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Promoção da Saúde Oral em Crianças

A saúde oral é crucial para o bem-estar infantil, com a cárie dentária sendo uma preocupação crescente devido ao consumo excessivo de açúcar e má-higiene. O documento discute a importância da educação em saúde oral para crianças e responsáveis, propondo ações de promoção e prevenção para reduzir a incidência de cáries. Além disso, destaca a necessidade de profissionais qualificados e a conscientização sobre hábitos alimentares saudáveis para melhorar a saúde bucal das crianças em idade pré-escolar.
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Promoção da Saúde Oral em Crianças

A saúde oral é crucial para o bem-estar infantil, com a cárie dentária sendo uma preocupação crescente devido ao consumo excessivo de açúcar e má-higiene. O documento discute a importância da educação em saúde oral para crianças e responsáveis, propondo ações de promoção e prevenção para reduzir a incidência de cáries. Além disso, destaca a necessidade de profissionais qualificados e a conscientização sobre hábitos alimentares saudáveis para melhorar a saúde bucal das crianças em idade pré-escolar.
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1

Introdução

Saúde oral é parte fundamental da saúde integral da criança. A cárie dentária é


uma doença frequente e prevalente nas crianças no período pré-escolar devido ao
consumo excessivo de alimentos industrializados, podendo ter consequências
significativas. As crianças e os seus responsáveis também precisam ser despertados
sobre os seus papéis nos cuidados com a saúde oral.

Quanto mais precocemente os comportamentos saudáveis relacionada a saúde oral


forem inseridos no contexto da criança, maior será a possibilidade das mesmas na
manutenção da estabilidade do bem-estar completo ao longo dos anos. Alguns fatores
desempenham um papel crucial no início dessas doenças, incluindo o desequilíbrio na
microbiota bucal, má-higiene. E comportamentos inadequados contribuem para a
formação de colônias bacterianas na boca, conhecidas como biofilme oral
(BRANCHER et. al., 2014).

Do ponto de vista biológico, o biofilme oral desempenha um papel fundamental


no início e na evolução de diversas doenças. Neste ambiente microbiano, a saliva possui
uma função crucial, já que o fluxo salivar, sua capacidade tampão, pH e composição
podem evitar a progressão de doenças bucais. A saliva é composta por uma variedade
de elementos inorgânicos e orgânicos que promovem a saúde dos tecidos orais e
também contribuem para a saúde geral do indivíduo (BRANCHER et. al., 2014).

A acidogenicidade de um alimento pode ser visualizada através da curva de


Stephan, que representa a relação entre o tempo e a medida do pH salivar. Essa curva
mostra o valor mínimo de pH atingido e o tempo em que o pH permanece abaixo do
limiar crítico para a dissolução do esmalte dentário (<5,5). Sucos naturais e
industrializados, refrigerantes, iogurtes e leites fermentados devem ser cuidadosamente
considerados na dieta, pois podem aumentar o risco de erosão dentária (SILVA et. al.,
2024).

A dieta desempenha um papel crucial na etiologia da cárie, principalmente através de


seu efeito tópico. Os microrganismos cariogênicos dependem da fermentação dos
carboidratos da dieta para sobreviver, e a frequência e a consistência dos carboidratos
ingeridos também afetam o desenvolvimento da doença. Por exemplo, o consumo
frequente de açúcar entre as refeições, especialmente de carboidratos pegajosos,

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favorece a retenção na cavidade bucal e, consequentemente, o desenvolvimento da cárie
(BRAGA et. al., 2008).

O consumo excessivo de carboidratos e uma escovação dentária inadequada criam um


ambiente propício para a proliferação de bactérias cariogênicas, que produzem ácidos e
causam a desmineralização das estruturas dentárias, resultando no desenvolvimento de
lesões de cárie (COUTO et. al., 2016, SILVA et. al. 2021).

Problematização

Na década 70, a cárie dentária era menos comum na maioria dos países africanos
do que em outras regiões, mas com o aumento da urbanização e de mudanças nas
condições de vida, a prevalência de cárie dentária continua a aumentar na Região,
principalmente devido ao consumo crescente de açúcares livres e de uma exposição
inadequada ao flúor.

A cárie dentária resulta frequentemente na perda de dentes. Estudos de 2016 sobre


prevalência de cárie em Moçambique através do índice CPOD mostraram que a média
de dentes decíduos afectados em crianças de 6 anos é de 1, onde 94,8% apresentava o
componente cariado. Em crianças de 12 anos, a média do CPO-D foi mais baixo com
0,45, onde 88% apresentava o componente cariado.

Em adolescentes de 15 a 19 anos, o CPO-D foi de 0,56 onde também


apresentava uma proporção do componente cariado (82,4%). Já nos adultos, o CPO-D é
de 3,16, onde a maior proporção é do componente perdido (54,4%), seguido pelo
componente cariado (43,4%). No entanto, houve o cumprimento da meta da OMS para a
idade dos 12 anos que estabelece CPO-D médio de 1 para 2010. Todavia, não houve o
cumprimento da meta da OMS para 2010 que seria de 75% de livres de cárie ao grupo
de 5 anos.

Dentre os serviços de estomatologia existentes, apenas nove (9) possuem


Laboratórios de prótese dentária, sendo nos hospitais centrais de Nampula e da Beira
não havendo nos Hospitais Centrais de Maputo e de Quelimane, e possui também no
Hospital Geral de Mavalane e em quase os todos hospitais provinciais, excepto,
Hospital Provincial de Pemba e da Matola.

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Face a isso levanta-se a seguinte questão: Como é que fazendo a promoção de
saúde e palestras nas unidades sanitárias pode levar a redução das doenças da
cavidade oral nas crianças no período pré-escolar?

Com vista a resolver este problema de pesquisa, formulamos as seguintes questões


norteadoras:

Questões de Pesquisa

a) Existência de profissionais de saúde qualificados que zelam pela saúde oral nas
US poderá reduzir o impacto destas doenças?
b) Será que fazendo feiras de saúde nas comunidades sobre a alimentação e a saúde
oral poderá ajudar a abrir a mente das mães e cuidadoras de crianças?
c) A falta de formação sobre a promoção e prevenção dos problemas de saúde oral
poderá influenciar no desempenho dos profissionais de saúde?

Justificativa

A escolha deste tema deveu-se pelo facto de vivenciar muitas situações do


gênero, bem como, é um tema que raramente é debruçado no seio hospitalar de modo a
incutir na mente das mães e cuidadoras de crianças informações sobre o impacto que a
alimentação tem na saúde bocal em crianças no período pré-escolar.

Com este tema irei proporcionar ou melhor irei abrir a mente das mães e
cuidadoras das crianças que os hábitos alimentares como o consumo de alimentos com
alto teor de açúcares “Carboidratos” podem ocasionar em sérios problemas na saúde
bocal da criança.

A nível da sociedade este tema ajudará as comunidades a perceberem o impacto


que a alimentação tem na saúde das suas crianças de modo a evitar o consumo de
alimentos com alto teor de açúcares, bem como, proporcionar aos bons hábitos
alimentares, bem como, ira incentivar as mães na higiene bocal de modo a prevenir
deste problema de saúde pública que a comete todas as faixas etárias e principalmente
as crianças no período pré-escolar.

A nível acadêmico este tema será útil porque irá ajudar em pesquisas acadêmicas
de forma profunda de modo a entender o impacto da alimentação e saúde bucal nas
crianças no período pré-escolar bem como irá proporcionar curiosidade na realização

4
desta pesquisa porque este tema, raramente é debruçado no seio hospitalar ou na
comunidade.

OBJECTIVOS

Objectivo Geral

 Elaborar um plano para a promoção de saúde oral e a prevenção da cárie


dentária nas crianças no período pré-escolar, contribuindo para melhorar a
qualidade de vida dessas crianças e indiretamente, de seus familiares.

Objectivo Especifico

 Realizar uma pesquisa bibliográfica sobre a cárie dentaria em crianças, incluindo


os fatores de risco.
 Identificar as formas de prevenção da doença carie e de promoção à saúde oral
em crianças no período pré-escolar.

 Sensibilizar as crianças e o seu país/cuidadores com relação a importância dos


cuidados com a sua saúde oral.
 Desaconselhar as mães e cuidadoras das crianças a prática de maus hábitos
alimentares em especial de alimentos industrializados.
 Ampliar o conhecimento dos pais / responsáveis quanto a importância de cuidar
da saúde oral de seus filhos, através de hábitos corretos de higiene oral,
alimentação saudável e conhecimento dos fatores causais da carie.
 Contribuir para melhorar a qualidade de vida e preservação da saúde oral das
crianças.

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Revisão de Literatura

Odontologia Preventiva

A Odontologia Preventiva tem se destacado na área da saúde. Os cuidados com a


saúde oral têm ido, além de aspectos estéticos. No paradigma de saúde, se desperta uma
maior consequência sobre a necessidade de se manter uma saúde bucal satisfatória, que,
por sua vez, é refletida na saúde geral. Os profissionais da saúde têm a responsabilidade
de atuar na prevenção de doenças, minimizando os riscos e promovendo condições
favoráveis para que se torne possível alcançar e manter, a saúde oral. Por outro lado, as
crianças e seus pais/ responsáveis, também precisam ser conscientizados sobre os seus
papeis nos cuidados nesse sentido

Ações de promoção da saúde e prevenção da doença, são realizados a fim de


reduzir sua incidência, entre os quais incluem, as destinadas a educar as pessoas para
melhorar a sua higiene e hábitos alimentares, e aquelas que visam a aumentar a
resistência do dente a utilização de fluoretos.

considera que o alto índice de carie dentaria em crianças se deve principalmente


à falta de orientações quanto aos cuidados com a saúde bucal, tanto das crianças quanto
dos seus pais / cuidadores; aos hábitos alimentares inadequados , com ingestão de alta
frequência de açúcares ; aos hábitos inadequados de higiene oral; a ausência de flúor na
água de abastecimento público; a ausência de informação adequada sobre o autocuidado
em saúde oral; falta de brigadas moveis para disseminação de informações na
comunidade e nas escolas; a assistência deficiente devido ao número insuficiente de
profissionais ; a falta de capacitação de profissionais para lidar com o problema de
forma humanizada e resolutiva.

Cárie Dentária

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É amplamente reconhecido e estabelecido que a cárie dentária é uma doença
complexa, multifatorial, infecciosa, transmissível e dependente da dieta, que leva à
desmineralização das estruturas dentárias. Devido à sua complexidade, compreendê-la
completamente é um desafio. Esse conceito de cárie baseia-se na interação entre fatores
como suscetibilidade dentária, microrganismos e dieta, como ilustrado pelo Diagrama
de Keyes (BRAGA et. al., 2008, FEJERSKOV & KIDD, 2005).

Para estabelecer estratégias eficazes de controle da cárie dentária, é essencial


compreender seus fatores causais. O modelo inicial proposto por Keyes (1960) para
explicar a doença era fundamentalmente ecológico, destacando que a cárie resulta da
interação entre os fatores determinantes: hospedeiro, substrato (dieta cariogênica) e
microrganismos. Newbrun (1978) acrescentou o fator tempo como outro elemento
etiológico, considerando a cárie como um processo crônico que se desenvolve ao longo
do tempo, após a interação desses três fatores (BRAGA et. al., 2008).

Figura 1: Diagrama proposto por Newbrun (1978) para explicar os fatores etiológicos
determinantes da doença cárie.

Figura 2: Diagrama adaptado de Manji & Fejerskov (1990) para explicar os fatores
etiológicos determinantes (círculo interno) e modificadores (círculo externo) da doença
cárie.

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A seguir descreve-se os fatores determinantes e modificadores da doença cárie (UNA-
SUS, 2024):

Hospedeiro: Nesta categoria, incluímos os dentes e a saliva. Os dentes são onde a cárie
se desenvolve, e certas características dentárias podem torná-los mais propensos à
doença, como anomalias na forma, como fusão ou geminação, e na macromorfologia,
como saliências e reentrâncias em dentes posteriores que dificultam a remoção do
biofilme. A saliva possui propriedades tamponantes devido à presença de íons de
bicarbonato e fosfato, que neutralizam os ácidos produzidos pelos microrganismos
cariogênicos. Além disso, a saliva atua na autolimpeza das superfícies dentárias e possui
propriedades antibacterianas devido à presença de proteínas e imunoglobulinas que
combatem os microrganismos cariogênicos.

Microrganismos: A cavidade bucal abriga uma variedade de microrganismos, mas


apenas algumas espécies estão envolvidas na cárie dentária, como Streptococcus
mutans, Streptococcus sobrinus e Lactobacillus. Essas bactérias possuem características
específicas que as tornam aptas a participar do processo da doença, como a capacidade
de produzir ácidos a partir da fermentação de carboidratos da dieta e de sobreviver em
meio ácido.

Além disso, essas bactérias têm a capacidade de aderir às estruturas dentárias.

Dieta: A dieta desempenha um papel crucial na etiologia da cárie, principalmente


através de seu efeito tópico. Os microrganismos cariogênicos dependem da fermentação
dos carboidratos da dieta para sobreviver, e a frequência e a consistência dos
carboidratos ingeridos também afetam o desenvolvimento da doença. Por exemplo, o
consumo frequente de açúcar entre as refeições, especialmente de carboidratos
pegajosos, favorece a retenção na cavidade bucal e, consequentemente, o
desenvolvimento da cárie.

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Tempo: Os fatores mencionados acima, quando combinados, requerem um período para
promover a desmineralização dos dentes, resultando na perda de minerais.

Além dos fatores tradicionais que influenciam a doença (interação entre hospedeiro,
dieta, biofilme e tempo), sabe-se que fatores sociais, econômicos e comportamentais
desempenham um papel significativo no desenvolvimento da cárie dentária (ANTUNES
et al., 2004; KEYES, 1960).

É conhecido que a suscetibilidade à cárie dentária é influenciada por diferenças


culturais, que afetam o comportamento individual e, consequentemente, o controle e a
incidência da doença nesta população. Embora fatores intrínsecos, como o fluxo,
composição e capacidade tampão da saliva, aspectos hereditários e imunológicos, sejam
importantes, são difíceis de controlar e, portanto, não são prioritários na formulação de
estratégias de prevenção. A suscetibilidade do dente à cárie é determinada pelo grau de
mineralização do esmalte, afetando sua resistência à dissolução ácida, influenciada por
fatores intrínsecos durante a formação do dente e fatores extrínsecos ambientais e
locais. Por muito tempo, acreditou-se na existência de dentes resistentes à cárie, mas
estudos mostraram que a resistência do esmalte ao ataque ácido é uma ilusão.

A tentativa de aumentar a resistência do esmalte por meio de substâncias


químicas durante a fase pré e pós-eruptiva do dente é controversa em relação à sua
eficácia. Embora não exista um dente totalmente resistente à cárie, é importante
considerar a suscetibilidade como um fator relativo ao estabelecer estratégias
preventivas, pois está sujeita ao desafio cariogênico ao qual o indivíduo está exposto
(LIMA, 2007).

A doença cárie tem forte relação com a quantidade de açúcar ingerida pelo individuo, da
capacidade tampão da saliva, e quantidade de biofilme acumulado. Portanto, para que
tratamento odontológico seja realizado de maneira completa visando a prevenção deste
paciente, é imprescindível que o cirurgião dentista, junto ao paciente, controlem esses
fatores biológicos e comportamentais (WEYNE & HARARI, 2001).

Estudos demonstraram formas de abordagem mais conservadoras, que passaram a ser


conhecidas como “odontologia de mínima intervenção”, que por meio de uma avaliação
dos ricos críticos tem como principal foco prevenir e controlar a doença cárie (WALSH
& BROSTEK, 2013).

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A abordagem de mínima intervenção pode ser particularmente vantajosa na
odontopediatria, uma vez que técnicas que reduzem ou eliminam a necessidade de
anestesia local são altamente benéficas para prevenir ou reduzir a ansiedade associada
ao tratamento. O avanço da cariologia e das restaurações adesivas permitiu o
desenvolvimento da odontologia minimamente invasiva, que visa diagnosticar a cárie
precocemente e oferecer tratamentos conservadores com intervenções operatórias
mínimas para prevenir e controlar a doença (REIS et.al., 2020).

Em relação aos fatores biológicos, a doença cárie é acometida pela perda de


minerais essenciais presentes no elemento dentário sendo eles; fosfato e cálcio. Essa
desmineralização acontece por meio de ácidos orgânicos causados pela fermentação de
carboidratos ingeridos, durante a refeição (PASCOTTO et. al., 2014, WEYNE &
HARARI, 2001).

O consumo exacerbado de alimentos industrializados faz com que o pH salivar fique


ácido diminuindo a capacidade tampão da saliva e favorecendo o aparecimento de
erosões dentarias (RESENDE, LODO, MARTINS 2022).

O cirurgião dentista deve saber diagnosticar precocemente as lesões de cárie,


afim de que elas não evoluam, por isso é de extrema importância que saiba reconhecer
os primeiros sinais clínicos da doença cárie. O primeiro sinal da doença é conhecido
como lesão de mancha branca, visto que estágios anteriores a este só seriam possíveis
de serem diagnosticados por meio do uso de microscópios. As lesões de mancha branca
podem ser definidas como e clinicamente se apresentam como representado na Figura
1A.

Neste estágio a lesão pode ser remineraliza (explicar sobre orientações ao


paciente e uso de verniz fluoretado), não evoluindo assim para lesões de cárie cavitadas
(Figura 1B) onde a remineralizarão e prevenção já não são mais possíveis d serem
realizadas, sendo necessário a realização de tratamento restaurador. Quando não
realizado um tratamento de prevenção precoce, por meio de procedimentos no
consultório odontológico e mudanças nos hábitos de higiene oral e alimentação do
paciente a lesão de cárie evolui até que haja completa destruição coronária (Figuras 1C
e 1D). A lesão de cárie avançada tem a presença de uma perda significativa de minerais,
fazendo com que o tecido apresenta-se de forma amolecido e escuro, resultando em dor
e desconforto podendo ser visualizado na Figura 1. Em caso de avanço da lesão podem

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resultar em perda do elemento dentário (FORATORI JUNIOR, ZABEU, WANG,
2024).

Figura 1. Estágios de evolução da lesão de cárie. A: Lesão de mancha branca na região


cervical dos dentes; B:

Lesão de cárie ativa, apresentando início da cavitação da região oclusal devido a


progressão do processo de Desmineralização;

C: Lesão de cárie em estágios avançados, com grande perda de tecido mineralizado;

D: Destruição coronária completa em decorrência do processo de desmineralização


causado pela cárie.

Fonte: FORATORI JUNIOR, ZABEU, WANG (2024).


O diagnóstico da doença cárie é realizado por um profissional da área da saúde
bucal, com avaliação detalhada e completa do paciente, com a anamnese, histórico de
autocuidados e hábitos alimentares, exame clínico na cavidade bucal detalhado,
presença de lesões cariosas, quantidade de saliva presente, presença de biofilme. Depois
de concluir o diagnóstico, o tratamento consiste em remoção da causa, mudança do
comportamento do paciente, remoção do biofilme dentário (WEYNE & HARARI,
2001).

Erosão Dentaria

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A erosão dentária compromete a estrutura dentária, ocasionando o desgaste no elemento
dentário. No início sua ação é silenciosa, dessa forma progride de forma invisível
(Figuras 2 e 3).

Figura 2. Aspecto da erosão dentária em paciente jovem, afetando os dentes anteriores


e aspecto de perda de brilho nas faces em geral indicando a perda de estrutura.

Fonte: FORATORI JUNIOR, ZABEU, WANG (2024).

Figura 3. Aspecto da erosão dentária afetando os dentes posteriores

Fonte: FORATORI JUNIOR, ZABEU, WANG (2024).


Nota-se desgaste generalizado de estrutura dentária e comprometimento da
altura dos dentes, o que pode levar à interferência na mordida. Os produtos ácidos como
refrigerantes, frutas e bebidas cítricas são consumidas em alta demanda pelos indivíduos
sem presença de placas bacterianas, causa um aumento da prevalência de erosão
dentária que está associado aos hábitos alimentares. Outros hábitos alimentares que
causam essa etiologia são os distúrbios de anorexia, bulimia, refluxo e hérnia de hiato,
desordem gástricas (MAGALHÃES et al.,2009).

Nestes casos, o ácido gástrico, durante a regurgitação e/ou vômito, também


permite um contato direto e frequente com a estrutura dentária. Essas duas formas de
contato, por meio da alimentação direta ou decorrente do ácido gástrico são os dois
grandes grupos responsáveis pela erosão dentária, sendo classificadas como de etiologia

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extrínseca e intrínseca, respectivamente. Dessa forma, o ácido em contato direto
promove um amolecimento de superfície dentária, que é removida na sequência, ou
seja, é desgastada. Em associação à escovação ou mesmo em contato com o dente da
arcada oposta, esse desgaste pode ser intensificado (MAGALHÃES et al., 2009;
WANG et al., 2014).

Açúcar e cárie dental


Todo carboidrato adocicado é chamado de açúcar, mas é de conhecimento da
população denominar apenas o pó com formato granulado como “açúcar”, contendo
nele o principal componente sucralose. Esse carboidrato está presente em umas das
causas da cárie dentária, seu perfil cariogênico vem de sua analogia com microrganismo
cariogênico. Estimula a síntese polissacarídeo extracelular insolúvel, que potencializam
a capacidade de viscosidade e consequentemente a adesão do biofilme às superfície
dentárias. Através desse mecanismo específico incrementa a virulência principalmente
da bactéria S. mutans, incrementando de forma especial a cariogenicidade de
microfloras formadas predominantemente por este microrganismo (BARBOSA,
RIBEIRO, NOGUEIRA, 2004).
A OMS em 2015 demonstrou que o ganho excessivo de peso, diabetes e cáries
são os principais problemas associados à ingestão de açúcar livre e recomendou sua
ingestão para menos de 10% do consumo total de energia, afirmando que menores
consumos relacionam-se com menor incidência de cárie dentária. Visto que as
predileções por alimentos gordurosos e açucarados começam a desenvolver-se de forma
bastante precoce
na infância, destaca-se que a introdução de uma prática alimentar saudável é mais
produtiva do que a substituição de uma prática inadequada já internalizada (PAULA,
2019).

Nutrição e Saúde oral


Os hábitos alimentares e o perfil alimentar do indivíduo afetam diretamente a
saúde oral de várias, resultando principalmente em defeitos na estrutura e na formação
dos dentes. A alimentação da criança em seu primeiro ano de vida determina os hábitos
e costumes alimentares dos futuros adultos, construindo uma relação entre nutrição e
saúde. O aleitamento materno exclusivo supri as necessidades nutricionais do indivíduo

13
nos primeiros meses de vida e geram momentos afetivos e emocionais, além de ajudar
no crescimento, e a beneficiar o desenvolvimento das funções do sistema
estomatológico. Mas e importante entender que o prolongamento do aleitamento
materno que pode estar relacionado com maior incidência de cárie dentária
(BARBOSA, RIBEIRO, NOGUEIRA, 2004).

Factores nutricionais que influenciam na saúde oral

As deficiências nutricionais que ocorrem durante o período de desenvolvimento


dos dentes podem influenciar a suscetibilidade à cárie dentária por três prováveis
mecanismos: defeitos na formação dentearia (odontogênese), atraso na erupção dos
dentes e alterações das glândulas salivares. Com relação à erupção dentária, os factores
nutricionais podem actuar nos dentes alterando a sequência ou mesmo a cronologia de
erupção, modificando assim o momento em que estes surgem na boca (FERREIRA,
2008).

Menoli et. al. (2003), em estudo em 11 ratos, demonstrou que a nutrição


indevida reduz o fluxo e a composição salivar e altera o sistema imunológico, tornando
o esmalte dentário mais suscetível à cárie. Segundo Porto et. al. (2007) a frequência
alimentar também é outro aspecto importante a ser considerado. Indivíduos que
consomem um maior número de pequenas refeições ao longo do dia apresentam peso
maior do que aqueles que consomem menor número de grandes refeições. Os hábitos
alimentares relacionados à obesidade podem também estar relacionados com a cárie
dentária, pois tanto a quantidade de sacarose ingerida quanto a frequência de ingestão
são importantes fatores envolvidos na etiologia da doença (TRAEBERT et. al. 2004).

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Metodologia

Para elaboração do projecto, recorreu-se a metodologia de consulta de algumas


obras bibliográficas que versam sobre o tema nelas inclinados e que tais obras estão
referenciadas na lista bibliográfica. Como se não bastasse, tratando-se de um projecto
cientifico, importa salientar que, o trabalho está organizado textualmente de seguinte
maneira: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Segundo Severino (2007), A pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do:
[...] registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em
documentos impressos, como livros, artigos, teses etc. Utilizam-se dados
de categorias teóricas já trabalhadas por outros pesquisadores e
devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem
pesquisados. O pesquisador trabalha a partir de contribuições dos autores
dos estudos analíticos constantes dos textos (SEVERINO, 2007, p.122).

Quanto a aborgem empregarei a pesquisa qualitativa visto que o objecto de estudo está
ligado aos hábitos alimentares que levam a desencadear os problemas da cavidade oral
nas crianças no período pre-escolar.

Rodrigues e Limena (2006, p. 90) definem a abordagem qualitativa como:


Quando não emprega procedimentos estatísticos ou não tem, como objetivo
principal, abordar o problema a partir desses procedimentos. É utilizada para
investigar problemas que os procedimentos estatísticos não podem alcançar ou
representar, em virtude de sua complexidade. Entre esses problemas, poderemos
destacar aspectos psicológicos, opiniões, comportamentos, atitudes de
indivíduos ou de grupos. Por meio da abordagem qualitativa, o pesquisador tenta
descrever a complexidade de uma determinada hipótese, analisar a interação
entre as variáveis e ainda interpretar os dados, factos e teorias.

Quanto ao método de recolha de dados empregarei a entrevista e questionário.

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Cronograma

Actividade Mês Material Custo em


para uso na Metical
pesquisa

Setembro Outubro Novembro Dezembro 4 Canetas 80.00 Mts

Recolha de X X 1 computador 17.000,00Mts


informações

Compilação X 1 Caderno 70.00 Mts

Conclusão X Total 17.150,00 Mts

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Conclusão

Ao longo do estudo, ficou evidente que o consumo excessivo de açúcares e


alimentos processados pode aumentar o risco de cáries dentárias e outras doenças
bucais, enquanto uma dieta balanceada e nutritiva pode fortalecer os dentes, proteger as
gengivas e reduzir o risco de problemas bucais. Além disso, a deficiência nutricional
pode desempenhar um papel crucial na formação dos dentes e na saúde bucal geral,
contribuindo para defeitos na estrutura dental e alterações no ambiente bucal, tornando-
o mais suscetível a doenças cariogênicas e não cariogênicas. Enfatizando a importância
da orientação nutricional desde os primeiros anos de vida.

No entanto, é importante ressaltar que os alimentos não são apenas fontes de


risco, mas também podem ser aliados na promoção da saúde bucal. Uma abordagem
integrada que combina orientações sobre dieta saudável e práticas adequadas de higiene
bucal pode levar a uma melhoria significativa na saúde bucal e na qualidade de vida
geral dos indivíduos.

Portanto, conclui-se que a educação alimentar e a conscientização sobre a importância


da dieta na saúde bucal são essenciais para prevenir doenças dentárias e promover uma
saúde bucal ótima ao longo da vida. O acompanhamento regular com profissionais de
saúde, incluindo cirurgiões-dentistas e nutricionistas, é fundamental para fornecer
orientações personalizadas e integradas que abordem as necessidades individuais de
cada paciente.

17
Referências Bibliográficas

RODRIGUES, Maria Lucia; LIMENA, Maria Margarida Cavalcanti (Orgs.).


Metodologias multidimensionais em Ciências Humanas. Brasília: Líber Livros Editora,
2006. 175p.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez,
2007.

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