Tuberculose Pulmonar
Profa. Dra. Bruna Gabriele Biffe
Definição
A tuberculose é uma doença infectocontagiosa que pode ser causada por qualquer
uma das sete espécies do “complexo Mycobacterium tuberculosis”: M. tuberculosis,
M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. Pinnipedi e M. caprae.
A etiologia mais importante é o Mycobacterium tuberculosis (Mtb)/Bacilo de Koch,
cuja principal característica é a preferência pelo parênquima pulmonar e a
transmissão de pessoa a pessoa através da inalação de partículas de aerossol
contaminadas, as quais são produzidas pela tosse, espirro ou fala do paciente
“bacilífero”.
⇝ M. tuberculosis é um agente eminentemente patogênico, que
vive do parasitismo de seu único reservatório – o ser humano.
Por ser estritamente aeróbio, o bacilo de Koch procura
microambientes com altas tensões de O2, com os ápices
pulmonares. De todos os infectados, somente cerca de 5-10%
adoecem, com muitos se tornando fontes de infecção.
Características da Doença
➢ A doença apresenta algumas características marcantes
como:
✓ Período de latência entre a infecção inicial e a
apresentação clínica da doença.
✓ Preferência pelos pulmões, mas também pode ocorrer em
outros órgãos do corpo como ossos, rins, intestino delgado
e meninges.
✓ Resposta granulomatosa associada à intensa inflamação e
lesão tissular.
Patogenia - Transmissão
A transmissão aerógena da tuberculose
Partículas Partículas Partículas maiores
levitantes infectantes que se depositam
Raios solares
infravermelhos
e ultravioletas
“matam” os
FOCO bacilos.
(+++)
CONTATO
Patogenia - Transmissão
➺ A chance de uma pessoa se infectar após contato com um paciente bacilífero
depende:
1. Da concentração de bacilos expelidos pelo paciente tuberculoso;
2. Da intensidade e frequência do contato;
3. De condições ambientais;
4. Da resistência natural do indivíduo exposto.
Eliminação de bacilos pela fonte:
➢ A maioria dos indivíduos infectados pelo BK (“prova tuberculínica positiva”) não é
bacilífera→não transmite a doença.
➢ Apenas os que desenvolvem “tuberculose-doença” podem eliminar bacilos e
transmiti-los.
✓ Contudo, dos que adoecem, nem todos eliminam bacilos.
Patogenia - Transmissão
➺ Os chamados multibacilíferos (representados principalmente pela forma cavitária
da doença) são definidos pela presença de baciloscopia positiva no escarro (“BAAR
positivos”).
✓ Estes são os principais responsáveis pela transmissão da tuberculose.
➺ Os chamados paucibacilíferos (geralmente as formas não cavitárias) são definidos
pela baciloscopia do escarro negativa, mas com cultura positiva.
A chance de transmissão domiciliar: Crianças com TB pulmonar de um modo
50% quando a fonte é multibacilífera geral NÃO são bacilífera→não
5% quando a fonte é paucibacilífera. desempenham papel importante na cadeia
de transmissão.
Estima-se que pelo menos 20-200 bacilos Criança doente: deve-se procurar o adulto
sejam necessários para desencadear o processo que lhe transmitiu a infecção (geralmente
patogênico. algum contato intradomiciliar
Contudo: quanto maior o inóculo de bacilos e multibacilífero).
menor a resistência natural do contactante,
maior a chance de infecção.
Os contatos esporádicos raramente são
infectados, enquanto os contatos diários e
domiciliares comumente o são.
Patogenia – Transmissão→Infecção
Aerossóis contendo Mtb
A maioria dos bacilos inalados são retidos pelas barreiras físicas
que promove a exclusão das partículas para o exterior.
Algumas bactérias não são retidas, sendo aspiradas para o
interior do pulmão.
Bacilo chega aos alvéolos.
Os bacilos são rapidamente detectados e
Infecção fagocitados por macrófagos alveolares.
Patogenia - Infecção
Nidação do bacilo no alvéolo
Crescimento livre
FASE SEM IMUNIDADE ESPECÍFICA
Os bacilos são rapidamente detectados e fagocitados por
macrófagos alveolares.
➺ Os fagócitos são incapazes de destruir ou mesmo inativar o bacilo, que então se prolifera
livremente em seu interior.
➺ Acúmulo de bacilos: célula se rompe e morre, liberando-os para infectar outros macrófagos.
↪ Novos fagócitos são atraídos para o local, desenvolvendo-se um pequeno foco
pneumônico (imperceptível na radiografia) cujo número de bacilos pode ultrapassar 100 mil.
➺ A imunidade específica ainda não está instalada→proliferação bacilar é alta.
➺ Os bacilos são drenados para linfonodos hilares e mediastinais, onde continuam se
proliferando no interior de macrófagos.
↪ Posteriormente, atingem a corrente sanguínea→chegam à diversos órgãos e
sistemas, nos quais também começam a se proliferar.
Patogenia - Infecção→Disseminação
↪Por meio da circulação sanguínea chegam à tecidos mais distantes.
➺ Ossos, rins, intestino delgado e meninges.
Patogenia - Surgimento da Imunidade
➺ Em 90% dos
➺ Após 3-8 semanas, casos, a infecção
a imunidade celular
Formação do granuloma caseoso:
tuberculosa será
específica se
efetivamente
desenvolve
controlada em todos
plenamente,
esses focos,
permitindo uma
permanecendo o
defesa eficaz contra o
paciente
M. tuberculosis.
absolutamente
Esta estrutura é caracterizada assintomático.
por níveis baixos de oxigénio,
pH e nutrientes, restringindo
o crescimento do bacilo da TB
e estabelecendo latência.
Patogenia – Liquefação Caseosa
➺ Liberação excessiva de enzimas destrutivas pelos
macrófagos ativados que circundam o foco caseoso.
➺ Os produtos da degradação do cáseo aumentam a
osmolaridade local, “puxando” água do tecido
circunjacente e transformando o material num
excelente meio de cultura (rico em nutrientes)→o
bacilo poderá se multiplicar no ambiente
extracelular.
➺ Se a lesão atingir um brônquio→destrói sua
parede→ permite a comunicação com o espaço aéreo
(rico em O2)→proliferação bacilar se exacerbará ainda
mais.
➺ Surge a caverna tuberculosa→um ambiente
propício ao acúmulo de quantidades absurdas do
bacilo de Koch, chegando a mais de um milhão por
mL.
➺ O material liquefeito é despejado na árvore
brônquica, levando à disseminação endobrônquica da
tuberculose, além de ser expelido ao meio externo,
contaminando circunstantes suscetíveis.
Classificação da Tuberculose
➢ A doença tuberculosa se desenvolve em apenas 10% dos indivíduos infectados.
✓ Tuberculose primária O sistema imune não consegue
Em 5% dos casos, a primoinfecção evolui controlar a replicação dos bacilos
diretamente para a doença que ocorre dentro dos por muito tempo, causando a
primeiros três anos da infecção, geralmente no tuberculose primária.
primeiro ano (período de incubação: um mês a três Forma clássica da doença em
anos). crianças pequenas.
✓ Tuberculose pós-primária (denominação antiga: tuberculose
secundária) O sistema imune consegue conter
Nos 5% restantes, a doença se desenvolve após as bactérias em granuloma, de
três anos da primoinfecção (geralmente décadas forma latente, podendo provocar a
depois). tuberculose pós-primaria ao
Ocorre no organismo que tem sua imunidade escapar do sistema imune.
desenvolvida tanto pela infecção natural quanto pela Ocorre quase que
BCG. exclusivamente em pessoas com
Reativação endógena de um foco latente da mais de quinze
primoinfecção. anos de idade.
Reinfecção exógena: nova carga bacilar do
exterior.
Manifestação Clínica Pulmonar
→O quadro clínico da tuberculose pulmonar primária pode ser comparado ao de uma
pneumonia atípica.
❑ Tuberculose primária: se paciente em ótimo estado, é assintomática.
✓ Paciente pode apresentar Febre baixa (38/39) e tosse seca.
❑ Sintomas frequentes:
➢ Febre.
➢ Sudorese noturna.
➢ Tosse torna-se produtiva, com o aumento da inflamação e necrose tecidual, e hemoptise.
➢ Há perda de peso progressiva, em particular de massa muscular→ cansaço.
➢ A inflamação do parênquima pulmonar poderá provocar:
✓ Dor pleurítica e aumento do volume intersticial→redução da capacidade de difusão do
pulmão→dispneia e sibilo respiratório.
Tuberculose Extrapulmonar: A tuberculose extrapulmonar tem sinais e sintomas
dependentes dos órgãos e/ou sistemas acometidos.
Diagnóstico
Manifestações clínicas.
Diagnóstico laboratorial:
✓ Exames bacteriológicos.
✓ Achados radiológicos.
✓ Histopatológicos.
✓ Imunológicos.
✓ Moleculares.
Cultura de escarro
Exame Radiográfico
➺ O foco primário regride, muitas vezes deixando uma “cicatriz”, representada por um nódulo
pequeno, geralmente calcificado – o “tuberculoma”.
➺ Este nódulo poderá ser visto na radiografia de tórax para o resto da vida.
↪ Poderá ser considerado no diagnóstico diferencial dos nódulos pulmonares
solitários.
Complicações
✓ Distúrbio ventilatório obstrutivo e/ou restritivo.
✓ Atelectasias→devido à compressão de um brônquio pela adenopatia hilar (a
compressão pode provocar edema da parede alveolar, levando à obstrução total
de seu lúmen).
✓ Pneumonia tuberculosa, devido à ruptura de um linfonodo infectado para dentro
de um brônquio.
✓ Hemoptise→corrosão de vasos pulmonares ou brônquicos que passam na parede
da “caverna tuberculosa”.
✓ Empiemas→a “caverna tuberculosa” pode se estender para a pleura, com risco de
se formar uma fístula broncopleural. A consequência imediata é o pneumotórax.
Neste caso, um número absurdamente alto de bacilos pode atingir o espaço
pleural, culminando num empiema tuberculoso. O aspecto radiológico é o de um
hidropneumotórax.
Prevenção
✓ Vacinação BCG (Bacillus Calmette-Guérin).
✓ Redução das fontes de infecção.
Tratamento
✓ Quimioprofilaxia (após 2/3
semanas de uso reduz
mecanismos de transmissão.
✓ Redução das fontes de infecção.
✓ Fisioterapia.