UNIDADE 5 –
GENERALIDADES, PROPRIEDADES
E APLICAÇÕES
UFSM00105: MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL I - DEPARTAMENTO DE ESTRUTURAS E CONSTRUÇÃO CIVIL
PROFª JOSEANNE MARIA ROSAROLA DOTTO
VIDRO: DEFINIÇÃO
Vidro, o que é?
“Vidro é uma substância de grande versatilidade, obtido de materiais
amplamente difundidos na face da terra: sílica, cal, soda e outros óxidos”
“Vidros são produtos resultantes da fusão pelo calor de óxidos inorgânicos ou
seus derivados e misturas, tendo como constituinte primordial a sílica (óxido
de silício) que, por resfriamento, enrijece sem cristalizar.”
”É um sólido, não cristalino, que apresenta transição vítrea”
VIDRO: DEFINIÇÃO
ESTADO VÍTREO, o que é?
O ESTADO SÓLIDO existe no estado cristalino, onde os átomos
estão arranjados ordenadamente, ou no estado vítreo, onde os
átomos formam um reticulado tridimensional ao acaso contendo
ligações covalentes.
Diagrama temperatura versus volume do processo de formação de vidro
VIDRO: COMPONENTES
a) Formadores de reticulado: SiO2 , B2O3 , P2O5
b) Modificadores de reticulado: Na2O, K2O, CaO, PbO, MgO
c) Formadores de vidro intermediário: Al2O3
VIDRO: PRINCIPAIS TIPOS
SEGUNDO A COMPOSIÇÃO QUÍMICA
-Vidro de sílica
-Vidros solúveis
-Vidro de cal
-Vidro de chumbo
-Vidro de boro silicato (PIREX)
-Fibras de vidro
VIDRO DE SÍLICA (1 COMPONENTE)
OBTIDO PELO ESFRIAMENTO DE MASSAS FUNDIDAS DE SÍLICA PURA (SiO2)
Inconvenientes:
fusão a altas temperaturas (1710ºC) produção cara
massa fundida de alta viscosidade facilita a inclusão de bolhas
intervalo curto de trabalho adquire rigidez rapidamente
Vantagens:
alto ponto de amolecimento
baixo coeficiente de dilatação
quimicamente inerte
VIDRO DE SÍLICA (1 COMPONENTE)
ESTRUTURA SiO2
(C)
UNIDADE BÁSICA DA REDE DE SÍLICA
(a) REPRESENTAÇÃO DA MOLÉCULA SiO2 TRIDIMENSIONAL (b) REPRESENTAÇÃO BIDIMENSIONAL
(C) REPRESENTAÇÃO ESPACIAL
VIDRO DE SÍLICA (1 COMPONENTE)
(a) (b)
Representação bidimensional do cristal de sílica (a) sílica vítrea (b)
VIDROS SOLÚVEIS (2 COMPONENTES)
OBTENÇÃO: SÍLICA (SiO2) + FUNDENTE (Na2O)
-VANTAGEM
FUNDENTE BAIXA O PONTO DE FUSÃO: 1710ºC 793ºC
-DESVANTAGEM
SÃO SOLÚVEIS (Na2O)
VIDROS SOLÚVEIS (2 COMPONENTES)
OBTENÇÃO: SÍLICA (SiO2) + FUNDENTES (Na2CO3)
Representação bidimensional do vidro de carbonato de sódio (Na2CO3)
VIDRO DE CAL (3 COMPONENTES)
OBTIDO PELA ADIÇÃO DE CaO PARA IMPEDIR A
SOLUBILIDADE DO VIDRO
VIDRO DE CHUMBO
Óxido de chumbo (PbO) substitui
total ou parcialmente a cal (CaO)
-Vantagens-
menor brilho maior índice de refração
facilidade de corte e gravação
VIDRO DE BORO SILICATO
ÓXIDO BÓRICO (B2O3) FUNDENTE
-Vantagens
bórax diminui a expansão térmica
alta resistência ao calor ,, alto ponto de amolecimento
resistência ao choque térmico
estabilidade química
UTILIZAÇÃO DOS TIPOS DE VIDRO
-SODO-CÁLCICO-
EMBALAGENS EM GERAL: GARRAFAS, POTES, FRASCOS
VIDROS PLANOS:
• INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
• INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL
• INDÚSTRIA DE ELETRODOMÉSTICOS
UTILIZAÇÃO DOS TIPOS DE VIDRO
-BORO-SILICATO-
UTENSÍLIOS DOMÉSTICOS RESISTENTES AO CHOQUE TÉRMICO
-AO CHUMBO-
FABRICAÇÃO DE COPOS, TAÇAS, CÁLICES, ORNAMENTOS E PEÇAS DE
ARTE (CHUMBO DÁ MAIS BRILHO AO VIDRO)
UTILIZAÇÃO DOS TIPOS DE VIDRO
-ALUMINOBOROSSILICATO-
TUBOS DE COMBUSTÃO, FIBRAS DE VIDRO, VIDROS DE ALTA
RESISTÊNCIA QUÍMICA E VIDRO-CERÂMICOS
PROCESSO DE FABRICAÇÃO
ESTIRAMENTO HORIZONTAL
PROCESSO DE FABRICAÇÃO
ESTIRAMENTO VERTICAL
PROCESSO DE FABRICAÇÃO
FLOAT
PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
DEFINIÇÕES
VIDRO RECOZIDO/RECOZIMENTO: tratamento que proporciona um alívio de
tensões.
A folha de vidro é resfriada de maneira controlada até aproximadamente 120 ºC,
sendo preparada para o corte (galeria de recozimento float).
VIDRO ESTIRADO: obtido por meio de um estiramento contínuo.
Processo de flutuação ou de Pilkington: o processo do vidro flutuante (float) foi
desenvolvido pela Pilkington em 1952 para a fabricação do vidro plano de alta
qualidade.
PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO VIDRO FLOAT
- MATÉRIAS-PRIMAS –
(FLOAT INCOLOR)
Cada 100 partes dessa mistura vitrificável obtém-se 83 partes de vidro e 17 partes de perda por volatilização.
PROCESSO DE FABRICAÇÃO VIDRO FLOAT
- COMPOSTOS FINAIS -
a) Formadores de reticulado: SiO2
b) Modificadores de reticulado: Na2SO4 , K2O, CaO, MgO
c) Formadores de vidro intermediário: Al2O3
CLASSIFICAÇÃO DOS VIDROS
ABNT NBR NM 293: TERMINOLOGIA DE VIDROS PLANOS E DOS COMPONENTES ACESSÓRIOS E SUA
APLICAÇÃO
Evolução do uso do vidro em fachadas de edificações em São Paulo
Evolução do uso do vidro em fachadas de edificações em São Paulo
Evolução do uso do vidro em fachadas de edificações em São Paulo
Evolução do uso do vidro em fachadas de edificações em São Paulo
DIVERSIDADE DE USOS DO VIDRO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
ENVIDRAÇAMENTO EM CAIXILHOS SIMPLES OU MÚLTIPLOS
EM PAREDES (FECHAMENTOS E REVESTIMENTOS)
TIJOLOS
CONCRETO TRANSLÚCIDO
COBERTURAS
ENVIDRAÇAMENTO EM CAIXILHOS SIMPLES OU
MÚLTIPLOS
EM PAREDES
EM PAREDES-FACHADAS
TIJOLOS E OUTROS COMPONENTES
TELHAS DE VIDRO
COBERTURAS
Mosaicos de vidro
PRINCIPAIS TIPOS DE VIDRO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Vidro float incolor
Vidro float colorido ou absorvente
Vidro temperado
Vidro laminado
Vidro aramado
Vidros metalizados ou refletivos
Vidro impresso ou fantasia
Vidro U-glass
Vidros serigrafados
Vidro duplo ou insulado
Vidros de baixa emissividade (low-e)
Materiais cromogênicos
Vitrocerâmicos
- Qual o tipo de vidro foi especificado
para a fachada da foto?
- Qual o tipo de vidro foi
especificado para a fachada da
foto?
VIDRO FLOAT INCOLOR
Obtido por meio do escoamento do vidro sobre uma base de
estanho líquido em atmosfera controlada.
Produzido em placas planas com ambas as faces planas e
paralelas e serve de base para outros tipos de vidro.
Fabricado pela Cia Brasileira de Cristais (CEBRACE)
É utilizado como base para outros tipos (colorido, laminado, etc)
VIDRO FLOAT INCOLOR
COMPOSIÇÃO DA MISTURA
Cada ... 100 partes de mistura vitrificada obtêm-se:
83 partes de vidro
17 partes de perdas por volatilização
Restando a composição final do vidro float acima.
a) Formador de reticulado: SiO2
b) Modificadores de reticulado: Na2O, K2O, CaO, MgO
c) Formadores de vidro intermediário: Al2O3
VIDRO FLOAT COLORIDO OU ABSORVENTE
Obtido pelo processo float com a incorporação de aditivos minerais
-Selênio (Se) - verde
-Óxido de ferro (Fe2O3) - bronze
-Óxido de cobalto (Co3O4) – cinza/azul
A coloração reduz a transmitância solar ( poder de barrar uma parte da
irradiação solar) pela absorção de uma grande parcela de energia incidente,
reduzindo o ganho de calor direto e o ofuscamento no interior do edifício.
VIDRO FLOAT COLORIDO OU ABSORVENTE
VIDRO TEMPERADO
Obtido por tratamento térmico de têmpera.
TÊMPERA aquecimento gradativo até 700 ºC seguido de brusco
resfriamento (jatos de ar). Esse processo ocasiona tensões (tração e
compressão) conferindo resistência mecânica até cinco vezes maior que a
do vidro comum sem afetar as propriedades espectrofotométrica do
produto base.
Resistente aos choques mecânicos e à flexão.
Resistente aos choques térmicos (diferença de até 250ºC)
NBR 14698-Vidro temperado. Especifica os requisitos gerais, métodos de
ensaio e cuidados necessários para garantir a segurança, durabilidade e
qualidade do vidro temperado plano.
VIDRO TEMPERADO: PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
VIDRO LAMINADO
É um vidro de segurança composto de dois ou mais vidros simples
(recozidos ou temperados) colados pela intercalação de filmes de
POLIVINIL BUTIRAL (PVB) ou de POLICARBONATO.
-Resina líquida de poliéster (mais recente)
A ligação filme-vidro é obtida por tratamento térmico sob pressão.
Opções de acordo com as necessidades...vidros incolores, coloridos e
reflexivos combinados com diferentes cores de filme de PVB.
Dificuldade de determinar as propriedades espectrofotométrica do
conjunto
NBR 14697- Vidro laminado. Especifica os requisitos gerais, métodos de
ensaio e cuidados necessários para garantir a segurança, durabilidade e
qualidade do vidro laminado.
VIDRO LAMINADO:
ETAPAS DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO
VIDRO LAMINADO COLORIDO
VIDRO ARAMADO
É um vidro impresso translúcido incolor ou colorido na qual se incorpora uma
rede metálica de malha quadrada resistente à corrosão e ao fogo.
É considerado de segurança.
Possui resistência menor do que o temperado.
VIDROS DE SEGURANÇA
VIDROS METALIZADOS OU REFLETIVOS
Tendo como base o vidro float incolor ou colorido, é
depositado, em uma de suas faces, uma camada fina de
óxido metálico.
Objetivo: absorção de comprimento de ondas específicos,
resultando em uma coloração característica.
prateada quando exposto à luz branca, refletem
igualmente todos os comprimentos de onda do visível
dourado ou cobre quando exposto à luz branca,
refletem mais os comprimentos de onda associado à sua coloração
dominante.
A cor percebida está relacionada ao feixe refletido (re-emitido) na
camada metálica.
VIDROS METALIZADOS OU REFLETIVOS
PROCESSOS DE DEPOSIÇÃO DA CAMADA METÁLICA:
(a) pulverização catódica (SPUTTERING) ,,
vidros reflexivos à vácuo
(b) fusão dos óxidos metálicos em alta temperatura ,
vidros reflexivos pirolíticos
VIDROS METALIZADOS OU REFLETIVOS
PROCESSOS DE DEPOSIÇÃO DA CAMADA METÁLICA
VIDROS METALIZADOS OU REFLETIVOS
PROCESSOS DE DEPOSIÇÃO DA CAMADA METÁLICA:
(a) Pulverização catódica (SPUTTERING)
chapas de vidro cortadas movem-se sobre cilindros e são posicionadas sob uma
placa de metal de tamanho similar ao vidro. Com alta voltagem, são produzidos
elétrons de alta energia entre o vidro e a placa, formando íons de carga
positiva no gás que colidem com a placa de metal e ejetam átomos do mesmo,
que então se projetam e condensam na superfície do vidro, formando a camada
metálica.
VIDROS METALIZADOS OU REFLETIVOS
PROCESSOS DE DEPOSIÇÃO DA CAMADA METÁLICA:
(b) fusão dos óxidos metálicos em alta temperatura
e o seu englobamento na superfície das placas é feito por meio de
sistemas de bocais que pulverizam o aerossol, contendo o óxido e o
gás transportador, diretamente e em continuidade na linha de
produção.
VIDROS METALIZADOS OU REFLETIVOS
PIROLÍTICOS
USO: para o clima frio...desenvolvidos objetivando...
Alta transmissão da luz visível;
Reflexão do infravermelho longo (7000 a 10000 nm) para evitarem-se
perdas de calor interno;
Transmissão do infravermelho próximo (780 a 1500 nm) para permitir o
aquecimento pela radiação solar no inverno, com risco de superaquecimento
no verão;
Neutralidade de cor na transmissão e reflexão;
Resistência mecânica e química da camada refletiva;
Possibilidade de tratamentos térmicos posteriores, como a têmpera.
VIDROS METALIZADOS OU REFLETIVOS
Composição espectral da irradiação solar
(energia incidente)
ULTRAVIOLETA (entre 290 nm e 380 nm)
REGIÃO VISÍVEL (entre 380 nm e 780 nm)
INFRAVERMELHO (entre 780 nm e 2500 nm)
“Transmissão do infravermelho (780 nm a 1500 nm) para permitir o aquecimento pela
radiação solar no inverno”
VIDRO IMPRESSO OU FANTASIA
VIDRO U-GLASS
Características:
Perfilado autoportante em forma de U
Utilizado em vãos amplos
Denominado vidro estrutural devido à sua alta resistência mecânica
VIDRO U-GLASS
VIDROS SERIGRAFADOS
Características:
Vidros submetidos ao processo de serigrafia
SERIGRAFIA: técnica de aplicação de camadas de esmalte
por meio de uma tela serigráfica.
Funções: sombreamento, privacidade, ornamental (flores,
peixes, etc) e escrita para propaganda.
VIDROS SERIGRAFADOS
VIDRO DUPLO OU INSULADO
VIDRO DUPLO OU INSULADO
BAIXA TRANSFERÊNCIA DE CALOR POR CONDUÇÃO
TRANSMISSÃO DE CALOR: DEFINIÇÕES
Convecção: é a passagem do calor de uma zona a outra de um
fluído por efeito do movimento relativo das partículas do mesmo,
movimento esse provocado pela diferença de pressão ocasionada pela
diferença de temperatura e consequente diferença de densidade da massa
fluida considerada.
Radiação: todos os corpos emitem energia calorífica sob a forma de
radiação. A quantidade depende da sua natureza e temperatura.
A transmissão de calor verificada entre dois corpos de temperaturas
diferentes, imersos em um mesmo meio mais ou menos transparente a essa
espécie de radiação.
Condução: é a passagem do calor de uma zona para outra de um
mesmo corpo ou de corpos diversos em íntimo contato, devido ao movimento
molecular dos mesmos (vibratório);
VIDRO DUPLO OU INSULADO
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E TÉCNICAS
É composto por duas ou mais lâminas de vidros, separadas por gás
inerte (ar desidratado ou gases nobres-argônio, criptônio ou xenônio);
As bordas do vidro são hermeticamente fechadas com materiais que
suportam altas e baixas temperaturas e resistem à radiação
ultravioleta;
Podem ser utilizados vidros dos tipos: monolítico incolor ou colorido,
temperado, metalizado ou laminado e películas low-e (baixa
emissividade);
Desempenho do conjunto: depende do tipo de vidro e do tipo de
gás utilizado;
VIDRO DUPLO OU INSULADO
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E TÉCNICAS
Variações: inserção de persianas com acionamento manual ou por
controle remoto em fachadas, pequenos brises e materiais
transparentes ou translúcidos que diminuem a convecção do ar no
interior;
Características técnicas: bom isolamento acústico, baixa
transferência de calor por condução; efeito antiembaçamento
(dessecante ou gás inerte), segurança (quando o vidro for laminado
duplo ou múltiplo), menor condutividade do sistema (montado com
caixilho com policarbonatos);
VIDRO DUPLO OU INSULADO
USOS
Na construção civil:
Fachadas,
Coberturas,
Portas e janelas;
Outros usos: refrigeradores, fogões, veículos e aeronaves
VIDROS DE BAIXA EMISSIVIDADE (LOW-E)
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E TÉCNICAS
As películas de baixa emissividade (low-e) possuem filmes que reduzem a
transferência de calor (INFRAVERMELHO LONGO) através das janelas;
emissividade em torno de 0,04 e 0,35;
É um filme fino de óxido metálico que é colocado diretamente sobre o vidro em
uma de suas superfícies, no caso de caixilhos duplos;
Preferencialmente o filme de óxido é colocado na face do vidro voltada para o
interior da edificação a fim de refletir o calor de volta para o recinto (em climas
frios);
SUPERWINDOWS combinações de múltiplas camadas de low-e
TRANSMITÂNCIA TÉRMICA TOTAL (U) PARA VIDRAÇAS
COM CAIXILHOS MÚLTIPLOS
(TRANSMITÂNCIA TÉRMICA É O INVERSO DA RESISTÊNCIA TÉRMICA TOTAL)
* Emissividade da película low-E (fonte: Caram, 2002)
VIDROS DE BAIXA EMISSIVIDADE (LOW-E)
Super janela: vidro triplo; inserção de gás inerte
e película de baixa emissividade
Fonte: Caram, 2002
VIDRO:
MATERIAIS CROMOGÊNICOS: PROPRIEDADE BÁSICA
Promover uma alteração nas propriedades ópticas do vidro, a partir da:
-variação do campo elétrico;
-carga;
-intensidade de luz;
-temperatura.
VIDRO:
MATERIAIS CROMOGÊNICOS: CLASSIFICAÇÃO
Estão em processo de desenvolvimento e podem ser classificados em:
-Envidraçamentos PASSIVOS: quando respondem à
diferença de temperatura ou presença de luz;
-Envidraçamentos ATIVOS: quando passíveis de sofrerem
interferência do usuário (ex.: aplicação de ddp);
VIDRO:
MATERIAIS CROMOGÊNICOS: PASSIVOS
-FOTOCRÔMICOS:
Variam suas características de transmissão de luz em função da incidência
solar;
Tornam-se escuros quando expostos a luz ultravioleta e aos comprimentos
de onda mais curtos do visível e vice-versa;
-TERMOCRÔMICOS:
Variam suas características em função da oscilação da temperatura;
Tornam-se opacos através de reações químicas termicamente induzidas ou
por mudanças de fases e vice-versa;
VIDRO:
MATERIAIS CROMOGÊNICOS: ATIVOS
-CRISTAIS LÍQUIDOS
-ELETROCRÔMICOS
Chamados “janelas inteligentes” ou “smart windows”
-VIDROS COM CAMADAS DICROICAS
Filtros dicroicos aplicados à vácuo aos vidros tem a propriedade de
transmitir certos comprimentos de onda (certas cores) e refletir outros,
dependendo do ângulo de incidência da radiação incidente.
CRISTAIS LÍQUIDOS
PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO: Influência do campo elétrico em cadeias moleculares
Sem voltagem moléculas desalinhadas espalhamento da luz vidro branco
translúcido
Com voltagem alinhamento das moléculas transmissão da luz vidro
incolor e transparente
USOS: NÃO são indicados para fachadas pois não podem ser submetidos à temperatura
maior que 40ºC. Unidades de terapia intensiva, hospitais, escritórios, consultórios médicos.
JANELA ELETROCRÔMICA
PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO: Camadas de filmes finos
que mudam sua coloração conforme a aplicação de
potencial elétrico nos seus condutores eletrônicos.
DURABILIDADE DO SISTEMA: 5 a 15 anos
USO: grandes áreas envidraçadas na construção civil
ESQUEMA DE JANELA ELETROCRÔMICA
São formados por cinco filmes prensados entre dois substratos de vidro.
1 e 7 vidro
2 e 6 condutor transparente
3 reservatório de íons
4 eletrólito
5 filme eletrocrômico (formado por óxido de tungstênio, nióbio ou vanádio)
VITROCERÂMICOS
São materiais obtidos a partir de silicatos de alumínio, lítio e magnésio que
também podem ser usados na produção de esmaltes para revestimento
cerâmico;
Quimicamente semelhantes ao vidro comum mas com microcristais complexos;
Possuem alta resistência mecânica e baixa dilatação térmica;
Tem futuro promissor associado à reciclagem de resíduos (cinzas volantes,
escórias, pó de vidro obtido na reciclagem);
DIMENSIONAMENTO DE VIDROS
VIDRO: DIMENSIONAMENTO
ESPESSURAS NOMINAIS DE FABRICAÇÃO (NBR 11706/1992)
VIDRO: DIMENSIONAMENTO
NBR 11 706/1992 - Vidros na construção civil
Fixa as exigências para aplicação de vidros planos na
construção civil.
-Compra por m2;
-Dimensões das chapas (comprimento e largura) em múltiplos de 5 cm,
dentro das dimensões de fabricação.
-Cálculo da espessura PRÉ-DIMENSIONAMENTO considerando a
velocidade dos ventos, choques mecânicos durante a limpeza...
-Coeficiente de Segurança: 2,33
VIDRO: DIMENSIONAMENTO
-Exemplo de pré-dimensionamento:
Considerando-se um vão (axb) sendo a = 2,50m e b = 1,25m situado no
12 andar de uma edificação (41 m).
a/b = 2,50/1,25= 2; no diagrama vamos até a curva que representa o
vento na altura desejada. e/b = 5,15. Então e = 6,44 mm. Adota-se o
vidro 7 mm.
DIMENSIONAMENTO DE VIDROS
VIDROS: CUIDADOS MÍNIMOS NA COLOCAÇÃO
NBR 7199
CAIXILHOS
REBAIXOS DO CAIXILHO
COLOCAÇÃO DE CALÇOS
EMASSAMENTOS
VIDROS: CUIDADOS MÍNIMOS NA COLOCAÇÃO
NBR 7199
CAIXILHOS: planos e resistentes às ações combinadas dos agentes
exteriores, do movimento dos edifícios e do peso do envidraçamento
REBAIXOS:
Altura: 10 a 15 mm
Base (colocação com massa): 15 mm
(colocação com baguete ou cordão): 10-15 mm
Folgas: 3 a 4,5 mm
Esquadrias previamente pintadas
VIDROS: CUIDADOS MÍNIMOS NA COLOCAÇÃO
NBR 7199
COLOCAÇÃO DE CALÇOS:
-Neoprene, borracha natural ou plástico rígido
-Cedro ou madeira imunizada
-Não utilizar chumbo (pólos elétricos)
EMASSAMENTOS:
-Não aplicar dois ou mais tipos de massas de qualidade química diferentes
-Esquadrias com elevado coeficiente de dilatação: massa com boa
aderência entre o vidro e o caixilho; boa plasticidade em relação ao tempo.
VIDROS: REBAIXOS, CALÇOS E AMASSAMENTO
CUIDADOS MÍNIMOS NA COLOCAÇÃO (NBR 7199)
PROPRIEDADES DO VIDRO
CARACTERISTICAS FÍSICAS E PROPRIEDADES MECÂNICAS
PROPRIEDADES TÉRMICAS
PROPRIEDADES ACÚSTICAS
PROPRIEDADES ÓTICAS
VIDRO: CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E
PROPRIEDADES MECÂNICAS
(SEGUNDO NBR 11706/1992)
VIDRO: PROPRIEDADES TÉRMICAS
(SEGUNDO NBR 11706/1992)
VIDRO: PROPRIEDADES ACÚSTICAS
VARIAM COM A ESPESSURA E A COMPOSIÇÃO
FREQUÊNCIA CRÍTICA DE VIBRAÇÃO PARA O QUAL
O MATERIAL VIBRA MAIS FACILMENTE
FREQUÊNCIA CRÍTICA DE VIBRAÇÃO COM AS
MAIS ALTAS FREQUÊNCIAS E QUANTO MENOR FOR A
ESPESSURA DO VIDRO
VIDRO: PROPRIEDADES ACÚSTICAS
QUADRO: ÍNDICE DE REDUÇÃO ACÚSTICA (Rw) DE VIDROS PLANOS COMUNS
• FONTE: SAINT-GOBAIN GLASS,2000, P.538
VIDRO: PROPRIEDADES ACÚSTICAS
VIDROS LAMINADOS: GANHO SIGNIFICATIVO DE ISOLAMENTO FILME DE PVB GANHO DE 2 Db
VIDROS DUPLOS:
• QUADRO: ÍNDICE DE REDUÇÃO ACÚSTICA DE VÁRIOS DUPLOS COM CAMADA DE AR (Rw)
• FONTE: SCHERER, 2005
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS-INTRODUÇÃO
o conhecimento é fundamental para a especificação
correta dos vidros...
- Por quê?
Proporcionar ganho apropriado de calor e iluminação natural.
Evitar as ações indesejadas da radiação ultravioleta.
- Correta especificação...
Minimizar o consumo de energia
Evitar prejuízos pela danificação de bens (UVA)
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
Composição espectral da irradiação solar
(energia incidente)
ULTRAVIOLETA (entre 290 nm e 380 nm)
REGIÃO VISÍVEL (entre 380 nm e 780 nm)
INFRAVERMELHO (entre 780 nm e 2500 nm)
Notas:
- chegam à superfície da Terra radiações de comprimentos de onda entre 290 nm e 1500 nm
- acima 1500 nm, as moléculas de CO2 e vapor de água absorvem a radiação
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
% Irradiação solar incidente na superfície da Terra
ULTRAVIOLETA (1% a 5%)
REGIÃO VISÍVEL (41% a 45%)
INFRAVERMELHO (52% a 60%)
- O que isso significa?
A irradiação solar não produz apenas efeitos visuais!
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
ULTRAVIOLETA (1% a 5%)
UVC- quase não chega a superfície da Terra
UVB- efeito bactericida, causa eritremas (queimaduras) e sintetiza a
vitamina D através da pele
UVA – causa bronzeamento, desbotamento ou descoloração de carpetes,
tintas, roupas, quadros, etc
VIDROS: PROPRIEDADES ÓTICAS
TRANSMISSÃO DO UV ATRAVÉS DE UM VIDRO COMUM
Transmissão %
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
ESPECIFICAÇÃO
Museus e vitrines de lojas
Vidros que não apresentem transmissão UVA
Exemplos: vidros laminados, vidros com películas para proteção UVA
Hospitais, creches, asilos, etc
Vidros devem permitir UVB pelo seu efeito bactericida e síntese da vitamina D
VIDRO COMUM: diminui a transmissão do ultravioleta C e B
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
REGIÃO VISÍVEL (41% a 45%)
Associada a intensidade de luz natural (aquela para a
qual o olho humano é sensível)
É desejável a penetração dessa radiação nos ambientes?
Por quê?
-Bom aproveitamento da iluminação natural
-Economia de energia
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
INFRAVERMELHO (52% a 60%)
Interfere diretamente no conforto ambiental-ganho de calor
Representa metade do espectro solar
Deve ser evitado a entrada nas edificações situadas em climas
quentes
CURVA DE TRANSMISSÃO ESPERADA PARA UM VIDRO
IDEAL, EM REGIÕES DE CLIMA QUENTE (FONTE: CARAM,1998)
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
REFLEXÃO, REFRAÇÃO, ABSORÇÃO E TRANSMISSÃO
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
REFLEXÃO, REFRAÇÃO, ABSORÇÃO E TRANSMISSÃO
Reflexão: nas interfaces entre os meios
Refração: nas mesmas interfaces, devido a diferença de velocidade de
propagação da radiação nos dois meios
Absorção: de uma parcela da radiação pelo material
Transmissão: da parcela restante para o meio além do material, após
reflexões e absorções internas
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
ÍNDICE DE REFRAÇÃO E COEFICIENTE DE ABSORÇÃO
Espectro solar dado por ASTM-E892-87
INFLUÊNCIA DO ÂNGULO DE INCIDÊNCIA NAS
CARACTERÍSTICAS ÓTICAS DOS VIDROS
o O ângulo de incidência tem grande influência sobre
o comportamento ótico dos vidros;
o Não se considera o ângulo de incidência nos
cálculos de luz natural e carga térmica. Por quê?
-Dados fornecidos pelos fabricantes são relacionados a
incidência normal da radiação;
-Para ângulo de incidência > 50º, resultados
equivocados. Aumento mais acentuado da reflexão (Re),
diminuição da transmissão (Te), absorção inalterada (Ae)
VIDRO: PROPRIEDADES ÓTICAS
VIDRO: MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR
E LUZ ATRAVÉS DOS VIDROS
VIDRO: REFLEXÃO, REFRAÇÃO, ABSORÇÃO E
TRANSMISSÃO
Vidro: REFLEXÃO, REFRAÇÃO, ABSORÇÃO E TRANSMISSÃO
- O que esperar no sistema apresentado?
- Mais calor transmitido para o interior da
edificação ou o contrário?
Estude o conteúdo e responda!
VIDRO: PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO DE
DESEMPENHO PARA A LUZ VISÍVEL E CALOR
(segundo a NBR 15220-1)
Resistência térmica total (Rt)
Transmitância térmica (U): inverso da Rt
Fator de calor solar (FS)
Coeficiente de sombreamento (CS)
Transmitância da luz visível (Tv)
Relação de seletividade luz/calor (SLC)
VIDRO: PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO PARA A
LUZ VISÍVEL E CALOR (NBR 15220-1)
Resistência térmica total (Rt): somatório do conjunto de resistências térmicas
correspondestes às camadas de um elemento ou componente, incluindo resistências superficiais
interna e externa.
Transmitância térmica (U): inverso da Rt.
BAIXO VALOR DE U É A PROPRIEDADE MAIS IMPORTANTE DE UMA JANELA EM CLIMA FRIO,
NO QUAL SE DESEJA EVITAR AS PERDAS DO CALOR DO AMBIENTE INTERNO.
Fator de calor solar (FS): quociente da taxa de radiação solar diretamente transmitida
através do vidro; mais a parcela absorvida e re-emitida para o interior, pela taxa total de
radiação incidente sobre a superfície do vidro sob determinado ângulo.
VIDRO: PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO PARA A
LUZ VISÍVEL E CALOR (NBR 15220-1)
Coeficiente de sombreamento (CS): relação entre o ganho total de radiação solar,
tanto por transmissão como por absorção e re-emissão, de uma abertura externa ou
combinação de abertura e proteção solar qualquer, sob determinado conjunto de condições
ambientais e de incidência da radiação solar, e uma abertura de referência composta de
vidro simples de 3 mm incolor, sob as mesma condições.
Pode ser ainda definido como a relação entre o fator solar de uma superfície transparente
qualquer e o de um vidro de 3 mm incolor de referência, para condições padronizadas de
verão, adotado como 0,87.
Transmitância da luz visível (Tv): relaciona a quantidade de radiação na região do
espectro visível que é transmitida através do elemento transparente com o fluxo total de luz
visível incidente.
Relação de seletividade luz/calor (SLC): em climas quentes, as especificações de vidros
deve considerar o máximo de luz com o mínimo de calor. A SLC fornece uma visão mais
apropriada do que é necessário ser levado em consideração.
VIDRO: EXIGÊNCIAS HUMANAS
o Necessidade de comunicação com o mundo externo
o Iluminação natural
o Minimização dos ganhos de calor no período quente
o Permissão da entrada do calor no período frio
o Renovação de ar para a respiração
o Ventilação
o Cuidado na aparência externa e interna da edificação
Algumas exigências são antagônicas!
VIDRO: ESPECIFICAÇÃO CORRETA
Minimizar o consumo de energia
Evitar prejuízos pela danificação dos bens
Considerar a relação do conforto visual e térmico
com as características óticas do vidro
VIDRO:
LEITURA ADICIONAL
Vidro: Referências bibliográficas
ISAIA, G. (ed.). Materiais de Construção Civil e Princípios de Ciência e
Engenharia de Materiais. 2 Ed. São Paulo: IBRACON, 2010.
COMPANHIA VIDRAÇARIA SANTA MARINA. O vidro na arquitetura –
Coletânea de artigos publicados na revista Projeto, São Paulo, 1992.
Catálogos CEBRACE, BLINDEX-vidro laminado, VIDROFORTE.