LEGISLAÇÃO
GUARDA MUNICIPAL DE BELÉM - PA
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Parágrafo único. Os bens mencionados no caput
LEGISLAÇÃO abrangem os de uso comum, os de uso especial e os
dominiais.
LEI Nº 13.022, DE 8 DE AGOSTO DE 2014. Art. 5º São competências específicas das guardas
municipais, respeitadas as competências dos órgãos
federais e estaduais:
Presidência da República I - zelar pelos bens, equipamentos e prédios públicos do
Município;
Casa Civil
II - prevenir e inibir, pela presença e vigilância, bem como
Subchefia para Assuntos Jurídicos
coibir, infrações penais ou administrativas e atos
infracionais que atentem contra os bens, serviços e
Dispõe sobre o Estatuto Geral das instalações municipais;
Guardas Municipais III - atuar, preventiva e permanentemente, no território
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o do Município, para a proteção sistêmica da população
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: que utiliza os bens, serviços e instalações municipais;
CAPÍTULO I IV - colaborar, de forma integrada com os órgãos de
segurança pública, em ações conjuntas que contribuam
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES com a paz social;
Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para as guardas V - colaborar com a pacificação de conflitos que seus
municipais, disciplinando o §8º do art. 144 da integrantes presenciarem, atentando para o respeito aos
Constituição Federal. direitos fundamentais das pessoas;
Art. 2º Incumbe às guardas municipais, instituições de VI - exercer as competências de trânsito que lhes forem
caráter civil, uniformizadas e armadas conforme previsto conferidas, nas vias e logradouros municipais, nos
em lei, a função de proteção municipal preventiva, termos da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997
ressalvadas as competências da União, dos Estados e do (Código de Trânsito Brasileiro), ou de forma concorrente,
Distrito Federal. mediante convênio celebrado com órgão de trânsito
CAPÍTULO II estadual ou municipal;
DOS PRINCÍPIOS VII - proteger o patrimônio ecológico, histórico, cultural,
arquitetônico e ambiental do Município, inclusive
Art. 3º São princípios mínimos de atuação das guardas adotando medidas educativas e preventivas;
municipais:
VIII - cooperar com os demais órgãos de defesa civil em
I - proteção dos direitos humanos fundamentais, do suas atividades;
exercício da cidadania e das liberdades públicas;
IX - interagir com a sociedade civil para discussão de
II - preservação da vida, redução do sofrimento e soluções de problemas e projetos locais voltados à
diminuição das perdas; melhoria das condições de segurança das comunidades;
III - patrulhamento preventivo; X - estabelecer parcerias com os órgãos estaduais e da
IV - compromisso com a evolução social da comunidade; União, ou de Municípios vizinhos, por meio da
e celebração de convênios ou consórcios, com vistas ao
desenvolvimento de ações preventivas integradas;
V - uso progressivo da força.
XI - articular-se com os órgãos municipais de políticas
CAPÍTULO III sociais, visando à adoção de ações interdisciplinares de
DAS COMPETÉNCIAS segurança no Município;
inferior ao disposto no inciso Art. 4º É competência geral XII - integrar-se com os demais órgãos de poder de
das guardas municipais a proteção de bens, serviços, polícia administrativa, visando a contribuir para a
logradouros públicos municipais e instalações do normatização e a fiscalização das posturas e
Município. ordenamento urbano municipal;
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XIII - garantir o atendimento de ocorrências Parágrafo único. Se houver redução da população
emergenciais, ou prestá-lo direta e imediatamente referida em censo ou estimativa oficial da Fundação
quando deparar-se com elas; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é
garantida a preservação do efetivo existente, o qual
XIV - encaminhar ao delegado de polícia, diante de
deverá ser ajustado à variação populacional, nos termos
flagrante delito, o autor da infração, preservando o local
de lei municipal.
do crime, quando possível e sempre que necessário;
Art. 8º Municípios limítrofes podem, mediante consórcio
XV - contribuir no estudo de impacto na segurança local,
público, utilizar, reciprocamente, os serviços da guarda
conforme plano diretor municipal, por ocasião da
municipal de maneira compartilhada.
construção de empreendimentos de grande porte;
Art. 9º A guarda municipal é formada por servidores
XVI - desenvolver ações de prevenção primária à
públicos integrantes de carreira única e plano de cargos
violência, isoladamente ou em conjunto com os demais
e salários, conforme disposto em lei municipal.
órgãos da própria municipalidade, de outros Municípios
ou das esferas estadual e federal; CAPÍTULO V
XVII - auxiliar na segurança de grandes eventos e na DAS EXIGÊNCIAS PARA INVESTIDURA
proteção de autoridades e dignatários; e
Art. 10. São requisitos básicos para investidura em cargo
XVIII - atuar mediante ações preventivas na segurança público na guarda municipal:
escolar, zelando pelo entorno e participando de ações
I - nacionalidade brasileira;
educativas com o corpo discente e docente das unidades
de ensino municipal, de forma a colaborar com a II - gozo dos direitos políticos;
implantação da cultura de paz na comunidade local. III - quitação com as obrigações militares e eleitorais;
Parágrafo único. No exercício de suas competências, a IV - nível médio completo de escolaridade;
guarda municipal poderá colaborar ou atuar
conjuntamente com órgãos de segurança pública da V - idade mínima de 18 (dezoito) anos;
União, dos Estados e do Distrito Federal ou de VI - aptidão física, mental e psicológica; e
congêneres de Municípios vizinhos e, nas hipóteses
previstas nos incisos XIII e XIV deste artigo, diante do VII - idoneidade moral comprovada por investigação
comparecimento de órgão descrito nos incisos do caput social e certidões expedidas perante o Poder Judiciário
do art. 144 da Constituição Federal , deverá a guarda estadual, federal e distrital.
municipal prestar todo o apoio à continuidade do Parágrafo único. Outros requisitos poderão ser
atendimento. estabelecidos em lei municipal.
CAPÍTULO IV CAPÍTULO VI
DA CRIAÇÃO DA CAPACITAÇÃO
Art. 6º O Município pode criar, por lei, sua guarda Art. 11. O exercício das atribuições dos cargos da guarda
municipal. municipal requer capacitação específica, com matriz
Parágrafo único. A guarda municipal é subordinada ao curricular compatível com suas atividades.
chefe do Poder Executivo municipal. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput , poderá
Art. 7º As guardas municipais não poderão ter efetivo ser adaptada a matriz curricular nacional para formação
superior a: em segurança pública, elaborada pela Secretaria
Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da
I - 0,4% (quatro décimos por cento) da população, em Justiça.
Municípios com até 50.000 (cinquenta mil) habitantes;
Art. 12. É facultada ao Município a criação de órgão de
II - 0,3% (três décimos por cento) da população, em formação, treinamento e aperfeiçoamento dos
Municípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) e menos integrantes da guarda municipal, tendo como princípios
de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, desde que o norteadores os mencionados no art. 3º .
efetivo não seja inferior ao disposto no inciso I;
§1º Os Municípios poderão firmar convênios ou
III - 0,2% (dois décimos por cento) da população, em consorciar-se, visando ao atendimento do disposto no
Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) caput deste artigo.
habitantes, desde que o efetivo não seja II.
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§2º O Estado poderá, mediante convênio com os CAPÍTULO VIII
Municípios interessados, manter órgão de formação e
DAS PRERROGATIVAS
aperfeiçoamento centralizado, em cujo conselho gestor
seja assegurada a participação dos Municípios Art. 15. Os cargos em comissão das guardas municipais
conveniados. deverão ser providos por membros efetivos do quadro
de carreira do órgão ou entidade.
§3º O órgão referido no §2º não pode ser o mesmo
destinado a formação, treinamento ou aperfeiçoamento §1º Nos primeiros 4 (quatro) anos de funcionamento, a
de forças militares. guarda municipal poderá ser dirigida por profissional
estranho a seus quadros, preferencialmente com
CAPÍTULO VII
experiência ou formação na área de segurança ou defesa
DO CONTROLE social, atendido o disposto no caput .
Art. 13. O funcionamento das guardas municipais será §2º Para ocupação dos cargos em todos os níveis da
acompanhado por órgãos próprios, permanentes, carreira da guarda municipal, deverá ser observado o
autônomos e com atribuições de fiscalização, percentual mínimo para o sexo feminino, definido em lei
investigação e auditoria, mediante: municipal.
I - controle interno, exercido por corregedoria, naquelas §3º Deverá ser garantida a progressão funcional da
com efetivo superior a 50 (cinquenta) servidores da carreira em todos os níveis.
guarda e em todas as que utilizam arma de fogo, para
Art. 16. Aos guardas municipais é autorizado o porte de
apurar as infrações disciplinares atribuídas aos
arma de fogo, conforme previsto em lei.
integrantes de seu quadro; e
Parágrafo único. Suspende-se o direito ao porte de arma
II - controle externo, exercido por ouvidoria,
de fogo em razão de restrição médica, decisão judicial ou
independente em relação à direção da respectiva
justificativa da adoção da medida pelo respectivo
guarda, qualquer que seja o número de servidores da
dirigente.
guarda municipal, para receber, examinar e encaminhar
reclamações, sugestões, elogios e denúncias acerca da Art. 17. A Agência Nacional de Telecomunicações
conduta de seus dirigentes e integrantes e das atividades (Anatel) destinará linha telefônica de número 153 e faixa
do órgão, propor soluções, oferecer recomendações e exclusiva de frequência de rádio aos Municípios que
informar os resultados aos interessados, garantindo-lhes possuam guarda municipal.
orientação, informação e resposta. Art. 18. É assegurado ao guarda municipal o
§1º O Poder Executivo municipal poderá criar órgão recolhimento à cela, isoladamente dos demais presos,
colegiado para exercer o controle social das atividades de quando sujeito à prisão antes de condenação definitiva.
segurança do Município, analisar a alocação e aplicação CAPÍTULO IX
dos recursos públicos e monitorar os objetivos e metas
da política municipal de segurança e, posteriormente, a DAS VEDAÇÕES
adequação e eventual necessidade de adaptação das Art. 19. A estrutura hierárquica da guarda municipal não
medidas adotadas face aos resultados obtidos. pode utilizar denominação idêntica à das forças
§2º Os corregedores e ouvidores terão mandato cuja militares, quanto aos postos e graduações, títulos,
perda será decidida pela maioria absoluta da Câmara uniformes, distintivos e condecorações.
Municipal, fundada em razão relevante e específica CAPÍTULO X
prevista em lei municipal.
DA REPRESENTATIVIDADE
Art. 14. Para efeito do disposto no inciso I do caput do
art. 13, a guarda municipal terá código de conduta Art. 20. É reconhecida a representatividade das guardas
próprio, conforme dispuser lei municipal. municipais no Conselho Nacional de Segurança Pública,
no Conselho Nacional das Guardas Municipais e, no
Parágrafo único. As guardas municipais não podem ficar interesse dos Municípios, no Conselho Nacional de
sujeitas a regulamentos disciplinares de natureza militar. Secretários e Gestores Municipais de Segurança Pública.
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CAPÍTULO XI
DISPOSIÇÕES DIVERSAS E TRANSITÓRIAS
Art. 21. As guardas municipais utilizarão uniforme e
equipamentos padronizados, preferencialmente, na cor
azul-marinho.
Art. 22. Aplica-se esta Lei a todas as guardas municipais
existentes na data de sua publicação, a cujas disposições
devem adaptar-se no prazo de 2 (dois) anos.
Parágrafo único. É assegurada a utilização de outras
denominações consagradas pelo uso, como guarda civil,
guarda civil municipal, guarda metropolitana e guarda
civil metropolitana.
Art. 23. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 8 de agosto de 2014; 193º da Independência e
126º da República.
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Miriam Belchior
Gilberto Magalhães Occhi
Este texto não substitui o publicado no DOU de
11.8.2014 - Edição extra
www.lojadoconcurseiro.com.br
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