Multiparentalidade e Direito de Família
Multiparentalidade e Direito de Família
Tubarão
2021
AUGUSTO RAYMUNDO ALBINO
Tubarão
2021
AUGUSTO RAYMUNDO ALBINO
______________________________________________________
Camila Damasceno de Andrade, Prof. MSc.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________
Agenor de Lima Bento, Prof. Esp.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________
Terezinha Damian Antonio, Prof. MSc.
Universidade do Sul de Santa Catarina
Este trabalho é dedicado a todos que de alguma
forma me ajudaram ao longo desta caminhada.
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, a Deus, por ter permitido que eu tivesse saúde e determinação
para ultrapassar os obstáculos encontrados ao longo desta jornada.
Aos meus pais, Lucimar e Juliana, junto a minhas irmãs Isadora e Julia, pelo apoio,
força e amor incondicional. Sem vocês nada disso seria possível.
Agradeço a minha namorada Ana Paula, que jamais me negou apoio, carinho e
incentivo. Obrigado, amor da minha vida, por aguentar tantas crises existenciais.
Aos amigos, que sempre estiveram ao meu lado, pela amizade incondicional e o
apoio demonstrado ao longo de todo o período de tempo em que me dediquei a este trabalho.
A professora Camila, por ter sido minha orientadora e ter desempenhado tal função
com dedicação, compreensão e amizade.
E a todos que direta ou indiretamente fizeram parte de minha formação, o meu
muito obrigado.
“Família não é uma coisa importante. É tudo.”
(Michael J. Fox)
RESUMO
O presente estudo tem como objetivo analisar os aspectos inerentes à relação multiparental no
ordenamento jurídico brasileiro, bem como seus efeitos jurídicos. Para tanto, a pesquisa utiliza
para investigação o método exploratório, a abordagem qualitativa e o procedimento
bibliográfico. Os resultados foram obtidos a partir do estudo de institutos importantes para o
direito de família, como o parentesco e, principalmente a filiação. Com a pesquisa, constatou-
se que a filiação estabelece vínculos muito além da mera relação genética, encontrando alicerce
também nos ideais de afeto e na busca pela felicidade, caracterizando a relação socioafetiva.
Ainda, verificou-se que, por meio do conceito de filiação, surgiria no mundo jurídico a ideia de
família multiparental, formada a partir da combinação de diferentes critérios de filiação. Com
isso foi possível observar que, acompanhando a evolução da sociedade, a multiparentalidade
passou a ser admitida em âmbito doutrinário e jurisprudencial, gerando, com seu
reconhecimento, efeitos jurídicos, como o direito a alimentos, de guarda, e até mesmo o de
herança.
This study aims to analyze the aspects inherent to the multiparental relationship in the Brazilian
legal system, as well as its legal effects. Therefore, the research uses the exploratory method,
the qualitative approach and the bibliographic procedure for investigation. The results were
obtained from the study of important institutes for the family law, such as kinship and, mainly,
filiation. With the research, it was found that affiliation establishes bonds that go far beyond
the mere genetic relationship, finding a foundation also in the ideals of affection and in the
search for happiness, characterizing the socio-affective relationship. Furthermore, it was found
that through the concept of affiliation, the idea of a multiparental family would appear in the
legal world, formed from the combination of different criteria of affiliation. Thus, it was
possible to observe that, following the evolution of society, multiparenthood began to be
admitted in a doctrinal and jurisprudential scope, generating, with its recognition, legal effects,
such as the right to food, custody, and even inheritance.
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 9
1.1 DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA ............................................................... 9
1.2 PROBLEMA DE PESQUISA ...................................................................................... 10
1.3 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................ 10
1.4 OBJETIVOS................................................................................................................ 11
1.4.1 Objetivo geral .......................................................................................................... 11
1.4.2 Objetivos específicos ............................................................................................... 11
1.5 DELINEAMENTO DA PESQUISA ............................................................................ 11
1.6 ESTRUTURA DOS CAPÍTULOS ............................................................................... 12
2 FAMÍLIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO .................................. 13
2.1 BREVE HISTÓRICO .................................................................................................. 13
2.2 CONCEITO................................................................................................................. 17
2.3 PODER FAMILIAR .................................................................................................... 19
2.4 PARENTESCO ........................................................................................................... 22
3 FILIAÇÃO ................................................................................................................... 26
3.1 CONCEITO E CONTEXTO HISTÓRICO .................................................................. 26
3.2 ESPÉCIES DE FILIAÇÃO .......................................................................................... 28
4 MULTIPARENTALIDADE ........................................................................................ 34
4.1 CONCEITO E ORIGEM DA MULTIPARENTALIDADE.......................................... 34
4.2 PRINCÍPIOS NORTEADORES .................................................................................. 36
4.3 ASPECTOS E EFEITOS JURÍDICOS DO RECONHECIMENTO DA
MULTIPARENTALIDADE ................................................................................................ 40
4.3.1 Cumulação da filiação socioafetiva e biológica no registro de nascimento ........... 43
5 CONCLUSÃO .............................................................................................................. 45
REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 47
9
1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa aborda como tema o conceito de família sob a óptica da relação
multiparental e seus efeitos perante o ordenamento jurídica. Assim, inicialmente, como método
de ingresso no estudo, far-se-á, neste capítulo, a apresentação da descrição da situação problema
que envolve o tema, assim como da justificativa deste. Também, serão listados os objetivos
gerais e específicos, além dos procedimentos metodológicos da investigação. Ao final,
apresentar-se-á a estrutura dos capítulos que compõem o desenvolvimento deste trabalho.
1.3 JUSTIFICATIVA
Certamente, a definição de família vem se tornando algo cada vez mais difícil. Isso
porque as relações familiares estão mais complexas e os conceitos em torno do sentimento e
comportamento que a família representa estão cada vez mais amplos.
Veja-se, com o passar do tempo, que a ideia e o conceito de família socioafetiva abriram
espaço para inclusão de múltiplas relações parentais, não explicadas meramente por laços
biológicos. Uma delas, sem dúvida, foi e ainda vem sendo a relação multiparental.
Caracterizada como uma família com dois pais ou duas mães para a mesma criança,
durante muito tempo a multiparentalidade não recebeu a atenção que lhe era devida. Ora, não
há como negar que relações deste tipo existem há muito tempo, porém, por longo período,
sequer se pensava na relação multiparental como uma ramificação da família.
Aos poucos, contudo, houve o reconhecimento doutrinário e jurisprudencial acerca do
tema. E, sem dúvida, tal reconhecimento já confere certa garantia jurídica àqueles que vivem
nessa condição de multiparentalidade. Contudo, é certo que a ausência de previsão legal
específica deixa a desejar no que tange ao resguardo de todos os direitos daqueles que mantêm
a relação multiparental.
De fato, a situação abre margem às mais diversas especulações quanto aos direitos e
deveres decorrentes da multiparentalidade, em especial pela falta de regulamentação específica
por intermédio de lei. Assim, a pesquisa se revela de suma importância, a fim de elucidar como
vem sendo interpretado os direitos daqueles que vivem sob a forma da relação multiparental.
Destarte, a pesquisa contribui de forma significativa para a elucidação do atual entendimento
em relação a esse ponto.
11
É, assim, nessa perspectiva, que se busca com o presente estudo analisar o conceito de
família, tendo como base a relação multiparental e seus efeitos perante o ordenamento jurídico,
especialmente no tangente ao registro civil da criança, filha/filho de dois pais ou duas mães.
1.4 OBJETIVOS
Neste tópico, far-se-á a apresentação do objetivo geral, bem como dos objetivos
específicos que norteiam esta pesquisa.
A presente pesquisa apresenta como objetivo geral analisar quais os efeitos jurídicos
decorrentes do reconhecimento da relação multiparental no ordenamento jurídico brasileiro, em
especial no que diz respeito ao registro civil.
Por fim, quanto ao procedimento empregado para a coleta de dados, tem-se a utilização
da pesquisa bibliográfica, na medida em que o pesquisa se desenvolve mediante análise das
teorias já publicadas em doutrinas e artigos (GIL, 2010).
Como forma de início do estudo, no presente capítulo, tem-se por finalidade discorrer
acerca da origem e da evolução histórica da família, como as antigas, gregas e romanas,
contemporânea e a família após a Constituição Federal de 1988, mostrando-se de suma
importância a compreensão do instituto de um modo geral para assim formar um embasamento
teórico e legal sólido até o tema central deste trabalho.
Filho (2021, p. 24), “a evolução da sociedade e, com ela, da própria visão da família acabou
forçando sucessivas modificações nessa disciplina normativa”.
Após o Código de 1916, merece destaque a evolução da família nas Constituições que
o sucederem. A Constituição de 1934, precursora em relação à defesa da instituição da família,
trouxe em seu texto a obrigação do Estado brasileiro em amparar as famílias de prole numerosa,
bem como estimulou a indissolubilidade do casamento. (MALUF, C.; MALUF, A., 2021).
Por seu turno, a Constituição de 1937 igualou filhos naturais e legítimos e conferiu
proteção à infância e à juventude pelo Estado. Por sua vez, a Constituição de 1946 manteve a
ideia de que o casamento é indissolúvel, porém, inovou ao equiparar o casamento civil ao
religioso, situação que foi mantida com a Constituição de 1967. (MALUF, C.; MALUF, A.,
2021).
Certamente, merece destaque a Emenda n. 1/1969, pois apesar de manter a ideia de
casamento indissolúvel, estabeleceu a possibilidade de dissolução após prévia separação
judicial por três anos. Logo mais tarde, pela Emenda n. 2/1977, seria admitido o divórcio direto,
para separações de fato por mais de cinco anos. Aliás, com esta, se fez surgir no ordenamento
jurídico brasileiro grande inovação, que foi a Lei do Divórcio, instituída em 26 de dezembro de
1977 (Lei n. 6.515). (MALUF, C.; MALUF, A., 2021).
Por sua vez, a Carta Federal de 1988 introduziu um novo panorama de família, baseado
na experiência europeia. Certamente, trouxe inúmeras transformações, diante da nova realidade
social no mundo contemporâneo, alcançando o centro familiar, por meio de regulamentação de
novas concepções de unidade familiar, da instauração da igualdade entre homem e mulher.
(BRASIL, 1988). A pluralidade das relações familiares rompeu com o aprisionamento da
família nos padrões restritos do casamento. (PEREIRA, R., 2011).
Advém dessa pluralidade a família contemporânea e seus variados núcleos, como o
tradicional familiar que é formado por um homem e uma mulher, com um ou dois filhos, tendo
uma relação matrimonial ou não, ou o matrimônio informal, que é formado por um casal em
uma união estável. Na família homoafetiva, em que o centro é formado por pessoas do mesmo
sexo, unindo-se para a constituição de uma família, como também o núcleo adotivo que passa
a ser formada sem a presença de um ascendente, e a família monoparental é a instituição
formada por um dos pais. (PEREIRA, R., 2011).
Na esteira dos valores constitucionais da Carta Federal, também se destaca, como
evolução familiar, o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069), de 13 de
julho de 1990, conferindo ao filho, antes tratado como objeto diante do poder paterno, o caráter
de protagonista do processo educacional. Destaca-se que esta Lei também passou a regular a
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adoção no país, também com o olhar à Constituição, deixando de lado a ideia de atribuir uma
família aos menores desamparados, para assegurar o pleno desenvolvimento da criança, seja na
família natural, seja na família substituta. (TEPEDINO; TEIXEIRA, 2020).
Com as mudanças supracitadas, tem-se, por consequência, o aumento de uniões estáveis,
a diminuição de casamentos religiosos, a maior inclusão da mulher no mercado de trabalho e
na participação econômica no núcleo familiar, caminhando para um processo complexo de
remodelagem de diversos padrões estabelecidos pela sociedade ao longo do tempo.
2.2 CONCEITO
Com efeito, não houve uma recepção constitucional do conceito histórico de casamento,
sempre considerado como a única forma de constituição de família, sendo um ambiente de
alteração dos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana. Com o advento da
Carta Magna de 1988, a concepção constitucional do casamento, diferentemente do que ocorria
com os diplomas superados, deve ser necessariamente plural, porque plurais também são as
famílias e, ademais, não é o casamento o destinatário final da proteção do Estado, mas tão
somente o intermediário de um propósito maior, que é a proteção da pessoa humana em sua
inalienável dignidade. (BRASIL, 2011).
A Lei Maior, que reconheceu a união estável como instituto familiar, não foi por si só
capaz de conceder direito sucessório aos companheiros. Assim, foi necessária a criação de lei
integrativa, essencial à plenitude de sua eficácia, tendo a jurisprudência, à época, insistido em
conceder a herança do parceiro aos parentes, apenas admitindo a partilha do patrimônio
adquirido por esforço comum. (GONÇALVES, 2014).
O modelo igualitário da família constitucionalizada, segundo Lôbo (2018), contrapõe-
se ao modelo autoritário do Código Civil de 1916, pois o consenso, a solidariedade, o respeito
à dignidade das pessoas que a integram são as bases da transformação paradigmática que
inspiram o marco regulatório estampado na Constituição de 1988.
Doravante, a característica socioafetiva da filiação transforma-se em gênero,
abrangendo tanto as espécies biológicas quanto as não biológicas. A igualdade entre os gêneros
e os filhos são consumadas, reafirmando a liberdade de constituir, manter e extinguir a entidade
familiar e a liberdade de planejamento da família, sem intervenção do Estado. Portanto, a
família configura-se no espaço de realização pessoal e da dignidade humana de seus membros.
(LOBO, 2018).
No que diz respeito às Constituições passadas, a Constituição de 1946 tinha como foco
o casamento, já na Constituição de 1967, com a Emenda Constitucional de 1969, o casamento
obteve a proteção do Estado e a Constituição da República de 1988 passou a proteger tanto o
casamento, como a união estável, a família monoparental e as outras organizações familiares
(CASTANHO, 2012).
Em suma, tem-se que a Constituição Federal de 1988 instituiu a afirmação dos direitos
fundamentais e a dignidade da pessoa humana como princípios supremos e determinantes para
se construir uma sociedade livre, justa e solidária (BRASIL, 1988). Por conseguinte, o Código
Civil de 2002 fornece a mais nova compreensão da entidade familiar adaptada ao novo século,
com a igualdade dos familiares, dos filhos, adaptando o poder familiar como aquele que é
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existência de casamento civil, mas somente da filiação. Dessa feita, os filhos derivados de
famílias provenientes de união estável e da monoparental devem estar sob custódia do poder
familiar exercido pelos seus respectivos pais. (LISBOA, 2004).
Ademais, é notório que o Estado possui interesse em garantir a proteção e segurança
adequada para as novas gerações, tendo em vista que constituem a futura sociedade do país.
Portanto, o aludido instituto retrata um múnus público, pois o Estado impõe aos genitores o
poder familiar, com o objetivo de cuidar e garantir o futuro de seus filhos. (RODRIGUES,
2002). Nesse sentido, Ishida (2003, p. 50) ensina:
A imposição de deveres pela lei aos pais, com o objetivo de resguardar os filhos,
enaltece o caráter de múnus público do poder familiar, tornando-o irrenunciável indiretamente,
considerando que os pais não podem renunciá-lo pelo simples acordo de vontades entre as
partes (RODRIGUES, 2002).
Seja filho sob pátrio poder, seja órfão ou interdito, toda pessoa que não exercer os atos
da vida civil por si mesma é um incapaz, total ou parcialmente. Para tornar efetiva e concreta a
proteção a que todos eles fazem jus, a legislação prescreve procedimentos adequados. A criança
e o adolescente que, embora submetidos ao pátrio poder, não tenham seus direitos respeitados,
poderão se desvencilhar do mau exercício do múnus paterno por meio de intervenção do
Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse, consoante artigo 155 da Lei n.
8.069/90. (CARVALHO, 1995).
No que concerne às características do poder familiar, entende-se por múnus público a
ideia de função correspondente a um cargo privado, tratando-se de direito-função e de um
poder-dever, pois estaria numa posição intermediária entre o poder e o direito subjetivo. Assim,
o instituto supracitado é irrenunciável já que os genitores não podem abrir mão dele, é
inalienável ou indisponível, em virtude de que não pode ser investido a outras pessoas. (DINIZ,
2015).
21
Ainda, outra característica do poder familiar é a de ser imprescritível, logo, dele não
decaem os pais em virtude de não o exercer. Poderão, contudo, perdê-lo nas situações previstas
na legislação e em decorrência da incompatibilidade da tutela, pois veda-se a nomeação de tutor
a menor, cujo pai ou mãe não sofreram a suspensão ou destituição do poder familiar. (DINIZ,
2003). Ademais, apesar do múnus do poder familiar ser considerado irrenunciável, pode ocorrer
por meio da suspensão e destituição. Além das características supramencionadas, o poder
familiar é alienável e, a princípio, intransferível e indisponível. (LISBOA, 2004).
A partir do Código Civil de 2002, houveram mudanças significativas no cenário
familiar, sendo concedido o exercício do poder familiar de forma simultânea para ambos os
pais e secundariamente, propiciou-se, em situações de discordâncias entre os mesmos, a via
judicial (COMEL, 2003).
O fato da Constituição Federal de 1988 trazer em seu texto, mormente no artigo 226,
§5º, que durante a sociedade conjugal os direitos e deveres serão efetuados em igualdade de
condições por ambos os cônjuges, é que tal prosseguimento passou a não ser mais aceito
(BRASIL, 1988). Ademais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/90) infirma
que o poder familiar será exercido tanto pelo pai quanto pela mãe, não se baseando, portanto,
no sexo para definir as atribuições destinadas aos pais, à medida que agirem conforme a forma
disposta na legislação civil (BRASIL, 1990).
O Código Civil de 2002 dispõe que os filhos estão subordinados ao poder familiar
enquanto menores, compreendendo-se que os genitores são os únicos titulares ativos e os filhos
os sujeitos passivos dele (BRASIL, 2002). Nesse sentido, o cumprimento dos deveres derivados
do poder familiar só é possível a partir da titularidade dos filhos quanto aos direitos
correspectivos. Assim, o poder familiar é constituído por titulares mútuos de direitos. (DIAS,
2003).
O exercício do poder familiar segue as regras do artigo 1.634 do Código Civil atual, que
preceitua em seu bojo a ideia de que compete a figura dos genitores em relação à pessoa dos
filhos menores: a) dirigir-lhes a criação e a educação, o devendo os pais matricularem seus
filhos na rede regular de ensino, consonante o artigo 55 do Estatuto da criança e do adolescente;
b) os manter em sua companhia e guarda, proporcionando-lhes a segurança devida; c) conceder
ou negar-lhes consentimento e permissão para casarem, assim ambos os pais devem concordar,
pois o casamento emancipa e, portanto, interfere na situação jurídica de ambos; d) nomear-lhes
tutor por meio de testamento ou documento autêntico e válido, se caso um dos pais não
sobreviver ou na hipótese em que o sobrevivente não puder exercer o poder familiar; e) os
representar, até os dezesseis anos, nos atos da vida civil, e assisti-los após essa idade, nos atos
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2.4 PARENTESCO
O parentesco consiste num vínculo jurídico estabelecido entre pessoas que têm mesma
origem biológica, entre cônjuge ou companheiro e os parentes do outro e entre as pessoas que
têm entre si um vínculo civil (TARTUCE, 2016). Aduz Rizzardo (2006, p. 393) que “a
regulamentação das relações entre pessoas, e que tem como fonte obrigatória, em todas as
ordens, o casamento, constitui o direito parental, de grande significação no direito de família
pelas inúmeras situações que disciplina”.
As espécies de parentesco estão previstas no artigo 1.593 do Código Civil, o qual dispõe
que “o parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consangüinidade ou outra origem”.
Portanto, divide-se em três espécies de parentesco: natural, por afinidade e civil. (BRASIL,
2002).
O parentesco natural, também denominado consangüíneo, é aquele que vincula as
pessoas, umas às outras, que descendem de um mesmo tronco ancestral. Divide-se o parentesco
natural em matrimonial, quando proveniente do casamento, ou extrapatrimonial quando surge
de união estável ou relações sexuais eventuais ou concubinárias. (PEREIRA, R., 2011).
Ademais, tem-se o parentesco por afinidade ou parente afim, estabelecido no artigo
1.595, caput, do Código Civil, dispondo que “cada cônjuge ou companheiro é aliado aos
parentes do outro pelo vínculo da afinidade” (BRASIL, 2002). Em outras palavras, quanto à
afinidade, trata-se de vínculo que se estabelece entre um cônjuge ou companheiro e os parentes
do outro consorte (MONTEIRO; SILVA, 2011).
23
Importante salientar que deve ser observado que somente gera afinidade o matrimônio
válido e a união estável, limitando-se aos ascendentes, e aos irmãos do cônjuge ou companheiro,
conforme dicção do artigo 1.595, §1°, do Código Civil (BRASIL, 2002).
Doravante, na linha reta, o parentesco por afinidade não se extingue com a dissolução
do casamento, conforme o §2° do artigo 1.595 do Código Civil (BRASIL, 2002). Portanto,
sogro e sogra, genro ou nora continuam ligados pelo parentesco por afinidade quando dissolvido
o casamento, ou seja, continua vigorando as proibições matrimoniais (FIUZA, 2003).
Por sua vez, o parentesco civil é aquele decorrente da adoção, conforme lições de
Rodrigues (2002, p. 317-318):
Complementa Venosa (2004) que a adoção é o vínculo legal que se cria à semelhança
da filiação consangüínea, mas independe de laços consangíneos, tratando-se, portanto, de uma
filiação artificial.
Além destas espécies de parentesco o artigo 1.593 do Código Civil, ainda estabelece a
denominação outra origem, abrindo margem ao reconhecimento da paternidade desbiologizada
ou socioafetiva em que, embora não existam elos de sangue, há laços de afetividade, que é mais
importante perante a sociedade do que o vínculo sanguíneo. (MONTEIRO; SILVA, 2011).
Nesse sentido, consoante escólio de Venosa (2004, p. 236):
[...] A outra origem citada diz respeito ao vínculo da adoção e às uniões estáveis. Não
pode deixar de ser considerado, em todos os campos jurídicos, o parentesco derivado
das uniões estáveis, embora nem sempre seja simples evidenciá-lo nas situações que
surgirem no caso concreto. [...] Tratando-se de uma relação de fato, a união de estável
sem casamento torna muitas situações de parentesco dúbias e confusas, pois, na
maioria das vezes, sua evidência somente decorrerá da própria declaração das partes
envolvidas.
pode usar em documentos oficiais expressões tais como “filho ilegítimo”, “filho
adulterino”, “filho natural” (proveniente de união extra-matrimonial não adulterina),
ou “filho incestuoso”. Em documentos particulares, se encontrada alguma dessas
expressões, simplesmente não será levada em conta. Independentemente da espécie
de parentesco importante ressaltar que é vedada qualquer distinção, entre os filhos,
devendo estes serem tratados em pé de igualdade mesmo que provenientes de relações
diversas do casamento.
Importante ressaltar que a relação conjugal entre marido e mulher não traz parentesco
entre ambos, sendo simplesmente afins (RIZARDO, 2006).
Cabe registrar, Venosa (2015) ensina que a Igreja considera ainda o parentesco
espiritual, entre padrinho e madrinha e afilhados, que até mesmo constituía impedimento
matrimonial, porém, para o Direito, tal fato é irrelevante.
Portanto, denomina-se linha de parentesco ao vínculo que coloca as pessoas umas em
relação às outras em função de um tronco comum (RIZARDO, 2006).
O Código Civil tratou de duas linhas de parentesco, a reta e a colateral ou transversal.
Conforme o artigo 1.591, “são parentes em linha reta as pessoas que estão umas com para com
as outras na relação de ascendentes e descendentes”. (BRASIL, 2002). Sobre o assunto, ensina
Diniz (2002, p. 368) que a linha reta poderá ser ascendente ou descendente, “conforme se encare
o parentesco, subindo-se da pessoa a seu antepassado ou descendo- se, sem qualquer limitação;
por mais afastadas que estejam as gerações, serão sempre parentes entre si pessoas que
descendem umas das outras”.
A ascendência ainda têm duas linhas de parentesco: a linha paterna e a linha materna,
bifurcando-se sucessivamente, sendo, por isso, denominada de árvore genealógica
(GONÇALVES, 2014).
A linha colateral ou transversal, por sua vez, encontra-se definida no artigo 1.592 do
Código Civil, o qual dispõe que “são parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto
grau, as pessoas de um só tronco, sem descenderem uma da outra” (BRASIL, 2002).
Consideram parentes em linha colateral os tios, sobrinhos, primos e irmãos, que vão apenas até
o quarto grau, pois além disso o afastamento é tão grande que a solidariedade e o afeto não
servem mais para a relação de direito (MONTEIRO; SILVA, 2011).
A linha colateral pode ser igual (como no caso de irmãos, tendo em vista a distância que
os separa do tronco comum, em número de gerações, é a mesma) ou desigual (como no caso de
tio e sobrinho, porque este se encontra separado do tronco comum por duas gerações e aquele
por apenas uma). Além disso, pode ser também dúplice ou duplicada, como no caso de dois
irmãos que se casam com duas irmãs. In casu, os filhos que nascerem dos dois casais serão
parentes colaterais em linha duplicada. (GONÇALVES, 2014).
25
Na linha reta, é muito simples: contam-se pelo número de gerações; cada geração
representa um grau. Entre pai e filho medeia uma geração; serão assim parentes em
primeiro grau; entre avô e neto medeiam duas gerações (do avô para o filho e do filho
para o neo; serão assim parentes em segundo grau. [...]. Na linha colateral, na
contagem dos graus, computa-se igualmente o número de gerações; [...].
Em segundo grau, na linha reta, o cônjuge, ou companheiro, será afim com os avós
do outro e este com os avós daquele, porque na linha reta não há limite de grau. Na
linha colateral, o parentesco por afinidade não vai além do segundo grau, existindo
tão-somente com os irmãos do cônjuge ou companheiro; [...].
Deve-se observar por fim, que o parentesco por afinidade não gera vínculo entre os
parentes dos cônjuges, não sendo um afim do outro (DINIZ, 2015).
26
3 FILIAÇÃO
Neste capítulo será explanado acerca da forma em que ocorreu a evolução da filiação
no direito brasileiro. Dessa forma, facilita-se a compreensão do contexto e dos motivos que
levaram ao reconhecimento dos tipos de filiação reconhecidos hoje em dia, o que, direta e
indiretamente, viabilizou o surgimento de outras formações de famílias.
A Constituição de 1988 e o Código Civil atual não tratam de uma definição expressa a
respeito da filiação. A doutrina tradicional tem a filiação como uma correlação de parentesco
consanguíneo, em primeiro grau e em linha reta, que liga uma pessoa às que a geraram, ou às
receberam como se a tivessem gerado, tratando-se da relação jurídica que liga pais aos filhos.
(GONÇALVES, 2014).
Doravante, tem-se que a filiação é a ligação/conexão existente entre pais e filhos, sendo
a vinculação de parentesco consanguíneo em linha reta de primeiro grau entre uma pessoa e
aqueles que lhe deram a vida, podendo, ainda, ser uma relação socioafetiva entre pais adotivos
e filhos adotivos ou provenientes de inseminação artificial heteróloga (GONÇALVES, 2014).
O artigo 227, §6°, da Constituição Federal de 1988, prescreve a igualdade absoluta entre
todos os filhos, não aceitando distinção entre filiação (BRASIL, 1988). Com efeito, a filiação
é um estado. Ademais, todos os feitos que buscam a sua modificação, reconhecimento ou
negação, são ações de estado. O termo filiação retrata a relação entre os pais e filhos, seja em
caso de adoção ou de consanguinidade. (VENOSA, 2015). A adoção passa a ganhar a mesma
importância para a sociedade do que teve no Direito Romano 1 (MALUF, C.; MALUF, A.,
2021).
Rodrigues (2002, p. 321) leciona acerca do conceito:
1
A adoção teve grande importância no direito romano, sendo vista como uma função social e baseada no dever de
preservação do culto religioso doméstico, do nome e do patrimônio da família. Em suma, o objetivo era evitar a
extinção da família estéril, provendo um herdeiro a quem não tinha ou assegurar um sucessor. Sua importância era
tamanha, que uma vez introduzido na religião da nova família, dever-se-ia romper todo e qualquer vínculo com a
família originária. (MALUF, C.; MALUF, A., 2021).
27
A filiação pode ser classificada em matrimonial, que surge da união de pessoas ligadas
por casamento válido, anulado ou nulo, estando ou não de boa-fé os cônjuges, ou após o
nascimento do filho, vierem a convolar núpcias, ou pode ser classificada em não matrimonial
ou que decorre de relações extramatrimoniais, advindo de pessoas que estão impedidas de casar
ou pessoas que não querem contrair matrimônio (DINIZ, 2015).
Nas lições de Dias (2015, p. 389):
Atualmente, a doutrina tem discorrido sobre diversos tipos de filiação, contudo, sem
desviar o foco do tema central deste estudo, destacam-se duas espécies de filiação que são
unanimidade praticamente, quais sejam a filiação socioafetiva e a filiação biológica.
Quanto à filiação socioafetiva, o atual Código Civil passou a admitir o parentesco de
uma outra forma em comparação com o antigo código, pois, além do parentesco resultante da
consanguinidade, introduziram o conceito de socioafetividade, abrindo, assim, espaço para
outras situações que afirmam a complexidade das relações familiares (DIAS, 2015).
A filiação socioafetiva é um fato que não pode ser ignorado, eis que decorre da
estabilidade dos laços familiares construídos ao longo da vida de cada indivíduo e que constitui
o fundamento essencial da atribuição da paternidade ou maternidade. A filiação é um conceito
relacional, em que a relação de parentesco se estabelece entre duas pessoas, onde é atribuído
mutuamente os direitos e deveres de cada. (LOBO, 2018).
29
A adoção é modalidade artificial de filiação que busca imitar a filiação natural. Daí
ser também conhecida também como filiação civil, pois não resulta de uma relação
biológica, mas de manifestação de vontade [...]. A filiação natural ou biológica
repousa sobre o vínculo de sangue, genético ou biológico; a adoção é uma filiação
exclusivamente jurídica que se sustenta sobre a pressuposição de uma relação não
biológica, mas afetiva. A adoção contemporânea é, portanto, um ato ou negócio
jurídico que cria relações de paternidade e de filiação entre duas pessoas. O ato da
adoção faz com que uma pessoa passe a gozar do estado de filho de outra pessoa,
independentemente do vínculo biológico.
30
A afetividade. Como princípio jurídico, não se confunde com o afeto, como fato
psicológico ou anímico, porquanto pode ser presumida quando este faltar na realidade
das relações; assim, a afetividade é um dever imposto aos pais em relação aos filhos
e destes em relação àqueles, ainda que haja desamor ou desafeição entre eles.
de DNA, o que desencadeou uma grande busca da verdade real em substituição da verdade
jurídica, que era muitas vezes constituída por presunções legais (DIAS, 2015).
A filiação biológica ou natural é aquela vinculada à biologia, ou seja, é aquela
determinada pela origem genética. É consabido, até pouco tempo atrás, que o vínculo de
consanguinidade era considerado a mais importante forma determinante da filiação (GAMA,
2008).
Nesse sentido, a filiação é denominada biológica quando, como o próprio nome indica,
advém das relações sexuais dos pais, logo, o filho tem o sangue dos pais, daí ser filho
consanguíneo (RIZZARDO, 2006).
Ainda na sociedade atual, o reconhecimento de filho, quando se fala em filiação, tem
como referência a verdade genética. Ela sempre foi buscada em juízo, pois a filiação era
considerada em virtude do vínculo consanguíneo. Entretanto, dois fenômenos interromperam
com o princípio da origem biológica dos vínculos de parentalidade, em que a jurisprudência
acolhia, a lei sancionava e a doutrina sempre sustentava. (DIAS, 2015).
Constata-se com isso que a atual realidade não é só baseada no vínculo consanguíneo,
uma vez que o estado de filiação se desvinculou da verdade genética, sendo considerado único
e de natureza socioafetiva, desenvolvido na convivência familiar (LOBO, 2018).
No momento em que se admitiram entidades familiares não constituídas pelo
matrimônio, passou a ser reconhecida a afetividade como elemento constitutivo da família, e
tal transformação não se limitou ao âmbito das relações familiares, mas refletiu também nas
relações de filiação (DIAS, 2015).
O artigo 227, §6°, da Lei Maior, dispõe do acolhimento da pluralidade filiatória,
conferindo aos filhos uma total igualdade de direitos e proibindo quaisquer discriminações,
dando fim e desvinculando a filiação do casamento (BRASIL, 1988).
Por um longo período, o único método possível para conferir paternidade a alguém era
por meio da presunção, a partir do critério da verdade legal. Entretanto, com os grandes avanços
ocorridos no campo da ciência, mormente na área da genética, houve a descoberta do exame de
DNA. Tal exame teve ampla repercussão no mundo jurídico, tornando-se um importante meio
de prova, pois permitiu definir com precisão a existência ou não de vínculo consanguíneo.
(CANEZIN, 2012).
A filiação biológica se trata da herança de material genético que os filhos adquirem de
seus genitores. Portanto, em razão da alta precisão oferecida pelo exame, conforme explica Dias
(2015), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a Súmula n. 301 que dispõe que em ação de
32
Pelo primeiro critério, pai e mãe são os que fecundaram, com seus gametas, o embrião;
por ele, a paternidade decorre de consanguinidade. Pelo segundo, define-se por
presunções legais [...], correspondendo ou não à realidade. O critério socioafetivo
dimana de uma situação fática, que nasce da educação, amparo, proteção, afetividade,
aplicados na criação de uma pessoa e por quem não é pai ou mãe biológica.
Em adição, tem-se que as mudanças na legislação fizeram muito mais do que proclamar
a isonomia no reconhecimento de direitos patrimoniais e sucessórios, elas traduziram um novo
cenário axiológico, com eficácia imediata para todo o ordenamento, cuja compreensão faz-se
indispensável para a correta exegese da normativa aplicável às relações de família (TEPEDINO,
1997).
Diante disso, os termos “pai” e “genitor” podem corresponder à mesma pessoa, mas
deixam de ser sinônimos, eis que o genitor é aquele que fornece o material genético, enquanto
pai é aquele que detém a filiação, em que a origem da relação conjugal independe da praticada
pelos genitores e que todos os filhos possuem iguais direitos e obrigações e podem ser
reconhecidos, voluntária ou judicialmente. (WELTER, 2003).
Acerca dos deveres dos pais, conforme previsto no Código Civil, extrai-se:
Art. 1634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o
pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos:
I - dirigir-lhes a criação e a educação;
II - exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584;
III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem;
IV - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior;
V - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua residência
permanente para outro Município;
VI - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais
não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar;
VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, nos atos
da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-
lhes o consentimento;
VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha;
IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade
e condição. (BRASIL, 2002).
Nessa toada, é fato que a possibilidade de identificar a filiação biológica por meio de
exame de DNA desencadeou percurso ao Judiciário, na busca da verdade real. Nunca foi tão
fácil descobrir a verdade biológica, mas tal verdade passou a ter pouca valia em frente à verdade
afetiva. (DIAS, 2015).
34
4 MULTIPARENTALIDADE
[...] determinada pessoa é registrada por um pai e convive com ele, por anos, como
filho biológico, até que, certo dia, a mãe confessa que este não era o seu verdadeiro
pai biológico. O filho em questão tem o direito personalíssimo do conhecimento de
sua origem biológica; logo, tem o direito de buscar o reconhecimento legal de seu pai
biológico. Por outro lado, não se pode negar o papel assumido pelo pai socioafetivo,
uma vez que se estabeleceu um liame de afetividade entre as partes, fruto da
convivência paterno-filial.
familiar, na qual surgem novos vínculos afetivos. Embora seja uma realidade cada vez mais
presente na sociedade atual, a multiparentalidade não possui regulamentação legal específica
que fixe direitos e deveres aos seus integrantes, sendo seu reconhecimento apenas
jurisprudencial e doutrinário e, assim, pode-se dizer, introdutório. (DIAS, 2015).
Com a facilitação do divórcio, após o advento da Lei do Divórcio em 1977 (Lei n. 6.515)
e, principalmente, após a Emenda Constitucional n. 66/2010, foram crescendo
significativamente os casos de pessoas que se divorciam e casam novamente, levando consigo
filhos advindos do relacionamento anterior que, inevitavelmente, passam a ser criados também
por eventuais padrastos e/ou madrastas, no contexto dessas denominadas famílias recompostas
(PAIANO, 2017).
O reconhecimento da multiparentalidade é possível com base em uma interpretação dos
princípios constitucionais do melhor interesse da criança e do adolescente, da liberdade de
desconstituição, da solidariedade familiar e da fraternidade e, por conseguinte, dos demais
princípios embasadores da multiparentalidade e filiação (ARAUJO; PENNA, 2017).
Considerando que a Constituição autorizou a livre (des)constituição de todos os tipos
de famílias possíveis, não há dúvidas de que as famílias reconstituídas representam a
possibilidade de múltiplas vinculações parentais de pessoas, sejam elas crianças, adolescentes
etc., que vivenciem a realidade fática cotidiana desses novos arranjos familiares, assimilando a
figura do pai e mãe afins (padrasto e/ou madrasta) como novas figuras parentais socioafetivas,
sem, contudo, perder o vínculo com seu pai/mãe biológico e/ou registral (RODRIGUES;
TEIXEIRA, 2009).
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: [...]; III - a dignidade
da pessoa humana” (BRASIL, 1988).
A dignidade humana, conforme explica Barroso (2012, p. 9-10), é um conceito:
[...] axiológico, ligado à ideia de bom, justo, virtuoso. Nessa condição, ela se situa ao
lado de outros valores centrais para o Direito, como justiça, segurança e solidariedade
[...] tornando-se um conceito jurídico, deontológico – expressão de um dever-ser
normativo, e não apenas moral ou político.
Este princípio se encontra diretamente ligado à pessoa, de maneira que não se permite
discriminação de qualquer natureza, seja de raça, cor, etnia, classe social, religião etc. Por esse
motivo, o Estado Democrático de Direito Brasileiro utiliza a dignidade da pessoa humana como
base para interpretar os demais preceitos constitucionais, de modo que ele é considerado um
superprincípio. (SIMÃO; TARTUCE, 2010).
Trazida ao direito de família, a dignidade é um dever atribuído aos integrantes da
entidade familiar, que devem “promover o respeito e a igual consideração de todos os demais
familiares, de modo a propiciar uma existência digna para todos e de vida em comunhão de
cada familiar com os demais” (GAMA, 2008, p. 71).
Por fim, vale destacar que o princípio da dignidade da pessoa humana também encontra
previsão no preâmbulo e no artigo 1º da Declaração Universal de Direitos Humanos,
preceituando a máxima de que todos os seres humanos, desde o nascimento, são livres e iguais
em dignidade e também em direitos. Diante disso, é reconhecido que todos devem ser tratados
com equidade, uma vez que a dignidade da pessoa humana é um princípio geral do direito,
devendo ser atribuída de maneira universal a qualquer pessoa. (PEREIRA, C., 2012).
Decorrente da liberdade fundamental à constituição do núcleo familiar, o princípio do
pluralismo das entidades familiares é outro importante princípio a ser destacado (TEPEDINO;
TEIXEIRA, 2020). Sobre isso, o artigo 226 da Constituição Federal apresenta expressamente
três categorias de família: a matrimonial, presente nos §1º e §2º; a originada a partir da união
estável, que consta do §3º; e a monoparental, presente no §4º (BRASIL, 1988).
Ocorre que, “devido às inúmeras e diversificadas espécies de família existentes na
atualidade - tais como as famílias mosaico, as famílias recompostas, as famílias socioafetivas,
entre outras - não se deve compreender esse rol de famílias como taxativo” (NOGUEIRA, 2017,
p. 12).
Assim, o princípio do pluralismo das entidades familiares apresenta uma forte ligação
com o princípio do pluralismo democrático e possui exatamente a finalidade de deixar que cada
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pessoa escolha livremente o modelo ou espécie de família que mais se assemelha com seu
íntimo, para então criar seus laços (GAMA, 2008).
Portanto, “o elo afetivo é um critério crucial para definir a formação de uma unidade
familiar, obtendo a partir daí a proteção constitucional” (NOGUEIRA, 2017, p. 13).
Doravante, o princípio do convívio familiar busca garantir ao indivíduo o direito da
convivência diária com aqueles que pertencem à sua família, uma vez que a família é o ponto
de sustentação para formação da criança, além de ser responsável por transmitir seus valores.
Dessa forma, a família, quando é bem estruturada, possui a capacidade de fornecer à criança ou
adolescente um ambiente adequado que propicie seu desenvolvimento pleno. (SOUZA, 2011).
Ainda, cabe destacar que eventual afastamento definitivo somente seria recomendado
diante de situações justificadas por interesse superior, “a exemplo da adoção, do
reconhecimento da paternidade socioafetiva ou da destituição do poder familiar por
descumprimento de dever legal” (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2021, p. 39).
Ressalta-se que a convivência familiar nada mais é que uma relação afetiva duradoura
entre seus membros, ocorrida em um ambiente comum (ASSUMPÇÃO, 2004). E, por ambiente
comum, entende-se o local em que a família estabelece seu domicílio. Assim sendo, a Carta
Magna determinou proteção legal para a residência, em seu artigo 5º, inciso XI, dispondo que
“a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do
morador [...]” (BRASIL, 1988).
Por fim, cumpre ressaltar que o princípio se encontra disposto expressamente no artigo
227 da Constituição Federal, que determina ser “dever da família, da sociedade e do Estado
assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à [...]
convivência familiar e comunitária [...]” (BRASIL, 1988).
O princípio do melhor interesse da criança e do adolescente visa que eles tenham seus
direitos priorizados tanto pelo Estado como pela sociedade. A criança deve ser encarada como
detentora de direito, ou seja, é necessário que o ordenamento jurídico exerça sobre ela tutela
prioritária em relação aos demais membros da família, objetivando assegurar seu
desenvolvimento integral. (LOBO, 2018).
Este princípio representa uma importante mudança nas relações paterno-filiais, em que
a criança e o adolescente deixam de ser vistos como objetos e passam a ser considerados sujeitos
de direito. Dessa forma, seus direitos devem ser priorizados desde a elaboração até a aplicação.
(GAMA, 2003).
Dessa forma, é possível notar que, com o passar dos tempos, ocorreu uma modificação
no direito no que diz respeito às suas prioridades. Antigamente, havia uma preocupação muito
39
maior relacionada ao interesse dos pais. Todavia, hoje, é o filho quem está no centro das relações
familiares e por possuir a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, para ele deve
sempre ser garantido o que contempla seu melhor interesse. (DIAS, 2015).
É possível verificar que esse princípio busca minimizar os efeitos do divórcio dos pais
na vida do filho, impedindo que eventual culpa dos cônjuges seja capaz de influenciar na
determinação de sua guarda. Assim, com intuito de resguardar a criança de possíveis e futuros
traumas causados pela separação e objetivando proteger o desenvolvimento de sua
personalidade, o princípio do melhor interesse é aplicado visando amparar o menor, sendo que
perante essas relações ele é parte hipossuficiente. (LOBO, 2018).
Ainda, o princípio da afetividade fundamenta o direito de família na estabilidade das
relações socioafetivas e na comunhão de vida. Vale dizer, “a comunidade de existência formada
pelos membros de uma família é moldada pelo liame socioafetivo que os vincula, sem aniquilar
as suas individualidades” (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2021, p. 34, grifo dos autores).
O princípio em comento recebeu grande força dos valores consagrados na Constituição
Federal de 1988, resultando assim na evolução da família brasileira nos últimos tempos, e,
refletindo-se na doutrina e nas jurisprudências dos tribunais. Este princípio também entrelaça
com os princípios da convivência familiar e da igualdade do cônjuge, companheiros e filhos,
princípios estes ressaltam a natureza cultural e tão somente biológica da família. (LOBO, 2018).
Parece possível sustentar que o Direito deve laborar com a afetividade e que sua atual
consistência indica que se constitui em princípio no sistema jurídico brasileiro. A solidificação
da afetividade nas relações sociais é forte indicativo de que a análise jurídica não pode restar
alheia a este relevante aspecto dos relacionamentos. A afetividade é um dos princípios do direito
de família brasileiro, implícito na Constituição, explícito e implícito no Código Civil e nas
diversas outras regras do ordenamento. (CALDERON, 2011).
A afetividade é considerada um princípio implícito, podendo surgir por meio de
inúmeras interpretações que intentam adequar normas específicas e adaptá-las à recente
realidade, possibilitando chegar a decisões mais razoáveis e eficazes. Desta forma, a afetividade
alcança um novo nível no Direito, passando de valor a princípio, uma vez que, na atualidade, a
família pode e deve ser compreendida como um grande alicerce no afeto. (PEREIRA, C., 2001).
O que deve balizar o conceito de “família” é, sobretudo, o princípio da afetividade, que
fundamenta o direito de família na estabilidade das relações socioafetivas e na comunhão de
vida, com primazia sobre as considerações de caráter patrimonial ou biológico (BRASIL,
2009).
40
Atualmente o afeto tem sido apontado como o principal fundamento das relações
familiares, o que leva sua promoção ao status de princípio. Mesmo não constando a palavra no
Texto Maior como um direito fundamental, tem-se entendido que o afeto decorre da valorização
constante da dignidade humana e, por isso, tem sido reconhecido como fator principal nas
recentes decisões. (ALMEIDA, 2010).
Por fim, o princípio da igualdade de filiação está positivado no artigo 227, §6°, da
Constituição Federal de 1988 e no artigo 1.596 do Código Civil de 2002, impedindo que se faça
qualquer discriminação ou hierarquização entre as espécies de filiação, seja de origem
biológica, jurídica ou socioafetiva (BRASIL, 1988; BRASIL, 2002). Trata-se de uma conquista
resultante da mudança da concepção familiar, isto é, quando a família passa a ser instrumento
de realização pessoal dos seus integrantes e não mais o inverso, e do reconhecimento jurídico
de uma pluralidade de entidades familiares (PEREIRA, R., 2011).
O princípio da igualdade entre os filhos nada mais é do que medida efetivada do
princípio da dignidade da pessoa humana, determinação esta fundamental na interpretação das
relações familiares, elevado a valor nuclear da ordem constitucional. Ademais, outra não
poderia ser a finalidade diante do princípio do melhor interesse da criança e adolescente, sob
pena de absoluta incompatibilidade. (FARIAS; ROSENVALD, 2011).
O reconhecimento da igualdade de filiação pela Constituição Federal foi um grande
avanço social, eis que a subsistência desse viés diferenciando os filhos do casamento em
contraste com a prole extramatrimonial, em nada se equipara ao estigmatizante contexto das
filiações legítimas e ilegítimas vigentes até a edição da Constituição Federal de 1988.
(MADALENO, 2011).
A realidade da pessoa que vivencia o exercício fático da autoridade parental por mais
de um pai e/ou mais de uma mãe deve ser acolhida e contemplada pelo Direito,
gerando todos os efeitos jurídicos dela decorrentes, o que deriva do princípio do
melhor interesse da criança e do adolescente (se o descendente for menor de idade) e
da dignidade da pessoa humana.
Assim, pensar diferente disso seria como “[...] negar a existência tridimensional do ser
humano, que é reflexo da condição e da dignidade humana, na medida em que a filiação
socioafetiva é tão irrevogável quanto a biológica” (WELTER, 2009, p. 122 apud MALUF, C.;
MALUF, A., 2021, p. 532).
Dessa forma, ao parentesco socioafetivo serão aplicadas as mesmas regras previstas para
o parentesco natural, uma vez que a expressão “outra origem” prevista no artigo 1.593 do
Código Civil é o que equipara as duas paternidades (CASSETARI, 2015).
Em relação à multiparentalidade e ao direito de alimentos, é importante frisar que o
artigo 1.694 do Código Civil estabelece que podem os parentes pedir uns aos outros os
alimentos de que necessitem, ou seja, no caso da multiparentalidade, poderão ser exigidos
alimentos de toda a família socioafetiva, como avós, irmãos, tios, etc. Da mesma forma que a
família afetiva também pode pleitear alimentos para o filho afetivo (BRASIL, 2002).
Ao reconhecer a paternidade socioafetiva, além de reconhecer o direito ao afeto, é
necessário assegurar à criança todos os direitos que a permitam desenvolver-se de forma plena
e adequada, como o direito à educação, saúde, segurança, alimentação, lazer, entre tantos outros
(BARBOZA, 1999). Assim, aos pais socioafetivos também recai o dever de prestar alimentos
aos filhos (NOGUEIRA, 2017).
Os alimentos são prestações periódicas que buscam atender as necessidades vitais de
quem não possui meios de provê-los por conta própria. Seu objetivo é proporcionar a um
parente o indispensável à sua subsistência (GOMES, 2002).
Em sentido jurídico, eles podem apresentar um entendimento muito mais extenso do
que o exibido na linguagem comum, podendo compreender, além dos alimentos propriamente
ditos, tudo que for essencial para a saúde, educação, vestimenta e moradia. Dessa forma,
percebe-se que os alimentos não compreendem apenas o imprescindível ao sustento, mas
também o fundamental para a conservação da condição social do alimentado. (VENOSA,
2015).
42
requeiram, contra este, alimentos ou direito à herança, por exemplo. Defendem assim, que a
filiação socioafetiva produzirá efeitos patrimoniais e extrapatrimoniais.
Destarte, a possibilidade de coexistência de filiações biológica e socioafetiva vem sendo
admitida pela doutrina e também pela jurisprudência, entendendo-se não serem elas excludentes
entre si, como destaca Paiano (2017), a qual aduz também que, ao mesmo tempo que pode se
ter o vínculo biológico com o pai ou mãe, também é possível o vínculo socioafetivo com o pai
ou mãe de criação, adotivos ou padrastos e madrastas, sendo demonstrado o que se denomina
multiparentalidade.
A propósito, cabe destacar o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso
Extraordinário n. 898.060, em regime de repercussão geral (Tema n. 622). Nesta oportunidade,
discutia-se sobre eventual prevalência da paternidade socioafetiva sobre a biológica, porém, a
decisão abarcou também a multiparentalidade. Com efeito, em seu voto, o Relator Ministro
Luiz Fux proferiu entendimento de que cabe ao filho, conforme seu próprio interesse, decidir
se mantém em seu registro apenas o pai socioafetivo ou este e o pai biológico. (BRASIL, 2016).
A partir do Recurso Extraordinário n. 898.060, foi fixada a seguinte tese: “A paternidade
socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo
de filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios”
(BRASIL, 2016).
A possibilidade de dupla filiação registral consagra documentalmente o registro da
multiparentalidade, devendo os atos judiciais e extrajudiciais que declararem e reconhecerem a
filiação ser averbados em registro público, como dispõe o artigo 10, inciso II, do Código Civil,
que fundamenta a necessidade de averbação de dupla filiação reconhecida (BRASIL, 2002).
Mediante o registro civil, deve-se refletir a realidade fática para que se tenha segurança
jurídica quanto às informações nele constantes, eis que não teria sentido ter a admissibilidade
da sociafetividade sem a possibilidade de sua alteração registral, que nada mais é do que ter
registrada documentalmente uma filiação já reconhecida. Portanto, com o reconhecimento da
filiação socioafetiva, bem como seu respectivo registro, nada mais razoável do que a averbação
no registro civil de tal realidade também no caso da multiparentalidade. (CASSETARI, 2015).
A admissibilidade de uma paternidade socioafetiva somente é um acréscimo no registro
civil e não uma mera substituição do sobrenome anterior, de forma a não existir dúvidas quanto
à identidade da pessoa ou desobrigar eventuais responsabilidades do genitor, eis que não há
motivos existentes para o Estado coibir o desejo do filho em acrescentar ao seu nome o
sobrenome daquele que efetivamente o criou, sendo possível a utilização do nome socioafetivo
e biológico ao mesmo tempo. (LOBO, 2018).
45
5 CONCLUSÃO
de que cabe ao filho, conforme seu próprio interesse, decidir se mantém em seu registro apenas
o pai socioafetivo ou este e o pai biológico.
O reconhecimento jurídico acerca da multiparentalidade, por certo, não somente
estabelece o vínculo, como também passa a gerar todos os direitos, deveres e impedimentos
existentes entre familiares. Em outras palavras, admite-se a aplicação das mesmas regras
previstas para o parentesco natural. Assim, abriu-se abre margem para efeitos jurídicos
decorrentes de seu reconhecimento, como o direito a alimentos, de guarda, e até mesmo o de
herança.
De fato, a multiparentalidade abre a mente do legislador brasileiro, abrangendo relações
mais complexas que àquela prevista em Lei. E, considerando que o direito deve acompanhar a
evolução da sociedade, eventualmente, diante da inércia legislativa, era certo seu
reconhecimento tanto em âmbito doutrinário como em âmbito jurisdicional. Porém, em que
pese hoje já exista consenso em relação ao tema, frisa-se pela necessidade de previsão legal
para resguardar ainda mais os direitos daqueles que mantêm a relação multiparental.
47
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