Guia Completo sobre Ensaios Clínicos
Guia Completo sobre Ensaios Clínicos
CLÍNICO
DEFINIÇÃO...............................................................................................................................92
ALOCAÇÃO DA INTERVENÇÃO
Aleatorização ....................................................................................................................96
Mascaramento ..................................................................................................................96
TAMANHO DO ESTUDO........................................................................................................97
DOCUMENTAÇÃO
Informação sobre o produto............................................................................................98
Protocolo do estudo ..........................................................................................................98
Manual de operação .........................................................................................................98
Registros do monitor........................................................................................................98
Formulário de registro de caso .......................................................................................98
ANÁLISE ESTATÍSTICA
Comparação de proporções.............................................................................................99
Pessoas-tempo de seguimento..........................................................................................99
Análise Interina .............................................................................................................100
Intenção de tratamento .................................................................................................100
EXERCÍCIOS .........................................................................................................................105
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Ensaio Clínico
DEFINIÇÃO
Os ensaios clínicos são indicados para avaliar a segurança e eficácia de: (i) um novo produto; (ii)
uma nova formulação de um mesmo produto ou associação de produtos já em uso e (iii) uma nova
indicação clínica de um produto já aprovado. Os ensaios podem avaliar o efeito terapêutico (drogas)
ou profilático (vacinas).
Toda substância para uso médico deve ter uma indicação específica, em função de seu efeito
biológico desejado para o qual se elabora um ensaio clínico. O desenho do protocolo e
documentação clínica dos estudos devem seguir as recomendações dos órgãos normativos e de
vigilância de medicamentos do país, para que os resultados possam ser considerados válidos para
aprovação do produto. Um novo produto só é levado à experimentação em seres humanos depois
de conhecido seus aspectos químicos, farmacológicos, mecanismos de ação e toxicidade em provas
pré-clínicas, in vitro ou em modelos experimentais quando disponíveis.
Como modelo de desenho epidemiológico os ensaios clínicos são sempre de natureza prospectiva.
A figura abaixo mostra o fluxograma básico de um estudo de intervenção. O investigador define
segundo os critérios de interesse dois ou mais grupos de comparação e administra uma intervenção-
teste e uma intervenção de comparação. O seguimento é realizado baseado em parâmetros clínicos e
laboratoriais previamente definidos. Os grupos de comparação devem ser similares em todos os
aspectos, com exceção do tipo de intervenção recebida - as características biológicas e clínicas dos
indivíduos selecionados e alocados a cada grupo, assim como as observações clínicas de
seguimento, devem ser independentes dos produtos administrados.
PRESENTE FUTURO
Doença
Intervenção Não Doença
Doença
Placebo
Amostra Não Doença
População
Passos:
1. Selecionar amostra da população de referência
2. Medir as variáveis antes do início do estudo
3. Proceder a aleatorização dos participantes
4. Aplicar as intervenções de comparação
5. Acompanhar os efeitos terapêuticos ou profiláticos em ambos os grupos
6. Medir as variáveis de efeito
ASPECTOS ÉTICOS
A experimentação em seres humanos envolve aspectos de natureza ética que requerem uma
avaliação cuidadosa em cada caso específico. A avaliação dos riscos da intervenção ou da não
intervenção no grupo placebo, e os benefícios potenciais do estudo devem ser considerados. Os
princípios da voluntariedade e confidencialidade da informação são fundamentais. Os participantes
devem estar informados da natureza da investigação, da metodologia, dos exames que serão
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Ensaio Clínico
Sempre que possível uma intervenção de efeito conhecido deve ser utilizada como grupo de
comparação. Usualmente, utiliza-se o tratamento convencional ou uma vacina nos casos onde não
exista imunizante para a doença em estudo. Em situações nas quais se comprove a superioridade
de uma intervenção sobre outra, todos os indivíduos não curados ou não imunizados devem ter a
oportunidade de receber a medicação mais eficaz.
Os protocolos dos ensaios clínicos devem ser revisados e aprovados por um Comitê de Ética
Institucional que tem por objetivo avaliar a justificativa científica para a realização do estudo, a
qualificação dos investigadores, a adequação dos protocolos e documentação, os critérios de
recrutamento e segurança dos participantes. Os princípios éticos estão indicados na Declaração de
Helsinki, adotada originalmente em 1964, por ocasião da 18ª Assembléia Médica Mundial, e
posteriormente atualizada. Estes princípios encontram-se revisados no documento “International
Ethical Guidelines for Biomedical Research Involving Human Subjects” de 1993, editado pelo
Conselho de Organizações Internacionais de Ciências Médicas (CIOMS) .
O objetivo do ensaio clínico deve ser claramente determinado a priori, especificando o produto,
dose, forma de administração, tipo de paciente a que se destina, efeito esperado, parâmetros a serem
medidos (toxicidade, alteração de provas bioquímicas, resposta imunológica, efeito terapêutico ou
preventivo). O delineamento da investigação, o cálculo do tamanho da amostra, procedimentos de
monitoramento dos participantes e a interpretação dos resultados finais do estudo dependem de uma
definição precisa do objetivo do estudo. Em alguns casos é possível definir um objetivo principal
(baseado em um efeito principal a ser avaliado) e objetivos secundários (baseado em um efeito
secundário a ser estudado).
Exemplos de objetivos :
Ensaios para avaliação de vacina - Determinar se o produto QT01-97, administrado por via
subcutânea em duas doses com intervalo de 30 dias em crianças de 1-5 anos, residentes em áreas
endêmicas de malária, é capaz de reduzir em pelo menos 50% o número de episódios clínicos de
malária diagnosticados através de vigilância ativa e passiva durante um período de 12 meses de
seguimento após a vacinação.
Note que nos ensaios clínicos é sempre necessário estabelecer uma definição de caso e definição
do efeito final a observar. A padronização do critério diagnóstico de caso é utilizada no
recrutamento de pacientes para ensaios terapêuticos e na vigilância de casos incidentes em estudos
profiláticos. A definição de caso tem implicações na validade externa dos resultados possibilitando
a extrapolação das conclusões.
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Ensaio Clínico
A Organização Mundial da Saúde tomando como referência a experiência de vários países publicou
o documento “Guideline for good clinical practice for trials on pharmaceutical products - GCP
(WHO Technical Report Series no.859, 1995, pgs 97-137) que constitui um guia de
delineamento, condução e relatório de estudos clínicos. Este documento apresenta normas para a
condução de ensaios clínicos que permitem que os resultados sejam reconhecidos
internacionalmente e adequados para o registro do produto. O guia inclui recomendações
relacionadas aos aspectos éticos e proteção dos participantes, responsabilidades do investigador em
todo o processo de condução e análise da investigação, responsabilidades do patrocinador,
responsabilidades do monitor, seguimento clínico de toxicidade, manutenção de registros, plano de
análise e papel das autoridades de regulamentação de medicamentos.
Os ensaios clínicos são classificados em quatro fases I-IV segundo seu nível de complexidade,
estágio de desenvolvimento do produto a ser testado e objetivo da avaliação.
Fase I
Constitui a primeira etapa de avaliação de um produto químico/biológico em seres humanos. Os
ensaios de Fase I são geralmente precedidos de provas em modelos experimentais em animais para
avaliar toxicidade e eficácia. Quando estes não são disponíveis ou os resultados não podem ser
extrapolados para seres humanos é necessário iniciar experimentação clínica sem conhecimento da
eficácia dos produtos. Os estudos de Fase I devem ser conduzidos no país de produção da droga ou
vacina (mesmo quando o produto não se destina à esta população). São realizados sob rigorosa
supervisão médica, usualmente em hospitais, e envolvem um número limitado de voluntários
adultos sadios geralmente do sexo masculino. O objetivo principal nesta fase é avaliar toxicidade e
farmacocinética do produto.
Fase II
São ensaios clínicos pilotos limitado à um pequeno número de participantes ou pacientes com o
objetivo de demonstrar atividade terapêutica (droga) ou atividade imunogênica (vacina). Os ensaios
de Fase II requerem um grupo de comparação. Avalia-se também a toxicidade do produto nos
indivíduos (ou pacientes) para os quais o produto está sendo desenvolvido. Nesta fase se realizam
os estudos de dose-resposta com o propósito de encontrar a dose e esquema ótimo de administração
do produto. Na avaliação de antígenos candidatos a vacinas se estuda a produção e cinética de
anticorpos e resposta imunológica celular. Na avaliação de vacinas se reconhece uma Fase IIa onde
se realizam inóculos padronizados do agente infeccioso (desafio artificial) após imunização para se
verificar o efeito protetor da vacina candidata. Estes estudos permitem otimizar em tempo e custo a
avaliação de eficácia de vacinas. A Fase IIb se refere à avaliação de eficácia em situação de desafio
natural, ou seja, pela exposição natural à infecção em áreas onde há transmissão.
Fase III
Ensaios de Fase III são considerados críticos para o registro e aprovação de um produto
farmacêutico. Envolvem um grande número de participantes, eventualmente em estudos
multicêntricos, quando se inclui vários grupos de pacientes tratados em serviços distintos - sempre
utilizando o mesmo protocolo de investigação. O objetivo principal é demonstrar eficácia e
inocuidade a curto e longo prazo. Na avaliação da eficácia de vacinas estes estudos devem ser
conduzidos na população em geral, selecionando aqueles indivíduos que serão alvo de vacinação
futura (por exemplo, crianças durante o primeiro ano de vida). Estes ensaios devem ser realizados
em condições semelhantes ao uso rotineiro futuro da intervenção. É fundamental que sejam
delineados como estudos aleatorizados, duplo cego, controlados.
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Ensaio Clínico
Fase IV
Esta Fase refere-se a ensaios clínicos realizados após aprovação, registro e comercialização do
produto farmacêutico. Estes estudos se destinam principalmente a avaliar a ocorrência de efeitos
adversos raros ou desconhecidos. Em intervenções em saúde pública, como no caso de vacinas, os
estudos de Fase IV permitem: (i) avaliar estratégias operacionais alternativas para administrar a
intervenção; (ii) conhecer a duração do efeito (imunidade); (iii) avaliar o efeito da intervenção em
situações epidemiológicas distintas; e (iv) avaliar o impacto epidemiológico da intervenção na
transmissão da doença. Após o produto estar disponível no mercado, os ensaios clínicos delineados
com o objetivo de explorar uma nova indicação, novas combinações de drogas ou vias alternativas
de administração devem ser considerados como um ensaio de um produto farmacêutico novo.
Os ensaios clínicos em geral, e especialmente aqueles para avaliação de eficácia, devem ser
delineados como estudos de intervenção comparativa incluindo pelo menos dois grupos de estudo -
Grupo de Intervenção e Grupo Controle. No delineamento clássico em paralelo os participantes são
alocados aos dois grupos de estudo de forma aleatória e às cegas, para assegurar que os
participantes apresentem características semelhantes e que os resultados sejam analisados de forma
comparativa e imparcial. O grupo controle usualmente recebe uma substância sem atividade
farmacológica (placebo) ou outro produto farmacológico com atividade terapêutica ou profilática
conhecida. Este tipo de desenho de investigação é descrito como ensaio clínico controlado, duplo-
cego, aleatorizado. A denominação duplo-cego se refere ao mascaramento que se realiza na
aplicação das intervenções e seguimento dos participantes - os profissionais responsáveis pelo
seguimento clínico-epidemiológico e laboratorial e os próprios participantes voluntários
desconhecem qual dos produtos em avaliação foi administrado (substância ativa ou placebo).
Outros tipos de delineamento para ensaio clínico como estudo sequencial e "cross-over" podem ser
usados em situações especiais. Maiores informações podem ser obtidas em publicações
especializadas.
Em estudos que dependem do recrutamento de casos incidentes, por exemplo, ensaios de vacinas, é
necessário selecionar áreas de maior transmissão onde o número esperado de casos é suficiente para
a realização do estudo e interpretação dos resultados. Populações estáveis, com baixas taxas de
migração devem ser escolhidas para estudos que requerem seguimento epidemiológico de longa
duração com avaliações sucessivas.
Critérios de exclusão - São características especiais que colocam os indivíduos em uma situação de
risco se incluídos nos estudos. Por exemplo, gestantes, crianças desnutridas, indivíduos em uso de
outros medicamentos com potencial de interação química e doenças crônicas. Estes critérios devem
estar definidos no protocolo e fazer parte da rotina e do guia de operação do ensaio clínico.
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Ensaio Clínico
ALOCAÇÃO DA INTERVENÇÃO
Dois princípios gerais estão envolvidos na alocação dos participantes aos grupos de estudo -
aleatorização e mascaramento.
Aleatorização
Aleatorização em bloco – (por exemplo, a cada grupo de 10 indivíduos) utiliza-se para assegurar
uma distribuição balanceada de participantes quando o número de participantes do estudo é
pequeno. A aleatorização pode ser também estratificada, por exemplo, por local de recrutamento
quando existe interesse em realizar análises por centro de recrutamento ou quando existem razões
para considerar uma resposta diferente de acordo com o local de tratamento ou recrutamento.
Mascaramento
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Ensaio Clínico
TAMANHO DO ESTUDO
Nos ensaios clínicos clássicos nos quais se compara em paralelo o efeito de duas drogas/vacinas, a
análise de dados baseia-se usualmente na comparação de duas proporções/taxas de cura/proteção:
grupo-intervenção vs. grupo controle. O cálculo do tamanho da amostra nesta situação é
relativamente simples e requer as seguintes informações:
(iv) valor α = 5%
Entretanto, este cálculo pode se tornar mais complicado quando é necessário ajustar para outros
fatores como, por exemplo, um número desigual de participantes em cada grupo, interesse em fazer
análises estratificadas por subgrupos de pacientes, interesse em fazer análise interina antes de
terminar o estudo. Cálculos especiais são necessários para desenhos mais complicados e quando se
comparam múltiplos efeitos.
Para estudos de avaliação de vacinas nos quais se comparam taxas de incidência baseadas em
pessoas-tempo de exposição, o cálculo de tamanho de amostra é semelhante ao de estudos de
coorte.
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Ensaio Clínico
Para estimativas mais elaboradas, como por exemplo, aquelas necessárias para cálculo de amostras
para obter uma determinada precisão ou para pré-estabelecer o poder de detecção de uma diferença
sugerimos consultar Smith & Morrow (1996). A assessoria de um estatístico é importante nesta
etapa de delineamento do projeto para analisar os requerimentos de tamanho de amostra em relação
à proposta de análise dos dados.
DOCUMENTAÇÃO
Um ensaio clínico bem organizado, e especialmente aqueles que preparam documentação para
registro de drogas, devem ter um conjunto de documentos e sistema de registro que permitam uma
análise exaustiva da qualidade do estudo.
Informação sobre o produto - usualmente fornecida pelo laboratório produtor, deve incluir a
descrição do produto, características de produção, controle de qualidade, resultados de estudos pré-
clínicos, e em desenvolvimento.
Protocolo do estudo - descrição detalhada dos fundamentos, desenho, operação e plano de análise
do estudo.
Formulário de registro de caso - registro individual dos participantes (ficha clínica) contendo todos
os dados clínicos, laboratoriais e de seguimento, que permitirão a supervisão oportuna da execução
do estudo.
ANÁLISE ESTATÍSTICA
O relatório final conclusivo do estudo deve estar limitado às comparações propostas no plano de
análise pré-estabelecido. A manipulação exaustiva dos dados, buscando comparações/diferenças
não previstas no delineamento do estudo é motivo para perda de credibilidade no resultado final.
Comparação das características básicas entre os grupos de intervenção - Como regra geral, a
análise de dados deve inicialmente verificar a comparabilidade (decorrente da aleatorização) dos
grupos incluídos no estudo em relação às características eventualmente associadas à resposta ao
tratamento ou risco de infecção. Em estudos terapêuticos são usualmente a idade, sexo, tempo de
doença, gravidade do quadro clínico. Nos estudos de avaliação de vacinas pode-se incluir ainda a
avaliação de níveis de anticorpos prévios à vacinação, local de residência, condições sócio-
econômicas, etc.
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Ensaio Clínico
Exemplo – A tabela abaixo mostra o resultado de um ensaio clínico que recrutou 50 pacientes em
cada um dos grupos. O tratamento experimental não curou 5/50 (10%) dos indivíduos e o
tratamento placebo falhou em 37/50 (74%) dos indivíduos, resultando uma eficácia terapêutica de
86,5% do tratamento experimental.
Experimental 5 45 50
Placebo 37 13 50
TOTAL 42 58 100
(37/50) – (5/50)
EF = = 86,5%
37/50
RR = 0,14
Eficácia = 1-0,14 = 86,5% (IC 95% 68,5% - 94,2%)
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Ensaio Clínico
caso a estimativa mais adequada seria a densidade de incidência, que considera pessoas-tempo de
seguimento para estimar taxas. Vários métodos estatísticos podem ser usados para este tipo de
análise. A construção de tábuas de vida com estimativa do teste log-rank compara o tempo de
ocorrência dos eventos de interesse do estudo. Curvas de sobrevivência permitem analisar a
velocidade ou ritmo de ocorrência dos eventos. O cálculo de risco relativo e limites de confiança
comparando taxas de incidência ou de cura podem ser obtidos através de regressões logísticas
multivariadas (Poisson), permitindo o cálculo de eficácia terapêutica ou preventiva.
Intenção de tratamento - Uma análise de dados mais rigorosa é chamada de intenção de tratamento
e inclui todos os indivíduos que iniciaram o ensaio clínico, independente se eles concluiram a
intervenção e período de seguimento. Considera-se como falha terapêutica todos os casos que foram
retirados do estudo por razões de efeitos colaterais e aqueles nos quais não foi possível completar o
seguimento de avaliação.
Por exemplo, a Tabela a seguir apresenta os resultados de um estudo que comparou a eficácia da
combinação artemisina/mefloquina versus mefloquina no tratamento da malária por P. falciparum.
A eficácia calculada incluindo somente os participantes que concluíram o seguimento seria 71,1%.
TOTAL TOTAL
Tratamento Falha Cura Perdas
avaliados randomizados
100
Ensaio Clínico
(104/240)-(46/240)
Eficácia intenção de
= = 55,8% (IC95% 40,5-67,1)
tratamento
(104/240)
Observe que os resultados da eficácia devem ser apresentados com os respectivos intervalos de
95% de confiança. No exemplo acima, embora as taxas de eficácia sejam diferentes, não houve
diferença estatisticamente significante entre a eficácia calculada por intenção de tratamento ou
considerando somente os pacientes que concluíram o seguimento clínico, pois os IC95%
apresentam sobreposição.
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Ensaio Clínico
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Ensaio Clínico
103
Ensaio Clínico
BERQUÓ, E.S., SOUZA, J.M.P. & GOTLIEB, S.L.D. Bioestatística, São Paulo: Editora
Pedagógica e Universitária Ltda., 1981.
HULLEY, S.B. & CUMMINGS, S.R. Designing clinical research. Williams & Wilkins Baltimore,
1988.
PEREIRA, M.G. Epidemiologia Teoria e Prática. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 1995.
POCOCK, S.J. Clinical trials - a practical approach. A Wiley Medical Publication, 1983.
SMITH, P.G. & MORROW, R.H. A "tool-box" for field trials of intervention against tropical
diseases. UNDP/World bank/ WHO Special Programme for research and training in tropical
diseases(TDR). Geneva, 1988.
WORLD HEALTH ORGANIZATION - WHO Technical Report Series, No 850. Guidelines for
good clinical practice (GCP) for trials on pharmaceutical products. Geneva, 1995, pgs 97-13
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Ensaio Clínico
EXERCÍCIOS
Arquivos: 1. [Link]
2. [Link]
3. [Link]
Questão 2. Construa uma tabela com a linha de base dos participantes comparando a
idade (“AGE”), sexo (“SEX”), ocupação (“OCUP”), medicação utilizada no
último episódio de malária (“MED”), e parasitemia (“PARD0”) entre os
grupos. Para comparar o número de episódios de malária nos últimos 5
anos (“XMAL”) entre os grupos, criar nova variável (“GRXMAL”) e
agrupar de 1-3; 4-6 e >=7 episódios. Faça o mesmo para o tempo de início
dos sintomas (“SIND”), criando uma nova variável (“GRSIND”)
agrupando de 1-5; 5-10 e >=11 dias. O que pode ser concluído em relação à
comparabilidade entre os grupos?
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Ensaio Clínico
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Ensaio Clínico
Questão 4. Considerando que o ensaio foi delineado para detectar uma incidência de
20% de soronegatividade no grupo benzonidazol, com erro alpha de 5% e
poder estatístico de 80%, você considera suficiente o número de
participantes incluídos no estudo? Quais as possíveis explicações para a
diferença entre o número de participantes necessário e o número de
crianças incluídas no ensaio?
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Ensaio Clínico
Notas 6: para calcular a MGT de cada técnica criar variável correspondente ao logaritmo na
base 2 do título. Sugestão: para o cálculo da MGT crie as seguintes variáveis -
“LOGHAT”, “LOGIFT”, “LOGHA6", “LOGIF6" correspondendo respectivamente
à “HAT”, “IFT”, “HA6" e “IF6".
Exemplo utilizando HAT:
DEFINE LOGHAT ##.### (logaritmo da hemaglutinação antes do tratamento)
LET LOGHAT=LN (HAT)/LN (2)
MEANS LOGHAT DROGA /N
anote a média, desvio padrão e tamanho dos grupos benzonidazol e placebo
tecle F9 para ir ao DOS
digite EPITABLE para cálculo do IC 95% para benzonidazol e placebo (comando
DESCRIBE / MEAN)
utilize os valores anotados
anote o IC calculado
pressione F10 para sair do EPITABLE
digite EXIT para voltar ao ANALYSIS
para transformar as médias e IC 95% obtidos em Média Geométrica de Títulos
(MGT) utilize a base 2 com o auxílio de uma calculadora.
Exemplo: 27,656 (2média ; média=7,656) ; 2 7,19 (2limite inferior do IC95% ; limite inferior do
IC95%=7,19); 2 8,12 ( 2 limite superior do IC95% ; limite superior do IC95%=8,12)
siga os mesmos comandos para a MGT da IFT
para HA6 e IF6 utilize o comando SELECT para excluir códigos <>-1 e o comando
SELECT (para desativar a seleção)
para a média e IC 95% das técnicas de ELISA (ELT e ATTITULO_T) utilize o
comando MEANS. Exemplo para ELT:
MEANS ELT DROGA /N
para o cálculo do IC 95% siga os mesmos comandos utilizados para LOGHAT
para a média de EL6 e ATTITULO_F comando SELECT <EL6> ou
<ATTITULO_F> <>-1 (para excluir códigos sem informação) utilize o comando
SELECT para desativar a seleção ao final.
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Ensaio Clínico
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Ensaio Clínico
Questão 10. De acordo com os resultados das questões 8 e 9 você recomendaria o uso
do benzonidazol em escolares como estratégia para implementação do
Programa de Controle da Doença de Chagas?
3. Ensaio randomizado para dose única de L. major morta associada com BCG contra
leishmaniose cutânea em Bam, Iram. Sharifi et al, 1998. Um ensaio randomizado, controlado,
duplo-cego foi conduzido em Bam, Iram, para avaliar a segurança e eficácia de dose única de
vacina de promastigota de L. major autoclavada (ALM) combinada com BCG versus BCG como
grupo de comparação contra leishmaniose cutânea (LC). Foram recrutadas 3633 crianças de 6 a 15
anos de idade de 49 escolas primárias. As crianças foram examinadas nos dias 1, 7, 30 e 80 depois
da vacinação para avaliar a presença de efeitos colaterais locais e sistêmicos. O teste cutâneo de
leishmanina (TCL) foi realizado no dia 80. Incidência de LC foi avaliada por vigilância passiva e
por visitas de seguimento nas escolas a cada 2 meses num período de 2 anos. O arquivo [Link]
contém os registros de 3633 participantes, e a lista de variáveis e códigos encontra-se em anexo.
Questão 11. O estudo foi desenhado para detectar uma redução de 50% na incidência
de LC, com nível de significância de 5%, poder estatístico de 80%,
assumindo uma incidência anual de LC de 2% e perda de seguimento de
10% num período de 2 anos de acompanhamento. O número de
participantes recrutados foi suficiente?
110
Ensaio Clínico
Questão 12. Compare os 2 grupos com relação a efeitos colaterais aos 7 e 30 dias após
a vacinação. Calcule a freqüência de eritema (RED7, RED30), ulceração
(ULCER7, ULCER30), linfoadenoma (LYMPH7, LYMPH30), prurido
(ITCH7, ITCH30) dor (PAIN7, PAIN30) e induração (INDUR7,
INDUR30). Recodifique as variáveis: 0 = sem efeito colateral e 1 = efeito
colateral em qualquer grau. Existe diferença na freqüência de reações
adversas ao comparar os dois grupos?
111
Ensaio Clínico
Questão 13. Compare as taxas de conversão do teste cutâneo de leishmanina (TCL >=
5 mm) entre os 2 grupos. Recodifique LST80 como uma variável
dicotômica (LST80GR), conversão = 1, ausência de conversão = 2. Existe
diferença significante na resposta do teste cutâneo ao se comparar os 2
grupos?
Questão 14. Calcule a incidência acumulada de LC para 2 anos nos 2 grupos. Qual foi
a eficácia da vacina ALM+BCG? Calcule a eficácia da vacina
estratificada por sexo. Calcule a eficácia da vacina considerando apenas
os casos diagnosticados depois de 9 meses (270 dias) de vacinação.
DEFINE LEISH9M #
IF LEISH=1 AND DAYS>=270 THEN LEISH9M=1
IF LEISH=1 AND DAYS<270 THEN LEISH9M=2
IF LEISH=2 THEN LEISH9M=2
TABLES GROUP LEISH9M
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Ensaio Clínico
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, A.L.S.S.; ZICKER, F.; OLIVEIRA, R.M.; SILVA, S.A.; LUQUETTI, A.O.;
ANDRADE, J.G.; ANDRADE, S.G.; ALMEIDA I.C.; TRAVASSOS, L.R.; MARTELLI, C.M.T.
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ANDRADE JG; ANDRADE ALSS; ARAUJO ESO; OLIVEIRA RM; SILVA SA; MARTELLI
CMT & ZICKER F. A randomized clinical trial with high dose of chloroquine for treatment of
Plasmodium falciparum malaria in Brazil. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São
Paulo, 34(5):467-473, 1992.
SHARIFI I., FEKRI A.R., AFLATONIAN M., KHAMESIPUOUR A, NADIM A. MOUSAVI M.A.,
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single dose killed Leishmania major plus BCG against anthroponotic cutaneous leishmaniasis in Bam,
Iran. The Lancet, 351:1540-1543, 1998.
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Ensaio Clínico
Arquivo: [Link]
NO Número de identificação
1 50 mg/Kg
GP Grupo de tratamento
2 25 mg /Kg
1 Masculino
SEX Sexo
2 Feminino
1 Garimpo
2 Pesca
OCUP Ocupação 3 Lavoura
4 Comércio
5 Outros
1 Sem parasitemia
SITD7 Parasitemia com 7 dias de seguimento 2 Com parasitemia
3 Perda de seguimento
1 Sem parasitemia
SITD30 Parasitemia com 30 dias de seguimento 2 Com parasitemia
3 Perda de seguimento
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Arquivo: [Link]
0 Benzonidazol
DROGA Grupo de tratamento
1 Placebo
HT1 Hematócrito antes da intervenção 30 a 48
3200 a
LEUC1 Leucócitos antes da intervençao
39400
-1 Sem informação
HT3 Hematócrito durante o tratamento
28-44
2900 a
LEUC2 Lecucócitos durante o tratamento
16800
1 Não
LESAO Lesão cutânea durante o tratamento
2 Sim
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File: [Link]
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