UMN
INSTITUTO POLITÉCNICO DE ONDJIVA
DEPARTAMENTO DE GESTÃO
MATERIAL DE APOIO
CONTABILIDADE ANALÍTICA
Curso: Informática para gestão
Ano de frequência: 3ª ano
Ondjiva-2024/2025
Docente: MSc. Deodete Ndeunyema
OBJECTIVO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA
A contabilidade analítica visa o cumprimento de variados objectivos, todos ligados à
produção e aos custos associados, tais como o fornecimento de dados sobre os custos
que permitem determinar os resultados e avaliar as existências, o fornecimento de
informações sobre o planeamento e controlo das operações, as actividades da empresa
2- CUSTOS NAS EMPRESAS INDUSTRIAIS, COMERCIAIS
NOÇÃO DE CUSTO
Embora a palavra custo nos pareça negativa numa primeira abordagem, depressa
percebemos a necessidade da sua utilização na empresa, seja comercial, industrial ou
de prestação de serviços.
Efectivamente, o custo é determinante para o desenvolvimento de actividade da
empresa, pois antecede os benefícios decorrentes dessa actividade.
O custo, por sua vez, poderá considerar-se material ou monetário, ou seja, é material
se considera a quantidade de matérias utilizadas ou consumidas e é monetário se
transformarmos as quantidades de matérias num determinado preço. Neste âmbito, e
de forma genérica, podemos definir o custo como a quantidade de recursos (matérias
e monetários) que é necessária para atingir um determinado objectivo, neste caso de
produção.
CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS
Os custos podem ser classificados segundo diferentes ópticas:
Custos do Período (funcionais)
Custos dos produtos
Custos por centro de
Óptica do objecto responsabilidade
Custos totais
Custos directos
Custos indirectos
CLASSIFICAÇÃO
DOS CUSTOS Óptica do conteúdo Custos parciais Custos fixos
Custos variáveis
Ponto crítico das vendas
Óptica do momento de
cálculo Custos reais
Custos teóricos
Docente: MSc. Deodete Ndeunyema
CUSTO DO PRODUTO E CUSTO DO PERÍODO
Embora a palavra custo nos pareça negativa numa primeira abordagem, depressa
percebemos a necessidade da sua utilização na empresa, seja elas Comerciais,
industriais e de Prestação de Serviço.
As comerciais vendem os produtos ou artigos no mesmo estado em que os adquirem
ou seja, colocam junto dos consumidores os artigos produzidos pelos fabricantes,
como é o caso dos supermercados etc.
As industriais adquirem as matérias necessárias à sua transformação em produtos
acabados que depois no mercado, como por exemplo as cerâmicas, as fabricas de
bolachas etc.
As de prestação de serviço limitam-se a prestar serviços, não produzidos nem
vendendo qualquer produto, como por exemplo: Companhias de seguros, companhias
de transportes.
Efectivamente, o custo é determinante para o desenvolvimento da actividade da
empresa, pois antecede os benefícios decorrentes dessa actividade.
A palavra custo nunca deverá ser utilizada isoladamente, mas sempre acompanhada
por um adjectivo que lhe precisa o seu significado.
No entanto convém distinguir, desde já, o significado das expressões custos de
período e custos de produtos, susceptíveis de gerar confusões, em consequências
duma sobreposição terminológica de conceitos.
Genericamente, podemos dizer que o custos do produto são todos os suportados para
fabricar um produto concreto, ou seja, os gastos são efectuados com aquele e só
aquele produto, pelo que pode saber-se exactamente os custos específicos daquele
produto em termos de matérias-primas consumidas, mão-de-obra directa e gastos
gerais de fabrico. Estes custos serão recuperados no momento da venda.
Os custos do período são os que não concorrem para um só produto, mas para toda a
actividade da empresa, durante um determinado período de tempo, como no caso dos
custos administrativos, dos custos financeiros e dos custos de distribuição.
Como é evidente, os custos de produtos transformam-se em custos de período,
precisamente nos exercícios em que esses produtos são vendidos.
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Assim, a vinculação dos custos à produção ou ao tempo reflecte-se no cálculo dos
resultados: aos proveitos de cada exercício apenas são deduzidos os respectivos custos
de período.
Relativamente aos custos dos produtos, vamos distinguir o seguinte:
Custo Industrial
O custo industrial representa o somatório dos custos de todas as fases por que passam
as matérias até à concepção do produto final, portanto, à saída da fabricação, no que
diz respeito às matérias-primas, à mão-de-obra directa e aos gastos gerais de fabrico.
- Matérias-primas: são todas as matérias ou materiais consumidos na
fabricação que, após as operações de transformação características de regime
de fabrico da empresa, dão origem a produtos terminados. Ex: O tecido na
produção de vestuários, farinha de trigo na produção de pão, etc.
- Mão-de-obra directa: é constituída pelas remunerações e encargos do pessoal
fabril que trabalha directamente na produção. Ex: Salário da costureira na
produção do vestido e do padeiro na fabricação do pão.
- Gastos gerais de fabrico: Todos os restantes custos suportados na fábrica e
que não se englobam nas categorias anteriores. Ex: Matérias subsidiarias,
mão-de-obra indirecta, seguros, amortização.
As matérias subsidiarias assumem um carácter auxiliar no consumo dos
produtos.
. Matérias consumidas; bens que concorrem para a transformação das
matérias-primas, mas que não são incorporados no produto final. Ex: a água e
a electricidade utilizadas na produção de vestido.
. Embalagens; invólucros que a empresa produz ou adquire para acondicionar
os produtos acabados. Ex: os protectores de plástico que acondicionam as
peças de vestuário.
. Matérias diversas; Materiais que, não fazendo parte do produto final, são
necessários à sua transformação. Ex: as tesouras, os alfinetes e os marcadores
utilizados na produção de vestuário.
A mão-de-obra indirecta representa a remunerações e restantes encargos dos
colaboradores da fábrica que dão apoio à estrutura industrial, como por
exemplo, as remunerações dos colaboradores administrativos ou encarregados.
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Assim:
CI = MP + MOD + GGF
[Link] = CI/ Unidades ou Quantidades produzidas
CIPA = CI + EIPVF – EFPVF
CIPV = CIPA + EIPA – EFPA
CIPA= Custo industrial do produto acabado
CIPV= Custo industrial do produto vendido
EIPVF: Existência inicial do produto em via de fabrico
EFPVF: Existência final do produto em via de fabrico
EIPA: Existência inicial do produto acabado
EFPA: Existência final do produto acabado
Todavia relacionados com os custos industriais estão os seguintes custos: O Custo
primo, o custo de transformação, os custos figurativos, os custos não industriais,
Custo complexivo, e os custo económico-técnico.
- Custo primo (Custo directo): trata-se de uma parte do custo industrial
formada pelas matérias prima e pela mão-de-obra directa.
CP = MP + MDO
- Custo de transformação: representa os valores incorporados na
transformação das matérias-primas. Trata-se de uma parcela do custo
industrial formada pela mão-de-obra directa e pelos gastos gerais de fabrico.
CT = MOD + GGF
- Custos figurativos: trata-se da parcela que respeita a remuneração do capital
investido na empresa pelos sócios (accionistas).
- Custos não industriais: Conjunto de todos os custos de natureza comercial,
administrativa e financeira que concorrem para a elaboração do produto.
CnI = [Link] + Cadm + Cfin
- Custo complexivo dos produtos vendidos (comercial): é equivalente ao
preço de venda abaixo do qual a empresa terá prejuízo.
[Link] = CI + CnI
Ccomp unit = Cc/ Unidades ou Quantidades vendidas
- Custo económico-técnico (valor de venda): Representa o somatório do custo
complexivo com os custos figurativos. Um preço de venda superior a este
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valor proporciona o lucro puro. Representa o preço de venda do produto
acabado.
Cet = Cc+ Cfig.
Nota-se que, nos casos em que há vários produtos não é fácil a determinação do custo
complexivo ou comercial dos produtos, dadas as dificuldades de repartição dos custos
não industriais, problema que é extensivo aos gastos gerais de fabrico. A diferença
entre o preço de venda praticado e o custo económico-técnico é o lucro puro.
LP = PV – Cet
O Lucro líquido é a diferença entre o preço de venda e o custo complexivo.
LL = PV – Cc
O lucro bruto é a diferença entre o preço de venda e o custo industrial
LB = PV – CI ou LB= PV - CIPV
Representação gráfica dos estádios dos custos
Lucro
CT CnI
Preço de venda
MOD GGF
Custo
Custo comercial
Matérias- primário ou Custo ou
primas primo industrial complexivo
DEMONTRAÇÃO DE RESULTADO POR NATUREZA E POR FUNÇÃO
A Demonstração de Resultados (DR) é um documento contabilístico que fornece
um resumo financeiro dos resultados das operações financeiras da empresa durante
um determinado período específico, o qual pretende retractar os proveitos e custos
desse mesmo período de exercício. Em suma, trata-se de um mapa financeiro que
permite a avaliação do desempenho da empresa no ano e face ao ano anterior. Ao
somatório da facturação do período, isto é, ao valor total das vendas do período, e de
outros eventuais proveitos, relativos ao mesmo período, subtraem-se todos os custos
imputáveis ao mesmo período.
Assim, o saldo final desta aritmética contabilística é o Resultado Líquido do
Exercício, no caso de se terem também deduzido os custos com os impostos.
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Normalmente, a demonstração do resultado cobre o período de um ano, encerrado
numa data específica, geralmente o dia 31 de Dezembro do ano de calendário.
Algumas grandes empresas, no entanto, podem operar com um ciclo financeiro de 12
meses, ou ano fiscal, que se encerra numa outra data, diferente de 31 de Dezembro.
O Plano Geral de Contabilidade (PGC) contempla duas variantes, a Demonstração
de Resultados por natureza, em que os elementos são descritos pela sua natureza, e
a Demonstração de Resultados por funções, em que as verbas são agrupadas
segundo as funções a que respeitam.
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS POR NATUREZA
A Demonstração dos Resultados por natureza, de elaboração obrigatória, é a
demonstração financeira que apresenta os resultados das operações de uma empresa
durante um determinado período em que os custos e as perdas e os proveitos e os
ganhos são classificados de acordo com as respectivas naturezas.
Modelo de DR. Por Natureza Valores
1-Vendas
2-Varação de Produção
3-Total (1+2)
4-CMVMC
5-Fornecimento serviço de terceiros
6-Custo com o pessoal
7-Outros custos e perdas operacionais
8-Custos financeiros
9-Custos financeiros
10-Outros custos e perdas não operacionais
11-Amortização
12-Total (4+5+6+7+8+9+10+11)
RLE(3-12)
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS POR FUNÇÕES
A Demonstração de Resultados por Funções é a demonstração financeira que
apresenta os resultados das operações de uma empresa durante um determinado
período em que os diversos custos são classificados de acordo com a sua função como
parte do custo das vendas e das actividades de distribuição ou administrativas. Os
resultados são apurados, descriminando os seus componentes positivos e negativos
por origem ou afectação e, em particular, de acordo com as funções empresariais
(produção, comercial, administrativa, financeira, etc.)
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Modelo de DR Por Função Valores
Vendas
CIPV
Resultado Brutos
Outros proveitos e ganhos operacionais
Custo de distribuição
Custo administrativo
Outros custos e perdas operacionais
Resultados líquidos das vendas
Custo líquido financeiro
Custos (perdas) em filiais e associadas
Ganhos (perdas) em outros investimentos
Resultado antes do imposto
Imposto corrente após imposto
Resultado corrente após imposto
Resultado extraordinário
Imposto sobre os resultados extraordinário
Resultado líquido do exercício
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