Emoções Primárias e Decisões Empreendedoras
Emoções Primárias e Decisões Empreendedoras
2021
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DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO
2021
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FICHA CATALOGRÁFICA
CDD: 153.9
CDU: 159.95
2021
4
DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO
Aprovada em 29/10/2021
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________________
Prof. Doutor Manuel Meireles (Presidente / Orientador)
UNIFACCAMP - Centro Universitário Campo Limpo Paulista
______________________________________________________
Prof.ª Doutora Maria Aparecida Sanches (Coorientadora)
UNIFACCAMP - Centro Universitário Campo Limpo Paulista
______________________________________________________
Prof.ª Doutora Eliane Bianchi (Membro Interno)
UNIFACCAMP - Centro Universitário Campo Limpo Paulista
_______________________________________________________
Prof. Doutor Miguel Caldas (Membro Externo)
FGV/SP - Fundação Getúlio Vargas
______________________________________________________
Prof.ª Doutora Vânia Maria Jorge Nassif (Membro Externo)
UNINOVE - Universidade Nove de Julho
5
DEDICATÓRIA
AGRADECIMENTOS
Ao querido Rafael, que apareceu tão de repente e em tão pouco tempo se tornou tão especial,
pelo carinho, amor, apoio, incentivo, compreensão, oração, conselhos, opinões e ouvir com
toda a paciência, e por me obrigar a sair do computador de vez em quando. Devo ter feito algo
certo para merecer tanto amor!
A instituição UNIFACCAMP e SENAC que me proporcionaram todas as oportunidades de
desenvolvimento, onde espero continuar contribuindo com toda disposição. Aos meus colegas
e professores da UNIFACCAMP e do SENAC, que convivem comigo na minha vida
profissional. Aos meus queridos alunos da UNIFACCAMP e SENAC que contribuíram para
meu desenvolvimento ao exigirem sempre mais e me ajudaram em minhas pesquisas.
Obrigada a todos vocês pelo carinho!
A todos os empreendedores, não nominados em função do sigilo, que generosamente
responderam os questionários e participaram das entrevistas, dispendendo tempo e
comprometimento para que eu atingisse meu objetivo, e terem a coragem de partilharem
comigo suas emoções e decisões, e foi a partir de uma parcela da vida de vocês que este
trabalho pode ser realizado.
Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo
eficaz acompanhamento e desenvolvimento dos programas stricto-sensu brasileiros, o que
reflete positivamente no programa de Doutorado em Administração da UNIFACCAMP.
A todos aqui citados tenho dívida eterna de gratidão que nunca poderei retribuir de forma
adequada, agradeço a vida por contar com todos vocês. Dedico a vocês esta obra, que levou
tanto do tempo do nosso prazeroso convívio, mas que se tornou mais uma grande conquista
que agora reparto com vocês. As falhas que por certo existem neste trabalho são
consequências das minhas limitações. Muito obrigada, pois já recebi até aqui muito mais do
que mereci! É foram tantas emoções....
Agradeço a Deus a oportunidade e a todos um abraço de gratidão!
9
EPÍGRAFE
“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele
eternamente. Amém!”. (BÍBLIA SAGRADA, Romanos 11.36)
10
RESUMO
Esta pesquisa teve por objetivo geral investigar a emoção primária que mais influencia as
decisões dos empreendedores, caracterizou-se por estudo de campo, realizado por meio da
técnica de survey, de natureza descritiva e o método foi quali-quantitativo. Os instrumentos de
coleta de dados escolhidos foram dois: no método quantitativo utilizou-se o software
Determinante Causal (DC) para coletar as preferências dos respondentes que foi identificar os
fatores causais e o fator principal ou causa raiz da decisão que mais se arrependeram dentro os
fatores que são as emoções primárias e no método qualitativo a Técnica do Incidente Crítico
(TIC) roteiro de entrevista semiestruturada, com a intenção de identificar as emoções
primárias que mais influenciam as decisões dos empreendedores. A análise de dados foi feita
por proposição e por fatores (conjunto de proposições sobre determinado tema) e a
interpretação do nível de desaprovação (ndd), utilizando-se as técnicas estatísticas. Foram
escolhidos por conveniência 227 proprietários de empresas da Aglomeração Urbana de
Jundiaí (AUJ) que concordaram em responder o questionário de forma online e todos eles
foram objeto de entrevistas semiestruturadas. Os objetivos específicos desse estudo foram
compreender como se constituem as emoções no processo decisório de empreendedores;
investigar se as emoções primárias: alegria, aversão, medo, raiva, surpresa e tristeza,
influenciam diferentemente as decisões dos empreendedores e constatar que as emoções
primárias raiva e medo influenciam negativamente as decisões dos empreendedores. Os
resultados mostraram que homens e mulheres empreendedores são significativamente
afetados pelas emoções primárias nos processos decisórios. Esta pesquisa contribuiu no
aumento do conhecimento de empreendedorismo e ampliou a base empírica relacionada à
influência das emoções nas decisões dos empreendedores.
ABSTRACT
This research had the general objective of investigating the primary emotion that most
influences entrepreneurs' decisions, and was characterized as a field study, conducted through
the survey technique, of descriptive nature and the method was quali-quantitative. The
instruments of data collection chosen were two: in the quantitative method the Causal
Determinant (CD) software was used to collect the preferences of the respondents that was to
identify the causal factors and the main factor or root cause of the decision that they regretted
most within the factors that are the primary emotions and in the qualitative method the
Critical Incident Technique (CIT) semistructured interview script, with the intention of
identifying the primary emotions that most influence the decisions of entrepreneurs. The data
analysis was done by proposition and by factors (set of propositions about a certain theme)
and the interpretation of the level of disapproval (ndd), using the statistical techniques. 227
business owners from the Jundiai Urban Agglomeration (AUJ) who agreed to answer the
questionnaire online were chosen by convenience, and all of them were subject to semi-
structured interviews. The specific objectives of this study were to understand how emotions
are constituted in the decision making process of entrepreneurs; to investigate whether the
primary emotions: joy, aversion, fear, anger, surprise, and sadness, influence differently the
decisions of entrepreneurs, and to find that the primary emotions anger and fear influence
negatively the decisions of entrepreneurs. The results showed that male and female
entrepreneurs are significantly affected by primary emotions in decision-making processes.
This research contributed in increasing the knowledge of entrepreneurship and expanded the
empirical base related to the influence of emotions on entrepreneurs' decisions.
LISTA DE FIGURAS
LISTA DE TABELAS
ABREVIATURAS E SIGLAS
AU Aglomeração Urbana
AUJ Aglomeração Urbana de Jundiaí
UNIFACCAMP Centro Universitário Campo Limpo Paulista
EPP Empresa de Pequeno porte
Empresa Paulista de Planejamento
EMPLASA
Metropolitano
FGV Fundação Getúlio Vargas
GEM Global Entrepreneurship Monitor
IC Incidente Crítico
MEI Microempreendedor individual
ME Microempresa
PIB Produto Interno Bruto
SBIE Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional
TIC Técnica do Incidente Crítico
UNINOVE Universidade Nove de Julho
UNIP Universidade Paulista
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 15
1.1 Delineamento do tema e problemática...................................................................................... 19
1.2 Objetivos de pesquisa............................................................................................................... 21
1.3 Justificativas............................................................................................................................. 21
1.4 Hipóteses................................................................................................................................... 25
1.5 Estrutura do trabalho................................................................................................................. 27
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................................................. 53
3.1 Caracterização da pesquisa e método........................................................................................ 54
3.2 Instrumento de coleta................................................................................................................ 57
3.3 Framework Determinante Causal ............................................................................................. 58
3.4 Técnica do Incidente Crítico..................................................................................................... 63
3.5 Concepção do questionário ...................................................................................................... 65
3.6 Tabulação de dados .................................................................................................................. 66
3.7 Análise de dados....................................................................................................................... 67
APÊNDICES.......................................................................................................................................... 119
Apêndice A: Termo de esclarecimento e consentimento do formulário de pesquisa ........................... 120
Apêndice B: Roteiro de entrevista ......................................................................................................... 122
Apêndice C: Questionário....................................................................................................................... 124
Apêndice D: Dados Demográficos......................................................................................................... 129
16
1. INTRODUÇÃO
Entre as perspectivas apontadas, o processo decisório pode ser complexo, visto que face a
série de referências parciais e não ordenadas, é desafiador no sucesso das atividades
empreendedoras. Na prática de empreender frequentemente decidir é marcado por propósitos
17
Acredita Sarasvathy (2001) nos padrões habituais de explicação do processo decisório, com
destaque na racionalidade dos sujeitos, se relacionam a seleção em circunstância presente e
não ajudam no entendimento do procedimento de concepção de novas situações, causa da
atividade empreendedora. A população examinada nos achados decisórios são explicações
prováveis desse desequilíbrio é. Embora vasta a área, a essência da realização é feita com base
nos gestores de grandes empresas e não de pequenas empresas (CURSEU, VERMEULEN,
BAKKER, 2008; DE KORT, VERMEULEN, 2010).
Certamente há que se compreender sobre o processo decisório, porém alguns tipos foram
desenvolvidos a fim de sintetizar os principais mecanismos que trazem orientação, exemplo o
modelo de Simon, mais comumente conhecido por fases (SIMON, 1955, 1959, 1987).
Percebe-se que o senso comum trata a decisão mediante a habilidade de fazer escolha, do
caminho ou de opção perante determinada situação, que pode ser colocada o problema a
resolver. O que nem sempre é tarefa simples, tendo em vista a diversidade de fatores
usualmente envolvidos neste processo.
Essas situações percebem-se presentes no dia a dia dos indivíduos, independentemente do tipo
da atividade nas quais estão envolvidos, envolvem processo mental percorrido de modo
consciente ou inconsciente, racional ou mais emocional. O processo decisório é antigo e
19
Na vida do empreendedor decidir se mostra por exigir rapidez, com o objetivo de minimizar o
risco e acertar a intenção (HAIDT, 2001). Faz parte de todas as atividades nas organizações,
de natureza pessoal, profissional, estratégica ou da rotina operacional e advindas dos
empreendimentos conduzidos pelas empresas, nos seus diversos níveis hierárquicos, são
essencialmente processos decisórios e de resolução de problemas (DAMASIO, 1994, 2012).
Esse processo é consistente com o estudo empírico que sugere que vai além dos processos
estritamente baseados na razão e é ademais resultado de avaliações intuitivas, automáticas e
emocionais (KELTNER e KERNER 2010; PRIMEAUX, et al., 1959; SIMON, 1955, 1977,
1987, 1990; SIMON, et al., 2008; SIMON, HOUGHTON e AQUINO, 2000; SINGH, 2018).
De fato, cientistas psicológicos afirmam que as emoções são o motor dominante das escolhas
mais significativas na vida (BECHARA, DAMASIO e DAMASIO, 2000; BECHARA, 1997,
1999; DAMASIO, 1994, 2012; DAMASIO et al., 2000; EKMAN 2007; FRIJDA, 1988;
KELTNER e LERNER 2010; LAZARUS 1991; LOEWENSTEIN et al., 2013;
LOEWENSTEIN e LERNER, 2003).
Observações apontam o impacto dos fatores emocionais envolvidos no processo decisório dos
empreendedores, isso devido ao conjunto de emoções presentes no cotidiano das empresas
(CULKIN e SMITH, 2000; HARRIES, MCEWEN e WRAGG, 2000; MARTÍNEZ et al.,
2020; MURTHY e PAUL, 2016; OLSEN et al., 2018).
Com efeito Baron e Ward (2004) aponta que a utilização do sistema cognitivo pode trazer
compressão a importantes interrogações em empreendedorismo, por exemplo: qual a
justificativa que os sujeitos empreendem; se identificam oportunidades; os elementos
cognitivos relacionado a seu êxito.
A ação de apontar o problema de pesquisa estabelece, consoante alguns autores, das primeiras
e mais significativas fases do trabalho, pretendendo o êxito em todo salienta a relevância do
delineamento do problema, ao determinar a expressão, tornando o modo lógico e sistemático
que conta com o objetivo de possibilitar soluções as problemáticas que são apresentadas
(CRESWELL, 2014; LAKATOS e MARCONI, 2017; TRIVIÑOS, 2006).
Pode-se deduzir dos argumentos iniciais, que a forma de decidir no âmbito organizacional
vem se tornando tarefa cada vez mais complexa, em razão da multiplicidade de fatores
envolvidos e da amplitude de influências imersas nas circunstâncias. É nessa condição
multifacetada, com multiplicidade de elementos da quais as relações de interdependência são
de difícil compreensão, que o empreendedor precisa decidir.
Tese: A raiva é a emoção primária que mais influencia as decisões dos empreendedores.
22
Definiu-se neste estudo o seguinte objetivo geral: investigar a emoção primária que mais
influencia as decisões dos empreendedores. Fragmentou-se o objeto principal em objetivos
específicos, no alcance deste propósito e caracterização das etapas lógicos da averiguação.
Traçou-se os objetivos específicos, elencados dessa subdivisão:
Com esses pressupostos, o trabalho toma por referências teóricas as concepções relativas à
caracterização do empreendedor e do processo decisório, tendo foco os fatores emocionais
envolvidos.
Justificativas
Neste cenário, torná-las mais eficientes é o enorme desafio dos gestores, o que exige cada vez
o mínimo tempo e melhor certeza em suas predileções. No ambiente organizacional, têm sido
empregadas a opinião emocional para decidir, interposto por insegurança e complexidade
onde a coerência e a argumentação.
Tendo em conta no processo decisório, esta associação torna-se desafiador e requer análises
concentradas. Desse modo, pretende-se destacar sua influência, quando considerada pelos
gestores (KIM, FERRIN, RAO, 2008; OVER, 2004; WELTER e KIM, 2018).
Consoante Kahneman e Riepe (2000) na realidade todas as heurísticas são restritas e abortarão
em determinadas circunstâncias, particularmente quando os integrantes são distintos, o
instante difere e os indivíduos são outros (KAHNEMAN e RIEPE, 2000; KAHNEMAN e
TVERSKY, 1974).
Logo Simon (1987) faz alerta ao declarar que ao pensar em empreendedor, tem-se a cena de
alguém que é responsável por instante característico, quando a escolha necessita ser feita.
Contudo, o autor aponta que este retrato altera o cenário, de maneira que enfatiza
particularmente no momento final, e continua sustentando que na verdade o processo
complexo, cerca a representação a busca e a meditação (SIMON, 1987).
24
Coerente a Lehrer (2009) desde os gregos existe conceito de que, os sujeitos são racionais.
Contudo há certa contrariedade com esta indicação: nem em todo momento ela é verídica, e
nem em todo momento é a maneira mais apropriada de comportar-se. Com certeza em certas
situações o retorno é tão espontâneo, que não é possível ser racionais, em muitas outras, a que
esta tese procura discutir, sendo o sujeito manipulado por sequência de elementos, no meio
deles a cognição, e vista que discutido em várias investigações (Camerer e Lovallo, 1999;
Heath e Tversky, 1991; Sadler-smith e Shefy, 2004; Tversky e Kahneman, 1974; Vlek e
Stallen, 1981 e Weinstein, 1984), nas necessidades de inclinações que são constantes em suas
atividades profissionais, percebem o fator emocional influenciando as escolhas.
Os estudiosos identificaram o papel das emoções nas seleções em outras épocas (SIMON,
1987). Todavia, a averiguação sistemática desses fatores fez parte especificamente, sobretudo
por causa de retenção sobre sua adaptação na chamada investigação organizada (ASHFORTH
e HUMPHREY, 1995).
Consequentemente, a maior parte dos achados sobre tomada de decisão intuitiva é teórico, e
limitado no sentido qualitativo ou quantitativo, feito em espaços de campo e a base da ideia
que a intuição ocupa papel cada vez mais considerável nas estratégicas modernas (BURKE e
MILLER, 1999; SHAPIRO e SPENCE, 1997).
Com o passar do tempo, muitas buscas foram avançadas e divulgando, sejam nacionais ou
internacionais. Referente ao processo decisório saliente a colaboração de Hansson (1194);
Freitas e Kladis (1995); Mintzberg, Raisighani e Théorêt (1976) que maneira as pessoas
escolhem. Contudo dentro desse controle de averiguação, a linha concentra-se na conjuntura
comportamental da opção ocupando-se de vieses e a forma que decidem sob emoções,
podendo-se citar Burke e Miller (1999); Kahneman e Tversky (1972, 1973 e 1979); Shapiro e
Spence (1997); Tversky e Kahneman (1971, 1973, 1974) e Von Winterfeld e Edwards (1986).
Portanto esta tese oportuniza alinhar-se aos estudos empíricos existentes e ressalta-se que
pretende avançar na discussão sobre a influência da emoção na tomada de decisão, com o
propósito de propor análise teórica e de conhecimento prático, objetivando conhecer
características e detalhes envolvidos, jogando mais luz sobre essa lacuna.
O sentido lógico de verificar a recorrência com que a expressão da emoção está presente na
inclinação de reconhecer com que intensidade o fator emocional reflete na qualidade do
processo, é melhorar o entendimento desse evento, vislumbrando seu aprimoramento. A
maturidade das bases teóricas que fundamentam essa área depende dos esforços da
comunidade acadêmica e organizacional no sentido de ajustarem-se às tendências verificadas
no campo empírico, por certo com o encadeamento semelhantes a este.
A expectativa que se tem é que dissonâncias e adesões possam ser identificadas da relação
entre os fatores emocionais e as dinâmicas que se processam no ato de deliberar. Esses
resultados deverão permitir observar o impacto da manifestação emocional na assertividade,
indicando os benefícios que podem advir desse esforço.
Portanto, o conhecimento gerado nesse trabalho pode aprofundar o debate sobre aspectos que
transcendem a ação racional envolvida na questão decisória, colocando ademais no processo,
a emotividade, evitando reprimir a sensibilidade natural da conduta humana, vislumbrando na
proposição da tese que orienta este.
Estas razões vêm apoiar o que está sendo proposto, tanto nos aspectos relativos à
compreensão do processo decisório em benefício do aprimoramento dos mecanismos de
gestão dos pequenos empreendimentos, quanto no aspecto relativo ao interesse profissional da
pesquisadora que pretende com esta temática compor seu horizonte futuro estudado.
Desse modo, além das contribuições referidas anteriormente, se justifica pelo ineditismo em
procurar aproximar a vertente da influência das emoções ao processo decisório dos
empreendedores da AUJ, que foi identificar os fatores causais e o fator principal ou causa raiz
da decisão que mais se arrependeu dentro os fatores que são as emoções primárias, em
26
Com base no referencial teórico efetuado, a metodologia da mesma forma pode ser apontada
original em ensaios sobre empreendedorismo. Na área do empreendedorismo é comum que
usem o método da categoria da análise cognitiva da atividade. É valido ser apontados Dew et
al. (2009); Gimenez (2000); Gustafsson (2006); Ramesh, Sarasvathy e Read (2016); Ramos
(2005); Read et al. (2009); Sarasvathy (2008); Sarasvathy e Berglund (2010); Sarasvathy et
al. (2003) e Zhang et al. (2019).
Todavia, na literatura não foram achados estudos que utilizem a metodologia com o software
Determinante Causal (DC) na investigação da emoção primária que mais influencia as
decisões dos empreendedores. Portanto a aplicação deste método corrobora na originalidade e
pode ser considerada justificativa nessa utilização.
Nesta perspectiva sustenta-se a idealização de que esta tese tem o objetivo de explorar o
estudo, colaborando na produção de mais fração do conhecimento sobre o processo decisório
de empreendedores. Essa ótica surge de dimensões, da associação entre emoções e tomada de
decisão com a Técnica do Incidente Crítico (TIC) e software Determinante Causal (DC) e o
empreendedorismo e a metodologia desenvolvida.
Do ponto de vista prático, busca apontar as emoções primárias que mais influenciam os
processos decisórios e identificar os fatores causais e o fator principal ou a causa raiz da
decisão que mais se arrependeu dentro os fatores que são as emoções primárias, com o intuito
de analisar convergências. Essas informações poderão servir de análise e avaliação do
processo e, se for o caso, se beneficiar de padrões que possam surgir no intuito de
aperfeiçoamento.
27
1.3 Hipóteses
Apurações sobre afetividade positiva e negativa sugerem que o fator emocional pode ser
responsável por tais efeitos. Por outro lado, a influência das emoções no processo decisório, e
proporção de empreendedores que têm influência da decisão errada, explica esses
comportamentos (BACHKIROV, 2015).
H1a: A proporção de empreendedores que têm a raiva como principal emoção que influenciou
tomada de decisão errada não difere de 95% ao nível de significância de 0.05.
H1b: A proporção de empreendedores que têm a raiva ou o medo como principais emoções
que influenciou tomada de decisão errada não difere de 99% ao nível de significância de 0.05.
H1c: Não há diferença significativa entre a proporção de empreendedores que têm a raiva
como principal emoção que influenciou tomada de decisão errada considerando o gênero do
respondente ao nível de significância de 0.05.
H1d: O medo é a segunda principal emoção que mais influenciou a tomada de decisão errada
por empreendedores.
Com o propósito de validar esse modelo e testar as hipóteses, mais adiante elaborou-se a
pesquisa quantitativa além da análise de estudos anteriores. Na sequência é apresentada a
estrutura e organização que balizou esse trabalho.
Com o objetivo de entendimento e plena configuração da tese, além desta introdução deu-se o
desenvolvimento outras seções. Nesse prisma é apresentado cinco seções, a primeira seção se
inicia com a introdução, delineamento do tema e problemática, objetivos.
As bases teóricas são delineadas além disso com a influência, apontados por relevantes
autores: Culkin e Smith, 2000; Damasio, 2004; Damasio et al., 2000; Ekman, 2007; Franco,
2014; Franco e Sanches, 2016; Frijda, 1988; Goleman, 1997; Greene e Haidt 2002; Harries,
Mcewen, e Wragg, 2000; Haidt, 2001 e 2003; Keltner e Kerner 2010; Lazarus 1991;
Loewenstein e Lerner, 2003; Loewenstein et al., 2013; Martínez et al., 2020; Murthy e Paul,
2016; Olsen et al., 2018; Plutchik, 2003; Simon, 2008; Singh, 2018; Zollo et al., 2017).
Finaliza-se com a seção das considerações finais, a partir da retomada dos objetivos
estabelecidos e são expostas as principais reflexões sobre as conclusões, descritas implicações
dos resultados encontrados, limitações do estudo, sugerindo-se direções e recomendações de
futuras investigações, com base na presente tese.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Dessa forma, a presente seção aborda o referencial teórico com os principais conceitos vistos
nesta tese, a fim de relacioná-los a temática. Entre os principais campos de conhecimento
abordados estão: o empreendedorismo, tomada de decisão e emoção. A área do
empreendedorismo é fragmentada a partir da cognição alinhado à escola comportamental e
31
cognitiva das ciências sociais (COMEGYS 1976; FORBES, 1999; HISRICH et al., 2007;
KATZ e SHEPHERD, 2003).
Por meio das contribuições teóricas que buscaram pautar vertentes da definição do
empreendedorismo ressalta-se as de Baron (2002); Bruyat e Julien (2000); Cunningham e
Lischeron (1991); Davidsson (2005); Filion (1990), Gartner (1985); Gartner (1990); Hisrich
(2007); Hodgetts e Kuratko (2001); Shane e Venkataraman (2000); Ucbasaran, Westhead e
Wright (2001) entre outros. No Brasil prioriza-se os seguintes teóricos, Cozzi (2008);
Dolabela (1999); Dornelas (2001), Davel e Machado (2001); Hisrich e Peters, (1986);
Machado e Nassif (2014); Oswald (2017); Hashimoto (2006), dentre outros.
Empreendedor (entrepreuner) é uma palavra inicialmente francesa que surgiu pela primeira
vez em 1437, e o significado mais usual utilizado na época era “celui qui entreprend quelque
chose” e alude aquele que se compromete com algo (LANDSTRON, 2005, p. 08). O
significado exato da palavra entrepreuner traduz-se intermediário ou aquele que está entre e
não há definição precisa e globalmente aceita de empreendedorismo (BARON e SHANE,
2007).
32
De acordo com a Era Econômica (1870-1940) o empreendedor pode ser visto sujeito inovador
e com papel essencial no progresso econômico das nações. Alguns nomes representam
particularidades significativas dessa abordagem: Cantillon retrata o "risco" (Cassis e
Minoglou, 2005; Murphy, Liao e Welsch, 2006), na sequência Knightian, configurada por
Frank Knight, com base nas "incertezas" (CASSIS e MINOGLOU, 2005; DAVIDSSON,
2004; HISRICH, PETERS e SHEPHERD, 2009; JULIEN, 2010).
áreas é muitas vezes o passo indispensável de gerar espaço que futuramente fortalece
definições singulares com conceito particular (LANDSTROM, HARIRCHI e ASTROM,
2012).
Segundo Filion (1999, p. 14) “definir o empreendedor é desafio perpétuo, dada a ampla
variedade de pontos de vista usados ao estudar o fenômeno”. Em vista disso, essa
investigação não pretende conceituar o tema empreendedorismo de forma definitiva, mas sim,
descrever o termo na aplicação nesta.
Dentre os sistemas cognitivos próprio aos seres humanos: os tipos de atenção, a linguagem, a
percepção, a memória, e atuação organizacional, o processo do decisor está mais diretamente
relacionado a este último papel. Os papéis executivos cognitivos referem-se à habilidade de
responder de maneira ajustada sob coordenação consciente a outras situações (LEZAK, 2004).
Segundo Lezak (2004) estes métodos não se encontram apenas ao longo de processamento
cognitivo, mas da mesma forma nos métodos de preferências pessoais e integrações sociais,
que compreendem os pontos motivação e desejo. Desse modo, as funções executivas
englobam o comportamento pessoal e social e abrange processos mentais que são divididos
em: conceitualização; auto regulação; raciocínio abstrato; resistência à distração; organização
e estratégia; flexibilidade mental; e controle inibitório.
Essas ponderações indicam que empreendedores podem ser distinguidos no uso da cognição
ao assumirem investigação de novas oportunidades (BUSENITZ et al., 2003). De modo que o
processo considera autoeficácia ao firmar e destacar certas competências cognitivas na
importante identificação e desenvolvimento do estímulo cognitivo em resposta as
36
Estudos empíricos efetuados com esses atores fortalecem a relevância da cognição (Vidigal et
al., 2010) processo decisório (KIRTON, 1976). Nessa perspectiva, a abordagem dos aspectos
cognitivos é evidenciada pelo que exerce e se expressa, influenciado pelo processo mental,
atitude, motivação e percepção (FERNÁNDEZ et al., 2009).
O empreendedorismo cognitivo tem atraído atenção dos observadores desde a proposta feita
por Mitchell et al. (2002) de repensar o lado emocional (DEW et al. 2015; GRÉGOIRE,
CORBETT e MCMULLEN 2011; ZHANG, 2020). De forma que Mitchell et al. (2002) alude
que as cognições são o apoio do entendimento e os indivíduos utilizam em opções que
abrange criação, oportunidades, e expansão de novas empresas. Eles decidem com base em
sua cognição e percepção, esse papel pode ser observado em ampla gama de fenômenos, tanto
quanto a identificação de oportunidades, distribuição de recursos, e desempenho firme
(HAYWARD, SHEPHERD e GRIFFIN 2006; ZHANG, 2020).
Com o intuito de escolhas efetivas em clima ativo e ser capaz do volume cognitivo envolvido
no sistema, ensaios apontam que tanto gestores, quanto empresários necessitam fortalecer os
processos cognitivos e decisórios sob situações de estresse e dúvida na maneira de
subsistência a esses modos (Casson, 1997; Mitchell et al., 2000; Simon et al., 2000) e, em
particular, na utilização de heurísticas (ALVAREZ e BUSENITZ, 2001; DOANH, 2021).
37
Visto que, a temática é resultante da moderna ciência Julien (2010) e os estudos sobre esse
assunto são multiformes, mas importantes no entendimento do fato, essas concepções são
destacadas. Na sequência, esse processo é revisto, a partir dos objetivos, da qual a base é a
área de empreendedorismo.
Nota-se que são percebidos diferentes focos na área proposta dessa tese, caminhando desde o
conhecimento baseado em matemática (modelar processos mentais) até algo bem mais
abstrato ou misterioso. Ao defrontar-se com a circunstância de seleção complicada, a escolha
38
melhor seria aquela que mostrasse o resultado ideal e que potencializasse a utilidade desejada.
Isso, pode não ser completamente verdade, de maneira que as pessoas não têm a competência
de demandar todas as informações disponíveis, nem de qualificar todas as opções, dessa
forma, a capacidade de sequência do ser humano, do mesmo modo que o computador, é
restrita (SAATY, 2017).
O processo decisório é diário na vida das pessoas, que exige mais de sua capacidade
intelectual. A todo o momento os indivíduos têm opções, sejam simples, ou difíceis, tanto na
vida pessoal, religiosa, social, profissional, direcionando onde estão e vão, e por vezes não
percebem a devida relevância dessa realidade (HUANG, 2012).
Apontamentos importantes foram desenvolvidos por Simon (1959) afirmando que o ato de
decidir é essencialmente atividade humana e comportamental. Ela abrange a seleção,
consciente ou inconsciente, de ações entre aquelas que são fisicamente plausíveis e aqueles
sobre os quais tem influência e autoridade.
Percebe-se que do ponto de vista da razão a tomada de decisão é analisada, com o objetivo de
esclarecer que são consideradas no aspecto humano de quem escolhe. Do ponto de vista geral,
decidir é o ato que leva à ação de escolher entre diferentes alternativas. A seleção destes
depende, em grande medida, do seu sucesso ou fracasso, e cobre o risco, a certeza e a
incerteza inerentes à seleção e à ação (PEREIRA et al., 2020).
Condizente com Kahneman (1982) as seleções limitam as vidas das pessoas, consciente ou
inconscientemente, tendo boas ou más consequências, são as ferramentas essenciais utilizadas
ao lidar com as oportunidades, os desafios e dúvidas da realidade. Saber decidir é a
39
capacidade essencial na vida dos indivíduos. O autor aponta que o processo de escolha dos
indivíduos é incerto, alvo que eles estabelecem sob dúvidas.
Coerente a Simon (1959) as seleções são feitas sob diversas condições, de certeza, de
incerteza e de risco. As planejadas normalmente apresentam grau de risco menor do que as
não planejadas. “A decisão de modo genérico, possui dois objetos: a ação do momento e a
descrição do futuro” (SIMON, 1959, p. 254). A ação no momento escolhe o estado de coisas
futuras e guia o comportamento em direção à alternativa escolhida. A descrição do estado
futuro pode remeter a escolha certa ou errada. Em se tratando das tomadas sob certeza, o
decisor tem conhecimento das consequências ou resultados de todas as possibilidades, e pode
escolher a melhor dentre as alternativas apresentas (SIMON, 1959).
Apontado por Simon (1959) as escolhas são algo mais que hipóteses reais, são conceitos, que
podem ser verdadeiros ou falsos em sentido prático, do futuro estado de coisas. Por isso, elas
têm, semelhantemente, qualidade dominadora, em virtude de escolherem estado de coisa
futura em consequência de outro e aconselham o comportamento destinado à possibilidade
selecionada apoiado em maior ou menor grau em caminhos que minimiza o pensamento, e a
pressão do ambiente encontra dados expressivos sobre o alvo e o contexto da escolha.
O processo de decidir na maioria das vezes, não é coisa simples, especialmente levando-se em
conta o cotidiano do empreendedor, em que não atingem apenas quem o faz, mas
identicamente a empresa. Em várias situações o êxito da organização e de sua atuação deriva
de preferências, emprego da razão em decidir, ou seja, de informações ou métodos que
identificam qual a estrada a ser percorrida, além de necessitar de tempo e recursos, talvez seja
danoso à empresa, Schwarz, et al. (2021) junto com Caulley, et al. (2021) e Shepherd, et al.
(2021) vão adiante e indicam alguns componentes que impedem a completa razão, a dúvida,
em decorrência do espaço, propósitos mal delimitados, a ausência de compreensão, escassez
40
de dados, vivência e tempo. Consoante aponta Dean e Sharfman (1996) tudo isso interfere,
que quanto mais alarmante a conjuntura, mais desconhecido o meio e menor a razão do modo.
Esses atores que sobrepõem o sistema empresarial restrito e fracionado, utilizando a razão
completa e dados divididos nas atividades gerenciais, as dificuldades aparecem disfuncionais
e o conjunto de dados muitas vezes delimitam as informações relatadas, apesar de
recentemente se tenha elaborado sistemas de simulações na experiência de apressar os
resultados da opção. Perante a carência de soluções prontas, o processo decisório acontece de
maneira distinta do olhar racional, apoiada na compreensão de aspectos fundamentais
ocupando papel essencial (WEST, ACAR e CARUANA, 2020).
No debate sobre a forma que eles decidem no presente, e a maneira que agirão no futuro,
Simon (1972) aponta dois tipos de decisões: as programadas e as não programadas. Enquanto
as programadas ou estruturadas são recorrentes e habituais, em que foi gerado processo
estabelecido de tratá-los, de maneira que não precisem ser analisadas novamente sempre que
acontecem, são sempre semelhantes. Elas podem ser usadas em recurso habitual em
transformar situações próprias recorrentes.
Consoante a Simon (1972), decisões programadas têm a ver com método psicológicos
parcialmente simples, dessa forma entendido ao menos na condição prática. Eles entendem
costumes, lembrança e simples manuseio de objetos e símbolos. Já as não-programadas ou
não-estruturadas são as novatas, de relevantes resultados e não são bem compreendidas,
necessitam de processos psicológicos, emocionais, intuição, atividade custosa, riscos e ânimo
e maior capacidade de análise e posicionamento. À vista disso não existirá formas
preestabelecidas de atuar no problema por várias causas: não foi mostrado anteriormente, seu
universo e disposições precisas são ambíguas ou profundas, ou é tão essencial que é digno de
procedimento próprio (SIMON, 1965).
Percebe-se que as situações e experiências tornaram-se bem mais completas, hoje existem
mais elementos que interferem no processo decisório que não existiam no passado. A
experiência com as situações e esses processos asseguram a maturidade profissional,
assegurando maior precisão no decorrer da vida profissional. Cada fase constitui por si só
processo complexo (SIMON, 2008).
Verifica-se que é amplamente disseminada e aceita a ideia de que decidir não se baseia apenas
na razão, mas principalmente nas emoções. Cientistas descobriram que se desprovidos
emocionalmente, tornam-se completamente ineficazes nesse processo. Descobertas recentes
mostram que a inteligência emocional é um dos mais fortes indicadores de sucesso pessoal e
profissional (ZALESKIEWICZ e TRACZYK, 2020).
Nem sempre o processo decisório envolve todas as variáveis possíveis, pois se de um lado a
capacidade humana de arquivar informação é infinita, por outro a capacidade de processá-la
durante o processo é finito, a racionalidade é limitada pelos esquemas que demonstram as
experiências consideráveis do sujeito, visto suas crenças e valores, afora as emoções
agregadas ao contexto decisório (BARON, 2007).
Cada julgamento pessoal é demarcado em sua racionalidade, Simon (1959) provocou a teoria
econômica propondo isso, as pessoas tendem tomar decisões racionais, por tantas vezes não o
fazem, por causa das suas limitações cognitivas e pela falta da informação, em tal grau que a
maioria das pessoas é somente parcialmente racional, relacionando-se realmente a emocional-
irracional no restante de suas atitudes.
Nas empresas existe evidentemente complexa rede de opções e ações, enquanto encontra sua
identidade na escolha de alternativas, entendendo que elas são mais pertinentes ao contexto do
que ações e, portanto, tentando torná-las compatíveis com os objetivos das organizações
(MARTÍNEZ et al., 2020).
As escolhas feitas por indivíduos geralmente ocorrem em ambientes onde são dadas
premissas, que são aceitas na base da seleção, e o comportamento apenas se encaixa dentro
dos limites desses ambientes dados. A função da organização é estabelecer seus membros em
ambiente emocional equilibrado que ajude a adaptar suas escolhas aos objetivos da empresa,
fornecendo as informações necessárias das preferências (HERNANDEZ e ORTEGA, 2019).
No processo decisório, ainda que a opção necessite ser considerada no presente e tenha
acontecido no passado, não obrigatoriamente a mesma maneira de decidir terá efeito
42
Nesse contexto as emoções podem guiar o tomador e esse conhecimento pode ser usado na
melhoria do processo, Zaleskiewicz e Traczyk (2020) discutem, essa inferência, tema da
próxima subseção.
A emoção e a tomada de decisão se mesclam, pois conforme Elster (2009) e Saaty (2017) eles
têm a capacidade de influenciar na razão. As emoções influenciam, além disso em
conformidade com os apontados, na maneira que a cognição e a razão fortalecem suas ações,
sua interferência é extensa, por mais racionais que os indivíduos tentem agir, eles raramente o
serão.
Entende-se que as emoções se tornaram a tempo apontadas, tão imensas e importantes que em
latim, por exemplo, emovere, significa energia em movimento. Isso mostra que as emoções
existem, movimentam a vida das pessoas, altera comportamentos e circunstâncias de
oscilações (HAIDT, 2003).
Em concordância, Braley (1994) as práticas humanas são capazes de ser descritas por meio de
duas proporções afetivas fundamentais, o valor e o sinal. O valor relaciona-se ao constante
qualificativo que muda de categorização de descontentamento (desfavorável) ou
contentamento (favorável), movendo-se pela categorização imparcial. Logo o sinal relaciona-
se ao que muda da serenidade à investigação. A resposta emocional a estímulo suporta ser
categorizada segundo o valor e segundo o sinal.
Acompanhando esse pensamento Ekman, et al., (2005) declara que as emoções são itens do
desenvolvimento e explicações técnicas de certo tipo na preservação de sua continuidade.
Ante esse entendimento, elas são automáticas: é plausível eliminá-las, mas não as
impossibilitar de acontecer. Os sistemas nervosos cercam a emoção e os retornos da razão
responsáveis, as emoções aparentam envolver o sistema lógico e o livre-arbítrio. Emoções
aparentam apenas “ocorrer” e não são capazes ser definidas somente pelo desejo. Apesar da
relevância ser capaz de ser anulada, o sentimento continuará; elas conseguem meramente ser
comprovadas, ao impedir os incentivos que as provocam (EKMAN, et al., 2005).
As emoções Haidt (2001) define na qualidade de “estados” mentais e fisiológicos que trazem
muitas reações motoras e glandulares, e alteram a aprendizagem e o comportamento. Podem
ser conceituadas quanto a reações afetivas agudas, momentâneas, desencadeadas por
estímulos significativos.
Nesse prisma as relevâncias de Damasio et al., 2000; corroboram com Ekman (2007) sobre a
existência de seis emoções básicas: alegria, aversão, medo, raiva, surpresa e tristeza. Elas têm
características e expressões únicas, mas que são expressas de forma semelhante em diversas
45
Desta forma, a emoção está intimamente associada à memória; ou seja, ao contexto em que é
adquirida na experiência individual (DAMASIO, 2004). As opções de escolha são
influenciadas, pensadas ou sentida pelos indivíduos, aponta Singh (2018) que nesse sentido o
cérebro identifica situações e fatores emocionais determinantes nas ações.
Ressalta-se os fatores que influenciam as decisões sendo prós e contras e influenciados pela
memória das experiências de eventos passados e as emoções sentidas durante esses,
equivalendo ao emocional na atuação do ambiente cognitivo do processo (SINGH, 2018).
Consoante a Oatley (2021) é tão veemente no que concerne aos próprios propósitos, e declara
que toda intenção ou objetivo dispõe do procedimento de acompanhamento considerando os
acontecimentos importantes. Em situação de modificação, a possibilidade de alcançar
46
Aponta Haidt (2003) ter consciência da maneira que o indivíduo reage e se sente diante de
cada emoção, sendo primordial recuperar-se de algo emocionalmente negativo. Esse processo
é fundamental na manutenção do equilíbrio emocional. As emoções são reações
inconscientes.
As escolhas são afetadas pelas emoções das pessoas em dois sentidos, primeiro os sujeitos
antecipam e têm em conta as suas emoções e segundo a forma que isso pode afetar as suas
escolhas (inteligência emocional). As investigações recentes têm demostrado que as emoções
imediatas desempenham papel importante ao decidir (HAIDT, 2003).
Entende Franco (2014) que a emoção afeta o julgamento e a tomada de decisão, alterando o
comportamento dos decisores e vai mais além: diferentes emoções influenciam de maneira
distinta os sujeitos, as positivas interferem diferente das negativas. De forma que, no
momento da escolha, o sistema cognitivo com base nas crenças registradas no inconsciente
faz interpretação da realidade que gerenciará as emoções produzindo pensamentos
automaticamente.
Na perspectiva deste estudo foram escolhidas as emoções primárias que estão entre aquelas
percebidas ambientes organizacionais: alegria, aversão, medo, raiva, surpresa e tristeza
(DAMASIO, 2004; LAZARUS e COHEN-CHARASH, 2001).
Nas organizações, as causas da raiva são injustiça real ou percebida (Weiss et al., 1999) e
comportamento repreensível de terceiros, incompetência nos afazeres, arrogância, grosseria,
humilhação pública e abuso emocional (FITNESS, 2000). Sendo a raiva real na vida
organizacional, essa continua a atrair o interesse e especulações (Bachkirov, 2015; Gibson e
Callister, 2010) e seus efeitos constituem área emergente de investigação (COGET et al.,
2011). Nesse sentido, propõe-se a seguinte hipótese:
H1a: A proporção de empreendedores que têm a raiva como principal emoção que
influenciou tomada de decisão errada não difere de 95% ao nível de significância de 0.05.
Os indivíduos expressam medo, ao se deparar com situação perigosa que ameaça seu bem-
estar. Essa acontece em decorrência da antecipação do dano físico ou psicológico (EKMAN,
2007).
As pessoas estão sujeitas a sentir raiva e medo, tendo em vista que o indivíduo determina
relações afetivas em todos os níveis da vida e inclina-se a criar expectativas, que quando não
são atendidas, a raiva e o medo podem se revelar (SINGH, 2018).
No domínio das opções gerenciais, o papel crítico emocional foi enfatizado pela primeira vez
há décadas (Simon, 1987) desde então, mostrou que, nas organizações, a emoção influencia a
variedade de resultados relacionados ao desempenho, por exemplo, qualidade de escolher
(Staw e Barsade, 1993), de ordem econômica, estratégica (Kim, 2012) tática (Kustubayeva et
al., 2012) e escalada de comprometimento (HARVEY e VICTORAVICH, 2009).
No entender de Goleman (1997) o ser humano possui duas mentes, a racional e a emocional,
que constituem as formas de conhecimento que interagem na construção da vida mental. A
mente racional é o modo de compreensão de que o ser humano tem consciência, é mais atenta
e capaz de ponderar, refletir e fazer ligações lógicas, enquanto a mente emocional age
irrefletidamente, excluindo a reflexão ponderada e analítica, que caracteriza a mente racional.
O autor defende na mesma obra: “A mente emocional responde evocando os sentimentos que
acompanharam o acontecimento recordado e reage ao presente em vista do passado”
(GOLEMAN, 1997, p. 30).
A problemática emocional faz breve abordagem à questão decisória, quando menciona Haidt
(2003) tradicionalmente ela é enfatizada pela racionalidade, mas será disparate ignorar-se que
o estado emocional da escolha não tem influência. No processo é necessário considerar “o
coração” e “a mente” e integrar as emoções, caso contrário a análise ficaria incorreta ou
imprecisa.
De fato, cientistas psicológicos afirmam que as emoções são o motor dominante das escolhas
mais significativas na vida (EKMAN 2007; FRIJDA, 1988; KELTNER e LERNER 2010;
50
Alguns autores explicam o papel potencial do emocional no processo (CARDON et al., 2012;
HU et al., 2017). Essas descobriram, que diferentes estágios do empreendedorismo são
influenciados pelo emocional e racional (Cardon et al., 2012), e existem diferenças
significativas no impacto dos tipos de emoções na avaliação das oportunidades (Wolfe e
Shepherd, 2015). Apontado por esses o papel de diferentes tipos de emoções na relação entre
cognição e comportamento (DOERN e GOSS, 2013). Na verdade, as emoções que o
indivíduo ou equipe tem sobre esse fato incluem emoções primárias e secundárias (Wolfe e
Shepherd, 2015) e diferentes reações emocionais do indivíduo têm efeitos distintos nos
resultados comportamentais.
A diferença dos processos decisórios por gênero é assunto com pontos de vistas diferentes
entre os autores. Consoante com Gill, Stockard, Johnson e Williams (1987), as mulheres são
mais movidas pelo ambiente, procurando informações e dispensam mais tempo quando
decidem (DE ACEDO LIZÁRRAGA, DE ACEDO BAQUEDANO e CARDELLE-
ELAWAR, 2007). Aponta Wood (1990) os homens agem ao oposto, sendo mais atuantes,
assertivos, objetivos e realistas (DE ACEDO LIZÁRRAGA, DE ACEDO BAQUEDANO e
51
Porém, (Gatewood et al., 2003; Welch, 2002) destacam que os estilos de tomada de decisão
masculino e feminino são rótulos e na verdade percebe-se que nas organizações os
empreendedores utilizam-se de ambos atributos. No gênero masculino, os traços principais
consistiriam na urgência na ação com fundamento em escassas informações disponíveis, sem
consultar outras pessoas e analisar possíveis opções (AHL, 2006). Já no gênero feminino, os
traços consistiriam na desaceleração na ação em função da utilidade de consultar alternativas,
procura por informações que apoiem a decisão, análise de opiniões e apreensão com os custos
envolvidos (CROSON e GNEEZY, 2009).
H1c: Não há diferença significativa entre a proporção de empreendedores que têm a raiva
como principal emoção que influenciou tomada de decisão errada considerando o gênero do
respondente ao nível de significância de 0.05.
Do ponto de vista da avaliação desse princípio (Smith et al., 1985) essa hipótese se baseia na
teoria que o medo envolve a percepção de que a situação (isto é, fatores externos) tem
52
influência maior do que o indivíduo (isto é, fatores internos) nos resultados (LERNER e
KELTNER, 2001). O medo evoca sentimentos de fraqueza e impotência sobre evento futuro
(Shaver et al., 1987) e superestimação da probabilidade do resultado ruim (Bar-Tal, 2013) ou
a quantidade de risco na situação (HUANG, SOUITARIS e BARSADE, 2019; LERNER e
KELTNER, 2001).
Pesquisas anteriores oferecem evidências que apoiam essa hipótese. Por exemplo, em dois
estudos empíricos sobre empreendedorismo, maior medo do fracasso foi associado a
avaliações menos favoráveis de decisões empreendedoras e menor tendência de explorar essas
oportunidades (GRICHNIK, SMEJA e WELPE, 2010; WELPE et. al, 2012). Isso apoia a
ideia de que o medo pode influenciar a tomada de decisão errada dos empreendedoras e,
consequentemente, reduz a possibilidade de acerto nos processos decisórios. Em resumo, o
medo influencia os processos envolvidos na escalada do comprometimento ou nas decisões do
empreendimento por meio de avaliações (RUSSELL, 2003; TSAI e YOUNG, 2010).
Além disso, o medo pode motivar a ação empreendedora quando os atores tentam atrasar ou
evitar o fracasso ou sair da situação de fracasso (CACCIOTTI e HAYTON, 2015; HUANG,
SOUITARIS e BARSADE, 2019). Isso ocorre porque o medo gera foco nas perdas (Camerer,
2005) e tem sido associado à redução do acerto e da falta de exatidão nos processos decisórios
(DE CASTELLA, BYRNE e COVINGTON, 2013). Postula-se que o medo acarreta
consequências negativas nos empreendimentos, pode-se prever que haverá relação na
conceituação da influência do medo na tomada de decisão errada pelos empreendedores
(MITCHELL e SHEPHERD, 2011).
Apontado por Chen et al. (2018) e Sadler-Smith (2016) o viés cognitivo influencia a emoção
e afeta a escolha individual do empreendedor. Os fatores emocionais desempenham poderoso
papel tanto na facilitação quanto na introdução de induções nesse sentido (DIBB et al., 2021;
ZHAO, 2020). Entender as emoções Olsen et al., (2018) e seu comportamento pode contribuir
53
em administrar melhor as reações comuns que podem influenciar o cotidiano das micro e
pequenas empresas.
H1d: O medo é a segunda principal emoção que mais influenciou a tomada de decisão
errada por empreendedores.
Os autores ora expostos constituíram o pilar teórico que sustentou o percurso argumentativo e
propositivo na construção e embasamento da atividade em campo, que possui sua
operacionalização descrita na próxima seção.
54
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta seção aborda os métodos e técnicas que foram utilizadas na realização e explanação dos
critérios de escolha dos respondentes e dos instrumentos de coleta e técnica de análise dos
55
Desta maneira, o ensaio apresentado, quanto a sua natureza, pode ser classificado em
aplicado, devido ao seu objetivo de gerar conhecimentos próprio a aplicação prática e
conduzir à solução de problemas específicos, por meio da verificação das emoções primárias
que interferem na tomada de decisão dos empreendedores.
Com relação a seus objetivos, essa obra possui caráter exploratório e visa proporcionar maior
familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito e construir hipóteses
(CRESWELL, 2014).
Vale ressaltar que esta elaboração buscou demonstrar a emoção primária que mais influencia
as decisões dos empreendedores e constatar que a raiva e medo influenciam negativamente.
Apesar de testar hipóteses, é exploratório e caracteriza-se por pesquisa aplicada (SNAPE e
SPENCER, 2003).
56
Utilizou-se do estudo de campo, por meio da técnica de survey, que consiste na solicitação de
dados de quantitativo expressivo de participante sobre a problemática em questão. Por sua
vez, a survey visa questionar exatamente os sujeitos cujo comportamento está sendo
investigado, se qualifica procedimento onde as informações são obtidas sobre população-alvo,
normalmente, via questionário que atende à caracterização de levantamentos descritivos
proposta por Babbie (1999: p.96): “Surveys são frequentemente realizados próprio a permitir
enunciados descritivos sobre a população, isto é, descobrir a distribuição de certos traços e
atributos”.
Além do mais, o padrão clássico declara que as definições da teoria devem ser apoiadas em
algo perceptível e os discursos científicos devem ser suscetível de serem confirmadas
(FLICK, 2009; SYMON, 2012). Por outro lado, o padrão alternativo justifica a concepção de
que as abordagens puramente quantitativas não são razoáveis, o que proporciona a aplicação
de abordagens qualitativas no trabalho, as quais procuram perceber os propósitos e
significados dos atos humanos (DENZIN e LINCOLN, 2018; FLICK, 2009).
Na percepção de Triviños (2006) a qualitativa proporciona ambiente natural e fonte direta das
informações e tem a atenção com o processo, investigando seus dados por indução, cujo
significado é o foco essencial desta abordagem.
Na qualitativa o uso de técnicas demonstra ser crescente no campo das Ciências Sociais
Aplicadas. A diversidade de técnicas disponíveis traz ao pesquisador boa flexibilidade que
pode gerar melhor adequação entre técnica e características (problema, objetivos, objeto),
inclusive com a possibilidade de combinação com métodos quantitativos (DENZIN e
LINCOLN, 2018; SYMON e CASSELL, 2012).
Destaca Leite (2015) que o uso do método advém da natureza ou da hegemonia dos processos
que envolvem, os dados são colhidos na execução de tabelas com propósito de caracterizar a
forma que estes dados se comportam na amostra verificada.
Desse modo o presente ensaio equivale a avaliação desenvolvida com base na escolha do
método misto (quantitativo e qualitativo). Partindo dos dados quantitativos que foram
coletados e interpretados, logo depois os dados qualitativos. Finalmente, os dados (quanti-
quali) foram analisados de maneira sistemática.
58
Percebe-se que Sanches, Meireles, e Da Silva (2014) propõe o modelo que estabeleça relações
funcionais com o objetivo principal entre o conjunto de variáveis ‘causais’ e de ‘efeito’. De
acordo com Mach (1976) os eventos são função de outros subsequentes, em vez de se dizer
que o evento é causado por outro.
Neste contexto o modelo proposto por Sanches, Meireles, e Da Silva (2014) estabelece a
relação funcional envolvendo eventos, uns denominados predominantemente causas e outros
designados efeitos ou resultados, a fim de identificar a causa raiz nos processos decisórios.
59
Nesta etapa, o problema deve ser definido corretamente e a comparação entre as alternativas
ser condizente. O foco definido é "tomar a decisão da qual se arrependeu", tal qual a Figura 2.
Após essa primeira etapa os fatores mais prováveis do efeito (tomar a decisão da qual se
arrependeu) são definidos. A lista de fatores deve ser compilada pela equipe (geralmente
composta de 3-5 fatores) que esteja plenamente consciente do problema e familiarizada com o
ambiente em que ele ocorre. Mostrado na Figura 3 os fatores (emoções) foram identificados, e
são automaticamente listados pelo software na Matriz de Priorização.
Os fatores ou causas são as emoções primárias elencadas por ordem decrescente do sujeito
“tomar a decisão da qual se arrependeu”: 1-Tristeza; 2- Surpresa; 3- Raiva; 4- Medo; 5-
Aversão e 6- Alegria
Nessa etapa o procedimento apresentou-se por meio das Figura 1, 2, e 3 e a Figura 1 apresenta
a Tela do software DC da janela inicial, a Figura 2 que apresenta a Tela do software DC da
especificação do case e definição do objetivo e a Figura 4 que apresenta a Tela do software
DC da especificação dos fatores. A seguir são demonstradas as figuras:
60
Nessa etapa é importante estabelecer certo foco e as alternativas é confrontada com os outros.
Esta ferramenta é importante adequada na definição de algo mais, entre várias opções, pois é a
tabela que permite o contraponto da alternativa com todas outros.
Todos os fatores da Matriz de Priorização devem ser totalmente preenchidos com o intuito de
verificação dos fatores pelo software. Os fatores são comparados e classificados acima da
diagonal. Tal qual a Figura 8, de cada linha com os elementos de cada coluna, considerando a
contribuição feita do ponto de foco. A verificação é feita considerando apenas os valores
acima (ou à direita) da diagonal e o valor correspondente em pontos.
Nessa etapa o procedimento apresentou-se por meio das Figura 5, 8, e 7 e a Figura 5 apresenta
Tela do software DC da primeira comparação na matriz, a Figura 6 que demonstra Tela do
software DC da segunda na Figura 7 que apresenta Tela do software DC da matriz totalmente
preenchida. A seguir são demonstradas as figuras:
62
que na coluna, os valores inversos da linha correspondente são transpostos deve ser dada. Por
exemplo, se a primeira linha tem os valores (10) (5) (1) (0,2) (0,1) então a primeira coluna
terá os valores inversos, ou seja, (0,1) (0,2) (1) (5) (10). No final desta parte, a Matriz de
Priorização deveria ter sido obtida, mostrada na Figura 8.
Em cada linha os pontos obtidos são somados, observando que todos os valores são somados
antes e depois da diagonal e de cada linha. Isto que é mostrado nos pontos na coluna e na
linha de igual forma na Figura 9.
uma técnica que permite associar causas identificando a interferência entre elas. Ela
é composta de uma matriz quadrada que associa todas as causas entre si, e por isto,
provê análises abrangentes. A matriz causal permite aos membros da organização
comunicar o entendimento de problemas complexos de forma clara e, por intermédio
de algoritmos matemáticos, pode indicar as causas com potencial geração de
problemas mais graves, como os loops explosivos (SANCHES, MEIRELES, e DA
SILVA, 2014, p. 4)
Na Figura 9 o indicador Emach é calculado, atribui valores negativos a fatores dominantes
(que contribuem no problema) e valores positivos dos fatores dominantes, que fazem ou não
contribuição no problema. O Emach expressa o significado e o poder do fator na causa e no
efeito (C- E) relacionamento. O cálculo do Emach permite informações a respeito do "grau de
causalidade": os fatores causais são negativos e os fatores de efeito positivos, mostrado na
Figura 9. O maior o valor do Emach, maior o efeito que ele tem. Os limites do Emach são
causa raiz e, o principal sintoma do efeito. Semelhantemente com a Figura 5, "tomar decisão
da qual me arrependi" é o principal sintoma do efeito. A causa raiz é o fator com o Emach de
21: neste caso, "Raiva".
Deve-se ressaltar que a saída do artefato é a lista de fatores com seus valores Emach em
ordem decrescente. Isto permite que o usuário determine a coerência dos valores a análise. Os
fatores superiores, com o Emach ≥ 0 (destacado em azul na Figura 9) podem ser considerados
efeitos ou fatores causais praticamente espúrios. Se o fator relação ou não causal está incluída
na lista de fatores potenciais (Figura 4) ou na análise (Figura 6), ele será descartado por falta
de relação causal e aparecerá no topo da lista (Figura 9) visto que o fator espúrio.
Nessa etapa o procedimento apresentou-se por meio das Figura 8 e 9 e a Figura 8 demonstra
Tela do software DC da análise dos fatores e cálculo do Emach de cada fator e a Figura 9
64
Figura 8 - Tela do software DC da análise dos fatores e cálculo do Emach de cada fator
A Técnica do Incidente Crítico (TIC) ou Critical Incident Techique (CIT), surgiu nos anos
1950 a partir da necessidade, encontrada por diversos pesquisadores, de estruturar maneiras
de mensurar o comportamento humano. A abordagem dessa técnica é atribuída a John C,
Flanagan (1954) que definiu o conjunto de procedimentos em coletar dados observáveis,
diretamente por meio do comportamento humano, a fim de solucionar problemas práticos e
desenvolver amplos princípios psicológicos.
Estabelece-se por Flanagan (1954) a Técnica do Incidente Crítico (TIC) não consistindo no
conjunto rígido de regras de coleta de dados, mas sim em conjunto flexível de princípios que
65
devem ser adaptados e modificados por certo com dada situação. É derivado do fenômeno
relatado e, portanto, importante a compreensão da ação, comportamento ou fenômeno
(GROVE e FISK, 1997).
Com efeito Flanagan (1954) destaca que a precisão e a objetividade dos julgamentos
dependem da exatidão com a qual as características são definidas e da capacidade do
observador interpretar esta definição em relação ao incidente observado. O autor destaca, dois
passos essenciais na relação dos incidentes críticos: refere-se a interferências relacionadas a
procedimentos práticos e a inferências relacionadas a procedimentos práticos em melhorar a
performance baseada na observação dos incidentes.
A essência da TIC é analisar mais histórias do que soluções quantitativas (Woodruff; Ernest;
Jenkins, 1983). Durante o procedimento, os participantes são chamados a contar histórias e a
lembrar de eventos — algo que a maioria das pessoas faz facilmente, além de gostar de fazê-
lo. Os registros de incidentes críticos consistem na descrição de comportamentos habituais
(negativos ou positivos) que se revelam espontaneamente na determinada situação de contato.
Os comportamentos a serem identificados devem essencialmente contribuir no aumento do
conhecimento sobre os interlocutores desse contato, e ultrapassa a impressão vaga e geral que
se forma sobre esses atores (GREMLER, 2004).
Consoante com Gremler (2004) a técnica de incidente crítico, tem de natureza o processo de
coleta de dados, por meio de respostas colhidas dos entrevistados, as quais são embasadas em
66
descrições detalhadas. Pois, a técnica exige que os entrevistados dediquem tempo e esforço
em descreverem os detalhes e as abordagens inerentes ao ensaio.
De forma que esta combinação teórica levou a utilizar a entrevista semiestruturada por meio
da Técnica do Incidente Crítico (TIC) na análise qualitativa com o objetivo de identificar as
emoções primárias que mais influenciam as decisões dos empreendedores.
A proibição do contato entre pessoas e aglomerações, seja em sala de aula, reuniões ou outra
forma de união, estimulou a buscarem novas formas de investigar por meio de ferramentas
tecnológicas (DIAS et al., 2020)
As tecnologias têm impactado a educação de tal forma que têm mudado a sua forma de
concepção, Da Silva Mota (2019) afirma, demandando novo olhar em metodologias,
estratégias e, inclusive, o modo de se comunicar. Diversas ferramentas tecnológicas têm sido
implementadas na educação básica em tempos de pandemia da Covid-19. Dentre essas
67
ferramentas pode-se destacar, o Google sala de aula, Google Forms, Zoom, Meet, Teams e
muitas outras de forma gratuita (DA SILVA MOTA, 2019).
Verifica-se que a ferramenta Google Forms se tornou cada vez mais utilizada no mundo
acadêmico compatível as mais variadas aplicações, que são disponibilizadas gratuitamente
pelo Google Suite for Education (GOOGLE, 2021).
Na análise dos dados utilizou-se as técnicas estatísticas com o uso dos softwares SPSS v12;
Minitab v13 e Grapf Pad InStat 3, aplicou-se estatísticas descritivas, tais quais média,
mediana e desvio padrão.
Após o recebimento dos dados coletados, eles foram inseridos pela no software DC a fim de
que ocorresse a tabulação e análise.
A análise dos dados possibilitou ampliar horizontes a fim de possibilitar maior abrangência
possível. A investigação teve seu desenvolvimento relacionando o fenômeno em questão e
dando voz aos sujeitos, possibilitando dessa forma o recorte do contexto em que está inserido
a observação.
68
O aspecto mais problemático do uso das escalas não se prende à forma de apresentação, mas
sim, à sua análise. “Interpretar” corretamente o que as escalas indicam tem grande
importância no conteúdo, pois possibilita entender as opiniões dos respondentes. Pereira
(1999) discute a interpretação dos resultados da aplicação de escalas considerando o sentido
semântico da medida. Coerente a Pereira (1999), 50% do valor central ou indiferente é
atribuído a aprovação e 50% desaprovação.
De forma que, essa análise permite que se sintetize a avaliação dos participantes, mas desloca
a resposta ao conceito bipolar: aprovação versus desaprovação sem a interpretação
intermediária ou mais objetiva. Com o intuito de superar tal dificuldade e tomando Arsham
(2001) de modelo, fará uso da interpretação do nível de desaprovação (ndd).
As análises realizadas fizeram uso do método do Determinante Causal (DC) proposto por
Sanches, Meireles, e Da Silva (2014) disponível em https://www.causaldeterminant.com/ e
tem por objetivo identificar a causa raiz do problema. Ocorre que ao apontar a causa-raiz
(Emach -1) o método indica os fatores causais (Emach negativos) e os fatores efeito (Emach
positivos) o que foi aproveitado pela presente análise.
De acordo com Sanches, Meireles, e Da Silva (2014) no método DC são usados os valores
1/10; 1/5; 1; 5; e 10 nas comparações. Estes pesos são típicos da Matriz de Priorização e
podem ser vistos em Scarpi (2010) e Carpenter, (2010): muito mais (10); mais (5); de forma
igual (1); menos (0.2); muito menos (0.1).
Esses são os valores ou pesos comparativos mostrados na Figura 10. O indicador Emach foi
utilizado a fim de determinar se o fator é causal ou efeito considerando o Determinante Causal
(DC). Outro aspecto no método DC é que apenas se faz a comparação das células à direita da
diagonal (que tem valor nulo). Utilizando o princípio da Matriz de Priorização, o método DC
inscreve o valor inverso na célula correspondente aos dois fatores.
69
Após a análise comparativa dos participantes a lista dos fatores analisados estratificados em
fatores de natureza efeito e de natureza causal incluindo a causa raiz que são apresentadas.
Após a verificação lógica o DC automaticamente faz a soma dos pontos de cada linha e a
soma dos pontos de cada coluna. Estas somas, por apresentarem diferentes amplitudes, sofrem
processo de normalização de maneira que que as amplitudes sejam equivalentes, variando no
intervalo [0; 5]. As normalizações são feitas atendendo às recomendações de Dodge (2003)
utilizando a fórmula:
p − min
Ip = 5
max − min
onde p é o número de pontos, min é o menor valor observado e max o maior valor observado.
Após a normalização o software calcula o Emach de cada fator consentindo com a fórmula:
V
EmachHV = −1
H +1
Esta seção evidencia a descrição da análise dos dados e discussão dos resultados ‒
apresentada estatisticamente, correlacionando teoria e realidade encontrada no contexto do
empreendedorismo e fator emocional no processo decisório em micro e pequenas e empresas
na Aglomeração Urbana de Jundiaí (AUJ), bem como o teste das hipóteses. Foram analisados
os resultados da pesquisa de campo por meio de entrevistas e questionários aplicados. A partir
das tabelas foram realizados gráficos e quadros apresentados nesta seção.
71
Foram obtidos 229 questionários respondidos pelo Google Forms, sendo que destes, dois
foram descartados por não atender aos pré-requisitos ou por erro de preenchimento, restando
227 questionários válidos aptos a serem analisados. Em seguida foram realizadas as
entrevistas com os participantes que haviam respondido o questionário. A seguir serão
apresentados e discutidos os resultados e achados sobre as hipóteses.
Segundo Yin (2015) o sujeito poderá ser a unidade física ou poderá ser o indivíduo, devendo
então ser definido a unidade a ser pesquisada, quanto a sua região física ou geográfica.
Acrescenta Torgerson e Miles (2007) o tamanho da amostra definido pela fórmula (1) é de
266, com: N=19467 (tamanho da população) e=0.05 (margem de erro) e z= 1.65
correspondente ao nível de confiança de 0,90:
Formada por eixo de urbanização quase contínuo entre duas regiões metropolitanas, São
Paulo e Campinas, a AUJ é servida pelo complexo viário que permite o acesso aos principais
aeroportos do Estado e ao maior porto da América Latina, o Porto de Santos (EMPLASA,
2011).
72
A AUJ registrou nesse período taxa de crescimento demográfico de 1,88%, a maior entre as
unidades regionais do Estado, superior, inclusive, à verificada na Macrometrópole (1,84%) e
no conjunto do Estado, da qual a taxa foi de 1,10% (EMPLASA, 2011).
1
Atualmente, há cerca de 8,3 milhões de MEIs no país, sendo mais de 2,2 milhões apenas no Estado de São
Paulo e 19.467 microempreendedores individuais ativos em Jundiaí (https://g1.globo.com/sp/sorocaba-
jundiai/noticia/2019/05/20/jundiai-tem-semana-especial-para-microempreendedores-individuais.ghtml)
73
Enquadramento empresa: n %
a) MEI (Microempreendedor individual) 32 14,10
b) ME (Microempresa) 141 62,11
c) EPP (Empresa de Pequeno porte) 54 23,79
Fonte: Elaborada pela autora (2021)
fosse a mesma observada nos empreendedores individuais: 45% gênero feminino e 55%
gênero masculino 2.
Faixa etária: n %
a) 18-25 44 19,38
b) 26-33 42 18,50
c) 34-41 50 22,03
d) 41-48 41 18,06
e) >49 50 22,03
Escolaridade: n %
a) Ensino Fundamental 23 10,13
b) Ensino Médio 102 44,93
c) Ensino Superior 51 22,47
d) Pós Graduação 23 10,13
e) Mestrado 26 11,45
f) Doutorado 2 0,88
Estado civil: n %
a) Casado(a) 118 51,98
b) Solteiro(a) 86 37,89
c) Divorciado(a) 23 10,13
2
Com a criação da figura do Microempreendedor Individual (MEI) em 2008, por meio da Lei Complementar nº
128/2008, mais e mais mulheres puderam realizar o sonho de regularizar o próprio negócio. Atualmente, elas já
representam mais de 45% dos empreendedores individuais do Brasil, de acordo com pesquisa do Serviço
Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), divulgada neste ano.(http://g1.globo.com/mato-
grosso-do-sul/especial-publicitario/sebrae/crescendo-com-o-sebrae/noticia/2015/11/mulheres-representam-45-
dos-empreendedores-individuais-do-brasil.html)
75
Faixa etária: n % n %
a) 18-25 26 20,47 18 18,00
b) 26-33 22 17,32 20 20,00
c) 34-41 31 24,41 19 19,00
d) 41-48 24 18,90 17 17,00
e) >49 24 18,90 26 26,00
Escolaridade: n % n %
a) Ensino Fundamental 13 10,24 10 10,00
b) Ensino Médio 62 48,82 40 40,00
c) Ensino Superior 29 22,83 22 22,00
d) Pós Graduação 13 10,24 10 10,00
e) Mestrado 8 6,30 18 18,00
f) Doutorado 2 1,57 0 0,00
Estado civil: n % n %
a) Casado(a) 59 46,46 59 59,00
b) Solteiro(a) 57 44,88 29 29,00
c) Divorciado(a) 11 8,66 12 12,00
Essa proporção não representa exatamente os dados do GEM (2019), mas confirma o
argumento de Machado e Nassif (2014) sobre a presença e o crescimento das mulheres na
esfera econômica atual, demonstrando a inversão ou equiparação dos movimentos da relação
empreendedorismo e trabalho verificadas na sociedade até então, não se tratando somente de
complementação de renda familiar.
Quanto a faixa etária, eles apresentaram a média de 36 anos dos respondentes entre 18 e mais
que 49 anos. Na amostra a faixa etária geral é de 18-25 anos (19,38%), de 26-33 anos
(18,5%), de 34-41 anos (22,03%) de 41-48 anos (18,06%) e >49 anos (22,03%). Com relação
a faixa etária por gênero, de 18-25 anos (20,47%) são do gênero feminino e (18%) do gênero
masculino, de 26-33 anos (17,32%) feminino e (20%) masculino, de 34-41 anos (24,41%)
gênero feminino e (19%) do gênero masculino, 41-48 anos (18,9%) feminino e (17%)
masculino e acima de 49 anos (18,9%) são mulheres e (17%) são homens. A situação é
76
similar aos dados coletados pela amostra GEM (2019) que aponta a média de 35 anos dos
empreendedores brasileiros.
Com relação a escolaridade, a amostra apresenta perfil correspondente o que aponta o GEM
(2019) da escolaridade média de 46, 2% para ensino médio completo. Foi verificado na
amostra que (10,13%) possuem ensino fundamental, (44,93%) ensino médio, (22,47%)
possuem ensino superior (10,137%) pós graduação (11,45%) mestrado e (0,883%) possuem
doutorado.
Quanto ao gênero, dos 227 coletados (10,24%) das mulheres possuem ensino fundamental e
os homens (10,0%), das mulheres (48,82%) e (40%) dos homens possuem ensino médio,
(22,83%) das mulheres e (22%) dos homens possuem ensino superior, pós graduação são
(10,24%) mulheres e (10%) homens, (6,30%) das mulheres e (18%) dos homens possuem
mestrado e (1,57%) das mulheres e nenhum dos homens possuem doutorado. Na amostra
GEM (2019), os dados parecem semelhantes: (46,2%) com superior completo.
Os Incidentes Críticos, para efeito desta pesquisa, relacionam-se aos comportamentos dos
empreendedores frente aos seus processos decisórios. As emoções, quando lembradas diante
das situações expostas, aceita a concepção de implicações, dentre elas, identificar as variáveis,
que serão exibidas subsequentemente.
A análise dos dados foi realizada do pareamento das varáveis selecionadas a partir do banco
de dados. Após a tabulação dos dados optou-se por organizá-los em tabelas e gráficos
elaborados no software Microsoft Excel (Windows 2010). Tal opção foi tomada de forma a
permitir melhor compreensão e interpretação das informações coletadas. Os dados foram
77
segmentados por questão, gerando seis planilhas, no total de seis imagens e referem-se as
informações coletadas e as análises.
Apoiando-se nas experiências de Dela Coleta (1974) e de Froemming e Ohlendieck (2001) foi
utilizado questionário na descrição de eventos críticos, meio que oferece mais produtividade e
assertividade nos processos de categorização e de análise.
A construção deste questionário inspirou-se nos modelos utilizados por Flanagan (1954) e por
Bitner, Booms e Tetreault (1990) tendo sido composto de apelo a lembrança sobre os
principais tipos de decisões que os empreendedores tomam no ambiente de trabalho no dia a
dia, seguido da escolha profissional que mais se orgulha e mais se arrependeu e quais
emoções estavam contidas.
Com efeito Dela Coleta e Dela Coleta (2006) extrai os incidentes críticos da entrevista,
necessário submeter os relatos a análise de conteúdo, momento em que são lidos e
classificados em categorias mais abrangentes, identificados por incidentes críticos negativos e
positivos coletados por meio da TIC.
Ao longo dessa etapa, os relatos foram submetidos a tratamento que contemplou quatro
momentos, condizente com Dela Coleta e Dela Coleta (2006): 1) Leitura, derivação e
arrolamento dos incidentes críticos; 2) Identificação das situações, comportamentos e
consequências; 3) Agrupamentos dos relatos proporcionalmente as situações, comportamentos
e consequências; 4) Categorização das situações, comportamentos e consequências.
Baseado nas narrativas, solicitou-se o relato detalhado da decisão profissional que se orgulha
e se arrepende e a emoção envolvida. Essas, foram consideradas como o Incidente Crítico
(IC) do respondente, e, portanto, propósito a ser examinado. As emoções, integralmente,
foram ordenadas em categorias de retornos e apreciadas.
78
Desse modo, na análise, cada incidente foi registrado e transcritos todos os dados colhidos
(incidentes e a identificação de cada participante), em que distinguiu as classificações
(BITNER, BOOMS e TETREAULT, 1990).
Salienta-se que a TIC utilizada na resposta do objetivo geral introduz a subjetividade por parte
do pesquisador no momento em que ocorre a interpretação e a classificação dos depoimentos
transmitidos pelos entrevistados.
Vale notar a questão que faz diferença na qualidade das evidências obtidas: o nível de certeza
e/ou lembrança do participante a respeito dos fatos narrados (FROEMMING;
OHLENDIECK, 2001; GREMLER, 2004).
Totalizaram-se 227 respondentes e 1.362 incidentes críticos, deste número foram recebidos os
relacionados aos processos decisórios no ambiente de trabalho que mais se orgulha e que mais
se arrependeu, emoções contidas neles e aprendizados na análise mostrada nas figuras abaixo.
Após a tabulação dos dados, optou-se por organizá-los em planilha Excel, tabelas e gráficos, e
apresentar os resultados. Tal opção foi tomada de forma a permitir melhor compreensão e
interpretação das informações coletadas. Os dados foram segmentados por questão, gerando
seis planilhas, no total de seis imagens e referem-se as informações coletadas e as análises.
Conforme descrito, seis questões do instrumento de coleta de dados foram compostas por
perguntas abertas – com o propósito de o entrevistado lembrar o incidente ocorrido por meio
da TIC. Todas as categorias dos incidentes críticos foram definidas na leitura das entrevistas
e das próprias falas dos participantes.
1) Quais os principais tipos de decisões que você tem o hábito de tomar no ambiente de
trabalho no dia a dia?
2) Qual a decisão profissional que mais se orgulha de ter tomado? Por quê?
3) Das emoções (alegria, medo, nojo, raiva, surpresa ou tristeza) qual você acha que estava
contido nessa decisão da qual você mais se orgulha?
4) Qual a decisão profissional que você tomou que mais se arrependeu? Por quê?
80
5) Das emoções (alegria, medo, nojo, raiva, surpresa ou tristeza) qual você acha que estava
contido nessa decisão da qual você mais se arrependeu?
6) Em ambos os casos, tanto na decisão da qual você se orgulha, quanto na decisão da qual se
arrependeu, o que você aprendeu?
A análise dos relatos dos respondentes possibilitou reconhecer seis categorias principais, que
compõem as decisões vivenciadas: (1) tipos de decisões; (2) decisão profissional que mais se
orgulha; (3) emoções contida na decisão que se orgulha; (4) decisão profissional que mais se
arrependeu; (5) emoções contida na decisão que se arrependeu; (5) aprendizado na tomada de
decisão.
Em relação ao primeiro incidente crítico: (1) Quais os principais tipos de decisões que você
tem o hábito de tomar no ambiente de trabalho no dia a dia? – os dados foram classificados e
agrupados em oito categorias: A primeira categoria desse incidente crítico era Clientes
evidenciando o total de 31 e 12%; a segunda categoria Funcionários demonstra 36 e 14%;
enquanto a terceira categoria Fornecedores conta com 12 e 5%; seguido de Finanças a quarta
categoria com 23 e 9%; a quinta categoria Processo mostra 79 e 31%; a sexta categoria
Produção 13 e 5% igual a quarta categoria; a sétima categoria Comunicação é de 41 e 16% e a
oitava e última categoria Outras com 20 e 8%.
Com base nos relatos dos participantes, percebeu-se que os tipos de decisões, classificados
como processos, mostraram o maior número das falas, com 79 casos (31%), tal qual na
Figura 12:
81
No incidente crítico número (2) Qual a decisão profissional que mais se orgulha de ter
tomado? Por quê? – os dados foram classificados e agrupados nas seguintes categorias: A
primeira categoria desse incidente crítico era Clientes evidenciando total de 14 e 6%; a
segunda categoria Funcionários demonstra 22 e 10%; enquanto a terceira categoria
Comportamento conta com 31 e 14%; seguido de Carreira a quarta categoria com 62 e 27%; a
quinta categoria Empresa mostra 32 e 14%; a sexta categoria Liderança com 4 e 2%; a sétima
categoria Estratégia é de 46 e 20% e a oitava e última categoria Outras com 18 e 8%.
Outra categoria, percebida nos relatos dos participantes, é a carreira, referente a decisão
profissional que mais se orgulha, com 62 casos (27%), visto na Figura 13:
Com relação ao terceiro incidente crítico (3) Das emoções (alegria, medo, nojo, raiva,
surpresa ou tristeza) qual você acha que estava contido nessa decisão da qual mais se orgulha?
– os dados foram classificados e agrupados nas seguintes categorias: A primeira categoria
Tristeza evidenciando o total de 17 e 6%; a segunda categoria Surpresa demonstra 31 e 65%;
enquanto a terceira categoria Raiva com 65 e 23%; seguido de Medo a quarta categoria com
79 e 29%; a quinta categoria Aversão não teve; a sexta categoria Alegria foi a maior com 72 e
26%; a sétima categoria Outros é de 11 e 4% e a oitava e última categoria N/R com 2 e 1%.
Baseado nas informações dos respondentes, constatou-se que das emoções contida na decisão
que se orgulha, medo, foi apontado o maior número, com 79 casos (29%), tal qual aponta a
Figura 14:
Já no quarto incidente crítico (4) Qual a decisão profissional que você tomou que mais se
arrependeu? Por quê? – os dados foram classificados e agrupados nas seguintes categorias: De
acordo com a Figura 15, a primeira categoria Clientes evidenciando o total de 9 e 4%; a
segunda categoria Funcionários demonstra 22 e 10%; enquanto a terceira categoria
Comportamento foi a maior contando com 73 e 32%; seguido de Carreira a quarta categoria
65 e 28%; a quinta categoria Empresa com 15 e 7%; a sexta categoria Liderança com 6 e 3%;
a sétima categoria Estratégia é de 15 e 7% e a oitava e última categoria Outras e 24 e 24%.
Constatou-se nos relatos obtidos a decisão profissional que mais se arrependeu categorizada
como comportamento, com 73 casos (32%).
83
Com relação ao quinto incidente crítico (5) Das emoções (alegria, medo, nojo, raiva, surpresa
ou tristeza) qual você acha que estava contido nessa decisão da qual você mais se arrependeu?
– os dados foram classificados e agrupados nas seguintes categorias: A primeira categoria
Tristeza evidenciando o total de 68 e 26%; a segunda categoria Surpresa demonstra 21 e 8%;
enquanto a terceira categoria Raiva foi a maior com 84 e 32%; seguido de Medo a quarta
categoria com 55 e 21%; a quinta categoria Aversão 2 e 1%; a sexta categoria Alegria com 10
e 4%; a sétima categoria Outros não teve e a oitava e última categoria N/R com 20 e 8%.
Com base nas falas dos respondentes (Figura 16), verificou-se que as emoções contidas na
decisão que se arrependeu, raiva, representou o maior número, com 84 casos (32%):
O sexto e último incidente crítico (6) Em ambos os casos, tanto na decisão da qual você se
orgulha, quanto na decisão da qual se arrependeu, o que você aprendeu? – os dados foram
classificados e agrupados nas seguintes categorias: A primeira categoria Análise evidenciando
o total de 39 e 17%; a segunda categoria Confiança demonstra 11 e 5%; enquanto a terceira
categoria Paciência conta com 17 e 8%; seguido de Decisão a quarta categoria com 50 e 22%;
a quinta categoria Risco com 7 e 3%; a sexta categoria Crença com 50 e 22%; a sétima
categoria Emoção de acordo com a Figura 17, é de 39 e 17% e a oitava e última categoria
Outras e 10 e 4%.
Nesse caso, de todas as classificações dos IC decorrentes das narrações dos respondentes, as
categorias que mais se destacaram no estudo proposto foram processo; carreira;
comportamento; crença medo e raiva, demonstradas nas Figuras 12, 13, 14, 15 16 e 17.
A literatura (Bechara, Damasio e Damasio, 2000; Damasio, 1994, 2012; Ekman 2007; Frijda,
1988; Lazarus 1991; Loewenstein et al., 2013; Simon, 1955, 1977, 1990; Singh, 2018) tem
apontado a importância relacionada aos processos organizacionais, na carreira e
comportamento demonstrando ser elemento dos tipos de decisões tomadas pelos
empreendedores influenciados pelas emoções medo e raiva.
85
O processo de valor agregado reúne atividades que têm alto nível contributivo na tomada de
decisão. Portanto, a participação do empreendedor é fundamental nessa agregação e
mapeamento de processos (DAMASIO et al., 2000; KELTNER e KERNER 2010) É processo
de crença e comportamento a decisão, não podendo ser analisada separadamente das
circunstâncias que a envolvem, conhecer as características e as emoções do empreendedor
torna-se essencial à compreensão dos processos decisórios SIMON, et al., 2008; SIMON,
HOUGHTON e AQUINO, 2000)
Nesta seção são apresentados os resultados das respostas dos respondentes às comparações
emoção básica por emoção básica, como ilustra a Figura 6: “A emoção básica Surpresa
contribui [escala de valores comparativos: 1/10; 1/5; 1; 5; e 10, correspondentes a muito
menos, menos, de forma igual, mais e muito mais] do que a emoção básica Raiva e “tomar a
decisão da qual me arrependi”. O conjunto de todas as respostas é analisado matemática e
matricialmente pelo software Determinante Causal que dá como output a classificação das
preferências analíticas do respondente ordenadas pelo valor do Emach, o índice que varia de -
1 a 4, onde -1 indica a causa raiz, valores negativos indicam fatores causais e valores
positivos indicam fatores espúrios que nada têm a ver com a análise ou efeitos. A Tabela 5
mostra o extrato das respostas de 227 empreendedores pesquisados. Cabe destacar que pode
haver duplicidade causal como é o caso do respondente R05 que atribuiu à Raiva e à Alegria
causas raízes da tomada de decisão da qual mais se arrependeu.
Tabela 5 – Extrato da tabulação dos resultados pela análise pelo DC (todos os respondentes)
Legenda: Variável: lista das emoções básicas apresentadas ao respondente para comparação pelo Determinante
Causal; R999: Valores de Emach decorrentes da análise, por Respondente: -1 (verde) causa raiz. Valores
negativos (amarelo), fatores causais. Valores positivos (azul) efeitos; -1: quantidade de causas raiz por emoção
básica; %: porcentagem relativa ao total de quantidade de causas raiz; Média; valor médio dos Emachs da
emoção básica; a vermelho valores negativos ou causais; DP: desvio padrão dos Emachs da emoção básica.
Fonte: Elaborada pela autora (2021)
86
Nas análises das hipóteses e testes estatísticos foi utilizado: o Teste Binomial: duas
proporções no programa BioEstat (versão 5.0), software específico de resolução de situações
que envolvam estatística e bioestatística, outro fator considerado na escolha é que de domínio
público apesentado em Língua Portuguesa. O nível de significância foi estabelecido em 5%
(p<0,05). De acordo com Ayres et al. (2007), o BioEstat solidifica-se em ferramenta didática
quase obrigatória devida, sobretudo, à facilidade de sua aplicação e interpretação dos
fenômenos biológicos, sejam de ordem observacional, quer de natureza experimental.
A obtenção dessa análise pelo software BioEstat mostrou-se de grande eficácia, possível com
o número mínimo de etapas, resultados apresentados de forma clara e didática, e eficaz no
auxílio das disciplinas de Estatísticas na graduação, devido sua praticidade e aplicabilidade
em diversas áreas.
Essas características podem conferir ao BioEstat alta demanda de aquisição e utilização. Neste
sentido, devido a qualidade e facilidade apresentada pelo BioEstat, ele passou a ser
empregado pelos pesquisadores no tratamento e apresentação e seus dados.
A característica do BioEstat nesse teste é que expõe os resultados das comparações de médias
em formas gráficas, facilitando o entendimento e aplicação destes resultados. Salienta-se que
as variáveis definidas na análise foram reunidas sobre diferentes perspectivas da afetividade
positiva e negativa nos processos decisórios que forneceu base ao formular as hipóteses, a
demonstração da tese ocorreu com a não rejeição delas.
87
A primeira hipótese testada foi a seguinte: (H1a) A proporção de empreendedores que têm a
raiva como principal emoção que influenciou tomada de decisão errada não difere de 95% ao
nível de significância de 0.05.
Ao testar se a proporção de empreendedores que têm a raiva como principal emoção que
influenciou tomada de decisão errada não difere de 95% se utilizou o teste binomial de duas
proporções (Figura 18) tendo a amostra 1 a quantidade de 217 casos observados na emoção
básica Raiva num total de 239 casos apontados como causa raiz (Tabela 5) e a Amostra 2 a
quantidade de 227 casos em 239 correspondente a 95% . O valor exato seria 227.05.
Figura 18 - Outupt do teste binomial de duas proporções para testar a hipótese H1a desenvolvido no BioEstat.
O resultado pelo p-value bilateral de 0.0752 mostra que não há diferença significativa entre as
proporções p1 e p2 ao nível de significância de 0.05 pelo que não se rejeita a hipótese H1a, ou
seja:
88
A proporção de empreendedores que têm a raiva como principal emoção que influenciou
tomada de decisão errada não difere de 95% ao nível de significância de 0.05. Esta hipótese
poderia ser considerada não rejeitada se levar em conta que a causa raiz Raiva foi apontada
por 217 dos 227 respondentes o que corresponde a proporção de 95,6%.
Esse resultado comprova a literatura pesquisada de (Elster, 2009; Haidt 2003; Saaty 2017),
que diz que a emoção tem forte influência na tomada de decisão. E por mais racionais que os
indivíduos tentem agir na tomada de decisão, eles raramente o serão. A emoção primária raiva
Ekman (2007) acredita no esforço encarregado por conduzir o indivíduo a agir e vencer as
dificuldades de maneira positiva ou negativa. Ela causa expectativas e desejos frustrados,
embora importante que o sujeito responda às circunstâncias que estão atrapalhando sua vida
(SIMON, 1965; SINGH, 2018).
Essas informações provam o conceito apresentado por (Averill, 1982) que no ambiente
organizacional a raiva é comumente experimentada, corroborando com os achados sendo
fonte de situações frustrantes e indutoras de ações comportamentais. Aqueles cuja atividade é
interagir com outras pessoas, por exemplo, sentem raiva nessa esfera, com mais frequência do
que qualquer outra pessoa (ALLCORN, 1994; SLOAN, 2004).
Sendo assim, pode-se afirmar que a proporção de empreendedores que têm a raiva como
principal emoção que influenciou tomada de decisão errada não difere de 95% ao nível de
significância de 0.05.
A segunda hipótese testada (H1b) afirma que a proporção de empreendedores que têm a raiva
ou o medo como principais emoções que influenciou tomada de decisão errada não difere de
99% ao nível de significância de 0.05. Tendo em conta testar se a proporção de
empreendedores que têm a raiva ou o medo como principais emoções que influenciam tomada
de decisão errada não difere de 99% se utilizou o teste binomial de duas proporções (Figura
19) tendo a Amostra 1 a quantidade de 232 casos observados (soma de 217 casos com a
emoção básica Raiva mais 15 casos com a emoção básica Medo) no total de 239 casos como
89
causa raiz (Tabela 5) e a Amostra 2 a quantidade de 237 casos em 239 correspondente a 99%.
O valor exato seria 236.61.
Figura 19 - Outupt do teste binomial de duas proporções para testar a hipótese H1b desenvolvido no BioEstat.
O resultado pelo p-value bilateral de 0.0925 mostra que não há diferença significativa entre as
proporções p1 e p2 ao nível de significância de 0.05 pelo que não se rejeita a hipótese H1b, ou
seja: a proporção de empreendedores que têm a raiva ou o medo como principais emoções que
influenciou tomada de decisão errada não difere de 99% ao nível de significância de 0.05.
Isso valida os estudos realizados por (Ekman, 2007), que no caso da emoção primária medo,
os indivíduos expressam ao se deparar com a situação perigosa que ameaça seu bem-estar.
Essa acontece em decorrência da antecipação do dano físico ou psicológico.
Atestando as informações de (Singh, 2018; Zollo et al., 2017) as emoções com valorização
negativa e positiva são necessárias: as primeiras porque fornecem motivação na revisão
dessas estruturas; as últimas porque aumentam a capacidade de conduzir o processamento
cognitivo necessário. Argumentos semelhantes são apresentados na literatura sobre a
90
Essas informações provam o conceito apresentado por (Singh, 2018) de que as pessoas estão
sujeitas a sentir raiva e medo, tendo em vista que o indivíduo determina relações afetivas em
todos os níveis da vida e inclina-se a criar expectativas, que quando não são atendidas, elas
podem se revelar. Sendo essas emoções influentes na tomada de decisão errada dos
empreendedores.
Posto isso, pode-se declarar que a proporção de empreendedores que têm a raiva ou o medo
como principais emoções que influenciou tomada de decisão errada não difere de 99% ao
nível de significância de 0.05.
Tabela 6 - Extrato da tabulação dos resultados pela análise DC (respondentes masculinos (M) e femininos (F))
Legenda: Variável: lista das emoções básicas apresentadas ao respondente para comparação pelo Determinante
Causal; R999: Valores de Emach decorrentes da análise, por Respondente: -1 (verde) causa raiz. Valores
negativos (amarelo), fatores causais. Valores positivos (azul) efeitos; -1: quantidade de causas raiz por emoção
básica; %: porcentagem relativa ao total de quantidade de causas raiz; Média; valor médio dos Emachs da
emoção básica; a vermelho valores negativos ou causais; DP: desvio padrão dos Emachs da emoção básica.
Fonte: Elaborada pela autora (2021)
Levando em conta testar essa hipótese, inicialmente se estratificou os dados da Tabela 5 por
gênero (masculino M e feminino F) tendo resultado nos valores exibidos na Tabela 6. Foi
usado o teste binomial de duas proporções, como ilustra a Figura 20, tendo a amostra 1 os 95
casos observados em 107 casos totais do gênero masculino e a amostra 2 os 122 casos
observados em 132 casos totais do gênero feminino.
O resultado pelo p-value bilateral de 0.3332 mostra que não há diferença significativa entre as
proporções p1 e p2 ao nível de significância de 0.05 pelo que não se rejeita a hipótese H1c, ou
seja: não há diferença significativa entre a proporção de empreendedores que têm a raiva
como principal emoção que influenciou tomada de decisão errada considerando o gênero do
respondente ao nível de significância de 0.05.
92
Figura 20 - Outupt do teste binomial de duas proporções para testar a hipótese H1c desenvolvido no BioEstat.
O teste confirmou H1c ao demonstrar a diferença dos processos decisórios por gênero é
assunto com pontos de vistas diferentes entre os autores. Porém, (Gatewood et al., 2003;
Welch (2002) destacam que os estilos de tomada de decisão masculino e feminino são rótulos
e na verdade percebe-se que nas organizações os empreendedores utilizam-se de ambos
atributos. No gênero masculino, os traços principais consistiriam na urgência na ação com
fundamento em escassas informações disponíveis, sem consultar outras pessoas e analisar
possíveis opções (AHL, 2006). Já no gênero feminino, os traços consistiriam na desaceleração
na ação em função da utilidade de consultar alternativas, procura por informações que apoiem
a decisão, análise de opiniões e apreensão com os custos envolvidos (CROSON e GNEEZY,
2009).
Por fim testou-se a hipótese (H1d) que afirma que o medo é a segunda principal emoção que
mais influenciou a tomada de decisão errada por empreendedores.
O teste desta hipótese pode ser feito utilizando-se os dados da Tabela 7 que coligiu os dados
das Tabelas 5 e 6 e onde pode-se observar que, tanto casos estratificados por gênero como
casos de todos os respondentes, o Medo é a emoção que vem sempre em segundo lugar.
Por outro lado, mostram as médias dos Emachs das emoções na Tabela 7, apenas as emoções
Raiva e Medo apresentaram resultados negativos o que significa que estas emoções são
causais, pelo que não se rejeita a hipótese H1d: o medo é a segunda principal emoção que
mais influenciou a tomada de decisão errada por empreendedores.
94
Tabela 7 - Extrato da tabulação dos resultados pela análise pelo DC (respondentes masculinos (M) e femininos
(F) e todos os respondentes)
Legenda: Variável: lista das emoções básicas apresentadas ao respondente para comparação pelo Determinante
Causal; R999: Valores de Emach decorrentes da análise, por Respondente: -1 (verde) causa raiz. Valores
negativos (amarelo), fatores causais. Valores positivos (azul) efeitos; -1: quantidade de causas raiz por emoção
básica; %: porcentagem relativa ao total de quantidade de causas raiz; Média; valor médio dos Emachs da
emoção básica; a vermelho valores negativos ou causais; DP: desvio padrão dos Emachs da emoção básica.
Fonte: Elaborada pela autora (2021)
Este resultado apoia autores como (Shaver et al., 1987) onde o medo evoca sentimentos de
fraqueza e impotência sobre evento futuro e superestimação da probabilidade do resultado
ruim (Bar-Tal, 2013) ou a quantidade de risco na situação (HUANG, SOUITARIS e
BARSADE, 2019; LERNER e KELTNER, 2001).
Além disso, o medo pode motivar a ação empreendedora quando os atores tentam atrasar ou
evitar o fracasso ou sair da situação de fracasso sancionando os estudos de (CACCIOTTI e
HAYTON, 2015; HUANG, SOUITARIS e BARSADE, 2019). Isso ocorre porque o medo
gera foco nas perdas (Camerer, 2005) e tem sido associado à redução do acerto e da falta de
exatidão nos processos decisórios (DE CASTELLA, BYRNE e COVINGTON, 2013).
Atestou-se que o medo acarreta consequências negativas nos empreendimentos, confirmando
a conceituação da influência do medo na tomada de decisão errada pelos empreendedores
(MITCHELL e SHEPHERD, 2011) e constando a hipótese H1.
Desta forma as hipóteses não foram rejeitadas, posto isto, perfazendo-se que as hipóteses do
estudo foram todas validadas pelas medidas de correlação e pelos testes no BioEstat. Diante
dos dados coletados e das análises realizadas, conclui-se que a tese de que a raiva é a emoção
primária que mais influencia as decisões dos empreendedores.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta seção compreende as considerações finais desta tese e ajuda a compreensão do processo.
Está fragmentada em partes, a primeira evidencia os objetivos (geral e específicos) propostos
nessa tese e os argumentos demonstrados no cumprimento deles. Em seguida a conclusão no
atendimento da proposta de pesquisa com considerações acerca dos resultados encontrados. A
segunda parte salienta as implicações, enquanto a terceira e última parte relata as limitações
advindas dos recortes do tema, recomendações futuras e aprofundamento do conhecimento
sobre o assunto.
97
5.1 Conclusões
Esse método é consistente com a pesquisa empírica que apontou que vai além dos
estritamente baseados na razão e são resultados de avaliações intuitivas, automáticas e
emocionais. Estar em estado emocional pode fazer com que o tomador processe as
informações relevantes de forma menos completa e meticulosa; consequentemente, a precisão
das escolhas pode ser afetada.
Nesse contexto, o objetivo geral dessa pesquisa foi investigar a emoção primária que mais
influencia as decisões dos empreendedores, por meio do software Determinante Causal (DC)
foram identificadas as emoções primárias nos fatores causais e o fator principal ou causa raiz
da decisão que os empreendedores mais se arrependeram. Os resultados mostram que a
emoção primária raiva foi a que mais influenciou a tomada de decisão dos empreendedores, é
importante tecer considerações quanto aos desfechos alcançados. Nesse escopo, a discussão
dos resultados apresentados revela importantes particularidades.
Além do objetivo geral, foram estabelecidos quatro objetivos específicos que foram atingidos
ao longo do trabalho. O primeiro era compreender a constituição das emoções no processo
98
Condizente com Kahneman (1982) saber decidir é essencial na vida dos indivíduos. Entende-
se o processo decisório do mesmo modo é constante na vida dos empreendedores, o que
atinge o objetivo específico estabelecido. Simon (1959) segue dizendo, que eles se
evidenciam por exigir rapidez, e intenção de diminuir o risco e acertar o objetivo (BARON,
2007; WEST, ACAR e CARUANA, 2020)
Pode-se afirmar, empreendedores têm a raiva como principal emoção influenciada a tomada
de decisão errada: a proporção não difere de 95% ao nível de significância de 0.05, referindo-
se a essa hipótese. Essas informações provam o conceito apresentado por (Averill, 1982) no
99
Sobre a proporção de empreendedores que têm a raiva ou o medo como principais emoções
que influenciaram tomada de decisão errada observou-se: não difere de 99% ao nível de
significância de 0.05. Isso valida os estudos realizados por (Bachkirov, 2015; Flam, 1993;
Lazarus, 1991) e verifica-se que a raiva e o medo são frequentemente experimentados pelos
empreendedores (Skinner, 2004) e tem forte impacto no desempenho organizacional (Baruch
e Lambert, 2006).
Observou-se que o medo é a segunda principal emoção que mais influenciou a tomada de
decisão errada por empreendedores. Este resultado apoia autores como (Flam, 1993; Jackman
e Strober, 2003; Shaver et al., 1987; Vickers, 2010) onde o medo evoca sentimentos de
fraqueza e impotência sobre evento futuro. Confirmou, ainda, à definição de (Skinner, 2004) e
verificou-se que o medo é frequentemente experimentado na atividade profissional e tem forte
impacto no desempenho organizacional acarretando consequências negativas nos
empreendimentos (Cacciotti e Hayton, 2015; Camerer, 2005; De Castella, Byrne e Covington,
2013; Huang, Souitaris e Barsade, 2019) confirmando a conceituação da influência do medo
na tomada de decisão errada pelos empreendedores (BARUCH e LAMBERT, 2006;
MITCHELL e SHEPHERD, 2011; TSAI e YOUNG, 2010).
100
Com relação às hipóteses, elas foram confirmadas e quanto aos objetivos propostos da
pesquisa percebe-se que foram plenamente alcançados, como mostraram os resultados.
Finalmente, considera-se a tese que a raiva é a emoção primária que mais influencia as
decisões dos empreendedores, o modelo proposto, se confirma diante dos dados coletados,
das análises realizadas e dos desfechos confirmados.
Por fim, esse trabalho não tem a presunção de ser conclusivo sobre o assunto, mas sim
oferecer recursos no entendimento dessa temática. Almeja-se utilização de apoio no
seguimento do andamento de outros métodos relacionadas e podendo ser útil no auxílio da
procura de conhecimento e temas relacionados a influência da emoção primária na tomada de
decisão dos empreendedores.
Com base nos resultados, foi possível salientar as implicações do estudo e sugestões futuras
que são tratados nos itens posteriores.
Existem implicações teóricas provenientes de decisões que tiveram que ser consideradas no
decorrer da execução do estudo. No instante da seleção da profundeza dos métodos ou das
referências teóricas aplicadas nesta tese, apoiou-se em recortes estabelecidos na separação das
classes de exploração quanto no levantamento dos componentes de análise, que carregaram,
em si, certa proporção de parcialidade.
Apesar da temática sobre empreendedorismo vem sendo estudado em meio a muitas revisões,
devido ao papel que ocupa no desenvolvimento e administração de países e regiões, exemplo
dos estudos de Baron (2002); Bruyat e Julien (2000); Cunningham e Lischeron (1991);
Davidsson (2005); Filion (1990), Gartner (1985); Gartner (1990); Hisrich (2007); Hodgetts e
101
Dessa maneira, pondera-se dentre as implicações deste estudo, a linha teórica, a definição do
empreendedorismo é recortada a partir da temática cognitiva alinhado à escola
comportamental e cognitiva das ciências sociais do empreendedorismo, de forma teórica e
empírica. Salienta-se que a empreendedorismo cognitivo utilizadas nesta tese emergiram do
referencial teórico realizado, e foram sustentadas empiricamente com a coleta de dados por
meio dos questionários e das entrevistas narrativas, isto é, os entrevistados, a partir da
experiência empreendedora, confirmaram a coesão com a literatura.
Estar em estado de raiva ou medo pode fazer com que o ato de escolher processe as
informações relevantes de forma menos completa e atenta; por consequência, a precisão das
escolhas pode ser afetada. Por outro lado, quando sentir-se com raiva ou medo pode retardar
esse processo devido ao aumento da quantidade de informações que o tomador estará
considerando.
Apesar dos seus limites metodológicos, cumpriu-se com os objetivos aos quais se
determinava, porém próprio a toda observação explicitou as limitações que são tratadas no
item subsequente além das recomendações futuras, a seguir, serão expostas as argumentações
finais agrupadas em subseções.
102
Inerentes a qualquer trabalho as limitações são esperadas, dessa forma esse estudo tem vários
limites que indicam o potencial futuro. A amostra foi retirada da região geográfica específica
da Aglomeração Urbana de Jundiaí (AUJ), o que poderia levar a preocupações sobre a
aplicabilidade dos resultados além deste cenário. Atenua-se esta questão utilizando fontes de
dados primários e por meio de questionário e entrevistas, triangular as indagações e averiguar
sua aplicação e destaque mais amplo.
A restrição do contato direto entre pessoas e aglomerações, seja em sala de aula, reuniões ou
outra forma de união, devido à pandemia da Covid-19 limitou as pesquisas presenciais e
estimulou-se a busca de novas formas de investigação por meio de ferramentas tecnológicas,
sendo feitas de forma online (DIAS et al., 2020).
Propõe-se análises futuras a fim de serem replicadas em outras localidades geográficas dentro
e fora da Aglomeração Urbana de Jundiaí (AUJ), especialmente em capitais e regiões
metropolitanas, ampliando a área de estudo, possibilitando a verificação de recorrência dos
resultados aqui encontrados e suas aplicações.
Sendo que o propósito desse trabalho não é investigar as emoções secundárias, sugere-se
ensaios futuros de aprofundamento do papel positivo e negativo das emoções primárias e
secundárias dos empreendedores na decisão
No entendimento da sequência dessa tese, dado aos questionamentos que pairam sobre esse
tema e levando em consideração as limitações dos resultados, recomenda-se a necessidade
seguir com olhares que permitam a percepção da emoção primária na tomada de decisão dos
empreendedores das grandes empresas e da emoção secundária nos processos decisórios das
micras e pequenas, em outras cidades e regiões do país a fim de gerar subsídios e reflexões
futuras que visem aumentar informações dos empenhos e recursos de apuração desta análise,
no esforço de aperfeiçoar a competência explicativa e elucidativa daqueles que escolhem e
decidem usando fatores emocionais.
104
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115
APÊNDICE
Apêndice C: Questionário
DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO
Michele Franco
Doutoranda em Administração da UNIFACCAMP
[email protected]
122
ROTEIRO DE ENTREVISTA
1) Quais os principais tipos de decisões que você tem o hábito de tomar no ambiente de
trabalho no dia a dia?
2) Qual a decisão profissional que mais se orgulha de ter tomado? Por quê?
3) Das emoções (alegria, medo, nojo, raiva, surpresa ou tristeza) qual você acha que estava
contido nessa decisão da qual você mais se orgulha?
4) Qual a decisão profissional que você tomou que mais se arrependeu? Por quê?
5) Das emoções (alegria, medo, nojo, raiva, surpresa ou tristeza) qual você acha que estava
contido nessa decisão da qual você mais se arrependeu?
6) Em ambos os casos, tanto na decisão da qual você se orgulha, quanto na decisão da qual se
arrependeu, o que você aprendeu?
124
APÊNDICE C: QUESTIONÁRIO
QUESTIONÁRIO
DE
MUITO MUITO
MENOS IGUAL MAIS
MENOS MAIS
FORMA
do que a SURPRESA para tomar a
A TRISTEZA
P01 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a RAIVA para tomar a
A TRISTEZA
P02 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a MEDO para tomar a
A TRISTEZA
P03 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a AVERSÃO para tomar a
A TRISTEZA
P04 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a ALEGRIA para tomar a
A TRISTEZA
P05 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a RAIVA para tomar a
A SURPRESA
P06 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a MEDO para tomar a
A SURPRESA
P07 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a AVERSÃO para tomar a
A SURPRESA
P08 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a ALEGRIA para tomar a
A SURPRESA
P09 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a MEDO para tomar a
O RAIVA
P10 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a AVERSÃO para tomar a
O RAIVA
P11 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a ALEGRIA para tomar a
O RAIVA
P12 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a AVERSÃO para tomar a
A MEDO
P13 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a ALEGRIA para tomar a
A MEDO
P14 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
do que a ALEGRIA para tomar a
A AVERSÃO
P15 decisão profissional da qual me
contribui
arrependi
126
DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS
DADOS PESSOAIS
Nome Completo (opcional):
Gênero: 1=Feminino 2=Masculino
Faixa etária: 1=18-25 2=26-33 3=34-41 4=41-48 5=>49
Escolaridade: 1=Ensino Fundamental 2=Ensino Médio 3= Ensino
Superior 4= Pós Graduação 5=Mestrado 6=Doutorado
Estado civil: 1=Casado(a) 2=Solteiro(a) 3=Divorciado(a)
E-mail:
Telefone/WhatsApp (opcional):
DADOS DA EMPRESA
Nome da Empresa (opcional):
Cidade: 1= Cabreúva 2= Campo Limpo Paulista 3= Francisco Morato 4=
Itupeva 5= Jarinu 6= Jundiaí 7= Louveira 8= Várzea Paulista
Enquadramento empresa: 1=MEI (Microempreendedor individual) 2=ME –
Microempresa 3=EPP (Empresa de pequeno porte)
Setor econômico: 1=Comércio 2=Indústria 3=Serviços
Ramo de atividade: ______________________________________________