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Trabalho Final

O documento analisa o papel dos serviços no crescimento econômico e na geração de empregos em Moçambique, destacando a importância do setor para o desenvolvimento econômico. A pesquisa abrange a evolução histórica da economia moçambicana, as tendências atuais e as oportunidades no setor de serviços, enfatizando a necessidade de aumentar a produtividade e formalizar empresas informais. O relatório conclui que, apesar do crescimento recente, a economia ainda é dependente da agricultura de baixa produtividade e da indústria extrativa, necessitando de diversificação para um crescimento inclusivo.

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Trabalho Final

O documento analisa o papel dos serviços no crescimento econômico e na geração de empregos em Moçambique, destacando a importância do setor para o desenvolvimento econômico. A pesquisa abrange a evolução histórica da economia moçambicana, as tendências atuais e as oportunidades no setor de serviços, enfatizando a necessidade de aumentar a produtividade e formalizar empresas informais. O relatório conclui que, apesar do crescimento recente, a economia ainda é dependente da agricultura de baixa produtividade e da indústria extrativa, necessitando de diversificação para um crescimento inclusivo.

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ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 1
1.1 Objectivos ..................................................................................................................................... 1
1.1.1 Objectivo Geral ..................................................................................................................... 1
1.1.2 Objectivos Específicos .......................................................................................................... 1
2 REVISÃO DA LITERATURA ............................................................................................................ 2
2.1 Comportamento da Economia no Período de Ajustamento Estrutural (1987-2000)..................... 2
2.1.1 Crescimento Económico (em percentagem) ......................................................................... 3
2.2 Actualidade Económica de Moçambique ..................................................................................... 3
2.3 O Papel dos Serviços no Crescimento Económico e na Geração de Emprego ............................. 7
2.3.1 Oportunidades no Sector dos Serviços .................................................................................. 8
2.3.2 Como alavancar o potencial dos serviços em prol de um crescimento inclusivo e geração
de empregos .......................................................................................................................................... 9
2.4 Potencial de Crescimento do Sector de Serviços em Moçambique ............................................ 11
3 CONCLUSÃO .................................................................................................................................... 13
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................ 14
1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho surge no âmbito da cadeira de Economia de Moçambique e busca explorar os


aspectos relacionados ao papel dos serviços no crescimento económico e na geração de empregos
em Moçambique. No contexto actual, a importância do sector de serviços para o desenvolvimento
económico tem sido amplamente reconhecida, segundo Bresser-Pereira (2008), o crescimento
económico pode ser definido como o aumento da produção e, consequentemente, do fluxo de renda
dentro de uma determinada economia. Essa perspectiva destaca a relevância de analisar como os
serviços, ao lado de outros sectores produtivos, contribuem para o dinamismo da economia.

O Grupo Banco Mundial (2023) reforça essa visão, ao argumentar que, sob condições adequadas,
o sector de serviços pode atuar como um motor para o crescimento inclusivo, promovendo a
criação acelerada de empregos. Além disso, o desenvolvimento da indústria de serviços tem o
potencial de catalisar o crescimento em outras actividades, particularmente aquelas orientadas para
a exportação, aumentando assim a competitividade do país no cenário global. Em Moçambique,
onde o mercado de trabalho enfrenta desafios significativos, entender o papel dos serviços no
crescimento económico pode revelar oportunidades estratégicas para diversificação económica e
redução do desemprego.

1.1 Objectivos

1.1.1 Objectivo Geral

➢ Analisar a actualidade económica de Moçambique com foco no papel dos serviços no


crescimento económico e na geração de emprego.

1.1.2 Objectivos Específicos

➢ Descrever a evolução histórica e as tendências da economia moçambicana desde o período


de ajustamento estrutural até a actualidade;
➢ Identificar os principais sectores de serviços que contribuem para o crescimento económico
e na criação de empregos em Moçambique; e
➢ Verificar o papel dos serviços no crescimento económico e na geração de emprego em
Moçambique.

1
2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Comportamento da Economia no Período de Ajustamento Estrutural (1987-2000)

Para Mosca (2005), a análise do crescimento económico compete três objectivos:

➢ Verificar a evolução da economia;


➢ Comparar o comportamento da economia com o que seria esperar de acordo com as
medidas do Programa de Reabilitação Económica (PRE) e segundo o que teria económica
prevê;
➢ Analisar se existiram transformações na estrutura económica.

Na mesma linhagem Mosca (2005), afirma que o PRE veio inverter o crescimento económico que
vinha sendo negativo durante a crise de 1981 á 1986, o que não mudou no período seguinte
(ajustamento estrutural 1987-2000) onde apresentava ciclos de aceleração e arrefecimento. As
razoes mais referidas para justificar a inversão da crise de 1981 a 1986 são as seguintes:

➢ A liberalização dos mercados – esta liberalização resultou em um aumento da


acessibilidade do sector privado a um conjunto de actividades económicas e recursos
importados através da pouca regulamentação e menos restrição governamental.
➢ Ajuda internacional em massa e realização de projectos através de Organizações Não
Governamentais (ONG) – o que levou a uma economia mais dinâmica e ao financiamento
a balança de pagamentos.
➢ Apoio aos deslocados de guerra com recursos para inicio de actividades produtivas e para
acomodação a partir de 1982 após o Acordo Geral da Paz. Este período foi marcado pela
entrada do Investimento Directo Estrangeiro no país, como exemplo da MOZAL que tem
extrema influencia sobre Produto Interno Bruto (PIB).

2
2.1.1 Crescimento Económico (em percentagem)

QUADRO: Informação Estatística de 1989, para os anos de 19877 a 1989 e Informação


Estatística de 1990, para o mesmo ano. Para os anos de 1998 a 2000, Anuário Estatístico de 2000

1987 1988 1989 1990 1998 1999 2000


5,8% 5,5% 5,4% -0,2% 12,6% 7,5% 1,6%
Fonte: (Mosca, 2005)

2.2 Actualidade Económica de Moçambique

De acordo com Mosca (2023), a economia moçambicana possui, nos últimos anos, várias
tendências, nomeadamente a concentração do PIB em termos da riqueza medida pelo PIB por
habitante e sector, a distribuição da riqueza espacial e social (entre províncias) e possui uma
evolução de concentração produtiva sectorial com aumento das desigualdades espaciais e sociais
onde o seu crescimento assenta, sobretudo, em recursos externos e correspondentes interesses
externos.

A agricultura continua a ser a principal atividade económica do país e a sua diversidade


agroecológica poderia ser ainda mais aproveitada para alcançar a segurança alimentar. Evidências
demonstram que o crescimento agrícola poderia reduzir a pobreza e a desigualdade social três
vezes mais rápido do que o crescimento em qualquer dos outros sectores e, apesar do potencial de
produção a produtividade agrícola continua a ser baixa (Grupo Banco Mundial, 2022).

Para Castel-Branco (2003), a economia de Moçambique tem uma extensa base agrária, o que pode
refletir o facto de que a economia nacional, em particular a sua indústria, é subdesenvolvida. Por
outro lado, a actividade agrária absorve uma parte substancial dos recursos nacionais,
particularmente força de trabalho, produtos agrários e também capital.

Segundo o Grupo do Banco Mundial (2022), a actualidade económica tem apresentado opções de
reformas que poderiam impulsionar o realinhamento das políticas e programas de apoio agrícola
no sentido de conferir maior competitividade, resiliência climática e maior possibilidade de
alcance da segurança alimentar, dentre os quais podem-se destacar:

3
➢ A transferência do apoio agrícola para bens e serviços públicos tais como
infraestruturas rurais, serviços de saúde animal e vegetal, e investigação agrícola que
possa proporcionar maiores retornos económicos.

Esta transferência exigirá a mobilização de recursos financeiros para assegurar que seja tão neutra
quanto possível para o orçamento do Estado, ao mesmo tempo que aborda algumas das actuais
questões estruturais com a despesa pública agrícola (por exemplo, a maior parte das despesas do
sector são em salários e não em investimentos).

➢ Mudando para um apoio mais competitivo à política agrícola.

Os agricultores moçambicanos devem produzir com base nos sinais do mercado e devem avançar
para uma participação plena nos acordos regionais de comércio livre (SADC e AfCFTA, a Área
Continental Africana de Comércio Livre). A redução gradual das medidas fronteiriças poderia ser
acompanhada de apoio directo, dissociado, aos agricultores que produzem bens protegidos.

➢ Redução da tributação implícita dos alimentos e aumento do apoio às famílias com


insegurança alimentar.

Os consumidores moçambicanos de alimentos estão a financiar o grosso do apoio ao sector


agrícola através do pagamento de um imposto implícito devido às medidas de protecção fronteiriça
(MPF). Isto atinge directamente e mais duramente as famílias mais pobres. A redução gradual do
MPF iria consequentemente aumentar o bem-estar dos mais pobres.

➢ Mudar o apoio para subsídios inteligentes.

O apoio aos produtores poderia ser reformado para permitir aos agricultores escolherem o que
produzir; apoiar a intensificação da produção de culturas em oposição à expansão da área; e
expandir o acesso a alimentos seguros e nutritivos. Não menos importante, integrar tecnologias e
práticas agrícolas inteligentes em matéria de clima e de nutrição nos factores de produção e nos
incentivos de apoio tecnológico para promover o crescimento da produtividade, construir
resiliência e alcançar objectivos ambientais e nutricionais.

4
Segundo o Grupo Banco Mundial (2022), a Estratégia Nacional de Desenvolvimento do Governo
(2023-2042) destaca como seus objectivos, a transformação de Moçambique num país próspero,
competitivo, sustentável, seguro e de inclusão, bem como de criar condições para elevar o padrão
de vida da população através de um desenvolvimento económico, social, territorial e ambiental
equilibrado, sustentado por uma boa governação. Além disso observa como um desafio que o país
pretende enfrentar sobretudo nas áreas de desenvolvimento do capital humano com acesso e
qualidade dos serviços de educação, saúde e protecção social, qualificação da mão-de-obra com
competências chave e fortalecimento das instituições, modernização da Administração Pública, e
combate à corrupção.

Também reconhece a necessidade de transformar os serviços em actividades mais sofisticadas e


transacionáveis, como tecnologias da informação e comunicação, finanças e serviços profissionais
e empresariais para que o sector possa ser um motor de crescimento inclusivo e de geração de
empregos.

De acordo com o Grupo Banco Mundial (2023), a economia de Moçambique está a ganhar ímpeto
num contexto global exigente, a recuperação económica acelerou, tendo o crescimento atingido
4,1% em 2022 apesar da deterioração da economia mundial. O sector da agricultura e o de serviços
tiveram um bom desempenho, graças à maior produtividade agrícola e ao pleno restabelecimento
da mobilidade após a pandemia. O aumento da procura externa e os preços dos principais produtos
de exportação de Moçambique tais como o carvão e o alumínio, deram suporte adicional à
recuperação da economia.

Figura 1:Contribuições setoriais para o crescimento do PIB

Fonte: Grupo Banco Mundial (2023)

5
A inflação atingiu o pico dos últimos cinco anos, com o aumento global dos preços dos
combustíveis e dos alimentos, e as condições meteorológicas adversas reduziram a produção
doméstica de alimentos. A inflação global atingiu 9,8% em 2022, impulsionada pela inflação dos
alimentos e o Banco Central reagiu ao aumento de inflação, aumentando consistentemente as taxas
de juro diretoras. A restrição monetária tem restringindo o crescimento do crédito o que coloca as
taxas de juro reais de Moçambique entre as mais altas da região, essas taxas, são também reflexo
de um sector financeiro pouco desenvolvido, de um baixo nível de poupança, de poder de mercado
dos investidores institucionais, e do aumento do endividamento interno público (Grupo Banco
Mundial, 2023).

Figura 2: Taxa de juro real (2021)

Fonte: Grupo Banco Mundial (2023)

O forte desempenho do crescimento nas últimas décadas ajudou a reduzir a pobreza, ainda que a
um ritmo desigual e em paralelo com um aumento da desigualdade. O crescimento beneficiou
principalmente quem se encontrava no topo da distribuição de rendimentos, com o coeficiente de
Gini a subir de 47% para 56% entre 2002 e 2015. Este padrão deve-se em parte à forte dependência
da indústria extractiva, com fracas ligações à economia em geral, e à baixa produtividade no sector
agrícola – o principal meio de subsistência dos pobres. A estratégia actual de crescimento que
Moçambique adota tem se limitado particularmente na sua capacidade de gerar empregos
produtivos, a percentagem de emprego na agricultura caiu de 83% em 1997 para 70% em 2020,
tendo a maior parte da mão-de-obra passado para o sector de serviços, ou seja, apesar dos serviços
terem oferecido uma via mais ampla para o emprego não-agrícola, o sector é dominado por

6
actividades informais. Numa perspectiva de futuro, o crescimento sustentado, de base ampla e
inclusiva não ocorrerá com uma concentração apenas nas extractivas e na agricultura de baixa
produtividade. Será necessário aumentar a produtividade nos serviços e estimular a formalização
de empresas informais, reforçando ao mesmo tempo as ligações entre sectores.

2.3 O Papel dos Serviços no Crescimento Económico e na Geração de Emprego

De acordo com Supporting Economic Transformation (2017), as estratégias para a transformação


económica voltada para os serviços podem concentrar-se na função dos serviços ao serviço da
economia como um todo, incluindo a agricultura e a indústria transformadora. De forma
alternativa, as estratégias podem procurar maximizar as receitas da exportação de serviços e as
entradas de capitais, com sectores específicos considerados como serviços cruciais. A
transformação virada para os serviços pode também resultar na aglomeração de serviços informais
de baixa qualificação em volta das zonas urbanas.

Moçambique precisa de identificar como passar para serviços de alta produtividade ou como
melhorar a produtividade dos serviços. Sem um maior enfoque na melhoria da produtividade
dentro do sector nos serviços (e nas indústrias transformadoras), o caminho do crescimento
conduzido pelas mudanças estruturais no qual os serviços contribuam para o aumento da
produtividade de mão-de-obra pode desaparecer em África.

O Banco Mundial destaca o papel dos serviços na aceleração do crescimento económico e na


geração de empregos. Enfatiza ainda a necessidade de reduzir dependência na agricultura de baixa
produtividade e na indústria extrativa, propondo assim um modelo de desenvolvimento baseado
em fontes diversificadas de crescimento, produtividade e empregos (Grupo Banco Mundial, 2022).

O Grupo do Banco Mundial (2022) afirma que, Moçambique registou um elevado crescimento
económico durante mais de duas décadas, o que impulsionou o investimento público pela expansão
do extrativo, mas o crescimento tem vindo a mostrar uma alteração nos últimos anos, com mais de
meio milhão de pessoas a entrar anualmente no mercado de trabalho, a criação de mais melhores
empregos é um desafio premente para o país, mesmo depois dos serviços terem surgido como um
suporte fundamental de criação de emprego, a economia é ainda é extremamente dependente do
sector extrativo, intensivos em capital, e da agricultura intensiva em mão-de-obra e de baixa

7
produção e produtividade. Além disso, o crescimento da produtividade nos serviços é retardado
pela má governação do país, pouco acesso a financiamento, o desvio de fundos e de aplicação e
défice de infraestruturas, entre outros fatores.

O crescimento previsto do gás natural deveria impulsionar o crescimento económico, mas o


impacto será limitado a médio prazo (daí a necessidade de procurar outras fontes de crescimento
e oportunidades de emprego). Quando se fala de um crescimento económico sustentado e de base
alargada exige o aumento da produtividade nos serviços e o estímulo à formalização de empresas
informais, reforçando ao mesmo tempo as ligações entre sectores.

Os serviços podem ser uma via para um crescimento inclusivo e para a criação acelerada de
emprego. Embora o sector dos serviços seja o maior (em termos de quota de produção) e
relativamente o mais produtivo, este sector está orientado para actividades menos complexas,
como o comércio a retalho por exemplo.

Os serviços oferecem muitas oportunidades, mas o crescimento da produtividade do sector está a


diminuir a um ritmo mais rápido do que qualquer outro, devido a vários fatores e restrições que o
actual mercado apresenta. Embora sejam geralmente abertas e não discriminatórias, as políticas
que são destinadas para o sector dos serviços são afectadas pela má governação e por
estrangulamentos regulatórios, particularmente nos serviços estruturantes como as
telecomunicações e serviços informáticos, e os transportes (Grupo Banco Mundial, 2023).

2.3.1 Oportunidades no Sector dos Serviços

➢ As empresas de serviços têm sido a maior fonte de crescimento de emprego. Embora em


2006 houvesse mais trabalhadores empregados na indústria transformadora do que nos
serviços, em 2018 as empresas de serviços tinham mais do dobro dos trabalhadores. Os
serviços oferecem também uma maior parcela de empregos a mulheres do que a
manufatura. Em 2018, quase 30% dos trabalhadores do sector dos serviços eram mulheres,
contra 22% na indústria transformadora.
➢ Os serviços têm maiores níveis de produtividade que os outros sectores. A indústria de
serviços registou o crescimento de produtividade mais rápido desde meados dos anos 2000.
Os níveis de produtividade nas actividades de serviços comparam-se favoravelmente com

8
os da produção. Dentro dos serviços, os níveis de produtividade em alguns subsectores são
superiores ou semelhantes aos de subsectores de manufatura intensiva em termos de
capital.
➢ Os serviços caracterizam-se por fortes ligações a montante e a jusante com a economia em
geral. Embora a manufatura seja normalmente destacada como um motor de crescimento
económico e de transformação devido à natureza escalável e transacionável da produção
fabril, os serviços também possuem características semelhantes graças à revolução das
TIC, que permite trocas comerciais sem proximidade física. Em Moçambique, o sector de
serviços tem multiplicadores de emprego superiores aos da indústria transformadora,
sobretudo nas zonas urbanas.
➢ O comércio de serviços é uma via alternativa para maiores receitas de exportação,
diversificação económica e crescimento da produtividade. A quota do comércio de serviços
de Moçambique aumentou de 11,6% do PIB em 2006 para quase 35% em 2018, ainda que
dominada pelos serviços tradicionais.

2.3.2 Como alavancar o potencial dos serviços em prol de um crescimento inclusivo e


geração de empregos

De acordo com o Grupo Banco Mundial (2022), Moçambique precisa fazer uma transição para
serviços mais complexos para impulsionar o crescimento da produtividade e a criação de emprego.
Moçambique tem a capacidade de fazer crescer o seu sector de serviços em dimensão e
sofisticação, paralelamente procurando desenvolver sectores industriais onde tenha vantagem
comparativa, o crescimento na indústria de serviços (nomeadamente nos serviços estruturais) pode
acelerar o crescimento de outras actividades orientadas para a exportação, incluindo o
agronegócio. Uma vez que Moçambique apresenta uma incapacidade em aumentar
consideravelmente o emprego no sector público devido ao elevado peso da dívida, a expansão do
tamanho e número de empresas do sector privado é a principal fonte de crescimento do emprego
no país.

Segundo o Grupo do Banco Mundial (2022) , existem algumas reformas que precisam ser feitas
de modo a reduzir o custo de fazer negócios e reforçar o papel do sector dos serviços com foco
central na economia, destacando-as:

9
➢ Revisão dos regulamentos atuais que exigem que os provedores de serviços se estabeleçam
localmente. O Código Comercial de Moçambique exige que qualquer fornecedor de
serviços que deseje realizar actividades durante mais de um ano no país abra um
estabelecimento e nomeie um residente em Moçambique com poderes para receber
comunicações e notificações. Estes requisitos contrariam a expansão dos serviços globais
na era digital actual.
➢ A flexibilização dos componentes restritivos da regulamentação laboral sobre a contratação
de trabalhadores estrangeiros poderia atrair IDE e facilitar a transferência de tecnologia.
Os regulamentos atuais sobre a contratação de estrangeiros impõem quotas nacionais às
empresas estrangeiras e têm um grande impacto no fluxo de investimento estrangeiro e no
funcionamento global dos negócios, dada a escassez de trabalhadores qualificados. A
modernização com enfoque em serviços complexos de elevado valor, como serviços
profissionais e serviços empresariais, requer conhecimentos especializados. O recurso a
abordagens alternativas, como sejam programas de transferência de conhecimentos,
incluindo formação e desenvolvimento de competências, pode assegurar uma oferta
adequada de mão-de-obra qualificada, protegendo simultaneamente os trabalhadores
nacionais. A nova lei do trabalho em preparação, que faz parte da nova iniciativa de
reforma do Governo (Pacote de Medidas de Aceleração Económica, PAE), deverá eliminar
alguns destes constrangimentos.
➢ Reexaminar os fundamentos da participação do Estado no sector empresarial. O governo
deveria considerar uma revisão da Lei do Sector Empresarial do Estado, separando as
actividades comerciais e não comerciais das empresas públicas (EP). O alto grau de
sobreposição entre a propriedade, gestão e regulamentação de empresas públicas, incluindo
nos sectores dos transportes e telecomunicações, compromete a competitividade do
mercado e o crescimento dos serviços. Várias empresas públicas com mau desempenho
continuam a ser alvo de um tratamento preferencial considerável, afastando os
investimentos privados produtivos.
➢ Melhorar o regime de utilização da terra alargando às zonas rurais a flexibilidade de
utilização do solo urbano, bem como os períodos de concessão, de modo a facilitar a
operação das empresas, incluindo empresas estrangeiras. Os regulamentos e práticas de uso
da terra aumentam os riscos e custos operacionais para as empresas, especialmente em

10
áreas que, como os serviços, não são directamente dependentes dos recursos naturais. A
assimetria das regras que regem a transferência de infraestruturas, estruturas e benfeitorias
entre zonas urbanas e rurais tem causado grandes inconvenientes e acarretado custos
adicionais às empresas. As autoridades aprovaram recentemente uma nova política de
terras e perspetivam a elaboração de uma nova lei de terras que possa resolver estes
estrangulamentos.

➢ Estimular a formalização das empresas informais promovendo o acesso a financiamento,


nomeadamente através da oferta de garantias de crédito a pequenas empresas e da redução
do custo do crédito bancário. Este último fator exigirá menor recurso do governo ao
mercado da dívida interna, entre outras medidas.
➢ Fomentar a inovação melhorando a qualidade da educação e investindo em competências
(incluindo competências de gestão), a fim de aumentar a produtividade e a competitividade
das empresas do sector dos serviços

2.4 Potencial de Crescimento do Sector de Serviços em Moçambique

A indústria de serviços oferece oportunidades e desafios, o sector dos serviços contabiliza a


maioria das empresas, cujo número tende a crescer. O número de empresas de serviços quase
duplicou entre 2003 e 2018, com o crescimento mais rápido a ocorrer em serviços mais complexos
como as TIC (um aumento de 109% ao ano), o sector imobiliário (66%) e os serviços profissionais
(71%), seguindo-se a construção (56%) e os transportes (30%). A maior parte das empresas
dedicou-se ao comércio a retalho (39%), seguindo-se os hotéis e restaurantes (24%) e os
transportes e comunicações (20%). Em termos de propriedade, a maioria das empresas são
privadas (98,5%). Destas, 23% tinham capital estrangeiro, e 20% possuíam pelo menos 10% de
participação estrangeira. As empresas de serviços estão concentradas em Maputo e arredores. Com
base no inquérito às empresas de 2018, 31% das empresas de serviços encontravam-se na província
e cidade de Maputo. Na cidade de Maputo, o número de empresas de serviços aumentou quase
500% desde 2003, contra 83% de crescimento em toda a economia entre 2015 e 2018. Províncias
como Gaza, Sofala, e Zambézia também acolhem grandes concentrações de empresas de serviços,
ao passo que as cinco províncias mais setentrionais contêm apenas 27%.

11
A modernização dos serviços poderia desbloquear o crescimento e a transformação económica, os
serviços têm o potencial de acelerar o crescimento económico, a criação de emprego e a
transformação económica. Embora o sector dos serviços seja o maior e relativamente mais
produtivo, é predominantemente informal e orientado para actividades menos complexas, como o
retalho e o comércio. O sector tem de se actualizar para actividades mais sofisticadas e
comercializáveis, como serviços financeiros e profissionais, para se tornar um motor de
crescimento.

Os serviços são um empregador relevante, os mesmos têm vindo a dar um contributo crescente à
criação de emprego. As empresas de serviços têm sido a principal fonte de crescimento de emprego
nas últimas três décadas, comparando o emprego a tempo inteiro e parcial em grandes empresas
formais (cinco ou mais empregados) entre 2006 e 2017, a expressão crescente do emprego nos
serviços é ainda mais marcante. Enquanto em 2006 havia mais trabalhadores na indústria
transformadora do que nos serviços, em 2018 as empresas de serviços tinham mais do dobro dos
trabalhadores temporários e a tempo inteiro, sendo particularmente notável o aumento do número
de trabalhadores temporários.

Figura 3: os serviços deram o maior contributo para o crescimento do emprego (1992-2021)

Fonte: Grupo Banco Mundial (2023)

Dos serviços mencionados no gráfico, os públicos incluem educação, saúde, segurança social, e
outras actividades de serviços coletivos e os privados incluem a distribuição de electricidade e gás,
água, construção, venda e reparação de automóveis, transportes, hotéis e restaurantes, informação
e comunicação, actividades financeiras e imobiliário.

12
3 CONCLUSÃO

Conclui-se que, o crescimento económico de Moçambique nos últimos anos tem-se revelado
sectorialmente concentrador, muito desigual entre províncias e entre o meio rural e urbano, e
incapaz de reduzir o número de pobres.

A economia nacional possui um baixo nível de poupança o que, juntamente com as condições
desfavoráveis de crédito e as restrições orçamentais, com crescimento do défice e da dívida
pública, provoca uma economia dependente de recursos externos e cujos sectores em crescimento
se concentram nos de exportação ou importação, o que significa o definhamento do tecido
empresarial local e da criação de emprego, e a secundarização da indústria nacional e da
agricultura.

13
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bresser-Pereira, L. C. (2008). CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO . p. 5.

CASTEL-BRANCO, C. N. (2003). A industria e industrialização em Moçambique : Análise da


situação actual e linhas estratégicas de desensolvimento. Maputo: COPERAZIONE
Italiana.

Grupo Banco Mundial. (2022). Actualidade Económica de Moçambique: Melhorando o Apoio


Agrícola. MAPUTO. Fonte: www.worldbank.org/en/country/mozambique

Grupo Banco Mundial. (2023). Actualidade Economica de Moçambique : o papel dos serviços no
crescimento economico e na geraçao de empregos.

MOSCA, J. (2005). Economoa de Moçambique. Lisboa: Instituto Piaget.

Mosca, J. (27 de Janeiro de 2023). Economia Moçambicana Em Processo De Concentração


Sectorial, Territorial E Social.

Supporting Economic Transformation. (Outubro de 2017). A transformação económica e a criação


de emprego em Moçambique – Resumo.

14

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