as classes definidas no sumário estatístico da Tabela 6.4. Legenda no final (Figura 6.2E).
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6-2C - Mapas de distribuição dos elementos com teores detectados nas amostras de SC, apresentados
conforme as classes definidas no sumário estatístico da Tabela 6-4. Legenda no final (Figura 6.2E).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 6.2D - Mapas de distribuição dos elementos com teores detectados nas amostras de SC, apresentados
conforme as classes definidas no sumário estatístico da Tabela 6.4. Legenda no final (Figura 6.2E).
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6.2E - Mapas de distribuição dos elementos que apresentaram valores acima do limite de detecção. Na legenda LDI = limite de
detecção inferior, Min= mínimo, Q1= primeiro quartil, Q3= terceiro quartil, IQR= diferença entre os quartis (Q3-Q1), os valores destes
parâmetros podem ser encontrados no sumário estatístico da Tabela 6.4.
Teores anômalos de Nb foram detectados em duas coletadas amostras nos domínios das suítes Laje (65),
bacias que drenam a interface entre a Suíte Laje e o Rio Crespo (25), Granito Nova Dimensão (18), Suíte São
Complexo Nova Mamoré. Uma destas acompanhada Lourenço-Caripunas (9) e Granito Rio Taquara (3). Para
de ocorrências anômalas de Pb, enquanto a outra em cada grupo foram gerados gráficos Box Whiskers plot dos
conjunto com anomalia de Ca. Outra bacia anômala em elementos que apresentaram os maiores graus de detec-
Nb ocorre na porção centro oeste da Suíte São Lourenço- ção no levantamento. Os gráficos foram gerados através
Caripunas. Nos contatos entre a Suíte Laje e o Complexo do software Statistica 13, utilizando os dados brutos (não
Nova Mamoré, ocorrem bacias anômalas em P, dispersas transformados) dos grupos de amostras dos domínios.
por algumas posições, sendo uma destas, localizada a Pode-se observar que, de uma forma geral, Com-
oeste da área levantada, junto com ocorrência anômala plexo Nova Mamoré, Suíte Laje e Granito Nova Dimen-
de Pb e outra em conjunto com anomalia de Th, próximo são são mais abundantes em elementos essencialmente
ao Granito Nova Dimensão, no sudeste da área. Outras litófilos, como os ETR, U, Th, Ba, Sr, enquanto que na
anomalias foram detectadas, porém, por serem unie- Suíte Rio Crespo se destaca a distribuição de diversos
lementares e estarem dispersas, não serão descritas elementos, principalmente os metais de transição (Cr,
neste momento. Caso apresentem alguma relação com V, Sc, Ti, Fe), metais base (Ni, Cu, Zn, Pb), mas também
algum dado produzido de forma a revelar informações de alguns elementos litófilos (Nb, Zr, Sr, Sn). Relacionadas
interesse, serão abordadas posteriormente. Para o conhe- à Suíte São Lourenço-Caripunas se destacam as distri-
cimento das distribuições dos elementos em relações buições de alguns elementos litófilos, como Zr, Hf, Nb,
aos domínios litoestratigráficos, foi feito o agrupamento Sn, Bi, Sb e elementos terras raras, com destaque aos
das amostras conforme a unidade mais representativa pesados (Figura 6.5).
da bacia em que foi coletada. A Figura 6.4 apresenta a
distribuição espacial destas bacias, ajudando na corre- Estatística Bivariada
lação das informações obtidas sobre estes conjuntos de
amostras e as regiões em que foram coletadas. O tratamento estatístico bivariado utilizou o índice de
As amostras foram classificadas em oito domínios, correlação entre duas variáveis, através do ranqueamento
conforme a unidade litoestratigráfica mais representativa proposto por Spearman (1904). Para entendimento das
da bacia. Dentre todos os domínios, o mais representa- correlações, foi feito o estudo através de matriz de cor-
tivo é o do Complexo Nova Mamoré, que contém 137 relação e diagramas de correlação, utilizando todas as
amostras, seguido do domínio das Coberturas Sedimen- 385 amostras e 48 variáveis e também conjuntos de
tares Fanerozoicas, com 113 amostras. Também foram dados selecionados a partir da unidade litoestratigráfica
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
mais representativa na bacia. Os dados foram avaliados A matriz de correlação apresentada na Figura 6.6
quanto às principais correlações presentes na estrutura mostra o resumo das correlações entre todas as variá-
dos dados, foi utilizado teste de significância para todas veis analisadas, as informações sinalizadas em azul são
as correlações calculadas, onde foram avaliadas as mais correlações positivas, enquanto que as em vermelho são
significativas (p > 0,05), as matrizes de correlação dos negativas. Quanto maior a relação entre as variáveis,
dados gerais e complementarmente as matrizes de sete maior o símbolo e quando a correlação não foi conside-
domínios distintos foram analisadas. rada significativa, foi marcado com um “X”.
Figura 6.3 - Mapa situando as estações de amostragem em relação as unidades litoestratigráficas aflorantes com destaque para a
área da bacia das amostras com distribuições anômalas (outliers) e indicação do elemento anômalo.
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6.4 - Mapa de amostragem de sedimento de corrente com indicação da Unidade litoestratigráfica do local de coleta.
As informações contidas na Figura 6.5 foram calculadas conforme os grupos definidos neste mapa.
Através da aplicação Ezcorregraph, sugerida por Cam- O terceiro grupo encontrado é o dos ETR leves e
pos e Licht (2020), para transformar dados de matriz pesados, Th, U e P, que se ligam ao segundo grupo atra-
de correlação em um diagrama que representa os gru- vés do Nb e ao quarto grupo de elementos (alcalinos)
pos de elementos que se correlacionam a partir de um através do P, indicando a forte associação deste P com
determinado índice escolhido pelo usuário, foi possível a elementos litófilos na região. O quarto grupo identifi-
produção da Figura 6.7, que apresenta de forma didática cado com as maiores correlações na área é composto
os principais grupos de elementos que se correlacionam pelo Tl, junto com os alcalinos Cs, Rb, K que através do
com índice maior que 0,8. Tais informações obtidas podem Ba, com um índice de 0,63, se liga ao terceiro grupo de
ser correlacionadas espacialmente às regiões definidas correlações descrito.
através da Figura 6.3, de forma a trazer, ainda durante a Este conjunto de elementos com altas correlações
análise estatística bivariada, informações prévias a res- sugerem que os domínios de unidades litoestratigráfi-
peito dos principais grupos de correlações de elementos cas mais representativos são preferencialmente os de
relacionados aos domínios localizados na área de estudo. composição química félsica, não tendo vocação, por
Considerando a base de dados completa, as maiores exemplo, para ocorrências expressivas de litotipos máfi-
correlações identificadas se dão em quatro grupos princi- cos e ultra-máficos.
pais. No primeiro grupo, os elementos Al, Ga, Sc e Cr, In, Estes grupos de correlação encontrados e descritos,
Sn e Fe, sugerem que todos ocorrem principalmente com apesar de refletir as principais correlações, relacionada à
afinidade de litófilos na área. Uma vez que estes elementos área como um todo, nem sempre mostram o panorama
apresentam baixa mobilidade nos ambientes superficiais, relacionado às unidades litoestratigráficas ou ambiente
esta associação pode sugerir ainda uma relação com regiões geológico específico, isso se dá devido ao impacto cau-
onde os litotipos foram submetidos a uma atividade intem- sado pela mistura de todas as populações na obtenção
périca mais intensa ou duradoura, sugerindo também a de um dado único. Com a finalidade de reduzir este efeito
relação destes elementos a minerais óxidos e hidróxidos e buscar conhecer correlações que sejam mais claras e
de Fe e Al. Outro grupo de elementos que apresenta cor- que reflitam os ambientes em específico, as correlações
relações destacadas é composto por Hf, Nb, Ti e Mn, sendo foram avaliadas separadas em conjuntos de amostras,
estes dois últimos ligados ao Co (0,67), que é o elemento os mesmos grupos definidos através do mapa da Figura
que correlaciona este grupo de elementos ao primeiro, 6.4, diante disso todas as informações obtidas para estes
através do Fe, sugerindo que este segundo grupo pode conjuntos de amostras podem ser correlacionadas espa-
ter uma ligação (adsorção) com óxidos e hidróxidos de Fe. cialmente às regiões demarcadas no mapa citado acima.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 6.5A - Gráficos Box whisker plot dos principais domínios litoestratigráficos para os elementos que
apresentaram os maiores graus de detecção. Os domínios aos quais pertence cada grupo são os mesmos
definidos na Figura 6.4.
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6.5B - Gráficos Box plot dos principais domínios litoestratigráficos para os elementos que apresentaram os
maiores graus de detecção. Os domínios aos quais pertence cada grupo são os mesmos definidos na Figura 6.4.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 6.5C - Gráficos Box plot dos principais domínios litoestratigráficos para os elementos que apresentaram os maiores graus de
detecção. Os domínios aos quais pertence cada grupo são os mesmos definidos na Figura 6.4.
Por reunir apenas três amostras, as informações adsorvidos em minerais óxidos e hidróxidos de Fe e Al.
relacionadas ao Granito Rio Taquara não foram apre- O Sc também é o elemento que liga os dois primeiros
sentadas, este conjunto não contém o número mínimo grupos descritos para o domínio do Complexo Jamari ao
de amostras necessárias para o cálculo das correlações grupo composto pelos ETR leves e pesados, U, Y Th e Co.
com a significância desejada. A Figura 6.7 apresenta Na Suíte Rio Crespo, com as maiores correlações com
diagramas que expressam graficamente as correlações o Al e Ga, foram identificados os elementos Mo, In, Sn
acima de 0,8 encontradas nos conjuntos de amostras e Bi além de V, Fe, Sc, Cu, Cr, Ni e Hg. O segundo grupo
selecionados, os círculos que representam os elementos, encontrado neste domínio tem correlações maiores que
estão ligados por uma linha, indicando o índice com o 0,8 e consiste em ETR leves com correlações maiores com
qual os elementos se correlacionam, facilitando assim o Th, Tb e Y e ETR pesados, que apresentaram correlações
a identificação dos grupos de maiores correlações nos maiores com Nb (Zr-Hf) e Zn (Mn-Ti).
conjuntos de dados avaliados. No Complexo Nova Mamoré, foram encontrados
Nas amostras coletadas no domínio do Complexo correlacionados com o Al, Ga e Fe, os elementos Mo,
Jamari foi possível identificar que os elementos Al e Sc, V e Cr, além de In, Sn e Ni. O Be, liga o Al do primeiro
Ga apresentam as maiores correlações com In, Sn, Bi grupo, com correlação de 0,61, ao grupo dos elementos
e Sc, este último é o elemento que liga com o segundo alcalinos, que é composto por Ba, Be, Tl, Rb, Cs, Rb e Li. O
grupo, composto por Cr, Mo, Zn, Fe e V. Tal configuração Ba liga este segundo grupo ao dos ETR leves e pesados,
sugere que estes elementos, neste ambiente, ocorrem que compõem o terceiro grupo junto com o U, Th, Y e P.
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6.6 - Matriz de correlação baseada no índice de correlação de Spearman para as variáveis do levantamento que apresentaram
teores detectáveis. As posições cortadas com um “X” são correlações com significância < 0,5.
Nas amostras da Suíte Laje foi possível identificar o No domínio de predominâncias das unidades sedi-
grupo de elementos Al, Ga, Sc e V, Cr, Mo, Pb e Fe com as mentares, foram utilizadas as amostras coletadas nas
correlações mais fortes, o Sn e In, estão correlacionados coberturas sedimentares indiferenciadas, crostas laterí-
somente ao Al. O grupo dos alcalinos, composto por K, ticas, terraços do Rio Madeira e na Formação Palmeiral.
Rb, Cs estão acompanhados de Li, Bi, Ca e Ni. O grupo Com esse conjunto foi possível identificar que relacionado
ETR leves e pesados, junto com Th, U e Y são encontrados ao Al e Ga o grupo de elementos composto por Cu, In, Sn,
altamente correlacionáveis com o Sr e Cu. V, Sc, Cr e Mo, sendo o Fe ligado a esses quatro últimos
No domínio do Granito Nova Dimensão o Al já não com correlações acima de 0,7. Este grupo se liga através
está tão fortemente ligado ao Ga, ocorrendo junto dos do Sn com o Bi, Hf e Zr, enquanto que através do Cr se
elementos alcalinos (Rb, Be, K, Cs e Ba), sugerindo uma correlaciona com o Zn, que liga ao P, Co, Pb e Th, com
predominância de feldspato alcalino. Os metais Cr, Ni, correlações maiores que 0,7. Neste conjunto de dados os
Zn, Mo, Mn e Sb ocorrem no mesmo grupo do Fe. O ETR leves e pesados aparecem associados ao Y, U e Th.
grupo dos ETR leves e pesados, junto com U, Y, Th e P,
ocorrem ainda com altas correlações com os elementos Estatística Multivariada
Nb, Ti, Hf, Sr, Se e Cu.
Na Suíte São Lourenço-Caripunas foram identificados Para o tratamento estatístico multivariado foi uti-
dois grupos relacionados aos elementos Al e Ga, um lizada a análise de principais componentes (APC), com
composto por Hg, Be, Bi, In, Sn e outro por Cu, V, Cr. Os isso, buscou-se reduzir a dimensionalidade dos dados,
ETR leves e pesados tiveram suas maiores correlações transformando as variáveis em um número menor de
em grupos separados, sendo os leves encontrados cor- índices que preservam as relações presentes nos dados
relacionados com Th, Y e U, e os ETR pesados foram originais, proporcionando uma maior facilidade na visu-
encontrados mais fortemente ligados aos elementos alização de informações relacionadas a muitas variá-
Fe, Mo, W e Zr. veis em um número reduzido de mapas (MANLY, 1986;
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 6.7A - Gráfico com os grupos de elementos com correlação maior que 0,8, identificadas nos principais
domínios litoestratigráficos mapeados, conforme classes definidas na Figura 6.4.
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6.7B - Gráfico com os grupos de elementos com correlação maior que 0,8, identificadas nos principais
domínios litoestratigráficos mapeados, conforme classes definidas na Figura 6.4.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 6.7C - Gráfico com os grupos de elementos com correlação maior que 0,8, identificadas nos principais domínios
litoestratigráficos mapeados, conforme classes definidas na Figura 6.4.
DAVIS, 1986; TABACHNICK; FIDELL, 2001). Foram selecio- Tabela 6.5 - Tabela 6-5 - Dados da APC, indicando os
nadas dentre as variáveis com grau de detecção acima autovalores, variâncias atribuídas a cada componente e
de 80% as que apresentaram as melhores correlações variância acumulada.
no estudo bivariado, foi utilizado o critério de dimensio-
PC Autovalores Variância Variância acumulada
nalidade onde o número de variáveis é próximo à raiz
quadrada do número de amostras na análise. Outros 1 5,083 43,00% 43,00%
problemas que precisam ser sanados antes da APC, estão 2 2,177 18,40% 61,40%
relacionados à natureza dos dados geoquímicos com- 3 0,983 8,30% 69,70%
posicionais, estes em muitas situações não apresentam 4 0,838 7,10% 76,80%
distribuição normal, ou apresentam forte influência de 5 0,595 5,00% 81,80%
outliers, sofrem interdependência com outras variáveis 6 0,334 2,80% 84,60%
(elementos expressos em %), ou a distribuição é um 7 0,317 2,70% 87,30%
resultado de mistura de diferentes populações, todas 8 0,289 2,40% 89,80%
essas situações foram identificadas e solucionadas atra- 9 0,206 1,70% 91,50%
vés da transformação de todas as variáveis do pacote
10 0,195 1,60% 93,10%
de dados utilizados para a análise multivariada, para a
mesma unidade de medida, partes por milhão (ppm) e
posteriormente transformando pela razão log centrali-
zada (CLR), uma técnica utilizada para normalização de
dados composicionais sugerida por Aitchison (1986).
A APC foi realizada com 22 variáveis e 385 amostras.
Para avaliar a relevância das componentes calculadas foi
utilizado scree plot de (CATTEL, 1966), aliado ao critério de
Jackson (2003), que sugere que sejam utilizadas todas as
componentes que expliquem até 80% da variância total
do sistema. Através do gráfico e da Tabela 6.5 e na Figura
6.8 observa-se que as quatro primeiras componentes
são relevantes para explicar as correlações dos dados
em relação aos ambientes em que ocorrem.
Com a finalidade de correlacionar as associações
obtidas através da APC com as unidades litoestratigrá-
ficas presentes, ou ambiente em que ocorrem, foi feita
a espacialização dos scores da APC com classificação Figura 6.8 - Dados da APC, indicando os autovalores e as variâncias
dos níveis de relevâncias das amostras na componente atribuídas a cada componente, além da variância acumulada.
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| Projeto NW de Rondônia |
através de método gráfico utilizando o diagrama de destes elementos, principalmente quando se avalia o seu
frequência normal QQPlot identificando e sinalizando comportamento no processo magmatogênico, sugere a
as populações mais representativas dentro de cada polo ocorrência de litotipos derivados de fluidos graníticos
de cada componente. Tais associações foram avaliadas em estágios finais de cristalização, uma vez que ambos
em função da localização de suas ocorrências, conforme tendem a se acumular ao longo do processo de diferen-
apresentado nos mapas da Figura 6.9, que mostra as ciação magmática até os termos finais da cristalização
associações geoquímicas relacionadas a cada polo de Wedepohl (1978). O polo negativo desta componente,
cada componente e sua distribuição na área. relaciona a associação dos elementos Ba-Co-Mn-Ni a
Primeira principal componente (PC1), expressa porções bem específicas localizadas em domínios dife-
aproximadamente 43% da variância total dos dados, e é rentes, onde em cada domínio esta associação pode ter
responsável por correlacionar porções dos depósitos sedi- um significado diferente. Na porção sul do Granito Nova
mentares, através do polo positivo, identificado em verme- Dimensão, ocorre variação composicional, uma vez que
lho, à associação dos elementos Al-V-Cr-Sn-Fe-Mo, como na parte mais a norte desta unidade não foi identificada
a maioria destes elementos apresentam baixa mobilidade tal associação. Na porção NE e NW mapeada pode sugerir
no ambiente secundário, segundo Andrews-Jones (1968 para porções do domínio das Coberturas Sedimentares
apud Levinson 1974), isso sugere que eles podem estar características químicas semelhantes à porção oeste do
associados a minerais neoformados óxidos e hidróxidos de Complexo Jamari. Por fim, na porção leste, onde ocor-
Fe e Al, conforme (YARIV; CROSS, 1979). O polo negativo rem rochas calcissilicáticas do Complexo Nova Mamoré,
desta componente, identificado na cor azul, relaciona a onde foram apontados anteriormente teores anômalos
associação de ETR leves e pesados com U a regiões onde de Co e Tl, esta associação pode estar indicando trends
ocorre o Granito Nova Dimensão e porções dos domínios de dispersão devido à oxidação de litotipos sulfetados.
da Suíte Laje, situado na região leste do Complexo Nova A quarta componente, que expressa 7% da variância
Mamoré. Tais associações foram identificadas durante o total dos dados, relaciona através do polo positivo os
tratamento estatístico bivariado e agora, através da APC, elementos Nb-Mn-Bi à região central do levantamento,
é possível, além de reforçar a informação prévia obtida, principalmente em regiões nos domínios do Complexo
estabelecer uma relação espacial mais direta entre a asso- Nova Mamoré, em posições onde ocorrem distribuições
ciação identificada e a área estudada. anômalas de Nb, conforme indicado no tratamento uni-
A segunda componente é responsável por aproxima- variado. Outras posições apontadas estão localizadas nos
damente 18% da variância total dos dados, relaciona os domínios das Coberturas Sedimentares Indiferenciadas, no
alcalinos Cs-Ba, junto com Cu a porções localizadas nos Complexo Jamari, em bacia contígua a que foram detec-
domínios das Coberturas Sedimentares Indiferenciadas, tadas distribuições anômalas de elementos alcalinos (Ca-
além de outras nos domínios do Complexo Nova Mamoré. Mg-Sr), com teores anômalos detectados na estatística
O polo negativo relaciona a associação de Ti-Mn-Nb à univariada e por fim a porção leste da Formação Palmeiral.
região nordeste da área onde ocorrem litotipos da Suíte O polo negativo da quarta principal componente relaciona
Rio Crespo, Complexo Jamari e Suíte Serra da Providência. os calcófilos Cu e Zn com o litófilos V à porção leste da Suíte
O Ti e o Nb podem estar representando a mineralogia Rio Crespo, corroborando com as anomalias univariadas
máfica presente nessas unidades (biotitas, titanitas e obtidas através do tratamento estatístico univariado para
magnetitas), enquanto que o Mn e Co, podem estar esta porção da unidade que já apontava alguma variação
relacionados às coberturas sedimentares, visto que o Co, geoquímica em relação ao restante da unidade.
no ambiente superficial, tende a ser concentrado em oxi- De uma forma geral estas são as principais caracte-
hidróxido de Fe e Mn. Essa associação novamente havia rísticas obtidas através dos resultados químicos de SC,
sido identificada relacionada à Suíte Rio Crespo, durante através das análises unielementares, foi possível mostrar
o tratamento bivariado, agora pode ser identificada além do relevo geoquímico de todas as variáveis detec-
sua relação espacial, complementando as informações tadas, as distribuições destas nos principais domínios
obtidas nas etapas anteriores. das unidades litoestratigráficas mais representativas e
A terceira componente, que responde por cerca de as áreas com teores destacados (outliers) em relação
8% da variância dos dados, aponta posições com altas cor- ao contexto que ocorrem. Com a estatística bivariada
relações entre os calcófilos Bi-Sn identificados através do foi possível observar as correlações mais altas de cada
polo positivo da componente e situados principalmente grupo e relacioná-las às regiões onde foram coletadas.
na região central mapeada, em contextos que envolvem Por fim, através da estatística multivariada foi possível
porções dos domínios mapeados como Coberturas Sedi- determinar as principais associações encontradas nos
mentares Indiferenciadas, Complexo Nova Mamoré e dados estabelecendo uma relação espacial entre tais
Suíte Laje, além de um conjunto de amostras na porção associações obtidas através de técnicas estatísticas de
leste da Suíte São Lourenço-Caripunas. A associação tratamento de dados e a área levantada.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 6.9- Mapas de APC para as 22 variáveis selecionadas para o estudo multivariado, mostrando a espacialização
dos scores e associações geoquímicas relacionadas a cada principal componente avaliada.
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da área. Duas outras ocorrências com 1 partícula cada, Betekhtin (1964). Outras ocorrências de topázio também
foram detectadas em outras posições relacionadas a foram identificadas em diversos ambientes amostrados,
esse mesmo contexto de contato da Suíte Laje com o indicando a contribuição de rocha ácida, em estágios
Complexo Nova Mamoré. Outras ocorrências de ouro finais de cristalização, na participação do aporte do
detectadas são três partículas em uma amostra coletada sedimento nestas bacias.
na porção leste da área, em contexto que envolve o A turmalina, que segundo Dana (1984) ocorre mais
Complexo Jamari e a Suíte Rio Crespo, região onde tam- comumente em pegmatitos graníticos e em rochas que
bém foi detectada uma partícula de cobre. As demais circundam esses depósitos, ocorre com teor acima de
ocorrências estão relacionadas a bacias no domínio das 85%, a montante da amostra onde foram detectadas
coberturas sedimentares, onde uma delas se encontra scheelita e topázio (Figura 6.10B). Ainda, em bacia contí-
em contexto com o Granito Rio Taquara e porção da gua a norte, foi detectada a ocorrência de espessartita,
Cobertura Sedimentar Indiferenciada. ampliando as evidências que sugerem a ocorrência de
Amostras com ocorrências de cassiterita foram fontes pegmatíticas graníticas ou metassedimentos
detectadas relacionadas, principalmente à porção leste que foram submetidos a metamorfismo de contato
da Suíte São Lourenço-Caripunas, além de outras ocor- como uma fonte relevante de contribuição para os
rências dispersas relacionadas ao Complexo Jamari e a sedimentos destas bacias.
porção norte do Complexo Nova Mamoré (Figura 6.10A). Apesar de possuir uma ampla distribuição na área,
Em uma bacia situada na porção sudeste do levanta- tendo sido detectada em 94% das amostras do levan-
mento, no limite norte do Granito Nova Dimensão com tamento, é notável um aumento expressivo dos teores
Complexo Nova Mamoré, local onde ocorrem rochas de turmalina relacionado às porções centrais da área
paraderivadas, foi detectada scheelita (Figura 6.10A), levantada, em porções mapeadas como Complexo Nova
um mineral típico de pegmatitos graníticos e de depósito Mamoré e Cobertura Sedimentar Indiferenciada, onde
hidrotermal de contato. Na mesma bacia foi detec- estes teores são maiores que 50%. Isso sugere que
tado o topázio (Figura 6.10C), um mineral que ocorre ligada a estas áreas, exista uma maior contribuição de
em cavidades, principalmente de rochas ácidas, como rochas pegmatíticas e rochas ígneas ou metamórficas
os granitos, riolitos e diques pegmatíticos, conforme que justifiquem tais teores.
Tabela 6.7 - Sumário estatístico dos minerais detectados através do levantamento de CB com indicação do número de
amostras em que o mineral foi detectado, classes máxima, mínima e a moda de teores detectados para cada mineral.
Nº Nº
ID Mineral Mínimo Moda Máximo ID Mineral Mínimo Moda Máximo
de amostras de amostras
1 Au 8 1 1 6 21 Agregado 60 < 1% < 1% 5-24%
2 Cu 2 1 1 1 22 Andaluzita 58 < 1% < 1% 1-4%
3 Ilmenita 383 5-24% 50-74% 75-100% 23 Coríndon 53 < 1% - < 1%
4 Zircão 383 < 1% 5-24% 75-100% 24 Topázio 48 < 1% - < 1%
5 Rutilo 383 < 1% 5-24% 25-49% 25 Leucoxênio 39 < 1% - < 1%
6 Magnetita 382 < 1% 1-4% 25-49% 26 Hematita 38 < 1% < 1% 1-4%
7 Turmalina 360 < 1% 5-24% 75-100% 27 Apatita 33 < 1% - < 1%
8 Limonita 347 < 1% < 1% 75-100% 28 Barita 29 < 1% - < 1%
9 Monazita 316 < 1% < 1% 25-49 % 29 Hornblenda 21 < 1% - < 1%
10 Granada 309 < 1% < 1% 50-74% 30 Goethita 16 < 1% - < 1%
11 Anatásio 291 < 1% < 1% 1-4% 31 Florencita 15 < 1% - < 1%
12 Micas 287 < 1% < 1% 25-49% 32 Pirita 9 < 1% - < 1%
13 Cianita 232 < 1% < 1% 25-49% 33 Cassiterita 9 < 1% - < 1%
14 Epidoto 229 < 1% < 1% 5 - 24% 34 Pirita oxidada 6 < 1% - < 1%
15 Xenotímio 221 < 1% < 1% 5 - 24 % 35 Titanita 4 < 1% - < 1%
16 Sillimanita 201 < 1% < 1% 5-24% 36 Scheelita 1 < 1% - < 1%
17 Gahnita 158 < 1% < 1% 1-4% 37 Espinélio 1 < 1% - < 1%
18 Piroxênio 114 < 1% < 1% 5-24% 38 Flogopita 1 < 1% - < 1%
19 Anfibólio 102 < 1% < 1% 1-4% 39 Espessartita 1 < 1% - < 1%
20 Estaurolita 102 < 1% < 1% 5-24%
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 6.10 - Mapas de distribuição de minerais pesados em amostras de concentrado de bateia em leito ativo. Ocorrência de
partículas de ouro e cobre nativo, além de cassiterita e scheelita (A), além de turmalina (B), topázio (C) e apatita (D).
A apatita, que é amplamente disseminada como um e até monazita, nas porções centrais da área estudada são
mineral acessório nas rochas sedimentares, metamórficas e indícios que sugerem a ocorrência de uma zona com maior
ígneas, porém, é encontrado também em pegmatitos e veios influência de fluidos pegmatíticos ou litotipos graníticos
de origem hidrotermal, na área levantada, foi detectada como fontes para o aporte sedimentar destas bacias, evi-
em aproximadamente 9% das amostras, sempre em teor denciando assim uma característica sutil da região, possível
< 1%, ocorre principalmente relacionado ao Complexo Nova de ser mapeada através das técnicas de mapeamento
Mamoré, porém, são encontradas também ocorrências rela- geoquímico utilizadas neste trabalho.
cionadas ao Complexo Jamari, Suíte Rio Crespo, Rio Taquara A monazita, mineral relativamente raro e que
e Cobertura Sedimentar Indiferenciada (Figura 6.10D). ocorre como mineral acessório nos granitos, gnaisses,
É importante citar que estes aumentos de teores de tur- aplitos e pegmatitos ocorrentes na área de estudo,
malina, associados com as ocorrências de topázio, apatita apresentou ampla distribuição nas amostras de CB,
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
sendo detectada em mais de 80% delas. Quando se distribuídas pela área de estudo, porém com teores
observa a distribuição deste mineral na área, nota-se significativamente maiores em posições específicas.
um aumento dos teores nas regiões sul e sudeste da Um exemplo é na região nordeste da área, em contexto
área levantada, onde as rochas da Suíte Laje e Granito mapeado como Cobertura Sedimentar Indiferenciada,
Nova Dimensão intrudem o Complexo Nova Mamoré sugerindo a participação de rochas metamórficas de
(Figura 6.11A). Outras posições de ocorrências rele- protólito rico em alumínio como fonte significativa
vantes são relacionadas às regiões mapeadas como para os sedimentos. Outra posição onde se observa um
Coberturas Sedimentares Indiferenciadas. aumento dos teores desse mineral, está relacionada
A Figura 6.11B apresenta a distribuição da cianita ao Complexo Nova Mamoré na porção sudeste, região
e mostra que as suas ocorrências estão amplamente de maior incidência de rochas metapelíticas.
A B
C D
Figura 6-11 - Mapas de distribuição de minerais pesados em amostras de concentrado de bateia em leito ativo.
Ocorrência de monazita (A), cianita (B), sillimanita (C) e granada (D).
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| Projeto NW de Rondônia |
A sillimanita, que é um polimorfo da cianita e que, identificação espacial do resultado, as bacias, nos mapas
de uma forma geral, ocorre em ambientes submetidos a e as análises nos diagramas ternários, foram identificadas
pressões mais altas, foi detectada com teores mais ele- através do mesmo número. Uma vez que os elementos
vados, nas amostras relacionadas à unidade metapelítica ocorrem em proporções muito diferentes numa mesma
do Complexo Nova Mamoré, situada na porção sudeste partícula, com a finalidade de se facilitar na visualização,
da área (Figura 6.11C). Ainda, apresenta ocorrências na ajudando também na interpretação e identificação dos
região mapeada como Cobertura Sedimentar Indiferen- padrões, para a construção dos diagramas ternários da
ciada, sugerindo a participação de rochas metamórficas Figura 6.12B e C, foram utilizados os teores de ouro, de
de médio a alto grau como fonte para os sedimentos prata multiplicado por 10 e oxigênio ou cobre multipli-
destas bacias. cado por 100, respectivamente.
Por fim, a granada (Figura 6.11D), que apresenta os Os resultados mostram que as partículas apresentam
maiores teores relacionados ao Granito Nova Dimensão, sempre teor acima de 77% de ouro, teores de Ag variando
sendo a ocorrência deste mineral um aspecto marcante entre 0 e 20%, e de oxigênio entre 0 e 10%, ainda foram
na distinção macroscópica entre os litotipos da Suíte detectados em quantidades menores, abaixo de 1%, os
Laje e do Granito Nova Dimensão. Tais resultados ainda elementos S, Cu, Fe, Ni, Pd, Cd, Te e Pt. Ao analisar os
mostram que os teores de granada tendem a aumen- principais constituintes destas partículas, como apre-
tar na porção sudeste da área mapeada, porção sul do sentado na Figura 6.12B e C, pode-se observar duas
Granito Nova Dimensão, em contato com o Complexo populações principais, na primeira, a mais frequente, o
Nova Mamoré. teor de ouro é sempre superiores a 90%, o de oxigênio
Com o intuito de agregar informações complementa- variando entre 0 e 10% e o de prata inferior a 1%, foram
res a respeito da composição química de alguns minerais encontradas partículas desta população nas amostras
detectados no levantamento de CB, em algumas amos- 8, 18, 22 e 23. A segunda população, apresenta teor de
tras foram selecionados minerais para serem analisados ouro, variando entre 80 e 90%, pode conter até 20%
através de MEV, com isso, buscou-se identificar caracte- de prata e oxigênio variando entre 0 e 3%, esta popula-
rísticas que pudessem contribuir com o conhecimento ção foi detectada nas amostras 18 e 24, assim, as duas
geoquímico sobre os ambientes estudados. populações são encontradas na amostra 18, sugerindo
Apesar de não possuírem a precisão e acurácia neces- a mesma fonte para as duas, ou que uma é produto do
sária para que os dados sejam utilizados quantitativa- retrabalhamento da outra, uma vez que foram detecta-
mente nas determinações realizadas, os dados de química das tão próximas. A amostra de número 5 sugere ainda
mineral obtidos através de análises de MEV, podem ser a existência de uma terceira população onde não foi
utilizados qualitativamente na busca por informações detectado oxigênio em sua composição e o teor de prata
adicionais sobre as regiões estudadas, ajudando assim detectado em torno de 2%. A Figura 6.12C corrobora com
na identificação de situações que podem ser estudadas essa sugestão. Ainda foram analisadas duas partículas
de uma forma mais aprimorada, posteriormente. de cobre, estas apresentaram teor de 100%, uma delas
Foram analisadas nove partículas de ouro, distribu- ocorre em bacia contígua a da amostra 18, onde foram
ídas em seis amostras; em cada partícula foram feitas encontradas duas das populações de partículas de ouro
de duas a cinco leituras pontuais, os resultados foram descritas anteriormente em ambiente relacionado aos
submetidos a tratamento estatístico, que buscou, base- litotipos do Complexo Jamari no leste da área estudada.
ado na composição química das partículas, identificar A matriz de correlação e o diagrama de correlação
as principais populações e assim poder correlacionar as apresentados através da Figura 6.13A e B, foram cons-
informações obtidas com o ambiente em que ocorrem. truídos baseados no índice de correlação de Spearman
Desta forma, a Figura 6.12 reúne informações relevantes entre os elementos que tiveram teores detectados nas
acerca da composição química das partículas de ouro. No partículas de ouro e permite identificar dois grupos
mapa da Figura 6.12A, pode-se acompanhar a distribuição de elementos com as maiores correlações. O primeiro
das bacias em que foram identificadas partículas de ouro, grupo é composto pelos elementos O, S, Ni, Fe e Cd,
facilitando assim na correlação entre as informações obti- enquanto que no outro grupo se observa correlações
das pelo estudo ao ambiente que ocorrem. A Figura 6.12B mais altas entre Ag, Pd e Cd. O elemento Cu aparece
e C apresentam diagramas ternários que relacionam os fracamente correlacionado com o Te e Pd, corroborando
teores de ouro, prata e oxigênio e ouro, prata e cobre, com a sugestão da existência de uma terceira população
respectivamente. Nestes diagramas as análises realiza- cujo único indivíduo identificado é esta partícula que
das em partículas detectadas em uma mesma amostra, foi coletada na amostra de número 5, posicionada na
estão identificadas na mesma cor, quando existe mais região central da área trabalhada, que está relacionada
de uma partícula por amostra, elas são diferenciadas ao contexto que envolve o Complexo Nova Mamoré
por símbolos diferentes de mesma cor. Para ajudar na junto com a Suíte Laje.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
B C
Figura 6-12 - A) Mapa de ocorrência das partículas de ouro com análise química através de MEV. B) Diagrama ternário contendo os
teores de ouro versus prata e oxigênio multiplicado por 10. C) Diagrama ternário contendo os teores de ouro versus prata
multiplicado por 10 e cobre multiplicado por 100.
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 6-13 - Matriz de correlação apresentando os índices de Spearman entre os elementos detectados nas partículas de ouro. As
correlações consideradas como não significativas estão marcadas com um X.
Através de 54 análises químicas realizadas em 27 cas- com resultados que apontam cerca de 48% de zircônio,
siteritas retiradas de sete amostras conforme indicado no 35% de oxigênio e 14% de Sódio, sendo ainda detectado
mapa da Figura 6.14A, foi possível identificar além da pre- pequenos teores de Hf, W e Au. Esses minerais foram
sença do Sn e O, que são elementos conhecidamente cons- detectados nas bacias 18 e 14, localizadas no Complexo
tituintes deste mineral, impurezas de Al, Fe, Nb, W e In. Jamari e Suíte São Lourenço-Caripunas, respectivamente.
Através da análise da correlação entre os elementos
detectados nestas análises (Figura 6.14B), foi possível 6.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
identificar dois grupos principais de elementos que se
correlacionam positivamente. Assim, observa-se que os Através do mapeamento geoquímico utilizando Sedi-
elementos Fe e Nb apresentam fortes correlações e são mento de Corrente (SC) e Concentrado de Bateia (CB),
seguidos por Al e W, enquanto que o In não apresenta junto com a espacialização e integração com as demais
correlação com nenhum elemento deste grupo. O dia- bases de conhecimento da área levantada, foi possível
grama ternário apresentado na Figura 6.14C, que relaciona obter informações relacionadas à dispersão clástica e
os teores de Sn contra os teores de Fe e In multiplicados química dos diversos elementos químicos e minerais
por 100, mostra que existe uma população onde não pesados, nos sedimentos fluviais, produzindo assim
foram detectados teores de elementos traços, estes informações relevantes sobre as principais unidades
foram encontrados somente nas amostras identificadas litoestratigráficas aflorantes e ambientes amostrados.
como 20 e 21, e que estão relacionadas aos domínios do Através do levantamento de SC, foi possível mostrar
Complexo Jamari e Nova Mamoré, respectivamente. Outra o relevo geoquímico de todas as variáveis detectadas, as
população identificada, apresenta entre 1 e 2% de In, foi distribuições destas nos principais domínios das unida-
detectada nas amostras 12, 16, 17 e 18, a maioria loca- des litoestratigráficas mais representativas e a relação
lizada na porção leste da Suíte São Lourenço-Caripunas, dos elementos com teores destacados (outliers) com o
sendo a última, situada no extremo leste da área, região ambiente que ocorrem. Com a estatística bivariada foi
mapeada como Complexo Jamari. Por fim, ainda pode possível observar as principais correlações presentes na
ser identificada uma última população com teores de Fe área, bem como as relacionadas a porções específicas
por volta de 1%, mas que podem chegar a 4%. Vale citar onde foram coletadas. Por fim, através da estatística
ainda que em análises pontuais nas amostras 12, 16 e multivariada foi possível determinar as principais associa-
18 foram detectados teores de Fe e ocasionalmente Nb. ções encontradas nos dados estabelecendo uma relação
Dentre os demais minerais analisados, os rutilos espacial entre tais associações obtidas através de técnicas
foram identificados com teor entre 17 e 35% de Fe, detec- estatísticas de tratamento de dados e a área levantada.
tados na amostra 16, que fica localizada na porção leste O levantamento de CB mostrou todos os minerais
da Suíte São Lourenço-Caripunas, além de uma população pesados detectados, apresentando suas distribuições
dispersa contendo teores de Nb que variam de cerca de na área estudada, além da relação destas ocorrên-
1 a 4%. Ainda, foram detectados cerca de 2 a 2,5% de cias com os ambientes amostrados de forma a trazer
Au em zircões retirados de amostras coletadas sobre informações adicionais sobre os minerais acessórios
os domínios da Suíte São Lourenço-Caripunas (amostra presentes nas unidades litoestratigráficas aflorantes,
13) e Complexo Jamari (amostras 18 e 21), tais análises bem como ampliando a visão sobre o potencial mineral
nos zircões sugerem a presença de um mineral exótico, econômico da área levantada.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
B C
Figura 6-14 - A) Mapa com a localização dos pontos contendo os grãos de cassiterita analisados. B) Matriz de correlação com os
elementos detectados nas cassiteritas. C) Diagrama ternário relacionando os teores de Sn, In x 100 e Fe x 100Matriz de correlação
apresentando os índices correlação de Spearman entre os elementos detectados nas partículas de ouro. As correlações consideradas
como não significativas estão marcadas com um X.
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| Projeto NW de Rondônia |
7 RECURSOS MINERAIS
7.1 SUBSTÂNCIAS METÁLICAS 7.1). Ao longo da margem direita do rio Madeira foram
constituídos vários garimpos no sequeiro (Araras, Penha
7.1.1 Ouro aluvionar no leito dos rios e em Colorada e Taquara) que atualmente encontram-se ina-
terraços aluvionares tivos, apesar desta margem (lado do Brasil) apresentar
favorabilidade para inúmeros depósitos.
Uma das principais áreas de ocorrência de ouro no Para o presente projeto, com apoio da Cooperativa
estado de Rondônia é ao longo do vale do rio Madeira, dos Garimpeiros do Rio Madeira (Coogarima), foi realizada
que se estende desde as confluências do rio Beni com o uma etapa de campo com objetivo de visita às dragas e
rio Mamoré (Alto Madeira) até a confluência com o rio balsas que extraem ouro no rio Madeira, buscando verifi-
Machado. Nesta extensa área ocorre em diversos pon- car os procedimentos de extração e cadeia produtiva do
tos a atividade garimpeira no leito do rio (dragagem) e ouro. Foram amostradas 13 balsas entre Nova Mamoré
nas margens, popularmente conhecido como sequeiro. e na localidade da Velha Mutum-Paraná. A distribuição
Esta atividade é realizada desde o final da década de espacial das estações de amostragem é irregular em
1970, e na região da área do projeto, a extração de ouro função da não fixação das dragas que se movimentam
ocorre no leito do rio Madeira desde da confluência do constantemente em balsas ao longo do rio, em busca de
rio Beni, fronteira com Bolívia, próximo ao município regiões propícias a maior retorno financeiro, respeitando
de Nova Mamoré, até a Cachoeira do Teotônio (Figura os limites determinados pelas autorizações de lavra.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
O processo de lavra no rio Madeira ocorre através A separação de partículas magnéticas é realizada
de dragagem aluvionar operada por dragas e balsas inicialmente com ímã de mão e em seguida com equipa-
utilizando métodos e técnicas que de forma simples pos- mento de separação magnética do tipo Frantz. A fração
sibilitam resultados satisfatórios em termos econômicos. magnética foi preparada para análise mineralométrica,
Os depósitos aluvionares auríferos são irregulares e o enquanto que a porção não magnética foi separada na
processo de prospecção de áreas favoráveis é realizado por lupa e acondicionada (Figuras 7.4 e 7.5). Todas as partículas
tentativa e erro. Inicialmente as dragas/balsas são posicio- de ouro coletadas durante o projeto foram encaminhadas
nadas em áreas promissoras, a partir da estabilização do para análise de microscópio eletrônico de varredura (MEV).
local é deslocado uma mangueira de sucção operada dire- O tamanho das partículas de ouro varia pouco, em
tamente por um mergulhador no fundo ou bombeamento média com 500 por 500 μm, a morfologia dos grãos
do material do fundo para a balsa através de bomba de varia de subangulosos de baixa esferecidade até subarre-
sucção de 10 a 12 polegadas. O material do fundo do rio é dondados de alta esferecidade. Na maioria da amostras
colocado em uma estrutura conhecida como mesa plana as partículas são homogêneas e sem impurezas. Foram
ou calha, que consiste de uma mesa inclinada coberta com realizados de três a nove spots (pontos de amostragem)
tapete de borracha com sulcos longitudinais, em forma de por partícula de ouro. Elementos como Si, Fe, Al, Nb, Na,
“V”, paralelos aos lados da mesa e na direção do fluxo de Mg, Ca, Rb, Ag, K, Ti, As e Ir ocorrem em quantidades
polpa. Os minerais mais densos e o ouro movimentam-se muito baixas e em poucos spots (Figura 7.6).
próximos à superfície, percorrendo os sulcos longitudi- Todas as amostras com ocorrência comprovada de
nais, e são recolhidos continuamente na abertura (Figura ouro foram encaminhadas para análise mineralógica
7.2). Após a concentração de minerais pesados e ouro, é dos concentrados e os resultados estão na Tabela 7.1,
realizada a triagem do ouro para a próxima etapa que é o dividos em três ambientes: conglomerados (mucu-
amalgamento com o mercúrio e posterior queima. ruru) da Formaçao Rio Madeira, amotras coletadas
Neste projeto além da coleta em balsas/dragas, na balsas do rio Madeira e concentrados de bateia
foi amostrado paleo-canal (sequeiro) distantes até 2 amostrados durante o levantamento geoquímico
km da margem do rio Madeira. Esses paleocanais são (para efeito de comparação). Amostras coletadas no
constiuídos por depósitos conglomeráticos holocênicos rio Madeira têm como característica a presença de
da Formaçao Rio Madeira. O conglomerado aurífero é pirita, scheelita e fluorita. Granada e epídoto também
popularmente conhecido como mucururu (Figura 7.3). ocorrem, em maiores concentrações, neste grupo.
A B
C D
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| Projeto NW de Rondônia |
Amostras dos concentrados de bateia têm maior quanti- A primeira fase envolveu silicificação pervasiva da
dade de limonita e turmalina. Gahnita e zircão ocorrem rocha encaixante, com disseminação de arsenopirita e
em grande quantidade em todas as amostras, assim pirita de granulação fina, que resultou na formação de
como a ilmenita. Monazita, xenotímio e magnetita veios de quartzo sacaroide (Figura 7.8A) paralelos ao
ocorrem em maiores concentrações na amostras do bandamento composicional, regulares e com espessura
rio Madeira e nos concentrados de bateia. métrica. A porcentagem de sulfetos varia de 5 a 15%.
Em uma segunda fase, ocorreu intensa boudinagem da
7.1.2 Depósitos de Au, Ag, Pt em zonas rocha encaixante, com o desenvolvimento de estrutu-
disseminadas estilo Corte do Iata - rochas ras tipo pinch and swell de dimensão centimétrica a
sulfetadas decimétrica, preenchidas por veios de quartzo leitoso
e pirita e arsenopirita anédricas a subédricas, de gra-
Durante o mapeamento, foi constatada a ocorrência nulação grossa (Figura 7.8B). A quantidade de sulfetos
de sulfetos em rochas do Complexo Nova Mamoré, que varia de 5% até 100% em veios de sulfeto maciço, de
ocorrem disseminados principalmente em gnaisses cal- menor dimensão, que seguem a direção dos necks dos
cissilicáticos e anfibolitos finos, representados por pirita boudins, com baixo mergulho, junto à posição vertica-
e pirrotita, com arsenopirita e calcopirita subordinadas. lizada das camadas, indicando tensões compressivas
O sítio conhecido como Corte do Iata foi descrito ini- durante sua formação. Na terceira etapa houve uma
cialmente por Souza et al. (1975), e representa a principal re-boudinagem das estruturas da segunda fase, com
ocorrência de ouro, com prata e paládio, associados a mais uma etapa de deposição de quartzo leitoso e
sulfetos. Localiza-se nas margens da BR-425, cinco quilô- sulfetos. Há ainda uma quarta fase de mineralização,
metros ao sul da sede municipal de Nova Mamoré. Rochas com a cristalização de sulfetos maciços em veios reti-
paraderivadas cisalhadas contêm pirita, arsenopirita, pir- líneos de largura centimétrica e comprimento métrico
rotita e calcopirita com ouro, prata e paládio associados. (Figura 7.8D), que cortam todas as fases anteriores, bem
Após trabalhos de campo detalhados, constatou-se que como em fraturas paralelas ao bandamento da rocha.
esta ocorrência está relacionada a três fases de silicifica- Estes veios são tardios e possivelmente relacionados
ção e uma de sulfetação (Figura 7.7), com boudinagem à remobilização dos sulfetos das fases anteriores que
de rochas calcissilicáticas do Complexo Nova Mamoré pode ter ocorrido durante o mesmo evento, ou em
e geração de veios de quartzo sulfetados. eventos posteriores.
A B
C D
Figura 7.3 - Coleta e preparação de amostra de mucururu em paleo-aluvião, bateamento e pintas de Au.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
E F
Figura 7.4 - Procedimentos de preparação das amostras em laboratório. A) Secagem de amostras coletadas;
B) Pesagem das amostras após secar; C) Peneiramento de amostras durante bateia; D) Bateamento de
amostra; E) Secagem de concentrados sem estufa; F) Separação de partículas de ouro com lupa.
Cerca de 200 metros ao norte da ocorrência, há outro O principal mineral de sulfeto identificado é a
afloramento similar, porém com menor intensidade da pirita (Figura 7.9C), e os resultados obtidos mostram
alteração, onde pode-se observar a rocha encaixante composições de até 53,13% de enxofre e, em média,
ainda preservada. Este afloramento provavelmente inte- 46% de ferro. A fase oxidante tem composição diver-
gra uma porção mais distal do mesmo sistema mineral. sificada e possui traços de minerais: apatita, ilmenita,
A partir do dados de campo foram confecionadas schwertmannita (ferro-oxi-hidroxissulfato), quartzo,
seções polidas (Figura 7.9A e B) e encaminhadas ao micros- zoisita e magnetita e prata. Foram identificadas par-
cópio eletrônico de varredura (MEV) do LAMIN-Belém, tículas de ouro na forma de inclusões nos cristais de
utilizando o sistema de energia dispersiva (EDS) com o pirita (Figura 7.9D).
objetivo da identificação e caracterização de minerais e Ao realizar análise pontual nesta partícula, é mos-
inclusões. Na seção polida foram escolhidos cinco sítios trado a seguinte composição: Au (63,94-77,17%), Mo
para análise, e foram realizados até 12 spots em cada sítio. (14,85-22,7%), Fe (3,89-10,8%) e O (3,73-5,88%).
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 7.5 - Partículas de ouro separadas nas amostras: A) DS-058 (paleocanal); B) DS-064; C) DS-069; e D)DS-073.
Figura 7.6 - Imagens EDS com spots das amostragem na partícula de ouro e imagem ampliada da partícula de ouro utilizada.
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| CPRM - Levantamento Geológico e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
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| Projeto NW de Rondônia |
Figura 7.7 - Imagem panorâmica do afloramento conhecido como Corte do Iata, com realce das estruturas existentes. Observa-se a
boudinagem das camadas sub-verticais com a formação de veios de quartzo em estruturas tipo “pinch and swell”.
Fraturas sub-horizontais cortam a maioria das feições e também hospedam sulfetos maciços.
A B
C D
Figura 7.8 - Características da mineralização de ouro, prata e paládio: Veios de quartzo cinza, com granulação fina a média, paralelos ao
acamamento, com sulfetos disseminados (A); Boudin preenchido por arsenopirita maciça e veios de quartzo boudinados (B);
Sulfetos de granulação grossa (C); Fratura preenchida por sulfetos maciços (D).
Também foram desenvolvidas análises petrográficas transmitida. Os grupos de IFs foram descritos com base
e microtermométricas em 4 lâminas bipolidas (100 μm no modo de ocorrência, relação espacial e temporal, mor-
de espessura) de veios de quartzo leitoso com porções fologia, número de fases, proporção de fases e natureza
sulfetadas (Amostras: 4397-GN-R-0218B, C, D e E). A dos fluidos. Para a divisão dos tipos de inclusões fluidas
petrografia convencional de inclusões fluidas (IFs) foi foram respeitados os critérios de Shepherd, Rankin e
realizada em temperatura ambiente (25 °C) com auxí- Alderton (1985) e Roedder (1984). Os dados microter-
lio de microscópio petrográfico (Olympus BX51) de luz mométricos foram adquiridos utilizando uma platina de
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
resfriamento e aquecimento Linkam THMSG600, com representadas por inclusões monofásicas ou bifásicas
intervalo de temperatura entre -195 e 600 ˚C, acoplada (CO2 ± CH4 ± N2liq.) à temperatura ambiente. Durante
ao microscópio petrográfico no Laboratório de Inclusões o resfriamento, ocorre a nucleação de uma nova fase
Fluidas da CPRM em Brasília, com apoio da Divisão de (CO2 ± CH4 ± N2vap.) Entre -113 e -128 °C as fases car-
Geologia Econômica (DIGECO). Foram identificados três bônicas passam a ocupar de 20 a 80% do volume total.
tipos de inclusões: aquosas, aqua-carbônicas e carbô- As inclusões primárias deste tipo variam de 5 a 25 µm e
nicas. Com base na natureza dos fluidos, no número de têm morfologia variada, com predomínio das alongadas,
fases observadas à temperatura ambiente (25 °C) e em ovais e arredondadas, ocorrendo como pequenos grupos
mudanças de fase nos estágios de resfriamento/aqueci- ou isoladas de cor cinza claro a escuro e contorno bem
mento foram individualizados 3 tipos de inclusões fluidas marcado (Figura 7.10A e B).
(tipo 1, 2 e 3). As inclusões podem ocorrer de forma O tipo 2 é formado por inclusões aquocarbônicas
aleatória isolada ou em pequenos grupos (primárias), bifásicas (H2Oliq + CO2 ± CH4 ± N2liq.) à temperatura
ao longo de trilhas intra e transcritalinas, classificadas ambiente, com nucleação de uma nova fase (CO2 ± CH4 ±
como pseudosecundárias e secundárias, respectiva- N2vap.) Entre -115 e -124 °C. As fases carbônicas ocupam
mente. Em alguns domínios observa-se que estas IFs entre 35 a 80% do volume total. Estas inclusões podem
apresentam feições de stretching e necking down. As ser primárias ou secundárias. As primárias ocorrem de
inclusões fluidas do tipo 1 são as mais abundantes, sendo modo isolado, com formato irregular e tamanho entre 10
A B
C D
Figura 7.9 - Amostra do corte do IATA.A) Seção polida com as marcações do sítios a serem investigados. B) Seção polida à luz refratada,
mostrando cristal de pirita. C) Imagem BSE de cristal de pirita com partícula de ouro na forma de inclusão na porção central da
amostra. D) Partícula de ouro isolada, inclusa no sulfeto. E) Espectros de EDS de um dos spots da partícula de ouro.
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| Projeto NW de Rondônia |
e 30 µm, relevo baixo a moderado e contorno levemente Estes três tipos também ocorrem como secundárias,
marcado. A fase líquida tem cor cinza claro a escuro, formando trilhas tardias com inclusões de tamanho infe-
enquanto a fase vapor tem forte contorno escuro e cor rior a 10 µm, com moda em 5 µm, de morfologia variada,
cinza escura a preta (Figura 7.10C). predominando inclusões arredondadas ou ovais (Figura
O tipo 3 é o mais raro, sendo composto por inclusões 7.10F), de cor cinza claro a escuro, por vezes dificultando
aquosas que ocorrem como bifásicas (H2Oliq + H2Ovap.), a distinção de fases.
com o volume gasoso ocupando entre 20 e 80% do Assembleias de inclusões fluidas (FIA – Fluid inclu-
volume total ou monofásicas líquidas ( Figura 710D e sion assemblajes) são definidas como associações de
E). A distinção de fases é marcada pelo forte contorno inclusões com fluidos coevos que foram aprisionados,
apresentado pela fase vapor e a cor escura de H2Ovap. aproximadamente, ao mesmo tempo e estão associadas
Estas inclusões, quando primárias ou pseudosecundárias, petrograficamente (GOLDSTEIN e REYNOLDS, 1994).
possuem morfologia variada, mas com predominância Aplicando-se a definição de FIA, foram reconhecidas
de inclusões em forma de bastão e arredondadas de três assembleias de inclusões fluidas nas amostras de
tamanho variando entre 10 a 25 µm. veios de quartzo leitoso com porções sulfetadas: FIA-01
A B
C D
E F
Figura 7.10 - Aspectos e distribuição das inclusões fluidas. A-C) Inclusões carbônicas bifásicas e aquocarbônica trifásica (FIA-01, tipos 1
e 2); D-E) Inclusões aquosas primárias (FIA-02, tipo 3); F) Trilhas de inclusões secundárias, com predomínio de inclusões ricas em CO2.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
(carbônicas e aquocarbônicas primárias), FIA-02 (aquo- A FIA-01 é caracterizada por inclusões fluidas car-
sas primárias) e FIA-03 (carbônicas, aquocarbônicas e bônicas e aquocarbônicas primárias que apresentaram
aquosas secundárias). intervalos muito próximos para ThCO2, com valores que
A aquisição de dados microtermométricos foi reali- variam entre -75,1 e -124,2 °C (Figura 7.11A). A TfCO2 foi
zada em 98 inclusões fluidas primárias e pseudosecun- observada somente para inclusões carbônicas, registrada
dárias e 17 secundárias. Durante a etapa de resfriamento entre -90,1 e -140,6 °C (Figura 7.11B). Não foi possível
foram obtidas temperaturas de fusão e de homogenei- observar a temperatura de homogeneização total das
zação do CO2 (TfCO2 e ThCO2), temperatura do eutético inclusões aquocarbônicas, pois os valores devem ser
(Te), temperatura de fusão do gelo (Tfgelo) e temperatura superiores ao limite máximo de aquecimento da platina
de homogeneização total (Tht). utilizada (> 600 °C).
A B
C D
E F
Figura 7.11 - Histogramas e gráfico de dispersão dos dados microtermométricos obtidos. A-B) Temperatura de homogeneização do CO2
e temperatura de fusão do CO2 da FIA-01. C-D) Temperatura de fusão do gelo e salinidade calculada para inclusões da FIA-02.
E) Temperatura eutética vs. salinidade, mostrando possíveis sais em solução no sistema para inclusões aquosas primárias.
F) Temperatura de homogeneização total de inclusões aquosas secundárias.
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| Projeto NW de Rondônia |
As inclusões aquosas primárias da FIA-02, apresentam requer análises de microscopia Raman, possibilitando
temperatura de fusão do gelo entre -1,3 e -6,7 °C (Figura posteriormente a discussão do papel destes voláteis na
7.11C), correspondendo a um intervalo de salinidade evolução deste sistema bem como sua fonte.
entre 2,24 e 10,11% Wt. NaCl eq. (Figura 7.11D), calcu- O sistema de fluido aquoso primário, representado
lada a partir da equação proposta por Bodnar (1993). pela FIA-02, apresenta baixa a moderada salinidade com
A temperatura eutética abrange valores entre -30,6 e valores entre 2,24 a 10,11% Wt. NaCl eq (Figura 7.11D)
-50,1 °C, indicando a composição de H2O-NaCl, com pos- e pode ser distinguido em dois tipos devido à adição de
sível presença de MgCl2 e FeCl2 em solução neste fluido cátions em solução indicada pelos dados de tempera-
(Figura 7.11E). A temperatura de homogeneização total tura eutética: H2O-NaCl-FeCl2 e H2O-NaCl-CaCl2(Figura
também não pôde ser observada para esta assembleia, 7.11E). A Tht destas inclusões (FIA-02) ocorrendo acima
ocorrendo acima de 600 °C. de 600 °C é consistente com as condições de alto grau
Em razão do pequeno tamanho das inclusões, metamórfico da região, assim como a salinidade regis-
durante a etapa de resfriamento não foram observadas as trada para fluidos metamórficos (ROEDDER, 1984). A
temperaturas para inclusões secundárias, pertencentes limitação de obtenção de temperaturas elevadas é
à FIA-03. No aquecimento, a temperatura de homoge- um empecilho para interpretar possíveis evoluções e
neização total foi observada entre 248,5 e 292 °C para processos deste sistema de fluidos.
as inclusões aquosas bifásicas (Figura 7.11F). As relações de corte observadas, assim como as tem-
A interpretação com maior detalhe e especificidade peraturas obtidas, mostram uma segunda geração de flui-
das 3 FIAs analisadas possui limitações devido à dificul- dos, representado pela FIA-03, posterior ao crescimento
dade de obtenção de dados microtermométricos em dos cristais de quartzo. Entretanto, estes fluidos têm seu
razão do tamanho das inclusões fluidas e da impossibi- estudo dificultado devido ao tamanho das inclusões,
lidade de realizar medidas de temperaturas superiores em geral menores que 5 µm, o que impede a caracteri-
a 600 °C. No entanto, as relações espaciais e temporais zação composicional e a compreensão dos parâmetros
observadas durante a etapa de petrografia e os dados físico-químicos relacionados ao aprisionamento. Nas
microtermométricos obtidos possibilitaram algumas inclusões fluidas da FIA-03, foram determinadas apenas
interpretações preliminares expostas a seguir. a temperatura de homogeneização total (248,5 a 292 °C)
O estudo das inclusões fluidas permitiu a identifi- para os fluidos aquosos, notadamente menores do que
cação de fluidos primários e tardios dos sistemas car- as temperaturas das inclusões primárias (Figura 7.10F).
bônico, aquocarbônico e aquoso. A associação espacial De maneira geral, o estudo preliminar das 03 amos-
e temporal de inclusões fluidas primárias da FIA-01, tras de veios de quartzo do alvo Iata, permite uma cor-
carbônicas e aquocarbônicas, possibilita indicar que relação dos dados microtermométricos com a evolução
são possivelmente fluidos cogenéticos gerados a partir metamórfica da região. Essa afirmação encontra subsí-
de um mesmo fluido. Os intervalos similares de tempe- dios nos baixos valores de salinidade (FIA-02) e nas altas
raturas de homogeneização do CO2 (-75,1 a -124,2 °C) temperaturas de homogeneização total (> 600 °C para
para os dois tipos de inclusões (aquosas e aquocarbô- as FIA-01 e 02) obtidas em inclusões primárias, que são
nicas) pode reforçar esta possibilidade (Figura 7.11A). compatíveis com o metamorfismo de alto grau ao qual
No entanto, a caracterização destes fluidos e de seus a região foi submetida. Os valores de Tht, obtidos em
processos geradores carece de mais informações micro- inclusões secundárias aquosas da FIA-03, sugerem a
termométricas tais como salinidade, densidade e Tht, geração de fluidos em condições de mais baixa tempe-
além de dados de proporção molar dos voláteis para ratura que podem ser associadas a um metamorfismo
averiguar se os critérios de Ramboz, Pichavant e Weis- de mais baixo grau com atuação de deformação rúptil.
brod (1982) e as evidências de Roedder (1984) são Não foi possível correlacionar os fluidos aqui determi-
satisfeitos em caso de aprisionamento homogêneo nados (FIA-01, 02 e 03) com as três fases de silicificação e
com posterior imiscibilidade de fluidos. a fase de sulfetação descritos para as mineralizações do
A indicação de presença de outros voláteis (N2 e CH4) alvo Iata. Entretanto, os fluidos da FIA-02, formados por
para inclusões da FIA-01 justifica-se pela diminuição complexos cloretados têm capacidade de solubilização
considerável observada para TfCO2 e pela nucleação de e transporte de ouro e podem ter desempenhado um
uma nova fase em temperaturas abaixo de zero durante papel importante na gênese primária e/ou remobilizações
a etapa de resfriamento. Em inclusões formadas por das mineralizações auríferas.
CO2 puro o ponto tríplice (TfCO2) ocorre em -56,6 °C. O Apesar de serem relativamente abrangentes, as infor-
intervalo de temperaturas encontrado neste trabalho mações obtidas não permitem enquadrar a ocorrência em
condiz com dados da literatura para inclusões ricas em N2 nenhum dos modelos de depósitos existentes na literatura.
(p. e: ALVARENGA et al., 1990; WANG; WANG; KONARE, Para isto são necessárias análises por outras técnicas mais
2018). Todavia, a caracterização qualitativa destes voláteis robustas, e amostragem mais detalhada do prospecto.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
7.1.3 Depósitos de estanho da região poder público (federal e estadual) várias unidades de
São Lourenço-Caripunas. conservação como Florestas Nacionais (FLONA), Parques
Nacionais (PARNA), Parques Estaduais (PES), Estações
Localizado na porção noroeste da área de pesquisa Ecológicas (ESEC), Reservas Biológicas (REBIO), Flores-
(Figura 7.12), na calha norte do rio Madeira, o depósito tas Estaduais de Rendimento Sustentado (FLORSU) e
de cassiterita de São Lourenço-Caripunas integra uma Reservas Extrativistas Estaduais (RESEX). Na região de
das regiões de relevante interesse mineral (ARIMs) defi- São Lourenço o Parque Nacional Mapinguari foi criado
nidas por Dall´Igna (2010) e compõe uma das cinco áreas posteriormente à atividade de mineração, que mesmo
da Província Estanífera de Rondônia (PER) conforme o com proteção integral, foi reservada uma porção para
trabalho de Buch et al. (2019). A região de São Lourenço desenvolvimento da atividade de mineração.
compreende uma área de aproximadamente 200 km², e A lavra nesta área é similar às demais regiões da
as sua descoberta foi realizada em 1961, por seringueiros PER, que consiste no método de lavra artesanal em
que exploravam a região (DALL´IGNA, 1993). Em 1964, minas à céu aberto para mineralizações secundárias
a Cia. de Mineração São Lourenço instalou a primeira (Figura 7.13). Camadas arenosas (placers mineralizados)
frente mecanizada em Rondônia, no igarapé Saubinha, concentram naturalmente a cassiterita, enquanto a
em São Lourenço, operando até 1966 (BUCH et al., 2019). camada argilosa, chamada de lagrese, não é minera-
Em Rondônia, bem como grande parte dos estados lizada (estéril). A lavra é orientada por concentrados
da Amazônia, ao longo dos anos, foram delimitadas pelo de bateia, onde os garimpeiros previamente analisam
Figura 7.12 - Mapa da Área e as concessões de lavra no Distrito de São Lourenço e a área do PARNA Mapinguari.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 7.13 - Áreas de mineração no deposito São Lourenço - Caripunas. A) Desmonte hidráulico no deposito de placer.
B) Utilização de retroescavadeira para acesso a zona mineralizada. C) Álcali granito com veios de quartzo mineralizados.
D) Veio de quartzo com cristal de cassiterita.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
Figura 7.14 - Granitos da Suite São Lourenço-Caripunas cortado por zonas de cisalhamento mineralizadas em sulfetos de arsênio.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
E F
Figura 7.15 - Imagens e resultados do microscópio eletrônico de varredura (Mev) - Espectroscopia de energia
dispersiva (EDS). A) Secção polida com a indicação dos sítios de amostragem. B) Sítio 1, C) Sítio 2, D) Sítio 3, E) Sítio 4
e F) Sítio 5. A tabela de resultados indica o sítio e o spot relacionado.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
Figura 7.16 - (A) Afloramento que exibe a variação entre a camada homogênea de grafita xisto (I), com veios leucograníticos (II) e o
gnaisse encaixante (III); (B) Detalhe das duas zonas grafitosas, homogênea (I) e com veios (II); (C) Amostra de mão com flocos de grafita
de granulação média; (D) Fotomicrografia de seção polida com o aspecto da grafita que acompanha a foliação.
Objetiva de 10x, nicóis cruzados, amostra GN-0094.
A B
C D
Figura 7.17 - Amostras de campo e microscópicas de rochas do Complexo Nova Mamoré. A) Grafita biotita gnaisse são rochas em
condições metamórficas de anfibolito alto a granulito. B) Cristais de biotita-grafita rodeados por film mets de plagioclásio.
C) Filonito grafitoso são rochas em condições xisto-verde, de granulação muito fina e associada com sulfetos.
D) Cristal de sulfeto com cristais de grafita.
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| Projeto NW de Rondônia |
Tabela 7.2 - Resultados analíticos para teores de grafita para amostras do Projeto Noroeste de Rondônia.
A B
C D
A ocorrência está localizada no domínio estrutural apresentaram teores elevados são: cobre (Cu) 353,9 ppm,
VI, conforme destacado no Capítulo 5 deste relatório. Os molibdênio (Mo) 33,01 ppm, chumbo (Pb) 237,9 ppm, fós-
veios mineralizados em manganês possuem espessura foro (P) 458 ppm, cério (185,7 ppm), bário (11043 ppm),
milimétrica a centimétrica, com atitudes concordantes urânio (13,27 ppm) e tungstênio (161,1 ppm).
com fraturas N160E/86 SW. Esse plano é cortado por mais Para a mesma amostra, ainda foram confeccionadas:
dois conjuntos de atitudes em torno de N125E/60SW, uma seção polida e uma lâmina delgada (Figura 7.20) para
N135E/30SW e N265E/80NW e N210E/78NW que inter- análise em microscópio. Na microscopia de luz refletida,
ceptam o plano da mineralização (Figura 7.19). é possível observar agregados de mineral fibroso, pris-
Foi realizada análise química em uma amostra do miné- mático, por vezes tabular, de cor cinza, apresentando
rio no laboratório SGS-GEOSOL, medindo concentrações clivagem, refletância média, anisotropia média a forte.
de elementos maiores e menores pelo método XRF79C Outras formas de ocorrência foram verificadas ao
(fusão com metaborato, com leitura por fluorescência de decorrer do projeto. Ao sul da Serra dos Pacaás Novos,
raios-x), elementos-traços, pelo método IMS95A (fusão próximo ao município de Guajará-Mirim, foi verificado
com metaborato e determinação por espectrometria de um depósito, na fase de pesquisa mineral, em arenitos
massa) e o método ICM40B (digestão multiácida ICP-MS). da Formação Palmeiral. Em diversos afloramentos dos
Os resultados expressos na Tabela 7.3 mostram o valor metarenitos da formação Mutum-Paraná, em cortes de
elevado para o óxido de manganês (MnO) com teor na estrada na Serra Três Irmãos, são observadas ocorrências
ordem de 69%, além do alumínio (4,58%), ferro (1,41%) e de manganês dendrítico preenchendo fraturas ou nos
bário (1,36%). Alguns elementos traços e terras raras que sets de camadas (Figura 7.21).
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Figura 7.19 - Análise estrutural dos veios mineralizados em Manganês na Formação Palmeiral, mostrando a distribuição
e frequência de suas atitudes.
Elemento SiO2 Al2O3 Fe2O3 BaO MnO CaO K 2O P2 O 5 TiO2 SrO LOI
Teores 2,32 4,58 1,41 1,36 69,01 0,02 0,16 0,08 0,1 0,04 13,1
7.2 SUBSTÂNCIAS NÃO METÁLICAS areia, granito para brita, cascalho laterítico e cascalho
conglomerático utilizado como material de aterro e de
As substâncias minerais da classe não metálica revestimento de estrada. De forma geral, a extração
são principalmente os materiais de uso na construção destes recursos tem como característica a proximidade
civil. A atividade de extração mineral possui consi- de núcleos urbanos e a aplicação de simples métodos de
derável número de frentes de lavra em operação na lavra. Areia e cascalho são procedentes dos depósitos
área de pesquisa, com atividades como: extração de dos leitos e margens dos rios.
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 7.20 - Aspectos mineralógicos e texturais do minério de manganês. A) Lâmina do material coletado. B) Detalhe da lâmina a luz
refletida. C) Seção polida do manganês e D) Detalhe da seção polida em luz refratada.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
C D
Figura 7.22 - Pedreira Fortaleza. A) Área de exploração do granito com blocos de diversos tamanhos após a
ação de explosivos. B) Detalhe dos blocos de granito. C) Carregamento de caçambas com material oriundo
da mina. D) Area de britagem com material já separados pelos britadores.
No mapa de recursos minerais são indicados outros rodovias de baixo volume de tráfego e como sub-base
pontos de granitos para possível instalação de novos para pavimentação de estradas, reforços do subleito e
empreendimentos com a indicação de corpos graníticos como material de aterro.
isotrópicos e deformados. Inclusive com espécimes de Na área de pesquisa, na porção norte da Folha
rochas para possível emprego na indústria de rochas Mutum-Paraná, na Unidade Conglomerática da Forma-
ornamentais. ção Palmeiral, são comuns depósitos de empréstimo
de material de cascalho conglomerático, utilizado na
7.2.2 Areia, argila e cascalho pavimentação de estradas vicinais como alternativa ao
cascalho laterítico (Figura 7.23D).
De forma geral, as áreas de exploração dos insumos
básicos são próximas aos pequenos núcleos urbanos 7.2.3 Rocha carbonática
localizados na área de pesquisa, como exemplo os distri-
tos de Jaci-Paraná, União Bandeirantes, Palmeira, Nova A ocorrência é localizada em pequeno corte de
Dimensão e o município de Nova Mamoré. Destacam-se estrada às margens da BR-364. A camada de rochas
os depósitos aluvionares dos rios Jaci-Paraná, Mutum- carbonáticas ocorre sobreposta às rochas vulcânicas da
Paraná e rio da Laje, onde são lavrados os espessos Formação Capitão Silvio. O pacote carbonático tem pouca
depósitos de areia e seixo (Figura 7.23A). expressão, com espessura que varia no máximo até 40
O cascalho laterítico é o produto de processos cm (Figura 7.24A). Não é possível observar laminação
físico-químicos provocado pelo intemperismo, comum típica de dolomitos/calcários, a matriz é afanítica com
em regiões de clima quente e úmido. Na Amazônia, é clastos de mesma composição da rocha (Figura 7.24B).
usualmente encontrado próximo da superfície, com Os resultados das análises dos elementos maiores indi-
espessura que pode variar de poucos metros (3 a 4 m), cam grande quantidade de óxido de cálcio (Tabela 7.4),
como também depósitos mais expressivos (Figura 7.23B valor de CaO é 50,3% e MgO é 2,24%, que define a rocha
e C). O cascalho laterítico é um material com boa capa- como calcário magnesiano, segundo a classificação de
cidade de suporte, utilizado como material base em Bigarella e Salamuni (1956).
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| Projeto NW de Rondônia |
A B
C D
Figura 7.23 - Depósitos de substâncias não metálicas. A) Área de exploração de areia. B) Área de exploração de cascalho lateritico.
C) Detalhe de nódulos lateriticos que compõem o cascalho. D) Área de exploração de cascalho conglomerático.
A B
Figura 7.24 - A) Afloramento de rocha carbonática, mostrando a pouca espessura dos pacotes carbonáticos. B) Detalhe de intra clastos
de mesma composição da rocha.
MÉTODO XRF79C
Elemento SiO2 Al2O3 Fe2O3 MgO CaO Na2O K 2O P2O5 TiO2 MnO LOI SUM
Teores 15,9 3,74 2,28 2,24 50,3 <0.1 0,05 0,1 0,19 0,17 23,51 98,48
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
A B
A B
Figura 7.26 - Forma de ocorrência de turmalina em veios de quartzo que cortam xistos do Complexo Nova Mamoré.
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| Projeto NW de Rondônia |
8 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
As informações adquiridas neste projeto apresen- Na Suíte Laje foram descritos dois grupos prin-
tam avanço no conhecimento geológico do noroeste do cipais de litotipos graníticos. O Granito Laje com
estado de Rondônia, porção sudoeste do Cráton Amazô- composição quartzo-feldspática, biotita e as vezes
nico. Consolidando informações de projetos pretéritos biotita+muscovita e com a presença de xenólitos da
e adicionando novas informações a respeito do caráter rocha encaixante. E os granitos Nova Dimensão com
geológico e de recursos minerais. De forma geral, a área leucogranitos anatéticos, de granulação média, com
de pesquisa possui uma grande variedade litológica. Um granada como mineral característico.
total de trinta e três unidades litoestratigráficas foram Nas análises de geocronologia foram verificadas
cartografas, distribuindo-se pela área das quatro folhas grandes quantidades de chumbo nos zircões das amos-
em escala 1:100.000. Outras subunidades litológicas tras, esse enriquecimento de chumbo é provavelmente
foram identificadas em afloramento, porém não carto- associado às condições de alto grau metamórfico
grafadas devido à escala de trabalho. Grande parte da nesta região.
superfície da área de estudo é ocupada por sedimentos O presente estudo permitiu avanço no conhecimento
fanerozoicos inconsolidados ou semi-consolidados que geológico com a realização de análises geocronológicas,
recobrem relações de contato entre diferentes domínios litogeoquímicas, de geoquímica prospectiva, de química
interpretados da magnetometria. A interpretação de mineral, MEV e inclusões fluidas.
produtos de aerogeofísica foi essencial para um melhor Os recursos minerais da área foram melhor carac-
entendimento geológico e estrutural da área. terizados, inclusive com registro de novas ocorrências
O mapeamento das rochas do Complexo Jamari de grafita e manganês.
permitiu distinguir gnaisses, migmatitos, anfibolitos, Foi realizada análise de partículas de ouro extraí-
rochas calcissilicáticas e rochas metabásicas. Rochas das de amostras coletas no rio Madeira. Com base nos
metassomáticas de composição anortosítica a tonalítica parâmetros químicos e morfológicos destas partículas,
em condições metamórficas anfibolito alto. As rochas foi possível confirmar que o ouro do rio Madeira possui
metabásicas têm química compatível com toleítos. fontes variadas e distantes, considerando também a
Quartizitos e metapelitos foram mapeados, porém com carga sedimentar de diversas origens.
menor expressão. Trabalhos técnicos no alvo IATA mostraram a ocor-
As rochas da Formação Mutum Paraná localizadas rência de ouro associado a sulfetos e os resultados das
na região norte da área de pesquisa são intrudidas por inclusões fluidas mostram que as mineralizações ocor-
granitos da Suíte São Lourenço-Caripunas. Esta intrusão reram em uma temperatura maior.
formou depósitos de ametista. A região de São Lourenço possui dois tipos de mine-
Novos corpos dentro do contexto da Suíte Serra da ralizações de estanho: placers (secundário) concentram
Providência foram descritos, onde foi possível distinguir as melhores fontes para extração de cassiterita. Relacio-
pelo menos três domínios. Domínio Jamari, Domínio nado à intrusão granítica, foram descritas mineralização
Nova Mamoré e rochas isotrópicas, onde há o registro de de arsênio em faixas associadas às cúpulas dos granitos
magmatismo máfico no início do evento de magmatismo anorogênicos. São observados na literatura mineraliza-
Serra da Providência. ções de ouro associadas a estes depósitos de arsênio
As rochas do Complexo Nova Mamoré indicam que em granitos.
a área foi submetida a um metamorfismo retometa- As ocorrências de manganês na bacia de Rondônia
mórfico, com zonas de quartzo + silimanita + magnetita apesar de restritas, podem apresentar potencialidades
durante a fase de descompressão do orógeno. Os films para pesquisa específicas.
melts em seção delgada indicam fusão. Ocorrência de grafita é observada em rochas de
A Suíte São Lourenço-Caripunas ocorre em duas diferentes fácies metamórficas do Complexo Nova
regiões, um grande corpo na região central da Folha Mamoré, em condições metamórficas desde xisto verde
Mutum-Paraná, no qual foram mapeadas três litofácies até granulito. As ocorrências desta região de Rondônia
e adquirida uma idade de 1302 ±19 Ma. Na outra região poderão servir de base para novos estudos dedicados
na mina de São Lourenço foi mapeado um corpo riolítico. às mineralizações de grafita.
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| SGB/CPRM - Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras |
Não havia descrição de rochas carbonáticas nesta Sistema NE-SW afetou a Formação Mutum-Paraná,
região de Rondônia. Porém a partir da descrição desta consequentemente abrindo o mesmo trend da deposição
ocorrência, novos horizontes guia surgem para a possi- dos sedimentos Palmeiral. NE-SW, sistema afetados pelos
bilidade prospecção de rochas carbonáticas em regiões granitos anorogênicos possivelmente associados à fase
adjacentes e/ou de mesmo contexto geológico. de intrusão das fácies mineralizadas.
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| Projeto NW de Rondônia |
8 REFERÊNCIAS
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O SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL - CPRM E OS OBJETIVOS
PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - ODS